A Previdência Social brasileira - um esquema fraudulento de pirâmide

1 - A PIRÂMIDE

Praticamente todas as pessoas já ouviram falar no esquema da pirâmide, mas não custa nada lembrar como funciona esse esquema fraudulento que, segundo análise, causa prejuízo em 84% dos participantes.

A pirâmide, segundo a Wikipedia[1],

é um modelo comercial não-sustentável que envolve basicamente a permuta de dinheiro pelo recrutamento de outras pessoas para o esquema sem que qualquer produto ou serviço seja entregue.  A idéia básica por trás do golpe é que o indivíduo faz um único pagamento, mas recebe a promessa de que, de alguma forma, irá receber benefícios exponenciais de outras pessoas como recompensa.  Claramente, a falha fundamental é que não há benefício final; o dinheiro simplesmente percorre a cadeia, e somente o idealizador do golpe (ou, na melhor das hipóteses, umas poucas pessoas) ganham trapaceando seus seguidores.

Pondo esse esquema em prática, uma pessoa ganha uma certa quantia de um grupo de pessoas, e esse grupo de pessoas ganharia a mesma quantia de um segundo grupo de pessoas, que depois ganhariam a mesma quantia de um terceiro grupo de pessoas, e assim sucessivamente.

O problema óbvio desse esquema de pirâmide é que ele cresce em progressão geométrica — ou seja, se são necessárias, em tese, seis pessoas para se pagar a quantia acertada para uma pessoa, serão necessárias trinta e seis pessoas para se pagar a quantia acertada para o grupo de seis, e assim por diante.

Em um esquema de pirâmide em que seis pessoas suportam uma, o décimo-terceiro grupo já seria maior que toda a população mundial (esse grupo seria composto por pouco mais de 13 bilhões de pessoas, mais que o dobro da população mundial).

Logo, é um esquema absolutamente fraudulento, posto que é insustentável[2].

Por conta disso, a maioria dos países do mundo editou leis que declaram esse tipo de esquema ilegal.  No Brasil, a Lei Contra a Economia Popular[3] (Lei nº 1.521/51) tipifica esse crime no seu art. 2º, inciso IX, assim disposto:

Art. 2º. São crimes desta natureza: 

IX - obter ou tentar obter ganhos ilícitos em detrimento do povo ou de número indeterminado de pessoas mediante especulações ou processos fraudulentos ("bola de neve", "cadeias", "pichardismo" e quaisquer outros equivalentes);

Mas, por incrível que pareça, enquanto particulares não podem praticar esse esquema, o governo pode sem o menor problema, através de um órgão chamado Instituto Nacional da Seguridade Social.  O nome desse esquema de pirâmide é "previdência social".

2 - A PREVIDÊNCIA SOCIAL BRASILEIRA 

A previdência social é um seguro público, coletivo, compulsório, mediante contribuição e que visa cobrir os seguintes riscos: incapacidade, idade avançada, tempo de contribuição, encargos de família, morte e reclusão[4].

Sendo um seguro público, coletivo, e compulsório, ele é administrado pelo governo e todos os trabalhadores economicamente ativos devem aderir a ele de maneira forçada, sob pena de crime, tipificado no Código Penal no art. 337-A, com pena de dois a cinco anos, além de multa e do pagamento da quantia principal devida.

A Constituição diz que o seguro é pago mediante contribuição, o que é um eufemismo, pois contribuição é um termo que pressupõe voluntariedade, ou seja, a pessoa contribui para alguma coisa, em tese, apenas se ela quiser, o que não é o caso.  Portanto, a melhor palavra para esse pagamento seria imposto, pois é uma imposição estatal o seu pagamento, mas vamos manter a palavra original para não confundir o leitor.

A previdência social brasileira concede hoje dez tipos de benefícios: (i) auxílio-doença; (ii) auxílio-acidente; (iii) aposentadoria por invalidez; (iv) aposentadoria por idade; (v) aposentadoria por tempo de contribuição; (vi) aposentadoria especial; (vii) salário-maternidade; (viii) salário-família; (ix) pensão por morte; e (x) auxílio-reclusão.

Divide-se hoje em dois regimes: (i) o regime geral de previdência social, para os trabalhadores do setor privado; e (ii) regime próprio de previdência social, para os trabalhadores do setor público.

O custo do sistema previdenciário brasileiro é pago por quatro entes: (i) pelos trabalhadores (por meio de contribuição sobre o quanto ganha, que vai de 7,65% a 20% do salário-de-contribuição, dependendo do tipo de segurado); (ii) pelas empresas empregadoras (através de uma série de tributos, como COFINS, CSLL, SAT, entre outros), (iii) por parte da receita proveniente de loterias e (iv) pelo governo.

3 - A PREVIDÊNCIA SOCIAL BRASILEIRA E O ESQUEMA DE PIRÂMIDE NO SETOR PRIVADO

Como dito, o regime de aposentadoria dos trabalhadores privados é o regime geral de previdência social. Esse regime é pago por eles e pelas empresas que os contratam.  No caso de trabalhadores autônomos, os próprios pagam a sua previdência.

O espírito do sistema é o seguinte: o trabalhador de hoje paga pela aposentadoria do aposentado atual para que, quando ele se aposente, o trabalhador do futuro pague por sua aposentadoria.

Agora vejam a semelhança entre esse sistema e a pirâmide fraudulenta: na pirâmide, um grupo originário, que não desembolsou absolutamente nada, recebe uma certa quantia de outro grupo (necessariamente maior), e esse grupo fica na expectativa de que outro grupo, ainda maior, pague a mesma quantia ao grupo intermediário, e assim sucessivamente.  

No sistema previdenciário, um grupo original de aposentados passou a receber uma aposentadoria sem haver pago qualquer quantia[5], à custa do grupo de trabalhadores ativos da época; e esses trabalhadores ativos da época, ao se aposentarem, esperam que os trabalhadores ativos posteriores paguem suas aposentadorias; e esse último grupo te de ser muito grande para poder suportar esse pagamento.

Ora, sem que haja uma progressão geométrica no número de trabalhadores entre uma geração e outra, esse sistema invariavelmente quebrará.  E efetivamente não há como esse sistema não quebrar, por dois motivos: (i) a geração seguinte em regra não cresce suficientemente e (ii) mesmo que crescesse, essa geração precisaria ocupar empregos em uma taxa próxima dos 100%, e a economia de um país pode não crescer o suficiente para absorver toda a mão-de-obra disponível.

Ainda sobre a questão da geração de empregos, o IPEA[6] afirma que, de acordo com os estudos do IBGE, a população brasileira chegará ao seu pico populacional em 2030, com cerca de 206 milhões de habitantes.  A partir dessa data, o país tenderá a possuir uma população estável de cerca de 200 milhões de pessoas, e a sociedade envelhecerá como um todo.  De acordo com essas projeções, em 2030 estima-se que haverá 1,1 trabalhadores economicamente ativos para cada aposentado. 

Ou seja, praticamente haverá um trabalhador por aposentado.  Isso significa, de fato, que uma pessoa terá de trabalhar por duas, o que inviabiliza qualquer sistema previdenciário, concebido originalmente para funcionar em um sistema de dois trabalhadores por aposentado.

O sistema previdenciário, portanto, é um sistema fraudulento de pirâmide que nunca deveria ter sido criado, e que levará, inevitavelmente, a uma falência do estado brasileiro — até porque, nos tempos atuais, em que ainda não chegamos a essa proporção de 1:1 entre trabalhadores e aposentados, o déficit entre o que é arrecadado e gasto pela previdência passa dos R$ 42 bilhões anuais[7].

4 - A PREVIDÊNCIA SOCIAL BRASILEIRA E O ESQUEMA DE PIRÂMIDE NO SETOR PÚBLICO

A questão do servidor público sempre foi muito controversa no âmbito do direito previdenciário. Como o trabalhador privado não recebe pelo estado, fica muito fácil individualizar a quantia paga por esse trabalhador e ver qual o destino dessa quantia, no caso o INSS.  Já o servidor público recebe seu ordenado da mesma fonte para a qual terá de pagar a sua contribuição.  Do ponto de vista administrativo, o que o governo fazia era simplesmente descontar a contribuição do pagamento do servidor na fonte. 

Ou seja, o servidor efetivamente pagava sua contribuição, mas esse dinheiro não ia para qualquer fundo, deixando ainda mais claro nesse caso o caráter piramidal desse esquema, pois o desconto do futuro servidor daria espaço no orçamento para o pagamento do antigo servidor.

Como é sabido, os privilégios do setor público são flagrantes no Brasil, e um desses privilégios era a aposentadoria integral e paridade com o servidor ativo, até que a EC 41/2003 (a segunda reforma da previdência) acabou com esse expediente.  Essa emenda cria um teto para o servidor público, e o que excedesse essa quantia só seria pago por fundos de pensão pagos por fora pelo servidor.  Esses fundos seriam criados por lei.  A lei até hoje não foi elaborada e o servidor público hoje se aposenta pela média das contribuições, acabando por se aposentar com salário quase integral e com reajuste pela inflação.

Obviamente que a conta aqui fecha menos ainda.  Estima-se que a quantia gasta pelo INSS para o aposentados da iniciativa privada é a mesma gasta pelo governo para os aposentados servidores públicos, só que o primeiro corresponde a 28 milhões de pessoas, e o segundo a dois milhões de pessoas, ou seja, os servidores públicos aposentados correspondem a 10% dos beneficiários do INSS, mas consomem a mesma coisa, o que significa que, na média, um servidor público aposentado ganha dez vezes mais que um trabalhador da iniciativa privada.

5 - OUTRAS CRÍTICAS À PREVIDÊNCIA SOCIAL BRASILEIRA

Além de ser um esquema fraudulento de pirâmide, ou seja, inerentemente imoral e ineficaz, a previdência social possui outras distorções flagrantes que são ignoradas pelo grande público.

O grande economista Milton Friedman, da Escola Econômica de Chicago[8], em grande ensaio[9], prova que o sistema previdenciário redistribui dinheiro dos pobres para os ricos.  De fato, pessoas das camadas mais pobres da sociedade tendem, na média, a viver menos que os mais ricos, pois em regra vivem em condições mais insalubres e têm menos acesso a medicamentos, serviços de saúde e alimentos.  Como visto, pobres e ricos proporcionalmente pagam a mesma coisa, mas como o dinheiro pago não retorna diretamente para o pagador, e sim vai para o sistema, só retornando caso o pagador envelheça ou tenha algum tipo de sinistro, em média pessoas mais ricas tendem a se beneficiar da previdência por mais tempo que pessoas pobres.

Além disso, servidores públicos, que já recebem — em virtude de sindicatos e grupos de pressão — salários mais altos por menos trabalho, recebem aposentadoria muito superior à do setor privado contribuindo muito menos para o sistema.

Por fim, além de ineficiente, a previdência social é um verdadeiro antro de pessoas inescrupulosas ávidas por desviar recursos para fins próprios. Provavelmente é a instituição mais fraudulenta do Brasil. Recorrentemente funcionários do INSS descobrem que beneficiários já faleceram e recebem por eles. Pessoas fantasmas também são inventadas, junto ao sistema, para fins de desvio, entre outras fraudes.

E isso ocorre por um motivo muito simples: dinheiro que é de todos, no Brasil, é dinheiro de ninguém.

6 - CONCLUSÃO

Esse esquema fraudulento ruirá, pois um esquema de pirâmide não subsiste sem que a sua base cresça e, como vimos, a população brasileira tende a crescer menos e, por fim, se estabilizar, isso sem contar que a previdência já é deficitária hoje, mas por enquanto consegue subsistir com o desvio de impostos para esse fim.

A previdência social simplesmente quebrará o Brasil. Pessoas, como este autor, que ainda são jovens, não terão a oportunidade de se aposentar, pelo menos não por esse sistema fraudulento.

Estatistas em geral defendem a manutenção desse sistema, em vez de seu rompimento, pois a existência do INSS faz com que os burocratas tenham verdadeiro poder de vida e morte sobre grande parcela da população, além de ser uma fonte de corrupção.

Para a manutenção desse sistema, estatistas realistas em regra defendem o aumento da idade mínima para aposentadoria, que hoje se encontra em 65 anos para homens e 60 para mulheres. A continuar essa tendência, em alguns anos, o IBGE, em estudo "científico", afirmará que a expectativa de vida no Brasil é de mais de 80 anos e a idade mínima de aposentadoria cada vez mais aumentará, até o momento em que poucos privilegiados poderão curtir o final da vida sem precisar trabalhar. Até mesmo no exterior essa solução, que é paliativa, tem sido adotada.

Essa, decididamente, não é a solução.  E pior: alguns políticos, sem a mais mínima noção de economia, administração pública ou finanças, têm apresentado propostas, no Congresso Nacional, que aumentam cada vez mais o rombo no sistema previdenciário piramidal, como o fim do fator previdenciário e o aumento exponencial do salário mínimo.

Um sistema ético e eficiente passa necessariamente por um sistema de aposentadoria por capitalização: ou seja, o próprio trabalhador pode decidir se quer aplicar uma fatia de seu salário em um fundo de pensão privado com boas taxas de investimento, sabendo que o dinheiro que será aplicado lá será retornado para ele e podendo se aposentar cedo; ou se quer gastar essa quantia no consumo, responsabilizando-se pela falta de dinheiro no futuro.

Mas como fazer essa transição em um sistema que já possui um déficit de oitenta bilhões de reais anuais?  Como ficam os atuais aposentados, cuja maioria é verdadeira vítima de fraude?

Essa é uma questão, até o momento, sem resposta, mas uma coisa é certa: quando essa bomba-relógio explodir, não haverá dinheiro para ninguém, seja para os aposentados de hoje ou os de amanhã.

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Notas

[1] Extraído de http://pt.wikipedia.org/wiki/Esquema_em_pir%C3%A2mide

[2] Muitos esquemas de pirâmide têm sido feitos no Brasil nos últimos tempos, em especial após a popularização da internet. Até mesmo grandes personalidades brasileiras já sustentaram esse tipo de fraude, como o ex-jogador e agora Deputado Federal Romário (PSB/RJ), como visto emhttp://www.meionorte.com/noticias/policia/policiais-no-topo-da-piramide-de-romario-77723.html

[3] Não se pode deixar de comentar que essa lei, em geral, é um crime contra a inteligência humana e contra a liberdade voluntária de trocas entre cidadãos de bem. Com o suposto intuito de proteger os cidadãos em geral contra a fraude, o que é um objetivo justo, a lei acabou por interferir radicalmente no direito de liberdade de comercialização de bens e serviços. Salvo a exceção dos incisos IX, X e XI, todos os demais incisos desse artigo 2º são casos clássicos de intromissão indevida do Estado na livre-iniciativa, em especial o bizarro inciso VI, sobre tabelização de preços, que na década de 80, no Brasil, foi responsável por grande escassez de bens. Todos esses incisos que não tratam de fraude deveriam, portanto, ser abolidos, e muitos deles já o foram, pelo menos na prática popular e governamental.

[4] Conceito extraído de Tavares, Marcelo Leonardo. DIREITO PREVIDENCIÁRIO. 7. ed. Rio de Janeiro: Lumen Juris, 2005. Pg. 57.

[5] Apenas à guisa de exemplo, a primeira aposentada pelo sistema previdenciário americano foi Ida May Fuller. Ela pagou apenas US$ 24,75 em três anos de contribuição, e seu primeiro contra-cheque de aposentadoria foi de US$ 22,54. Após o segundo cheque, no mês seguinte, ela já tinha recebido mais do que pagou para entrar no sistema. Ela viveu até 100 anos e recebeu US$22.888,92. Dados extraídos de http://en.wikipedia.org/wiki/Social_Security_%28United_States)

[6] Comunicado nº 64 - PNAD 2009 - Primeiras Análises: Tendências Demográficas.

[7] http://oglobo.globo.com/pais/mat/2011/02/22/deficit-da-previdencia-deve-somar-42-4-bi-no-ano-com-novo-minimo-923859395.asp

[8] Destaca-se apenas que este autor e este partido não são filiados à Escola Econômica de Chicago, mas sim à Escola Austríaca de Economia de Mises, Hayek, Rothbard, entre outros, de cunho mais liberal e libertário que a de Chicago, mas respeita-se a visão comum a ambas as escolas, como é no presente caso.

[9] Milton Friedman & Rose Friedman, "Free to Choose", (New York: Harcout, Brace, Jovanovich, 1980), pg. 102-107

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SOBRE O AUTOR

Bernardo Santoro
é Mestre em Teoria e Filosofia do Direito (UERJ), Mestrando em Economia (Universidad Francisco Marroquín) e Pós-Graduado em Economia (UERJ). Professor de Economia Política das Faculdades de Direito da UERJ e da UFRJ. Advogado e Diretor-Executivo do Instituto Liberal.





"parece-me improvável ser coincidência os produtores do metal em questão [ouro] também terem abruptamente reduzido sobremaneira sua mineração e refino na década de 70 e de forma ainda mais intensa do que a supostamente levada a cabo pela OPEP [...]"

Exato! Este é o ponto. Quem afirma que o petróleo encareceu na década de 1970 por causa de uma suposta escassez de oferta tem também de explicar por que o ouro (e outras commodities) se encareceu ainda mais intensamente. Houve restrição na oferta de ouro?

