clube   |   doar   |   idiomas
segunda-feira, 8 12aio 2017
Podcast 266 – Conferência de Escola Austríaca 2017 (Helio Beltrão)
oficial.jpg


Tendências da economia brasileira. Democracia versus liberdade (há compatibilidade?). O futuro do mercado financeiro. O Reino Unido pós-Brexit. O intervencionismo no ensino jurídico. Os cincos planos econômicos que tentaram salvar (e afundaram) o Brasil. O fim da justiça do trabalho. E muito mais.

O Instituto Mises Brasil irá realizar na próxima sexta-feira e sábado, na cidade de São Paulo, a 5° edição da Conferência de Escola Austríaca no Brasil.

O evento é, sem dúvida, o maior dedicado à Escola Austríaca na América do Sul e vai coroar a feliz parceria com Universidade Presbiteriana Mackenzie, instituição que sedia o evento.

Neste Podcast, conversamos com o presidente do IMB, Helio Beltrão, que falou sobre os temas que serão tratados e os respectivos palestrantes. A programação está excelente e combina brasileiros e estrangeiros. Serão vários os temas econômicos, políticos, jurídicos, que serão tratados sob a perspectiva da Escola Austríaca.

Tudo isso você poderá conferir ao vivo, com direito a perguntas e respostas, na Conferência que será realizada pelo Instituto Mises Brasil nos dias 12 e 13 de maio em São Paulo.

Helio também explicou qual será o espírito do evento deste ano, a expectativa de público e o propósito da conferência. Ele também fez um balanço das atividades e conquistas do Instituto nos 10 anos de atuação.

***

 

A música da vinheta de abertura é a “Abertura Solene 1812”, do compositor russo Piotr Ilitch Tchaikovsky, executada pelo guitarrista Eric Calderone.

 

***

 

Todos os Podcasts podem ser baixados e ouvidos pelo site, pela iTunes Store e pelo YouTube.

 

E se você gostou deste e/ou dos podcasts anteriores, visite o nosso espaço na  iTunes Store, faça a avaliação e deixe um comentário. 




  • Ricardo Cruz  23/11/2009 12:32
    Eis um assunto que sempre tive dificuldade para entender na prática. O conceito de poupança e capital. O artigo ajudou a me esclarecer vários detalhes mas ainda há algumas nuances sombrias para mim. Acho que só com mais leitura vou acabar entendendo tudo.
  • Cesar Ramos  23/11/2009 13:53
    As sempre oportunas abordagens incitam à colaboração. \nProudhom zombava dessa distinção entre capital e trabalho. Ele acreditava que capital e trabalho não são dois tipos diferentes de riqueza; que toda a riqueza sofre um processo contínuo, passando de capital a trabalho e de trabalho a capital, ininterruptamente e que as mesmas leis de justiça que regulam a posse de um, deveriam regular a posse de outro.\nEngraçadas as leis do trabalho. Depois de receberem as benesses, os operários foram enviados aos campos talados de minas e canhões. \nSão 100 mil advogados trabalhistas, mais 15 mil que vivem ligados à Justiça do Trabalho, no total chegam à cerca de 150 mil. Um lobby de 150 mil é maior que o desejo do restante da sociedade.\nDAS KAPITAL\nSe capital fosse abundante, não seria capital, mas, talvez, corporal. Não seria Caput, mas parágrafo.\nMas por convenção o capital tem se representado pelo dinheiro, pela moeda sonante. Dessarte, ficamos circunscritos apenas a uma representação. Quem capturá-la, captura toda a Nação, em apenas um golpe. É o que vem se sucedendo, aqui e alhures:\nA intervenção sem precedentes do Federal Reserve revela, mais uma vez, o caráter profundamente antidemocrático das instituições capitalistas, feitas em grande medida para socializar o custo e o risco e privatizar os lucros, sem uma voz pública. (CHOMSKI, Noah, do Massachusetts Institute of Technology, à BBC)\nVou mais longe: a intervenção não vica cobrir algum custo, mas guarnecer simples apropriações indébitas.
  • Otávio Cunha  23/11/2009 16:00
    Bem explicado. Essa noção de capital e poupança também era estranah para um leigo como eu. Mas já está ficando mais clara.
  • Bla  23/11/2009 16:45
    "A intervenção sem precedentes do Federal Reserve revela, mais uma vez, o caráter profundamente antidemocrático das instituições capitalistas"

