O estagnado socialismo sueco

A Suécia está em uma fase próspera.  Pelo menos em relação a outros países, a Suécia tem se saído muito bem durante a crise financeira.  Algumas pessoas, como Paul Krugman, parecem crer que isso se deve aos amplos pacotes de socorro e de estatizações de empresas privadas que ocorreram no início da década de 1990, medidas essas que supostamente "salvaram" a Suécia do desastre imposto pelo mercado.  Embora seja verdade que um banco tenha sido estatizado e que bilhões de dólares tenham sido injetados no mercado para manter a coroa sueca artificialmente sobrevalorizada em 1992, essa medida fracassou por completo, e a um alto custo para os suecos pagadores de impostos.

Após um curto período de caos total, quando o banco central sueco elevou as taxas de juros para 500% (sim, quinhentos por cento), a moeda entrou em colapso.  É óbvio, uma vez que sua valorização superficial em relação ao dólar não tinha como ser "defendida" contra a valorização muito mais correta exigida pelo mercado, não obstante as várias tentativas sérias feitas pelo governo sueco para tentar manter essa sobrevalorização.  A conseqüência foi um pânico político, logo seguido pela finalmente compreendida necessidade de se colocar as finanças públicas em ordem. 

Desde aquela época, como explico em maiores detalhes no livro Back on the Road to Serfdom (editado por Tom Woods), o governo sueco — independente de qual partido estava no poder — vem consistentemente mantendo o orçamento equilibrado.  O resultado foi uma queda expressiva na dívida nacional.  Com efeito, desde 1992 a dívida nacional caiu de 80% do PIB para menos de 40%, de acordo com um recente relatório do Gabinete da Dívida Nacional Sueca.  E isso incluindo as medidas antirrecessão adotadas em 2009.

Tais medidas de austeridade dificilmente seriam aprovadas por Krugman e demais keynesianos, mesmo quando eles defendem que os EUA deveriam imitar o caminho exitoso adotado pelos suecos.  Ao contrário: eles obstinadamente se recusam a ver as medidas evidentemente malsucedidas implantadas pelo governo sueco antes de o país ser finalmente forçado a adotar medidas mais sensatas, que o levaram para o caminho da recuperação.

Entretanto, Krugman não está sozinho.  A crença no grande mito de que a Suécia é algum tipo de experimento socialista exitoso ainda é amplamente difundida.  Os próprios suecos em geral creem nesse mito, assim como o fazem várias pessoas em todo o mundo.  Frequentemente sou abordado por alguém que vem me dizer o quão extraordinário é o meu país, fazendo ilações sobre como deve ser bom ter tudo "gratuito".  E eu sempre fico imaginando sobre o que essas pessoas estão falando e, principalmente, o que as fez crer que essas ideias malucas que elas têm são verdadeiras.  Krugman, por exemplo, deveria ser mais bem informado, mas não é.

Porém, talvez o desempenho da Suécia nessa crise recente seja exatamente o tipo de "mito dos sonhos" que os keynesianos sempre estiveram procurando.  Afinal, a criação de riqueza sueca durante o século XX se parece muito com uma criação keynesiana: um crescimento artificial continuamente alimentado, e que foi automaticamente estimulado e socorrido várias vezes por circunstâncias que, por acaso, terminaram dando incrivelmente certo para um país localizado no extremo norte do globo.

Após um período de "extremo" livre comércio na segunda metade do século XIX, o estado assistencialista foi criado pouco antes de meados do século XX e, em seguida, enormemente expandido.  Não ter participado de nenhuma das guerras mundiais certamente ajudou o país, de modo que sustentar o estado assistencialista foi algo fácil na década de 1960 — afinal, havia uma abundância de riqueza pronta para ser expropriada e "investida" em grandes experimentos de engenharia social.

A saga, entretanto, acabou na década de 1970 — porém, ao que parece, o mito resiste.  A crise internacional do petróleo forçou o governo sueco a adotar o keynesianismo puro, e a moeda, como consequência, foi amplamente e frequentemente desvalorizada, por mais de uma década.  Os "felizes anos 80" não ofereceram solução alguma para o estado que então já se encontrava falido; foi a bolha imobiliária da época, estimulada justamente pelo crédito fácil, que manteve a aparência de prosperidade. 

Foi só no início da década de 1990 que a situação financeira do governo implodiu-se por completo, quando os mercados internacionais finalmente deixaram de ficar embriagados com essa bolha imobiliária e reduziram a entrada de divisas no país.  Foi nesse momento que o governo foi forçado, em termos econômicos, a cortar seus gastos e a impor limites nos benefícios oferecidos por meio de uma multiplicidade de sistemas assistencialistas.

Porém, há uma outra verdade sobre a economia sueca, uma verdade que apenas recentemente foi exposta.  Agora existem provas de que a Suécia, mesmo em termos das estatísticas do próprio governo, não é tudo o que se imagina; e que, na realidade, não vivenciou nenhum crescimento econômico real (ao menos em termos de empregos reais, os quais deveriam ser de óbvio interesse para os keynesianos) ao longo de mais de 50 anos.

Em um artigo (infelizmente disponível apenas em sueco) publicado em 2009 no periódico Ekonomisk Debatt, da Associação de Economia Sueca, os economistas Bjuggren e Johansson, do Ratio Institute, mostram a triste verdade.  Baseando-se em dados públicos divulgados pela agência governamental Estatísticas Suecas ("SCB" em sueco, um acrônimo para Bureau Central de Estatísticas) e utilizando um novo sistema de classificação para designar o tipo de propriedade das empresas, eles descobriram que não houve absolutamente nenhum emprego criado no setor privado de 1950 a 2005.

Sim, você leu corretamente: não houve nenhum aumento líquido no número de empregos no setor privado na Suécia durante um período de 55 anos.  Em outras palavras, em um período que começou cinco anos após o fim da Segunda Guerra Mundial, a economia sueca ficou completamente estagnada.

Os crentes no mito sueco podem querer atacar o sistema de classificação utilizado por Bjuggren e Johansson, porém ele é baseado em um padrão internacional que simplesmente fornece uma visão mais acurada dos setores público e privado, identificando quem é o proprietário real de uma empresa — ao invés de olhar apenas qual o tipo de administração ou qual é a declaração oficial.

