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Ditaduras, relativismo moral e a necessidade de métodos brutais para se atingir o socialismo

Veja abaixo as manchetes de quatro obituários publicados pelo The New York Times, o mais influente jornal da esquerda chique.  A primeira manchete relata o obituário do ditador anticomunista Augusto Pinochet.  As outras três são os obituários dos comunistas Mao, Stalin e Lênin, autênticos genocidas.  Gentileza observar quantos são descritos como tendo 'governado pelo terror'.

11 de dezembro de 2006: Augusto Pinochet, Ditador que Governou pelo Terror o Chile, morre aos 91

10 de setembro de 1976: . . . Mao Tsé-tung Morre em Pequim aos 82; Líder da Revolução Vermelha da China

6 de março de 1953: Stálin Emergiu da Opressão Czarista para transformar a Rússia em um Poderoso Estado Socialista; IMPLACÁVEL NA BUSCA POR SEUS OBJETIVOS

24 de janeiro de 1924: ENORME MULTIDÃO PRESTA ÚLTIMA SOLIDARIEDADE AO CORPO DE LENIN; Horas de Espera sob Neve e Temperaturas Congelantes Fora do Clube Nobre de Moscou. CAIXÃO CARREGADO POR OITO QUILÔMETROS, Membros do Conselho de Comissários Cambaleiam sob o Peso do Caixão, Recusando-se a Utilizar Suportes

Em todas essas manchetes encontramos condenação rematada e absoluta a apenas um ditador.  Um que foi relativamente brando no que tange a ditaduras, mas que era anticomunista; sua principal característica foi seu governo pelo "Terror".

Em contraste, no caso dos genocidas comunistas, observa-se uma tolerância acrítica nas manchetes, em conjunto com uma zelosa recusa à menção dos terrores incalculavelmente maiores que eles causaram.  Assim, Mao foi o "Líder da Revolução Vermelha da China"; Stálin supostamente transformou "a Rússia em um Poderoso Estado Socialista"; e o funeral de Lênin foi descrito como um fenômeno de entusiasmo beirando a adoração: "...CAIXÃO CARREGADO POR OITO QUILÔMETROS, Membros do Conselho de Comissários Cambaleiam sob o Peso do Caixão, Recusando-se a Utilizar Suportes..."

O caso chileno

A reação da imprensa mundial e dos intelectuais de esquerda quando da morte de Augusto Pinochet relembrou-me que, além da fábula de Papai Noel e suas renas, há uma outra fábula ainda vigorosamente presente no mundo atual.  E, ao passo que a fábula de Papai Noel é inocente, servindo apenas para entreter crianças pequenas, essa outra definitivamente não tem nada de inocente; ela é puramente maliciosa.  Trata-se da fábula de que aqueles que são responsáveis por tentar socializar o sistema econômico de um país, como os marxistas do governo chileno de Salvador Allende, são bem intencionados e, por isso, merecem estar imunes de todo e qualquer malefício corporal, além de certamente não merecerem jamais ser mortos.

De acordo com essa fábula, em um país como o Chile sob o governo Allende, garotos e garotas marxistas cantavam e dançavam alegremente, seus rostos resplandecentes de amor pelos oprimidos, enquanto se dedicavam à jubilosa tarefa de construir um sistema econômico socialista.  É claro que, como em toda fábula, sempre existem forças negras que conspiram contra essa alegria: repetidamente, onde quer que esses inocentes e felizes marxistas tentam efetuar sua obra caritativa — na Rússia soviética, na China comunista, em Cuba e em todos os outros vários satélites — empobrecimento, miséria, escravidão e genocídios sempre teimam em ocorrer.

Porém, de acordo com a fábula, é claro que tais acontecimentos nada têm a ver com a natureza do socialismo e com as ações dos marxistas que tentam estabelecê-lo.  O infortúnio simplesmente acontece.  De maneira igualmente inexplicável — a menos que seja simplesmente por sua natureza puramente má —, homens malvados e sórdidos aparecem do nada e, sem nenhum motivo aparente, se opõem aos inocentes marxistas, espancam-nos e matam-nos, como fizeram os soldados de Pinochet no Chile em resposta à tentativa dos marxistas de socializar a economia daquele país.  O horror! Que afronta contra bons e inocentes marxistas!  Tal tipo de maldade certamente merece ser severamente punida!

Fim da fábula.  Agora, a realidade. 

O Chile na época do golpe militar estava imerso no caos econômico.  O presidente Allende, apesar de ter sido eleito com apenas 36% dos votos válidos (a direita teve 34,9% e os social-democratas, 27,8%), estava agressivamente implementando um programa econômico puramente marxista, como até mesmo o amplamente hostil obituário do The New York Times admite: "um programa socialista de confisco e estatização de minas, bancos e indústrias estratégicas; divisão e repartição de grandes propriedades rurais em fazendas comunais; e controle absoluto de preços".  Não surpreendentemente, tais medidas, como o próprio Times reconhece, "rapidamente resultaram em acentuados declínios na produção, escassez absoluta de bens de consumo e inflação explosiva."

Ademais, Allende centralizou e nacionalizou a educação e o sistema de saúde, distribuiu benefícios para seus aliados políticos e inflacionou alucinadamente a oferta monetária, o que levou ao colapso de toda a economia e ao endividamento maciço seguido do calote.  A inflação de preços foi combatida com o típico e anacrônico recurso do congelamento, o que deixou lojas e supermercados com prateleiras vazias, além de gerar revolta em todos os proprietários e empreendedores do país. 

Hoje sabe-se que havia até mesmo um projeto que parece ter saído direto de um livro de ficção científica, levando ao paroxismo tudo aquilo com que Marx sempre sonhou: uma economia centralmente planejada por um computador gigante.

Com tudo isso, resta a pergunta: é realmente crível que não houve violência nesse processo de confiscos?  Nenhum sofrimento humano?

A questão essencial a ser julgada é que estava em andamento um maciço processo de confisco armado sendo conduzido pelo governo Allende.  O regime possuía milícias armadas que eram utilizadas para saquear e confiscar a propriedade das pessoas, sendo que o critério para tal era exatamente aquele definido por Marx: qualquer um que se enquadrasse na descrição de 'burguês'.  De acordo com o obituário do The Wall Street Journal, o regime estava agindo em claro desacato à Suprema Corte chilena, que o havia denunciado por seu "deliberado e obstinado desprezo por decisões judiciais", o que criou a ameaça de um "iminente colapso de toda a legalidade."

O direito de se defender

Enquanto os marxistas se limitam apenas a escrever, fantasiar e falar sobre a destruição do capitalismo e o consequente estabelecimento do socialismo, eles têm todo o direito de serem deixados em paz e não sofrerem qualquer tipo de moléstia, assim como tem esse mesmo direito qualquer outra pessoa que não agrida ninguém a não ser ela própria.  Porém, quando os marxistas saem de suas fantasias e começam a colocá-las em prática no mundo real, cometendo confiscos e roubos à mão armada, tal ato cancela seus direitos à não agressão, inclusive seu direito à vida.

O direito à vida, à liberdade e a não ter sua propriedade confiscada, o qual todos os homens possuem, carrega consigo o direito à autodefesa.  O exercício do direito à autodefesa inclui matar aqueles que representam uma ameaça iminente à vida de uma pessoa.  Inclui matar aqueles que são uma ameaça iminente à vida de um indivíduo que está apenas tentando defender sua propriedade.  Ladrões armados querendo confiscar propriedades sempre representam essa ameaça, sejam eles marxistas ou não. 

Contrariamente ao que pensam vários intelectuais de esquerda, comunistas não têm o direito de matar dezenas de milhões de pessoas inocentes.  Mais ainda: eles não têm o direito de reclamar quando suas almejadas vítimas reagem, impedem suas ações e, nesse processo, matam alguns comunistas.

Se os marxistas que apanharam e morreram no Chile quisessem de fato evitar tal destino, eles deveriam simplesmente ter ficado em casa escrevendo livros e artigos, ou fazendo palestras, ou organizando marchas e protestos pacíficos.  Eles certamente não deveriam ter feito planos para saquear a propriedade de terceiros.

Quanto ao general Pinochet, ele ao menos merece ser lembrado como o homem que impediu que seu país se tornasse o segundo satélite soviético no Ocidente, após a Cuba de Fidel Castro.  E, assim como Cuba e a União Soviética, uma ditadura totalitária com uma população empobrecida e faminta.

O general certamente não era nenhum anjo.  Nenhum soldado pode ser.  Ele foi repetidamente denunciado pela morte ou desaparecimento de mais de 3.000 cidadãos chilenos, além de acusado pela tortura de outros milhares.  É bem provável que um número substancial de chilenos inocentes tenha morrido ou desaparecido ou sofrido tratamentos brutais como resultado das ações de Pinochet.  Porém, em uma batalha para se evitar a imposição de uma ditadura comunista, é algo incontestável que a maioria daqueles que morreram ou sofreram torturas estava preparada para infligir um número excepcionalmente maior de mortes e uma escala avassaladoramente maior de sofrimento aos seus conterrâneos.

A morte e o sofrimento desses propensos totalitários não deve ser lamentada, assim como não se deve lamentar as mortes de Lênin, Stálin, Hitler e seus respectivos auxiliares.  Tivesse havido um general Pinochet na Rússia em 1918 ou na Alemanha em 1933, as pessoas daqueles países, assim como o resto do mundo, estariam incomparavelmente melhores, exatamente em virtude da morte, desaparecimento e concomitante sofrimento de um vasto número de comunistas e nazistas.  A vida e a liberdade são positivamente auxiliadas pela morte e o desaparecimento desses seus inimigos mortais.  A ausência destas pessoas significa a ausência de coisas como campos de concentração e genocídios, e isso obviamente é algo que deve ser ardentemente desejado.

Quanto a todas as pessoas inocentes que morreram no Chile, seu destino deveria ser imputado principalmente aos conspiradores comunistas que queriam impor sua ditadura totalitária.  Como dito, as pessoas têm o absoluto direito de reagir e defender suas vidas, liberdade e propriedade contra um levante comunista.  Nesse processo, não se pode esperar que elas façam as distinções presentes em um processo judicial.  Elas precisam agir rapidamente e decisivamente para remover as ameaças.  Essa é a natureza de uma guerra de reação.  O cruel destino de inocentes, em sua grande maioria pessoas que não puderam ser distinguidas do inimigo, é responsabilidade dos comunistas.  Caso eles não tivessem tentado impor sua ditadura totalitária, não haveria qualquer necessidade de uso de força e violência para impedi-los.  Consequentemente, os inocentes não teriam sofrido.

Por fim, vale lembrar que o general Pinochet voluntariamente renunciou à sua ditadura.  Ele fez isso após ter logrado dois êxitos: impedir uma tomada comunista e impor vastas reformas pró-livre mercado na então completamente combalida economia chilena.  O efeito dessas reformas foi transformar o Chile na mais próspera economia da América Latina.  De acordo com as palavras do hostil obituário do The New York Times, o ditador utilizou seu poder para "determinar limites, por exemplo, nos debates sobre políticas econômicas, frequentemente alertando que não toleraria um retorno a medidas estatizantes".  Isso o tornou o único ditador não estatista em todo o mundo.

