O austro-libertarianismo, uma estrela-do-mar

Discurso do presidente do IMB, Helio Beltrão, proferido na Austrian Scholar's Conference, na sede do Mises Institute em Auburn, Alabama.


É para mim a mais privilegiada honra estar aqui na Austrian Scholar's Conference, proferindo a palestra dedicada à memória de Mises.  Foi carnaval no Brasil exatamente nesta semana, mas para mim a verdadeira festa está ocorrendo aqui.

Joe Salerno queria que eu falasse sobre como as ideias misesianas podem mudar o Brasil e a América Latina; falarei sobre isso, mas também falarei sobre o austro-libertarianismo — que é a nossa singular e especial filosofia da liberdade, cujos pilares são a não iniciação de agressão contra inocentes e a propriedade privada -, relacionando-o a dois aspectos:

A) Minha experiência como executivo de uma organização baseada no desempenho — mais especificamente, na empresa fundada por sócios brasileiros liderados por Jorge Paulo Lehman, sócios esses que hoje controlam a Anheuser-Busch Inbev, cujo presidente é Carlos Brito.  Vou me basear na experiência que tive junto àquelas pessoas notáveis e nas lições que continuam a nos dar;

b) e vou também me basear no livro "Quem está no comando? A estratégia da estrela-do-mar e da aranha" (The Starfish and the Spider)

Permitam-me começar com um ligeiro comentário a respeito do livro.  Trata-se de um livro escrito há cinco anos, que fala sobre o que exatamente é uma organização descentralizada, como ela funciona, quais são suas grandes virtudes e quais são seus pontos fracos.  O livro faz isso comparando o funcionamento de uma organização a dois animais cujas estruturas, superficialmente, parecem similares: uma estrela-do-mar e uma aranha.

A aranha possui um corpo central e oito pernas.  A estrela-do-mar possui um corpo central e cinco braços.  Internamente, entretanto, a biologia de ambas é completamente distinta.

Se você cortar uma perna da aranha, você terá uma aranha aleijada de sete pernas.  Porém, se você cortar a cabeça da aranha, o que irá acontecer?  Ela morrerá.  Ela não consegue viver sem seu centro de comando. 

Todos nós estamos familiarizados com 'organizações-aranhas': empresas, governos, instituições tradicionais, as quais possuem conselhos de administração, presidentes, hierarquias, matrizes, etc.

Agora, vejamos a estrela-do-mar.  Se você cortar um braço dela, outro braço irá surgir e crescer.  Se você cortá-la ao meio, algo incrível irá ocorrer: duas estrelas-do-mar surgirão; dois organismos vivos e iguais.

Existe uma espécie de estrela-do-mar (Linckia) que, se você cortar todos os seus cinco braços, eles crescerão como cinco organismos separados.  Cada braço gera uma criatura autônoma.  Não há um órgão central.  Cada braço possui seus próprios órgãos, estômago, músculos, modo próprio de se alimentar etc.  Há apenas um anel central e nervos radiais que conectam os braços.  Eis aí uma organização descentralizada.

Quando olhamos para o mundo de hoje, vemos o surgimento de um número cada vez maior de 'organizações estrelas-do-mar'; e, em nosso movimento intelectual austro-libertário, eu diria que estamos começando a nos comportar como uma estrela-do-mar adaptável e difícil de ser combatida, em que cada instituto ou iniciativa organizada se comporta como um braço da estrela-do-mar, com o anel central nevrálgico sendo a doutrina austro-libertária.  Voltarei a esse ponto mais à frente.

Brasil

Primeiramente, falarei um pouco sobre o Brasil.  O povo brasileiro sempre teve uma mentalidade estatizante.  Por exemplo, ao passo que nos EUA as pessoas perguntam 'quanto você produz?' (How much money do you make?), no Brasil as pessoas perguntam 'quanto você ganha', como se o dinheiro fosse uma doação ou um presente. Isso está em flagrante contraste à mentalidade do ganhe-de-acordo-com-o-que-você-faz, a qual sempre vigorou nos EUA.

Meu pai costumava dizer que o Brasil é "uma ilha de iniciativa cercada de governo por todos os lados".  O Brasil sempre teve uma mentalidade burocrática muito arraigada em sua história.  Meu pai também dizia que "os brasileiros confiam mais na certidão de óbito do que na presença do cadáver".

Na década de 1980, tornamo-nos famosos por um recorde mundial: o recorde da inflação — e mesmo entre 1990 e 1994, menos de 20 anos atrás, a média da inflação anual no Brasil sempre foi superior a 1.000%.  Em seu ápice, os preços subiam 1% ao dia.  Os executivos brasileiros de hoje são muito flexíveis, e se tornaram especialistas financeiros por causa da inflação.  Os preços de todos os produtos eram indexados diariamente de acordo com o índice oficial da inflação — os preços subiam diariamente, as aplicações bancários e as contas correntes também subiam diariamente, assim como os preços dos ativos.  Porém, os salários subiam apenas mensalmente (ou quinzenalmente, dependendo da empresa).  Os trabalhadores e a classe média, tão logo recebiam seu salário, corriam para os grandes supermercados com o intuito de comprar um bom estoque de bens não perecíveis.

Já em 1994, os brasileiros estavam fartos da inflação corrosiva, das superdesvalorizações cambiais e dos vários pacotes econômicos que o governo baixava de surpresa, os quais normalmente eram seguidos de feriados bancários de uma semana.  O povo deu um basta.  Os políticos finalmente decidiram agir, pois eles também estavam sofrendo: presidentes estavam sendo impichados, o Banco Central tinha seu presidente trocado a cada seis meses em média, ministros da fazenda operavam em sistema de rodízio etc. 

E então o governo decidiu elevar impostos (o que é ruim), equilibrar o orçamento, reduzir drasticamente a impressão de dinheiro e permitir que o câmbio flutuasse.  Desde então, passamos a ser um país "normal", (ou uma social-democracia com governo grande), pois atacamos os problemas mais prementes — a dívida pública, a inflação, o balanço de pagamentos.  Estamos hoje colhendo os benefícios do compromisso com a estabilidade, ao passo que o resto do mundo está indo na direção oposta, incorrendo em enormes déficits e descontrolada criação de dinheiro.

O primeiro esforço organizado para promover as ideias da liberdade no Brasil começou com o Instituto Liberal — fundado no Rio por um empresário da construção civil, em 1982, e dedicado basicamente à tradução e publicação de livros.  Seu fundador, Donald Stewart, traduziu Ação Humana e Intervencionismo - uma análise econômica.  O Instituto Liberal se expandiu em várias sucursais, indo para outras capitais de modo autônomo e descentralizado, e passou a receber um substancial financiamento por meio de doações feitas por alguns poucos empresários locais.  Porém, alguns financiadores tinham outros interesses especiais, e não se mantiveram apegados aos mesmos princípios libertários que haviam sido adotados por Donald.  Boa parte do dinheiro foi desperdiçado em luxuosas sedes e em livros ruins.

Essa pseudo-rede de Institutos Liberais não possuía aquele anel nevrálgico central e libertário conectando as células, como desejado por Donald.  Os diversos Institutos Liberais compartilhavam o mesmo nome, mas acabaram se segregando em criaturas bastante distintas, perdendo seu status de rede.  O Instituto Liberal do Rio de Janeiro ainda existe, fiel ao seu formato original libertário.  Ele sempre foi pequeno, mas foi encolhendo ainda mais no decorrer do tempo, sendo hoje apenas uma sombra do que já foi em seus primórdios.

Praticamente na mesma época, em 1983, um grupo de pessoas de Porto Alegre fundou um instituto de estudos para lideranças empresariais, seguindo uma doutrina de livre mercado.  Elas também criaram uma conferência anual que é hoje a maior do Brasil: o Fórum da Liberdade, sendo que mais de 6.000 pessoas participaram do evento apenas no ano passado.

O Instituto Mises Brasil foi lançado oficialmente com a realização de um seminário imediatamente antes desse Fórum, seminário esse que foi um sucesso, com mais de 200 pessoas participando dos seus dois dias de duração, a maioria formada por jovens e estudantes que já vinham acompanhando nosso trabalho na internet.  Lew Rockwell, Joe Salerno, Mark Thornton e Tom Woods estavam lá.  Recebemos uma cobertura extremamente positiva das duas principais revistas do Brasil, ambas as quais possuem em conjunto uma circulação de mais de um milhão e quinhentos mil exemplares.  Cada uma delas utilizou duas páginas completas para a reportagem do evento.

