Menger, o Revolucionário

"Nunca viveram ao mesmo tempo", escreveu Ludwig von Mises, "mais que uma vintena de pessoas cuja contribuição à ciência econômica pudesse ser considerada essencial."[1] Um desses homens foi Carl Menger (1840-1921), Professor de Economia Política da Universidade de Viena e fundador da Escola Austríaca de Economia.

A obra pioneira de Menger, Grundsätze der Volkswirtschaftslehre [Princípios de Economia Política], publicada em 1871, não apenas introduziu o conceito de análise marginal, como também apresentou uma abordagem radicalmente nova sobre a análise econômica, análise essa que ainda forma o núcleo da teoria austríaca do valor e dos preços.

Ao contrário de seus contemporâneos William Stanley Jevons e Leon Walras, que independentemente desenvolveram conceitos de utilidade marginal durante os anos 1870, Menger preferiu uma abordagem que fosse dedutiva, teleológica, e, em um sentido fundamental, humanística. Conquanto Menger compartilhasse com seus contemporâneos a preferência pelo raciocínio abstrato, ele estava primordialmente interessado em explicar como funcionavam as ações de pessoas reais no mundo real, e não em criar representações artificiais e estilizadas da realidade.

Para Menger, a economia é o estudo das escolhas propositais dos seres humanos, a relação entre meios e fins. Ele começa seu tratado dizendo que "Todas as coisas estão sujeitas à lei da causa e efeito. Não existe exceção para esse grande princípio."[2] Jevons e Walras rejeitavam causa e efeito em favor de uma determinação simultânea - a idéia de que sistemas complexos podem ser modelados como sendo sistemas de equações simultâneas que acreditam que nenhuma variável pode "causar" uma outra variável. Essa se tornou a abordagem padrão da ciência econômica atual, e é aceita por quase todos os economistas, exceto os seguidores de Carl Menger.

Menger tentou explicar o sistema de preços como sendo o resultado de interações voluntárias e propositais entre compradores e vendedores, cada qual guiado por suas próprias e subjetivas avaliações sobre a capacidade de vários bens e serviços em satisfazer seus objetivos (o que hoje chamamos de utilidade marginal, um termo que foi posteriormente cunhado por Friedrich von Wieser). Assim, o comércio é o resultado de tentativas deliberadas das pessoas em melhorar seu bem-estar, e não de uma "propensão inata para mascatear, permutar ou trocar", como foi sugerido por Adam Smith.[3] As quantias exatas de bens comercializados - seus preços, em outras palavras - são determinadas pelos valores que os indivíduos atribuem às unidades marginais desses bens. Havendo um único vendedor e um único comprador, bens serão trocados desde que os participantes concordem consensualmente com um valor de troca que deixe ambos melhor do que estavam antes.

Em um mercado com muitos compradores e vendedores, o preço reflete as valorações do comprador menos propenso a comprar e do vendedor menos propenso a vender, situação esta que representa aquilo que Böhm-Bawerk chamaria de "pares marginais". Com cada transação sendo voluntária, então, os ganhos da troca são momentaneamente exauridos, independentemente da exata estrutura do mercado. A grande explicação geral dada por Menger sobre a formação de preços continua a formar o âmago da microeconomia austríaca.

A análise de Menger foi rotulada de "causal-realista", parcialmente para enfatizar a distinção entre a abordagem de Menger e aquela dos economistas neoclássicos. Além de seu enfoque em relações causais, a análise de Menger é realista no sentido não de que ele procurou desenvolver modelos formais de relações econômicas hipotéticas, mas no de explicar os preços que realmente são praticados diariamente nos mercados reais. Os economistas clássicos tinham explicado que os preços são o resultado do equilíbrio entre a oferta e a demanda, mas eles não apresentaram uma teoria satisfatória de como ocorre a valoração das coisas, de modo que fosse explicada a propensão dos compradores a pagar por bens e serviços.

