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Facebook, Twitter, YouTube e as revoluções árabes

O ditador da Tunísia foi derrubado em menos de um mês após estar no poder por 23 anos.  Não há dúvidas sobre como os oponentes de seu regime conseguiram derrubá-lo.  Duas palavras descrevem tudo: Facebook, Twitter.  Essas duas redes sociais permitiram que os manifestantes tomassem as ruas, organizassem a oposição, recrutassem novos manifestantes e sobrepujassem as forças policiais e militares.

Não há dúvidas de que, caso o governo tivesse optado por utilizar metralhadoras para reprimir os protestos, ele provavelmente teria conseguido suprimir a rebelião.  E se ele tivesse combinado metralhadoras com o fechamento completo da internet, ele teria conseguido aniquilar os protestos, literalmente e digitalmente.  Porém, para conseguir fazer isso, o regime teria de ter agido de modo extremamente rápido, e tal medida certamente geraria uma ampla condenação internacional.  Ademais, isso teria criado uma oposição permanente, pronta para se rebelar novamente.

Hoje, as forças de oposição estão conectadas, mas ainda não estão organizadas.  Isso nunca aconteceu antes na história do mundo.  As massas podem se comunicar instantaneamente com outras pessoas de ideias iguais.  O preço? Um computador e uma conexão de internet.

Nos bons e velhos tempos da União Soviética, ainda na década de 1960, os líderes teriam aplicado aquele grau de força sem hesitar um minuto.  Porém, não estamos mais na era da União Soviética.  Estamos vivendo a era digital, e praticamente nada pode ser mantido escondido do público por muito tempo.  Se um tirano é fraco, isso rapidamente se torna conhecimento geral.  Há poucos Golias e vários Davis online.

É o poder das redes de comunicação, em conjunto com a prontidão e a disposição dos manifestantes em tomar as ruas, que pode gerar um período de crise para todo e qualquer regime autocrático do planeta.  Os autocratas viram, em janeiro de 2011, que é difícil controlar protestos inorgânicos — isto é, não organizados.  A organização não veio de algum grupo pequeno que poderia ter sido infiltrado por agentes do estado ou mesmo suprimido.  O que houve foi algo mais próximo de um protesto espontâneo do que qualquer outra manifestação já vista em tempos modernos.

A capacidade das redes sociais de organizar um protesto praticamente da noite para o dia, em decorrência de pessoas de crenças e comprometimentos similares estarem em comunicação estreita entre si, alterou completamente a natureza da resistência política e das revoluções.  Esse sistema de revolução derrubou uma ditadura no Oriente Médio em menos de um mês.  Acabamos de entrar em um novo período de resistência política.

Uma Revolução Barata

Do ponto de vista econômico, isso é fácil de explicar.  Quando o custo de uma mobilização política cai, a demanda por ela aumenta.  Quando as pessoas conseguem mobilizar milhares de manifestantes sem fazer uso de qualquer agência de comando central e sem ter qualquer organização que possa ser infiltrada e subvertida, elas ficam na posição de impor enormes danos políticos a qualquer regime existente, desde que o regime de fato seja corrupto, tirânico e odiado.  Quando um ditador consegue controlar a sociedade por 23 anos, e recebe 89% dos votos em uma eleição, pode estar certo de que ele é odiado.  O regime é corrupto.  Em uma sociedade democrática, nada se mantém esse tempo todo com 89% de apoio.

A revolta que está ocorrendo no Egito é resultado direto do sucesso da revolta na Tunísia.  As redes sociais estão novamente no centro da revolta.  Há uma revolta similar ocorrendo no Iêmen.  Por todo o mundo árabe, está se tornando óbvio que os manifestantes possuem uma ferramenta disponível que os permitirá causar enormes desconfortos para os regimes tirânicos da região.

Os regimes locais estabeleceram sistemas de controle, inclusive controle de ideias, baseando-se no preço das comunicações na era da mídia impressa.  Eles podem controlar o papel, a tinta e a distribuição.  Mas eles não têm como controlar as comunicações via internet sem fecharem por completo a internet.  Foi isso que o Egito fez na sexta-feira, 28 de janeiro.

Como o Egito possui menos de uma dúzia de grandes provedores de acesso à internet, o governo conseguiu fechar a internet de uma só vez.  O governo também fechou as comunicações de telefonia fixa em algumas regiões do país.  Isso não foi simplesmente um ataque à internet.  O governo teve de fechar o acesso a outras formas de telecomunicação.

A dificuldade enfrentada pelo governo é óbvia: ele não pode continuar proibindo o público em geral de utilizar a internet e os serviços de telefonia fixa.  A economia moderna está se tornando crescentemente dependente da internet.  Ela já se tornou altamente dependente do sistema de telefonia.  Não é possível para qualquer governo intervir na entrega de serviços de comunicação sem com isso criar enormes problemas para a economia.  Qualquer governo que tentar fazer isso por um longo período verá suas receitas tributárias despencar, mais pessoas se indispor com as políticas do governo e mais oportunidades para que desordeiros aumentem a quantidade de problemas.  Em algum momento, o governo terá de restabelecer os serviços de internet e os serviços de telefonia fixa.  Será nesse momento que ele provavelmente irá enfrentar uma população ainda mais enfurecida do que quando os protestos começaram.

Os governos do mundo estão entre a espada e a parede.  Se eles permitirem que a internet continue funcionando livremente, e se as redes sociais continuarem eficientemente recrutando pessoas para irem às ruas, um governo corrupto irá enfrentar uma crise em agravante intensidade.  Sua legitimidade será questionada, e a única maneira de restaurar a ordem sob essas condições é atirando nas pessoas.  Gás lacrimogêneo não está mais funcionando.

Eis um vídeo dos distúrbios no Cairo.  Um veículo blindado do governo estava percorrendo as ruas, e ele estava disparando bombas de gás lacrimogêneo.  As pessoas não apenas não estavam prestando nenhuma atenção no veículo, como também chutavam os tubos de gás lacrimogêneo para áreas onde não havia manifestantes.

Quando eu era estudante do ensino médio, estive presente a uma demonstração em que uma suave quantidade de gás lacrimogêneo era disparada.  A demonstração foi feita por um policial da comunidade.  Ele tinha um recipiente de aerossol contendo gás lacrimogêneo, e o botão foi pressionado por apenas alguns segundos.  Nós estávamos a uns 3 metros de distância, e a sensação foi bastante desagradável.  Eu não consigo imaginar como alguém consegue ficar nas ruas quando a polícia está disparando bombas de gás.  Porém, foi exatamente isso que vi no vídeo.