No espectro liberal/libertário, temos a maior base de seguidores em língua portuguesa do mundo, com mais de 3.000 pessoas por dia visitando o site.  Já publicamos 17 livros.

O Fórum da Liberdade teve como tema Mises e seu livro das Seis Lições econômicas.  Cada um dos 6.000 participantes ganhou um exemplar do livro.  Tom Woods palestrou no Fórum, sendo que cada um dos painéis abordou uma das seis lições do livro.  Havia um maravilhoso hall de exposições com várias frases de Mises, com quadros exibindo solenemente fotos e histórias sobre sua vida.

Faremos nosso segundo Seminário agora em abril, no qual contaremos com palestrantes como Hans-Hermann Hoppe, Guido Hülsmann, Bob Murphy, Peter Klein e outros.  Estamos projetando uma platéia ainda maior que a do ano passado.  No que mais, a grande mídia está começando a prestar atenção em nós. 

Em suma: há enormes desafios, e estamos apenas no começo.  Mas estamos totalmente inspirados e nada poderá nos deter.

Austro-libertarianismo e seus grandes desafios

Voltemos ao austro-libertarianismo e aos nossos maiores desafios.  Em minha opinião, temos algumas das melhores ideias e as melhores pessoas desenvolvendo e criando ideias.  Sendo assim, por que somos ainda uma escola de pensamento econômico marginalizada?

Estamos sobre ombros de gigantes, como os escolásticos espanhóis e portugueses, Bastiat, Menger, Mises, Hayek, Rothbard e todas as estrelas da atualidade.  Nossas ideias possuem um maior e melhor poder explanatório quanto às consequências das intervenções governamentais.  Somos superiores a todas as outras teorias concorrentes nesse quesito.  Nossas ideias foram testadas e consolidadas ao longo de mais de 100 anos; algumas, ao longo de séculos.  Portanto, não é a escassez de ideias que obstrui o nosso avanço.

Logo, quais são as barreiras que nos obstruem?  Afinal, somos pequenos, voluntários, flexíveis e de organização espontânea.  Já as organizações estatistas, a começar pelos próprios governos — bem como outras organizações estatistas como as Nações Unidas e o FMI —, são grandes, obesas, coercivas e centralizadas.

Os governos são ineficientes, lentos, corruptos.  No caso americano, basta ver a reação governamental ao furacão Katrina, bem como a Guerra às Drogas e vários outros exemplos.

Por que é que não somos o pensamento dominante, como já fomos 100 anos atrás?

Permitam-me, em primeiro lugar, diferenciar nosso comportamento como indivíduos do nosso comportamento como uma equipe.  Qual a real função das organizações?  Refiro-me a organizações como o Mises Institute e o Mises Brasil, bem como a outros esforços organizados para promover ideias.  Precisamos delas?

Podemos ter um 'sistema estrela-do-mar' formado somente por indivíduos?  Ou será que para sermos uma estrela-do-mar com bom funcionamento temos de trabalhar como organizações, equipes ou células, comportando-nos como os braços da estrela?

Podem os indivíduos se comportar como células?  Eu diria que é extremamente difícil lograr tal intento.  Na realidade, trata-se de um desafio monumental para os indivíduos.

Os amantes da liberdade, aqueles que lutam pela liberdade como nós, participam dessa contínua e diária batalha das ideias.  Há aqueles que discutem e escrevem diariamente — estes são extremamente importantes.  Entretanto, indivíduos, enquanto apenas indivíduos, não estão equipados com o que é necessário para perseguir objetivos de modo sistemático, organizado e efetivo.  O que precisamos é de uma equipe de pessoas notáveis, trabalhando em equipe.

Organizações, empresas, ou instituições de sucesso são formadas por gente boa trabalhando em equipe.  Ponto.  Não são formadas por ideias e nem por livros.  Elas são formadas por pessoas que entendem o ambiente social, pessoas dotadas de grandes discernimentos e que sabem como difundi-los, que possuem as melhores conexões (o que ajuda a obter financiamento) e que colocam toda essa capacidade de execução para alcançar os objetivos.  Pessoas notáveis são aquelas que, com o tempo, podem vir a agregar mais valor do que qualquer um de nós hoje.  São essas pessoas que fazem um grande time, e são elas que temos de atrair e reter.

Uma equipe de gente notável precisa saber filtrar, traduzir e transmitir as ideias para jornalistas, escritores, editores e outros formadores de opinião.  Chamo de formadores de opinião aqueles 20% da população capazes de captar e agir sobre uma ideia.  Estes são os nossos mais óbvios consumidores.

Pensemos em John Papola — o criador do agora extremamente famoso vídeo do rap Hayek versus Keynes — e em outros tipos de materiais que vemos de tempos em tempos na internet, e que nos inspiram.  Essas são grandes exceções: indivíduos trabalhando sem o apoio de uma grande equipe, fazendo quase que o impossível, motivados e guiados apenas por seus sonhos e paixões.  Porém, uma equipe de boas pessoas poderia fazer ainda mais, de maneira sistemática.  Infelizmente, para cada Papola, existem milhares que agem individualmente, mas sem serem capazes de lograr nenhum êxito.

Boas organizações são metódicas e eficazes; evitam disseminar ideias de maneira desorganizada, por meio de canais e formas que podem não funcionar.  Elas são norteadas por objetivos, possuem métricas e metas a cumprir.  Elas adotam marcos de desempenho, ou benchmarks.  Elas são enxutas, adaptáveis e sabem como "localizar" — ou, como dizemos no Mises Brasil, "tropicalizar" — o produto e a estratégia.  Por exemplo, em alguns lugares, uma abordagem baseada nos direitos naturais pode ser mais eficaz; em outros, uma abordagem sem juízo de valor pode ser mais adequada.  Em alguns lugares, artigos podem funcionar melhor do que livros; em outros, programas de rádio ou podcasts podem gerar melhores resultados.

Imaginem uma cervejaria.  Seu produto é a cerveja.  Já o nosso produto é o austro-libertarianismo.  A cervejaria pode ter diferentes marcas de cerveja, com diferentes sabores.  O mesmo ocorre conosco — desde que, obviamente, não haja nenhuma substância tóxica.  A cervejaria possui seus padrões de qualidade.  Nós também.  Nosso produto não pode ser um que defenda a iniciação de força ou a agressão aos direitos de propriedade, mas ele pode ter diferentes sabores para atender a diferentes consumidores.  Isso é tropicalização.

E a tropicalização afeta não apenas as ideias e o modo como as comercializamos, mas também como você atrai talentos e financiamento.  O Brasil, nesse aspecto, é muito diferente dos EUA.  Nós brasileiros, como indivíduos, não temos, por exemplo, a cultura de fazer doações para as instituições que defendem os valores nos quais também acreditamos.  Da mesma forma, não há incentivos tributários para tais ações.  Por isso, é comum termos de ir buscar patrocínios junto a grandes empresas e de nos mantermos próximos da grande mídia.  Os brasileiros que são os acionistas controladores de grande parte da nossa mídia são muito receptivos a ideias libertárias.  VEJA, a principal revista semanal do país, anunciou há algum tempo que, dali em diante, iria sempre grafar a palavra 'estado' com 'e' minúsculo.  A revista publicou um editorial sensacional justificando o porquê dessa decisão.  Tal postura realmente nos surpreendeu.  Trata-se de uma política editorial que também seguimos no Mises Brasil.

Porém, independente do que escolhamos fazer em termos de marketing ou de financiamento, devemos sempre manter o padrão de qualidade, livre de substâncias tóxicas, de nosso produto, assim como  faz a cervejaria.  Caso contrário, iremos falir — exatamente como ocorreu com a pseudo-rede de Institutos Liberais no Brasil na década de 1980.

Ou seja: nós temos as ideias, temos os diferentes sabores e temos um time de notáveis trabalhando conjuntamente.  Resta a pergunta: como gerenciamos essa equipe?

Como devemos agir

Uma organização, assim como os indivíduos, precisa ter sonhos.

Sonhos são naturais; são eles que nos motivam — seja o sonho de estar com uma pessoa, o de viajar para algum lugar remoto, o de estar empregado em uma determinada empresa, o de ir bem na escola, o de comprar aquele modelo de carro etc.

Ademais, pensar grande é na verdade tão trabalhoso quanto pensar pequeno.  Logo, todos devemos pensar grande.

