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As três escolas liberais do século XX

O século XX foi marcado, especialmente depois da Teoria Geral do senhor Keynes, pelo intervencionismo estatal como pensamento dominante. Essa doença — a da crença de que o estado pode e deve solucionar os problemas das economias — manifestou-se de diversas formas, entre as quais o keynesianismo, o marxismo, o estruturalismo e outras variantes. Gerações de economistas foram e continuam sendo educadas nas cartilhas intervencionistas. O resultado disso tem sido catastrófico: causas acabaram transmutadas em efeitos, poupar virou vício e gastar ganhou status de virtude, focinhos de porcos terminaram confundidos com tomadas (embora diferentes das que a ABNT agora nos empurrou goela abaixo)...

Ontem (dia 2 de agosto) mesmo, em artigo no jornal O Globo, Paul Krugman — que se transformou em um globetrotter da economia keynesiana —, ao criticar o acordo de Obama com o Congresso para elevar o teto da dívida pública, defende que o governo dos Estados Unidos deveria aumentar mais os seus gastos. Para ele e para a maioria dos economistas e políticos, gastos públicos têm o poder extraordinário de transformar "pedras em pães", mediante uma varinha mágica semelhante à de Harry Potter, chamada de "efeito multiplicador".

Interrompi por instantes a continuação deste artigo para atender ao telefone. Era uma jornalista de um importante canal de TV a cabo, me convidando para comentar o novo pacote de "políticas industriais" que a equipe do sr. Mantega anunciou ontem. Delicadamente, declinei do convite, porque cheguei a um ponto em que a simples menção a esses tipos de políticas tem o poder de colocar meus nervos à flor da pele. O tal pacote, como sempre, é mais um feixe de joio inútil e minha entrevista se transformaria em uma sucessão de críticas que a maioria dos telespectadores sequer entenderia, já que a cultura intervencionista e a crença em "medidas", "pacotes" e "planos" governamentais está enraizada na cabeça das pessoas...

Voltando ao tema do artigo, vou apresentar um resumo das três escolas de pensamento econômico que apareceram no século XX e que ousaram criticar a onda intervencionista desencadeada pelos ventos keynesianos. As duas primeiras (o Monetarismo e seu desenvolvimento, a Escola de Expectativas Racionais) são posteriores a Keynes e podem ser colocadas dentro da "mainstream economics" e a terceira — a Escola Austríaca de Economia — é anterior e possui características bem distintas.

O Monetarismo

Friedman.pngO principal nome do monetarismo é Milton Frieman (1912-2006), líder de um grupo de defensores do livre mercado na Universidade de Chicago. Podemos resumir o monetarismo em duas proposições básicas: (a) a instabilidade da oferta de moeda e (b) a estabilidade da demanda de moeda. Dessas premissas surge o giagnóstico; as flutuações cíclicas das economias podem ser atribuídas à instabilidade da oferta de moeda. Sendo assim, a terapia correta é que os bancos centrais devem atuar sempre no sentido de garantir uma taxa fixa de crescimento monetário (conhecida como a x-rule ).

Eis algumas das conclusões dos monetaristas:

1. Existe uma relação consistente, embora não precisa, entre crescimento na oferta monetária e crescimento na renda nominal.

2. Leva algum tempo até que o crescimento na oferta de moeda afete a renda.

3. Uma alteração na taxa de crescimento da oferta de moeda leva de 6 a 9 meses para afetar a taxa de crescimento da renda  nominal.

4. Mudanças naquela taxa de crescimento afetam primeiro o produto real e só depois é que se refletem exclusivamente  sobre o  nível   de preços.

5. Apenas transitoriamente é possível manter a economia acima de sua capacidade normal ou natural mediante políticas keynesianas de "sintonia fina'' do lado da demanda. A insistência do governo em fazê-lo apenas fará com que a inflação se acelere.

6. "A inflação é sempre e em qualquer lugar um fenômeno monetário".

7. O déficit público pode ou não ser inflacionário: o será se for financiado por expansão monetária, isto é, por aumentos no papel moeda  e nos depósitos bancários.

8. A expansão monetária inicialmente reduz as taxas de juros, mas,  na medida em que os gastos e os preços aumentam, a demanda de empréstimos crescerá,  o que elevará no futuro as taxas de juros.  Isto explica porque os monetaristas sempre insistiram na afirmativa de que a política monetária não deve ser guiada pelas taxas de juros.

9. Além disso, as variações de preços provocadas pela instabilidade da oferta de moeda  acabam introduzindo discrepâncias entre as taxas de juros reais e as nominais,  que  terminam  gerando  distúrbios  nos setores reais (produção) da economia.

Neste modelo, existe uma curva de oferta agregada para cada valor das expectativas de preços P* (ofertas agregadas de curto prazo) e uma curva de oferta  agregada  de  longo  prazo, definida  como o conjunto de todos os pontos em que  P*   =  P. Esta curva deve passar  necessariamente  por  yn ,  que  representa  o   nível  "natural"  ou  "normal''  de  produto.

O equilíbrio de curto prazo se dá sempre que ocorre uma interseção entre uma curva de oferta agregada de curto prazo com uma curva de demanda agregada e o equilíbrio de longo prazo sempre que tal interseção se der sobre a curva de oferta agregada de longo prazo.

As políticas monetárias e fiscais expansionistas elevariam transitoriamente o produto para, digamos, y', mas a revisão das expectativas de preços para cima, com o passar do tempo, deslocaria as curvas de oferta agregada (OA) para a esquerda, o que levaria a economia, inicialmente em A, para o ponto B e daí para o ponto C, em que o nível de produto seria o inicial (nível natural ou normal), mas o nível de preços seria maior.

