O que explica a pobreza em uma economia formada por pessoas laboriosas?

Um episódio da série No Reservations — um seriado com enfoque em culinária exibido no Travel Channel, e apresentado por Anthony Bourdain — apresentou aos seus espectadores a cidade de Porto Príncipe, capital do Haiti.  Já haviam me dito que esse episódio oferecia um vislumbre singular a respeito do país e de seus problemas.  Eu apenas não imaginava o quanto isso era verdade.  Através das lentes que focalizam a comida, podemos apreender algumas ideias sobre a cultura local, e da cultura podemos ter uma ideia da economia, e da economia para a política e, finalmente, para tudo o que há de errado nesse país e do que pode ser feito quanto a isso.

Através da objetiva da câmera, aprendemos mais sobre a economia do país do que teríamos aprendido caso o programa fosse totalmente voltado para questões econômicas.  Caso o episódio fosse centrado em economia, sem dúvida ele apresentaria intermináveis e maçantes entrevistas com várias autoridades financeiras e vários especialistas do FMI, além de muita conversa sobre balança comercial e outros agregados macroeconômicos completamente sem propósito.

Porém, com o enfoque voltado para a comida e a culinária, podemos ver o que é que impulsiona e orienta a vida diária da multidão de haitianos.  E o que descobrimos é surpreendente em vários sentidos.

Em uma cena no início do programa, rodada exatamente nessa enorme cidade onde ocorreu um devastador terremoto em janeiro de 2010, Bourdain e sua equipe fazem uma parada em uma barraca de rua para comer alguma comida local.  Ele discute os ingredientes da comida e experimenta algumas iguarias.  Uma multidão de pessoas famintas começa a se juntar ao redor dele.  Porém, elas não estão interessadas em fazer pose para as câmeras; elas estão apenas observando, na esperança de sobrar algo para elas comerem.

E então, Bourdain, com a intenção de fazer algo bom para todos, tem uma ideia.  Sabendo que apenas nessa refeição ele está comendo o equivalente ao que a maioria dos haitianos come em três dias, Bourdain decide comprar o restante da comida dessa vendedora para distribuí-las gratuitamente para todos os nativos ali presentes.

Belíssimo gesto!  Exceto pelo fato de as coisas não saírem exatamente como o planejado.  Assim que a notícia sobre a comida grátis se espalha — o boca a boca no Haiti é mais rápido que um chat no Facebook —, as pessoas começam a se aglomerar aos montes ao redor desse local.  Filas se formam e se expandem.  Algumas pessoas se agitam.  Outras, em reação, tentam manter a ordem.  Elas trazem cintos e começam a bater nos agitados.  Toda a cena se torna bastante desagradável para todos — e o telespectador fica com a sensação de que tudo é ainda pior do que o que está sendo mostrado.

Aqui está a cena.

Bourdain aprende corretamente a lição: a solução para o problema da pobreza é mais complexa do que aparenta à primeira vista.  Boas intenções dão errado.  Ele e sua equipe estavam pensando com o coração e não com a cabeça, e acabaram causando mais dor e sofrimento do que havia originalmente no local.  Desse acontecimento em diante, ele começa a abordar os problemas do país com um pouco mais de sofisticação.

O restante do episódio nos leva a um passeio por bairros extremamente pobres, mostrando exposições artísticas, festivais e desfiles em ruas — e entrevistas com todos os tipos de pessoas que conhecem o estado das coisas no Haiti.  Mas não se trata de programa cuja intenção é manipular seus sentimentos de maneira convencionalmente dramática.  Sim, há o óbvio sofrimento humano, mas a impressão geral que tive não foi essa.  Ao contrário, fiquei com a sensação de que o Haiti é um lugar bastante comum, igual a todos os outros lugares que conhecemos, mas com uma grande diferença: eles são muito pobres.