Porém, é também importante ter em mente que os sonhos e as metas devem ser realistas.  É recomendável, antes de tudo, saber pelo menos 80% do que se deve fazer e como fazer para se chegar ao objetivo.  Os 20% restantes podem ser aprendidos no caminho.  As pessoas devem realmente se comprometer, se envolver e buscar o objetivo com paixão e energia (e não apenas por diversão).  Se soubermos apenas 20% de como atingir o objetivo estabelecido, e tivermos de aprender os 80% restantes no caminho, então estaremos atrás de uma aventura, e não de um objetivo realista.

Alguns indivíduos de fato têm algumas metas, como por exemplo "abolir o estado".  Se esse fosse um objetivo a ser perseguido por uma organização real, então tudo seria apenas uma aventura.  Por outro lado, se tal objetivo for apenas individual, então não há problemas, pois não envolve outras pessoas ou uma equipe.  O único aspecto negativo é que tal indivíduo provavelmente ficará frustrado, pois há uma grande chance de tal fato não ocorrer durante sua vida.  Organizações, no entanto, não podem determinar uma aventura como objetivo.

Para o nosso instituto no Brasil, devemos ter métricas.  Estas podem ser: o alcance de nossas ideias junto à grande mídia (dentro e fora da internet);  o volume de vendas de livros; o financiamento para novos projetos; ou qualquer outro indicador de desempenho que seja sensatamente correlacionado com os esforços da equipe.

Qual tipo de pressão devemos colocar em nós mesmos visando o futuro?  Temos de estar sempre objetivando a elevação do nosso potencial.

Pressão excessiva é ruim, pois as pessoas podem se desesperar.  Mas pouca pressão também é ruim!  Damos sempre o melhor de nós quando estamos sob pressão e temos prazos a cumprir.  Pensem nisso: imediatamente antes desse evento, tenho certeza de que todas as pessoas envolvidas em sua preparação, e que o tornaram tão perfeito quanto está sendo, estavam totalmente concentradas, determinadas a torná-lo o melhor e mais agradável possível.  Para tal, elas provavelmente pararam de utilizar seus Facebooks, não perderam tempo conversando em demasia nos corredores, não ficaram ouvindo música em seus iPods etc.  Foco total.  Prazo apertado.  Grande pressão.

Na qualidade de gerentes e estimuladores, como líderes de equipe, temos de aplicar esse mesmo tipo de pressão, sempre determinando prazos a cumprir, durante todo o ano.

É como fazer salto em altura.  Se você colocar a barra em um nível muito baixo, as pessoas irão apenas se limitar a superá-la sem maiores esforços, pois é da natureza humana ser racional e estar sempre querendo minimizar a energia despendida.  Por isso, temos de estar sempre elevando a barra, exigindo cada vez mais desempenho.

Não suficientemente, precisamos de três qualidades adicionais: meritocracia, sinceridade e informalidade.

A) Meritocracia

Temos sempre de premiar o melhor.  O melhor deve ser promovido, ganhar mais espaço e mais responsabilidades, independente de sua idade ou do seu estrito comprometimento com nossa ideologia.  Se uma determinada pessoa é jovem e não concorda 100% com nossa doutrina, mas é muito talentosa, ela deve sim ser promovida.  É perfeitamente possível treiná-la.  Isso não será problema algum enquanto ela estiver contribuindo com a consecução de nossos objetivos.  O principal risco é o de, se não tivermos a coragem de promover o melhor — ao nos preocuparmos com sua idade ou com sua não estrita aderência à nossa ideologia —, as outras pessoas talentosas perceberão essa nossa postura e irão se afastar de nós, fazendo com que fiquemos com uma equipe apenas medíocre.

B) Sinceridade

As pessoas devem saber como estão desempenhando.  A equipe precisa receber  opiniões respeitosas e construtivas a respeito de como está seu desempenho, que é aquilo que chamamos de feedback.  "Aqui você está indo bem, mas aqui você precisa melhorar".  Na empresa em que trabalhei, o Banco Garantia de Jorge Paulo Lehman, costumávamos fazer isso duas vezes por ano.  Pessoas talentosas demandam contínuo aconselhamento, e portanto precisamos ter esse processo de feedback sempre em plena operação.  Mesmo porque, sabemos que o status quo não é nosso amigo, especialmente quando queremos realizar nossos sonhos.

Algumas vezes haverá na equipe alguma pessoa que não está satisfazendo ou cumprindo o que se espera dela.  Você pode sentir pena dela, você pode ficar adiando a decisão de dispensá-la.  Você pode dizer "Ah, ele estudou com o Rothbard, ele é um cara tão bacana...", ou "vamos esperar mais um pouco para ver se ele se apruma e começa a produzir resultados".  Isso não vai acontecer.  Não desperdice o seu tempo e nem o tempo desta pessoa.

Fosse você um professor, jamais faria isso.  Notas são notas; não pode haver concessões.  Tal rigor no trato será inclusive melhor para a pessoa dispensada.  Para o processo de aprendizado, o mesmo é válido.  As pessoas são diferentes, nós somos indivíduos.  É essa a nossa filosofia, certo?

C) Informalidade

Dar liberdade para as pessoas falarem o que pensam, manter um ambiente aberto e em continua comunicação, e evitar que pessoas se escondam nos seus cantos.  As pessoas devem se conectar sempre, mesmo em curtas reuniões, mesmo não presenciais. 

Quando tomamos a decisão de fundar o Mises Brasil, ainda não conhecíamos Lew Rockwell.  Tomei a iniciativa de lhe mandar um e-mail perguntando se podíamos começar a traduzir artigos.  Recebi de imediato um e-mail em resposta, com apenas uma frase: "Por favor, traduza sim."  Informalidade e concisão.  Exatamente como tem de ser.  Brasileiros não estão muito acostumados com esse tipo de abordagem. 

Uma grande equipe também precisa saber como levantar fundos para seus projetos, sejam eles uma conferência, a produção de algum vídeo, a edição de livros, ou o que seja.  Pela minha experiência, conseguir financiamentos para projetos é mais fácil, pois o patrocinador vê o produto final do seu financiamento, bem como o resultado que isso lhe traz.

Porém, igualmente importante é saber também como conseguir fundos para pagar pelo bom trabalho da equipe.  Dado que precisamos ter uma equipe de pessoas talentosas, que possivelmente farão toda uma carreira com a organização, elas precisam saber que serão recompensadas, e que conseguirão viver uma boa vida caso permaneçam na equipe — para isso precisamos de financiamento, especificamente para esse objetivo.

Mas não estamos falando necessariamente da formação dos chamados fundos patrimoniais, sem destinação específica.  Vou explicar melhor utilizando um exemplo do livro da estrela-do-mar e da aranha.

Trata-se da história dos índios apaches.  Quando os espanhóis chegaram à América, eles encontraram magníficos impérios.  Em 1519, Hernan Cortés e seus 80 homens chegaram à região central do México, a qual era dominada pelo Império Asteca, cuja capital era Tenochtitlán — apenas Paris, Veneza e Constantinopla eram maiores.  Era um império centralizado, tendo Montezuma II como seu líder supremo.  Cortés encontrou-se com Montezuma, e nesse encontro lhe disse: "Se me der todo o seu ouro, não irei matá-lo".  Montezuma, assustado com o suposto poderio dos poucos espanhóis, aquiesceu.  Porém, Cortés não cumpriu sua promessa.  Ele aprisionou Montezuma e em seguida matou-o.  Os astecas perderam o rumo com a morte de Montezuma, e o império se desintegrou.  Eles foram rapidamente derrotados.

O mesmo aconteceu na América do Sul com o Império Inca.  Francisco Pizarro seguiu a mesma estratégia do "pegue-o-ouro-e-mate-o-líder", assassinando o imperador inca Atahuallpa.

Por outro lado, na parte norte do México (hoje território americano), os espanhóis depararam-se com os Apaches — e foram derrotados.  Os apaches eram muito menos sofisticados que os astecas e os incas — eles nunca haviam construído uma pirâmide ou uma estrada pavimentada; nem mesmo uma cidade.  Porém, eles possuíam um diferencial: eles distribuíam o poder político.  Eles não eram uma sociedade coerciva, com um líder todo poderoso, como eram os astecas e os incas.  Eles se organizavam e trabalhavam voluntariamente, sem um líder supremo.  Eles tinham líderes, mas eram líderes espirituais, que lideravam pelo exemplo apenas — os nant'ans.  Um dos mais famosos nant'ans foi Gerônimo, que jamais comandou um exército.  Quando ele decidiu lutar, todos os apaches se juntaram a ele — não porque Gerônimo havia ordenado, mas porque eles acreditavam ser uma boa ideia.  Porém, quem não quisesse se juntar, não era obrigado.

