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Sobre a United Airlines, o respeito ao consumidor, o YouTube e os smartphones

No início da semana passada, a companhia aérea United Airlines gerou uma virulenta reação mundial na internet após passageiros de um vôo que ia de Chicago a Louisville (Kentucky) terem filmado e postado no YouTube um passageiro sendo literalmente arrancado à força de sua poltrona e arrastado para fora de um avião.

A remoção foi tão violenta, que o passageiro quebrou o nariz e teve cortes ao longo da face, tendo agora de fazer uma cirurgia facial.

Eis o vídeo:

A reação ao redor do mundo, principalmente nas redes sociais, foi instantânea, com várias pessoas fazendo incontáveis postagens no Twitter e no Facebook jurando que, de agora em diante, boicotarão a empresa.

As ações da empresa imediatamente desabaram 4%, o que significa que a United perdeu US$ 880 milhões em valor de mercado.

Em resposta, a companhia aérea emitiu um comunicado horrendamente orwelliano, pedindo "desculpas" por ter de "reacomodar" o passageiro, o qual havia sido selecionado "por computador" para dar lugar a alguns funcionários da empresa.

Após uma semana, eis o que se sabe:

1) Não havia nenhum problema de overbooking. A encrenca foi outra:

2) quatro tripulantes estavam sendo requeridos com urgência em Louisville para um vôo que sairia de lá em algumas horas;

3) a United, em vez de deslocar esses quatros tripulantes de Chicago para Louisville de carro (quatro horas de viagem), decidiu enviá-los em um vôo comercial da própria empresa.

4) Porém, como o vôo estava cheio, a empresa fez uma oferta de US$ 800 (valor máximo determinado pela FAA, a agência reguladora que controla o setor aéreo americano) para qualquer passageiro que desistisse.

5) Como nenhum passageiro se apresentou, a empresa selecionou quatro passageiros por computador para fazer a remoção. Um deles se negou e todo o problema aconteceu.

6) Quem fez a desastrada remoção do passageiro não foram funcionários da empresa, mas sim policiais da TSA (Transportation Security Administration), a agência estatal pertencente ao Department of Homeland Security (uma espécie de Ministério da Segurança Nacional) que é a responsável por policiar os aeroportos americanos.

7) Ou seja, a United recorreu a agentes do governo não apenas para facilitar a vida de alguns tripulantes como também para reduzir gastos com a locomoção própria destes quatro tripulantes.

A United nunca se adaptou à desregulamentação do setor aéreo

O setor aéreo americano foi desregulamentado em 1978 pelo então presidente Jimmy Carter. Ao contrário do que muitos ainda acreditam, foi Carter quem iniciou as principais desregulamentações da economia americana, e não Reagan.

Até a década de 1970, os preços das passagens aéreas nos EUA eram controlados pelo governo, que também concedia monopólios sobre determinadas rotas para determinadas companhias aéreas — as extintas PanAm e TWA lucraram exorbitantemente com esta reserva de mercado — e impedia a entrada de novos concorrentes.  

O mercado aéreo americano era extremamente regulado e protegido, beneficiando os grandes e mantendo de fora os pequenos.

Em 1978, porém, Carter aboliu a Civil Aeronautics Board — agência reguladora que controlava todos os aspectos do mercado aéreo americano —, permitindo, pela primeira vez, a livre concorrência no setor.  Preços passaram a ser determinados pelo mercado — e despencaram — e outras empresas passaram a poder ofertar seus serviços para todas as rotas existentes.

Isso forçou as empresas aéreas americanas a se aprumarem e a se adaptarem. A partir dali, elas tinham de satisfazer o consumidor. Elas não mais estariam protegidas pelo governo federal. Novas empresas de baixo custo agora estavam liberadas para concorrer com as grandes.

Mas a cultura corporativista destas grandes empresas, acostumadas ao protecionismo estatal e à reserva de mercado, simplesmente não conseguiu se adaptar aos novos tempos. TWA e PanAm quebraram. Dezenas de outras entraram em concordata. Esta foi a maneira de os consumidores demonstrarem que reprovavam os serviços destes mamutes.

A grande exceção a esta regra foi a Southwest Airlines. Criada em 1967, a empresa havia começado operando exclusivamente dentro do Texas. Sendo uma empresa exclusivamente intraestadual, ela estava livre das regulamentações federais sobre os preços. Como a empresa não cruzava as fronteiras do estado, ela não estava sujeita aos controles de preços da Civil Aeronautics Board.

Quando a desregulamentação veio em 1978, as concorrentes da Southwest foram quebrando, um por um. Elas haviam sido criadas sob os termos da regulamentação federal. Elas não estavam preparadas para concorrer naquele novo ambiente de livre concorrência de preços. Já a Southwest estava muito bem preparada.

United Airlines: o mais perfeito exemplo da regulação

Em 1970, o principal slogan da United Airlines era "Fly the Friendly Skies" (voe nos céus amigáveis). Era completamente sem sentido.

Outro slogan, adotado em 1976, era "You're the boss" (Você é o chefe). Também sem sentido, pois, quando a United adotou este slogan, o consumidor não era o chefe; os burocratas federais eram os chefes. Mas, a partir de 1979, isso mudou. E o consumidor de fato se tornou o chefe.