Uma palavra sobre ditaduras

Assim como as guerras, ditaduras necessariamente são um malefício.  Como as guerras, uma ditadura só pode ser justificada quando é absolutamente necessária para impedir um malefício excepcionalmente maior do que a própria ditadura e contra o qual não restam mais medidas de curto prazo.  No caso chileno, o malefício excepcionalmente maior era a imposição de uma outra ditadura permanente, muito mais abrangente e severa: a ditadura comunista.

Não obstante o fato de que o general Pinochet utilizou seus poderes de ditador para implementar grandes reformas pró-livre mercado, a ditadura jamais deve ser vista como um meio justificável para a implantação de tais reformas, por mais necessárias e desejáveis que elas sejam.  A ditadura é a mais perigosa das instituições políticas e facilmente produz resultados catastróficos.  Isso porque um ditador não está restringido por nenhuma discussão ou debate público, o que facilmente o permite levar o país a desastres que poderiam ter sido evitados caso houvesse a liberdade de se criticar suas ações e de se fazer oposição a elas.  E mesmo quando suas políticas parecem estar certas, o fato de que elas são impostas contrariamente à opinião pública apenas faz aumentar a impopularidade delas, dificultando ainda mais qualquer necessidade de mudança permanente.

Com base nessas considerações, quando perguntado o que faria caso fosse apontado ditador, Ludwig von Mises respondeu: "Eu renunciaria".

A necessidade de métodos brutais para se atingir o socialismo

Por que o socialismo jamais pode ser aplicado consensualmente?  Por que os comunistas chilenos tiveram de implantar seu sonhado modelo à força?

Comecemos considerando os meios empregados para se alcançar o socialismo.  De imediato, observamos dois fenômenos que não são dissociados um do outro.  Primeiro: onde quer que o socialismo tenha sido implantado, como nos países do bloco comunista e na Alemanha nazista, métodos violentos e sanguinários foram utilizados para impô-lo e mantê-lo.  Segundo: nos países onde partidos socialistas chegaram ao poder mas se abstiveram de violência e derramamento de sangue, como na Grã-Bretanha, em Israel ou na Suécia, eles não implementaram o socialismo de fato, mas conservaram a chamada economia mista, a qual eles não alteraram radicalmente nem fundamentalmente.  Consideremos as razões para esses fatos.   

Mesmo que um governo genuinamente socialista fosse eleito democraticamente, seu primeiro ato de governo ao implantar o socialismo teria de ser um ato de enorme violência, qual seja, a expropriação a força dos meios de produção.  A eleição democrática de um governo socialista não alteraria o fato de que o confisco de propriedade contra a vontade dos proprietários é um ato de força.  Uma expropriação à força da propriedade baseada no voto democrático é tão pacífica quanto um linchamento também baseado no voto.  Trata-se de uma violação primordial dos direitos individuais.  A única maneira de o socialismo realmente ser implantado por meios pacíficos seria com os donos de propriedade voluntariamente doando sua propriedade ao estado socialista.  Porém, pense nisso.  Se o socialismo tivesse de esperar que os donos de propriedade doassem voluntariamente sua propriedade para o estado, este certamente teria de esperar para sempre.  Logo, se o socialismo tem de ser implementado, então ele só pode existir por meio da força — e força aplicada em escala maciça, contra toda a propriedade privada.

Ademais, no caso da socialização de todo o sistema econômico, em contraposição à socialização de uma indústria isolada, é impossível criar alguma forma de compensação para os donos das propriedades confiscadas.  No caso de uma estatização isolada, o governo pode compensar os proprietários destituídos simplesmente tributando o restante dos donos de propriedade.  Mas se o governo confisca todas as propriedades, e simplesmente abole a propriedade privada, então não há nenhuma possibilidade de compensação justa.  O governo simplesmente rouba a propriedade de todos, por completo.  Nessas circunstâncias, os donos de propriedade irão quase que certamente resistir e tentar defender seus direitos — pela força, se necessário —, e estariam totalmente corretos em agir assim.

Isso explica por que apenas os comunistas conseguem implantar o socialismo, e por que os social-democratas sempre fracassam em suas tentativas.  Os comunistas, com efeito, sabem que têm de ir a campo e roubar toda a propriedade dos homens.  E sabem também que, se quiserem ser bem sucedidos nessa empreitada, é melhor irem armados e preparados para matar os donos de propriedade, os quais certamente tentarão defender seus direitos (daí a importância de se desarmar a população para se implantar um estado totalitário).  Os social-democratas, por outro lado, são hesitantes e acabem sendo contidos pelo medo de tomar essas medidas necessárias para se chegar ao socialismo.

Em suma, os fatos essenciais são esses.  O socialismo necessariamente deve começar com um enorme ato de confisco.  Aqueles que querem seriamente roubar devem estar preparados para matar aqueles a quem eles planejam roubar.  Assim sendo, os social-democratas são meros vigaristas e batedores de carteira, que se ocupam em proferir palavras vazias sobre o dia em que finalmente implantarão o socialismo, mas que saem em desabalada carreira ante o primeiro sinal de resistência oferecido por suas almejadas vítimas.  Os comunistas, por outro lado, levam muito a sério a implantação do socialismo.  Eles são assaltantes armados preparados para matar.  É por isso que os comunistas conseguem implantar o socialismo.  Dentre esses dois, apenas os comunistas estão dispostos a empregar os meios sanguinolentos necessários para implantar o socialismo.

Portanto, torna-se claro por que todos os livros, palestras e protestos pacíficos do mundo são incapazes de algum dia implantarem o socialismo: eles jamais irão persuadir o número necessário de pessoas a doarem voluntariamente sua propriedade ao estado socialista.  Portanto, todas essas medidas "intelectuais" serão necessariamente fúteis, pelo menos até o ponto em que tudo descambe em ação violenta.

A implicação de tudo isso é que, a menos que os marxistas possam se tornar satisfeitos com a atual situação, assim como os social-democratas aparentemente aprenderam a ser — com medidas econômicas apenas parciais rumo ao seu objetivo, tais como a criação e a expansão do estado assistencialista, regulador e vorazmente tributador —, eles estarão fadados à frustração permanente.  Ao mesmo tempo, aqueles dentre eles que continuarem comprometidos com a realização do seu objetivo — isto é, o real socialismo — certamente não irão tolerar tal frustração permanentemente.  Pela lógica, é de se supor que, em algum momento, quase que inevitavelmente, eles irão descambar para a ação violenta, pois essa é a única maneira na qual eles podem de fato realizar seu objetivo.

Tais marxistas, como os socialistas — os sérios e dedicados —, não são de modo algum santos ou mártires incriticáveis, mas sim pessoas perigosas e com uma mentalidade criminosa.


1 voto

autor

George Reisman
é Ph.D e autor de Capitalism: A Treatise on Economics. (Uma réplica em PDF do livro completo pode ser baixada para o disco rígido do leitor se ele simplesmente clicar no título do livro e salvar o arquivo). Ele é professor emérito da economia da Pepperdine University. Seu website: www.capitalism.net. Seu blog georgereismansblog.blogspot.com.

  • Flavio Ortigao  06/01/2011 11:36
    E' o fascismo um mal necessario para combater o comunismo? Mussolini, estava seguro disso. Hitler, estava seguro disso. Ja Hannah Arendt, negou essa tese em seu livro seminal The Origins of Totalitarianism (1951). Estranho que continue largamente esquecido. Nao e' incomum, entre os miopes ideologicos, esse discurso de que tipo de totalitarismo me faz bem. E no entanto, as evidencia comprovam, o totalitarismo nao faz bem a saude.
  • Getulio Malveira  06/01/2011 11:56
    Desculpe-me, amigo, mas voce está confundindo ditadura, facismo e totalitarismo. Os regimes militares latino-americanos foram regimes autoritários, mas dizer que foram totalitários é puro anacronismo. Mussolini (que pertenceu ao partido comunista na juventude) e Hitler (cujo partido se não me engano chamava-se nacional-socialismo) e que fez um pacto de não-agressão com a URSS não podem ser comparados aos Presidentes militares que governaram com amplo apoio da população. Isso mesmo, os regimes militares se sustentavam no apoio de amplas camadas da população, da Igreja e das Forças Armadas. Cesar, Napoleão e os primeiros presidentes de nossa república foram ditadores, nem por isso eram facistas ou totalitarios.

    Hitler foi um caso a parte, mas se tornou comum comparar tudo o que não pertence ao pensamento político dominante ao nazismo para demoniza-lo.

    Arendt não demonstrou nada em Origens. É um livro interessante, mas nenhuma unanimidade quanto ao fenômeno do Totalitarismo, que aliás ela reconhece ser restrito ao Nazismo e ao Comunismo.

    Cum cesare cesare!
  • Flavio Ortigao  06/01/2011 14:50
    Leia isso www.mises.org.br/Article.aspx?id=42
  • Getulio Malveira  06/01/2011 15:44
    Conheço o artigo e a filiação positivista de nossas Forças Armadas. Infelizmente o "pecado original" de 1889 determinou o que seriam durante o século XX e o que seria nossa República: um caos de golpes, revoluções e contra-revoluções. Mas não é disso que se trata. De fato, o governo militar brasileiro por mais arbitrário ou autoritário que seja, por mais corporativista, não pode ser comparado a regimes totalitários como o comunista ou o nazista.

    Não estou a defender teses corporativistas, estou a defender indivíduos que lutaram contra o totalitarismo e livraram a América latina de um destino semelhante ao de Cuba. Como isso parece que não voltará a acontecer, caminhamos a passos largos junto com Venezuela, Bolivia e cia para o socialismo do século XXI.

    abraço
  • Getulio Malveira  06/01/2011 11:38
    Bom texto para aqueles que acreditam que o Estado será destruído pela internet... É preciso dar a devida consideração aos que lutaram contra o comunismo e hoje são perseguidos e execrados. Não que os presidentes militares e seus governos tenham sido modelos de liberalismo, mas é preciso reconhecer o serviço que prestaram aos seus paises e para isso basta observar o estado da economia no período anterior às revoluções militares e mesmo o caminho que tomam atualmente. Há uma lição aqui, que já me tinha vindo a mente por ocasião das palavras de Videla durante seu "julgamento": ainda que lutemos com todos os meios possíveis, a vitória é incerta; se nada fizermos ela é completamente impossível.
  • mcmoraes  06/01/2011 13:44
    Getúlio Malveira, por favor, pq vc afirma q este artigo é um "bom texto para aqueles que acreditam que o Estado será destruído pela internet"? Obrigado desde já.
  • Getulio Malveira  06/01/2011 14:16
    mcmoraes,

    Digo isso porque as vezes sinto que alguns libertários confundem os meios e os fins. Em outra discussão, sobre a legitimação do Estado, sustentei a posição de que a força do Estado deriva de seu poder bélico contra a opinião do Fernando Chiocca de que a força do Estado está no consentimento dos governados. Concordo plenamente com o princípio de auto-defesa sobre o uso legítimo da violência, mas discordo que dele devamos deduzir que o caminho para liberdade é simplesmente o "esclarecimento" das pessoas. Nunca na história do mundo houve uma mudança significativa numa sociedade em termos políticos que não passasse pela guerra e é improvável que isso venha a acontecer. Para mim, auto-defesa não implica em pacifismo.

    abraço
  • mcmoraes  06/01/2011 14:52
    Muito obrigado pela resposta. Penso que a sua opinião e a do Chiocca não são conflitantes, mas complementares entre si. Baseio-me no último parágrafo do artigo de ontem:

    "...Os filósofos coletivistas são incapazes de perceber que o que constitui o estado são as ações dos indivíduos. Os legisladores, aqueles que impõem obediência à lei pela força das armas, e aqueles que se submetem aos ditames das leis e da polícia constituem o estado por meio de seu comportamento. Apenas nesse sentido o estado pode ser considerado algo real. Não existe estado fora destas ações individuais dos homens."

