O problema da inflação chinesa é de interesse mundial

A economia global tornou-se tão desequilibrada, que até mesmo políticos que normalmente teriam problemas para entender as leis da oferta e demanda já estão claramente reconhecendo que alguém terá de ceder.

Em grande parte, as distorções foram causadas pela duradoura política da China de atrelar sua moeda, o yuan, ao dólar americano.  Porém, na medida em que a economia chinesa se fortalece, e a economia americana vai ficando enfraquecida, o custo e a dificuldade de se manter a atrelagem vão ficando cada vez maior, até o momento em que certamente irão sobrepujar os benefícios que tal política supostamente concede à China.  Nas primeiras semanas de 2011, surgiram vigorosas novidades que mostram o quão difícil tal arranjo se tornou para Pequim.

Vinte anos atrás, os líderes chineses decidiram se livrar do desastre econômico criado pelo comunismo e adotar uma economia de mercado, comandada por indústrias privadas voltadas para exportações.  O plano funcionou em grande medida.  De lá pra cá, a China comprovadamente retirou mais pessoas da miséria no menor intervalo de tempo da história do planeta.  Porém, em algum momento ao longo desse período, os líderes chineses tornaram-se viciados em um plano estratégico cuja utilidade já se exauriu.

Para manter seu câmbio fixo em relação ao dólar, a China tem de continuamente comprar dólares no mercado.  Porém, quanto mais fraco o dólar vai ficando, mais dólares a China tem de comprar para manter sua cotação.  E com o Banco Central americano criando sua inflação monetária sem precedentes, o que joga o valor do dólar lá pra baixo, a tarefa de Pequim tornou-se praticamente impossível.  Há duas semanas, a China anunciou que suas reservas internacionais — a quantidade de moeda estrangeira comprada e mantida por seu banco central (a maior parte dela formada por dólares americanos) — aumentaram US$ 199 bilhões apenas no quarto trimestre de 2010, um aumento recorde, chegando a um total de US$ 2,85 trilhões.  Essas reservas atualmente representam espantosos 49% do PIB anual da China (se a mesma quantidade, em termos proporcionais, fosse mantida pelos EUA, os miseráveis US$ 46 bilhões em reservas internacionais do país teriam de aumentar 163 vezes, indo para um total de $ 7,5 trilhões).

Para comprar esses dólares e manter sua cotação cambial, o Banco Central da China tem de imprimir dinheiro.  Essencialmente, a China está adotando a mesma política monetária expansionista do Federal Reserve.  Nos EUA, o impacto inflacionário de tal estratégia do Fed tem sido mitigado pelo fato de que, como o dólar é a moeda internacional de troca, o país usufrui o privilégio de poder exportar o papel pintado que produz em troca de produtos chineses baratos.  Embora os preços estejam sim subindo nos EUA, eles não estão nem de longe subindo o tanto que iriam subir caso os americanos tivessem de gastar todos esses dólares recém-criados em sua própria economia, comprando bens produzidos domesticamente.  O grande problema para a China é que, ao contrário dos EUA, os yuanes que o Banco Central chinês imprime para comprar dólares não são exportados.  Eles permanecem dentro da China pressionando para cima os preços dos bens de consumo.  Como resultado, a inflação de preços — em níveis preocupantes — está se tornando a principal questão política da China.

Recentemente foi anunciado que, em novembro de 2010, o índice de preços ao consumidor chinês aumentou 5,1% no acumulado dos últimos 12 meses, com os preços dos alimentos subindo mais de 10%.  Isso provocou inquietações na população, e o governo chinês, por conseguinte, começou a implementar uma série de políticas para atacar os sintomas da doença, ao mesmo tempo em que ignorava suas causas básicas.

A mais ignóbil dessas medidas foi a imposição de controle dos preços dos alimentos em várias cidades chinesas.  Como vários países do mundo que já adotaram essa medida dolorosamente sabem, as leis da oferta e da demanda não podem simplesmente ser suspensas por decreto.  Os líderes chineses sabem disso e mais recentemente começaram a implementar uma grande quantidade de outras medidas mais sofisticadas.

Norteando-se pelo errôneo princípio econômico keynesiano de que a inflação de preços é resultado de uma economia forte, e não da expansão da oferta monetária, a China está tentando resolver seus problemas restringindo seu crescimento econômico.  Para fazer isso, o país aumentou sua taxa básica de juros e adotou medidas para limitar os empréstimos bancários.

Na semana passada, o Banco Central chinês elevou o compulsório (porcentagem dos depósitos bancários que os bancos devem manter junto ao banco central) em meio ponto percentual.  Foi o sétimo aumento seguido no período de um ano (o quarto aumento em apenas dois meses).  Quanto à taxa básica de juros, o Banco Central chinês está ponderando novos aumentos, os quais, segundo muitos analistas, virão ainda nesse primeiro trimestre.  Entretanto, se essas medidas não forem acompanhadas de uma interrupção na compra de dólares, elas não terão efeito algum sobre a inflação de preços.

No recente encontro ocorrido entre os presidentes Hu Jintao e Barack Obama, os representantes do governo americano, previsivelmente, fizeram apelos para que a China deixasse o yuan apreciar.  O interessante é que os americanos parecem não entender todas as implicações dessa medida: a valorização do yuan em relação ao dólar será ruim para a economia americana.  Se os chineses pararem de comprar dólares, os americanos irão enfrentar uma inflação de preços em sua economia, tanto por causa da menor exportação de dólares quanto pelo maior preço dos produtos chineses importados.  E isso levará a um aumento dos juros na economia americana.  Se o governo Obama crê que a economia americana pode aguentar esse tranco, ele terá uma surpresa desagradável.