A United nunca conseguiu se ajustar a este arranjo de livre concorrência. Tanto é que, após anos operando no vermelho, a empresa entrou em concordata em 2002. Foi a maneira de os consumidores dizerem que não mais queriam seus serviços. No entanto, o governo federal, contrariando os desejos dos consumidores, utilizou dinheiro de impostos (dos próprios consumidores) e socorreu a empresa: nada menos que US$ 644 milhões.

Com isso, o governo anulou o desejo dos consumidores, e manteve a empresa viva contra as demandas dos consumidores. A partir daí, é claro que seus serviços não iriam melhorar.

Sobre o incidente da semana passada, há uma variedade de vídeos postados. Apenas um ou dois foram escolhidos pela mídia. Para toda a coletânea, clique aqui.

Em poucas horas, a Southwest Airlines fez a seguinte propaganda:

southwest.png

Nós espancamos a concorrência. Não você.

Obviamente, após os vídeos terem viralizado, o presidente da empresa veio a público se desculpar. Tarde demais.

Eis aí uma modernidade para a qual a administração da United jamais se atentou: a denúncia de passageiros pela internet. Há vários vídeos antigos denunciando amadorismos da United. Veja uma coletânea aqui.

A United se tornou famoso por este vídeo produzido por um cidadão cujo violão foi destruído pelos empregados da United. Após reclamar junto à empresa e pedir uma indenização, a United se recusou a atendê-lo. Então ele teve uma ideia: fez um vídeo a respeito — em forma de clipe — e postou no YouTube. O título: "United Quebra Violões". Já teve mais de 17 milhões de visualizações.

Quando o vídeo ainda estava com um milhão de visualizações, a United implorou para que ele tirasse o vídeo do ar. Ele não apenas se recusou, como ainda fez mais dois vídeos.

Tudo indica que a gerência da United Airlines ainda não se deu conta de que vivemos no mundo do smartphone e do YouTube. Mas ela não está sozinha. Burocratas ao redor do mundo também ainda não entenderam a nova realidade. Antes do smartphone e do YouTube, eles agiam com impunidade. Não máximo, havia um relato de um leitor por meio de uma carta enviada a um jornal. E nada ocorria.

Hoje, não mais. As burocracias, tanto pública quanto privada, não mais podem agir impunemente. Smartphones e YouTube alteraram as regras.

Se uma empresa aérea maltrata um passageiro e a imagem vai parar na internet, não apenas o passageiro garante grandes chances de indenização por causa de toda a comoção, como também a própria opinião pública passa a pressionar para que o presidente da empresa seja demitido.

No entanto, o mais deletério de tudo (para a empresa) é a simples decisão dos consumidores de não mais utilizar a companhia aérea. Pior: tais pessoas podem agora fazer campanha nas redes sociais estimulando o boicote a esta empresa, convencendo os outros a não mais voar pela United — ao menos até que haja uma mudança na administração.

Tais reações não apenas são perfeitamente pacíficas, morais e até mesmo prudentes, como ainda mostram que quem está no comando é aquela pessoa que jamais deveria ser desrespeitada: o consumidor.

Conclusões

Os vídeos e a enxurrada de consequências negativas que eles geraram — da perda de US$ 800 milhões em valor de mercado à ameaça de boicote generalizado, passando pela exigência de renúncia do presidente da empresa até o pedido de indenização do passageiro — mostra à United quem ainda é o chefe: os consumidores.

O livre mercado continua vivo e forte. O YouTube é uma prova disso. Smartphones com câmeras de vídeo também. A descentralização da tecnologia produz liberdade. Gera mais poder ao consumidor. E tambem pode forçar empresas ineficientes, protegidas e burocratizadas a alterar suas políticas.

Agora só falta termos esse mesmo poder sobre os governos.

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Leia também:

Liberem empresas aéreas estrangeiras para fazer vôos internos no Brasil

Afinal, a expansão da tecnologia irá aumentar ou diminuir o controle do estado sobre o indivíduo?


7 votos

autor

Gary North
, ex-membro adjunto do Mises Institute, é o autor de vários livros sobre economia, ética e história. Visite seu website

CATEGORIA
  
POST POR DATA
  • Fernando  17/04/2017 15:38
    Excelente!

    Para coroar o centenário do maior liberal brasileiro do século XX: Roberto Campos. Deus o abençoe.
  • Roberto  17/04/2017 15:50
    Sobre Roberto Campos:

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=252
  • Victor  17/04/2017 16:17
    Nosso maior liberal foi um funça?
  • Abagnale  17/04/2017 16:26
    Para você ver... Isso explica bem o nosso atraso.
  • Fernando  17/04/2017 16:41
    Foi. Inclusive quem leva o nome deste instituto também já foi.

    Se ficar no discurso pueril, no mundo da fantasia, vai ser complicado entender.
  • Andre  17/04/2017 17:08
    Sim, um funça, tem outro dos bons, Paulo Tafner, muito do atual pensamento liberal e libertário brasileiro é disseminado em repartições e tribunais, por estarem em contato com os mais nefastos procedimentos do estado.
    Mas há imensa diferença entre saber o caminho e trilhar o caminho, não espere que tais liberais de tribunal e libertários de repartição abram mão de seus poupudos vencimentos se assim for necessário para o Brasil trilhar o caminho do desenvolvimento.

  • João de Alexandria  18/04/2017 18:05
    Muito bonitinho esse mundo de fantasia em que liberais e libertários vivem no Brasil.

