O problema da inflação chinesa é de interesse mundial
por , sábado, 22 de janeiro de 2011

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China-Inflation-Takes.jpgA economia global tornou-se tão desequilibrada, que até mesmo políticos que normalmente teriam problemas para entender as leis da oferta e demanda já estão claramente reconhecendo que alguém terá de ceder.

Em grande parte, as distorções foram causadas pela duradoura política da China de atrelar sua moeda, o yuan, ao dólar americano.  Porém, na medida em que a economia chinesa se fortalece, e a economia americana vai ficando enfraquecida, o custo e a dificuldade de se manter a atrelagem vão ficando cada vez maior, até o momento em que certamente irão sobrepujar os benefícios que tal política supostamente concede à China.  Nas primeiras semanas de 2011, surgiram vigorosas novidades que mostram o quão difícil tal arranjo se tornou para Pequim.

Vinte anos atrás, os líderes chineses decidiram se livrar do desastre econômico criado pelo comunismo e adotar uma economia de mercado, comandada por indústrias privadas voltadas para exportações.  O plano funcionou em grande medida.  De lá pra cá, a China comprovadamente retirou mais pessoas da miséria no menor intervalo de tempo da história do planeta.  Porém, em algum momento ao longo desse período, os líderes chineses tornaram-se viciados em um plano estratégico cuja utilidade já se exauriu.

Para manter seu câmbio fixo em relação ao dólar, a China tem de continuamente comprar dólares no mercado.  Porém, quanto mais fraco o dólar vai ficando, mais dólares a China tem de comprar para manter sua cotação.  E com o Banco Central americano criando sua inflação monetária sem precedentes, o que joga o valor do dólar lá pra baixo, a tarefa de Pequim tornou-se praticamente impossível.  Há duas semanas, a China anunciou que suas reservas internacionais — a quantidade de moeda estrangeira comprada e mantida por seu banco central (a maior parte dela formada por dólares americanos) — aumentaram US$ 199 bilhões apenas no quarto trimestre de 2010, um aumento recorde, chegando a um total de US$ 2,85 trilhões.  Essas reservas atualmente representam espantosos 49% do PIB anual da China (se a mesma quantidade, em termos proporcionais, fosse mantida pelos EUA, os miseráveis US$ 46 bilhões em reservas internacionais do país teriam de aumentar 163 vezes, indo para um total de $ 7,5 trilhões).

Para comprar esses dólares e manter sua cotação cambial, o Banco Central da China tem de imprimir dinheiro.  Essencialmente, a China está adotando a mesma política monetária expansionista do Federal Reserve.  Nos EUA, o impacto inflacionário de tal estratégia do Fed tem sido mitigado pelo fato de que, como o dólar é a moeda internacional de troca, o país usufrui o privilégio de poder exportar o papel pintado que produz em troca de produtos chineses baratos.  Embora os preços estejam sim subindo nos EUA, eles não estão nem de longe subindo o tanto que iriam subir caso os americanos tivessem de gastar todos esses dólares recém-criados em sua própria economia, comprando bens produzidos domesticamente.  O grande problema para a China é que, ao contrário dos EUA, os yuanes que o Banco Central chinês imprime para comprar dólares não são exportados.  Eles permanecem dentro da China pressionando para cima os preços dos bens de consumo.  Como resultado, a inflação de preços — em níveis preocupantes — está se tornando a principal questão política da China.

Recentemente foi anunciado que, em novembro de 2010, o índice de preços ao consumidor chinês aumentou 5,1% no acumulado dos últimos 12 meses, com os preços dos alimentos subindo mais de 10%.  Isso provocou inquietações na população, e o governo chinês, por conseguinte, começou a implementar uma série de políticas para atacar os sintomas da doença, ao mesmo tempo em que ignorava suas causas básicas.