    An?? O Federal Reserve é uma instituição capitalista??
  • Leandro  23/11/2009 17:07
    Bla, na verdade, pelo que entendi da postagem do Cesar, quem disse isso foi o Noam Chomsky. Dele não dá pra esperar nenhuma colocação inteligente sobre questões monetárias, convenhamos.
  • Carlos Alexandre  23/11/2009 18:23
    Excelente artigo!
    Para mim, que sou leigo em economia, serviu para efetuar a distinção entre capital e poupança e entre poupança e entesouramento, 2 categorias que eu confundia muito!
  • Rhyan Fortuna  23/11/2009 19:44
    Muito bom! Mas então guardar dinheiro embaixo do colchão é poupança?
  • Leandro  23/11/2009 20:03
    Prezados Rhyan e Carlos, obrigado!

    Ambas as atitudes - guardar dinheiro embaixo do colchão ou deixá-lo no banco, sem gastá-lo - pressupõem abstenção de consumo, certo? Logo, se estiver havendo abstenção de consumo, está havendo poupança.

    A diferença é que a segunda medida tende a diminuir a taxa de juros dos empréstimos bancários, ao passo que a primeira tende a aumentá-la.

    Hoppe escreveu um artigo comentando especificamente a atitude do entesouramento. Vale a pena lê-lo: http://www.mises.org.br/Article.aspx?id=370
  • c  23/11/2009 22:44
    Parece não haver propriamente distinção entre as artimanhas fascistas e o capitalismo. A ingerência do Estado na Economia através de emissões sem lastro é característica dos regimes da década de 30, como forma de "driblar" os prenúncios marxistas. Isso de fato nada tem de capitalismo, mas talvez um mercantilismo, e ainda subvertido.
  • Robespierre  24/11/2009 09:11
    Muito grato fiquei por esse artigo elucidativo e de fácil acesso. Muito melhor do que os manuais ortodoxos de economia, com seus termos vãos e desconexos. Mantenham o nível.
  • Mauro Cambraia  24/11/2009 21:32
    Ótimo! Ainda estou hesitante em aceitar essa ideia do pleno emprego, mas a explicação para os gastos do governo foi perfeita e no alvo. Falta mais debate sobre esse assunto no Brasil. Em todos os outros países do mundo ele é uma constante.
  • CR  25/11/2009 08:14
    Há uma cena no novo filme de Michael Moore, "Capitalism: a love history", em que o gorducho diretor e protagonista estaciona um carro-forte em frente a um desses grandes bancos que receberam ajuda financeira do governo durante a crise e avisa que veio exigir a devolução do dinheiro dos pagadores de impostos (contribuintes) americanos. Com muita frequência, os maiores oponentes do sistema capitalista de livre mercado não são os socialistas empedernidos. Seus verdadeiros inimigos são líderes empresariais que, em público, não se cansam de enaltecer as virtudes da competitividade e do liberalismo, enquanto tentam, por baixo dos panos, extinguí-las em seus próprios benefícios, principalmente através do favorecimento contínuo da intervenção estatal na economia. Num ambiente que incentive a troca de favores, mesmo aqueles empresários que talvez preferissem mater distância da política acabam sendo jogados na prostituição, ainda que em legítima defesa.\nJoão Luiz Mauad, Capitalismo de compadres. - www.imil.org.br, em 24/11/2009.
  • Joao  14/03/2011 12:29
    É isso que tenho percebido, e é justamente por esse motivo que cada vez mais eu me convenço de que o liberalismo é realmente e a melhor opção. Estou percebendo que um Estado que quer ajudar todos o tempo todo acaba favorecendo empresários com melhores ligações com o governo. Nos EUA, o cidadão perde sua casa por maus investimentos - nas hipotecas, por exemplo. O empresário que fez maus investimentos recebe gordos benefícios do governo. Ora, é claro que o dono de uma empresa que se beneficia do bail-out não vai sair por aí dizendo que ele quer mesmo é dar uma mamatinha nas tetas do governo. Ele vai disfarçar. Isso não é inesperado.
  • Rhyan Fortuna  15/12/2009 20:13
    O que o governo pode fazer para incentivar a poupança?
  • Leandro  16/12/2009 03:46
    Gastar menos já seria grande coisa. Gastando menos, o governo deixaria de destruir a poupança de todos. Tributar menos também possui o mesmo efeito.