Na época em que esse programa havia sido filmado, aquele glamour pós-terremoto, que havia atraído vários visitantes americanos para o local com a intenção de ajudar, já havia desaparecido.  Um que ainda permanece lá é o ator Sean Penn.  Embora ele seja amplamente conhecido como um esquerdista hollywoodiano, ele está realmente morando lá, movendo-se estrepitosamente em seu carro, subindo e descendo os morros de um bairro extremamente pobre da cidade, todo barbado e desgrenhado, sendo aquilo que ele classifica como "funcionário", transportando coisas para as pessoas que precisam.  Ele não apresentou respostas fáceis, porém desfiou palavras fortes sobre os doadores americanos, palavras extremamente interessantes vindas de um esquerdista que, supostamente, deveria acreditar em distribuição de renda: apenas despejar dinheiro em novos projetos não vai ajudar ninguém.

As pessoas do Haiti retratadas no programa de fato correspondem a tudo aquilo que todos os visitantes sempre dizem a respeito delas.  São notavelmente amigáveis, talentosas, empreendedoras, felizes e cheias de esperança.  Como a maioria das pessoas, elas odeiam seu governo.  Na realidade, elas odeiam o governo muito mais do que a maioria dos americanos odeia o seu.  Isso realmente é uma precondição para a liberdade.  Há uma genuína sensação de nós-contra-eles no Haiti; tão viva é essa sensação que, quando o palácio presidencial desmoronou no recente terremoto, multidões se juntaram ao redor para vibrar abertamente.  Foi um consolo em meio a toda uma terrível tempestade.

Aí vem a pergunta: com todo esse povo empreendedor, trabalhador e criativo — milhões de pessoas —, como pode haver algo de errado no país?  Por que eles são tão pobres?  Bom, é verdade que o terremoto destruiu a maioria das casas.  Se isso tivesse ocorrido nos EUA, por exemplo, esse terremoto não causaria o mesmo nível de estragos.  Toda a destruição causada pelo terremoto levou algumas pessoas a crer que, de alguma forma, a ausência de códigos de edificação, que determinam normas mínimas de segurança para a construção de prédios e de outras estruturas, foi a principal causa do problema.  Logo, a solução estaria em mais imposições e controles governamentais mais rígidos.

Porém, a realidade mostra que essa noção de códigos de edificação é algum tipo de pilhéria.  A própria ideia de que um governo poderia melhorar a situação de todos caso ele apenas saísse por aí punindo pessoas que constroem abrigos para si próprias — ao mesmo tempo em que estas se recusam a obedecer às ordens do planejamento central — é simplesmente risível.  Uma coerção desse tipo não geraria absolutamente nenhum resultado positivo, levando apenas a amplos níveis de corrupção, violência e falta de moradia.

O âmago do problema, como bem explicou Robert Murphy, nada tem a ver com falta de regulamentações.  O problema está na ausência de riqueza.  Trata-se de uma óbvia verdade dizer que as pessoas sempre irão preferir morar em casas seguras, e não em casas de estruturas frágeis; porém, a questão é: qual é o custo disso? É economicamente viável?  Querer é uma coisa; poder fazer é outra.  No caso específico do Haiti, a resposta é: não, não é viável; não com uma população que mal consegue sobreviver no dia a dia.

O que nos leva a outra pergunta: onde está a riqueza do país?  Afinal, há um grau extremamente elevado de comércio, há muitas pessoas trabalhando e fazendo vários tipos de coisa, há uma vasta gama de trocas e transações comerciais, e o dinheiro muda de mão frequentemente.  Com tudo isso, por que o lugar permanece desesperadoramente pobre?  Se os economistas estão corretos ao dizer que o comércio é o caminho para a riqueza — e há um amplo comércio no Haiti —, por que a riqueza não surge?

Ao se elaborar a questão desta maneira, fica fácil entender por que as pessoas facilmente se confundem; afinal, a resposta não é nada óbvia para aqueles que não possuem algum entendimento econômico.  Um visitante aleatório poderia facilmente concluir que o Haiti é pobre porque, de alguma forma, sua riqueza está sendo sugada pelo seu vizinho do norte, os Estados Unidos.  Se os EUA não estivessem devorando grande parte do estoque de riquezas do mundo, esta poderia ser distribuída de maneira bem mais uniforme, abrangendo também o Haiti nessa distribuição.  Ou, uma outra teoria poderia dizer que as empresas multinacionais, ou até mesmo as instituições que fazem ajuda humanitária, estariam de alguma forma roubando todo o dinheiro e privando os haitianos de utilizá-lo.

