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Como a guerra às drogas está destruindo o México

O México está se definhando rapidamente.  Tanto a vida de sua população quanto a própria vivacidade do país estão sendo aniquiladas por uma desesperadora e desesperançada guerra contra as drogas ilegais.  Quem estiver à procura de um exemplo abjeto de teimosia e estupidez governamental, não encontrará nada melhor do que essa ridícula insistência em querer banir o "imbanível".

Nos últimos cinco anos, o México contabilizou 34.600 homicídios relacionados à guerra do governo mexicano às drogas ilegais.  Essa é a contabilidade oficial.  A contabilidade não oficial — provavelmente a mais acurada — eleva o número para acima de 40.000. [No Brasil, o número oficial de homicídios por ano é de 50.000, porém a população brasileira é 1,7 vezes maior que a mexicana].

Qualquer que seja o número escolhido, trata-se de uma cifra pavorosa, ainda mais quando se considera a maneira como as vítimas foras despachadas.  Esqueça esfaqueamentos, açoitamentos, tiros e estrangulamentos — coisas cotidianas que a maioria de nós imagina quando pensamos em homicídios.  Não.  No México, os homicídios relacionados às drogas estão mais para reencenações de atrocidades — decapitações, mutilações e enforcamentos — que remontam à era dos teatros romanos sob o império de Cláudio.  Seja bem-vindo ao ano 10 d.C. e à carnificina da era dos gladiadores.

A sorte dos barões da droga é que homicídios pavorosos não seguem as leis dos retornos marginais decrescentes: quanto mais os barões da droga aterrorizam, mais os mexicanos se sentem intimidados.  O estilo retrógrado dos assassinatos praticados pelos barões da droga forçou vários mexicanos pacíficos e trabalhadores a se recolher, se esconder e a finalmente se retirar da sociedade.  E nenhuma sociedade pode durar sem uma base pacífica e industriosa.

E, pra piorar, o fato é que não há escassez de opressores no México: a própria polícia contribui com o seu quinhão.  As forças federais paramilitares e seus soldados de uniformes negros, com suas metralhadoras pendendo ao longo do torso e com seus indicadores em contínuo contato com os gatilhos, além de seus olhares frios e mortíferos que instilam muito mais insegurança do que medo; em termos de em quem confiar, a maioria dos mexicanos não distingue entre o policial e o barão da droga.  O fato é que as forças policiais são vistas como sendo apenas uma classe distinta de bandidos, o que exacerba o desespero.

O medo, estimulado pela confusão, pela ignorância e pela constante violência, acaba servindo para formar e moldar a opinião pública em favor da classe política.  Durante décadas, os oponentes da legalização das drogas vêm repetindo o mesmo argumento escorregadio, sempre com grande apelo: se as drogas ilegais forem legalizadas, o país irá se afundar em uma espiral incontrolável e inevitável de iniquidade e violência.  Embora, no geral absurda, o fato é que a mensagem é concisa, provocativa e incrivelmente persuasiva.  Uma guerra deveria ser declarada — isto é, uma guerra unilateral que favorecesse a classe política.

Os líderes políticos queriam apenas uma publicidade favorável para seus atos de "valentia".  Porém, no México, a guerra às drogas tem sido menos unilateral do que os próprios políticos haviam imaginado: rolaram mais cabeças de políticos — literalmente e figurativamente — nessa guerra do que em qualquer outro período da história.

Quem conhece a ciência econômica, sabe que tudo tem um custo — e negligenciar os potenciais custos da legalização das drogas ilegais seria uma atitude intelectualmente desonesta.  Vício, dependência, incapacidade para arrumar emprego, overdoses, violência doméstica e acidentes de trânsito são possibilidades muito reais, e elas poderiam muito bem aumentar ao se legalizar o ilegal.

Entretanto, há uma razão para se acreditar que tais custos são evitáveis.  Portugal serve como uma intrigante situação teste sobre a legalização das drogas.  O país descriminalizou (não legalizou) as drogas ilegais há uma década; e pesquisas conduzidas pelo advogado Glenn Greenwald, sob os auspícios do Cato Institute, são encorajadoras.  Greenwald constatou que "embora o uso e o vício, bem como as patologias concomitantes, continuem em forte ascensão em vários países da União Europeia, esses mesmos problemas ... estão contidos ou até mesmo apresentaram melhoras mensuráveis em Portugal desde 2001."

Essas descobertas de Greenwald na verdade são bem intuitivas: as normas sociais, os costumes e as tradições funcionam como inibidores do uso de drogas (e, por sinal, de praticamente qualquer tipo de comportamento).  O álcool é uma substância difusa e generalizada não por causa de sua legalidade, mas sim por causa de sua aceitação.  Uma Stella Artois ou um Jack Daniel's são aceitáveis como lubrificantes sociais; maconha e cocaína, não.  Na esmagadora maioria dos círculos sociais, este paradigma continuará intacto se as drogas forem legalizadas.

Mesmo que o uso de drogas e suas consequências negativas viessem a aumentar, os benefícios da legalização ainda assim sobrepujariam os atuais custos de se manter o status quo.  Nos EUA, por exemplo, desde 1971 o governo já gastou mais de US$ 1 trilhão intensificando a guerra às drogas.  Deste US$ 1 trilhão, US$ 121 bilhões foram gastos apenas para encarcerar mais de 37 milhões de pessoas por crimes não violentos relacionados às drogas, sendo que 10 milhões de pessoas foram presas pelo simples porte de maconha.  US$ 450 bilhões desse US$ 1 trilhão foram gastos para trancafiar essas pessoas em penitenciárias federais.  No ano passado, metade de todos os prisioneiros federais dos EUA estava cumprindo penas relacionadas às drogas.  O sofrimento não é uma variável quantificável, mas os indícios casuais sugerem que a guerra às drogas nos EUA intensificou sobremaneira essa variável.

Washington e a Cidade do México são parceiras na perpetuação da fraude da guerra às drogas assim como os consumidores de drogas americanos são parceiros dos fornecedores mexicanos no comércio de entorpecentes, de modo que é natural que os mais bem financiados políticos americanos ofereçam generosamente o dinheiro dos pagadores de impostos americanos para seus colegas mais pobres da Cidade do México.  De acordo com a CNSNews.com, "O Departamento de Defesa dos EUA irá aumentar o financiamento antinarcóticos do México ... em 17 vezes.  Os níveis de financiamento, que estavam em $3 milhões por ano antes de 2009, irão para $51 milhões em 2011."

Olhando o quadro mais amplo, $51 milhões em um orçamento de $3 trilhões é uma mixaria, mas certamente não será uma mixaria por muito tempo.  Há simplesmente muito demanda e muito empreendedorismo no ramo das drogas, o que significa que o único rumo que os gastos do governo podem tomar é para o alto.  Uma pesquisa de Milton Friedman revelou que a proibição das drogas estimula os fornecedores a desenvolver e a incitar o consumo de drogas mais pesadas, assim como a Lei Seca empurrou as pessoas para misturas mais fortes de álcool (as horríveis e hoje ubíquas bebidas misturadas, criadas justamente para disfarçar o sabor repulsivo do álcool fabricado clandestinamente). Os contrabandistas e distribuidores de rum daquela época não lidavam com cerveja; a cerveja é volumosa e possui baixa potência.  Já o rum é compacto e de alta potência.  A Lei Seca simplesmente empurrou os beberrões para o consumo de substâncias tóxicas mais pesadas e mais debilitantes, afastando-os das mais suaves e inócuas.

Folhas de coca, mascadas e fervidas como chá, há muito têm sido utilizadas por peruanos e bolivianos que querem aliviar os sintomas da hipoxia provocada pela altitude.  O ópio, em sua forma bruta, já foi muito utilizado como analgésico.  Maconha, folhas de coca e ópio são volumosos, o que implica altos custos de transportação e estocagem.  Para driblarem esse empecilho, os distribuidores optaram por cultivar linhagens mais potentes de maconha e a destilar as folhas de coca e ópio, o que gerou a cocaína e a heroína.

Mesmo em sua forma concentrada, as drogas ilegais são caras de ser transportadas e comercializadas.  Isso requer que os barões da droga tenham de fazer constantes investimentos para aprimorar o seu capital e, com isso, operar mais lucrativamente.  Esse alto custo funciona como uma barreira à entrada no mercado, o que atenua a concorrência, reduz a oferta e joga os preços para o alto.  Nem se os barões da droga quisessem poderiam eles ter criado um modelo de negócios tão rendoso.

