O futuro do liberalismo - um apelo para um novo radicalismo

O liberalismo clássico está em declínio há mais de um século.  A partir de algum momento da segunda metade do século XIX, as questões públicas começaram a ser crescentemente moldadas por ideias socialistas: comunismo, fascismo, nacional-socialismo e, de modo ainda mais duradouro, pela social democracia.

Com efeito, tão completa foi a vitória socialista, que os conservadores em sua versão reformada — os neoconservadores — deram-se a falar sobre o "Fim da História" e a consequente chegada do "Último Homem", ou seja, o milênio em que haverá a predominância da social democracia global — com a supervisão americana, é claro.

Nessa situação, os liberais podem reagir de duas maneiras: eles podem continuar dizendo que o liberalismo é uma doutrina sólida, mas que é inexplicavelmente rejeitada pelo público apesar de sua solidez; ou — e é isso que irei fazer aqui — eles podem considerar que tal rejeição é indicativa de algum erro dessa doutrina.

O erro central do liberalismo jaz em sua teoria sobre o governo.

O liberalismo — como foi personificado por John Locke e exibido na Declaração da Independência americana escrita por Thomas Jefferson — baseava-se nas noções de soberania individual, apropriação original de recursos naturais que ainda não possuíam donos legítimos, respeito à propriedade privada e à santidade dos contratos.  Esses eram os direitos humanos universais.  Em relação a príncipes e reis, essa ênfase na universalidade dos direitos deixou os liberais como radicais opositores a todos os governos estabelecidos na terra.  Para um liberal, todo e qualquer homem, fosse ele um rei ou um camponês, deveria estar sujeito aos mesmos princípios universais de justiça, e um governo poderia justificar sua existência apenas caso houvesse um contrato entre ele e os donos legítimos de propriedade privada.  Sem esse contrato, nenhum governo poderia ser justificável.  Ou poderia?

A resposta liberal partiu da afirmação (verdadeira) de que assassinos, assaltantes, ladrões, marginais, charlatães, trapaceiros etc. sempre irão existir, e a vida em sociedade seria impossível se estes indivíduos não fossem ameaçados com punições físicas.  Para manter uma ordem liberal, seria necessário obrigar — por meio da ameaça da aplicação de violência — todos a respeitarem a vida e a propriedade de terceiros.  Partindo dessa premissa, os liberais concluíram que essa tarefa de manter a lei e a ordem era única função legítima de um governo.

Se essa conclusão está correta ou não, vai depender da definição de governo.  Ela vai estar correta se 'governo' significar simplesmente qualquer indivíduo ou empresa que forneça serviços de proteção para uma clientela que o contrate voluntariamente.  Mas essa não é a definição adotada pelos liberais.  Para um liberal, o governo não é uma empresa especializada.  O governo possui duas características únicas: ele possui o monopólio compulsório da jurisdição de seu território (o tomador supremo de decisões) e possui o direito de tributar.  Assim, quando se assume essa definição de governo, a conclusão liberal é claramente falsa.

Com efeito, é inconcebível imaginar donos legítimos de propriedade assinando contratos que deem a outro agente o direito de obrigar todos dentro de um território a irem exclusivamente a ele em busca de proteção e de tomadas de decisões judiciais.  Tal contrato de concessão de monopólio implicaria que absolutamente todos os donos de propriedade abriram mão de seu direito de decisão suprema em relação à sua pessoa e à sua propriedade, entregando esse direito a um terceiro qualquer.  Na prática, quem assim agisse estaria se entregando voluntariamente à escravidão. 

Mas ninguém em seu perfeito juízo concordaria em deixar sua pessoa e propriedade permanentemente indefesas contra as ações de um terceiro.  Similarmente, é inconcebível imaginar que proprietários legítimos dessem a seu protetor monopolista o direito de tributá-los.  Ninguém assumiria um contrato que permitisse ao seu protetor determinar unilateralmente, sem o consentimento do protegido, a quantia que o protegido deve pagar por proteção.

Os liberais tentaram solucionar essa contradição interna por meio de paliativos e improvisações, como constituições e acordos "implícitos" ou "conceituais".  Entretanto, todas essas tentativas apenas exacerbaram a mesma e inevitável conclusão: é impossível extrair uma justificativa para a existência de um governo por meio de contratos explícitos.  Estes simplesmente não existem.

Foi essa errônea aceitação por parte dos liberais de que o governo é consistente com os princípios da soberania individual, da propriedade privada e da santidade dos contratos que levou à destruição do liberalismo.

Primeiro, desse erro inicial conclui-se que a solução liberal para o problema da segurança — um governo constitucionalmente limitado — é um ideal contraditório.

Tão logo o princípio da existência do governo é aceito, qualquer noção de restrição aos poderes do governo é totalmente ilusória.  Ainda que — como os liberais propuseram — um governo que limitasse suas atividades à proteção dos direitos de propriedade, inevitavelmente surgiria a questão: "Quanto de segurança o governo deve produzir?"  Motivado pelo interesse próprio e pelo fato de que o trabalho sempre representa uma redução na utilidade do agente econômico, porém munido do poder de tributar, a resposta de qualquer funcionário do governo invariavelmente será a mesma: maximizar os gastos e minimizar a produção.  Quanto mais dinheiro um indivíduo puder gastar e quanto menos ele tiver de trabalhar, melhor será a sua situação.

Ademais, um monopólio judicial irá reduzir a qualidade do serviço de proteção prestado.  Se ninguém puder apelar a uma justiça que não seja aquela fornecida pelo governo, então a justiça será corrompida e desvirtuada em favor do governo, não obstante a existência de constituições.  Afinal, constituições e cortes supremas são documentos e agências governamentais, e quaisquer limitações que elas porventura imponham são limitações decididas pelos funcionários da própria instituição que está sob consideração.  Previsivelmente, as definições de propriedade e proteção serão constantemente alteradas, e a abrangência da jurisdição será ampliada em benefício do governo.

Segundo, do erro em relação ao status moral do governo conclui-se que a preferência do velho liberalismo por governos locais — descentralizados e pequenos — é inconsistente.

Uma vez que se admite que, para impor e zelar pela cooperação pacífica entre dois indivíduos — A e B — é justificável haver um monopolista judicial X, então é possível se extrair daí duas conclusões.  Se houver mais de um monopolista, — X, Y e Z —, então, assim como não pode existir paz entre A e B sem X, também não poderá haver paz entre os monopolistas X, Y e Z enquanto estes também estiverem em um "estado de anarquia" entre si.  Logo, para se atingir a aspiração liberal da paz universal, seria necessário não apenas uma total centralização política, como também, em última instância, teríamos de ter um governo mundial.

Por fim, do erro de se aceitar a existência do governo, conclui-se que a antiga ideia da universalidade dos direitos humanos é obscura, e, sob o intuito de se criar a "igualdade perante a lei", é transformada em um veículo de imposição do igualitarismo.

Tão logo se assume a ideia de que um governo é justo, e monarcas hereditários são abolidos por serem incompatíveis com a ideia de direitos humanos universais, surge a questão: "Como conciliar o governo com a ideia da universalidade dos direitos humanos?"  A resposta liberal seria abrir as portas, em termos iguais, para todos aqueles que quiserem fazer parte do governo, via democracia.  Todos — não apenas a classe hereditária de nobres — devem poder exercer qualquer função governamental. 

Entretanto, essa igualdade democrática é bastante diferente da ideia de se ter uma lei universal, igualmente aplicável a todos, em qualquer lugar, e em qualquer época.  Com efeito, a velha e repreensível divisão entre a alta casta de monarcas que tudo pode versus os súditos complacentes que pouco podem é mantida sob a democracia, em que há a separação entre as leis válidas para o que é público e as leis válidas para o que é privado, com a supremacia daquela sobre esta.

Em uma democracia, em teoria, não podem existir privilégios pessoais ou pessoas privilegiadas.  Entretanto, privilégios funcionais e funções privilegiadas existem abundantemente.  Enquanto estiverem agindo sob o manto do funcionalismo estatal, os funcionários públicos são governados e protegidos pelas leis válidas para o que é público e, com isso, ocupam uma posição privilegiada em relação às pessoas que vivem sob a autoridade das leis válidas para o que é privado.  Privilégios e discriminação não desaparecem sob a democracia.  Muito pelo contrário.  Ao invés de estarem restritos a nobres e monarcas, os privilégios, o protecionismo e a discriminação legitimada estarão disponíveis para todos.

Previsivelmente, sob condições democráticas, a tendência de cada monopólio de aumentar seus preços e reduzir a qualidade de seus serviços será ainda mais pronunciada.  Ao invés de um monarca que considera o país sua propriedade privada, coloca-se um zelador temporário no comando do país.  Ele não é o proprietário do país, porém, enquanto ele estiver no poder, ele poderá utilizá-lo legalmente para benefício seu e de seus favoritos.  Ele está no comando, podendo usufruir o poder, mas ele não é o dono do estoque de capital do país.  Isso não vai, logicamente, eliminar a exploração.  Pelo contrário: fará com que a exploração seja menos calculista e executada com pouca ou nenhuma consideração para com o estoque de capital (riqueza) do país — ou seja, os regentes inevitavelmente terão uma visão imediatista das coisas.

Ademais, a depravação da justiça dar-se-á em um ritmo ainda maior agora.  Ao invés de proteger os direitos de propriedade pré-existentes, o governo democrático se torna uma máquina de redistribuição dos direitos de propriedade em nome de um ilusório "bem-estar social".

À luz disso tudo, podemos procurar uma resposta para a questão do futuro do liberalismo.

Por causa do seu erro em relação ao status moral do governo, o liberalismo na verdade contribuiu para a destruição de tudo aquilo que ele havia proposto preservar e proteger: liberdade e propriedade.  O liberalismo, portanto, em sua forma atual, não tem futuro nenhum.  Ou melhor, tem sim: seu futuro é a social-democracia.

Se o liberalismo quiser ter algum futuro, ele precisa antes de tudo corrigir seus erros.  Os liberais precisam reconhecer que nenhum governo pode ser justificado em termos contratuais, e que todos os governos são destruidores daquilo que eles, os liberais, querem preservar.  Ou seja, o liberalismo terá de se transformar no anarquismo (ausência de governo) baseado na propriedade privada (ou em uma sociedade de leis privadas), como foi delineado há 150 anos por Gustave de Molinari e, na época atual, elaborado por Murray Rothbard.

Isso teria um efeito duplo.  Primeiro, levaria à purificação do movimento liberal.  Social-democratas em roupagem liberal, bem como vários agentes que trabalham no governo, iriam se desassociar desse novo movimento.  Por outro lado, a transformação levaria à radicalização desse movimento.  Para aqueles velhos liberais que ainda estão apegados à noção clássica de direitos humanos universais, e que consideram que soberania individual e propriedade privada são coisas anteriores ao governo, a transição será apenas um pequeno passo.  O anarquismo baseado na propriedade privada é totalmente consistente com o liberalismo; trata-se do liberalismo restaurado ao seu objetivo original.  Entretanto, esse pequeno passo teria implicações significativas.

Ao tomá-lo, os liberais teriam de denunciar governos democráticos como sendo ilegítimos, e requerer seu direito à autoproteção.  Politicamente, eles iriam retornar aos primórdios do liberalismo como um credo revolucionário.  Ao negarem a validade dos privilégios hereditários, os liberais-clássicos situaram-se em oposição fundamental a todos os governos estabelecidos.  O maior triunfo do liberalismo — a Revolução Americana — foi o resultado de uma guerra secessionista.  E, na Declaração de Independência, Jefferson afirmou que "sempre que qualquer forma de governo se torna destrutiva para a vida, para a liberdade e para a busca da felicidade, as pessoas têm o direito de alterá-lo ou aboli-lo".  Os anarquistas defensores da propriedade privada estariam apenas reafirmando o direito liberal-clássico de "livrar-se de tal governo e providenciar novos defensores para sua segurança futura."

É claro que, sozinho, esse renovado radicalismo do movimento liberal não teria quase nenhuma consequência.  Porém, é a inspiradora visão de uma alternativa para a ordem presente, visão essa que flui desse novo radicalismo, que irá, se muito, quebrar a máquina social-democrática. Ao invés de integração política supranacional, governo mundial, constituições, tribunais, bancos e moeda de curso forçado, os anarquistas liberais propõem a decomposição do estado-nação.  Como seus antepassados clássicos, os novos liberais não buscam a tomada do governo.  Eles o ignoram e querem que ele os deixe em paz.  Mais ainda: querem se seceder de sua jurisdição para poderem organizar sua própria proteção. 

Ao contrário de seus predecessores, que apenas tentaram substituir um governo grande por um menor, os novos liberais levam a lógica da secessão até seu extremo.  Eles propõem secessão ilimitada, isto é, a proliferação irrestrita de territórios livres e independentes, até que o alcance da jurisdição do estado se esvaeça.  Para este fim — e em completo contraste com projetos estatizantes como "Integração Europeia", ALCA, NAFTA, "Nova Ordem Mundial" —, eles promovem a visão de um mundo com dezenas de milhares de países, regiões e cantões livres, de centenas de milhares de cidades livres — como as atuais e singulares Mônaco, Andorra, San Marino, Liechtenstein, Hong Kong e Cingapura.  Ou, para serem ainda mais livres, distritos e vizinhanças completamente autônomos e integrados economicamente por meio do livre comércio (quanto menor o território, maior a pressão econômica para se aceitar o livre comércio) e um padrão monetário baseado em alguma commodity, muito provavelmente o ouro.