Assim como não houve redução da oferta de ouro (cujo preço explodiu em dólar) também não houve redução da oferta de petróleo (cujo preço explodiu em dólar).

O problema, repito, nunca foi de oferta de commodities, mas sim de fraqueza das moedas -- recém desacopladas do ouro (pela primeira vez na história do mundo) e, logo, sem gozar de nenhuma confiança dos agentes econômicos.

Igualmente, por que o petróleo barateou (junto com o ouro) nas décadas de 1980 e 1990, quando a demanda por ele foi muito mais intensa do que na década de 1970? Por que ele encareceu em 2010 e 2011, em plena recessão mundial? E por que barateou em 2014 e 2015, quando as economias estavam mais fortes que em 2010 e 2011?

O dinheiro representa a metade de toda e qualquer transação econômica. Logo, quem ignora a questão da força da moeda está simplesmente ignorando metade de toda e qualquer transação econômica efetuada. Difícil fazer uma análise econômica sensata quando se ignora metade do que ocorre em uma transação econômica.

"ao menos em tese, não seria possível ocorrer uma elevação do índice "DXY" durante algum tempo simultaneamente a uma alta nas cotações em USD de algumas commodities, configurando uma situação de inflação de preços global generalizada onde a moeda america seria nesta hipótese "a garota menos feia do baile"

Sim, em tese seria possível. Só que, ainda assim, haveria um indicador que deixaria explícito o que está acontecendo: o preço do ouro.

Se o dólar estiver se fortalecendo em relação a todas as outras moedas, mas estiver sendo inflacionado (só que menos inflacionado que as outras moedas), o preço do ouro irá subir.

Mas este seu cenário só seria possível se todas as outras moedas estivessem sendo fortemente desvalorizadas. Enquanto houver franco suíço, iene e alemães na zona do euro, difícil isso acontecer.

Abraços.
Saudações, Leandro.

Teus comentários me remeteram a
uma recente troca de posts que tive no MI !
A propósito, uma análise da relação entre ouro e petróleo talvez pudesse reforçar nosso argumento em comum. Afinal, parece-me improvável ser coincidência os produtores do metal em questão também terem abruptamente reduzido sobremaneira sua mineração e refino na década de 70 e de forma ainda mais intensa do que a supostamente levada a cabo pela OPEP, caso a explicação p/ o fortalecimento do primeiro em relação ao segundo (i.e. cruede mais barato em Au) também se baseasse no suposto "choque de oferta" ao qual frequentemente se atribuem praticamente todos os episódios de encarecimento do petróleo em US$...

Sobre o "desafio": "Sigo no aguardo de um único exemplo prático de dólar forte e commodities caras. E de dólar fraco e commodities baratas, pergunto: ao menos em tese, não seria possível ocorrer uma elevação (ainda que improvável, inclusive na atual conjuntura) do índice "DXY" (dólar em relação às moedas mais líquidas do mundo) durante algum tempo simultaneamente a uma alta nas cotações em USD de algumas commodities, configurando uma situação de inflação de preços global generalizada onde a moeda america seria nesta hipótese "a garota menos feia do baile" (de ForEx) ?

Att.
Prezado Paulo, obrigado pelo comentário, o qual nada alterou a constatação: o preço das commodities é cotado em dólar; consequentemente, a força do dólar é crucial para determinar o preço das commodities. Impossível haver commodities caras com dólar forte. Impossível haver commodities baratas com dólar fraco.

Perceba que seus próprios exemplos comprovam isso: você diz que a produção americana de petróleo atingiu o pico em 1972, e dali em diante só caiu. Então, por essa lógica era para o preço do petróleo ter explodido nas década de 1980 e 1990. Não só a oferta americana era menor (segundo você próprio), como também várias economia ex-comunistas estavam adotando uma economia de mercado, implicando forte aumento da demanda por petróleo. Por que então o preço do barril não explodiu (ao contrário, caiu fortemente)?

Simples: porque de 1982 a 2004 foi um período de dólar mundialmente forte.

"Período 1973/74: É consenso da indústria mundial de petróleo que a subida abrupta dos preços em 1973/74 deveu-se ao embargo árabe realizado pela OPEP[...]"

Nada posso fazer quanto a esse "consenso", exceto dizer que ele é economicamente falacioso. O preço do barril (em dólares) subiu durante toda a década de 1970 (e não apenas no período 1973-74). O barril só começou a cair a partir de 1982, "coincidentemente" quando o dólar começou a se fortalecer.

Será que foi a OPEP quem encareceu o petróleo de 1972 a 1982? Se sim, por que então em 1982 ela reverteu o curso? Mais ainda: se ela é assim tão poderosa para determinar o preço do barril do petróleo, por que ela nada fez de 1982 a 2004, que foi quando o barril voltou a disparar ("coincidentemente", de novo, quando o dólar voltou a enfraquecer)?

E por que de 2004 a 2012 (dólar fraco) o petróleo disparou? E por que desabou de 2013 a meados de 2016 (dólar forte)? E por que voltou a subir agora (dólar enfraquecendo)?

Sigo no aguardo de um único exemplo prático de dólar forte e commodities caras. E de dólar fraco e commodities baratas.

Se alguém apresentar esse exemplo, toda a teoria econômica está refutada.
Boa tarde Bruno., tudo tranquilo?

Advogados de uma maneira geral tem duas frentes: ou são interlocutores mediante a resolução de conflitos, ou analistas para evitar conflitos. Basicamente são especialistas em detalhes jurídicos, sendo obrigatório o talento nato em retórica, para expor a parte de seu cliente de forma objetiva, lírica e eloquente na mediação, e muita disciplina acadêmica para assimilar todos os enlaces dos códigos a que se propõe atuar.

Sob a batuta do Estado, apenas formados em direito (e aqui no Brasil postulantes ao exame da OAB) podem representar pessoas e empresas nas demandas da Lei. Basicamente, 90% dos advogados no Brasil são decoradores de Lei, tendo parco saber jurídico para analisar de forma contundente demandas mais complexas.

Já em um país libertário, basta a pessoa ter um grande saber jurídico, oratória razoável e ser um bom jogador de xadrez que pode advogar tranquilamente, podendo também adquirir títulos e certificados mediante associações privadas, com o único propósito de destacar aqueles que realmente tem o que é necessário para ser advogado para quem quiser contrata-lo.

Quanto a sua questão, seja pelo monopólio do Estado ou em um país livre, o advogado não propriamente cria riqueza, mas impede que a mesma seja perdida por um descuido na assinatura de um contrato, ou mesmo a ruína causada por uma ex mulher gananciosa. Na assinatura de contratos é como uma companhia de seguros, pois ao analisar os detalhes mitiga os riscos apontando erros e pegadinhas. Por outro lado, se for atuar em uma demanda já existente, seria mais ou menos como o corpo de bombeiros, para apagar o incêndio o mais rápido possível, antes que o fogo consuma tudo.

Prezado Leandro

Aprecio muito seus artigos e comentários, postados aqui no Instituto Mises. Inclusive, suas respostas a indagações minhas sempre primaram pela cordialidade e análise ponderada. E, em relação ao seu comentário acima, não discordo quanto à correlação existente entre uma commoditie e a moeda em que ela é comercializada.

No entanto, se me permite, gostaria de discordar parcialmente do seus comentários acima sobre a causa e efeito nos preços dos mercados do petróleo, a partir do chamado Choque Nixon (1971). Entre outras medidas, ele cancelou unilateralmente a conversão do dólar em ouro. Baseei meus comentários em inúmeros autores, que usamos na indústria, não para fins políticos, mas para nosso negócio (tenho 38 anos de indústria do petróleo).

Para melhor acompanhar meus comentários, é interessante analisar os mesmos acompanhado de dois gráficos:

1) Preço do petróleo entre 1986 e 2015, fonte: BP Global:
www.bp.com/en/global/corporate/energy-economics/statistical-review-of-world-energy/oil/oil-prices.html

2) Produção e importação de óleo cru nos EUA: //en.wikipedia.org/wiki/Petroleum_in_the_United_States#/media/File:US_Crude_Oil_Production_and_Imports.svg

Vou colocar os eventos em ordem cronológica, com meus comentários após aspas de seus comentários, as vezes com ... :

SEU COMENTÁRIO: Igualmente, a acentuada e abrupta desvalorização do dólar na década de 1970 ... : não era o petróleo que estava ficando escasso; eram as moedas, recém-desacopladas do ouro, que perdiam poder de compra aceleradamente.

MEU COMENTÁRIO:
- A indústria do petróleo nunca correlacionou a culpa do aumento dos preços do petróleo na década de 1970 como sendo por causa de escassez do produto.

- Ano de 1972: A produção total Americana atinge o pico, próximo a uma média diária de nove milhões de barris por dia (bpd) e, a partir deste ponto, entra num declínio acentuado e contínuo, só interrompido em meados dos anos 2000, por conta do crescimento estratosférico da produção americana está ligado ao boom do "shale oil" americano (óleo de folhelho).

- Período 1973/74: É consenso da indústria mundial de petróleo que a subida abrupta dos preços em 1973/74 deveu-se ao embargo árabe realizado pela OPEP contra os países que apoiavam Israel na Guerra do Yom Kippur. Entre o início e o fim do embargo os preços tinham subido de US$ 3/barril (US$ 14 hoje) para US$ 12/barril (US$ 58 hoje).

SEU COMENTÁRIO: Tanto é que, nas décadas de 1980 e 90, o barril do petróleo despencou (dólar forte).

MEU COMENTÁRIO: Período 1985-1999:

- Em 1986 a Arábia Saudita resolveu recuperar sua participação no mercado global (market share) aumentando sua produção média diária de 3,8 milhões bpd em 1985 para mais que 10 milhões bpd em 1986. As reservas sauditas são tão grandes que ela sempre pôde se dar o luxo de "fechar ou abrir torneiras" para controlar demanda e oferta. Mas, atualmente isto está começando a ser modificado.

- 1988: Com o fim da Guerra Irã-Iraque, ambos voltaram a aumentar substancialmente a produção média diária.

SEU COMENTÁRIO: O boom das commodities (principalmente minério e petróleo) na década de 2000 foi "auxiliado" pelo enfraquecimento do dólar.

MEU COMENTÁRIO: Principais eventos para o aumento quase contínuo dos preços na década de 2000:

- Final dos anos 1990 e início dos anos 2000: Crescimento das economias Americana e Mundial.

- Pós 11/01/01 e invasão do Iraque: crescente preocupação quanto a estabilidade da produção do Oriente Médio.

- Segunda metade da década: Combinação de produção declinante mundial com o aumento acelerado e contínuo da demanda asiática pelo produto, especialmente China.

A causa da produção mundial declinante está relacionada à enorme expansão da produção OPEP na década anterior e que inibiu o investimento da indústria em exploração (pesquisa para descoberta de novas jazidas). Para quem não é da área, investimentos em exploração de petróleo tem retorno de médio a longo prazo.

SEU COMENTÁRIO: a recente queda a partir de 2012 (dólar forte).

MEU COMENTÁRIO: A partir de 2014 a queda dos preços está ligada a dois grandes eventos:

- Aumento substantivo da produção nos EUA e na Rússia, sendo que em 2015 a produção Americana atingiu o mais alto nível em mais de 100 anos, com os EUA voltando a serem os maiores produtores mundiais após mais de 50 anos (Figura a seguir)

- O crescimento estratosférico da produção americana está ligado ao boom do "shale oil" americano (óleo de folhelho), com o avanço tecnológico do fraturamento hidráulico (hydraulic fracturing, or fracking), ela começou a ser utilizada com progressivo sucesso em reservatórios não convencionais como o shale oil. Com isto, nunca os estoques americanos estiveram tão altos. E, aqui o básico da economia de Adam Smith: oferta maior que demanda gera queda nos preços.

Saudações, Paulo









Não, Xiba. Continua sendo pirâmide do mesmo jeito.

Essa questão da Previdência brasileira é um assunto bastante interessante pelo seguinte motivo: talvez seja a única área da economia que não está aberta a opiniões ideológicas.

Não importa se você é de esquerda ou de direita; liberal, libertário ou intervencionista. Também pouco importa se você acredita que a Previdência atual seja superavitária (como alguns acreditam). O que importa é que o modelo dela é insustentável. E é insustentável por uma questão puramente demográfica.

E contra a realidade demográfica não há nada que a ideologia possa fazer.

Comecemos pelo básico.

Ao contrário do que muitos ainda pensam, o dinheiro que você dá ao INSS não é investido em fundo no qual ele fica rendendo juros. Tal dinheiro é diretamente repassado a uma pessoa que está aposentada. Não se trata, portanto, de um sistema de capitalização, mas sim de um sistema de repartição: o trabalhador de hoje paga a aposentadoria de um aposentado para que, no futuro, quando esse trabalhador se aposentar, outro trabalhador que estiver entrando no mercado de trabalho pague sua aposentadoria.

Ou seja, não há investimento nenhum. Há apenas repasses de uma fatia da população para outra.

Por motivos óbvios, esse tipo de esquema só pode durar enquanto a fatia trabalhadora for muito maior que a fatia aposentada. Tão logo a quantidade de aposentados começar a crescer mais rapidamente que a fatia de trabalhadores, o esquema irá ruir.

Portanto, todo o arranjo depende inteiramente do comportamento demográfico da população. A qualidade da gestão do INSS é o de menos. Mesmo que a Previdência fosse gerida por anjos probos, sagazes e imaculados, ainda assim ela seria insustentável no longo prazo caso a demografia não cooperasse.

E, no Brasil, ela já não está cooperando. Segundo os dados do IBGE, em 2013, havia 5,5 pessoas com idade entra 20 e 59 anos para cada pessoa com mais de 60 anos. Em 2060, a se manter o ritmo projetado de crescimento demográfico, teremos 1,43 pessoa com idade entre 20 a 59 anos para cada pessoa com mais de 60 anos.

Ou seja, a menos que a idade mínima de aposentadoria seja continuamente elevada, não haverá nem sequer duas pessoas trabalhando e pagando INSS para sustentar um aposentado.

Aí fica a pergunta: como é que você soluciona isso? Qual seria uma política factível "de esquerda" ou "de direita" que possa sobrepujar a realidade demográfica e a contabilidade?

Havendo 10 trabalhadores sendo tributados para sustentar 1 aposentado, a situação deste aposentado será tranquila e ele viverá confortavelmente. Porém, havendo apenas 2 trabalhadores para sustentar 1 aposentado, a situação fica desesperadora. Ou esses 2 trabalhadores terão de ser tributados ainda mais pesadamente para sustentar o aposentado, ou o aposentado simplesmente receberá menos (bem menos) do que lhe foi prometido.

Portanto, para quem irá se aposentar daqui a várias décadas e quer receber tudo o que lhe foi prometido hoje pelo INSS, a mão-de-obra jovem do futuro terá de ser ou muito numerosa (uma impossibilidade biológica, por causa das atuais taxas de fecundidade) ou excessivamente tributada (algo que não é duradouro).

Eis o fato irrevogável: contra a demografia e a matemática, ninguém pode fazer nada.

A não ser mudar totalmente o sistema.

Uma proposta para uma reforma definitiva da Previdência

ARTIGOS - ÚLTIMOS 7 DIAS

  • Antonio Chiocca  30/05/2011 09:21
    Bom artigo,este tema precisa ser sempre lembrado e divulgado.
  • Domingos  30/05/2011 09:52
    Bernardo,\r
    Excelente artigo, Parabéns.
  • Bernardo Santoro  30/05/2011 10:33
    Obrigado, Domingos. Eu tenho plena convicção que a previdência social será a instituição que ruirá por dentro o modelo estatista de bem-estar social.
  • Adriel Santana  30/05/2011 10:56
    É por causa de artigos como esse que a minha convicção na válidade das idéias defendidas pela Escola Austríaca aumenta cada vez mais.

    Como estudante de Direito, também fico feliz por ler que o autor é advogado. Estando perto de me formar, já penso na tese da minha monografia, que, independente do assunto, com certeza será amparada nas informações contidas nesse site e nos livros dos vários autores austríacos.

    Bernardo, parabéns pelo artigo.
  • Rony Pablo  31/05/2011 03:09
    Sou estudante de economia, mas me interesso muito pelo pensamento austriaco, estudo direito por rob. Penso que não existe modelo melhor que o austriaco para política econômica do Brasil. Este atual modelo os unicos beneficiados são os banqeiros eempreiteiros. Mas infelizmente ainda é necessaria a mão do Estado no desenvolvimento do país, uma vez que aindaestamos em desenvolvimento.
    Existe etores que são cruciais ao desenvolvimento do país e pouquissimo lucrativo ao setor privado como o caso das hidreletricas no país que tem um alto custo de manutenção e baixa lucratividade. Estas bolhas do estado é a consequencia da economia não ter se desenvolvido em um mercado perfeito como aconteceu no EUA por exemplo que o desenvolvimento de cada setor impussionou o outro e muitas das industrias dominava toda cadeia produtiva elogistica como nos casos da Ford e do cartel do Petrolio que foi responsavel pela contrução do setor ferroviario americano.