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Friedman e os monetaristas trabalhavam com a hipótese de que as expectativas são adaptativas, ou seja, de que, com o passar do tempo, os agentes econômicos percebiam os erros cometidos em suas avaliações e os corrigiam, até que, no "longo prazo", eles fossem totalmente eliminados.

A política monetária não deveria ser usada para objetivos de pleno emprego, mas apenas para proporcionar a estabilidade de preços necessária para o crescimento sustentado da economia, que é considerado como uma questão essencialmente de oferta (e não de demanda, como no keynesianismo), de expansão da capacidade produtiva ao longo do tempo.

Uma expansão na oferta de moeda reduziria a taxa de juros no curto prazo (efeito Keynes), mas, com o decorrer do tempo, o aumento na renda por ele gerado iria aumentar a demanda por empréstimos e a demanda de moeda, o que elevaria a taxa de juros (efeito renda). Mais tarde, os preços subiriam, reduzindo assim a liquidez real e aumentando a taxa de juros (efeito liquidez) e, por fim, com o surgimento da expectativa de inflação, esta seria incorporada à taxa de juros nominal, provocando um aumento na taxa de juros real (efeito Fischer).

Em 1958, Phillips, de inspiração keynesiana, sugeriu, em estudo que se tornou famoso, que existiria um dilema de política econômica: quando os governos resolvessem combater a inflação, o desemprego aumentaria e quando resolvessem reduzir o desemprego, a inflação aumentaria. Até hoje, muitos economistas e economistas ainda acreditam nisso. E — pior — acreditam que o desemprego é a "cura" para a inflação, o que os leva a aceitar taxas de inflação elevadas. A própria presidente do Brasil não se cansa de afirmar coisas do tipo: "precisamos controlar a inflação, mas de modo que a economia continue a crescer"...

Para a Escola Monetarista, o trade off (dilema) entre inflação e desemprego só seria relevante no curto prazo, porque existe uma curva de Phillips para cada valor das expectativas de inflação P*: suponhamos que a economia esteja no ponto A, com uma taxa de inflação ¶ 0   e no seu nível natural de desemprego, u n, e que o Banco Central resolva executar uma forte política para derrubar a inflação.

No curto prazo, o efeito será aumentar a taxa de desemprego para u', mas, caso as autoridades monetárias permaneçam firmes em seu propósito — e se o estado equilibrar as suas contas de forma permanente — a inflação esperada irá declinar, o que fará a curva de Phillips se deslocar para baixo, até ajustar-se à nova inflação ¶ 1. A economia iria, então, de A para B no curto prazo e de B para C quando as expectativas se ajustassem (P*= P1).

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A Escola de Expectativas Racionais

Lucas.pngA Escola de Expectativas Racionais baseia-se em três hipóteses bastante fortes: primeira, todos os agentes econômicos são otimizadores; segunda, não têm qualquer tipo de "money illusion", isto é, tomam sempre as suas decisões com base em variáveis reais (e não em variáveis nominais) e terceira, suas expectativas são racionais (conceito formulado pela primeira vez por John Muth em 1961 e que se popularizou após a publicação de artigo assinado por Robert Lucas e Leonard Rapping em 1969 sobre salário real, emprego e inflação. De forma simples, as expectativas dos agentes econômicos são racionais quando, na média, os agentes acertam em suas expectativas.

Para essa escola, cujos principais economistas são Robert Lucas (foto acima), Neil Wallace, Leonard Rapping e Thomas Sargent, com base nessas três hipóteses, nem mesmo transitoriamente é possível para o governo manter a economia funcionando acima de sua capacidade natural mediante políticas de "sintonia fina" de natureza keynesiana, pois os agentes econômicos antecipam a inflação futura e a trazem para o presente. Uma das conclusões mais importantes dessa escola é a conhecida "proposição da invariância", segundo a qual as políticas do governo não têm qualquer poder — mesmo no curto prazo — para afetar as variáveis reais da economia, tais como o produto, o emprego e os salários reais.

Apenas no caso em que as políticas do governo contiverem algum elemento de incerteza, não previsto, é que poderiam transitoriamente afetar os níveis de produto e de emprego.

A equação de oferta de Lucas pode ser expressa como yt  =  yn + b (Pt - t-1Pe t) , em que yt é o PIB no período t, yn é o nível normal ou natural do PIB, b representa um parâmetro, Pt é o nível de preços no período t e t-1Pe t é a expectativa quanto ao nível de preços no período t, formulada no final do período t - 1. Sendo assim,quando as expectativas estão certas (são racionais), o PIB será igual ao seu nível natural; se o nível esperado de preços for superior ao efetivo, o PIB será menor do que o natural e se o nível esperado de preços for inferior ao nível efetivo, o PIB será superior ao seu nível normal.

Para chegar a essa equação, Lucas partiu de um mundo microeconômico de diversas ilhas isoladas umas das outras e, mediante uma elegante construção teórica, passou da microeconomia para a macroeconomia.   

No gráfico seguinte, se o governo expandisse a demanda agregada DA, através de políticas monetárias e/ou fiscais, partindo do ponto A, a economia iria imediatamente para o ponto B, sem qualquer aumento no produto, mas com preços mais elevados.

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Uma conclusão interessante da Escola de Expectativas Racionais é que nível de preços hoje depende da política monetária de agora — que, obviamente, é conhecida — e da política monetária que se espera vir a ser executada no futuro, a qual, por sua vez, depende do déficit governamental de hoje e do déficit esperado para o futuro.

