Economia em um único artigo - Eu, o Lápis

Certa vez, quando me pus a contemplar o miraculoso processo de criação de um simples lápis de grafite, tive aquele lampejo: Aposto que não há uma só pessoa na terra que saiba como fazer uma coisa tão simples como um lápis.

Se isso pudesse ser demonstrado, tal fenômeno iria retratar vigorosamente o milagre que é o mercado, e ajudaria a deixar claro que todos os objetos fabricados são manifestações puras do processo de energia criativa, do processo de trocas gerido por essa energia criativa.  Acima de tudo, deixaria claro que tais fenômenos são, na realidade, fenômenos espirituais.  As lições de economia política que isso poderia ensinar seriam enormes!

A essa ideia seguiu-se um inesquecível dia em uma fábrica de lápis, começando na plataforma de desembarque da matéria prima, passando por cada uma das várias fases de transformações, e concluindo tudo em uma entrevista com o químico responsável.

Tivesse você visto o que eu vi, certamente também teria iniciado uma cordial amizade com esse incrível personagem: EU, O LÁPIS.

Sendo ele próprio um escritor, deixemos que EU, O LÁPIS fale por si só.

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Eu sou um lápis de grafite — daqueles lápis comuns de madeira, conhecidos de todas as crianças e adultos que sabem ler e escrever.

Escrever é minha vocação e minha profissão; é tudo o que eu faço.

Você pode se perguntar o que me leva a escrever uma genealogia.  Bem, pra começar, minha história é interessante.  E, depois, sou um mistério — mais do que uma árvore ou um pôr-do-sol ou até mesmo um relâmpago.  Mas, infelizmente, não sou devidamente considerado por aqueles que me usam, que me veem como se eu fosse uma mera ocorrência natural, sem todo um histórico de experiências.  Essa atitude desdenhosa relega-me ao nível da trivialidade.  Esse é um tipo de erro lamentável no qual a humanidade não pode persistir por muito tempo sem riscos.  Como o sábio G. K. Chesterton observou, "Nossa decadência vem da falta de maravilhamento, não da falta de maravilhas."

Eu, o Lápis, apesar de parecer simples, mereço todo seu maravilhamento e espanto, como tentarei demonstrar. Na verdade, se você tentar me compreender — não, isso é pedir demais de alguém —, se você puder perceber a maravilha que eu simbolizo, você pode ajudar a salvar a liberdade que a humanidade está infelizmente perdendo. Tenho uma lição profunda a ensinar.  E posso ensiná-la melhor do que um automóvel ou um avião ou uma máquina lava-louças porque... bem, porque eu sou aparentemente muito simples.

Simples?  Sim.  E mesmo assim, não há uma única pessoa na face da terra que consiga me produzir.  Parece fantástico, não?  Especialmente quando se sabe que, apenas nos EUA, existem em torno de um a um bilhão e meio da membros da minha espécie produzidos a cada ano.

Pegue-me e dê uma boa olhada.  O que você vê?  Não há muito o que contemplar: há um pouco de madeira, verniz, a marca impressa, a ponta de grafite, um pouco de metal e uma borracha.

Inúmeros antepassados

Assim como você não pode rastrear o passado de sua árvore genealógica até muito longe, também me é impossível nomear e explicar todos os meus antepassados.  Mas eu gostaria de citar alguns deles para que você se impressione com a riqueza e complexidade do meu passado.

Minha árvore genealógica começa com aquilo que de fato é uma árvore de verdade, um cedro nascido da semente que cresce no nordeste da Califórnia e no estado do Oregon.  Agora visualize todas as serras e caminhões e cordas e outros incontáveis instrumentos usados para cortar e carregar os troncos de cedro até a beira da ferrovia.  Pense em todas as pessoas e suas inumeráveis capacidades que concorreram para minha fabricação: a escavação de minerais, a fabricação do aço e seu refinamento em serras, machados, motores: todo o trabalho que faz com que as plantas passem por vários estágios até se tornarem cordas fortes e pesadas; os campos de exploração de madeira com suas camas e refeitórios, a cozinha e a produção de toda a comida para os lenhadores.  Milhares de pessoas têm participação em cada copo de café que os lenhadores bebem.

Os troncos são enviados para uma serraria em San Leandro, Califórnia.  Você é capaz de imaginar todos os indivíduos que fizeram os vagões, os trilhos e as locomotivas, e que construíram e instalaram todos os sistemas de comunicação para tudo isso?  Essas multidões estão entre os meus antepassados.