Estas não são teorias simplórias ou tolas; são apenas teorias — que não podem ser confirmadas nem refutadas apenas pelos fatos.  Elas apenas se revelam erradas quando você passa a entender uma constatação central da teoria econômica: trocas comerciais são condições necessárias para a acumulação de riqueza, mas por si só elas não são condições suficientes.  Ainda mais importante para a acumulação de riqueza é aquela preciosa instituição chamada capital.

O que é capital?  Capital é um bem (ou serviço) que é produzido não para ser consumido, mas para ser utilizado na produção de outros bens ou serviços.  Exemplos de capital são os bens físicos de empresas e indústrias: as instalações, as ferramentas, os maquinários, os equipamentos etc.  Capital é tudo aquilo que auxilia um modo de produção.

A existência de indústrias de capital permite que a estrutura de produção de uma economia seja subdividida em vários estágios de produção, em mais de milhares de etapas que se interligam ao longo dessa vasta estrutura de produção.  Quanto mais longa uma cadeia produtiva, maior a qualidade dos bens produzidos. 

O capital é a instituição que gera o comércio entre empresas, que amplia a mão-de-obra, que dá origem a empresas e fábricas, que estimula a especialização, e que possibilita a produção de todos os tipos de coisas — coisas que por si sós não são úteis como objetos de consumo final, mas que são úteis para a produção de outras coisas.

O capital não deve ser definido como um bem em particular — a maioria das coisas possui muitas variedades de uso —, mas sim como o propósito para a criação de um bem.  Seu propósito é expandido durante um longo período de tempo com o objetivo supremo de produzir bens para o consumo final.  O capital é empregado em uma longa estrutura de produção que pode durar um mês, um ano, 10 anos ou 50 anos.  O investimento nos estágios iniciais da cadeia produtiva (também chamados de estágios mais altos, aqueles que estão mais longe do produto final) ocorre muito antes de haver qualquer ganho oriundo do consumo do bem final que será produzido.

Como Hayek enfatizou em seu livro The Pure Theory of Capital, outra característica definidora do capital é que se trata de um recurso não permanente que deve, contudo, ser mantido e preservado ao longo do tempo para que continue gerando um fluxo de renda.  Isso significa que o proprietário do capital deve ser capaz de saber contratar trabalhadores, substituir as partes desgastadas de todo o seu maquinário, garantir a segurança da linha de produção e saber como manter as operações gerais ao longo de todo esse extenso período de produção.

Em uma economia desenvolvida, a vasta maioria das atividades produtivas consiste em participar desses setores de bens de capital, e não dos setores de bens de consumo final.  Com efeito, como exlicou Murray Rothbard em Man, Economy, and State,

Durante qualquer período de tempo, toda essa estrutura é propriedade dos capitalistas.  Quando um capitalista se torna o proprietário único de toda a estrutura, esses bens de capital — e isso deve ser enfatizado — não lhe trazem absolutamente nenhum benefício.

E por quê?  Porque a valoração de todos os bens de capital — isto é, a atividade que realmente gera todo o valor dos bens de capital — é conduzida apenas em nível do consumo final.  O consumidor final é o senhor do mais rico dos capitalistas.  É ele quem, por meio de seus atos de compra de bens de produto final, imputa o valor de todos os bens de capital.  É o consumidor final quem determina o quão rico é o capitalista.

Muitas pessoas (e eu já estive entre elas) criticam o termo capitalismo porque ele implica que a liberdade se resume em privilegiar os proprietários de capital.

Porém, há um sentido em que capitalismo é o termo perfeito para uma economia desenvolvida: a evolução, a acumulação e a sofisticação do setor de bens de capital é a principal característica que diferencia uma economia desenvolvida de uma economia subdesenvolvida.

