Produção versus consumo - a confusão que causa miséria

Há duas visões fundamentais em relação à economia.  Uma é dominada pela filosofia econômica do século XIX, sob a influência dos economistas clássicos britânicos, como Adam Smith e David Ricardo.  A outra é dominada pela filosofia econômica do século XVII, sob a influência do Mercantilismo.  Esta última voltou a dominar a filosofia econômica do século XX, em grande parte sob a influência de Lord Keynes.

O que distingue essas duas visões é o seguinte: no século XIX, os economistas identificaram que o problema fundamental da economia era como expandir a produção.  Implícita ou explicitamente, eles perceberam que a base tanto da atividade econômica quanto da teoria econômica estava no fato de que a vida e o bem-estar do homem dependem da produção de riqueza.  A natureza do homem faz com que ele necessite de riqueza; seus critérios mais elementares o fazem desejar riqueza.  O problema, disseram esses economistas, é como produzir a riqueza.  A teoria econômica, portanto, dava como fato consumado o desejo de se consumir, e se concentrava em como desenvolver meios e maneiras de aumentar a produção.

No século XX, os economistas voltaram a assumir a visão diretamente oposta.  Ao invés de o problema ser como expandir continuamente a produção em vista de um desejo ilimitado por riqueza — dado que são infinitas as possibilidades de se aprimorar a satisfação das necessidades do homem —, passou-se a acreditar erroneamente que o problema na verdade seria como expandir o desejo de se consumir, de modo que o consumo possa se adequar à produção.  A teoria econômica do século XX passou a ver a produção como um fato consumado, e se concentrou em como desenvolver meios e maneiras de aumentar o consumo.  Passou-se a acreditar que o problema da economia não é a produção de riqueza, mas sim a produção do consumo.

Essas duas premissas básicas — diametralmente opostas e mutuamente excludentes — acerca do problema fundamental da economia estão para a teoria econômica assim como as contradições da metafísica estão para a filosofia.  Ponto a ponto, ou elas resultam em conclusões opostas ou fazem com que raciocínios opostos cheguem à mesma conclusão.  Elas determinam a teoria econômica tão profunda e fundamentalmente, que dão origem a dois sistemas completamente distintos de pensamento econômico.

Duas visões sobre o emprego

O seguidor da premissa "producionista" do século XIX entende acima de tudo que não existe algo como "o problema de se criar empregos".  Há o problema de se criar empregos remunerativos, mas não o de se criar empregos.  Em qualquer momento, afirma o producionista, há tanto trabalho a ser feito — e tantos empregos em potencial a serem preenchidos — quanto há desejos humanos ainda não satisfeitos e que poderiam ser satisfeitos com uma maior produção de riqueza; e como esses desejos são ilimitados, a quantidade de trabalho a ser feita — o número de empregos em potencial a serem preenchidos — também é ilimitada.

Portanto, argumenta o producionista, o emprego de mais e melhores maquinários não causa desemprego.  As máquinas meramente permitem que os homens — na medida em que eles não preferem o lazer — produzam mais e, com isso, satisfaçam suas necessidades de maneira melhor e mais completa.  Tampouco uma jornada mais longa de trabalho ou o emprego de mulheres, crianças, estrangeiros ou pessoas de raça e religião minoritárias impedem que outros também arrumem empregos.  Isso apenas torna possível uma expansão da produção.

Já o seguidor da premissa "consumista" do século XX possui outra visão em relação às máquinas e ao emprego de mais pessoas.  Ele considera cada expansão da produção como uma ameaça para parte daquilo que já está sendo produzido.  Ele imagina que a produção é limitada pelo desejo de se consumir.  Ele teme que esse desejo possa ser insuficiente e, por conseguinte, ele teme que uma expansão da produção em qualquer segmento irá necessariamente forçar uma contração da produção em algum outro segmento. 

Consequentemente, ele teme que o trabalho efetuado pelas máquinas irá deixar menos trabalho a ser feito pelas pessoas, que o trabalho efetuado pelas mulheres irá deixar menos trabalho a ser feito pelos homens, que o trabalho efetuado por crianças irá deixar menos trabalho a ser feito por adultos, que o trabalho efetuado por judeus irá deixar menos trabalho a ser feito por cristãos, que o trabalho efetuado por negros irá deixar menos trabalho a ser feito por brancos, e que o trabalho extra de uns significa uma escassez de trabalho disponível para outros.

Nem o producionista nem o consumista desejam longas horas de trabalho ou defendem o trabalho infantil.  Nesses dois quesitos, ambos chegam à mesma conclusão.  Porém, seus motivos são completamente distintos.  O consumista não deseja longas horas de trabalho e nem defende o trabalho infantil porque ele acredita que há um problema com o que fazer com os produtos resultantes.  Para ele, tais medidas gerariam um aumento na produção, o que necessariamente faria com que outros produtos deixassem de ser produzidos e consequentemente outros trabalhadores ficassem desempregados.  Já o producionista não deseja longas horas de trabalho e nem defende o trabalho infantil porque ele não atribui nenhum valor à fadiga e ao esforço prematuro.  O problema, aos olhos do producionista, não é o que fazer com os produtos adicionais produzidos pelas longas horas de trabalho ou pelo trabalho infantil — somente uma intensa necessidade de produtos adicionais necessitaria dessa mão-de-obra adicional —, mas sim como elevar a produtividade da mão-de-obra a um nível em que as pessoas possam se dar ao luxo de ter tempo para o lazer e de dispensar o trabalho de suas crianças.

Riqueza por meio da escassez?

Como o consumista imagina que a produção está limitada pelo desejo de se consumir (ao invés de o consumo ser naturalmente limitado pela capacidade da produção), ele não valoriza a riqueza, mas sim a ausência de riqueza.  Por exemplo, após a Segunda Guerra Mundial, ele imaginou que a relativa ausência de casas, automóveis, aparelhos de televisão e geladeiras na Europa era na verdade uma benção para a economia européia, pois significava que havia uma grande e reprimida demanda por consumo.  Similarmente, ele imaginou que a relativa abundância desses bens nos EUA era na verdade uma desvantagem para a economia americana, pois significava que o desejo de se consumir era baixo, havendo portanto uma fraca demanda por consumo.

Para o teórico consumista, a prosperidade depende da ausência de riqueza, e a pobreza é consequência de sua abundância; para ele, o desejo de se consumir — essa inestimável mercadoria, cuja oferta é mais limitada que a de diamantes — é algo produzido pela ausência de riqueza e consumido pela presença de riqueza.  É baseando-se nesse princípio que o consumista se delicia com guerras e destruição, pois as vê como fontes de prosperidade, ao passo que atribui a pobreza resultante das depressões à "produção exagerada".

O consumista não acredita que a destruição de riqueza é a única maneira de se atingir a prosperidade.  Embora creia ser de difícil realização, ele tem esperanças de que a oferta de sua preciosa mercadoria — o desejo de consumir — pode no entanto ser aumentada por meio de medidas positivas.  Uma dessas medidas é uma alta taxa de natalidade.  Ao se trazer mais pessoas ao mundo, traz-se também mais desejo de consumo ao mundo.  A existência de um grande número de pessoas, diz o consumista aos empresários, possibilitará às empresas ter sobre quem descarregar seus bens que de outra forma seriam supérfluos.

Os negócios irão prosperar porque sua oferta de bens encontrará uma contrapartida nesse suposto aumento do desejo de se consumir bens.  Na ausência de uma alta taxa de natalidade, ou em conjunto com uma alta taxa de natalidade, o consumista acredita que a propaganda pode fazer com que o outrora saciado consumidor tenha novos desejos.  E, em um plano um pouco diferente, o progresso tecnológico, argumenta o consumista, pode fornecer novos usos para uma crescente oferta de bens de capital, os quais de outra forma não teriam "onde serem investidos".  Ou, se tudo o mais falhar, pode-se recorrer ao governo para que ele forneça um consumo ilimitado — mesmo na ausência de desejo.  Ou talvez, espera o consumista, um país pode ser afortunado o bastante para estar na iminência de sofrer ataques de inimigos externos, o que o obrigará a incorrer na necessidade de manter um amplo aparato de defesa.  De toda forma, o consumista imagina que o governo será capaz de promover a prosperidade caso saia consumindo os produtos das pessoas.

A produção limita o consumo

O producionista, obviamente, tem uma visão diferente em relação a estas questões.  Ele argumenta que o nascimento e a criação de filhos sempre constituem uma despesa para os pais.  Ao criarem seus filhos, os pais têm de gastar com eles um dinheiro que, de outra forma, teria sido gasto para proveito próprio.  É claro que os pais — ou, ao menos, é de se esperar — consideram que o dinheiro será mais bem e mais prazerosamente gasto com seus filhos; porém, ainda assim, trata-se de uma despesa.  E se eles tiverem uma quantidade alta o bastante de filhos, serão reduzidos à pobreza.

Trata-se de um fato, argumenta o producionista, que todos podem observar em qualquer grande família que não possua uma renda correspondentemente alta.  A presença de crianças não faz com que os pais gastem mais do que gastariam de outra forma; apenas faz com que eles gastem de modo diferente do que gastariam na ausência de filhos.  Eles compram comida de bebê, brinquedos e bicicletas ao invés de gastarem com mais jantares em restaurantes, em um carro melhor ou em férias mais extravagantes.  Não há nenhum estímulo adicional à produção.  A produção simplesmente é redirecionada para uma diferente distribuição de demanda.

Poderia ocorrer um aumento na produção, afirma o producionista, apenas se os pais tivessem de arrumar um emprego extra, ou tivessem de trabalhar mais horas para sustentar seus filhos, e ainda assim serem capazes de manter seu padrão de vida anterior.  E quando as crianças crescerem, o mercado de consumo adicional que eles supostamente representarão para imóveis, automóveis e afins irá se materializar apenas se eles, os filhos agora adultos, forem capazes de produzir um valor equivalente a esses bens e com isso ganharem o dinheiro com o qual poderão comprar tais bens.  Será apenas em decorrência de sua produção, e não em decorrência de seu desejo de consumir, que eles serão capazes de constituir um mercado de consumo adicional.

