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Por que a surpresa com a situação da Vale?

Como todos já sabem, o governo federal resolveu intervir na gerência da Vale para trocar seu atual presidente, Roger Agnelli, que teve o despeito de implementar algumas medidas que contrariaram os interesses políticos do governo, como demitir alguns empregados e cortar investimentos durante a recessão de 2009 — afinal, no Brasil, como se sabe, uma empresa possui "função social", e seu objetivo precípuo, em vez do lucro, é tomar medidas que sejam boas para a imagem do governante do momento.

Porém, a única coisa realmente surpreendente nessa atual situação da Vale é que o governo tenha demorado tanto para se intrometer na empresa.  Explico.

Desde que foi vendida em 1997, grande parte de suas ações permaneceu em mãos do estado.  Ao invés de sair completamente do setor e deixar a mineradora em mãos totalmente privadas, livre de influências políticas e buscando livremente o lucro, a venda foi feita com amplos recursos do BNDES e com a participação de fundos de pensão de estatais.  Hoje, o governo federal, por meio do BNDES Participações, dos fundos de previdência de suas estatais e de sua participação direta, detém 61,51% da holding que controla a mineradora (a Valepar, que por sua vez detém 53,3% do capital votante, ou 33,6% do capital total).  Já o Bradesco, que escolheu Agnelli para comandar a Vale em 2001, detém 21,21% da Valepar, por meio da Bradespar, empresa de participações dos donos do Bradesco.  A atual peleja para se retirar Roger Agnelli ocorre simplesmente porque são necessários 75% dos votos para trocar a presidência.

Como explicado nesse artigo, as únicas desestatizações genuínas no Brasil ocorreram com as empresas vendidas no governo Collor e, quem diria!, no governo Itamar.  A partir do governo FHC, não houve mais nenhum setor que tenha sido genuinamente desestatizado — ou as empresas foram vendida para fundos de pensão de estatais, ou foram criadas inúmeras agências reguladoras para se controlar as empresas vendidas, ou uma mistura de ambas as coisas.  Em momento algum o estado se retirou em definitivo do comando (direto ou indireto) dessas empresas.

Não é preciso ter neurônios muito apurados para saber que, se você apenas trocar o modo de gestão de uma empresa, mas permitir que o estado continue interferindo via controle acionário ou via agências reguladoras, em algum momento ele vai se impor e começar a interferir mais diretamente.  Precisa apenas de uma desculpa para isso.

No caso específico da Vale, a simples retirada do governo do controle principal da empresa já foi suficiente para modernizar e dar eficiência à sua gestão.  O número de empregados pulou de 11 mil em 1997 para os mais de 50 mil atuais.  Após ter sido passada para o gerenciamento privado, seu ganho de eficiência e sua lucratividade aumentaram de forma tão surpreendente — em grande parte por causa da forte demanda da China por minério de ferro —, que era óbvio que o governo, em algum momento, ficaria faminto para se apossar dela novamente, de olho nas mamatas e nos cargos do alto escalão que a gigante pode propiciar a políticos e a seus apadrinhados (sendo essa a função precípua de toda empresa em mãos do estado).

Não se está dizendo aqui que o governo vai reestatizá-la por completo.  Afinal, como todos os governantes ocidentais já perceberam, eles não sabem gerenciar empresas.  É muito melhor deixar tal tarefa em mãos privadas.  Nesse arranjo, os lucros são incomparavelmente maiores, o que permite ao governo ficar na extremamente cômoda posição de apenas coletar as receitas tributárias, as quais são muito maiores do que a receita que teria caso estivesse ele próprio gerenciando a empresa.  Por que alterar esse arranjo agora?

Por isso, tudo o que os políticos querem é ter "gente de confiança" no comando da empresa, o que irá gerar um apetitoso número de empregos, cargos e boquinhas para petistas e correligionários — algo que pode ser fundamental e estratégico em algum futuro governo da "oposição".  Os milionários contratos de publicidade — que fazem salivar as agências favoritas do governo e excitam os sindicalistas, que assim aumentam seu poder de barganha — se tornam muito mais "interessantes" quando há companheiros no comando de uma grande empresa.

Em suma, estamos testemunhando a boa e velha estratégia do aparelhamento, algo que funciona maravilhosamente bem na democracia; algo que funciona à perfeição em países que nunca experimentaram um genuíno capitalismo de livre mercado e que ainda vivem presos a esse arranjo mussoliniano de capitalismo de estado. 