Zombar da lei e escarnecer moralistas e cumpridores da ordem são atitudes que glorificam os barões da droga, algo muito parecido com a maneira como a Lei Seca glamourizou os chefões das máfias.  Apesar de toda a matança e terrorismo associados ao tráfico de drogas, os plebeus ignorantes e politicamente desiludidos veem o barão mexicano das drogas Joaquín "Chapo" Guzmán com grande respeito e veneração.  "As pessoas consideram Chapo Guzmán uma espécie de bandido social, um Robin Hood", explica Victor Hugo Aguilar, professor da Universidad Autónoma de Sinaloa, sobre a influência que Guzmán exerce sobre as pessoas e a cultura da região.  "Ele conserta os problemas das cidades e coloca luzes nos cemitérios.  Ele já é parte do folclore de Sinaloa".

São apenas negócios, imaginam os apologistas.  Guzmán é um homem de negócios como qualquer outro — apenas um que se sobressai em um comércio brutal.  Cocaína foi o negócio escolhido, assim como o álcool foi o negócio escolhido por Al Capone.  Os Guzmáns e os Capones do mundo seriam apenas variações dos Rockefellers e dos Gates.  Um instinto perspicaz para os negócios que transcende as áreas de empreendimento.

Mas é claro que a realidade é outra.  Rockefeller e Gates nunca fizeram uso da persuasiva ferramenta da violência; tampouco desfrutaram de privilégios monopolísticos.  Rockefeller e Gates operaram do lado legal da lei, mesmo que a lei fosse imoral, assim como os presidentes da Jack Daniel's e da Anheuser Busch também operaram do lado legal da lei durante a Lei Seca, ainda que isso fizesse com que seus clientes sofressem enormemente em decorrência dessa aquiescência.

Os consumidores são as verdadeiras vítimas da guerra contra as drogas.  Guzmán não é nenhum gênio dos negócios; ele é simplesmente um oportunista que aproveitou um monopólio garantido pelo governo e passou a utilizá-lo tiranicamente, fazendo com que um empreendimento que poderia ser gerido muito mais seguramente e eficientemente por empreendedores genuínos operando concorrencialmente dentro da lei fosse transformado em um negócio sanguinolento e sem lei, no qual só sobrevivem os mais poderosos, ricos e bem armados. 

Ninguém morre repentinamente de um copo de uísque ou de cigarros "batizados".  A legalidade desses produtos estimula empreendedores sérios a construir marcas de reconhecida qualidade.  Por outro lado, cheire uma carreira de cocaína ou injete alguns miligramas de heroína e a sua sobrevivência passará a ser uma questão de sorte.

Já o comércio ilegal de drogas não é nenhuma aposta especulativa.  Todos os monopólios garantidos pelo governo são coisas tão certas e garantidas quanto a meritocracia reversa do serviço público: eles fazem com que os menos dignos e meritórios se transformem nos mais ricos.  A revista Forbes estima que o patrimônio líquido de Chapo Guzmán esteja na casa de $1 bilhão de dólares.

Todo monopólio gera uma sensação de direito adquirido, o que explica por que o Señor Guzmán aparentemente ainda não atentou para a ironia de matar políticos que defendem a proibição das drogas — são exatamente eles que tornam possível a sua fortuna.  Muito embora ele provavelmente esteja mais ciente dessa ironia do que os próprios políticos que ele mata.

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Leia também:

Drogas, adultério e a guerra sem fim

Criminalidade, drogas e proibição


1 voto

autor

Stephen Mauzy
é analista financeiro certificado e diretor da S.P. Mauzy & Associates.

Tradução de Leandro Roque

  • Roberta Silva  06/07/2011 11:00
    Instituto von Mises defendendo legalização de drogas? Caindo na esparrela de que o mercado é capaz de reger e "consertar" toda vida social? Poutz, von Mises jamais subiria além das tamancas deste jeito, a economia ou o mercado jamais resolverá um problema destes, isto é um caso político, social e policial. Não ofendam Von Mises. Melhor se atentarem apenas ao aspecto econômico, não dêem palpite furado sobre aspectos transcendentes a economia usando o nome do homem.
  • Leandro  06/07/2011 11:13
    Prezada Roberta, se Mises era, pelo que você dá a entender, a favor da proibição das drogas, tenha a bondade de nos explicar qual a intenção dele ao dizer isso:

    It is an established fact that alcoholism, cocainism, and morphinism are deadly enemies of life, of health, and of the capacity for work and enjoyment; and a utilitarian must therefore consider them as vices. But this is far from demonstrating that the authorities must interpose to suppress these vices by commercial prohibitions, nor is it by any means evident that such intervention on the part of a government is really capable of
    suppressing them or that, even if this end could be attained, it might not therewith open up a Pandora's box of other dangers, no less mischievous than alcoholism and morphinism.

    For if the majority of citizens is, in principle, conceded the right to impose its way of life upon a minority, it is impossible to stop at prohibitions against indulgences, in alcohol, morphine, and cocaine, and similar poisons. Why should not what is valid for these poisons be valid also for nicotine, caffeine, and the like? Why should not the state generally prescribe which foods may be indulged in and which must be avoided because they are injurious?

    More harmful still than all these pleasures, many will say, is the reading of evil literature.


    Por gentileza, não venha aqui poluir o site com distorções e mentiras, falando abertamente sobre algo que você comprovadamente não pesquisou.

    Todos agradecem.
  • Fernando Chiocca  06/07/2011 11:46
    Mas pra que buscar um trecho em inglês? Mises, como não poderia deixar de ser diferente, obviamente era um ferrenho defensor do fim da proibição das drogas.

    Este comentário totalmetne ignorante desta ditardorazinha não deveria sequer ser aprovado, por ser totalmente sem noção.

    No As Seis Lições, Mises detona esses autoritários dementes assim:

    Nos Estados Unidos, o governo empreendeu certa feita, há alguns anos, uma experiência que foi qualificada de "nobre". Essa "nobre experiência" consistiu numa lei que declarava ilegal o consumo de bebidas tóxicas. Não há dúvida de que muita gente se prejudica ao beber conhaque e uísque em excesso. Algumas autoridades nos Estados Unidos são contrárias até mesmo ao fumo. Certamente há muitas pessoas que fumam demais, não obstante o fato de que não fumar seria melhor para elas. Isso suscita um problema que transcende em muito a discussão econômica: põe a nu o verdadeiro significado da liberdade. Se admitirmos que é bom impedir que as pessoas se prejudiquem bebendo ou fumando em excesso, haverá quem pergunte: "Será que o corpo é tudo? Não seria a mente do homem muito mais importante? Não seria a mente do homem o verdadeiro dom, o verdadeiro predicado humano?" Se dermos ao governo o direito de determinar o que o corpo humano deve consumir, de determinar se alguém deve ou não fumar, deve ou não beber, nada poderemos replicar a quem afirme: "Mais importante ainda que o corpo é a mente, é a alma, e o homem se prejudica muito mais ao ler maus livros, ouvir música ruim e assistir a maus filmes. É, pois, dever do governo impedir que se cometam esses erros." E, como todos sabem, por centenas de anos os governos e as autoridades acreditaram que esse era de fato o seu dever. Nem isso aconteceu apenas em épocas remotas. Não faz muito tempo, houve na Alemanha um governo que considerava seu dever discriminar as boas e as más pinturas - boas e más, é claro, do ponto de vista de um homem que, na juventude, fora reprovado no exame de admissão à Academia de Arte, em Viena: era o bom e o mau segundo a ótica de um pintor de cartão-postal. E tornou-se ilegal expressar concepções sobre arte e pintura que divergissem daquelas do Führer supremo.

    A partir do momento em que começamos a admitir que é dever do governo controlar o consumo de álcool do cidadão, que podemos responder a quem afirme ser o controle dos livros e das ideias muito mais importante? Liberdade significa realmente liberdade para errar. Isso precisa ser bem compreendido. Podemos ser extremamente críticos com relação ao modo como nossos concidadãos gastam seu dinheiro e vivem sua vida. Podemos considerar o que fazem absolutamente insensato e mau. Numa sociedade livre, todos têm, no entanto, as mais diversas maneiras de manifestar suas opiniões sobre como seus concidadãos deveriam mudar seu modo de vida: eles podem escrever livros; escrever artigos; fazer conferências. Podem até fazer pregações nas esquinas, se quiserem - e faz-se isso, em muitos países. Mas ninguém deve tentar policiar os outros no intuito de impedi-los de fazer determinadas coisas simplesmente porque não se quer que as pessoas tenham a liberdade de fazê-las.