O real despertar ocorrerá quando a China perceber que ela amarrou sua economia a uma moeda sem futuro.  E já há vários sinais de que muitas lideranças chinesas estão começando a se dar conta dessa realidade.

Por exemplo, Zhou Qiren, um conselheiro acadêmico do Banco Central chinês, disse em uma recente entrevista que a China tem de encontrar uma maneira de valorizar o yuan sem ter de incorrer na impressão de mais yuans para manter a estabilidade da taxa de câmbio.  Ele argumentou que elevar as taxas de juros não resolverá os problemas fundamentais que estão gerando inflação.  Para fazer isso, a China deve controlar sua oferta monetária.  Creio que ele está planejando algo.

Ele também comentou que o dólar americano, que se tornou um substituto do ouro após o acordo de Bretton Woods em 1944, não mais pode continuar servindo como âncora para as moedas mundiais.  Adicionalmente, ele sugeriu que o yuan seja ancorado a algo mais objetivo.  Para mim, parece que ele está se referindo a um certo metal amarelo.

O ponto principal é que os chineses finalmente estão acordando pra realidade.  Quando o dólar era lastreado em ouro, ele era uma âncora confiável.  Entretanto, desde que essa âncora foi abolida em 1971, o dólar ficou à deriva, e não mais tem condições de fornecer estabilidade.  Durante algum tempo, mesmo sem o ouro, a força da economia americana e da competitividade de suas exportações propiciou estabilidade ao dólar.  Porém, esses tempos já acabaram.

Por ora, a velha guarda que está no comando da China ainda tem forças e o status quo se mantém intacto.  Porém, estima-se que novas lideranças já estejam no poder até 2014.  Quando mentes novas assumirem o comando, é possível que finalmente vejamos alguma mudança substantiva no sistema monetário global.

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SOBRE O AUTOR

Peter Schiff

é o presidente da Euro Pacific Capital e autor dos livros The Little Book of Bull Moves in Bear Markets, Crash Proof: How to Profit from the Coming Economic Collapse e How an Economy Grows and Why It Crashes.  Ficou famoso por ter previsto com grande acurácia o atual cataclisma econômico.  Veja o vídeo.  Veja também sua palestra definitiva sobre a crise americana -- com legendas em português.





"parece-me improvável ser coincidência os produtores do metal em questão [ouro] também terem abruptamente reduzido sobremaneira sua mineração e refino na década de 70 e de forma ainda mais intensa do que a supostamente levada a cabo pela OPEP [...]"

Exato! Este é o ponto. Quem afirma que o petróleo encareceu na década de 1970 por causa de uma suposta escassez de oferta tem também de explicar por que o ouro (e outras commodities) se encareceu ainda mais intensamente. Houve restrição na oferta de ouro?

Assim como não houve redução da oferta de ouro (cujo preço explodiu em dólar) também não houve redução da oferta de petróleo (cujo preço explodiu em dólar).

O problema, repito, nunca foi de oferta de commodities, mas sim de fraqueza das moedas -- recém desacopladas do ouro (pela primeira vez na história do mundo) e, logo, sem gozar de nenhuma confiança dos agentes econômicos.

Igualmente, por que o petróleo barateou (junto com o ouro) nas décadas de 1980 e 1990, quando a demanda por ele foi muito mais intensa do que na década de 1970? Por que ele encareceu em 2010 e 2011, em plena recessão mundial? E por que barateou em 2014 e 2015, quando as economias estavam mais fortes que em 2010 e 2011?

O dinheiro representa a metade de toda e qualquer transação econômica. Logo, quem ignora a questão da força da moeda está simplesmente ignorando metade de toda e qualquer transação econômica efetuada. Difícil fazer uma análise econômica sensata quando se ignora metade do que ocorre em uma transação econômica.

"ao menos em tese, não seria possível ocorrer uma elevação do índice "DXY" durante algum tempo simultaneamente a uma alta nas cotações em USD de algumas commodities, configurando uma situação de inflação de preços global generalizada onde a moeda america seria nesta hipótese "a garota menos feia do baile"

Sim, em tese seria possível. Só que, ainda assim, haveria um indicador que deixaria explícito o que está acontecendo: o preço do ouro.

Se o dólar estiver se fortalecendo em relação a todas as outras moedas, mas estiver sendo inflacionado (só que menos inflacionado que as outras moedas), o preço do ouro irá subir.

Mas este seu cenário só seria possível se todas as outras moedas estivessem sendo fortemente desvalorizadas. Enquanto houver franco suíço, iene e alemães na zona do euro, difícil isso acontecer.

Abraços.
Saudações, Leandro.

Teus comentários me remeteram a
uma recente troca de posts que tive no MI !
A propósito, uma análise da relação entre ouro e petróleo talvez pudesse reforçar nosso argumento em comum. Afinal, parece-me improvável ser coincidência os produtores do metal em questão também terem abruptamente reduzido sobremaneira sua mineração e refino na década de 70 e de forma ainda mais intensa do que a supostamente levada a cabo pela OPEP, caso a explicação p/ o fortalecimento do primeiro em relação ao segundo (i.e. cruede mais barato em Au) também se baseasse no suposto "choque de oferta" ao qual frequentemente se atribuem praticamente todos os episódios de encarecimento do petróleo em US$...