As decisões dos apaches eram tomadas em diferentes lugares.  Um ataque poderia ser planejado por uma tribo, organizado por outra e executado por outra.

Segundo o antropologista Tom Nevins, tão logo os espanhóis matavam alguns nant'ans, imediatamente outros surgiam.  Os espanhóis então passaram a incendiar e destruir vilas, e como resposta os apaches se tornaram nômades.  Impossível vencê-los!  Em decorrência disso, os apaches chegaram até mesmo a involuntariamente ganhar o controle de territórios que não controlavam antes.

No final, os espanhóis foram derrotados pelos apaches.  Mais tarde, os mexicanos também foram derrotados pelos apaches.

Foram os americanos que finalmente derrotaram os apaches, no século XX, utilizando um método mais engenhoso: começaram a dar gado para os nant'ans.  Antes, os apaches seguiam o exemplo de seu líder.  Agora, eles passaram a premiar e punir os membros da tribo utilizando esse valioso recurso.  Os nant'ans  passaram a brigar por poder político nos conselhos tribais.  A estrutura do poder tornou-se hierárquica e centralizada.  Isso finalmente derrubou a sociedade apache.

Isso ajuda a explicar por que sou cético quanto a fundos patrimoniais formados por doações e que não possuem destinação específica.  Quando uma instituição possui esses fundos patrimoniais, indivíduos podem querer se juntar à organização apenas por causa desse dinheiro — a equipe não deve trabalhar sob a ambição de capturar o dinheiro desses fundos, mas sim trabalhar para conquistar seus sonhos.  Esse problema torna as coisas mais desafiadoras, fazendo com que o trabalho de obter fundos para pagar pelo trabalho de sua equipe e realizar projetos seja mais difícil, de tempo integral.

Outro exemplo interessante do livro: o AA, Alcoólicos Anônimos, uma organização totalmente descentralizada. Bill Wilson, seu fundador, que era ele próprio um alcoólatra, após várias tentativas mal sucedidas de cura por especialistas, se deu conta de que é mais difícil descumprir um compromisso de sobriedade feito com um grupo de alcoólatras.  Bill então criou a AA, com reuniões regulares.  O sucesso inicial da organização provocou a abertura de novos círculos de AA em outras cidades.  Confrontado com a decisão de centralizar a organização ou deixá-la crescer de forma autônoma e descentralizada, Bill decidiu por evitar o controle central.  Por causa disso, é impossível dizer quanto membros e quantas sucursais existem.  O AA hoje é flexível, cada sucursal tem estrutura parecida e todas são bastante adaptáveis.  Os apaches se transformaram e viraram nômades; o AA se transformou e hoje ajuda pessoas com distúrbios alimentares e pessoas viciadas em jogos.  É bem possível que o AA possa sofrer mais uma mutação e acabar curando Charlie Sheen...

Quando a indústria fonográfica se deparou com o Napster 10 anos atrás, inicialmente teve dificuldades para lidar com essa ameaça, pois estava lutando contra uma rede bastante descentralizada.  Porém, o Napster ainda possuía um gerente/administrador identificável, bem como servidores centrais.  Assim, ele foi derrotado, via ações judiciais.  A rede de músicas descentralizadas passou então por um novo processo de mutação, desenvolvendo-se subsequentemente até a tecnologia anônima do P2P (entre pares, de ponto a ponto).  Entretanto, ainda assim a informação dos clientes continuava centralizada, o que permitiu novas perseguições, o que, consequentemente, gerou novas descentralizações.  Até que, no final, chegou-se a uma situação de difusão e descentralização total; e hoje temos o Torrent — no qual ninguém é rastreado.  E praticamente não mais nos lembramos de como era indústria fonográfica antes disso, há dez anos.

Observações finais

Eu diria que Lew Rockwell é como o Bill Wilson do AA — ele estimulou a ideia, construiu a célula principal e saiu do caminho, permitindo que novos talentos surgissem e que células se desenvolvessem espontaneamente, como o Mises Brasil e várias outras instituições.

De início, pode parecer que o Mises Institute é uma aranha — ele possui um conselho de administração, um presidente, há alguma hierarquia, e existe um endereço físico.  Porém, se olharmos mais atentamente, veremos que Auburn não é onde a organização de fato reside: afinal, os professores estão espalhados por todo o mundo, não há de fato uma hierarquia formal e já existem vários Institutos Mises e Rothbards atuando independentemente — e, ao mesmo tempo, agindo como se fizessem parte de uma rede.

Se houvesse uma catástrofe e o Mises Institute deixasse de existir, será que o austro-libertarianismo iria morrer?  Não!  Existe alguma divisão clara das funções entre as células?  Não!  O conhecimento é algo concentrado?  Não!  As células são autonomamente financiadas ou centralmente financiadas?  Embora eu não fosse achar ruim caso Lew começasse a mandar alguns cheques para nós, o fato é que não somos financiados por um comitê central.

Portanto, senhoras e senhores, chegamos à conclusão: somos genuínas estrelas-do-mar!  Assim como você pode acabar com metade dos sites da internet e ela ainda assim irá sobreviver, o mesmo ocorre com o nosso movimento.

Somos uma rede independente, informal e com estrutura celular.  Estamos construindo a rede mesmo nesse exato momento em que estamos aqui.  Como se trata de um sistema aberto, cada vez mais pessoas querem contribuir: primeiro como indivíduos, e depois — que é o que realmente faz a diferença — como um time, como células independentes.

E se estamos falando de pessoas que gostariam de criar uma célula austro-libertária, tudo o que você precisa fazer é criar um website e começar a traduzir e publicar material.  Nada mais.  Apenas vá lá e faça.  É simples e virtualmente sem custo.  Fizemos isso no Brasil, Gabriel Calzada fez isso na Espanha, os Joachims fizeram isso na Suécia, e outros fizeram na Polônia, no Japão, no Canadá, no Chile, na Rússia, na Bélgica, na Suíça, na República Tcheca, na Alemanha, no Equador, na Ucrânia, na Romênia e em Barcelona.

É claro que criar uma grande e competente equipe já é um desafio maior.  Porém, as sementes estão germinando; temos o exemplo de Lew e da equipe do Mises Institute a ser seguido e no qual nos inspirarmos.  Não há inspiração maior.

Quando a rede estiver completamente desenvolvida e o efeito de rede (ou externalidades) começar a se manifestar — ou, melhor dizendo, acelerar —, nada irá nos deter.  Os estatistas centralizadores não serão páreos para nós.

Muito obrigado!

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SOBRE O AUTOR

Helio Beltrão
é o presidente do Instituto Mises Brasil.



"parece-me improvável ser coincidência os produtores do metal em questão [ouro] também terem abruptamente reduzido sobremaneira sua mineração e refino na década de 70 e de forma ainda mais intensa do que a supostamente levada a cabo pela OPEP [...]"

Exato! Este é o ponto. Quem afirma que o petróleo encareceu na década de 1970 por causa de uma suposta escassez de oferta tem também de explicar por que o ouro (e outras commodities) se encareceu ainda mais intensamente. Houve restrição na oferta de ouro?

Assim como não houve redução da oferta de ouro (cujo preço explodiu em dólar) também não houve redução da oferta de petróleo (cujo preço explodiu em dólar).

O problema, repito, nunca foi de oferta de commodities, mas sim de fraqueza das moedas -- recém desacopladas do ouro (pela primeira vez na história do mundo) e, logo, sem gozar de nenhuma confiança dos agentes econômicos.

Igualmente, por que o petróleo barateou (junto com o ouro) nas décadas de 1980 e 1990, quando a demanda por ele foi muito mais intensa do que na década de 1970? Por que ele encareceu em 2010 e 2011, em plena recessão mundial? E por que barateou em 2014 e 2015, quando as economias estavam mais fortes que em 2010 e 2011?

O dinheiro representa a metade de toda e qualquer transação econômica. Logo, quem ignora a questão da força da moeda está simplesmente ignorando metade de toda e qualquer transação econômica efetuada. Difícil fazer uma análise econômica sensata quando se ignora metade do que ocorre em uma transação econômica.

"ao menos em tese, não seria possível ocorrer uma elevação do índice "DXY" durante algum tempo simultaneamente a uma alta nas cotações em USD de algumas commodities, configurando uma situação de inflação de preços global generalizada onde a moeda america seria nesta hipótese "a garota menos feia do baile"

Sim, em tese seria possível. Só que, ainda assim, haveria um indicador que deixaria explícito o que está acontecendo: o preço do ouro.