Em outras palavras, as classificações utilizadas por esses economistas mostram os efeitos da intromissão do governo nas empresas, identificando quais empresas são de propriedade do governo — e, portanto, consideradas como empresas geridas pelo governo, parte do setor público.  Os dados também levam em conta as pessoas autônomas e as empresas de propriedade estrangeira, ambas as quais estão na categoria de "setor privado" (não importa se a empresa estrangeira seja de algum governo estrangeiro).

Enquanto o setor privado teve zero de criação líquida de empregos, o setor público passou por um monstruoso crescimento durante esse período (veja o gráfico fornecido por esse artigo: a linha azul representa os empregos no setor privado; a marrom, no setor público; a vermelha, a população).  E a população cresceu bastante, o que explica tanto as altas taxas de desemprego como o fato de grande parte das pessoas adultas terem voltado para as universidades públicas com o objetivo de "aprofundar sua educação".

Isso, por sua vez, explica por que o governo sueco não foi capaz de estimular continuamente o estado assistencialista desde a década de 1970 até o início da década de 1990.  Como não houve guerras internacionais nesse período — algo que estimula, ao menos temporariamente, as exportações de um país que não foi afetado —, o setor exportador encolheu; e como não houve um genuíno crescimento global no qual pegar carona, o blefe não se sustentou e a realidade logo se impôs.

O relativo sucesso da Suécia durante a recente crise financeira não tem nada a ver com estímulos governamentais, aumentos nos benefícios assistencialistas ou estatizações do setor privado.  Trata-se do resultado direto de um resoluto e politicamente doloroso programa implementado durante um período de mais de 15 anos, com o objetivo de limpar a bagunça de quase 50 anos de políticas keynesianas que chegaram perto de quebrar uma nação de mil anos de idade.

Krugman pode estar certo ao dizer que os EUA podem aprender com o exemplo sueco — mas isso vale somente para o período após a crise de 1992.


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SOBRE O AUTOR

Per Bylund

foi consultor de negócios na Suécia e hoje é Ph.D em economia pela Universidade do Missouri e professor na Hankamer School of Business, da Baylor University, no Texas.




Quem inventou essa tese de que não existe déficit foi uma pesquisadora chamada Denise Gentil. Segundo ela, o déficit da previdência é forjado.

www.adunicentro.org.br/noticias/ler/1676/em-tese-de-doutorado-pesquisadora-denuncia-a-farsa-da-crise-da-previdencia-social-no-brasil-forjada-pelo-governo-com-apoio-da-imprensa

Só que essa mulher nem sabe separar rubricas. Ela mistura a receita da Previdência com a receita da Seguridade Social (que abrange Saúde, Assistência Social e Previdência) e então conclui que está tudo certo.

Nesta outra entrevista dela, ela diz isso:

"O cálculo do resultado previdenciário leva em consideração apenas a receita de contribuição ao Instituto Nacional de Seguridade Social (INSS) que incide sobre a folha de pagamento, diminuindo dessa receita o valor dos benefícios pagos aos trabalhadores. O resultado dá em déficit."

Certo. Esse é o cálculo da previdência. Receitas da Previdência menos gastos com a Previdência dão déficit, como ela própria admite. Ponto final.

Mas aí ela complementa:

"Essa, no entanto, é uma equação simplificadora da questão. Há outras fontes de receita da Previdência que não são computadas nesse cálculo, como a Cofins (Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social), a CSLL (Contribuição Social sobre o Lucro Líquido), a CPMF (Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira) e a receita de concursos de prognósticos. Isso está expressamente garantido no artigo 195 da Constituição e acintosamente não é levado em consideração."

Ou seja, o argumento dela é o de que as receitas para saúde e assistência social devem ser destinadas para a Previdência, pois aí haverá superávit.

Ora, isso é um estratagema e tanto. Por esse recurso, absolutamente nenhuma rubrica do governo apresenta déficit, pois basta retirar o dinheiro de outras áreas para cobri-la. Sensacional.

A quantidade de gênios que o Brasil produz é assustadora.

Não deixa de ser curioso que nem o próprio governo petista -- em tese, o mais interessado no assunto -- encampou a tese dessa desmiolada.

De resto, o problema da previdência é totalmente demográfico. E contra a demografia e a matemática ninguém pode fazer nada.

Quando a Previdência foi criada, havia 15 trabalhadores trabalhando e pagando INSS para sustentar um aposentado. Daqui a duas décadas será 1,5 trabalhador trabalhando e pagando INSS para sustentar um aposentado.

Ou seja, a conta não fecha e não tem solução. O problema é demográfico e matemático. Não é econômico. E não há ideologia ou manobra econômica que corrija isso.
Não existe déficit da previdência! Para justificar uma reforma que visa somente a tungar e sugar o trabalhador, o governo usa o seguinte estratagema: De um lado, pega uma das receitas, que é a contribuição ao INSS; do outro, o total do gasto com benefícios (pensão, aposentadoria e auxílios). Aí dá déficit! Só que a Constituição Federal estabelece, no artigo 194, que, junto com a saúde e a assistência social, a previdência é parte de um sistema de seguridade social, que conta com um orçamento próprio. Na receita, devem ser incluídas não apenas as contribuições previdenciárias mas também os recursos provenientes da Contribuição Social Sobre Lucro Líquido (CSLL), da Contribuição sobre o Financiamento da Seguridade Social (CSLL) e do PIS-Pasep. Aí temos a real situação: Superávit! Talvez você esteja supondo que o dinheiro que sobrou no orçamento da seguridade social mas faltou no da previdência tenha sido usado nas outras duas áreas a que, constitucionalmente, ele se destina. Mas, mesmo com os gastos com saúde e assistência, ainda assim temos saldo positivo. E como esse saldo se transforma em déficit? É que antes de destinar o dinheiro para essas áreas, o governo desvia 20% do total arrecadado com as contribuições sociais, por meio da DRU, para pagar dívidas, segurar o câmbio etc. Fora as renúncias e sonegações fiscais. Portanto, essa conversa de déficit é uma falácia pra empurrar goela abaixo do trabalhador uma "reforma" que tire ainda mais o seu dinheiro e o force a trabalhar por mais tempo.
As causas da Grande Depressão? Intervencionismo na veia.