Sobre o "desafio": "Sigo no aguardo de um único exemplo prático de dólar forte e commodities caras. E de dólar fraco e commodities baratas, pergunto: ao menos em tese, não seria possível ocorrer uma elevação (ainda que improvável, inclusive na atual conjuntura) do índice "DXY" (dólar em relação às moedas mais líquidas do mundo) durante algum tempo simultaneamente a uma alta nas cotações em USD de algumas commodities, configurando uma situação de inflação de preços global generalizada onde a moeda america seria nesta hipótese "a garota menos feia do baile" (de ForEx) ?

Att.
Prezado Paulo, obrigado pelo comentário, o qual nada alterou a constatação: o preço das commodities é cotado em dólar; consequentemente, a força do dólar é crucial para determinar o preço das commodities. Impossível haver commodities caras com dólar forte. Impossível haver commodities baratas com dólar fraco.

Perceba que seus próprios exemplos comprovam isso: você diz que a produção americana de petróleo atingiu o pico em 1972, e dali em diante só caiu. Então, por essa lógica era para o preço do petróleo ter explodido nas década de 1980 e 1990. Não só a oferta americana era menor (segundo você próprio), como também várias economia ex-comunistas estavam adotando uma economia de mercado, implicando forte aumento da demanda por petróleo. Por que então o preço do barril não explodiu (ao contrário, caiu fortemente)?

Simples: porque de 1982 a 2004 foi um período de dólar mundialmente forte.

"Período 1973/74: É consenso da indústria mundial de petróleo que a subida abrupta dos preços em 1973/74 deveu-se ao embargo árabe realizado pela OPEP[...]"

Nada posso fazer quanto a esse "consenso", exceto dizer que ele é economicamente falacioso. O preço do barril (em dólares) subiu durante toda a década de 1970 (e não apenas no período 1973-74). O barril só começou a cair a partir de 1982, "coincidentemente" quando o dólar começou a se fortalecer.

Será que foi a OPEP quem encareceu o petróleo de 1972 a 1982? Se sim, por que então em 1982 ela reverteu o curso? Mais ainda: se ela é assim tão poderosa para determinar o preço do barril do petróleo, por que ela nada fez de 1982 a 2004, que foi quando o barril voltou a disparar ("coincidentemente", de novo, quando o dólar voltou a enfraquecer)?

E por que de 2004 a 2012 (dólar fraco) o petróleo disparou? E por que desabou de 2013 a meados de 2016 (dólar forte)? E por que voltou a subir agora (dólar enfraquecendo)?

Sigo no aguardo de um único exemplo prático de dólar forte e commodities caras. E de dólar fraco e commodities baratas.

Se alguém apresentar esse exemplo, toda a teoria econômica está refutada.
Boa tarde Bruno., tudo tranquilo?

Advogados de uma maneira geral tem duas frentes: ou são interlocutores mediante a resolução de conflitos, ou analistas para evitar conflitos. Basicamente são especialistas em detalhes jurídicos, sendo obrigatório o talento nato em retórica, para expor a parte de seu cliente de forma objetiva, lírica e eloquente na mediação, e muita disciplina acadêmica para assimilar todos os enlaces dos códigos a que se propõe atuar.

Sob a batuta do Estado, apenas formados em direito (e aqui no Brasil postulantes ao exame da OAB) podem representar pessoas e empresas nas demandas da Lei. Basicamente, 90% dos advogados no Brasil são decoradores de Lei, tendo parco saber jurídico para analisar de forma contundente demandas mais complexas.

Já em um país libertário, basta a pessoa ter um grande saber jurídico, oratória razoável e ser um bom jogador de xadrez que pode advogar tranquilamente, podendo também adquirir títulos e certificados mediante associações privadas, com o único propósito de destacar aqueles que realmente tem o que é necessário para ser advogado para quem quiser contrata-lo.

Quanto a sua questão, seja pelo monopólio do Estado ou em um país livre, o advogado não propriamente cria riqueza, mas impede que a mesma seja perdida por um descuido na assinatura de um contrato, ou mesmo a ruína causada por uma ex mulher gananciosa. Na assinatura de contratos é como uma companhia de seguros, pois ao analisar os detalhes mitiga os riscos apontando erros e pegadinhas. Por outro lado, se for atuar em uma demanda já existente, seria mais ou menos como o corpo de bombeiros, para apagar o incêndio o mais rápido possível, antes que o fogo consuma tudo.

Prezado Leandro

Aprecio muito seus artigos e comentários, postados aqui no Instituto Mises. Inclusive, suas respostas a indagações minhas sempre primaram pela cordialidade e análise ponderada. E, em relação ao seu comentário acima, não discordo quanto à correlação existente entre uma commoditie e a moeda em que ela é comercializada.

No entanto, se me permite, gostaria de discordar parcialmente do seus comentários acima sobre a causa e efeito nos preços dos mercados do petróleo, a partir do chamado Choque Nixon (1971). Entre outras medidas, ele cancelou unilateralmente a conversão do dólar em ouro. Baseei meus comentários em inúmeros autores, que usamos na indústria, não para fins políticos, mas para nosso negócio (tenho 38 anos de indústria do petróleo).

Para melhor acompanhar meus comentários, é interessante analisar os mesmos acompanhado de dois gráficos:

1) Preço do petróleo entre 1986 e 2015, fonte: BP Global:
www.bp.com/en/global/corporate/energy-economics/statistical-review-of-world-energy/oil/oil-prices.html

2) Produção e importação de óleo cru nos EUA: //en.wikipedia.org/wiki/Petroleum_in_the_United_States#/media/File:US_Crude_Oil_Production_and_Imports.svg

Vou colocar os eventos em ordem cronológica, com meus comentários após aspas de seus comentários, as vezes com ... :

SEU COMENTÁRIO: Igualmente, a acentuada e abrupta desvalorização do dólar na década de 1970 ... : não era o petróleo que estava ficando escasso; eram as moedas, recém-desacopladas do ouro, que perdiam poder de compra aceleradamente.