    Quanto à sua afirmação: "...Nunca na história do mundo houve uma mudança significativa numa sociedade em termos políticos que não passasse pela guerra e é improvável que isso venha a acontecer... O Satyagraha não seria um contra-exemplo?
  • Getulio Malveira  06/01/2011 15:24
    Concordo plenamente, mcmoraes. Na verdade esse parágrafo que voce citou é perfeito para concluir a questão.

    Quanto ao Satyagraha... creio que é algo a ser considerado. Talvez voce tenha razão. Penso que nenhuma opção (militar, intelectual, cultural, religiosa, etc) deveria ser descartada, mas não acredito que qualquer delas seja suficiente por si. O que defendo é que um movimento politico deve se valer de "todos" os meios para defender suas justas causas.

    abraço
  • mcmoraes  19/01/2011 11:26
    Apenas p/ complementar o meu comentário anterior, parece q o Rothbard corrobora a visão do Mises:

    ...For short-run optimism, being unrealistic, leads straightway to disillusion and then to long-run pessimism; just as, on the other side of the coin, long-run pessimism leads to exclusive and self-defeating concentration on immediate and short-run issues. Short-run optimism stems, for one thing, from a naive and simplistic view of strategy: that liberty will win merely by educating more intellectuals, who in turn will educate opinion-molders, who in turn will convince the masses, after which the State will somehow fold its tent and silently steal away. Matters are not that easy. For libertarians face not only a problem of education but also a problem of power, and it is a law of history that a ruling caste has never voluntarily given up its power. (Egalitarianism as a Revolt Against Nature and Other Essays, p. 52)
  • mcmoraes  18/02/2011 10:23
    Ayn Rand também vai na mesma direção de Mises e Rothbard:

    ... Just as the Witch Doctor [the man of feelings] is impotent without Attila [the man of force], so Attila is impotent without the Witch Doctor; neither can make his power last without the other. (For the New Intellectual, p. 18)
  • Tiago RC  06/01/2011 15:45
    Getúlio, a internet não fornece só meios de esclarecimento, mas alguns meios de ação também.

    Acho que só força bruta não mantém o Estado não. Ela é fundamental, e mais importante quanto mais autoritário for o regime. Mas o consentimento das vítimas é o principal alicerce do Estado.
  • Getulio Malveira  06/01/2011 16:03
    Thiago,

    Depende do que voce concebe como meios de ação. A guerra ciebernética já é uma realidade. Como o mcmoraes bem pontuou, a diversos modos de ação política. Creio que nenhum deve ser ideologicamente descartado.

    Concordo que o consentimento é fundamental, mas apenas o não-consentimento não é suficiente: a questão é como os indivíduos descontentes reagem, se pelo jus sperniandi ou através de ações mais concretas. A pergunta é: o Estado está sempre disposto a matar para se sustentar. Até onde estamos dispostos a ir?

    abraço
  • mcmoraes  06/01/2011 19:38
    @Getúlio: "A pergunta é: o Estado está sempre disposto a matar para se sustentar. Até onde estamos dispostos a ir?"

    Essa me fez lembrar de um trecho de diálogo de "A Nascente":

    Diretor: - Meu camara, quem vai permitir-lhe fazer isso?
    Howard Roark: - Essa não é a questão. A questão é quem vai me impedir?

  • mcmoraes  19/04/2011 00:06
    @Getúlio: "A pergunta é: o Estado está sempre disposto a matar para se sustentar. Até onde estamos dispostos a ir?"

    O Stephan Molyneux tem uma boa resposta.
  • Tiago RC  06/01/2011 15:50
    Eu não consigo concordar com o que é dito aqui:

    Quanto a todas as pessoas inocentes que morreram no Chile, seu destino deveria ser imputado principalmente aos conspiradores comunistas que queriam impor sua ditadura totalitária. Como dito, as pessoas têm o absoluto direito de reagir e defender suas vidas, liberdade e propriedade contra um levante comunista. Nesse processo, não se pode esperar que elas façam as distinções presentes em um processo judicial. Elas precisam agir rapidamente e decisivamente para remover as ameaças. Essa é a natureza de uma guerra de reação. O cruel destino de inocentes, em sua grande maioria pessoas que não puderam ser distinguidas do inimigo, é responsabilidade dos comunistas. Caso eles não tivessem tentado impor sua ditadura totalitária, não haveria qualquer necessidade de uso de força e violência para impedi-los. Consequentemente, os inocentes não teriam sofrido.

    Soa exatamente como as desculpas esfarrapadas usadas pelos genocidas americanos para justificar as milhares de mortes civis no Iraque. "Mortes colaterais" ou algo assim.

    O assassinato dos inocentes deve ser imputado a seus verdadeiros assassinos sim, não a terceiros.
  • Getulio Malveira  06/01/2011 16:10
    Plenamente de acordo! Esse argumento do autor é falso e desnecessário.
  • augusto  06/01/2011 20:18
    O autor diz:\r
    \r
    "Como dito, as pessoas têm o absoluto direito de reagir e defender suas vidas, liberdade e propriedade contra um levante comunista."\r
    \r
    Verdade. Mas como o proprio autor reconheceu, 36% dos eleitores votaram no Allende e, supostamente, estavam de acordo com seu projeto socialista.\r
    \r
    Ora, os 64% restantes tem pleno direito de exigir o respeito a sua propriedade. Mas esse direito inclui forcar os 36% que teoricamente queriam um regime socialista a viver sob um regime capitalista?\r
    \r
    Ou aqueles que querem viver - voluntariamente - sob um regime socialista devem ser forcados a aceitar o capitalismo?
  • Leandro  06/01/2011 21:03
    Augusto, os 36% tinham plena liberdade de sair do país -- ao contrário dos países socialistas, que impedem a saída de seus habitantes -- e ir pra Cuba, por exemplo.

    O fato é que não existe regime socialista voluntário. Para o socialismo existir, ele tem necessariamente de expropriar aqueles que não querem viver sob esse regime, que são necessariamente os mais produtivos.

    Portanto, o desejo desses 36% jamais poderia ser realizado sem derramamento de sangue. Logo, não faz sentido sua afirmação.

    Já o capitalismo é um regime de associações voluntárias. Ninguém é forçado a nada -- exceto pelo governo, que confisca parte da renda de todos, tornando-o a entidade socialista em uma economia capitalista.
  • augusto  06/01/2011 22:36
    Leandro,\r
    \r
    Democracia eh o sistema politico ideal? Provavelmente nao. Mas era a regra amplamente aceita no Chile. Seguindo a sua linha de argumento, quem nao estivesse satisfeito com um sistema onde um candidato poderia se tornar presidente com 36% dos votos, "tinha plena liberdade de sair do país".\r
    \r
    Quanto a sua afirmacao de que "não existe regime socialista voluntário", acredito tratar-se de um engano. Cito como exemplo os kibbutzim israelenses: os terrenos eram comprados e pagos em dinheiro, e os colonos eram todos voluntarios, e todos estavam de acordo com as regras, inspiradas no marxismo. Ninguem foi forcado a participar. Obviamente, o sistema eventualmente entrou em crise, pois como sabemos, o calculo economico no socialismo eh impossivel. Mas sao dois temas diferentes.\r
    \r
    Voltando aos 36%, que a principio, estavam de acordo com o projeto de Allende, ora, eles aceitaram as regras, votaram, participaram do jogo. E tiveram sua escolha claramente desrespeitada pelos que apoiaram o golpe militar. Ora, o golpe militar foi sustentado por dinheiro de impostos, inclusive de impostos tomados aqueles 36% que nao queriam o golpe. Assim, eu nao vejo a legitimidade que o Reisman ve no golpe, como "protetor dos direitos de propriedade".\r
    \r
    Entenda que eu nao estou defendendo o Allende ou seu projeto. Apenas acho que o Reisman se equivoca ao retratar o golpe como defesa dos direitos de propriedade dos cidadaos.
  • anônimo  06/01/2011 22:58
    Vc confunde socialismo com comunitarismo (algo como "distribuição voluntária de renda entre as pessoas com quem se vive numa vila").
    Socialismo se baseia sempre na distribuição involuntária.
  • Leandro  07/01/2011 02:16
    Augusto, complementando o que disse o anônimo, você ainda não percebeu duas questões essenciais:

    1) Não importa a porcentagem de pessoas a favor do socialismo: elas sempre terão de confiscar os bens dos que são contra. Sem o consentimento destes últimos, não há socialismo voluntário.

    2) O sujeito que não quer viver no capitalismo é aquele que, por definição, quer viver à custa de terceiros -- ou seja, quer viver da agressão praticada contra terceiros. Ele precisa expropriar estes para poder se manter vivo.

    Isso é indefensável.
  • anônimo  29/12/2012 11:09
    Guerra de reação não tem NADA a ver com os danos colaterais do tio sam no iraque.
    Guerra de reação é algo como uma situação de 'legítima defesa', você se defender instintivamente numa situação de agressão real. Não é como um jogo de xadrez, numa situação dessas você não fica horas pensando: 'nossa, agora este senhor está apontando uma arma pra mim, e está visivelmente alterado e agressivo então considerando as possibilidades de que ele queira me matar eu acho que é melhor tentar tomar a arma dele com o golpe X do krav magá mas considerando a distância e o tempo de reação é melhor o golpe Y'...

    Isso é ridículo; guerra é guerra, se você não mata, você morre, numa situação dessas até o cérebro funciona de modo diferente.
    Se a culpa dos inocentes mortos não for de quem iniciou a agressão, encontramos uma razão para ser CONTRA o PNA.
  • LUIZ OLIVEIRA  06/01/2011 12:56
    "Tais marxistas, como os socialistas - os sérios e dedicados - não são de modo algum santos ou mártires incriticáveis, mas sim pessoas perigosas e com uma mentalidade criminosa." Faltou complementar: sendo assim, como sociopatas, as idéias de tais pessoas devem ser postas fora de circulação. Não se deve matar essas pessoas, evidentemente, por publicarem livros e fazerem manifestações contra a liberdade e a propriedade privada, mas não se deve permitir que se manifestem. Serei acusado de ser reacionário e de não me preocupar em defender a liberdade alheia. Aí é que está a armadilha. Pessoas como Marx e Lênin escreveram livros, artigos e fizeram manifestações contra o capitalismo e a favor do comunismo antes que se efetuassem ações para que isso fosse alcançado. Eles tiveram toda a liberdade para fazer isso. Ninguém os incomodou porque os consideravam homens inofensivos com idéias utópicas. Mas suas idéias se espalharam e se transformaram no monstro estatal totalitário comunista, responsável pela morte de milhões de pessoas.