Herbert Hoover
aumentou os gastos do governo federal em 43% em um único ano: o orçamento do governo, que havia sido de US$ 3 bilhões em 1930, saltou para US$ 4,3 bilhões em 1931. Já em junho de 1932, Hoover aumentou todas as alíquotas do imposto de renda, com a maior alíquota saltando de 25% para 63% (e Roosevelt, posteriormente, a elevaria para 82%).

A Grande Depressão, na verdade, não precisaria durar mais de um ano caso o governo americano permitisse ampla liberdade de preços e salários (exatamente como havia feito na depressão de 1921, que foi ainda mais intensa, mas que durou menos de um ano justamente porque o governo permitiu que o mercado se ajustasse).

Porém, o governo fez exatamente o contrário: além de aumentar impostos e gastos, ele também implantou políticas de controle de preços, controle de salários, aumento de tarifas de importação (que chegou ao maior nível da história), aumento do déficit e estimulou uma arregimentação sindical de modo a impedir que as empresas baixassem seus preços.

Com todo esse cenário de incertezas criadas pelo governo, não havia nenhum clima para investimentos. E o fato é que um simples crash da bolsa de valores -- algo que chegou a ocorrer com uma intensidade ainda maior em 1987 -- foi amplificado pelas políticas intervencionistas e totalitárias do governo, gerando uma depressão que durou 15 anos e que só foi resolvida quando o governo encolheu, exatamente o contrário do que Keynes manda.

As políticas keynesianas simplesmente amplificaram a recessão, transformando uma queda de bolsa em uma prolongada Depressão.



Crise financeira de 2008? Keynesianismo na veia. Todos os detalhes neste artigo específico:

Como ocorreu a crise financeira de 2008


Seu amigo é apenas um típico keynesiano: repete os mesmos chavões que eu ouvia da minha professora da oitava série.


Sobre o governo estimular a economia, tenho apenas duas palavras: governo Dilma.

O legado humanitário de Dilma - seu governo foi um destruidor de mitos que atormentam a humanidade
Prezados,
Boa noite.
Por gentileza, ajudem-me a argumentar com um amigo estatista. Desejos novos pontos de vista, pois estou cansado de ser repetitivo com ele. Por favor, sejam educados para que eu possa enviar os comentários. Sem que às vezes é difícil. Desde já agradeço. Segue o comentário:
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" Quanto ao texto, o importante é perceber que sem as medidas formuladas por keynes a alternativa seria o mercado livre, o capitalismo sem a intervenção estatal. Nesse caso, o que os defensores desse modelo não mencionam é que o capitalismo dessa forma tende à concentração esmagadora de capital, o que se levado às ultimas consequências irá destruir a própria sociedade. "O capitalismo tem o germe da própria destruição ", já disse Marx. Os capitalistas do livre mercado focam no discurso que eles geram a riqueza, mas a riqueza é sempre gerada socialmente. Como ja falei uma vez, um grande empresário não coloca sozinho suas empresas para funcionar, precisa de outras pessoas, que também, portanto, geram riqueza. Para evitar que a concentração da riqueza gerada fique nas mãos apenas dos proprietários, o Estado deve existir assegurando direitos que tentem minimizar essa distorção e distribua as riquezas socialmente geradas para todos. Isso não é comunismo, apenas capitalismo regulado, que tenha vies social. Estado Social de Direito que surgiu na segunda metade do século passado como resultado do fracasso do Estado Liberal em gerar bem estar para todos. Para que o Estado consiga isso tem que tributar. O Estado não gera riqueza, concordo. Mas o capitalismo liberal, por outro lado, gera a distorção de concentrar a riqueza gerada socialmente nas mãos de poucos. Essa concentração do capitalismo liberal gera as crises (a recessão é uma delas). O capitalismo ao longo do século 20 produziu muitas crises, a grande depressão da decada de 30 foi a principal delas. A ultima grande foi a de 2007/2008. O Estado, portanto, intervém para corrigir a distorção, injetando dinheiro. Esse dinheiro, obviamente, ele nao produziu, retirou dos tributos e do seu endividamento sim. Quando a economia melhorar o Estado pode ser mais austero com suas contas para a divida nao decolar em excesso e poder se endividir novamente numa nova crise, injetando dinheiro na economia pra superar a recessao e assim o ciclo segue. A divida do estado é hoje um instrumento de gestão da macroeconomia. Um instrumento sem o qual nao se conseque corrigir as distorções geradas da economia liberal. Basta perceber que todos os países mais ricos hoje tem as maiores dividas. Respondendo a pergunta do texto: o dinheiro vem mesmo dos agentes econômicos que produzem a riqueza, da qual o Estado tira uma parcela pelos tributos, com toda a legitimidade. E utiliza tal riqueza para assegurar direitos sociais e reverter crises. E o faz tambem para salvar a propria economia, que entraria em colapso sem a injeção de dinheiro do Estado (que o Estado tributou). Veja o que os EUA fizeram na crise de 2008. Procure ler sobre o "relaxamento quantitativo", que foi a injeção de 80bilhoes de dolares mensalmente pelo governo americano para salvar a economia mundial do colapso, numa crise gerada pelo mercado sem regulação financeira.

Veja esse texto do FMI, onde o proprio FMI reconhece que medidas d austeridade nao geram desenvolvimento e, portanto, reconhece a necessidade do gasto publico. (
www.imf.org/external/pubs/ft/fandd/2016/06/ostry.htm )

Esse artigo do Paul krugman sobre a austeridade, defendendo também o gasto publico:
https://www.theguardian.com/business/ng-interactive/2015/apr/29/the-austerity-delusion .
"
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E aí pessoal, já viram isso? (off-topic, mas ainda assim interessante):


Ancine lança edital de R$ 10 milhões para games


Agora vai... por quê os "jênios" do Bananão não tiveram esta ideia antes? E o BNDES vai participar também! Era tudo o que faltava para o braziul se tornar uma "potênfia" mundial no desenvolvimento de games.

Em breve estaremos competindo par-a-par com os grandes players deste mercado. Aliás, seremos muito MAIORES do que eles próprios ousaram imaginar para si mesmos. Que "horgulio" enorme de ser brazilêro...