    Infelizmente ainda há este mal, mas é ridiculo o estado manter empresas estatais sem nem uma razão com a Petrobras, Banco do Brasil, Resseguro, e muitas outras sociedades anonimas que não vemao caso mecionar.

    A questão previdenciari é absurda, não foimencionado no artigo, mas 40% da arrecadação da Previencia vai para capitalização do BNDS, o que seria interessante do ponto de vista da poupança,mas este dinheiro tem sido desperdissado com as mentiras do governoLula que agora financia com dinheiro do trbalhador as empreiteiras que estão construindo estadios, e promessa foi uma livre iniciativa do setor privado, aí sim seria interessante para o Brasil.

    A grande o desperdicio de dinheiro público neste país, as licitações custam 10a 20 vezes mais do que deveria por que o sistema ocorre de frente para traz, contrario dos países do primeiro mundo.....

    Recursos o Brasil tem, mas desperdicio tem muito mais,o Brasil tm tudo para ser opaís mais competitivo do mundo, somos tropição, nosso solo é de formação antiga, o que, o povo é inteligente e trabalhador, mas a burocracia faz o país e por água abaixo!!!!!
  • Leandro  31/05/2011 07:05
    Prezado Rony, a questão sobre como seria a geração de eletricidade em um mercado privado e concorrencial foi abordada nesse artigo, o qual explica também (em sua primeira parte) alguns detalhes sobre a geração estatal de eletricidade.

    A questão principal é que, havendo desregulamentações, desburocratizações, redução de impostos e respeito à propriedade, não há motivos para crer que a geração de eletricidade não poderia ocorrer em um mercado privado e altamente competitivo, muito menos há motivos para crer que tal setor não seria lucrativo.

    Grande abraço!
  • Paulo Sergio  11/12/2011 01:24
    '...o povo é inteligente e trabalhador'

    tanto é que não falta mão de obra qualificada em canto nenhum.
    BAZINGAA!
  • Edivaldo Gomes  10/12/2011 19:09
    Saudações,

    Digo o mesmo que o amigo: irei fundamentar e quiça utilizar como eixo-problemático de meu TCC a Escola Austríaca, como ja proposto pelo meu professor. Faço curso de História e sem dúvidas vejo ser necessária uma avaliação histórica mais ampla sobre esta fantástica escola teórica.

    Grande abraço!
  • Tiago RC  30/05/2011 11:18
    Ótimo artigo!

    Discordo porém que todo esquema de pirâmide seja fraudulento. Basta os termos estarem bem previstos em contrato, e não há fraude alguma. O fato de no final das contas a maioria só perder dinheiro não faz do esquema uma fraude. É como uma loteria.
    Claro que o mesmo não vale pra um sistema onde somos obrigados a participar.
  • Russo  30/05/2011 11:32
    Ótimo artigo.

    A solução seria cortar as novas aposentadorias e deixar os que já estão aposentados ganhando seu dinheirinho. E claro, cortar as aposentadorias dos servidores públicos para no máximo 2.500 reais/mês.
  • José Caralho  19/06/2015 13:28
    Servidor público não se beneficia de contribuições do INSS. No caso dos federais, por exemplo, há regime diferenciado e não tem nada relacionado com a aposentadoria da população em geral, regida pela CLT.
  • Osmar Rêgo  19/06/2015 14:22
    Não. A deles é ainda pior.

    Os cerca de 935 mil funcionários públicos aposentados e pensionistas geram um déficit anual de R$ 62 bilhões contra um déficit previdenciário de R$ 35 bilhões ocasionado pelos 28 milhões de aposentados do INSS. E isto leva em conta apenas o setor público federal.

    E olha que nem entrei no fato de que, no INSS, o dinheiro é do trabalhador; já no RPPS, o dinheiro vem da população (afinal, é ela quem, por meio de impostos, paga os salários dos funças). Ou seja, a injustiça é plena.
  • João  30/05/2011 11:38
    Não se preocupem, meus amigos. O Brasil está tomando o rumo certo na economia! A política econômica do governo se espelha em um modelo que já é conhecido pelo imenso sucesso, pela pujança da economia e pela inexistência de problemas com dívidas públicas.
    De que país estou falando? Ora, o Banco Central do Brasil busca inspiração no FED! Portanto, fiquem tranquilos. O Brasil pode acabar ficando como os EUA!
  • Getulio Malveira  30/05/2011 11:40
    Muito bom artigo. O problema foi muito bem exposto. Como o autor muito bem coloca, fica a questão:

    "Mas como fazer essa transição em um sistema que já possui um déficit de oitenta bilhões de reais anuais?"

    Creio que os libertários ou liberais com pretensões políticas devem pensar muito em uma solução viável para o problema. Pessoalmente eu tentaria imaginar uma extinção progressiva do sistema, que não sendo ideal do ponto de vista libertário, ao menos seria politicamente viável, no melhor dos casos.
  • Roberto Chiocca  30/05/2011 12:02
    O Libertários está em ótimas mãos! Parabéns Bernardo!
  • mcmoraes  30/05/2011 12:28
    Santoro disse: "...uma coisa é certa: quando essa bomba-relógio explodir, não haverá dinheiro para ninguém, seja para os aposentados de hoje ou os de amanhã."

    Essa me fez lembrar de uma música do Pink Floyd:

    ...There's an unceasing wind that blows through this night
    And there's dust in my eyes, that blinds my sight
    And silence that speaks so much louder that words,
    Of promises broken
  • Natália Castro  30/05/2011 13:57
    Olá, td bem? li seu artigo, por sinal muito bem escrito, mas que traz uma série de informações incorretas, como por exemplo os percentuais de contribuição sobre salarios dos segurados, a implantação (ou como vc coloca, o aumento da idade mínima) que não se refere a aposentadoria por idade como vc mencionou e sim, a implantação de uma idade mínima para quem cumprir os requisitos da aposentadoria por TC para que assim pudesse ser eliminado o fator previdenciário (esse sim, um paleativo pela não aprovação no CN da idade mínima para esse tipo de benefício, aposentadoria por TC). Isso nada se refere ao benefício de aposentadoria por idade como foi mencionado no artigo, haja vista que este não sofre tanta influência do fator previdenciário, pois ao serem realizados os cálculos (com ou sem fator) será utilizado aquele que for mais benefico ao segurado. Outra coisa que chamou-me a atenção exposto no seu artigo foi o fato de vc ter associado o crime de sonegação de contribuições previdenciárias, um crime que é cometido pelo empregador e não pelo empregado, aos trabalhadores economicamente ativos. Isso é um equívoco enorme pq o que código penal, em seu artigo 337-A intenciona é a proteção ao empregado, que não poderá deixar de rebecer seu benefício pq a empresa sonegou ou se apropriou indébitamente de suas contribuições. Sem falar em outros pequenos deslizes, considerar o regime de repartição simples (adotado não só no Brasil como em outros países) como um esquema fraudulento é uma tese no mínimo duvidosa. Que esse regime precisa ser revisto, todo mundo sabe.. devido o envelhecimento da população, se tornará em pouco tempo um sistema realmente ineficaz. Eu disse ineficaz e não fraudulento. Outro equivoco que vc cometeu foi ao dizer que os benefícios dos RPPS são uma média que se torna quase uma totalidade da remuneração e que esses beneficios sao ajustados pela inflação. Ora, tanto os beneficios do RGPS quanto do RPPS são justados pelo mesmo índice, o INPC, para assegurar o poder de compra (poder aquisitivo do benefício) e isso é uma garantia constitucional. Enfim, dizer que a PS é um esquema piramidal que tem o único intuito de fraudar o contribuinte é um engano terrível da sua parte. O INSS, autarquia a quem vc se referiu como o antro de corrupção do sistema tira da linha de pobreza milhares de pessoas anualmente.. pessoas pobres, idosos e deficientes, incapazes de prover o seu sustento ou tê-lo mantido por sua família, esses sim , sem contrubuição alguma para o sistema. Que é necessario o debate sobre nossa PS .. sim, e muito.. mas com informações corretas e não induzindo o leitor a erros e se revoltando com o sistema.. isso não levará a nada. Um debate sério e com idéias que possam realmente fazer a diferença é que eu proponho.\r
    \r
    Natália Castro
  • Bernardo Santoro  30/05/2011 14:37
    Natalia, sobre suas indagações:

    1 - Os percentuais são esses mesmos (7,65% a 20%). Te convido a ver as tabelas em www.mps.gov.br/conteudoDinamico.php?id=313

    2 - A idade mínima é sim para aposentadoria por idade. De fato, além da idade de 65 anos para homem e 60 para mulher, são necessários 10 anos no serviço público e 5 no último cargo. Você se confunde e confunde o leitor desse artigo. Te convido a ver a explicação do governo em www.previdencia.gov.br/conteudoDinamico.php?id=15

    3 -Você teria razão sobre a questão do 337-A se ele fosse restrito somente ao inciso II, que é o recolhimento de previdência por parte do empregador e não repasse ao INSS, já que isso seria apropriação indébita, mas você ignora os incisos I e III que dispõem ser crime não recolher a contribuição (nome altamente impróprio, já que não há voluntariedade) e não avisar ao INSS. Ou seja, não há apropriação indébita mas ainda assim é crime porque você não se apropriou e repassou.

    4 - Sobre o papo de que a previdência é "ineficaz e não fraudulenta", é exatamente o cerne do artigo e eu provei que é um instrumento de fraude. Se você discorda, por motivos certamente políticos, já é outra questão.

    5 - Você diz que eu cometi um equívoco ao dizer que "os benefícios dos RPPS são uma média que se torna quase uma totalidade da remuneração e que esses benefícios são ajustados pela inflação" para depois dizer que o INPC, um dos índices governamentais que supostamente medem a inflação, é o utilizado para reajustar os benefícios do RPPS. Ora, então onde foi que eu errei? Sobre o salário ser uma média, a Lei nº 10.887/2004, no seu art. 1º, estabelece que no cálculo dos proventos de aposentadoria dos RPPS, previsto no § 3º do art. 40 da Constituição Federal e no art. 2º da Emenda Constitucional nº 41/2004, será considerada a média aritmética simples das maiores remunerações, utilizadas como base para as contribuições do servidor aos regimes de previdência a que esteve vinculado, correspondentes a 80% de todo o período contributivo desde a competência de julho de 1994 ou desde a competência do início da contribuição, se posterior àquela.

    De fato, essa é uma regra similar à do RGPS (setor privado), mas sem o teto...

    6 - Depois dessa série de equívocos da sua parte, também muito bem escrita, você volta a defender a previdência social como instrumento político de redistribuição de riqueza. Poderíamos discutir a questão ética da redistribuição de riqueza, pois para mim redistribuição de riqueza moralmente adquirida é roubo. Se isso não fosse suficiente, não há tal redistribuição de ricos para pobres, mas sim de pobres para ricos, pois, como o próprio Friedman demonstra com citação do artigo.

    7 - Demonstrei aqui nessa resposta, com links do próprio governo, que todas as minhas informações estão corretas. E você?

    Abraço!
  • anônimo  04/06/2011 13:39
    rsss.. não confundo não querido.. não existe esse percentual de 7,65% e o MEI contribui com 5% sobre o SM, algo que vc sequer comentou no seu texto.. Quanto ao crime de sonegação de contribuições previdenciárias.. o crime é esse mesmo sonegação e não crime de não filiação como vc define. Mas enfim, há inumeros equivocos no seu texto e discordo de vários aspectos, concordo porém com alguns, a minoria. Enfim, acho que seu artigo não acrescenta grande coisa à uma nova perspectiva para a PS, mas nao quis julgar nem posso, a sua opinião.
  • Antonio C. Petrazzi  04/06/2011 18:44
    Não refutou nada... parabéns.
  • augusto  04/06/2011 20:04
    "Enfim, acho que seu artigo não acrescenta grande coisa à uma nova perspectiva para a PS, mas nao quis julgar nem posso, a sua opinião."\r
    \r
    Ainda nao entendeu. Voce esta esperando uma "nova perspectiva para a Previdencia Social." Aqui nesses site, voce so vai encontrar gente que defende acabar com a Previdencia Social.
  • Bernardo Santoro  04/06/2011 21:25
    Hahahaha, ela continua negando um percentual que eu provo ser o aplicado com um link do governo que ela defende. Você pode achar que meu artigo não contribui para o debate sobre a previdência. Eu poderia dizer que o seu comentário vazio de conteúdo probatório é que não contribui...\r
    \r
    Bem, Natália, se você ainda é jovem, o que posso dizer é que você não vai se aposentar, e viverá sua velhice em um país afundado em dívidas previdenciárias. Talvez nesse dia você se lembre desse posicionamento pró-governo e tenha uma profunda vergonha de si mesma, por ter sido enganada tanto tempo.\r
    \r
    Ah, falando nisso, já que você acha legítimo esse tipo de operação, acho que vou começar uma pirâmide. Faz o seguinte: me dá um milhão de reais e procura seis pessoas que te dêem um milhão. Você lucra cinco e fica feliz. Que tal? Fechou?
  • Fernando Chiocca  05/06/2011 06:26
    É engraçado para nós de Zion, observar as pessoas que ainda não perceberam o óbivio, que o estado é uma entidade exploratória, que o estado não quer ajudar os pobrezinhos, que tudo que o estado faz, e o propósito do estado, desde sua conquista sobre os mais fracosa, foi explorar e explorar. Tipo, coitado desses inocentes....
  • Cerqueira  05/06/2011 16:07
    Fugindo do assunto mas...Zion!???
    Fiquei surpreso com essa.Todos os clichês esquerdistas possíveis sobre o capitalismo estão nesse filme, os irmaos wackowsky só faltam falar com todas as palavras, a matrix É o capitalismo
    Me espanta muito alguém não ver isso.
  • mcmoraes  05/06/2011 19:28
    Espante-se um pouco mais: www.youtube.com/watch?v=P772Eb63qIY
  • Fernando Chiocca  05/06/2011 19:37
    Não sei que clichês esquerdistas você está falando, mas a associação libertária com Matrix é muito comum e famosa...

    A natureza da Matrix
    A Matrix
    Take the Red Pill
    Sou soberano
    neolibertarian
    Ron Paul Is the Matrix
  • Paulo Sergio  11/12/2011 02:03

    'a matrix é o mundo de mentiras que colocaram na sua frente pra vc não ver a verdade: que vc é um escravo'
    Tipo o capitalismo te explora, vc é um escravo, vc não vê a verdade, vc trabalha pra sustentar os parasitas...aka empresários
    Qual é a ocupação do neo? Empregado explorado de uma grande multinacional.
    Os irmãos wackowsky são socialistas convictos, basta ver qualquer dos outros filmes deles

  • Paulo Sergio  11/12/2011 02:29
    Fotos do ocupy wall street:
    www.businessweek.com/magazine/david-graeber-the-antileader-of-occupy-wall-street-10262011.html
    www.mediaite.com/online/homeland-security-warns-that-hackers-may-be-motivated-by-wall-street-protests/

    A máscara do Guy Fawkes foi popularizada pelo filme dos mesmos irmãos wackoswky, V de vingança.
    Tudo que esses caras fazem é infestado de anti capitalismo o máximo que eles podem.Ou melhor, anti o que os esquerdistas acham que é capitalismo.Acho que ninguem aqui viu speed racer, eu vi com o meu sobrinho, é a mesma coisa, o herói é um proletário indefeso lutando contra o sistema e contra os ricões malvados e corruptos.

    Voltando pra matrix, o neo é um empregado explorado de uma multinacional, a ultima esperança que é zion tem um governo e uma hierarquia, o smith e os agentes se vestem como os '1%' exploradores, a decadência da matrix acontece do mesmo jeito que o marx disse que seria a decadencia do capitalismo: uma auto destruição...
  • Thales  05/06/2011 13:47
    A Natália não é uma coitada. Ela, pelo jeito, ou é funcionária de regime estatutário, ou é contratada por indicação política no INSS. Trabalha quatro dias na semana até as 16h e está com a aposentadoria garantida.\r
    Ah, e pelo horário da postagem, fica navegando na internet da repartição na hora do trabalho...\r
  • Bernardo Santoro  30/05/2011 14:51
    Ah, desculpe, na minha resposta "1", o link só dispõe dos percentuais de 7,65% a 11%. O 20% está nesse link, ponto 1.6: "www.receita.fazenda.gov.br/previdencia/formascontrib.htm"
  • jaime horowitz  30/05/2011 16:02
    A previdencia social do Brasil é uma catástrofe.
  • Engenheiro Anti-Cartorios  30/05/2011 16:17
    Como foi que no Chile se extinguiu a previdência social estatal, substituindo a "pirâmide" pela adesão de todos os cidadãos a um plano de previdência privada?\r
    \r
    Lembro que isso foi implementado "na marra" na época do Pinochet, e parece que funcionou... Alguém aí sabe que fim levou o assunto?\r
    \r
  • Leandro  31/05/2011 11:07

    Prezado Engenheiro, a previdência chilena, embora melhor que a brasileira, está longe de ser um modelo, e por um motivo muito simples: ela não respeita a liberdade.

    Um chileno tem 10% de seu salário mensal obrigatoriamente direcionado para uma administradora de fundos de pensão -- quem faz o depósito dos 10% é seu patrão e o teto do salário sobre o qual incide esses 10% é de 22.000 dólares por ano.