Os governos agora tornaram-se temerosos de utilizar metralhadoras, com medo da condenação internacional.  Dezenas de pessoas estarão filmando o evento e imediatamente transferirão as imagens para um satélite, que irá espalhá-las pelo mundo em questão de segundos.  O baixo custo das telecomunicações está possibilitando aos manifestantes expor as políticas de seus governos para que todo o mundo possa vê-las.

Universalmente, governos não querem nenhuma exposição daquilo que estão fazendo.  Eles querem controlar o fluxo de informação, e querem poder manipulá-la rapidamente.  Porém, eles não podem fazer nenhuma dessas duas coisas quando a internet está operante, pois as imagens são enviadas muito rapidamente, e capturadas pela imprensa mundial instantaneamente.  Governos não podem manipular informação visual.  Assim, eles ficam encurralados naquela situação atribuída a Groucho Marx, quando ele virou-se para uma pessoa que havia interrompido seu encontro com uma mulher atraente e perguntou: "Em que você vai acreditar?  Em mim ou em seus olhos?"

O fato que está ocorrendo agora nos países árabes indica que toda aquela região está vulnerável a mais atos de resistência revolucionária.  A rede de telecomunicações é bem desenvolvida em todas aquelas nações, e as pessoas que a utilizam são qualificadas e esclarecidas.  Elas possuem dinheiro suficiente para se conectarem a internet.  Muitas delas são pessoas com diplomas universitários.  Pior ainda: são pessoas diplomadas e desempregadas.  Elas entendem como funcionam essas mídias.  Elas estão interligadas por meio de redes sociais com milhares de outras pessoas similarmente desempregadas e igualmente qualificadas.  Intelectuais desempregados e jovens sempre foram uma ameaça para tiranos já estabelecidos.  Eles formam a fatia da população que não tem quase nada a perder, e que pensam que têm muito a ganhar ao tomarem as ruas.  Quando não são reprimidos rapidamente, eles se tornam ainda mais ousados.  Eles assumem que nada pode detê-los, pois gás lacrimogêneo e balas de borracha não são uma ameaça tão grande.

Quando pessoas ao redor do mundo podem ver manifestantes nas ruas, isso encoraja e estimula milhares de outros insatisfeitos.  Há uma certa segurança nos números.  Quando elas podem ver na televisão ou na internet que há milhares de pessoas nas ruas protestando, elas pressupõem que irão ganhar um certo grau de invisibilidade e anonimato se se juntarem aos protestos.  Assim, elas deixam a segurança de suas casas e se juntam aos protestos.  Por causa das redes sociais, isso pode ocorrer tão rapidamente que os burocratas do governo tornam-se incapazes de reagir rápido o suficiente para obstruir o movimento.  Quando eles se dão conta, já há milhares de pessoas nas ruas.

As redes sociais podem se tornar um risco caso a revolta fracasse em derrubar o atual regime.  O governo poderá então utilizar a internet para rastrear aquelas pessoas que foram as ativistas nos estágios iniciais da revolta.  Não há como esconder retroativamente suas comunicações no Twitter e no Facebook.  O governo irá descobrir quem mandava as mensagens, e será capaz de rastrear a difusão dessas mensagens utilizando justamente a mesma tecnologia que permitiu aos manifestantes iniciais recrutarem milhares de voluntários.  Porém, quantos a polícia pode prender?  Havia manifestantes demais para serem presos.

As pessoas a quem o governo terá de investigar são altamente instruídas, e possuem dinheiro suficiente para terem um computador e estarem conectadas à internet.  Elas são exatamente o tipo de gente que o governo não quer irritar.  Elas possuem conexões, têm dinheiro e tempo de sobra.

Quando se fala de milhares de manifestantes indo para as ruas, estamos falando de um protesto sem qualquer organização.  Você não pode interromper uma organização quando você não pode controlar um punhado de líderes dessa organização.  O sistema de redes sociais permite uma rápida reação de protesto sem que haja qualquer cadeia de comando bem definida.  Não há de fato uma cadeia de comando.  Esse é justamente o ponto de uma rede social.  Ela é horizontal; ela não é vertical.  Para impedir que algo se espalhe, o governo tem de fechar completamente todo o sistema.

Uma Revolta Espontânea

Isso está mudando a natureza dos protestos sociais.  Isso finalmente produziu uma situação na qual a velha retórica dos revolucionários é verdadeira: a revolução é um trabalho espontâneo do Povo.  Não há um grupo clandestino de conspiradores que estão organizando uma conspiração de tal modo que tudo pareça uma insurreição espontânea.  Governos podem lidar com esse tipo de organização revolucionária infiltrando agentes nessas organizações até o alto comando.  Eles fizeram isso por séculos.  Porém, quando a revolta é realmente resultado da difusão de comunicações retoricamente efetivas em um sistema descentralizado de telecomunicações, o governo é incapaz de impedi-la antecipadamente.  Ele não pode capturar os organizadores dias antes do grande plano ser executado.  Não há um grande plano, e o governo não tem tempo para reagir.

Por terem se mostrado capazes de acelerar o processo de mobilização, e por terem horizontalizado esse processo, os manifestantes conseguiram derrubar um regime e ameaçar mais dois em apenas um mês.  Eles conseguiram desafiar a atual estrutura política formada por burocratas experientes que mantêm o poder há décadas.  O ditador do Iêmen está no poder há 32 anos.  O ditador do Egito está no cargo há quase 30.  Ainda assim, as redes sociais deixaram esses regimes à beira da desintegração em questão de dias.  Como podem os governos mobilizar recursos para combater o inimigo, quando não há um inimigo claro a ser combatido?

Estamos, portanto, testemunhando uma alteração no equilíbrio de forças: o poder está sendo retirado do governo centralizado, o qual controla grande parte da mídia impressa do país, e indo para a grande massa das pessoas com dinheiro e computadores — pessoas que de modo algum dependem de papel, tinta e pasta para guardar notícias.  O governo pode reagir rapidamente quando se trata da velha mídia, mas não pode reagir com a mesma rapidez com que as redes sociais mobilizam tropas antigoverno.  O governo tinha a vantagem de ser mais veloz na época dos manifestos impressos.  Mas aquele mundo já era.

Assim, à medida que vemos os dígitos solaparem as bases das autocracias do Oriente Médio, podemos ir formando uma ideia do que pode estar por vir na próxima geração.  Todos os governos do mundo estão hoje ameaçados pelo poder visual dos protestos de rua.  Os protestos serão postados no YouTube em questão de minutos, sem poderem ser censurados pelos governos.