Ao rejeitarem o subjetivismo que molda essa valoração, os economistas clássicos tendiam a tratar a demanda como algo relativamente trivial, e se concentraram em condições hipotéticas de "longo prazo", em que as características "objetivas" dos bens - e mais importante, seus custos de produção - iriam determinar seus preços. Os economistas clássicos também tendiam a agrupar fatores de produção em categorias mais amplas - terra, trabalho e capital -, o que fez com que eles fossem incapazes de explicar os preços de unidades discretas e heterogêneas desses fatores. Menger percebeu que os preços efetivos pagos por bens e serviços refletiam não algumas características objetivas e "intrínsecas" deles, mas sim a utilidade que compradores e vendedores, subjetivamente, percebiam em cada unidade discreta desses bens e serviços.

Princípios foi escrito com a intenção de ser um volume introdutório para uma obra de vários volumes. Infelizmente, esses outros volumes jamais foram escritos. Menger não desenvolveu explicitamente o conceito de custo de oportunidade, não expandiu suas análises para explicar os preços dos fatores de produção, e não desenvolveu a teoria do cálculo monetário. Esses avanços viriam depois, com seus alunos e discípulos Eugen von Böhm-Bawerk, Friedrich von Wieser, J. B. Clark, Philip Wicksteed, Frank A. Fetter, Herbert J. Davenport, Ludwig von Mises, e F. A. Hayek. Entretanto, muitas das idéias mais importantes estão implícitas nas análises de Menger.

Por exemplo, sua distinção entre bens de "ordens" mais altas e mais baixas, ao referir-se aos seus lugares na seqüência cronológica de produção, constitui o núcleo da teoria austríaca do capital, um de seus mais importantes e distintos elementos. De fato, Menger enfatiza a passagem do tempo em toda a sua análise, uma ênfase que ainda não foi adotada pela teoria econômica mainstream.

Enquanto muitos tratados econômicos contemporâneos são túrgidos e enfadonhos, o livro de Menger é notavelmente fácil de ler, mesmo hoje. Sua prosa é lúcida, sua análise é lógica e sistemática, e seus exemplos são claros e informativos. Princípios permanece uma excelente introdução ao raciocínio econômico e, para o especialista, a demonstração clássica dos princípios nucleares da Escola Austríaca.

Como Hayek escreveu no seu prefácio deste livro, a importância da Escola Austríaca "se deve inteiramente às fundações erguidas por este homem". No entanto, ao passo que Menger é universalmente reconhecido como o fundador da Escola Austríaca, seu enfoque causal-realista para a formação de preços não é sempre apreciado, mesmo dentro da atual economia austríaca.

Karen Vaughn, por exemplo, caracteriza a teoria dos preços de Menger como sendo essencialmente neoclássica, argumentando que a sua distinta contribuição austríaca está em "suas várias referências a problemas de conhecimento e ignorância, suas discussões sobre o aparecimento e a função das instituições, sobre a importância das articulações de processos de ajustamento, e em suas várias referências ao progresso da humanidade".[4] Essas questões, que atraíram considerável atenção durante o "renascimento austríaco" nos anos 1970, aparecem no livro de Menger Untersuchungen über die Methode der Socialwissenschaften und der politischen Oekonomie insbesondere [Investigações sobre o Método das Ciências Sociais com Especial Referência à Economia], de 1883.[5] No entanto, eles estão em grande parte ausentes em Princípios. O livro que fundou a Escola Austríaca foca-se na essência da valoração, das trocas e dos preços, e não no desequilíbrio, no conhecimento implícito e no subjetivismo radical.

Outra notável característica da contribuição de Menger é que ela apareceu em alemão, sendo que o enfoque dominante à época na comunidade acadêmica cujo idioma era o alemão era aquele defendido pela "mais jovem" escola historicista alemã, que abstinha-se de análises teóricas do todo em favor de estudos históricos indutivos e ideologizados. Os mais talentosos economistas teóricos, os clássicos ingleses como John Stuart Mill, eram praticamente desconhecidos dos escritores alemães.