    Sendo assim, se o salário sobe, o chileno obrigatoriamente tem de dar mais dinheiro para sua seguradora. Ele não tem a liberdade de escolher a taxa com que quer contribuir, muito menos escolher não contribuir com nada.

    Um chileno tem também a opção de contribuir com mais de 10% de seu salário, sendo esse valor adicional dedutível do seu imposto de renda.

    O chileno também pode escolher qual administradora ele quer para gerenciar sua pensão. Todas essas administradoras são estritamente reguladas pelo governo, que fiscaliza o portfólio delas para assegurar que os investimentos sejam de baixo risco. Entretanto, há liberdade de entrada nesse ramo de fundos de pensão.

    Ou seja, embora o sistema chileno seja mais sustentável que o brasileiro, ele não dá aos chilenos uma genuína liberdade de escolha. Os chilenos são obrigados a direcionar 10% de seus salários para fundos de pensão (caso optem por uma porcentagem maior, ganham dedução no imposto de renda). Tal obrigatoriedade, é claro, serve apenas para garantir a rentabilidade dos fundos de pensão, os quais certamente aplaudem e defendem essa regulamentação estatal.

    O sistema ideal, obviamente, é aquele em que você decide, desde sempre, o que fazer com a totalidade do seu salário. Se você quer aplicar em bolsa, ou deixar na conta-corrente, ou numa conta-poupança, ou colocar em fundos de investimento etc., tudo será uma decisão inteiramente sua, bem como qual porcentagem do seu salário você quer direcionar a tais aplicações.

    Grande abraço!
  • Miguel A. E. Corgosinho  30/05/2011 18:14
    O ambiente no qual estão inserindo a riqueza inexistente das reservas de crédito da poupança, que jaz numa pirâmide sem ninguém ou algum fator determinante, é também uma forma de roubo com adesão estatal.

    Sugiro que seja criada a previdência bancária das coisas que estão no futuro, com o atual sistema de reservas fracionárias, trazendo uma justificativa libertaria: Não a forma do vazio privado!

    Exemplo: Um cidadão paga o primeiro valor da previdência, pelo serviço do banco, e este ultimo credita sete vezes o valor de ninguém para cobertura de alguém das circunstâncias da saúde e das aposentadorias.

    Chega de imposto e ladrão do imposto.
  • Erick Skrabe  31/05/2011 11:55
    Vale a pena mencionar o modelo chileno, um sistema por cotas individuais.

    Foi baseado nas idéias de Milton Friedman e implantado na década de 80. Talvez seja o primeiro caso do tipo no mundo.

    Ok, Milton Friedman tem lá seus deslizes (leia-se monetarismo) e o Chile também, mas existem algumas boas idéias por aqueles lados.
  • Daniel Sabbá  31/05/2011 14:04
    Ótimo artigo Bernardo!

    Faltou voce citar alguns pontos:

    1ºSilviculas agora também possuem direito a aposentadoria mesmo sem nunca terem contribuido.

    Infelizmente as fontes sao vermelhas literalmente: www.vermelho.org.br/am/noticia.php?id_noticia=115153&id_secao=52

    2ºO mesmo vale para donas de casa, as atuais nao terao que contribuir, mas as proximas sim.
    www.aposentadoriabrasil.com.br/saibamais_apos_dona_casa.asp

    3º O exemplo do chile, como pinochet contornou o problema da previdencia publica, a EXTINGUINDO-A.
  • Fernando Araujo  31/05/2011 18:54
    Concordo com o comentário acima.O Libertários está em ótimas mãos.Parabens pelo excepcional artigo.

  • Bernardo Santoro  01/06/2011 11:43
    Fernando Araújo e Roberto, agradeço os elogios e tenho certeza de que vamos espalhar a ideia libertária por todo o país, juntamente com o IMB e outras entidades.
  • joao martins  03/06/2011 11:46
    O sistema de aposentadorias pelo INSS foi criado na época do Pres. Getúlio Vargas, e é o sistema universal cuja equação é tão complicada que não saberia exprimi-la aqui. Mas basicamente consiste em 3 partes, uma paga pelo empregado, outra pelo empregador e outro pelo Estado. Basicamente consiste em arregimentar uma poupança durante 35 anos de trabalho, administrando tal fundo de maneira que corrigido monetariamente e com os respectivos juros durante os 35 anos, o montante seja suficiente para arcar com o beneficio futuro. Se fosse levado à risca por pessoas idôneas, o sistema funcionaria perfeitamente.
    O governo brasileiro aplicou esses recursos em diversas modalidades, entre elas as obras faraônicas para à epoca, como ITAIPU, RODOVIA TRANSAMAZONICA, PONTE RIO NITERÓI etc.., e depois de prontas, elas deveriam devolver ao INSS os valores originais mais os juros e correção monetária, o que provavelmente não tenham acontecido. Todos os fundos de pensões funcionam assim e dão certo, pois são geridos de forma profissional.
    No Brasil, as leis também não ajudam o fundo, pois deveriam ser proibidos o acesso e uso do INSS por pessoas que nunca contribuiram. As pessoas que já recebem qualquer tipo de aposentadoria, deveriam ser excluidas do recebimento do INSS, pois trata-se de injustiça social e má distribuição de renda, pagar mais de uma aposentadoria a um cidadão enquando outros não recebem nada ou ficam à mercê de o fundo não se sustentar até à epoca da sua aposentadoria. Se queremos um Brasil socialmente mais justo com distribuição de renda e devolver seriedade ao INSS, devemos nos debruçar somente no exposto acima, sem desvios de intenções ou qualquer outra forma de desculpas, forjando algo que não é verdade, como se tem visto na imprensa.
  • Joao  05/06/2011 11:23
    Se fosse levado à risca por pessoas idôneas, o sistema funcionaria perfeitamente.

    Não, não funcionaria. Não funciona em nenhum lugar do mundo. A conta não fecha e uma maior eficiência simplesmente faria com que o colapso desse sistema fraudulento demorasse mais. Ou seja, ao invés de você sofrer as conseqüências, seus filhos é que sofrerão. O custo político de deixar a conta para ser paga daqui a 50 anos é muito menor do que simplesmente ser realista e deixar de torrar dinheiro agora. E é por isso que ninguém dá muita bola para o problema, ou, como você, finge acreditar que é só um problema de má aplicação dos recursos.
  • Madson Santos  04/06/2011 23:32
    Prezado Bernado,

    Li o artigo, gostei e fui dialogar com um amigo meu sobre o tema, estava no domínio da situação até que ele me fez uma pergunta do qual eu fiquei pasmo.

    Como ficaria a situação dos inválidos em outro sistema se não fosse o nosso?

    largados a deriva, dependendo de caridade, como?

    fiquei sem resposta pra dar a ele, ficaria muito grato se me explica-se.


    abraços.
  • Bernardo Santoro  05/06/2011 11:09
    A primeira coisa que você deve explicar é que os inválidos de nascença não são contemplados pela aposentadoria por invalidez. Esse tipo de aposentadoria só ocorre por conta de doença ou acidente quando você já trabalhava e contribuia para a previdência. No caso da doença, há carência de 12 meses. No caso do acidente, não há carência.\r
    \r
    Essa é a primeira situação preocupante do ponto de vista contábil: se não há carência, não houve muita contribuição do inválido. Em regra ele será suportado pelo pagamento de outras pessoas, pelas demais contribuições e pelos impostos, o que não é uma coisa muito ética, e acaba levando pro mesmo esquema citado.\r
    \r
    Minha solução é muito simples: em um mundo com menos ou nenhum imposto, toda pessoa previdente faria um seguro contra esse tipo de infortúnio, seguro esse gerido por uma empresa privada que sabe os riscos da álea em faz um cálculo atuarial para tanto. Se nada acontecesse, ele renovaria o seguro. A própria entidade de previdência privada também poderia prestar tal seguro. Se algo acontecesse, ele receberia o prêmio e viveria desse dinheiro, precisando ser previdente e investindo a quantia.\r
    \r
    Além disso, entidades de caridade privadas e a própria família o ajudariam, pois teriam dinheiro sobrando por conta da falta do roubo em larga escala perpetrado pelo Estado. \r
    \r
    Espero ter respondido à questão.\r
    \r
    Abraço!\r
    \r
    \r
  • @negoailso  05/06/2011 09:32
    tomar dinheiro das pessoas [tomam, sim, a contribuição não é voluntária] sob a desculpa de que, lá na frente, vão prover aposentadoria sendo que, quando mais gente se aposentar, a conta não vai fechar não é simplesmente ineficiência, cara natália castro, é FRAUDE MESMO
  • Madson Santos  05/06/2011 13:10
    Prezado Bernado,

    Eu acreditava que no nosso sistema previdenciario os deficientes físicos tinham direito a aposentadoria mesmo sem ter trabalhado. Não vejo a hora de retomar o debate com meu amigo.

    grato pela explicação, muito exclarecedora.

    abraços
  • anônimo  06/06/2011 02:58
    porque estatistas adoram siglas?, é sensacional a quantidade delas no texto da natália.
  • mcmoraes  06/06/2011 13:54
    Isso se assemelha ao uso de fumaça e espelhos, para confundir e dispersar a atenção do interlocutor.
  • salwensko  09/06/2011 22:20
    Discordo. O autor do artigo induz o leitor a erro, pois o valor do benefício a ser pago a quem contribui é uma média sobre suas contribuiçoes, corrigidas monetariamente. Voce irá receber por aquilo que voce contribui. Não irá receber graças ao trabalho de outrem. E nem nós pagamos o valor das aposentadorias com nossos impostos. Quem está aposentado hoje, contribuiu no passado e recebe pelo quanto contribuiu. Gracias.
  • Absolut  09/06/2011 23:04
    Prove com fontes
  • mcmoraes  09/06/2011 23:15
    Essa me fez lembrar de um conhecido meu, que hoje tem 92 anos. Ele se "encostou" aos 40...
  • Fernando Chiocca  09/06/2011 23:20
    salwensko, e se alguém tiver recebido já está média aí do que contribuiu e ainda não tiver morrido? E se, digamos, ele continuar vivo por mais 10, 20, 30 anos depois? Para de receber?

    É assim? Se não for, corrija este erro que seu comentário me induziu e diga como fazem essa média e o que fazem em relação aos que se atreverem a não morrer na "hora certa".

    PS: É sério que você acha que funciona assim ou você estava brincando?
  • Tiago  10/06/2011 04:54
    Rapaz, o valor pode ser calculado de acordo com o que foi roubado da vítima no passado, mas a grana pra pagar o benefício de hoje vem diretamente dos roubos feitos pelo INSS hoje. É assim que o sistema funciona, não é um sistema de poupança onde seu dinheiro fica guardado/investido para ser consumido no futuro.
    Isso é meio básico, todo mundo sabe que o INSS funciona assim.
  • augusto  10/06/2011 09:11
    Eh nisso que da a inexistencia de contratos. As pessoas "contribuem", mas nao sabem bem pra que. E depois, ficam na expectativa de receber alguma coisa, mas nao sabem exatamente quanto ou mesmo quando.\r
    \r
    salwensko, eu lamento te informar, mas a Previdencia *nao* funciona da forma que voce descreveu. Como disse outro comentarista, o seu "beneficio mensal" eh calculado em funcao das suas contribuicoes feitas, mas o dinheiro sai de uma conta comum. E voce recebe o mesmo valor ate a morte.\r
    \r
    Infelizmente, pouca gente parece saber disso. As que sabem, parecem nao entender as consequencias desse sistema. Sempre que eu explico, as pessoas ficam meio chocadas.
  • Bernardo Santoro  10/06/2011 10:08
    O Tiago já respondeu por mim. É realmente fantástico como as pessoas não entendem que a sua "contribuição" não vai para um fundo, e sim para o orçamento corrente do Estado.
  • Leandro  10/06/2011 10:26
    Pela teoria do salwensko, todo mundo pode perfeitamente parar de pagar o INSS hoje, que isso não irá afetar em nada quem já está aposentado -- afinal, segundo o salwensko, o dinheiro dos aposentados está aplicado em um fundo, gerido com muita competência pelo governo (quando na verdade todo o dinheiro arrecadado pelo INSS é gasto pelo governo para cobrir parte de seu orçamento).

    E quem pensa assim como o salwensko é realmente a maioria da população.
  • Guilherme Marinho  15/08/2011 10:30
    Pasmen!\r
    Governo define contribuição maior para pedir aposentadoria \r
    www1.folha.uol.com.br/poder/959762-governo-define-contribuicao-maior-para-pedir-aposentadoria.shtml
  • Steve Ling  25/08/2011 12:20
    Tem ainda o agravante que é a bondade dos nossos legisladores que permitiram que muitos que nunca contribuíram recebessem benefícios como no caso da Aposentadoria Rural. Muitos desses beneficiários viraram os "bons partidos" de suas cidades e se casaram com mulheres muito mais novas e após a morte dos mesmos a viúvas jovens se tornaram pensionistas. Nada contra o homem do campo apenas contra a bondade com chapéu alheio.
  • Alexandre M. R. Filho  05/09/2011 05:35
    Caríssimos (especialmente Leandro e Bernardo),\r
    \r
    tem um amigo meu que diz que a previdência é necessária e deve ser estatal e compulsória por causa do exemplo Chile, que provaria isso.\r
    \r
    O que aconteceu com a previdência pública chilena? Existe algum texto sobre o assunto?
  • Leandro  05/09/2011 06:36
    Prezado Alexandre, por favor, veja a minha resposta ao leitor "Engenheiro Anti-Cartorios", aqui mesmo na seção de comentários deste artigo.

    No mais, até onde sei, a previdência chilena continua sendo uma das mais sustentáveis do mundo.

    Grande abraço!
  • joao martins  29/02/2012 16:39
    Infelizmente não podemos concordar com o artigo, pois do jeito que aparece a piramide, não vai nascer mais ninguem para trabalhar e contribuir e ninguem mais vai morrer, pois o pais todo vai ser aposentado!!!!
    Exageros à parte vamos aos ao cerne da questão. A verdade nua e crua é uma só, tirar TODO MUNDO QUE NÃO CONTRIBUIU COM 35 anos de trabalho, senão a formula econômico-financeira que mantem o sistema de previdência universal, não funciona, não fecha e não dá certo. (PESQUISEM O TAMANHO DA EQUAÇÃO) EXEMPLOS: Não permitir que senadores, deputados, governadores, juizes, vereadores, desembargadores que se aposentam com somas milionárias, recebam do Inss. Desvincular o sistema de saude da previdencia, pois muitos que usam o sistema de saude, não contribuiram com nada para a previdência.Tirar tambem todos os milhões de trabalhadores rurais q não deram um tostão, e isso é problema dos politicos que aprovaram a constituição de 1988. Tambem tem o casal, se já existe um beneficiário não podemos deixar ele receber pensão do parceiro quando morrer, isso tem de mudar. Não permitir tambem que os aumentos de salario minimo beneficiem os Fundos de Pensão DAS ESTATAIS, pois eles apenas complementam o valor do INSS, quanto mais o governo aumenta o salario do INSS, menos os Fundos participam com a complementação da renda do aposentado. Desvincular o funcionário publico, pois eles ganham o céu é o limite e na previdência nós temos o TETO de 5 salários minimos. Cobrar das empresas, ITAIPU, RODOVIA TRANSAMAZONICA, PONTE RIO NITEROI, FERROVIA DO AÇO, SIDERUGICAS, METRô E OUTRAS ÁREAS DO GOVERNO que usaram o dinheiro do INSS, e que seja devolvido com juros e correção monetaria, pois usaram o dinheiro do INSS como se fosse a fundo perdido. Zerar o roubo, o desvio e a gatunagem que surrupia sei la quanto do INSS. Fazer uma racionalização dos predios monstruosos em locais super valorizados, onde se mantem a administração e atendimento do INSS e por conseguinte um enxugamento do quadro de funcionários que deve ser uma tremenda maquina de gastar dinheiro, veiculos, combustiveis, viagens, etc.... Passar a gerência dos recursos do INSS E TODA A MAQUINA para um grupo de profissionais de varias empresas privadas como é feito com a gestão dos FUNDOS DE PENSÃO PRIVADOS, sem ingerência do governo e dos politicos. Aprovar uma lei, que seja punido quem surrupiar dinheiro do INSS sem direito a habeas corpus, com perda total dos bens. Divulgar na Internet todas a despesas e receitas da grande MAQUINA INSS, ou seja, abrir a caixa PRETA. O Inss tá quebrado? tem que consertar!!! Se fizerem os consertos que citei, vai sobrar dinheiro e a PIRAMIDE VAI INVERTER. Tem mais cortes, mas vou parar por aqui, pois fico enojado quando desvirtuam as coisas sérias.
  • JC  29/02/2012 17:37
    Você aparentemente ainda está em estado de choque e não se deu conta do básico: não há o tal 'dinheiro do INSS'. O dinheiro sai de quem paga para o fundo, e daí para quem recebe.

    Para quem paga, é uma espécie de imposto que te qualifica a fazer parte do grupo que recebe, se cumprir certos requisitos - que como você viu, possuem várias brechas.