Considere o trabalho dessa serraria em San Leandro.  Os troncos de cedro são cortados em pequenas tiras do comprimento de um lápis com menos de 7 milímetros de espessura.  Essas tiras de madeira são queimadas no forno e em seguida são coloridas, pela mesma razão que as mulheres colocam maquiagem em seus rostos.  As pessoas preferem que eu tenha uma aparência bonita, e não um branco pálido. As tiras são enceradas e levadas novamente ao forno.  Quantas habilidades foram necessárias para a fabricação da tintura e dos fornos?  E para prover o calor, a luz e a eletricidade, as correias e seus acoplamentos, os motores, e tudo o mais que uma serraria requer?  Os faxineiros da serraria estão entre os meus antepassados?  Sim, e também os homens que despejaram o concreto para a construção da represa da hidroelétrica que forneceu a energia da serraria!

E não se esqueça de todos os antepassados atuais e distantes que participaram do transporte dos sessenta vagões carregados dessas tiras de madeira através do país.

Uma vez na fábrica de lápis — US$ 27.700.000,00 (valores atualizados) em maquinário e construção, tudo capital acumulado pelos meus pais que pouparam e foram frugais —, uma máquina complexa faz oito entalhes em cada tira de madeira.  Após isso, outra máquina deposita a ponta de grafite, aplica a cola e coloca outra tira em cima da tira anterior — um sanduíche de grafite, por assim dizer.  Sete irmãos e eu somos mecanicamente esculpidos por meio desse processo de "ensanduichamento de madeira".

Minha ponta de grafite também é complexa.  O grafite vem de minas no Sri Lanka.  Pense nos mineradores, naqueles que fabricam suas diversas ferramentas, nos fabricantes dos sacos de papel nos quais o grafite é enviado, naqueles que fazem os cordões que amarram os sacos, naqueles que os embarcam nos navios e naqueles que fabricam os navios.  Até os zeladores das torres de farol auxiliaram no meu nascimento — além dos pilotos que conduzem os navios quando estes chegam aos portos, também conhecidos como práticos.

O grafite é misturado com argila vinda do Mississipi, em cujo processo de refinamento se usa hidróxido de amônio.  Agentes umedecedores são então adicionados, como sebo sulfonado — gorduras animais reagidas quimicamente com ácido sulfúrico.  Depois de passar por numerosas máquinas, a mistura finalmente surge na forma de filetes expelidos (processo conhecido como extrusão) — como se saíssem de um moedor de carne —, cortados no tamanho certo, secos e assados por várias horas a mais de 1.000 graus Celsius.  Para alisar e aumentar sua resistência, as pontas são então tratadas com uma mistura quente que inclui cera candelilla do México, parafina e gorduras naturais hidrogenadas.

Minha madeira recebe seis camadas de verniz.  Você sabe todos os ingredientes do verniz?  Quem poderia imaginar que os cultivadores de mamona e os refinadores de óleo de mamona fazem parte?  Mas fazem.  Aliás, até os processos pelos quais o verniz adquire um belo tom de amarelo envolvem a perícia de mais pessoas do que qualquer um pode enumerar!

Observe minha marca.  Ela é um filme formado pela aplicação de calor sobre carbono negro misturado com resinas.  Como se faz resinas?  E, por favor me diga, o que é carbono negro?

Meu pedaço de metal na ponta superior — o arco — é de latão.  Pense em todas as pessoas que mineram zinco e cobre, e naquelas que possuem as habilidades para fazer brilhantes placas de latão com esses produtos da natureza.  As pequenas manilhas no meu arco de metal são níquel preto.  O que é níquel preto e como ele é aplicado?  A história completa sobre o porquê do centro do meu arco de metal não possuir níquel preto levaria páginas para explicar.

Então há a minha gloriosa coroação, a borracha, a parte que o homem usa para apagar os erros que ele comete comigo.  São os ingredientes abrasivos que apagam. Produtos feitos pela reação do óleo de semente de colza das colônias holandesas com cloreto sulfúrico.  A borracha, contrária ao senso comum, é só para dar consistência.  E então, também, há numerosos agentes vulcanizantes e aceleradores.  A lixa vem da Itália; e o pigmento que colore a borracha é o sulfeto de cádmio.

Ninguém sabe

Alguém deseja contestar minha afirmação anterior de que não há sequer uma pessoa na face da terra que saiba como me fazer?