A expansão do setor de bens de capital foi a grande contribuição dada ao mundo pela Revolução Industrial.

O capitalismo de fato surgiu em um momento específico da história, como explicou Mises, e foi nesse período que começou a democratização em massa da riqueza.

O aumento da riqueza, portanto, sempre é caracterizado por uma ampliação das etapas da estrutura de produção de uma economia, da ampliação das etapas da cadeia produtiva.  Tais etapas de produção praticamente inexistem no Haiti.  A esmagadora maioria das pessoas no Haiti pratica apenas atividades comerciais cotidianas.  Elas vivem apenas para o dia de hoje, elas comercializam apenas para o dia de hoje, elas planejam apenas para o dia de hoje.  O horizonte temporal delas é necessariamente curto, e a estrutura econômica do país é um reflexo disso.  É por essa razão que todo o trabalho duro, todo o comércio e toda aquela ocupação que existe no Haiti não se transmutam em riqueza genuína.  A sensação é a de estar pedalando uma bicicleta estática.  Você trabalha duro e se torna cada vez melhor naquilo que faz, porém você na verdade não está indo a lugar nenhum; sua vida não está melhorando.

Isso é interessante porque qualquer um pode facilmente se deixar enganar ao olhar para o Haiti e ver todas aquelas pessoas trabalhando e produzindo loucamente, mas aparentemente sem estarem progredindo.  Sem uma correta compreensão da teoria econômica, é praticamente impossível ver o que não se vê: o capital que está ausente é o que permitiria o crescimento econômico.  E essa é a razão absoluta da persistência da pobreza — a qual, afinal, é, sempre foi e sempre será a condição natural da humanidade.  É necessário algo heróico, algo especial, algo historicamente único para se sair dessa condição.

Agora o porquê da ausência de capital.

A resposta tem a ver com o regime.  Trata-se de um fato bem conhecido que qualquer acumulação de riqueza no Haiti faz de você um alvo, se não da população em geral (a qual cresceu aprendendo a suspeitar de toda e qualquer riqueza, e provavelmente por bons motivos), então certamente do governo.  O regime, não importa quem esteja no comando, é como um cachorro voraz à solta, ávido por devorar qualquer riqueza privada que porventura surja.

Isso cria algo ainda pior do que o problema da "incerteza do regime", termo cunhado por Robert Higgs.  O regime é certo: é certo que ele vai espoliar tudo que puder, sempre que puder, eternamente.  Logo, por que as pessoas não elegem os bons e retiram os ruins da vida pública?  Bom, todos nós que temos experiência com a democracia sabemos muito bem a resposta: não há os bons.  O sistema em si é propriedade do estado e enraizado no mal.  Qualquer mudança sempre será algo ilusório, uma ficção criada para consumo público.

O Haiti é um exemplo interessante de uma maneira peculiar de como o governo está impedindo a prosperidade.  O governo não está destruindo o país diretamente por meio de uma intensa aplicação de tributos, regulamentações ou estatizações.  É até possível crer que a maioria dos haitianos realmente nunca ficou cara a cara com um burocrata do governo e nunca teve de lidar com papelada ou burocracias.  O estado ataca apenas quando há algo a ser espoliado.  E roubar é algo que ele faz: previsivelmente e consistentemente.  E apenas isso já é o suficiente para impedir qualquer acumulação de capital, garantindo assim um permanente estado de pobreza.

Por fim, um adendo: há no mundo várias pessoas firmemente convencidas de que todos nós estaríamos em melhor situação caso nós mesmos cultivássemos nossa comida, comprássemos apenas nas mercearias locais, proibíssemos as empresas de crescer, abríssemos mão de conveniências modernas, como aparelhos elétricos e utensílios domésticos sofisticados, voltássemos a utilizar apenas produtos naturais, expropriássemos poupadores ricos, e assediássemos a classe dos capitalistas até que eles se sentissem indesejados e desaparecessem afugentados.  Esse paraíso sonhado tem um nome: Haiti.