MEU COMENTÁRIO:
- A indústria do petróleo nunca correlacionou a culpa do aumento dos preços do petróleo na década de 1970 como sendo por causa de escassez do produto.

- Ano de 1972: A produção total Americana atinge o pico, próximo a uma média diária de nove milhões de barris por dia (bpd) e, a partir deste ponto, entra num declínio acentuado e contínuo, só interrompido em meados dos anos 2000, por conta do crescimento estratosférico da produção americana está ligado ao boom do "shale oil" americano (óleo de folhelho).

- Período 1973/74: É consenso da indústria mundial de petróleo que a subida abrupta dos preços em 1973/74 deveu-se ao embargo árabe realizado pela OPEP contra os países que apoiavam Israel na Guerra do Yom Kippur. Entre o início e o fim do embargo os preços tinham subido de US$ 3/barril (US$ 14 hoje) para US$ 12/barril (US$ 58 hoje).

SEU COMENTÁRIO: Tanto é que, nas décadas de 1980 e 90, o barril do petróleo despencou (dólar forte).

MEU COMENTÁRIO: Período 1985-1999:

- Em 1986 a Arábia Saudita resolveu recuperar sua participação no mercado global (market share) aumentando sua produção média diária de 3,8 milhões bpd em 1985 para mais que 10 milhões bpd em 1986. As reservas sauditas são tão grandes que ela sempre pôde se dar o luxo de "fechar ou abrir torneiras" para controlar demanda e oferta. Mas, atualmente isto está começando a ser modificado.

- 1988: Com o fim da Guerra Irã-Iraque, ambos voltaram a aumentar substancialmente a produção média diária.

SEU COMENTÁRIO: O boom das commodities (principalmente minério e petróleo) na década de 2000 foi "auxiliado" pelo enfraquecimento do dólar.

MEU COMENTÁRIO: Principais eventos para o aumento quase contínuo dos preços na década de 2000:

- Final dos anos 1990 e início dos anos 2000: Crescimento das economias Americana e Mundial.

- Pós 11/01/01 e invasão do Iraque: crescente preocupação quanto a estabilidade da produção do Oriente Médio.

- Segunda metade da década: Combinação de produção declinante mundial com o aumento acelerado e contínuo da demanda asiática pelo produto, especialmente China.

A causa da produção mundial declinante está relacionada à enorme expansão da produção OPEP na década anterior e que inibiu o investimento da indústria em exploração (pesquisa para descoberta de novas jazidas). Para quem não é da área, investimentos em exploração de petróleo tem retorno de médio a longo prazo.

SEU COMENTÁRIO: a recente queda a partir de 2012 (dólar forte).

MEU COMENTÁRIO: A partir de 2014 a queda dos preços está ligada a dois grandes eventos:

- Aumento substantivo da produção nos EUA e na Rússia, sendo que em 2015 a produção Americana atingiu o mais alto nível em mais de 100 anos, com os EUA voltando a serem os maiores produtores mundiais após mais de 50 anos (Figura a seguir)

- O crescimento estratosférico da produção americana está ligado ao boom do "shale oil" americano (óleo de folhelho), com o avanço tecnológico do fraturamento hidráulico (hydraulic fracturing, or fracking), ela começou a ser utilizada com progressivo sucesso em reservatórios não convencionais como o shale oil. Com isto, nunca os estoques americanos estiveram tão altos. E, aqui o básico da economia de Adam Smith: oferta maior que demanda gera queda nos preços.

Saudações, Paulo









Não, Xiba. Continua sendo pirâmide do mesmo jeito.

Essa questão da Previdência brasileira é um assunto bastante interessante pelo seguinte motivo: talvez seja a única área da economia que não está aberta a opiniões ideológicas.

Não importa se você é de esquerda ou de direita; liberal, libertário ou intervencionista. Também pouco importa se você acredita que a Previdência atual seja superavitária (como alguns acreditam). O que importa é que o modelo dela é insustentável. E é insustentável por uma questão puramente demográfica.

E contra a realidade demográfica não há nada que a ideologia possa fazer.

Comecemos pelo básico.

Ao contrário do que muitos ainda pensam, o dinheiro que você dá ao INSS não é investido em fundo no qual ele fica rendendo juros. Tal dinheiro é diretamente repassado a uma pessoa que está aposentada. Não se trata, portanto, de um sistema de capitalização, mas sim de um sistema de repartição: o trabalhador de hoje paga a aposentadoria de um aposentado para que, no futuro, quando esse trabalhador se aposentar, outro trabalhador que estiver entrando no mercado de trabalho pague sua aposentadoria.

Ou seja, não há investimento nenhum. Há apenas repasses de uma fatia da população para outra.

Por motivos óbvios, esse tipo de esquema só pode durar enquanto a fatia trabalhadora for muito maior que a fatia aposentada. Tão logo a quantidade de aposentados começar a crescer mais rapidamente que a fatia de trabalhadores, o esquema irá ruir.

Portanto, todo o arranjo depende inteiramente do comportamento demográfico da população. A qualidade da gestão do INSS é o de menos. Mesmo que a Previdência fosse gerida por anjos probos, sagazes e imaculados, ainda assim ela seria insustentável no longo prazo caso a demografia não cooperasse.

