Como Mises explicaria a realidade do SUS?
por , quarta-feira, 9 de março de 2011

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saude-publica.jpgUm leitor que acabou de descobrir nosso site pede-nos para fazermos uma "análise profunda do SUS (sistema socialista de saúde do país) à luz da extraordinária teoria de Mises".

Curiosamente, ao se analisar o funcionamento do SUS à luz da teoria misesiana, conclui-se que o real desafio está em perceber como uma medicina socializada afeta a oferta de serviços de saúde privados.  No caso do Brasil, o desafio é perceber como o SUS afeta o funcionamento dos serviços fornecidos pelos planos de saúde privados, e como as regulamentações impostas pelo governo sobre as seguradoras de saúde ajudam a piorar todo a serviço de saúde do país.

No que concerne ao funcionamento específico do SUS, ele em nada difere de qualquer outro serviço socializado.  Falar sobre questões ligadas aos serviços de saúde é algo que desperta grandes paixões, pois, por algum motivo, parte-se do princípio de que saúde é um direito do cidadão (de quem é o dever é algo que não se comenta), e que, por conseguinte, a oferta de serviços de saúde deve ser ilimitada. 

Infelizmente, porém, a realidade econômica não nos permite tais devaneios, e o fato de que vivemos em um mundo de escassez é uma verdade válida também — e principalmente — para os serviços de saúde.  Infelizmente.  Se a escassez pudesse ser extinta por meio do simples decreto governamental — como acreditam os socialistas —, então estaríamos já há muito tempo de volta ao Jardim do Éden.

Logo, voltemos à realidade.

Quando se deixa as paixões ideológicas de lado e busca-se apenas a verdade por meio da razão e, consequentemente, da aplicação da genuína ciência econômica, nenhum resultado é surpreendente.  Mais especificamente, o interesse aqui é discutir como a ciência econômica explica os problemas inerentes a uma medicina socializada, sem fazer qualquer juízo de valor.  Afinal, economia não funciona de acordo com sentimentalismos, e serviços médicos funcionam exatamente da mesma maneira que qualquer outro setor de serviços na economia, por mais que as pessoas se deixem levar pela emoção.

Os libertários seguidores da doutrina dos direitos naturais — que dizem que cada indivíduo tem o direito de não lhe tirarem a liberdade, a propriedade e a vida — diriam que a medicina socializada não só é economicamente maléfica como também é moralmente indefensável, pois baseia-se no roubo da propriedade alheia para o financiamento dos serviços médicos.  Embora seja indiscutível que a medicina socializada baseia-se no roubo da propriedade alheia, somente essa argumentação não é muito promissora, pois a própria existência do governo baseia-se no roubo.  Logo, por coerência, pedir o fim da medicina socializada implicaria também pedir a abolição do governo.  Embora seja esse o desejo dos anarcocapitalistas, é preciso reconhecer que tal postura não faria ninguém vencer um debate econômico.

Logo, argumentações puramente econômicas são necessárias para explicar por que nenhuma medicina socializada pode ser de qualidade duradoura.  (E, de fato, nenhum país que hoje possui medicina socializada apresenta serviços de saúde invejáveis.  Canadenses e britânicos que o digam, para não citar os cubanos).

O princípio do SUS é igual ao de qualquer medicina socializada

Serviços de saúde socializados são defendidos e ofertados de acordo com o princípio de que a saúde é um direito básico e indelével do cidadão, principalmente dos mais pobres.  Logo, o acesso aos serviços de saúde deve ser gratuito ou quase gratuito, pois só assim os pobres podem ter saúde em abundância.

O problema é que até aí estamos apenas no terreno dos desejos, e não da realidade econômica.  É indiscutivelmente bonito posar de defensor dos pobres e oprimidos, exigindo saúde gratuita para eles.  Porém, infelizmente, a realidade econômica sempre insiste em se intrometer.  E a realidade econômica é que, sempre que algo passa a ser ofertado gratuitamente, a quantidade demandada desse algo passa a ser infinita.  No caso específico da saúde, sempre que serviços de saúde passam a ser gratuitos, a quantidade desses serviços que as pessoas passam a querer consumir torna-se praticamente infinita.  E não poderia ser diferente.  De novo, trata-se de uma lei econômica, e não de sentimentalismos.

A medicina socializada é um caso clássico de intervenção que necessita de intervenções cada vez maiores para ser mantida, até o momento em que tudo se esfacela em decorrência da total imobilidade do setor regulado.  Mises foi pioneiro em explicar a mecânica de tal fenômeno, e é em sua explicação que vou me basear.

Falando especificamente do SUS, caso o governo apenas se limitasse a financiar — via impostos extraídos da população — a oferta de serviços de saúde, a demanda por consultas de rotina, testes de diagnósticos, procedimentos, hospitalizações e cirurgias tornar-se-ia explosiva.  Logo, caso o governo nada fizesse, os custos gerados por tal demanda iriam simplesmente estourar o orçamento do governo. 

É aí que a realidade econômica se impõe.

Como os recursos para a saúde não são infinitos, mas a demanda é (pois a oferta é "gratuita"), o governo logo se vê obrigado a impor vários controles de custo.  Os burocratas estabelecem um teto de gastos na saúde que não pode ser superado.  Porém, apenas estabelecer um limite de gastos não é o suficiente para reduzir a demanda.  Assim, embora os custos estejam agora limitados, a demanda por consultas, pedidos de testes de diagnósticos, hospitalizações e cirurgias segue inabalada.  Consequentemente, com oferta limitada e demanda infinita, ocorre o inevitável: escassez.  Ato contínuo, começam a surgir filas de espera para tratamentos, cirurgias, remédios e até mesmo consultas de rotina.

O agravamento de tais ocorrências faria com que o sistema inevitavelmente entrasse em colapso.  É aí que o governo passa, então, a impor mais controles.  No caso, ele passa a controlar a demanda.  Mais especificamente, ele começa a "limitar" — por meio de várias burocracias insidiosas — o número de visitas ao médico, o número de testes de diagnósticos, o número de hospitalizações, cirurgias etc.  Por exemplo, em alguns casos, um paciente é atendido apenas quando um determinado conjunto de sintomas é perceptível.  Em outros, uma hospitalização ou cirurgia ocorre apenas se o paciente estiver acima de certa idade ou se estiver grávida de um bebê deficiente.  Em inúmeros casos, o paciente simplesmente é rejeitado — popularmente, ficará na fila esperando até desistir.

Outra consequência inevitável do processo de controle de custos aparece nos salários e nas compensações que o governo paga aos médicos do SUS, algo que é refletido diretamente na qualidade dos serviços prestados.  Afinal, profissionais mal remunerados simplesmente não têm incentivos para trabalhar corretamente.

A medicina socializada, portanto, baseia-se no mesmo princípio do controle de preços: a oferta torna-se limitada e a demanda, infinita.  Como consequência, a qualidade dos serviços decai, os hospitais tornam-se degradados e a escassez de objetos passa a ser uma inevitabilidade — em alguns casos, faltam até sabonetes. (Tal realidade explica, por exemplo, os constantes escândalos de funcionários de hospitais públicos extorquindo pacientes, cobrando por fora em troca de remédios ou de pronto atendimento).

Tratamentos ou atendimentos bem feitos ou mesmo satisfatórios tornam-se exceções em um sistema socializado de saúde.

Seguradoras

Nesse ponto, o leitor mais iniciado pode estar pensando: "ora, dado esse cenário, o governo deveria incentivar a medicina privada, pois ela desafogaria grande parte dessa demanda pela saúde pública.  No mínimo, os mais endinheirados não mais estariam demandando os serviços do SUS."

Tal raciocínio está parcialmente certo.  De um lado, é fato que o governo, ao contrário do livre mercado, sempre vê o consumidor como algo aborrecedor.  Ao passo que, no livre mercado, as empresas estão sempre ávidas por consumidores para os quais vender seus produtos, no setor público, o consumidor é apenas um irritante demandante, um usuário esbanjador de recursos escassos.  No livre mercado, o consumidor é o rei, e os ofertantes estão sempre se esforçando para ganhar mais consumidores, com os quais poderão lucrar caso forneçam bons serviços.  No setor público, cada consumidor é visto como alguém que está utilizando um bem em detrimento de outra pessoa.  No livre mercado, todos os envolvidos em uma transação voluntária ganham, e as empresas estão sempre ávidas para oferecer seus produtos ao consumidor.  No setor público, o consumidor é apenas uma chateação para os burocratas.

E é justamente por essas características do livre mercado que o governo não pode permitir um genuíno livre mercado nos serviços de saúde.  Para entendermos o motivo, basta novamente utilizarmos a razão e aplicarmos a genuína ciência econômica.

Assim, o que ocorreria em um arranjo em que há contínua deterioração dos serviços de saúde e os salários dos médicos são controlados pelo governo?  A resposta é óbvia: os médicos iriam querer fugir de tal sistema e passar a lidar diretamente com seus pacientes, sem amarras burocráticas e sem regulamentações.  Ou seja, haveria uma fuga de médicos para a medicina totalmente privada, em um arranjo de livre mercado.

Em tal arranjo, obviamente, os médicos não apenas poderiam ganhar maiores salários, como também teriam a liberdade de tratar seus pacientes de acordo com seus próprios critérios médicos, o que iria lhes render ainda mais clientes e, consequentemente, mais dinheiro.  Na medicina pública permaneceriam apenas os ruins e incapazes, algo péssimo para qualquer democracia, um sistema em que políticos precisam de votos. 

Sendo assim, o governo fica numa encruzilhada.  Ao mesmo tempo em que deve desafogar o setor público de saúde, ele não pode permitir que o setor privado crie grandes incentivos, sob pena de perder seus melhores profissionais e, consequentemente, permitir a total deterioração da medicina pública.  Logo, ele precisa criar um meio termo.

E é assim que o governo entra em cena estipulando pesadas regulamentações sobre o setor de planos de saúde, fazendo com que os serviços médicos fornecidos por seguradoras sejam quase tão ruins quanto os do SUS.

Apenas pense: o mercado de seguro-saúde é totalmente regulado pelo governo.  Não há livre concorrência.  Não é qualquer empresa que pode entrar no mercado e ofertar seus serviços.  Houvesse livre entrada no setor, as seguradoras que oferecessem melhores condições para os médicos conveniados certamente teriam os melhores profissionais para seus clientes.  Porém, como é o governo quem decide quem entra no mercado (o que aniquila a livre concorrência) e como é o governo quem estipula várias regras para o funcionamento do setor, o que temos hoje são planos de saúde caros e que remuneram muito mal os médicos conveniados.  Há situações em que ser médico da rede pública — geralmente de sistemas estaduais ou, em alguns casos, municipais — é ainda melhor do que ser médico conveniado de alguma seguradora.

Logo, temos a seguinte situação:

1) O sistema público de saúde é ruim, sofre de escassezes e os médicos são mal pagos. 

2) O sistema privado de saúde é controlado pelas seguradoras, um ramo fortemente regulado pelo governo, dentro do qual a concorrência é mínima.  Logo, os médicos são mal remunerados pelas seguradoras e os planos de saúde são caros e cobrem cada vez menos eventualidades.  Para ter maiores benefícios, é necessário pagar apólices muito altas.

3) O domínio das seguradoras obviamente criou um "mercado paralelo", em que médicos particulares atendem diretamente seus clientes sem a intermediação de seguradoras — e, consequentemente, cobrando bem mais caro, justamente por causa dos incentivos criados pelas regulamentações sobre o setor de seguros.  Tais médicos, entretanto, precisam ter grande renome e boa reputação para obter sua clientela cativa, algo trabalhoso e demorado.  Desnecessário dizer que tal arranjo só é acessível para os mais ricos.

4) Consequentemente, o sistema privado não se torna, para boa parte dos médicos da rede pública, um sistema substantivamente mais atraente que o sistema público, exatamente a intenção do governo.

5) Tal arranjo contém o êxodo de médicos da rede pública, o que impede o esfacelamento do sistema.

6) Apenas os realmente ricos conseguem contornar tais empecilhos, e geralmente fazem suas consultas, internações e cirurgias sem o uso de seguradoras, lidando diretamente com os médicos, sempre os melhores.  Estes, por sua vez, cobram caro justamente pelos motivos delineados no item 3, a saber: porque não possuem concorrência para suas qualidades e também porque sabem que possuem uma clientela cativa, composta daquelas poucas pessoas que podem se dar ao luxo de não utilizar planos de saúde para pagar suas cirurgias.

No final, quem realmente perde são os mais pobres, justamente aqueles a quem os amorosos defensores da saúde pública querem proteger.  A medicina socializada destrói a qualidade dos serviços médicos e, por causa das regulamentações estatais, encarece o acesso à medicina privada.  Os mais pobres — aqueles que mais pagam impostos em relação à sua renda — ficam privados de bons serviços médicos, serviços estes pelos quais eles pagaram a vida inteira.  Caso tivessem podido manter esse dinheiro para si, certamente poderiam hoje estar usufruindo um melhor serviço de saúde.

Muitas vezes um pobre tem seu acesso ao sistema público de saúde negado porque os burocratas que controlam o sistema determinaram que outras pessoas estão mais necessitadas do que ele; logo, estas têm mais direito àqueles serviços que ele próprio ajudou a financiar via impostos. 

A ciência econômica mostra, portanto, que defender a medicina socializada é uma perversidade.

Conclusão

Ainda mantendo-nos fieis à ciência econômica, fica claro que o arranjo que melhor atenderia a todos os necessitados seria justamente um arranjo de livre mercado.  As pessoas seriam liberadas dos impostos, podendo agora manter consigo boa parte daquilo que são obrigadas a dar para o governo a fim de financiar um sistema de saúde que não presta serviços decentes.

O setor de seguros de saúde deve ser totalmente desregulamentado, havendo livre entrada no mercado e, consequentemente, livre concorrência.  Os preços dos planos de saúde cairiam e os médicos agora passariam a ser remunerados de acordo com sua competência.  Principalmente: haveria a livre negociação entre médicos e pacientes, sem intromissões governamentais — algo que hoje só ocorre entre médicos e pacientes ricos.  A medicina socializada não mais teria motivos para existir (como nunca teve, aliás).

Por fim, e ainda mais importante: nunca é demais enfatizar que a saúde é responsabilidade de cada indivíduo, de cada família, sendo que todos devem ter o direito de manter para si os frutos de seu trabalho e de poderem utilizar seu dinheiro da forma que quiserem, tendo a liberdade de escolher os serviços médicos que desejarem, e com a responsabilidade de encarar as consequências de suas escolhas.

Não há nada de radical ou novo nisso: afinal, esse é exatamente o princípio que seguimos hoje quando escolhemos e compramos alimentos, roupas, carros, computadores, celulares, iPads, iPods, iPhones, passagens aéreas, apartamentos e tudo o mais.  E, pelo menos até agora, tal princípio vem funcionando com enorme sucesso.  O fato de esse princípio (em outras palavras, liberdade) ter sido abandonado na saúde e principalmente na educação apenas mostra as tragédias que ocorrem quando nos desviamos dele.

Serviços médicos funcionam exatamente da mesma maneira que qualquer outro setor de serviços, por mais que as pessoas se deixem levar pela emoção.  Ademais, pela lógica socialista, não faz sentido pedir intervenção em serviços médicos e deixar, por exemplo, o setor alimentício por conta do livre mercado.  Afinal, existe algo mais essencial do que comer?  Porém, é exatamente por causa do livre mercado que temos comida sempre disponível, para todos os gostos.  Não importa a que horas você vá ao supermercado, você sempre tem a certeza de que tudo estará ali. Tanto para pobres quanto para ricos. Isso não é fascinante?

Sempre que você quiser serviços de alta qualidade a preços baixos, você tem de ter um livre mercado, uma livre concorrência. Não há nenhuma outra opção.  Quem acha que ofertar bens gratuitamente, criar uma montanha de regulamentações e impor controles de preços é a receita para bons serviços, deve se preparar para uma grande decepção.  Isso nunca funcionou em lugar nenhum do mundo.

Quem realmente quer serviços médicos de qualidade para os pobres (e quem não quer?) tem de defender um livre mercado nos serviços de saúde.  Não há outra opção.

A verdadeira ciência econômica explica.

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Leitura indispensável:

Quatro medidas para melhorar o sistema de saúde


Leandro Roque é o editor e tradutor do site do Instituto Ludwig von Mises Brasil.


169 comentários
169 comentários
oneide teixeira 09/03/2011 11:32:44

A questão é o que fazer com as pessoas que não se adaptam a o sistema competitivo , é nisso que se basea os coletivistas e sua retórica.

Responder
J. Pillar 09/03/2011 12:40:49

Oneide,
Você tem toda razão. Coletivistas frequentemente incitam nas pessoas o medo com esses argumentos. O que é muito fácil, porque como vivemos em um país com muitos pobres, paira no ar o terror de "ser abandonado à própria sorte", "ficar pra trás", etc. o que leva as pessoas (principalmente a classe média, a mais aterrorizada com a pobreza) a buscar o Estado como provedor da celebrada "rede de segurança", uma magra garantia que se cairmos durante essa luta competitiva não iremos direto pro chão.

Esse raciocínio é falho em diversos aspectos: Primeiro, a miséria que nos aflige é causada pela mesma instituição que deveria supostamente nos salvar - o Estado. O Leandro deu apenas uma pequena demonstração de como isso ocorre. A maior parte das pessoas até reconhece que o Estado é a chave que explica nossa condição, mas acredita que tal coisa se dá porque não conseguimos fazê-lo "funcionar direito", quando na verdade o problema é simplesmente a sua onipresença. É a forma como essa instituição aleija nossa capacidade de produzir, comercializar, inovar, que cria uma massa de pessoas dependentes, que não podem arcar com suas necessidades básicas de educação, saúde, etc. Isso, lógico, confere a eles mais poder.

Ademais, essa obsessão com competição é coisa de neoclássico. Basta dar uma olhada mais cuidadosa que é possível perceber que o funcionamento intrincado e complexo de uma economia livre só é possivel porque existe uma dimensão de cooperação tão importante quanto a de competição.

Responder
Romulo 28/01/2015 13:41:52

Sim, e mais ainda. Com a maior participação do estado na vida das pessoas e consequentemente o maior sequestro através de impostos, as pessoas tendem a serem menos generosas, diminuindo a caridade, doações, etc..Sentem que já não têm mais obrigação com o próximo.
Vê-se isto claramente nos países europeus do Wellfare state.