Se o dólar estiver se fortalecendo em relação a todas as outras moedas, mas estiver sendo inflacionado (só que menos inflacionado que as outras moedas), o preço do ouro irá subir.

Mas este seu cenário só seria possível se todas as outras moedas estivessem sendo fortemente desvalorizadas. Enquanto houver franco suíço, iene e alemães na zona do euro, difícil isso acontecer.

Abraços.
Saudações, Leandro.

Teus comentários me remeteram a
uma recente troca de posts que tive no MI !
A propósito, uma análise da relação entre ouro e petróleo talvez pudesse reforçar nosso argumento em comum. Afinal, parece-me improvável ser coincidência os produtores do metal em questão também terem abruptamente reduzido sobremaneira sua mineração e refino na década de 70 e de forma ainda mais intensa do que a supostamente levada a cabo pela OPEP, caso a explicação p/ o fortalecimento do primeiro em relação ao segundo (i.e. cruede mais barato em Au) também se baseasse no suposto "choque de oferta" ao qual frequentemente se atribuem praticamente todos os episódios de encarecimento do petróleo em US$...

Sobre o "desafio": "Sigo no aguardo de um único exemplo prático de dólar forte e commodities caras. E de dólar fraco e commodities baratas, pergunto: ao menos em tese, não seria possível ocorrer uma elevação (ainda que improvável, inclusive na atual conjuntura) do índice "DXY" (dólar em relação às moedas mais líquidas do mundo) durante algum tempo simultaneamente a uma alta nas cotações em USD de algumas commodities, configurando uma situação de inflação de preços global generalizada onde a moeda america seria nesta hipótese "a garota menos feia do baile" (de ForEx) ?

Att.
Prezado Paulo, obrigado pelo comentário, o qual nada alterou a constatação: o preço das commodities é cotado em dólar; consequentemente, a força do dólar é crucial para determinar o preço das commodities. Impossível haver commodities caras com dólar forte. Impossível haver commodities baratas com dólar fraco.

Perceba que seus próprios exemplos comprovam isso: você diz que a produção americana de petróleo atingiu o pico em 1972, e dali em diante só caiu. Então, por essa lógica era para o preço do petróleo ter explodido nas década de 1980 e 1990. Não só a oferta americana era menor (segundo você próprio), como também várias economia ex-comunistas estavam adotando uma economia de mercado, implicando forte aumento da demanda por petróleo. Por que então o preço do barril não explodiu (ao contrário, caiu fortemente)?

Simples: porque de 1982 a 2004 foi um período de dólar mundialmente forte.

"Período 1973/74: É consenso da indústria mundial de petróleo que a subida abrupta dos preços em 1973/74 deveu-se ao embargo árabe realizado pela OPEP[...]"

Nada posso fazer quanto a esse "consenso", exceto dizer que ele é economicamente falacioso. O preço do barril (em dólares) subiu durante toda a década de 1970 (e não apenas no período 1973-74). O barril só começou a cair a partir de 1982, "coincidentemente" quando o dólar começou a se fortalecer.

Será que foi a OPEP quem encareceu o petróleo de 1972 a 1982? Se sim, por que então em 1982 ela reverteu o curso? Mais ainda: se ela é assim tão poderosa para determinar o preço do barril do petróleo, por que ela nada fez de 1982 a 2004, que foi quando o barril voltou a disparar ("coincidentemente", de novo, quando o dólar voltou a enfraquecer)?

E por que de 2004 a 2012 (dólar fraco) o petróleo disparou? E por que desabou de 2013 a meados de 2016 (dólar forte)? E por que voltou a subir agora (dólar enfraquecendo)?

Sigo no aguardo de um único exemplo prático de dólar forte e commodities caras. E de dólar fraco e commodities baratas.

Se alguém apresentar esse exemplo, toda a teoria econômica está refutada.
Boa tarde Bruno., tudo tranquilo?

Advogados de uma maneira geral tem duas frentes: ou são interlocutores mediante a resolução de conflitos, ou analistas para evitar conflitos. Basicamente são especialistas em detalhes jurídicos, sendo obrigatório o talento nato em retórica, para expor a parte de seu cliente de forma objetiva, lírica e eloquente na mediação, e muita disciplina acadêmica para assimilar todos os enlaces dos códigos a que se propõe atuar.

Sob a batuta do Estado, apenas formados em direito (e aqui no Brasil postulantes ao exame da OAB) podem representar pessoas e empresas nas demandas da Lei. Basicamente, 90% dos advogados no Brasil são decoradores de Lei, tendo parco saber jurídico para analisar de forma contundente demandas mais complexas.

Já em um país libertário, basta a pessoa ter um grande saber jurídico, oratória razoável e ser um bom jogador de xadrez que pode advogar tranquilamente, podendo também adquirir títulos e certificados mediante associações privadas, com o único propósito de destacar aqueles que realmente tem o que é necessário para ser advogado para quem quiser contrata-lo.

Quanto a sua questão, seja pelo monopólio do Estado ou em um país livre, o advogado não propriamente cria riqueza, mas impede que a mesma seja perdida por um descuido na assinatura de um contrato, ou mesmo a ruína causada por uma ex mulher gananciosa. Na assinatura de contratos é como uma companhia de seguros, pois ao analisar os detalhes mitiga os riscos apontando erros e pegadinhas. Por outro lado, se for atuar em uma demanda já existente, seria mais ou menos como o corpo de bombeiros, para apagar o incêndio o mais rápido possível, antes que o fogo consuma tudo.

Prezado Leandro

Aprecio muito seus artigos e comentários, postados aqui no Instituto Mises. Inclusive, suas respostas a indagações minhas sempre primaram pela cordialidade e análise ponderada. E, em relação ao seu comentário acima, não discordo quanto à correlação existente entre uma commoditie e a moeda em que ela é comercializada.

No entanto, se me permite, gostaria de discordar parcialmente do seus comentários acima sobre a causa e efeito nos preços dos mercados do petróleo, a partir do chamado Choque Nixon (1971). Entre outras medidas, ele cancelou unilateralmente a conversão do dólar em ouro. Baseei meus comentários em inúmeros autores, que usamos na indústria, não para fins políticos, mas para nosso negócio (tenho 38 anos de indústria do petróleo).

Para melhor acompanhar meus comentários, é interessante analisar os mesmos acompanhado de dois gráficos:

1) Preço do petróleo entre 1986 e 2015, fonte: BP Global:
www.bp.com/en/global/corporate/energy-economics/statistical-review-of-world-energy/oil/oil-prices.html

2) Produção e importação de óleo cru nos EUA: //en.wikipedia.org/wiki/Petroleum_in_the_United_States#/media/File:US_Crude_Oil_Production_and_Imports.svg

Vou colocar os eventos em ordem cronológica, com meus comentários após aspas de seus comentários, as vezes com ... :

SEU COMENTÁRIO: Igualmente, a acentuada e abrupta desvalorização do dólar na década de 1970 ... : não era o petróleo que estava ficando escasso; eram as moedas, recém-desacopladas do ouro, que perdiam poder de compra aceleradamente.

MEU COMENTÁRIO:
- A indústria do petróleo nunca correlacionou a culpa do aumento dos preços do petróleo na década de 1970 como sendo por causa de escassez do produto.

- Ano de 1972: A produção total Americana atinge o pico, próximo a uma média diária de nove milhões de barris por dia (bpd) e, a partir deste ponto, entra num declínio acentuado e contínuo, só interrompido em meados dos anos 2000, por conta do crescimento estratosférico da produção americana está ligado ao boom do "shale oil" americano (óleo de folhelho).

- Período 1973/74: É consenso da indústria mundial de petróleo que a subida abrupta dos preços em 1973/74 deveu-se ao embargo árabe realizado pela OPEP contra os países que apoiavam Israel na Guerra do Yom Kippur. Entre o início e o fim do embargo os preços tinham subido de US$ 3/barril (US$ 14 hoje) para US$ 12/barril (US$ 58 hoje).

SEU COMENTÁRIO: Tanto é que, nas décadas de 1980 e 90, o barril do petróleo despencou (dólar forte).