E, no Brasil, ela já não está cooperando. Segundo os dados do IBGE, em 2013, havia 5,5 pessoas com idade entra 20 e 59 anos para cada pessoa com mais de 60 anos. Em 2060, a se manter o ritmo projetado de crescimento demográfico, teremos 1,43 pessoa com idade entre 20 a 59 anos para cada pessoa com mais de 60 anos.

Ou seja, a menos que a idade mínima de aposentadoria seja continuamente elevada, não haverá nem sequer duas pessoas trabalhando e pagando INSS para sustentar um aposentado.

Aí fica a pergunta: como é que você soluciona isso? Qual seria uma política factível "de esquerda" ou "de direita" que possa sobrepujar a realidade demográfica e a contabilidade?

Havendo 10 trabalhadores sendo tributados para sustentar 1 aposentado, a situação deste aposentado será tranquila e ele viverá confortavelmente. Porém, havendo apenas 2 trabalhadores para sustentar 1 aposentado, a situação fica desesperadora. Ou esses 2 trabalhadores terão de ser tributados ainda mais pesadamente para sustentar o aposentado, ou o aposentado simplesmente receberá menos (bem menos) do que lhe foi prometido.

Portanto, para quem irá se aposentar daqui a várias décadas e quer receber tudo o que lhe foi prometido hoje pelo INSS, a mão-de-obra jovem do futuro terá de ser ou muito numerosa (uma impossibilidade biológica, por causa das atuais taxas de fecundidade) ou excessivamente tributada (algo que não é duradouro).

Eis o fato irrevogável: contra a demografia e a matemática, ninguém pode fazer nada.

A não ser mudar totalmente o sistema.

Uma proposta para uma reforma definitiva da Previdência

ARTIGOS - ÚLTIMOS 7 DIAS

  • Capitale  22/01/2011 10:41
    Dada esta situção, suponhamos que alguém tenha uma grande quantidade de yuan em mãos.

    Qual a melhor opção para não perder dinheiro? Além de comprar ouro, naturalmente.

    Talvez trocar por outra moeda agora? Esperar para trocar depois?
  • André Luis  22/01/2011 11:19
    O interessante é saber até quando a China vai aguentar comprar dólares para manter sua moeda subvalorizada.De uma hora para outra a bomba pode estourar,uma vez que essa situação é totalmente artificial.A inflação chinesa com certeza é bem maior que essa de 5,1% oficialmente declarada e o rombo em suas contas para comprar dólares com certe4za tambem deve ser imenso.ogo a bomba estourara e o yuane disparara.
  • Andre Poffo  22/01/2011 12:38
    Como esse cara escreve bem! Impressionante.

    Uma dúvida apenas, de lingüística.
    "Por ora, a velha guarda que está no comando da China ainda tem forças e o status quo se mantém intacto."
    O que significa: "status quo" ?

    Abraço
  • anônimo  22/01/2011 19:58
    google
  • Miguel A. E. Corgosinho  22/01/2011 22:25
    ESTAMOS APTOS A ENTENDER O FIM DO DO ESTADO IMPERIALISTA?\r
    \r
    Certo dia minha filha Angel Mikaela, advogada da justiça federal, 30 a, casada, fazia trabalho voluntário para crianças de uma fraternidade espírita quando um assaltante procedeu como aqueles que, com uma ação de mercado, praticam o massacre do real, subjetivamente, contra o ponto espacial que estiver oposto, para o seu próprio efeito suscetível.\r
    \r
    Ora, a ação nada mais é do que a negação dos sistema A/X (sujeito-objeto) do puro desenvolvimento científico, que oscila ao acaso, pois nos refletem a causa oculta, para o ponto da passividade (o poder fora). \r
    \r
    Angel deixou no quadro negro sua ultima frase: "a luta é pela paz", como explicativo que o real intuído no valor oposto (sem todavia renunciar a capacidade de assenhoriar-se do concreto) é uma necessidade do objeto natural que entra em cena.\r
    \r
    Por sua condição exterior, o papel da necessidade transita as atividades objetivas (postas), nas perturbações da órbita. \r
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    Mas doravante, ambos (poder for e necessidade) se tornaram a verdade do objeto e exterioridade, que produziram as ações de refletir a humanidade. Logo, serão qualificados por um modo de ver uma descoberta causal.\r
    \r
    Por isto, tinha ânsia de contemplação, por relações mutuas, dos significados dos fenômenos numa razão de referencia, para justificação da violência. Esta razão determinava o começo do Todo organizado de "A", cuja síntese tenha: Passividade, ocupação e o sistema da natureza X - ponto fixo das atividades. \r
    \r
    E eis que é tempo de mostrar os fenômenos do ponto fixo, no encontro real perante a História de seus martires, para sucessão do estado que não tem total explicativo, mas nos correlaciona como seus. \r
    \r
    Pelo Mundo Real se universaliza o ponto fixo da passividade diante dos seus testemunhos - na medida que não há como se fazer um outro Todo de ordem planetária (o poder fora dos países) sem o espaço e tempo.\r
    \r
    Temos aqui os termos do valor do espaço ligado a sua estrutura: 1) O ponto fixo da passividade precede no tempo a sociedade industrial. 2) Pelas atividades refletidas, em razão oposta, se emite moeda dos termos A/X; isto é, os opostos têm um pelo outro a abstração (determinação). 3) Nenhum objeto precisa alienar o seu valor no espaço a nenhum estado para gerar sua própria riqueza.\r
    \r
    Um dia, o lugar da ciência embalsamada entrará em paz no espaço, para dar a moeda o ponto de partida - de tudo que for feito - porque as partes do espaço devem estar fixas, simultaneidade, no tempo. Neste caso, em que o insensível, assim como os objetos, não sofrem as opções do caos, deixo em memória de Angel Mikaela a invenção da consciência externa - na qual o "ser" seja o suscetível da natureza X, porque, depois do seu componente fundamental, minha consciência se anula na ordem lógica - já que a vivencia no espaço vazio não pode mais estar fora do inventário dos tempos de evolução.\r
    \r
    A CIÊNCIA COMO VALOR NO FUNDAMENTO DO ESPAÇO NÃO CONHECERÁ SEUS HERÓIS FORA DO TEMPO.\r
    \r
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  • Erick Skrabe  23/01/2011 21:03
    Clodovil (ainda ñ tinham inventado o Tiririca) tinha uma ótima frase para estes momentos: "É tudo parte de um processo carmico."
  • Miguel  24/01/2011 12:13
    Amigo, Deus abençoe sua família.
  • Rhyan Fortuna  23/01/2011 01:49
    Ótimo texto!\r
    \r
    Uma dúvida: O que aconteceria se a China adotasse o câmbio flutuante?\r
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    Obrigado, abraços!
  • Helio  23/01/2011 15:12
    Foi uma bela surpresa positiva que o Schiff tenha abandonado a previamente insistente retórica de que "a China manipula sua moeda" para a mais correta: "A China adotou uma âncora ruim, o US$." O Schiff me soou bastante mais maduro neste artigo.