ARTIGOS - ÚLTIMOS 7 DIAS

  • Flavio Ortigao  12/01/2011 15:29
    Per Bylund escreve um bom artigo e desfaz alguns mitos comuns em relacao a Suecia. Sua assercao de que em 55 anos nenhum emprego foi criado, e' dificil de se aceitar, mas nao e' somente o volume, mas a qualidade dos empregos gerados que importam. Fato e' que o artigo resume bem a historia economica da Suecia. E a derrocada do modelo social democratico nos anos 70, a crise dos anos 80 e o salvador assassinato de Olof Palme em 86, o unico caso de assassinato politico, que do ponto de vista da Historia Economica, e' justificavel. Se Palme nao tivesse sido eliminado, a Suecia JAMAIS teria saido da crise e o sangramento de todo o pais teria sido muito maior, me parece que seu sacrificio, foi um preco razoavel em vistas do beneficio que teve. O tragico assassinato, contribuiu para o renovamento economico. Mas paises nao sao modelos ideologicos, e a Suecia, mesmo tendo abracado ativamente o modelo Capitalista, continua sendo um pais com alta ingerencia do Estado. E independente desse grau de ingerencia, e' uma economia que fornece produtos e servicos de Alta qualidade. O governo sueco, por qualquer metodo que se escolha de comparacao, produz servicos de qualidade para a populacao. Prova que nao e' simplesmante o tamanho, ou o grau de influencia, mas a Qualidade de Governo que determina o sucesso dos paises. A Suecia tem praticas que garantem a transparencia, a imparcialidade e a efetividade de seu Estado.
  • André Poffo  13/01/2011 17:38
    Hehe, parece que o desejo de todo Liberal/Libertário é ver a economia nórdica quebrada, para provar as teorias econômicas.. Chega ser engraçado, por que geralmente em um debate o Comunista/Socialista usa como última instância o argumento dos países nórdicos, como se eles fossem "o país onde o estado deu certo".. lamentável..
  • Leandro  13/01/2011 18:07
    Prezado Poffo, não há segredo algum no que concerne as economias escandinavas.

    Os social-democratas, por exemplo, sempre se referem à Escandinávia como exemplo de sociedade rica e com alta carga tributária, dando a entender que, se o Brasil elevar sua carga tributária para 50% do PIB, seremos rapidamente uma Dinamarca. O que eles ignoram é que os países escandinavos primeiro enriqueceram (o fato de não terem participado de nenhuma guerra ajudou bastante), e só depois adotaram um estado assistencialista. E com um detalhe inevitável: após essa adoção, a criação de riqueza estagnou.

    Como esse artigo versou sobre a Suécia, falarei aqui sobre a Dinamarca e o alto nível de desregulamentação de sua economia.

    1) Você demora no máximo 6 dias para abrir um negócio (contra mais de 130 no Brasil);
    2) as tarifas de importação estão na casa de 1,2%, na média (7,9% no Brasil);
    3) o imposto de renda de pessoa jurídica é de 25% (34% no Brasil);
    4) o investimento estrangeiro é liberado (no Brasil, é cheio de restrições);
    5) os direitos de propriedade são absolutos (no Brasil, grupos terroristas invadem fazendas e a justiça os convida para um cafezinho);
    6) não há nenhum banco estatal; e
    7) horror dos horrores, o mercado de trabalho é extremamente desregulamentado. Não apenas pode-se contratar sem burocracias, como também é possível demitir sem qualquer justificativa e sem qualquer custo. E tudo com o apoio dos sindicatos, pois eles sabem que tal política reduz o desemprego. Estrovengas como a CLT (inventada por Mussolini e rapidamente copiada por Getulio Vargas) nunca seriam levadas a sério por ali.

    Num ambiente assim, a eficiência e o dinamismo econômico são altos, o que resulta em uma economia rica, capaz de sustentar seu enorme sistema de bem-estar social. Não fosse pela economia desregulamentada e a riqueza por ela gerada, o assistencialismo dinamarquês não duraria dois dias.

    Com seu atual nível de riqueza acumulada per capita, o Brasil não tem a menor chance de adotar um modelo assistencialista escandinavo. Primeiro um país precisa enriquecer (acumular capital); só então ele pode se dar ao luxo de consumir esse capital (gastos assistencialistas). E, mesmo assim, o consumo desse capital só vai perdurar se continuar havendo poupança e investimento, que é exatamente o que permite o acúmulo de capital que vai financiar o consumo.

    Os escandinavos fizeram isso durante o século XIX e metade do século XX. O Brasil, não.

    Abraços.
  • estatístico  27/09/2012 11:57
    "O que eles ignoram é que os países escandinavos primeiro enriqueceram (o fato de não terem participado de nenhuma guerra ajudou bastante), e só depois adotaram um estado assistencialista." o único escandinavo que enriqueceu primeiro foi a Dinamarca. A Suécia e a Noruega eram tão pobres quanto países da América do Sul, como a Argentina e o Chile, no final do século XIX. Em 1900, a Suécia tinha PIB per capta menor do que a Argentina, e a Noruega tinha PIB per capta menor do que o Chile e a Argentina:

    www.nationmaster.com/graph/eco_gdp_per_cap_in_190-economy-gdp-per-capita-1900

    O Estado de bem-estar social, que começou a ser implantado no início do século XX na Suécia (enquanto nós o ignorávamos), é que propíciou o salto qualitativo do país.
  • Leandro  27/09/2012 12:15
    O estado assistencialista sueco adquiriu suas atuais formas na década de 1970. Não entendi absolutamente nada sobre qual foi a sua intenção ao mostrar uma estatística do ano de 1900 (em que, aliás, a Suécia estava muito bem).

    Ademais, no dia em que o ato de tirar de uns para dar a outros elevar a riqueza geral, a alquimia econômica estará completa. O próximo passo será revogar a física e elevar o nível de uma piscina retirando, com um balde, água do lado mais fundo e despejando no lado mais raso....
  • anônimo  04/06/2013 13:00
    "O estado assistencialista sueco adquiriu suas atuais formas na década de 1970."