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Leia também:

A pobreza é fácil de ser explicada

Trabalho, emprego, poupança e capital

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SOBRE O AUTOR



OFF-TOPPIC: pessoal do IMB, seria possível vocês redigirem um artigo refutando as teorias conspiratórias sobre o Nióbio que abundam desde a época do Enéias? Quinta-feira o Instituto Liberal reiniciou o debate, e seria ótimo se vocês dessem continuidade. Eis o que comentei no website do IL, é o que resumidamente penso do assunto:

"Se há indícios concretos ou, ao menos, motivos para crer que as empresas autorizadas pelo Estado brasileiro a retirarem do solo e comercializarem este metal estão cometendo fraudes de qualquer natureza, em conluio com grupos estrangeiros ou não, a solução é, em se confirmando as irregularidades, rescindir os contratos de permissão em vigor e abrir este mercado para mais empresas interessadas no empreendimento - seja lá de onde elas forem. A que oferecer a melhor barganha leva as jazidas - e paga impostos sobre tudo o que produzir. Elevar o preço na marra? Claro, abusar desta condição de quase monopolista pode funcionar no começo, mas no médio prazo surgirão alternativas de melhor custo-benefício para atender a demanda daqueles insatisfeitos com a situação. Deixar de vender o Nióbio como comodittie e agregar valor ao mineral em nossa indústria da transformação? Seria ótimo, se nosso parque industrial não estivesse parado no tempo desde meados do século passado. Só falta criarem a estatal NIOBRÁS no Brasil, que dará origem ao escândalo do NIOBRÃO. O brasileiro não aprende mesmo: sempre achando que vai encontrar um bilhete premiado no chão e poderá passar o resto da vida bebendo e sambando."
"Tal afirmação nunca foi feita. Em ponto nenhum do artigo. E nem em nenhum outro artigo"

Não me refiro à uma frase ou texto escrito nos artigos do IMB. Estou questionando a percepção daqueles que defendem esse modelo de afrouxamento da terceirização proposto pelo governo, pois essa discussão toda é parte da realidade em que estamos vivenciando. Aliás, não creio que esse artigo seja uma mera exposição teórico-dissertativa acerca do que seria e quais os benefícios de uma terceirização segundo os liberais, muito menos um texto desvinculado da conjectura atual, como você transparece para quem lê. Logo, minha indagação é pertinente, ainda que, o que questiono, não esteja explicitamente escrito no artigo.

Em relação ao artigo linkado, em momento algum vi algo a mostra que abordasse diretamente o problema terceirização-corporativismo privado que eu levantei acima. O que mais se aproxima seria esse trecho:
"Em primeiro lugar, a ideia de que custos menores para empresas é algo ruim. Além do fato de que custos baixos permitem maior acúmulo de capital — o que possibilita mais investimentos e mais contratações —, falta explicar como que custos de contratação menores podem ser ruins para pessoas à procura de emprego."
Sim, não há problema algum em um empresário tentar reduzir seus custos para se adequar a concorrência e auferir maiores lucros. O entrave se encontra, como eu falei, no empresário monopolista que não possui um fator invísivel para motivá-lo à otimizar sua produção. A mão visível do Estado garante que seu produto inevitavelmente será consumido e, com isso, seu lucro será certeiro. Por conseguinte, não há a preocupação constante deste em inovar, melhorar a qualidade, aumentar a produtividade da sua mão de obra. Nesse sentido, a terceirização beneficia esse empresário, justamente por rebaixar seus custos com contratados (temporários ou não) à niveis abaixos daquilo que os empregados produzem, sabendo se que eles estão confortáveis em relação aos processos trabalhistas que enfrentarão (ajudinha estatal). Bem como, estagna ou retarda as inovações, tendo em vista que sua produção atual será adquirida pelos consumidores à um preço "monopolístico" durante um tempo maior que o de uma concorrência que existiria num livre mercado. Ademais, seu produto foi feito empregando mão-de-obra com um ônus muito abaixo daquilo que ela de fato produz. Desse modo, a margem de lucro é gigantesca, sendo que esse lucro pode sim ser revertido em capital para futuras melhoras, o que, na minha opinião, não aflinge ou preocupa de modo algum uma empresa monopolista, pois esta pode facilmente pegar crédito subsidiado de bancos estatais, ou ser empreendido em outros investimentos pessoais e, na minha percepção, fúteis e de pouco potencial de gerar valor no futuro.