Nada disso existia seis anos atrás.  Durante os últimos cem anos, governos utilizaram dinheiro, técnicas de recrutamento, técnicas de propaganda e tudo o mais em termos de uma tecnologia em particular.  Essa tecnologia era a impressora.  Martinho Lutero criou uma revolução social e religiosa no norte da Europa ao utilizar panfletos e cartazes com desenhos há quase 500 anos.  Por quase cinco séculos, a tecnologia de comunicação não sofreu nenhuma mudança radical.  E então, sem qualquer aviso, o surgimento da internet começou a deslocar o equilíbrio de forças um pouco mais na direção dos cidadãos.  Com o advento das redes sociais, houve um avanço espetacular na capacidade dos manifestantes em registrar seus protestos publicamente, sem que não tenha havido nenhum avanço no tempo de resposta das autoridades.  As telecomunicações são instantâneas, e elas ocorrem sem nenhum custo marginal para os participantes.  Quando o preço das manifestações cai, passa a haver uma maior demanda por elas.  É isso que está ocorrendo hoje.

O único aparato de defesa contra isso é a pobreza extrema.  Por exemplo, não estamos vendo nada disso acontecendo no Zimbábue.  Praticamente ninguém possui um computador no Zimbábue.  Apenas os muito ricos possuem acesso à internet.  Porém, tão logo a concorrência de preços começa a derrubar o custo de se conectar à internet, um governo passa a enfrentar os tipos de eventos que vêm ocorrendo nas últimas três semanas.  Quando computadores já estão difundidos entre a população, e há uma ampla participação desta na internet, os recursos das redes sociais passam a ser uma enorme ameaça para o governo.

A Questão da Legitimidade

O que está em jogo é a legitimidade do governo.  Quando se torna óbvio para uma crescente minoria de intelectuais que o governo é corrupto, é apenas uma questão de tempo para que essas pessoas comecem a espalhar a notícia: o governo é ilegítimo.  A única maneira de um governo poder manter o controle é induzindo as pessoas a voluntariamente aceitar suas leis, regras e discursos oficiais.  Mas isso pode rapidamente parar de funcionar.

Um governo corrupto é visto como legítimo somente porque é extremamente caro fazer chegar a um grande número de pessoas, especialmente pessoas com educação e dinheiro, a notícia de que o governo é corrupto porém vulnerável.  Assim, a única maneira de um déspota sobreviver ao tipo de coisa que vem ocorrendo às autocracias do norte da África é ampliando poder político e oportunidades de emprego para a ampla maioria da população.  Governos capitalistas do Ocidente conseguiram fazer isso ao longo do século passado; as autocracias, não.  Elas são as formas de governo que mais estão em risco em decorrência da difusão da internet e das redes sociais.  Em outras palavras, a melhor maneira de se evitar a revolução hoje é já tendo criado um sistema de poder político em que um grande número de pessoas acredita que tem participação e voz efetiva no sistema.

O mundo árabe nunca fez isso.  Os líderes são aparentemente incapazes de fazer isso.  Eles terão de repensar toda a ordem política se quiserem evitar uma série de protestos semelhantes aos que vêm ocorrendo no último mês.  Eles terão de reformular seus sistemas de governo, caso contrário aqueles sistemas serão reformulados para eles.  Entretanto, uma autocracia que concede mais participação democrática corre o risco de sofrer exatamente a mesma violência revolucionária que esses três governos vivenciaram em janeiro.  O governo nunca se reformula suficientemente rápido e de modo amplo o bastante para satisfazer aquelas pessoas que estão clamando por reformas.  Tão logo fique claro que o governo está cedendo às demandas, os reformistas mais radicais e exigentes ficarão estimulados a crer que o sistema está se esfacelando, e com isso irão renovar seus esforços para derrubar o sistema.  Isso vem acontecendo desde a Revolução Francesa, pelo menos.  E vai se agravar.

Os governos conhecem e compreendem esse processo de crescente resistência em decorrência de reformas domésticas limitadas.  É por isso que eles relutam em conceder quaisquer tipos de direitos significativos para um grande número de pessoas.  Eles vêem esse processo como a ignição de um estopim que levará a uma incontrolável explosão.

Não há como uma sociedade, qualquer sociedade, crescer economicamente sem adotar a internet.  Esse é o futuro, e pessoas instruídas sabem disso.  Os governos árabes querem participar do crescimento econômico que está se propagando pelo Terceiro Mundo como resultado das telecomunicações.  Eles terão de permitir que seus cidadãos comprem computadores e se conectem à internet.

À medida que o preço de se fazer isso vai ficando menor, mais e mais pessoas vão aproveitando a oportunidade.  Isso traz dinheiro, entretenimento e várias das coisas boas da vida que milhões de pessoas por toda a face da terra sempre quiseram experimentar ao longo dos últimos 50 ou 100 anos, mas que nunca tiveram a oportunidade.  Assim, vemos a rápida escalada da difusão dessa nova tecnologia.  Ela traz benefícios para um grande número de pessoas, especialmente pessoas instruídas.  Entretanto, como vimos, a difusão dessa tecnologia cria resistência contra as políticas adotadas por essas nações autocráticas e até então muito pobres.  Quanto mais ricas essas nações se tornam, mais perigosos ficam seus intelectuais.

Não vejo salvação para os autocratas do mundo.  Um a um, esses homens serão desafiados por um crescente número de pessoas que hoje possuem os meios para ampliar a resistência.  Os recursos que geram crescimento econômico hoje constituem uma ameaça à sobrevivência de todos os regimes autocráticos.  Somente se os autocratas se tornarem demagogos tecnologicamente astutos poderão eles ter alguma esperança em mobilizar as pessoas que hoje possuem computadores e acesso à internet.  Eles terão de agradar diretamente a essas pessoas caso queiram evitar algum tipo de conflagração política doméstica.  Entretanto, eles não possuem as habilidades necessárias para mobilizar essas pessoas, pois isso nunca foi necessário no passado.  Governos podiam subornar intelectuais e também podiam controlar a difusão de ideias, pois eles possuíam o controle das estações de rádio e de televisão, bem como da imprensa.  Hoje eles estão perdendo o controle dessas três áreas.  Eles estão na defensiva no que concerne às mídias sociais.

Portanto, as técnicas de controle político desenvolvidas ao longo dos últimos 200 anos estão sendo suplantadas rapidamente por novas tecnologias que são tão baratas e acessíveis, que não há como os governos impedirem que elas se espalhem.  A Coréia do Norte pode impedir que elas se espalhem, obviamente; mas a Coréia do Norte é uma das nações mais empobrecidas e famélicas do mundo.  Qualquer país que feche a internet e as linhas de telefonia estará, com efeito, exibindo um cartaz que diz "Bem vindo à próxima Coréia do Norte".  Nenhum líder governamental quer fazer isso.