Tecnologia e bens de capital

O valor do progresso tecnológico, afirma o producionista, não está na criação de "oportunidades de investimento" para a crescente oferta de bens de capital.  Se o conceito de bens de capital for corretamente entendido — isto é, aqueles bens que seu comprador utiliza para produzir outros bens que serão vendidos —, então nunca haverá algo como uma falta de "oportunidades de investimento" para bens de capital.  Enquanto houver desejo por mais e melhores bens de consumo, haverá necessidade de uma maior oferta de bens de capital.

Por exemplo, dez milhões de automóveis de uma dada qualidade requerem o emprego do dobro da quantidade de bens de capital — o dobro da quantidade de aço, de vidro, de pneus, de tintura, de motores e de maquinários — em sua produção do que requerem cinco milhões de automóveis.  Se a intenção for aprimorar a qualidade dos automóveis, então uma maior quantidade de bens de capital será necessária para a produção do mesmo número de automóveis.  Por exemplo, um dado número de carros da qualidade de uma Toyota irá requerer para a sua produção uma quantidade de bens de capital maior do que a necessária para produção do mesmo número de carros da qualidade de um Volkswagen simples; o mesmo número de carros da qualidade de um Cadillac irá requerer uma quantidade ainda maior de bens de capital; e o mesmo número de carros da qualidade de uma Rolls Royce irá requerer ainda mais bens de capital.

O mesmo princípio se aplica a imóveis de diferentes tamanhos e qualidades.  Uma dada quantidade de casas de oito quartos requer o emprego de uma quantidade de bens de capital maior do que a requerida para o mesmo número de casas de sete quartos e da mesma qualidade.  Um dado número de casas de tijolo requer uma oferta de bens de capital maior do que requer o mesmo número de casas de madeira e do mesmo tamanho daquelas; os tijolos ou quaisquer outros materiais mais caros constituem uma maior oferta de bens de capital porque uma maior quantidade de mão-de-obra é necessária para produzi-los.  O mesmo princípio se aplica a alimentos e vestuários, a móveis e eletrodomésticos, a utensílios, máquinas e a quaisquer outros bens.  Enquanto houver desejo por uma maior quantidade de qualquer bem de consumo, e enquanto todos os bens de consumo produzidos ainda não forem da melhor qualidade possível, haverá uma necessidade de uma maior oferta de bens de capital. 

À medida que a tecnologia avança

O producionista também argumenta que, caso haja uma interrupção no progresso tecnológico, não haverá uma aumento na oferta de bens de capital; e, consequentemente, não seremos capazes de explorar qualquer porção considerável das virtualmente ilimitadas "oportunidades de investimento" que já existem dentro do atual padrão de tecnologia vigente.

O valor do progresso tecnológico, afirma o producionista, consiste no fato de que ele nos permite obter uma maior oferta de bens de capital, e não que ele resolve o problema do que fazer com essa maior oferta.  Os avanços tecnológicos que tornaram possível a construção de canais e ferrovias no século XIX, e o desenvolvimento da indústria do aço, foram valiosos não porque eles absorveram bens de capital, como dizem os consumistas, mas porque eles possibilitaram a acumulação de bens de capital.  O consumista não entende que os bens de capital somente podem ter sua oferta expandida por meio de uma expansão de sua produção, e que é exatamente isso que o progresso tecnológico possibilita.  Não tivessem ocorrido os avanços tecnológicos que possibilitaram as primeiras ferrovias da década de 1830, não teria sido viável a oferta dos bens de capital necessários para a expansão e aprimoramento das ferrovias na década de 1840; não fosse isso, tal feito seria viável apenas ao custo da expansão de alguma outra indústria.

Consequentemente, não tivesse havido nenhuma avanço tecnológico na construção e operação de ferrovias na década de 1840, a oferta de bens de capital na década de 1850 teria sido menor, tanto para as ferrovias quanto para as outras indústrias.  E assim teria sido década após década, caso os avanços tecnológicos ocorridos no setor ferroviário ou em qualquer outra indústria não tivessem ocorrido.

Para que continue havendo acumulação de capital, o progresso tecnológico é indispensável.  Apenas ele pode possibilitar contínuos aumentos na produção; e apenas contínuos aumentos na produção podem possibilitar uma contínua acumulação de capital.  O consumista não está ciente de que exatamente aquilo que ele considera ser a solução (um alto nível de consumo) para seu suposto problema (a baixa demanda) é na verdade a fonte daquilo que ele imagina ser o problema.  Tampouco está ele ciente de que, quando ele defende o progresso tecnológico como a solução para o problema do que fazer com mais bens de capital, ele está se confrontando a si próprio com o problema do que fazer com uma maior oferta de bens de consumo, a qual mesmo ele admite ser resultado do progresso tecnológico.  O consumista tem assim de lidar com o dilema de explicar como é que o progresso tecnológico pode aumentar a taxa de lucro — ao, como ele próprio diz, "aumentar a demanda por capital" — ao mesmo tempo em que, como ele próprio admite, aumenta a produção de bens de capital — algo que, como ele próprio diz, reduz a taxa de lucro em decorrência da "sobreprodução".

Consumismo e parasitismo

A ideia de que, ao se consumir um produto, seu produtor será beneficiado — pois terá o trabalho de tornar possível tal consumo — é absurda, diz o producionista.  Somente o uso do dinheiro pode emprestar a essa afirmação a mínima aparência de plausibilidade.  Se realmente tal afirmação fosse verdade, então todo escravo deveria se regozijar a cada novo desejo de seu mestre, dado que a satisfação desse desejo exigiria do escravo mais trabalho.  Um escravo deveria ficar agradecido caso seu mestre desejasse uma reforma em sua casa, uma melhoria nas estradas, mais comida, mais festas etc.; pois o fornecimento dos meios que possibilitariam a satisfação desses desejos daria ao escravo ainda mais trabalho.

A crença de que o consumo do governo beneficia e ajuda o sistema econômico segue o mesmo raciocínio — argumenta o producionista — da crença de que o consumo do mestre beneficia e sustenta o escravo.  Trata-se de uma crença cujo absurdo equipara-se apenas à injustiça criada.  É o meio através do qual grupos de interesse parasitas, que utilizam o governo como agente da pilhagem, procuram iludir suas vítimas, fazendo-as a imaginar que estão sendo beneficiadas e auxiliadas por aqueles que estão ali justamente para confiscar os frutos de seu trabalho e não dar nada em troca.

O único benefício econômico que alguém pode dar a um produtor, argumenta o producionista, é quando esse alguém troca seus próprios produtos ou serviços pelos produtos ou serviços desse produtor.  É por meio daquilo que esse alguém produz e oferece em troca que ele irá beneficiar os produtores, e não por meio daquilo que ele consome.

Se alguém consome os produtos ou serviços de outros sem oferecer produtos ou serviços em troca, ele estará consumindo à custa dos produtores.

O uso do dinheiro torna esse ponto um tanto menos óbvio, mas não menos verdadeiro.  Quando o dinheiro é utilizado, os produtores não trocam bens e serviços diretamente, mas indiretamente.  O comprador troca seu dinheiro pelos bens de um vendedor.  O vendedor, por conseguinte, troca esse dinheiro pelos bens de outros vendedores, e assim por diante.  Porém, cada comprador dessa série deverá ou já ter vendido bens e serviços equivalentes àqueles que ele compra, ou ter obtido seus fundos de alguém que já o fez.

O fato de que, em uma economia monetária, todos mensuram seu benefício de acordo com a quantidade de dinheiro que se obtém em troca dos bens e serviços que vendem é algo que faz os consumistas crerem que o mero gasto de dinheiro é uma virtude, e que a prosperidade econômica pode ser atingida por meio da simples criação e gasto de quantidades cada vez maiores de dinheiro — isto é, por meio de uma política de inflação monetária.

Como resposta, o producionista argumenta que, para cada pessoa que gastou dinheiro que foi recém-criado, e que, por meio disso, obteve bens e serviços sem que tenha produzido bens e serviços equivalentes, haverá outra pessoa que sofrerá uma perda correspondente.  Sua perda, diz o producionista, pode assumir a forma ou de uma redução do estoque de capital, ou de uma diminuição de seu consumo, ou de uma não recompensa pelo trabalho adicional que tiveram de efetuar — uma perda que corresponde precisamente aos bens e serviços correspondentes que foram obtidos pelos compradores que nada produziram.

A defesa que o consumista faz daqueles que consomem sem produzir, com o argumento de que estes estão assegurando a prosperidade daqueles que produzem, é, de acordo com o producionista, uma reação patológica a um mundo econômico o qual o consumista imagina ser gerido pela patologia.  O consumista sempre tem diante de si a patologia do "avarento", aquele sujeito que guarda todo o seu dinheiro debaixo da cama.  O consumista é atormentado pela visão de pilhas de dinheiro trancadas dentro de um cofre, sem nunca serem utilizadas.  Ele acredita que uma parte da humanidade é guiada pela despropositada meta de trabalhar sem receber — o que requer, para a sua realização, a existência de outra parte da humanidade ávida por aceitar receber sem trabalhar.

Esse é o significado da crença de que um grupo de homens deseja apenas produzir e vender, mas não comprar e consumir, e sua necessária contrapartida é a existência de outro grupo de homens que querem comprar e consumir, mas que não irão produzir e vender.  No mundo do consumista, imagina-se que os produtores produzam apenas pelo prazer de obter dinheiro, para em seguida guardá-lo para sempre.  O consumista está sempre pronto para dar-lhes dinheiro em troca de seus bens — ele propõe (1) que se tome deles o dinheiro que, segundo sua crença, eles não irão gastar, para em seguida entregá-lo para alguém que irá, ou (2) que se imprima mais dinheiro e se permita que eles, os produtores, acumulem papel enquanto outros adquirem seus bens.