    Eu fui funça também, devidamente concursado nas esferas estadual e federal e sou liberal desde os 20 anos,época em que eu era visto como um ET e você só achava Adam Smith e Schumpeter no sebo ou em coleção de banca,estando agora com quase 43.Hoje não sou mais, mas não me envergonho desse período por dois motivos, um ideológico e outro prático.
    O ideológico é porque nos lugares por onde passei no funcionalismo pratiquei no que foi possível os conceitos em que acredito, sempre sabendo que o que eu fazia ou faria nãome tornaria elegível a promoções pois eu era outsider demais praquilo. E o segundo motivo é de ordem pragmática: nasci pobre e negro numa época em que isso era dupla desvantagem. Na minha época favela não era comunidade e eu andava além do RG com a carteira de trabalho no bolso, pra evitar passear de Veraneio vascaína ou cor de argila. Precisava fazer o melhor pra melhorar a vida da minha família e percebi que um concurso público me levaria a isso mais rápido do que currículo embaixo do braço escrito "aprendo rápido" mas me apresentando com cabelinho pixaim. Assim que consegui o que me propus deixei o funcionalismo, me tornando profissional liberal e pronto. Finitá la commedia.
  • Economista da UNICAMP  17/04/2017 17:14
    Aproveitando o gancho, quem está mais por dentro da academia pode me explicar porque Roberto Campos e Mario Simonsen são muito respeitados pelos heterodoxos? Já cansei de ver o Belluzzo e a Conceição Tavares tecendo loas para ambos, ao passo que para um Gustavo Franco da vida(que foi influenciado pelos dois ortodoxos) eles têm um desprezo infinito.

    O próprio Delfim Netto fala que nós devemos muito a Roberto Campos e Bulhões pelo PAEG.
  • Andre  17/04/2017 18:33
    Não sei se é trollagem ou esqueceu de mudar o nick mas vou responder mesmo assim, pelos heterodoxos, os citados são encarados como liberais clássicos, criaturas inocentemente eficientes e nacionalistas e apesar de toda sorte de pensamentos e escrituras liberais que teceram, ajudaram a montar o aparato estatal atual que tanto nos aflige, Petrobras e BNDS são obras que devem muito a Roberto Campos, um liberal a serviço de aumentar eficazmente o estado.
    Gustavo Franco e outros são encarados como neoliberais, criaturas que ainda não contribuíram para um estado maior e mais eficiente, afinal uma privatização mal feita ainda é diminuir o estado.
  • Pedro Malan  18/04/2017 00:33
    Pois é. E o Roberto diz ter se arrependido de ajudar na criação desses monstros, na época em que ele era um keynesiano. O Gustavo não ser considerado um herói brasileiro mostra como a esquerda venceu, dominou toda a cultura, a história.
  • Victor  18/04/2017 11:06
    Então que P*##@ de grande liberal é esse que foi funça a vida toda, ajudou a criar a Petrobras e BNDS e deu suporte acadêmica a uma ditadura?
  • WDA  20/04/2017 12:59
    Roberto Campos e Mario Simonsen são muito respeitados pelos heterodoxos porque sempre foram muito superiores a eles. Eram indivíduos brilhantes, e suas idéias eram consistentes.

    O heterodoxos obtiveram mais sucesso em impor suas práticas e preferências, especialmente porque sempre foram favorecidos pelo compadrio. Mas nenhum deles jamais poderia apagar o brilho de Campos e Simonsen.
  • Trader  17/04/2017 15:45
    Uma observação imparcial, sem querer defender United (que é indefensável):

    Há uma regulação estatal que estipula um limite máximo de horas de trabalho para a tripulação. A empresa aérea que desobedecer será acionada pelo sindicato e severamente multada pelo governo. Consequentemente, a tripulação é obrigada a ter um período de descanso.

    Há também uma regulação que estipula um número mínimo de tripulantes a bordo em cada voo.

    Ambas estão por trás da lambança ocorrida em Chicago.

    A tripulação que deveria embarcar em Louisville já havia ultrapassado sua jornada máxima de trabalho permitida, de modo que outra tripulação era necessária. A mais próxima estava em Chicago, e teria de ser deslocada para Louiville às pressas. Caso contrário, o vôo saindo de Louisville seria cancelado por falta de tripulantes.

    Esse tipo de problema é muito comum, pois eventuais atrasos num vôo (causados por problemas mecânicos ou meteorológicos) podem fazer com que a tripulação exceda suas horas de trabalho permitidas. E pode exigir transferência de tripulantes de um vôo para o outro. É muito difícil para uma empresa aérea planejar horários sem falhas.

    Daí a urgência da United em ter de deslocar quatro tripulantes para Louisville em avião e não por terra. Havia um vôo saindo de Louisville que estava sem tripulantes (pelos motivos acima listados), e ele seria cancelado caso a empresa não enviasse urgentemente tripulantes para lá.

    É claro que o resultado final foi uma merda total, amplificada pelo uso dos violentos burocratas da TSA. Mas vale ressaltar que, por trás de tudo, há uma regulação estatal ditando as coisas -- e há também, como bem apontou o artigo, uma administração incompetente.
  • Etibelli  17/04/2017 23:58
    E foi justamente isso que levou a uma derrocada momentânea na imagem e nas ações da United: uma ação irracional, descabida e sem amínima análise prévia dos resultados desta.
  • Capitalista Keynes  17/04/2017 16:36
    Sempre aprendendo....pensava que Reagan tinha feito as reformas mais liberais nos EUA nos anos 80 e não Carter no final dos 70.
  • Fernando  17/04/2017 16:42
    Carter começou. Não vamos tirar os méritos do Reagan também.
  • Leandro  17/04/2017 16:45
    Foi Carter também quem desregulamentou o setor de transporte de cargas por caminhões e trens. Carter aboliu a Interstate Commerce Commission — agência reguladora que controlava todo o mercado de transportes de carga — e assinou o decreto Motor Carrier, o qual desregulamentou por completo toda a indústria de caminhões de transporte e permitiu total liberdade de preços e de concorrência para o setor.