    É essa a diferença entre escravidão e liberdade. O escravo é obrigado a fazer o que seu superior lhe ordena que faça, enquanto o cidadão livre - e é isso que significa liberdade - tem a possibilidade de escolher seu próprio modo de vida. Sem dúvida esse sistema capitalista pode ser - e é de fato - mal usado por alguns. É certamente possível fazer coisas que não deveriam ser feitas. Mas se tais coisas contam com a aprovação da maioria do povo, uma voz discordante terá sempre algum meio de tentar mudar as ideias de seus concidadãos. Pode tentar persuadi-los, convencê-los, mas não pode tentar constrangê-los pela força, pela força policial do governo.
  • Roberto Chiocca  06/07/2011 11:46
    Eu sintio uma tremenda vergonha alheia destas pessoas que ignoram um assunto e vem falar dele, sinceramente, vir a um instituto com o nome de Mises sem conhecer o básico da obra de Mises para criticar o instituto é ultrajante, no minimo deve ser considerado trollagem. Juliana, se vc não sabe inglês vai um trecho em português:
    "O ópio e a morfina são certamente drogas nocivas que geram dependência. Mas, uma vez que se admita que é dever do governo proteger o indivíduo contra sua própria insensatez, nenhuma objeção séria pode ser apresentada contra outras intervenções. Não faltariam razões para justificar a proibição de consumo de álcool e nicotina. E por que limitar-se apenas à proteção do corpo? Por acaso os males que um homem pode infringir à sua mente e à sua alma não são mais graves do que os danos corporais? Por que não impedi-lo de ler maus livros e de assistir a maus espetáculos, de contemplar pinturas e esculturas ruins e de ouvir música de má qualidade? As consequências causadas por ideologias nocivas são, certamente, muito mais perniciosas, tanto para o indivíduo como para a sociedade, do que as causadas pelo uso de drogas.

    Essas preocupações não são apenas espectros imaginários que apavoraram pensadores solitários. É um fato inegável o de que nenhum governo paternalista, antigo ou moderno, jamais hesitou em regulamentar as ideias, crenças e opiniões de seus súditos. Se for abolida a liberdade de o homem determinar o seu próprio consumo, todas as outras liberdades também serão abolidas. Os que ingenuamente defendem a intervenção do governo no consumo iludem-se ao negligenciar o que desdenhosamente chamam de aspecto filosófico do problema. Contribuem inadvertidamente para o estabelecimento da censura, da inquisição, da intolerância religiosa e da perseguição aos dissidentes."

    Ludwig von Mises em Ação Humana

    No mais, vc tem alguma objeção à qualquer argumento do artigo? Se não estiver envergonhada demais pelo papelão, por favor tente contra argumentar.
  • Breno Almeida  06/07/2011 13:57
    Eu não entendo porque no Brasil tem esses conservadores malucos querendo conservar a guerra contra as drogas. Eu duvido que Tómas de Aquino consideraria essa guerra justa.
  • Leandro  06/07/2011 14:41
    Apenas para esclarecer um ponto um tanto polêmico:

    Genuínos conservadores nunca defenderam intromissão na vida alheia. Eles são moralmente contra o uso de drogas, mas sempre se opuseram veementemente a qualquer tentativa do governo de moldar a sociedade, pois sabem que as conseqüências que isso gera são ainda piores do que qualquer vício (algo que, em última instância, é um problema apenas individual).

    Genuínos conservadores defendem que a melhor maneira de se resolver problemas é por meio do voluntarismo, da responsabilidade própria, da família, dos amigos e da igreja, e não através de um governo monolítico que miraculosamente fará com que o indivíduo passe a cuidar de si próprio e se torne uma pessoa melhor. Conservadores genuínos sabem que o governo não pode fazer com que o indivíduo se aprume e passe a seguir bons hábitos.

    Defender a guerra às drogas e a consequente intromissão estatal na vida do indivíduo é coisa de neoconservador, e o neoconservadorismo é um movimento formado em sua quase totalidade por ex-trotskistas. Não é à toa que os "conservadores" brasileiros que mais veementemente defendem a guerra às drogas são aqueles que foram comunistas em sua juventude.

    O neoconservadorismo tem tanto a ver com o conservadorismo quanto o neoliberalismo tem a ver com o libertarianismo.

    O genuíno conservadorismo possui uma de suas raízes na chamada "Old Right" americana, que era um movimento liderado por pessoas que passaram a ser desdenhosamente chamadas de isolacionistas, simplesmente porque se recusavam a aceitar que o estado se intrometesse em outros países. Essas mesmas pessoas também nunca aceitaram que o estado se intrometesse na vida do indivíduo dando-lhes ordens sobre como deveriam viver. E por motivos obviamente conservadores -- a família e a religião é que deveriam ser o norte da vida de cada indivíduo, e não os burocratas do estado.

    Infelizmente o movimento conservador americano atual foi tomado de assalto pelos neoconservadores; e os brasileiros, que sempre imitam o que vem de fora, apenas se limitaram a seguir as tendências.

    Pode fazer um teste: se um indivíduo se diz conservador e defensor da guerra às drogas, verifique se ele gosta de George W. Bush, se ele defende (de maneira quase erótica) intervenções militares e se ele considera o Partido Republicano um exemplo a ser seguido no Brasil. Ah, e se já foi socialista na juventude.

    Nunca falha. Ele é neoconservador. E trotskista saudoso.
  • Breno Almeida  06/07/2011 14:56
    Execelente essa parte do Trotskista cai como uma luva nos tais conservadores que influenciam os malucos que ficam aqui no IMB postando as mesmas coisas de que "Von Mises era afavor da proibição" em todos os tópicos sobre drogas.
  • Gustavo S.  20/07/2011 12:30
    Leandro, porque você diz que em última instância o vício é algo com impactos somente individuais?
    As vezes uma família inteira é prejudicada pelos vícios de um parente. Sem esquecer que uma pessoa sofrendo efeito de entorpecentes é capaz de cometer crimes ou atos imprudentes que podem acarretar até na morte de terceiros. Ninguém viaja pra uma ilha deserta pra usar drogas.
  • Leandro  20/07/2011 13:22
    Gustavo, a minha frase não foi essa. O que eu disse é que qualquer vício, em última instância, é um problema apenas individual, no sentido de que se trata de uma escolha consciente do indivíduo. O indivíduo é que escolhe se vai se viciar ou não (afirmações politicamente corretas ao contrário não se sustentam), e é ele que escolhe se vai parar ou não. Atribuir aos outros a culpa pelas próprias falhas e tentações é coisa de fracassado.

    Se um indivíduo que está tentando parar de fumar fica com as pernas bambas e as mãos trêmulas ao ver um cigarro, isso é falha e fraqueza dele. Ele não tem nenhum direito de querer proibir que outros fumem ou que cigarros sejam vendidos. Ele que assuma suas falhas e tente se regenerar. Se tiver o apoio da família, tanto melhor. No extremo, que se tranque em casa, para não ter contato com os outros. O mesmo raciocínio é válido para absolutamente todas as drogas.

    A menos que você me prove que o sujeito aspirou uma carreira de cocaína porque tinha uma arma na cabeça (e, mesmo assim, uma cafungada só -- assim como uma tragada num cigarro -- não viciam ninguém), o vício é e sempre será uma escolha individual. O seu vício é problema seu, e não meu. Não existe esse negócio de "problema nacional das drogas". Indivíduos têm problemas com drogas, e não uma nação, essa entidade amorfa e abstrata.

    Quanto aos efeitos dos entorpecentes, dirigir cansado, com sono, com dores musculares ou com raiva, seja porque brigou feio com o cônjuge também ou porque perdeu o emprego, é também algo perigoso para terceiros. O que fazer? Colocar blitz a cada esquina para parar todos os motoristas e verificar se eles estão potencialmente com sono, cansados ou enraivecidos? Nesse último caso, vão colocar psicólogos nessas blitz também, para aconselhá-lo e acalmá-lo?