    Por que é crime espalhar idéias nazistas, mas não é crime espalhar idéias comunistas? Qual ideologia é a mais assassina das duas? Todos aqui sabemos que é o comunismo. Todas as duas ideologias são igualmente assassinas. Não se deveria permitir a doutrinação tanto do nazismo quanto do comunismo. Mas o comunismo matou mais porque existe até hoje. Já o nazismo, como regime político, durou apenas alguns anos. Se tivesse continuado a existir, teria sido tão mortífero quanto o comunismo. Pergunto novamente: por que é crime usar ou defender símbolos nazistas, como a suástica, mas não é crime usar símbolos comunistas, como a foice e o martelo? Todos esses símbolos são emblemas de regimes de terror. O que acontece é que o regime nazista foi derrotado com a ajuda do regime soviético comunista, e isso porque Hitler rompeu o pacto de não agressão assinado por Ribentrop e Molotov, invadido a União Soviética. Mas pesquisem e vocês verão que foi Stalin quem deu subsídios para o rearmamento do exército alemão. Stalin foi um dos criadores de Hitler. Loucura? Pesquisem a respeito antes e tirem suas próprias conclusões.


    Por isso não concordo com Reisman quando diz:

    "Sendo assim, torna-se claro por que todos os livros, palestras e protestos pacíficos do mundo são incapazes de algum dia implantarem o socialismo: eles jamais irão persuadir o número necessário de pessoas a doarem voluntariamente sua propriedade ao estado socialista. Portanto, todas essas medidas "intelectuais" serão necessariamente fúteis, pelo menos até o ponto em que tudo descambe em ação violenta."

    A questão é que Reisman não percebeu que revoluções violentas, como a Revolução Russa de 1917, ou o regime nazista, são precedidas por livros, palestras e protestos, a fim de criar um ambiente cultural propício que gere a revolução. Sem O Capital e O Manifesto Comunista dificilmente teria havido o comunismo soviético. Sem Mein Kamp dificilmente teria havido o nazismo. Tudo começou com os livros. Tudo começa com a palavra. Não é à toa que a Bíblia diz que o Universo foi criado pela palavra.
    Os comunistas gostam de falar em respeito à liberdade de opinião a fim de semearem suas sementes do mal, e propagarem livremente o vírus revolucionário. Eles não querem ser incomodados enquanto fazem o seu nefasto e maligno trabalho, por isso clamam por liberdade nessa etapa. Eles usam a liberdade a fim de destruírem a liberdade. São como sanguessugas: se alimentam da liberdade propiciada pelo sistema de mercado para depois roubarem a liberdade dos outros. Por isso, não se deveria permitir que tais pessoas inoculassem livremente suas idéias pérfidas em mentes incautas. A revolução comunista é sempre precedida de doutrinação comunista. Para se evitar a revolução comunista deve se esmagar a doutrinação comunista. O revolucionário comunista sedento por sangue "burguês" é sempre precedido pelo aparentemente inofensivo e pacífico intelectual comunista com seu canto de sereia. Assim como é crime alguém infectado por um vírus letal espalhar esse vírus para outras pessoas, de modo consciente, deveria ser crime a doutrinação comunista. Isso é o mesmo que espalhar, conscientemente, o vírus do comunismo para outras pessoas. Para se evitar o contágio, é necessário agir sobre o foco da infecção. E nesse caso, o foco da infecção revolucionária do comunismo é a doutrinação comunista. Assim como o foco da infecção nazista foi a doutrinação nazista. Se não se tivesse permitido a doutrinação nazista não haveria regime nazista. Se não houvesse doutrinação comunista, idem. Querem evitar futuras revoluções comunistas? Então comecem por lutar por proibir a doutrinação comunista.
  • Isaura  28/12/2014 09:59
    Muito interessante ler o comentário do Luiz Oliveira hoje. Eu sequer imaginava que existia uma economia austríaca nos idos de 2011, e portanto não sou capaz de me lembrar dos detalhes políticos do momento.
    Hoje, no entanto, todos aqui estão bastante cientes da concretização do plano gramsciano em execução no país.
    Achei este comentário essencial, inclusive para os dias de hoje; as boas perguntas sempre semeiam outras indagações.
  • MÁRCIO   06/01/2011 13:01
    O texto é interessante, pois mostra a outra face da moeda. Mídias esquerdistas e as próprias universidades cheias de "doutores" marxistas sempre se atém a contar o lado mais comovente da repressão contra os ditos revolucionários, chamados de "heróis" pela história de luta contra o sistema capitalista. O Marx radical queria que fosse implantado uma "ditadura do proletariado". Portanto, não é de se estranhar que seus seguidores começassem uma luta armada a fim de abolir a propriedade privada. Atribui-se também muito à Stalin de ter sido um ditador sanguinário, porém, na verdade, ele foi discípulo de Lenin. O que Stalin fazia, já era feito tempos atrás com Lenin. Quem tiver interesse sobre como era URSS na época de Lenin pode ler o livro primoroso chamado "A guerra particular de Lenin" de Lesley Chamberlain. Nele, conta como Lenin expulsou a intelectualidade russa de professores, artistas até médicos(Vapor da Filosofia de 1922), mergulhando a Russia na fome, na cólera, na miséria, na violência desmedida, no caos econômico. O Terror Vermelho imposto por Lenin não deixou a desejar pra nenhuma ditadura posterior. Segundo ele, estava caçando as ideias reacionárias da burguesia derrotada. É incrível como adotam textos desse ditador em cadeiras de Economia. Só pra exemplificar como Lenin destratava a intelligentsia russa da época, cito um trecho retirado do livro citado acima. Assim, Lenin escreveu:

    "As forças intelectuais dos operários e camponeses estão crescendo e se fortalecendo na luta para derrubar a burguesia e seus cúmplices, os intelectuais, os lacaios do capital, que pensam ser o cérebro da nação. Na verdade, eles não são o cérebro, são a merda".

    Sem comentários!
  • Carlos Santos  06/01/2011 13:13
    "eles deveriam simplesmente ter ficado em casa (...) ou organizando marchas e protestos pacíficos."\r
    \r
    Que tem de pacíficos os protestos? Decerto o autor deve ter pensado em um local pouco movimentado e ao mesmo tempo espaçoso e visível para os protestos, como a Times Square em Nova Iorque ou Praça dos Três Poderes em Brasíla. Pois em via pública de tráfico intenso, como a Avenida Paulista, a realização de um protesto com interdição da passagem não deixa de ser uma violência contra os motoristas e transeuntes só por ser um ato político.\r
    \r
    O pior é que os mesmos manifestantes que se acham na prerrogativa de negar o direito de ir e vir, bloqueado estradas, também não se acanham em agredir verbal e fisicamente todos que tentarem furar o seu bloqueio.\r
    \r
    Nesses casos creio que a vítima tem todo o direito de reagir, como fez um motoqueiro que foi agredido por ultrapassar um bloqueio de protesto, sacou sua arma e efetuou disparos na direção dos agressores, não acertando ninguém. Embora disparar arma de fogo contra pessoas seja condenável, já e bastaria que ele sacasse a arma e ameaçasse atirar para que todos os seus agressores se afastassem, ninguém lhe pode negar seu direito de auto-defesa. Os agressores que pensem duas vezes antes de iniciar uma agressão, pois toda ação...\r
    \r
    www.youtube.com/watch?v=4ZIMFwAeM2Q
  • Flavio Ortigao  06/01/2011 13:35
    Eu me divirto quando Libertarios comecam a denfender as piores teses do corporativismo.

    O fascismo e o comunismo, segundo inclusive alguns fundadores do pensamento Libertario sao herancas da ideologia Positivista. O Positivismo e' essencialmente corporativista. No Brasil, o Positivismo foi a ideologia do Partido Militar, a bem da verdade o Chile NAO e' o Brasil, mas eu ponto era mesmo em referencia ao dominio do Partido Militar no pensamento Latinoamericano. Qualquer um que analizar o golpismo no Brasil (1898, 1903, 1905, 1922, 1930, 1935, 1937, 1946, 1956, 1964) vera que a ideologia militar e' positivista e corporativista e quem conhece a Historia ja ouviu falar nos fundadores do Movimento comunista e fascista militar brasileiro, Prestes e Juarez Tavora, ambos Tenentistas. No BRasil fascismo e comunismo nasceram nao como movimento de massas operarias, nao havia proletariado no patropi, mas nas casernas. I ntervecionismo militar e' na America Latina e' essencialmente corporativita e pode sempre se balancou entre comunismo e fascismo.
    No Chile e' um pouco diferente, pois havia realmente uma tradicao Profissional Prussiana nas FFAA Chilenas que de forma unica na America Latina as manteve as margens do golpismo. Mas a ameaca comunista, fez dos militars chilenos, suseptiveis a ideologia militarista dominante, deu no que deu. No Chile os Militares se mantiveram a par do Projeto de Poder. Nao houve sucessao e a economia foi desde sempre Civil. Na Argentina, no Brasil, no Uruguay, no Peru e na Bolivia, Venezuela etc. NAO foi assim.
  • Flavio Ortigao  06/01/2011 16:21
    Getulio,
    nao entenda discussao como um critica pessoal a voce. Voce tem todo o direito de emitir a opiniao que quizer. Como o Reissmann, opiniao cada um tem a sua. O que nao vale e' cada um ter a sua realidade. Meu interesse e' analizar os fatos. E' claro que os fatos sao interessantes, porque podemos tentar fazer generalizacoes com eles, aprender licoes. A licao do autor, me parece erronea. E cai na falacia do mal menor. Como se a unica alternativa ao caos produzido pro Allende fosse a destruicao da Democracia no Chile. Essa tese, eu discordo. Muito mais grave, foram as tentativas de generalizar para a situacao do militarismo na America Latina. Nao bate com of fatos.
    O artigo do Mises.br sobre o corporativismo positivista e' excelente, porque bate perfeitamente com os fatos e explica a relacao do positivismo com as ideologias totalitarias e o Estado como foi e e' idolatrado na AL. O fascismo/comunismo LA nao precisa ser igual, ou comparavel ao Europeu, sua origem e' a mesma o corporativismo positivista. A diferenca e' a conta dos mortos, mas isso nao interessa aqui. O Golpe de 64 nao foi dado para impedir que Cuba (engessada desde 62) tomasse o Brasil. Foi fruto da ideologia militarista do Partido Militar. O Partido Militar ja estava consolidado no Brasil desde 22 com o Tenentismo e nos outros paises LA, tambem vem de longa data. Essa ideologia estatista e' a mae da ditadura brasileira e a mae do que veio depois e antes PT/PSDB/PMDB. Nos ate hoje nao conseguimos superar o corporativismo positivista. Eliminar essa ideologia do estado Brasileiro. Essa e' a minha raiva com Ordem e Progresso.
  • Getulio Malveira  06/01/2011 19:52
    Pois é, Flávio... nossa diferença de perspectiva é essa: creio que as vezes é preciso optar pelo mal menor.
  • Gustavo Milano  06/01/2011 18:32
    Não gostei muito do artigo. Você parece ter uma visão muito maquiavélica e simplista desses processos genocidas, além de se utilizar das mesmas estratégias dos comunistas, por exemplo, matar pessoas e pôr a culpa no inimigo.
    Talvez você esteja com inveja pelo sucesso dos marxistas e queira, similarmente, impor uma ditadura, mas não tão obviamente ridícula como a marxista. Porque tentar consertar o mal com outro mal nunca (atenção!), nunca vai dar certo. Temos que combater os marxistas não por meios cavados e idealizados por eles, mas sim com seu oposto. Só ideologias opostas podem se confrontar frente a frente.
    Em suma, discordo dessa sua ideia de que o mal deve ser combatido com outro mal (e, inclusive, com o mesmo mal que foi criticado o texto inteiro!).
  • Leandro  06/01/2011 20:00
    Prezado Gustavo, quando o inimigo bate à sua porta, armado até os dentes e com a clara intenção de matá-lo, como você acha certo reagir? Com palavras de carinho?