    Mas, principalmente, parar de manipular os juros, e deixar que este reflita verdadeiramente o real nível da poupança existente - o que mandaria os sinais corretos para o mercado: juro alto é sinal de que há pouca poupança (logo, o consumo deve ser evitado); juro baixo é sinal de que há muita (logo, há vários investimentos que podem ser realizados).
  • André  24/04/2010 16:18
    Perfeito Leandro. Nem ouso elogiá-lo. \r
    \r
    Isso realmente é muito interessante. Uma das primeiras coisas que aprendi quando comecei na economia foi poupar, só que de uma forma mais simples. Agora aprendi com mais detalhes sobre poupar.\r
    \r
    Um abração a todos do IMB\r
  • mcmoraes  30/06/2010 16:32
    Roque disse: "Tá faltando emprego ... [, mas] tá sobrando trabalho."

    Escuto essa expressão curiosa desde que me conheço por gente, mas nunca tinha recebido uma explicação tão esclarecedora como essa. Faz todo sentido!

  • Caio  20/07/2010 11:39
    Impressionante como todos os seus artigos são extremamente elucidativos, Leandro... Parabéns!
  • Leandro  20/07/2010 14:50
    Caio, muito obrigado pelo elogio! Um grande abraço!
  • Julio Adorno  21/02/2012 18:31
    Genial!
  • Investidor   13/03/2013 02:27
    Tem uma coisa que precisa ser levada em consideração.

    Quando um governo inflaciona ele pode ter um efeito de diminuir o consumo e investir em produção de capital fazendo com que no fim das contas a produtividade aumente e a taxa de juros diminua.

    O que quero dizer é que pode acontecer da inflação alterar a acumulação de capital e portanto modificar a taxa de juros para baixo.

    Ou seja, inflação pode não gerar ciclo econômico quando não usada em consumo.

    Esse pensamento já foi refutado? Gostaria de saber o que acham dele.

    Obrigado.
  • Leandro  13/03/2013 03:06
    "Quando um governo inflaciona ele pode ter um efeito de diminuir o consumo e investir em produção de capital"

    A relação entre inflação monetária e consumo é dúbia. Por exemplo, uma hiperinflação comprovadamente estimula o consumo. Óbvio. O cara não tem opção: ou ele troca imediatamente seu dinheiro por algo de valor, ou ele simplesmente fica sem poder de compra nenhum. Um perfeito exemplo prático disso pôde ser observado no natal de 1989 no Brasil, auge da hiperinflação (mais de 50% ao mês). Os shoppings bombavam muito mais do que hoje. Claro: com a moeda perdendo valor diariamente, a única opção das pessoas era correr às compras e trocar papel em contínua desvalorização por produtos.



    Já uma inflação mais leve, tipo algo entre 8 e 10% ao ano, de fato pode gerar aquilo que se chama de "poupança forçada": o sujeito é forçado a poupar (não consumir) pelo simples fato de não poder arcar com o aumento dos preços. E, ao contrário do que ocorre em um cenário de hiperinflação, ele não tem seu salário reajustado mensalmente.

    Agora, como é que tudo isso vai gerar aumento do investimento em produção de bens de capital? Desconheço. Em uma hiperinflação, o investimento cai, pois o longo prazo se torna tão imprevisível, que o horizonte temporal mais longo é de aproximadamente três meses. Ninguém investe em um prazo maior do que isso. A economia fica tão desarranjada, e o horizonte temporal fica tão reduzido pela incerteza, que praticamente não há investimentos visando ao longo prazo. A divisão do trabalho fica severamente avariada, e a toda a economia empobrece.