Deixar o dinheiro guardado não é o único fenômeno que aflige o consumista.  Quando nada da realidade se adapta à sua causa, o consumista é exímio em apontar causas totalmente imaginárias que, segundo ele, levarão a inevitáveis catástrofes econômicas.  Invariavelmente, a solução defendida é fazer com que aqueles que nada produziram possam consumir à custa daqueles que produzem.  O objetivo sempre será o de demonstrar a necessidade e os efeitos benéficos do parasitismo — apresentar o parasitismo como uma fonte de prosperidade geral.

A racionalidade da vida econômica

Em decorrência das avassaladoras absurdidades e contradições do consumismo, e a brutal perversão de valores que ele produz, pode-se apenas concluir que seu apoio se fundamenta nos interesses a que ele obviamente serve: o parasitismo.  Isso, é claro, não libera o economista da tarefa de identificar os erros particulares de cada argumento consumista.  Isso, no entanto, desqualifica todo consumista como economista.  Nenhum cientista, de qualquer campo que seja, pode aceitar a ideia de que a realidade é irracional ou que é necessária uma ação irracional para lidar com ela.

mueller.jpgAqueles economistas da atualidade que proclamam aberta e provocativamente que o mundo econômico é "não-euclidiano", fazem-no abertamente.  É assim que eles gostariam que o mundo econômico fosse.  Se eles simplesmente acreditassem que a vida econômica parecesse ser irracional, mas ao mesmo tempo não desejassem que ela fosse irracional, eles jamais diriam que ela de fato é.

Após o mais básico exame do assunto, ao invés de correrem em defesa do consumismo, eles não iriam descansar enquanto não tivessem identificado os erros que os fizeram acreditar que a vida econômica possuía a aparência da irracionalidade; e, quanto maior fosse essa aparência para eles, mais eles iriam perceber o quão grande era sua própria ignorância, e com mais afinco eles iriam trabalhar para superá-la e evidenciar os erros em que acreditaram.  É isso que distingue um economista de um Lord Keynes.


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SOBRE O AUTOR

George Reisman
é Ph.D e autor de Capitalism: A Treatise on Economics. (Uma réplica em PDF do livro completo pode ser baixada para o disco rígido do leitor se ele simplesmente clicar no título do livro e salvar o arquivo). Ele é professor emérito da economia da Pepperdine University. Seu website: www.capitalism.net. Seu blog georgereismansblog.blogspot.com.


Meu caro, pelo seu discurso você nunca foi liberal e nunca entendeu o que é ser liberal. E ainda tem coragem de vir com esse apelo sobre pobreza.

Gostaria de fazer uma pergunta a todos vocês:
Pois não.

Vocês já foram Pobres pra saber?
Nasci pobre, muito prazer.

Vocês já tiveram um parente morto por bala perdida?
O que isso tem a ver com capitalismo/liberalismo? Você está misturando segurança pública (que é MONOPOLIO do estado), que alias é altamente ineficiente (no Brasil, morrem 56.000 pessoas por ano, o maior indice do mundo, a gente perde até pra India, que é 43.000 por ano, outro país com alto controle estatal e burocrático) com conceitos economicos. O estado nega aos seus cidadãos o próprio direito de se defender com uma arma e mesmo assim é incapaz de solucionar o problema.

Falam tanto em mercado, economia. Mas nunca vi um liberal que enriqueceu graças a todo seu conhecimento na área, algum de vocês é rico por acaso? Maioria que vejo é classe média, acho gozado porque se manjam tanto de produzir valor e riqueza vocês deveriam ser ricos..Mas não é isso que eu vejo.

Ai meus deuses... essa foi triste.
1) O Brasil está muito longe de ser um país livre, economicamente. É o país que fica em 118 lugar no índice de liberdade econômica.

2) Ser liberal não é uma formula para ser rico e sim defender que as pessoas tenham a liberdade para efetuarem trocas entre si sem intervenção constante do Estado por via de impostos e regulações. É dessas trocas de valor que a riqueza é produzida. Cada um teria a liberdade de crescer de acordo com suas habilidades e viver num patamar de vida que julga confortável, mas repito, o Brasil NÃO É E NUNCA FOI UM PAÍS LIVRE, ECONOMICAMENTE. Você se dizia liberal e não sabe desse básico. Aham. To vendo.

Eu já fui liberal, ai cai na real com a vida, vi que esse papo de mercado não é bem assim.
Não, amigo, você nunca foi liberal. Sinto muito. Ou você está mentindo ou você diz ser uma coisa que nunca entendeu direito o que é (o que mostra o seu nível de inteligência).

Inclusive, um amigo meu foi pra Arabia Saudita, ele disse que lá existem muitas estatais e assistencialismo e o país enriqueceu assim mesmo...

Aham, beleza, usando a Arabia Saudita como exemplo:

Saudi Arabia's riches conceal a growing problem of poverty

"The state hides the poor very well," said Rosie Bsheer, a Saudi scholar who has written extensively on development and poverty. "The elite don't see the suffering of the poor. People are hungry."

The Saudi government discloses little official data about its poorest citizens. But press reports and private estimates suggest that between 2 million and 4 million of the country's native Saudis live on less than about $530 a month – about $17 a day – considered the poverty line in Saudi Arabia.


Opa, perai, como é que 1/4 da população da Arabia Saudita vive abaixo da linha da pobreza? Você não disse que era um país ótimo, rico, cheio de estatal e assistencialismo? Explique isso então.


Falam de acabar com o imposto mas negam toda a imoralidade que a ausência deste geraria, como injustiças e até coisas que ninguém prever.

Que imoralidades, cara-palida? Favor discorrer.

Favor, tentar novamente. Essa sua participação foi muito triste.


Poderiam responder o comentário desse Leonardo Stoppa:
Estranho, hipócrita é dizer que o socialismo atual compete com o capitalismo. Comunismo sim complete com capitalismo mas socialismo é uma forma de redistribuição que, quando interpretada por pessoas que estudam economia a partir de livros de economia (e não Olavo de Carvalho) é uma espécie de segurança ao capitalismo.

Se um dia você entender que existe conhecimento além do que você conhece você vai ver que dentro do conceito atual de socialismo estão as formas de redistribuição de renda (SUS, Fies, Bolsas). Em países de primeiro mundo a galera acaba usando essa grana inclusive para comprar iPhone, logo, é um socialismo que serve ao capitalismo pois deixar essa grana parada na conta de um milionário vai resultar na venda de 1 iPhone para apple, agora, quando redistribuído vira vários iPhones.

O problema da sua visão é que você estuda em materiais criados sob encomenda. Você deixa de estudar em livros de economia para aprender pelas palavras de um cara que é pago por aqueles que pagam os impostos, ou seja, aqueles que são contra a redistribuição, logo, você abre mão do conhecimento para a alienação.

Socialismo não é comunismo. Pode vir de certa forma assemelhado nos livros antigos, mas depois da segunda guerra mundial e principalmente depois da queda da URSS, ficou claro que não há em se falar em controle centralizado e ausência de propriedade privada, mas quem estuda um pouco de economia e sociologia sabe que a intervenção e a redistribuição são importantes atividades governamentais para salvaguardar a atividade industrial.

A final, de que adianta ter industrias de ultima geração se apenas 1% do povo compra seus produtos??

ARTIGOS - ÚLTIMOS 7 DIAS

  • Fernando Chiocca  08/12/2010 18:35
    Este artigo é uma aula excepcional do professor Reisman! Todos deveriam ler, tanto economistas quanto leigos.

    Cada parágrafo deve ser lido com a máxima atenção, pois revela ideias fantásticas. Aprendi muito.

    Se um grande número de pessoas assimilasse os valiosos ensinamentos contidos aqui, os governos não teriam mais força para levar suas falcatruas à cabo.

  • Diogo Siqueira  08/12/2010 19:02
    Excelentes texto e tradução!
  • willian  08/12/2010 21:41
    Sensacional!

    Um dos melhores textos que ja li aqui no IMB. E como tem economista por aí precisando ler este texto.
  • Rhyan Fortuna  08/12/2010 22:10
    Caramba! Quanta informação num artigo só! Vou ler de novo com mais calma.

  • Carlos Santos  09/12/2010 05:29
    Cuidado! Se você for keynesiano não leia este artigo, pois ele poderá induzi-lo ao suicídio... ou melhor: LEIA!!!
  • mcmoraes  09/12/2010 11:44
    Esclarecedor! Se algum dia for feito um guia de estudos p/ os artigos deste site, este artigo é um dos candidatos à posição "Comece por aqui".
  • Breno Almeida  09/12/2010 22:52
    Reisman + Leandro Roque. É sempre uma boa combinação.
  • Rhyan Fortuna  10/12/2010 18:28
    Esse texto tem tudo a ver com a lei de Say, certo?
  • Leandro  10/12/2010 18:30
    Tem tudo a ver, Rhyan. Boa percepção e ótima constatação.
  • Rhyan Fortuna  12/12/2010 14:16
    Outra coisa, é verdade que toda oferta cria sua demanda?
  • Leandro  12/12/2010 18:11
    Rhyan, essa frase é verdadeira, porém seu significado costuma sempre aparecer distorcido. Permita-me citar diretamente Mises, para explicar o real sentido dessa frase:

    O francês Jean-Baptiste Say, na chamada Lei de Say, disse que você não pode aprimorar as condições econômicas simplesmente aumentando a quantidade de dinheiro na economia; quando os negócios não estão indo bem, não é porque não há dinheiro suficiente. O que Say tinha em mente, o que ele disse quando criticou a doutrina de que deveria haver mais dinheiro na economia, era que tudo o que alguém produz representa, ao mesmo tempo, uma demanda por outras coisas. Se há mais sapatos produzidos, esses sapatos serão oferecidos no mercado em troca de outros bens. A expressão "a oferta cria demanda" significa que o fator produção é essencial. Expressada mais acuradamente, ele estava dizendo que "a produção cria consumo", ou, ainda melhor, que "a oferta de cada produtor cria sua demanda pelas ofertas de outros produtores". Dessa forma, um equilíbrio entre oferta e demanda sempre existirá em termos agregados (embora Say reconheça que pode haver escassez e fartura em relação a produtos específicos).