Portanto, pode haver situações em que, na presença de desequilíbrio crônico nas contas públicas, uma política monetária austera pode significar mais inflação no futuro, bastando, para isso, que as expectativas para o déficit público sejam no sentido de que ele vai se deteriorar. Não basta, para a Escola de Expectativas Racionais, olharmos para o que o Banco Central e as autoridades fiscais estão fazendo; é preciso que olhemos para o que achamos que ambos irão fazer no futuro. Isto revolucionou a macroeconomia moderna, a partir dos anos 70 do século passado.

Outra contribuição importante da Escola de Expectativas Racionais foi que ele mostrou que deve existir coordenação entre os regimes monetário e fiscal, para que o "jogo" da economia seja cooperativo. Quando não existe coordenação, por exemplo, quando o governo apresenta forte desequilíbrio em suas contas e o Banco Central resolve atacar a inflação, a taxa de juros necessária para que a inflação caia passa a ser muito maior do que seria caso as contas públicas apresentassem equilíbrio entre receitas e despesas.

A Escola das Escolhas Públicas (Public Choice)

buchanan_headshot3.jpgSeu principal expoente é James Buchanan (1919, na foto), que publicou com Gordon Tullock, em 1962, The Calculus of Consent, a obra que estabeleceu a escolha pública como um ramo da economia.

No que estão baseadas as escolhas dos agentes políticos e das sociedades? Isto é o que tenta explicar a Teoria da Escolha Pública, assunto estudado em (bons) cursos de Ciências Sociais, Econômicas e Políticas, Direito e, também, na Administração. É um elemento importante para entender os processos eleitorais. No Brasil, infelizmente, essa escola é praticamente desconhecida e tratada até com certo desdém pelos doutores keynesianos. A rigor, só há um especialista no assunto em nosso país, o Prof. Jorge Vianna Monteiro, da PUC do Rio de Janeiro.

A escolha pública é um ramo da teoria econômica em que os conceitos da economia de mercado são aplicados à política e aos serviços públicos. Assim, a visão romântica de que o político é um servidor altruísta do interesse público em geral é substituída por uma abordagem mais realista. Em vez de conceder aos políticos um tratamento especial, a escolha pública os trata como meros agentes humanos que priorizam a busca do seu interesse próprio.

A Teoria da Escolha Pública tem como unidade básica a análise do indivíduo político e social através do método econômico. Sustenta que cada ator político toma decisões que vão ao encontro de seus interesses pessoais, o que geraria uma maximização da utilidade deste agente social. É a influência direta dos economistas nas políticas públicas estatais. Eles perceberam que com a passagem das monarquias absolutistas para monarquias ou repúblicas constitucionais os parlamentos passaram a ter certo controle sobre a ação dos Executivos.

Basicamente a teoria foi sendo fundamentada numa redefinição da problemática das finanças públicas. O principal não era mais a manutenção de uma corte, mas o estabelecimento de uma espécie de troca entre impostos pagos pelos cidadãos e os bens e serviços recebidos através das despesas públicas. Transferindo estas mudanças para a política, significou que a democracia não deve substituir a tirania de um rei ou oligarquia pela tirania da maioria, mas servir os interesses da coletividade e as preferências dos cidadãos em relação aos bens públicos.  

Estudando as diferentes formas de democracia que iam surgindo, percebeu-se que a perspectiva da teoria da escolha pública é que as decisões políticas e econômicas dos governos estão sujeitas a um conjunto de poderes repartidos por diferentes agentes com funções diferentes no sistema político. Ou seja, os poderes Executivo, Legislativo e Judiciário, a própria administração pública, os partidos políticos e os grupos de interesse interferem na possibilidade e capacidade de implementar as políticas públicas. Ao mesmo tempo, os governos têm tempos de atuação limitados, tendo que se submeter à apreciação popular periodicamente, o que acaba influenciando  as decisões tomadas.

Em suma, a teoria da escolha pública mostra que o indivíduo é peça fundamental. Que a escolha coletiva é resultado das preferências dos agentes envolvidos nesta escolha e das regras e procedimentos que permitem passar de preferências diversas de cada indivíduo para uma única escolha coletiva. Autores como o professor português José Manuel Moreira defendem que os indivíduos são instrumentalmente racionais, isto é, capazes de escolher ações apropriadas aos objetivos que pretendem alcançar.
Moreira diz ainda que se não há racionalidade há o egoísmo de sempre cuidar dos interesses pessoais. Daí a necessidade de definir regras, procedimentos e instituições que evitem os piores abusos de poder e outras tentações políticas.

Em outras palavras, os cidadãos precisam, de acordo com essa escola, conter o excesso de poder do estado mediante instituições adequadas.

 A Escola Austríaca de Economia

Ao se falar da EAE os primeiros nomes que nos vêm à mente são, indubitavelmente, os de Ludwig von Mises (1881-1973) e Friedrich August von Hayek 1899-1992), retratados na imagem abaixo.. Mas a tradição austríaca remonta aos pós-escolásticos ou escolásticos tardios e também a Richard Cantillon. O fundador da EAE é Carl Menger (1840-1921) e ela prosseguiu com Wieser, Böhm-Bawerk, Murray Rothbard e prossegue com Israel Kirzner, Hans-Hermann Hoppe, Roger Garrison, Joseph Salerno, Lew Rockwell, Mark Thornton, Tom Woods, Robert Murphy, Jörg Guido Hülsmann e outros, cujas obras mantêm viva a tradição mengeriana. No Brasil há poucos economistas que desenvolvem seus trabalhos na tradição austríaca, mas esse número vem crescendo graças, em boa parte, ao trabalho do Instituto Mises do Brasil. Além do autor deste artigo, temos os professores Fabio Barbieri (da USP de Ribeirão Preto) e Antony Mueller (da Universidade Federal de Aracaju), além de jovens como Fernando Ulrich e Domingos Crosseti Branda, além de diversos jovens recém-formados que pretendem aprofundar seus estudos no exterior na tradição da EAE.