Responder
ocarinha 26/03/2015 19:20:12

Eu não creio que "porque como vivemos em um país com muitos pobres, paira no ar o terror de "ser abandonado à própria sorte", "ficar pra trás", etc. o que leva as pessoas (principalmente a classe média, a mais aterrorizada com a pobreza) a buscar o Estado como provedor" seja o caso do Brasil. O caso do Brasil é simplesmente porque a geral da pobreza financeira não tem conhecimentos pra entender como isto acontece e também estão acostumados a depender od governo; boa parte dos classe média também não tem esses conhecimentos, apesar de parte deles serem mais instruídos, mas isso não diz nada.
Eis aqui outra observação: vivemos num país de muitas oportunidades e essas pessoas continuam pela vida inteira pobres, dependendo do governo.

Então, a conclusão é que por não terem conhecimentos de como as coisas funcionam e por serem acomodados, eles depender do Estado.

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joão batista do nascimento 24/12/2015 16:00:55

as pessoas vivem dependentes do governo, por um mundo de razões, e não são razões simplistas como voce da a entender. Para que as coisas funcionem a contento são necessária muitas medidas radicais.
O bolsa familia tem que ter porta de entrada e de saida, e em quantidade de recursos muito maior, e não esta esmola que o governo lhes oferece.O total do bolsa familia fica em aproximadamente 35 bilhões, nada que uma duzia de politicos espertalhões não consigam desviar por ano. Alem disso o governo não deve ser banqueiro,produtor de petroleo, e tantas outras coisas em que está metido.O que o governo tem fazer, é desfazer-se dessas atividades que não lhe dizem respeito, e que passe a fazer forte normatização, ai em vez de fazer investimentos em saco furado, ainda recolheria bons impostos que financiariam boa parte da saude publica, principalmente para as pessoas que não tiveram condições de estudar,não por falta de escolas, mas porque tiveram que começar a trabalhar com 8,9,10 anos para ajudar nas despesas de casa.Levará, penso eu, ainda uns 50 anos para que toda esta situação esteja resolvida,espero emfim que seja bem menos.Porem só criticar não nos leva a a lugar algum.Querer tambem comparar nossos problemas com paises europeus é rematada tolice, vide a idade do Brasil, com as dos paises europeus,que tambem tem lá os seus problemas.Quanto aos EUA não vale a pena nem discutir,sendo o pais mais rico da terra,lá uma pessoa que não tenha dinheiro, morre sem socorro aos pés e qualquer medico.Portanto este assunto é muito complexo e muitos anos ainda se passarão até que o tenhamos equacionado.Só criticar nada resolve.

Responder
Vitor Jo 09/03/2011 12:54:01

Muito bom esse tema. O artigo está excelente. As ideias desse texto deveriam ser mais divulgadas para sanar com essa utopia da maravilhosa coisa que foi criação do SUS.

Responder
anônimo 09/03/2011 17:50:03

Alguém já leu Freakonomics?\r
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Eu acho que os textos do Leandro deveriam ser publicados.\r
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Com algumas ligações telefônicas, talvez ele consiga ir ao Jô Soares, à Ana Maria Braga etc.\r
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Responder
Erick Skrabe 09/03/2011 18:42:56

Já lí Freakonomics e SuperFreakonomics. Recomendo os 2.

O único problema é q a Escola de Chicago as vezes se perde demais em estatísticas.

O livro é interessante como curiosidade - especial destaque para o SuperFrekonomics e a história de porque as mulheres grávidas morriam ao dar a luz - o problema são alguams conclusões baseadas em estatísticas somente.

VOu dar exemplo absurdos de porque eu sou contra conclusões só beaseadas em estatísticas: vc tem um monte de cartões de natal que começam em novembro, dezembro e então tem... o Natal ! e tudo acaba. Do ponto de vista estatístico, a conclusão óbvia é que os cartões de natal causariam o natal. Esse é um exemplo clássico, mas simples de entender o problema entre causa e efeito.

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Klauber Cristofen Pires 09/03/2011 21:25:13

Recomendo ler Freedomnomics (não há versão em português). Trata-se de uma resposta às mentiras pregadas eplo Freaknomics

Responder
mcmoraes 09/03/2011 21:45:55

Freakonomics só merece esse título num mundo dominado pelo pensamento keynesiano/marxista. Num mundo "austríaco", o título mais apropriado para o livrinho seria Weakonomics.

Responder
anônimo 09/03/2011 23:25:13

O que eu quis dizer é que é um livro que vende e atinge o público leigo.

O Leandro escreve bem, mas não me parece que atinge a população em geral.

Responder
Felix 09/03/2011 14:37:36

Muito bom o artigo, parabéns...

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Perguntinha 09/03/2011 20:22:32

Erick, creio que os sensatos sabem da existência de problemas como o da causalidade reversa e variavel omitida.
Você quer dizer que os economistas de Chicago realmente acham que o Natal é causado por cartões de natal? Não os julgue tão mal..

Responder
Luciana Lopes 10/03/2011 12:35:09

\r
"E a realidade econômica é que, sempre que algo passa a ser ofertado gratuitamente, a quantidade demandada desse algo passa a ser infinita."\r
\r
Praxeologicamente, não alcancei essa afirmação! Me pareceu um pouco neoclássica. \r
\r
Em tese um bem só é gratuito quando sua aquisição não afeta a alocação de recursos para outros fins (inclusive tempo); de fato, não é o caso dos serviços de saúde, especialmente SUS. \r
\r
Ademais, não entendo porque a gratuidade de um bem levaria à infinitude da demanda. O que pode haver no caso não é um caso de demanda infinita, mas de uma "não-economização", isso é, o agente, quando demandar o bem em tese gratuito, não terá os critérios de escassez e prioridades para nortear suas decisões a respeito da apropriação daquele bem.\r
\r

Responder
Leandro 10/03/2011 17:11:27

Quando bens que são por definição escassos (no caso, serviços e produtos de saúde) passam a ser ofertados gratuitamente, além de não haver qualquer racionalidade na alocação destes recursos, não haverá também nenhuma restrição na demanda. Por que pagar por consultas, testes de diagnósticos, procedimentos, hospitalizações e cirurgias se você pode ter tudo gratuito?

Utilizar o fator tempo como definidor da gratuidade de um bem pode levar a erros notáveis. Por exemplo, o governo poderá nacionalizar a distribuição de alimentos, casas e roupas, distribuindo tudo gratuitamente sob a crença de que a demanda por esses bens sempre será contida, uma vez que as pessoas precisarão alocar tempo para ir buscar esses bens. Logo, em tese, a oferta sempre seria suficiente. Não faz sentido.

Por fim, esse exemplo acima ajuda a entender por que a gratuidade de um bem levaria a uma demanda infinita. Afinal, por que incorrer na desutilidade do trabalho para obter renda se você pode simplesmente obter tais bens "gratuitamente"?

Os exemplos do que vem ocorrendo na medicina da Grã-Bretanha e do Canadá comprovam isso. Mesmo países ricos, com grande disponibilidade de capital, já estão sendo obrigados a racionar dramaticamente a oferta de serviços de saúde. A demanda é infinita em relação à oferta.

Responder
Rhyan 28/09/2011 12:54:41

Leandro,

Mas dizer que a demanda é infinita é um exagero de linguagem ou é mesmo infinita?

Não dá pra imaginar uma demanda infinita.

Abraço!

Responder
Leandro 28/09/2011 17:12:26

O que equilibra oferta e demanda é o sistema de preços. Se algo possui demanda garantida e inevitável -- como serviços de saúde --, e sua oferta (que por natureza é escassa) passa a ser gratuita, então é inevitável que haja um grande descompasso entre oferta e demanda.

Quando se diz que a demanda será infinita, não se está dizendo que todo mundo sairá correndo pra fazer um transplante de coração, obviamente. Está-se dizendo, isso sim, que não há mais qualquer mensurador para racionar a demanda por algo. Seja uma aspirina para dor de cabeça ou um transplante de rim, se a oferta de ambos é gratuita, não haverá limites para a demanda por eles. A oferta será estritamente rígida, mas a demanda será inacabável.

Assim como a demanda por pão seria infinita se ele fosse "tornado gratuito", a demanda por serviços médicos também será infinita caso seja totalmente gratuita -- guardadas, é claro, as devidas proporções entre demanda por transplantes e engessamento de membros e demanda por pão. Se o pão fosse gratuito, todos correriam para as padarias hoje; se os serviços médicos fossem gratuitos, obviamente não seriam todas as pessoas do país que correriam para os hospitais; porém, no longo prazo, todas as pessoas tenderiam a utilizar os serviços gratuitos de saúde para qualquer eventualidade. É nesse sentido que a demanda seria infinita. Quanto tempo ela demoraria para se manifestar é o de menos. O que a teoria diz é que tal demanda infinita irá se manifestar.

Abraços!


P.S.: a quem interessar possa, comunico que estou de férias (por duas semanas), o que significa que nem sempre poderei responder prontamente às perguntas dos leitores. Apenas peço um pouco de paciência, que a resposta virá. Obrigado a todos.

Responder
Rhyan 29/09/2011 01:43:18

Muito obrigado!

Vou levar sua resposta para um colega que me fez essa pergunta.

Abraços, boas férias!

Responder
Médico do SUS 30/11/2013 18:58:32

Sou médico de um pronto socorro no SUS. Há pessoas que todos os dias vão ao pronto socorro pelos motivos mais banais apenas porque é gratuito. A demanda se torna infinita na medida em que qualquer um pode usar o sistema sempre que quiser e por qualquer motivo. Até por motivos que não têm nada a ver a com a própria saúde.

Responder
Fernando Gomes 10/03/2011 15:31:15

Excelente artigo! Ótimo para refetir acerca da saúde no Brasil. E sobre o trecho: "E a realidade econômica é que, sempre que algo passa a ser ofertado gratuitamente, a quantidade demandada desse algo passa a ser infinita.", considero que tal fato se origina do planejamento familiar, especialmente no Brasil, que possui "incentivos" absurdos, tais como Bolsa Família e Cia. , o que poderia explicar a "infinitude" da demanda.Afinal, para uma pessoa mais pobre, receber um 'incentivo" em dinheiro, além da educação e saúde "gratuitas" pode parecer um ótimo negócio... Corrijam-me se estiver errado, sou descobridor recente do pensamento liberal, rs.

Responder
Zeh 10/03/2011 19:00:29

Como eu queria ter lido esse artigo ontem...
Hoje no trabalho ouvi um cara comentando que o melhor plano de saúde que existe é o SUS. Eu sabia que ele estava certo(pela velocidade que o SUS atende aqui na região em relação aos planos privados em alguns casos graves) e errado(porque a culpa dos planos serem ruins não é exatamente dos planos), mas me faltaram palavras, aí só escutei.
Na realidade já ouvi isso de uma enfermeira amiga minha também.

Responder
augusto 15/05/2011 16:36:54

Bem, deixa eu te contar o que acontece aqui na minha cidade: a prefeitura tem um contrato com um plano de saude (o que ja te da uma boa dica de como o servico publico eh ruim: a propria prefeitura prefere pagar um plano privdo para seus funcionarios). A prefeitura atrasa os pagamentos, o plano de saude se recusa a atender os funcionarios, a "justica" obriga o plano de saude a atender. Obviamente, para fazer isso, o plano de saude tem que sair cortando tudo que eh ponta: piora o atendimento a todos os clientes, marca e desmarca consultas para adiar os tratamentos, etc., etc.\r
\r
Eh obvio que os funcionarios da prefeitura e os demais clientes se revoltam, "eh um absurdo isso, falta fiscalizacao, a empresa desrespeita os clientes, deveria ser punida", e por ai afora.\r
\r
Nao eh dificil imaginar que, numa situacao dessas, a pessoa indo ao SUS, termine mesmo recebendo um atendimento "menos pior" mas nesse caso a culpa, ainda assim, eh da prefeitura.\r
\r
Ah, se eu nao me engano a adesao a esse plano eh voluntaria, mas pelo que os jornais explicam, o dinheiro sai dos cofres da prefeitura (talvez com desconto em folha).

Responder
Marco Aurélio 25/04/2011 00:32:33

Convido a todos a assistirem esse impecável Globo Repórter falando justamente sobre o caos da saúde pública no país. Há cenas que ilustram perfeitamente tudo o que foi dito nesse artigo, como escassez de equipamentos, filas intermináveis e racionamento de pacientes.

Há cenas fortes. Mas recomendo muito.

www.youtube.com/watch?v=xcqVdv34fIk
www.youtube.com/watch?v=fROm1PcmZK4
www.youtube.com/watch?v=xmsXsu_eufg

Responder
ocarinha 26/03/2015 19:29:26

Indisponível :/

Responder
Andre 15/05/2011 13:51:54

Mais um exemplo do bem que é a medicina socializada, no estado mais pobre da "federação": gazetaweb.globo.com/v2/noticias/texto_completo.php?c=232509

Responder
Augusto 29/09/2011 03:41:27

Eu queria tirar uma dúvida. Se não me engano, você pode deduzir 100% do valor pago por um seguro-saúde particular na declaração de ajuste de imposto de renda. Isso não significa que, na prática, desde que eu tenha dinheiro para bancar as mensalidades e taxas mínimas, eu posso "sair" do sistema universal?\r
\r
(sair, aqui, é um termo relativo, afinal você continua tendo o "direito" de usufruir do serviço do SUS se desejar, e por meio de outros impostos, você continua bancando as despesas do SUS com outros pacientes. O que eu quero dizer é que você passa a ter uma opção)

Responder
Angelo T. 29/09/2011 08:32:02

Augusto,

Dedução dos gastos em saúde quer dizer que você está baixando a base de cálculo na qual o imposto será calculado. Não quer dizer que o valor pago será recebido integralmente de volta.

Por exemplo, se você teve rendimentos de R$100 no ano, e gastou R$9 em saúde, o imposto devido é em cima de R$91.

Responder
Augusto 29/09/2011 12:12:00

aha, sempre pensei que as deduções fossem calculadas sobre o imposto devido, não sobre o rendimento tributável, obrigado por esclarecer!

Responder
Felipe Neto 06/02/2012 16:19:10

Com certeza o grande vilão por detrás desse problema é o Estado gigantesco e totalitário.

Contudo, eis uma pergunta que surgiu ao ler este texto: não seria uma saída médicos particulares atendendo a um preço menor?

Não estou falando dos médicos famosos e respeitados. Estou falando de inúmeros médicos que se formam a cada ano, e que não têm "histórico" para concorrer com esses médicos antigos, mas também não querem se render à rede pública ou às seguradoras.

Se vários médicos (por exemplo, todos os recém-formados) fizessem isso, haveria um livre mercado em miniatura. Se tais médicos cobrassem um pouco mais do que recebem na rede pública, eles já estariam no lucro, e muitos que não podem pagar planos de saúde seriam beneficiados e se tornariam clientes fieis. É lógico que não resolveria todos os problemas, pois essas pessoas continuariam pagando os absurdos de impostos. Mas não caracterizaria uma diminuição do problema? Ao menos para aqueles que estão insatisfeitos com a rede pública, não têm condições de pagar um plano decente, mas teriam o suficiente para pagar consultas, exames e cirurgias ocasionais que não fossem muito dispendiosas.

Resumindo: não seria uma solução incluir Economia Austríaca no currículo do curso de Medicina? :)

Responder
Leandro 06/02/2012 17:05:48

Prezado Felipe, isso já vem acontecendo atualmente (mas não espalhe, senão a ANVISA e o Ministério da Saúde vão querer regular e destruir este promissor mercado).

Veja este vídeo e observe a reação da guilda (Associação Brasileira de Medicina e os Conselhos Federal e Regional de Medicina), temorosa de perder seu monopólio:

Saúde mais barata

Abraços!

Responder
Lucas Dantas 03/01/2015 22:58:26

Não demorou muito e o estado patrulhador junto com os corporativistas de conselhos já barraram a empresa de operar. Por que não estou surpreso?

Responder
Medico do SUS 30/11/2013 19:05:06

Excelente ideia se o Estado não se metesse. Com a gama de impostos e exigências das várias "vigilâncias" (exigências essas que não são cobradas no Sistema público) que temos, o custo se eleva e fica difícil manter preços populares. Qualquer boa ideia é logo destruída pela intromissão estatal.

Responder
Felipe Sabino 06/02/2012 19:43:44

Caro Leandro,

Obrigado pelo vídeo. Excelente notícia!

Um abraço,
Felipe Sabino
www.mises.com.br

Responder
Eliana Fonseca 04/03/2012 05:44:14

Como um texto ortograficamente bem redigido(apesar de um pouco longo para os padrões das crônicas atualmente publicadas) e pontuado pela clareza e rítimo de raciocínio inteligente, pode ser de total entendimento até para pessoas, como eu, leigas sobre assuntos de econômia e de saúde social; mas interessada sobre o tema por ser consumidora do produto abordado em questâo. \r
Creio que além dos motivos explicativos da ineficiência dos serviços de saúde (público e particular) relatados no texto, devemos também observar que o político (sempre ele!) tem uma ingerência e peso total nessa questão. Como os Poderes Governantes (Legislativos, Executivos e até mesmo Judiciário) poderiam barganhar vantagens e favorecimentos em benefícios as suas causas e interesses se lhes fossem tirados esse grande trunfo para negociatas amorais que a pasta da Saúde lhes oferecem?\r
Parabéns ao Leandro Roque.\r
Eliana Fonseca

Responder
Leandro 04/03/2012 05:53:55

Obrigado pelo gesto, prezada Eliana. Cordiais saudações!

Responder
Renata 31/07/2012 11:25:51

Perdoem-me, chego atrasada na discussao. Mas dificil ler este esta texto e não comentá-lo. Redação clara e argumentação coerente, não obstante,manifesta uma visão elitista nas entrelinhas e conclusão. De fato, o principio da liberdde de escolha "tem funcionado para quem dispoem de condiçoes de escolher e comprar alimentos, roupas, carros, computadores, celulares, iPads, iPods, iPhones, passagens aéreas, apartamentos e tudo o mais". Mas, SOMENTE para parcela da populaçao tem esta liberdade/oportunidade de escolha. E antes que meu argumento seja também rotulado como sentimentalista, ressalto que a desigualdade de condiçoes de vida é também um fato economico universal, inclusive, nas sociedades que se dizem "socialistas". Se é certo que um Estado protetor dos direitos essenciais não irá jamais extinguir o fenomeno da desigualdade social, somente ele pode minizá-lo.Por fim, recomendo que o autor leia um pouco mais sobre o tema da Insegurança Alimentar e Nutricional, e veja como o livre mercado no setor alimenticio não foi capaz de assegurar o direito essencial de comer para milhoes de indivíduos no mundo. Ter supermecados abertos a qualquer hora, é fascinante, assim como confortável, mas para quem pode entrar e comprar,e este é um privilégio econômico de poucos.