O atraso não se improvisa; é algo cuja arte do domínio só é adquirida após décadas de intensa dedicação.


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SOBRE O AUTOR

Leandro Roque
é o editor e tradutor do site do Instituto Ludwig von Mises Brasil.


"Por exemplo, o relativo à questão estrutural, que devido ao orçamento praticamente ser engessado pelos gastos com servidores, aposentados e pensionistas, tem-se muita dificuldade em fazer qualquer redução ou enxugamento da máquina estatal."

Na verdade, isso foi abordado no artigo.

O fato é: durante a expansão do crédito, quando a quantidade de dinheiro na economia aumentava continuamente, a arrecadação dos governos estaduais não parava de subir. Consequentemente, os governadores não paravam de criar novos gastos. Era uma farra que foi vista como perpétua.

Agora que o crédito secou, a oferta monetária estancou e a economia degringolou (com o fechamento de várias empresas), o aumento previsto das receitas não ocorreu. Na verdade, pelos motivos explicados no artigo, as receitas estão caindo. Mas os gastos contratados continuaram subindo.

Gastos em ascensão e receitas caindo -- é claro que a conta não vai fechar.

O RJ teve o problema adicional da lambança feita na Petrobras, o que reduziu bastante as receitas do estado com a extração de petróleo. Mas, mesmo que a Petrobras estivesse supimpa, a situação do estado continuaria calamitosa. Um pouquinho melhor do que é hoje, mas calamitosa.

Lição: é impossível brigar contra as leis da economia.

"a partir de 2009, os estados puderam voltar a se endividar. [...] Aí os estados passaram a se financiar, ou a financiar seus investimentos, através de endividamento e não de a partir de suas receitas. E mais com o dado de que o ex-ministro da Fazenda, Guido Mantega, assinou (uma a uma) autorizações de crédito pra estados e municípios que tinham classificação de crédito C e D."

Como você corretamente colocou, os estados eram avalizados pelo governo federal. Eles só podiam pedir emprestado se o governo federal fosse o fiador do empréstimo.

Vale ressaltar que esses empréstimos aos estados são efetuados pelos bancos estatais (com a garantia do governo federal). E esse foi exatamente o tema do artigo.

Esses empréstimos dos bancos estatais direcionados aos governos estaduais também permitiram que eles inchassem suas folhas de pagamento, mas sem qualquer garantia de que as receitas futuras continuariam cobrindo esse aumento de gastos.

Como a realidade se encarregou de mostrar, isso não ocorreu.

No final, tudo passa pelos bancos estatais e sua expansão do crédito de acordo com critérios políticos.

Obrigado pelas palavras e grande abraço!
Posso me meter nessa contenda.

Roberto, analisei o nexo temporal de necessidade x invenção dos medicamentos e diria que sim, Thiago está correto.

E pensando sobre isso, a necessidade antes da criação engloba tudo aquilo que escapa a ação humana e interfere em nossas vidas, como doenças, mudanças climáticas e a gênese química e biológica. Porém o cerne da Lei de Say não é o apriorismo da criação como antecedente da necessidade, mas sim de como o mercado valora a criação, e se por essa valoração intrínseca ela se perpetua ou não através do tempo. Mas vamos voltar ao exemplo do Thiago.

Por exemplo, se analisarmos técnicas de irrigação em uma biosfera árida, e existem centenas delas. A partir daqui conseguimos estabelecer o cenário de solo árido (criado por... enfim eu acredito em Deus, mas quem quiser acredite no ocaso), a necessidade subjetiva de irrigação para agricultura, e a ação humana, que irá mover recursos escassos para ali produzir, calculando custos e impondo preços, e em contrapartida novamente a ação humana, que irá verificar se esses custos são viáveis, comprando ou não os frutos daquela terra.

Com isso conseguimos estabelecer um nexo causal entre a necessidade primeira e a criação posterior, onde o agente primário criador daquele cenário árido não está entre nós. Não sabemos o por quê de ser árido. O criador desse quadro não o vendeu para nós, logo esse agente não busca o mesmo resultado que nós - o lucro. Só nós, o solo e a oportunidade subjetiva de aproveita-lo para produzir e prosperar.

O mesmo paralelo podemos estabelecer entre a doença e a medicina, onde nós somos o terreno criado pelo agente oculto, e neste terreno habitam doenças causadoras de distúrbios (também criadas pelo mesmo agente).