    Tá errado. O estado assistencilista sueco começou a ser implantado depois da Segunda Guerra por Tage Erlander.
  • Ricardo  04/06/2013 13:12
    Este seu link não apenas não diz nada sobre ter começado após a Segunda Guerra, como ainda confirma que tudo de fato começou na década de 1970. Tá lá no penúltimo parágrafo. Em todo caso, talvez você queira questionar o autor do texto, que é sueco e mora na Suécia.
  • Digo  27/09/2012 12:46
    Há um erro estatístico aqui. A Argentina era rica no final do século XIX. Chegou a ter a segunda maior renda per capita do mundo, atrás só da Inglaterra, na virada do século. Mesmo em 1960, a renda per capita argentina era o dobro da japonesa, mesmo depois de Raul Prebisch e seus lacaios terem dado pitacos por lá. Todos os países mais antigos, em algum momento, tiveram renda per capita inferior à argentina.

    Já hoje em dia, acho que não há nenhuma capital brasileira tão decaída e empobrecida quanto Buenos Aires. E isso que estamos falando da parte boa de lá. E o pior é que eles não tem consciência disso.
  • bernardo  27/09/2012 13:08
    E de onde voce tirou que a Argentina e o Chile tinham pib per capta baixos? Compara só o pib argentino com o brasileiro da época, 2756 contra 704, a argentina de maneira alguma era um país pobre, na verdade é um absurdo que a Argentina tenha se tornado essa merda que é hoje, um país que começou muito melhor que o Brasil. A crise de 92 mostra claramente que o welfare state suéco era insustentável, e consumiu muito capital, capital que poderia ter sido usado para desenvolver de verdade a economia, hoje o welfare state suéco já é nitidamente falho, voce pode achar inumeras noticias da situação declinante da saúde no país, ao ponto de esperar meses, por cirurgias.
  • Erick V.  27/09/2012 14:00
    Me surgiu uma dúvida. Não obstante o erro crasso do "estatístico", achei interessante no link passado por ele a posição da Venezuela nos rankings de PIB per capita em 1950 e 1973... Embora os motivos da "derrocada" posterior sejam bem óbvios, o que explica a ascensão dessa variável no país nesses períodos? Liberdade econômica, petróleo a rodo, turismo sexual com as candidatas a Miss Universo?

    Há algum artigo aqui no site sobre isso? Boa parte do que acho no Google é, por razões evidentes, extremamente enviesado...
  • anônimo  29/09/2012 19:37
    Você está enganado, Leandro. A Suécia está bem porque o dinheiro que seus cidadãos pagam em impostos, são corretamente empregados (vão para a saúde, educação, segurança, previdência e assistência social). Enquanto aqui no Brasil, embora termos uma das maiores cargas tributárias do mundo, o nosso vai para as orgias dos políticos corruptos, vai para o MST, para os mensalões, para as Denises Rochas...
  • Renato Souza  10/04/2013 12:23
    Anônimo

    Impostos corretamente empregados é algo bastante relativo. Certamente há bem menos desvio e gastos superfluos lá do que aqui. Então é correto dizer que os impostos lá são bem melhor empregados do que aqui. Agora isso não significa que os impostos sejam bem empregados. Os serviços que o estado fornece lá (saúde, educação, limpeza pública, cuidado com os idosos) seriam melhor fornecidos por agentes privados.

    Outro ponto que você não notou é que o fato de haver menos roubo e desperdício no setor público, não implica em que o Leandro esteja errado. Ele afirma que as normas burocráticas mais leves e a menor carga tributária sobre empresas e monor imposto de importação (eu acrescentaria menor inflação) são os responsáveis pela Suécia conseguir manter um padrão de vida relativamente alto. Ora, dizer que lá os impostos são melhor gastos que aqui não nega o argumento do Leandro.
  • Sérgio  22/08/2013 04:09
    "E, mesmo assim, o consumo desse capital só vai perdurar se continuar havendo poupança e investimento, que é exatamente o que permite o acúmulo de capital que vai financiar o consumo."

    Então, o welfare state escandinavo não se manterá por muito tempo, pois para o consumo continuar, a produtividade tem que aumentar. E não é o que tem acontecido nos últimos anos.

    Estive pesquisando os indicadores econômicos da Suécia e nos últimos anos, a produção industrial do país tem caído:

    www.tradingeconomics.com/charts/sweden-industrial-production.png?s=swipiyoy

    Na Noruega, está acontecendo a mesma coisa:

    www.tradingeconomics.com/norway/industrial-production

    Pior está o Reino Unido:

    www.tradingeconomics.com/charts/united-kingdom-industrial-production.png?s=ukipiyoy
  • Urlan Salgado de Barros  26/10/2014 17:04
    Prezado Leandro, uma dúvida sobre o Brasil. Não houve uma tentativa de acumulação de capital no Brasil durante o Regime Militar, com a chamada "teoria do bolo"?
  • Leandro  26/10/2014 17:36
    Não. Houve apenas crescimento do endividamento externo.

    Acumulação de capital pressupõe poupança, e não aumento do endividamento com recursos estrangeiros. Aliás, poupança e aumento contínuo do endividamento são atitudes contraditórias.
  • anônimo  22/01/2011 18:38
    Blog Augusto Nunes - 9.11.10

    Compare a vida dos parlamentares suecos com o vidaço dos pais-da-pátria brasileiros.

    O vídeo de 2:23 conta como é a vida dos parlamentares suecos. É indispensável conhecê-lo. Veja o que a acontece nas nações civilizadas e pense no vidaço que levam os pais-da-pátria nativos. Eles estão querendo outro aumento. O Brasil que presta tem mais uma briga a comprar.

    www.youtube.com/watch?v=3aC4A7bSnXU&feature=player_embedded
  • Gabriel Coelho  24/01/2011 13:00
    Um fator interessante de se citar é que nos países escandinavos o povo é consciente de que COMPRA os serviços do Estado, e que paga bem por eles! Não existe o populismo brasileiro e muito menos a visão paternal/maternal do governante! Talvez por serem conversões parlamentaristas a partir de monarquia outrora absolutista, a população desses países tem de forma muito sólida a noção de REPRESENTAÇÃO PARLAMENTAR, o que consegue praticamente eliminar um Estado que governe pra si, tanto é que nesses países há os níveis mais altos de democracia!