    Aliás, eu posso ficar com raiva, estando em casa, chegar à janela e atirar um vaso de vidro na rua. Isso também é perigoso para terceiros, certo? Que fazer? Proibir que pessoas morem em lugares muito altos ou proibir a venda de vasos muito pesados? Mas aí eu posso atirar um copo de vidro também. E então? Vamos proibir a venda de copos de vidro?

    Percebeu aonde vamos chegar, né? E olha que eu nem entrei na questão da cerveja e de outras bebidas... Não quero dar novas ideias para proibicionistas que, na falta de uma ditadura explícita, recorrem à democracia (apenas mais uma forma de ditadura) para mandar na vida dos outros, pelo simples prazer que isso lhes dá.

    Grande abraço!


    P.S.: não se esqueça de que, para algumas pessoas, o homossexualismo é uma doença, algo pior do que um vício; logo, elas dizem que um homossexual está fazendo um enorme mal para si próprio e para sua família, e que, portanto, ele deve procurar uma cura o mais rápido possível. Observe que o discurso é o mesmo dos proibicionistas: algo (drogas e prática homossexual) deve ser proibido, banido e condenado porque faz mal para si próprio e para terceiros. O que muda é apenas o alvo do ataque.

    Se cada um começar a proibir aquilo de que não gosta ou com o qual não concorda, o que será do mundo?
  • Francisco Alfaro  06/07/2011 14:39
    Ola, comecei a me envolver com as ideias libertarias ha pouco tempo, e ainda possuo muitas duvidas em relaçao ao tema. No entanto, tendo o artigo em questao como parametro, gostaria de fazer algumas perguntas:
    1-O trafico de drogas, da maneira como eh feito hj em dia, financia uma serie de atividades ilegais, nas quais a coerçao eh utilizada em larga escala. Um bom exemplo eh o que acontece nos morros do Rio de Janeiro, onde os traficantes funcionam como um estado paralelo, cobrando taxas da populaçao, assim como impondo um conjunto de regras de maneira unilateral a populaçao que habita essas areas. Apesar de ter consciencia de que a situaçao presente foi criada pelo Estado, atraves de sua politica repressora as drogas, como resolver o problema dessas areas, jah que esses "donos do morro", caso o financiamento advindo do trafico de drogas pare, devem buscar novas maneiras de coagir a populaçao sob seu controle?
    2-Apesar do artigo citar Portugal como exemplo, creio que uma legalizaçao das drogas teria como efeito uma expansao do comercio e consumo. Essa expansao do comercio e consumo, geraria grandes dividendos aqueles individuos que atendessem a demanda dos consumidores. Tendo isso em mente, como evitar que o Estado passe a regular fortemente o mercado de drogas, atraves da imposiçåo de determinadas regulaçoes, impostos especificos e etc? Caso isso aconteça, a açao do Estado nao teria como efeito criar um mercado ilegal -ilegal no sentido de que eh feito fora dos parametros estabelecidos pelo Estado-, exatamente da maneira que acontece hj?

    Atenciosamente
  • Anon  06/07/2011 14:41
    Eu acho que ele abordou uma questão de maneira insuficiente. Eu acho que o Guzmán é um empreendedor, o problema é que no mercado da droga a medida de sucesso de um empreendedor é sua habilidade em administrar violência. A proibição institucionaliza a violência no mercado da droga como modus operandi, e todos os recursos são desviados para defesa (da policia e de outros traficantes) e para tomada de outros pontos de droga (que devido a restrição da oferta, o benefício da guerra por um ponto, na margem, compensa o risco da guerra, ao contrário, por exemplo, de qualquer ponto de comércio legal, onde o simples risco de insolvência muitas vezes não compensa a aquisição e expansão, muito menos o risco de infringir a lei e por a vida em perigo).

    Faltou ele esclarecer isso, porque algumas pessoas acham que se ocorrer a liberalização o tráfico vai simplesmente descer do morro pra eliminar seus recém chegados concorrentes de mercado na bala.
  • Augusto  06/07/2011 15:44
    O que exatamente vai acontecer quando e se houver uma descriminalizacao completa do mercado das drogas eh impossivel prever.\r
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    O que se sabe eh que antes do inicio da leva de leis e tratados internacionais sobre o assunto, o consumo de drogas era bem menor, e que os crimes associados ao uso dessas substancias eram pouquissimos. Mas decadas de proibicao levaram a construcao de um poderoso aparato para protejer os interesses dos "empresarios das drogas" e de seus clientes.\r
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    Nos EUA, onde vigorou durante muitos anos a Lei Seca, depois revogada, oferece alguma indicacao, mas ainda assim, a comparacao eh falha. Isso porque apesar de as bebidas terem sido liberadas, as drogas continuaram proibidas. Resultado: os grupos mais estruturados e bem armados simplesmente mudaram de ramo. As cidades onde a mafia havia penetrado continuaram enfrentando problemas.\r
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    Ha casos como o de Portugal e da Holanda, onde o uso de drogas passou a ser legalmente "tolerado" - em Portugal, se voce for pego com drogas, deve ir a delegacia e em alguns casos se submeter a um "curso de reeducacao"; na Holanda, o plantio e producao de drogas continua proibido: as autoridades literalmente fecham os olhos e deixam passar, desde que tudo seja feito com discricao.\r
    \r
    O que aconteceria no Brasil? Honestamente, eu acho dificil que os grupos armados simplesmente depusessem suas armas e procurassem outros empregos ou que passassem a vender drogas no mercado legal. Uma boa parcela deles, eu acho, continuaria se dedicando a atividades criminosas - roubos, furtos, sequestros, etc. Tambem eh dificil acreditar que as dezenas de milhares de policiais das policias militar e civil abram mao dessa atividade rendosa.\r
    \r
    Mas tudo isso sao problemas tangenciais. A questao principal eh muito mais simples: o homem tem ou nao o direito de fazer o que bem entender com o seu corpo? Se a resposta eh afirmativa (como dizem os liberais e libertarios), entao nao deve haver proibicao. Se a resposta eh negativa (como dizem os coletivistas de modo geral), entao a proibicao eh justificada por sua importancia para o bem-estar coletivo.\r
    \r
    Quando voce adota o ponto de vista libertario, isso quer dizer que voce aceita que cada um faca o que quiser com seu proprio corpo, desde que a propriedade e a vida alheia sejam respeitadas. Assim, se um ex-traficante resolve passar a roubar bancos, ele deve ser preso e punido pelo seu crime contra a propriedade de outrem.\r
    \r
    Infelizmente, muitas pessoas parecem nao entender esse ponto simples.
  • Fernando Chiocca  06/07/2011 15:58
    Exatamente Augusto.

    A questão de o que traficantes vão fazer quando revogarem a proibição é COMPLETAMENTE irrelevante para a questão do apoio da proibição.

    Quem diz coisas como "sou contra o fim da proibição pois traficantes vão sair por ai sequestrando e assaltando" é obrigado (obrigado mesmo, não tem opção, ele deve) a dizer que é a favor da proibição do arroz e do chocolate para que assaltantes e sequestradores hoje parem de assaltar e sequestrar e se dediquem ao novo lucratifo tráfico de arroz e chocolate.

    E essa história de aumentar o número de outros crimes é uma ladainha sem tamanho. Não foi o que aconteceu com a recogação da Lei Seca nos EUA e não vai acontecer em lugar algum.

    A criminalidade vai com certeza absoluta, diminuir drasticamente, pois os crimes cometidos pela polícia hoje de roubar e sequestrar comerciantes e produtores iria desaparecer da noite para o dia. E para outros crimes, um enorme contingente da força policial que comete crimes de combate a drogas hoje, seria relocada para o combate deste crimes reais.