Apriorísticamente desde quando nascemos existe a necessidade primária de solução, ou o resultado é muitas vezes a morte. A partir dessas quase infinitas necessidades, profissionais de todas as partes do mundo criam desde os primórdios da nossa espécie técnicas e substâncias para, se não possível resolver, mitigar a necessidade trazendo conforto ao doente.

Nesse emaranhado de técnicas foram se perpetuando as mais eficientes E mais econômicas, tanto ao doente quanto ao profissional. Novamente conseguimos enxergar o nexo causal, onde a ação humana só existe após a doença, e com ela cessada, a ação humana também cessa. Sendo mais lúdico, remonto as palavras do Mestre: "Os sãos não precisam de médico".

Para concluir, os homens que estão a frente de seu tempo são aqueles que não somente criam antes da necessidade, basicamente inventando-a (afinal, quem diria como um Iphone é útil sem saber que ele existe?), mas aqueles que conseguem lidar com a necessidade criada pelo agente oculto de forma mais efetiva que seus pares, em menos tempo, e de forma mais econômica.

Obrigado por quem leu até aqui.
Leandro, me referi que em um período ou em uma ''reforma'' anunciada, seria mais racional seguir essa ordem..

E mais, eu disse:

''Eu entendo que cortar as tarifas e permitir importar carro usado, iria de fato ser positivo, ao mesmo tempo aumentaria o desemprego substancialmente nessa grave recessão e pior: O desemprego iria continuar se o empreendedorismo continuasse como esta''

Ai que ta, mesmo sobrando dinheiro para as pessoas consumirem, investirem, pouparem e empreenderem, nessa recessão e nessa burocracia asfixiante o efeito não seria tão significante, imagine nesse cenário nacional onde empreender é coisa pra maluco, uma recessão tremenda, um governo intervindo mais novamente e etc, como que poupança vai surgir, consumo, empréstimo, renda....
Repito, você esta completamente correto sobre esses efeitos lindos, só que isso em um país fora de recessão e um pouquinho mais livre... Não vejo que esses feitos aconteceriam no Brasil nesse caos atual, uma economia que no ranking de liberdade economica fica junto a países socialistas....Entende?

Sera mesmo que os resultados seriam significantes?
Essa a questão sobre ''a situação atual''.

Mas você fez eu perceber um ponto que eu antes não havia pensado, muito obrigado!

''A única maneira garantida de fazer reformas é havendo uma "ameaça" concreta e imediata. No Brasil, sempre foi assim.

Por outro lado, ficar empurrando a situação com a barriga, à espera do surgimento de uma "vontade política" para fazer uma mudança que não é urgente (e não será urgente enquanto não houver livre comércio) é garantia de imobilismo.''

Ainda acho essa ameaça utópico aqui, porque:
Que político estaria disposto a abrir a economia mas continuar engessando a economia nacional? Uma contradição pura, se algum burocrata eleito tiver disposto a abrir a economia, muito provável que ele também estará disposto a facilitar o comercio nacional. Nunca vi um exemplo de um cara que chegou e falou ''temos que abrir a economia pro mundo, mas devemos criar toda dificuldade para as pessoas empreenderem''
Ele nunca daria esse tiro no pé e criar essa ameaça que você falou, até porque mesmo que fizesse, os empresários chorariam pela volta da reserva de mercado porque é caro a produção aqui e o burocrata voltaria a estaca zero...

Por outro lado você exagerou um pouco sob minha colocação:

''Essa ideia de que primeiro temos de esperar o governo ter a iniciativa de arrumar a casa para então, só então, conceder a liberdade para o indivíduo poder comprar o que ele quiser de quem ele quiser é inerentemente totalitária''

Acho que o que der pra fazer primeiro que faça, não acho que devemos esperar o governo arrumar pra então abrir.
No meu comentário eu também quis dizer que se algum presidente estivesse disposto a fazer uma reforma pró-mercado, que então fosse assim, acredito que seria mais eficiente e com menos ''choro'' assim. Você sabe, Argentina, Brasil e afins são países inviáveis, você quer fazer reforma trabalhista nego chora, reforma da previdência nego chora.... Imagine o que os empresários brasileiros não iriam fazer quando soubessem que um presidente esta disposto a destruir as reservas de mercado amanha....
Eu acho que ''politicamente'' também seria mais eficiente do jeito que eu falei...