Mises¨Hayek.png

Podemos resumir a EAE em um núcleo, formado por uma tríade básica — ação, tempo e conhecimento — e três elementos de propagação — a saber, o conceito de utilidade marginal, o subjetivismo e a definição de ordens espontâneas. Em meu novo livro, Ação, tempo e conhecimento: a Escola Austríaca de Economia (IMB, 2011) analiso esse núcleo e esses elementos de difusão e mostro como se estendem à Filosofia Política, à Epistemologia e à Economia.

Para efeitos deste modesto artigo, contudo, é suficiente esboçarmos alguns conceitos. A Escola Austríaca baseia-se na ideia filosófica de individualismo (em oposição ao conceito de coletivismo). Sua visão aristotélica/racionalista da economia diverge das teorias econômicas neoclássicas dominantes da mainstream, baseadas numa visão platônica/positivista da economia.

Considera o individualismo metodológico como única fonte válida para a determinação de teorias econômicas, ou seja, dada a complexidade e infinitos fatores que influenciam as decisões econômicas dos vários indivíduos numa sociedade, a única forma válida de explicar essas decisões é estudar quais os princípios fundamentais que regem todas as ações humanas.

À aplicação formal do individualismo metodológico dá-se o nome de praxeologia, que visa a definir leis econômicas válidas para qualquer ação humana, ou seja, a praxeologia preocupa-se em analisar quais os conceitos e implicações lógicas por detrás das preferências e escolhas dos indivíduos, considerando verdadeiras apenas as leis econômicas que são válidas até prova em contrário (por fatos reais), independentemente do tempo ou lugar em que se aplicam. É o falsificacionismo popperiano.

A praxeologia supõe o axioma de que o homem age sempre com a intenção de aumentar o seu conforto ou reduzir seu desconforto, respeitando sempre uma escala ordinal de necessidades que nem sempre são objetivas ou racionais.

Utilizando o mesmo axioma, conclui que um mercado livre da influência estatal é a forma mais eficiente de suprir as diversas necessidades que surgem numa sociedade, dada a incapacidade do estado em interpretar corretamente e suprir com eficiência as necessidades em constante mutação dos diferentes indivíduos que compõem a sociedade.

Características da EAE

(esta seção foi extraída, com algumas alterações, de O Processo de Mercado na Escola Austríaca Moderna, dissertação de mestrado de Fabio Barbieri, USP, São Paulo, 2001).

(a) Individualismo Metodológico: este preceito busca a explicação dos fenômenos econômicos na ação dos indivíduos, e não em entidades coletivas, como, por exemplo, faz o historicismo. Rejeita-se da mesma forma conceitos e agregados macroeconômicos que não sejam fundamentados na ação individual. A ação humana individual ao longo do tempo e sob condições de incerteza genuína é o ponto de partida para a Escola Austríaca.

(b) Subjetivismo Metodológico: o subjetivismo da EA não se limita às preferências do consumidor, mas parte da noção de ação humana baseada em planos individuais, que incorpora também as expectativas e o conhecimento geral dos agentes econômicos, como conjecturas empresariais. Os meios e fins dos planos individuais têm sua origem na mente dos agentes, são imaginados e definidos pelas pessoas. É um subjetivismo "epistêmico": as expectativas, o conhecimento das preferências, dos bens e as conjecturas empresariais são conhecimento falível e conjectural, imaginados pelos agentes, não sendo "dados" de antemão ao economista. A relação entre o conhecimento individual e as realidades objetivas do mercado faz parte dos problemas estudados pela Escola Austríaca.

(c) Análise de Processo: os austríacos não centram sua análise nas propriedades de um estado de equilíbrio, mas sim no processo de trocas que levaria ou não a tal estado. Estuda a ação humana fora do equilíbrio. A análise de processo parte das conjecturas empresariais, cuja implementação leva a erros que surgem das ações baseadas em conhecimento sempre limitado e disperso e prossegue estudando os mecanismos de correção de erros. A Escola Austríaca estuda a ordem espontânea do mercado, que surge da interação de indivíduos que agem conforme seus planos independentes, baseados em conhecimento imperfeito e sujeito a mudanças inesperadas.

Os austríacos não utilizam a concepção newtoniana do tempo, mas o conceito de tempo real ou dinâmico de Henri Bergson. Para os austríacos, o mercado é um processo.

(d) Complexidade: A Escola Austríaca identifica na diversidade micro a causa fundamental de vários fenômenos econômicos. Suas teorias evitam utilizar agregados homogêneos, apontando em vez disso para as relações estruturais entre os elementos diferenciados de tais agregados: enfatiza-se a estrutura do capital em detrimento de sua quantidade total, os movimentos relativos nos preços são mais importantes do que o estudo do "nível de preços", o conhecimento e expectativas variam conforme os agentes e o sistema de preços é visto como um  complexo processo de adaptação a mudanças freqüentes e desconhecidas pelos agentes, formando uma ordem espontânea auto-organizável. 

(e) Heurística Positiva: orientada por estes preceitos básicos, a Escola Austríaca  desenvolve teorias nas seguintes direções: tornar os fenômenos inteligíveis em termos de ação humana proposital, em especial o estudo de planos individuais; traçar conseqüências não intencionais da ação humana; lidar com as conseqüências da passagem do tempo e da imperfeição do conhecimento, como o estudo da inconsistência de planos; desenvolver teorias sobre a aquisição de conhecimento por parte dos agentes; estabelecer as condições para se admitir a existência de uma tendência ao equilíbrio; estabelecer as condições em que ocorrem desequilíbrio, como na teoria de ciclos; construir teorias com relações estruturais entre seus elementos, que dêem conta da diversidade e complexidade do fenômeno estudado. 