A mais ignóbil dessas medidas foi a imposição de controle dos preços dos alimentos em várias cidades chinesas.  Como vários países do mundo que já adotaram essa medida dolorosamente sabem, as leis da oferta e da demanda não podem simplesmente ser suspensas por decreto.  Os líderes chineses sabem disso e mais recentemente começaram a implementar uma grande quantidade de outras medidas mais sofisticadas.

Norteando-se pelo errôneo princípio econômico keynesiano de que a inflação de preços é resultado de uma economia forte, e não da expansão da oferta monetária, a China está tentando resolver seus problemas restringindo seu crescimento econômico.  Para fazer isso, o país aumentou sua taxa básica de juros e adotou medidas para limitar os empréstimos bancários.

Na semana passada, o Banco Central chinês elevou o compulsório (porcentagem dos depósitos bancários que os bancos devem manter junto ao banco central) em meio ponto percentual.  Foi o sétimo aumento seguido no período de um ano (o quarto aumento em apenas dois meses).  Quanto à taxa básica de juros, o Banco Central chinês está ponderando novos aumentos, os quais, segundo muitos analistas, virão ainda nesse primeiro trimestre.  Entretanto, se essas medidas não forem acompanhadas de uma interrupção na compra de dólares, elas não terão efeito algum sobre a inflação de preços.

No recente encontro ocorrido entre os presidentes Hu Jintao e Barack Obama, os representantes do governo americano, previsivelmente, fizeram apelos para que a China deixasse o yuan apreciar.  O interessante é que os americanos parecem não entender todas as implicações dessa medida: a valorização do yuan em relação ao dólar será ruim para a economia americana.  Se os chineses pararem de comprar dólares, os americanos irão enfrentar uma inflação de preços em sua economia, tanto por causa da menor exportação de dólares quanto pelo maior preço dos produtos chineses importados.  E isso levará a um aumento dos juros na economia americana.  Se o governo Obama crê que a economia americana pode aguentar esse tranco, ele terá uma surpresa desagradável.

O real despertar ocorrerá quando a China perceber que ela amarrou sua economia a uma moeda sem futuro.  E já há vários sinais de que muitas lideranças chinesas estão começando a se dar conta dessa realidade.

Por exemplo, Zhou Qiren, um conselheiro acadêmico do Banco Central chinês, disse em uma recente entrevista que a China tem de encontrar uma maneira de valorizar o yuan sem ter de incorrer na impressão de mais yuans para manter a estabilidade da taxa de câmbio.  Ele argumentou que elevar as taxas de juros não resolverá os problemas fundamentais que estão gerando inflação.  Para fazer isso, a China deve controlar sua oferta monetária.  Creio que ele está planejando algo.

Ele também comentou que o dólar americano, que se tornou um substituto do ouro após o acordo de Bretton Woods em 1944, não mais pode continuar servindo como âncora para as moedas mundiais.  Adicionalmente, ele sugeriu que o yuan seja ancorado a algo mais objetivo.  Para mim, parece que ele está se referindo a um certo metal amarelo.

O ponto principal é que os chineses finalmente estão acordando pra realidade.  Quando o dólar era lastreado em ouro, ele era uma âncora confiável.  Entretanto, desde que essa âncora foi abolida em 1971, o dólar ficou à deriva, e não mais tem condições de fornecer estabilidade.  Durante algum tempo, mesmo sem o ouro, a força da economia americana e da competitividade de suas exportações propiciou estabilidade ao dólar.  Porém, esses tempos já acabaram.

Por ora, a velha guarda que está no comando da China ainda tem forças e o status quo se mantém intacto.  Porém, estima-se que novas lideranças já estejam no poder até 2014.  Quando mentes novas assumirem o comando, é possível que finalmente vejamos alguma mudança substantiva no sistema monetário global.

Peter Schiff 

é o presidente da Euro Pacific Capital e autor dos livros The Little Book of Bull Moves in Bear Markets, Crash Proof: How to Profit from the Coming Economic Collapse e How an Economy Grows and Why It Crashes.  Ficou famoso por ter previsto com grande acurácia o atual cataclisma econômico.  Veja o vídeo.  Veja também sua palestra definitiva sobre a crise americana -- com legendas em português.