Como Hayek observou, "Na Inglaterra, o progresso da teoria econômica apenas se estagnou. Na Alemanha, uma segunda geração de economistas históricos cresceu não apenas nunca tendo se familiarizado com o bem desenvolvido sistema teórico que já existia, como também tendo aprendido a considerar qualquer tipo de especulação teórica como sendo inútil, se não prejudicial". A abordagem de Menger - arrogantemente descartada pelo líder da escola historicista alemã, Gustav Schmoller, como sendo meramente "austríaca", daí a origem do rótulo - levou a um renascimento da economia teórica na Europa e, mais tarde, nos EUA.

Em resumo, os conceitos nucleares da economia austríaca contemporânea - ação humana, meios e fins, valor subjetivo, análise marginal, individualismo metodológico, estrutura temporal da produção, e assim por diante - junto com a teoria austríaca do valor e dos preços, que formam a alma da análise austríaca, tudo isso advém da obra pioneira de Menger. Como Joseph Salerno escreveu, "a economia austríaca é, sempre foi e para sempre permanecerá, a economia mengeriana."[6]

 


[1] Ludwig von Mises, Human Action: A Treatise on Economics (Scholar's Edition, Auburn, Alabama.: Mises Institute, 1998), p. 869.

[2] Esse volume, p. XX.

[3] Adam Smith, A Riqueza das Nações [1776], ed. R. H. Campbell, A. S. Skinner, e W. B. Toddd (Indianapolis: LibertyClassics, 1981), Livro I, p. 24.

[4] Karen I Vaughn, Austrian Economics in America: The Migration of a Tradition (Cambridge: Cambridge University Press, 1994), pp. 18-19.

[5] Carl Menger, Investigations into the Method of the Social Sciences, with Special Reference to Economics, ed. Louis Schneider, tradutor Francis J. Nock (New York: New York University Press, 1985).

[6] Joseph T. Salerno, "Carl Menger: The Founder of the Austrian School," em Randall G. Holcombe, ed., Fifteen Great Austrian Economists (Auburn, Alabama.: Mises Institute, 1999), PAGE.

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SOBRE O AUTOR

Peter G. Klein
leciona economia na University of Missouri. Esse texto é o seu prefácio para a nova edição de Princípios de Economia Política, publicado pelo Mises Institute (2007). Klein paticipa do blog do site Organizations and Markets.

Tradução de Leandro Augusto Gomes Roque


"ajustar as atividades produtivas de acordo com as mais urgentes demandas dos consumidores não pode ser redução de salário?"

Não. Ajustar as atividades produtivas de acordo com as mais urgentes demandas dos consumidores significa produzir e vender exatamente aquilo que o consumidor quer. Se o empreendedor vai pagar salário astronômico ou mínimo para a mão-de-obra, isso é totalmente irrelevante para o consumidor.

"o trabalho não é fator de produção (um dos)"

Sim.

"o trabalho é um recurso escasso?"

Mão-de-obra é, por definição, algo escasso. Por isso mesmo, sempre haverá mais demanda por mão-de-obra do que mão-de-obra efetivamente disponível.

Falta mão-de-obra para tanto emprego disponível.

Sendo assim, a taxa de desemprego sempre deveria ser zero e os salários dos empregados sempre tende ao aumento. E por que o desemprego não é zero?
Por causa disso.

"demanda pode ser "criada" pelo marketing?"

Desejo pode ser criado pelo marketing, não demanda. Demanda significa aquisição. Eu tenho desejo por uma mansão, por um helicóptero e por uma Ferrari, mas não tenho como demandá-los porque não tenho o poder aquisitivo para os três. E não há marketing que me faça demandar esses três itens. Resta-me apenas desejar.

"sobre o trabalho escravo, nem entrei no mérito e na discussão sobre quando havia mais lucro e riqueza. Mas, o trabalho escravo é um fato que ainda existe. Existe por interferência governamental ou porque tem muitos empresários gananciosos e que buscam o lucro a qualquer custo (humano inclusive)?"

Ué, ainda existe trabalho escravo? Não sabia. Ainda existem pessoas trabalhando sem salário, sob chicotadas, proibidas de pararem de trabalhar e proibidas de pedirem demissão? Não sabia. Manda aí um link, por favor.