Se e quando essa visão ganhar proeminência na opinião pública, o fim do consenso social-democrata terá chegado, e uma era de renascimento do liberalismo terá começado.

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Esse artigo foi uma palestra proferida pelo professor Hoppe em Barcelona, 1997, muito embora os recentes acontecimentos mundiais tenham tornado-a ainda mais atual.


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SOBRE O AUTOR

Hans-Hermann Hoppe
é um membro sênior do Ludwig von Mises Institute, fundador e presidente da Property and Freedom Society e co-editor do periódico Review of Austrian Economics. Ele recebeu seu Ph.D e fez seu pós-doutorado na Goethe University em Frankfurt, Alemanha. Ele é o autor, entre outros trabalhos, de Uma Teoria sobre Socialismo e Capitalismo e The Economics and Ethics of Private Property.




O estado matou a liberdade dos açougues em prol dos empresários corporativistas

Há dez anos havia uma predominância muito maior de açougues de bairro. Eram comércios na maioria das vezes confiáveis e a procedência das carnes normalmente não era tão duvidosa quanto a vendida no supermercado.

Geralmente os donos desses açougues eram pais de família que manipulavam a carne com certo rigor, contratavam gente da vizinhança pra dar aquela força no comércio, faziam o bom e velho fiado pra quem não podia pagar na hora, enfim, era um tempo onde havia maior proximidade entre os produtos de consumo e o consumidor.

Mas eis que apareceu o governo e suas "bondades". E aí o açougueiro foi para o abismo com uma série de taxações, regulações, decretos, portarias, leis inúteis, legislações pesadas e tudo o mais necessário para acabar com um negócio promissor e confiável sob a desculpa de proteger os clientes daquele "malvadão" que – absurdo! – quer trabalhar e lucrar com o comércio de carnes.

E são tantas regras "protecionistas" que, sabendo da impossibilidade dos donos em cumpri-las de forma plena, os fiscais do governo se aproveitam da situação para caçar "irregularidades" como "a cor da parede", pedindo aquele salário mínimo para assinar o alvará de funcionamento.

Enquanto isso, o estado isentou as grandes empresas de impostos e multas sempre que possível, bem como das regras sanitárias que o açougueiro da esquina tem que cumprir. Enquanto o dono do açougue do bairro era impedido de obter uma mísera linha de crédito para investir em seu negócio, o governo fornecia uma gorda verba para as grandes empresas por meio do BNDES.

E veio o período maquiavélico de "aos amigos os favores, aos inimigos a lei", onde não há nada que impeça as grandes empresas. As dívidas caíam de 1 bilhão para 320 milhões, a "fiscalização" sanitária se tornou aliada e o Ministério da Agricultura passou a conceder seus selos livremente para os amigos do governo. Claro que isso teve um custo, pago com aquela verba pra campanha eleitoral para "resolver" tudo.

E o resultado não poderia ser diferente: nos baseando na confiança em um selo estatal e no sorriso técnico do Tony Ramos afirmando que "carne confiável tem nome!".

O corporativismo, ou seja, a aliança entre estado e grandes empresários, nos trouxe resultados deploráveis. Mas o malvado continua sendo o seu José da esquina, aquele que queria vender suas carnes e terminou fechando por excesso de burocracia estatal. Enquanto isso, os corporativistas da JBS, BRF e companhia cairão no esquecimento em breve.

O corporativismo brasileiro é um desastre sem fim.
Prezado Paulo, você reclama que teve emprego e salário, mas não ganhava tanto quanto os funcionários mais antigos e experientes. Você foi contratado a um salário menor e achou isso injusto. Queria já chegar ganhando o mesmo tanto que funcionários melhores e mais experientes, que já estavam lá há anos. É isso mesmo?

Não posso acreditar.

Outra coisa: você teve salário e emprego (e ainda teve plano de saúde!) graças à possibilidade de terceirização. E se fosse proibida a contratação de terceirizados? Será que você teria tido esse emprego e esse salário? Será que você sequer teria tido essa chance?

Desculpe, mas parece que você está cuspindo no prato que comeu. Você teve emprego e renda (e plano de saúde!) graças a uma liberdade de contrato, e agora vem dizer que essa liberdade foi ruim para você? Bom mesmo seria se o mercado de trabalho fosse restrito. Aí sim você já seria contratado como presidente...

É interessante como você parte do princípio de que o mundo não só lhe deve emprego e renda (e plano de saúde!), como ainda lhe deve um emprego extremamente bem-remunerado imediatamente após a contratação (você já quer entrar ganhando o mesmo tanto que os funcionários mais antigos e experientes).

De fato, ainda estamos deitados em berço esplêndido. Aqui todo mundo só quer saber de direitos.


P.S.: ainda no aguardo de você responder à pergunta do Leandro (a que aparentemente te deixou assim tão zangado): a terceirização nada mais é do que permitir que uma pessoa tenha maior liberdade para contratar outra pessoa para fazer um trabalho. Só isso. Qual exatamente seria um argumento racional e respeitável contra esse acordo voluntário e livremente firmado entre duas partes?
Esse comentário não faz o menor sentido. Vc usa a linguagem jurídica e estatal para condenar pessoas, mas sem nenhum processo. Ter um cargo publico não pode ser crime no regime atual. Se vc se revelasse seria claramente processado por calunia e difamação. Pois não crime sem lei que o prescreva. Que é isso? Os libertários querem se unir aos marxistas para ditar regras de moral ao mundo. A existência de um aparato que extorque e atrapalha o desenvolvimento da população, pode ser imoral mas não pode ser considerado crime no sistema atual. Tente convocar uma assembleia constituinte libertaria e acabe com o sistema atual e talvez no seupais seja crime. Como podemos responder por crimes, contra uma legislação ideológica que ignoramos, que não aprendemos nem em casa e nem na mídia. Embora os recursos da receita federal sejam usados de ma fé, isso não faz da sua existência um crime. Antes de tudo existe um regulamento, produzido pelo consentimento da sociedade que prevê a existência daquele órgão. Pelo seu ponto de vista todas as pessoas são criminosas porque o estado não tributa tudo, mas regulamenta tudo. Então para ser um libertário coerente eu teria que cancelar meu CPF, abrir mão de todo beneficio estatal que veio parar nas minhas mão, mesmo sem que eu ferisse ninguém, renunciar minha cidadania brasileira, o que mais. Resumindo ter pessoas que respeitem os direitos civis e as liberdades individuais dentro do estado, é bem melhor do que ficar se gabando e massageando o próprio ego dizendo pra todo mundo, olha só nós estamos certo, todos vocês são ladroes, sem fazer nada pela liberdade.
Se há custos trabalhistas artificialmente altos e estes puderem ser reduzidos, então eles serão reduzidos.

Se uma empresa opera com custos trabalhistas artificialmente altos -- por imposição do governo -- e estes custos podem ser reduzidos -- porque há outros trabalhadores dispostos a fazer mais por menos --, então eles serão reduzidos.

Se a empresa não fizer isso, então ela estará -- por definição -- operando de forma ineficiente. Ele não durará muito. Com efeito, essa empresa só irá durar se operar com uma reserva de mercado garantida pelo governo. Aí sim. Excetuando-se isso, ela estará queimando capital e comprometendo sua capacidade de investimento e expansão no futuro. Será rapidamente abarcada pela concorrência.

No mais, é interessante notar que as pessoas querem livre concorrência para tudo e todos, menos para elas próprias. Todos nós queremos competição entre empresas para que haja produtos melhores e preços menores, mas não queremos competição para o nosso emprego. Quando a concorrência chega até nós, queremos que políticos criem leis que garantam nossa estabilidade. Agora, querem até proibir empresas de contratar outras pessoas que não nós mesmos. Há totalitarismo maior do que esse?

Vale ressaltar o óbvio: essa lei da terceirização nada mais é do que uma permissão para que uma pessoa tenha maior liberdade para contratar outra pessoa para fazer um trabalho. Só isso. Qual exatamente -- por favor, me digam -- seria um argumento racional e respeitável contra esse acordo voluntário e livremente firmado entre duas partes?
Ei, Marcelo Siva, quer falar de escravidão? Vamos lá (aliás, é hora de você começar a responder perguntas, como todos fizeram com as suas):

Quem é que adota políticas -- como déficits orçamentários e expansão do crédito via bancos estatais -- que destroem o poder de compra do dinheiro, perpetuando a pobreza dos mais pobres?

Quem é que, além de destruir o poder de compra do dinheiro -- gerando inflação de preços -- ainda impõe tarifas protecionistas para proteger o grande baronato industrial, com isso impedindo duplamente que os mais pobres possam adquirir produtos baratos do exterior?

Quem é que, ao estimular a expansão do crédito imobiliário via bancos estatais, encarece artificialmente os preços das moradias e joga os pobres para barracões, favelas e outras áreas com poucas expectativas de vida?

Quem é que impede que os moradores de favelas obtenham títulos de propriedade, os quais poderiam ser utilizados como garantia para a obtenção de crédito, com o qual poderiam abrir pequenas empresas, fornecer empregos e, de forma geral, se integrar ao sistema produtivo?

Quem é que tributa absolutamente tudo o que é vendido na economia, e com isso abocanha grande parte da renda dos pobres?

Quem é que, por meio de agências reguladoras, carteliza o mercado interno, protege grandes empresários contra a concorrência externa e, com isso, impede que haja preços baixos e produtos de qualidade no mercado, prejudicando principalmente os mais pobres?

Quem é que cria encargos sociais e trabalhistas que encarecem artificialmente e mão-de-obra e, com isso, gera desemprego, estimula a informalidade e impede que os salários sejam maiores?

Quem é que confisca uma fatia do salário do trabalhador apenas para que, no futuro, quando este trabalhador estiver em situação ruim, ele receba essa fatia que lhe foi roubada de volta (e totalmente desvalorizada pela inflação)?

No aguardo das suas respostas.

www.mises.org.br/Article.aspx?id=2383

ARTIGOS - ÚLTIMOS 7 DIAS

  • Luis Dietz  15/02/2011 14:25
    Tem algum artigo que explique como funcionariam nesta sociedade anarquista os serviços em que sejam necessário igualdade a todos, como proteção nacional, produção das leis e justiça?
  • Diogo Siqueira  15/02/2011 23:07
    "Lei e justiça":

    www.youtube.com/watch?v=tE9dZATrFak
  • DV  17/06/2013 13:42
    Uma resposta [normativa] para "como as coisas funcionariam" seria um argumento A FAVOR de um estado.
  • NETO  16/02/2014 21:15
    A graça maior está em alguns que acreditam que esse arranjo descentralizador - sim, acredito ser possivel até - possa ser concretizado numa sociedade anarquista. É patético quem acredita nisso! Ou será que o sentido de anarquismo sofreu aluma mudança radical??
  • Equipe IMB  15/02/2011 14:39
    Há vários aqui, Luis.

    www.mises.org.br/Subject.aspx?id=16
  • Getulio Malveira  15/02/2011 14:47
    "claro que, sozinho, esse renovado radicalismo do movimento liberal não teria quase nenhuma consequência. Porém, é a inspiradora visão de uma alternativa para a ordem presente, visão essa que flui desse novo radicalismo, que irá, se muito, quebrar a máquina social-democrática."

    Muito bom. Cada vez mais me convenço de que o anarco-capitalismo é o arranjo político mais racional. Pena que os seres humanos, com dizia Kant, não sejam nunca inteiramente racionais.
  • Caio Cesar  15/02/2011 19:12
    Do liberalismo e anarco-capitalismo, de uma coisa só temo. Na verdade, é ridículo, mas, como um número, deve ser contado...

    Alguém aqui já pensou na hipótese de que algum dia - num mundo anarco-capitalista - aliens viessem até a Terra e começassem a destruir tudo? O que iríamos fazer, se não há um governo pra nos defender? Quero dizer, teríamos nossas armas, claro. Mas... Quem iria querer ter um tanque de guerra na varanda, ou um F16 no quintal? rs
    Sei que a hipótese é ridícula, mas como os físicos dizem, a probabilidade é variável, portanto, não se descarta, correto?

    Ou então... O que haveria se de repente um vírus mortal transformassem as pessoas em... "zumbis"? Quero dizer, zumbis, apesar de mortos, tem suas vidas.. eu acho. Quem teria o direito de tirá-las? Só iríamos tirar se ele oferecer risco, claro. Mas, por exemplo, e se começassem a haver zumbis por todo mundo? O que haveria?

    Ou pior ainda(e bem mais provável): Num meteoro que irá colidir na Terra! Quem nos defenderá? Empresas privadas espaciais? Talvez... Mas elas iriam cobrar por isto, é óbvio. E logo, se não pagássemos, morreríamos. Mas se pagássemos, esta empresa tornaria-se um "estado", pois é questão de "vida ou morte", não?