Responder
Leandro 31/07/2012 11:48:41

Prezada Renata, obrigado pelos elogios. Mas faço-lhe uma pergunta: quem é que proíbe -- ou, no mínimo, dificulta enormemente -- que os pobres tenham renda suficiente para comprar determinados bens e serviços?

Quem é que confisca 40% da renda do brasileiro, redirecionado os espólios deste assalto para seus compadres e comparsas? Quem é que confisca o salário do povo retendo INSS e FGTS? Quem é que cobra 15% de IRPJ, mais uma sobretaxa de 10% sobre o lucro que ultrapassa determinado valor, mais CSLL de 12%, mais PIS de 1,65%, mais COFINS de 7,6%, fazendo com que a alíquota efetiva do IRPJ no Brasil chega a 46,25% e, consequentemente, impedindo que as empresas possam algum dia pagar salários bons aos seus empregados?

Resposta: o governo -- exatamente a instituição que você diz ser a única salvadora e benfeitora do povo.

A instituição que espolia o povo é justamente aquela que você garante ser a "protetora dos seus direitos essenciais". E ainda diz que a culpa de tudo é dos supermercados, que não "asseguram o direito essencial de comer para milhões de indivíduos no mundo".

É engraçada sua visão de mundo: quem rouba o dinheiro do povo é o salvador; já quem distribui comida barata a qualquer hora do dia é o vilão. Pela sua lógica, Sarney é um anjo e o dono da mercearia da esquina é alguém que poderia muito bem estar na cadeia, pois não está distribuindo comida de graça para o povo.

Hora de sair da Matrix e conhecer a realidade do mundo. Seja bem-vinda ao nosso site.

Abraços!

Responder
genesis 27/05/2014 21:02:44

Acorda pra vida moça!

Responder
Matheus Polli 31/07/2012 13:45:51

"Por fim, recomendo que o autor leia um pouco mais sobre o tema da Insegurança Alimentar e Nutricional, e veja como o livre mercado no setor alimenticio não foi capaz de assegurar o direito essencial de comer para milhoes de indivíduos no mundo."

Em que universo paralelo você vive, Renata? Não sou fã do Milton Friedman, mas o vídeo da História de Um Lápis ajuda a entender um pouco as coisas:

www.youtube.com/watch?v=jgK11FkBJ0U

Ou você acha que foi tudo "planejado" desde a colheita do trigo, manufatura, embalagem, panificação, distribuição até chegar na minha mesa? Eu acho que o que fez tudo isso acontecer foi a minha fome, e a vontade de todo o resto envolvido (a ação humana livre).

Bem vinda ao site do Instituto Mises. Liberte-se, aproveite o vasto conteúdo de artigos e discussões fantásticas.

Abraços.

Responder
renata 31/07/2012 17:42:57

Caro,
interessante o vídeo sobre o lápis. Obrigada pela dica. Contudo, continuo achando questionável a possibilidade real de uma economia livre de mercado, e ainda por cima, tornando o mundo mais harmonico e eficiente. Assistindo ao vídeo me veio a reflexao de de que por detrás de cada elemento processado para obter um simples lápis, existe o trabalho de diversos segmentos cuja remuneraçao e eventuais benefícios trabalhistas são regulados pelo estado, assim como, a comercializaçao da madeira, da serra, etc. No próprio video esta destacado que a seringueira para fazer a borracha foi importada com a "ajuda do governo ingles". Ademais, sobre o preço final do lápis não esta embutido encargos? Não defendo a existencia de um estado "öbeso", por que o mesmo, somente existe onde prevalece condiçoes de autoritarismo, corrupção e outras mazelas sociais, o que seria de fato contraditório com a ideia inicial de um estado protetor de direito essenciais. Penso na existencia de um estado necessário, no qual as regras institucionais estejam claras e prevaleçam. Obviamente, sem a utopia de que as regras se apliquem sem conflitos de interesses, inclusive, por que se os mesmos não houvessem, não seria necessário regular nada. Muito obrigada pelo convite de acompanhar as discussoes e artigo. Todo debate é uma oportunidade de aprendizado.

Abraços

Responder
mcmoraes 31/07/2012 17:58:39

Nesse caso permita-me indicar o seguinte video: How an Economy Grows and Why It Doesn't (by Irwin Schiff).

Responder
renata 31/07/2012 12:25:51

Caro,

distante de meus argumentos a percepção do "estado como a instituição única salvadora e benfeitora do povo." Mas antes um "mal necessário", uma vez que a homem resolveu viver em sociedade. Cabe ao Estado prover e regular nao somente serviços relativos a seguridade social, como também transporte, segurança,etc. Se no cumprimento deste exercício comete abusos ou desvios, dentre outras causas, possivelmente esteja o fato de que as demais instituiçoes sociais e os individuos que a constituem,não raras vezes, eximem-se do dever de se interagir, monitorar e cobrar a aplicaçao de recursos publicos em politicas públicas voltadas para os interesses coletivos e nao particulares e/ou corporativos. Me reportando a realidade como sugere, questiono: é mesmo possível uma sociedade sem estado? Não é melhor admitirmos a necessidade de um estado com cidadãos efetivos?


Abraços!

Responder
Leandro 31/07/2012 12:40:54

Prezada Renata, se você quer um estado que seja um "mal necessário" e que tenha a função de "prover e regular não somente serviços relativos à seguridade social, como também transporte, segurança, etc.", beleza. Queira isso à vontade. Mas então não reclame que as pessoas não têm dinheiro farto para comprar produtos básicos.

O que você quer é uma impossibilidade econômica: um estado obeso cuidando de tudo e, ao mesmo tempo, pessoas com alto poder aquisitivo, como se estas vivessem em uma dimensão paralela, sem ter de arcar em nada com o financiamento deste ente obeso que a todos deve prover. Ou você defende um estado provedor e regulador ou você defende pessoas com dinheiro no bolso. Ter as duas coisas ao mesmo tempo é uma impossibilidade econômica.

Tão logo você decida o que realmente defende, certifique-se de que irá apontar os culpados corretamente. Em sua primeira tentativa, inverteu tudo.

Abraços!

Responder
Tiago 09/09/2012 21:00:36

Eu gosto muito dos artigos do Leandro Roque, mas este sinceramente....mas parece propaganda barata
medico ganhando mal? eu acho que você não deve conhecer nenhum medico, todos eles são ricos

Responder
ismael 29/12/2012 16:52:38

Prezado,
Sou médico e tenho vários pacientes médicos. Posso lhe assegurar que a minoria é rica ou ganha muito bem. Essa é uma visão muito idealizada pois o médico por muito tempo foi visto pelos pseudoesquerdistas como o protótipo da burguesia. Faça medicina e verá. No mais médico trabalho muito (em média 60 a 70 horas por semana). Em qualquer ofício se vc trabalhar mais ganhará mais tb.

Responder
Leandro 10/09/2012 07:22:00

É a primeira vez em toda a minha vida que sou acusado de fazer "propaganda barata" em prol do estado. (O curioso é que absolutamente todo o artigo é um libelo antiestado). Estou totalmente sem chão. Não sei se encaro este comentário como prova de meu total equilíbrio, minha total isenção e meu total bom senso crítico ou se como evidência de que já cheguei a um prematuro e lamentável fim de carreira.

Responder
Fabricio 11/01/2014 16:13:57

Não, o que você vê é o socioconstrutivismo de Paulo Freire em ação.
Não se preocupe, o texto está impecável.

Responder
ocarinha 26/03/2015 20:02:30

Ué, pra quê dar importância pro cara que disse isso se ele não tem nem uma escrita razoável, e com isso subentende-se que ele não ler, não estuda. Logo ele não tem capacidade de raciocinar.

Levar isso à sério é semelhante à se incomodar com uma criança de 3 anos que está pegando e observado um controle remoto.

Responder
joão 16/10/2012 14:51:59

e se, em um livre mercado, apesar de tudo, umas pessoa precisar de uma cirurgia para sobreviver, a qual o custo é maior do que ela pode conseguir em muito tempo trabalhando? como a sociedade se organizaria para não deixa-la morrer? ou simplesmente deixaria?

Responder
anônimo 16/10/2012 16:07:45

"como a sociedade se organizaria para não deixa-la morrer? ou simplesmente deixaria?"

Vou inverter a pergunta:

"como a sociedade se organizaria para deixa-la morrer? simplesmente deixar?"

Resposta:
SUS

Responder
Bright 16/10/2012 17:07:13

Em um livre mercado isento de regulamentações, os convênios já teriam criado uma solução para esse problema. Afinal, precisar de cirurgias acima do orçamento é algo que ocorre com relativa frequência mundo afora.

Porém, como vivemos sob as asas do pai-estado, realmente fica difícil imaginar uma solução para isso.

Responder
Leninmarquisson da Silva 16/10/2012 19:04:47

Essa é facil: CARIDADE.

Antes do governo espoliar tanto os americanos, as igrejas por lá sempre arrecadavam generosos fundos através das doações dos fiéis e realizavam tudo quanto é tratamento para os necessitados.
Mas, certamente, nem todos tem essa sorte. E infelizmente vivemos num mundo de escassez, e somos sucetíveis à morte (por doenças). Logo a resposta é "Sim, deixaria morrer".

TODOS, TODOS estamos sujeitos à essa condição. Ninguém é privilegiado com a imortalidade. Por isso, por mais condenável que seja você "deixar morrer", é muito mais condenável você forçar outros a cooperarem sob a pretenção, por mais nobre que seja, de salvar uma vida.

Pois começa assim..."todos tem direito a vida, por isso é justo que EU force VOCÊ a trabalhar para salvar a vida dele". Depois vem "todos tem direito a educação, por isso é justo que novamente EU force VOCÊ a pagar a educação dos outros". "Todos tem direito a sorvete de casquinha com cobertura de caramelo, por isso..."

E no fim temos uma escravidão estabelecida pela (pretensão) da nobreza...

Responder
Marcus Benites 16/10/2012 19:11:34

Responda você. Como você se organizaria para ajudá-lo? Venderia seus bens? Privaria seus filhos de algo? A sociedade não é "responsável" por salvar ninguém. As doenças existem e para as curas é preciso muito dinheiro. Para haver dinheiro para salvá-lo, alguém tem que dar. Você daria o seu? Se sim, e o seu amigo resolvesse não dar o dinheiro dele ("não, eu não troco um mês de trabalho meu para salvar o Fulano"), você obrigaria seu amigo a trabalhar de graça para ajudar o outro, ou o obrigaria a se desfazer de algum bem para isso? É o que o estado faz.

Agora o grande segredo, não conta pra ninguém, tá? Bem baixinho: O estado faz isso e ainda, pasme, deixa o Fulano morrer! Não é o máximo aquilo que você defende? Seu amigo, mesmo não querendo ajudar a salvar o outro, é obrigado, perdendo bens e dias de trabalho pra isso (o que é o mesmo que trabalho escravo), e o outro, depois de tudo, ainda morre! Esse seu modelo de "justiça" é mesmo o máximo!

Quer saber outro segredo, aqui, bem baixinho também? Lá vai: Sabe por que é tão caro salvar a vida do Fulano? Sabe por que não é bem mais barato a ponto de ele poder se virar com o próprio dinheiro ou conseguir a quantia de que precisa facilmente entre amigos? Porque o estado, ao participar do arranjo todo chamado "saúde", criando demanda por produtos e remédios infinita, bem como dizendo, na hora de pagar a conta, que "dinheiro não é problema" (afinal seu amigo está sendo obrigado a dar o dele), é justamente quem faz o "preço" do salvamento do Fulano ser tão absurdo. Mas não espalha pra ninguém não, tá? Lógica não combina com massa doutrinada e ignorante, você vai acabar criando inimizades (inclusive com Fulano).

Responder
Matheus Polli 16/10/2012 19:36:03

Já ouviu falar em caridade?

Responder
Vagner 16/10/2012 19:39:09

Deixa eu ver se eu entendi. Você está perguntando que se a vida de uma pessoa depende de uma cirurgia que ela não pode pagar, o que ela irá fazer? 1º Ela pode recorrer a uma entidade filantrópica que irá realizar a cirurgia gratuitamente. 2º Ela e sua família pode fazer uma campanha para levantar doações.

Responder
Jose Roberto Baschiera Junior 17/10/2012 04:09:35

Não existir um serviço de saúde oferecido pelo estado não significa a total ausência de saúde gratuita. Uma coisa muito comum(em ambientes minimamente livres) são hospitais mantidos por instituições filantrópicas, normalmente igrejas, que oferecem serviços hospitalares para pessoas carentes.

As pessoas só ficam sem acesso à saúde quando o estado é o provedor desse bem.

Responder
Gustavo BNG 17/10/2012 07:04:40

Pois é, nem tudo o que é público é estatal (municipal, estadual ou federal). Pode ser obra de caridade.

Responder
fernando 22/06/2013 08:38:44

Outra solução planos de Saúde poderia funcionar como seguradoras, você não é obrigado a pagar um seguro vida, mas por exemplo você tem e paga 120 reais por mês e tem uma renda mensal de R$ 2000,00 ele tem uma indenização de 500 mil, algo que você na vida inteira não conseguira juntar, mas por tem o seguro de vida a sua família vai receber o dinheiro, seria mesma coisa.
E na verdade que arcaria com as despesas seria os outros associados do plano de saúde com o pagamento de sua mensalidades, seria igual ao sistema de saúde atual a diferença que só pagaria a mensalidade que quer, e não todos serem obrigados a fazem isso.

Responder
Eduardo 16/10/2012 17:15:25

João, a sociedade se organizaria. As pessoas são incrivelmente caridosas:
exame.abril.com.br/tecnologia/noticias/jovem-arrecada-na-web-dinheiro-para-cirurgia

Hoje há diversas organizações de caridade, apesar de o estado já ter tomado para ele todas as atividades clássicas da filantropia(moradia, saúde, educação etc). Essas poderiam ser ainda maiores, caso o estado se retirasse dessas áreas e cortasse o equivalente em impostos, pois mais pessoas se sentiriam com vontade a ajudar e teriam mais dinheiro para isso.

Acho um exemplo fantástico a história da Santas Casas de Misericórdia, na época do Brasil colônia, onde o país era paupérrimo, já atendia a mulheres e crianças em diversas unidades. Vale uma pesquisa pela internet.

Responder
Fabio 02/11/2012 19:53:15

Realmente um estado social é uma aberração,pois depender de uma burocrata para resolver nossos problemas é uma porcaria.Mas maior aberração é ver que a sociedade não pode resolver-se a sí própria. Ou pior achar que um plutocrata que nada mais é que um burocrata com sinal trocado tb vai nos ajudar. Aconselho o dono destas ideias procurar um conselho local de sáude(entidades publicas não estatais não vinculadas ao governo) de seu bairro ou munícipio para colocar a suas ideias, pois realmente precisamos de participação popular de todos,e quem sabe com ele podemos construir um bom debate e ajudar a melhorar a situação da saúde no Brasil. Ou mesmo procurar um canadense para ver se ele trocaria seu sistema pelo Americano que mais se aproxima das ideias do texto. O canada tem um sistema de saúde publico não estatal,Se é que vc pode conceber isso? um serviço publico não estatal aonde as entidades/médicos são autonomas(não servidores publico), e ver como se faz o repasse de verbas para os médicos? Tb Comparar quanto se gasta com saúde no estados unidos e no canada ou ainda melhor veja os indicadores de saude dos 2 paises. Ou melhor saber que no estados unidos a 4 causa de morte é iatrogênia. Não concordo como esta o SUS no Brasil que erroneamente seguiu um modelo Cubano. E vejo com clareza que mtas da ideias liberais são boas e trazem efetividade para o sistema,mas desconfio que um sistema liberal puro seja o caos como é no estados unidos. E entender que saúde não é apenas um problema biológico, é um problema social e psicológico.

Responder
Leandro 02/11/2012 20:43:13

Você apenas repetiu exatamente os mesmos argumentos emotivos previstos pelo artigo. Nada de novo.

Quanto ao sistema de saúde canadense, o qual proíbe a existência de hospitais privados (pois é), sim, estamos bem a par da situação por lá. Nada invejável. Tenha a bondade:

www.mises.org.br/Article.aspx?id=349


Quanto a um canadense trocar seu sistema de saúde pelo americano, ninguém menos que Paul Krugman fez pergunta semelhante a um grupo de canadenses. A resposta dos canadenses (e a reação do Krugman) foi hilária:




Quanto à sua sugestão de "procurar um canadense para ver se ele trocaria seu sistema pelo Americano", já fiz isso. Morei nove meses em Detroit, cidade que faz fronteira com a canadense Windsor. Todos os canadenses que eu conheci eram unânimes em seu lema: "Ficou doente? Rumo aos EUA". No Canadá, você só será bem atendido se souber miar ou latir. Sim, os hospitais veterinários de lá, os únicos privados, são muito bons.


Seguimos no aguardo de refutações aos argumentos econômicos apresentados no texto. Dizer que saúde é "um problema social e psicológico" é o mesmo que dizer que "direito adquirido" de funcionário público é cláusula pétrea da Constituição: ganha voto e soa bonito e humanitário, mas não abole a mais básica lei da economia, que é a lei da escassez. Um dia, tudo acaba. Vide Grécia e Espanha.

Por último, dizer que o sistema americano se aproxima das ideias do artigo mostra o tamanho do seu desconhecimento em relação ao sistema de lá. Sugiro a leitura da parte inicial deste artigo. Já é o suficiente:

www.mises.org.br/Article.aspx?id=642


Certifique-se sempre de que você realmente entende o básico sobre um assunto (e não apenas os surrados chavões que são ditos) antes de fazer pontificações a respeito. Ter vivenciado a realidade também é importante.

Grande abraço!

Responder
Fabio 03/11/2012 13:13:23

Desculpa pelo meu lado emotivo, mas em qualquer troca alguns podem ter uma valorização pelo lado emotivo. sou assim mesmo. Agradeço a todos que cometaram minhas respostas. Digo que aprendi algumas coisa pois nenhuma palavra volta vazia. E não vou mais aborrecer com minhas chatices.
Felicidade e paz para todos. Um abraço pra os que ficam.