28 comentários
28 comentários
Capitale 22/01/2011 10:41:59

Dada esta situção, suponhamos que alguém tenha uma grande quantidade de yuan em mãos.

Qual a melhor opção para não perder dinheiro? Além de comprar ouro, naturalmente.

Talvez trocar por outra moeda agora? Esperar para trocar depois?

Responder
André Luis 22/01/2011 11:19:52

O interessante é saber até quando a China vai aguentar comprar dólares para manter sua moeda subvalorizada.De uma hora para outra a bomba pode estourar,uma vez que essa situação é totalmente artificial.A inflação chinesa com certeza é bem maior que essa de 5,1% oficialmente declarada e o rombo em suas contas para comprar dólares com certe4za tambem deve ser imenso.ogo a bomba estourara e o yuane disparara.

Responder
Andre Poffo 22/01/2011 12:38:48

Como esse cara escreve bem! Impressionante.

Uma dúvida apenas, de lingüística.
"Por ora, a velha guarda que está no comando da China ainda tem forças e o status quo se mantém intacto."
O que significa: "status quo" ?

Abraço

Responder
anônimo 22/01/2011 19:58:27

google

Responder
Miguel A. E. Corgosinho 22/01/2011 22:25:13

ESTAMOS APTOS A ENTENDER O FIM DO DO ESTADO IMPERIALISTA?\r
\r
Certo dia minha filha Angel Mikaela, advogada da justiça federal, 30 a, casada, fazia trabalho voluntário para crianças de uma fraternidade espírita quando um assaltante procedeu como aqueles que, com uma ação de mercado, praticam o massacre do real, subjetivamente, contra o ponto espacial que estiver oposto, para o seu próprio efeito suscetível.\r
\r
Ora, a ação nada mais é do que a negação dos sistema A/X (sujeito-objeto) do puro desenvolvimento científico, que oscila ao acaso, pois nos refletem a causa oculta, para o ponto da passividade (o poder fora). \r
\r
Angel deixou no quadro negro sua ultima frase: "a luta é pela paz", como explicativo que o real intuído no valor oposto (sem todavia renunciar a capacidade de assenhoriar-se do concreto) é uma necessidade do objeto natural que entra em cena.\r
\r
Por sua condição exterior, o papel da necessidade transita as atividades objetivas (postas), nas perturbações da órbita. \r
\r
Mas doravante, ambos (poder for e necessidade) se tornaram a verdade do objeto e exterioridade, que produziram as ações de refletir a humanidade. Logo, serão qualificados por um modo de ver uma descoberta causal.\r
\r
Por isto, tinha ânsia de contemplação, por relações mutuas, dos significados dos fenômenos numa razão de referencia, para justificação da violência. Esta razão determinava o começo do Todo organizado de "A", cuja síntese tenha: Passividade, ocupação e o sistema da natureza X - ponto fixo das atividades. \r
\r
E eis que é tempo de mostrar os fenômenos do ponto fixo, no encontro real perante a História de seus martires, para sucessão do estado que não tem total explicativo, mas nos correlaciona como seus. \r
\r
Pelo Mundo Real se universaliza o ponto fixo da passividade diante dos seus testemunhos - na medida que não há como se fazer um outro Todo de ordem planetária (o poder fora dos países) sem o espaço e tempo.\r
\r
Temos aqui os termos do valor do espaço ligado a sua estrutura: 1) O ponto fixo da passividade precede no tempo a sociedade industrial. 2) Pelas atividades refletidas, em razão oposta, se emite moeda dos termos A/X; isto é, os opostos têm um pelo outro a abstração (determinação). 3) Nenhum objeto precisa alienar o seu valor no espaço a nenhum estado para gerar sua própria riqueza.\r
\r
Um dia, o lugar da ciência embalsamada entrará em paz no espaço, para dar a moeda o ponto de partida - de tudo que for feito - porque as partes do espaço devem estar fixas, simultaneidade, no tempo. Neste caso, em que o insensível, assim como os objetos, não sofrem as opções do caos, deixo em memória de Angel Mikaela a invenção da consciência externa - na qual o "ser" seja o suscetível da natureza X, porque, depois do seu componente fundamental, minha consciência se anula na ordem lógica - já que a vivencia no espaço vazio não pode mais estar fora do inventário dos tempos de evolução.\r
\r
A CIÊNCIA COMO VALOR NO FUNDAMENTO DO ESPAÇO NÃO CONHECERÁ SEUS HERÓIS FORA DO TEMPO.\r
\r
\r