    Por causa destas três pequenas situações... Eu ainda tenho minhas dúvidas sobre o anarco-capitalismo. rsrs

    OBS - Sei que é criancisse, mas fala sério, pode ocorrer, não é verdade?
  • Getulio Malveira  15/02/2011 19:34
    Quem irá nos defender? Ora, o Chapolin Colorado!
  • Fernando Chiocca  15/02/2011 19:54
    O pior é que esse tipo de justificativa para a existência do estado faz mais sentido do que a tão comumente aceita justificativa do "contrato social"...


    Caio, no filme Independence Day foi um civil quem implantou um virus no computador dos aliens e que chegou até lá numa nave dos próprios aliens. Tudo bem que teve ajuda do piloto da aeronáutica e de toda força aérea de diversos países também para depois terminar de aniquilar os alienígênas, mas é só pra mostrar que existem outros meios.

    Os seres humanos já são zumbis que obdecem cegamente os estados.

    E se um meteoro for colidir com a Terra, lamento te informar, mas teremos o mesmo destino dos dinossauros e nem a Casa Branca ou outro super estado poderá nos ajudar.
  • Caio Cesar  15/02/2011 20:52
    "Quem irá nos defender? Ora, o Chapolin Colorado!"

    Boa. hehehe

    ---

    Chiocca, compreendi seu ponto. Boas respostas a todas perguntas...

    Porém, voltando a realidade... Eu acredito que o maior problema de todos para destruir o estado será influenciar os militares a largarem seus empregos.

    Poderíamos argumentar com eles de que agora receberão bem mais do que antes, pois, se cada oficial(tenente em diante) ou até mesmo sargentos formassem empresas de defesa privada e contratasse aos soldados que eles comadavam no exército, seria ótimo ao consumidor e a eles, é claro. Pois além do mais, eles foram treinados para matar e são, de certa forma, "bem treinados".

    O único problema seria eles aceitarem isto... rs

    Ah! E só uma perguntinha... O www.libertarianismo.org argumentou que as armas nucleares podem ser vendidas para empresas privadas espaciais e etc., porém, me veio a pergunta... E quanto a todos estes tanques de guerras, aviões de última geração, helicópteros, submarinos, navios altamente poderosos, armas químicas e afins?
  • Arauto do Liberalismo  15/02/2011 20:52
    Como diria o Walter Block em um vídeo que eu vi, citando exatamente o mesmo exemplo... Tu viu o nível de criatividade e absurdo que tu teve que chegar só pra tentar provar que o anarco-capitalismo não é válido?
  • Andre Poffo  15/02/2011 22:13
    /\\ Ótimo argumento!

    É difícil pensar numa "solução" para isso já com os Estados e Governos atuais..
    A Nasa pode fazer a mesma coisa do filme Armagedom ? Talvez, mas é muito complicado.
    Zumbis.. vamos ir longe, digamos que o vírus se propaga pelo ar.. Daria tempo? Os Estados se uniriam contra tal catástrofe? Os indivíduos também se uniriam..

    Aliens, bom, se eles viessem a tecnologia deles logicamente é imensamente maior, então desde que não venham em paz, não acho provável que os exércitos do mundo inteiro sejam capazes de tirar eles daqui, sem que haja um enorme dano, talvez extinção(no caso de bomba nuclear)..

    Enfim, mesmo com Estado já é difícil explicar as "soluções".

    NASA, investimentos em equipamentos de guerra, investimento em pesquisa pra conter zumbis.. Isso tudo pode ser feito pelo Estado, porém, será que realmente precisamos destinar boa parte do que é nosso para que isso exista?
  • Fernando Ulrich  15/02/2011 23:01
    Nenhum ser humano poderá prever as consequências do anarco-capitalismo. Ao que tudo indica, é teoricamente possível. Na prática, teria que testar para ver. Não há como prever que resultados haveriam no longo prazo. Talvez a volta de alguma forma de estado? Acabaria alguma das tão faladas "agências" tendo um poder desproporcional? Alguns indíviduos tentariam se impor a outros? Qualquer que seja a elocubração, será, nada mais do que isso, uma elocubração.\r
    \r
    Talvez a única forma viável seja desmantelar o estado ao máximo, mas pouco a pouco. Uma abrupta dissolvição do estado é completamente utópica e seria um caos.
  • Fernando Chiocca  15/02/2011 23:24
    Ulrich, a mesma coisa serve para o estado; Nenhum ser humano poderá prever as consequências do estatismo. E olha que ele já teve consequencias como o Holocausto, milhões de mortos de fome pelo comunismo, guerras e mais guerras entre estados, etc, etc, etc...
  • Fernando Ulrich  17/02/2011 14:32
    Perfeitamente de acordo. Apenas procurei atentar ao fato de querer prever o futuro criando situacoes hipoteticas nao leva a nada. Como disse, na teoria me faltam argumentos para refutar anarco-capitalismo. No entanto, para aplica-lo na pratica nao vejo outra maneira alem da que defendi acima.
  • Andre Poffo  16/02/2011 00:36
    Com certeza, pouco a pouco.
  • Fernando Chiocca  22/02/2011 12:55
    Bob Murphy lida no artigo de hoje brilhantemente com a questão (relevante) do meteoro se chcando com a Terra:
    Empirical Evidence That Brad DeLong Is Completely Obtuse
  • Neto  03/10/2012 10:10
    Mas isso é muito fácil.
    Você não sabia que o Star Fox é um mercenário?
  • manoel linhares  10/01/2016 20:32
    O que você parece estar querendo dizer, e eu concordo, é que no meio social sempre irão existir interesses COMUNS (por mais que isso se pareça com COMUNISMO, para terror dos liberais) a todos, e que para gerenciamento desses interesses, é preciso a concepção de uma ENTIDADE (atualmente o Estado) investida de autoridade, que a todos represente, não apenas para a mediação de conflitos entre os membros-partes, mas a defesa de uma ameaça comum (no seu exemplo, zumbis e aliens).
  • Anonimo.  11/01/2016 10:17
    'no meio social sempre irão existir interesses COMUNS'
    Certo.
    para gerenciamento desses interesses, é preciso a concepção de uma ENTIDADE (atualmente o Estado)
    Se é do interesse de todos precisa de estado pra quê? Estado ganha dinheiro pela força, se é do interesse de todos todo mundo vai estar disposto a pagar voluntariamente.
  • Antonio Afonso  15/02/2011 19:55
    Também tenho minhas dúvidas sobre o anarco-capitalismo.


    O governo, como diria Agostinho, é um mal Necessário.
  • Fernando Chiocca  15/02/2011 22:57
    Se é mal, não é necessário. Se é necessário, não pode ser um mal.

    É bom ter dúvidas. É com elas que podemos ir atrás de respostas. E todas podem ser encontradas. Eu já tive muitas. Não conheço ninguém que tenha nascido um anarco-capitalista. Talvez de espírito, mas não sabedor de uma teoria sólida. Eu já fui um minarquista também, mas acabaram-se as minhas desculpas.
  • Johnny Jonathan  26/06/2012 01:45
    Eu sempre sempre fui de "espirito". haha
    Anarquia sempre me apareceu coerente na medida que eu via o stato sempre como um gerador de conflitos, e não um pacificador.
    E o capitalismo sempre achei muito superior ao comunismo, ninguém é igual.

    Mas depois de ler sobre anarco-capitalismo, vi que o quão longe os teóricos foram, muito mais do que eu imaginava ser possível.
  • Marcelo  15/02/2011 20:34
    E se as empresas privadas de segurança se fundirem em uma só, coagindo as pessoas a particiar dela e praticamente recriando o Estado, o que aconteceria?
  • Leandro  15/02/2011 20:44
    As empresas de todas as milhares de cidades se juntando em uma só? Mais ainda: as diferentes empresas responsáveis por cada rua de cada cidade se juntando em uma só?

    Se nem os restaurantes a quilo de uma mesma rua, que estão em concorrência direta e selvagem, se fundem, por que achar que milhares de empresas no mundo fariam isso?

    Não faz sentido.

  • Angelo T.  15/02/2011 21:04
    Marcelo, se as empresas de segurança se fundissem em uma só e coagissem as pessoas a participar dela, então teríamos o Estado que temos hoje. A situação que você está propondo, e que é assustadora, é o que já acontece: uma agência de segurança monopolista forçando todo mundo a aceitar seus serviços.\r
  • Angelo T.  15/02/2011 21:10
    Só para deixar claro meu comentário anterior, o pior caso do anarco-capitalismo, que seria essa fusão de empresas em uma só, é a situação atual. Então não há o que temer nesse ponto.
  • Neto  03/10/2012 10:14
    Um povo muito educado com aversão a governos iria evitar essa mega empresa de todas as formas
  • Klauber Cristofen Pires  15/02/2011 22:39
    Meus amigos,

    Eu sou fãozão de Hans-Hermann Hoppe. Contudo, eu fui até lá no anarco-capiatalismo e voltei. Vou dizer o porquê.

    a) Se tem uma coisa que os governos são bons, é para matar e fazer guerras. Nenhuma sociedade anárquica tem como fazer frente a um estado beligerante, que investe por anos a fundo perdido e congrega todas as suas forças para um só esforço. Eu já li alguns artigos que falam sobre resistencia priovada, mas são de um convencimento sofrível. Que poder teve o Tibete contra a invasão chinesa?

    b) Não basta que uma sociedade seja anárquica. É necessário que todos os seus habitantes sejam permanentemente adeptos do anarco-capitalismo, e também é necessário que eles se protejam da imigração. Olhemos para a Europa: Daqui a alguns anos se tornará Eurábia, e a sharia vai acabar prevalecendo por lá. Portanto, o mero direito de propriedade individual não tem como fazer frente a uma onda imigratória invasora, como fazem os muçulmanos, os russos com os países satélites ou mesmo a Bolívia, que vem fazendo migrações forçadas de comunidades indígenas para fazerem maioria eleitoral nos estados de oposição.

    Creio que os estados existem e vão sempre existir. Talvez no futuro consigamos mantê-los sob rédea curta.

    Até hoje, a história do liberalismo foi a história das pessoas comuns fugindo dos governos. A Holanda era uma mangue fedido, tão insalubre que nem os soldados do rei da França se incomodavam de perseguir os moradores daquela região. Foi então para lá que fugiram as pessoas comuns cansadas de perseguição religiosa e tributária. E a Holanda, assim, se tornou o primeiro país da revolução industrial. Depois, mais ou menos, o mesmo se deu na Inglaterra, e principalmente, nos EUA, onde as pessoas iam cada vez mais ao oeste para fugir dos governos. Hoje, não há mais para onde fugir. Assim temos de frente um novo desafio: enfrentar os governos, questioná-los, criar instituições privadas independentes e tudo o mais que for necessário para mantê-los continuamente pequenos.

    É isto

    Abs

    Klauber



  • Fernando Chiocca  15/02/2011 22:54
    a) A Suíça nunca foi invadida mesmo no meio de tantas guerras. E quem vai invadir algo se não há o que invadir, se não existe um poder central para atacar? Fora os argumentos pelas defesas privadas se existir uma ameaça real.

    b)Dizer que todos devem ser anarcocapitalistas para que uma sociedade seja anárquica é desconhecer conceitos básicos do anarco-capitalismo. Me admira ouvir essa bobagem de você. E se você tem preconceito contra a cultura árabe, é evidente que muitos proprietários da Europa não tem, pois bastaria que eles se recusassem a alugar ou vender imóveis para arabes ou de empregá-los ou fazer negócios com eles. Se você prefere impor a força uma cultura, o anarquismo não serve para você mesmo.

    Talvez no futuro consigamos mantê-los sob rédea curta.

    Santa ingenuidade. E que é possível prender um leão com uma corda de linguiça, você acredita nisso também?

    abs
  • Augusto  15/02/2011 23:36
    Fernando,\r
    \r
    E se você tem preconceito contra a cultura árabe, é evidente que muitos proprietários da Europa não tem, pois bastaria que eles se recusassem a alugar ou vender imóveis para arabes ou de empregá-los ou fazer negócios com eles.\r
    \r
    Voce sabe bem que essa nao eh uma opcao. Os proprietarios seriam rapidamente punidos por crime de discriminacao...
  • Fernando Chiocca  16/02/2011 00:28
    Lógico que é opção. Qualquer um pode recusar alugar ou vender para alguém se a pessoa for árabe e pode alegar qualquer outro motivo. isto é possível mesmo neste estatismo. E caso não fosse, este é um fortíssimo argumento em favor do anarcocapitalismo.
  • Rafael  06/07/2012 16:53
    Vc se esquceu de uma coisa, caro Fernando: o capitalista será punido por se negar a servir aos consumidores. Veja bem: se vc é proprietário de uma imobiliário, vc tem de vender imóveis e servir aos consumidores, ñ iteresse se ele é judeu, cristão, muçulmano, ateu, comunista, nazista ou seja lá o que for. Vc tem de vender o imóvel ou perderá um consumidor. Ah n ser que vc tenha bastante consumidores q estejam dispostos a comprar o imóvel...mas se ñ for o caso...
  • Renê  15/02/2011 23:50
    Poxa Fernando

    Quer dizer então que Hitler só atacava se tivesse um poder central?
    Acho que os aliados não sabiam desse detalhe na época.
  • Fernando Chiocca  16/02/2011 00:26
    Sabiam sim, pois a Suíça não foi atacada.
  • Diogo Siqueira  15/02/2011 23:15
    A Europa está se tornando uma "Eurábia" com a aquiescência dos governos dos países europeus...
  • Fernando Chiocca  15/02/2011 23:26
    Hehehe, poizé Diogo, o Klauber aponta uma "falha" real do estatismo para ser contra o anarcocapitalismo...
  • Thiago B. Gomes  17/02/2011 14:01
    Então a Suiça não foi atacada pois não possuía um poder central? O Fernando reescreveu a História.
  • Leandro  17/02/2011 14:30
    Thiago, o ponto do Fernando é o seguinte: quando se quer invadir um país e tomar seu poder, a medida primordial do invasor deve ser a de assumir o controle de pontos estratégicos. O ponto estratégico de todo e qualquer país invadido sempre será a sede central do seu governo.