Até onde sei, nenhum indivíduo sai escravizado de sua casa e é levado a contragosto para trabalhos compulsórios. Um indivíduo, por definição, encontra trabalho porque saiu à procura de trabalho. Sua intenção sempre é melhorar de vida. Ele faz isso porque quer; porque a situação atual (sem trabalho) não lhe é atraente. Se ele está disposto a "trabalhar muito" é porque ele acha que assim ficará em situação melhor do que aquela em que se encontrava até então.

A menos que você comprove que o indivíduo está sendo [u]obrigado[u] a trabalhar sob a ameaça de um chicote, sem a opção de sair do emprego quando quiser, tal escolha sempre será benéfica para ele.

E se ele se sujeita a condições que para nós parecem degradantes é porque, para ele, aquilo ainda é melhor do que a situação econômica em que ele se encontrava antes. Cabe a você provar que esse indivíduo foi seqüestrado, levado a um emprego e ali mantido em cativeiro, contra sua vontade, sendo proibido de parar de trabalhar. Caso isso não tenha acontecido, então a única conclusão empírica é que esse indivíduo ainda prefere seu atual trabalho (assalariado) ao desemprego.
Errado.

Na economia, conhecemos a causa de tudo, pois a ação humana, ao contrário do movimento das pedras, é motivada. Sendo assim, é possível construir a ciência econômica partindo de axiomas básicos -- como a existência incontestável da ação humana e as implicações lógicas da ação --, axiomas estes que são originalmente reconhecidos como verdadeiros.

Destes axiomas, podemos deduzir passo a passo várias leis que também são reconhecidas como incontestavelmente verdadeiras. E este conhecimento é absoluto, e não relativo, exatamente porque os axiomas originais já são conhecidos. Eis alguns exemplos:

• Sempre que duas pessoas, A e B, se envolvem em uma troca voluntária, ambas esperam se beneficiar desta troca. E elas devem ter ordens de preferência inversas para os bens e serviços trocados, de modo que A valoriza mais aquilo que ele recebe de B do que aquilo ele dá para B, e B avalia as mesmas coisas do modo contrário.

• Sempre que uma troca não é voluntária e ocorre em decorrência de uma coerção, uma parte se beneficia à custa da outra.

• Sempre que a oferta de um bem aumenta em uma unidade, contanto que cada unidade seja considerada idêntica em utilidade por uma pessoa, o valor imputado a esta unidade deve ser menor que o da unidade imediatamente anterior.

• Entre dois produtores, se A é mais eficiente do que B na produção de dois tipos de bens, eles ainda assim podem participar de uma divisão de trabalho mutuamente benéfica. Isto porque a produtividade física geral será maior se "A" se especializar na produção de um bem que ele possa produzir mais eficientemente, em vez de "A" e "B" produzirem ambos os bens autônoma e separadamente.

• Sempre que leis de salário mínimo forem impostas obrigando os salários a serem maiores do que os salários que vigorariam em um livre mercado, um desemprego involuntário será o resultado.

• Sempre que a quantidade de dinheiro na economia aumentar sem que a demanda por dinheiro também seja elevada, o poder de compra da moeda irá diminuir.

Por outro lado, não existem elementos simples ou "fatos da natureza" na ação humana; os eventos da história são fenômenos complexos, os quais não podem "testar" nada. Eles, por si sós, somente podem ser explicados se forem aplicadas várias teorias relevantes aos diferentes aspectos de um determinado "fato" complexo que está sendo analisado.

Por que a matemática é tão útil na física? Exatamente porque os próprios axiomas utilizados, bem como as leis deles deduzidas, são desconhecidos e, com efeito, sem significado. Seu significado é exclusivamente "operacional", uma vez que eles são significantes somente na medida em que podem explicar determinados fatos.

Por exemplo, a equação da lei da gravidade, por si só, não tem sentido nenhum; ela só adquire sentido quando nós humanos observamos determinados fatos que a lei pode explicar. Consequentemente, a matemática, que efetua operações dedutivas sobre símbolos por si só inexpressivos (sem significado), é perfeitamente apropriada para os métodos da física.

A ciência econômica, por outro lado, parte de um axioma que é conhecido e possui significado para todos nós: a ação humana. Dado que a ação humana, em si própria, possui significado (o que não quer dizer que ela sempre será avaliada como racional e correta), todas as leis deduzidas passo a passo da ação humana são significativas.