Responder
Erick Skrabe 23/01/2011 21:03:56

Clodovil (ainda ñ tinham inventado o Tiririca) tinha uma ótima frase para estes momentos: "É tudo parte de um processo carmico."

Responder
Miguel 24/01/2011 12:13:54

Amigo, Deus abençoe sua família.

Responder
Rhyan Fortuna 23/01/2011 01:49:13

Ótimo texto!\r
\r
Uma dúvida: O que aconteceria se a China adotasse o câmbio flutuante?\r
\r
Obrigado, abraços!

Responder
Helio 23/01/2011 15:12:34

Foi uma bela surpresa positiva que o Schiff tenha abandonado a previamente insistente retórica de que "a China manipula sua moeda" para a mais correta: "A China adotou uma âncora ruim, o US$." O Schiff me soou bastante mais maduro neste artigo.

Rhyan, se a China adotasse o câmbio flutuante, as reservas parariam de crescer, e o Renminbi valorizaria substancialmente (na meu chute grosseiro, iria para cerca de RMB4:US$1 ao invés do atual RMB6.6:US$1). A identidade contábil do balanço de pagamentos ajuda a visualizar o fenômeno.

Variação de reservas = (a) saldo em conta-corrente + (b) saldo em conta de capital

A conta-corrente (a) é a soma do (i) saldo comercial (exportações menos importações), (ii) juros e dividendos (recebidos menos pagos) e outros (como transferências de expatriados, viagens, doações).

A conta de capital (b) é a soma dos (iii) investimentos estrangeiros em ativos (FDI ou IED em português) e (iv) os investimentos de portfolio e outros (em bolsa e ativos financeiros).

Atualmente a conta-corrente anual da China (a) está grosso modo da seguinte forma: cerca de (i) US$250bilhões (saldo comercial) e (ii) US$50bi (juros, dividendos e outros) = US$300bi

A conta de capital (b) está assim: (iii) US$100bi (FDI) + (iv) US$50bi (inv portfolio/outros) = US$150bi

As reservas da China (a) + (b) estão crescendo ao assustador ritmo de US$450bi/ano!

Se o câmbio flutuar, significa que o BC chinês interromperá a compra/venda de dólares/renminbis, e a variação de reservas será ZERO.

Isto significa que a soma de (a) e (b) terá que ser ZERO, por definição. Isto envolverá uma substancial apreciação do Renminbi de tal forma que haja equilíbrio entre entradas e saídas de dólares. Provavelmente a conta de capital ficará substancialmente negativa (US$100bi/ano?) e a conta-corrente positiva no mesmo valor.



Responder
Rhyan Fortuna 23/01/2011 22:54:29

Valeu, Helio!\r
Abraço!

Responder
Helio 23/01/2011 15:36:05

O Schiff está correto ao afirmar que o fim da simbiose cambial China/USA será detonado pela inflação chinesa.

A quantidade da moeda na China cresceu 30% em 2009 e 20% em 2010. Para um crescimento de PIB de 10%, isso significa que o potencial inflacionário da China está entre 10 e 20% ao ano! Obviamente, é impossível esterilizar a entrada de US$450 bi ao ano. Essa quantia representa 2/3 do crescimento da moeda. Se o câmbio flutuasse, seriam eliminados 2/3 do potencial inflacionário.