    Porém, como fazer isso em um país/estado/cidade com várias administrações independentes? Que ponto você vai tomar para hastear a sua bandeira?

    Isso foi exatamente o que aconteceu nas invasões americanas da Somália e do Iraque. O Iraque caiu em poucos dias, pois bastou as tropas americanas chegarem ao palácio de Saddam, derrubarem sua estátua e hastearem a bandeira. Por outro lado, o que houve na Somália? As tropas americanas foram dizimadas pela própria população, pois o país não tinha uma sede de poder de central. A própria população não estava sujeita a ordens superiores. As tropas americanas invadiram o país e ficaram imediatamente perdidas, sem saber o que fazer, pois não havia um ponto estratégico a ser tomado.

    Esse é o benefício de um país descentralizado como a Suíça. Quem invadir aquilo ali, além de ter de enfrentar a população mais bem armada do mundo, não terá a menor ideia de para onde deverá ir ou do que deverá fazer.

    Grande abraço!
  • Thiago B. Gomes  17/02/2011 20:16
    Caro Leandro.

    Com certeza, isso é verdade. Contudo, o Fernando forçou um caso histórico específico para o cenário se adequar ao argumento dele. Sou anarquista também, mas nunca distorceria assim a História.

    Abraços
  • Flávio  06/07/2012 17:36
    Entao quer dizer o inimigo só ataca onde houver um ponto estratégico... Sendo assim então os germanos deveria ter atacado e tomado Constantinopla e não fazer ataques e saques em Roma. Afinal, no século V, o ponto estratégico do Império Romano era Constantinopla, era aonde estava a sede do Rei e ñ Roma...
  • Tiago  22/02/2011 18:36
    O Tibete era praticamente escravo de um estado teocrata, até onde eu sei. Pior que os comunistas chineses até. Não sei porque usou como exemplo... ?

    Quando não tinha governo central, a Irlanda resistiu a diversos ataques de estados próximos. Nem vikings nem normandeses conseguiram manter controle da Irlanda por muito tempo. Apenas os ingleses, que eram muito maiores que a Irlanda, conseguiram de fato controlá-la, depois de um bom tempo de ataques e após assassinar algo como 15% da população senão me engano. E não faz muito tempo ainda existiam rebeles na Irlanda do Norte dando trabalho...

    É particularmente difícil tomar controle de uma população armada e sem governo central. Você tem que submeter praticamente cada um dos indivíduos.
  • Neto  03/10/2012 10:26
    'Depois, mais ou menos, o mesmo se deu na Inglaterra, e principalmente, nos EUA, onde as pessoas iam cada vez mais ao oeste para fugir dos governos. Hoje, não há mais para onde fugir.'

    seasteading...
  • aspirante a anarquista  27/06/2013 01:32
    Lembrando que os indígenas do oeste dos EUA, também viviam totalmente descentralizados, por isso conseguirem resistir e mesmo se opor aos conquistadores genocidas por séculos, enquanto que os Astecas e os Incas não duraram um ano nas mãos dos esoanhóis. Os maias também são um belo exemplo de cultura descentralizada que conseguiu resistir aos consquistadores europeus por mais de 100 anos após a invasão do continente, a última cidade-Estado maia só caiu no seculo XVII. O que dizer dos gregos então, que possuiam governos significativamente descentralizados, e talvez por isso tenham sobrevivido como cultura as invasões macedônias e romanas por um bom tempo.
  • daniel  08/09/2014 19:47
    Mas é justamente o estado quem promove a "Eurabização" da Europa...
  • Marcelo  15/02/2011 23:07
    Leandro, poderia comentar esse artigo do Krugman, onde ele diz se escabelar por estarem culpando o estímulo do governo que nunca existiu? blogs.estadao.com.br/paul-krugman/2011/02/15/a-grande-abdicacao/

    Mais tarde comento a minha postagem original sobre o assunto, agora estou com pressa... Abraço!
  • Klauber Cristofen Pires  15/02/2011 23:42
    Fernando,

    Eu ainda sou um liberal. E a Suíça ainda é um estado. Um estado liberal onde os cidadãos são armados e que treinam periodicamente para defender o país.

    Vamos reletir sobre a sua assertiva: "E quem vai invadir algo se não há o que invadir, se não existe um poder central para atacar? Fora os argumentos pelas defesas privadas se existir uma ameaça real."

    De que defesas privadas você fala? Estados socialistas investem em armas militares de destruição em massa, inclusive armas químicas e biológicas. Defesas privadas incluem armas de dfeesa pessoal e no máximo imaginável, podem incluir metralhadoras e granadas. Sociedades privadas não vão investir - atenção - a fundo perdido - em uma máquina de guerra.

    "E quem vai invadir se não há o que invadir?" Caro Fernando, vc tem certeza mesmo que quer continuar com esta pergunta tão inocente? Eles vão invadir o território, e exercer o controle sobre todos os habitantes do lugar, incluindo aí todas as suas propriedades, oras! Ou você acha que eles querem invadir para tomar o palácio do governo?

    Eu não tenho "pré-conceito" contra árabes. Curiosamente, adoro cultura árabe. Mas tenho conceito contra a religião muçulmana. Qual o meu conceito? Sou contra, pois se trata de uma ideologia totalitarista e territorialista. Se ela é francamente hostil às liberdades individuais, então não está apta a ser aceita em uma sociedade livre.

    Os europeus que vendem imóveis e alugam imóveis para muçulmanos e que lhes dão empregos e que compram dos seus negócios um dia vão se sujeitar à sharia. Aliás, isto meio que já está acontecendo em muitos países. Neste dia, a propriedade privada deles não lhes valerá de nada.

    Obs.: minha vida é um tanto curiosa: aqui discuto com os excessos dos liberais, no MSM discuto com os excessos dos conservadores. Sou mesmo um "sem-tribo", afff...



  • Fernando Chiocca  16/02/2011 00:41
    Klauber, conhece a Blackwater?? Se não, lhe digo. É uma empresa privada que o governo dos EUA contrata para lutar suas guerras. Pesquise sobre.

    De que defesas privadas você fala? Estados socialistas investem em armas militares de destruição em massa, inclusive armas químicas e biológicas. Defesas privadas incluem armas de dfeesa pessoal e no máximo imaginável, podem incluir metralhadoras e granadas.

    Engraçado voc6e dizer isso depois de ter dito: Eu ainda sou um liberal. E a Suíça ainda é um estado. Um estado liberal onde os cidadãos são armados e que treinam periodicamente para defender o país.

    A Suiça não tem e não tinha este tipo de maquinário pesado de guerra e nunca foi invadida...

    Caro Fernando, vc tem certeza mesmo que quer continuar com esta pergunta tão inocente?

    Tenho.

    Eles vão invadir o território, e exercer o controle sobre todos os habitantes do lugar, incluindo aí todas as suas propriedades, oras! Ou você acha que eles querem invadir para tomar o palácio do governo?

    Eles querem tomar conta de uma estrutura de exploração já montada e aceita passivamente pelos súditos (estado)
    Se essa estrutura não existir e a imensa maioria do povo ali não aceitar invasões de propriedade, ou seja, se elas já tiverem se livrado do estado anteriormente, vc acha mesmo que este território habitado por uma população de porco-espinhos será fácil de ser dominado? Se sim, Klauber, você daria um péssimo conselheiro de estratégias militares.

    Qual o meu conceito? Sou contra, pois se trata de uma ideologia totalitarista e territorialista. Se ela é francamente hostil às liberdades individuais, então não está apta a ser aceita em uma sociedade livre.

    Meu caro, se você acha isso de uma religião com 1 bilhão de adeptos, você tem mesmo que ser estatista, apoiar o Bush/Obama e Imperialismo Americano e apoiar as "guerras para impor democracia". Você está muito mais próximo destes conservadores que você discute no MSM do que vc imagina.

  • Diogo Siqueira  17/02/2011 17:10
    "Sociedades privadas não vão investir - atenção - a fundo perdido - em uma máquina de guerra."

    Não vão e não preciam. Esta idéia de que guerras são vencidas por superioridade bélica (aviões modernos, satélites de comunicação, etc) é papo furado.

    Guerras SEMPRE terminam no chão. Soldado vs. soldado. Fuzil vs. fuzil. O emprego de um aparato militar maciço sempre se esgota após determinado tempo. No final é todo mundo batendo perna de um lado para o outro.

    E digo mais: países que possuem sua população armada detêm um poder de dissuasão muito superior aos países que confiam exclusivamente no poder bélico de suas forças armadas. Seria interessante combater um enxame de abelhas que é a Suiça? Onde o inimigo está armado e por todo lado, e o comando é, de certa forma, descentralizado e que conhece muitíssimo bem o terreno em que combate? Se eu precisasse escolher entre invadir o Brasil ou invadir a Suiça, invado o Brasil sem pestanejar! Ao menos sei por onde começar escolhendo o Brasil.

    E o que Thomas Jefferson disse sobre o governo, vale também para os muçulmanos e a sua sharia. O problema é combatê-los com garfos e facas, que é a situação que nos encontramos hoje após uma série de campanhas desarmamentistas empreendidas pelo estado. (Sempre ele...)
  • mcmoraes  16/02/2011 02:03
    Qualquer livro de lógica básica prova o Teorema Contra-recíproco, que diz que "se A então B" é equivalente a "se não-B então não-A". Por exemplo, se é verdade que "se É MEL então É DOCE" então é uma verdade irrefutável que "se NÃO É DOCE então NÃO É MEL". O que se pode questionar é a validade da primeira afirmação "se É MEL então É DOCE" por um motivo qualquer (talvez porque se pense conhecer um mel que não seja doce), mas isso são outros quinhentos.

    Partindo do princípio de que seja verdade que "se ALGUÉM QUER ALGUMA COISA então NÃO É PRECISO OBRIGAR ALGUÉM A TAL COISA" então é irrefutável a inferência de que "se É PRECISO OBRIGAR ALGUÉM A ALGUMA COISA então ESSE ALGUÉM NÃO QUER TAL COISA".