Responder
Odair 03/11/2012 02:07:34

É visível a demanda infinita. Pode ser observada no seu dia a dia.
Nas filas do sistema público uma boa parte (senão a maioria) está lá por qualquer dor de barriga, afinal pode render um atestado para faltar ao trabalho é grátis e você ainda terá um minuto de atenção do "Dotô". apenas constatando quem já não ouviu dizer: - Pobre adora ir ao médico?
No sistema de seguros privados acontece algo similar. Pessoas marcam consulta e exigem exames clínicos por qualquer dor no dedão. Já presenciei isso com conhecidos e quando questionados a resposta é:-Eu pago eu tenho esse direito. Não se dão conta de que essa atitude é mais uma que encarece os planos. Mais ainda, é provado que mais de 30% dos resultados de exames clínicos não são retirados nos laboratórios.
Funcionários públicos em geral, médicos entre eles, reclamam da má remuneração, mas quando instados a pedir demissão e encarar o mercado quantos fazem isso? Resposta:Nenhum. O Estado não exige eficiência nem comprometimento nem esforço continuado de produtividade e consequentemente maiores ganhos. No fim do mês está lá garantido "for life" seja você bom ou mau profissional.

Responder
Rhyan 29/11/2012 15:15:26

Esse artigo é tão fantástico que deveria ter um igual sobre a educação brasileira.

Responder
Rafael George 02/01/2013 12:21:46

@Rhyan,

Esse artigo é tão fantástico que deveria ter um igual sobre a educação brasileira.
Pra que? É precisamente a mesma coisa. A Economia Austríaca é tão simples que o mesmo arcabouço teórico pode ser usado para explicar uma ampla gama de distorções inventadas pelo Estado-Papai. Como exercício de lógica, leia novamente o texto substituindo "saúde" por "educação".

Responder
Andre Luiz S. C. Ramos 03/12/2012 06:38:39

Notícia de hoje:\r
\r
Marcação de consultas no Into causa longa fila no entorno da unidade \r
g1.globo.com/rio-de-janeiro/noticia/2012/12/marcacao-de-consultas-no-causa-longa-fila-no-entorno-da-unidade.html

Responder
Leandro 03/12/2012 06:50:27

Aqui ainda tá bom. No Reino Unido, a medicina estatal já chegou à sua perfeição: bebês doentes estão sofrendo eutanásia compulsória.

Sem recursos (que inesperado!), os hospitais do NHS (National Health Service) estão simplesmente cortando a alimentação deles, que são deixados à míngua até morrerem.

Estatistas -- que são obcecados com controle populacional -- até salivam quando lêem coisas assim.

www.dailymail.co.uk/news/article-2240075/Now-sick-babies-death-pathway-Doctors-haunting-testimony-reveals-children-end-life-plan.html

Responder
Andre Luiz S. C. Ramos 03/12/2012 11:55:21

Estarrecedor!

Responder
Rhyan 03/12/2012 12:36:12

Nossa, não é lá que é considerado o melhor sistema de saúde pública do mundo?

Responder
Luis Almeida 03/12/2012 12:46:41

Michael Moore pensava assim. Não sei se já mudou de ideia. Krugman, um pouquinho mais esperto, pulou fora desse barco há mais tempo, e hoje, muito timidamente (ver vídeo acima), se limita a falar apenas sobre o Canadá. Mas sem muita convicção.

Responder
Rodrigo Makarios 03/12/2012 17:52:25

E que tal isso como exemplo de demanda infinita?

veja.abril.com.br/noticia/saude/hospital-federal-tem-fila-quilometrica-para-marcar-consulta

Responder
anônimo 27/05/2013 04:17:31

Mas como é que o pobre teria acesso à saúde? Planos de saude cobram caro. Nem todo o mundo tem dinheiro pra isso. E as pessoas doentes e velhinhos pobres, que não tem dinheiro pra pagar um plano, como seria? Que morram? Não estamos falando de coisa supérflua, estamos falando de saúde, que é algo que nao envolve dinheiro. É questão de vida. Quer dizer o lucro acima da vida humana?

Responder
Leandro 27/05/2013 09:05:44

Antes de fazer perguntas sobre como funcionaria um potencial arranjo, você primeiro tem de fornecer explicações dos motivos pelos quais o atual arranjo que você defende não funciona.

No atual sistema de saúde pública, os pobres pagam sim -- e muito caro -- pelos serviços de saúde. Pesquise a fatia da renda de um pobre que é abocanhada pelos impostos. Logo, você tem de explicar sua defesa desse atual sistema: o que há de tão humano em fazer os pobres pagar tão caro e, em troca, receber serviços de qualidade sub-humana? Por que você defende isso?

Perceba que nem se trata de ideologia nem nada. O artigo explica por meio de argumentos puramente econômicos por que um sistema público de saúde tende à saturação e à ineficiência. Logo, de nada adianta vir com afetações de coitadismo e efusões de bom-mocismo. Trata-se de uma questão real que não pode ser resolvida no gogó.

Por outro lado, caso os impostos fossem reduzidos acentuadamente -- por meio de uma drástica redução do estado -- e o governo permitisse a livre concorrência no setor de saúde, sem garantir privilégios a operadoras de planos de saúde e nem reservas de mercado a conselhos de medicina, os preços cairiam ou aumentariam? Os pobres estariam em pior situação ou em melhor situação?

Quatro medidas para melhorar o sistema de saúde

Responder
Rodnei 04/06/2013 10:53:20

Leandro, desde as décadas de 20/30 até décadas de 60/70 (não sei as datas ao certo) empresas como a Nestlé faziam um marketing agressivo em cima de seus produtos lácteos (Ninho, NAN, etc), então destinados primariamente aos recém nascidos, como substitutos do leite materno.
Nos primórdios (década de 20) a propaganda era justamente de que a mulher não precisaria amamentar, era só dar o leite Nestlé.
Durante o mesmo período e com o aperfeiçoamento da Medicina Baseada em Evidências, ficou provado por A+B em sem números de pesquisas e trabalhos que o aleitamento materno era (e é) superior e benéfico em todo e qualquer aspecto a qualquer leite artificial, fórmula láctea ou leite animal (segundo meu professor, leite de vaca é muito bom, pro bezerro).
Depois disso foram criadas em vários países uma série de restrições à propaganda desses produtos, justamente para não influenciar as mães a deixarem de amamentar seus filhos (com todas as suas vantagens, além de gratuito) para dar esse leite artificial.

Ainda hoje encontramos esse obstáculo ao orientar as mães, ansiosas por iniciar um NAN1 pro seu bebê por achar o seu leite é "fraco" ou em pouca quantidade, segundo conselho das próprias avós dessas crianças, que cresceram tomando esses leites.

Como isso ocorreria num livre mercado? A empresa continuaria livre para fazer a propaganda que quisesse para vender o seu produto, e as mães seriam de certa forma "enganadas" quanto às qualidades do leite (o fabricante pode dizer o que quiser dele) e deixariam de amamentar, o que é sabido ser muitas vezes superior para a criança do que o produto oferecido pelo mercado.
O mercado anunciaria como verdade (como já fez) que seu produto é um legítimo substituto do leite materno quando na verdade não é, enganando as mães. Eles sabem disso e faziam questão (antes das regulamentações) que as mães não soubessem.

Responder
Leandro 04/06/2013 12:02:52

Pois eu sou muito mais radical do que você. Não apenas não tomo leite nenhum, como ativamente faço propaganda contra todo e qualquer tipo de leite. Além de conter lactose -- açúcar que só faz engordar --, o cálcio do leite enrijece as artérias, causando arterioesclerose. Quem bebe leite e não se exercita está com sua saúde em risco. Tudo o que há de bom no leite você encontra na carne.

Logo, a questão não é a "propaganda do leite em caixa versus o leite materno". A questão é a própria existência do leite. O estado não apenas é a favor da existência do leite, como também inclui a distribuição do produto em vários de seus programas assistencialistas.

Sabendo disso, você agora é a favor do banimento do leite? Eu não. Eu sou a favor da educação e da cultura. Cada indivíduo deste mundo é obrigado a se informar por conta própria (principalmente no que tange à alimentação); caso contrário, ele será diariamente feito de bobo por alguém. Se ele esperar que burocratas o informem, sua saúde irá se deteriorar rapidamente. Não se esqueça de que foram burocratas -- mais especificamente do Ministério da Agricultura dos EUA -- que, na década de 1970, inventaram a tal pirâmide da nutrição, que diz que cada indivíduo deve ter uma alimentação composta de 70% de carboidratos, principalmente na forma de pão e massas. O resultado foi a disparada no número de obesos e do diabetes.

E aí? Quem vai punir o governo por este atentado contra a humanidade?

Por fim, observe que, pela sua lógica, todo e qualquer produto deveria ser estritamente regulado por burocratas: do leite ao cigarro, da carne à soja, da alface ao torresmo. Por que parar no leite? Você defende que burocratas saiam especificando o que as pessoas devem comer? Se você acredita na onisciência de burocratas, boa sorte. Apenas não me obrigue a participar disso e nem a financiar este atentado à saúde.

O fato é que, se o indivíduo não correr atrás de informação, será merecidamente feito de trouxa. Hoje em dia, com a internet, não há desculpas para a ignorância.


P.S.: não entendi o que isso tem a ver com o artigo em questão.

Responder
anônimo 05/06/2013 12:43:28

Leandro, até leite de soja?

Responder
Leandro 05/06/2013 13:32:23

Esse é o pior de todos. Além de abolir a única coisa boa que tem no leite natural -- a gordura saturada --, a soja ainda aniquila sua testosterona. Fique longe.

Responder
Roberto 31/07/2014 20:15:58

Leandro, acho que ele quis exemplificar um problema do "mercado livre" e queria ouvir de você como o estado poderia funcionar BEM para limitar isto, sendo que você defende a não regulamentação.
Alguém com poder econômico suficiente para criar moda (beba leite) e ninguém (estado) para proibir?
Esta é a dúvida dele, se entendi bem.
A minha é a seguinte, ok, digamos que tudo isto esteja certo e eu possa eliminar serviços e impostos, tornando o cidadão menos pobre.
Alguns terão problemas para se capitalizar, como doenças graves, acidentes, aposentadorias, etc.
E nestes casos, como estas pessoas poderiam "sobreviver" neste sistema?
Neste caso, seria válido cobrar mais dos mais ricos para equilibrar a situação dos mais pobres?

Responder
Leandro 31/07/2014 20:47:46

Em primeiro lugar, este seu cenário catastrófico já existe hoje, exatamente desse jeito que você descreveu. Afinal, qual é o arranjo em que vivemos? Ora, exatamente um em que o estado cobra impostos para ajudar os pobres a obter serviços de saúde. Aliás, mais ainda: o próprio estado fornece serviços de saúde "gratuitamente" para os pobres. Por que não funciona?

Portanto, antes de se preocupar com como seriam as coisas em um cenário hipotético, longe da nossa realidade, primeiro responda por que as coisas não funcionam no cenário que você defende ("cobrar dos mais ricos para ajudar os mais pobres"). O ônus, por enquanto, recai sobre quem defende algo que já existe e que notoriamente não funciona. São esses que têm de explicar por que são tão desumanos.

Agora, respondendo à sua pergunta, será que tal pessoa por acaso não possui absolutamente nenhum ativo para vender? Carro, roupas, televisão, computadores, nada? Mais ainda: tal pessoa por acaso não tem familiares, amigos ou mesmo colegas de trabalho que possam lhe emprestar dinheiro?

Tal pessoa, em suma, não poderia fazer uma combinação destas duas medidas (vender ativos e pegar dinheiro emprestado)? Claro que pode. Mesmo porque, se a resposta for não, tal pessoa dificilmente ainda estaria viva (não tem familiares, não tem amigos, não tem colegas de trabalho e não tem ativos).

O que você realmente quis dizer, mas não quis falar claramente, é que tal pessoa não deve ter que se desfazer de suas posses e nem pedir dinheiro emprestado, pois isso seria "indigno". Muito mais correto seria ele simplesmente sair confiscando o dinheiro de terceiros. Isso seria uma solução "mais humana".

Solução sempre existe para tudo, mas isso não quer dizer que determinadas soluções não exijam um alto nível de sacrifício individual.

Responder
Rodrigo 13/07/2015 19:35:13

Ainda nessa questão do leite rs. A cultura e a educação são diretrizes importantes para nossas decisões. O "remédio" para a ignorância seria a informação.

"O fato é que, se o indivíduo não correr atrás de informação, será merecidamente feito de trouxa. Hoje em dia, com a internet, não há desculpas para a ignorância."

Num mercado de concorrência imperfeita com existência de oligopólios e/ou no caso onde o estado é intervencionista, a própria informação pode ficar comprometida. Existem muitas pesquisas que de tão complexas necessitam do envolvimento de grandes instituições e não podem ser facilmente feitas por centros independentes. Muitos dependem de altos financiamentos. Contudo, muito da informação que temos na net é baseado em pesquisas elaboradas por essas grandes instituições que gozam de credibilidade.

Acredito que o livre mercado propiciaria níveis de informação mais livres de influências do que temos hoje. Digo, muitas empresas até se escoram no estado pra se beneficiar e fazer influência em seu benefício. Num mercado livre, a informação seria regulada pelos interesses da concorrência, e haveria uma vigilância constante e equilibrada das informações.

Você acha este raciocínio correto e pertinente? O que vc poderia comentar?

Abs

Responder
Pepe 05/06/2013 15:40:24

"Quem realmente quer serviços médicos de qualidade para os pobres (e quem não quer?) tem de defender um livre mercado nos serviços de saúde. Não há outra opção."

Moro na Alemanha e considero o sistema de saude mais socialista do que capitalista/de livre mercado. A questao é que aqui a saude(sistema) funciona.
Embora nem todos contribuam mensalmente com o mesmo valor financeiro, todos tem acesso aos mesmos servicos e de mesma qualidade.

Responder
Leandro 05/06/2013 15:53:17

Se as pessoas pagam mensalmente -- e, pelo que já li a respeito, até mesmo os pobres são obrigados a pagar --, então os principais problemas citados pelo artigo deixam de existir. O sistema já está em outro patamar em relação a Canadá, Reino Unido e Suécia.

Agora, se a qualidade é boa ou não, aí já é algo bem subjetivo. Como não estou a par do sistema de saúde alemão, e nem tenho como compará-lo aos melhores hospitais privados brasileiros -- não sei se há filas de espera na Alemanha e nem se todas as cirurgias são marcadas de imediato --, não posso palpitar.

Responder
Pepe 05/06/2013 17:42:59

Nao creio que pelo fato de as pessoas pagarem pela saude os problemas citados no artigo nao se tornem mais validos.
Primeiro pq no Brasil todo mundo paga pela saude publica. Indiretamente mas paga. Outros mais outros menos. Quem mais imposto paga, mais pela saude tb "paga".
Por outro lado aqui na Alemanha, o imposto é retirado direto do salario, famoso "direto na fonte". Além disso o valor é diretamente proporcional ao salario do trabalhador.

Nunca ouvi alguem queixar-se de algo que se refira ao sistema de saude, atendimento e qualidade e o povo alemao reclama bastante. Vamos ao menos supor que é apenas 3x melhor que o sistema brasileiro.

E comparar o sistema de saude alemao com os melhores hospitais brasileiros seria uma covardia. Afinal por mais difundido que fosse um sistema de saude nos moldes de livre mercado seria impossivel ter uma qualidade do sistema como um todo nos niveis dos melhores hospitais tupiniquins, que sao realmente muito caros, como citados no proprio texto.

Responder
Leandro 05/06/2013 19:45:42

"Nao creio que pelo fato de as pessoas pagarem pela saude os problemas citados no artigo nao se tornem mais validos.
Primeiro pq no Brasil todo mundo paga pela saude publica. Indiretamente mas paga. Outros mais outros menos. Quem mais imposto paga, mais pela saude tb "paga"."


Pelo que acabei de me inteirar aqui, todos os hospitais alemães são privados, e recebem este dinheiro de acordo com o tratamento dado aos pacientes. Desnecessário dizer que este arranjo é completamente distinto de um arranjo que os hospitais são estatais e os médicos, funcionários públicos.

Nos países de sistema de saúde estatal, o governo tira dinheiro de todo mundo e direciona este dinheiro para todos os setores, sendo a saúde apenas um deles. Neste caso não há racionalidade no uso e, principalmente, não há um sistema de lucros e prejuízos guiando a alocação dos recursos. Já neste sistema alemão, há um dinheiro que é retirado das pessoas e especificamente destinado à saúde, com os hospitais sabendo que só receberão este dinheiro de acordo com o tratamento dispensado ao paciente (pelo menos foi isso o que li). Neste caso há sim uma maior racionalidade e uma melhor alocação de recursos.

Esse é o cerne da questão.

Responder
Andre Cavalcante 05/06/2013 20:05:28

Direto da Deutsche Welle (DW):

www.dw.de/sistema-de-sa%C3%BAde-%C3%A9-um-dos-principais-pilares-da-economia-alem%C3%A3/a-4620375

e, um pouco mais antiga, mas prenunciando o que está acontecendo agora:

www.dw.de/sistema-de-sa%C3%BAde-enfermo/a-2260318

A coisa lá não é tão bonita como se pensa e fala... Se a coisa tá ruim lá imagina por aqui!

Responder
Rodnei 09/06/2013 20:00:19

Leandro, calma...
Sou simpatizante dos libertários.
Meu comentário sobre o leite foi pra dar um exemplo de que ás vezes num mercado desregulado, empresas irão até as últimas consequências para obter mais lucros, seja através de propaganda agressiva ou de mentiras mesmo, enganando o consumidor sobre as reais qualidades de seu produto ou mesmo prejudicando-o.
Eu entendo o ponto onde as pessoas deveriam ser melhor informadas, mas uma empresa agressiva e ambiciosa pode causar muito estrago até ser "desmascarada", principalmente se seu produto for novidade.

Fiz o comentário aqui pois, como estudante de medicina, é difícil para mim ver num livre mercado uma saúde pública (no sentido de coletiva, não estatal) funcionante, pois tudo fica bem individual.
O que poderiam fazer os médicos pelos seus pacientes caso os vissem se usando um produto conhecidamente maléfico, porém sem que a maioria o saiba (e seu fabricante prefere que seja assim)?

Responder
anônimo 10/06/2013 16:51:16

ás vezes num mercado desregulado, empresas irão até as últimas consequências para obter mais lucros, seja através de propaganda agressiva ou de mentiras mesmo, enganando o consumidor sobre as reais qualidades de seu produto ou mesmo prejudicando-o.

Exatamente por isso vai haver um grande mercado pra empresas de certificação privada.

Responder
anônimo 10/06/2013 23:32:47

No mundo cada vez mais digital que vivemos, esta crítica não sobrevive a 5 segundos de reflexão mais aguçada.

Responder
Andre Cavalcante 11/06/2013 09:20:38

Exatamente por que medicina jamais pode ser coletivizada. Medicina deve ser individualizada e holística.