    Eu também concordo que métodos pacíficos e diplomáticos sempre são preferíveis ao recurso à violência, porém o que fazer quando seu inimigo não pensa assim?

    Dê exemplos de ações factíveis, por favor. Nada de fantasias.

    Abraços.
  • Erik Frederico Alves Cenaqui  06/01/2011 22:06
    Prezado Leandro\r
    \r
    Os textos do IMB continuam perfeitos em sua analise dos fatos e de seus fundamentos.\r
    \r
    Os marxistas adoram aparecer como santos e idealistas, mas são todos terroristas vez que equiparam usam a violência para atingir seus fins políticos.\r
    \r
    Eles tem que ser combatidos e expostos de todas as formas possíveis.\r
    \r
    O IMB faz muito bem em trilhar o caminho da minoria e fugir do politicamente correto.\r
    \r
    A única vez que eu discordei de você foi quando deu nota 5 para o governo Lula.\r
    \r
    Não há nenhuma idéia do texto que eu discorde.\r
    \r
    Parabéns a sua equipe pelo belo trabalho que tem sido feito em prol da liberdade e felicidade das pessoas.\r
    \r
    Abraços
  • Eric  07/01/2011 11:43
    Definitivamente, precisamos de um Pinochet(civil ou militar) para salvar o Brasil, porque não vejo outra saída para o país. Além do Aeroporto Internacional. Pode terem sido violentos os regimes militares na América do Sul mas, evitaram que nos tornássemos uma Cuba gigante e principalmente, fizeram o Chile -e em menor grau, o Uruguai- serem os únicos países sul-americanos que se pode chamar de desenvolvidos.
  • anônimo  07/01/2011 13:13
    "Ademais, Allende centralizou e nacionalizou a educação e o sistema de saúde, distribuiu benefícios para seus aliados políticos e inflacionou alucinadamente a oferta monetária, o que levou ao colapso de toda a economia e ao endividamento maciço seguido do calote."\r
    \r
    Os países convivem no naufrágio lento e gradual do financísmo como unica legalidade do Estado. Até quando seremos realmente autosuficientes, a ponto de não nos comportarmos (para a educação, o sistema de saúde, saneamento básico etc) conforme a oferta do dólar nos endivida?\r
    \r
    E o conflito armado está envolto no predomínio do crescimento negativo (o valor), o qual precisa de base do meio exterior, para ter um ponto de apoio fixo (interbase). Afinal quem fica com a validez dos mercados à deriva? \r
    \r
    Os EUA já estão mergulhados em sua própria areia movediça há décadas e era apenas questão de tempo para que os seus dólares afundassem, apesar de toda propaganda messiânica propagada pelo recém-eleito Obama.\r
    \r
    O caldeirão da China começa a fazer pressão ideológica para consolidar a flexibilidade dos governos ao real mundo das idéias.\r
    \r
    É preciso esquadrinhar a profundeza do valor da produção e que se tire da moeda a escória do capitalismo.\r
    \r
    O que existe mesmo, para a ação humana, é o estagio atual da civilização, o qual reside em descobrir as causas do "desenvolvimento interno" da economia para captar o engendramento do valor da produção, através de um estado natural da liquidez mundial. \r
    \r
    Por que não assumirmos nossas mazelas de forma simples, real, fortalecendo as negociações com nossa própria moeda, e deixarmos que os dólares fiquem restritos as negociatas de quem a eles pertencem?\r
    \r
    Há duas opções pró-mercado para o colonizador e seus tentaculos na produção: à partir de um dos Eu (EUA ou Europa) escolhem a moeda. Entretanto, vamos definir esse processo de acumulação pela esfinge que sempre serve como um modelo a ser queimado em público, ou:\r
    \r
    1) - Devemos ficar no espaço vazio (do meio exterior) e esperar qual dos dois postulantes á matriz da economia vai ter a representatividade máxima do mundo das imagens em detrimento do real mundo das idéias.\r
    \r
    2) - Vamos nos colocar de frente ao desafio de embasar a moeda com uma razão de referencia para a Interbase, de modo a não perder o próprio valor do movimento interno para outra moeda.\r
    \r
    3) - Viramos parte do processo que compõe os limites da revolução política das colônias. \r
    \r
  • André Luis  08/01/2011 14:02
    Excelente o artigo.Fala tudo que se tem a dizer sobre o socialismo,os socialistas e suas mentiras.Parabens ao autor e ao tradutor
  • Túlio Amadeu  08/01/2011 19:15
    Prezado Leandro,\r
    \r
    Embora me filie a maioria de suas idéias, dessa vez serei obrigado, salvo melhor juízo, a discordar de você e mais: a mostrar espanto com o seu posicionamento.\r
    Inicialmente, também sou contra a "filosofia marxista", a qual não passa de uma grande utopia impraticável, seja por falhas no calculo econômico, seja por total inadequação às características humanas. Também acho que aqueles que, ainda hoje, assinalam o capitalismo como o mal dos males e socialismo a solução dos problemas da humanidade não passam de "ingênuos fantasiadores " (pegando leve para não ofender os possíveis marxistas). \r
    Contudo, não enxergo defesa para "líderes" como os citados no artigo, sejam eles socialista, capitalistas, religiosos ou qualquer outra coisa. Na minha opinião esses "líderes" são, (independente da filosofia defendida, repito) os exemplos do lixo humano que podemos produzir.\r
    Neste sentido, concordo plenamente quando o autor finaliza afirmando:\r
    "Tais marxistas, como os socialistas - os sérios e dedicados -, não são de modo algum santos ou mártires incriticáveis, mas sim pessoas perigosas e com uma mentalidade criminosa".\r
    É a pura verdade, mas porque quando "os capitalistas" utilizam os mesmos métodos para defender suas idéias eles também não são criminosos?\r
    Eu até acho legítimo utilizar a violência para expor seu posicionamento quando você faz parte dos subjugados em um regime que não te dá voz (seja ele qual for, repito mais uma vez), pois é essa a única forma de se fazer notar. \r
    Contudo, a partir do momento em que você passa de subjugado a detentor do poder e utiliza da violência para impor suas idéias, você não passa de lixo humano. \r
    Pelo que entendi, o autor do texto defende o Pinochet por ele ter sido o responsável, entre outras coisas, pela base econômica do Chile, a qual precisou de violência para ser imposta.\r
    Considero isso um absurdo por alguns motivos:\r
    1º Como dito acima, a partir do momento em que Pinochet chegou ao poder, ele deveria ter abdicado de todas as formas violentas de imposição de idéias;\r
    2ª Desta forma, as idéias econômicas, ou quaisquer outras, deveriam ser implementadas seguindo um ritual legal e de procedimentos que possibilitassem a oitiva de todos os lados, até para o melhor desenvolvimento dessas idéias;\r
    3º Se renunciar a violência significasse atraso da implementação das políticas que ele considerava essenciais, paciência, é porque a nação não estava amadurecida para tanto. Os fatos das políticas econômicas terem dado certo não justificam a violência que foi utilizada em sua implementação, até porque o resultado só poderia ser conhecido anos depois.\r
    \r
    Por esses motivos acho que o Pinochet foi tão f.d.p. quanto os demais citados, isto é, porque colocou suas idéias (certas ou erradas) acima das vidas dos seus opositores.\r
    \r
    Por fim, acho que o autor pecou ao atacar o NYT por "tratamento diferenciados" dos citados, pois:\r
    1º os obituários foram escritos com décadas de diferenças, o que pode explicar a modificação na abordagem não pelo líder em si, mas pelo que o jornal acreditou que o leitor queria ler. Em 2006 as violações aos direitos humanos tem muito mais relevância do que tinha 1976 (onde a discussão do sistema econômico - capitalista ou comunista- era muito mais relevante), o que justificaria ao jornal ( uma empresa) adequar seu produto ao gosto do consumidor. É uma hipótese. \r
    2ª ele adota os mesmos critérios que critica: Segundo ele o jornal por ser esquerdista amenizou A, B, C e detonou Pinochet. Ele faz a mesma coisa; alivia para Pinochet e detona os demais. Como disse acima acho que são todos uns f.d.p., com idéias opostas, mas dispostos a tudo para implementá-las.\r
    \r
    Resumidamente, é o que penso e estou aberto para aprender com as porradas que quiserem dar.\r
    \r
  • Erik Frederico Alves Cenaqui  09/01/2011 14:37
    Prezado Túlio Amadeu\r
    \r
    Peço a gentileza de debater com você.\r
    \r
    Seu posicionamento é de uma pessoa de bom senso e honesta e você expos suas idéias de forma clara, o que é um bom sinal vez que tem cada comentário sem sentido no site.\r
    \r
    É evidente que o autor do texto enverada por um caminho delicado ao expor suas idéias pois no fundo ele defende o uso de um mal menor para afastar um mal maior, mas a grande sacada do texto é mostrar a TOLERÂNCIA do mundo com os metódos e finalidades do socialismo.\r
    \r
    Se os socialistas tivessem tomado o poder no Chile este pais seria pobre, faminto, totalitário e NINGUÉM iria ligar.\r
    \r
    Façamos uma comparação entre Cuba e Chile.\r
    \r
    Há uma adoração no meio intelectual brasileiro com relação a Cuba que assusta que perdura até hoje que não se repete com o Chile.\r
    \r
    No Chile houve um golpe de estado e em Cuba uma "revolução".\r
    \r
    A ditadura do Pinochet já acabou a decádas, mas a de Fidel Castro segue até hoje.\r
    \r
    A ditadura de Pinochet começou depois da de Fidel Castro.\r
    \r
    A violência de Fidel Castro é bem maior que a de Pinochet até pela quantidade da população de cada país e pelo tempo de duração.\r
    \r
    Assim, não se pode igualar os desiguais.\r
    \r
    A equiparação diminui os crimes do Fidel Castro e aumenta os do Pinochet.\r
    \r
    Cada um deve responder segundo suas obras.\r
    \r
    Abraços\r
    \r
    \r
    \r
    \r
    \r
  • Túlio Amadeu  10/01/2011 10:09
    Olá Erick,\r
    \r
    Sinto-me honrado com o convite. Obrigado.\r
    Inicialmente, eu concordo com tudo que você disse:\r
    Realmente, se o socialismo tivesse tomado o Chile, provavelmente ele seria miserável e atrasado como cuba ( com certeza). Contudo, se isso tivesse acontecido, seria um preço que a nação chilena teria que pagar pelo seu amadurecimento (assim como nós suportamos nossos pesos) e tal fato não daria o direito a nenhum governante de matar os seus possíveis opositores para implementar suas idéias por acreditar serem elas mais corretas.\r
    Como disse antes, não condeno, a princípio, o Pinochet por ter utilizado a violência para chegar ao poder, a final era uma situação extrema. Condeno-o por continuar utilizando a violência após sua chegada ao poder. Como líder da nação, ele não poderia ter feito isso sob pena de se igualar a todo e qualquer tirano, facínora, genocida, ou qualquer outra alcunha que queria se dar, que já tenha existido ou que venha a existir.\r
    Quanto à comparação entre Pinochet e Fidel, você está apenas quantificando o grau de criminalidade de um e do outro. Ok, concordo que os efeitos danosos das ações de Fidel são bem piores, vez que prolongadas, de maior abrangência e sem nenhum resultado benéfico relevante para os cubanos. 100% de acordo. Ocorre que, acredito, em uma escala de brutalidade de 0 a 10, Pinochet foi 10 e Fidel 17. Isso ameniza para um e agrava para outro? Acho que não. Acho que ambos extrapolaram os limites da crueldade e por isso fazer parte do mesmo grupo de f.d.p. É como você me perguntar, o que é pior, cair do 50º andar ou do 20º andar. Na teoria é pior cair do 50º, mas, na prática, tanto faz. Você vai morrer do mesmo jeito. A única diferença é que, possivelmente, o cadáver estará menos desfigurado. Mas essa diferença é realmente relevante??\r
    Acho até que se fosse possível aplicar uma pena de morte para Pinochet e três para Fidel que seria mais justo. Contudo, como não é possível, os dois devem ter a mesma pena pelos crimes cometidos, a pena máxima.\r
    Com relação à TOLERÂNCIA exagerada aos regimes socialista, está é inegável. Ocorre que para se fazer uma análise imparcial da situação, nós não podemos levá-la em consideração sob pena de pecarmos por uma INTOLERÂNCIA exagerada ao socialismo, o que nos levaria as mesmas falhas desses pseudos intelectuais esquerdistas. O fato deles errarem não nos dá o direito de errar também.\r
    Aproveitando o gancho e apenas para ilustrar o que penso sobre essas pessoas vou contar uma rápida história.\r
    Meu irmão caçula iniciou sua faculdade semestre passado e estava cursando introdução à economia.\r
    Pois bem, em um daqueles almoços de família em que se reúne todos os filhos à mesa, meu pergunta à meu irmão:\r
    ----"e ai meu filho, como está a faculdade, está gostado?"\r
    Todo animado ele responde:\r
    ----" sim, estou adorando, a professora de economia é ótima..."\r
    E começa a repetir todo o discurso marxista de exploração da classe proletária e etc.\r
    Meu pai escuta atentamente e após pergunta:\r
    ----"E o que mais ela falou?"\r
    Meu irmão:\r
    ----"por enquanto só sobre Marx".\r
    Meu pai indignado afirma:\r
    ----"que porra de professora é essa? Você está no meio do semestre. Ela não deveria ter perdido mais do que uma aula com Marx".\r
    Meu irmão, assustado pergunta: \r
    ----"Como assim?"\r
    E meu pai, após segundos de reflexão arremata:\r
    ----"Meu filho, ela não passa de uma hippie atrasada".\r
    Eu achei essa frase genial. Ela resume em poucas palavras tudo que pode ser dito sobre esses marxistas que não perceberam que trem passou. Trate-se de um bando de hippies fora de época vomitando um discurso já ultrapasso e comprovadamente falho, mas que para não dar o braço a torcer e admitir que estavam errados, continuam sustentando essas baboseiras.\r
    PS. Meu pai quando estudante universitário era marxista doente.\r
    Por fim, peço desculpa pela extensão do comentário. Na próxima oportunidade serei mais resumido.\r
  • Erik Frederico Alves Cenaqui  10/01/2011 21:46
    Prezado Túlio Amadeu\r
    \r
    A sociedade chilena pagou um alto preço quando Pinochet fez a escolha de derrubar o Allende, vez que muita violência aconteceu.\r
    \r
    Ocorre que, quem gerou o Pinochet foi o próprio Allende, por meio de suas atitudes e condutas.\r
    \r
    Reitero que a tirania de Fidel Castro é DIFERENTE da do Pinochet pois a primeira é totalitária e a segunda é autoritária.\r
    \r
    Os regimes autoritários são mais fáceis de serem desmontados do que os regimes totalitários.\r
    \r
    Não existe intolerância exagerada com o socialismo, mas sim uma tolerância exagerada com este.\r
    \r
    O caso que você conta sobre seu irmão mostra que o marxismo persiste firme e forte na nossa sociedade, sendo que hoje a principal referência é o italiano Antônio Gramsci que defendia a implantação do comunismo pela via cultural.\r
    \r
    Todo marxista critica duramente os regimes autoritários latinoamericanos, mas se silencia sobre Cuba, Coreia do Norte, China, União Soviética e outros regimes grotescos pelo mundo, o que considero uma postural intelectual desonesta.\r
    \r
    Os pontos principais do texto são esses: é melhor um mal menor que um mal maior e existe uma tolerância exagerada para com os socialistas.\r
    \r
    Tais idéias estão corretas, vez que não podemos fazer concessões a pessoas que tem a mentalidade doentia.\r
    \r
    Abraços\r
    \r
    \r
    \r
  • Eduardo Bellani  18/06/2012 11:13
    Acho que o Reisman errou nesse artigo, especialmente se condiderarmos o ponto de vista libertário voluntarista.