Agora se tivermos a oportunidade de acabar com as reservas de mercado amanha, antes de qualquer outra reforma, que ACABE!. Seria uma conquista e um passo rumo a liberdade e por isso os resultados não importariam, eu questionei a significancia desses resultados no Brasil de hoje, não acredito que seria como você disse por causa do nosso desastre e dessa economia estatal. Nunca que vou ser contra esse passo, no máximo como eu falei, em uma reforma liberal geral eu iria ''adia-la por um ano''.
Principalmente olhando mais pra realidade ''Política'' e como o País e seu povo é.

''Não faz sentido combater estas monstruosidades criando novas monstruosidades. Não faz sentido tolher os consumidores ou impor tarifas de importação para compensar a existência de impostos, de burocracia e de regulamentações sobre as indústrias. Isso é querer apagar o fogo com gasolina. ''

Não tem lógica mesmo, nesse seu comentário brilhante você respondeu como se eu fosse um protecionista, o que não é o caso kkk.
Eu apenas levantei a reflexão que: Se tivesse um cara do IMB na presidência, com carta branca pra fazer o que quiser, acho que seguir a ''ordem'' que eu disse seria mais racional, politicamente mais viável (daria pra conter melhor o choro) e por ai vai...

Nesse seu trecho, você não esta me contra-argumentando e sim um protecionista que eu não presenciei..kkkk

Novamente, não defendo o protecionismo de maneira alguma, só disse que em uma reforma austríaca no Brasil, as tarifas de importação deveriam ser extintas depois de certas reformas(não demoraria, seria uma das prioridades sim).
E questionei a significancia dos efeitos sob nossa situação atual.
Se esse fosse o tema do referendo amanha, eu votaria contra?
Obvio que não, independente de qualquer coisa....

Foi isso que eu quis passar....

tudo de bom e Grande Abraço!
Sim. A sorte é que, na prática, elas não são impingidas. Há tantos requisitos que têm de ser encontrados para que tais restrições sejam impingidas que, na prática, isso não ocorre.

https://www.hoganlovells.com/~/media/hogan-lovells/pdf/publication/competition-law-in-singapore--jan-2015_pdf.pdf

Aliás, veja que interessante: o caso mais famoso em que essa medida foi aplicada foi quando a CCS (Competition Commission of Singapore) multou 10 financistas por eles terem pressionado uma empresa a retirar uma oferta do mercado.

Ou seja, o governo, uma vez que ele existe, atuou exatamente naquela que é a sua função clássica: coibir a coerção a terceiros inocentes. No caso, coibiu uma pressão que estava sendo feita a uma empresa que estava vendendo produtos (seguro de vida) mais baratos.

www.channelnewsasia.com/news/business/singapore/10-financial-advisers/2611160.html

Eu quero.
Opa, eu também tenho correlações irrefutáveis!

tylervigen.com/images/spurious-correlations-share.png

i.imgur.com/OfQYQW8.png

https://img.buzzfeed.com/buzzfeed-static/static/enhanced/webdr02/2013/4/9/15/enhanced-buzz-25466-1365534595-12.jpg

www.tylervigen.com/chart-pngs/10.png

i.imgur.com/xqOt9mP.png

Caso queira mais é só pedir!


P.S.: ah, só para você não mais ser flagrado como desinformado, os irmãos Koch financiam o Cato Institute, que é inimigo figadal do Mises Institute. Os Koch desprezam o Mises Institute e seus integrantes. E o Mises brasileiro sobrevive das doações de voluntários, como você. Faça a sua parte!

www.mises.org.br/Donate.aspx
Sim e não.

De fato, se todo o crédito fosse para consumo -- uma coisa irreal, pois o crédito para consumo é o mais caro e arriscado --, o efeito imediato seria o aumento dos preços dos bens e serviços. Muitas pessoas estariam repentinamente consumindo mais (maior demanda) sem que tivesse havido qualquer aumento na oferta.

Só que tal aumento de preços mandaria um sinal claro para empreendedores: tais setores estão vivenciando aumento da demanda; ampliem a oferta daqueles bens e serviços e lucrem com isso.

Ato contínuo, a estrutura de produção da economia será rearranjada de modo a satisfazer essa nova demanda impulsionada pelo crédito.

Mas aí, em algum momento futuro, acontecerá o inevitável: se essas pessoas estão se endividando para consumir, como elas manterão sua renda futura para continuar consumindo? A única maneira de aumentar a renda permanentemente é produzindo mais, e não se endividando mais.