    Rhyan, se a China adotasse o câmbio flutuante, as reservas parariam de crescer, e o Renminbi valorizaria substancialmente (na meu chute grosseiro, iria para cerca de RMB4:US$1 ao invés do atual RMB6.6:US$1). A identidade contábil do balanço de pagamentos ajuda a visualizar o fenômeno.

    Variação de reservas = (a) saldo em conta-corrente + (b) saldo em conta de capital

    A conta-corrente (a) é a soma do (i) saldo comercial (exportações menos importações), (ii) juros e dividendos (recebidos menos pagos) e outros (como transferências de expatriados, viagens, doações).

    A conta de capital (b) é a soma dos (iii) investimentos estrangeiros em ativos (FDI ou IED em português) e (iv) os investimentos de portfolio e outros (em bolsa e ativos financeiros).

    Atualmente a conta-corrente anual da China (a) está grosso modo da seguinte forma: cerca de (i) US$250bilhões (saldo comercial) e (ii) US$50bi (juros, dividendos e outros) = US$300bi

    A conta de capital (b) está assim: (iii) US$100bi (FDI) + (iv) US$50bi (inv portfolio/outros) = US$150bi

    As reservas da China (a) + (b) estão crescendo ao assustador ritmo de US$450bi/ano!

    Se o câmbio flutuar, significa que o BC chinês interromperá a compra/venda de dólares/renminbis, e a variação de reservas será ZERO.

    Isto significa que a soma de (a) e (b) terá que ser ZERO, por definição. Isto envolverá uma substancial apreciação do Renminbi de tal forma que haja equilíbrio entre entradas e saídas de dólares. Provavelmente a conta de capital ficará substancialmente negativa (US$100bi/ano?) e a conta-corrente positiva no mesmo valor.



  • Rhyan Fortuna  23/01/2011 22:54
    Valeu, Helio!\r
    Abraço!
  • Helio  23/01/2011 15:36
    O Schiff está correto ao afirmar que o fim da simbiose cambial China/USA será detonado pela inflação chinesa.

    A quantidade da moeda na China cresceu 30% em 2009 e 20% em 2010. Para um crescimento de PIB de 10%, isso significa que o potencial inflacionário da China está entre 10 e 20% ao ano! Obviamente, é impossível esterilizar a entrada de US$450 bi ao ano. Essa quantia representa 2/3 do crescimento da moeda. Se o câmbio flutuasse, seriam eliminados 2/3 do potencial inflacionário.

    A única arma que pode adiar esse final inevitável é o drástico aumento dos depósitos compulsórios. A China tem hoje um requerimento de 19.5% de depósito compulsório pelos bancos no BC chinês (15.5% para os bancos menores). Cada ponto percentual de aumento do compulsório retira da economia cerca de US$100bi (os chineses tem cerca de US$11tri em depósitos). Isso significa que o BC chinês pode esterilizar a entrada de doláres aumentando o compulsório em 4.5 pontos percentuais a cada ano. O BC chinês tem, portanto, cerca de quatro anos ou cinco anos até que atinja um depósito compulsório similar ao brasileiro (acima de 40%), considerado altíssimo pelos países centrais.







  • Helio  23/01/2011 16:48
    Obviamente o acúmulo acelerado de reservas não estaria ocorrendo caso o governo chinês liberasse totalmente a conta de capital. Hoje os chineses não podem enviar sua poupança ao exterior e as companhias e institucionais chineses tem sérias limitações a remessas ao exterior. Caso houvesse livre remessas, seguramente as reservas não cresceriam neste ritmo.

    O mesmo ocorre no Brasil. O governo reclama do câmbio "valorizado", mas não libera os investidores institucionais e os fundos de pensão para investimentos no exterior.
  • Maurício  23/01/2011 18:06
    Excelente comentário, Helio! Vc poderia escrever mais sobre o assunto, realmente muito proveitoso!

    Para servir como base de consulta, onde vc obteve estes dados da China? Tem alguma fonte direta ou estão dispersas?