Conclusão

Do ponto de vista do conservadorismo tradicional, nos termos delineados há dois séculos por Edmund Burke, e também do ponto de vista do libertarianismo tradicional, delineado por Leornard Read, Ludwig von Mises e Murray Rothbard, o desenvolvimento das redes sociais é consistente com a teoria e benéfico para a expansão da liberdade.  A visão de mundo descentralizada de Burke, a visão de mundo descentralizada de Hayek e Mises, e a visão de mundo antigovernista de Rothbard são condensadas em uma só nas redes sociais, no YouTube e no e-mail.

A tecnologia digital, por ser competitiva em termos de preços, permeia a grande massa de indivíduos no Ocidente.  O acesso a ela é barato, e por isso ela é inerentemente descentralizada.  Cada indivíduo poder ter seu próprio jornal nesse novo sistema.  A capacidade dos governos em controlar a difusão de ideias não consegue manter o ritmo da capacidade da internet em permitir às pessoas comunicar suas ideias.  O sistema concorrencial tornou-se assimétrico.  Mas, desta vez, a assimetria não está a favor do governo; a assimetria está a favor dos cidadãos.  São eles que estão com o martelo.

Sim, é verdade que os governos podem temporariamente confiscar o martelo.  Eles podem fechar a internet.  Quer dizer, pelo menos os governos dos pequenos países do Oriente Médio podem fazer isso.  Mas, no mundo todo, a tendência é de descentralização do sistema de telecomunicações.  O governo que ousar interromper a difusão das telecomunicações está pedindo para perder a próxima eleição.

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autor

Gary North
é Ph.D. em história, ex-membro adjunto do Mises Institute, e autor de vários livros sobre economia, ética, história e cristianismo. Visite seu website

  • Angelo T.  01/02/2011 09:06
    Nas democracias os governos sabem como lidar com os protestos: deixam as pessoas gritarem nas ruas, descarregarem sua raiva. Depois essas pessoas voltam para casa e retornam a suas vidas normais.

    Quanto ao controle da internet, a tática é a do sapo escaldado: primeiro só uma regulamentação de leve, com "boas intenções", para pouca gente reclamar.
  • oneide teixeira  01/02/2011 11:10
    Os socialistas tem como argumento contra o capitalismo as externidades negativas dele como por exemplo trabalhadores sem qualificação seriam colocados a margem do desenvolvimento, parte dai suas convicções.
    ......
    A retórica altruista do socialismo encanta meio mundo, este éo principal argumento a ser derrubado.Não achi um texto especifico sobre este assunto somente indiretamente.
    ........
    Vejam minha luta contra os socialistas passei o texto "Produção versus consumo - a confusão que causa miséria" o retorno foi este.

    .............
    "A teoria producionista na verdade é o pilar econômico do comunismo, de fato, a propriedade coletiva dos meios de produção, o caráter tácito humanitário, solidário e autruísta deste regime torna viável o caráter produtivista da economia. Os meios de produção das entidades produtivista, por serem coletivos, têm a necessidade produtiva alinhada as reais capacidades de produção, e por ser coletiva, tem a real necessidade de atender ao interesse da coletividade. De fato, o homem não é visto como um dos recursos do meio de produção, e sim como o ser que irá usufruir da produção realizada por estes a seu próprio bel-prazer, mesmo que o homem trabalhe o utilizando para isto. Os avanços tecnológicos aí existentes fariam com que a entidade produtiva tivesse maior eficiencia em atender a capacidade produtiva necessária e o tempo que sobrasse realmente seria usado por estes para seus lazeres e desenvovimentos pessoais."

    "Outra coisa que o texto distorce é a função do estado na economia, a função do estado não se atém somente, e principalmente somente ao caréter consumista em relação do aumento dos gastos governamentais. O estado também possui a função de incentvio produtivista, os gastos na formaão de hidroelétricas, rodovias, escolar, hospitais, etc, são grandes demandadores produtivos, a função desenvolvimentista não visa o consumo e sim a produção de modo a criar externalidades positivas, pois é uma necessidade do estado produzir, pois ele tem a função de suprir ao interesse coletivo social. O estado possui três funções na economia: distributiva, estabilizadora e afectiva, que não destoam ao caráter produtivista, como o autor tenta impôr a este com um analogia barata do escravagista e do escravo. O escravo quando produz para o escravagista não usufriu do produto de seu trabalho e sim o escravagista, mas a empresa que produz usufruiu do que esta mesma produziu, não só pelo dinheiro trazido pelo fruto de seu trabalho, mas sim também pelos benefícios sociais aferidos ao produto do trabalho induzido pelo estado, que serve tanto com função estabilizadora e distributiva ao mesmo tempo, coisa que o mercado jamais fará."
  • Miguel A. E. Corgosinho  01/02/2011 11:13
    O ditador será sempre um ditador, merece sair, mas e o sistema, por trás do ditador, é que está precipitando o povo no inferno.

    O que podemos extrair disso:

    "O baixo custo das telecomunicações está possibilitando aos manifestantes expor as políticas de seus governos para que todo o mundo possa vê-las."

    Mudar de governo pode ajudar, todavia, e o povo afligido pelos libertinos irracionais ficaria do mesmo jeito.

    Ora, está ocorrendo uma revolução silenciosa que regalam as propras mistificações dos sistemas: A internet, ultrapassa o papel e tinta das moedas, sobremodo revolucionando a doutrina do capitalismo - concomitantemente com títulos do governo; porque faz vir o simples testemunho SIMULTÂNEO que deve acabar com os endividamentos públicos ao longo do tempo, praticados na emissão de moeda (em nome dos FALSIFICADORES da realidade).

    Em breve, poderemos ler assim o texto em aspas: "O custo zero da "moeda digital" está possibilitando à economia leis de valor expor a produção habitando o mundo abstrato, simultâneo a Internet, e passaremos a vê-lo e representá-lo, com a fidedignidade real dessa moeda, de graça.

    Mundo abstrato? produção (concreto) = valor.

    TROCAS ENTRE NAÇÕES = Abstrato por abstrato e concreto por concreto.

    Em outras palavras: os povos estarão livres de comprar o capital inconstante do além exterior, a saber: fora o ônus real da moeda (que banqueteia os juros fictícios) em face de abstrair o mundo físico.