ARTIGOS - ÚLTIMOS 7 DIAS

  • Leonardo  12/05/2011 11:25
    "... há no mundo várias pessoas firmemente convencidas de que todos nós estaríamos em melhor situação caso nós mesmos cultivássemos nossa comida, comprássemos apenas nas mercearias locais, proibíssemos as empresas de crescer, abríssemos mão de conveniências modernas, como aparelhos elétricos e utensílios domésticos sofisticados, voltássemos a utilizar apenas produtos naturais, expropriássemos poupadores ricos, assediássemos a classe dos capitalistas até que eles se sentissem indesejados e desaparecessem afugentados. Esse paraíso sonhado tem um nome: Haiti."\r
    \r
    Citação mto boa essa do final !!
  • void  12/05/2011 12:13
    Lendo esta verdadeira AULA vejo quão frustrante foram os anos de colégio.
  • Adriel Santana  12/05/2011 12:52
    Após a leitura de um artigo tão sensato como esse, fico imaginando o quão feliz eu seria se fosse possível ter estudado em um colégio que seguisse as orientações e idéias da Escola Austríaca. Com certeza teria poupado vários anos e neurônios gastos acreditando e defendendo todo o tipo de idéia estúpida que me foram incutidas.

    Parabéns a Jeffrey Tucker pelo artigo e ao Instituto Mises por exibí-lo aqui.
  • Cristiano  12/05/2011 16:40
    O artigo serve pra orientar as pessoas que gostam de fazer doações sobre o que realmente é preciso para se criar riqueza: Liberdade e propriedade.
  • Getulio Malveira  12/05/2011 18:41
    Liberdade e propriedade: certamente condições necessárias, embora a meu ver não suficientes, para se criar riqueza.
  • André Ramos  12/05/2011 20:16
    Um dos melhores artigos publicados pelo IMB.
  • Fernando Chiocca  15/05/2011 02:09
    Um dos melhores artigos publicados pelo IMB.[2]
  • Arnaldo  12/05/2011 22:13
    Um enfoque muito interessante da EA sôbre a pobreza.
  • mario  12/05/2011 22:20
    Não é o comércio que cria riqueza meus caros. Ela gerada na produção.
  • Norbs  13/05/2011 05:38
    Diga isso pro magazine luiza
  • Helio Souza  13/05/2011 11:46
    Faço coro aos colegas

    Também tive uma educação com base em idéias absurdas de um estado promotor do crescimento. É engraçado que lendo os textos do IMB, todas essas idéias se desmoronam feito um castelo de cartas, dada a coerência e clareza da teoria austríaca. E cada texto lido parece ser um melhor que o outro, mas na verdade todos se complementam. É realmente um dos melhores textos do site (talvez no próximo texto eu esteja repetindo isso novamente).
  • Igor  10/05/2016 19:48
    Faço coro aos colegas

    Também tive uma educação com base em idéias absurdas de um estado promotor do crescimento. É engraçado que lendo os textos do IMB, todas essas idéias se desmoronam feito um castelo de cartas, dada a coerência e clareza da teoria austríaca. E cada texto lido parece ser um melhor que o outro, mas na verdade todos se complementam. É realmente um dos melhores textos do site (talvez no próximo texto eu esteja repetindo isso novamente).


    Helio,

    Cinco anos depois aqui estou eu lendo o artigo pela primeira vez e ratifico o teu comentário.