    Quanto ao estado regular e taxar as drogas após o fim da proibição, este é um problema sério, que deve ser combatido como se combate outros crimes de regulamentação estatal. Hoje existe inclusive tráfico de cigarros do paraguai, sem impostos e sem regulação, que chegam bem mais barato que os cigarrros taxados e regulamentados pelo estado.
  • Augusto  06/07/2011 16:22
    Rapaz, nunca vi ninguem concordar discordando tanto :-D\r
    \r
    Vou tentar esclarecer alguns pontos:\r
    \r
    A questão de o que traficantes vão fazer quando revogarem a proibição é COMPLETAMENTE irrelevante para a questão do apoio da proibição.\r
    \r
    Isso ai. Sao problemas separados.\r
    \r
    E essa história de aumentar o número de outros crimes é uma ladainha sem tamanho. Não foi o que aconteceu com a recogação da Lei Seca nos EUA e não vai acontecer em lugar algum.\r
    \r
    Eu tambem nao disse isso. Eu disse que os grupos mais bem estruturados e bem armados mudaram de ramo. Outros grupos se dissolveram. Alguns homens tentaram fazer "carreira solo". Enfim, como amplamente demontrado por estatisticas, os crimes em geral cairam, mas nao acabaram. Mas como dito acima, o que os ex-traficantes vao fazer eh irrelevante para a discussao.\r
    \r
    A criminalidade vai com certeza absoluta, diminuir drasticamente, pois os crimes cometidos pela polícia hoje de roubar e sequestrar comerciantes e produtores iria desaparecer da noite para o dia. E para outros crimes, um enorme contingente da força policial que comete crimes de combate a drogas hoje, seria relocada para o combate deste crimes reais.\r
    \r
    Pela etica libertaria, concordo plenamente contigo. Alias, a reducao de crimes eh demonstrada por estudos estatisticos em todos os casos onde houve afrouxamento das leis.\r
    \r
    Quanto ao estado regular e taxar as drogas após o fim da proibição, este é um problema sério, que deve ser combatido como se combate outros crimes de regulamentação estatal. Hoje existe inclusive tráfico de cigarros do paraguai, sem impostos e sem regulação, que chegam bem mais barato que os cigarrros taxados e regulamentados pelo estado.\r
    \r
    "Quando voce nao paga seus impostos, voce esta roubando de todo o pais" :-P (tem gente que acredita)
  • Renê  06/07/2011 17:36
    "Alias, a reducao de crimes eh demonstrada por estudos estatisticos em todos os casos onde houve afrouxamento das leis."

    Se a lei foi afrouxada é óbvio que as estatísticas indicarão redução dos crimes. Aliás nem precisa de estatística para comprovar isso. Se determinado ato é crime, a partir do afrouxamento da lei sobre o tal ato, todos os episódios envolvendo o mesmo, não serão mais considerados.
    Tal lógica poderia resolver o problema da criminalidade, basta não considerar mais nada como crime, afrouxamento de leis total!
  • Augusto  06/07/2011 18:25
    Mas Rene, esse eh exatamente o ponto, e algo que muitos parecem esquecer. Nao ha nada de intrinsicamente criminoso na maioria das acoes hoje consideradas ilegais, o que ha eh apenas um pedaco de papel assinado sabe-se la por quem tentando mudar a natureza humana.
  • Anon  06/07/2011 19:39
    Augusto,

    As pessoas tendem a ver só absolutos, maus e bons e acabou. Eu não nego que existam maus e bons, mas a grande maioria faz parte de uma área cinza entre um e outro, é movida por incentivos e não por valores. No tráfico não é diferente.
    As pessoas que residem nessa área cinza reagem racionalmente aos estímulos oferecidos.

    O erro fundamental dos proibicionistas é achar que podem suprimir esses estímulos tornando o tráfico mais e mais arriscado. Isso é impossivel porque quanto mais a repressão aumentar o risco pro traficante, mais a lógica de mercado vai recompensar esse risco. Então o tráfico vai se fortalecendo como instituição, selecionando indivíduos cada vez mais violentos (não necessariamente mais criativos e sensíveis às preferências da demanda), fomentando e se alimentando de uma cultura de violência nos lugares dominados pelo tráfico.
  • Rhyan  06/07/2011 22:38
    Pois é Fernando, se os ex-traficantes vão sair matando e sequestrando é bom que a população continue consumindo drogas para que os negócios do crime não deem prejuizos.
  • Joel Pinheiro  06/07/2011 15:54
    Com a liberação das drogas, os lucros dos grupos criminosos cairia, pois o setor teria mais concorrência.

    Hoje em dia paga-se um preço para entrar no mercado das drogas: segurança pessoal. Só pessoas dispostas a morrer e a matar, e a correr risco de ir para a cadeia, entram. Isso são entraves para muitos outros empreendedores; e há, portanto, lucros extraordinários a serem auferidos pelos que estão dispostos a enfrentar a lei. Com a liberação, cairiam tais entraves, muito mais gente e empresas passariam a ofertar drogas, e os lucros extraordinários cairiam.
  • Leandro  06/07/2011 16:41
    O fato é que querer proibir as drogas tomando por base o temor de que os traficantes ficarão sem receitas (e com isso sairão atacando todo mundo) é o equivalente a eu querer proibir o uso de carros porque um parente meu foi atropelado (e, com isso, eu alegar que estou preocupado em proteger a vida de outras pessoas.)

    Ademais, com a polícia agora sem ter de se preocupar em fiscalizar o que as pessoas colocam no nariz, na boca ou na veia, ela estará liberada para se concentrar em combater a criminalidade urbana, justamente a sua função precípua.

    Logo, esse argumento de que a criminalidade aumentará, embora tenha algum sentido, não é motivo algum para manter as coisas como estão. Defender proibição significa defender o monopólio e a alta lucratividade dos barões das drogas.

    P.S.: os neoconservadores que dizem que o PT está interessado em legalizar as drogas (cocaína e heroína) para beneficiar as FARC precisam urgentemente mostrar onde o PT defende isso. Seria uma total contradição o partido querer justamente acabar com o monopólio altamente lucrativo de uma organização parceira. O PT, pelo visto, sabe mais de economia básica do que os neoconservadores...
  • Djalma  06/07/2011 16:55
    Em outro artigo comentei que se as drogas fossem totalmente legalizadas além de acabar com um nicho de mercado explorado pelos marginais devido a proibição das drogas no Brasil muitas empresas investiriam nesse setor e dessa forma muitas drogas poderiam ser desenvolvidas diminuindo o impacto na saúde dos seus consumidores.
  • Felix  06/07/2011 18:30
    exatamente...
  • Pedro Bolson  06/07/2011 17:09
    Bom artigo. Já enviei para meu parentes que vivem no México com créditos ao site, obviamente.

    Além disso o momento é oportuno para artigos como esse já que este assunto está em amplo debate.

    Só discordei de um detalhe (e é um detalhe mesmo, pois não tira o mérito do Autor). Dizer que o Gates prosperou sem nenhum pilar de caráter monopolístico é um pouco de exagero. De qualquer forma esse impasse entre direito de propriedade/monopólio em relação a Microsoft já foi discutido em tópicos anteriores e não cabe discutí-lo novamente.

    OFF TOPIC:
    Parabéns ao IMB. São raras as vezes que faço comentários por aqui, tive que aproveitar a oportunidade para elogiar.
  • Leandro  06/07/2011 17:18
    Pedro, em realidade, Bill Gates não desfrutou de privilégios monopolísticos (pra ficar nos termos colocados pelo artigo), pois ele simplesmente não tinha o monopólio da sua área. Qualquer empresa que quisesse concorrer com ele estava livre para tal.

    A questão da propriedade intelectual é outro debate; porém, vale enfatizar, que nunca foi proibido a ninguém concorrer com Bill Gates.

    Grande abraço e obrigado pelo comentário!
  • Roberta Silva  07/07/2011 04:04
    von Mises defendia abstratamente a não intervenção do estado no consumo de substâncias chamadas drogas, com o pretexto de liberdade civil. Olha abstratamente, ou seja, como idéia, qualquer conservador é a favor da neutralidade estatal sobre o assunto.
    Contudo, opinar objetivamente sobre estas questões não é tão simples assim, no Brasil ou no México, a idéia abstrata de liberdade civil em si não pode ser sozinha base ou premissa para conclusões taxativas em favor de descriminalização, uma coisa é a crítica à lei seca nos Estados Unidos (para mim ele erra, principalmente ao nivelar todas as substâncias como "droga"), outra é fazer como o instituto vem fazendo, pegar o pano de fundo das idéias liberais e "aplica-las" a realidade objetiva sem fazer o mínimo esforço de pensamento nesse caminho.
    Uma coisa é concordarmos com ideais liberais, outra é em determinado local defender tais e quais ações com base em idéias abstratas. Sabemos que os chefões das drogas não são empresários comuns, são criminosos, sua rede mafiosa passa por gente da KGB, FARC, MIR e diversas outras organizações de esquerda que se utilizam do poder do tráfico para oprimir povos e financiar ideais e revoluções que no fim da contas decretarão a morte da liberdade. Então, objetivamente, defender legalização de drogas no México ou no Brasil, não trará mais liberdade civil, o máximo que isto fará, será ajudar criminosos a se tornarem empresários respeitáveis, organizações revolucionárias ficarem mais poderosas para avançarem na agenda revolucionária na América latina, desta forma, destruindo tudo que vocês defendem, seus ingênuos.
    Me desculpem, mas não sou eu que preciso estudar, afinal não estou aqui subindo nas tamancas e dando palpites sobre economia e nem querendo discutir sobre ideais libertários, os quais não tenho divergência, estou lembrando a vocês que para dar um palpite responsável em questões objetivas, não basta dar um control c + control v em algum texto de von Mises, necessita de um pouco mais de conhecimento de realidade e não apenas defender como um papagaio idéias liberais.
  • Leandro  07/07/2011 09:40
    Prezada Roberta, todos os clichês que você acabou de escrever são exatamente aqueles que foram rebatidos nos comentários dessa seção. Por gentileza, reserve um tempo para ler tudo o que foi escrito aqui.