    Ou seja, ao contrário do Brasil, os escandinavos têm total consciência de que pagam caro, e, portanto, querem serviços à altura, e seus parlamentares REALMENTE representam os eleitores, promovendo os serviços e políticas que realmente favorecem a população!

    O grau de liberdade economica nesses países é muito alto, apesar da alta carga tributária, enquanto o Brasil amarga o 113º lugar no ranking de liberdade econômica, a Suécia fica numa confortável 22ª colocação e a Dinamarca fica forte no TOP 10, em 8º lugar!
  • Renato  27/09/2012 14:08
    Um ponto importante que muitos esquecem: No computo total de impostos, muitos esquecem o imposto ihflacionário. Considerando esse imposto, o Brasil, por exemplo, deve chegar a uma carga tributária escandinava. Mas é pior ainda do que isso. Parte do dinheiro do imposto inflacionário fica com os bancos e investidores. E pior do que isso, o imposto inflacionário é altamente destrutivo para a cadeia produtiva, mais do que os outros impostos.
  • Newton Almeida  10/02/2012 07:06
    Jag gillade för att veta dess arbete!
    Brasilianen har vi mycket som ska läras med dess land!
    Newton Almeida - MILJÖ AV Rio de Janeiro
    limpezariomeriti.blogspot.com
  • mcmoraes  27/09/2012 14:32
    Vi har mycket att lära av varandra som individer, oberoende av nationalitet.
  • EUDES  27/09/2012 15:17
    Por que não usam o português ?
  • Erick V.  27/09/2012 16:35
    www.youtube.com/watch?v=m_mDTLphIVY&feature=fvwrel
  • mcmoraes  27/09/2012 18:06
    @Eric V.: HAHAHAHAHA. Essa foi muito boa!

    @Eudes: só pra variar um pouco (viva a Internet! :)
  • Estatólatra  10/04/2013 01:13
    "eles descobriram que não houve absolutamente nenhum emprego criado no setor privado de 1950 a 2005."
    - Taí, vcs dizem que a estatizaçao da economia, a geração de riquezas cai e o padrão de vida do povo declina. No caso da Suécia, o padrão de vida do povo aumentou nestes 50 anos...
  • Leandro  10/04/2013 01:30
    A economia sueca está longe de ser "estatizada". De onde você tirou isso?

    O que ocorre é que a alíquota do imposto de renda de pessoa física é alta. Aliás, a carga tributária na Suécia recai mais pesadamente no assalariado sueco médio, e não nas empresas suecas, cuja carga tributária é na realidade menor do que a das empresas de muitos outros países ocidentais. Por exemplo, quando consideramos o fato de que as empresas suecas podem deduzir 50 por cento de seus lucros para reinvesti-los no futuro, o que os torna uma reserva isenta de impostos, o imposto de renda de pessoa jurídica efetivo cai para 26%. Se as empresas suecas tivessem de arcar com a mesma carga tributária que incide nos assalariados suecos, a economia sueca há muito já estaria em ruínas.

    No Brasil, a título de comparação, a alíquota máxima do IRPJ é de 15%. Porém, aqui as coisas são mais avançadas. Não bastasse o IRPJ, há uma sobretaxa de 10% sobre o lucro que ultrapassa determinado valor, há também a CSLL (Contribuição Social Sobre o Lucro Líquido), cuja alíquota pode chegar a 12%, o PIS, cuja alíquota chega a 1,65% e a COFINS, cuja alíquota chega a 7,6%. PIS e COFINS incidem sobre a receita bruta. Somando todas essa alíquotas, a alíquota efetiva do IRPJ no Brasil chega a 46,25%.

    Em termos de empreendedorismo, somos muito mais socialistas que a Suécia. Aliás, a Suécia pontua muito alto em termos de liberdade de empreendimento (com baixíssima burocracia), de livre comércio e de liberdade de investimento estrangeiro. Isso carrega a economia nas costas.
  • Estatólatra  10/04/2013 01:54
    Sim, mas o artigo diz que o setor privado estagnou, enquanto a presença estatal aumentou na Suécia... Nem por isso o apdrão de vida caiu, pelo contrário, aumentou...
  • Leandro  10/04/2013 02:09
    Depende do seu conceito de padrão de vida. Ou melhor: depende do seu conceito de evolução do padrão de vida.

    Muito embora não liguemos aqui a mínima para o PIB, pois seu cálculo não tem sentido, o gráfico abaixo mostra: PIB per capita parado na década de 1973 a 1984 (de 17.000 para 20.000), justamente quando adotaram o estado de bem-estar. De 1984 a 1994, continuou estagnado (de 20.000 para 22.000).

    Ou seja, de 1973 a 1994, 21 anos, o PIB per capita da Suécia foi de 17.000 para 22.000 dólares.

    Em 1994, o governo implementou vaias reformas liberais (estude a respeito).

    "In 1994 the government budget deficit exceeded 15% of GDP. The response of the government was to cut spending and institute a multitude of reforms to improve Sweden's competitiveness. When the international economic outlook improved combined with a rapid growth in the IT sector, which Sweden was well positioned to capitalize on, the country was able to emerge from the crisis."

    Aí a coisa finalmente deu uma andada: PIB per capita foi de 23.000 para 33.000 dólares.

    Veja a evolução aqui:

    www.tradingeconomics.com/charts/sweden-gdp-per-capita.png?s=swenygdppcapkd&d1=19740101&d2=20121231

    Conselho: deixe de ideologia e panfletagem e dedique-se ao estudo científico.

    Abraço!
  • anônimo  10/04/2013 14:50
    Agradeço pela resposta Leandro... Mas vejo que este Estótolatra foi só um fake.... Desde qualquer maneira obrigado.
  • Danilo  01/07/2013 22:06
    Legal e tal mais e a Noruega nessa bola toda???? Vai falar que não tem muitas empresas estatizadas?
  • anônimo  01/07/2013 23:16
    A Noruega pode se dar a vários luxos porque literalmente está boiando sobre petróleo, cujas receitas de exportação garantem ao governo um superávit orçamentário de incríveis 10%. Exatamente por causa desta excepcionalidade, a Noruega pode se entregar a vários exotismos estatais e assistencialistas. Retire o petróleo da Noruega e a coisa ficará bastante curiosa.