    Já para o caso de inflações moderadas, como a que o Brasil está vivenciando atualmente, o cálculo econômico é falsificado pela inflação monetária (os retornos de longo prazo parecem ser maiores do que de fato serão) e a consequência disso é que os investimentos costumam se dar em setores para os quais não haverá genuína demanda tão logo a inflação seja controlada. Isso é o cerne da teoria dos ciclos econômicos.

    "fazendo com que no fim das contas a produtividade aumente e a taxa de juros diminua."

    Não faz sentido. Se os agentes econômicos esperarem aumento da inflação, as taxas de juros de longo prazo, principalmente dos empréstimos bancários, aumentarão.

    "O que quero dizer é que pode acontecer da inflação alterar a acumulação de capital e portanto modificar a taxa de juros para baixo."

    Ela pode diminuir os juros de curto prazo, mas não os de longo prazo, que são os que interessam para os investimentos. Não há absolutamente nenhuma teoria que explique que inflação gera acumulação de capital.

    Ao contrário, inflação gera destruição de capital. Não apenas ela gera investimentos errôneos, como também, ao aumentar artificialmente os lucros das empresas, faz com que o volume de impostos que elas têm de pagar aumente na mesma proporção, o que exaure seus recursos. Simultaneamente, a inflação monetária também encarece os preços dos bens de capital (máquinas) e das peças de reposição do maquinário. Ao final, a empresa, além de ter menos recursos (os quais foram confiscados pelos impostos), tem de adquirir bens de capital e peças de reposição a preços maiores, o que significa que houve uma redução na sua capacidade de investimento. A inflação, portanto, gera um consumo de capital das empresas.

    "Ou seja, inflação pode não gerar ciclo econômico quando não usada em consumo."

    Aqui, curiosamente, você inverteu as coisas. É justamente quando a inflação monetária é utilizada diretamente em consumo, que ela não gera ciclos econômicos. Trata-se da chamada "inflação simples". Neste caso, o governo injeta dinheiro diretamente na economia sem passar pelo sistema bancário -- ou seja, o BC imprime dinheiro, dá para o Tesouro, e o Tesouro gasta. Este arranjo tende a não gerar grandes alterações na estrutura de produção da economia. O problema, no entanto, é que tal arranjo sempre tende a terminar em hiperinflação. Foi ele que vigorou no Brasil durante toda a década de 1980 e início de 1990.

    "Esse pensamento já foi refutado?"

    Já.

    Abraço!
  • Capitalista  09/04/2013 18:01
    Boa tarde, Leandro. Primeiramente gostaria de parabenizá-lo pelos excelentes artigos que vem escrevendo e também pela rapidez e dedicação em responder os comentários. Fora de série realmente. Eu só gostaria de saber uma coisa que não compreendi direito e também sanar um dúvida minha antiga.

    1) A riqueza é gerada pela produção de bens ou serviços. Logo, quem produz consome, o que explica a Lei de Say já que toda produção gera riqueza que será em parte convertida em consumo. Certo? O que eu não compreendo é o seguinte: se em uma sociedade as pessoas produzem muito (alta produtividade), mas consomem pouco (poupam), elas não estariam estabelecendo uma equivalência entre produção e consumo, já que produzem mais que consomem. Nesse cenário, como isso seria possível? O que eu quero saber é: como é possível produzir mais do que consome, gerando poupança? Não haveria um excedente de produção? Eu sou leigo no assunto e não compreendo.

    Minha segunda dúvida já é algo diferente, sem relação com o artigo a cima, mas é uma dúvida antiga e gostaria que você respondesse, já que sei que não vai usar explicações puramente mercantilistas como outros que conheço...