    Abraço!
  • Fernando  13/05/2011 17:22
    Muito Obrigado!
  • Thiago Augusto  14/05/2011 22:00
    Elucidativo
  • Aecio Ribeiro  16/05/2011 13:58
    Fantástico!
  • Eve  17/02/2012 19:08
    Estou tendo problemas para curtir (pelo botão do Facebook) este e outros textos do Tucker que peguei para reler agora. Não sei se outros já reportaram isto antes de mim. Se for o caso, peço desculpas.
  • Equipe IMB  17/02/2012 19:33
    Infelizmente estamos com esse problema. Vários textos tiveram seus "curtir" do Facebook todos zerados. O problema ocorre com o Chrome. Curiosamente, se você acessar o artigo sem estar logada no Facebook os "curtir" se tornam visíveis.

    O mesmo também ocorre com o Firefox, embora haja alguns relatos de que com este navegador a coisa esteja normal.
  • Anonimo.  03/01/2016 12:05
    Facebook é uma tralha descaradamente esquerdista.
  • evandro  12/03/2013 19:25
    Sendo o capital a base para o crescimento, tenho uma dúvida: caso abríssemos a nossa economia para as importações, sem mudanças de legislação trabalhista e tributária, poderia ocorrer uma ''DESINDUSTRIALIZAÇÃO'' do país, correto? Caso isso ocorresse, o setor de serviços conseguiria desenvolver-se plenamente, dizendo melhor, sem a base industrial (capital) como ''motor de partida'' da economia, o setor de comércio e serviços não estaria ''condenado'' a não ter uma remuneração tão boa, graças a ausencia da ''base'' industrial? (sei que no Brasil continuaríamos tendo as comodities funcionando como motor departida, mas em um país com pouca área agricultável e poucas riquezas naturais como o japão, a desindustrialização não poderia ser perigosa? Ressalto que no meu cenário o governo não faria (infelizmente) sua parte, desonerando as empresas atraves de reformas tributária e trabalhistas... o que vcs acham?
  • Leandro  12/03/2013 20:18
    Existe uma diferença entre 'desindustrialização' e a perda de empregos no setor industrial. Uma coisa não tem nada a ver com outra. Abertura da economia implica maiores importações de bens de capital, o que, por definição, aumenta a produtividade das empresas e, consequentemente, reduz os custos e os preços.

    Por isso, é preciso explicar se os empregos que sumirão na indústria são realmente necessários. Se você está preocupado com os empregos industriais, sim, em qualquer situação, a abertura da economia e o fortalecimento da moeda irá acabar com aqueles empregos nas indústrias menos competitivas. E isso é positivo. Ao contrário do que o senso comum apregoa, a função de uma economia capitalista não é gerar empregos. A função de uma economia capitalista é aumentar o padrão de vida as pessoas. Empregos em indústrias ineficientes nada mais são do que um desperdício de recursos escassos. Essa mão-de-obra poderia estar sendo mais bem aproveitada no setor de serviços, e o maquinário imobilizado nessa indústria ineficiente seria mais bem aproveitado em outras linhas de produção. David Ricardo e sua teoria das vantagens comparativas já havia explicado isso ainda no século XVIII.

    Ademais, mesmo que o sujeito seja demitido do setor industrial e vá para o setor de serviços em troca de um salário nominal menor, no longo prazo, por causa da contínua valorização cambial (é importante o governo deixar isso ocorrer), seu padrão de vida estará maior. Ele terá acesso a bens importados e de qualidade a preços cada vez menores. É essa facilidade de acesso a uma grande oferta de bens e serviços de qualidade que define um padrão de vida.

    Empregos, como explicado neste artigo, sempre existirão. Não é porque alguns empregos no setor industrial sumiriam, que haveria a total falta de empregos no país.
  • evandro  14/03/2013 19:18
    Gostaria que voce comentasse essas palavras do Jose Serra, qto a desindustrialização: ''Nada contra a brilhante expansão da produção e da exportação de bens agrominerais. Mas alguém acredita, e demonstra, que, além do papel estratégico na geração de divisas, esse setor poderia tornar-se o eixo dinâmico de um país continental, de 200 milhões de habitantes? Não me parece, igualmente, que esse eixo possa ser formado pelos setores financeiro, de biotecnologia, de tecnologia digital, etc., atividades de maior eficiência na área de serviços e essenciais para o progresso econômico, mas que geram poucos empregos.