Realmente, milhões de seres humanos participaram da minha criação, e nenhum deles sabe mais do que alguns dos outros.  Agora, você pode dizer que estou indo longe demais ao relacionar os colhedores de café no Brasil — e em outros lugares — à minha criação, e que essa é uma posição extremada.  Mantenho minha posição.  Não há uma única pessoa em todos esse milhões, incluindo o presidente da empresa frabricante do lápis, que contribuiu com mais do que uma mínima, ínfima porção de conhecimento.  Do ponto de vista técnico e prático, única diferença entre o minerador da grafite e o lenhador no estado do Oregon é o tipo do conhecimento.  Nem o minerador nem o lenhador podem ser dispensados, tampouco se pode dispensar o químico da fábrica ou o trabalhador da refinaria de petróleo — já que a parafina é um subproduto do petróleo.

Aqui vai um fato assombroso: nem o trabalhador da refinaria petróleo, nem o químico, nem o escavador do grafite ou da argila, nem os homens que fazem os navios ou trens ou caminhões, nem aquele que controla a máquina que arremata meu pedaço de metal, nem o presidente da empresa fazem seu trabalho particular porque eles me querem.  Cada um me deseja menos, talvez, do que uma criança na primeira série.  Sem dúvida, existem alguns nesta vasta multidão que nunca viram um lápis ou não sabem como utilizá-lo.  Sua motivação é outra.  É mais ou menos assim: Cada um desses milhões vê que ele pode, deste modo, trocar seu pequenino conhecimento por bens e serviços que deseja ou dos quais necessita.  E eu posso estar ou não entre esses itens.

Sem uma mente superior planejadora

Há um fato ainda mais espantoso: a ausência de uma mente planejadora, de alguém ditando, ou direcionando forçosamente essas incontáveis ações que me permitem existir.  Não há sinal da existência dessa pessoa.  Em vez disso, vemos apenas o trabalho da mão invisível.  Esse é o mistério a que me referi anteriormente.

Diz-se que "apenas Deus pode fazer uma árvore".  Por que concordamos com isso?  Não é porque percebemos que nós mesmos não conseguimos fazer uma?  Conseguimos realmente explicar uma árvore?  Não, exceto em termos superficiais.  Podemos dizer, por exemplo, que uma determinada configuração molecular se manifesta como uma árvore.  Mas qual é o intelecto entre os homens que poderia sequer memorizar as constantes mudanças que acontecem na extensão da vida de uma árvore?  Essa façanha é absolutamente impensável!

Eu, o Lápis, sou uma combinação complexa de milagres: árvore, zinco, cobre, grafite e muito mais.  Mas, a esses milagres que se manifestam na natureza, um milagre ainda mais extraordinário foi adicionado: a disposição das energias criativas humanas — milhões de minúsculos conhecimentos configurando naturalmente e espontaneamente uma resposta à necessidade e ao desejo humano, sem precisar de qualquer mente superior! Se apenas Deus pode fazer uma árvore, também insisto que apenas Deus pode me fazer.  Homens não conseguem dirigir esses milhões de conhecimentos para me trazer à "vida", assim como não conseguem ajustar as moléculas para criar uma árvore.

O parágrafo anterior mostra o que procurei expressar quando disse "se você puder perceber a maravilha que eu simbolizo, você pode ajudar a salvar a liberdade que a humanidade infelizmente está perdendo".  Se alguém atentar para o fato de que esses conhecimentos irão naturalmente, até mesmo automaticamente, arranjar-se em padrões produtivos e criativos em resposta às necessidades e demandas humanas — ou seja, na ausência de um governo ou qualquer outra mente superior coercitiva —, então este alguém possuirá um ingrediente absolutamente essencial para a liberdade — a fé nas pessoas livres.  A liberdade é impossível sem essa fé.

Uma vez que o governo obteve o monopólio de uma atividade criativa como, por exemplo, a entrega de correspondências, a maioria dos indivíduos passou a acreditar que as cartas não poderiam ser entregues eficientemente pela ação livre dos homens.  E aqui está a razão: cada um reconhece que ele próprio não sabe como fazer acontecer todas as circunstâncias para a entrega de correspondências.  Essas suposições estão corretas.  Nenhum indivíduo possui conhecimento suficiente para efetuar a entrega de correspondências para toda a nação, assim como nenhum indivíduo possui conhecimento suficiente para fazer um lápis.  Agora, na ausência da fé em pessoas livres — sem a percepção de que milhões de pequeninos conhecimentos podem naturalmente e miraculosamente se formar e cooperarem para satisfazer suas necessidades — o indivíduo só pode concluir equivocadamente que a correspondência só pode ser entregue graças à "mente superior" do governo.

Fartura de testemunhos

Se eu, o Lápis, fosse o único item que pudesse oferecer testemunho sobre o que homens e mulheres podem realizar quando têm liberdade para empreender, então aqueles com pouca fé teriam um argumento justo.  No entanto, há uma fartura de testemunhos: estão à nossa volta, ao nosso alcance.  A entrega de correspondência é extremamente simples quando comparada com, por exemplo, a fabricação de um automóvel ou uma calculadora ou uma máquina agrícola ou dezenas de milhares de outras coisas.  