Tão logo a expansão do crédito acabar, e as pessoas estiverem muito endividadas (e tendo de quitar essas dívidas), não mais haverá demanda para aqueles bens e serviços. Consequentemente, os empreendedores que decidiram investir na ampliação daqueles setores rapidamente descobrirão que estão sem demanda. Com efeito, nunca houve demanda verdadeira por seus produtos. Houve apenas demanda artificial e passageira.

É aí que começa a recessão: quando vários investimentos errados (para os quais nunca houve demanda verdadeira) são descobertos e precisam ser liquidados.

E de nada adiantará o estado tentar estimular artificialmente a demanda para dar sobrevida a esses investimentos errados. Aliás, isso só piorará a situação.

Se um empreendedor investiu em algo para o qual não havia demanda genuína, ele fez um erro de cálculo. Ele imobilizou capital em investimentos que ninguém realmente demandou. Na prática, ele destruiu capital e riqueza. Cimentos, vergalhões, tijolos, britas, areia, azulejos e vários outros recursos escassos foram imobilizados em algo inútil. A sociedade está mais pobre em decorrência desse investimento errôneo. Recursos escassos foram desperdiçados.

O governo querer estimular o consumo de algo para o qual nunca houve demanda natural irá apenas prolongar o processo de destruição de riqueza.

O que realmente deve ser feito é permitir a liquidação desse investimento errôneo. O empreendedor que errou em seu cálculo empreendedorial -- e que, no mundo real, provavelmente estará endividado e sem receita -- deve vender (a um preço de desconto, obviamente) todo o seu projeto para outro empreendedor que esteja mais em linha com as demandas dos consumidores.

Este outro empreendedor -- que está voluntariamente comprando esse projeto -- terá de dar a ele um direcionamento mais em linha com os reais desejos dos consumidores.


Traduzindo tudo: a recessão nada mais é do que um processo em que investimentos errôneos -- feitos em massa por causa da manipulação dos juros feita pelo Banco Central -- são revelados e, consequentemente, rearranjados e direcionados para fins mais de acordo com os reais desejos dos consumidores.

A economia entra em recessão exatamente porque os fatores de produção foram mal direcionados e os investimentos foram errados.

Nesse cenário, expandir o crédito e tentar criar demanda para esses investimentos errôneos irá apenas prolongar esse cenário de desarranjo, destruindo capital e tornando a recessão (correção da economia) ainda mais profunda no futuro. E com o agravante de que os consumidores e empresários estarão agora bem mais endividados, em um cenário de inflação em alta -- por causa da expansão do crédito -- e sem perspectiva de renda.

ARTIGOS - ÚLTIMOS 7 DIAS

  • Daniel  28/03/2011 17:05
    Sempre lembrando que o Bradesco opera num mercado protegido e cartelizado pelo governo. Todos os bancos possuem o selo "empresa amiga do estado". Ou seja, é só fazer um pouquinho mais de pressão e tudo estará consumado.