    Que os defensores do estado acreditem que o estado é um mal necessário eu não discuto. Eu discuto é a necessidade que eles têm de coagir todo mundo a participar do seu maravilhoso "contrato social". Estatistas, por favor, respondam: por que vocês fazem questão de impor sua vontade à força? Já que o estado é necessário, por que as pessoas não fazem fila espontaneamente para pagar os impostos que sustentam seu esquema brilhante, que visa o bem comum e sem o qual o mundo estaria perdido? Vocês se consideram donos da verdade o suficiente para enfiar goela abaixo algo que certas pessoas não querem?
  • Augusto  16/02/2011 10:25
    Na verdade, esse uso da força é tão sutil que a maior parte das pessoas se quer se dá conta. Se você perguntar ao homum comum das ruas, ele dificilmente admitirá que é forçado a ser Brasileiro, provavelmente dirá pagar impostos é "uma responsabilidade pelo bem do país", que apesar da baixa qualidade acha correto que educação e saúde sejam oferecidas "de graça" para todos...\r
    \r
    Tenho certeza que você pode imaginar o seguinte diálogo:\r
    - Eu acho errado pagar impostos, e sempre que posso, dou um jeito de não pagar.\r
    - Mas isso é errado, você tem o dever de pagar, é por isso que o país não progride!\r
    - Mas se pagar impostos é tão importante assim, por que eu sou forçado a pagar?\r
    - Ora, porque caso contrário, ninguém paga!\r
    - Exato. E as pessoas poderiam ficar com seu dinheiro e gastar com o que elas consideram melhor...\r
    - Você é muito individualista, só pensa em voê mesmo, e quem não pode pagar?\r
    - Ora, se você está preocupado, nada te impede de dar o teu dinheiro para essas pessoas...\r
    \r
    e por aí vamos...
  • klauber Cristofen Pires  16/02/2011 10:43
    Prezado Fernando e amigos,\r
    \r
    A sua resposta está na sua própria afirmativa: a Blackwater é uma empresa de mercenários contratatada pelo GOVERNO dos EUA. E isto sem dizer que o grosso das disputas militares americanas se dão com seu próprio efetivo militar oficial. A Legião Estrangeira também era um exército de mercenários contratada pelo governo da França, mas que perdeu a guerra por um exército nativo que, se não era estatal, assumia as características próprias de uma força armada regular: nacionalismo, hierarquia, liderança.\r
    \r
    Que a Suíça nunca tenha sido invadida, isto é prova cabal da eficiência de sua população liberal? Duvido. Será que o caso da Suíça pode ser aplicado para todos os demais países, digo, para todas as demais populações do globo? Nem duvido. Países tradicionalmente pacíficos, como a Polônia e a Ucrânia, viveram praticamente toda a história de consecutivas invasões. \r
    \r
    Também recordo a você dos Boers, um povo descendente de holandeses e que viviam uma vida mais liberal que se tem notícia na África do Sul e que foram invadidos pelos ingleses. O quê eles puderam fazer contra a eficiente máquina imperialista britânica?\r
    \r
    Pensemos nos Aimish (É assim que se escreve? Se não for, perdoem-me). Pra quem não sabe, são uma comunidade de imigrantes holandeses que vive nos EUA e que se perpetuam a viver tal como no século XVII. Ora, eles sim são uma contradição em si, pois a tecnologia que eles desprezam é a que outros americanos precisam fazer uso para defender o modo de vida deles, por meio de um exército bem-equipado. Se eles fossem deixados à própria sorte, a cultura e o povo aimish desapareceriam. \r
    \r
    Caro Fernando, o invasor não precisa da estrutura estatal anterior, já que ele irá substituí-la pela sua própria, e quem não se amoldar ao novo regime será trucidado, por mais porco-espinho que seja. A história é pródiga em exemplos. \r
    \r
    Ademais, pensemos mais uma vez na questão ideológica, usando o caso do próprio Brasil. Sabemos que este país é um tanto estatal, mas ainda assim há propriedade privada o suficiente para que os donos das propriedades privadas defedendessem publicamente o liberalismo. No entanto, o que fazem é defender causas socialistas! Por quê nossas revistas e jornais não pregam a liberdade? Por quê o NY Times, lá nos EUA,não prega a liberdade? Por quê não o fazem, ainda que sejam de propriedade de alguém? Por quê há todo um envolvimento cultural em torno disso. Se hoje fundássemos uma sociedade completamente liberal a anárquica entre o povo brasileiro, rapidamente eles formariam um estado talvez ainda mais socialista do que o que existe hoje. \r
    \r
    Entre os muçulmanos se dá o mesmo, e não se iludam. O Islam é uma religião territorialista, que não admite convivência com outras religiões. Onde há muçulmanos em maioria, a sharia é decretada e ai do liberal ou proprietário de terra que estiver por perto. Você afirma que esta é a religião adotada por um bilhão de muçulmanos, e eu pergunto: todos eles aderiram voluntariamente? Ignora você que é digno de sentença de morte quem abandona a fé islâmica? Ignora você que Salman Rushdie vive escoltado por conta de uma fatwa lançada contra ele?\r
    \r
    Por quê os EUA vêm se tornando rapidamente um país socialista? Porque o ritmo vertiginoso com que acolhe imigrantes estrangeiros que trazem a visão de mundo de seus países disfuncionais e lhes dá cidadania, voto e benefícios previdenciários faz com que estes demandem por mais e mais benefícios e intervenção estatal. Estes imigrantes não vêm para viver a primeira metade do sonho americano - de trabalhar arduamente, educar seus fihos e viver em liberdade, mas só a segunda metade - usufruir a riqueza conquistada pelos primeiros americanos. \r
    \r
    Não se apeguem demais ao wishfull-thinking. Teoria sem comprovação de realidade é conto. Fora a Islândia, que diga-se, se vê mais protegida por ser uma ilha muito distante e gélida, nenhuma sociedade anárquica até hoje sobreviveu para contar seu sucesso. Aliás, mesmo a Islândia durou um bom tempo, mas depois tomou a forma de um estado.\r
    \r
    Quem teve sucesso foram os EUA, e recentemente os países (estados) que tomaram a forma de democracias liberais, tais como a Nova Zelândia, a Irlanda, e em certa parte, o Chile. \r
    \r
    O que precisamos, portanto, é que o liberalismo se torne uma corrente política mais aceita, e na minha opinião, o que devemos fazer é mostrar que são justamente as pessoas mais pobres aquels que mais vão lucrar com isto. Assim naturalmente virá a prosperidade, a paz (democracias liberais são muito avessas às guerras), e bem, os impostos, estes não desaparecerão, mas pelo menos serão pequenos. \r
    \r
    \r
    \r
  • klauber Cristofen Pires  17/02/2011 10:04
    Prezado Fernando e amigos,\r
    \r
    Considero de grande valia os argumentos favoráveis ao anarco-capitalismo, embora as minhas conclusões, até o presente momento, apontem para uma impossibilidade prática.\r
    \r
    Com efeito, não aposto no estado mínimo por este ser melhor do que uma sociedade plenamente livre (anarco-capitalista), mas por considerar que outros grupos humanos podem se reunir na forma de um estado para atacar a sociedade livre, e nisto eles têm mais probabilidade de serem mais bem sucedidos, porque esta é a única verdadeira atividade a que se dedica uma sociedade socialista. Por via de consequência, então, temos de formar um estado para a estruturarmos a defesa contra o agressor externo. Creio ser bem possível que historiacamente falando, os estados tenham nascido justamnte deste fator. \r
    \r
    Se eu mesmo puder me classificar, isto é, se classificações são úteis para qualquer fim, eu me colocaria atualmente como um "super-minarquista", isto é, alguém que apostaria em um estado ainda mais mínimo do que o mínimo dos minarquistas, haja vista considerar que os serviços de produção de segurança interna poderiam ser todos privados (polícia, investigação, busca, processo, juízo, apenamento, e sobretudo, ressarcimento dos danos), da forma como tenho escrito nos meus artigos anteriores. \r
    \r
    Enfim, vamos continuando com os nossos estudos, debates, escritos, traduções, palestras, e tudo o mais que for necesário para liberarmos paulatinamente o Brasil das amarras do socialismo. \r
    \r
    Quero deixar aqui registrada a minha felicidade por uma recente e gratificante surpresa, pelo qual transmito os agradecimentos e os parabéns ao ILVM Brasil. \r
    \r
    Abs\r
    \r
    Klauber\r
    \r
  • Fernando Chiocca  17/02/2011 10:19
    Nós que agradecemos Klauber!

    Agora poderia traduzir esta coletânea editada pelo Hoppe acima que traz respostas a suas questões, com capítulos como:

    6 Mercenaries, Guerrillas, Militias, and the Defense of Minimal States and Free Societies - Joseph R. Stromberg

    Privateering and National Defense: Naval Warfare for Private Profit - Larry J. Sechrest

    Government and the Private Production of Defense - Hans-Hermann Hoppe

    Secession and the Production of Defense - Jörg Guido Hülsmann


    abs
  • Rafael Hotz  16/02/2011 12:18
    Klauber, o sistema internacional já é anárquico... E anárquico o suficiente para que os EUA (a maior máquina de guerra já existente) não regule e tribute os demais países como regula e tributa em seu território...

    Guerras, regulação e tributação exijem consentimento... É muito mais fácil atacar o Governo Oficial do Iraque e colocar a culpa em ditadores e terroristas... Agora, suponha que Bagdad fosse dividida em, digamos, 4 "cidades privadas", ou condomínios com empregados de empresas locais... O que é que os governantes americanos iam falar? "A filial iraquiana 450 do Wal-Mart abriga radicais islâmicos?"... E para atacar lá? Tem que cruzar as fronteiras de todas as demais cidades privadas, cantões, etc. Como você vai justificar a entrada e passagem pelo terreno de centenas de unidades independentes? E se o piloto do avião erra o alvo e acerta o lugar errado? Como você justifica isso?

    Só com o sistema de estado-nação excessivamente centralizado o atacante consegue justificar seu ataque facilmente, consegue se movimentar ao longo de grandes fronteiras sem causar panes diplomáticas, e consegue tomar um posto de controle e sair tributando sem necessidade adicional de, digamos, massacrar boa parte da população - afinal de contas, é só o mestre que mudou...
  • Gran DBabu  16/02/2011 17:49
    Essa visão está em plena concordância com a formação de Estado micronacionais, onde as pessoas escolhem viver.

    Obviamente, tais estados não são reconhecidos, mas caso alguns deles obtenham massa crítica, passam a existir "de facto" e um enorme passo rumo a esse ideal libertário (mais do que liberal) estará dado.

    Entre outras coisas, Micronações, pode serem de participação voluntária, podem, de fato, ser contratadas. O que, inclusive, permitiria que apenas os socialistas vivessem sob um regime socialista, numa micronação X, enquanto pessoas com outros pontos de vista viveriam de outra forma.

    Nesse esquema, a menor "unidade federada" ou "nação" seria o lar. Os condomínios (grupos de lares) já são um anteprojeto disso, onde todos os condôminos concordam com certas regras (porém, limitados pelo Estado em que vivem).
  • Bruno Lopes  16/02/2011 20:10
    A primeira coisa que o anarco-capitalismo iria criar era uma casta de inimputáveis. Todos os donos e principais cabeças das agências relacionadas à execução e regulação da violência seriam inimputáveis. \r
    \r
    Só para exemplificar: Se um dos donos de uma poderosa agência particular de defesa matasse alguém sem nenhuma justificativa, nunca uma outra agência iria atacá-lo, já que ela saberia que ele estaria disposto a usar até seu último recurso para se defender, ou seja, toda as armas e pessoal da sua agência de defesa. \r
    \r
    Por isso, quando uma pessoa é protegida com 100% dos recursos de uma agência de defesa ela se torna inimputável, já que atacá-la seria economicamente inviável em qualquer circunstância, mesmo que a agência atacante conseguisse 'ganhar" a guerra das agências. No final ela ficaria tão fraca que causaria uma migração de clientes, como boa parte deles estariam vinculadas via contrato, eles migrariam assim que fosse possível. Então, para evitar isso, eu vejo os próprios clientes pedindo, via contrato, que suas agências tratem os donos de outras agências como inimputáveis, fazendo com que fosse eliminado o risco de eles ficarem sob proteção de uma agência economicamente em frangalhos.\r
    \r
    E onde existe inimputáveis existe autoritarismo, onde existe autoritarismo existe estado, e lá vamos nós de novo, rumo à social democracia.
  • Leandro  16/02/2011 20:25
    Bruno, aí você está desconsiderando dois pontos cruciais:

    1) Toda a população teria liberdade de se armar (exatamente como é na Suíça); e

    2) As seguradoras possuiriam um papel fundamental em um ambiente anarcocapitalista, e não seria do interesse delas financiar esse tipo de agência, pois ambas sairiam rapidamente do mercado.

    Não é tão simples assim como você diz. (No extremo, é mais fácil hoje uma poderosa quadrilha de narcotraficantes comprar todo o departamento de polícia de uma cidade).
  • Augusto  16/02/2011 22:23
    "Só para exemplificar: Se um dos donos de uma poderosa agência particular de defesa matasse alguém sem nenhuma justificativa, nunca uma outra agência iria atacá-lo, já que ela saberia que ele estaria disposto a usar até seu último recurso para se defender, ou seja, toda as armas e pessoal da sua agência de defesa."\r
    \r
    Vamos chamar de Agência ABC uma agência com um dono psicopata, inclinado a matar pessoas "por prazer". Vamos chamar de Agência XYZ uma agência responsável pela proteção de milhares de indivíduos.\r
    \r
    Pelo seu raciocínio, se o dono da Agência ABC matar alguém protegido pela Agência XYZ, esta última não fará nada, por medo de entrar em conflito com a primeira.\r
    \r
    Algumas questões devem ser consideradas:\r
    \r
    1) Tem gente que boicota produtos pelas mais variadas razões. Um dono psicopata que mata gente por aí não é uma pessoa confiável. Provavelmente essa agência já tem poucos contratos ou então vai se enfraquecer rapidamente;\r
    \r
    2) Por outro lado, se a Agência XYZ simplesmente não fizer nada, ficará marcada no mercado. Quem vai comprar proteção de uma agência que não te protege quando você precisa?\r
    \r
    3) Você assume que qualquer coisa precisa ser resolvida com violência. Isso é a prática do estado. O mais provável, num caso assim, é que representantes das duas agências e representantes das vítimas se reúnam e cheguem a um acordo benéfico para todos. Assim é no mundo dos negócios. Poxa, empresas concorrentes chegam a trabalhar juntas quando isso lhes convém. E outra, você não vê os entregadores de Coca-cola e da Pepsi brigando nas ruas para defender seus produtos...
  • Neto  03/10/2012 10:55
    'Só para exemplificar: Se um dos donos de uma poderosa agência particular de defesa matasse alguém sem nenhuma justificativa...'
    ...iria falir rapidinho
  • Angelo T.  16/02/2011 20:41
    Bruno, impossível saber se esse tipo de coisa aconteceria. Não temos bola de cristal (eu, pelo menos, não tenho).\r
    Uma alternativa à tua explicação é que uma agência que "ganhasse a guerra" contra outra agência para punir o dono teria demonstrado que cumpre muito bem seu trabalho. Poderia sair fraca nos recursos, mas chamaria a atenção dos clientes. E uma agência dessa poderia ter seguro para recuperar seus recursos, ou poderia ter se unido a outras agências para compartilhar recursos. As possibilidades são infinitas.\r
    \r
    Se uma agência se recusasse a punir alguém que claramente cometeu um crime de morte, ela perderia muito da confiança de seus clientes. \r
    E uma agência cujo dono cometeu um crime e não foi punido, seria confiável? Acho que não.\r
    \r
    Olha só nossa situação hoje: se os cabeças da nossa agência de "segurança" cometerem crimes, eles são julgados por eles mesmos. E se não forem punidos, o que podemos fazer?\r
    \r
    Como já escrevi em outro comentário, esse pior cenário do anarcocapitalismo, que é assustador, é o que já temos hoje. Então não há o que se preocupar nesse ponto.
  • Marcelo  16/02/2011 23:53
    Leandro, viu o meu link do Krugman? Então é mito que o Obama gastou para estimular a economia, como ele deixa a entender?
  • Leandro  17/02/2011 00:22

    Não tinha visto seu comentário, Marcelo. Desculpe-me.