    Como comparação, a Suécia, que não tem essa sorte geológica, possui uma economia mais livre que a Noruega (menos regulamentações, mais livre comércio). E tem de ser mais livre porque, se não fosse mais livre, não teria como ela produzir a riqueza necessária para sustentar seu estado. Se a Noruega perdesse o petróleo, e mantivesse exatamente a mesma estrutura econômica de hoje, a teoria ensina que ela seria pior que a Suécia.
  • anônimo  02/07/2013 10:18
    Conclusão: com petróleo o socialismo é possível
  • Malthus  02/07/2013 10:58
    Assim como funcionou na Venezuela e na Nigéria, né? Não, meu filho, entenda uma coisa: socialismo envolve o confisco de propriedade privada. Utilizar recursos do petróleo para financiar atividades estatais não é, por definição, socialismo. É mamatismo, favoritismo, ou qualquer outro nome. Mas não é, por definição, socialismo. O próprio Mises já escreveu sobre isso em seu livro Bureaucracy. Leia.
  • anônimo  02/07/2013 12:07
    Quanto à Venezuela, aprenda a ler: possível é uma coisa, garantido é outra.

    'Utilizar recursos do petróleo para financiar atividades estatais não é, por definição, socialismo.'
    Então no máximo o que vossa excelência devia falar é que não é a definição de Mises do socialismo. O que é uma coisa irrelevante, ficar discutindo semântica enquanto no mundo real o welfare state na Noruega continua muito bem obrigado
  • Renato Souza  02/07/2013 13:08
    Note que isso não é socialismo, mas tem seus problemas. Há um aspecto ótimo: a imensa receita do petróleo alivia a pressão por aumento de impostos e a intervenção econômica estatal é menor que em muitos países, o que é muito diferente do que ocorre na Venezuela, onde o governo está asfixiando a economia. Mas há um problema...

    Imagine a seguinte situação: Se o governo norueguês não tivesse explorado esses recursos, mas a população sim. Imagine que as pessoas resolvessem se associar e surgisse um movimento com o seguinte discurso: Vamos nos associar todos nós os noruegueses, criar uma empresa, escolher uma diretoria, e essa empresa chamará empresas de petróleo, e a que oferecer condições mais vantajosas terá um contrato para explorar esse petróleo. Assim não precisamos investir mais nada, apenas ganhar. O governo fez expedições exploratórias com o nosso dinheiro (impostos) e estamos tomando posse dos resultados dessas expedições. Como todos são sócios, podemos simplesmente dividir a grana igualmente entre todos, ou por votação da diretoria, usar parte do dinheiro para fazer coisas que sejam julgadas úteis: construir e manter escolas e hospitais, subsidiar a saúde das pessoas e suas aposentadorias, melhorar a infra estrutura, etc. E como a sociedade estará melhor servida, o governo não terá desculpas para aumentar os impostos. Pelo contrário, haverá até um forte argumento a mais para abaixa-los.

    Todos aceitam, porque todos estarão em melhor situação. Imagine que o governo, acuado pelo consenso dos eleitores e de olho nas próximas eleições, concorde e diga: ok, se vocês querem isso, façam.

    Alguém dirá que em termos de resultados práticos, esse cenário não difere do que aconteceu realmente. MAS HÁ UMA DIFERENÇA CRUCIAL!

    Se houvesse acontecido assim, o poder do governo diminuiria, e não aumentaria. A diretoria da empresa privada comunitária não teria exército, não teria polícia, não teria o monopólio dos tribunais. As pessoas estariam mais independentes, e não mais dependentes do governo.
  • Renato Souza  05/07/2013 17:43
    "Conclusão: com petróleo o socialismo é possível"

    Conclusão errada.

    Apenas pense: se o mundo inteiro fosse uma imensa URSS ou Coreia do Norte, não houvesse nada além de socialismo, e a natureza tivesse dotado o mundo inteiro de muito petróleo. Como viveríamos? Nossa vida seria um inferno de pobreza, desrespeito a violência. Logo, o socialismo é inferno, com petróleo ou sem.

    Mas porque a Noruega está relativamente bem? Bom comece respondendo, que é socialismo, segundo as propostas dos socialistas?

    1. Domínio absoluto do partido sobre tudo.
    2. Estatização de todos os meios de produção.
    3. Planificação econômica central.
    4. Domínio do partido sobre toda comunicação pública e educação. O partido pode mandar sobre o que será dito ou escrito, inclusive alterando o quanto quiser as descrições de fatos, mudando-os, eliminando-os ou criando-os.
    5. Engenharia social em larga escala (construção do "novo homem").

    Esses ítens todos estão longe de estarem totalmente implantados na Noruega, embora existam em algum grau lá (como de resto, em todos os países do mundo).

    Socialismo é um sistema de opressão e também de destruição de riquezas. A conclusão correta seria: Um pais rico suporta algum grau de socialismo sem ir pro buraco.

  • Fernando  22/09/2014 10:59
    A conclusão não é esta. Esta é uma particularização da conclusão. A conclusão é a de que o socialismo acaba quando acaba o dinheiro dos outros.
  • anônimo  04/11/2015 00:33
    Mas não dizeis vós que nada pode funcionar corretamente quando se é administrado pelo Estado? Como pois podem essas empresas estatais funcionarem bem na Noruega?
  • Antônimo  04/11/2015 00:46
    Quais empresas estatais que "funcionam bem"?

    Embora seja auto-suficiente em petróleo, o preço da gasolina na Noruega é o mais caro do mundo.

    Vou repetir: embora esteja literalmente boiando em petróleo, e haja um enorme excedente da commodity, os noruegueses pagam a gasolina mais cara do mundo.