    Viva a Internet!
  • Miguel A. E. Corgosinho  01/02/2011 21:46
    O Marxismo sucumbiu pela ausencia da Internet, o Capitalismo pela sua existência.\r
    \r
    Karl Marx - página 92 -: "Após haver mostrado que a atividade prática e intelectual, o trabalho, a criação material incessante dos homens havia humanizado a natureza, e "a natureza", tomada abstratamente, isolada, fixada na separação do homem, nada é para ele, Marx não dá o salto mortal do idealista que sempre crê poder passar por cima de sua sombra: reconhecer que só conhecemos a natureza pela ação que exerce sobre nós e pela ação que exercemos sobre ela não é absolutamente negar que ela exista sem nós, independente de nós, antes e após nós."\r
    \r
    "A humanização da natureza é uma verdade da experiência".\r
    \r
    (meu ponto de vista) \r
    \r
    Marx compreendia a necessidade de um principal ponto, a partir da atividade prática e a que engendraria o mundo físico, para humanizar "... a natureza e "a natureza", tomada abstratamente, isolada, fixada na separação do homem ..." = natureza externa (sensível de um mundo abstrato), para apropriar-se da fonte do sistema do capital.\r
    \r
    Cont.\r
    \r
    ..."Marx censurava ao materialismo de Feurbach de "não conceber o mundo material como atividade prática"7 ... "Feurbach como todos os materialistas anteriores, "não chega jamais a compreender o mundo sensível como a soma da atividade viva e física dos individuos que a compõem... nele a história e o materialismo estão completamente separados."\r
    \r
    Exaltando este momento do mundo material entre as conjecturas de Kant a Fichet e Hegel, para a natureza se inscrever nesse lado ativo do mundo sensível; ao ato de conceber a Internet = "a natureza", falta revelar as atividades práticas (em meu poder), em que exercemos a soma intelectual da realidade que unifica (move) os dois mundos.
  • mcmoraes  02/02/2011 09:30
    @Miguel: O Marxismo sucumbiu pela ausencia da Internet, o Capitalismo pela sua existência.

    Enquanto o Capitalismo não sucumbe pela existência da Internet, agradeça ao pessoal do IMB traduzir e disponibilizar os ótimos textos que te contentam tanto (afinal, se não contentassem, por que você se daria o trabalho de ser um frequentador tão assíduo?).

    O Marxismo, se é que sucumbiu mesmo (veja, por exemplo, a última edição da revista Cult), sucumbiu porque era um lixo. Eis algumas pérolas do "Carlinhos Márquis", que se mantém vivo ainda por alguma técnica avançada de macumba ou coisa assim :)

    - Capital is dead labor, which, vampire-like, lives only by sucking living labor, and lives the more, the more labor it sucks.

    - Capital is money, capital is commodities. By virtue of it being value, it has acquired the occult ability to add value to itself. It brings forth living offspring, or, at the least, lays golden eggs.

    - Capital is reckless of the health or length of life of the laborer, unless under compulsion from society.

    - Capitalist production, therefore, develops technology, and the combining together of various processes into a social whole, only by sapping the original sources of all wealth - the soil and the labourer.

  • Miguel A. E. Corgosinho  02/02/2011 18:13
    Mcmoraes,

    "por que você se daria o trabalho de ser um frequentador tão assíduo"

    Na verdade, só tenho a agradecer ao IMB e nenhum mérito por apreciar. Ser um frequentador assíduo é um prazer.

    Estou num dia mto corrido, até o comentário saiu como anônimo.

    Se pudesse apagaria o mal resultado sobre a minha posição na resposta.
  • Sandra  01/02/2011 12:02
    1. Não só "pequenos países do Oriente Médio podem fazer isso" - "fechar a internet". Veja-se Cuba, por exemplo. Ou China, outro exemplo. Portanto, tiranias fazem isso independentemente do tamanho do país.

    2. Não creio tratar-se de uma expressão "espontânea" de portadores de celulares e computadores. Mas, a manipulação da massa muçulmana por alguns líderes religiosos. O processo histórico no Irã é inesquecível, passo dado também na Turquia de nossos dias. Outro exemplo, a sentença de morte contra um diretor holandês por filme sobre o Islã, escritores, chargistas, sem o uso dessa ferramenta digital.

    3. Reconheço que alguns itens da agenda esquerdista podem mobilizar multidões através dessa tecnologia. Mas a agenda conservadora, e logicamente por ser assim, não tem o que e quem mobilizar. Por enquanto.
  • Rene  01/02/2011 18:28
    Não creio tratar-se de uma expressão "espontânea" de portadores de celulares e computadores. Mas, a manipulação da massa muçulmana por alguns líderes religiosos. (Sandra)

    Penso isso também.
  • augusto  01/02/2011 18:37
    Eu acho que tem pouco de religioso nisso. Cultural? Certamente. Religioso? Nem tanto.
  • J. Pillar  01/02/2011 14:30
    Lendo o comentario da Sandra constatei a velha regra: sempre que alguem fala de liberdade no brasil, por algum motivo, brotam conservadores do chao. Ate no mises.org.br!
  • Bernardo Santoro  01/02/2011 14:36
    Eu sou muito pessimista quanto a esses movimentos do Oriente Médio. O instrumento da internet, em si, é fantástico, e poderia levar a uma revolução popular, mas o povo hoje tem a mente burocratizada. Dessas rebeliões provavelmente sairão governos socialistas ou fundamentalistas islâmicos.
  • Angelo Noel  01/02/2011 15:10
    Pois é, Bernardo.
    Meu receio é sair o Mubarak pra entrar um sanguinário como aconteceu na "democratização" iraniana.
  • Tiago RC  01/02/2011 15:52
    Eu tenho o mesmo receio.
  • Tiago Voltaire  24/06/2016 23:13
    Parabéns! Você profetizou!
  • mcmoraes  01/02/2011 15:27
    1) Gary North disse:...O que está em jogo é a legitimidade do governo. Quando se torna óbvio para uma crescente minoria de intelectuais que o governo é corrupto, é apenas uma questão de tempo para que essas pessoas comecem a espalhar a notícia: o governo é ilegítimo. A única maneira de um governo poder manter o controle é induzindo as pessoas a voluntariamente aceitar suas leis, regras e discursos oficiais. Mas isso pode rapidamente parar de funcionar...

    O que aconteceria se as pessoas de forma geral se convencessem de que qualquer governo (i.e. detenção do monopólio da coerção em um determinado território) é ilegítimo?

    2) Sei que o texto Liberation by Internet: How Technology Destroys Tyranny já foi indicado em um comentário de um outro texto, mas acho que este artigo do Gary North fornece o contexto perfeito para uma nova indicação.

    3) Acho que este artigo do Gary North é bom para os que acreditam que o Estado não será destruído pela internet (pelo menos o Estado autocrático :).
  • Renê  01/02/2011 18:24
    Texto bastante ingênuo.
  • mcmoraes  01/02/2011 19:08
    Renê,

    Por que você diz isso? Qual sua refutação não-ingênua para os pontos principais do texto (abaixo). Obrigado desde já.