    Pinochet era um autoritário corporativista que desprezava os direitos a propriedade de indivíduos. Não é por causa que ele "impediu" os comunistas de tomarem o poder que ele também não era um corporativista (socialista).

    Também acho que falta a citação disso aqui

    "É bem provável que um número substancial de chilenos inocentes tenha morrido ou desaparecido ou sofrido tratamentos brutais como resultado das ações de Pinochet. Porém, em uma batalha para se evitar a imposição de uma ditadura comunista, é algo incontestável que a maioria daqueles que morreram ou sofreram torturas estava preparada para infligir um número excepcionalmente maior de mortes e uma escala avassaladoramente maior de sofrimento aos seus conterrâneos."

    Como ele sabe que "é algo incontestável"?
  • Luis Almeida  18/06/2012 11:42
    "O direito à vida, à liberdade e a não ter sua propriedade confiscada, o qual todos os homens possuem, carrega consigo o direito à autodefesa. O exercício do direito à autodefesa inclui matar aqueles que representam uma ameaça iminente à vida de uma pessoa. Inclui matar aqueles que são uma ameaça iminente à vida de um indivíduo que está apenas tentando defender sua propriedade. Ladrões armados querendo confiscar propriedades sempre representam essa ameaça, sejam eles marxistas ou não."

    [...]

    "A morte e o sofrimento desses propensos totalitários não deve ser lamentada, assim como não se deve lamentar as mortes de Lênin, Stálin, Hitler e seus respectivos auxiliares. Tivesse havido um general Pinochet na Rússia em 1918 ou na Alemanha em 1933, as pessoas daqueles países, assim como o resto do mundo, estariam incomparavelmente melhores, exatamente em virtude da morte, desaparecimento e concomitante sofrimento de um vasto número de comunistas e nazistas. A vida e a liberdade são positivamente auxiliadas pela morte e o desaparecimento desses seus inimigos mortais. A ausência destas pessoas significa a ausência de coisas como campos de concentração e genocídios, e isso obviamente é algo que deve ser ardentemente desejado."

    [...]

    "Se os marxistas que apanharam e morreram no Chile quisessem de fato evitar tal destino, eles deveriam simplesmente ter ficado em casa escrevendo livros e artigos, ou fazendo palestras, ou organizando marchas e protestos pacíficos. Eles certamente não deveriam ter feito planos para saquear a propriedade de terceiros."


    Os trechos acima são claríssimos e não permitem interpretações dúbias. Permitem apenas inquietação -- como a sua -- frente a ideias tão politicamente incorretas expressadas de maneira tão direta e sem rodeios. Algo compreensível. Adicionalmente, impossível um texto ser mais claro e direto do que isso.


    "Como ele sabe que "é algo incontestável"?"

    Tipo, comunistas querem tomar o poder para fazer o quê? Brincar de ciranda-cirandinha? Propiciar concertos de oboé? E como eles pretendem tomar o poder e expropriar pessoas? Esperando que elas voluntariamente entreguem sua propriedade? E aqueles reacionários que não estiverem muito a fim de se desfazerem de tudo que construíram durante a vida? Serão tratados com cortesia?

    Se você estivesse em meio a um levante comunista, você provavelmente diria a seus conterrâneos: "Esperem aí, vamos com calma. Quem sabe essa galera armada até os dentes, invadindo terras e expropriando pessoas, aceite conversar? É possível. Não vamos oferecer resistência. Vamos combatê-los utilizando palavras de carinho."

    Artigo irretocável e perfeito para desentocar os politicamente corretos, os quais sempre se entregam nos detalhes. Qualquer movimento que exija coragem, postura e disposição não pode ter tais pessoas em suas fileiras. Elas afinam nos momentos decisivos.
  • anônimo  18/06/2012 12:01
    Acho que o problema é o seguinte:

    "É bem provável que um número substancial de chilenos inocentes tenha morrido ou desaparecido ou sofrido tratamentos brutais como resultado das ações de Pinochet..."
  • Luis Almeida  18/06/2012 12:07
    Não faz sentido ser este o ponto, pois o texto abordou especificamente esta questão:

    "Quanto a todas as pessoas inocentes que morreram no Chile, seu destino deveria ser imputado principalmente aos conspiradores comunistas que queriam impor sua ditadura totalitária. Como dito, as pessoas têm o absoluto direito de reagir e defender suas vidas, liberdade e propriedade contra um levante comunista. Nesse processo, não se pode esperar que elas façam as distinções presentes em um processo judicial. Elas precisam agir rapidamente e decisivamente para remover as ameaças. Essa é a natureza de uma guerra de reação. O cruel destino de inocentes, em sua grande maioria pessoas que não puderam ser distinguidas do inimigo, é responsabilidade dos comunistas. Caso eles não tivessem tentado impor sua ditadura totalitária, não haveria qualquer necessidade de uso de força e violência para impedi-los. Consequentemente, os inocentes não teriam sofrido."