    Não foi à toa que o Teamster's Union — poderoso sindicato dos caminhoneiros liderado pelo famoso Jimmy Hoffa, e que usufruía um quase-monopólio do transporte de cargas — declarou apoio a Reagan nas eleições de 1980, tão revoltados ficaram com a perda do quase-monopólio.

    Foi Carter também quem nomeou o juiz que quebrou o monopólio da telefônica AT&T, monopólio esse concedido pelo governo americano ainda em 1913, pois o serviço era considerado um "monopólio natural". A AT&T até então controlava todas as chamadas de longa distância.

    Finalmente, foi Carter quem, em agosto de 1979, nomeou o durão Paul Volcker para o Fed — até hoje considerado o melhor presidente que a instituição já teve —, que subiu a taxa básica de juros para 20% e, com isso, conseguiu quebrar a espinha da estagflação americana.

    Todas essas medidas geraram frutos no governo Reagan.

    Agora, será que o esquerdista Carter desregulamentou mercados, aboliu agências reguladoras, brigou com sindicatos, e nomeou o falcão Volcker para o Fed por ideologia e convicção? Obviamente que não.

    Ele teve de fazer tudo isso justamente para evitar um colapso econômico.

    À época, os EUA viviam uma permanente estagflação — decorrente da abolição do que restava do padrão-ouro —, de modo que abolir monopólios, permitir a livre concorrência e gerenciar a moeda de forma mais rigorosa eram as únicas opções viáveis. Ou ele fazia isso ou ele entraria para a história como o presidente que deixou a economia ser destruída.

    Carter, Roger Douglas, Tony Blair, Gerhard Schroeder e, acima de tudo, Bill Clinton pertencem a uma geração de social-democratas que tiveram de adotar reformas de mercado para que suas respectivas economias continuassem existindo.
  • Sérgio Vieira  17/04/2017 16:50
    Este trecho do documentário Commanding Heights, que fala sobre a desregulamentação do setor aéreo no final da década de 1970, é espetacular.

  • Leandro  17/04/2017 16:59
    Este é ainda mais completo:

  • anônimo  17/04/2017 17:55
    Infelizmente as regulamentações não acabaram, como fica evidente no seguinte trecho do artigo:

    "4) Porém, como o vôo estava cheio, a empresa fez uma oferta de US$ 800 (limite máximo estipulado pela FAA, a agência reguladora que controla o setor aéreo americano) para qualquer passageiro que desistisse."

  • ric ricardo  18/04/2017 13:29
    Estou procurando na internet esse regulamento mas não consigo achar. Alguém pode passar um link mostrando que a FAA impõe esse limite de 800 dolares? Isso parece muito estranho....
  • Gabriel  18/04/2017 15:20
    * If you are bumped involuntarily and the airline arranges substitute transportation that is scheduled to get you to your final destination (including later connections) within one hour of your original scheduled arrival time, there is no compensation.

    * If the airline arranges substitute transportation that is scheduled to arrive at your destination between one and two hours after your original arrival time (between one and four hours on international flights), the airline must pay you an amount equal to 200% of your one-way fare to your final destination that day, with a $675 maximum.

    * If the substitute transportation is scheduled to get you to your destination more than two hours later (four hours internationally), or if the airline does not make any substitute travel arrangements for you, the compensation doubles (400% of your one-way fare, $1350 maximum).

    https://www.transportation.gov/airconsumer/fly-rights


    Ou seja, varia entre US$ 675 e US$ 1.350, dependendo da duração do atraso.
  • Felipe Lange S. B. S.  17/04/2017 20:11
    Leandro, se o Lula fosse reeleito em 2018 (ou algum espécime comunista no lugar dele), poderia ele fazer como fez no primeiro mandato: uma política monetária ortodoxa? A bomba estourou na Dilma e aparentemente vai inflar outra vez daqui à alguns anos.

    Sobre o Jimmy, não foi ele quem salvou a Chrysler com um empréstimo gigantesco de dólares?
  • William  17/04/2017 20:46
    Sim e não.

    O governo federal atual como o garantidor de empréstimos feitos por investidores privados à Chrysler, mas não deu dinheiro à empresa.

    Condenável, sim, mas bem diferente do que fez a dupla Bush/Obama, que deu dinheiro diretamente para as três montadoras, em duplo desrespeito aos consumidores (que queriam que as empresas quebrassem) e aos pagadores de impostos (que não têm que sustentar empresas ineficientes).

    https://www.thoughtco.com/chrysler-bailout-overview-3367827
  • Felipe Lange S. B. S.  18/04/2017 21:29
    "O governo federal atual como o garantidor de empréstimos feitos por investidores privados à Chrysler, mas não deu dinheiro à empresa."