Esta é a resposta para aqueles críticos que exigiram que Mises utilizasse métodos da lógica matemática em vez da lógica verbal. Ora, se a lógica matemática tem de lidar com símbolos inexpressivos, então seu uso iria destituir a economia de todo o seu significado.

Por outro lado, a lógica verbal permite que toda e qualquer lei tenha sentido quando deduzida. As leis da economia já são conhecidas aprioristicamente como significativamente verdadeiras; elas não têm de recorrer a testes "operacionais" para adquirir significância. O máximo que a matemática pode fazer, portanto, é converter laboriosamente símbolos verbais em símbolos formais inexpressivos e, então, passo a passo, reconvertê-los em palavras.

www.mises.org.br/Article.aspx?id=1690
O melhor a fazer, no caso de dúvida, é perguntar a quem conseguiu sobreviver à Cuba, ou imigrou de certa forma. Conheci uma cubana que imigrou há alguns anos, formada em Teologia por lá. Ela contou, e parecia ter medo de falar ou vergonha, que muitos do que vivem em Cuba, necessitam dois empregos para conseguirem viver pelo menos dignamente. Como ela fazia. E quanto aos médicos tão bem falados na boca dos brasileiros, têm de ir de bicicleta para o trabalho e chegam com as mãos tremendo para realizar cirurgias.
O que me faz questionar como seria se o mundo todo fosse socialista e Cuba não tivesse sido isolada tantos anos pelo embargo econômico americano. E por esta mesma linha de pensamento me perguntou porque não olhamos para países como Zimbabwe. A solução não está na mudança drástica para o socialismo, mas em uma evolução gradual do capitalismo que minimize as diferenças tão abruptas que temos em nosso mundo. Será possível um hemisfério sul e norte com os mesmo índices de desenvolvimento humano ? Fico nessa dúvida.

Alguns fatos sobre Zimbabwe.
Desde 2000 encontra-se em uma profunda crise, além da hiperinflação, há um alto índice de desemprego, pobreza e uma crônica escassez de combustíveis, alimentos e moedas estrangeiras.

A hiperinflação vem destruindo a economia do país, arrasando com o sector produtivo. Uma medida governamental congelou os preços, causando desabastecimento, fortalecimento do mercado negro e prisão de comerciantes contrários à medida.[3]

Em Julho de 2007, foi lançada a cédula de 200 mil dólares zimbabweanos, que apesar do elevado valor de face, é capaz de comprar pouco mais do que um quilo de açúcar. No mercado paralelo, a moeda era cotada a 1 dólar americano.[2] Em maio de 2008, foi lançada a cédula de 500 milhões[4] e em julho do mesmo ano foram lançadas cédulas com valores a partir de 100 biliões de dólares zimbabweanos.

Houve uma reforma monetária que entrou em vigor em agosto deste mesmo ano, no entanto, a taxa inflacionária parece não ceder, havendo projeções de que haja a necessidade de nova reforma em breve.

ARTIGOS - ÚLTIMOS 7 DIAS

  • Luís Dietz  20/11/2010 15:53
    Olá, tenho uma duvida sobre Menger e creio que aqui seja o melhor local para perguntar. Desde ja aviso que eu posso estar com os meus conceitos errados, se for esse o caso peço que desconsiderem a pergunta e apontem os meus erros conceituais. Vamos a questão:

    Menger diferentemente de Jevons e Walras acreditava que a utilidade total era igual a multiplicação da utilidade marginal do último bem pelo numero de bens. Jevons e Walras acreditavam que a utilidade total é o somatório de todos as utilidades marginais. Para mim essa segunda opção parece muito mais razoável, visto que consigo chegar a alguns absurdos levando em consideração a idéia de Menger. Seria isso um erro na teoria de Menger?

    Deixe eu exemplificar. Suponha que você esta morrendo de sede e compra dois copos de limonada. O primeiro copo mata a sua sede e o segundo você bebe apenas por gostar de limonada. Suponhamos também que você confere ao segundo copo menos da metade da utilidade do primeiro. Sendo assim chegaríamos a conclusão que para Menger comprar um copo de limonada traz mais utilidade do que dois copos, o que me parece um contra censo.