    2) Ao ter uma balança comercial desfavorável, um pais estaria importando muito mais que exportando. Desta forma, dinheiro estaria saindo de um país, certo? Nesse contexto, as importações tem um efeito deflacionário, já que tiram parte do dinheiro em circulação? E haveria uma valorização da moeda já que ela teoricamente tornou-se mais escassa?
    No mesmo contexto, mas ao inverso, um país com uma balança comercial com grande superávit, teria muito dinheiro estrangeiro entrando em sua economia. Essa entrada teria o mesmo efeito de uma expansão monetária, gerando inflação e desvalorizando a moeda, já que o dinheiro aumentaria mas os bens e serviços não?

    Eu não entendi muito bem o fato de os austríacos argumentarem que uma balança comercial em deficit não ser prejudicial. Os salários não seriam inferiores enquanto houver uma balança desfavorável, já que parte da renda seria gasta nos produtos estrangeiros, diminuindo a rentabilidade das empresas nacionais?
  • Leandro  09/04/2013 20:35
    Prezado Capitalista, vamos lá.

    1) Uma sociedade que produz mais do que consome vivenciará um cenário de abundância no futuro. A oferta de bens e serviços será crescente e os preços destes serão menores. Mas vale dizer que este cenário -- produção muito maior que o consumo -- não perdurará por muito tempo, e por um motivo muito simples: uma coisa chamada preferência temporal.

    Tudo o mais constante, as pessoas preferem consumo presente a consumo futuro. Elas só aceitarão adiar o consumo caso a recompensa presente valha a pena. Normalmente, esta recompensa são os juros. Porém, em uma sociedade de poupadores -- como a deste seu exemplo --, os juros cairão continuamente até chegarem a um ponto em que continuar poupando não mais valerá a pena. Aí as pessoas passarão a consumir.

    Ou seja, o próprio movimento dos juros corrige esse comportamento, tornando improvável a ocorrência de tal cenário.

    Eis aqui um bom artigo que explica como a economia cresce por meio da poupança.


    2) Este raciocínio não é válido para o atual sistema monetário. Quando um brasileiro importa lâmpada da China, ele não está exportando reais. Ele está exportando dólares. Ele vende seus reais para o banco e o banco manda dólares para fora. Ato contínuo, o banco pode utilizar estes reais para conceder novos empréstimos. Sendo assim, não houve redução da oferta monetária.

    E isso deve ficar claro: no atual arranjo monetário, em que cada país tem a sua própria moeda, importações não geram redução da oferta monetária.

    Por outro lado, exportações de fato geram um aumento na oferta monetária. Quando dólares entram no Brasil, os bancos podem comprar estes dólares e em troca criar reais na conta-corrente do exportador. (Mais tarde, os bancos poderão vender estes dólares ao Banco Central, que criará reais e depositará nas reservas dos bancos).

    Tendo entendido isso, vale dizer que o seu raciocínio ocorre apenas para um país que opera sob um padrão-ouro ou sob um Currency Board. Nestes dois arranjos, a base monetária do país de fato varia de acordo com as transações internacionais.

    Para o caso específico que você perguntou, se houver um déficit nas transações internacionais, a quantidade de dinheiro na economia será de fato reduzida. Porém, isso terá de gerar dois fenômenos: os juros do mercado interbancário terão de subir (pois os bancos agora estão com menos dinheiro), e os preços (e talvez os salários) terão de cair.

    O primeiro fenômeno atrai de volta para o país capital internacional, o que tende a fazer com que a oferta monetária volta ao nível anterior. Isso, por si só, já resolveria o "problema". Entretanto, caso isso não ocorra, a redução de preços fará com que as exportações deste país se tornem mais atraentes, o que gerará um novo influxo de dinheiro, fazendo com que a oferta monetária volta ao nível anterior. Adicionalmente, caso haja redução de salários (menos provável), as importações irão diminuir acentuadamente, o que também irá ajudar a equilibrar a situação.

    Observe, portanto, que há dois (ou três) mecanismos de correção: juros, preços e salários (este último, o menos provável). Isso é tão antigo na histária, que David Ricardo foi um dos primeiros a explicar este mecanismo para os mercantilistas.