Entrega?  Aliás, onde os homens puderam se aventurar nessa área, eles conseguiram fazer a entrega da voz humana em menos de um segundo: entregam um evento visualmente e em movimento na casa de qualquer pessoa no momento em que está acontecendo; entregam 200 passageiros de uma cidade a outra em questão de horas; entregam gás de uma cidade à fornalha de alguém em outra cidade a preços inacreditavelmente baixos e sem subsídio; entregam um quilo de óleo do Golfo Pérsico no oeste americano — meia volta ao mundo — por menos do que o governo cobra para entregar uma carta de 50 gramas ao outro lado da rua!

A lição que eu tenho para ensinar é a seguinte: deixem que as energias criativas permaneçam desimpedidas. Simplesmente deixem que a sociedade se organize espontaneamente para que ela aja em harmonia com essa lição.  Deixem que os aparatos legais da sociedade removam todos os obstáculos da melhor forma possível. Permitam que esses conhecimentos fluam livremente.  Tenham fé que homens e mulheres irão responder à mão invisível.  Essa fé será confirmada.  Eu, o Lápis, aparentemente tão simples, ofereço o milagre da minha criação como um testemunho de que essa fé é real, tão real quanto o sol, a chuva, o cedro.  Tão real quanto a Terra.


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SOBRE O AUTOR

Leonard Read
foi o fundador do instituto Foundation for Economic Education -- o primeiro moderno think tank libertário dos EUA -- e foi amplamente responsável pelo renascimento da tradição liberal no pós-guerra.


"ajustar as atividades produtivas de acordo com as mais urgentes demandas dos consumidores não pode ser redução de salário?"

Não. Ajustar as atividades produtivas de acordo com as mais urgentes demandas dos consumidores significa produzir e vender exatamente aquilo que o consumidor quer. Se o empreendedor vai pagar salário astronômico ou mínimo para a mão-de-obra, isso é totalmente irrelevante para o consumidor.

"o trabalho não é fator de produção (um dos)"

Sim.

"o trabalho é um recurso escasso?"

Mão-de-obra é, por definição, algo escasso. Por isso mesmo, sempre haverá mais demanda por mão-de-obra do que mão-de-obra efetivamente disponível.

Falta mão-de-obra para tanto emprego disponível.

Sendo assim, a taxa de desemprego sempre deveria ser zero e os salários dos empregados sempre tende ao aumento. E por que o desemprego não é zero?
Por causa disso.

"demanda pode ser "criada" pelo marketing?"

Desejo pode ser criado pelo marketing, não demanda. Demanda significa aquisição. Eu tenho desejo por uma mansão, por um helicóptero e por uma Ferrari, mas não tenho como demandá-los porque não tenho o poder aquisitivo para os três. E não há marketing que me faça demandar esses três itens. Resta-me apenas desejar.

"sobre o trabalho escravo, nem entrei no mérito e na discussão sobre quando havia mais lucro e riqueza. Mas, o trabalho escravo é um fato que ainda existe. Existe por interferência governamental ou porque tem muitos empresários gananciosos e que buscam o lucro a qualquer custo (humano inclusive)?"

Ué, ainda existe trabalho escravo? Não sabia. Ainda existem pessoas trabalhando sem salário, sob chicotadas, proibidas de pararem de trabalhar e proibidas de pedirem demissão? Não sabia. Manda aí um link, por favor.

Até onde sei, nenhum indivíduo sai escravizado de sua casa e é levado a contragosto para trabalhos compulsórios. Um indivíduo, por definição, encontra trabalho porque saiu à procura de trabalho. Sua intenção sempre é melhorar de vida. Ele faz isso porque quer; porque a situação atual (sem trabalho) não lhe é atraente. Se ele está disposto a "trabalhar muito" é porque ele acha que assim ficará em situação melhor do que aquela em que se encontrava até então.

A menos que você comprove que o indivíduo está sendo [u]obrigado[u] a trabalhar sob a ameaça de um chicote, sem a opção de sair do emprego quando quiser, tal escolha sempre será benéfica para ele.

E se ele se sujeita a condições que para nós parecem degradantes é porque, para ele, aquilo ainda é melhor do que a situação econômica em que ele se encontrava antes. Cabe a você provar que esse indivíduo foi seqüestrado, levado a um emprego e ali mantido em cativeiro, contra sua vontade, sendo proibido de parar de trabalhar. Caso isso não tenha acontecido, então a única conclusão empírica é que esse indivíduo ainda prefere seu atual trabalho (assalariado) ao desemprego.
Errado.