  • Thiago B. Gomes  28/03/2011 17:12
    Brilhante, Leandro. E tocou num dos meus pontos preferidos: o forte intervencionismo de FHC.
  • Erik Frederico Alves Cenaqui  29/03/2011 14:43
    Prezado Leandro\r
    \r
    A leitura dos textos do IMB sempre me provoca reflexão e uma visão mais realista da sociedade.\r
    \r
    Por algum tempo eu acreditei que o liberalismo clássico (estado mínimo) era a solução para nossos problemas.\r
    \r
    Eu achava que era possível a existência de um estado enxuto, impessoal e profissional, por meio de preenchimento de cargos estratégicos na Administração Pública por concurso público e que os cargos políticos fossem preenchidos por eleições limpas e transparentes.\r
    \r
    Ocorre que, eu não percebi o aspecto mais relevante referente ao estado e que os socialistas escondem com muita competência: seu método.\r
    \r
    O método do estado é a VIOLÊNCIA INSTITUCIONALIZADA e o estado mínimo ainda é... estado.\r
    \r
    Seja uma Secretaria Municipal da minha cidade (Barra Mansa/RJ) ou o Departamento de Estado dos EUA, ambos usam como método a coerção e intimidação.\r
    \r
    Assim, o estado é, em essência, a própria negação da liberdade individual.\r
    \r
    O site não critica governos, que são transitórios, mas o próprio estado, o que mais me chamou a atenção desde que comecei a ler os textos.\r
    \r
    Outra coisa que eu acreditava era que o PSDB era um partido de cunho liberal, pelo fato de ter feito "privatizações".\r
    \r
    Eu também estava errado, pois na verdade os tucanos adotam a social democracia européia, que nada mais é do uma etapa preparatória para o socialismo.\r
    \r
    A social democracia é o estado grande e nada mais do que isso.\r
    \r
    Na minha modesta opinião, depois da social democrata somente pode vir o socialismo.\r
    \r
    Os petistas estão apenas colocando em prática o plano que sempre tiveram intenção que é implantar o socialismo no Brasil.\r
    \r
    Para mim toda esquerda é radical porque sua ÚNICA bandeira é o estado máximo.\r
    \r
    O estado máximo se resume a tirania e miséria.\r
    \r
    Os dirigentes petistas tem hoje como parâmetro para suas atitudes a China, que fez algumas reformas econômicas, mas mantém o pais sob forte controle político.\r
    \r
    Já a militância petista sonha mesmo é com a Coréia do Norte/Cuba. É que eles são mais primitivos mesmo.\r
    \r
    A elite petista não sonha mais com o estado empresário, isto é, que o governo exerça direta o desenvolvimento da atividade ecônomica, o que sempre foi um desastre.\r
    \r
    O que eles querem mesmo é o estado patrão, ou seja, a iniciativa privada vai continuar existindo, mas sob forte tutela, seja financiamento estatal ou absuradas regulamentações legais e administrativas.\r
    \r
    O caso da Vale é exemplar mesmo, os petistas estão aparelhando o setor privado!\r
    \r
    Desta forma, agradeço ao site por ter a coragem de combater o politicamente correto e lutar pela liberdade.\r
    \r
    Continuem trazendo luz nesta sociedade indigna.\r
    \r
    Abraços
  • Leandro  29/03/2011 14:44
    Muito agradecido por suas gentis palavras, Erik.

    Grande abraço!
  • anônimo  05/04/2011 00:00
    Leandro, vc vai estar no II seminário de EA??
  • Leandro  05/04/2011 05:06
    Anônimo, eu jamais perderia a chance de ver os mestres ao vivo. Abraços!
  • Angelo Noel  29/03/2011 16:14
    Assino em baixo, Erik.
    Antes de ler os artigos do IMB, eu acreditava exatamente nas mesmas coisas: um governo austero era possível, o PSDB seria a solução p/ o agigantamento do socialismo petista...
    Mas o "choque de realidade" é mto cruel... Depois q vc entende como funciona o mecanismo de escravidão do estado e toma conhecimento das soluções quase exatas do libertarianismo e da economia de livre mercado, o mundo, e em especial, o Brasil, ganham uma aparência de que estamos na beira de um abismo.
    Cada notícia de jornal, conversas com amigos, debates na TV, até em uma caminhada pelas ruas, vc consegue captar algum elemento estatal inserido no contexto, e sempre me vem a cabeça o seguinte pensamento: "não precisava ser assim!".
    A quantidade de erros que estamos cometendo ao longo tanto tempo é impressionante...
  • André Ramos  29/03/2011 17:12
    Erik,
    peço licença para assinar junto com vc sua manifestação.
    O site do IMB é realmente libertador!
    Leandro, parabéns por mais esse excelente texto.
    Abs.
  • Guilherme Calspiatti  04/04/2011 23:45
    \r
    "Para Lobão, ideia é ter Vale alinhada e colaborando com governo."\r
    \r
    Leiam a noticia do site reuters \r
    aqui\r
    \r
    O IMB não se cansa de estar certo, não é? Mais uma vez, as previsões do site se mostram certeiras e as intensões dos cumpanheiros ministros aqui expostas antes de qualquer declaração desses senhores. \r
    \r
    Claro, que o sr. Lobão só possui boas intenções, assim como, todos os outros membros do governo, só estava pensando no interesse nacional, e com ar de planejador central completa afirmando que uma maior produção de aço no Brasil seria "conveniente e necessária ao povo brasileiro".\r
    \r
    Indispensável, terminar meu comentário comgratulando o Leandro por mais um excelente texto. As contribuições desse site, e dos responsáveis por ele, são indescritíveis ao meu avanço na compreensão da economia e dessa organização aloprada que é o estado.\r
    \r
    Grande Abraço!\r
  • Leandro  05/04/2011 04:59
    Obrigado pelas palavras, Guilherme. Mas não tem segredo, realmente. É tudo uma questão de lógica praxeológica.