    ...Quando o custo de uma mobilização política cai, a demanda por ela aumenta...

    ...A dificuldade enfrentada pelo governo é óbvia: ele não pode continuar proibindo o público em geral de utilizar a internet e os serviços de telefonia fixa. A economia moderna está se tornando crescentemente dependente da internet...

    ...Quando o preço das manifestações cai, passa a haver uma maior demanda por elas...
  • Renê  01/02/2011 21:19
    MC

    Não me refiro a nenhum dos textos que você colocou acima.

    O que vai a seguir é que considero ingênuo:

    "O que houve foi algo mais próximo de um protesto espontâneo do que qualquer outra manifestação já vista em tempos modernos."

    Você acredita realmente que em determinado momento milhares de pessoas acessam as redes sociais e decidem derrubar um governo?
    Eu acho que há um grupo radical islâmico qualquer por trás disso, logo, não há nenhuma espontaneidade no fato.
    Não tenho como provar nada, mas posso apostar que está nascendo mais um regime teocrático.





  • mcmoraes  01/02/2011 22:48
    Grato pelo retorno, Renê.

    Não houve um momento específico em que se decidiu derrubar o governo. Essa decisão foi tomada ao longo das muitas décadas de ditadura. As redes sociais foram usadas como um (valioso) meio para a sincronização do evento. A questão de surgir ou não mais um regime teocrático não é o foco do artigo; em outras palavras, essa questão não é relevante.

    O artigo descreve um novo contexto social, que permite queda nos custos de mobilização política e, em consequência, maior demanda por manifestações políticas. Uma eventual nova ditadura terá que superar as mesmas dificuldades da atual, trazidas pelo novo contexto social, pois, nas palavras do autor:

    [No passado,] os regimes locais estabeleceram sistemas de controle, inclusive controle de ideias, baseando-se no preço das comunicações na era da mídia impressa. Eles pod[iam] controlar o papel, a tinta e a distribuição. Mas eles não têm [mais] como controlar as comunicações via internet sem fecharem por completo a internet. [Logo, a] dificuldade enfrentada pelo governo é óbvia: ele não pode continuar proibindo o público em geral de utilizar a internet e os serviços de telefonia fixa. A economia moderna está se tornando crescentemente dependente da internet.
  • Erik Frederico Alves Cenaqui  01/02/2011 21:09
    Muito bom o texto.\r
    \r
    A internet é o espaço privilegiado do individuo e nenhum movimento coletivista tem controle sobre ela.\r
    \r
    Meu receio é que o Egito seja um novo Irã porque o oriente médio não é um lugar onde os libertários tem influência e força.\r
    \r
    O tempo dira.\r
    \r
    Abraços
  • Edik  02/02/2011 10:16
    McMoraes,
    Eu costumo apreciar seus comentários, mas dizer que surgir ou não mais um regime teocrático não é relevante mostra que você esta ignorando o que realmente importa.
    Os extremistas do Egito são a fonte inspiradora dos principais movimentos terroristas islâmicos. E com o enfraquecimento do poder vigente, eles se tornam talvez a força políticas mais popular do país. Por isso, provavelmente eles se transformarão em grandes democratas até chegarem ao poder, quando tornarão o Egito em uma ditadura que fará o atual ditador parecer um santo imaculado.

    Nada garante que a queda de Mubarak não levará ao poder algum grupo que seja muito mais opressor do que ele. Achar que está garantido que o Egito se tornará uma democracia liberal é de uma ingenuidade enorme.
  • mcmoraes  02/02/2011 11:56
    Prezado Edik, eu também aprecio seus comentários, incluindo este último fez.

    Eu costumo apreciar seus comentários, mas dizer que surgir ou não mais um regime teocrático não é relevante mostra que você esta ignorando o que realmente importa.

    Relevante para quem, em que contexto? Certamente não é para o Gary North neste artigo, pois ele não questiona as possíveis causas aqui. Eu não questiono a importância do assunto, apenas questiono a relevância do assunto neste artigo. Acho que o seu questionamento seria mais adequado num artigo como o do LR.

    Os extremistas do Egito são a fonte inspiradora dos principais movimentos terroristas islâmicos. E com o enfraquecimento do poder vigente, eles se tornam talvez a força políticas mais popular do país. Por isso, provavelmente eles se transformarão em grandes democratas até chegarem ao poder, quando tornarão o Egito em uma ditadura que fará o atual ditador parecer um santo imaculado.Nada garante que a queda de Mubarak não levará ao poder algum grupo que seja muito mais opressor do que ele.

    Sim, nada garante. Mas o novo ditador não poderá se eximir da fatídica decisão: fechar ou não fechar a Internet/Telefonia.

    Achar que está garantido que o Egito se tornará uma democracia liberal é de uma ingenuidade enorme.

    Por favor, me aponte onde no artigo ou nos meus comentários está escrito que está garantido que o Egito se tornará uma democracia liberal.
  • Edik  02/02/2011 22:53
    McMoraes,

    Eu tinha entendido que a discussão estava sendo feita especificamente no contexto do Egito. Realmente facilita as coisas quando as informações podem ser divulgadas de maneira mais fácil. Mas mantenho meus temores quanto ao que ocorre no Egito. Espero estar errado.
  • anônimo  02/02/2011 12:15
    Mcmoraes,

    Aproveitando a visão panorâmica da sua abordagem, quero agradecer ao IMB a oportunidade que tenho para incrementar minha capacitação, através dos ótimos textos aqui orientados para análise; e que revelam muitas vistas a ganhar-se estudos, que aguardam a exploração de uma pesquisa básica.

    Mc, A formação do capitalismo ao meu ver é o lixo público do EUA, ao invés de ser para todos os países como diz o ultimo parágrafo; Capitalist production, therefore, develops technology, and the combining together of various processes into a social whole,"

    Há várias alterações chaves para a decifração de enigmas que perduram a cerca do crescimento econômico, a primeira delas é obter mensuração da economia no meu texto "a tomada abstratamente, isolada, fixada na separação do homem" - Porque os EUA "only by sapping the original sources of all wealthque", com o capital externo, em que ele adiciona valor a si mesmo advindo da produção estrangeira; alterando radicalmente o quantitativo da formação de capital internacional.
  • Erick Skrabe  02/02/2011 13:18
    Anonimo, enquanto você está brincando o mundo está girando.
  • Miguel A. E. Corgosinho  02/02/2011 19:14
    Brincadeira?