(f) Heurística Negativa: paralelamente a este programa positivo, os austríacos seguem regras negativas como: não construir teorias que estabeleçam relações causais entre agregados e médias, mas que careçam de base em ações humanas individuais; não construir teorias nas quais as ações humanas são completamente determinadas por situações externas, negando-se alguma autonomia à mente humana; não utilizar teorias que admitem conhecimento perfeito ou otimamente imperfeito; não desconsiderar diversidade individual dos agentes e o realismo das hipóteses (rejeita-se o instrumentalismo metodológico).

Comentários finais

Esboçamos as linhas principais das três escolas econômicas liberais que marcaram o século XX, um século em que prevaleceram idéias coletivistas e intervencionistas, em que o relativismo moral passou a dar as cartas e em que as chamadas "soluções políticas" prevaleceram sobre as soluções da economia de mercado.

Dentro desse quadro extremamente adverso, temos que louvar os economistas da Escola Monetarista e os chamados Novos Clássicos, bem como os da Public Choice e os que prosseguiram com a tradição austríaca iniciada por Carl Menger. Foram — e ainda são — verdadeiros heróis, semelhantes a dom Quixotes lutando contra os moinhos movidos pelos ventos do estatismo, do intervencionismo, do keynesianismo, da social-democracia e do socialismo. Quem trabalha como professor em uma universidade — pública ou privada — sabe muito bem do que estou falando. Em um departamento de Economia com, digamos, 30 professores, encontrar um ou dois monetaristas ou novos clássicos é muito difícil — porque quase todos são keynesianos ou marxistas (!) — e achar um seguidor da public choice ou um austríaco é praticamente impossível. Anima-nos, contudo, a receptividade que as idéias austríacas encontra entre muitos alunos interessados em alargar o seu leque de conhecimentos.

Todos sabem que há alguns anos passei a me considerar um economista austríaco e isso pressupõe que considero a Escola Austríaca superior à Monetarista e à da Escolha Pública, no sentido de explicar com mais propriedade a economia do mundo real, seja por sua metodologia mais apropriada para as ciências sociais, seja pelo fato de encarar os mercados como processos de permanentes descobertas, ou por ser a única que possui uma teoria do capital, dentre outras vantagens. Mas isto, neste artigo, não vem ao caso. Em um mundo marcado pela crença nas pajelanças do estado como indutor do "crescimento", o que importa é que há economistas que nadam contra a maré, sejam eles monetaristas, seguidores de Buchanan ou austríacos.

Porque o inimigo é o mesmo: o estado. Nossa luta é para recolocá-lo em sua devida função, que é a de nos servir naqueles poucos setores em que sua presença pode ser aceita, e não a de servir-se de nós, cidadãos de bem e pagadores de tributos.

Palmas para Friedman, Buchanan, Mises e Hayek, então! E, para os dois últimos, palmas com bis...


1 voto

autor

Ubiratan Jorge Iorio
é economista, Diretor Acadêmico do IMB e Professor Associado de Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ).  Visite seu website.

  • CARLOS  04/08/2011 10:21
    A cada dia vemos o estado brasileiro se agigantar de forma irresponsável e descontrolada. A cada dia surge um novo órgão, uma nova empresa (a última foi a EMBRAPI), uma nova regulamentação. Como se tudo isso não tivesse nenhum custo. Hoje qualquer membro do governo tem o poder de criar "leis" travestidas de "portarias" impondo obrigações que pela constituição vigente só poderiam ser impostas por lei. Onde vamos parar?
  • Eduardo  04/08/2011 10:59
    Excelente artigo! Vou usá-lo como base para leituras maiores...incrível com "escondem" essas escolas.\r
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    Imagino como deve ser chato, mas você deveria ter ido ao programa. Há pessoas por aí atrás de novas idéias e querendo diminuir o Estado. Viram o artigo do Carlos Alberto Sardenberg sobre o pacote no Globo de hoje? \r
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    A divulgação da escola austríaca precisa de mais canais, além de sites como esse, pois eles só sao acessados por quem já a conhece.\r
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  • Djalma  04/08/2011 11:15
    Ótimo artigo!\r
    Mas na minha opinião, o Prof. Ubiratan, deveria aceitar o convite para a entrevista porque é importante que uma voz diga a palavra para ¨não¨ ao keynesianismo. Ficar apenas no underground não é a solução!
  • Fernando Chiocca  04/08/2011 11:20
    Concordo Djalma. E ficar com os nervos a flor da pele é mais um motivo para o aceite.
  • Ubiratan Iorio  04/08/2011 12:45
    Ok, concordo com vocês que eu deveria ter ido ao programa... Mas além do motivo que mencionei, teria que gastar da minha casa até a Globo um total de uns 100 pilas de táxi, já que eles ontem não poderiam vir me buscar em casa...
  • Peterson Mota  06/08/2011 11:55
    Prezado Prof. Ubiratan,

    Solicite aos administradores do site o meu e-mail. Na próxima vez eu pago o seu taxi!

    100 pila não pode ser empecilho para que estejamos mostrando nossas idéias diante de milhões de pessoas!

    Abs,

    Peterson
  • Capitale  12/08/2011 04:30
    Uma pena que não foi. Uma máxima futebolística aplicável agora: quem não faz, toma. Alguém do mainstream deu entrevista e foi um desastre.