    A partir do momento em que você se recusa a aceitar aquela "realidade" que lhe é empurrada pela mídia e pelo sistema educacional, você passa a enxergar tudo com mais clareza. A partir do momento em que você entende que os políticos e as pessoas que trabalham no estado -- ao contrário do que ensinou sua professora da oitava série -- não são anjos, e que eles estão ali apenas para satisfazer seus desejos próprios com o dinheiro alheio, apenas para satisfazer sua sede de poder, tudo se torna mais claro.

    E aí, tudo o que você precisa fazer para analisar as intenções desta gente é utilizar a lógica da ação humana. É difícil errar quando se trabalha com a razão.

    Grande abraço!
  • André  08/04/2011 13:23
    Como sempre, venho tomar um pouco de ar puro, aqui no Mises Brasil. Não entra mais na minha cabeça ter que estudar o que o Estado aprova, só pra ter o "diproma". Quando me perguntam o que acho do meu curso (Sociologia, na UnB), respondo: "não pagaria por ele".
  • Erick Skrabe  11/04/2011 09:15
    Ótimo artigo, Leandro.
  • Marco Aurelio  20/04/2011 10:23
    Oba! Agora sim o povo está no controle da Vale!

    "Secretário da Fazenda entra no conselho da Vale"
    www1.folha.uol.com.br/mercado/904975-secretario-da-fazenda-entra-no-conselho-da-vale.shtml

    Não gostaria mas vou ter de parabenizá-lo por essa previsão acertada, Leandro.

  • Leandro  20/04/2011 10:31
    Agradeço, meu caro Marco Aurélio, mas realmente (e infelizmente) não há mérito algum. Quando se trata de intervenção governamental, as coisas são aborrecidamente previsíveis. Todo mundo sabia que ia descambar nisso.

    Abraços.
  • Carlos Galvão  24/04/2011 11:13
    Sou investidor de bolsa de valores e tenho um site sobre este assunto (www.smarttraders.com.br) e a Vale é a minha ação predileta.\r
    Não uso notícias para tomar minhas decisões, somente gráficos. Vi que a Vale iniciou um movimento de tendência de baixa desde final de Janeiro, mas vejo que ela esta perto de fazer uma reversão e voltar a subir. Alguma notícia ligada a esta reversão?\r
    C.Galvão
  • augusto  24/04/2011 11:38
    Nao sei... mas acho que a Gerdau pode dar uma pequena movimentacao (pra cima ou pra baixo) na segunda-feira, ja que saiu o anuncio de que o Jorge Gerdau entraria oficialmente para o Time Dilma na condicao de membro de algum conselho estrategico (= vender mais produtos Gerdau).
  • Marco Aurelio  03/05/2011 16:31
    Vejam o primor de democracia do nosso governo:

    Mantega diz que Agnelli ignorou reclamações do governo

    LORENNA RODRIGUES
    DE BRASÍLIA

    Apesar de afirmar que não houve interferência política na troca de comando da Vale, o ministro Guido Mantega (Fazenda) admitiu que o governo estava descontente com a empresa e disse que o ex-presidente Roger Agnelli ignorou esse descontentamento. Agnelli foi substituído por Murilo Ferreira no início de abril.

    Segundo Mantega, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva reclamou "democraticamente" da Vale por dois motivos: não cumprir os planos de investimentos para a área de siderurgia e demitir 1,2 mil funcionários durante a crise.

    "Ele [Lula] demonstrou sua insatisfação e o senhor Roger Agnelli simplesmente ignorou e continuou fazendo o que achava necessário", afirmou Mantega, durante audiência na Comissão de Assuntos Econômicos do Senado.

    Segundo Mantega, o governo poderia ter retaliado a Vale, por meio do aumento de impostos, por exemplo, mas Lula apenas reclamou publicamente.
    "Não vejo uma situação mais democrática do que essa", completou.

    noticias.bol.uol.com.br/economia/2011/05/03/mantega-diz-que-agnelli-ignorou-reclamacoes-do-governo.jhtm

    Estamos bem.
  • Rodrigo  05/05/2011 11:28
    Como eu disse para um amigo: Quer dar risada? Leia o jornal. Somente não leia os quadrinhos, são muito sérios...


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