    Você quer dizer o governo na década de 70? Como assim como "garantidor de investidores privados"? Poderia me explicar em mais detalhes? Vale lembrar que nessa época houve o [link=jalopnik.com/these-two-ads-show-why-the-malaise-era-was-never-necess-1478545905]Malaise Era[/link], onde porcarias como os carros K da própria Chrysler foram empurrados, enquanto os americanos preferiam os carros da Toyota e Honda. Pode ver que até hoje só picapes e utilitários são preferenciais das três grandes, enquanto carros de passeio continuam em destaque Hondas Civic e Accord e Toyotas Corolla e Camry.

    No Brasil, pior ainda. Por décadas o mercado era atrasado ao extremo e havia verdadeiras porcarias nacionais, como o Dodge 1800. Se não eram problemáticos, eram medíocres comparados ao restante do mundo. O Opala só saiu de linha em 1992 porque abriram o mercado. Senão iria ficar um bom tempo. Pode ver que carros permanecerem em linha por mais de dez anos são coisas de países pobres, a Kombi só saiu de linha em 2013 por causa de uma gambiarra jurídica (da qual eu sou contra) que obrigava bolsas infláveis frontais e freios antitravamento.
  • Bruno  17/04/2017 20:25
    Lembra muito o FHC neste aspecto.
  • Ana Lucia   17/04/2017 16:37
    Exatamente, hoje as burocracias, públicas e privadas não podem agir de maneira desrespeitosa. Smartphones e YouTube alteraram as regras. Quem manda é o consumidor. Justíssimo.
  • Sávio  17/04/2017 16:38
    "O mercado aéreo americano era extremamente regulado e protegido, beneficiando os grandes e mantendo de fora os pequenos."

    Troque "mercado aéreo americano" por "qualquer grande setor da economia brasileira", e você verá como o Brasil parou no tempo.
  • Felipe Lange S. B. S.  17/04/2017 20:07
    Postos de combustíveis (talvez o único país do mundo que ainda tenha frentistas...), serviços de encomendas (os Correios são parasitas que não são roubados por outros parasitas, enquanto as outras poucas concorrentes da iniciativa privada são obrigadas a sustentá-los, inclusive os próprios Correios), setor de telecomunicações, setor aéreo (este já foi pior, quando tinha controle de preços), setor químico, setor de cinema, setor de transportes (privado e coletivo), neste último caso, é notório ainda vermos pobres motoristas dirigindo Kias Bestas caindo os pedaços (um dos resquícios dos bons importados que impulsionaram o mercado automotivo no país na década de 90). Um dos poucos setores sem regulação estatal é o envolvendo tecnologia da informação. Área espetacular, pode ficar milionário criando um aplicativo, pena que eu não tenha essa aptidão.

    O maior problema do Brasil está no sistema, incrustado por essas autarquias, órgãos e agências. Veja .
  • Felipe Lange S. B. S.  17/04/2017 17:10
    TSA é uma quadrilha de cães estatais. Esses bandidos já roubaram a minha garrafa.

    De fato, falta ainda usar a arte para combater o estado. Parece recorrente o governo americano salvar empresas vagabundas. A Chrysler foi salva na década de 70 (e empurrou aquelas porcarias de carros K) e em 2009. E hoje continua mal-vista por parte dos consumidores.
  • LUIZ F MORAN  17/04/2017 20:12
    No Brasil os únicos vídeos feitos através de smartphones que "bombam" na "grande mídia" são àqueles que atacam e difamam nossa polícias.
    Estranho, não é mesmo ?
  • Arnaldo  18/04/2017 13:48
    Os funças com armas e abuso de autoridade no treinamento?
  • Bruno Feliciano  17/04/2017 20:55
    Que regulamentação bizarra essa da FAA, qual o sentido disso de limitar a oferta?

    Qual o argumento burocrata pra isso?
    Para pra pensar: A United poderia oferecer muito mais e finalmente convencer algum consumidor a desistir, E TUDO ISSO PODERIA SER EVITADO!!

    Uma mera regulamentação que limita o poder da empresa de convencer o consumidor, colaborou significativamente nesse caso. Imagine, a United ia oferecer tipo 5 mil dolares, ela ia economizar muito mais do que tirar alguém a força e causar todo o preju atual.


    Brincadeira viu...
  • anônimo  18/04/2017 01:30
    na Europa os governos financia algumas empresas aéreas, certo?

    Tipo Ibéria, Air France.... os preços lá serem tão baixos tem alguma coisa a ver com isso?
  • Piloto  18/04/2017 02:07
    Os verdadeiros preços baixos na Europa advêm de empresas genuinamente privadas, como Ryanair, EasyJet, Jet2.com, Monarch Airlines, Eurowings e mais várias outras que surgiram após a desregulamentação. As grandes empresas, aquelas que têm participação estatal (como a própria Air France, cujo governo é dono de 17% da empresa), estão entre as mais caras.
  • anônimo  18/04/2017 04:37
    Como podem as empresas genuinamente privadas competirem contra as amigas do estado?
  • Andre Cavalcante  18/04/2017 12:37
    Deixa ver se entendi: eles estavam com voo cheio, queriam tirar alguém de bordo, ofereceram 800,00 dólares porque não poderiam oferecer mais, como ninguém quis mandaram tirar a força um passageiro. Agora a cia vale 800 milhões a menos... Se tivessem pago 8.000,00 com certeza haveria gente que iria desistir da viagem, e eles ainda estariam no lucro. Pior, eles poderiam pagar esses mesmos 8000,00 aos tripulantes da outra aeronave pra eles fazerem hora extra. Ainda estaria bom.
  • Bruno Feliciano  19/04/2017 00:57
    André, foi exatamente isso que eu falei ai em cima. Se não fosse essa regulação, tudo poderia ter sido resolvido.
  • Ricardo Doria  18/04/2017 16:04
    Grato pelo artigo. Para um entendimento mais equilibrado da situação, são úteis algumas informações adicionais:

    1. Os tripulantes não poderiam fazer esta viagem de carro porque existem regras de tempo de trabalho continuado para eles. Uma longa viagem de carro iria queimar horas do período ativo deles e provavelmente faria com que não pudessem fazer o voo completo ao chegar ao destino. Voando "dead-heading", o tempo de translado não conta.
    2. Tecnicamente, houve overbooking sim, já que a demanda por assentos superava seu número. Tripulantes são passageiros sim e sua demanda é relevante. De fato, em algumas poucas situações, tem até preferencia sobre passageiros pagantes - este é um dos casos.
    3. A empresa não pode oferecer no leilão benefício financeiro mais alto que o teto da FAA. O objetivo é evitar que vigaristas - que existem nos EUA como no Brasil - tentem usar o sistema de reservas das companhias para extrair "resgates" por assentos.
    4. Como o leilão não funcionou, a United, corretamente, realizou o sorteio - procedimento padronizado e de acordo com as regras da FAA.
    5. O problema começou porque um dos sorteados, contrariando o contrato que é parte integral de sua passagem, recusou-se a sair. Ao recusar uma ordem dos tripulantes e desobedecer ao comandante, cometeu um crime.
    6. Neste contexto, ainda seguindo as regras da aviação, o comandante pediu à polícia do aeroporto que o retirasse da aeronave - mais que uma "conveniência", como insinuado no texto, é uma exigência legal - a companhia não tem poder de polícia para lidar com isto. Até aqui o roteiro é similar às dezenas de vezes que isto acontece todo mês na aviação americana. Invariavelmente, com a chegada da polícia, mesmo o mais persistente passageiro pega sua bagagem e sai do avião.
    7. Aqui mudou tudo. Este passageiro desafiou a polícia e se recusou a cumprir uma ordem legal para sair da aeronave. Além de um crime, ele cometeu um erro grave - a polícia tem a obrigação legal de usar a força necessária para retirá-lo do avião e restituir à companhia o controle do avião. E assim o fez.
    8. Ao fim e ao cabo, ele causou o problema para si mesmo, por não ler direito a situação. Ele achou que estava num destes protestos de rua, onde daria para negociar sua situação e não entendeu que, do ponto de vista legal e regulatório, ele havia "sequestrado" o avião - nem os funcionários da United nem a polícia tinha outras alternativas de ação.

    É claro que é desagradável e ainda ouviremos mais sobre este assunto, mas é importante compreender que existem regras para a aviação e o passageiro as violou de forma incontornável. Foi o grande causador do problema.

    Sobre o preço da ação, acho que houve uma reação exagerada e voltará ao normal em poucas semanas. Acho tb que a tese de que "os consumidores mandam" e vão enterrar a empresa de um populismo infantil. A esmagadora maioria das pessoas não liga e vai continuar voando sem problemas - particularmente os frequent fliers, que conhecem bem as regras e tem sua própria agenda. Mas posso estar errado - os próximos meses dirão...
  • João   18/04/2017 16:42
    5) Errado. Esse especialista em leis aéreas disse que a United quebrou leis e contratos.

    www.philly.com/philly/columnists/stu_bykofsky/United-Airlines-right-is-wrong-for-passengers-.html?mobi=true

    Ademais, em termos estritamente éticos e morais, quando você paga por um assento, ele se torna sua propriedade por tempo limitado (a duração do voo). Após ter pago por um assento, você não pode simplesmente ser expulso dele (exceto caso esteja ameaçando a vida de terceiros ou caso esteja gerando incômodos aos outros passageiros). É o equivalente a eu comprar um carro e, logo depois, a concessionária tomá-lo de mim "por sorteio".

    Outra coisa: uma indenização não pode ser "forçada" sobre mim. Se eu necessito com urgência fazer uma viagem, ninguém pode me obrigar a não fazê-la por 800 dólares. E se for um caso de vida ou morte? E se eu for um cirurgião indo executar uma cirurgia de emergência?

    A partir daí, seus itens 5, 6, 7 e 8 se tornam destituídos de sentido.

    "Acho tb que a tese de que "os consumidores mandam" e vão enterrar a empresa de um populismo infantil."

    Isso não foi dito. E, mesmo que tivesse sido dito, não estaria errado.

    Agora, caso nada disso aconteça e tudo continue na mesma, então isso seria simplesmente uma demonstração dos próprios consumidores de que eles não estão nem aí.

    Nada de errado.

    "A esmagadora maioria das pessoas não liga e vai continuar voando sem problemas - particularmente os frequent fliers, que conhecem bem as regras e tem sua própria agenda."

    De novo: caso isso aconteça -- e eu concordo com você que é isso o que vai acontecer --, então isso seria simplesmente uma demonstração dos próprios consumidores de que eles não estão nem aí, e não veem problemas em dar seu dinheiro para quem os maltrata. Fazer o quê? Não há nada o que se possa fazer contra uma preferência voluntariamente demonstrada.
  • Ricardo Doria  18/04/2017 18:11
    Grato por sua resposta.

    Um advogado que quer faturar uma grana em cima da resposta emocional das pessoas dando entrevista para um veículo de quinta categoria não constitui propriamente um especialista. Especialistas de verdade estão singularmente quietos porque sabem que as pessoas estão emocionais com este assunto e não querem ouvir o que a lei e a regulação falam.