    Ademais, a sua posição é um perfeito exemplo dos males que a ignorância econômica provoca. Você quer combater um grupo implementando políticas que irão apenas fazer com que os lucros -- e, consequentemente, o poder -- desse grupo só aumentem. Você quer combater um inimigo fornecendo a ele exatamente tudo o que ele mais quer. Você é a rival dos sonhos de seus inimigos.

    Enquanto os neoconservadores não entenderem essa lógica econômica, os traficantes continuarão cada vez mais poderosos e aterrorizantes. E cada vez mais gente continuará morrendo. Os proibicionistas são o verdadeiro júbilo dos barões das drogas.

    Outra coisa: não tem nada disso de "traficante se tornar empresário de respeito" não. As FARC, por exemplo, são um grupo terrorista que pratica atos terroristas e que devem ser condenados como tal. Os únicos traficantes que seriam "perdoados" são aqueles que estão presos unicamente pelo "crime" de vender e portar drogas. Traficante que matou, sequestrou ou extorquiu não vira empresário de respeito. Tem de ir pra cadeia. Ou até mesmo pena de morte.
  • Roberta Silva  07/07/2011 11:21
    Ignorância econômica? Neo Conservadores? Clichês?

    É impressionante, com uma direita dessas o movimento revolucionário nem precisa de esquerda. Encerro por aqui, tentar abrir os olhos de pessoas imaturas, que raciocinam apenas com palavras e não levam em conta a realidade objetiva tem de ter uma paciência de Jô.

    Vocês é que demonstram ignorância, vocês estão usando todos os clichês da esquerda.
    Neo Cons?
    Vocês sabem o que quer dizer neo conservadores? Eu respondo, não vocês não sabem.
    Neo Cons é um termo usado para definir uma ala do partido republicano americano, a rigor, este termo apenas se aplica a essas pessoas lá nos EUA, não saber nem isto mostra sua completa ignorância sobre política. Neo cons são uma ala que os democratas classificam de direita soft, são indivíduos parecidos com vocês, defendem teorias libertárias a todo custo, sem pensar na realidade objetiva, apóiam aborto, apóiam descriminalização das drogas, enfim tudo que na cabeça dessa gente o mercado pode dar conta de resolver, acreditam na "moral do mercado"(o que é um raciocínio primário, pueril), além de defenderem a hegemonia americana mas sem intervenções no estrangeiro. Isto é um Neo conservador caramba, pregam o oposto do que eu estou dizendo.

    Olha, esse negócio de tentar aplicar objetivamente sem nenhuma articulação dialética ideais libertários, é coisa de adolescente, isto só faz alavancar o avanço revolucionário, cuja agenda prevê liberalização das drogas, liberalização do aborto etc. Em suma, assim vocês estão trabalhando de graça para o comunismo. Façam-me o favor, cresçam e apareçam.
  • Leandro  07/07/2011 11:27
    Pelo visto meu pedido foi desconsiderado. Minha cara Roberta, por gentileza, tenha a bondade de ler exatamente nesta página em que você se encontra agora ao ler isto a minha explicação sobre a origem do termo neoconservador. Logo ali em cima, em resposta ao Breno.

    Fica explicado por que você repete as mesmas besteiras, seguidamente. Você sequer se dá ao trabalho de ser inteirar da discussão da qual quer participar. Por favor, vá lá e leia.

    Abraços!
  • Rodolfo  07/07/2011 11:37
    Quem é essa Roberta que diz que neoconservadores como Bush, Dick Cheney, Paul Wolfowitz, Donald Rumsfeld etc. são "libertários a todo custo", que defendem descriminalização das drogas e são contra intervenções no estrangeiro?!?!

    Sério, vocês aprovaram o comentário dela só pra humilhá-la, né? Que feio...
  • Augusto  07/07/2011 12:17
    Eh porque se o site fosse so de economia ia ficar muito monotono... Um pouco de humor (mesmo humor negro) como esses posts da Roberta ajudam a descontrair o ambiente. ;-)
  • Isaias Barbosa  07/07/2011 11:58
    O pior mentiroso é aquele que acredita na própria mentira.
  • Marcos  09/07/2011 13:46
    O que falam sobre Portugal é interessante, mas levanta uma série de questões. Eles comparam com o resto da União Européia... mas não foi a mesma Europa em que vários países estão adotando legislações mais brandas contra as drogas? Então essa comparação não faz muito sentido. Além disso, é o caso de UM país. Um estudo conclusivo deveria abordar vários casos. Desse jeito várias outras variáveis que poderiam explicar o que aconteceu lá melhor do que a liberalização podem ser esquecidas.

    E sobre as forças sociais que impedem o aumento das drogas fica uma constatação. Os grupos com quem muitos libertários marcham juntos não querem a liberalização somente, querem o reconhecimento social das drogas. Não tenham dúvidas de que no dia seguinte a liberalização vão começar a marchar contra o "preconceito" em relação a usuários de drogas. Seria ingenuidade aliar-se a esses grupos por acharem que eles colaboram com a "liberdade". Pelo contrário, eles possuem interesses muito distintos. Infelizmente muita gente não percebe isso e acaba sendo usada para ajuda-los. O resultado é um enfraquecimento das próprias forças que diminuem o consumo.

    O fenômeno das drogas é grande demais para ser encarado pelo prisma puramente econômico. Não é uma simples questão de "o estado proíbe então há violência, vamos parar com a proibição e todos vão largar as armas e cantar juntos". O vício por si só já causa violência. Viciados se prostituem, roubam e matam para conseguir a próxima dose. A questão não diz respeito ao estado, mas sim a necessidade ou não de se considerar esta conduta como potencialmente lesiva ao restante da sociedade e, portanto, passível de sanção penal" Caso essa análise penal seja negada com o argumento de que qualquer intervenção penal é um aumento no poder estatal então teríamos que descriminalizar o código penal inteiro, inclusive o homicídio.

    É por este motivo que a argumentação libertária não me parece adequada. Não basta dizer que a proibição do estado causa males, precisa demonstrar que aquela conduta não é moralmente condenável ou não causa consequências graves o suficiente para outras pessoas. Afinal, alguém duvida que o despejo de uma pessoa que ocupa ilegalmente uma propriedade não é violência? Não é intervenção estatal? É. Mas é justificada para proteger o legítimo proprietário
  • Augusto  09/07/2011 14:11
    Todos esses argumentos já foram exaustivamente debatidos nesse artigo, nos comentários e em inúmeros outros textos do site.
  • Marcos  10/07/2011 00:28
    Li os textos e comentários e nada me parece explicar corretamente os pontos que abordei. Ao que me parece os pontos mais batidos são a economia e a intervenção estatal, que são insuficientes para tratar uma questão tão complexa. Mesmo o argumento de Mises é incompleto, porque só é eficaz para a proibição das drogas por motivo de proteção dos usuários. Não explica os casos em que o consumo de certas substâncias podem ser lesivos a terceiros.
  • Fernando Chiocca  10/07/2011 00:58
    Marcos, aí quem tem que explicar como eu colocar uma substância no meu corpo pode prejudicar terceiros é você.. e eu estou é bem curioso para ver isso.

    Será que seria o caso de irmãos gêmeos onde um leva um pontapé e o outro que sente, e aí se um usar uma droga o outro que fica doido?