    Apareceu na folha a entrevista de um professor da UFRJ dizendo que não há crise. Reparem na resposta da primeira pergunta e já dá pra ter uma noção de qual é o pensamento dos nossos 'intelectuais'.

    www1.folha.uol.com.br/mundo/958382-nao-ha-crise-bancaria-nem-fiscal-nos-eua-diz-economista.shtml
  • Joao  12/08/2011 08:06
    Meu Deus, é cada pérola! Deixem-me colar aqui as pérolas da entrevista da URL do colega Capitale:

    Como disse Alan Greenspan, ex-presidente do Fed, o banco central americano: ninguém dá calote na própria moeda porque pode imprimi-la.

    Como os economistas são geniais! Então, basta imprimir o dinheiro e, plim!, os problemas desaparecem! Eba!

    Na Europa, os países precisam se endividar numa moeda que não é sua, e não há uma autoridade fiscal central garantindo políticas fiscais expansionistas tão necessárias num momento de recessão.

    Claro, porque em uma recessão o importante é defecar dinheiro, se endividar e deixar a conta para o futuro. Pronto, viram? Eu já sou "especialista" em economia, também!

    (Os EUA não têm problemas) Nem de dívida nem de deficit fiscal, no curto prazo.

    16 trilhões em dívida e mais de 100 trilhões em obrigações sem fundos são so uma ilusão criada por essa direita malvada. Viram? Eu sou "especialista" em economia! Nem preciso saber fazer contas. Basta eu dizer que a culpa é da direita!

    A questão bancária de 2008 foi muito bem resolvida.

    Eu não estou inventando essa frase! Está realmente lá.

    Depois de ler essa entrevista, entendo por que as pessoas acham que economia é um assunto praticamente indecifrável. No meio de análises a respeito de aumentos brutais nos gastos, o sujeito responde que os EUA não têm problemas de dívida. Aí um cidadão como eu, leigo em economia, pensa: "Realmente, economia deve ser pior do que astrofísica, porque, nas minhas contas, quem tem excesso de gastos acaba tendo problemas com dívidas".
  • Fernando Ulrich  04/08/2011 13:30
    Excelente artigo. Honrado pela menção e ciente da responsabilidade que o conhecimento traz, adiciono que seguirei comprometido e atuante na defesa das ideias da escola austríaca de economia. Forte abraço.
  • Domingos  04/08/2011 17:30
    Ilustre Prof. Ubiratan,\r
    \r
    Faço minhas as palavras do Fernando.\r
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    Grande abraço.
  • Engenheiro Anti-Cartorios  04/08/2011 13:41
    Excelente artigo do Prof. Ubiratan.

    Não diminuindo a importância do lado puramente técnico da superioridade teórica da EAE, acho fundamental frisar que é a única escola de pensamento totalmente afinada com princípios éticos sólidos, ou seja, a idéia de que a intervenção do estado não é apenas equivocada do ponto de vista operacional ou prático, mas moralmente fraudulenta e baseada na coerção e na violência oficializada nas mãos de um poder central.

    Na minha opinião, essa é uma virtude que coloca a Economia Austríaca num patamar infinitamente superior às outras escolas, que somente podem ser colocadas em prática usado de cinismo e manipulação para atingir seus objetivos - isto é, os objetivos do poder central que dita as políticas e seus beneficiários diretos, os parasitas corporativistas, os cartórios, sindicatos e todo tipo de grupos de caráter obstrutivo.

  • Getulio Malveira  04/08/2011 16:03
    Meus parabéns ao prof. Iorio pela ponderação com a qual tratou o assunto. Não relativisando sua posição de partidário da EAE, o professor consegue reconhecer os méritos das demais escolas liberais. Muitas vezes nos falta modéstia para tratar daquilo com o qual não concordamos e dialogar com aqueles que não defendem exatamente a posição que defendemos. Em filosofia isso frequentemente acontece: os aristotélicos se recusam a dialogar com os kantianos e estes com os husserlianos, e por aí vai; cada clube particular comentando infinitamente a obra de um grande filósofo.\r
    \r
    A base do diálogo é um termo em comum, por isso a importância disso que nos lembra o professor:\r
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    "... o inimigo é o mesmo: o estado. Nossa luta é para recolocá-lo em sua devida função, que é a de nos servir naqueles poucos setores em que sua presença pode ser aceita, e não a de servir-se de nós, cidadãos de bem e pagadores de tributos."\r
    \r
  • Gustavo  04/08/2011 16:30
    Prezado Professor Ubiratan. Apesar de respeitar sua liberdade de escolha, sua decisão de não ir a entrevista privou inúmeros brasileiros que estão indecisos e ignorantes em economia de conhecer mais sobre o liberalismo. Por favor estimule as pessoas a ser críticas sobre o papel do estado na economia. Parabéns pelo artigo! (Estimularei meus filhos a ler).
  • Amarilio Adolfo da Silva de Souza  04/08/2011 18:03
    A crença que o "Estado" resolve os problemas da humanidade é muito arraigada especialmente entre a população mais pobre. Essas pessoas continuam acreditando que a fonte de seu mal terreno são a falta de "políticas públicas", mesmo sabendo que quem as promove são humanos imperfeitos. Enquanto, no Brasil, não houver um Mercado livre e totalmente desregulado, haverá miséria.
  • Vitor Morosine  04/08/2011 19:23
    Belíssimo artigo, apesar de bem resumido, parece uma volta ao tempo para todos aqueles que já estudaram o assunto. Endossando para a concepção dos monetaristas, que apesar de estar meio maquiada, comanda o FED americano.