    Para o outro que paga escondido, o empregador, é uma espécie de ICMS que eles tem que pagar por terem empregado você. Cada vez que empregam alguém, precisar dar 20% deste salário para o esquema.

    Para o outro grupo, que está à receber, o INSS é uma espécie de bolsa-família, porque não tem nada a ver com o SEU dinheiro, como aquela parcela que entrou em 1995 e foi consumida imediatamente em 95.

    E se fechar no vermelho, o estado vai fazer um papagaio e pagar por esta assistência social.

    Os pensionistas conhecem bem esta realidade, de não ter status nenhum, de não ter direito nenhum baseado em suas contribuições, dependento exclusivamente do jogo coercitivo da mobilização política. A percepção é correta. Mas autoridade nenhuma teve a coragem até hoje de lhes dizer estas verdades, que o status deles não é o de alguém que tem uma 'conta', mas o de recipientes de assistência social.

    Gerir um sistema de pensão como um fundo privado com contas é o que querem muitos liberais. E como provavelmente pensa que é um grande número de brasileiros. Defasar o sistema atual enquanto ainda é possível.

    Recuperar supostos créditos de projetos e empresas falidas é uma dessas propostas sem pé-nem-cabeça e que frequentemente aparecem do lado dos que defendem o atual sistema. Vamos cobrar então a ENCOL, a VARIG, a TRANSBRASIL... Obviamente não há chance alguma disso acontecer. E se em algum tempo o INSS tinha um caixa e isso foi injetado em alguma obra que não quebrou, com certeza já foi contabilizado.

    Funcionários públicos como explicado no artigo tem uma situação mais bizarra ainda, com descontos de 'inativos' e salários integrais, como se ao invés de aposentado o cara fosse um funcionário fantasma. Não recebem seus benefícios do INSS, só até o limite, bem abaixo do que eles recebem.

    INSS é para os pobres mortais do setor privado, e, infelizmente, para pessoas que não fizeram outras provisões, cairam no conto do vigário e hoje precisam desta grana. É muito mais difícil de reformar abruptamente.

    Todas as reformas que você citou serviriam para equilibrar as entradas e saídas e assim ganhar mais um tempo - e em todo caso te queimariam vivo apenas por tocar em algumas delas.

    E mesmo assim quebra, quando se inverte a outra pirâmide, a pirâmide etária. Veja no caso da China : quatro avós para cada trabalhador jovem. O sistema atual significa este trabalhador sustentando, digamos, três dos seus avós. Quantas pessoas extra é possível sustentar com o salário de um chinês, fora sua mulher e filhos?

    Sem CAPITALIZAÇÃO não vale à pena. Esquemas de pirâmide frequentemente tentam passar por investimentos, onde há alguma forma de retorno anual. A situação de equilíbrio que você deseja seria extremamente insatisfatória para todas as partes envolvidas.

    Porque você precisa de umas dez pessoas contribuindo com 50R$ para dar os 500R$. Se fosse 1:1, esse cara nem trabalharia, porque se o fizesse seria praticamente seu escravo. E você por outro lado teria uma renda de subsistência.

    Sobre esse tema recomendo também a leitura dos livros do Fábio Giambiagi, que não é 'Miseano' mas estudou exaustivamente esse assunto.
  • Jorge C.Moreira  08/07/2012 11:22
    Excelente artigo, boa comparação da Prev.social brasileira e o sistema de piramide,entretanto faltou o articulista mencionar os desvios de recursos da Prev.social para outros fins:1. A PREVIDÊNCIA SOCIAL NO BRASIL
    A Previdência Social no Brasil surge na forma de caixas de aposentadoria e pensão em 1923. Antes disso, existiam caixas ou sociedades de ajuda mútua formadas pela iniciativa dos próprios trabalhadores.
    Na década de 30 foram criados os institutos de aposentadoria e pensão por categoria de trabalhadores.
    Somente em1966, com a fusão dos IAPs, é que se cria no Brasil um ente previdenciário unitário, então chamado Instituto Nacional de Previdência Social (INPS).

    2. OS RECURSOS DA PREVIDÊNCIA PERMITIRAM A INSTALAÇÃO DAS INDÚSTRIAS DE BASE NO PAÍS
    No início, o sistema previdenciário brasileiro tinha muitos contribuintes e poucos aposentados, o que tornava a Previdência altamente superavitária. Porém, estes recursos não foram mantidos em um fundo para atender aos futuros aposentados, mas foram desviados para a construção de diversas obras, por sucessivos governos.
    Esses recursos viabilizaram a criação da Carteira Agrícola e Industrial do Banco do Brasil;
    a construção da Companhia Siderúrgica Nacional(CSN); da Companhia Hidrelétrica do São Francisco (CHESF); da Companhia Nacional de Álcalis (CNA); da Fábrica Nacional de Motores (FNM); da criação do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico (BNDE); a construção de Brasília, da Ponte Rio Niterói e da Itaipu Binacional, dentre outros exemplos..
    3. Outras saidas do caixa da prev.social (sem que tenha sido feito contribuições e/ou aporte de recursos - uma verdadeira sangria aos cofres publicos); bolsas eleitoreiras - bolsa ditadura-com indenizações de mais de R$ 1,5 milhão a cada beneficiado, além de uma aposentadoria superior ao teto de pagto do INSS, bolsa-familia,etc.
  • Jorge C.Moreira  08/07/2012 11:52
    E os maiores devedores da Prev.Social, que o Governo Federal não cobra por conveniência(empresas do governo,Prefeituras,grandes times de futebol,etc..)
    caranovanocongresso.blogs.sapo.pt/tag/previd%C3%AAncia+social
  • Christiano Di Paulla  11/09/2012 19:04
    E com relação a previdência privada?! Ela sofre o mesmo problema de piramides?! Qual seria a solução: o fim do sistema de previdência?!
  • Leandro  11/09/2012 20:18
    Previdências só existem porque a moeda perde poder de compra ao longo dos anos com a inflação. Caso não houvesse inflação, o governo não teria qualquer justificativa para obrigar as pessoas a darem seu dinheiro para ele (donde se conclui que é do interesse do governo manter uma destruição constante do poder de compra da moeda, pois assim ele tem "argumentos" para implantar sistemas confiscatórios para benefício dele próprio, como a Previdência).

    Sendo assim, a primeira e essencial medida seria interromper em definitivo toda e qualquer expansão monetária. Isso, e somente isso, já tornaria desnecessário qualquer tipo de previdência compulsória, seja ela estatal ou privada (a previdência privada chilena, por exemplo, é compulsória; o governo obriga que você contribua). Afinal, dado que a moeda agora ganharia poder de compra com o tempo, os infindáveis debates sobre a reforma da previdência virariam mera curiosidade masoquista. Bastaria apenas o indivíduo deixar seu dinheiro parado e este ganharia valor com o tempo.

    Feito isso, você, e apenas você, irá decidir o que fazer com o seu dinheiro, bem como a melhor maneira de poupar para a sua velhice. Agora, se você acha que os burocratas do Ministério da Previdência gerenciam seu dinheiro melhor do que você próprio, você é livre para dar todo o seu dinheiro para eles. Apenas não aponte uma arma para a cabeça dos outros e os obrigue a fazer aquilo que você julga ser o melhor.
  • Julio dos Santos  11/09/2012 22:20
    Não senhor, Christiano, a previdência privada não é em sistema de pirâmide.
    A remuneração futura dependerá da aplicação de hoje e quem está sendo remunerado hoje recebe o aplicado no passado (um valor corrigido é claro, mas proporcional ao aplicado).
  • Roberval  18/04/2013 19:28
    Boa tarde,eu concordo com o artigo,mais estou com uma duvida.
    Esses dias eu estava conversando com um cara sobre isso e o mesmo alegou que pagar inss é um investimento,pois pelas contas que fizemos,se eu começar a contribuir com 20 anos por exemplo com R$60,00 ao mês que seria o minimo durante 35 anos daria um total de R$21600,00;e eu venceria o prazo com 55 anos de idade,considerando que o sujeito só pode receber a aposentadoria com 65 anos,isto é,ele termina de contribuir antes do prazo para se aposenta;mais tem uma coisa;tipo,se depois de aposentado,recebendo o salario minimo até o fim da vida,que hoje é de 650,00 se não me engano,em 3 anos o investimento do sujeito não se pagaria e ele não estaria sendo beneficiado pelo estado? Ele,digamos assim,não ficaria no prejuízo e sim no "lucro",correto?
    E outra,caso a previdência quebre como falam por ai,por ela ser do estado,o estado não tem que garantir a previdência mesmo não querendo para não causar problemas ou o estado pode simplesmente se negar a pagar a previdência do nada,sera que isso existe?
    Sou autonomo e não pago previdência a um tempo,sera que é aconselhável a pagar ou eu pegar os R$60,00 da previdência e investir em ações ou outro investimento,o que a escola austríaca aconselharia nesse caso?
  • Leandro  18/04/2013 19:43
    Prezado Roberval, no que tange à Previdência Social, aquilo nada mais é do que um esquema Ponzi. O dinheiro que você dá ao INSS hoje é imediatamente gasto com quem já está aposentado. Ao contrário do que muitos pensam, seu dinheiro não é aplicado em lugar nenhum; ele é gasto.

    Ainda assim, tal arranjo será duradouro enquanto a quantidade de pessoas colocando dinheiro nele for maior do que a quantidade de pessoas retirando seu dinheiro dele. Em termos práticos, isso significa que a quantidade de pessoas na ativa, contribuindo para o INSS, tem de ser muito maior do que a quantidade de pessoas aposentadas, que recebem dinheiro do INSS. Enquanto este arranjo durar, o esquema se mantém.

    O problema é que, por causa da acentuada mudança demográfica que vem ocorrendo no Brasil, com taxas de fecundidade em forte declínio, chegará um momento em que a quantidade de trabalhadores será relativamente pequena em relação à quantidade de aposentados. Aí a matemática não vai mais fechar.

    Note que isso nem é questão de ideologia; é questão de contabilidade. Se há 10 trabalhadores contribuindo para sustentar 1 aposentado, a situação é tranquila e este aposentado viverá confortavelmente. Porém, se houver apenas 2 trabalhadores para sustentar 1 aposentado, aí a situação fica desesperadora. Ou esses 2 trabalhadores terão de ser tributados ainda mais pesadamente para sustentar o aposentado, ou o aposentado simplesmente receberá menos (bem menos) do que lhe foi prometido.

    Sendo assim, para você se aposentar daqui a várias décadas e receber tudo o que lhe foi prometido hoje pelo INSS, a mão-de-obra jovem do futuro terá de ser ou muito numerosa (uma impossibilidade biológica, por causa das atuais taxas de fecundidade) ou excessivamente tributada (algo que não é duradouro).

    Para piorar a situação, vale lembrar que o Brasil ainda é um país majoritariamente jovem por causa da explosão demográfica das décadas de 1960, 70 e 80 (ou seja, tem farta mão-de-obra ativa para sustentar poucos aposentados) e as contas da Previdência já não estão fechando. Imagine então quando ficarmos mais velhos.

    Quanto a "o governo garantir", isso não existe. O governo não é uma entidade divina, alheia às leis da economia. Quando a demografia se impuser e a matemática não mais fechar, o governo nada poderá fazer quanto a isso.

    Haverá um calote.

    Abraços!
  • Gustavo  07/08/2013 19:37
    Vale atualizar o artigo com a criação do Funpresp pela Lei nº 12.618, de 30/04/2012.
  • Guru da Grana  08/08/2013 03:37
    Ótimo texto. Algumas semanas atrás escrevi sobre o mesmo assunto no meu blog, em: gurudagrana.com.br/2013/07/19/mini-post-inss/
  • Jaime  20/08/2013 23:45
    Lendo o texto eu fiquei me perguntando , quem foi o "gênio' que propos que aqueles que não "contribuiram" em nada iriam receber a tal aposentadoria !!! , Um sistema errado desde a sua criação .
    Como foi dito no texto a forma correta seria o trabalhador pagar pela sua própria aposentadoria , a qual o beneficiário único e exclusivamente é ele mesmo.
  • Rodrigo  09/05/2014 20:59
    Sei que não tem muito haver com o assunto, mas porque as mulheres se aposentam mais cedo???

    Sempre tive essa dúvida.
  • anônimo  18/11/2014 11:36
    Porque eles sabem que elas são mais frágeis, e essa conversa de igualdade igualdade em tudo é só na hora dos bônus, nunca do ônus.
  • Luciano A.  10/08/2014 23:18
    Conversei com algumas pessoas sobre esse assunto da previdência brasileira ser deficitária e um amigo meu respondeu que o que importa é que a seguridade social como um todo dá superavit.

    Seria assim: O Ministério da Previdência tem resultado negativo porque só contabiliza como receita as "contribuições", porém se considerarmos as receitas de COFINS, CSLL,PIS/PASEP, Correção do FGTS e Concursos de Prognósticos resultaria em arrecadação muito maior.

    Além da Previdência, outros ministérios da seguridade usam essas receitas como o da Saúde e o do Desenvolvimento Social e Combate à Fome, e ainda sim o sistema de seguridade como um todo obtêm saldo positivo a ponto de parte dessas receitas serem utilizadas para outros fins (outros ministérios e pagamento do serviço da dívida pública).

    A minha dúvida: essa argumentação dele é correta? No que isso muda a questão da crise da previdência?

    Pelo que eu pesquisei na internet, ele não é único que fala isso.
  • Camargo  11/08/2014 11:59
    Esse "argumento" é totalmente nonsense. O que tais pessoas estão realmente dizendo é que, considerando as receitas do governo com vários impostos, e alocando-se todas essas receitas para a Previdência, então a previdência se torna superavitária.

    Ora, utilizando essa "lógica", todo e qualquer gasto governamental se torna superavitário. Se considerarmos todas as receitas do governo, eu posso dizer que os salários do funcionalismo público do judiciário (o mais bem pago) não apenas são superavitários como também podem receber generosos aumentos, pois há "caixa" para bancar este aumento.

    O fato é que o governo criou impostos específicos para cobrir toda a seguridade social, e sem recorrer a truques contábeis, as receitas destes impostos são menores do que as despesas do governo para estes gastos. Isso não é economia e nem ideologia; é contabilidade pura.
  • Regis Nunes Vargas  07/11/2014 15:18
    Boa tarde Bernardo. Com relação ao final do texto. "Um sistema ético e eficiente passa necessariamente por um sistema de aposentadoria por capitalização, ou seja, o que o trabalhador paga para esse sistema falido não seria descontado, podendo o próprio trabalhador decidir se quer aplicar em um fundo de pensão privado com boas taxas de investimento..." O que você chama de aposentadoria por capitalização, desculpe-me minha provável ignorância, mas não tem nada a ver com plano de previdência complementar certo? Porque eu tenho na minha família gente que pagou este tipo de plano e já está há mais de 20 anos na justiça sem receber um centavo.
  • Malthus  07/11/2014 15:50
    O trabalhador deve ter o direito de fazer o que quiser com a totalidade do seu salário. Ele não deve ser obrigado a, contra sua vontade, direcionar uma fatia do seu salário para o INSS. E nem para nenhuma previdência privada.

    Não defendemos a compulsoriedade de nenhuma previdência (pública ou privada). Defendemos a total liberdade de o trabalhador fazer o que quiser com todo o seu salário, sem ser obrigado a participar de nenhum esquema compulsório de pirâmide e redistribuição.

    P.S.: qual o nome do fundo que tungou sou familiar? Coloca o nome aqui.
  • Roberto Vieira Cavalcanti  18/11/2014 01:00
    Baseado em que você afirma que os que aposentaram no inicio não contribuíram? A visão correta é que os pagamentos de hoje seriam investidos para garantir a aposentadoria de amanhã, se o governo não fez isso, me parece que usou os recursos para construir Brasília, a Ponte Rio-Niterói e outra obras. De um modo geral esses foram os investimentos feitos com o dinheiro dos aposentados em benefício, teoricamente, de toda a população. Nesse caso o governo tem a obrigação de fazer a restituição desse dinheiro aos aposentados, doa a quem doer, menos a eles.
  • Leandro  18/11/2014 03:53
    "A visão correta é que os pagamentos de hoje seriam investidos para garantir a aposentadoria de amanhã,"

    Não, isso nunca ocorreu. O sistema nunca foi desse jeito.

    O dinheiro que você dá ao INSS hoje é imediatamente gasto com quem já está aposentado. Ao contrário do que muitos pensam, seu dinheiro não é aplicado em lugar nenhum; ele é gasto. Se o dinheiro fosse aplicado, seria um sistema de capitalização. Como ele é apenas redirecionado, trata-se de um sistema de redistribuição.

    Ainda assim, tal arranjo será duradouro enquanto a quantidade de pessoas colocando dinheiro nele for maior do que a quantidade de pessoas retirando seu dinheiro dele. Em termos práticos, isso significa que a quantidade de pessoas na ativa, contribuindo para o INSS, tem de ser muito maior do que a quantidade de pessoas aposentadas, que recebem dinheiro do INSS. Enquanto este arranjo durar, o esquema se mantém.