    "A formação do capitalismo ao meu ver é o lixo público dos EUA,"

    Os EUA já apresentam a mesma auto-alienação ao seu lixo público, objetivado como lixo orgânico em relação à China. Por conseguinte, o poder de exteriorização da propriedade privada dos chineses, no momento, supera reapropriação comum da pré-condição necessária consigo mesma.
  • Leonardo  04/02/2011 23:28
    Concordo com Renê. Não acredito que essa revolução tenha surgido sendo organizada por redes sociais. A internet é poderosa, mas alcançar o potencial, de realmente influenciar o mundo fora da rede, ao ponto de derrubar governos, falta muito.
  • anônimo  05/02/2011 10:50
    Tantas sensações/sentimentos contra ou a favor de uma opinião, mas argumento que é bom, nenhum; no máximo: "Eu acho que há um grupo radical islâmico qualquer por trás disso, logo, não há nenhuma espontaneidade no fato. Não tenho como provar nada, mas posso apostar que está nascendo mais um regime teocrático." Ora vamos aumentar o nível da discussão! Gary North deixou bem claro que ele é um otimista inveterado e que não acredita em teorias da conspiração. Isso é motivo suficiente para desconfiança dos crentes nas "forças ocultas" que manipulam a tudo e a todos, mas no caso dos riots no oriente médio, há muitos outros textos que oferecem argumentos econômicos bastante convincentes para justificar as manifestações (e.g. inflação, desemprego), como por exemplo esse aqui.


  • Renê  05/02/2011 13:50
    Quer aumentar o nível da discussão? Comece por identificar-se.
    De resto, nunca me cobraram que só postasse aqui argumentos, escrevo o que eu quiser, se não gostou paciência. Uma sugestão, crie um blog e imponha suas próprias regras.
  • Renê  05/02/2011 17:34
    Na Síria um grupo do Facebook com milhares de membros, organizou uma passeata de protestos. Resultado? Não deu em nada, faltaram adeptos. Por acaso, o governo Sírio financia grupos terroristas. Está aí a prova de que são grupos radicais que promovem esses eventos. Sem eles, o facebook é só o facebook.
    A rede social são na verdade um grupos radicais islâmicos, no caso do Egito é a irmandade muçulmana.
  • void  05/02/2011 19:26
    Pelo o que eu entendi do texto, o autor cita redes sociais(na verdade a internet) não como centrais para organização de protestos e revoluções, mas como um ponto onde as informações fluem livremente e, portanto, sem a manipulação oficial que dissuade movimentos contrários aos governos. O que isso quer dizer? Um sistema livre de informações é como um sistema livre de preços, ele dá todos os parâmetros necessários ao empreendedor para agir da forma como melhor convém ao momento. A "bolha governista" estourou no Egito.
  • Renê  05/02/2011 23:16
    Void

    "Quando o preço das manifestações cai, passa a haver uma maior demanda por elas."

    Acho que isso resume o que você comentou.

    Minha dúvida é se a frase acima realmente está correta. Bastam os preços de determinadas coisas caírem que a demanda por elas aumenta? É uma regra geral?
    Porque no Egito funcionou e na Síria não?
  • Augusto  06/02/2011 04:52
    Não é prova ou mesmo evidência de que a "Irmandade Muçulmana" estivesse "por trás" de qualquer coisa.\r
    \r
    O que há, no momento, é um presidente fraco, em vias de cair. A "Irmandade Muçulmana", que eu honestamente não sei se é um grupo organizado e coeso, aparece como uma das forças disputando o poder.\r
    \r
    Os militares também vão entrar na disputa.\r
    \r
    Os católicos, se souberem se organizar, também.\r
    \r
    Por enquanto, nada está garantido ;-)
  • anônimo  06/02/2011 11:40
    E viva a revolução socialista islâmica.
  • Augusto  06/02/2011 04:58
    "Minha dúvida é se a frase acima realmente está correta. Bastam os preços de determinadas coisas caírem que a demanda por elas aumenta? É uma regra geral? \r
    Porque no Egito funcionou e na Síria não?"\r
    \r
    Talvez, porque na Síria o custo de uma manifestação ainda seja alto demais?\r
    \r
    Lembrando que esse custo pode ser avaliado de pelo menos quatro maneiras:\r
    \r
    1) o sistema atual é ruim, mas pode piorar com uma manifestação;\r
    2) o sistema atual é ruim, mas pode melhorar com uma manifestação;\r
    3) o sistema atual é bom, mas pode piorar com uma manifestação;\r
    4) o sistema atual é bom, mas pode melhorar com uma manifestação;\r
    \r
    Obviamente, essa avaliação depende de fatores individuais - sua localização no "espaço social e econômico", seus interesses, seus medos, suas aspirações...
  • anônimo  03/10/2012 12:55
    Renê, perdão pelo que vai parecer oportunismo, mas acho que você está vendo agora por que não houve revolução antes. Ela está custando muito caro aos sírios.
  • Marcos  05/02/2011 19:48
    Existe muita gente ingênua por aí achando que tudo isso se trata apenas de um movimento de revolta de um povo pela liberdade. É uma visão muito romantizada e ignora a realidade dos países islâmicos. O fato é que existem 2 grandes sistemas em vigor: ditadura promovida por militares e uma pequena elite e ditadura islâmica. É difícil pensar em um país da região adotando o sistema democrático ocidental, ao menos no atual estágio. "Curiosamente" apenas os países mais secularistas estão enfrentando crises. Até mesmo os jornais estão comprando essa idéia. Existe protesto de cidadãos apenas com a intenção de adquirirem maior liberdade? Sim. Mas não é só isso. Tanto que um dos atores principais é a irmadade muçulmana.

    Achei que o texto meio que embarca nessa canoa furada de otimismo. Realmente há uma verdade no que foi dito lá, as redes sociais e a internet como um todo são extremamente benéficas a liberdade, como pode ser comprovado em vários casos. Muito interessante quando fala dessas coisas em abstrato. Mas infelizmente isso não me parece ser o ponto principal do conflito do Egito, parece mais como uma força sem direção que alguns grupos tentam usar em interesse próprio. Creio que isso vai terminar de alguma dessas formas: com a expulsão do presidente e manutenção do mesmo grupo no poder, concedendo maiores liberdades a população para aliviar a pressão, o que seria a saída boa; com uma revolução islâmica, o que seria péssimo.

  • Descascando a cebola  05/02/2011 20:57
    Existe muita gente ingênua por aí achando que tudo isso se trata apenas de um movimento de revolta de um povo pela liberdade. É uma visão muito romantizada e ignora a realidade dos países islâmicos.

    Puxa, essa introdução causa expectativa. Acho que vou aprender alguma coisa aqui.

    O fato é que existem 2 grandes sistemas em vigor: ditadura promovida por militares e uma pequena elite e ditadura islâmica.

    Isso é lugar-comum, mas com certeza essa informação deve agregar valor com os próximos argumentos.