    De novo, o texto é cristalino, sem fazer concessões. Não posso falar sobre o Chile, mas, no Brasil, desconheço um "perseguido" pela ditadura que não quisesse explicitamente transformar isso aqui em Cuba -- tolinhos que eram, pois o senhor Geisel fez o serviço quase que completo para eles (não à toa é o preferido de petistas).
  • Eduardo Bellani  18/06/2012 12:38
    Se você assassinar um inocente, não pode colocar a culpa no seu inimigo. Foi o que Che Guevara e outros tantos fizeram. É a "justificativa" de um homicida hipócrita.

    "A culpa por matar aquelas pessoas não é nossa, a gente não conseguiu fazer a distinção entre eles e espiões da CIA".

    Não, a responsabilidade pelos crimes dos de Pinochet e seus asseclas não é dos comunistas. Eles tem bastante a responder. De a César o que é dele.
  • Luis Almeida  18/06/2012 12:47
    De pleno acordo. É indefensável o assassinato de inocentes. O problema é a elasticidade do seu conceito de 'inocente'. Basta ver que a esmagadora maioria dos queixosos de perseguição possuía forte militância comunista. Inocente, no caso, seria quem morreu por engano em um fogo cruzado. Neste caso, concordo parcialmente com você: a culpa deve ser distribuída dos dois lados, e não integralmente para apenas um lado. Revolucionários comunistas não são inocentes da morte de pessoas alheias a tudo.
  • Eduardo Bellani  18/06/2012 14:17
    Meu conceito de inocente é inflexível -> a pessoa que não cometeu crime contra a propriedade alheia. E a culpa no caso também é simples.

    Eu discordo sobre essa socialização da culpa. Você culpa indivíduos por crimes contra a propriedade. Se um X (comunista, general, padeiro, etc) mata, rouba, sequestra, etc, ele tem que ser punido e, se possível, ressarcir a vítima e/ou seus herdeiros. Indepedente da posição ideológica do X.

    Legal que a gente encontrou um ponto em comum. Assim caminhamos para o progresso
  • Lays  05/12/2012 12:21
    Esse papo de matar inocentes e colocar a culpa no inimigo é bizarra ... e cruel.

    Faz-me lembrar da guerrilha do Araguaia.

  • anônimo  29/12/2012 16:20
    Digamos que um inimigo meu solte um foguete contra a minha cidade.Eu solto um anti míssil e explodo o míssil inimigo. Só que os pedaços caem em um lugar que deveria estar deserto e matam um inocente
    Seguindo a lógica do pessoal aqui, do 'se você assassinar um inocente, não pode colocar a culpa no seu inimigo' então eu vou ter que ser preso apenas por estar me defendendo.
  • Eduardo Bellani  30/12/2012 19:55
    Digamos que um inimigo meu solte um foguete contra a minha cidade.Eu solto um anti míssil e explodo o míssil inimigo. Só que os pedaços caem em um lugar que deveria estar deserto e matam um inocente

    Seu analogia é falha. O que o fascista do Pinochet fez foi aprisionar, torturar e executar em massa dissidentes, comunistas ou não, com base nas suas *idéias*. Cadê os tais dos destroços do míssil? Cadê a agressão defendida? Seu senso ético é estranho para mim.

    Os que estão aqui nesse artigo defendendo ações de tiranos só pq algumas delas coincidem com noções de livre mercado são inimigos da liberdade, e trabalham, conscientemente ou não, para o adversário.

    Libertários de fibra, como o Rothbard, cuspiam em gente como o Pinochet, e com razão.[1]

    [1] reason.com/archives/2012/07/17/the-mad-dream-of-a-libertarian-dictator
  • Leonel  10/09/2013 01:44
    Equipe IMB (Leandro, Chioccas, Helio...), faço as perguntas abaixo porque o posicionamento do instituto realmente não está claro para mim.

    1) Vocês endossam os 17 anos de estado policial do regime Pinochet ou apenas a reação imediata dos militares à balbúrdia pré-1973? Ou não houve estado policial de 73 a 90?

    2) Suponham que todos os indivíduos presos pelos militares no Estádio Nacional fossem comunistas que, visando a Revolução, iniciaram algum tipo de violência contra terceiros durante o governo Allende. Mesmo estando presos e oferecendo pouco perigo naquele momento, vários foram torturados e executados. Um liberal/libertário deveria ser brando ao criticar isto apenas porque em uma suposta vitória dos comunistas as coisas seriam piores?

    3) Seguramente alguns indivíduos, comunistas ou não, sem qualquer participação nos confiscos armados também foram sequestrados, torturados e mortos pela polícia/militares (=Estado chileno). Podemos relevar esta violência estatal uma vez que a responsabilidade última seria dos comunistas pré-golpe?

    Não pretendo dar continuidade a um debate interminável para tentar provar quem é o libertário mais puro aqui, só gostaria de entender sucintamente as opiniões de vocês.
  • Leandro  10/09/2013 09:33
    Prezado Leonel, em primeiro lugar, não existe esse negócio de "posicionamento do instituto" em relação a tópicos específicos. Isso é um coletivismo tacanho. O instituto é formado por vários indivíduos e cada um deles tem seu posicionamento próprio a respeito de vários assuntos. Quem acha que este instituto é monolítico -- e que seus membros são robôs que pensam de forma absolutamente idêntica a respeito de tudo -- não entendeu absolutamente nada do nosso propósito.

    Ainda na semana passada, houve um perfeito exemplo desta não-homogeneidade com a publicação destes dois artigos, cujos títulos são auto-explicativos:

    Meus motivos para não acreditar no euro

    Em defesa do euro - uma perspectiva austríaca

    Portanto, quem ficar procurando homogeneidade absoluta de ideias dentro do IMB irá realmente ficar perdido.

    Tendo isso em mente, responderei às suas perguntas falando exclusivamente em meu nome. De modo algum o que disser abaixo representa posicionamento do IMB, e nem muito menos representa a opinião de seus outros membros.


    1) Eu endosso -- e sempre endossarei -- a remoção de todo e qualquer regime abertamente comunista, que esteja incorrendo em expropriações de empresas e terras, invadindo residências, ordenando congelamento de preços, estatizando e esculhambando geral com a economia. Apenas isso. O que virá depois disso não está em meu poder.

    Adicionalmente, cabe aqui uma colocação de minha parte: ao contrário de vários outros liberais, eu jamais fui um grande entusiasta das políticas econômicas do regime chileno. Durante o governo Pinochet, não houve nenhuma reforma monetária, a inflação de preços ficou sempre acima dos 20% (o que foi péssimo para a renda dos mais pobres), estatais "estratégicas" permaneceram intactas para garantir a boa vida dos militares, e os gastos do governo não foram cortados. Ocorreram sim várias privatizações, mas a maioria delas foi a apenas a re-privatização de indústrias nacionalizadas por Allende. A propalada reforma da previdência foi mal feita, pois os chilenos ainda são obrigados pelo governo a contribuir para o regime que o governo determina -- ou seja, os chilenos não têm a opção de escolher não contribuir.

    As reformas econômicas de Pinochet só são bem vistas por nossos liberais por uma absoluta ausência de referencial. Como não houve reformas semelhantes nos outros países da América Latina, o Chile é o perfeito exemplo do ditado sobre ser rei em terra de cego.

    2) De acordo com o cenário que você próprio criou -- isto é, indivíduos abertamente manifestos a incorrer em violência e expropriar a propriedade privada das pessoas, podendo inclusive matar aqueles que oferecerem resistência --, a remoção destes indivíduos é sim uma atitude benéfica para os cidadãos de bem de uma economia. Não há absolutamente nenhum motivo para se criticar a retirada de circulação destes assumidos ladrões e assassinos. Quanto a matá-los, aí já estamos adentrando em especificidades da filosofia libertária, e esta não é minha especialidade.

    3) Obviamente, é indefensável o sequestro, tortura e assassinato de indivíduos inocentes que nada têm a ver com a questão. O autor condena essa prática, mas imputa a responsabilidade final aos golpistas, dizendo que, se eles não houvessem ensaiado seu golpe, tais inocentes não teriam sofrido. O raciocínio é impecável, mas de forma alguma inocenta os militares que incorreram neste erro. Eles devem ser exemplarmente punidos (o tipo de punição, novamente, não cabe a mim especificar, pois não é minha especialidade).

    "Não pretendo dar continuidade a um debate interminável para tentar provar quem é o libertário mais puro aqui, só gostaria de entender sucintamente as opiniões de vocês."

    A última coisa que eu quero nesta vida é ser visto como um "libertário puro". Aliás, se há algo que não me interessa em nada é ter essa ânsia de me apegar a um rótulo. Eu corro de rótulos. Apenas pessoas desprovidas de senso crítico e ávidas para fazerem parte de uma coletividade irracional fazem questão de se encaixar em rótulos.

    Abraços!
  • Leonel  10/09/2013 13:32
    Leandro,

    Fico aliviado por seu ponto de vista ser este e tenho esperança que os demais membros do instituto compartilhem da mesma visão.

    Mas, mesmo que você não creia, a forma como Reisman escreve dá espaço para interpretações em favor de regimes autoritários. Se eu que sou macaco velho fiquei em dúvida, imagine então de que forma aquela manada de "liberais" brasileiros que adoram um coturno vai usar o artigo. Tudo bem que a opinião errada alheia não é problema de vocês, mas eu acredito que este texto específico presta um desserviço às idéias de liberdade.

    Quanto ao início de sua resposta, se o instituto (entendido como uma associação voluntária entre seus membros) não tivesse certo posicionamento sobre alguns assuntos vocês poderiam, por exemplo, convidar o Sakamoto para escrever ou selecionar alguns textos para publicação. O fato de haver uma linha de pensamento comum entre vocês não implica que não haja divergências dentro do grupo. E o ponto em questão era se alguém ou o grupo como um todo estava em defesa do autoritarismo, coisa que pelo menos você demonstrou não estar.

    Um abraço a todos

  • Leandro  10/09/2013 14:06
    "Mas, mesmo que você não creia, a forma como Reisman escreve dá espaço para interpretações em favor de regimes autoritários. Se eu que sou macaco velho fiquei em dúvida, imagine então de que forma aquela manada de "liberais" brasileiros que adoram um coturno vai usar o artigo."

    A maneira como o cérebro de outras pessoas irá interpretar determinados artigos ou frases está completamente além de minhas capacidades interventivas. Eu mesmo já passei por esse problema, vendo frases minhas serem interpretadas de maneira distorcida e até mesmo invertidas.

    O fato é que tudo indica que o ser humano, infelizmente, tende a interpretar as coisas da maneira como mais lhe convém, descartando a possibilidade de qualquer esforço para genuinamente entender o ponto de vista alheio.

    Aliás, seria ótimo se esse problema que você relatou estivesse confinado apenas a "liberais que adoram coturno". Vários libertários também sofrem de dissonância cognitiva. Um ótimo exemplo é a maneira histérica como alguns reagiram a um artigo meramente propositivo como este.


    "Tudo bem que a opinião errada alheia não é problema de vocês, mas eu acredito que este texto específico presta um desserviço às idéias de liberdade."

    Postura infantil -- da qual, aliás, o movimento libertário está repleto. Você fala uma frase da qual o sujeito discorda e a imediata reação dele é dizer que você "presta um desserviço às ideias da liberdade". Implícita nessa postura está a arrogante noção de que a sua -- e apenas a sua -- noção de liberdade é a verdade inquestionável, à qual todas as outras devem se moldar.