    Ou seja: para que uma pessoa possa demandar algo, ela precisa antes ter produzido algo - e isso eleva a oferta de bens e serviços para toda a economia, reduzindo os preços (caso a oferta monetária fosse constante).

    Você só poderá demandar algo sem antes ter produzido algo caso crie dinheiro do nada. Quando a demanda surge em decorrência de um aumento da oferta monetária, a pessoa não precisa produzir nada para poder demandar algo; ela simplesmente utiliza o dinheiro recém-criado e já aumenta o seu consumo.

    Só que, nesse caso, um simples aumento da demanda não fará com que os produtos surjam. Se os recursos para se produzi-los não tiverem sido poupados, estes terão de ser retirados de outros lugares da economia, o que provocará aumento de preços (mesmo sob oferta monetária constante). No extremo, poderá não haver recursos poupados em lugar nenhum da economia, de modo que a oferta ficará inviável.

    Ou seja, não basta haver demanda. Demanda não é garantia de surgimento de bens. Antes de mais nada, é preciso haver poupança, que é o que possibilita a produção de bens.


    Abraços!
  • Rhyan Fortuna  12/12/2010 19:27
    Excelente! Obrigado, Leandro!

    Abraço!
  • Carlos Araújo  03/12/2011 22:52
    A filosofia do consumismo é casar a fome com a vontade de comer.

    Estes dias ouvi em um programa de rádio, o locutor conversando com uma ouvinte, e dizendo que ele não entendia porque algumas pessoas reclamavam do bolsa-família. Segundo ele "esses caras (os empresários) nunca ganharam tanto dinheiro como agora, com esta política de distribuição de renda. O governo cria demanda para eles, e tira várias pessoas da miséria. Mata dos coelhos com uma cajadada só."


    para que uma pessoa possa demandar algo, ela precisa antes ter produzido algo

    Não sei se estou certo, mas acho que isto vai de encontro com o pensamento habitual, que confunde demanda com necessidade, ou vontade.

    Uma pessoa pode dizer que um mendigo que não tem dinheiro no bolso, demanda por comida e moradia por exemplo, mas o fato é que ele tem necessidade (ou carência) destes bens, mas ele não demanda isto, já que seria necessário ele produzir algo para ofertar (ou no mundo atual, ter dinheiro), para aí sim poder demandar estes e outros bens. Correto?
  • Juliano  20/03/2013 14:02
    É bem por aí Carlos. A palavra demanda é usada em duas situações distintas, como simples sinônimo de necessidade/vontade e como sinônimo de capacidade de consumo.

    De qualquer forma, o pensamento habitual vai sempre pelo lado mais fácil. É muito tranquilo dizer às pessoas aquilo que elas querem ouvir, que elas deveriam poder consumir tudo aquilo que desejam ou precisam. É fácil dizer que todos deveriam "ter direito" a saúde, alimentação, moradia, transporte, lazer. Os políticos são parasitas que usam esses desejos como alimento.

    A tarefa ingrata dos liberais é passar a mensagem de que não vivemos em um mundo onde podemos ter tudo, onde escolhas implicam a abstenções e riscos. É difícil dizer às pessoas que o dinheiro que elas querem que lhes seja direcionado está sendo roubado de alguém. Elas sempre cresceram ouvindo que "tinham direito" àquilo. Pior, elas sempre foram roubadas com a promessa de que alguém, algum dia, seria roubado para lhes pagar; cresceram acreditando que aquilo era correto, era um fato da vida.
  • Economista  20/03/2013 14:49
    Mas as empresas tem que vender. Se as pessoas ficar só poupando e não consumindo, os produtos ficarão entalados nas fábricas. E o que acontece? As fábricas quebram. Sem falar que setores totalmente voltados para consumidor como o comércio, também quebrarão.
  • Eleno  20/03/2013 15:28
    Não existe esse negócio de poupar indefinidamente para sempre de modo a quebrar todas as empresas. Apenas economistas sem noção de teoria econômica básica pensam isso. Uma coisa chamada preferência temporal, bem como necessidade básica, faz com que o consumo presente seja inevitável.

    Tanto é a ocorrência de tal fenômeno nunca foi observada no mundo -- nem mesmo no setor eletrônico, que é justamente onde o cara tem a certeza de que os preços de amanhã serão menores que os de hoje.
  • Wagner  20/03/2013 18:57
    Tem um artigo sobre o "poupador avarento" aqui no site onde tem um comentário interessante:
    O cara que poupa, mesmo sem gastar seu dinheiro, ajuda a melhorar a qualidade de vida dos outros pois ele produz (para ganhar o dinheiro) e não consome.

    Se houvessem 100 pessoas no mundo, 99 fossem poupadores e 1 gastasse seu dinheiro este 1 viveria bem pra caramba pois ele aproveitaria a produção dos outros 99 que não consomem.
    Em poucas palavras, poupadores criam oferta sem criar demanda.
  • Lopes  20/03/2013 15:40
    "Não há ação mecanizada, toda ação é propositada."

    Se há um espontâneo aumento na poupança, isso indica ao mercado que consumidores estão dispostos a guardar dinheiro para consumir em projetos de longo prazo ou encaixes preventivos. É imprescindível reconhecer que pouquíssimos são aqueles que guardam dinheiro pelo mero prazer de fazê-lo.

    Se a demanda por dinheiro(Poupança) aumentar entre consumidores, isso levará à uma diminuição da presença monetária no mercado, reduzindo preços e aumentando o poder de compra da própria. Portanto, mesmo no pior cenário possível, nada de trágico aconteceu; a liberdade monetária não criou dificuldades.

    Um aumento da poupança(E a decorrente valorização do poder de compra da moeda decorrente dessa), além disso, barateia a oferta de crédito NATURALMENTE juntamente com a capacidade de consumo do mesmo, permitindo a realização dos grandes projetos de longo prazo que motivaram parte de tal inimaginável síndrome poupadora da população.

    Argumentação empírica que poderia ser utilizada para contestar seu questionamento seria o caso do Japão, que viveu em um período fortemente deflacionário por muitos anos.

    Leia:
    www.mises.org.br/Article.aspx?id=1526
    www.mises.org.br/Article.aspx?id=163 (Importantíssimo)
  • Guido  20/03/2013 17:28
    Vocês se esqueceram de uma coisa: os produtores precisam VENDER. Se os produtores não dependessem do consumo, não haveria tanta publicidade, por exemplo, para consumir chocolate na Páscoa. Se na Páscoa agora, os pessoas decidirem economizar na compra de chocolates, e as vendas de chocolate cairem, digamos, 5% em relação ao ano anterior, isso pode abalar o mercado de ações (pelo menos o mercado de ações das empresas que fabricam e vendem chocolates).
  • Lopes  20/03/2013 19:33
    O paradigma temporal de produção de chocolate está sempre em mudança. Como explicado pelo professor Iorio, em sua palestra sobre a importância do tempo: É sobre experiências passadas que são realizadas as expectativas para o futuro. Tal "dado epistemológico" funciona igualmente quanto ao ajuste da produção por parte dos produtores, quando experiências passadas são utilizadas para estimar produções futuras.

    A mudança de paradigma(Se toda a população não decidir comprar chocolate durante esta Pascóa) está sempre ocorrendo em menor ou maior escala. Ela não é uma tragédia e nem deve ser evitada, pois representa um mero reajuste da produção em função da demanda dos consumidores. Se um produto X, por exemplo, o café, repentinamente recebe um corte de demanda levando ao prejuízo de seus produtores; sustentar tal demanda através do gasto estatal como fizera o governo brasileiro durante a década de 30 é meramente incentivar uma má-alocação de recursos e capital às custas de setores de fato produtivos da economia.

    A mecânica de preços e lucro servem perfeitamente para auxiliar a alocação de tais recursos em função daquilo que é de fato demandado pelos consumidores. Baixos preços significam que há pouca demanda e muita oferta. Caso repentinamente a população decida acabar com seu consumo de chocolate, deduz-se a obviedade de que produtores desse irão à falência caso não sejam capazes de adequar suas linhas de produção à outra demanda. E isso é positivo, pois sua mão-de-obra poderia estar sendo melhor aproveitada em outro setor assim como seus recursos produtivos(Maquinários, terreno, etc). Friso novamente que não há ação mecanizada, todo ato humano é propositado. Caso ocorra, por exemplo, um aumento repentino no preço do arroz e os consumidores decidam que preferem comprá-lo ao invés de consumir chocolate, ficará claro para você a motivação de tal redução de consumo durante a Pascóa. A poupança também é um uso válido, pois significa meramente abster-se do consumo atual para prevenção de gastos futuros ou, geralmente, para a compra de um bem no longo prazo.

    Recomendo a leitura deste artigo:
    www.mises.org.br/Article.aspx?id=1503
    (As proposições de Mill são interessantes para a análise da alegada problemática da poupança)
  • anônimo  20/03/2013 22:18
    Boa explicação Lopez. O q foi dito aqui é nada mais nada menos do que o senso comum. Isso vc lê nos jornais, revistas, faculdades de economia, professores de economia, nas conversas das pessoas na rua. O discurso é exatamente esse. As pessoas realmente acreditam que se, por exemplo, a vendas na Páscoa cairem com relação à Páscoa do ano anterior, o comércio entraria em colapso, haveria uma crise no setor de chocolates (desde quem produz até quem vende) e os operários que trabalham nas lojas e na produção de chocolates perderiam seus empregos, e esta perda de empregos provocaria uma redução no consumo, o que poderia levar a uma crise econômica. É o velho senso comum. Na verdade o que está lendo aqui é o velha falácia marxista do "subconsumo" e "superprodução".
  • anônimo  20/03/2013 21:12
    "Não há ação mecanizada, toda ação é propositada."