A única arma que pode adiar esse final inevitável é o drástico aumento dos depósitos compulsórios. A China tem hoje um requerimento de 19.5% de depósito compulsório pelos bancos no BC chinês (15.5% para os bancos menores). Cada ponto percentual de aumento do compulsório retira da economia cerca de US$100bi (os chineses tem cerca de US$11tri em depósitos). Isso significa que o BC chinês pode esterilizar a entrada de doláres aumentando o compulsório em 4.5 pontos percentuais a cada ano. O BC chinês tem, portanto, cerca de quatro anos ou cinco anos até que atinja um depósito compulsório similar ao brasileiro (acima de 40%), considerado altíssimo pelos países centrais.







Responder
Helio 23/01/2011 16:48:06

Obviamente o acúmulo acelerado de reservas não estaria ocorrendo caso o governo chinês liberasse totalmente a conta de capital. Hoje os chineses não podem enviar sua poupança ao exterior e as companhias e institucionais chineses tem sérias limitações a remessas ao exterior. Caso houvesse livre remessas, seguramente as reservas não cresceriam neste ritmo.

O mesmo ocorre no Brasil. O governo reclama do câmbio "valorizado", mas não libera os investidores institucionais e os fundos de pensão para investimentos no exterior.

Responder
Maurício 23/01/2011 18:06:32

Excelente comentário, Helio! Vc poderia escrever mais sobre o assunto, realmente muito proveitoso!

Para servir como base de consulta, onde vc obteve estes dados da China? Tem alguma fonte direta ou estão dispersas?

Abraços,

Maurício

Responder
Helio 23/01/2011 20:51:35

Maurício, as estatísticas estão dispersas. Eu não assino embaixo dos números que citei, exceto os US$450bi de variação de reservas em 2010, que é o dado mais importante, e que pode ser checado por fontes externas à China. De acordo com o Bloomberg, o saldo comercial em 2010 foi de US$183bi, e o de 2008 foi de US$295bi. (O saldo da balança também pode ser checado via os dados das contrapartes).

As estatísticas chinesas de balanço de pagamentos são divulgadas pela SAFE - State Administration of Foreign Exchange.

Responder
aliancaliberal 23/01/2011 19:28:00

Pra não ser somente assuntos serios
.....
Dois esqueletos, um de um funcioanrio publico(Aspone) e um de um PATO (PAgador de imposTOs), encontram-se. O PATO diz ao Aspone, com admiração: - Rapaz, que esqueleto tão baril: grande, forte, de ossos grossos e brancos, um tremendo esqueleto! .
O esqueleto Aspone responde: - É que eu comi muita carne, tomei muito leite, muitas vitaminas.
Mas, olhe, você ê, para um esqueleto de um contribuinte, até não está nada mal. Você tinha direito a algum desconto de impostos quando estava vivo? - Não, não. Eu ainda estou vivo!
..........
Em Cuba, um menino chega da escola faminto e pergunta à sua mãe:

- Mamãe, o que vamos comer?

- Nada, filhinho.

O menino vê o papagaio da casa e diz:

- Nem papagaio com arroz?

- Não temos arroz, filhinho.

- E papagaio assado?

- Não temos gás.

- Assa na churrasqueira elétrica!

- Não temos eletricidade, filho.

- Que tal papagaio frito?

- Não temos óleo, querido.

Grita o papagaio:

- VIVA FIDEL!!! VIVA FIDEL!!!

Responder
mcmoraes 23/01/2011 19:38:02

Schiff disse: "...A mais ignóbil dessas medidas foi a imposição de controle dos preços dos alimentos em várias cidades chinesas..."

Essa me fez lembrar de uma palestra de Gary North

...Há aprox. 50 anos, o senador Bennet disse, em uma conferência, na presença de grandes acadêmicos, entre os quais Mises e Hayek: Eu estava na estrada, em uma das minhas turnês eleitorais e parei em um posto de gasolina. Comecei a conversar com um dos atendentes do posto e perguntei: qual sua opinião a respeito de combate à inflação através de controle de preços? O atendente respondeu: olha, eu acho que tentar combater a inflação com controle de preços é semalhente a tentar segurar diarréia com fita adesiva.