    É difícil pensar em um país da região adotando o sistema democrático ocidental, ao menos no atual estágio.

    Estranho, ninguém falou nisso até agora. Por que será que isso foi dito?

    "Curiosamente" apenas os países mais secularistas estão enfrentando crises.

    Para garantir que estamos todos na mesma página, teria sido bom listar quais são os países secularistas de que se está falando. Mas tudo bem, vamos supor que nós concordamos a respeito dos países.

    Até mesmo os jornais estão comprando essa idéia.

    Por que não comprariam? Ao menos 1 artigo de jornal deveria ser apontado e refutado aqui.

    Existe protesto de cidadãos apenas com a intenção de adquirirem maior liberdade? Sim. Mas não é só isso. Tanto que um dos atores principais é a irmadade muçulmana.

    Supondo que sua afirmação seja verídica, não seria de esperar que os integrantes da irmandade muçulmana fossem parte importante do movimento, visto que tal irmandade deve ser parte importante do cotidiano do Egito, tanto na guerra quanto na paz?

    Achei que o texto meio que embarca nessa canoa furada de otimismo.

    Mas já que não você não apresentou muitos argumentos até agora, seria válido dizer: achei que seu comentário meio que embarca nessa canoa furada de pessimismo.

    Realmente há uma verdade no que foi dito lá, as redes sociais e a internet como um todo são extremamente benéficas a liberdade, como pode ser comprovado em vários casos. Muito interessante quando fala dessas coisas em abstrato. Mas infelizmente isso não me parece ser o ponto principal do conflito do Egito, parece mais como uma força sem direção que alguns grupos tentam usar em interesse próprio. Creio que isso vai terminar de alguma dessas formas: com a expulsão do presidente e manutenção do mesmo grupo no poder, concedendo maiores liberdades a população para aliviar a pressão, o que seria a saída boa; com uma revolução islâmica, o que seria péssimo.

    Vide alguns comentários acima, especialmente o do void.
  • Renê  06/02/2011 02:02
    Irmandade Muçulmana anuncia "início de diálogo com autoridades egípcias"
    Do UOL Notícias*

    Eis aí a revolução espontânea. É claro que a internet é uma ferramenta poderosa, mas quem a estava controlando era a Irmandade Muçulmana. O raciocínio do autor "Quando o preço das manifestações cai, passa a haver uma maior demanda por elas.", é perfeito se pensarmos que o consumidor destas manifestações são grupos Islâmicos.


  • Rhyan Fortuna  06/02/2011 06:14
    Difícil saber o quanto a internet influenciou.

    Mas, com medo disso, o congresso americano discute uma lei de controle à internet...
  • Carlos Santos  06/02/2011 18:00
    Caro Rhyan,\r
    \r
    Acho que as estatísticas sobre a penetração da internet no Egito podem ajudar nisso. A maioria dos céticos devem achar que apenas uma minoria insignificante de cidadãos egípcios tem acesso a ferramentas como Facebook, Twitter e Youtube. Mas em 2009, segundo o IWS, o número de internautas no Egito já era de quase 17 mi (21% da população), sendo que em 2008 ainda eram 10.5 mi (13% da população), ou seja, em apenas um ano ouve um aumento de 57,95% no número de internautas, e ainda com redução da população devido a imigração em busca de melhores condições de vida e malgrado a severa e estúpida censura que impera naquele país.\r
    \r
    É claro que a internet é só um canal, as ideias por trás da insurgência vem da oposição ao regime de Mubarak. Mas essas ideias não valeriam nada se não pudessem ser difundidas.\r
    \r
    Fonte: [link]www.internetworldstats.com/af/eg.htm[link]
  • mcmoraes  15/02/2011 10:26
    Compilação de cenas da revolução egípcia, no qual é impossível encontrar o mínimo vestígio de cunho religioso nas exclamações dos manifestantes.

    www.youtube.com/watch?v=-HGfFyqJMrk&feature=player_embedded#at=558

  • Leandro  15/02/2011 11:22
    Relendo os comentários, nota-se que o pessoal se confundiu um pouco com a mensagem do texto.

    Em momento algum o artigo faz juízo de valor sobre qual será o futuro do Egito. O artigo apenas diz que a internet e as novas tecnologias tornaram possíveis levantes anti-governo que, até então, eram impensáveis; caros demais para serem organizados. E que isso é algo que todo e qualquer governo deve temer daqui pra frente.

    Só isso.

    Agora, se os egípcios vão adotar democracia e consequentemente colocar um fanático muçulmano no poder, isso é outra história, e o artigo em momento algum entra nesse mérito.

    Aliás, é bastante interessante notar como aqueles jornalistas e blogueiros que sempre se disseram pró-democracria foram os primeiros a estrilar quando constataram que é justamente a adoção de democracia que poderá colocar fanáticos no poder do Egito.

    Ou seja, eles são pró-democracia apenas quando o resultado lhes interessa; quando o resultado lhes é ruim, eles correm para tentar explicar -- por meio de contorcionismos semânticos hilários -- que, na verdade, uma ditadurazinha seria o melhor arranjo para determinados povos. Ditadura comandada pelos americanos, obviamente.

    De fato, assim como o próprio sistema que defendem, é praticamente impossível achar um democrata coerente.

    No mais, os egípcios deram um fantástico exemplo para outros povos oprimidos pelo governo de como eles devem resistir. Manifestações pacíficas, porém intensas, podem derrubar o estado e seu exército, ao passo que a violência apenas resulta em mais massacres.

    No fim, tudo se resume à obediência consentida aos governantes. Por que as pessoas aceitam ser exploradas e oprimidas pelo governo? Não é apenas por temor, pois o consentimento do oprimido é também necessário. Mas esse consentimento pode ser pacificamente retirado. E, como consequência, nenhum governo se sustenta. E foi essa a lição egípcia.

    Como disse Étienne de La Boétie,

    Resolve to serve no more, and you are at once freed. I do not ask that you place hands upon the tyrant to topple him over, but simply that you support him no longer; then you will behold him, like a great Colossus whose pedestal has been pulled away, fall of his own weight and break in pieces.

    www.lewrockwell.com/rothbard/rothbard78.html
  • Homem Verde  14/06/2014 18:56
    Desculpem-me por acordá-los de suas fantasias: O Estado sou eu e não desaparecerei NUNCA.
  • Emerson Luis, um Psicologo  13/09/2014 19:22

    Fukuyama afirmou que o avanço tecnológico tornaria cada vez mais difícil a manutenção de ditaduras.

    O problema é que povos de cultura autoritária só querem trocar uma ditadura por outra, não estabelecer uma sociedade isonômica e liberal.

    * * *


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