    O problema é que, por causa da acentuada mudança demográfica que vem ocorrendo no Brasil, com taxas de fecundidade em forte declínio, chegará um momento em que a quantidade de trabalhadores será relativamente pequena em relação à quantidade de aposentados. Aí a matemática não vai mais fechar.

    Note que isso nem é questão de ideologia; é questão de contabilidade. Se há 10 trabalhadores contribuindo para sustentar 1 aposentado, a situação é tranquila e este aposentado viverá confortavelmente. Porém, se houver apenas 2 trabalhadores para sustentar 1 aposentado, aí a situação fica desesperadora. Ou esses 2 trabalhadores terão de ser tributados ainda mais pesadamente para sustentar o aposentado, ou o aposentado simplesmente receberá menos (bem menos) do que lhe foi prometido.

    Sendo assim, para você se aposentar daqui a várias décadas e receber tudo o que lhe foi prometido hoje pelo INSS, a mão-de-obra jovem do futuro terá de ser ou muito numerosa (uma impossibilidade biológica, por causa das atuais taxas de fecundidade) ou excessivamente tributada (algo que não é duradouro).

    Para piorar a situação, vale lembrar que o Brasil ainda é um país majoritariamente jovem por causa da explosão demográfica das décadas de 1960, 70 e 80 (ou seja, tem farta mão-de-obra ativa para sustentar poucos aposentados) e as contas da Previdência já não estão fechando. Imagine então quando ficarmos mais velhos.

    Quanto a "o governo tem a obrigação de fazer a restituição desse dinheiro aos aposentados, doa a quem doer,", isso não existe. O governo não é uma entidade divina, alheia às leis da economia. Quando a demografia se impuser e a matemática não mais fechar, o governo nada poderá fazer quanto a isso. O dinheiro não está investido em lugar nenhum. Ele já foi gasto.

    Haverá um calote.

    Poupe desde já.
  • Felipe  18/11/2014 11:58
    "Poupe desde já."

    Como um trabalhador médio consegue poupar?

    Além dos inúmeros impostos e encargos que ele tem que pagar (40% da sua renda)
    O trabalhador ainda está constantemente pedendo dinheiro para inflação
    É obrigado pelo estado a comprar apenas produtos nacionais caros e ruins.

    E se não baste ele ainda tem que pagar:
    Prestação de casa/aluguel, mensalidade escolar, plano de saúde, prestação de carro, assinatura de tv a cabo e internet, e outras inúmeras contas ...

    E se sobra algo ele ainda vai querer pagar por algum lazer, como uma viagem.

    A onde um trabalhador conseguirá poupar alguma coisa?
  • Leandro  18/11/2014 13:56
    Pois é. E a isso tudo acrescente o fato de que ele não receberá sua aposentaria daqui a algumas décadas.

    Por isso a nossa função aqui no IMB é educar as pessoas sobre todas essas políticas que aniquilam o poder de compra do trabalhador: a inflação gerada pelo conluio entre Banco Central e sistema bancário, protecionismo, carga tributária e regulação do mercado via agências reguladoras que atuam em prol de grandes empresas e contra a livre concorrência.

    Por isso defendemos uma moeda forte (a qual simplesmente acabaria com a necessidade de qualquer previdência social compulsória, dado que a inflação de preços praticamente acabaria), o fim de todo e qualquer protecionismo, a redução (e eventual extinção) da carga tributária, e a livre concorrência pura.

    Caso ao menos metade disso não ocorra, não há solução.
  • Silvio  18/11/2014 18:51
    Por isso a nossa função aqui no IMB é educar as pessoas sobre todas essas políticas que aniquilam o poder de compra do trabalhador: a inflação gerada pelo conluio entre Banco Central e sistema bancário...

    Fiquei um pouco confuso agora. Embora (graças ao senhor, obrigado) consiga entender o atual mecanismo de injeção de dinheiro na economia, pelo que me lembro, a inflação não era interessante para os banqueiros, pois os bancos precisam receber um dinheiro que valha alguma coisa quando os tomadores efetuarem os pagamentos de seus empréstimos.

    Assim sendo, pergunto: qual o interesse dos bancos de manter uma inflação, mesmo que pequena?
  • Leandro  18/11/2014 20:18
    Bancos, por definição, produzem inflação. Quando eles concedem crédito, eles o fazem por meio da simples criação de dinheiro. E criação de dinheiro é a definição própria de inflação.

    Portanto, por uma questão de lógica pura, podemos dizer que os bancos ganham ao produzir inflação. Se os juros cobrados forem bem superiores ao aumento dos preços, então o lucro é garantido.

    Ponto.

    Por outro lado, produzir uma hiperinflação não é do interesse deles, e por todos os motivos que já citei em outros artigos. Imagine que você é um banqueiro. Você sabe que, se você gerar uma hiperinflação, os empréstimos que você conceder serão quitados com um dinheiro sem nenhum poder de compra. A hiperinflação, por definição, acontece em um período de poucos meses, de modo que os juros cobrados sobre o empréstimo original não compensam a perda do poder de compra da moeda ocorrida nesse curto espaço de tempo.

    Consequentemente, isso destruiria o real valor dos ativos dos bancos (os empréstimos) e, consequentemente, seu patrimônio líquido.

    No que mais, no atual arranjo monetário e bancário, em que o dinheiro só entra na economia via dívida -- antes, o Banco Central podia financiar diretamente o Tesouro; hoje isso está proibido pela Lei de Responsabilidade Fiscal --, é impossível haver hiperinflação. Para haver hiperinflação, as pessoas e as empresas teriam de se endividar ao ritmo de trilhões por mês. E isso não é factível.
  • Silvio  20/11/2014 04:42
    Geram inflação se trabalharem com reservas fracionárias, certo?
  • Emerson Luis, um Psicologo  14/12/2014 19:33

    Só é crime se feito por pessoas comuns, como outros atos antiéticos monopolizados.

    * * *
  • Francisco  18/06/2015 17:37
    Tudo que o governo está fazendo,para melhorar a previdencia social, é pouco se não acabar com a corrupção... Uma grande parte são aposentados que nunca contribuiram para a previdencia. Associações criadas em todo o Brasil só para inchar a previdencia, advogados estão cada dia mais, trabalhando só com previdencia, fazendeiros, etç; assinando ( a maioris recebe tambem )para aposentar pessoas, que nunca trabalhou com eles... Procuradores da previdencia, que junto com funcionários da previdencia, aposentam quem eles querem...
  • Ronaldo  19/06/2015 02:04
    "No sistema previdenciário, um grupo original de aposentados passou a receber uma aposentadoria sem haver pago qualquer quantia..."

    Não concordo com esta parte, um grupo original de aposentados está recebendo atualmente porque pagou a quantia durante a época em que trabalhava.

    Uma dúvida, da onde o autor tirou a conclusão que a geração seguinte não cresce suficientemente ?
  • Caiado  19/06/2015 02:32
    Leia a frase de novo, agora com especial atenção ao termo "original":

    "No sistema previdenciário, um grupo original de aposentados passou a receber uma aposentadoria sem haver pago qualquer quantia.."

    Ou seja, originalmente, na origem de tudo, no começo da história, quem primeiro se aposentou foi quem não pagou nada. O autor está apenas narrando o início do sistema.

    "Uma dúvida, da onde o autor tirou a conclusão que a geração seguinte não cresce suficientemente ?"

    Da fórmula matemática da progressão geométrica. Explicado no início do artigo.

    Se hoje temos, suponhamos, 10 pessoas trabalhando para sustentar um aposentado, temos a proporção de 10 para 1. No entanto, chegará um momento em que essas 10 pessoas também irão se aposentar. Quando essas 10 pessoas se aposentarem, serão necessárias 100 pessoas trabalhando para sustentar essas 10 (mantendo assim a mesma proporção de 10 para1).

    Ou seja, a população ativa teve de aumentar exponencialmente, de 10 para 100.

    Isso acontece hoje? Não? Então a população não cresce suficientemente.
  • anônimo  19/06/2015 13:10
    No mais, o governo já reconhece publicamente que o sistema é insustentavél da maneira que está hoje, justamente usando a piramide de crescimento populacional
  • Funcionário público  19/06/2015 18:46
    O texto é muito interessante, principalmente no que tange à insustentabilidade do sistema previdenciário desde a sua criação. Nunca havia lido nada associando os fundamentos de pirâmide ao INSS, e isso me deu uma visão diferente em relação a esse sistema previdênciário ao qual não somos contribuintes, mas tão somente pagadores compulsórios.

    Mas tem um trecho em que o autor do texto diz: "na média, um servidor público aposentado ganha dez vezes mais que um trabalhador da iniciativa privada." Onde? Quando? Se o senhor comparar profissionais iguais, do mesmo cargo ou atribuição, numa relação PARITÁRIA entre públicos e privados, onde você viu essa disparidade?

    Vamos a alguns exemplos:

    Um escriturario do BB recebe 10 vezes mais do que um Atendente Comercial do Itaú?

    Um Auxiliar Administrativo público recebe 10 vezes mais do que um desses na iniciativa privada?

    E olhe que você apontou a palavra, ou cálculo, "MÉDIA".

    Melhor rever isso, pois assim pode soar como "achismo"...
  • Aposentado do BB  19/06/2015 20:06
    Acho que você não atentou para a palavra "aposentado". Procure saber quanto ganha um aposentado do Banco do Brasil que se aposentou na década de 1980 e início da década de 1990. Você irá cair de costas. E compare isso ao valor da aposentadoria de um simples bancário hoje.

    No que mais, os dados sao do IPEA.

    Respondendo por cerca de 4% dos beneficiários, os funcionários públicos aposentados e pensionistas são responsáveis por cerca de 20% dos gastos com previdência no país.

    Em números mais claros, os cerca de 935 mil funcionários públicos aposentados e pensionistas geram um déficit anual de R$ 62 bilhões contra um déficit previdenciário de R$ 35 bilhões ocasionado pelos 28 milhões de aposentados do INSS. E isto leva em conta apenas o setor público federal.
  • Bernardo Santoro  19/06/2015 20:11
    Esse é um artigo antigo meu que merece alguns pequenos reparos, até porque depois teve a edição da Lei do Funpresp, de 2012, deixando ele desatualizado nesse ponto.

    Especificamente quanto à sua crítica, portanto, concordo com ela. O certo não seria dizer que um servidor público aposentado GANHA dez vezes mais que um trabalhador da iniciativa privada. O certo seria dizer que um servidor público aposentado CUSTA dez vezes mais que um trabalhador da iniciativa privada.

    Custar dez vezes mais não significa, de fato, que o servidor público na ponta ganha dez vezes mais, principalmente por conta da corrupção no setor.

    Quando eu republicar esse artigo, no meu livro-coletânea de artigos que estou preparando, farei essa revisão.

    Grande abraço e obrigado!
  • Rick james  05/11/2015 01:35
    Concordo com você Bernardo, o texto precisa realmente ser atualizado.
  • o desmitificador  13/01/2016 17:55
    A pesquisadora Denise Gentil mostra que essa crise da previdência é forjada. www.adunicentro.org.br/noticias/ler/1676/em-tese-de-doutorado-pesquisadora-denuncia-a-farsa-da-crise-da-previdencia-social-no-brasil-forjada-pelo-governo-com-apoio-da-imprensa
  • O realista  13/01/2016 18:25
    Ai, ai... essa mulher aí nem sabe separar rubricas. Ela mistura a receita da Previdência com a receita da Seguridade Social (que abrange Saúde, Assistência Social e Previdência) e então conclui que está tudo certo.

    Toda a tese dela pode ser resumida neste trecho:

    "O cálculo do resultado previdenciário leva em consideração apenas a receita de contribuição ao Instituto Nacional de Seguridade Social (INSS) que incide sobre a folha de pagamento, diminuindo dessa receita o valor dos benefícios pagos aos trabalhadores. O resultado dá em déficit."

    E pronto. Esse é o cálculo da previdência. Receitas da Previdência menos gastos com a Previdência dão déficit, como ela própria admite. Ponto final.

    Aí, a dona complementa:

    "Essa, no entanto, é uma equação simplificadora da questão. Há outras fontes de receita da Previdência que não são computadas nesse cálculo, como a Cofins (Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social), a CSLL (Contribuição Social sobre o Lucro Líquido), a CPMF (Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira) e a receita de concursos de prognósticos. Isso está expressamente garantido no artigo 195 da Constituição e acintosamente não é levado em consideração."

    Ou seja, o argumento dela é o de que as receitas para saúde e assistência social devem ser destinadas para a Previdência, pois aí haverá superávit. Ora, isso é um estratagema e tanto. Por esse recurso, absolutamente nenhuma rubrica do governo apresenta déficit, pois basta retirar o dinheiro de outras áreas para cobri-la. Sensacional.

    A quantidade de gênios que o Brasil produz é assustadora.

    P.S.: não deixa de ser curioso que nem o próprio governo -- em tese, o mais interessado no assunto -- encampou a tese dessa desmiolada.
  • Vitor  18/09/2016 02:04
    Leandro, você poderia falar algo da tese da economista da UFRJ?

    //
    Eu achei que O Realista estava de brincadeira quando disse que "P.S.: não deixa de ser curioso que nem o próprio governo -- em tese, o mais interessado no assunto -- encampou a tese dessa desmiolada."; [link]https://www12.senado.leg.br/publicacoes/estudos-legislativos/tipos-de-estudos/boletins-legislativos/bol37]parece que eu me enganei[/link]
  • Leandro  18/09/2016 13:07
    Subscrevo cada palavra dele.

    Aliás, essa questão da Previdência é interessante: talvez seja a única área da economia que não permite qualquer espaço para ideologia. O problema é puramente demográfico e matemático. E só.

    Contra a demografia e a matemática, ninguém pode fazer nada.

    Quando a Previdência foi criada, havia 15 trabalhadores trabalhando e pagando INSS para sustentar um aposentado. Daqui a duas décadas será 1,5 trabalhador trabalhando e pagando INSS para sustentar um aposentado.

    Ou seja, a conta não fecha e não tem solução. O problema é demográfico e matemático. Não é econômico. E não há ideologia ou manobra econômica que corrija isso.

    O governo, na melhor das hipóteses, conseguirá aprovar alguns paliativos. Mas não haverá solução concreta. Mesmo que miraculosamente houvesse um governo genuinamente interessado em uma reforma abrangente, e mesmo que toda a população aceitasse essa reforma, ainda assim não haveria solução. De novo: o problema é demográfico e matemático, e não econômico. Mesmo que a economia estivesse um foguete, ainda assim não haveria solução.

    Como diriam os americanos, quem não está se preparando desde já e está contando em se aposentar pelo INSS, is in for a big surprise.
  • José  02/03/2016 00:07
    Ola, meu comentario que não é comentario na verdade é uma pergunta não inteligente. Como funciona a previdencia privada, afinal, se previdencia é piramide (e acreditei q o é) como a privada funciona???
  • Assistente  02/03/2016 00:14
    Você coloca seu dinheiro num fundo de investimento, esse fundo aplica seu dinheiro em vários papeis (títulos, debêntures, CDBs, RDBs) de baixo risco, seu dinheiro rende, e, ao final de muito tempo, você o recebe de volta, com grandes juros.
  • Roberto Vieira Cavalcanti  18/09/2016 22:18
    E se tiver sorte, no final vai receber alguma coisa acima da poupança.
  • anônimo  18/05/2016 13:31
    Oi, só uma correção a sigla INSS significa (Instituto Nacional do Seguro Social), seria bom que você corrigisse porque não se trata apenas de um erro de palavras, mas em termo terminológicos "seguro" é diferente de "seguridade", o INSS não é reponsável por toda a seguridade brasileira. A seguridade comporta Saúde, Previdência e Assistência Social.
  • Jorge CMoreira  25/05/2016 00:23
    A GRANDE FARSA DO DEFICIT DA PREVIDÊNCIA SOCIAL,
    ATRIBUIDA SOMENTE AOS APOSENTADOS/PENSIONISTAS DO INSS.
    ou seja, quem foi da Iniciativa Privada,Profissional Liberal ou
    Autonomo que contribuiu para o INSS.

    Os governantes, a classe politica e o meios de comunicação,blogueiros
    induzem a população a julgar que os
    CULPADOS PELO DEFICIT DA PREVIDENCIA SOCIAL
    são os APOSENTADOS/PENSIONISTAS DO INSS
    (por ser um universo em torno de 30 milhões-ou 14,7% da população brasileira),
    GENERALIZANDO como unico todo os 3 tipos de Regimes da Prev.social do pais.

    A titulo de esclarecimento:

    Diferenças entre RPPS e RGPS

    A Previdência Social no Brasil é composta por três regimes:

    a) Regime Geral de Previdência Social (RGPS):
    operado pelo INSS, uma entidade pública e de filiação obrigatória
    para os trabalhadores regidos pela CLT (assalariados com cart.assinada,
    profissionais liberais-medicos,engenheiros,arquitetos,etc e autonomos-pedreiros,
    lanterneiros, mecanicos,etc.);

    1. Regime Geral da Previdência Social (RGPS) -
    inclui os todos os indivíduos que contribuem para o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS):
    trabalhadores da iniciativa privada,
    funcionários públicos (concursados e não concursados),
    militares e
    integrantes dos Poderes Judiciário, Legislativo e Executivo.