    Bom, o que eu posso dizer? Pobre Krugman. Deve ser realmente difícil ver uma teoria na qual ele acreditou durante toda a sua vida ser impiedosamente refutada em dois anos pela empiria.

    Eis aqui o gráfico dos gastos do governo em relação ao PIB. Veja o salto que os gastos dão a partir de meados de 2007. Nada menos que 23%.

    bit.ly/fL9i1W


    Caso não esteja satisfeito com esse gráfico, pode ficar com esse também, que mostra o crescimento percentual dos gastos para um período de 12 meses. Observe que no último semestre de 2009, o crescimento anual dos gastos chega a incríveis 13%. Em um ano. Aumento esse sem precedentes na última década.

    bit.ly/gjKIp1


    Mas esse charlatanismo do Krugman já era esperado. Dizer o que de um sujeito que recentemente disse que aqueles republicanos que querem uma moeda estável são racistas que querem voltar à época da escravidão?

    "seek votes from Southerners angered by the end of legal segegration", como modo de retornar a "the antebellum era".

    www.nytimes.com/2011/02/11/opinion/11krugman.html?_r=1&ref=opinion

    Abraços!
  • Guilherme Calspiatti  17/02/2011 14:56
    Adoro as opiniões do Sr. Krugman, as acompanho desde sua condecoração a economista digno de Nobel, sempre tenho a mesma sensação quando tomo conhecimento delas, me sinto mais inteligente.\r
    \r
    O Leandro ou algum outro distinto contribuinte - da classe dos insatisfeitos com a oneração - saberia me informar quais foram as mais recentes declarações de outro brilhante companheiro, o Sr. Stiglitz, a respeito da "recuperação" americana e gastos do governo?\r
  • Leandro  17/02/2011 14:59
    Não queira saber, caro Guilherme. Questão de higiene mental.

    Grande abraço!
  • Andre Poffo  17/02/2011 21:40
    Está de brincadeira né?
  • Fidel, from Cuba  17/02/2011 10:25
    Se alcançamos que os intelectuais compreendam o risco que estamos vivendo neste momento, em que a resposta não pode ser adiada, talvez consigam persuadir as criaturas mais auto-suficientes e incapazes que já existiram: nós, os políticos. Não se trata de salvar a humanidade em termos de séculos ou de milênios: é preciso começar já a salvar a humanidade.
  • Caio Cesar  17/02/2011 19:39
    "Não se trata de salvar a humanidade em termos de séculos ou de milênios: é preciso começar já a salvar a humanidade. "

    Colocando um "Fidel, from Cuba" é que não vai salvar mesmo. Deu pra ver que você é um adepto ao socialismo... Sabe, uma pergunta que há muito toca minha mente e não consigo encontrar uma resposta "estatal" pra ela? Se o comunismo de Cuba é tão bom como os defensores esquerditas dizem, por que diabos 20% da população cubana é refugiada do seu país e centenas tentam fugir todos os anos hein? Não entendo cara... Que estranho né? rsrs
  • Angelo T.  17/02/2011 20:01
    Lembrei de um programa mesa redonda na ESPN há alguns anos atrás em que o Juca Kfouri falou algo como "depois que caiu o muro de Berlim e as pessoas fugiram do lado socialista para o capitalista, eu acredito em qualquer coisa!".\r
    Ele disse isso parecendo acreditar que as pessoas iriam correndo para o lado socialista.\r
    Às vezes a lógica, a razão e os fatos são pouco para as pessoas enxergarem o que está a sua frente.
  • Caio Cesar  17/02/2011 21:04
    Pois é Angelo.
    Não entendo a mente dos esquerdistas. Eles viram que em todos os países que tiveram comunismo, terminaram em ditaduras ferozes que mataram milhões(ou milhares, no caso de Cuba). Vai ver eles tem esperanças né... rs

    Só uma pergunta:
    Os austríacos consideram a França e a Suécia socialista? Por quê? Não entendo...
  • Camarada Friedman  14/06/2012 11:50
    Estamos falando em radicalismo, ok! Mas deixa eu fazer eu postar uma coisa bem em OFF.

    Fiquei curioso e comecei a procurar por libertários apoiem algum tipo de revolução violenta. A unica coisa que achei foi um artigo no Wikipedia: Libertarian perspectives on revolution

    Segundo o Wikipedia Rothbard chega a matutar sobre algo parecido aqui aqui:

    ...beyond the problem of education lies the problem of power. After a substantial number of people have been converted, there will be the additional task of finding ways and means to remove State power from our society. Since the state will not gracefully convert itself out of power, other means than education, means of pressure, will have to be used. What particular means or what combination of means – whether by voting, alternative institutions untouched by the State or massive failure to cooperate with the State – depends on the conditions of the time and what will be found to work or not to work. In contrast to matters of theory and principle, the particular tactics to be used – so long as they are consistent with the principles and ultimate goal of a purely free society – are a matter of pragmatism, judgment, and the inexact "art" of the tactician.

    Posso ter interpretado errado... ele tbm fala:

    "…the libertarian goal, the victory of liberty, justifies the speediest possible means towards reaching the goal, but those means cannot be such as to contradict, and thereby undercut, the goal itself. We have already seen that gradualism-in-theory is such a contradictory means. Another contradictory means would be to commit aggression (e.g., murder or theft) against persons or just property in order to reach the libertarian goal of nonaggression."

    Não consegui achar nenhum libertário violento... alguém conhece algum ? Estou curioso.
  • Neto  24/10/2012 07:48
    Eu fiz aikido por uns cinco anos, quem já viu um filme daquele ator Stevel Seagal, aquilo lá é aikido
    A filosofia tem tudo a ver com libertarianismo. Tipo, praticamente não tem ataque, você sempre espera o outro cara atacar pra poder quebrar o braço dele
    Pra mim não era nada violento mas pra um idiota como o Molineux é só um jeito de se divertir aprendendo a criar dor nos outros.Como ele mesmo já disse que é isso que ele pensa das artes marciais
  • Andre canine  24/10/2012 05:15
    Numa sociedade anarcocapitalista vc acham que seria possível a existência de exército, marinha e aeronáutica mantidos por doações?
  • Catarinense  24/10/2012 07:17
    Poderia, e não só por doações, mas vendendo produtos, passeios, etc:

    commemorativeairforce.org
  • Henrique  11/12/2012 19:23
    Olá, há pouco tempo conheci este site e, através dele, as teorias da Escola Austríaca. Li dezenas de artigos e posso dizer que me apaixonei pela Escola Austríaca e sua forma de interpretar o mundo.

    Uma coisa que percebi é que de vez em quando são lançados artigos que defendem explicitamente um anarquismo capitalista (anarcocapitalismo) e devo concordar que, em conformidade com as idéias da Escola Austríaca, o Estado, na forma de um governo central, é realmente desnecessário... No entanto, meu entendimento pessoal, a despeito da análise apresentada neste artigo, é de que a existência do Estado não tem tanta relação com o fato dele ser ou não necessário, mas simplesmente com o fato de sempre haver seres humanos que desejam ter o domínio sobre os outros seres humanos... Dessa forma, ainda que o Estado seja desnecessário, e por mais que isso seja demonstrado e aceito por todos, ele me parece inevitável. Ou seja, ainda que o anarcocapitalismo seja perfeitamente viável, como demonstrado em diversos artigos neste site, ele é impossível, pois, caso não houvesse um Estado governando a sociedade, imediatamente alguém tomaria o governo sobre a sociedade criando, assim, um novo Estado (a menos que vivêssemos num mundo de budistas iluminados).

    Na minha visão, esse foi o erro da doutrina do liberalismo que o fez ser rejeitado maciçamente e relegado ao esquecimento... Não foi um erro na teoria econômica, mas sim um erro no entendimento da natureza humana em subestimar a força da estupidez humana... O próprio Mises defendia o Estado Mínimo, mas não o anarquismo, aqueles que o sucederam, como Rothbard, utilizaram suas idéias para defender o anarquismo e isso fez com que a doutrina liberal como um todo perdesse a credibilidade e sofresse com a ira dos governos que temiam por sua própria sobrevivência...

    Por isso, como fã do IMB, gostaria de deixar uma sugestão: se ater mais às idéias originais de Mises em suas análises econômicas e evitar a defesa explícita do anarcocapitalismo, pois acredito que isso fere um pouco a credibilidade do site e tem grande potencial para afastar potenciais leitores, prejudicando assim a disseminação dos ideais libertários que é um dos objetivos do IMB. Afinal, numa sociedade como a nossa já é bem difícil convencer as pessoas das vantagens do liberalismo, e falar sobre anarquismo então pode até virar motivo de chacota...

    Espero que minha sugestão seja levada em consideração, mas seja qual for o caminho que vocês decidam seguir, continuarei sendo um leitor assíduo. Desejo muito sucesso a este site, que consiga atingir seus objetivos e trazer um pouco de luz a essa sociedade tão obscurecida pela ingnorância. _o/

  • Leandro  11/12/2012 23:47
    Prezado Henrique, agradecemos muito as palavras. No entanto, permita-me algumas discordâncias e alguns esclarecimentos.

    Antes de tudo, você precisa ter em mente que a defesa do anarcocapitalismo passa invariavelmente pela defesa da autonomia de estados em relação do governo federal, de cidades em relação ao governo estadual, de municípios em relação à capital estadual, dos bairros em relação à prefeitura, do indivíduo em relação ao bairro. Ninguém em sã consciência pode querer "impor" anarcocapitalismo para ninguém. Um catarinense pode querer se separar de Brasília, mas ele não pode obrigar um acreano a fazer o mesmo.

    Logo, a "implementação" do anarcocapitalismo não é algo que sai do zero (estado atual) ao infinito (estado final) de uma só vez; há várias etapas impossíveis de serem puladas. Não faz sentido advogar o fim do estado brasileiro de hoje para amanhã. Antes, é necessário haver federalismo, com cada estado se separando do jugo de Brasília. A partir daí, cada estado decide o que faz. Sendo assim, e considerando o atual tamanho do estado brasileiro (40% do PIB), não faz o mais mínimo sentido atacar qualquer ideia anarcocapitalista. Não há absolutamente nenhuma indicação de que estejamos nos movendo sequer um centímetro para perto deste modelo. Pode ficar descansado.

    Portanto, permita-me a sinceridade, mas você criou um espantalho, atacou esse espantalho, e imaginou estar batendo num argumento genuíno e incontestável.

    Dois outros pontos merecem rápida consideração:

    1) Você diz que o anarcocapitalismo é insustentável e levaria ao ressurgimento do estado. Ora, então, segundo você próprio, o pior que pode acontecer é voltarmos exatamente para onde já estamos -- algo bastante questionável porque, mesmo que seu raciocínio fosse verdadeiro, o próprio ressurgimento do estado seria algo bastante moroso, o que daria às pessoas um grande período de tempo para viver em um ambiente de estado pequeno. Você, como defensor do estado mínimo, deveria portanto apoiar essa iniciativa.

    2) E se todas as pessoas estiverem armadas? Onde e como seria estabelecido o poder central? Quem iria obrigar a população de uma cidade ou de todo um estado se sujeitar a um poder centralizado e distante?

    Por fim, embora já faça um bom tempo que parei de discutir essas coisas (estou mais preocupado com coisas mais urgentes, como destruição do poder de compra da moeda, protecionismo, impostos e regulamentações que sufocam o empreendedorismo), nunca deixei de me impressionar com a agressividade com que anarcocapitalistas são atacados por pessoas que, logo em seguida, juram se tratar de um movimento completamente insignificante, ao qual não deve ser dada a mais mínima atenção. Quanta contradição.

    Se o anarcocapitalismo é uma utopia inofensiva e sem a mínima chance de concretizar, por que minarquistas, social-democratas e socialistas lhe dedicam tanto ódio? Você, por exemplo, deveria estar atacando ideais socialistas e social-democratas, e não pedindo para pessoas deixarem de levar ideias anarcocapitalistas a sério.

    Grande abraço!
  • TL  19/12/2012 00:44
    Leandro,

    concordo plenamente com você a respeito do anarcocapitalismo estar muito distante da realidade brasileira e sobre existir uma agenda mais urgente (intervencionismo, impostos e regulamentações).

    Fiquei interessado na etapa intermediária, o Federalismo. Você pode indicar artigos do IMB que tratam do Federalismo, caso existam?
  • Leandro  19/12/2012 01:17
    Federalismo nada mais é do que secessão do governo federal. Ou, no mínimo, a redução total do poder deste sobre os estados.