MEU COMENTÁRIO: Período 1985-1999:

- Em 1986 a Arábia Saudita resolveu recuperar sua participação no mercado global (market share) aumentando sua produção média diária de 3,8 milhões bpd em 1985 para mais que 10 milhões bpd em 1986. As reservas sauditas são tão grandes que ela sempre pôde se dar o luxo de "fechar ou abrir torneiras" para controlar demanda e oferta. Mas, atualmente isto está começando a ser modificado.

- 1988: Com o fim da Guerra Irã-Iraque, ambos voltaram a aumentar substancialmente a produção média diária.

SEU COMENTÁRIO: O boom das commodities (principalmente minério e petróleo) na década de 2000 foi "auxiliado" pelo enfraquecimento do dólar.

MEU COMENTÁRIO: Principais eventos para o aumento quase contínuo dos preços na década de 2000:

- Final dos anos 1990 e início dos anos 2000: Crescimento das economias Americana e Mundial.

- Pós 11/01/01 e invasão do Iraque: crescente preocupação quanto a estabilidade da produção do Oriente Médio.

- Segunda metade da década: Combinação de produção declinante mundial com o aumento acelerado e contínuo da demanda asiática pelo produto, especialmente China.

A causa da produção mundial declinante está relacionada à enorme expansão da produção OPEP na década anterior e que inibiu o investimento da indústria em exploração (pesquisa para descoberta de novas jazidas). Para quem não é da área, investimentos em exploração de petróleo tem retorno de médio a longo prazo.

SEU COMENTÁRIO: a recente queda a partir de 2012 (dólar forte).

MEU COMENTÁRIO: A partir de 2014 a queda dos preços está ligada a dois grandes eventos:

- Aumento substantivo da produção nos EUA e na Rússia, sendo que em 2015 a produção Americana atingiu o mais alto nível em mais de 100 anos, com os EUA voltando a serem os maiores produtores mundiais após mais de 50 anos (Figura a seguir)

- O crescimento estratosférico da produção americana está ligado ao boom do "shale oil" americano (óleo de folhelho), com o avanço tecnológico do fraturamento hidráulico (hydraulic fracturing, or fracking), ela começou a ser utilizada com progressivo sucesso em reservatórios não convencionais como o shale oil. Com isto, nunca os estoques americanos estiveram tão altos. E, aqui o básico da economia de Adam Smith: oferta maior que demanda gera queda nos preços.

Saudações, Paulo









Não, Xiba. Continua sendo pirâmide do mesmo jeito.

Essa questão da Previdência brasileira é um assunto bastante interessante pelo seguinte motivo: talvez seja a única área da economia que não está aberta a opiniões ideológicas.

Não importa se você é de esquerda ou de direita; liberal, libertário ou intervencionista. Também pouco importa se você acredita que a Previdência atual seja superavitária (como alguns acreditam). O que importa é que o modelo dela é insustentável. E é insustentável por uma questão puramente demográfica.

E contra a realidade demográfica não há nada que a ideologia possa fazer.

Comecemos pelo básico.

Ao contrário do que muitos ainda pensam, o dinheiro que você dá ao INSS não é investido em fundo no qual ele fica rendendo juros. Tal dinheiro é diretamente repassado a uma pessoa que está aposentada. Não se trata, portanto, de um sistema de capitalização, mas sim de um sistema de repartição: o trabalhador de hoje paga a aposentadoria de um aposentado para que, no futuro, quando esse trabalhador se aposentar, outro trabalhador que estiver entrando no mercado de trabalho pague sua aposentadoria.

Ou seja, não há investimento nenhum. Há apenas repasses de uma fatia da população para outra.

Por motivos óbvios, esse tipo de esquema só pode durar enquanto a fatia trabalhadora for muito maior que a fatia aposentada. Tão logo a quantidade de aposentados começar a crescer mais rapidamente que a fatia de trabalhadores, o esquema irá ruir.

Portanto, todo o arranjo depende inteiramente do comportamento demográfico da população. A qualidade da gestão do INSS é o de menos. Mesmo que a Previdência fosse gerida por anjos probos, sagazes e imaculados, ainda assim ela seria insustentável no longo prazo caso a demografia não cooperasse.

E, no Brasil, ela já não está cooperando. Segundo os dados do IBGE, em 2013, havia 5,5 pessoas com idade entra 20 e 59 anos para cada pessoa com mais de 60 anos. Em 2060, a se manter o ritmo projetado de crescimento demográfico, teremos 1,43 pessoa com idade entre 20 a 59 anos para cada pessoa com mais de 60 anos.

Ou seja, a menos que a idade mínima de aposentadoria seja continuamente elevada, não haverá nem sequer duas pessoas trabalhando e pagando INSS para sustentar um aposentado.

Aí fica a pergunta: como é que você soluciona isso? Qual seria uma política factível "de esquerda" ou "de direita" que possa sobrepujar a realidade demográfica e a contabilidade?

Havendo 10 trabalhadores sendo tributados para sustentar 1 aposentado, a situação deste aposentado será tranquila e ele viverá confortavelmente. Porém, havendo apenas 2 trabalhadores para sustentar 1 aposentado, a situação fica desesperadora. Ou esses 2 trabalhadores terão de ser tributados ainda mais pesadamente para sustentar o aposentado, ou o aposentado simplesmente receberá menos (bem menos) do que lhe foi prometido.

Portanto, para quem irá se aposentar daqui a várias décadas e quer receber tudo o que lhe foi prometido hoje pelo INSS, a mão-de-obra jovem do futuro terá de ser ou muito numerosa (uma impossibilidade biológica, por causa das atuais taxas de fecundidade) ou excessivamente tributada (algo que não é duradouro).

Eis o fato irrevogável: contra a demografia e a matemática, ninguém pode fazer nada.

A não ser mudar totalmente o sistema.

Uma proposta para uma reforma definitiva da Previdência

ARTIGOS - ÚLTIMOS 7 DIAS

  • Lucas Mendes  11/03/2011 10:01
    Magistral!!!
  • Klauber Cristofen Pires  11/03/2011 10:01
    Dr Hélio Beltrão,\r
    \r
    Congratulo-o por seu brilhante pronunciamento, e desejo sucesso para o IMB e todo e qualquer empreendimento pessoal ou corporativo que vise defender a vida, a propriedade e a liberdade. \r
    \r
    Destaco o caso dos nant'ans apaches como uma bússola para os liberais: convencer pelo exemplo e pela correção dos seus argumentos, coisa difícil para quem sempre quer ver o cisco nos olhos dos outros enquanto despreza a trave nos seus próprios.\r
  • Erick Skrabe  11/03/2011 10:17
    Espetacular ! ótima comparação.

    Fico muito Feliz q tenham citado o Mises Chile ! - a inspiração foi o Mises Brasil. O Sr. Helio manteve acesa a chama da liberdade passada pelo Sr. Lew Rockwell.

    Teremos muitas tempestades, mas a chama ñ vai se apagar.
  • Filipe Celeti  11/03/2011 12:34
    Mises Chile? Isto é ótimo!!! Vou visitar o site de vocês, Erick.
  • Cleber Nunes  11/03/2011 12:57
    Hélio,

    parabéns pela brilhante apresentação, uma incrível lição de tática e estratégia.
  • Bernardo Santoro  11/03/2011 13:36
    Inspirador!
  • Artur Reis  11/03/2011 13:38
    Sementes foram plantadas, e lindos frutos nasceram ...


    Sinceramente, tenho uma forte intuição de que grandes mudanças viram, sustentadas pelos pilares do Austro-libertarianismo, pois para min já são virtudes!
  • Cândido Leonel T. Rezende  11/03/2011 14:31
    Belos exemplos,Apaches e Torrents. Os apaches venciam acampamentos, pois eram cautelosos, sabiam agir com diversas formações de guerra, outros tipos de forças sabiam lutar apenas quando mantinham uma linha de tiro e a ordem de um capitão no front, sem essa ordem no front e essa linha eram totalmente inofensivos. Apaches atacam quando emitem um grito de diversas linhas, agem em cerco ou em qualquer tipo de formação, e sempre cautelosos. O torrent apesar de ter um tracker para divulgar algumas informações, mesmo se o tracker quebrar, continuaríamos o download sem qualquer problema, o interessante é que em uma estrutura torrent, você pode baixar o arquivo que desejar. Dentro de um .torrent se existirem 1000 músicas, você pode baixar 300 se assim desejar, em outros protocolos é praticamente impossível fazer isso, a critério em arquivos torrent você tem a opção de escolha, ótimo exemplo! Um belo exemplo que poderia ser usado é o protocolo IRC, vários outros projetos, como até mesmo o torrent, tem recebido grandes colaborações, graças ao método de organização do irc, praticamente, em suma, a maioria dos canais de chat é aberto, para perguntas, críticas e sugestões, você convive em um lugar totalmente dinâmico, sem qualquer restrição de pensamento. Em um ambiente de desenvolvimento, você pode se inserir como programador, usuário, critico... sua opinião será usada ou não, o importante é que você foi ouvido, além disso você pode se inserir ou não, em qualquer discussão, pode escolher aqueles canais que te interessam. É muito gratificante participar de uma cultura dinâmica de tal modo.
  • Breno Almeida  11/03/2011 15:57
    Parabéns!
  • Antonio Chiocca  11/03/2011 17:00
    Helio
    Parabéns ,estamos na estrada certa e com combustível certo.
  • Eduardo  11/03/2011 20:20
    Emocionante!
  • Getulio Malveira  11/03/2011 20:53
    Parabens ao Helio e ao IMB! A existência do Instituto é crucial não só por sua capacidade de atuação como organização mas por ser para todos os liberais uma base de apoio. Estou certo que no futuro o IMB se converterá no "anel central nevrálgico" do liberalismo no Brasil.
  • Miguel A. E. Corgosinho  11/03/2011 23:03
    Parabéns Helio Beltrão pela apresentação!