    O mesmo pode acontecer com bens que são tão abundantes que atribuímos uma utilidade marginal tendendo a zero. A utilidade total desses bens tenderiam a zero???!!!!!!
  • Leandro  20/11/2010 16:02
    Prezado Luís, essa é uma definição errada de utilidade marginal. Menger nunca disse que a "utilidade total era igual a multiplicação da utilidade marginal do último bem pelo numero de bens".

    Tampouco o exemplo da água é um exemplo de utilidade marginal. O exemplo da água é um exemplo da "lei da saciação", algo que Mises teve muito cuidado em não confundir.

    Permita-me dar um exemplo que vai ajudar a entender a definição de utilidade marginal:

    Se um indivíduo possui 5 carros idênticos, os quais satisfazem completamente todos os seus desejos, então o valor de cada carro será determinado pela importância que esse indivíduo atribui ao quinto carro que ele possui (no sentido de que há um ranking de preferências pelos carros, e supondo que o quinto carro é o menos importante para ele). Assim, se ele por exemplo perder esse quinto carro, o valor de um carro aumentaria de acordo com a satisfação que ele agora tira do quarto carro no seu ranking de importância.

    Caso ele perdesse 4 carros, ficando com apenas um, o valor desse único carro restante aumentaria enormemente, e o indivíduo agora passaria a valorizá-lo de acordo com a importância que esse único carro tem para ele na satisfação de todos os seus afazeres diários.

    Por outro lado, caso ele ganhasse num sorteio 100 carros iguais -- um número que excede em muito a hipótese inicial de que 5 carros o satisfazem completamente --, então a utilidade marginal e o valor de cada carro agora seria de zero, pois a satisfação de todos os seus desejos automobilísticos não dependeria da posse de um centésimo carro -- aliás, não dependeria nem mesmo de um sexto carro.

    Portanto, o valor que um indivíduo atribui a uma unidade de uma determinada quantidade de bens é igual à importância que ele dá à satisfação da necessidade menos importante propiciada por essa unidade.

    Se você está com fome e tem várias cédulas de 5 reais, perder uma cédula não lhe fará diferença alguma. Por outro lado, se você, estando com a mesma fome de antes, porém tendo agora apenas uma cédula de 5 reais, perder essa cédula, isso pode significar a diferença entre comer e morrer de fome. Logo, sua utilidade marginal para a cédula de 5 reais é nula no primeiro caso e, no segundo caso, possui o valor de sua vida.


    Creio que agora deve ter ficado mais claro o real conceito de utilidade marginal explicado por Menger.
  • Luís Dietz  20/11/2010 20:28
    Ok Leandro, admito que foi infeliz a forma como expressei a idéia de Menger. Mas a minha duvida ainda persiste. O conceito de utilidade marginal basicamente não muda na abordagem dos 3 autores, mas a idéia de uma utilidade total sim.

    Usando o seu mesmo exemplo dos carros, dependendo de qual utilidade a pessoa atribua para cada carro subsequente (caso a utilidade diminua muito) poderemos chegar ao cumulo de admitir que este indivíduo consegue extrair utilidade da perda de um carro.

    E essa é a minha dúvida. Abordar a questão desta forma não leva a erros?
  • Leandro  20/11/2010 22:42
    Prezado Luís, não existe algo como soma de utilidades. Tampouco existe comparação de utilidades. Não existem operações matemáticas que possam ser feitas com utilidades. Utilidade seria uma espécie de graduação, um ranking totalmente subjetivo. E só.

    Você pode dizer, por exemplo, que gosta mais da sua atual namorada do que da antiga, ou que prefere um amigo a outro, mas jamais poderá quantificar tal preferência.

    Sobre a utilidade aumentar quando se perde algo, isso é sim possível, mas teria de ser uma situação muito específica. No exemplo dos carros, não consigo visualizar como uma perda poderia melhorar a utilidade do indivíduo. (Não confunda aumento da utilidade de cada carro com aumento da utilidade extraída pelo indivíduo).
  • Luis Dietz  21/11/2010 06:01
    Segundo o wikipédia:

    "A utilidade total de um bem cresce quando se consome maiores quantidades dele, mas seu incremento da utilidade marginal é cada vez menor."