    Tipo o princepe Nuada e a princesa Nuala no Hellboy, que um toma uma porrada no nariz e sangra o nariz do outro também. Seria isso?
  • Augusto  10/07/2011 09:20
    Fernando,\r
    \r
    Tb nao precisa muita imaginacao para saber o que o Marcos esta perguntando...\r
    \r
    O que ele quer saber eh: como fica o "fato" (notar as aspas, Fernando, as aspas!!) de que uma pessoa sob efeito das drogas tem menos controle de suas faculdades mentais e pode assim estar mais propenso a cometer atos de violencia?\r
    \r
    \r
    (eu sei a resposta, o Fernando tb sabe, mas seria bom alguem explicar para o Marcos com um pouco mais de didatica...)
  • Fernando Chiocca  10/07/2011 13:07
    Sinto muito Augusto, mas não foi nada disso que ele perguntou.

    "Não explica os casos em que o consumo de certas substâncias podem ser lesivos a terceiros."

    Ele está falando do consumo de drogas, e não de outros atos. E o assunto aqui é exatamente o consumo de drogas, e não pessoas comentendo atos de violência contra terceiros.

    Atos violentos contra terceiros acho que ninguém tem nenhuma dúvida que são crimes que devem ser criminalizados, evitados e punidos.

    Continuo aguardando a explicação do Marcos de sua afirmação sui generis.
  • Augusto  10/07/2011 13:28
    Fernando,\r
    \r
    Perda de tempo discutir contigo. Ele perguntou exatamente o que eu disse - nao eh culpa minha se ele nao soube formular corretamente a pergunta e misturou assuntos diferentes.\r
    \r
    De qualquer forma, voce destrinchou a pergunta que ele tinha, consertou a confusao que ele estava fazendo, e respondeu. Otimo, eh o que basta.
  • Fernando Chiocca  10/07/2011 13:34
    Ótimo, então não perca mais seu tempo se metendo onde não foi chamado.
  • Augusto  10/07/2011 13:49
    Ignorando que fui eu que mencionei o teu nome - ou seja, eu que te chamei e nao o contrario. E dando respostas de crianca de 5 anos.\r
    \r
    Vamos longe assim.\r
    \r
    :-)
  • Fernando Chiocca  10/07/2011 14:08
    Vc tá ignorando que foi vc quem disse que é "perda de tempo discutir comigo".

    isso que eu nem estva falando com vc, estava falando com o Marcos.

    Então ou vc gosta de perder tempo ou não concorda com vc mesmo.
  • Marcel  10/07/2011 13:17
    O prejuízo a terceiros pelo fato de alguém usar drogas não ocorre sempre e nem sempre é imediato, mas é um fato que ele ocorre em muitos casos. Se analisarmos a trajetória de uma pessoa que começou fumando maconha e terminou viciado em crack (conheço alguns casos) vai perceber que no começo não afetou ninguém e no final prejudicou muitos.
    E a causa do prejuízo a terceiros é exatamente a presença de uma determinada substância no corpo da pessoa, não apenas em determinado momento, mas ao longo de um certo período de tempo em que ela vai lentamente se destruindo e perdendo seus valores.
  • Yeha  10/07/2011 10:40
    Esse eu respondo, quando um cara se droga e por dirigir bêbado atropela e mata duas crianças. Simples assim. Ele estava no seu direito individual de beber e depois no direito de usufruir de sua propriedade(seu carro), nenhum estado malvadão deve se impor a isso. Cade você pra fazer piadinha de paranormal agora?

    Mesmo podendo agir como um "precog", evitando mortes e acidentes a terceiros, impedir a liberdade de alguém de sair involuntariamente atropelando as pessoas é algo feio.

    Liberdade acima da vida de terceiros.
  • Fernando Chiocca  10/07/2011 13:14
    Yeha, você está fazendo uma confusão primária. "Atropelar e matar duas crianças" é uma coisa, "se drogar" é outra coisa e "dirigir bebado" é outra coisa.

    E somente a primeira é algo que pode ser condenado.

    Se quiser aprender mais sobre o assunto e evitar estes erro básicos, e de defender atos nefastos contra a liberdade, pode ler este artigo pra começar:Pelo direito de dirigir alcoolizado
  • void  10/07/2011 13:27
    Espera! Pela sua lógica, eu tenho a liberdade de sair matando qualquer pessoa por aí, e isso independe do consumo de quaisquer substâncias. E você vem, ainda, dizer que é isso o que se defende aqui? É desonestidade ou burrice isso aí que você diz? Você, bem como todos os socialistas como você(independente de serem de esquerda ou direita) mistura as coisas e conclui que liberdade é poder. LIBERDADE É PODER? Não seja burro. Utilizar sua propriedade(a bebida e o carro) é direito. Matar, quando não em legítima defesa, é crime.

    Agora eu quero que você prove que todas as pessoas que bebem e dirigem saem por aí involuntariamente atropelando e matando pessoas.
  • Yeha  11/07/2011 01:03
    Fernando, como eu disse fazendo a comparação com o Precog(minority report), é que sendo possível evitar mortes não se é feito por causa da liberdade pessoal, é como treinar mira com uma arma usando pessoas como alvo, num sistema de liberdade total, só vai ser detido quando ele matar uma pessoa, que coisa linda isso.
    Mesmo tendo a chance real de evitar um assassinato, não é feito por respeito a liberdade pessoal de cada um de praticar mira em pessoas ou num lugar povoado.
  • Luis Almeida  11/07/2011 09:14
    Outra falácia, Yeha. Você simplesmente parece não enxergar que todos os seus espantalhos já existem no mundo atual controlado pelo estado.

    O que me impede de chegar à janela da minha casa e jogar um copo de vidro sobre a cabeça de um pedestre, que certamente morreria na hora?

    Parece que o estado não está protegendo esse cidadão contra a minha malvadeza.

    Logo, creio ser inadiável a aprovação de uma lei proibindo pessoas de andar na rua para o próprio bem delas. Ou, o que também dá no mesmo, uma lei proibindo pessoas de morarem acima do primeiro andar -- assim, não dá altura para um copo de vidro matar alguém.

    Ou, ainda mais completo, uma lei que proíba as duas coisas acima em conjunto com outra lei proibindo a fabricação de copos de vidro, estas reconhecidas armas letais.

    Percebeu para onde estamos indo?

    Tão patéticos esses amantes do estado...
  • Fernando Chiocca  11/07/2011 13:07
    O pior é que ela nem sequer leva em conta como o Minority Report termina....

    Jogando inocentes na cadeia e deixando os assassinos livres. Qdo a injustiça é revelada, abandonam esta insensatez, que é apoiada aqui pela tirana Yeha, mesmo numa realidade onde os 3 pré-cogs não existem...
  • Yeha  12/07/2011 09:35
    Não evita um ato imetiado, mas uma pessoa jogando copos diariamente seria acusada de pertubação da ordem, de tentar causar mal a terceiros ou de outra coisa.

    A questão é que existem leis que servem para evitar, não apenas para punir, o que não existiria num sistema exageradamente libertário, código de Hamurabi é algo extremamente primitivo, entre evitar e punir um crime, prefiro mil vezes a primeira opção. E a "punição" deveria ser apenas para evitar que o crime se repita, não como vingança.
  • Fernando Chiocca  12/07/2011 11:47
    Depois dessa não resta dúvita que o que falta para a Yeha é massa cinzenta. Sua cabeça, obviamente, só tem a função de separar as duas orelhas.

    Sequer é capaz de perceber que "leis que servem para evitar um crime", PUNEM quem viola tais leis e quem nem cometeu o tal crime.

    E quando ela diz que "punição" deveria ser apenas para evitar que o crime se repita, não como vingança, ela usa a punição como vingança de um crime que nem aconteceu, o que na verdade não seria uma vingança, e sim iniciação de agressão, ou seja, seria o motivo para iniciar uma vingança contra o agressor.


    Enfim, esse comentário da Yeha serviu para ilustrar a incapacidade mental de gente que defende crimes nefastos como a legislação que pune pessoas por dirigirem um carro após ter ingerido bebida alcoolica.
  • anônimo  12/07/2011 12:13
    Fernando, pega leve, poucos crescem libertários, ainda mais no Brasil...
    Eu concordo com seus pontos, mas mesmo você tem que reconhecer que leis contratuais podem existir, e é bem provável que dirigir embriagado venha a ser proibido na maioria das vias privadas, numa eventual sociedade libertária.