    Eu desconcordo com isso.O viciado não sabe nem o que é que faz.E quando ele é internado a força e fica sóbrio, a primeira coisa que faz é agradecer.
  • anônimo  20/03/2013 22:36
    Pior que pessoas consumista são extramento viciadas. Eu diria que o consumismo é um tipo de vício.
  • Lopes  20/03/2013 22:51
    Sua crítica prossegue, anônimo. Expressei-me mal e devido à falta de tempo, não revisei o texto. Entretanto, posso com segurança afirmar que não é maioria significativa as pessoas que tomam decisões sobre poupança, investimento e entesouramento quando sob o efeito de drogas ou ira.
  • Fabiano  22/03/2013 13:44
    Provavelmente vc nem sabe o que é um viciado...

    Esse cara, ao tomar a decisão de utilizar a droga pela primeira vez, provavelmente já tem idéia de que seu uso poderia gerar uma espécie de "contrato" que o prenderia à droga.

    Ademais, viciado não é um undead. Sua consciência não desaparece totalmente ao tornar-se viciado.

    E quando ele é internado a força e fica sóbrio, a primeira coisa que faz é agradecer
    Jura?

    No mais, leia mais um pouco...
    Ação humana é ação propositada
  • Renato Souza  23/03/2013 02:20
    Retomando o assunto:

    Se acontecesse de um avarento (no sentido moderno) guardasse quase todo o seu dinheiro, e este se perdesse na ocasião da sua morte, o efeito disso seria o mesmo que se ele tivesse sido um escravo durante toda a sua vida (tirando para si apenas o suficiente para a sua sobrevivência). Ele produziu riquezas, e outros as consumiram. Ele se fez escravos dos outros e o mal que fez foi a si mesmo, mas ele enriqueceu a sociedade, tanto quanto aquele que trabalhou mas aproveitou a vida. A diferença entre um e outro é que o avarento não usufruiu da riqueza que criou, mas aquele que aproveitou a vida usufruiu.
  • Getulio Malveira  20/03/2013 21:00
    Excelente artigo! Só duas dúvidas históricas: quando Reisman usa a expressão " premissa producionista do século XIX" ele dá a entender que esse postulado era amplamente aceito. Podemos dizer que ele era hegemônico antes do século XX? Quando teria ocorrido a "virada" para em direção ao "consumismo?"

    "É isso que distingue um economista de um Lord Keynes." - nocaute!



  • Anônimo  21/03/2013 00:23
    Malveira, sua pergunta prossegue e a tomo como minha. Em relação ao liberalismo inglês, posso dizer com total segurança que as palavras de Mill o dominaram e o colaram sob perfeito controle, sendo ele um "producionista" convicto como confirmado em suas ótimas quatro proposições. Entretanto, houveram diversos economistas quase insanos como Gesell que não receberam tanto alarde quanto Mill.

    Cita-se também os outros integrantes da revolução marginalista que não foram Menger: Stanley Jevons e Warse. Não os conheço a fundo porém creio que não foram "producionistas", na realidade, destacaram-se por uma visão matemática da ciência econômica.

    Politicamente falando, considero improvável que as propostas dos "producionistas" tenham obtido tanto sucesso político. O século XIX foi marcado por prosperidade e um determinado baixo nível de gastos estatais(Até a 1º Guerra Mundial).

    Entretanto, faço sua pergunta como minha e a entrego ao grande solvente universal: Leandro,
  • Leandro  21/03/2013 01:41
    Os principais economistas clássicos do século XIX entendiam que o principal desafio da economia era como produzir mais e melhor. Eles já haviam entendido que vivíamos em mundo de escassez, em um mundo em que as coisas têm que ser trabalhadas e produzidas para só então poderem ser consumidas, um mundo em que nada caía do céu. Até mesmo Marx sabia disso. Aliás, desde os escolásticos do século XV isso já era básico.

    A partir do século XX, porém, com a ascensão de Keynes e suas políticas econômicas voltadas para "estimular o consumo durante depressões", esse princípio básico da economia foi esquecido. E ele não foi recuperado nem mesmo pelos neoclássicos, que seguem sem entender o real funcionamento da estrutura do capital -- para um neoclássico, todo o capital existente na economia pode ser agrupado em uma bolha e sintetizado pela letra K, a qual é então inserida em uma equação. Produzir não é problema; basta estimular a demanda que a produção magicamente dá conta do resto.

    Quem fala sobre a "necessidade de se estimular a demanda e o consumo" ainda não se atentou para uma completa obviedade: "demanda por consumo" sempre existiu e sempre vai existir. Dado que vivemos em um mundo de escassez, a demanda por consumo geral sempre será, por definição, infinita. Sempre estaremos querendo mais, seja bens de luxo, seja bens indispensáveis à sobrevivência. Logo, não faz o menor sentido ficar querendo estimular aquilo que já é infinito. O que essa gente não percebeu é que os problemas da economia advêm do lado da oferta, da produção, da poupança. Esta, sim, é complicada e não pode ser simplesmente estimulada de acordo com meros caprichos e ordens burocráticas.
  • Nilo BP  22/03/2013 14:27
    Na verdade a constatação de que vivemos em um mundo de escassez é um bom senso mais "escasso" (perdoe a piada) do que parece... o Rothbard escreveu um texto incrível (mas meio comprido) mostrando como, através da história, existiram vários movimentos anunciando o fim da escassez e das ansiedades individuais, e a ascensão do homem a um novo "plano de existência", por assim dizer. A maioria desses movimentos eram religiosos, mas o marxismo é essencialmente a mesma coisa, apesar de temperada com pitadas de filosofia e economia política.

    Se tem um texto que recomendo que seja traduzido no IMB, é esse: "Karl Marx as Religious Eschatologist". Nunca mais consegui levar um marxista a sério depois de ler isso...
  • Eliot  21/03/2013 12:08
    Existe a especulação em que um determinado grupo de produtores se reúnem e se mancomunam para não produzir muito e assim elevar os preços. Então mesmo tendo demanda alta, não produzem e fazem isso para lucrar. Como detém lá a maioria das doações de campanha acabam deixando essa situação meio complicada, possuem poder político. E às vezes estamos lidando com produtos essenciais e que não possuem substitutos. É o caso do produtor de alimentos que prefere jogar fora justamente para não baixar os preços. A democracia a meu ver é um problema tão ou mais grave que o mercado regulado de modo a restringir a concorrência. Quero apenas chamar a atenção para os players que atuam para desestruturar a sociedade, que devem sempre ser levados em conta. Não vivemos num mundo ideal como o chinês onde o mercado é livre, desregulado, e a política é fechada para os agentes de desestruturação não agirem.
  • Andre  21/03/2013 18:06
    Não isso não existe, isso uma dessas teorias malucas.
    Se em algum momento isso aconteceu é porque era um mercado regulado pelo governo.

    Nunca vi por exemplo produtores de Pen Drive queimar a produção porque os preços estão baixos demais. E olha que eles estão sempre baixando continuamente.
  • Wagner  21/03/2013 18:58
    Que ideia mais besta... se for queimar a produção então seria melhor simplesmente não produzir. Só que caso exista demanda e você simplesmente para de produzir outro vai entrar no mercado e atender aquela demanda.

    Se um grupo de produtores de arroz fazem um conchavo para reduzir a produção alguém com uma fazenda extremamente produtiva vai simplesmente aproveitar a situação para tomar a fatia do mercado que os outros produtores estão abandonando.
  • Guilherme  21/03/2013 12:54
    "Para que continue havendo acumulação de capital, o progresso tecnológico é indispensável. Apenas ele pode possibilitar contínuos aumentos na produção; e apenas contínuos aumentos na produção podem possibilitar uma contínua acumulação de capital."

    Concordo. Mas e quando a tecnologia alcançar um nivel de inteligencia suficiente para substituir humanos em todas suas formas de produção?

    No futuro não teremos o mesmo numero de empregos disponiveis, ou criaremos outros tipos de emprego?

    Ainda não consegui entender este dilema. Acho que o avanço tecnologico vai gerar desemprego em algum momento do futuro...

  • Eleno  21/03/2013 13:06
    Essa utopia não existe. Se existisse, seria um paraíso. Máquinas produzindo tudo que precisamos, tornando desnecessária nossa obrigação de ter de trabalhar para produzir. Quer coisa melhor do que isso? Você aperta um botão e as coisas surgem. A escassez é abolida e a abundância é instaurada. Ninguém mais sofre privações.

    Não vai ocorrer, fique tranquilo.
  • myself  21/03/2013 13:36
    Considero esse um tema importante que deveria ser mais debatido aqui, ao invés de simplesmente descartá-lo como uma utopia impossível.

    Ao longo dos séculos, avanços tecnológicos como mecanização, informatização, engenharia química e genética fizeram com que a produtividade aumentasse em várias ordens de grandeza. Temos ainda tecnologias muito promissoras em desenvolvimento, como nanotecnologia e inteligência artificial.

    O que irá acontecer quando, em alguns séculos, a produção de uma quantidade de riqueza necessitar de dez mil vezes menos horas de trabalho humano para ser produzida? Nós teremos inventado dez mil vezes novos produtos e serviços para serem produzidos e consumidos? Os recursos naturais do nosso planeta irão sustentar esse nível de produção? Ou nós estaremos trabalhando dez mil vezes menos? Ou estaremos dez mil vezes mais desempregados?