    A indústria é o macrossetor que gera, na média, os melhores empregos, paga os melhores salários e cuja produtividade é a mais alta. É o que mais inova e tem os maiores efeitos de encadeamento para trás (insumos correntes e de capital), para a frente (comércio), de demanda final (massa salarial) e fiscal (mais arrecada). É o macrossetor que lidera o processo em todas as economias que cresceram mais rapidamente nas últimas décadas.

    O retrocesso industrial comprometeu a qualidade dos empregos gerados. De 2003 a 2012, entre os trabalhadores com carteira assinada e que ganham acima de dois salários mínimos, o número de pessoas demitidas superou amplamente o de contratadas. Entre 2009 e 2012, esse saldo negativo ultrapassou 1,3 milhão de pessoas. O crescimento do emprego concentrou-se nas faixas abaixo de dois mínimos, liderado pelo setor de serviços....'' o que vc acha desta análise dele em relação as vantagens dos empregos nas industrias em comparação ao setor de serviços?
  • Mauro  14/03/2013 19:25
    Não há absolutamente um único país de primeiro mundo em que o setor industrial seja majoritário.

    Esse pessoal cepalista parou no tempo. Ainda estão na década de 1970 e 1980, na época da proibição das importações. Sim, se você trabalho em uma área protegida pelo governo, é óbvio que seu salário será alto. Mas você estará ganhando à custa do povo, que é proibido de adquirir bens externos mais baratos. Seu padrão de vida será alto e o de todo o resto será baixo. Quem defende isso é mercantilista.
  • Lucas Prado  27/04/2014 23:27
    Existe, então, alguma saída para um país como o Haiti? O país não tem mão-de-obra qualificada e nem uma boa infra-estrutura para atrair investimentos de capital externo. Capital interno a ser investido não existe também, como diz o artigo. Qual seria a solução para um país como esse então?

    A única que eu posso enxergar, e que não depende apenas dos haitianos, é os países ao redor dele se abrirem para migrações. Os haitianos poderiam sair de lá em busca de condições melhores, poderiam enriquecer e depois investir no próprio país se quisessem. Se não quisessem, pelo menos enviaria dinheiro para a família que estaria no país e melhoraria a condição deles e a dos que estão a sua volta ou então os tiraria do país, diminuindo a pobreza do país ao passo que diminui o número de pobres lá dentro.

    Não sei se meu raciocínio está certo, se alguém pudesse me ajudar nessa questão agradeceria.
  • Emerson Luis, um Psicologo  04/12/2014 00:03

    O trabalho e a autodisciplina são fundamentais, mas é necessário que possa haver poupança e investimento, o que requer um ambiente de liberdade econômica e respeito à propriedade privada. Por isso muitos países têm populações laboriosas, mas continuamente pobres.

    * * *
  • Perguntas  02/01/2016 15:55
    A questão é a seguinte: por que o Haiti, com a menor carga tributária da América Latina, é o país mais pobre do continente?

    Por que o Haiti não se desenvolve?

    Por que o Haiti não consegue acumular capital? (dizem que baixa carga tributária estimula a acumulação de capital)
  • Resposta  02/01/2016 18:16
    Porque carga tributária, por si só, está longe de definir toda a questão.

    O que gera riqueza é divisão do trabalho, poupança, acumulação de capital (o que permite grandes investimentos), capacidade intelectual da população (se a população for burra, a mão-de-obra terá de ser importada), respeito à propriedade privada, segurança institucional, desregulamentação econômica, moeda forte, ausência de inflação, empreendedorismo da população, leis confiáveis e estáveis, arcabouço jurídico sensato e independente, ambiente institucional previsível etc.

    O Haiti não tem absolutamente nada disso.
  • anônimo  02/01/2016 22:48
    E o que impede que o Haití tenha tudo isso?
  • Antônimo  02/01/2016 23:27
    Cultura da população e tradição de governos totalitários (estude sobre Papa Doc, Baby Doc e os Tontons Macoutes).

    Impossível aquele troço prosperar.


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