    E Yeha, o Fernando tem razão quando diz que leis que punem atos criminosos dissuadem as pessoas de cometerem atos criminosos. Além disso, comportamentos de risco também podem ser evitados através de contratos e com um verdadeiro respeito aos direitos de propriedade, o que faria com que cada proprietário internalizasse os riscos (custos) assumidos em/por sua propriedade. Dar aval a uma máfia para sair agredindo quem não agride ninguém não só é extremamente injusto como é ineficiente.
  • Fernando Chiocca  12/07/2011 13:05
    Pega leve?

    Cara, posições como a desta "pessoa" são responsáveis por crimes horrendos contra a liberdade, que crescem cada vez mais.

    Este fim de semana aqui em São Paulo, 234 pessoas foram sequestradas e 20.371 foram ameaçados por armas e obrigados a descer de seus carros (um sequestro relâmpago): Blitz da Lei Seca prende 234 por embriaguez ao volante em SP

    A situação é séria, e não estão "pegando leve" com inocentes que não fizeram nenhum mal para ninguém e nem para a propriedade de ninguém.

    A boa notícia, e quero lembrar isto aos leitores do IMB, é que 1.012 conhecem os poucos direitos que ainda lhe restam e se recusaram a assoprar o bafômetro. Ninguém é obrigado a fazer o teste, mas quase ninguém sabe disso e, intimidados por homens armados, acabam obdecendo. Se forem parados, recusem produzir provas contra vocês mesmos; mesmo se não tiverem bebido nada, não assoprem.
  • Augusto  12/07/2011 13:18
    Uma coisa curiosa eh que se voce fizer uma enquete com todos esses que foram parados, uma porcao bem grande deles vai dizer que "entende a necessidade desse tipo de acao, porque beneficia todo mundo"...
  • colombiano  16/02/2012 12:18
    Vejam como a guerra às drogas está destruindo a Colômbia:

    veja.abril.com.br/010807/p_106.shtml
  • anônimo  06/01/2013 20:16
    É piada, né? Há ao menos uma década vem se noticiando (por coincidência em veículos notadamente conservadores) o exemplo da Colômbia no combate ao crime, e até hoje aquele país está entre os maiores níveis de criminalidade NO MUNDO!

    Considerando só a taxa de homicídios - na América do Sul só perdem pra Venezuela -, os números são 50% maiores que no Brasil onde a coisa já degringolou totalmente!

    Isso tudo, se ainda forem considerados os custos envolvidos, não passa de um retumbante fracasso.
  • anônimo  06/01/2013 21:09
    Mas nisso a Colômbia ta certa, as FARC não são só traficantes, também são terroristas, ganham dinheiro com sequestros e tal
  • anônimo  07/01/2013 02:17
    Mas a taxa de homicidios tem caído bastante na Colômbia. Se não me engano, em 1999, a taxa de homicídios por 100.000 pessoas superava 60. Hoje a taxa de homicídios é de 30 por 100.000 habitantes. Isso devido à política linhaa-dura de Álvaro Uribe...
  • Angelo Viacava  05/01/2013 22:59
    Pensando: agredir, matar alguém, sob efeito de drogas alucinógenas, numa sociedade onde o consumo fosse livre, seria agravante de punição, atenuante, ou não teria efeito sobre a pena?
    Porque o criminoso poderia alegar que, sob efeito da droga, viu a vítima com uma arma na mão, mas era um celular. Viu uma fera a lhe atacar, quando era só uma pessoa sem perigo algum.
  • Vinicius Costa  06/01/2013 02:43
    Eu vejo a pessoa sempre responsável pelos seus atos. Se usou uma droga e fez algo que machucou alguém, vai acabar sofrendo as consequências, porque quem decidiu se drogar foi ela mesma
  • Andre Cavalcante  06/01/2013 16:43
    Fácil: agravante. Não se pode alegar, em uma sociedade como a nossa em que a informação está espalhada e facilmente acessível, desconhecimento, então, a pessoa sabe o efeito do uso.

    O que torna a liberdade tão legal é que ela é sempre acompanhada da responsabilidade: você é livre para agir, mas escravo das consequências dos seus atos (e isso é uma lei natural).

    Em uma sociedade genuinamente livre, várias áreas da cidade poderiam ser interditadas a pessoas drogadas, minimizando certas ocorrências. Isso também marginalizaria quem fosse usuário e, por si só, diminuiria quem se aventurasse pelo uso sistemático (adicto), pois, literalmente, acabaria com a vida da pessoa. Se a taxa de morte fosse maior que a taxa de nascimentos (usuários entrantes no mundo da droga), a tendência seria de queda no consumo. Presumo que haveria um equilíbrio em algum ponto, e as cidades passariam a ter verdadeiros guetos para os adictos.
  • Kondde  06/01/2013 01:59
    O mIses talvez não seja contra a guerra das drogas em si, a qual eu considero que ele tenha achado isso um fato negativo (o uso de drogas) por si só.

    O que o mises condena é o despendio do estatal para coibir o trafico, nossos governantes fazem algo verdadeiramente paradoxal, hoejhe então ele deveria achar a coisa toda mais irônica: tentam coibir o tráfego mas discriminalizam o usuário, cada vez mais o usuário ganha mais e mais liberdade para usar e claro, comprar a sua droga.

    A politica hoje é bem nitida, só se fazem incursão contra o tráfico ostensivo em armas, a política a apologia as drogas está se encolhendo cada vez mais.
  • Vanderlei Dallagnolo  06/01/2013 05:00
    Algumas especulações.

    Parece-me que é verdade que muitos libertários desconsideram a profundidade e a amplitudade das estratégias revolucionárias. Pois, os socialistas, comunistas et caterva nunca divulgam seus objetivos reais. Por exemplo, quando ELES defendem a liberação das drogas não é pelo mesmo motivo que os libertários. Pode ser que o discurso superficial pareça o mesmo, mas não é. Sempre tem uma agenda secreta; alguma intenção de agravar algum problema para derrubar o sistema atual e impor a tal revolução genocida deles. Claro que a massa militante não está a par disto, no geral.

    Agora, de outro lado, me parece que existe muito foco em apontar como uma sociedade mais livre exacerbará comportamentos arriscados (andar armado, dirigir embriagado, dirigir em alta velocidade, usar drogas etc).
    Só que esquecem de comentar que um ambiente de livre mercado também é o melhor para se produzirem defesas, soluções, remédios e tratamentos para todos estes problemas.
    Bem como é o melhor para a disseminação de informações importantes.
    Por exemplo, acredito que numa sociedade livre o uso de drogas será exponencialmente maior. Bem como sua variedade em todas as características imagináveis.
    Tão amplo e variado mercado tornará muito interessante e atrativo o desenvolvimento de um igual mercado de tratamento de viciados, de drogas não viciantes e outras soluções similares.




  • Andre Cavalcante  06/01/2013 15:16
    Vanderlei,

    Essas questões que levantaste são interessantes. Vou comentar somente uma: "Agora, de outro lado, me parece que existe muito foco em apontar como uma sociedade mais livre exacerbará comportamentos arriscados (andar armado, dirigir embriagado, dirigir em alta velocidade, usar drogas etc)."

    Não me parece que os libertários se focam em "exacerbar comportamentos arriscados". Dado que boa parte dos que leem o site é cristão ou religioso e os que não são, não parecem muito dados a drogas e afins, esse "foco" como sugeres é dos detratores do libertarismo (a célebre tentativa de fazer com que os outros recebam a culpa de coisas que eles próprios são a causa - por exemplo, somente exite a "guerra contra as drogas" porque existe uma proibição ao uso de drogas).

    O que os libertários pregam o fim da proibição. Mas há muito libertários que são contrários ao uso de drogas pelos indivíduos. O que muda é a maneira de tentar convencer o outro que se drogar não é uma boa coisa - o governo coage, os libertários mudam a ideia.

    Por outro lado, em geral, em uma sociedade de leis privadas, HÁ LEIS que devem ser cumpridas por todos que as aceitam. Da mesma forma que em um condomínio há limites de velocidade, regras para uso da piscina, barulho etc., em uma cidade privada muito provavelmente teríamos uma série de regras e normas sociais a serem cumpridas pelos seus habitantes e, muito provavelmente, dirigir embriagado não seria tolerado. A diferença é que não haveria crimes sem vítimas.
  • Emerson Luis  27/03/2016 10:25

    Existe uma "indústria das drogas" e uma "indústria do combate às drogas".

    E uma depende da outra.

    * * *


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