Responder
Miguel A. E. Corgosinho 23/01/2011 21:01:03

"A China adotou uma âncora ruim, o US$." O Schiff me soou bastante mais maduro neste artigo."\r
\r
Âncora = intervencionismo. \r
\r
No fundo a âncora atual é uma mentalidade contrária ao libertárianismo: provoca a regressão; pois significa mais emissão de dinheiro, em que o estado paga juros, por causa de investimentos externos na propriedade privada (numa forma de credito frouxo aos empresários), e coersivos aos investimentos do estado em moeda nova. \r
\r
Pode-se dizer que esse tipo de internvencionismo cria bolhas monetárias, além de cair na conta de outra civilização, na vida de um povo - retirando os investimentos em obras sociais, da receita fiscal, para pagar mensurações (âncora) - por capacidade de natureza ciêntifica (?), não.\r
\r
O PIB é a única premissa de âncora, para o desenvolvimento da técnica de cálculo da correlação com a moeda, segundo o qual a economia acumula a ciência do patrimonio do conhecimento que se origina o emprego de seu valor, conseguindo-se chegar, com certeza, às significativas conquistas de assegurar a produção ao nível da realidade.\r
\r
"O Schiff está correto ao afirmar que o fim da simbiose cambial China/USA será detonado pela inflação chinesa."\r
\r
A distinção da âncora, pode parecer de escasso significado para inflação, mas é o âmbito indireto de cientificidade de um ponto fixo da ciência (cambial), ou seja: é uma contraprova, antes de um aprofundamento coerente de hipóteses e consequências do modo tangível de uma premissa do valor.\r
\r

Responder
Helio 23/01/2011 23:26:01


Âncora = intervencionismo.

Não vou falar sobre o resto do post do Miguel Corgosinho, pois é uma sopa de letrinhas que não sei decifrar. Quanto à assertiva acima de que toda âncora representa intervencionismo, cabem alguns comentários.

Há várias âncoras adotadas por Bancos Centrais - no Brasil a âncora adotada é a das metas de inflação. Em Hong Kong é o currency board. No século XIX era o ouro. Cada uma destas âncoras tem por objetivo dar mais credibilidade à gestão da moeda pelo monopolista. A história mostra que esses monopolistas continuamente abusaram deste poder (alguém se surpreende?). Em certos momentos a população exigiu menos poder discricionário pelo monopolista, e estes foram obrigados a entregar parte de seu poder destrutivo - em geral adotando uma âncora como as acima. Portanto, toda gestão monopolista de moeda configura intervencionismo. Mas a âncora, quando estabelecida, diminui o poder destrutivo intervencionista, e portanto não concordo com a assertiva.

Responder
Miguel A. E. Corgosinho 24/01/2011 01:38:10

Eu respeito o seu banquete de idéias a esse mero comentarista.\r
\r
Mas, vc acha justo pagarmos bilhões por uma âncora pirata (JURO = PROMETER FUTURO) porque "Em certos momentos a população exigiu menos poder discricionário pelo monopolista,..."? \r
\r
Passado isso, não estamos pulando etapas destrutivas reais - quero dizer, se o mercado impõe uma parte do seu monopólio, para uso monetário, ao estado, obrigándo-o a emitir dinheiro pelos investimentos externos, não se personifica a destruição intervencionista do estrangeiro contra o princípio de um padrão de referência original?\r
\r
Bem, se a primeira questão é o padrão de referência em dólar (âncora - moeda x moeda), que surgiu pela ruina de uma moeda como força motriz do valor da sociedade; logo, a meta de inflação (juros), é só uma âncora imaginada como uma consequência da falibilidade da ciência.\r
\r
Abrs

Responder
Erick Skrabe 24/01/2011 13:25:06

"se o mercado impõe uma parte do seu monopólio"

? ? ?