    Segundo suas próprias palavras:

    "Se um indivíduo possui 5 carros idênticos, os quais satisfazem completamente todos os seus desejos, então o valor de cada carro será determinado pela importância que esse indivíduo atribui ao quinto carro que ele possui (no sentido de que há um ranking de preferências pelos carros, e supondo que o quinto carro é o menos importante para ele). Assim, se ele por exemplo perder esse quinto carro, o valor de um carro aumentaria de acordo com a satisfação que ele agora tira do quarto carro no seu ranking de importância."

    Você fez uma ótima definição de utilidade total, na verdade melhor que a do wikipédia.Você mesmo disse que a utilidade de cada carro será igual a utilidade marginal, logo existe algo que podemos chamar de utilidade que esses carros como um todo geram. Nesse exemplo se a utilidade marginal aumentar em mais de 25% com a perda de um carro, ja chegaremos ao absurdo de dizer que a perda de um carro seria bom para o individuo, pois aumentará sua utilidade total (além da marginal que sempre aumenta).

    Negar a existencia de uma utilidade total é como dizer que não existem uma manada de elefantes, mas sim 10 elefantes individuais agrupados.

    O que eu estou querendo mostrar é que talvez Menger extivesse errado ao fazer essa definição. Dizer que a utilidade de cada bem é igual a utilidade marginal daquele bem para mim é o erro que ele cometeu. Minha intenção aqui era confirmar se ele realmente havia dito isso, e segundo as suas palavras sim.
  • Luis Dietz  21/11/2010 09:43
    Lendo este artigo eu acho que consegui elucidar a minha duvida e entender porque eu não consiguia lhe compreender.

    Esta minha duvida veio após ler o livro de História do Pensamento Economico do Stanley Brue e ele considera utilidade de Menger, Walras e Jevons como a mesma coisa, por isso o erro que gera ao tentar se chegar a utilidade total na visão de Menger.

    Mas convenhamos que talvez fosse melhor criar outro termo para a utilidade usada por Menger. Prioridade seria melhor, afinal é uma lista de prioridades. Utilidade remete a valores (que lógicamente não são numéricos mas ainda assim são valores) enquanto o que você esta tentando me mostrar são prioridades (e por isso de não haver uma prioridade total). Dizer prioridade marginal seria muito melhor eu acho. São dois conceitos diferentes pelo o que eu entendi, não consigo entender o porque de se usar o mesmo termo para ambos.

    Se eu ainda estiver errado me corrija.

    Enfim, desculpe meu incomodo.
  • Luis Dietz  21/11/2010 13:47
    [a href="www.mises.org.br/Article.aspx?id=269"]Este artigo.[/a]
  • Daniel Marchi  22/04/2011 11:44
    A Biblioteca do IMB está cada vez melhor, mas faltam as obras de Carl Menger, fundador da Escola Austríaca. Fica a sugestão.
  • mcmoraes  10/08/2012 07:09
    ... até o final dos anos 80 (do sec. XIX), não havia a Escola Austríaca, havia apenas Carl Menger... (The Birth of the Austrian School)
  • Pedro  12/11/2012 20:30
    Quando será que a biblioteca do site irá disponibilizar as principais obras de Menger e de Böhm-Bawerk? Eu quero muito começar a estudar a Escola Austríaca do início, de seus fundadores, mas tenho alguns problemas com o inglês, seria muito bom se fossem disponibilizados os livros deles.

    Bom... fica a dica.
  • Herdeiro de Carl Menger  30/11/2012 09:58
    O livro do Carl menger tem aqui:
    www.libertarianismo.org/livros/pdepcm.pdf
  • Amarilio Adolfo da Silva de Souza  23/06/2013 22:47
    Interessante.
  • Emerson Luis, um Psicologo  04/09/2013 18:46
    Assim como o lápis é resultado do trabalho de muitas pessoas, as ideias também.

    * * *


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