    Sei que é um exercício de imaginação e extrapolação, mas não tenho visto esse debate por aqui.
  • Eleno  21/03/2013 13:44
    Eu já vi esse debate várias vezes nas seções de comentários de vários artigos. A idéia dos pessimistas é sempre a mesma: as máquinas nos desempregarão! Mas vão produzir e nos dar tudo!

    Aparentemente eles não se atentam pra tal contradição. Se as máquinas vão nos dar tudo, então trabalhar será um mero passatempo. Alguém realmente crê nisso?
  • myself  21/03/2013 14:02
    O problema todo é que máquinas não dão nada a ninguém. Máquinas tem donos, e são eles que vão decidir se dão alguma coisa a alguém.

    Além disso, é importante notar que um mundo onde máquinas e outros avanços tecnológicos elevaram os níveis de produtividade à patamares muito altos não significa que tudo é abundante e gratuito. Apenas a mão de obra humana se torna pouco demandada, mas matérias primas e energia (aço, petróleo, etc) continua limitando a oferta de bens e mantendo a realidade de escassez de riquezas.
  • Wagner  21/03/2013 13:59
    Nós trabalharíamos 10 mil vezes menos mantendo a mesma qualidade de vida que temos agora. Empregos ainda existirão, no entanto seriam com menos horas de trabalho e as pessoas não iriam, em um ambiente com tanta abundância, trabalhar 8 horas por dia, você trabalharia pouquíssimo e poderia consumir um monte desta super produção.

    O livre mercado também faz com que possamos produzir sem destruir tanto a natureza, o aumento do preço de produtos mais escassos controla a exploração dos recursos naturais e gera demanda por novas tecnologias. Se todo mundo cortar árvores sem replantar elas se tornaram cada vez mais escassas e mais caras, por isso vale a plena promover o plantio e a exploração consciente.
  • Julio dos Santos  21/03/2013 14:30
    Myself, tu achas que o ser humano será substituído pelas máquinas em tudo? Não vejo como isso será possível, parta da seguinte premissa: máquinas tendem a evoluir para o seu ponto máximo de desenvolvimento que é "atender todas as necessidades humanas". Para explanar as coisas chamaremos este ponto final (onde todas as necessidades humanas são atendidas pelas máquinas) como "Ponto 3" e a era das cavernas (onde nenhuma necessidade humana era atendida por máquinas) como "Ponto 1".
    Tendo isto em mente, pense num determinado momento desta evolução onde elas tiverem exercendo quase todas as atividades humanas, um ponto entre o 1 e o 3, porém este ponto está muito próximo do 3, chamaremos este ponto como "Ponto 2".
    No "Ponto 2" ocorrerá o seguinte:
    - os humanos estarão quase sem remuneração sobre trabalho
    - os humanos que não tiverem acumulado capital terão demandas não atendidas, pois quase todos estão sem remuneração sobre trabalho para adquirir os bens ofertados pelas máquinas
    - estes humanos sem remuneração sobre trabalho e sem capital terão que fazer algo para atender as suas demandas não atendidas e ter remuneração, quase todas as soluções encontradas não passarão pelas máquinas, pois o trabalho humano estará tão obsoleto que o seu valor será ínfimo frente às máquinas e o custo para que eles próprios atendam as suas demandas será muito competitivo frente às ofertas das máquinas
    - as máquinas terão que encontrar soluções para competir com estes novos produtores, que possuem um custo muito mais baixo do que elas para atenderem demandas que elas já não atendiam antes do "Ponto 2"
    - algumas máquinas tornar-se-ão obsoletas, pois a sua existência só era possível no nível de preço anterior ao "Ponto 2" ou continuaram existindo, mas atendendo somente aquele nicho limitado já atendido antes do início do "Ponto 2"
    - estes humanos terão remuneração sobre trabalho, acumularão capital, criarão novas máquinas mais eficientes e comprarão as antigas máquina eficientes
    Sabe quando ocorrerá o "Ponto 2"? Ele não ocorrerá, ele já ocorreu, desde a invenção da primeira ferramenta humana.
    Sabe quantas vezes o "Ponto 2" ocorreu? Ele ocorre a todo segundo! Estamos sempre na fronteira do conhecimento, estamos sempre quase no "Ponto 3", não tem como saber o limite da capacidade de evolução de uma sociedade humana livre.
    No livre mercado temos sempre como base a ação humana, o poder de uma máquina não é nada se ela não atender demandas humanas. A ação humana sempre determinará se algo é aceito ou não, em qual quantidade e qual o seu preço, enquanto um humano livre tiver demanda não atendida por uma máquina, haverá espaço para outro humano livre efetuar uma troca para ele ser atendido e ambos ganharem com isso.
    O "Ponto 3" é ilógico, pois nele há uma contradição gigante, olhe só: todas as coisas são feitas e alguém tem demanda não atendida? Isso não fecha numa sociedade livre. Sempre haverá uma pessoa que busca algo para melhorar a sua vida, uma oportunidade para investir ou trabalhar num negócio promissor, sempre que as máquinas deixarem uma pessoa com demanda não atendida haverá alguém com interesse para atendê-lo. No mundo real, será sempre "Ponto 2" sequenciado por "Ponto 2", contanto que as pessoas sejam livres. O que atrapalha este processo é o momento onde humanos não podem efetuar trocas com outros humanos, aí a coisa complica e muito, mas este é outro tópico.
  • Guilherme  21/03/2013 14:40
    Eleno,

    Por que voce acha que não existe? tudo o que produzimos manualmente será substituido por uma maquina e um computador para opera-la. isso é fato...


    "A escassez é abolida e a abundância é instaurada."

    O seu conceito de escassez esta errado...ela nunca será abolida...sempre criaremos fins, que logo criara diversos meios para atingi-lo...não importa como seja o processo produtivo...

    Vou tentar colocar um exemplo:

    Nossa agicultura será toda automatizada, assim como a sua logistica até os grandes centros urbanos, e levando até os mercados ou diretamente ao usuarios...

    " Eu vou chegar a um mercado e "pegar" (não comprar) um alimento, por exemplo. feito isso vou passar o codigo de barras em uma maquina que atualizará o estoque daquele mercado, que provisionara sua reposição para o Centro de Distribuição que estará interligado a produção do mesmo...

    O meu ponto é que teremos um grande sistema de administração de todos os recuros do planeta, junto com o seu metodo produtivo. Esse será o grande paradoxo que o sistema monetario ira encontrar...a melhor tecnologia poderá ser utilizada em todo o globo...

    Sei que vou irritar algumas pessoa aqui, porem acho válido a discussão...




  • Wagner  21/03/2013 13:47
    Emprego não é objetivo, como é difícil para socialistas entenderem isso.
    Vamos dizer que as máquinas estejam em um nível de produção tão alto que só existam alguns bicos aqui e ali, a maior parte das pessoas estão desempregadas. Nesta situação como a produção é muito grande os preços seriam baixíssimos... fazendo um bico você teria condições de viver bem sem precisar trabalhar o dia inteiro, que terrível né?
    O preço dos produtos se encaixam em quanto a população que só trabalha 1 hora por semana pode pagar, não existe cenário onde aumento de produtividade é negativo.
  • myself  21/03/2013 16:40
    Wagner,

    pra mim falta uma peça chave para fechar esse seu raciocínio.

    Como já escrevi na minha mensagem anterior, os preços não seriam tão baixos assim, porque ainda seriam limitados pela escassez de matérias prima e energia. Um mundo onde a tecnologia tornou a produtividade tão grande que o trabalho humano é muito pouco demandado não é um mundo onde tudo é quase gratuito. Os preços iriam sim cair, mas limitados pelos preços dos recursos naturais (minério de ferro, pretróleo, etc). Dessa forma, esse mundo não é de plena abundância, ainda é um mundo onde a escassez de riquezas exerce um papel fundamental na sociedade e na qualidade de vida das pessoas.
  • Juliano  21/03/2013 17:02
    As crises de desemprego não tem nada a ver com falta de trabalho. Em Paris, vc vês nas estatísticas que a taxa de desemprego é absurdamente alta entre os jovens, mas ao mesmo tempo vc não vai conseguir pagar uma baba ou uma empregada doméstica. Conheço um casal que vive em Paris há anos e nunca trabalharam. Na Alemanha, um dos países em melhor situação na Europa, conheço uma menina que é formada em informática, tem experiência na área, e não trabalha porque sairia mais caro pra ela. Ao ficar em casa, eles têm uma série de incentivos que tornam muitas coisas mais baratas. Assim, só o marido dela trabalha e eles conseguem alguns benefícios.

    Viver de assistência do governo virou emprego para um monte de gente. Simplesmente, pra muitas pessoas, é mais lucrativo não trabalhar.

    Todos gostaríamos de ter um exército trabalhando pra gente. Eu gostaria de ter cozinheiros, motoristas, babá.... só não temos porque sai caro. Através do preço, o mercado nos diz que existem outras áreas com maiores demandas.
  • Wagner  21/03/2013 20:43
    Mas existindo escassez haverá um humano para suprir aquela necessidade.

    Imagine uma sociedade como a que você descreve... máquinas extremamente produtivas porém as pessoas não têm dinheiro (nem aquele 1 centavo mínimo) para pagar pelos produtos criados; Agora vamos supor que eu sou uma pessoa dentro desta sociedade, estou desempregado e não tenho dinheiro nem pra comer. Eu vou sair desta sociedade, vou achar um lugar sem dono ou sem moradores e vou plantar minha comida, outros esfomeados viriam até mim e eu trocaria o trabalho deles pela minha comida. Tudo voltou ao normal.

    O problema desta ideia de "as máquinas vão ficar tão produtivas que todos vão ficar desempregados e ninguém vai ter dinheiro pra comprar nada" é que isto é absurdo, se ninguém tem dinheiro para comprar as máquinas extremamente produtivas teriam que ser desligadas pois elas não tem utilidade (produção sem venda), ou elas são tão eficazes que seriam capazes de gerar tudo para todos ou ainda existe uma demanda para ser atendida por trabalho de outro ser humano.