    Sua analogia com a compra de um carro é engraçada, mas só isto - não tem qualquer valor legal. As companhais aéreas não "alugam" assentos. Tanto que se usam do direito de mudá-los sem a menor cerimônia. Esta tudo descrito nas 45 páginas que "o especialista" alega ter lido. No mundo da realidade legal, além da quebra deste contrato, o passageiro cometeu 3 crimes: desobedecer ao comandante (que tem poderes plenipotenciários depois que o voo abriu), mentir à polícia (ao dizer que estava indo ver pacientes, quando sua licença médica havia sido cassada) e desobedecer a uma ordem legal dada pela polícia. Há uma chance razoável de que vá parar no no-fly list e nunca mas viajará de avião nos EUA.

    Eu só queria fazer as pessoas entenderem que há temas que estão sendo evitados. O resto de sua mensagem é inconsequente para este objetivo e, por esta razão, não vale a pena responder. Continue indignado - não mudará nada.
  • Reserva de mercado  18/04/2017 21:36
    Continuando meu post:

    Por mais que você ache que as leis e regulações justificam o comportamento da empresa, olha o que aconteceu:

    United muda regras após passageiro ser retirado de voo" target='_blank'>www.cenariomt.com.br/2017/04/17/united-muda-regras-apos-passageiro-ser-retirado-de-voo/"> United muda regras após passageiro ser retirado de voo

    A United decidiu alterar as regras de passagens para membros da tripulação, proibindo que funcionários ocupem postos reservados por passageiros que já embarcaram.

    oglobo.globo.com/economia/ceo-da-united-se-retrata-com-investidores-foi-uma-experiencia-humilhante-21221616

    [...][i]CEO da companhia, Oscar Munoz, afrrmou nesta segunda-feira que a situação foi uma "experiência humilhante" e que assume total responsabilidade pelo caso.[i]

    Ou seja, o próprio CEO da empresa sabe que isso tudo é preocupante e se retratará publicamente. Se o procedimento dele está correto, segundo o governo, você e um documento de 45 páginas (que é meio livro) e que os consumidores estão errados em não querer ler, então por que o CEO agiu dessa forma? Ele não deveria defender públicamente a empresa citando o referido documento e dizer que a culpa é do consumidor, pois além de quebrar contrato o mesmo é um criminoso?

    Ai você mesmo diz que as pessoas estão muito emotivas, sim, estão mesmo, e com razão, e se o CEO está preocupado com esse episódio, é porque ele sabe que isso pode influenciar negativamente a empresa nos anos futuros. O CEO e você, ao assumir que as pessoas estão emotivas, acaba refutando a idéia que o poder do consumidor é uma infantilidade.

    Claro, eu não espero que a empresa vá quebrar denovo por causa desse episódio, mas como disse antes, muitos consumidores passarão a evitar a empresa sempre que possivel. O fato que a empresa pelo menos se preocupou em tentar mudar as regras e consertar a situação mostra que ela tem ciência disso.



  • Reserva de mercado  18/04/2017 17:54
    Não, filinho. Por mais que as regulações digam que isso é o certo a se fazer (e regulações nada mais são que canetadas de burocratas e não a palavra de um ser divino todo poderoso), o procedimento não é nada correto.

    1) Se individuo A firma um contrato voluntário com individuo B, cada parte tem o dever moral de honrar o contrato. Se B não consegue honrar o contrato, cabe a ele ressarcir A. Ponto.

    2) B prometeu transportar A. Se B precisa do assento (que já foi vendido para A) por algum problema interno da empresa, então isso é problema puramente da empresa. O passageiro nada tem a ver com isso. Sortear o passageiro e forçosamente removê-lo é apenas prática ruim de negócios e injustificável.

    3) Você fala que preferência do consumidor é balela, pelo visto você continua frequentando restaurantes que tratam mal e te servem comida ruim por preços altos, né? Ou será que você simplesmente para de ir lá e vai pra um restaurante melhor?

    Não é necessário que haja um boicote aberto e generalizado dos serviços da United, muitos consumidores, se possivel, evitarão usar o serviços da empresa (refletindo assim nas vendas), e usando apenas quando necessário ou se houver uma vantagem significativa de preço. (lembrando que ela já entrou em concordata em 2002 e foi salva pelo governo, o que é reflexo da preferência do consumidor)
    Eu, pessoalmente, evito sempre que possivel usar serviços da gol, pois já tive problemas sérios com eles, então só uso quando não tenho alternativas ou a vantagem monetária é significativa. O consumidor só não consegue exercer sua preferência quando tem pouca escolha no mercado.

    O problema que essa coisa do consumidor simplesmente "ir embora e nunca mais voltar" é dificil mensurar, pois o consumidor não anuncia que irá parar de usar seus serviços. Ele simplesmente não volta mais.

    Agora, se as pessoas não se importam com esse tipo de coisa, já mostra que isso não é um fator decisivo para a influência na escolha delas.
  • 4lex5andro  18/04/2017 19:36
    Pois é, e não tem nada parecido com essa prerrogativa de a companhia aérea dispor dos assentos á revelia do pagante.