    Trazendo a memória a estrela-do-mar, transcrevo uma parte importante para o IMB analisar: "Para o nosso instituto no Brasil, devemos ter métricas sensatamente correlacionadas com os esforços da equipe. Qual tipo de pressão devemos colocar em nós mesmos visando o futuro? Afinal, temos de estar sempre objetivando a elevação do nosso potencial.".

    Temos a certeza obvia que o contexto que envolve os movimentos correlacionados com a exterioridade da estrela-do-mar é o mar.

    Acredito que o contexto para estratégia métrica correlacionada com a exterioridade da economia, em que podemos nos colocar objetivando a elevação do nosso potencial, visando o futuro, não é a própria ciência econômica nem um ponto visível como uma moeda (algo métríco não mede ele mesmo), pois é parte da natureza do mundo exterior - quanto a nós que estamos sobre a superfície, na terra.

    Por isso, em forças contrárias, sem espaço tempo, continua o mistério potencial da econometria envolto num sistema em si mesmo - jamais mensurável pelo homem.

    Contudo, somos indivíduos pensantes, dependentes de necessidades possivelmente correlacionadas no mundo exterior. Ora, enquanto a economia é artificialmente objetivada pelos fluxos externos de capital, não vivemos como quem aguarda a elevação do nosso potencial nos subterrâneos da terra?
  • void  12/03/2011 18:05
    Informalidade e concisão...
  • Miguel A. E. Corgosinho  13/03/2011 22:44
    CR,

    "Portanto, o tradicional reduto não perde nada em concentrar sua atenção no prolongamento de suas luzes, sem precisar disputar brilho com as paralelas."

    Não adianta disputar as nações no estado como estão: escravas de moedas da banca fictícia; ou com as outras que possam ser em sociedades fechadas, para o próprio cambio. Teremos que nos deparar com a esfera determinante da grande posição temporal que se pós na influência dos fenômenos, e leva-la ao trono das distinções da realidade, num mundo exterior.

    Além disso, enfrentamos desafio novo: fatores naturais movem uma esfera de ação da realidade (o futuro da economia), e faço outra pergunta: Para que imitar o movimento dos países com as luzes nos recursos estrangeiros se um lastro universal se manifesta para a conversão no lugar do tesouro?

    Ocorre-me recordar Fichet, Kant, Hegel, Einstein, entre outros de elevado saber que deixaram, em seus ensaios filosóficos, ponto e espaço para movimento e tempo, com referenciais para explicitação de quando viesse a realidade que revelasse os acontecimentos no futuro. Neste caso, a realidade no tempo, através de outro tempo moderno - o qual substancia a base de apoio do objeto, pois naquela época a natureza do objeto estava inanimada, e o capitalismo não tinha nada fixo. E; foi por isso que ele se transformaria na fonte cosmo-política para, em jogo, ligar a relação das nações á uma só transcendência: o imperialismo.

    Nesse jogo, o capital, subtrai todas as regras de base (ao flutuar), para não deixar ver suas ligações de intensificação causal. Mas, foi "por estar ai", como mera dispersão cósmica, que um país assumiu, para si, o "passivo métrico", correlacionado a propriedade privada, e assim, nega toda existência - num espaço real não há objeto algum.

    Portanto, estávamos impedidos de ter consciência externa e os fenômenos (no vazio) fizeram a lei: de um país a outro, o dólar é, ao mesmo tempo, síntese de elevação potencial das outras nações; porém, mediante acesso ao exterior, seriam concentradas em dividas de alienação e ficção no passivo.

    Daí, pela inobservância investigativa do custo real, em que o capital acontece sem a forma da esfera continua de um estado teórico, todos ficaram sob rendição que desvirtuam o mundo na necessidade externa (alheia). Mas, a realidade originária, ante a subversão temporal do seu principio no mundo, iniciou um conflito com o jogo (um acesso espacial a si mesma); visto que a moeda pura se torna a concreção real de sua respectiva exterioridade.

    Logo, fica antiquado considerar "dinheiro" como capitalismo. O devir já têm de ser conhecido: ao chegar em nova tecnologia, numa época do mundo exterior, aparece a potência justamente na gênese da moeda: A é em partes =A, e vice-versa = X. - A sociedade industrial capta a razão imutável de variáveis, sempre iguais, que movimentam as obras.

    O homem prova a gênese que serve de base da moeda: O calculo total que flui de uma economia. Nesse coincidir (num ponto fixo), pode se pensar o objeto da consciência, em objetividade - a ordem externa - a qual não se perde nos tempos de evolução e regressus infinitum - porque a passividade tem um valor de unidade de quantum do cambio.
  • CR  14/03/2011 09:53
    Nazismo já era. O futuro é feito a cada instante, por cada um de nós, dentro da unidade cósmica. O Pai da Nação Alemã, o Ermitão de Königsberg, e a Coruja de Minerva erraram feio ao perseguir a trilha suicida greco-romana, ao sabor socrático-apolíneo.
  • Miguel A. E. Corgosinho  14/03/2011 10:39
    "O futuro é feito a cada instante, por cada um de nós, dentro da unidade cósmica." = investimentos externos + reserva fracionária, ambos sem lastros + juros SELIC que também foi feita para cada instante ao futuro de luzes e brilho (a quem defendes) para aceitação do déficit público do Brasil, de um trilhão e meio no cosmo.

    Parabéns, juntamente aos impostores do universo, porque não se importam com a desgraça dos países.
  • mcmoraes  12/03/2011 14:59
    Helio disse: "Quando tomamos a decisão de fundar o Mises Brasil, ainda não conhecíamos o senhor Rockwell. Tomei a iniciativa de lhe mandar um e-mail perguntando se podíamos começar a traduzir artigos. Recebi de imediato um e-mail em resposta, com apenas uma frase: "Por favor, traduza sim." Informalidade e concisão. Exatamente como tem de ser."

    Fantastico! Obrigado pela iniciativa.
  • Anonimatus  12/03/2011 17:39
    Como assim, o Chile já dançou nas mãos dos banqueiros internacionais graças a Milton Friedman que foi pioneiro em espalhar a febre do mercado-livre na América do sul. O Mises no Chile não tem nenhuma serventia a não ser aos fundadores do instituto que certamente irão faturar com a venda de livros e palestras sem sentido. Eles estão de olho mas propriedades do governo brasileiro.\r
    \r
    E é claro que essa mensagem vocês não são doidos de publicar.\r
    \r
  • Leandro  12/03/2011 17:48
    Ora, é claro que vamos publicar. A melhor maneira de desmoralizar nossos opositores, mostrando seu baixo nível intelectual, é dando-lhes um pouco de palanque.

    Ficamos agradecidos por sua presteza.
  • CR  13/03/2011 12:09
    Genial
  • Erik Frederico Alves Cenaqui  12/03/2011 19:50
    Prezada equipe do IMB\r
    \r
    Parabéns pelo excelente texto e pelo sucesso do instituto.\r
    \r
    Abraços
  • Maurício  13/03/2011 00:07
    Olá, Helio,

    Todos os elógios acima são mais do que merecidos! Realmente o IMB é um sucesso como empreendimento intelectual!