Responder
Thales 28/06/2013 23:38:18

1.200 pessoas morreram de fome nos hospitais estatais do Reino Unido (o National Health Service - NHS) porque as "enfermeiras estavam ocupadas demais para alimentá-las".

www.dailymail.co.uk/news/article-2287332/Nearly-1-200-people-starved-death-NHS-hospitals-nurses-busy-feed-patients.html

Responder
Phillipe 02/07/2013 01:42:56

Me perdoe a ignorância mais em relação a esta parte do texto > Como os recursos para a saúde não são infinitos, mas a demanda é (pois a oferta é "gratuita"). Sou pobre e não sou defensor dos mesmos, mas não seria a demanda alta porque o povo realmente está doente?, isso é o mesmo que dizer que eu vou ao médico não porque estou doente, mais porque é de graça. Quanto privatizar o serviço de saúde: os pobres poderiam pagar pelos exames e cirurgias?, ou entra aquela de oferta e procura?. se a procura fosse alta os empresários donos dos planos de saúde reduziriam o preço para atrair mais clientes doentes?, e se todos tipo em um esquema resolvessem manter um valor auto que poucos poderiam pagar para ter lucros maiores ainda?, ou seja não adiantaria nada eu procurar outro plano, pois todos teriam o mesmo preço caro.

Responder
Leandro 02/07/2013 14:10:18

Quando bens que são por definição escassos (no caso, serviços e produtos de saúde) passam a ser ofertados gratuitamente, além de não haver qualquer racionalidade na alocação destes recursos, não haverá também nenhuma restrição na demanda. Por que pagar por consultas, testes de diagnósticos, procedimentos, hospitalizações e cirurgias se você pode ter tudo gratuito?

O que equilibra oferta e demanda é o sistema de preços. Se algo possui demanda garantida e inevitável -- como serviços de saúde --, e sua oferta (que por natureza é escassa) passa a ser gratuita, então é inevitável que haja um grande descompasso entre oferta e demanda.

Quando se diz que a demanda será infinita, não se está dizendo que todo mundo sairá correndo pra fazer um transplante de coração, obviamente. Está-se dizendo, isso sim, que não há mais qualquer mensurador para racionar a demanda por algo. Seja uma aspirina para dor de cabeça ou um transplante de rim, se a oferta de ambos é gratuita, não haverá limites para a demanda por eles. A oferta será estritamente rígida, mas a demanda será inacabável.

Assim como a demanda por pão seria infinita se ele fosse "tornado gratuito", a demanda por serviços médicos também será infinita caso seja totalmente gratuita -- guardadas, é claro, as devidas proporções entre demanda por transplantes e engessamento de membros e demanda por pão. Se o pão fosse gratuito, todos correriam para as padarias hoje; se os serviços médicos fossem gratuitos, obviamente não seriam todas as pessoas do país que correriam para os hospitais; porém, no longo prazo, todas as pessoas tenderiam a utilizar os serviços gratuitos de saúde para qualquer eventualidade. É nesse sentido que a demanda seria infinita. Quanto tempo ela demoraria para se manifestar é o de menos. O que a teoria diz é que tal demanda infinita irá se manifestar.

Caso ainda não esteja convencido, aqui vai um perfeito exemplo deste conceito aplicado aos serviços de saúde:

veja.abril.com.br/noticia/saude/hospital-federal-tem-fila-quilometrica-para-marcar-consulta

Responder
André Luiz S. C. Ramos 08/07/2013 19:59:05

Não basta obrigar as pessoas a passarem anos numa faculdade para obter um diploma que lhes permita trabalhar. O governo vai obrigar também as pessoas a trabalharem pra ele, senão nada de diploma...

oglobo.globo.com/pais/estudantes-de-medicina-terao-que-trabalhar-2-anos-no-sus-para-obter-diploma-8960019

Responder
Leandro 08/07/2013 21:50:44

Agora sim é que o nível dos médicos vai aumentar...

Os cursos, que terão dois anos a mais, ficarão mais caros e esta obrigação imposta pelo governo -- semelhante a uma escravidão consentida -- irá reduzir sobremaneira a procura pela profissão. Quem irá ganhar são os médicos já estabelecidos, pois esta futura reducão na mão-de-obra irá aumentar seus salários. Não duvido de que sejam eles que estejam por trás desta lei.

Há dois anos, já tendo percebido que a qualidade da mão-de-obra médica estava em queda livre e sabendo que a tendência era que a coisa degringolasse cada vez mais, decidi que ficar doente não mais seria uma opção, e passei a frequentar alucinadamente sites e blogs que dessem dicas de uma alimentação que prevenisse todo e qualquer tipo de doença evitável.

Sugiro a todos que façam o mesmo, pois, doravante, medicina de qualidade ficará restrita à Ásia e a alguns países da América Central.

Responder
Blah 09/07/2013 11:08:00

Se eu estivesse oferecendo até 30 mil reais por mês para um analista de sistemas e mesmo assim não conseguisse encontrar alguém, eu começaria a pensar que há alguma coisa errada. Mas ainda há quem fique criticando os médicos. Ora, se eles fossem malvados dinheiristas, achariam uma maravilha ganhar um salário desses. O fato é que nem assim eles querem se sujeitar a trabalhar em regiões sem nenhuma estrutura.

Agora, o que pouca gente parece perceber é que o curso de medicina será ainda mais restrito aos ricos. Afinal, o indivíduo terá que se sujeitar às vontades do governo por 2 anos. Um pobre não pode se dar esse luxo.

Mas não se preocupem, os nossos grandes pensadores dos problemas do Brasil já sabem a solução. É só injetar uma porcentagem maior do PIB na saúde. Porque, como todos sabemos, quando você gasta muito dinheiro e mesmo assim não tem bons resultados, a melhor saída é gastar mais dinheiro ainda!

Responder
Emerson Luis, um Psicologo 27/08/2013 14:53:21

Não se trata de se ser a favor ou não de que os pobres sejam beneficiados, mas sim de qual é a melhor forma de fazê-lo.

* * *

Responder
Jefferson ALbert 28/08/2013 20:24:50

Ótimo artigo!
.
Não sei se isso é possível, mas como fazer as pessoas saírem de dentro da Matrix que nasceram? E mostrar a elas, que para uma melhor condição de vida, elas têm que parar de recorrer ao Estado!

ATT
Jefferson

Responder
Leandro Koller 30/08/2013 15:31:15

Eu tenho um adendo a fazer, que apesar de parecer "bobo", explica exceções a esta triste regra:

- A demanda pela saúde "gratuita" nunca é, de fato, infinita. Isto se deve, simplesmente, ao fato de que qualquer população É finita. Ela "tende ao infinito", melhor dizendo; mas mesmo nessa afirmação há falhas. Ela se sustenta na lógica de que, conforme melhora a qualidade no serviço de saúde pública, na possibilidade remota de que melhore, a demanda melhora proporcionalmente, anulando assim o progresso real teorizado. Porém, como eu ressaltei, a população é finita, então existe sim um limite para essa demanda (até porque a população, finita, não está sempre doente, mas está sempre pagando imposto), e ele é atingido quando todos os esforços do governo e da sociedade estão focados nesta melhora, gastando a maior parte do seu recurso nisso; algo mais difícil de se acontecer (e ainda assim, imoral) do que "ir ao estádio num jogo de futebol e uma pomba branca pousar no seu ombro" (Quebec, atualmente).

É claro que isso exige um esforço coletivo, uma mobilização sem precedentes, qual pouquíssimas das sociedades humanas estão, ou estarão, capacitadas a atender. Sendo assim, o conteúdo desse artigo, e a lógica libertária, permanece a mais válida.

Responder
Leandro 30/08/2013 15:40:31

Quando bens que são por definição escassos (no caso, serviços e produtos de saúde) passam a ser ofertados gratuitamente, além de não haver qualquer racionalidade na alocação destes recursos, não haverá também nenhuma restrição na demanda. Por que pagar por consultas, testes de diagnósticos, procedimentos, hospitalizações e cirurgias se você pode ter tudo gratuito?

O que equilibra oferta e demanda é o sistema de preços. Se algo possui demanda garantida e inevitável -- como serviços de saúde --, e sua oferta (que por natureza é escassa) passa a ser gratuita, então é inevitável que haja um grande descompasso entre oferta e demanda.

Quando se diz que a demanda será infinita, não se está dizendo que todo mundo sairá correndo pra fazer um transplante de coração, obviamente. Está-se dizendo, isso sim, que não há mais qualquer mensurador para racionar a demanda por algo. Seja uma aspirina para dor de cabeça ou um transplante de rim, se a oferta de ambos é gratuita, não haverá limites para a demanda por eles. A oferta será estritamente rígida, mas a demanda será inacabável.

Assim como a demanda por pão seria infinita se ele fosse "tornado gratuito", a demanda por serviços médicos também será infinita caso seja totalmente gratuita -- guardadas, é claro, as devidas proporções entre demanda por transplantes e engessamento de membros e demanda por pão. Se o pão fosse gratuito, todos correriam para as padarias hoje; se os serviços médicos fossem gratuitos, obviamente não seriam todas as pessoas do país que correriam para os hospitais; porém, no longo prazo, todas as pessoas tenderiam a utilizar os serviços gratuitos de saúde para qualquer eventualidade. É nesse sentido que a demanda seria infinita. Quanto tempo ela demoraria para se manifestar é o de menos. O que a teoria diz é que tal demanda infinita irá se manifestar.

Caso ainda não esteja convencido, aqui vai um perfeito exemplo deste conceito aplicado aos serviços de saúde:

veja.abril.com.br/noticia/saude/hospital-federal-tem-fila-quilometrica-para-marcar-consulta


P.S.: já é a quarta vez que sou obrigado a repetir a mesma resposta aqui nesta seção de comentários. É de se esperar que os leitores ao menos se deem ao trabalho de conferir se suas dúvidas já não foram respondidas antes.

Responder
Alexandre M. R. Filho 30/08/2013 16:28:33

Leandro, é por isso que vc vai pro céu!! Parabéns, cara!!

Responder
Ali Baba 16/09/2013 15:19:06

(Completamente off-topic)

@Leandro Roque,

Com todo respeito cara, o seu xará Koller tem um pequeno fiapo de razão, apenas do ponto de vista semântico: de fato a demanda tende ao infinito e não é infinita. Simplesmente por que o infinito é incomensurável.

O seu exemplo sobre o pão é o que mais deixa claro a confusão dos termos. É fácil pensar que, caso o pão fosse gratuíto, a demanda por ele seria infinita... mas de fato não é. Mesmo que cada habitante da Terra comesse pão, eles não poderiam comer infinitos pães. Se todos se empanturrassem com pão, ainda assim seria possível conhecer esse número. Ele não seria infinito. Mesmo se considerarmos toda a vida de cada habitante, essa vida também não é infinita, portanto o número é finito. Mesmo se considerássemos todas as pessoas que ainda existirão, esse número é astronomicamente grande, mas ainda assim passível de ser conhecido e, portanto, finito.

Embora uma distinção pedante (parece aquele professor de banca de Doutorado que, manuseando uma tese de 1000 páginas, comenta que na página 734 falta uma vírgula), é uma distinção válida. Então, o Leandro Koller, do ponto de vista semântico, está corretíssimo: a demanda tende ao infinito, mas não é infinita.

Responder
Leandro 16/09/2013 17:16:08

A demanda tende ao infinito assim como mercados livres tendem ao equilíbrio. É o óbvio ululante que nada que envolva quantidades mensuráveis chega literalmente ao infinito, assim como mercados nunca chegam literalmente ao equilíbrio (se chegassem, a economia deixaria de ser um processo dinâmico e passaria a ser algo totalmente estático, sem nenhuma acão empreendedorial). No assunto em questão, forneci um exemplo prático do que seria uma "demanda infinita": uma fila enorme para agendar consultas para apenas daqui a alguns anos. Isso é a "demanda infinita" na prática. Isso é o que, na prática, mais se aproxima do "infinito" em termos de demanda. E, para fins de análise teórica e prática, tal aproximação é o suficiente para uma análise bastante realista.

De resto, não irei repetir pela sexta vez os mesmos argumentos já solenemente ignorados nas cinco vezes anteriores. Não há o mais mínimo motivo para crer que eles agora finalmente serão lidos. Admito derrota pelo cansaço.

W.O. meu.

Responder
Jeferson 16/09/2013 19:47:19

Gente, matematicamente falando, infinito não é um número que não se pode medir, ele é uma idéia abstrata pra uma coisa tão grande que não adianta ou não vale a pena medir. E é exatamente dessa forma que o conceito de "infinito" é aplicado nas ciências naturais.

Eu me lembro de quando estudava eletrônica, que eram comuns abstrações como "corrente infinita" e "resistência nula". Óbvio que a corrente elétrica nunca vai ao infinito, porque a quantidade de elétrons é finita, mas quando a quantidade de elétrons em movimento é grande o bastante pra fazer com que as equações com que você está trabalhando sejam transtornadas, e o circuito não funcione como você gostaria que ele funcionasse, temos uma "corrente infinita".

Da mesma forma, a resistência elétrica de um material é sempre maior do que zero, mesmo num supercondutor, mas você não precisa de um supercondutor pra gerar uma resistência suficientemente baixa para considerar que "a corrente tende ao infinito", basta ela criar um descompasso entre o funcionamento esperado de um circuito e o funcionamento de fato dele.

Exatamente como acontece com a demanda, e exatamente como o Leandro explicou. "Demanda infinita por serviços de saúde" é uma abstração que não quer dizer que toda a população da terra vai querer passar todas as 24 horas do dia no hospital. Significa apenas que ela é tão maior do que a oferta é capaz de atender, que gera problemas sérios no atendimento efetivo da mesma. Não só isso, mas também quer dizer que, não importa o quanto se invista em melhorar esses serviços, eles sempre vão ser insuficientes para atender a toda a demanda. Se por acaso eles se tornarem suficientes, vai ser por um curto espaço de tempo.

Pense, por exemplo, na saúde pública do Brasil, que é sabidamente um fiasco. Se por algum milagre conseguissem torná-la capaz de atender a toda a demanda atual de serviços de saúde PÚBLICA, o que aconteceria? Muitos dos que usam os serviços privados passariam a demandar serviços públicos, e novamente o atendimento seria insuficiente. E se conseguissem melhorasse de novo? Os céticos que, num primeiro momento não quiseram deixar de usar os serviços privados, passarão a deixar, o que resultará num novo congestionamento hospitalar.

Fora que o capital se desgasta e vai precisar de manutenção e substituição, a população aumenta, novas doenças surgem, doenças que antes não tinham tratamento passam a ter, e tudo isso vai aumentando a demanda por esses serviços, fazendo com que, não importa o quanto se invista, sempre vai haver descompasso entre oferta e demanda.

Responder
Andre Cavalcante 16/09/2013 21:16:55

Muito bom Jeferson,

Só acertando um ponto: por definição, supercondutor é o material que apresenta supercondutividade, isto é, o condutor elétrico apresenta resistência nula, ou, em outras palavras, o fenômeno da supercondutividade ocorre quando a resistência em um condutor elétrico se torna nula (de repente), devido a fenômenos termodinâmicos e quânticos. Atualmente, só se consegue a supercondutividade em temperaturas muito baixas, próximas do zero Kelvin ou próximas da temperatura do hélio líquido e, mais recentemente, em temperaturas do nitrogênio líquido. Ainda a espera da descoberta do "unobitanium" na Lua Pandora de Poliphemus :).

Abraços

Responder
Pobre Paulista 16/09/2013 22:54:08

Pra ser mas rigoroso (eufemismo pra chato) ainda, na realidade não é possível se atingir a 0 Kelvins. Seria um estado se energia nula, e trata-se apenas de um conceito matemático que jamais poderá existir fisicamente. As leis da termodinâmica provam isso. Portanto nada de corrente infinita por aqui :-)

Responder
Anônimo 17/09/2013 01:24:26

O estado de energia de um neurônio esquerdista é mais baixo que 0 kelvins, provando definitivamente que a ciência é mera convenção burguesa: A realidade é muito pior.

Responder
Jeferson 18/09/2013 18:24:42

Atribuem ao Einstein a frase "Há apenas duas coisas infinitas: o universo e a estupidez humana. E tenho minhas dúvidas quanto à primeira."

Um de meus professores de física na universidade disse que havia duas coisas que não existiam no universo: o zero e o infinito. Ambas não passavam de abstração matemática. Talvez ele estivesse errado sobre os supercondutores então, ou talvez ele tivesse se esquecido... ou talvez a resistência elétrica em supercondutores seja uma coisa tão baixa que possa ser considerada zero. Apesar de que, pelo que me lembro, acho que o fenômeno físico que gerava o que a gente chama de resistência elétrica era diferente em supercondutores mesmo... bem, como tem praticamente uma década que não mexo com esse tipo de coisa, melhor não tentar discorrer mais sobre o assunto.

Tem uma notação matemática que também é mais utilizada em circuitos pra se denotar características próximas a essa idéia. >> (muito maior que) e << (muito menor que), que eu lembro que davam nós nas cabeças dos meus colegas de turma de Engenharia. "Muito maior que" denota muito bem a subjetividade do conceito de "infinito". O difícil é as pessoas entenderem que infinito não é uma coisa objetiva como eles imaginam. Ou, pelo menos, a aplicação prática do conceito não é.