  • Getulio Malveira  21/03/2013 14:43
    Exatamente Eleno. Não acho que seja utópico pensar que as maquinas vão substituir a maior parte dos trabalhos hoje feitos por pessoas (principalmente os trabalhos manuais). Quanto aos que se preocupam com isso, basta observar a história: quando não existe mais um trabalho a ser feito, as pessoas nem pensam em fazê-lo. Ou, alguém já viu um copista desempregado? Pense em todas as profissões que existiam antes da revolução industrial e que simplesmente desapareceram. Mesmo que todos os trabalhos manuais desaparecessem, haveria uma infinidade de outras coisas a fazer. Mas é, por definição, impossível que as maquinas supram todas as necessidades humanas, simplesmente porque elas são infinitas e não enumeráveis: quando algumas são supridas, outras aparecem; quando outras aparecem, temos de criar formas de supri-las - e assim indefinidamente no circulo virtuoso do progresso.

    Bem... até que as máquinas tomem o controle e nos escravizem para que atendamos às suas necessidades. Mas aí é outra história... rsrsrsrs
  • Guilherme  21/03/2013 16:53
    Julio dos Santos,

    "- estes humanos sem remuneração sobre trabalho e sem capital terão que fazer algo para atender as suas demandas não atendidas e ter remuneração, quase todas as soluções encontradas não passarão pelas máquinas, pois o trabalho humano estará tão obsoleto que o seu valor será ínfimo frente às máquinas e o custo para que eles próprios atendam as suas demandas será muito competitivo frente às ofertas das máquinas
    - as máquinas terão que encontrar soluções para competir com estes novos produtores, que possuem um custo muito mais baixo do que elas para atenderem demandas que elas já não atendiam antes do "Ponto 2""

    Voce esta correto, dentro deste paradoxo economico. Ao ponto que a tecnologia avança, a necessidade de propiedade e termos de troca diminui.

    Este link mostra apenas uma ideia do esta por vir...

    thevenusproject.com/pt/the-venus-project/resource-based-economy

    *Não sou comunista, nem socialista. Ainda defendo o Capitalismo como sendo o melhor sistema para o atual estagio tecnologico. Mas ele vai acabar algum dia.
  • Rafael  21/03/2013 21:18


  • Arthur M M  21/03/2013 23:21
    O preço já é a derivada da somatória de todas as funções e variáveis que explicam a economia num dado momento. Ao tentar definir um preço para qualquer coisa, dado os custos e tals, já está levando-se em consideração as outras funções e variáveis. Se alguém quiser trabalhar sem preço ele terá que calcular e integrar todas essas funções e variáveis, diversas vezes pois há coisas que são dependentes umas das outras (o pão que alimenta o agricultor que colhe o trigo para fazer o pão. Pra ficar no mais simples exemplo).

    É o típico besteirol socialista, de quem quer nos levar de volta ao tempo das primeiras civilizações conhecidas.
    Só lamento.
  • Julio dos Santos  22/03/2013 00:48
    Um mundo as coisas são de graça? Onde minhas demandas são atendidas sem eu dar nada em troca? Perdão, mas não é viável, isso vai contra a lógica de qualquer tipo de remuneração, seja sobre o trabalho, seja sobre o capital. Puro blablabla, não existe algorítimo que substitua o preço.
  • Rodrigo  22/03/2013 02:06
    Sobre esse venus project existe bastante coisa, olhei meio por cima e achei interessante.

    Porém não ser necessário trabalho é impossível, sempre existirá demanda por mais bens e serviços. Imagine um mundo hipotético que tudo de hoje já pudesse ser 'feito de graça', ainda assim são criados novos bens e serviços sempre, que precisam de pesquisa, criatividade, coisas impossíveis de se automatizar. Ainda assim acho interessante que cheguemos talvez em um ponto em que a produção possa ser feita demandando de uma menor quantidade de esforço, ou seja a necessidade de trabalho seria reduzida e alocada nestas áreas que necessitam de habilidades que não possam ser automatizada.

    Mas o projeto não leva em conta que não é possível existir abundancia de todos os bens e serviços. Mesmo que exista para um X numero de indivíduos, a população humana está em crescimento constante, e a terra é finita de recursos, que mesmo renováveis tem uma limitação física quanto a quantidade. É impossível ter abundancia de tudo nesse espaço, e então teria os problemas de qual produto/serviço priorizar sem sistema de preços. É até possível que exista uma maneira de fazer isso, mas não vi nada referente uma solução a este problema.
  • Guilherme  22/03/2013 12:24
    Rodrigo,

    Sempre será preciso trabalho humano.Porem, este trabalho será interligado globalmente em uma central. (Não é um poder central, ou um governo central). Sua ideia, criação ou alteração podera ser posta na rede e testada com metodos cientificos. Voce podera trabalhar naquilo que realmente lhe interessa.
    Logico que ainda existem varias coisas a serem respondidas, ainda não chegamos no nivel tecnologico global suficiente para colocar em pratica esta ideia.

    E sobre comportamente humano, é evidente que a maior influencia é o ambiente e sua abundancia ou escassez de recursos. Vivemos em um planeta finito e com escassez de recursos, certo? Por este motivo temos que adotar o melhor sistema produtivo possivel pela tecnologia e não simplesmente pelo emprendedorismo compensatorio. Não estamos administrando bem os recursos da terra, concorda? e tambem não estamos distribuindo bem.

    E sobre o video refutando o zeitgeist: "Marxismo com robos"...heheheh piada

    é dificil as pessoas aceitarem que possa existir trabalho que não seja explorado por outra pessoa ou que tenha alguma compensação.99% da população passar 10 horas por dia trabalhando em algo repetitivo que simplesmente poderia ser feito por uma maquina, é ridiculo. E isso não é só porque o sistema de livre mercado foi tomado pelos governos.

    Preciso ir, tenho que trabalhar para que meu chefe possa abastecer o seu jato e viajar pra Miami.



  • anônimo  22/03/2013 16:43
    'Preciso ir, tenho que trabalhar para que meu chefe possa abastecer o seu jato e viajar pra Miami.'

    Você não tem não, ninguém te obrigou a trabalhar pra ele, você vai porque quer o dinheiro. Vai porque quer e ainda fica se achando a vítima, patético.
  • Guilherme  22/03/2013 21:14
    Voce vai trabalhar e ser explorado a vida inteira sem reclamar...o unico trabalho que meu chefe teve foi o de gastar a herança do pai, que trabalhou, e mesmo assim é mais burro que varios dos seus empregados...mas para voce isso é livre mercado, ou seja, é perfeito. Ele foi empreendedor na época e o resto da familia vai colher os frutos por gerações.Muito justo.

    Dei o azar de não ser filho dos 1% mais ricos...voce tambem pelo jeito. Por isso estamos aqui discutindo o sistema. O sisples fato de privatizar tudo e tirar o governo do esquema, não vai afetar em nada os pobres, talvez até piore...

  • Neto  23/03/2013 14:21
    'o unico trabalho que meu chefe teve foi o de gastar a herança do pai, que trabalhou, e mesmo assim é mais burro que varios dos seus empregados...'

    Você acha que é fácil? Peça demissão e vá ser empreendedor então.
    Com certeza você não vai, afinal teria que admitir que o trabalho do patrão tem seus méritos, é mais cômodo ficar no que realmente é fácil, ser empregado, e ficar choramingando e espalhando sua inveja e negatividade pelo mundo.
  • Curioso  25/03/2013 11:43
    Ele foi empreendedor na época e o resto da familia vai colher os frutos por gerações.
    Se vc pudesse, tomava tudo dele ou mandaria outros fazer o trabalho sujo, não?
  • Guilherme  25/03/2013 12:56
    Vou falar novamente, não sou comunista, nem socialista ou marxista...não quero roubar nada de ninguem, simplesmente estou tentando achar respostar para minhas duvidas. Me chamem de burro, mas não de socialista...


    Questiono o fato de que mesmo tendo um livre mercado, a estrutura social dificilmente sera diferente da atual, ou estou errado? E de que sempre quem conquistar mais riqueza, vai lutar para mante-la. E que a maneira como extraimos, administramos e distribuimos os recursos, não caminha junto com a tecnologia disponivel. Para alguns, estas perguntas causam risadas, para outros causam frustrações...

    Aproveitando, porque não produzir materiais mais acessiveis para leigos neste assunto? Ja que muitos aqui mesmo, no site, tem duvidas?

    Tipo nestes mesmos moldes dos documentarios atuais? (Ex; Zeitgeist, Paradise or Oblivion.) Pelo menos levaria as pessoas a irem atras de mais informações, e partindo deste ponto, acessando todas as leituras disponiveis.
  • Arthur Dias  25/03/2013 14:24
    "Ele foi empreendedor na época e o resto da familia vai colher os frutos por gerações.Muito justo."

    Você disse que é injusto alguém se abster de consumo e deixar seus frutos para sua família. Se isso não é ser socialista, não sei o que é.

    "Questiono o fato de que mesmo tendo um livre mercado, a estrutura social dificilmente sera diferente da atual, ou estou errado?"

    Completamente errado. Pessoas como Eike Batista, que só conseguem prosperar devido a aberrações como o BNDES não conseguiriam ter sucesso em um livre mercado.
  • anônimo  25/03/2013 17:03
    'Você disse que é injusto alguém se abster de consumo e deixar seus frutos para sua família. Se isso não é ser socialista, não sei o que é. '

    Com certeza pro socialista a 'família' dele engloba a pátria, a nação, os dez filhos que o ze da esquina fez e que você é 'convidado' a ajudar a criar
  • Curioso  22/03/2013 21:29
    Porem, este trabalho será interligado globalmente em uma central. (Não é um poder central, ou um governo central).
    Como assim? Um chip no cérebro? Explica melhor isso.

    Sua ideia, criação ou alteração podera ser posta na rede e testada com metodos cientificos.
    Ahh, sim. Os métodos científicos resolverão tudo!!!