    Mas sem querer desvirtuar o tópico, vc disse no Q&A que o segundo melhor ativo do mundo ainda é o título do tesouro americano, reconhecendo que seria um tema controverso num fórum austríaco. Vc poderia citar em poucos pontos o que está por detrás da sua tese?

    By the way, seria um ótimo tema para um artigo...

    Abraços

    Maurício
  • Engenheiro Anti-Cartorios  13/03/2011 11:15
    Parabéns pelo conjunto da obra!!!
    Aproveito para compartilhar com vocês um fato irônico, que mostra que a realidade às vezes é mais engraçada que uma comédia de ficção: todo dia quando vou trabalhar no Centro da Cidade (Rio de Janeiro), passo por uma rua que conduz diretamente aos fundos de um dos maiores sorvedouros de dinheiro dos sofridos cidadãos cariocas - a sede administrativa da prefeitura, prédio muito propriamente conhecido como "Piranhão", segundo dizem por ter sido construído num local onde antigamente era a zona do baixo meretrício no Estácio - e, eis que me deparei com a placa com o nome da referida rua... Adivinhem o nome da rua!?!?!?! *Ministro Hélio Beltrão* - acredite se quiser!!!
    Grande abraço a todos os componentes do IMB e também aos leitores.
    Vida longa e próspera ao site!
  • Caio Cesar  13/03/2011 21:43
    Se tivessemos um ministro desses, pode ter certeza que, caso escutassem essa mente, o Brasil estaria nos 10 melhores em IDH. rsrs

    Enfim! Belíssimo discurso! Parabéns!
  • Helio  17/03/2011 13:19
    Não sabia que existia uma rua Ministro Helio Beltrão. Eu apenas conhecia uma importante avenida na Tijuca que leva o nome de meu avô, Heitor Beltrão. Obrigado por informar!
  • CR  13/03/2011 12:03
    Cumprimentos pelo galgo a tão elevado patamar. Destaco o impecável inglês. Muito boa a certidão de óbito. Duas ressalvas, contudo, nas premissas: se não me engano as primeiras obras da Escola Austríaca que aportaram no Brasil foram por cortesia do Embaixador Oswaldo de Meira Pena, e farta divulgação pela Revista Visão, e até por rede da TV, na pessoa do Enenheiro Henry Maksoud. Mas isso ora é tão irrelevante quanto a indevida, e até ofensiva menção ao Instituto Liberal. O Instituto foi por muito tempo editor e divulgador de sei-lá quantas dezenas de obras. Os autores austríacos ocupavam a pole-position. Na época da primeira eleição presidencial o IL trabalhou fundo. Não fosse um acidente que não vem ao caso relatar, o Brasil não ficaria premiado com Collor & Lula, até hoje.
    O papel do Instituto Von Mises é incomparável. Portanto, o tradicional reduto não perde nada em concentrar sua atenção no prolongamento de suas luzes, sem precisar disputar brilho com as paralelas.
  • Helio  17/03/2011 13:33
    Caro CR, obrigado pelos elogios. Eu conheço sim o excelente trabalho do Embaixador Meira Pena e do ilustríssimo Maksoud. Contudo, naquele momento da palestra estava me referindo a organizações apenas. No caso de indivíduos poderíamos citar também vários outros, como Og Leme (este também parte do IL), o senador Roberto Campos, e tantos outros! Mas não era o que eu estava dizendo naquele instante.

    Eu não tive nenhuma intenção de ofender o IL, muito ao contrário! Tenho enorme admiração pelo que o Donald Stewart, Og Leme, e todos aqueles que passaram pelo IL-RJ fizeram, a começar pelo pioneiro trabalho de divulgação da Escola Austríaca, as valiosíssimas traduções, a efetiva participação no debate público, e muitíssimos outros. Há também pessoas que conheço pessoalmente e admiro que contribuíram com os IL-RS e IL-SP. Alguns são amigos próximos, inclusive.

    O MisesBrasil é parceiro próximo do IL-RJ, e somos muito felizes com essa importante parceria. O que quis dizer na palestra é que a ideia de uma REDE de ILs em funcionamento eficaz não vingou. E os ILs tomaram caminhos diferentes, mudando ou fechando. Fico feliz que o IL-RJ ainda esteja por aqui e que sejamos parceiros. Me parece contudo que o modelo adotado na década de 1980 deve ser atualizado, e que a falta de uma devida adaptação talve explique o porquê de o IL-RJ haver perdido parte do brilho dos anos iniciais. Abraços
  • Tiago  13/03/2011 20:19
    Simplesmente um brilhante discurso. Não sabia da capilaridade que as idéias liberais possuíam no mundo.
    Obrigado por texto tão inspirador!
  • Caio  14/03/2011 16:06
    Belíssimo discurso!! O Sr. Helio Beltrão e toda a equipe do Instituto Mises Brasil realmente estão de parabéns pelo ótimo trabalho que vêm fazendo. Mesmo com tão pouco tempo, os resultados já são extremamente notáveis, principalmente nas redes sociais. Basta ver que o número dos adeptos da Escola Austríaca vem aumentando extraordinariamente, tanto é que é cada vez mais comum se deparar com links aqui do site em meio a discussões nos dóruns de economia espalhados pela internet. Como exemplo eu mostro uma enquete de uma comunidade a qual eu costumava participar ativamente:
    .
    www.orkut.com.br/Main#CommPollResults?cmm=45779&pct=1274788968&pid=1991576689&msg=2
    .
    A Escola Austríaca é a 2ª opção mais votada e perde somente para o keynesianismo. Espero que esse trabalho continue firme e forte por muitos e muitos anos e que no futuro possamos colher os bons frutos de todo esse processo.
  • Helio  15/03/2011 00:32
    Obrigado a todos.

    Maurício, o que eu quis dizer sobre os títulos do governo americano é o seguinte: Os Bancos Centrais precisam lastrear sua moeda local em um ativo de altíssima qualidade e baixo risco. Historicamente, esses ativos foram o ouro e mais recentemente os títulos do tesouro americano. Recentemente, os austríacos e alguns especialistas financeiros vêm levantando dúvidas sobre a qualidade dos títulos do tesouro americano, sob o argumento de que estes serão vítima de calote (ou de inflação elevada). O problema da inflação pode ser resolvido com aplicação em títulos de prazo mais curto, no qual se renovam no vencimento por outros títulos que possuam uma taxa de juros maior, em linha com uma possível inflação esperada. A grande questão, no entanto, é qual o risco de default do tesouro. Adicionalmente, outra questão é se há um título público ou privado com melhor qualidade e menor risco que os títulos do tesouro.

    O único ativo financeiro (que se qualifica para ser detido por BCs), que não é passivo de ninguém é o ouro, e portanto o ouro é o ativo mais adequado de todos. Porém, não há nenhum outro título (além do ouro) que eu considere que possua menor risco que os títulos americanos. Se utilizarmos o sinal do mercado, os únicos títulos que pagam menos juros que os títulos do tesouro americano são os do Japão e os da Suiça. Todos os outros títulos públicos e privados pagam mais caro (Canada e Alemanha estão pagando a mesma taxa que os títulos dos US). O que garante o pagamento desses títulos é a capacidade produtiva dos atuais e futuros contribuintes de cada país. Na minha opinião, essa capacidade é maior nos US do que em outros países, não obstante o enorme ceticismo dos americanos em geral.
  • Francis Tadeu Leite  18/03/2011 11:07
    Parabéns pela apresentação, Hélio. Representou muito bem o Brasil. Fraterno abraço!
  • Carlos  21/08/2011 15:59
    Pessoal, etou tentando através de fóruns divulgar um pouco das idéias libertárias.
    Não sei se é o caso, mas, quem puder acessar este link:

    www.hardmob.com.br/threads/451637-%C3%89-hora-da-cultura-3G?p=8672715#post8672715

    E analisar os pontos em questão, e suas divergências, ficarei grato.

    Abraço.
  • Johnny Jonathan  03/06/2012 15:56
    Gostei do otimismo.

    Mesmo tenso um personalidade pessimista, percebo que isso contagia as pessoas.
  • Henrique  08/12/2012 14:51
    Essas foram palavras de um verdadeiro líder. Parabéns ao IMB!
  • Frederico  08/12/2012 20:34
    Baita livro! E genial analogia da temática do livro com os princípios do austro-libertarianismo.
  • Emerson Luís, um Psicólogo  01/11/2014 17:11

    Muito esclarecedor e atual. Os liberais podem ser barrados como indivíduos, mas o liberalismo não pode ser totalmente obstruído ou eliminado.

    * * *


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