Responder
Levão Thomaz 14/11/2013 12:28:07

Acho que todo mundo entendeu o que o Leandro quis dizer com demanda infinita e seu sentido figurado.
Ora, se a demanda teve um início ela não pode ser infinita....o infinito não pode ter inicio, nem fim.
Tomo a liberdade de convidar Sócrates para enriquecer o debate... quando ele se refere ao infinito pra provar a existência de Deus.
O universo é uma série de causas e efeitos contínuos.
Eu tenho pais, que tiveram pais, eles mesmos; a causa deles foram os pais deles e assim por diante.
Pais e filhos são uma sequencia de causa e efeito. Essa série de causas e efeitos imensa ela é finita ou infinita?
Se a série de causas e efeitos fosse infinita, não haveria primeira causa...trazendo para o caso, não haveria primeira oferta/demanda. Então não houve primeiro efeito,nem houve segunda causa e segundo efeito, ou seja, não haveria primeira oferta (o que não é verdade: o SUS existe infelizmente).
Voltando para Sócrates. Se a série de causas e efeitos fosse infinita, nada existiria. Ora, as coisas existem, logo essa série de causa e efeitos não podem ser infinita, ela tem que ser finita.Analogamente, não existe demanda infinita, sendo um termo usado apenas como figura de linguagem para melhor entendimento das coisas.
Como a série teve um princípio, houve então uma causa de todos os efeitos posteriores.
Essa causa de todas as causas é que se chama Deus, concluiu Sócrates. Ele é a causa primeira não causada.
Essa prova de Sócrates e ele disse quando perto de morrer: "Causa das causas, tem pena de mim."
Então Deus que tem toda potência ativa por ser ato puro, Ele pode transmitir todas as qualidades que ele possui em graus finitos pras coisas que Ele cria.
Desculpem se escapei mais do tema da economia pra filosofia, mas admiro a inteligência desses pensadores da antiguidade e, achei por bem fazer esse paralelo quando se usa o infinito para demonstrar algo.
abraços

Responder
Eduardo 16/09/2013 14:34:43

Leandro, entrei em contato com as ideias liberais há pouco tempo, pois sempre "desconfiei" da plausibilidade e do que realmente seria um sistema coletivista. Em primeiro lugar, gostaria de agredecer e parabenizar o IMB pelo trabalho. Em contrapartida, fico receoso, como estudante de medicina, á argumentação apresentada. Claro, a lei da escassez e a incompetência estatal de alocar recursos com eficiência são notórias, mas, e no caso de pacientes com patologia genéticas, necessidade de neurocirurgia, cirurgia cardiovascular, tratamento para câncer, doenças auto imunes e etc? O tratamento seria muito caro, nenhum plano de saude ou seguradora privada iria arcar com os prejuízos, ou mesmo aceitaria contratuar pacientes em tal condições. Nesse arranjo, ocorreria a sobrevivencia e a sobrevida em inumeras doenças apenas para uma pequena parcela da populaçao(aqui nem classe média entra) capaz de arcar com custos elevadíssimos. Não consigo imaginar que a simples filantropia iria conseguir pagar o tratamento dessas pessoas.. Serviços de saúde são muito caros. Gostaria muito de um esclarecimento nesses pontos que eu levantei, pois considero o SUS uma calamidade, mas muitas vezes me vejo refreado por essa outra linha de pensamento. Abraços

Responder
Leandro 16/09/2013 14:54:19

Em primeiro lugar, os tratamentos hoje são caros porque o mercado é regulado pelo governo. Não há livre concorrência. Abrir hospitais é uma atividade extremamente restringida por burocracias, legislações, licenças e regulamentações, o que restringe artificialmente a oferta de leitos, fazendo a alegria dos empresários protegidos. Da mesma forma, a oferta de médicos é restrita por conselhos federais, licenças e mais regulações estatais, o que faz a festa dos médicos corporativistas, que assim podem cobrar salários maiores.

Tendo isso em mente, e sabendo que os custos iriam cair sobremaneira em um mercado livre, ainda assim é verdade que algumas pessoas continuarão desassistidas, pois não terão em mãos a quantia necessária para determinadas cirurgias. O que fazer?

Bom, em primeiro lugar, será que a pessoa em questão por acaso não possui absolutamente nenhum ativo para vender? Carro, roupas, televisão, computadores, nada? Mais ainda: tal pessoa por acaso não tem familiares, amigos ou mesmo colegas de trabalho que possam lhe emprestar dinheiro?

Tal pessoa, em suma, não poderia fazer uma combinação destas duas medidas (vender ativos e pegar dinheiro emprestado)? Claro que pode. Mesmo porque, se a resposta for não, tal pessoa dificilmente ainda estaria viva (não possui familiares, não tem amigos, não tem colegas de trabalho e não tem ativos).

O que você realmente quis dizer, mas não quis falar claramente, é que tal pessoa não deve ter que se desfazer de suas posses e nem pedir dinheiro emprestado, pois isso seria "indigno". Muito mais correto seria ele simplesmente sair confiscando o dinheiro de terceiros. Isso seria uma solução "mais humana".

Solução sempre existe para tudo, mas isso não quer dizer que determinadas soluções não exijam um alto nível de sacrifício individual.

Por fim, vale lembrar que, há algumas décadas, antes de o estado se intrometer na saúde, a Igreja mantinha hospitais de excelente nível, fornecendo vários serviços gratuitos -- serviços estes que eram financiados por doações, inclusive de ateus caridosos. Mas desde que o estado entrou em cena para mostrar todo o seu amor aos pobres, a Igreja perdeu doações, pois as pessoas pensaram: "O estado já faz o serviço; não preciso mais contribuir para serviços caritativos".

O curioso é que absolutamente ninguém toca nesse assunto. Ninguém comenta como os serviços caritativos da Igreja auxiliavam as pessoas no passado e hoje perderam espaço para o SUS. Defensores da saúde estatal é que devem explicações.

Grande abraço!

Responder
Ali Baba 16/09/2013 15:30:00

@Leandro,

Ninguém comenta como os serviços caritativos da Igreja auxiliavam as pessoas no passado e hoje perderam espaço para o SUS.

Certíssimo. Isso é um fenômeno inclusive comentado por economistas do mainstream. Apenas para referência, leram a historinha sobre os pais que deixavam os filhos até mais tarde na escola no Freakonomics? Vale a pena:

A escola tinha um problema: alguns pais se atrasavam e a escola tinha de arcar com os custos de manter alguns professores tomando conta dos filhos dos atrasados. Pensando nisso, a escola resolveu instituir uma multa: 5 dólares para os pais que se atrasassem. O que aconteceu? Agora "dasabonados" de suas obrigações, muitos mais pais passaram a se atrasar, afinal de contas, pagando a conta, resolvido o problema. A escola, percebendo isso, resolveu suspender a cobrança e tentou uma "volta ao que era antes". Tarde demais, agora o juízo moral das pessoas mudou e um número maior de pais passaram a se atrasar.

Basta olhar para si mesmo e para sua volta: quanta gente deixou de fazer caridade por que, "afinal de contas, já pago altos impostos". É a mesma situação dos pais que preferem pagar a multa do que se responsabilizar por buscarem as crianças no horário correto. Agradeça ao estadismo pela falência moral.

Responder
Bernardo 27/10/2013 02:08:58

Leandro, como o Eduardo, também tenho pouco tempo de contato com os ideais liberais e sou estudante de medicina.

Com relação à esse parágrafo: "Bom, em primeiro lugar, será que a pessoa em questão por acaso não possui absolutamente nenhum ativo para vender? Carro, roupas, televisão, computadores, nada? Mais ainda: tal pessoa por acaso não tem familiares, amigos ou mesmo colegas de trabalho que possam lhe emprestar dinheiro? "

Se o caso for de um acidente, ou algum caso de cirurgia isolada, muito perfeitamente o seu argumento serve muito bem. Junta um pouco daqui, vende umas coisas ali, e pronto, paga a cirurgia. Mas para tratamentos crônicos (alguns, para o resto da vida), com medicações que chegam à valores na casa dos milhares de reais (mesmo retirando os impostos, ainda sim o valor é elevado) por dia, como fica a pessoa?

E com relação aos Hospitais Filantrópicos, principalmente os religiosos, com certeza merece uma análise mais profunda e complexa do que a comentada, apresentando outras causas que mais contribuem para essa redução, como o aumento da complexidade do atendimento, mudança da influencia da Igreja na sociedade, e muitos outros.

Obrigado, e no aguardo da resposta.

Responder
Leandro 27/10/2013 02:17:19

Mantenho a mesma posição, com o acréscimo de que você deveria passar a fazer doações contínuas para estas instituições de caridade. Ou até mesmo deveria fomentar o surgimento de iniciativas (pode ser via internet) voltadas para recolher doações justamente para socorrer pessoas neste tipo de eventualidade.

E você, como agiria? Continuaria mandando estas pessoas para a interminável fila de espera do SUS?

Obrigado e no aguardo da resposta.

Responder
Bernardo 27/10/2013 21:08:58

Uma troca de contribuição compulsória para voluntária para a saúde. Muito bonito de se ler, mais ainda do que o SUS na Constituição.

Não mudaria o meu modo de agir, atendo dois finais de semana por mês no Hospital de Câncer de MT, além de assistência ao longo da semana. Agora, e vc (ou quem estiver lendo)? O que faz agora? Vc acha que a pequena parte do que vc contribui que vai para a saúde é suficiente para não ajudar de outras maneiras?

Responder
Leandro 28/10/2013 08:28:24

"Uma troca de contribuição compulsória para voluntária para a saúde. Muito bonito de se ler, mais ainda do que o SUS na Constituição."

Seja mais claro quanto ao que você defende. Não se esconda atrás de meras insinuações. Você quer é obrigar as pessoas a repassar mais dinheiro para a saúde, pois acha que isso solucionará os problemas. Beleza. Mas você tem de explicar como isso gerará uma melhoria definitiva na saúde pública.

"Não mudaria o meu modo de agir, atendo dois finais de semana por mês no Hospital de Câncer de MT, além de assistência ao longo da semana. Agora, e vc (ou quem estiver lendo)? O que faz agora?"

Além do caminhão de impostos que já pago -- e cujo volumoso montante é destinado para a saúde --, também faço contribuições caritativas para instituições específicas, bem como para a igreja de meu bairro. Adicionalmente, nada posso fazer se políticos e burocratas desviam dinheiro de impostos que deveria ir para a saúde. Quem deve explicações são os defensores do presente sistema, os quais juram que dinheiro de impostos resolve tudo.

"Vc acha que a pequena parte do que vc contribui que vai para a saúde é suficiente para não ajudar de outras maneiras?"

Vejo que você infelizmente não entendeu o mais básico do que foi explicado no artigo. Você pode duplicar a carga tributária e triplicar o volume destinado para a saúde pública -- no longo prazo, tudo continuará ruim, e pelos motivos explicados no texto.

Você quer recorrer a argumentos puramente emotivos para solucionar problemas eminentemente técnicos e econômicos. Quem dera o mundo fosse tão simples assim.

Responder
Andre Cavalcante 30/10/2013 14:39:28

Leandro,

Olha só um outro ponto de vista: O mundo é simples! Do ponto de vista material, regido por leis físicas; do ponto de vista humano, regido por leis igualmente simples: ação humana, oferta e procura, afinidades e pouquíssimas leis morais (teve gente que resumiu em apenas 10 itens).

A complexidade da sociedade, me parece, resulta das iterações das pessoas, baseadas nestas simples leis.

Quem complica é esse pessoal que cria um milhão de leis sem pé nem cabeça justamente para tentar suprimir àquelas leis naturais, porque elas são um tanto chatas: exigem esforço, responsabilidade, empreendedorismo, inteligência, etc.

Abraços

Responder
Vinicius 19/04/2014 02:18:56

@Eduardo , paradoxalmente, o alto custo de um tratamento de uma doença rara pode ajudar justamente o mais pobre.

Quanto maior o custo, menos pacientes este médico terá para tratar.
Quanto menos paciente, menos esse médico entendera da doença e do seu tratamento/cura.
Quanto menos ele entender da doença, maior será o custo do tratamento.

Como sair desse loop? Ele irá precisar de um grande numero de espécimes para se debruçar e estudar/especializar.

E quem serão as "cobaias"? Os mais pobres. E é com a ajuda dessas 'cobaias' que os médicos se especializarão e se aperfeiçoarão mais e mais. E quanto mais eles sabem sobre a doença, mas fácil será para tratá-la; e sendo mais fácil, mais barato será seu tratamento.

A busca pelo conhecimento [s](ET Bilu)[/s] é o que insere ontem, hoje e amanha o pobre no tratamento de doenças raras. E é a mesma que faz com que uma neurocirurgia hoje custe muito menos do que uma neurocirurgia 10 anos atrás.

Podemos também pegar um exemplo mais comum: odontologia. Hoje toda faculdade tem a sua própria clinica, atendendo a população de baixa renda. Em troca do serviço gratuito ou com custos baixíssimos o profissional obtêm o seu conhecimento pratico.

Seja um simples problema dentário ou uma mutação rara, os dois lados ganham — um ganha conhecimento e o outro ganha o tratamento.

Responder
Jonathan 26/11/2013 02:01:25

Primeiro, Leandro, parabéns pelo artigo, extremamente conciso.

Como médico que trabalha em ambos planos público e privado, tenho de concordar plenamente com seu ponto de vista.

A saúde é EXTREMAMENTE cara. Quem não tem nenhuma noção, o custo real de um dia de UTI é de ao redor de 10.000. No SUS, onde a demanda é infinita, não adianta. Se você abre uma UTI com 100 leitos, em uma semana está lotada, não de jovens acidentados de trânsito economicamente ativos que podem se recuperar de uma estadia na UTI, mas de idosos com demência avançada ou com doenças terminais cuja família, pelo custo zero, opta por não se responsabilizar e atira o cuidado do familiar nas costas dos médicos e do sistema.

Ah, e a culpa. Sempre dos médicos. Da falta de um leito para o paciente internar, é do médico. Afinal, somos nós os médicos os gestores da saúde e que decidem quem deve internar ou não. SQN --->>> existem em todo o país no SUS as famigeradas CENTRAIS DE LEITOS, em que você passa o caso do seu doente crítico (que na realidade muitas vezes não poderia ficar esperando esses passos burocráticos) e a central magicamente procura um leito para ele. Novamente, demanda infinita - NUNCA haverão leitos suficientes.

O que o povo precisa entender é que o SUS não funciona. E jamais funcionará. Ofertar tudo a todos é inviável. O sistema será sempre subfinanciado.

A saúde é MUITO cara. E quem ganha menos nessa história toda é o medico.

PS - só pra exemplificar: estudei 10 anos pra ser endoscopista (6 de faculdade + 4 de residência). E estudei de verdade, não foi ir em aulinha de noite e assinar presença, foi ser residente por 4 anos trabalhando 80 horas/semana em um hospital escola. Tenho a vergonha de dizer que recebo R$ 38,00 por uma endoscopia. A moça que me corta o cabelo ganha mais do que eu ganho. E o pior de tudo, é que no convênio, onde uso a minha aparelhagem (que custou ao redor de R$100.000,00), eu ganho mais ou menos R$ 100,00 por exame. Isso sem descontar os 27,5% de imposto. E depois o povo do SUS e convênios vem se queixar que demora quase um ano pra agendar um exame...

Responder
Aguardando argumentos 03/01/2014 21:30:40

Sistema de saúde brasileiro fica em último lugar em ranking mundial

"48 países foram classificados em critérios de expectativa de vida e custo per capita dos tratamentos de saúde. Diante disto, o Brasil ficou na última posição da lista atrás de países como Romênia, Peru e República Dominicana.

Hong Kong, Cingapura, Japão e Israel são respectivamente os quatro primeiros colocados.

Apesar da crise financeira europeia, a Espanha e a Itália vêm em seguida na quinta e na sexta colocação."

noticias.r7.com/saude/sistema-de-saude-brasileiro-fica-em-ultimo-lugar-em-ranking-mundialnbsp-31082013


Curiosamente, nem França e nem os escandinavos, os queridinhos da esquerda, estão no topo. Tomam pau de Espanha e Itália. Hong Kong e Cingapura lideram.

Responder
Frederico Schmidt 21/01/2014 22:16:29

Excelente texto. Porém gostaria de deixar um destaque aqui:

Médicos no sistema público são mal pagos em sua grande maioria, mas nem todos, e pior, são comuns injustiças em função da ineficiência do sistema! Porém o que a maioria, inclusive o autor deste texto, se esquecem, é que a saúde não é feita apenas de médicos, mas já na base, de farmacêuticos, enfermeiros, além de outras diversas especialidades distintas da saúde, pois não saberia enunciá-las todas.

Cabe ressaltar agora que um dos pontos que não fazem a qualidade da saúde no Brasil melhorar é justamente a caótica remuneração de todos estes profissionais, seja na saúde pública ou na privada. Isso mesmo, na privada chega a ser pior que na pública.

Profissional mal remunerado não tem motivação para buscar aperfeiçoamento técnico e científico, consequentemente o trabalho prestado tende a não evoluir e o sistema a ficar enroscado na "idade da pedra".

Um farmacêutico com duas pós-graduações, qualificado em uma área específica, oncologia por exemplo (conheço um profissional inclusive), tem de dar duro a reclamar por um salário maior que o de um residente, pois o residente ganha bolsa do governo, mais alta que o piso da categoria, e na maior parte dos casos acaba sendo descartado pela instituição ao brigar por uma remuneração mais justa.

Agora me diga, sem desmerecer o potencial do residente, qual dos dois terá mais condições de atuar numa especialidade como oncologia, sendo que a maioria das graduações de farmácia sequer incluem conhecimentos básicos de oncologia? Pois é, as instituições preferem manter um residente ou um profissional recém-formado nessas áreas, mesmo que despreparados, a ter de atribuir uma remuneração justa a quem tem capacidade para dar qualidade à saúde.

Por essas e outras que é muito difícil você encontrar profissionais de outras áreas além da medicina se especializando, qual o retorno futuro? Médicos ainda possuem alguma perspectiva de melhorar a condição de trabalho quando especialistas, mas pelo comentário do Jonathan parece que mesmo assim anda difícil.

Responder
Evandro Faria 21/01/2014 23:00:55

Leandro, sou médico e li seu artigo. Parabéns. É exatamente o que eu penso, mas nunca teria sua eloquencia, coerencia e lucidez para fazer um texto tão bom.

Continue. A batalha é dura, ardua, mas quem sabe não consigamos algum dia uma melhora intelectual nesse país...

Abs

Responder
Ezekyel Reis 23/01/2014 11:57:48

Concordo com o texto. Está mais do que provado que o SUS não presta e o pior que ainda existem economistas marxistas/keynesianos que dizem que o SUS é viável e que pode oferecer algo de qualidade. Hoje eu vejo que o SuS está morto e completamente inútil a sociedade.

Responder
Edson Lopes Mergulhão 19/03/2014 04:30:36

Um amigo médico MPH em Public Health pela harvard medical school afirmou que não é possível aplicar as leis básicas de mercado na saúde, pois a saúde não é um mercado perfeito. Concordo com ele. Não há como aplicar as leis de livre escolha, com "perfect information" quando se fala em tratamentos de saúde.
Também sou médico e atuo no serviço público e privado, já fui secretário municipal de saúde, professor de saúde pública, e atualmente tento ser empresário neste país, atuando exclusivamente na iniciativa privada...

Ao meu ver a explicação da realidade do SUS se faz com uma conta simples: aqui gastamos uns 400 dolares per capita ano com saúde pública, enquanto que na Europa em média são gastos 3 mil (e mesmo assim tem vários sistemas com problemas).