    Veja só: da mesma forma que você afirma que o autor "presta um desserviço às ideias de liberdade" ao defender ser correto retirar de circulação comunistas que estão confiscando propriedade alheia, ele pode igualmente dizer que é você quem está prestando tal desserviço ao afirmar ser errado oferecer resistência a esses agressores, dando-lhes um passe livre. E aí?

    "Quanto ao início de sua resposta, se o instituto (entendido como uma associação voluntária entre seus membros) não tivesse certo posicionamento sobre alguns assuntos vocês poderiam, por exemplo, convidar o Sakamoto para escrever ou selecionar alguns textos para publicação."

    Qualquer indivíduo pode escrever para o site. O pré-requisito é que o artigo não contenha uma defesa do estatismo, do intervencionismo, da coerção à livre iniciativa e da iniciação de agressão contra indivíduos inocentes. Não é à toa que temos artigo até de Alan Greenspan.

    Abraços!
  • Jeferson Duda  12/12/2013 02:13
    O artigo se estriba nas mesmas desculpas que caracterizam a legitimação, quando não a exaltação, do terror revolucionário, desde a sanguinária ditadura jacobina. Ainda bem que o texto de Joel Pinheiro da Fonseca (www.mises.org.br/Article.aspx?id=1563) cuidou em preservar o ideário libertário de tal contaminação, afastando-o de paradoxos indesculpáveis e confusões insustentáveis.

    Encarregou-se de separar, lucidamente, as coisas. Como a queda do Antigo Regime não absolve Robespierre ou como a queda do czarismo não absolve Lênin, os resultados econômicos liberalizantes, ou mesmo seu sucesso em conter a marcha da hegemonia de esquerda no Chile, por mais dignos de comemoração que sejam, não absolvem Pinochet pelos crimes cometidos pelo seu regime nem pelos traços autoritários que ele compartilhou com o restante do militarismo latino-americano conservador. Aliás, bem distante, em geral, de objetivos econômicos não-intervencionistas.

    Ditadores, sem muito problema, são ícones da esquerda socialista e da direita fascista. Inconcebível é gente usando farda, símbolo maior da coerção estatal armada e do coletivismo nacionalista homogeneizante, sendo idolatrada por defensores da causa da liberdade.
  • Magno  12/12/2013 11:31
    "Ditadores, sem muito problema, são ícones da esquerda socialista e da direita fascista. Inconcebível é gente usando farda, símbolo maior da coerção estatal armada e do coletivismo nacionalista homogeneizante, sendo idolatrada por defensores da causa da liberdade.

    Quais os defensores da causa da liberdade que idolatram gente de farda? Se possível, cole aqui frases deles que comprovem essa idolatria.
  • Jeferson Duda  12/12/2013 17:12
    Presumo que tais "frases" não possam existir. Não vindas de defensores da causa da liberdade. E repito: o texto de Joel Pinheiro tratou de deixar isso muito claro. Embora eu o considere um tanto complacente com o chavismo naquele ensaio. O que, talvez, tenha, ao menos, servido ao trabalho analítico que ele faz. Um ditador como Chávez pode ser responsável por um trágico e criminoso intervencionismo econômico e, ao mesmo tempo, ser menos sanguinário e impiedoso com seus opositores que Pinochet, cujo trabalho de modernização e liberalização econômica do Chile é louvável, rendendo frutos de prosperidade e estabilidade até os dias atuais.

    Não ouso polemizar com texto algum que é publicado nesse site. Devoro avidamente todos que leio. E aprendo muito com todos. Inclusive com o trabalho acima ("Ditaduras, relativismo moral e a necessidade de métodos brutais para se atingir o socialismo"). Apenas gostaria de expressar que as ideias libertárias representam, para mim, um oásis no Saara do pensamento de corte marxista ou conservador, infestado de relativismos e polilogismos de toda sorte, tão incoerentes, paradoxais e casuísticos quanto arrogantes na sua reivindicação de verdade.

    O libertarianismo, para mim, é antípoda dessa tralha autoritária e sectária toda. Minha formação é de esquerda. E fugindo dos festejos esquerdistas em honra de tiranos e assassinos fardados é que cheguei à "praia" libertária. Minhas simpatias crescem a cada vez que me exponho aos argumentos em favor da liberdade. Cada vez menos barateio o valor da liberdade. E cada vez mais vejo o quanto a força de tais argumentos repousa na sua coerência teórica e na sua intransigência ao denunciar a falta de liberdade, de cabo a rabo, econômica ou política, a ponto de não encobrir sequer o teor autoritário da própria democracia.
  • Arthur M M  12/12/2013 18:10
    "Essas críticas erram, em minha opinião, exatamente no ponto em que o livro O Caminho da Servidão, de Hayek, errou. Ele criticava os governos da social-democracia intervencionista (e a esquerda latinoamericana é uma versão um pouco mais contundente da variante europeia que Hayek tinha em mente) porque, supostamente, eles levariam à supressão das liberdades civis e da democracia e conduziriam à tirania. Passaram as décadas e sua previsão pessimista não se concretizou. "

    Eu também me questiono quanto a isso. Será que ele errou ou ocorreu que com a publicação desse livro ele acabou mudando o futuro ?

    Em relação a se Chavez foi ou não ruim, realmente tenho que concordar que houveram regimes/pessoas muito piores, de ambos os lados. Mas no final pra mim continua havendo um grande peso para a economia, pois se as pessoas não puderem se associar para resolver os seus próprios problemas o que vemos no Brasil e em outros países com sonhos socialistas se perpetuarão.

    "O general certamente não era nenhum anjo. Nenhum soldado pode ser. Ele foi repetidamente denunciado pela morte ou desaparecimento de mais de 3.000 cidadãos chilenos, além de acusado pela tortura de outros milhares. É bem provável que um número substancial de chilenos inocentes tenha morrido ou desaparecido ou sofrido tratamentos brutais como resultado das ações de Pinochet. Porém, em uma batalha para se evitar a imposição de uma ditadura comunista, é algo incontestável que a maioria daqueles que morreram ou sofreram torturas estava preparada para infligir um número excepcionalmente maior de mortes e uma escala avassaladoramente maior de sofrimento aos seus conterrâneos."

    Como foi o regime militar brasileiro. Estou longe de defendê-lo, só quero fazer uma reflexão: tal qual os militares lutaram contra os comunistas, lutaram os governos de cuba e seus comunistas. Mas vejamos as diferenças, até hoje há dissidentes cubanos presos por causa da luta política, e pior, os cubanos não tem direito a sair e voltar ao país; enquanto o regime militar brasileiro devolveu o poder de forma pacífica. Os comunas daqui gostam de lembrar do regime brasileiro e sua falta de democracia, tal qual gostam de lembrar do nazismo, suas atrocidades com os judeus e seus campos de concentração, mas não lembram a ninguém que o nazismo importou os campos de concentração da URSS e que essa mesma também perseguiu judeus e outras pessoas.

    "Por fim, vale lembrar que o general Pinochet voluntariamente renunciou à sua ditadura. Ele fez isso após ter logrado dois êxitos: impedir uma tomada comunista e impor vastas reformas pró-livre mercado na então completamente combalida economia chilena. O efeito dessas reformas foi o transformar o Chile na mais próspera economia da América Latina. De acordo com as palavras do hostil obituário do The New York Times, o ditador utilizou seu poder para "determinar limites, por exemplo, nos debates sobre políticas econômicas, frequentemente alertando que não toleraria um retorno a medidas estatizantes". Isso o tornou o único ditador não estatista em todo o mundo."

    Um ditador que renunciou.
    Quantos monarcas renunciaram ? Quantas ditaduras comunistas renunciaram ? URSS quando caiu estava totalmente sucateada, tirando os prédios do governo.
    Sou totalmente contra ditadores, sou totalmente contra que os fins justifiquem os meios, mas eu me pergunto uma coisa extremamente complicada de se perguntar. Quem logrou mais êxito em sua luta política em melhorar a vida do povo, Stálin, Hitler, Fidel, Pinochet, Obama ou Mandela ?
    Extremamente complicado e delicado.
  • jonh  14/02/2014 21:08
    embora não se deva realmente utilizar de ditaduras ou violência para se instalar o Liberalismo econômico, sejamos mais realistas. O povão odeia privatizações, principalmente nos setores de mineração e combustível. Desta forma, surge as multidões socialistas-sindicalistas para protestar em locais públicos contra os governos privatizadores. E eles sempre usam de violência quando protestam.

    O que resta a um governo pró-livre mercado fazer então? Ou ele tenta usar de os meios de comunicação para mostrar os benefícios das privatizações ou terá que usar a força contra os militantes que protestam. A primeira opção ainda que feita com o máximo de esforço possível não iria de modo algum convencer 100% da população. Aqueles que não concordassem iriam imediatamente fazer os protestos.

    Foi sempre assim: Margaret Tatcher, Ronald Reagan, Pinochet...todos eles tiveram que usar a força (violência) em algum momento para por em prática o livre mercado. Até mesmo no Brasil, o FHC sofreu com protestos dos militontos. Imaginar um livre mercado sendo posto em prática de modo pacífico (embora seja o mais sensato e correto) é muita ingenuidade do Instituto Mises.

    de qualquer forma continuo aprendendo muito com vocês que postam aqui e continuo seguindo a página. Um Abraço.
  • Jeferson Duda  16/02/2014 14:16
    Impor livre mercado à força soa como marxistas pregando o caminho de uma sociedade sem estado através de uma ditadura.
  • anônimo  16/02/2014 17:33
    Deixa eu ver... Livre mercado = respeito à propriedade e as liberdades individuais. Como, exatamente, eu imponho estas coisas à força? Aponto uma arma para você e obrigo você a não roubar minha propriedade?

  • Jeferson Duda  17/02/2014 01:26
    Perfeito, "anônimo"!
  • Emerson Luis, um Psicologo  23/08/2014 17:58

    É como no caso do Brasil: os guerrilheiros são apresentados como lutadores pela democracia, sendo que o regime militar os combatia justamente porque queriam estabelecer uma ditadura comunista.

    * * *
  • Douglas  05/07/2015 21:40
    Pinochet foi uma mocinha virgem comparado à Lênin, Stálin, Mao Tsé-Tung, Pol Pot e Tito.

    É só ter o mínimo senso de proporções.
  • Augusto  06/07/2015 20:40
    Pinochet foi um dos maiores lideres do século XX.

    É tão injustos ver como sua imagem é denegrida por todos e seus feitos menosprezados.

    O homem salvou o chile do colapso e elevou a condição de país mais rico da América latina.

    Um homem diferenciado que ao longo de seu mandato abdicou de parte de seu poder, desestatizou boa parte da economia e ainda entregou o poder aos civis voluntariamente.

    Reclamam dos 3000 mortos, mas esquecem que sua ampla maioria foram militante comunistas.

    Pinochet deveria ser um herói nacional, mas infelizmente os chilenos elevaram Allende a tal posto. E a consequência disso será a própria destruição do chile, que já está ocorrendo.


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