    Grande abraço e obrigado pelas palavras.
  • anônimo  17/08/2013 00:18
    Se a oferta tende a igualar a demanda, havendo mais consumo, não haveria mais demanda e, consequentemente, mais produção?
  • Leandro  17/08/2013 00:36
    Não é exatamente assim que funciona. É verdade que a oferta tende a se igualar a demanda, mas tal ajuste normalmente se dá via preços. Se a demanda por bananas aumenta, a primeira consequência será o aumento do preço da banana. Tal aumento, por conseguinte, tende a elevar a produção de bananas. Mas não há garantia alguma que, após tal aumento da produção, os preços voltem a ser os mesmos de antes.

    Portanto, eis aí a resposta: aumento da demanda, tudo o mais constante, gera aumento de preços. Tal aumento de preços pode ou não elevar a produção. E a produção só será elevada de modo a fazer os preços voltarem ao patamar de antes se houver uma abundância de capital e de recursos que permitam tal aumento da produção. Se não houver tal abundância, o que ocorrerá é que a produção aumentará, mas não o suficiente para contrabalançar o aumento dos preços. No final, portanto, os preços aumentarão.
  • Samir Jorge  17/08/2013 13:55
    Leandro parabéns pelo artigo. Entre a mediação teológica e monetária creio que fico com a monetária.
    Um abraço.
    (a) - Samir Jorge.
  • Emerson Luis, um Psicologo  08/04/2014 20:04

    Paradoxo curioso: é justamente o fato de vivermos em um mundo de escassez que possibilita haver trabalho para todos. Mas isso ocorrer é necessário liberdade econômica.

    * * *
  • Sérgio Duarte  08/04/2014 21:55
    Não deveriam haver direitos trabalhistas de forma alguma ou estes poderiam ser negociados diretamente entre patrão e empregado? Sobre os salários: o patrão deveria pagar ao empregado a quantia que quisesse, quando quisesse e o empregado caso insatisfeito partiria rumo a outro emprego ou haveria um acordo legal entre ambos?
    Peço uma enfase de quem se habilitar em responder minhas perguntas principalmente sobre os reajustes salariais em caso de recessão. Como seriam feitos e que espécie de clausula contratual(caso houver contratos) indicaria a magnitude da necessária redução.
    Aguardo a caridade intelectual de um cérebro esclarecido.
  • Guilherme  09/04/2014 00:04
    "Não deveriam haver direitos trabalhistas de forma alguma ou estes poderiam ser negociados diretamente entre patrão e empregado?"

    Segunda opção.

    "Sobre os salários: o patrão deveria pagar ao empregado a quantia que quisesse, quando quisesse e o empregado caso insatisfeito partiria rumo a outro emprego ou haveria um acordo legal entre ambos?"

    Contratos prévia e voluntariamente acordados são sagrados para liberais e libertários. Isso, aliás, é o básico da teoria libertária.

    "Peço uma enfase de quem se habilitar em responder minhas perguntas principalmente sobre os reajustes salariais em caso de recessão. Como seriam feitos e que espécie de clausula contratual(caso houver contratos) indicaria a magnitude da necessária redução."

    Contratos prévia e voluntariamente acordados. Se houver cláusula de reajuste para recessão, tanto melhor. Quem preferir negociar livre e não-coercivamente, que seja livre para tal.

    "Aguardo a caridade intelectual de um cérebro esclarecido."