    Voce podera trabalhar naquilo que realmente lhe interessa.
    E quem não quiser trabalhar com nada?

    Logico que ainda existem varias coisas a serem respondidas,
    Não diga!

    ainda não chegamos no nivel tecnologico global suficiente para colocar em pratica esta ideia.
    Tem previsão?

    Por este motivo temos que adotar o melhor sistema produtivo possivel pela tecnologia e não simplesmente pelo emprendedorismo compensatorio.
    "Temos?" E se os atuais donos destes recursos não concordarem, o que vcs pretendem fazer? Pedir "por favor"?

    Não estamos administrando bem os recursos da terra, concorda? e tambem não estamos distribuindo bem.
    Não estamos? Tem muita gente que não concorda com isso. O que vcs pretendem fazer com quem não concordar?

    E sobre o video refutando o zeitgeist: "Marxismo com robos"...heheheh piada
    Piada? Acho que não.

    é dificil as pessoas aceitarem que possa existir trabalho que não seja explorado por outra pessoa ou que tenha alguma compensação.
    Se isso não é papo de socialista, não sei mais o que é.

    99% da população passar 10 horas por dia trabalhando em algo repetitivo que simplesmente poderia ser feito por uma maquina, é ridiculo.
    Vc poderia passar a fonte dessas informações?

    E isso não é só porque o sistema de livre mercado foi tomado pelos governos.
    Poderia explicar isso melhor.

    Preciso ir, tenho que trabalhar para que meu chefe possa abastecer o seu jato e viajar pra Miami.
    Quanto rancor! Quer um abraço?

    [ ]!
  • André Caniné  25/03/2013 13:24
    "Preciso ir, tenho que trabalhar para que meu chefe possa abastecer o seu jato e viajar pra Miami."


    depois de todo o trabalhao explicando esse marxismo do futuro, ops venus project...e dizendo que não é marxista, afinal de contas o sujeito se entrega com essa última frase.. heheheh .
  • Rodrigo  23/03/2013 04:27
    Acho interessante a visão do projeto, principalmente quanto a visão como recursos e otimização de seu uso. Mas a ideia de implantar isto assim diretamente me parece colocar a carroça a frente dos cavalos.

    Em minha visão a aplicação de um livre mercado de fato acabará por rumar a sociedade numa direção quanto a este sentido, visto que a otimização do uso de recursos é fato num livre mercado. Atividades que hoje geram lucros por intervencionismos, que na verdade em uma configuração de liberdade não seriam lucrativas, significam atividades que fazem o mal uso dos recursos (que por consequência seriam realocados a atividades lucrativas), ou seja a busca sem este intervencionismo será na produção otimizada a longo prazo (o ajuste, claro, não é instantâneo, e também está em constante mudança de acordo com desejos humanos por determinado bem ou serviço). O sistema de preços é regulador neste processo para otimização. Se aplicado, com o tempo existirá um aumento de riqueza real na população, visto que existirão mais bens, utilizando de maneira mais próxima a ótima o processo de produção.
    Neste caso ainda existirá automatização, que ocorrerá de maneira natural enquanto otimiza o processo de produção.

    O grande problema como disse anteriormente, é o fato de que não existe abundância em todos os recursos, vou até ler com mais atenção pois não tive tempo ainda, para ver o que falam (se falam) com relação a isso.

    Também me parece um problema, essa consciência de parte da população, de vilanização do empreendedor (vulgo chefe). Mas prefiro me abster de comentário quanto a isso pois e seria uma linha de discussão própria e desviaria dos comentários principais.
  • Renato Souza  23/03/2013 12:30
    Creio que o erro maior consiste no tal "método científico" sozinho estabelecendo organização, mudanças, métodos.

    O marxismo "usava o método científico" (chamava-se "socialismo científico", lembram?). O nazismo "usava o método científico". O keynesianismo foi considerado científico. Isso, só no campo econômico. O desvalor das pessoas negras foi considerado, um século atrás como fato científicamente estabelecida. Na verdade, o cientificismo foi a base do racismo mais violento que já existiu. O comportamentalismo (criado por Skenner, aquele admirador de Mao) se impôs como se fosse ciência. A lista detalhada dos males causados pelo cientificismo, daria uma enciclopédia tamanho gigante, com direito a centenas de milhões de mortos e incontáveis vítimas que viveram o inferno.

    Todo "admirável mundo novo" sempre vira uma nova desgraça estupenda.

    A base equivocada dos admiradores dessa nova ideologia é a mesma de todas as anteriores. Um erro filosófico conceitual básico, que qualquer estudante de nível médio teria de perceber: A ciência é método, não critério. É da sua natureza não ter quase todas as respostas. A razão, na maioria das vezes, serve para apontar o erro, e não dizer o que vai dar certo. Por natureza, é não determinística. Portanto, o método científico, corretamente entendido, não dá a maioria das respostas. Quem afirma o contrário, está na verdade tirando respostas de outro lugar (freqüentemnte das suas intenções escusas) e atribuindo-as à razão ou ao método científico.

    Se eu fosse um cafajeste, tranbiqueiro, mentiroso desgraçado, ilusionista, aproveitador, embusteiro, psicopata, certamente levaria isso em conta. Milhões de embusteiros já se deram bem escorando-se na "razão" e no "método científico". Certamente, milhões deles continuarão utilizando-se desse truque, porque é consagrado pelo sucesso através do tempo. Quem promete fornecer através do método científico, aquilo que o verdadeiro método cientifico não pode dar, já provou que ou é embusteiro ou confuso.
  • Rodrigo  23/03/2013 21:15
    Não vejo problema no método cientifico por si só, o grande problema é como o mesmo é usado. A ideia do mesmo é sempre verificar o falseamento das hipóteses, o grande problema é que os 'cientistas' em muitos casos não o são verdadeiramente. Existe um viés que os leva a quererem demonstrar corretas suas teorias através de dados empíricos como manda a ciência. O problema é que dados isolados podem chegar a conclusões equivocadas e 'cientificamente provadas' através destes mesmos dados (vide dados econômicos atuais que demonstram crescimento exacerbados desconsiderando muitas vezes o valor real).

    No mais concordo com o descrito, mas não 'vilanizar' o método cientifico como um todo, visto que o mesmo ajuda sim a produção (verificando por exemplo eficiência em divisão de etapas de trabalho na produção). Ciência como um todo não pode ser considerado uma 'verdade absoluta', a mesma deve ser sempre verificada, e o mais correto é que se observe que a verdade de hoje será uma mentira com novas descobertas.
  • Renato Souza  27/03/2013 21:23
    Tenho um grande apreço pela ciência e pelo chamado método científico. A minha crítica não é a esse método, mas à igenuidade das pessoas que tomam discursos evidentemente ideológicos como se fossem ciência, apenas por causa da sua roupagem. Na minha crítica citei que a apresentação de promessas que o método científico não pode cumprir, é evidencia clara de que estamos diante de um embusteiro, e não de um verdadeiro cientista.
  • Neto  27/03/2013 21:48
    'O comportamentalismo (criado por Skenner, aquele admirador de Mao) se impôs como se fosse ciência.'

    Skinner.
    Mas é ciência mesmo, e de fato o behaviorismo é o único motivo pra psicologia ser considerada uma ciência.
  • Neto  27/03/2013 21:58
    E o cara pode ser admirador de Mao, do Fidel, ou do cão; nada disso implica que a teoria psicológica dele vai estar errada.
    Como é engraçado ter que explicar a falácia do ad hominem pra alguém que se diz admirador da lógica e do pensamento racional.

  • Renato Souza  28/03/2013 11:19
    Neto

    O fato dele ser admirador de Mao não implica em que suas teses estavam erradas, mas eu não afirmei o contrário. Veja essa minha afirmação apenas como uma expressão de antipatia por Skinner, e não como um argumento, e não achei que alguém interpretaria isso como um argumento. Não apresentei argumento nenhum, não acho que este seja lugar para discutir isso, e cada um que pesquise e tire suas próprias conclusões. Mas relendo o comentário depois, noto que o que era apenas uma expressão natural de antipatia, pode parecer a alguém uma tentativa de argumentar ad hominem. Então agradeço o fato de você ter me chamado a atenção.

    Comportamentalistas coletam uma grande quantidade de informações estatísticas sobre o comportamento humano, mas isso não significa que as suas bases teóricas estejam certas, embora essa coleção de dados possa ter bastante utilidade real. Da mesma forma que monetaristas e keynesianos coletam e consolidam muitos dados estatísticos, os quais bem utilizados podem ter boa aplicação prática (como por exemplo, provar que monetaristas e keynesianos estáo errados).

    Grande parte do que se chama comportamentalismo, hoje em dia, pouco tem a ver com as principais bases teóricas propostas inicialmente por Skinner. Pode-se dizer que nem os comportamentalistas são realmente seguidores de Skinner. Comportamentalismo tornou-se mais o nome de um método do que de um conteúdo.
  • Teórico  27/03/2013 14:14
    O equilíbrio estável na teoria neoclássica corresponde a uma situação ideal: o pleno emprego dos fatores de produção. As hipóteses da ergodicidade e da neutralidade da moeda permitem o pleno funcionamento da Lei de Say. Todavia, ao se introduzirem a incerteza e as propriedades essenciais da moeda no sistema econômico, a igualdade constante entre renda e gastos correntes, proposta por aquela lei, torna-se inviável. A partir disso, a busca de segurança na moeda, em uma realidade não ergódica, faz com que o equilíbrio (não predeterminado) possa ocorrer fora do pleno emprego. Políticas públicas surgem como um elemento necessário para melhorar a performance da economia, via regulação da demanda efetiva. Em outras palavras, as instituições são necessárias à reprodução do sistema capitalista uma vez que suas forças endógenas não lhe garantem uma regulação sustentável, e muito menos o pleno emprego.



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