Para termos um sistema público que aplicasse 3mil dólares per capita ano, teríamos que investir 1,44 trilhões de reais/ano em saúde... isto não é factível no sistema público nem no privado neste país.
Então senhores, diante de um PIB em 2013 de 4,8 trilhões, uma saúde "quase ideal" corresponderia sozinha a um gasto 30% do PIB. Imaginemos que não exista sistema público, a nossa nação investiria 30% de toda sua riqueza somente em saúde, mesmo que privada? Inviável, hoje com uma carga tributária batendo em 40% do PIB, o país já não têm de onde mais tirar dinheiro....

Se considerarmos o orçamento federal previsto para 2014 de 2,40 trilhões, a saúde sozinha consumiria quase 60% dele....(sabemos que não é só o governo federal que financia a saúde pública)

Bom ainda nem discuti a gestão deste sistema, interferência política, a alta complexidade que por lei não é contemplada nos de planos de saúde, etc, é uma discussão tão complexa estou planejando escrever um livro com estes temas. Ao meu ver no atual contexto do país o SUS inicialmente deveria deixar de ser gratuito, ou ser gratuito apenas para a parcela mais pobre da população. Aproveito para lembrar a todos neste tocante que várias ações prestadas hoje em dia pelo SUS nas áreas de vigilância sanitária não são gratuitas.

Só para terminar este enorme post lembro a todos que ter saúde não é ter acesso a serviços de saúde, mas sim é não precisar "consumir" estes serviços, portanto demanda infinita por serviços de saúde só por serem gratuitos, só existiria numa população hipoteticamente "infinitamente doente".

Responder
Magno 19/03/2014 12:41:18

Prezado Edson, sua opinião ficou confusa e aparentemente contraditória.

Para começar, ninguém aqui acredita em "mercado perfeito", "concorrência perfeita" ou "informações perfeitas". Isso é baboseira teórica, que inclusive já foram refutadas nestes artigos:

As definições corretas de monopólio e concorrência - e por que a concorrência perfeita é ilógica

A virtude das "ineficiências de mercado"

De resto, confesso que não entendi sua posição. Você começa criticando arranjos voluntários, de mercado, dando a entender que defende saúde estatal. Mas aí, logo em seguida, diz que a saúde estatal é ainda pior e insustentável.

E conclui que não defende nem saúde privada, nem saúde estatal, nem PPPs. Qual então a sua solução?

Responder
Edson Lopes Mergulhão 19/03/2014 21:28:33

Prezado Magno,

No meu post resolvi problematizar a questão da demanda infinita, um premissa básica do texto do Leandro a qual eu tenho algumas críticas.
Mas é importante lembrar que uma população não tem mais saúde simplesmente pelo fato de ter acesso e consumir mais e melhor os serviços de saúde. Pelo contrário quanto mais saúde, menos "consumo" ela precisará. E neste ponto muitas premissas básicas do livre-mercado são quebradas...
Devemos lembrar que a população está a cada ano mais envelhecida, e que a incorporação tecnológica não reduz o custo dos tratamentos (esta é uma característica quase exclusiva do mercado de serviços de saúde), esta é uma espiral permanentemente crescente que em muito se assemelha a previdência social.

Agora Magno, eu não tenho a solução para um sistema de saúde perfeito, aliás quem conseguir descobrir isto provavelmente ganhará o nobel de medicina junto com o de economia...

O que é fato é que de todos os países desenvolvidos no mundo o único que não têm um sistema de saúde público universal é os EUA. (não confundamos público com estatal tampouco público com gratuito).

Pensar em saúde de um país apenas no acesso aos serviços de saúde é restringir a uma questão extremamente complexa a apenas uma parte dela.

Como medimos quais os melhores sistemas de saúde? de tudo o que vi o que mais me agradou foi a comparação entre os indicadores de saúde, de expectativa de vida da população versus os gastos efetivos no sistema de saúde, e aí os sistemas públicos universais são melhores se comparados ao sistema americano.

Gostaria que você entendesse que eu sou uma pessoa com pensamento liberal, dentro da saúde pública então sou um "anarquista"... defendo o estado mínimo sem a prestação direta de serviços à população pela máquina estatal.

Te respondendo em linhas gerais eu tendo a pensar que na prestação de serviços de saúde deve existir a competição entre entidades privadas, porém dentro de regras (managed competition)que em muito se assemelhariam ao sistema inglês de saúde.

Agora é difícil pensar que o estado não deveria interferir em nada na saúde da população, que o livre mercado dá conta de tudo... Será que cabe ao mercado dizer o valor de um fígado de um doador cadáver para transplante? Se o doador bebeu muito na vida e não é um fígado 100% vale um pouco menos? Isso chega a ser macabro ao meu ver.

Como eu disse essa é a discussão política que deveria ser feita com toda a sociedade, apresentando os prós e contras de todos os modelos, mas principalmente partindo da premissa que o sistema atual estatal socializado é inviável economicamente.

Tendo então a achar que um modelo mais semelhante ao liberal americano neste momento seria o mais factível para um país que não tem recursos para ter um modelo público universal. O triste mesmo é saber que num ano de eleição majoritária no nosso meio da mídia e político o máximo que veremos de discussão sobre saúde são as mazelas dos hospitais, a corrupção que mata pessoas versus os cubanos salvadores da pátria.....

Responder
Magno 19/03/2014 21:55:12

Prezado Edson, sigo sem entender sua posição, mesmo porque o modelo americano é tudo, menos liberal. Leia o início deste artigo.

Abraço.

P.S.: sobre o conceito de "demanda infinita", leia logo ali em cima o comentário do leitor Jonathan, que é médico. Leia também os próprios (e vários) comentários do sempre paciente Leandro, explicando em detalhes o conceito de demanda infinita. E, por fim, veja aqui um exemplo prático de demanda infinita por serviços gratuitos.

veja.abril.com.br/noticia/saude/hospital-federal-tem-fila-quilometrica-para-marcar-consulta

Responder
Jonathan 31/03/2014 00:13:00

Comentei já este texto acima, há algum tempo.

Tenho de confessar que o AnCap me fascina, e todo o conceito de liberdade.

Como professor de medicina e preceptor de residência médica, venho tentando esclarecer todos meus alunos e residentes da ineficiência do estado e da falência inevitável e irreversível do SUS, e inclusive venho-os encorajando a quando formados de saírem do país, porque aqui no RS temos um ensino médico de alta qualidade, nossos melhores alunos acabam nas grandes universidades do Brasil e mundo afora ensinando e pesquisando medicina (e muito bem).

Venho tentando inclusive ensinar os conceitos de liberdade e falência do estado a meus pacientes, tanto privados quanto do SUS, e incitando a revolta com o ineficiente Estado, e tentando esclarecê-los das atitudes deletérias de nossos governantes.

Acho incrível o conceito de liberdade e a erudição deste site, e realmente acredito ser verdadeiro esse conceito, e vocês de boa índole (ao contrário de nossos políticos psicopatas). Sinto-me diariamente explorado por essa corja.

Concordo também com outros comentários da ausência de incentivo à formação. apesar de ter mestrado e residência em um ótimo serviço, atender bem os pacientes, ser realmente comprometido no melhor cuidado, estudar sempre, o socialismo dos convênios e do estado não incentiva isto, o faço somente por desejo pessoal, e vejo que todos os colegas que se afastam do mundo acadêmico emburrecendo, sem capacidade de auto-reciclagem, e se transformando nesses médicos preguiçosos dos quais o texto fala. Sou extremamente exigente no cuidado do paciente, e tento sempre transmitir essa exigência aos meus residentes e alunos.

Apesar de tudo, tenho esperança de que a verdade prevalecerá e o mundo será mais livre. Mas somente para ajudar, esse partido único e totalitarista bem que poderia perder essa eleição. Me faria resistir com mais intensidade aos convites de abandonar minha carreira que contruí aqui e ser um dos pesquisadores brasileiros em universidades renomadas...

Responder
Ricardo 28/04/2014 18:46:39

Olá, sou ignorante sobre econômia, mas me interessei em alguns artigos deste blog. Gostaria de fazer uma pergunta e expor minha opinião: Precisa mesmo se assumir que a demanda num sistema de saúde socializado é infinita? Afinal, um cidadão saudável não vai ao médico a troco de nada, ele vai por que está doente. Um povo saudável iria reduzir suas demandas até chegar ao nível básico que poderia ser financiado por todos, incluindo iniciativas de medicina preventiva. Eu sei que o sistema de saúde socializado está falido aqui no Brasil, mas em outros países o resultado é razoável, vi alguns casos no documentário Sicko - S.O.S saúde, do Michael Moore. Por outro lado, o livre mercado praticado no sistema americano criou uma indústria cruel de planos de saúde. Você condena igualmente outros serviços socializados como a polícia e os bombeiros? Não acredito nem em direita, nem em esquerda, nem em socialismo nem em capitalismo, acho que o mal dos homens é o próprio homem, mas gostaria apenas de trocar esta opinião. Obrigado!

Responder
Lorenzo 28/04/2014 19:14:52

Livre mercado no sistema de saúde americano?! Ou você é piadista ou você é apenas um crente nas mentiras político-partidárias do psicótico Michael Moore.

O sistema de saúde americano é tudo, menos um arranjo de livre escolha. Para você começar a ter uma ideia, lá as empresas de planos de saúde simplesmente são proibidas pelo governo de ofertar seus serviços em mais de um estado. É como se a Unimed só pudesse atuar em um único estado do Brasil. Se você quiser realmente entender o básico sobre o sistema americano, leia a primeira parte desse artigo.

www.mises.org.br/Article.aspx?id=642

Se a medicina americana funcionasse bem, a lógica econômica estaria refutada.

De resto, a questão da "demanda infinita" já foi exaustivamente debatida aqui mesmo nessa seção de comentários. Dê um CTRL L e procure.

Saudações.

Responder
Ricardo 28/04/2014 19:23:27

Bom, como já admiti, sou ignorante em economia, já deixei claro que sou leigo e mal informado. Parece-me que a inscrição "Envie-nos seu comentário inteligente e educado" é só pra quem pergunta, e não pra quem responde.

Bom, eu mencionei que vi exemplos de sistemas socializados que pareciam dar certo. O caráter do Michael Moore não invalida nem os argumentos dele nem os meus. Isto é uma falácia lógica.

Boa sorte em refinar sua polidez.

Responder
Lorenzo 28/04/2014 20:48:14

Quais são os exemplos de sistemas socializados de saúde que são bons? Fiquei curioso.

O sueco é péssimo:

www.mises.org.br/Article.aspx?id=1824
www.mises.org.br/Article.aspx?id=1115


O canadense, idem:

www.mises.org.br/Article.aspx?id=349


O cubano, então....

www.mises.org.br/Article.aspx?id=350


O britânico, por fim, é um açougue:

Comece por aqui:

British Clinic Is Allowed to Deny Medicine


Depois vá aqui:

Now sick babies go on death pathway: Doctor's haunting testimony reveals how children are put on end-of-life plan

No Reino Unido, a medicina estatal já chegou à sua perfeição: bebês doentes estão sofrendo eutanásia compulsória.

Sem recursos (que inesperado!), os hospitais do NHS (National Health Service) estão simplesmente cortando a alimentação deles, que são deixados à míngua até morrerem.

Estatistas -- que são obcecados com controle populacional -- até salivam quando lêem coisas assim.


E termine aqui:

Nearly 1,200 people have starved to death in NHS hospitals because 'nurses are too busy to feed patients'

1.200 pessoas morreram de fome nos hospitais estatais do Reino Unido (o National Health Service - NHS) porque as "enfermeiras estavam ocupadas demais para alimentá-las".


P.S.: deixe de ser delicado. Só porque a minha resposta foi direta não significa que você deve ficar de beicinho, afetando vitimismo.

Responder
Gilmar 28/04/2014 21:00:11

Ricardo

"O caráter do Michael Moore não invalida nem os argumentos dele nem os meus."

Leia o artigo que o Lorenzo linkou que lá está a refutação de boa parte dos "argumentos" do Michael Moore.

As vezes o pessoal usa esse tipo de comentário meio ácido porque tem gente que vem aqui só para provocar, não é nada pessoal. Se você realmente tem o interesse de entender a posição defendida aqui então leia o artigo, não vai se arrepender.

Responder
Ricardo 29/04/2014 11:47:38

Ok, vou ler os links. valeu!

Responder
Andre Cavalcante 30/04/2014 11:55:29

Ricardo,

Não é nada pessoal mesmo. É só que as "dúvidas" apresentadas por você já foram discutidas "ad nauseam" por aqui, e o povo, que nunca teve muita paciência, acaba sendo muito seco. Mas a verdade é que uma busca nos comentários deste artigo já acabariam com metade delas, e sobre o sistema "livre" americano, o artigo de ontem diz tudo.

Sobre os sistemas socializados, nem na Europa funciona direito. Afora os exemplos já dado, dou mais um: passei mais de 1 ano em Portugal (e com identidade portuguesa) e, para ser atendido lá (que tem participação - a gente paga uma taxa, barata, mas paga, por fora, para ser atendido), levava quase o mesmo tempo que o SUS daqui, sendo que aqui tu ainda tens a vantagem de ligar e marcar uma consulta, lá tem que ir ao ambulatório e ficar na fila mesmo. O atendimento hospitalar é um pouco melhor e só. E olha que lá, com toda a dívida do governo, eles investem mais em saúde que em pagamento da dívida, bem diferente do Brasil.

Responder
Marcelo 25/05/2014 14:37:42

Bom, nao sei se alguem vai ler meu comentario, mas achei muito interessante o artigo e fiquei pensando algumas coisas que gostaria de saber se fazem sentido. Pelo o exposto no artigo poderiamos dizer que o principal contratante dos planos de saude, no nosso modelo, eh o Estado e nao o ususario, o contrato do usuario eh sempre "secundario". Isso explica, em parte, os precos altos e a baixa qualidade dos servicos prestados, pois os planos tem que prestar contas principalmente para o estado (seguindo a regulamentacao) e nao para o usuario, logo, nao importa tanto se o usuario esta satisfeito ou nao. E para "satisfazer" o estado, basta ser melhor que um sistema muito ruim, que eh o SUS, ou seja, nao precisa muito.
Esta certo este raciocinio?

Responder
Marcos 25/05/2014 14:43:20

É bem por aí mesmo.

Responder
Rafael de Souza 13/06/2014 18:37:31

Sou liberal e concordo com as teorias da Escola Austríaca, em minha opinião o artigo ficou muito claro e didátito. Contudo, discordo do autor em relação ao salário dos médicos no Brasil. O estado não somente controla a saúde da população, mas também a educação superior. Devido a essas grandes regulamentações, a entrada de novos ofertantes de cursos de medicina é bastante afetada e reduzido, aumentando assim o preço dos poucos cursos existentes. Com menos cursos disponíveis temos mensalidades mais caras nas universidades, consequentemente menos alunos, e por fim menos médicos disponíveis no mercado. Ano após ano a demanda por serviços médicos aumenta mais do que a oferta, fazendo com que a competitividade entre os médicos diminua, aumentando o preço por consultas, cirurgias, etc (isso no setor privado). No setor público, para impedir que os melhores médicos deixem o SUS, o Estado precisa manter seus salários não muito distantes dos que se fossem prestar serviços de forma autônoma ou trabalhar via planos de saúde. Moro em uma cidade de 100 mil no estado de SC, e um médico do hospital público recebe R$800 reais por 12 horas de plantão (em algumas cidades menores o valor é até maior). Fora isso, concordo totalmente com o restante do artigo. Grande abraço!

Responder
João Veronese 24/01/2015 14:56:45

Achei a explicação muito boita e utópica, afinal, onde fica a formação de cartel nisto tudo, ou vai querer me convencer que no livre mercado, todos os comerciantes são muito bonzinhos e venderão produtos muito baratinhos? Particularmente acho que não, ninguém vende algo por bondade, vende para obter lucro, e para isto nada melhor do que um bom e velho cartel. Desculpe-me discordar mas é uma explicação muito simplória, vê somente o lado econômico, mas isto é uma questão mais ampla, é além de econômica, cultural e social por assim dizer.
Penso que para esta explicação utópica de livre mercado, seria necessária uma formação moral muito sólida de todos os setores, somos humanos, acima de humanos somos animais, e animais tendem a querer se demonstrar poderosos sobre os outros, para justamente dominar tudo a sua volta, e não seria diferente no livre mercado, afinal os mais poderosos se sobreporiam sobre os outros, até sobrar o cartel ou o monopólio.

Responder
Guilherme 24/01/2015 15:05:04

Essa é a primeira vez que eu vejo alguém dizer que a simples descrição de uma realidade (e a realidade do sistema público de saúde é visível por todos) é algo "utópico".

De resto, sobre formação de cartel e oligopólio, diga-me: qual cartel e oligopólio você conhece operando em um setor da economia em que não existem regulamentações do estado?

Quem cria cartéis, oligopólios e monopólios é e sempre foi o estado, seja por meio de regulamentações que impõem barreiras à entrada da concorrência no mercado (via agências reguladoras), seja por meio de subsídios a empresas favoritas, seja por meio do protecionismo via obstrução de importações, seja por meio de altos tributos que impedem que novas empresas surjam e cresçam.

Apenas olhe ao seu redor. Todos os cartéis, oligopólios e monopólios da atualidade se dão em setores altamente regulados pelo governo (setor bancário, aéreo, telefônico, elétrico, televisivo, postos de gasolina etc.).

E quando não era assim, o que ocorria? Quando o governo não tinha ainda poderes para se intrometer, havia formação de cartel entre os poderosos? Havia "exploração"? Não. O que ocorria era isso.

Monopólio e livre mercado - uma antítese

Outros artigos obrigatórios para você sair deste perigoso autoengano:

Sobre as privatizações (Parte 1)

Sobre as privatizações (final)

Celular ilimitado por R$30/mês - saiba como aqui

Regulações protegem os regulados e prejudicam os consumidores

Os reais beneficiados por um capitalismo regulado

O governo gera doenças - e depois aplica paliativos em seus sintomas

Tributação X Regulamentação - O que é pior?

Aeroportos + governo = caos

A bem-sucedida regulação privada

Regulamentações brasileiras garantem a prosperidade dos vigaristas

Legislações antitruste e agências reguladoras não podem existir em uma sociedade livre

A Guatemala e seu exemplo de privatização

As parcerias público-privadas - a porta de entrada para o socialismo

Seria o liberalismo uma ideologia a serviço de empresários?

Sobre as reformas "neoliberais" na América Latina e por que elas fracassaram

Responder
anônimo 26/10/2014 14:08:01

Desculpe a ignorância, mas nós temos diversos planos de saúde concorrendo. Como a desregulamentaçãp iria aumentar a concorrência ai?

