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quinta-feira, 30 ago 2012
35º Podcast Mises Brasil - Adolfo Sachsida

logo_baixa.jpgENTREVISTA 35 - ADOLFO SACHSIDA

"Até onde eu sei essa foi a primeira vez que representantes do Banco Central e do Ministério da Fazenda foram expostos a ideias tão contrárias às do governo. Não só as minha opiniões, mas as do Fernando Ulrich do Instituto Mises Brasil, colocaram os representantes do governo em posições complicadas durante o seminário", afirmou logo no início deste podcast Adolfo Sachsida, mestre e doutor em economia pela Universidade de Brasília, pós-doutor em economia pela Universidade do Alabama e pesquisador da Diretoria de Macroeconomia do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA).

Adolfo e Fernando, conselheiro deste IMB, foram a voz libertária no Seminário sobre os efeitos das políticas de estímulo ao consumo na economia brasileira, realizado na quarta-feira passada, dia 22 de agosto, em Brasília, que teve a participação do secretário-executivo adjunto do Ministério da Fazenda, Dyogo Henrique de Oliveira, representando o Ministro da Fazenda Guido Mantega, e o Chefe do Departamento Econômico do Banco Central do Brasil, Túlio Maciel, representando o Presidente do Banco Central do Brasil. O evento foi organizado a pedido do deputado federal Edmar Arruda com a colaboração do advogado e consultor Daniel Tisi, o entrevistado deste podcast na semana passada.

Sachsida trabalha, principalmente, com o uso de modelos econométricos para a resolução de questões econômicas, e, ao contrário do que a informação possa sugerir, é estudioso e entusiasta da Ecola Austríaca.

Nesta entrevista, Adolfo, que é apontado como um dos pesquisadores brasileiros mais produtivos na área, com artigos publicados em revistas acadêmicas nacionais e estrangeiras, aponta alguns dos maiores erros do governo federal. "O governo tem insistido demais em políticas de demanda. O governo não só está gastando muito dinheiro como está escolhendo os setores que vão receber benefícios em detrimento do resto da sociedade. As políticas que o governo tem adotado hoje são muitos semelhantes às políticas que o governo militar adotou no final década de 1970 e que resultaram no desastre da década de 1980. A equipe atual do governo Dilma parece ser a mesma equipe do governo Geisel, está cometendo os mesmos erros e deve ser responsabilizada por isso".

E a política-econômica brasileira pode ser definida como keynesiana? Segundo Adolfo, a equipe econômica é tão ruim que ainda nem chegou a Keynes. "A teoria que embasa essa equipe econômica foi desenvolvida e escondida a sete chaves dentro do departamento de economia da Unicamp. É uma teoria que parece que só eles sabem qual é".

O economista também explicou como o governo tem manipulado o índice de preços. "O governo tem usado política tributária para esconder da população que a inflação tem aumentado. O governo tem estudos que mostram quais são os itens que mais impactam no índice de preços e vai naquele subsetor e reduz a carga tributária. Ou seja, o preço do produto subiu, mas como a carga tributária daquele subsetor diminuiu, o preço para o consumidor continua igual. Isso, no fundo, é como varrer a sujeira para debaixo do tapete. Você não está vendo a sujeira, mas a sujeira está lá assim como os seus efeitos maléficos. O país vai pagar caro por essa política equivocada".

Sobre a bolha imobiliária brasileira, acerca da qual o economista já vem alertando há alguns anos em palestras e no seu blog, afirmou que as políticas do governo estão criando um problema similar ao subprime do mercado imobiliário americano. "O mecanismo usado atualmente pelo governo é errado porque quanto mais crédito você conceder à população para comprar casa maior será a demanda de casa com uma oferta fixa. Ou seja, a política atual aumenta o preço da casa. O governo tem que reduzir a carga tributária e privatizar as terras públicas".

Bastante crítico sobre a atuação do Poder Executivo federal na economia e, especialmente, sobre o aparelhamento ideológico de órgãos como o IPEA, onde trabalha, o economista revelou como é para um liberal trabalhar no governo. "O bom para a população são liberais como eu no governo. O problema do Brasil é que nós temos keynesianos, petistas e marxistas demais no governo. Essas pessoas querem o estado maior e quando estão no governo têm a chance de torná-lo ainda maior".

Favorável ao fim de todos os monopólios estatais, Adolfo afirma que estes dificilmente surgem em condições de mercado e que a esmagadora maioria só existe por causa do governo. "É ele que proíbe por lei a concorrência. Quando você tem muitos monopólios o que acontece é que se dá muito poder aos monopolistas; quando esse monopolista é o governo, ele fica com um poder ainda maior. Quanto mais mercados o governo estiver presente, maior será o seu poder. O monopólio é ruim, temos que evitá-lo ao máximo, inclusive o monopólio de emissão das moedas. Isso não faz sentido. Se o real é uma moeda tão respeitada como o governo diz, então, qual o problema de haver competição?"




  • Marcos Paulo  08/09/2012 23:49
    Parabéns Adolfo!!!

    Ótima entrevista.
  • Camarada Friedman  06/05/2013 02:47
    Acabei de conhecer o canal do Sachsida no You Tube, muito bom encontrar essa entrevista aqui. Vlw de novo, Bruno!

    Breaking The Law, Breaking The Law! huahuahua :)
  • Vitor  02/07/2013 16:02
    Grande Sachsida!
  • Davi Vieira  17/08/2015 19:36
    Acertou em cheio!
  • Matheus Petry Pfitscher  17/03/2016 16:08
    Quem ouve o Podcast hoje pensa que o senhor Adolfo é vidente.
    Mal sabem eles o poder da boa teoria econômica.


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