    O que foi escrito acima é mero bom-senso. Quem acha que é necessário um cérebro esclarecido para entender isso está mal.
  • Sérgio Duarte  09/04/2014 00:45
    Obrigado pelos esclarecimentos. Ignoro sua constatação final pois como diz o ditado: "A cavalo dado não se olha os dentes".
  • Guilherme Mendes  24/08/2014 14:13
    Bom, a postagem é bastante antiga, embora seja extremamente atual. No entanto, sempre mantive sérias dúvidas sobre o emprego, o empregado e o empregador em um mercado sem regulamentações. Partindo do pressuposto de que a oferta de mão de obra no livre mercado é maior que a demanda e, portanto, o desemprego só ocorre por livre e espontânea vontade, como funcionaria os contratos e leis trabalhistas? Por mais que o aumento de produção seja evidente e bastante claro, eu acredito que o trabalhador deve ser protegido até um certo ponto. Se as regulamentações desestimulam a oferta de mão de obra, então o trabalhador estaria completamente sozinho e desprotegido, já que qualquer proteção oferecida à ele criaria uma diminuição da oferta de mão de obra e diminuição de produtividade. Logo, o empregador poderia fazer o que bem entender para aumentar a produtividade. Consequentemente, as férias, feriados, fins de semana, seguros, aposentadoria e coisas do tipo, estariam absolutamente em risco. Como um cenário desse criaria um incentivo para a procura de emprego, se o trabalhador sabe que a relação nao vai ser de mútuo benefício? Me digam como funcionaria essa relação patrão-empregado em um cenário de mercado sem obstruções. Embora eu concorde com inúmeros pontos e argumentos desse site, ainda sou bastante cético.

    Além disso, também tenho uma dúvida sobre consumo e poupança. Vou dar um exemplo bem recorrente: "Uma empresa x de computadores abre suas portas e espera vender y em um certo mês z. No entanto, ocorre que os consumidores na verdade estão se abstendo do consumo imediato e poupando. Essa tal empresa x, através dos consumidores, consegue capital para uma maior produção de computadores e um maior lucro. Sem o consumo, o capital para os computadores diminui, a produção fica reduzida e o lucro é menor. Consequentemente, o desemprego dos funcionários dessa empresa é iminente, assim como a redução de seu tamanho produtivo. Na minha cabeça o papel da poupança foi o seguinte: desestimular a produção, o lucro, estimular o desemprego e estagnar a circulação de capital. Como podemos ter certeza de que a diminuição do consumo por parte da população vai gerar um aumento de capital, se não podemos afirmar que essa poupança vai um dia ser investida em algo? Pode acontecer de que essa poupança fique estática, logo não há circulação de capital e a economia fica estagnada.

    Desculpe pela minha inexperiência senhores, sejam pacientes. Disse isso da minha cabeça mesmo, minha única fonte de conhecimento econômico é o Mises Brasil, mas obviamente dúvidas e questionamentos são recorrentes. Não sou keynesiano e sequer li alguma obra de Keynes. Abraços.
  • eduardo  09/03/2015 22:41
    Leandro,

    A maior oferta de bens (gerada pela poupança-->investimento--->produtividade) ñ levará a uma queda dos preços e isso a um aumento no consumo, q por sua vez acabará com a poupança?
  • Auxiliar  10/03/2015 01:05
    O aumento do consumo levará a um aumento dos juros, que por sua vez desestimulará o consumo e estimulará a poupança.
  • Anderson  07/04/2016 04:43
    A abstenção do consumo, para a poupança, não causa um menor aquecimento da economia e com isso menos encomendas para as fabricas q demandariam menos capital?
  • Huerta  07/04/2016 15:17
    O aumento da poupança leva à queda dos juros, o que aumenta a demanda por matérias-primas, recursos e mão-de-obra para investimentos.

    Há, sim, uma queda no consumo, mas não há por que esta não ser contrabalançada por um aumento nos investimentos. E vale enfatizar que, em termos macro, investimentos -- ao ativarem toda uma cadeia de produção -- geram mais emprego, maiores salários e mais renda do que apenas o consumismo.
  • Igor  11/05/2016 11:22
    Nossa, depois de todo o empenho do Leandro no artigo, depois de tantos outros artigos sobre o assunto, de tantos livros, de tantos vídeos no Youtube, ainda fazem esse tipo de pergunta.
  • Fernando  28/06/2016 20:07
    ALguem poderia me explicar como se deu a acumulação de capital nos EUA? Como fizeram para chegarem e manterem-se no patamar de riqueza por tanto tempo? Por exemplo, eles pouparam, como? O que os estimulou a tal?


Envie-nos seu comentário inteligente e educado:
Nome
Email
Comentário
Comentários serão exibidos após aprovação do moderador.