    "6.9.4. Em caso de preterição de embarque, o Transportador deverá oferecer as seguintes alternativas ao Passageiro: I - a reacomodação: a) em Voo próprio ou de terceiro, para o mesmo destino, na primeira oportunidade; b) em Voo próprio, a ser realizado em data e horário de conveniência do Passageiro; Os Pnaes, nos termos da Resolução 280 da Anac, terão prioridade na reacomodação. II - o reembolso: a) integral, assegurado o retorno ao aeroporto de origem; b) do trecho não utilizado, se o deslocamento já realizado aproveitar ao Passageiro; III - a conclusão do serviço por outra modalidade de transporte."

    Link: https://www.latam.com/pt_br/transparencia/contrato-de-transporte-aereo/

    "(OBRIGAÇÕES DO PASSAGEIRO) 1.2. Obediência à Tripulação. Após o embarque, o Passageiro deve observar os avisos transmitidos pela tripulação da aeronave, por qualquer meio de transmissão, incluindo orais e escritos, conforme aplicável, aos quais deverá se submeter. Fica desde já esclarecido que o comandante, responsável pela operação e segurança da aeronave, tem poderes para:
    I) impedir o embarque de Passageiro que: a) esteja alcoolizado ou sob ação de entorpecentes ou de substância que determine dependência ou alteração psíquica; b) não esteja devidamente trajado ou calçado;"

    Link: https://www.voegol.com.br/pt/contrato-de-transporte-aereo

    Se nos Estados Unidos as empresas de aviação tem tantos poderes assim, isso não deixa de ser um ponto negativo pra os states, mesmo que sob alguma alegação pós 9/11;

    Pelo menos nos contratos das maiores empresas de aviação brasileiras, não consta essa sujeição compulsória do passageiro á ser dispensado do avião a qualquer momento.
  • Pure  18/04/2017 18:19
    "1. Os tripulantes não poderiam fazer esta viagem de carro porque existem regras de tempo de trabalho continuado para eles. Uma longa viagem de carro iria queimar horas do período ativo deles e provavelmente faria com que não pudessem fazer o voo completo ao chegar ao destino. Voando "dead-heading", o tempo de translado não conta. "

    A United poderia ter acionado tripulantes de outra região.

    "3. A empresa não pode oferecer no leilão benefício financeiro mais alto que o teto da FAA. O objetivo é evitar que vigaristas - que existem nos EUA como no Brasil - tentem usar o sistema de reservas das companhias para extrair "resgates" por assentos."

    A United poderia ter pago passagens para seus tripulantes viajarem em um voo de outra companhia.

    E por aí vai. Claro, depende da situação, mas há várias outras soluções simples para uma empresa desse porte, ao invés do uso da violência.
  • Carlos Neto  18/04/2017 21:54
    "Até a década de 1970, os preços das passagens aéreas nos EUA eram controlados pelo governo, que também concedia monopólios sobre determinadas rotas para determinadas companhias aéreas — as extintas PanAm e TWA lucraram exorbitantemente com esta reserva de mercado — e impedia a entrada de novos concorrentes. "


    Nem faz tanto tempo assim... Muito interessante a matéria.

    Agora, me restou uma duvida: os EUA foram s primeiros a promover a desregulamentação do setor aéreo?
  • Rodrigo Alves de Paula  19/04/2017 18:52
    Além do setor aéreo, o governo Carter desregulamentou também o setor ferroviário dos EUA.

    Em 1887, o governo norte-americano criou a Insterstate Commerce Commission (ICC), um órgão regulador que tinha como objetivo estipular teto para as tarifas de frete das ferrovias, visando "evitar a concorrência desleal". Dessa forma, as tarifas de transporte ferroviário de passageiros e cargas, bem como a aquisição de empresas pelas ferrovias, passaram a ser controladas pela ICC.

    Nos anos 1970, o cenário no setor ferroviário dos EUA era crítico. Na década anterior, as gigantes Pennsylvania Railroad e New York Central se fundiram, formando a Penn Central (depois, a ICC exigiu que a New Haven Railroad fosse incluída na nova empresa); a inflexibilidade nas tarifas de transporte de carga foram um dos fatores que levaram a Penn Central à concordata apenas dois anos depois de sua criação. Após ter o pedido de empréstimo negado pelo governo, a Penn Central faliu e o governo de Gerald Ford a encampou, criando a Conrail. No mesmo período, ferrovias históricas como a Erie, a Rock Island e a Reading quebraram por causa da concorrência rodoviária e da rigidez da ICC (em 1964, a Union Pacific queria comprar a Rock Island, mas a ICC levou DEZ ANOS para analisar o pedido; quando a autorização foi dada, em 1974, a Union Pacific desistiu da compra porque a Rock Island estava em péssimas condições financeiras. Oito anos depois, a Rock Island foi simplesmente liquidada).


    Em 1980, Jimmy Carter assinou a Staggers Rail Act, que aboliu as atribuições da ICC no setor ferroviário. Assim, agora os fretes eram definidos pelo mercado, bem como a aquisição de empresas. Isso provocou uma completa revolução no setor ferroviário e salvou o setor do colapso. Até a estatal Conrail foi beneficiada: ela passou, quase que imediatamente, a ser lucrativa e foi vendido em 1987 a investidores privados. Também com a Lei Staggers, finalmente a intermodalidade chegou às ferrovias, com os trens de containers e "piggy-back" (transporte ferroviário de carretas rodoviárias); com a lei, o preço dos fretes caiu 51% e US$ 480 bilhões foram investidos pela iniciativa privada para a recuperação do sistema ferroviário (compra de novas locomotivas e vagões, recuperação de linhas, novos pátios, etc.).




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