    Friedman parece ter incorrido no erro comum de falha de identificação do problema real (comum em teorias fundamentadas no empirismo) ao passo em que ao analisar a história econômica americana identificou que tanto a recessão de 1867 quanto a de 1960 foram engatilhadas por uma deflação. O fenômeno apenas jogou na cara um processo insustentavel, provavelmente inflado por expansão monetária/crediticia. Desta maneira, ao inves de prognosticar o que iniciou o ciclo, identificou no fim o problema que deveria ser combatido, bastando portanto que se inflasse a todo custo para que não houvesse depressão - não parece uma cartilha para o que vemos hoje com o QE?.

    Por fim, para mim e acredito para alguns leitores, o mais importante foi o reconhecimento de outros pensadores/escolas que se distanciam um pouco do que acreditamos/usamos como metodologia. Por vezes me sinto mal ao ver que alguns autores partem simplesmente para um radicalismo filosófico, em busca de uma teoria libertária ''pura'' de modo que qualquer gota cinza no pano branco merece ser rasgada. O dialogo com o pensamento liberal por mais abrangente e deturpado que seja o termo, deve ser o caminho a ser trilhado para conquistar espaço e o respeito de todos, ao invés de virar um PSTU de direita.
  • Daniel  04/08/2011 23:01
    Na parte\r
    \r
    "... por fim, com o surgimento da expectativa de inflação, esta seria incorporada à taxa de juros real, provocando um aumento na taxa de juros real (efeito Fischer)."\r
    \r
    não seria um aumento na taxa de juros nominal?\r
    \r
    pois o efeito Fisher é o fato de um aumento na inflação esperada ser equivalente ao aumento na taxa de juros nominal, deixando inalterada a taxa de juros real...
  • Leandro  04/08/2011 23:17
    Ótima observação, Daniel. Já foi corrigido.

    Obrigado e grande abraço!
  • Marvão  05/08/2011 08:46
    Excelente artigo, sou estudante de economía na Espanha, e desgraçadamente nunca me explicarao assim as coisas. Quero pedir desculpas por o meu pesimo porugues, mas nao sei escrebelo...
  • HEITOR ARAÚJO OLIVEIRA  05/08/2011 09:41
    Olá, bom dia\r
    \r
    Alguém poderia me dizer quem são os "figuras' na imagem? Reconheço alguns, mas outros eu não conheço.\r
    \r
    Obrigado pela ajuda.\r
    \r
    Amplexos.
  • Leandro  05/08/2011 10:01
    Heitor, as fotos são, nesta ordem:

    Friedrich Hayek ---- Milton Friedman

    James Buchanan ---- Ludwig von Mises

    Israel Kirzner ---- Robert Lucas

    Gordon Tullock ---- Milton Friedman


    Amplexos.
  • Marcelo Werlang de Assis  05/08/2011 11:35
    Leandro,\r
    \r
    Acho que estás equivocado na última linha. \r
    \r
    Creio que deveria ser "Gordon Tullock ---- Murray Rothbard".\r
    \r
    Amplexos!!!\r
    \r
    \r
  • ubiratan iorio  06/08/2011 10:32
    Caro Daniel, sua observação está correta. Mas a taxa de juros real também sobre no efeito Fischer.\r
    \r
    Caro Barbosa, para alguns austrpiacos (em que me incluo) a praxeologia não exclui o falsificacionismo poppperiano; para outros, mais radicais, ela exclui. Sendo incompleto e disperso o conhecimento, há sempre margem para erros e incertezas genuínas, por isso tendo a seguir Popper.\r
    \r
    Obrigado a todos pelos comentários enriquecedores.\r
    \r
  • HEITOR ARAUJO OLIVEIRA  05/08/2011 10:42
    Obrigado pela informação, Leandro.\r
    Amplexos
  • Barbosa  06/08/2011 00:12
    "À aplicação formal do individualismo metodológico dá-se o nome de praxeologia, que visa a definir leis econômicas válidas para qualquer ação humana, ou seja, a praxeologia preocupa-se em analisar quais os conceitos e implicações lógicas por detrás das preferências e escolhas dos indivíduos, considerando verdadeiras apenas as leis econômicas que são válidas até prova em contrário (por fatos reais), independentemente do tempo ou lugar em que se aplicam. É o falsificacionismo popperiano."\r
    \r
    Acredito que houve uma pequena confusão aqui, a praxeologia é apriorística, seus axiomas são verdadeiros independentemente de testes, quando se diz que "o homem age" não se chegou a essa conclusão porque ela foi a única hipótese que não foi falsificada, mas porque ela é verdadeira a priori e nenhum tipo de teste irá falsificá-la. A praxeologia rejeita o método popperiano.
  • Rodriguez  08/08/2011 09:37
    Apenas Mises era um "neo-kantiano". Rothbard, por exemplo, seguindo sua linha tomista aristotélica, era empirista. Assim como, de certo modo, Menger foi.
  • Candido Leonel Teixeira Rezende  06/08/2011 22:45
    Parabéns.
    Obrigado.
  • Arnaldo  07/08/2011 18:00
    Prezado Prof.Ubiratan,
    Já li vários dos seus artigos e o parabenizo, porém, privar a população da oportunidade de conhecer outras teorias e analisar corretamente as atitudes do governo, não me parece a mais sensata,principalmente pelos motivos alegados e considerando a sua profissão de educador.
    Vários dos visitantes do site - eu inclusive- exprimem o inconformismo de não
    terem contato anterior com essas idéias.
  • Absolut  07/08/2011 18:40
    Então o professor deve ensinar mentiras, como a teoria keynesiana?
  • Ivan da Silva Lima  09/08/2011 16:24
    Sim, professor Ubiratan, esta é uma luta incessante e até de sacrifício pois a civilização e a liberdade estão em jogo. Compareça a todos os canais pois o liberalismo vencerá!
  • mcmoraes  09/08/2011 16:40
    Acho que a minha opinião sobre a decisão do prof. Iorio de não comparecer ao debate é irrelevante, assim como a de qualquer outro que comenta por aqui. Porém, não posso deixar de expressá-la, visto que tantos aqui estão fazendo o mesmo. Professor: gaste seu precioso tempo fazendo apenas o que lhe dá prazer! Se você não se sente bem em debater em um programa de televisão, onde o tempo é extremamente limitado e o cenário já está todo armado para que as "conclusões" do mainstream sejam as consideradas as melhores, simplesmente decline. Os leitores dos seus livros e artigos agradecem, pois sabemos que seus escritos tomam tempo e dedicação integral.
  • David Montezano  10/08/2011 10:50
    Parabéns, ótimo artigo.\r
    \r
    Mas achar que o inimigo é o Estado, é de uma idiotice de larga escala ! é desconhecer totalmente a História...\r
    \r
    Eu suspeitava muito e já tinha escutado de políticos do PSDB que éra preciso uma reserva de mão-de-obra. Eu nunca entendia, agora ficou muito claro pra mim, faz parte da teoria. \r
    Vejam só como o senhor FHC tratava o país, ele tinha uma reserva de desempregados e, logo claro, os movimentos sociais se voltaram contra ele. MST, sindicatos, agricultures, caminhoneiros, etc etc final das contas depois de 8 anos de governo saiu com 27% de aprovação. Daí vem o LULA, o cara. Brasil emprego pleno e ele vaza do governo com 80% de aprovação deixando a bomba da inflação para a "Dilma do chefe". \r
    Ela saba da buxa que pegou, mas não é tonta ao ponto de querer criar a tal reserva. \r
    Somos do país do futebol, quem aqui gosta de estar na reserva ?\r
    \r
  • mcmoraes  10/08/2011 14:29
    David Montezano, você vai gostar do seguinte artigo: mises.org.br/Article.aspx?id=685.
  • Fabio MS  10/08/2011 17:56
    David Montezano,\r
    \r
    você está defecando por palavras. Quanta asneira!
  • Barbosa  10/08/2011 16:31
    Alguém que não sabe nem utilizar a virgula chamando outros de idiotas...\r
    \r
    E sobre a decisão do professor Ubiratan em não ir ao programa jornalístico, acho uma posição completamente compreensível, a ciência econômica 'mainstream' está posicionada em relação ao bom entendimento da economia da mesma forma que o curandeirismo está para a medicina, quem realmente entende de economia meio que se enoja pelo debate, o nível é absurdamente baixo. Imagina falar em rede nacional que o banco central só pode causar danos econômicos? Que deflação pode ser positiva? Que dinheiro deve ser lastreado? Que a melhor coisa que a política industrial do Mantega pode causar é um mal alocamento maciço de recursos?\r
    \r
    Não só ninguém concordará contigo como os curandeiros chegarão ao ponto de te ridicularizar, é esse o nível do debate econômico hoje, compreendo a razão pela qual o prof. Ubiratan não se sentiu estimulado a comparecer nesse programa, às vezes a situação se torna simplesmente frustrante.
  • Vinicius  16/09/2011 22:47
    Faço Comércio Exterior e em disciplinas de Economia tive 2 professores Monetáristas, e uma Keynesiana declarada ao extremo, nossa terrivel, - Ai pq Keynes isso, Keynes aquilo, tah loco!

    Eu me indentifico muito com Milton Friedman, acho ele brilhante, sempre destruindo falacias do "senso comum". Mas quero comprar alguns livros de Escola Austriaca e aumentar meus conhecimentos. Vcs indicam algum para começar?

    Excelente Artigo.
  • Alexandre M. R. Filho  16/09/2011 23:46
    "As 6 lições".\r
    \r
    Depois, "Ação Humana".\r
    \r
    Mas eu não sou mestre. Tem que ver o que o Iorio, o Leandro, os Chioccas, o Ulrich etc. recomendam.
  • Luis Almeida  16/09/2011 23:53
    "As Seis Lições" e depois "Economia Numa Única Lição".

    Ação Humana é meio pesado para quem está iniciando.

    Mas o que eu realmente sugeriria é mergulhar de cabeça na seção de artigos deste site, inclusive no blog. A leitura é clara e perfeitamente compreensível para o leigo inteligente.

    O que se aprende aqui você não aprenderia em nenhuma universidade de economia (refiro-me às melhores do mundo, é claro, e não nas a essas porcarias que temos no Brasil), mesmo que ficasse nelas sua vida toda.
  • Emerson Luis  05/04/2016 10:37

    "Uma das conclusões mais importantes dessa escola é a conhecida "proposição da invariância", segundo a qual as políticas do governo não têm qualquer poder — mesmo no curto prazo — para afetar as variáveis reais da economia, tais como o produto, o emprego e os salários reais."

    Mas as intervenções do governo não perturbam e distorcem a economia? Perturbar é afetar.

    * * *
  • Gustavo  19/01/2017 16:14
    Alguém já ouviu falar dessa "Escola Americana"? Está ficando popular com o Trump.

    Esse é um texto fazendo uma comparação entre a EA, Keynsianismo e a Escola Americana:

    www.commdiginews.com/politics-2/the-american-school-of-economics-why-it-beats-big-government-and-libertarianism-13031/

    Alguém sabe se é verdade que essa foi a política econômica dos EUA durante todo o século 19? É uma espécie de protecionismo intervencionista, um meio-termo entre o liberalismo e o intervencionismo.



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