    OBS:Todo trabalhador com carteira assinada está automaticamente filiado à Previdência Social e
    contribui para um fundo geral.
    Trabalhadores autônomos e empresários são contribuintes individuais.
    E mesmo quem não tem renda própria – como estudantes, donas de casa e desempregados,
    por exemplo – pode pagar como contribuinte facultativo para ter direito aos benefícios

    b) Regime Próprio de Previdência Social (RPPS):
    instituído por entidades públicas –Institutos de Previdência ou
    Fundos Previdenciários e de filiação obrigatória para os
    servidores públicos titulares de cargos efetivos da União,
    dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios;

    2. Regimes Próprios de Previdência Social (RPPS) -
    organizadas pelos estados e municípios para servidores públicos ocupantes de cargos efetivos (que exigem concurso público).
    Existem dois regimes de RPPS: o de repartição simples e o de capitalização. O primeiro é igual ao do INSS.
    Isto é, as contribuições do trabalhador em atividade pagam o benefício do aposentado.
    No sistema de capitalização é criado um fundo para receber as contribuições que são aplicadas em
    ativos de renda fixa e variável. Neste caso, o servidor recebe o valor de suas reservas mais os rendimentos.
    e

    c) Regime de Previdência Complementar:
    operado por Entidades Abertas e Fechadas de Previdência Complementar,
    regime privado, com filiação facultativa, criado com a finalidade de
    proporcionar uma renda adicional ao trabalhador, que complemente a sua previdência oficial.
    omia e Emprego > 2012 > 04 > Tipos de previdência

    3)3. Previdência Complementar - é um benefício opcional, que proporciona ao trabalhador um seguro previdenciário adicional, conforme sua vontade. É uma aposentadoria contratada para garantir uma renda extra ao trabalhador ou a seu beneficiário. Os valores dos benefícios são aplicados pela entidade gestora, com base nos chamados cálculos atuariais (que estabelece o valor da contribuição mensal necessária para pagar as aposentadorias prometidas).
    Um exemplo de previdência complementar é a Previ, o fundo de pensão dos funcionários do Banco do Brasil e o maior do País, que gera recursos que vão complementar a aposentadoria do INSS dos funcionários dessa instituição.


    Mas afinal
    QUAIS AS CATEGORIAS PROFISSIONAIS QUE CAUSAM DEFICIT
    na Previdência Social do Brasil (incluindo todos os Regimes)


    Não são os 23 milhões de Aposentados/pensionistas do INSS,do setor Urbano que causam o deficit da Previdência social .
    O que se arrecada de quem está trabalhando com carteira assinada, ou de profissionais liberais e autonomos que contribuem para o INSS - paga todas as aposentadorias e pensões - e ainda TEM UM SUPERÁVIT DE 5 BILHÕES EM 2015.

    Quem realmente causa rombos ( o que os ativos recolhem não paga as aposentadorias/pensões )

    1) somente 980 mil Servidores INATIVOS (os verdadeiros marajás do pais) -DO Judiciario,executivo e legislativo federal -CAUSAM UM ROMBO DE R$ 92,5 bilhões ,em 2015

    2) somente 300 mil Reformados/Pensionistas das FFAAs, CAUSAM UM ROMBO DE R$ 24,5 bilhões,em 2015 (em torno de 20% desse valor vai para as confraria das filhas solteiras - que vão passando gerações em gerações tal mordomia desde o tempo da Guerra do Paraguaio - se tem filha e união estavel - deveria perder tal beneficio)

    3) Existem cerca de 6 milhões de beneficiários no SETOR RURAL, QUE FORAM INCLUIDOS NA PREV. SOCIAL ,pelo José Sarney, SEM QUE NUNCA TIVESSE FEITO NENHUMA CONTRIBUIÇÃO, BEM COMO O GOVERNO FEDERAL VENHA FAZENDO APORTE NA PREV. SOCIAL,causou um ROMBO DE R$ 94,7 bilhões em 2015

    E os politicos que estão no governo federal , desde FHC, passando pelos 2 governos do Lula e agora da Dilma, ficam com tal discurso do DEFICIT DA PREVIDENCIA SOCIAL, SEM ABORDAR O PROBLEMA DE FORMA HONESTA E CORAJOSA.

    Seguridade social é a grande ficção em que todos acreditam viver às custas de todos.
    Os números não mentem.

    Apenas a previdência financiada pelos trabalhadores urbanos é superavitária, algo que só passou a ocorrer em 2008, e rapidamente tem se aproximado do déficit mais uma vez, antes mesmo da inversão da pirâmide demográfica brasileira.

    Os privilégios garantidos pelo governo certamente contribuem para a aceleração do crescimento do déficit.
    Funcionários públicos financiaram menos de 1/10 das suas aposentadorias com vencimentos integrais, e mesmo após a mudança de regime em direção ao modelo que os trabalhadores urbanos são submetidos, os efeitos nefastos do antigo arranjo durarão um bom tempo.

    A aposentadoria rural, que não cobra contribuições dos seus beneficiários, está fadada a ter déficits cada vez maiores.

    Todavia, mesmo que estes privilégios fossem severamente combatidos, a aposentadoria fornecida pelo estado está fadada ao fracasso.

    Estruturada como uma esquema de pirâmide,
    em que os atuais trabalhadores pagam a conta dos que se aposentam,
    o sistema só poderia ser sustentável enquanto houvessem mais jovens do que idosos. Um luxo que o Brasil está rapidamente deixando de ter.

    Um futuro tranquilo é o desejo de qualquer ser humano. E é exatamente por isso que não podemos deixar algo de tamanha importância na mão de políticos, seres naturalmente interessados no curtíssimo prazo. Devolver o controle da previdência para aquele que mais se interessa nela, o contribuinte, é urgente.
    Jorge CMoreira
  • Roberto Vieira Cavalcanti  18/09/2016 22:16
    Essa matéria não passa de uma repetição do mesmo pelos mesmos. Ao não separar os gastos de aposentadoria dos que contribuíram, do gastos com aqueles que são beneficiados por políticas públicas e nunca ou quase nunca contribuíram, falseiam o resultado, sem que com isso o esquema parecido com pirâmide deixe de existir, ao mesmo tempo em que, como solução, apresentem algo diferente que não seja o de previdência privada, que de nenhuma maneira é mais seguro, como vemos o que fizeram com os fundos de estatais, correndo o risco de que, na hora de receber o que aplicou, receber migalhas como aconteceu com Montepio da Família Militar, https://pt.wikipedia.org/wiki/Montepio_da_Fam%C3%ADlia_Militar , os aposentados da Panair, da Varig, etc.melhor seria que cada um emprestasse essa importância ao governo, com as mesmas taxas e benefícios pagos aos bancos e com a garantia do governo (a sociedade).
    Continuarei a qualquer hora com sugestão para o aumento da arrecadação

    Obs.: Não podemos ignorar que durante o período de superavit na parte mencionada por mim e por
    Jorge CMoreira 25/05/2016 00:23 , esse superavit que deveria ter sido investido como no caso da Previ, sem a roubalheira, foi, mesmo que não tenha sido o objetivo, investido teoricamente, em obras e benefícios para o povo e portanto ao cobrir a diferença o governo não estaria fazendo nenhum favor, ao mesmo tempo em que ninguém poderia reclamar dizendo que o governo estaria cobrindo um rombo na previdência, o que somente aconteceria se esse valor fosse superior ao dinheiro recebido e muito bem corrigido, talvez pelo mesmo índice pago por sua dívida.
  • Dementador  08/12/2016 02:17
    Não existe déficit da previdência! Para justificar uma reforma que visa somente a tungar e sugar o trabalhador, o governo usa o seguinte estratagema: De um lado, pega uma das receitas, que é a contribuição ao INSS; do outro, o total do gasto com benefícios (pensão, aposentadoria e auxílios). Aí dá déficit! Só que a Constituição Federal estabelece, no artigo 194, que, junto com a saúde e a assistência social, a previdência é parte de um sistema de seguridade social, que conta com um orçamento próprio. Na receita, devem ser incluídas não apenas as contribuições previdenciárias mas também os recursos provenientes da Contribuição Social Sobre Lucro Líquido (CSLL), da Contribuição sobre o Financiamento da Seguridade Social (CSLL) e do PIS-Pasep. Aí temos a real situação: Superávit! Talvez você esteja supondo que o dinheiro que sobrou no orçamento da seguridade social mas faltou no da previdência tenha sido usado nas outras duas áreas a que, constitucionalmente, ele se destina. Mas, mesmo com os gastos com saúde e assistência, ainda assim temos saldo positivo. E como esse saldo se transforma em déficit? É que antes de destinar o dinheiro para essas áreas, o governo desvia 20% do total arrecadado com as contribuições sociais, por meio da DRU, para pagar dívidas, segurar o câmbio etc. Fora as renúncias e sonegações fiscais. Portanto, essa conversa de déficit é uma falácia pra empurrar goela abaixo do trabalhador uma "reforma" que tire ainda mais o seu dinheiro e o force a trabalhar por mais tempo.
  • Corregedor  08/12/2016 11:23
    Quem inventou essa tese de que não existe déficit foi uma pesquisadora chamada Denise Gentil. Segundo ela, o déficit da previdência é forjado.

    www.adunicentro.org.br/noticias/ler/1676/em-tese-de-doutorado-pesquisadora-denuncia-a-farsa-da-crise-da-previdencia-social-no-brasil-forjada-pelo-governo-com-apoio-da-imprensa

    Só que essa mulher nem sabe separar rubricas. Ela mistura a receita da Previdência com a receita da Seguridade Social (que abrange Saúde, Assistência Social e Previdência) e então conclui que está tudo certo.

    Nesta outra entrevista dela, ela diz isso:

    "O cálculo do resultado previdenciário leva em consideração apenas a receita de contribuição ao Instituto Nacional de Seguridade Social (INSS) que incide sobre a folha de pagamento, diminuindo dessa receita o valor dos benefícios pagos aos trabalhadores. O resultado dá em déficit."

    Certo. Esse é o cálculo da previdência. Receitas da Previdência menos gastos com a Previdência dão déficit, como ela própria admite. Ponto final.

    Mas aí ela complementa:

    "Essa, no entanto, é uma equação simplificadora da questão. Há outras fontes de receita da Previdência que não são computadas nesse cálculo, como a Cofins (Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social), a CSLL (Contribuição Social sobre o Lucro Líquido), a CPMF (Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira) e a receita de concursos de prognósticos. Isso está expressamente garantido no artigo 195 da Constituição e acintosamente não é levado em consideração."

    Ou seja, o argumento dela é o de que as receitas para saúde e assistência social devem ser destinadas para a Previdência, pois aí haverá superávit.

    Ora, isso é um estratagema e tanto. Por esse recurso, absolutamente nenhuma rubrica do governo apresenta déficit, pois basta retirar o dinheiro de outras áreas para cobri-la. Sensacional.

    A quantidade de gênios que o Brasil produz é assustadora.

    Não deixa de ser curioso que nem o próprio governo petista -- em tese, o mais interessado no assunto -- encampou a tese dessa desmiolada.

    De resto, o problema da previdência é totalmente demográfico. E contra a demografia e a matemática ninguém pode fazer nada.

    Quando a Previdência foi criada, havia 15 trabalhadores trabalhando e pagando INSS para sustentar um aposentado. Daqui a duas décadas será 1,5 trabalhador trabalhando e pagando INSS para sustentar um aposentado.

    Ou seja, a conta não fecha e não tem solução. O problema é demográfico e matemático. Não é econômico. E não há ideologia ou manobra econômica que corrija isso.
  • Jarzembowski  09/12/2016 10:35
    "Na receita, devem ser incluídas não apenas as contribuições previdenciárias mas também os recursos provenientes da Contribuição Social Sobre Lucro Líquido (CSLL), da Contribuição sobre o Financiamento da Seguridade Social (CSLL) e do PIS-Pasep. Aí temos a real situação: Superávit! "

    OU SEJA, se na receita incluirmos diversas contribuições ALÉM da previdenciária, mas na hora de GASTAR, usarmos o montante total APENAS com a previdência, aí funciona.
    Mas é um gênio mesmo!

    "Só que a Constituição Federal estabelece, no artigo 194, que, junto com a saúde e a assistência social, a previdência é parte de um sistema de seguridade social, que conta com um orçamento próprio."

    É o problema de todo esquerdista: achar que condições de ordem matemática podem ser resolvidas por artigos da constituição - sabe o que é um sistema SUSTENTÁVEL, amigão?
    É um sistema onde a contribuição referente AQUELE benefício é suficiente para garantir o seu pagamento.

    Imagine uma empresa com esse arranjo - nós recebemos N reais de pagamento dos segurados pelos planos de previdência privada, mas isso não é suficiente para cobrir os gastos com o pagamento dos planos - agora, se nós mudarmos o centro de custo de "pagamento de planos" para "gastos gerais" aí teremos mais (N x 1000) reais para gastar com essa despesa.
    EM QUE PLANETA isso é um sistema sustentável?

  • dementador  08/12/2016 17:38
    Corregedor não refutou a "desmiolada". Não se trata de um problema de separação de rubricas, ou de tirar recursos de outras áreas. Constitucionalmente, saúde, assistência e previdência é uma coisa só. O governo é que desvia os recursos. Aí não sobra dinheiro.
  • Corregedor  08/12/2016 19:51
    Ué, então você acabou de se contradizer espetacularmente. Primeiro disse que sobrava dinheiro. Agora diz que "o governo desvia os recursos e aí não sobra dinheiro".

    Estaria você querendo dizer que o estado é um mau gestor do dinheiro do povo? Nossa, choque! Choque!

    Se, depois dessa, você não chegar à conclusão de que o estado não deve gerir o dinheiro do povo, parabéns, você está evoluindo. Por outro lado, se você chegar à conclusão de precisamos de ainda mais estado gerindo o dinheiro do povo, cheque seu cérebro. Ele pode ter ido passear.
  • dementador  08/12/2016 23:16
    Engraçado que falam de "comentário inteligente e educado", mas qdo confrontados partem pra agressão. Vou tentar mias uma vez: As receitas da saúde, da assistência e da previdência vai pra um fundo único que constitui a seguridade social. Se o governo não desviasse os recursos, não haveria déficit na previdência. O governo está sendo um mau gestor, sim. Mas o sistema não é insustentável como diz o artigo.
  • Rogério  08/12/2016 23:56
    A receita da Previdência é o INSS. Ponto.

    Já a receita da Seguridade Social (que abrange Saúde e Assistência Social) abrange também Cofins e CSLL.

    A Previdência é deficitária. A Seguridade Social é superavitária.

    Dizer que a receita da Seguridade Social é superavitária não altera o fato de que a receita da Previdência é deficitária (como bem reconhece a senhora Denise Gentil acima).

    Falar que a Previdência é deficitária porque "o governo desvia recursos" da Previdência para a Saúde e a Assistência Social é impostura contábil.

    Mas ok, pelo bem do debate, vou aceitar seu argumento. Vamos supor que de fato a Previdência esteja deficitária apenas porque o dinheiro que deveria ir para ela está indo para Saúde e Assistência Social.

    O que isso implica? Implica que, na prática, você está dizendo que se o governo retirar dinheiro da Saúde e da Assistência Social e direcioná-lo para a Previdência, aí o déficit da Previdência acabaria.

    Por mim, perfeito. Nada tenho contra essa ideia. Agora vá a público defendê-la. Diga isso: "Atenção, povo: não é preciso fazer nenhuma reforma da Previdência. Basta o governo reduzir drasticamente o dinheiro da saúde pública e da Seguridade Social!"

    Fechou? Estou do seu lado.
  • dementador  09/12/2016 00:31
    Não é bem assim, Rogério. Em 2014, por exemplo, a receita bruta da contribuição previdenciária foi de R$ 349 bilhões, para pagar um total de R$ 394 bilhões de benefícios. Essa conta mostra um déficit de R$ 45 bilhões — muito menor do que o anunciado pelo governo. Quando, no entanto, se considera a receita total da seguridade, incluindo os mais de R$ 310 bilhões arrecadados da CSLL, Cofins e PIS-Pasep, esse orçamento pula para R$ 686 bilhões. A soma dos gastos federais com saúde, assistência e previdência totalizou, em 2014, R$ 632 bilhões. Como o orçamento da seguridade foi de R$ 686 bi, no final de todas as receitas e de todas as despesas, ainda sobraram R$ 54 bilhões. E como o saldo se transforma em déficit? Com uma operação simples: antes de destinar o dinheiro para essas áreas, o governo desvia desse orçamento 20% do total arrecadado, o que, em 2014, significou um ralo de R$ 60 bilhões. Portanto, mesmo com gastos com saúde e assistência ainda sobraria dinheiro, se o governo não desviasse, por meio da DRU, para pagar dívidas, segurar o câmbio etc.
  • Rogério   09/12/2016 02:43
    Eu não tenho problema nenhum com a acusação de que "o governo desvia dinheiro". Muito pelo contrário: isso só ajuda a minha causa anarcocapitalista.

    Mas a questão é: você tem provas disso? Você tem fontes confiáveis? Se sim, compartilhe-as, por favor.