    Há algum tempo, escrevi um artigo leve e em tom um tanto cômico a respeito de como seria a transição para o federalismo (nota: o artigo é bastante moderado, pois pede apenas a redução máxima do governo federal):

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=285

  • Henrique  12/12/2012 18:39
    Caro Leandro, primeiramente obrigado pelas considerações, também gostaria de dizer que gosto muito de seus artigos, são bastante claros e didáticos.

    Mas acredito que fui mal interpretado. Não vim aqui para atacar o anarcocapitalismo, apenas considero que o anarcocapitalismo seria um passo além do Estado mínimo e, como tal, poderia ser deixado para depois, minha crítica aqui é à estratégia utilizada.

    Minha sugestão trata de se concentrar em um objetivo mais imediato em vista de tentar atingir um objetivo maior posterior, da mesma forma que se ensina equações de primeiro grau antes de se ensinar as equações de segundo grau, evitando tentar dar um passo maior do que as próprias pernas (ou pelo menos maior do que as pernas de quase a totalidade da população), ou seja, tratar de anarcocapitalismo com pessoas que sequer conhecem os ideais libertários poderia afastá-las mesmo dos ideais libertários (da mesma forma que tentar ensinar equações de segundo grau para pessoas que sequer entendem as equações de primeiro grau pode fazer com elas desistam da matemática)... Seria necessário primeiro acostumá-las a esses ideais, disseminá-los até mesmo à moda do gramscismo, para posteriormente apresentar-lhes um segundo passo rumo à liberdade... E falo isso por experiência própria, pois já recomendei esse site a vários amigos que até simpatizaram com as idéias, a princípio, mas não quiseram se aprofundar justamente porque deram de cara com o anarcocapitalismo (uma idéia, convenhamos, bastante radical para quase todos), ou seja, vários potencias leitores que se perderam pelo caminho, que se desistiram de Mises graças a Rothbard...

    Como você mesmo disse: "Logo, a "implementação" do anarcocapitalismo não é algo que sai do zero (estado atual) ao infinito (estado final) de uma só vez; há várias etapas impossíveis de serem puladas." Nesse sentido, a estratégia seria acostumar as pessoas a imaginar um mundo melhor (com um Estado cada vez menor) para então elas poderem imaginar um mundo muito melhor (sem Estado)...

    Espero ter sido mais claro dessa vez.
  • Típico Filósofo  23/12/2012 22:21
    10 fortes motivos pelos quais uma sociedade libertária é indesejável:

    1. Por definição. Uma sociedade sem coerção será sempre direcionada para que indivíduos coloquem suas prioridades acima da dos outros. O egoísmo é letal, destrói todas as relações humanas e qualquer tentativa de criar uma civilização. Pelo egoísmo, o homem apenas visará o lucro e tal atitude reduzirá a qualidade do serviço, os salários dos trabalhadores e o tornará menos acessível aos mais pobres. Por que? Gastos - Ganhos = Lucro. |||

    2. Porque o Estado existe pela promoção da Igualdade e esta deve ser sua sacra-função. Vide Rawls. Sem justiça social e sem caridade, os pobres ficarão sob a mira do mercado. A África é um exemplo do que ocorre quando o estado não protege a população carente. Impostos são bons para o pobre porque ele recebe muito mais do que é arrecadado que o rico. Lutar contra os mesmos demonstra claramente puro conflito de classes. Sem impostos, nunca haverá educação pública de qualidade; sem educação pública de qualidade, jamais haverá igualdade e progresso ao proletariado e o poder da burguesia ficará consolidado. Entendem o conflito de classes agora?

    3. Porque a caridade não compensa as incontáveis necessidades humanas. Citando o maior pensador brasileiro que já existiu(Paulo Freire): "Eu sou um intelectual que não tem medo de ser amoroso, eu amo as gentes e amo o mundo. E é porque amo as pessoas e amo o mundo, que eu brigo para que a justiça social se implante antes da caridade." Justiça Social é NECESSÁRIA. Vá à Europa, por exemplo, pagar 10 euros por um atendimento médico é ótimo. Qualquer indivíduo que disser o contrário estará tendo pouca compaixão(Lembrem-se, somos TODOS seres humanos e por isso precisamos proteger uns aos outros) ou simplesmente não sendo pragmático. O sistema de saúde completamente privado seria terrível, em especial para o proletariado.

    4. Porque indivíduos diferentes não se uniriam. A única forma de eliminar o preconceito é através de um sistema de cotas implementado na sociedade e a criminalização da discriminação. Para isso, é preciso coerção. A Dilma sendo presidente, por exemplo, é um sucesso feito completamente pelo sistema de cotas implantado na política. Justificando: Eu disse acima que a meta do estado é a igualdade.

    5. Para proteger indivíduos incapazes de fazer o mesmo. Em países como Reino Unido e URSS, por exemplo, coube ao estado proteger órfãos e os mesmo fizeram um excelente trabalho. Pessoas abandonadas, presidiários, sem-teto, drogadas, etc; também precisam da proteção estatal. Mesmo Mises reconhece que o sistema presidiário não pode ser gerido pelo mercado.

    6. Por causa da criança. A criança não pode ficar a mercê da doutrinação promovida pelos pais. O futuro é importante demais para ser delegado à família. Uma forma ideal de preparar as novas gerações seria isolá-las em um local de liberdade e aprendizado. Paulo Freire apoiaria, pois não basta você ensinar algo na escola e a sociedade desvirtuar o ensinamento, transformando-o em mais consumismo. Pais são incapazes de dizer "Não" a seus filhos sem sofrer e, infelizmente, a propaganda infantil induz as crianças ao consumismo; o que causa enorme dor e sentimento de inferioridade a todos.

    7. O mercado não se sustenta por si só, gera crises e violência. Vide as guerras mais sangrentas da história, ambas causadas visando matéria prima e mercado consumidor. Sem falar da colonização da África, feita por empresários com metralhadoras eliminando os nativos indefesos. Para as crises, basta lembrar que a pior crise da história(A de '29) foi causada pelo liberalismo econômico assim como a crise de '70. Para mais, recomendo o brilhantíssimo manifesto da UNICAMP contra o fim do Welfare State europeu.

    8. Legislação trabalhista. Em uma sociedade onde o egoísmo é institucionalizado, os patrões, capitalistas gananciosos da burguesia, JAMAIS teriam perdão com seus empregados. Salário mínimo e encargos trabalhistas são a única forma de proteger os pobres contra os burgueses. Por favor, todos sabemos que a ganância do patrão é a única variável que determinaria o salário.
    (Reconheço os esforços de alguns autores burgueses do instituto, em especial o senhor George Reisman, em combaterem encargos sociais. Reconheço também que muitos daqueles que participam desta comunidade pertencem à burguesia e defendem os interesses de sua classe, entretanto, peço que tenham compaixão com os mais pobres e leiam o seguinte artigo:
    www.vermelho.org.br/noticia.php?id_secao=2&id_noticia=159736)

    9. Regulação e Obsolescência. O mercado é simplesmente incapaz de executar auto-regulação. Se não fosse o estado, estaríamos consumindo substâncias cancerígenas 24h por dia sem saber. Seria uma tragédia inimaginável à saúde humana. O mesmo vale para o fast-food. As cadeias de restaurantes de comida processada nunca colocariam placas nutritivas se não fosse pela regulação do FDA. Se não fossem as agências reguladoras estatais, lâmpadas com oxigênio dentro estariam sendo vendidas feitas para quebrar. Ou seja, o sempre tão produtivo sistema capitalista estaria gerando desperdício de recursos, consumindo espaço p/ o lixo e o dinheiro dos consumidos(Não são eles quem deveriam estar sendo beneficiados?). Se não fosse o estado, empresas enormes sufocariam as menores e fariam com que consumidores comprassem produtos inferiores por maior preço. Discorda? Como competirá com a propaganda? Indivíduos são manipulados pelas mesmas para consumir. A qualidade um produto é irrelevante para seu sucesso.
    Assista ao filme: Criança, A Alma do Negócio.

    10. Desenvolvimento científico. Se o padrão de vida moderno é melhor que o do início do século XIX, foi por causa da ciência e não do mercado. Se não fosse o Estado, o homem jamais teria ido à Lua. Quantas invenções precisam ser listadas para sabermos que o investimento estatal em ciência é mais que necessário ao nosso bem-estar? O mercado, é claro, apropriou-se de muitas delas, mas, sua origem foi estatal e visando o bem comum. Uma sociedade de mercado, após tudo dito, é meramente um mundo de desperdício, escassez desnecessária e desigualdade inigualável(Pois apenas a coerção estatal poderia lutar pela justiça social).

    =====================================================================================
    Este comentário dedico em especial ao senhor Leandro Roque. Data máxima venia, o reconheço como profissional, entretanto, pertencemos a vertentes de pensamentos diferentes pois ele representa a burguesia e eu; o proletariado.

    E, como conclusão, apenas diria que poderia resumir todo o texto supra-escrito com a seguinte frase: O motivo pelo qual uma sociedade libertária é indesejável é meramente devido à busca pelo lucro ser o cerne de toda a estrutura social, em detrimento da compaixão pelo sofrimento humano. E isso, como dizia o melhor professor que já tive, Antônio Cândido(Repito seu nome pois ele sofreu críticas da última vez por ele ter fundado um partido para lutar pelos mais pobres, o PT), é uma brutalidade.
  • Eduardo R., Rio  26/01/2013 02:44
    Uma crítica a pensamentos de Hoppe.
  • anônimo  26/01/2013 08:47
    Você quer criticar, cole sua crítica aqui.
    Não to a fim de visitar um site desconhecido que pode estar cheio de virus.
  • Israel TL  19/02/2014 03:53
    O anarco-capitalismo previsto pelo autor se assemelha muito ao que ocorreu após a queda do Império Romano.

    Após a queda do Império Romano, as pessoas se organizaram naturalmente no sistema feudal, pois os mais fracos precisavam da proteção e da segurança que os mais fortes podiam oferecer, e esses últimos se beneficiavam de parte da produção dos seus protegidos. Até aí tudo bem também, é um arranjo natural e muito justo.

    Como visto, na ausência do Estado vigora a lei do mais forte. No liberalismo completo, com agências de segurança, vigoraria a lei do mais capaz. Assim, os melhores empreendedores teriam cada vez mais poder e capacidade de se defender e proteger seu patrimônio. Até aí tudo bem, ainda há justiça.

    A diferença essencial que haveria entre o anarco-capitalismo e o feudalismo é a existência de uma entidade que oferecesse um padrão de conduta moral aceito por todos, que no caso do feudalismo era a Igreja Católica. Como todos tinham os mesmos critérios morais, os acordos e relações eram respeitados, e o direito pôde se desenvolver para proteger o mais fraco de qualquer abuso do mais forte segundo valores aceitos por todos, ainda que respeitando as tradições específicas de cada povo.

    Na nossa época, quem definiria a conduta ética e moral dos cidadãos de um povo? Por menores que fossem os arranjos sociais, e ainda que todos se baseassem puramente na lei natural, relações essenciais entre as pessoas teriam percepções relativas a cada indivíduo. Assim, mesmo que houvesse um sistema judicial privado, os mais fortes simplesmente não aceitariam qualquer decisão que os prejudicasse. Por sinal, para haver um foro privado ambas as partes interessadas haveriam de entrar em acordo por qual seria o juiz, e quando um fraco precisasse de justiça contra um forte, este simplesmente não aceitaria qualquer juiz escolhido pelo fraco (quando falo forte e fraco, entenda-se também rico e pobre).

    Portanto, embora concorde que o liberalismo é muito melhor que qualquer social-democracia, comunismo, etc., e embora eu também creia que o Estado é uma entidade essencialmente parasita, ainda penso que seria essencial haver um governante - preferencialmente um rei - que mantivesse o povo unido em torno de um mesmo código moral - preferencialmente o católico, que é imutável.
  • Daniel Dias  08/09/2014 06:47
    Anarquia é uma ideia tão louca quanto o comunismo, muito bonito no papel, mas só isso. Quando vocês vão entender que quem vai limitar o poder do Estado é a própria sociedade? Se ficarmos cegos e jogados no sofá o dia inteiro o governo vai se atribuindo mais e mais poder. Porém o governo é criado pela sociedade e para a sociedade, achar que o governo(democrático) é uni potente(um super mal governo que rouba as pessoas e faz todos viverem sobre sua lei tirânica, como muitos liberais o consideram) é ridículo, quando a sociedade não gostar de para onde o governo está indo é ela que tem o dever de corrigir o curso, por meio da força em alguns casos.
  • Andre Cavalcante  08/09/2014 16:31
    Não Daniel Dias,

    O comunismo não é bonito nem no papel. Simplesmente não funciona de jeito nenhum. As leis econômicas não o permitem. E todas as tentativas de colocarem algo parecido com as ideias comunistas em prática redundaram em mortes, milhões delas.

    Já o anarquismo é o estado natural do ser humano: é a vida em sociedade nua e crua - as leis vão surgir necessariamente dos conflitos que tal vida em sociedade vai gerar. Portanto ela não somente é boa no papel como também podemos fazer um paralelo da teoria com a vida real.