    Abraços,

    Maurício
  • Helio  23/01/2011 20:51
    Maurício, as estatísticas estão dispersas. Eu não assino embaixo dos números que citei, exceto os US$450bi de variação de reservas em 2010, que é o dado mais importante, e que pode ser checado por fontes externas à China. De acordo com o Bloomberg, o saldo comercial em 2010 foi de US$183bi, e o de 2008 foi de US$295bi. (O saldo da balança também pode ser checado via os dados das contrapartes).

    As estatísticas chinesas de balanço de pagamentos são divulgadas pela SAFE - State Administration of Foreign Exchange.
  • aliancaliberal  23/01/2011 19:28
    Pra não ser somente assuntos serios
    .....
    Dois esqueletos, um de um funcioanrio publico(Aspone) e um de um PATO (PAgador de imposTOs), encontram-se. O PATO diz ao Aspone, com admiração: - Rapaz, que esqueleto tão baril: grande, forte, de ossos grossos e brancos, um tremendo esqueleto! .
    O esqueleto Aspone responde: - É que eu comi muita carne, tomei muito leite, muitas vitaminas.
    Mas, olhe, você ê, para um esqueleto de um contribuinte, até não está nada mal. Você tinha direito a algum desconto de impostos quando estava vivo? - Não, não. Eu ainda estou vivo!
    ..........
    Em Cuba, um menino chega da escola faminto e pergunta à sua mãe:

    - Mamãe, o que vamos comer?

    - Nada, filhinho.

    O menino vê o papagaio da casa e diz:

    - Nem papagaio com arroz?

    - Não temos arroz, filhinho.

    - E papagaio assado?

    - Não temos gás.

    - Assa na churrasqueira elétrica!

    - Não temos eletricidade, filho.

    - Que tal papagaio frito?

    - Não temos óleo, querido.

    Grita o papagaio:

    - VIVA FIDEL!!! VIVA FIDEL!!!
  • mcmoraes  23/01/2011 19:38
    Schiff disse: "...A mais ignóbil dessas medidas foi a imposição de controle dos preços dos alimentos em várias cidades chinesas..."

    Essa me fez lembrar de uma palestra de Gary North

    ...Há aprox. 50 anos, o senador Bennet disse, em uma conferência, na presença de grandes acadêmicos, entre os quais Mises e Hayek: Eu estava na estrada, em uma das minhas turnês eleitorais e parei em um posto de gasolina. Comecei a conversar com um dos atendentes do posto e perguntei: qual sua opinião a respeito de combate à inflação através de controle de preços? O atendente respondeu: olha, eu acho que tentar combater a inflação com controle de preços é semalhente a tentar segurar diarréia com fita adesiva.
  • Miguel A. E. Corgosinho  23/01/2011 21:01
    "A China adotou uma âncora ruim, o US$." O Schiff me soou bastante mais maduro neste artigo."\r
    \r
    Âncora = intervencionismo. \r
    \r
    No fundo a âncora atual é uma mentalidade contrária ao libertárianismo: provoca a regressão; pois significa mais emissão de dinheiro, em que o estado paga juros, por causa de investimentos externos na propriedade privada (numa forma de credito frouxo aos empresários), e coersivos aos investimentos do estado em moeda nova. \r
    \r
    Pode-se dizer que esse tipo de internvencionismo cria bolhas monetárias, além de cair na conta de outra civilização, na vida de um povo - retirando os investimentos em obras sociais, da receita fiscal, para pagar mensurações (âncora) - por capacidade de natureza ciêntifica (?), não.\r
    \r
    O PIB é a única premissa de âncora, para o desenvolvimento da técnica de cálculo da correlação com a moeda, segundo o qual a economia acumula a ciência do patrimonio do conhecimento que se origina o emprego de seu valor, conseguindo-se chegar, com certeza, às significativas conquistas de assegurar a produção ao nível da realidade.\r
    \r
    "O Schiff está correto ao afirmar que o fim da simbiose cambial China/USA será detonado pela inflação chinesa."\r
    \r
    A distinção da âncora, pode parecer de escasso significado para inflação, mas é o âmbito indireto de cientificidade de um ponto fixo da ciência (cambial), ou seja: é uma contraprova, antes de um aprofundamento coerente de hipóteses e consequências do modo tangível de uma premissa do valor.\r
    \r
  • Helio  23/01/2011 23:26

    Âncora = intervencionismo.

    Não vou falar sobre o resto do post do Miguel Corgosinho, pois é uma sopa de letrinhas que não sei decifrar. Quanto à assertiva acima de que toda âncora representa intervencionismo, cabem alguns comentários.

    Há várias âncoras adotadas por Bancos Centrais - no Brasil a âncora adotada é a das metas de inflação. Em Hong Kong é o currency board. No século XIX era o ouro. Cada uma destas âncoras tem por objetivo dar mais credibilidade à gestão da moeda pelo monopolista. A história mostra que esses monopolistas continuamente abusaram deste poder (alguém se surpreende?). Em certos momentos a população exigiu menos poder discricionário pelo monopolista, e estes foram obrigados a entregar parte de seu poder destrutivo - em geral adotando uma âncora como as acima. Portanto, toda gestão monopolista de moeda configura intervencionismo. Mas a âncora, quando estabelecida, diminui o poder destrutivo intervencionista, e portanto não concordo com a assertiva.