    Pode conferir aqui:

    www.ibtimes.com/how-much-do-you-pay-gas-top-5-countries-cheapest-gas-prices-1544025

    Se isso é exemplo de "funcionar bem", tremo só de imaginar o que seria um exemplo de "funcionar mal".
  • Wilson  13/12/2013 02:46
    Nos países escandinavos até 60% da renda de um cidadão pode ser taxada na fonte. Rapidamente os políticos brasileiros vêm babando citá-los como exemplo de que a alta tributação resulta em um país rico. Acontece que na Noruega por exemplo o sujeito não pões a mão no bolso para estudar ou para ir ao médico. A polícia não usa armas porque não há crimes. O Governo lá usa o erário público de forma correta. E mais, político não tem mordomia! Salários mínimos e até cargos voluntários. Mas há outro ponto: a questão ultrapassa o mero conceito político - é cultural também. Um país civilizado não se faz apenas com boa política, mas com pessoas civilizadas. E infelizmente o Brasil está muito longe disso. Temos uma formação ruim e uma genética ruim.
  • Leandro  13/12/2013 09:03
    "Acontece que na Noruega por exemplo o sujeito não pões a mão no bolso para estudar ou para ir ao médico."

    Mas tem de colocar a mão no bolso para pagar taxas e preços caríssimos sobre todo o resto.

    Estive na Noruega em 2006. Não apenas os preços de absolutamente tudo são ultrajantes (a começar pela gasolina, coisa em que o país é auto-suficiente), como você também tem de pagar para fazer coisas absolutamente básicas, como sentar-se à mesa em um restaurante. Eu, inocentemente, fui a um McDonald's, crente de que ao menos ali a comida seria mais em conta. Após pegar a comida no balcão, qual não foi a minha surpresa ao descobrir que eu tinha de pagar até mesmo para sentar-me à mesa para comer.

    No entanto, pensando bem, é óbvio que tudo tem de ser cobrado. Afinal, dado que a carga tributária que as empresas têm de pagar para que o governo forneça saúde e educação "gratuitas" é enorme, não resta outra opção senão a de compensar esses altos impostos cobrando preços altos e taxas sobre tudo.

    Pare com essa bobagem de acreditar que realmente existem coisas fornecidas gratuitamente pelo governo. Sempre há alguém sustentando tudo isso.

    "O Governo lá usa o erário público de forma correta."

    Não, o governo norueguês simplesmente ganhou na loteria. Como já foi dito ali em cima, a Noruega pode se dar a vários luxos porque literalmente está boiando sobre petróleo, cujas receitas de exportação garantem ao governo um superávit orçamentário de incríveis 10%. Exatamente por causa desta excepcionalidade, a Noruega pode se entregar a vários exotismos estatais e assistencialistas. Retire o petróleo da Noruega e a coisa ficará bastante curiosa.
  • Nestor Carvalho  13/12/2013 14:32
    Erário público?

    1) Indaga um leitor se é correta ou não a expressão erário público.

    2) Oriundo do latim, em termos de conceituação jurídica, aplica-se o vocábulo erário para designar o tesouro público, o conjunto de bens ou valores pertencentes ao Estado.1

    3) Uma consulta a um dicionário também revela que, vulgarmente, considera-se erário o conjunto de recursos financeiros públicos, ou, ainda, os dinheiros e bens do Estado.2

    4) Desse modo, sem necessidade de maiores indagações, vê-se que a expressão erário público deve ser evitada, por tipificar tautologias ou pleonasmo vicioso, até porque não se há de falar em erário privado.

    5) Se, por acaso, se quiser empregar o adjetivo público, nada impede que se use outro vocábulo que não tenha sentido de relação com o Poder Público, tal como cofres públicos ou burras do Governo.

    _____________

    1 Cf. SILVA, De Plácido e. Vocabulário Jurídico. Rio de Janeiro: Forense, 1989, vol. II (letras D a I), p. 182.

    2 Cf. HOUAISS, Antônio; SALLES, Mauro de. Dicionário Houaiss da Língua Portuguesa. Rio de Janeiro: Objetiva, 2001. 1. ed., p. 1.186.
  • Ali Baba  13/12/2013 10:26
    @Wilson 13/12/2013 02:46:36

    "O Governo lá usa o erário público de forma correta."

    Como respondeu o Leandro acima, não tem almoço grátis. Tudo o que os noruegueses têm "de graça" é pago na forma de impostos.

    Culturalmente falando, um servidor público e um político lá são, de fato, diferentes dos nossos. Em sua maioria são pessoas que de fato querem prestar um bom serviço. Os políticos têm apartamentos funcionais espartanos, que servem para sua função e nada mais. Nada dos luxos e "auxílio-terno" que os nossos têm. Acho que isso contribui para a impressão de que o uso dos impostos pelo governo se dá de forma correta.

    No entanto, "correto" no caso de uso de dinheiro tem de ser definido em termos de Ciência Econômica... nesse caso, qualquer governo será pior na utilização do dinheiro do que os indivíduos simplesmente por que a alocação que o Mercado teria para esses recursos poderia ser completamente diferente. Além disso, a eficiência dos servidores públicos (mesmo com todo o aspecto cultural fatorado) não tem como ser maior do que um funcionário do setor privado com a mesma função. A explicação para isso é bem maior do que o escopo de um comentário, mas a ferramenta de busca do site é bem eficiente...
  • eduardo  25/01/2014 19:02
    É por isso que os funcionários de empresas privadas são tão eficientes neh!!

    Funcionários são ruins ou bons a depender do contexto educacional, cultural e corporativo no qual estão inseridos, independente de serem públicos ou privados.

    O brasil está recheado de funcionários de empresas privadas péssimos. O fato de eles poderem ser demitidos em nada altera este panorama, pois demitido um, contrata-se outro ruim. Falta qualidade.
  • Renato Souza  27/01/2014 01:39
    Eduardo

    Você disse: "O brasil está recheado de funcionários de empresas privadas péssimos. O fato de eles poderem ser demitidos em nada altera este panorama, pois demitido um, contrata-se outro ruim. Falta qualidade."

    Sua afirmação é absurda. Pare ser seria verdadeira seria necessário, mas não suficiente, que todos os potenciais candidatos tivessem exatamente o mesmo nível. Mas é evidente que isso não é verdade.

    Outro ponto que você não considerou é a possibilidade da demissão. Justamente os melhores trabalhadores muitas vezes buscam a excelência mesmo que saibam que não serão demitidos. Mas os mediocres e os ruins são extremamente sensíveis à possibilidade de demissão. Sua produtividade será muito menos baixa se a demissão for uma possibilidade real.
  • Emerson Luis, um Psicologo  23/08/2014 18:03

    A Suécia é rica apesar do assistencialismo, não por causa dele.

    * * *


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