    Já a intervenção estatal: essa sim é um processo louco e que nasce não porque "ficamos no sofá", mas justamente ao contrário, quando "saímos do sofá" e começamos a nos meter na vida dos outros com ares de superioridade - é o início da inveja, do orgulho e do despotismo. Daí é um passo para um arranjo em que me acho melhor que o outro e que, por isso, o outro não sabe lidar consigo mesmo, mas eu sei. Logicamente, eu tenho que ditar as regras. O passo seguinte é eu me juntar com alguns que concordem comigo e forçar os outros a fazer o que eu acho correto. Para manter a turma acoada com o meu despotismo eu invento umas justificativas malucas para o meu orgulho - no início era: "sou filho dos deuses", depois: "tenho sangue nobre", agora: "represento a maioria".

    Por último, a sociedade não gosta, não acha, não faz nada. Quem gosta, acha ou faz algo é uma pessoa. Sempre!


  • Silvio  08/09/2014 19:07
    É sempre bom esclarecer que comunismo é feio até no papel. Quem duvida disso, que leia o artigo de Olavo de Carvalho chamado "Monstros", o qual contém diversas citações fofas da turma comuna:

    www.olavodecarvalho.org/semana/080228jb.html
  • anônimo  08/09/2014 13:42
    OFF - Topic:

    www.gazetadopovo.com.br/vidaecidadania/conteudo.phtml?tl=1&id=1497127&tit=Unidos-do-quarteirao

    Isso é pra quem diz que sem governo não haverá segurança e já imaginaram se as pessoas pudessem portar armas?
  • Emerson Luis, um Psicologo  19/10/2014 16:33

    "Fim da História" e a consequente chegada do "Último Homem" não se referia à social-democracia, mas sim à democracia liberal e tecnológica, o melhor sistema que o ser humano imperfeito pode produzir.

    * * *
  • anônimo  05/02/2015 21:56
    O liberalismo está em declínio? Nada mais falso. O liberalismo é adotado politicamente e economicamente na esmagadora maioria dos países ocidentais. Tanto a esquerda quanto a direita cederam e abraçaram o liberalismo de corpo e alma.
  • Antônimo   06/02/2015 02:50
    Ahan. Agora conta uma de português. E depois uma de anão.
  • anônimo  06/02/2015 06:36
    O que eu falei não é piada é uma realidade. Basta observar como o ocidente era antes das revoluções liberais dos séculos XVII, XVIII e XIX para perceber que hoje o mundo ocidental é majoritariamente liberal. Vamos aos fatos:

    No Ancien Régime os estados eram confessionais (tinha uma religião oficial), hoje a maioria é laica (sem religião oficial).

    No Ancien Régime o rei e o estado tinham poderes absolutos, hoje há constituições que dividem (tripartição dos poderes) e limitam os poderes do rei e do estado.

    Hoje as monarquias e repúblicas ocidentais são constitucionais, parlamentares ou presidencialistas, ou seja, autênticas democracias liberais ou representativas.

    Há também o reconhecimento, o respeito e a defesa dos direitos humanos na maioria do ocidente (no século XVIII os direitos humanos eram chamados de direitos do homem ou naturais).

    No Ancien Régime havia privilégios e uma clara hierarquia social, hoje todos são cidadãos e há igualdade perante a lei.

    No Ancien Régime havia censura de opinião, de livros e da imprensa, hoje a liberdade de expressão e de imprensa são respeitadas na maioria dos países do ocidente.

    Como podemos ver que no campo político houve um triunfo quase que total do liberalismo clássico no ocidente. Já no campo econômico também houve o triunfo do liberalismo clássico, mas no século XX ele foi substituído pelo liberalismo social de John M. Keynes e John S. Mill, que tem inclinações mais igualitárias, assistencialistas e intervencionistas que o liberalismo clássico.

    Hoje em dia a maioria dos direitistas e esquerdistas acreditam e defendem os valores criados pelo liberalismo clássico como por exemplo: estado laico, constituição, tripartição dos poderes, democracia liberal, direitos humanos, igualdade perante a lei, dentre outros. Atualmente são poucos os conservadores que criticam a democracia liberal e o estado laico ou os socialistas que defendem a ditadura do proletariado ou a estatização dos meios de produção.

    Hoje os socialistas só diferem do liberalismo clássico no campo econômico, pois hoje também abraçaram o intervencionismo e assistencialismo do liberalismo social de Keynes. E os conservadores só diferem do liberalismo clássico no campo moral, pois são contra o "casamento"gay, descriminalização das drogas e do aborto no resto concordam com tudo.

    Como eu havia dito tanto a direita quanto a esquerda cederam e abraçaram o liberalismo.

    Não é o liberalismo que está em declínio, mas é o ocidente. E o ocidente só está em declínio por culpa do liberalismo clássico.
  • Antônimo  06/02/2015 12:21
    Cidadão, liberalismo clássico se refere à economia, e não a questões civis e sociais. Aprenda a discernir o básico antes de ruminar besteira.
  • anônimo  06/02/2015 15:03
    Antônimo,

    Não, o liberalismo clássico também envolve questões políticas sim! Basta você ver que vários pensadores como John Locke, Montesquieu e os Pais Fundadores Americanos não eram economistas, não escreveram nada sobre economia, mas são reconhecidos como liberais clássicos pelas suas defesas da liberdade individual, do governo constitucional democraticamente eleito, da igualdade perante a lei, do estado mínimo e etc.
  • Antônimo  06/02/2015 15:17
    A defesa de coisas como liberdade individual, igualdade perante a lei e estado mínimo significa, no contexto liberal-clássico, uma defesa da soberania econômica do indivíduo.

    Os liberais clássicos nada tinham para falar sobre casamento gay ou descriminalização do aborto (sobre descriminalização das drogas, todas as drogas eram livres naquela época). Liberalismo clássico é uma posição que defende a soberania do indivíduo, a não libertinagens. Informe-se melhor.
  • anônimo  06/02/2015 16:19
    "A defesa de coisas como liberdade individual, igualdade perante a lei e estado mínimo significa, no contexto liberal-clássico, uma defesa da soberania econômica do indivíduo."

    Sim, o liberalismo clássico sempre olhou para quase tudo de maneira materialista/economicista, sempre pensando no que cria mais riqueza material.

    "Os liberais clássicos nada tinham para falar sobre casamento gay ou descriminalização do aborto (sobre descriminalização das drogas, todas as drogas eram livres naquela época). Liberalismo clássico é uma posição que defende a soberania do indivíduo, a não libertinagens. Informe-se melhor."

    Sim, de fato o liberalismo clássico não defende libertinagem, mas hoje muitos dos liberais, principalmente os mais jovens, defende todo o tipo de progressismo seja ele feminista, gayzista, abortista e etc.
  • Miqueias  06/02/2015 19:12
    A questão é: quem tem/tinha mais poder, o estado moderno ou a antiga monarquia absolutista.

    O poder pode não estar concentrado na mão de uma única pessoa, mas se você considerar o estado como um todo, vai ver que ele tem poder e anela controlar tudo:

    No Brasil, por exemplo o estado controla:

    Como uma criança vai nascer.
    O que a criança vai aprender.
    Quando ela deve começar a aprender.
    Como os pais devem educa-lá moral e intelectualmente.

    Que bens podem ser produzidos.
    Como eles podem ser produzidos.
    Onde eles podem ser produzidos.
    Quanto deve-se pagar para quem participa da produção de uma determinada mercadoria.
    Quem pode participar da produção da mercadoria.

    Que produtos se pode vender.
    Como eles podem ser vendidos.
    Onde eles podem ser vendidos.
    Quem pode vender.
    E em muitos casos, por quanto se pode vender.

    O que se pode construir.
    Onde se pode construir.
    Como se deve construir.

    Que serviços podem ser oferecidos e contratados.
    Quem pode oferece-los.
    Como eles devem ser oferecidos.
    E, em muitos casos, por quanto eles podem ser oferecidos.


    E no processo de produção dos bens e serviços o estado sempre fica com algo em torno de 50%.

    Ah, e o estado também controla quem entra e quem sai do pais. E o que entra e o que sai.

    Para um monarca absoluto, exercer todo esse controle era quase inimaginável.

  • Rennan Alves  06/02/2015 11:28
    Então, se a "esmagadora maioria" dos países ocidentais implementam o liberalismo "politicamente e economicamente" como você afirma, suponho que tenha em mãos a lista destes países tal qual as políticas implementadas.

    Poderia apresentar para nós estes dados? Não deve ser muito difícil já que você afirma com tamanha convicção.
  • Pobre Paulista  06/02/2015 12:28
    É uma nova forma de liberalismo, onde todos são livres para realizar as vontades do estado, entendeu?

    Larga a mão de ser cricri! Vivemos o ápice do liberalismo, Hurray!
  • anônimo  06/02/2015 15:36
    Politicamente:

    EUA, Brasil, França, Suíça, Países Baixos, Austrália, Nova Zelândia e vários outros países ocidentais são estados laicos, democracias representativas, há constituições que defendem os direitos humanos, a igualdade perante a lei, a limitação e divisão dos poderes do estado e etc. Tudo isso representa o liberalismo político que foi criado pelos filósofos iluministas.

    Economicamente:

    Hoje nos países ocidentais se adota economicamente e socialmente o liberalismo social de John M. Keynes, ou seja, igualitário, intervencionista e assistencialista
  • Guilherme  06/02/2015 16:25
    Ah, que lindeza. Uma coisa é liberalismo, e seu exato oposto também é liberalismo. Mises era liberal e Keynes também. Assim, realmente, tudo é liberalismo.

    Aliás, parece até aquecimento global: se faz muito calor, é aquecimento global. Se o frio é intenso, é aquecimento global. Se chove muito, é aquecimento global. Se chove pouco, aquecimento global.
  • Rennan Alves  06/02/2015 19:32
    Anônimo, pedi a lista de todos os países ocidentais com suas respectivas políticas liberais. Você me apresentou 7, a designação "vários outros países" e o modelo de governo (sendo 3 deles uma monarquia constitucional).

    Se o liberalismo está mesmo tão presente quanto você afirma, então, consequentemente, todos eles estão política/economicamente semelhantes aos EUA no final do século XIX.

    Obs: Creio que você esta confundindo conceitos, provavelmente porque que o termo "liberalismo" foi apropriado pelos social-democratas ao longo do tempo, transformando-o nisto. Suspeito, porque você atribui o termo "liberalismo social" a Keynes, cuja teoria é totalmente contraditória com o liberalismo.
  • anônimo  07/02/2015 01:49
    Interessante os artigos que você indicou. Historicamente essas questões ficaram mais claras e com mais sentido pra mim.

    Mas ainda tenho uma duvida, porque os sociais-democratas ainda defendem valores criados pelo liberalismo político como estado laico, democracia representativa, constituição, direitos humanos, igualdade perante a lei dentre outros.
    Pelo que entendi os sociais-democratas não são liberais, mas porque eles defendem esses valores?
  • Rennan Alves  10/02/2015 14:41
    "Mas ainda tenho uma duvida, porque os sociais-democratas ainda defendem valores criados pelo liberalismo político como estado laico, democracia representativa, constituição, direitos humanos, igualdade perante a lei dentre outros."

    Os motivos são vários: conveniência, apelo popular, facilmente aceitável a época, etc. Pessoalmente, eu diria que eles realmente concordavam com estes valores, assim como os socialistas/marxistas/fascistas/nazistas concordavam.

    A diferença é apenas conceitual: enquanto o liberalismo defende um estado pequeno (alguns defendem sua inexistência, outros aceitam um estado religioso), as demais correntes de pensamento defendem um estado imenso para "garantir" estes valores.

    Não basta olhar apenas os valores, e sim para o modus operandi. Exemplificando: tanto o liberalismo(1) quanto o socialismo(2) e a social-democracia(3) pregam diminuição da pobreza. Todos possuem um estado laico, democracia representativa, constituição, direitos humanos e igualdade perante a lei. Para reduzir a pobreza:

    1 - O liberalismo propõe liberdade econômica e contratual, a ausência do estado nas relações de mercado.

    2 - O socialismo propõe que os bens de capital (alguns ou todos) pertençam ao estado para que a redistribuição seja justa.

    3 - A social-democracia propõe que o estado deva regular e administrar o mercado, implantando leis e agências para proteger a população de abusos.

    Se você analisar o XIX - XXI pelo modus operandi dos países, perceberá o porque da afirmação do Hoppe no primeiro parágrafo.

    Aqui vão mais alguns artigos:

    O mito do Estado Liberal do século XIX

    Keynes e a economia keynesiana

    A primeira guerra mundial e o fim do século burguês
  • chinês  27/04/2016 22:54
    Leandro 17/02/2011 14:30:42

    Thiago, o ponto do Fernando é o seguinte: quando se quer invadir um país e tomar seu poder, a medida primordial do invasor deve ser a de assumir o controle de pontos estratégicos. O ponto estratégico de todo e qualquer país invadido sempre será a sede central do seu governo.

    Porém, como fazer isso em um país/estado/cidade com várias administrações independentes? Que ponto você vai tomar para hastear a sua bandeira?


    Pergunte aos comunas chineses. A China antes de 1949, era toda fragmentada. Embora o governo central estava nominalmente no controle de todo o país durante aquele período, grandes áreas da China permaneciam sob o governo semi-autónomo de senhores da guerra locais (líderes militares provinciais).


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