  • Miguel A. E. Corgosinho  24/01/2011 01:38
    Eu respeito o seu banquete de idéias a esse mero comentarista.\r
    \r
    Mas, vc acha justo pagarmos bilhões por uma âncora pirata (JURO = PROMETER FUTURO) porque "Em certos momentos a população exigiu menos poder discricionário pelo monopolista,..."? \r
    \r
    Passado isso, não estamos pulando etapas destrutivas reais - quero dizer, se o mercado impõe uma parte do seu monopólio, para uso monetário, ao estado, obrigándo-o a emitir dinheiro pelos investimentos externos, não se personifica a destruição intervencionista do estrangeiro contra o princípio de um padrão de referência original?\r
    \r
    Bem, se a primeira questão é o padrão de referência em dólar (âncora - moeda x moeda), que surgiu pela ruina de uma moeda como força motriz do valor da sociedade; logo, a meta de inflação (juros), é só uma âncora imaginada como uma consequência da falibilidade da ciência.\r
    \r
    Abrs
  • Erick Skrabe  24/01/2011 13:25
    "se o mercado impõe uma parte do seu monopólio"

    ? ? ?
  • Miguel A. E. Corgosinho  24/01/2011 16:19
    Monopólio privado (de venda de moeda estrangeira ao estado) de uso forçado - ou você acha que quem deve a emissão para o próprio mercado financeiro, intervencionista, é o monopolista?
  • Erick Skrabe  23/01/2011 21:19
    "O interessante é que os americanos parecem não entender todas as implicações dessa medida"

    O arranjo é notável: os americanos imprimem dólares, mandam pros chineses e recebem produtos. O banco chinês imprime yuans para pagar o fornecedor e tem q guardar os dólares (talvez devesse botar fogo, assim ñ gastaria yuans com os custos de armazenagem: seria mais barato. Ele ñ vai poder usar os USDs para ñ desvalorizar o yuan).

    O BC Chinês paga a conta do consumo americano.
  • Rafael  24/01/2011 01:39
    E quem paga a conta do BC chinês?
  • Erick Skrabe  24/01/2011 08:58
    A conta vem na forma de inflação para o consumidor chinês pagar comodamente junto com a compra do supermercado ou da feira.
  • Lucas  24/01/2011 14:40
    Uma coisa ninguém me explica. Se os EUA não tem grana, só déficits sempre crescentes na sua balança comercial e suas reservas são ínfimas (até mesmo menores que as reservas brazucas!), então como, COMO!? que o dólar se mantem acima de moedas como a chinesa e a brasileira?
    Alguém escreveu aí acima que seu chute era de uma valorização que do renminbi fosse de 6,6:1 US$ pra 4:1 US$... se a China parasse totalmente de influenciar sua moeda, ela não deveria subir para mais de 1:1 US$? Afinal os EUA "só" importam e imprimem dólares e a China "só" exporta.
  • Leandro  24/01/2011 14:54
    Lucas, como explicado nos dois artigos abaixo, o que determina a taxa de câmbio entre duas moedas é o poder de compra de cada uma delas.

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=829
    www.mises.org.br/Article.aspx?id=419

    Pronto. Agora não tem mais essa desculpa de que "ninguém explica" isso.

    Grande abraço!
  • mcmoraes  24/01/2011 17:02
    Dêem uma olhada no seguinte trecho de reportagem. Olhem só a linguagem que os caras adotam por aí:

    First, let's define inflation so we're all on the same page. Inflation is, depending on one's orientation, too much money chasing too few goods and services or, in the extreme case favored by Austrian economists, an increase in the money supply. In other words, money is key.

    Ora, se há "too much money chasing too few goods and services" é porque houve, obrigatoriamente, "an increase in the money supply". As duas coisa são a mesma. Onde está o "extreme case favored by Austrian economists"? É isso que eu chamo de miopia conceitual.

  • Miguel A. E. Corgosinho  24/01/2011 19:53
    Nenhuma maquina de imprimir dinheiro, substituindo o homem pensante (em substância identificavel com o sistema formal) pode construir um valor que se possa provar ou refutar.\r
    \r
    Esse resultado de inflação monetária, fazendo brotar, por assim dizer, varios pontos fixos fora do sistema central, já trouxe muitos resultados suficientes para formalizar um processo ao infinito da riqueza dos BRICS e a incompleteza semântica da epistemologia econômica pelos EUA.\r
    \r
    Depois de um decênio de pesquisas, demonstrou-se em 1931 um célebre teorema de Kurt Godel, onde se estabeleceu que nenhum sistema axiomático coerente, cuja cumplicidade seja ao menos de grau suficiente para formalizar a aritimética, poderá domonstrar a proposição que, nele, afirma sua coerência interna. Noutras palavras, a prova para todo sistema formal suficientemente expressivo deve-se buscá-lo fora do próprio sistema: é manifesto que assim se desencadeia um processo infinito, a não ser que se concorde, a certa altura, em aceitar um ponto fixo fora do sistema formal e em considerá-lo e homologá-lo, em si intuitivo ou evidente. \r
    \r
  • Emerson Luis, um Psicologo  06/09/2014 14:35

    "Se um cego guiar outro cego, ambos cairão em uma cova"

    Se uma moeda sem lastro se lastrear em outra moeda sem lastro...

    * * *
  • Corsario90  11/08/2015 14:34
    Bom dia Leandro!
    Essa desvalorização do yuan ajudará o EUA? A China desvalorizada vai acabar com as nossas comoditties minerais? Como fica a relação de reservas em dólar que a China tem é a sua subida desvorizazao da moeda??
  • Leandro  11/08/2015 15:16
    Se eu soubesse a resposta já estaria arrumando minhas malas para fazer um longo cruzeiro pelas Bahamas e pelo Havaí, de tão rico eu estaria.

    P.S.: o atual valor do renminbi em dólares é o mesmo que vigorava em 2012.

    P.S.2: a coisa tá tão feia com o real, que, neste exato momento, ele está se desvalorizando perante o renminbi.


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