    Reconheço um certo espanto de minha parte porque nem mesmo os contrários à reforma da previdência recorreram a essa acusação. Todos eles, como a professora supracitada, se mantiveram estritamente no argumento de que o orçamento da Seguridade Social como um todo é superavitário, bastando portanto mexer nas rubricas.

    Fontes, por favor.


    P.S.: de acordo com seus próprios números acima, seu cálculo está errado. Veja de novo as receitas e as despesas e você verá que o valor final será outro, com um superávit muito menor.

    Aliás, sendo esses seus números (sem fonte) de 2014, e considerando que 2015 e 2016 foram anos de profunda recessão (o que reduziu substancialmente as receitas da Cofins e aumentou os gastos com seguridade e saúde), creio que já estamos em déficit.
  • dementador  09/12/2016 10:25
    https://www.brasildefato.com.br/2016/07/22/esta-sobrando-muito-dinheiro-na-previdencia-entenda-os-numeros/

    Tente refutar essa matéria! Se vc não acreditar nos números, pode consultar o siafi. Tá tudo lá. O saldo de 2015 foi menor, mas ainda superavitário.
  • Rogério  09/12/2016 10:59
    Putz, repetiu os mesmíssimo argumentos -- os mesmos! -- já comentados e refutados pelo "Professor" ali em cima e comentados por mim. Misturou orçamento da Previdência com orçamento da Seguridade Social. Um é deficitário e o outro é superavitário. E disse que se retirar de uma rubrica e direcionar para outra, o déficit da Previdência acaba.

    Seu link não só repetiu as mesmas coisas como também recorreu à mesma "especialista", Denise Gentil (não tem outra? Essa é a única pessoa no Brasil que fala sobre isso? Por que nem os próprios petistas a levam a sério?).

    Estamos girando em círculos.

    Eu estava animado, achando que você ia apresentar um argumento sólido (na reportagem que você linkou, não há um misera fonte) de que o governo estava "roubando", o que me daria ainda mais munição em minha cruzada anarcocapitalista. Mas nada. Infelizmente, você não tem nada.
  • Jarzembowski  09/12/2016 11:00
    "Na receita, devem ser incluídas não apenas as contribuições previdenciárias mas também os recursos provenientes da Contribuição Social Sobre Lucro Líquido (CSLL), da Contribuição sobre o Financiamento da Seguridade Social (CSLL) e do PIS-Pasep. Aí temos a real situação: Superávit! "

    OU SEJA, se na receita incluirmos diversas contribuições ALÉM da previdenciária, mas na hora de GASTAR, usarmos o montante total APENAS com a previdência, aí funciona.
    Mas é um gênio mesmo!

    "Só que a Constituição Federal estabelece, no artigo 194, que, junto com a saúde e a assistência social, a previdência é parte de um sistema de seguridade social, que conta com um orçamento próprio."

    É o problema de todo esquerdista: achar que condições de ordem matemática podem ser resolvidas por artigos da constituição - sabe o que é um sistema SUSTENTÁVEL, amigão?
    É um sistema onde a contribuição referente AQUELE benefício é suficiente para garantir o seu pagamento.

    Imagine uma empresa com esse arranjo - nós recebemos N reais de pagamento dos segurados pelos planos de previdência privada, mas isso não é suficiente para cobrir os gastos com o pagamento dos planos - agora, se nós mudarmos o centro de custo de "pagamento de planos" para "gastos gerais" aí teremos mais (N x 1000) reais para gastar com essa despesa.

    EM QUE PLANETA isso é um sistema sustentável?
  • dementador  10/12/2016 11:30
    Vcs é que estão "girando em círculos", teimando em separar rubricas que constitucionalmente não são. Não estou advogando contra a causa anarcocapitalista. O governo é sim um mau gestor. E prova isso é não conseguir gerir o sistema, desviar recursos da seguridade para outros fins e dizer que a previdência é deficitária. Isso é canalhice!

    "OU SEJA, se na receita incluirmos diversas contribuições ALÉM da previdenciária, mas na hora de GASTAR, usarmos o montante total APENAS com a previdência, aí funciona.
    Mas é um gênio mesmo!"

    Releia o artigo. Mesmo considerando gastos da previdência, da saúde e da assistência, sobra dinheiro. O problema é que o governo desvia para outros fins antes de realizar as despesas com a seguridade.

    Vcs nem leram o artigo e já saem cuspindo. Tanto que dizem que é só a Denise Gentil, mas há outros especialistas citados. Leiam tudo com imparcialidade. Verão que a matéria está muito bem escrita. E antes de falar em fontes, podem pesquisar no siafi. Os números estão todos lá.
  • Magno  10/12/2016 13:03
    Essa é pra você, Dementador:

    Em 2015, a Seguridade Social recebeu R$ 2,5 bilhões em repasses das loterias da Caixa para garantir benefícios previdenciários.

    www.loterias.caixa.gov.br/wps/portal/loterias/landing/repasses-sociais/

    Como disseram os outros acima -- para desespero seu -- toda a conta do Seguridade Social só fecha por meio do desvio de rubricas.

    Eu sabia que a Previdência era deficitária, mas eu jurava que a Seguridade Social era superavitária. Nem isso.
  • anônimo  10/12/2016 13:24
    Qual a dificuldade de entender que rubricas são apenas uma particularidade burocrática?
    O sistema é MATEMATICAMENTE insustentável - não haverá crescimento populacional no longo prazo que sustente o numero crescente de beneficiários. Pode espernear a vontade.
    O máximo que você consegue com essa fixação nas rubricas é mostrar que o sistema como um todo é insustentável - incrível que nem se quer passe isso pela sua cabecinha - "estão desviando recursos de outras rubricas porque o Estado é mal gestor". Ou seja, basta gerenciar corretamente a arrecadação e manter os recursos nas rubricas corretas sem desviá-los, que magicamente o déficit de 500 bilhões só nos últimos 12 meses vai sumir.

    "Perceba que, só de 2014 até hoje, o déficit nominal orçamentário do governo foi de R$ 1,150 trilhão. Ou seja, em apenas dois anos e meio o governo federal tomou emprestado R$ 1,150 trilhão de bancos, fundos de investimento, pessoas físicas e empresas para bancar seus crescentes gastos. Nos últimos 12 meses, a cifra foi de R$ 587 bilhões. Uma pornografia."

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=2534&comments=true

    Sim, com certeza o problema é gestão, e não gastar demais e prometer o impossível.

  • 4lex5andro  10/12/2016 15:49
    Se a contribuição [que é imposto definido em lei] deixasse de ser compulsória já seria um avanço pra começar a "endireitar" essa pirâmide.

    Mas depois de década e meia essa pec 55 já é um início.
  • dementador  10/12/2016 13:31
    Mas esse repasse faz parte do fundo. Não se está tirando de outra rubrica pra cobrir um suposto déficit. Só está se aplicando na conta seguridade a receita que lhe é devida. E dessa conta, custeia-se a previdência, a saúde e a assistência. E ainda sobra dinheiro. O governo é que desvia, por meio da dru, antes de realizar o gasto, pra pagar outras contas. Em outras palavras, o governo tira da seguridade dinheiro pra pagar outras dívidas que deveriam ter sua própria fonte de receita. O governo faz dívidas e tira do fundo, que deveria ter destinação específica, os recursos pra pagar. Aí não sobra dinheiro. Eu aposto com qualquer um: Coloca o dinheiro da seguridade não mão de uma empresa privada, com a única obrigação de custear a saúde, a assistência e a previdência, que o dinheiro que sobra ela vai capitalizar e em pouco tempo se tornar uma gigante no mercado de seguros.
  • anônimo  11/12/2016 17:05
    E sobre os supostos R$ 60 bi desviados com DRU?
  • Rogério   11/12/2016 20:40
    Eu não tenho problema nenhum com a acusação de que "o governo desvia dinheiro". Muito pelo contrário: isso só ajuda a minha causa anarcocapitalista.

    Mas a questão é: você tem provas disso? Você tem fontes confiáveis? Se sim, compartilhe-as, por favor.

    Reconheço um certo espanto de minha parte porque nem mesmo os contrários à reforma da previdência recorreram a essa acusação. Todos eles, como a professora supracitada, se mantiveram estritamente no argumento de que o orçamento da Seguridade Social como um todo é superavitário, bastando portanto mexer nas rubricas.

    Fontes, por favor.
  • anônimo  11/12/2016 23:45
    Não é a melhor das fontes, mas procede a afirmação da matéria?

    www.cartacapital.com.br/economia/dru-mais-um-ataque-a-seguridade-social
  • Rogério  12/12/2016 10:39
    Cortina de fumaça.

    A receita da Previdência é o INSS. Ponto.

    Já a receita da Seguridade Social (que abrange Saúde e Assistência Social) abrange também Cofins e CSLL.

    A Previdência é deficitária. A Seguridade Social é superavitária.

    Dizer que a receita da Seguridade Social é superavitária não altera o fato de que a receita da Previdência é deficitária.

    Falar que a Previdência é deficitária porque "o governo desvia recursos" da Seguridade Social é algo completamente sem sentido contábil. É o equivalente a dizer que falta recursos para as estradas porque o governo desvia dinheiro da educação.

    E, no mais, não há DRU incidindo sobre o INSS.
  • Roozevelt Vieira  14/12/2016 00:21
    Eu completei 60 anos de idade e comecei a trabalhar com carteira assinada em 10 de janeiro de 1970 com 14 anos de idade. Portanto descontei para o INSS durante 46 anos. Ora, durante todo este tempo, eu paguei o INSS, depois de um certo tempo comecei a pagar o Imposto Renda, fiz também uma Previdência particular, paguei uma variedade de impostos federais, estaduais e municipais, taxas, tarifas, etc, etc. Aonde foi que eu errei, para que eu demore mais 5 anos para me aposentar? Nesta mesma situação, existem milhões de brasileiros, honestos, trabalhadores, que nunca deram prejuízos aos cofres públicos! Nós merecemos respeito! A Previdência Social no Brasil, tem superávit, as Receitas que compõe toda Seguridade Social é SUPERAVITÁRIA. O problema, é que ladrões dentro do Executivo, Legislativo e Judiciário, estão roubando os cofres da Nação e nós aposentados é que somos taxados de dar prejuízo ao país! Senhores, mais respeito como todos nós aposentados. Os excessos existem em aposentadorias do Executivo, do Legislativo e Judiciário!
  • Roozevelt Vieira  14/12/2016 00:37
    A Previdência Social na nossa Constituição Federal, faz parte do Título VIII - DA ORDEM SOCIAL. No capítulo II deste Título, nós temos A Seguridade Social que vai do Art. 194 ao Art. 204. Neste capítulo nós temos na Seção I -Disposições Gerais - art. 194 e 195; Seção II - Da Saúde, arts. 196 a 200; Seção III - Da Previdência Social - arts. 201 e 202; e na Seção IV - Da Assistência Social - arts. 203 2 204. Ora, a Constituição é clara em dizer qual a Receita da Seguridade Social e a realidade é que ela é SUPERAVITÁRIA. Ponto Final.
    O Brasil, precisa fazer uma Auditoria Geral na Dívida Pública, pois nós pagamos muitos Everest de juros e de uma dívida que ninguém sabe o que é! Os Banqueiros ganham "oceanos" de dinheiro, sem produzir nada para o país!
    O Brasil, o Poder Judiciário poderia dar uma mãezinha para cobrar dos empresário-sonegadores, que cobram os impostos nos produtos e não repassam ao Estado. Aí querem culpar todos nós Aposentados!
  • Douglas  14/12/2016 01:17
    A aposentaria/previdência não possui solução.
  • Fred  16/12/2016 12:37
    Legal o raciocínio, são 6 pessoas para sustentar 1. Porém, não são apenas pessoas físicas que contribuem, parece ter esquecido das empresas, pois elas pagam grande parte do INSS sobre seus faturamentos. Além de muitas pessoas pagarem o teto.
  • Xiba  25/02/2017 00:37
    Faltou dois detalhe de suma importância no artigo: o fator tempo, e o fato de que as pessoas morrem.

    É possível uma previdência em que cada 6 pessoas sustentem uma vida DE LUXO para cada aposentado, contribuindo com apenas $10/mês. Basta fazerem isto por 100 anos, e a pessoa beneficiária se aposentar aos 90 anos.

    Está aí uma previdência totalmente "sustentável", aonde as pessoas contribuem com quase nada, e se aposentam milionárias.

    Extrapolei no exemplo para mostrar que, EM GERAL, sistemas previdenciários NÃO são, NEM DE LONGE, esquema de pirâmides, se forem calibrados de acordo com os números da economia e força de trabalho, a saber: tamanho da força de trabalho formal, expectativa de tempo produtivo, expectativa de vida, expectativa de renda, taxa de natalidade, etc.

    Com os números certos, não há qualquer pirâmide. Pra falar a verdade, para se ter uma pirâmide verdadeira (que vá explodir no futuro) é preciso até números muito errados (claro, ou então muita corrupção, desvios, e ineficiência, como em nosso caso).

    Por exemplo, um fator que afeta as previdências em todo mundo é o fato de que avanços tecnológicos estão aumentado a expectativa de vida da população. Aumentar de, digamos, 80 para 90 anos passa a ser um "problema" que pressiona um sistema calibrado para indivíduos que se aposentam aos 60, e esperam uma contribuição final da força de trabalho para, em média, 20 anos. A partir daí a conta não fecha mais, e pra resolver esse problema "só" fazendo as pessoas se aposentarem mais tarde, contribuírem mais, ou aumentar a base de contribuintes. (Imagino que diminuir a expectativa da população propositalmente não se enquadre como "solução".)

    Mais isso não torna o sistema de previdência uma pirâmide, mas pura matemática, com alguma dose de estatística. É "2 + 2" igual a "1 + 1 + 1 + 1".

    É só fazer as contas certas.
  • Shiva  25/02/2017 13:35
    Não, Xiba. Continua sendo pirâmide do mesmo jeito.

    Essa questão da Previdência brasileira é um assunto bastante interessante pelo seguinte motivo: talvez seja a única área da economia que não está aberta a opiniões ideológicas.

    Não importa se você é de esquerda ou de direita; liberal, libertário ou intervencionista. Também pouco importa se você acredita que a Previdência atual seja superavitária (como alguns acreditam). O que importa é que o modelo dela é insustentável. E é insustentável por uma questão puramente demográfica.

    E contra a realidade demográfica não há nada que a ideologia possa fazer.

    Comecemos pelo básico.

    Ao contrário do que muitos ainda pensam, o dinheiro que você dá ao INSS não é investido em fundo no qual ele fica rendendo juros. Tal dinheiro é diretamente repassado a uma pessoa que está aposentada. Não se trata, portanto, de um sistema de capitalização, mas sim de um sistema de repartição: o trabalhador de hoje paga a aposentadoria de um aposentado para que, no futuro, quando esse trabalhador se aposentar, outro trabalhador que estiver entrando no mercado de trabalho pague sua aposentadoria.

    Ou seja, não há investimento nenhum. Há apenas repasses de uma fatia da população para outra.

    Por motivos óbvios, esse tipo de esquema só pode durar enquanto a fatia trabalhadora for muito maior que a fatia aposentada. Tão logo a quantidade de aposentados começar a crescer mais rapidamente que a fatia de trabalhadores, o esquema irá ruir.

    Portanto, todo o arranjo depende inteiramente do comportamento demográfico da população. A qualidade da gestão do INSS é o de menos. Mesmo que a Previdência fosse gerida por anjos probos, sagazes e imaculados, ainda assim ela seria insustentável no longo prazo caso a demografia não cooperasse.

    E, no Brasil, ela já não está cooperando. Segundo os dados do IBGE, em 2013, havia 5,5 pessoas com idade entra 20 e 59 anos para cada pessoa com mais de 60 anos. Em 2060, a se manter o ritmo projetado de crescimento demográfico, teremos 1,43 pessoa com idade entre 20 a 59 anos para cada pessoa com mais de 60 anos.

    Ou seja, a menos que a idade mínima de aposentadoria seja continuamente elevada, não haverá nem sequer duas pessoas trabalhando e pagando INSS para sustentar um aposentado.

    Aí fica a pergunta: como é que você soluciona isso? Qual seria uma política factível "de esquerda" ou "de direita" que possa sobrepujar a realidade demográfica e a contabilidade?

    Havendo 10 trabalhadores sendo tributados para sustentar 1 aposentado, a situação deste aposentado será tranquila e ele viverá confortavelmente. Porém, havendo apenas 2 trabalhadores para sustentar 1 aposentado, a situação fica desesperadora. Ou esses 2 trabalhadores terão de ser tributados ainda mais pesadamente para sustentar o aposentado, ou o aposentado simplesmente receberá menos (bem menos) do que lhe foi prometido.

    Portanto, para quem irá se aposentar daqui a várias décadas e quer receber tudo o que lhe foi prometido hoje pelo INSS, a mão-de-obra jovem do futuro terá de ser ou muito numerosa (uma impossibilidade biológica, por causa das atuais taxas de fecundidade) ou excessivamente tributada (algo que não é duradouro).

    Eis o fato irrevogável: contra a demografia e a matemática, ninguém pode fazer nada.

    A não ser mudar totalmente o sistema.

    Uma proposta para uma reforma definitiva da Previdência


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