Responder
Jorge 30/01/2015 11:22:19

O artigo é interessante...Mas o que me deixa intrigado é o lance do mercado livre.
Realmente acreditam que os empresários não vão querer grana do governo se o negócio deles der errado?

pt.wikipedia.org/wiki/Programa_de_Est%C3%ADmulo_%C3%A0_Reestrutura%C3%A7%C3%A3o_e_ao_Fortalecimento_do_Sistema_Financeiro_Nacional

www1.folha.uol.com.br/fsp/dinheiro/fi1805200321.htm

Com o tempo teríamos que ter o seguro plano de saúde.
As pessoas não atendidas iriam ficar doentes...e os planos de saúde iriam pegar mais grana do Governo.

Ah. A Andressa Urah teve problemas de saúde. O plano de saúde dela não quis cuidar a partir de um certo ponto.
Todo o resto do tratamento foi realizado no SUS. O SUS salvou a vida dela:
cartamaior.com.br/?/Editoria/Politica/O-SUS-e-a-desigualdade-no-Brasil/4/32568

É claro que o SUS não é a oitava maravilha do mundo. Mas é um acesso ético à saúde.
As pessoas não são empresas. As empresas visam o lucro máximo.

Responder
Leandro 30/01/2015 12:37:22

"Realmente acreditam que os empresários não vão querer grana do governo se o negócio deles der errado?"

Querer, todo empresário quer. Por isso o nosso agito intelectual para conscientizar as pessoas de que isso não apenas é imoral, como é economicamente deletério.

"Com o tempo teríamos que ter o seguro plano de saúde."

Problema nenhum, desde que não seja compulsório e que não haja dinheiro público.

"As pessoas não atendidas iriam ficar doentes...e os planos de saúde iriam pegar mais grana do Governo."

De novo, daí o nosso agito intelectual para conscientizar as pessoas de que isso não apenas é imoral, como é economicamente deletério.

"Ah. A Andressa Urah teve problemas de saúde. O plano de saúde dela não quis cuidar a partir de um certo ponto."

Como não fazia a menor ideia de quem é Andressa Urah, dei uma rápida googlada e descobri o seguinte:

1) O sobrenome correto é Urach.

2) Ela pegou uma infecção generalizada porque saiu injetando silicone na coxa para deixá-las mais volumosas.

Aí eu pergunto: o contrato de seu plano de saúde especificava que haveria cobertura caso ocorresse esse tipo de coisa?

Se sim, então houve rompimento de contrato e deve haver acionamento judicial. Se não, então não houve nada de errado.

A experiência prática me leva a crer que tal dispositivo não existia em seu contrato.

"É claro que o SUS não é a oitava maravilha do mundo. Mas é um acesso ético à saúde. As pessoas não são empresas. As empresas visam o lucro máximo."

Afetações emotivas não consolidam argumentos racionais. Troque o termo "à saúde" por "a moradias", "a alimentos saudáveis", "a vestuário decente", "a um meio de transporte", "a lazer" e o sentido permanece o mesmo.

Você querer que algo seja de um jeito não significa que é possível que algo realmente seja daquele jeito. Infelizmente, o mundo não funciona assim.

De resto, a saúde estatal realmente é bem ética e trata as pessoas decentemente como empresa (há cenas fortes):

www.youtube.com/watch?v=NiaDq8HmHWs

Responder
Juliano 30/01/2015 18:01:44

Outro ponto que passa batido no texto do Padilha é que o pobre que mal tem dinheiro pra comer teve que pagar a conta da modelo que fez besteira. Sem dúvida, é um modelo ético a ser seguido! Para o padrão moral do Padilha, o certo, no caso da turista canadense, é que a conta ficasse com a população do Havaí.

O pior é que esse raciocínio está na base do SUS. Como o sistema é universal, não interessa o que você fez, todos irão dividir a tua conta. Se vc não liga pra sua saúde, corre riscos, é pobre ou rico, foi responsável ou não, tudo é completamente irrelevante. Todo mundo deve ser obrigado a pagar pelo seu tratamento de saúde.

E como os recursos não são infinitos, escolhas precisam ser feitas. O dinheiro que foi para tratar a modelo deixou de ir para o PS da periferia. Os pacientes que ajustem suas necessidades à divisão de verbas!

Responder
Edujatahy 25/03/2015 21:00:27

Um dos melhores artigos do website. Parabéns.

Responder
Marius 10/04/2015 03:36:19

Eu tenho uma dúvida. Suponhamos que fosse aplicado este modelo de saúde, como o miserável vai ter acesso à saúde? (o governo vai financiar esse individuo ou vai contar com a caridade de terceiros). Porque independente de você ter livre mercado e preços competitivos, ainda assim, em se tratando de Brasil, vai existir uma parcela significativa da população sendo excluída do sistema.

Responder
Gotze 10/04/2015 10:07:42

Bom, atualmente essas pessoas já estão excluídas do sistema, correto?

Então, uma análise honesta tem de começar a partir deste ponto -- em vez de passar a impressão de que o sistema atual é bom e que os pobres só perderiam com uma alteração.

Em primeiro lugar, vale lembrar que, há algumas décadas, antes de o estado se intrometer na saúde, a Igreja mantinha hospitais de excelente nível, fornecendo vários serviços gratuitos -- serviços estes que eram financiados por doações, inclusive de ateus caridosos. Mas desde que o estado entrou em cena para mostrar todo o seu amor aos pobres, a Igreja perdeu doações, pois as pessoas pensaram: "O estado já faz o serviço; não preciso mais contribuir para serviços caritativos".

O curioso é que absolutamente ninguém toca nesse assunto. Ninguém comenta como os serviços caritativos da Igreja auxiliavam as pessoas no passado e hoje perderam espaço para o SUS. As igrejas ajudavam bastante e continuariam ajudando caso recebessem doações de pessoas que, atualmente, preferem apenas delegar tal tarefa ao estado e ainda fazer pose superior de preocupação para com os destituídos. Defensores da saúde estatal é que devem explicações.

Outras soluções? Pode começar por aqui:

www.mises.org.br/Article.aspx?id=2029

www.mises.org.br/Article.aspx?id=105

Responder
Cético 10/04/2015 11:11:12

Vc tem certeza desta afirmação que a igreja perdeu Doações?Numa avaliação geral vejo que a ICAR perdeu adeptos, mas outras igreja ganharam, e nessas as doações são mto maiores.
E tem mto outros fatores, do que dizer que no passado a igreja ajudava. Pois no passado era mto mais fácil ajudar, o "custo saúde era mto menor".
Pode até ser que a intervenção do estado interfira no custo saúde, mas acredito que não é só isso. O avanço tecnológico trouxe este problema, sem falar q existe uma exploração do medo das pessoas de morrer e sofrer, e assim como esse medo esta na gênese do estado(o estado nasce ao meu ver no medo das pessoas, e surge como uma opção de segurança) só que o medo esta no mercado tb e trás tb grandes problemas. Vejo que esta necessidade de tornar o mundo efetivo e eficaz vai nos matar, Só a beleza salvará o mundo, e não será o mercado nem o socialismo que faram isso.

Responder
Realista 10/04/2015 12:46:48

"Numa avaliação geral vejo que a ICAR perdeu adeptos, mas outras igreja ganharam, e nessas as doações são mto maiores."

Nem sou católico (me defino como um agnóstico pró-religião), mas quem realmente tinha a tradição de oferecer ambulatórios e demais serviços de saúde caritativos é a ICAR. No Brasil, mais ainda. E é inegável que as doações para a ICAR no Brasil diminuíram (como você próprio admitiu).

"E tem mto outros fatores, do que dizer que no passado a igreja ajudava. Pois no passado era mto mais fácil ajudar, o "custo saúde era mto menor"."

O que tornou o custo da saúde maior?

"Pode até ser que a intervenção do estado interfira no custo saúde,"

Correto.

"mas acredito que não é só isso. O avanço tecnológico trouxe este problema,"

Hein?! Avanço tecnológico gerou encarecimento?! Se isso for verdade, então esse será o primeiro exemplo na história humana em que a tecnologia encareceu as coisas...

"sem falar q existe uma exploração do medo das pessoas de morrer e sofrer, e assim como esse medo esta na gênese do estado(o estado nasce ao meu ver no medo das pessoas, e surge como uma opção de segurança) só que o medo esta no mercado tb e trás tb grandes problemas. Vejo que esta necessidade de tornar o mundo efetivo e eficaz vai nos matar, Só a beleza salvará o mundo, e não será o mercado nem o socialismo que faram isso."

Delírios oníricos. Faltou apenas concluir dizendo que "a humanidade deve se dar as mãos em prol de um futuro mais humano e humanista".

Responder
Marius 14/04/2015 13:12:18

Eu tenho outras dúvidas. Existe algum país que tenha um modelo de saúde bem-sucedido que se aproxime desse de livre mercado?

E existe algum material com enfoque sobre esse tema que eu possa ler? (ex: livros, artigos estrangeiros, etc).

PS: Obrigado por me responderem antes. Eu vou fazer um trabalho de economia da saúde sobre o tema, e provavelmente eu vou ter que rebater críticas sobre esse enfoque.

Responder
Guimarães 14/04/2015 14:41:08

Existem zonas cinzas. Por exemplo, nos EUA, cirurgias de correção ocular sempre foram totalmente desregulamentadas. E, consequentemente, sempre foram as de mais alta qualidade e de preços em queda. (Pesquise Lasik no Google).

De resto, sugiro estes dois artigos:

www.mises.org.br/Article.aspx?id=105

www.mises.org.br/Article.aspx?id=642

Responder
Louis-Nunsen Lacroix von Damyller d'Mall 19/04/2015 00:53:31

Leandro, dizem que a taxa de imposto sobre o salario é de 40 até 60%. Digamos ser 40%. Ou seja, se o cara deve receber x, é descontado dele 40% e ele recebe 780 (supondo salario minimo pra todos), o que significa que x é igual a 1300 $. Logo o Estado pega dele 520 $ de imposto, que vai pra educaçao, saude... Pensemos nos +- 120 milhoes de brasileiros dos quais pagam imposto.
Sem contar que com parte desse dinheiro o Estado vai investir na economia e com isso vai ter mais dinheiro. Igual a multiplicao de dinheiros em bancos.

Isso mostra que o Estado é claramente muito incompetente, pois com tantos recursos nao consegue/quer fazer nada de sua competencia.

Esta correto o raciocinio?

Responder
Roberta 27/04/2015 02:10:14

Engraçado: a defesa do Estado mínimo é feita até que se precise/recorra de/a subsídios estatais ou desde que seja "mínimo" para os outros e "provedor" para mim. Empresários do agronegócio, mesmo com muito dinheiro em caixa, não deixam de recorrer às linhas de crédito com juros subsidiados disponibilizadas pelo governo federal anualmente (Plano Safra); construtoras não deixam de recorrer a recursos do BNDES para viabilizar seus empreendimentos e por aí afora...
O Estado tem, sim, que ser regulador, protetor e provedor. O que precisa melhorar são os governos, as gestões. Questionar a legitimidade de um Estado democrático de direito e começar com o discurso neoliberal de que políticas sociais são o grande entrave ao desenvolvimento econômico de um país é, na minha opinião, discurso de quem ou é bem nascido e sempre teve estrutura para se desenvolver ou é alienado a ponto de não se reconhecer como povo e defender o discurso da burguesia. É o que EU penso.

Responder
Leandro 27/04/2015 20:23:42

"Engraçado: a defesa do Estado mínimo é feita até que se precise/recorra de/a subsídios estatais ou desde que seja "mínimo" para os outros e "provedor" para mim. Empresários do agronegócio, mesmo com muito dinheiro em caixa, não deixam de recorrer às linhas de crédito com juros subsidiados disponibilizadas pelo governo federal anualmente (Plano Safra); construtoras não deixam de recorrer a recursos do BNDES para viabilizar seus empreendimentos e por aí afora..."

E, se você acompanhasse esse site, veria que tal atitude é sumariamente condenada aqui. Empresários que recorrem a auxílio/protecionismo do governo são impiedosamente criticados. Alguns exemplos de artigos recente:

www.mises.org.br/Article.aspx?id=1946

www.mises.org.br/Article.aspx?id=2049

www.mises.org.br/Article.aspx?id=1930

www.mises.org.br/Article.aspx?id=1770

www.mises.org.br/Article.aspx?id=1985

"O Estado tem, sim, que ser regulador, protetor e provedor."

Contradição total de sua parte. Primeiro você critica -- e muito corretamente -- que o estado protege e provê as grandes empresas. Aí, logo em seguida, diz que é justamente isso o que ele deve fazer. Dissonância cognitiva.

"O que precisa melhorar são os governos, as gestões."

O problema da aviação é que existe a lei da gravidade...

"Questionar a legitimidade de um Estado democrático de direito e começar com o discurso neoliberal de que políticas sociais são o grande entrave ao desenvolvimento econômico de um país é, na minha opinião, discurso de quem ou é bem nascido e sempre teve estrutura para se desenvolver ou é alienado a ponto de não se reconhecer como povo e defender o discurso da burguesia. É o que EU penso."

Muito original. Para começar, entenda o que realmente significa neoliberalismo, e perceba que este site não apenas não tem nada a ver com essa corrente, como a condena:

www.mises.org.br/Article.aspx?id=1775

www.mises.org.br/Article.aspx?id=920

Responder
anônimo 28/04/2015 17:05:14

Fora que na verdade o livre mercado beneficia o pobre, não só os ricos.

Responder
anônimo 28/04/2015 17:09:27

'políticas sociais são o grande entrave ao desenvolvimento econômico de um país é, na minha opinião, discurso de quem ou é bem nascido e sempre teve estrutura para se desenvolver ou é alienado'
Nope.
Olhe em @3:48
https://www.youtube.com/watch?v=Rls8H6MktrA

Responder
Pobre Paulista 28/04/2015 19:29:28

"discurso de quem ou é bem nascido e sempre teve estrutura para se desenvolver ou é alienado a ponto de não se reconhecer como povo e defender o discurso da burguesia"

Eu não sou "bem nascido" e mesmo assim não me reconheço como "povo". Tente melhorar suas dicotomias.

Responder
Isaías 29/05/2015 23:23:38

Saúde do DF descobre próteses hospitalares esquecidas em estoque

A Secretaria de Saúde do Distrito Federal encontrou próteses, pinos, parafusos e marcapassos hospitalares armazenados em hospitais da rede pública. O material é suficiente para 50 anos de abastecimento, mas está perto do fim do prazo de validade. 
O dinheiro gasto com os produtos daria para comprar pelo menos 67 remédios que estão em falta, segundo levantamento da pasta.

g1.globo.com/distrito-federal/noticia/2015/05/saude-do-df-descobre-proteses-hospitalares-esquecidas-em-estoque.html

Responder
Cirineu Carvalho Fernandes 13/08/2015 01:47:47

Estou aqui num hospital atendido pelo SUS, tive sorte em arrumar um colchão p dormir no chão, hospital velho caindo aos pedaços. Simplesmente lamentável.

Responder
Cirineu Carvalho Fernandes 13/08/2015 01:53:32

Esse é o destino de todos os brasileiros pobres. Bom, eu até tenho um bom plano de saúde, mas meu pai não, aí estou aqui com ele, num hospital com nome de santo, que deveria se chamar São Porcaria, não sei até que dia vou ficar aqui com ele.

Responder
Dani Oliver Hella 13/08/2015 01:50:42

Olha, a meta estipulada pelo governo para que SUS não funcione é destinar verbas para desvios de verbas, mais ou menos em 70%.

Aí, quando se atinge essa meta, eles dobram os problemas que é pra poder dobrar a meta.

E ainda há aquele superfaturamento nas licitações em negociação básica entre governo e empresas para aquisição de materiais... É negócio da China!!

Responder
Jose Luiz Dias Filho 28/12/2015 22:15:17

Concordo com os argumentos, principalmente por respeitar a Ciência Econômica. Só faço uma ressalva, pela percepção, talvez equivocada, de um discurso do tipo "liberar geral". Nas entrelinhas talvez esteja alguma modulação do radicalismo intrínseco ao liberalismo. Gostaria de compreender melhor a defesa (radical) do livre mercado postulada pelo Mises. Me parece que confiar apenas no altruísmo humano não seja suficiente. Contudo, sou muito simpático a um sistema se saúde mais livre das garras contaminadas do governo.

Responder
Alvaro Kühl 19/05/2016 01:42:15

Esse artigo ilustrado na prática:

Professora morre após passar por quatro hospitais públicos em um dia

g1.globo.com/rj/norte-fluminense/noticia/2016/05/professora-morre-apos-passar-por-quatro-hospitais-publicos-em-um-dia.html

Responder
Monografia 19/05/2016 02:35:05

Um artigo de 2011 que ilustra os dias atuais.

Responder
anônimo 07/06/2016 21:38:15

Muito bom.

Responder
Jose Luiz Dias Filho 08/06/2016 16:23:50

Tem um ponto crítico na questão da concorrência em sistemas de saúde: Hospitais são equipamentos complexos. Como ficaria o atendimento às populações de regiões remotas, onde o estabelecimento de ofertas múltiplas concorrenciais esbarra no quesito viabilidade? A tendência não seria de escassez de opções de escolha, por parte dos demandantes de serviços médicos? Isso não favoreceria o monopólio dos serviços nessas regiões?

Responder
Magno 08/06/2016 17:12:51

Se a preocupação é essa, então o problema já está resolvido. Atualmente, em que o estado controla e regulamenta todo o setor de saúde, há várias regiões do Brasil que nem sequer têm ambulatórios.

De resto, troque hospitais por oficinas mecânicas e o raciocínio é o mesmo. Mesmo que haja um só fornecedor em uma região pobre, a própria realidade econômica impede "abuso de preços": não dá para cobrar muito de que só pode pagar pouco.

De resto, se você parar para pensar, o real problema nem está na oferta de serviços de saúde, mas sim na logística de transporte e de infraestrutura (monopólio estatal). Houvesse boas estradas ligando estas localidades pobres a localidades mais desenvolvidas, as pessoas tranquilamente fariam essa locomoção. Hoje, como não há nem transporte nem infraestrutura, a questão da saúde fica apenas mais explicitada.

Responder
Jose Luiz Dias Filho 09/06/2016 02:46:53

Me parece bem razoável a explicação dessa questão pelo enfoque da logística. Realmente, se houvesse uma infraestrutura logística bem estruturada e abrangente, facilitaria muito o exercício de liberdade do consumidor, não apenas de serviços médicos, em sua busca por melhores opções de escolha.

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