Responder
Miguel A. E. Corgosinho 24/01/2011 16:19:03

Monopólio privado (de venda de moeda estrangeira ao estado) de uso forçado - ou você acha que quem deve a emissão para o próprio mercado financeiro, intervencionista, é o monopolista?

Responder
Erick Skrabe 23/01/2011 21:19:12

"O interessante é que os americanos parecem não entender todas as implicações dessa medida"

O arranjo é notável: os americanos imprimem dólares, mandam pros chineses e recebem produtos. O banco chinês imprime yuans para pagar o fornecedor e tem q guardar os dólares (talvez devesse botar fogo, assim ñ gastaria yuans com os custos de armazenagem: seria mais barato. Ele ñ vai poder usar os USDs para ñ desvalorizar o yuan).

O BC Chinês paga a conta do consumo americano.

Responder
Rafael 24/01/2011 01:39:29

E quem paga a conta do BC chinês?

Responder
Erick Skrabe 24/01/2011 08:58:12

A conta vem na forma de inflação para o consumidor chinês pagar comodamente junto com a compra do supermercado ou da feira.

Responder
Lucas 24/01/2011 14:40:02

Uma coisa ninguém me explica. Se os EUA não tem grana, só déficits sempre crescentes na sua balança comercial e suas reservas são ínfimas (até mesmo menores que as reservas brazucas!), então como, COMO!? que o dólar se mantem acima de moedas como a chinesa e a brasileira?
Alguém escreveu aí acima que seu chute era de uma valorização que do renminbi fosse de 6,6:1 US$ pra 4:1 US$... se a China parasse totalmente de influenciar sua moeda, ela não deveria subir para mais de 1:1 US$? Afinal os EUA "só" importam e imprimem dólares e a China "só" exporta.

Responder
Leandro 24/01/2011 14:54:48

Lucas, como explicado nos dois artigos abaixo, o que determina a taxa de câmbio entre duas moedas é o poder de compra de cada uma delas.

www.mises.org.br/Article.aspx?id=829
www.mises.org.br/Article.aspx?id=419

Pronto. Agora não tem mais essa desculpa de que "ninguém explica" isso.

Grande abraço!

Responder
mcmoraes 24/01/2011 17:02:34

Dêem uma olhada no seguinte trecho de reportagem. Olhem só a linguagem que os caras adotam por aí:

First, let's define inflation so we're all on the same page. Inflation is, depending on one's orientation, too much money chasing too few goods and services or, in the extreme case favored by Austrian economists, an increase in the money supply. In other words, money is key.

Ora, se há "too much money chasing too few goods and services" é porque houve, obrigatoriamente, "an increase in the money supply". As duas coisa são a mesma. Onde está o "extreme case favored by Austrian economists"? É isso que eu chamo de miopia conceitual.

Responder
Miguel A. E. Corgosinho 24/01/2011 19:53:03

Nenhuma maquina de imprimir dinheiro, substituindo o homem pensante (em substância identificavel com o sistema formal) pode construir um valor que se possa provar ou refutar.\r
\r
Esse resultado de inflação monetária, fazendo brotar, por assim dizer, varios pontos fixos fora do sistema central, já trouxe muitos resultados suficientes para formalizar um processo ao infinito da riqueza dos BRICS e a incompleteza semântica da epistemologia econômica pelos EUA.\r
\r
Depois de um decênio de pesquisas, demonstrou-se em 1931 um célebre teorema de Kurt Godel, onde se estabeleceu que nenhum sistema axiomático coerente, cuja cumplicidade seja ao menos de grau suficiente para formalizar a aritimética, poderá domonstrar a proposição que, nele, afirma sua coerência interna. Noutras palavras, a prova para todo sistema formal suficientemente expressivo deve-se buscá-lo fora do próprio sistema: é manifesto que assim se desencadeia um processo infinito, a não ser que se concorde, a certa altura, em aceitar um ponto fixo fora do sistema formal e em considerá-lo e homologá-lo, em si intuitivo ou evidente. \r
\r

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