Na economia, conhecemos a causa de tudo, pois a ação humana, ao contrário do movimento das pedras, é motivada. Sendo assim, é possível construir a ciência econômica partindo de axiomas básicos -- como a existência incontestável da ação humana e as implicações lógicas da ação --, axiomas estes que são originalmente reconhecidos como verdadeiros.

Destes axiomas, podemos deduzir passo a passo várias leis que também são reconhecidas como incontestavelmente verdadeiras. E este conhecimento é absoluto, e não relativo, exatamente porque os axiomas originais já são conhecidos. Eis alguns exemplos:

• Sempre que duas pessoas, A e B, se envolvem em uma troca voluntária, ambas esperam se beneficiar desta troca. E elas devem ter ordens de preferência inversas para os bens e serviços trocados, de modo que A valoriza mais aquilo que ele recebe de B do que aquilo ele dá para B, e B avalia as mesmas coisas do modo contrário.

• Sempre que uma troca não é voluntária e ocorre em decorrência de uma coerção, uma parte se beneficia à custa da outra.

• Sempre que a oferta de um bem aumenta em uma unidade, contanto que cada unidade seja considerada idêntica em utilidade por uma pessoa, o valor imputado a esta unidade deve ser menor que o da unidade imediatamente anterior.

• Entre dois produtores, se A é mais eficiente do que B na produção de dois tipos de bens, eles ainda assim podem participar de uma divisão de trabalho mutuamente benéfica. Isto porque a produtividade física geral será maior se "A" se especializar na produção de um bem que ele possa produzir mais eficientemente, em vez de "A" e "B" produzirem ambos os bens autônoma e separadamente.

• Sempre que leis de salário mínimo forem impostas obrigando os salários a serem maiores do que os salários que vigorariam em um livre mercado, um desemprego involuntário será o resultado.

• Sempre que a quantidade de dinheiro na economia aumentar sem que a demanda por dinheiro também seja elevada, o poder de compra da moeda irá diminuir.

Por outro lado, não existem elementos simples ou "fatos da natureza" na ação humana; os eventos da história são fenômenos complexos, os quais não podem "testar" nada. Eles, por si sós, somente podem ser explicados se forem aplicadas várias teorias relevantes aos diferentes aspectos de um determinado "fato" complexo que está sendo analisado.

Por que a matemática é tão útil na física? Exatamente porque os próprios axiomas utilizados, bem como as leis deles deduzidas, são desconhecidos e, com efeito, sem significado. Seu significado é exclusivamente "operacional", uma vez que eles são significantes somente na medida em que podem explicar determinados fatos.

Por exemplo, a equação da lei da gravidade, por si só, não tem sentido nenhum; ela só adquire sentido quando nós humanos observamos determinados fatos que a lei pode explicar. Consequentemente, a matemática, que efetua operações dedutivas sobre símbolos por si só inexpressivos (sem significado), é perfeitamente apropriada para os métodos da física.

A ciência econômica, por outro lado, parte de um axioma que é conhecido e possui significado para todos nós: a ação humana. Dado que a ação humana, em si própria, possui significado (o que não quer dizer que ela sempre será avaliada como racional e correta), todas as leis deduzidas passo a passo da ação humana são significativas.

Esta é a resposta para aqueles críticos que exigiram que Mises utilizasse métodos da lógica matemática em vez da lógica verbal. Ora, se a lógica matemática tem de lidar com símbolos inexpressivos, então seu uso iria destituir a economia de todo o seu significado.

Por outro lado, a lógica verbal permite que toda e qualquer lei tenha sentido quando deduzida. As leis da economia já são conhecidas aprioristicamente como significativamente verdadeiras; elas não têm de recorrer a testes "operacionais" para adquirir significância. O máximo que a matemática pode fazer, portanto, é converter laboriosamente símbolos verbais em símbolos formais inexpressivos e, então, passo a passo, reconvertê-los em palavras.

www.mises.org.br/Article.aspx?id=1690
O melhor a fazer, no caso de dúvida, é perguntar a quem conseguiu sobreviver à Cuba, ou imigrou de certa forma. Conheci uma cubana que imigrou há alguns anos, formada em Teologia por lá. Ela contou, e parecia ter medo de falar ou vergonha, que muitos do que vivem em Cuba, necessitam dois empregos para conseguirem viver pelo menos dignamente. Como ela fazia. E quanto aos médicos tão bem falados na boca dos brasileiros, têm de ir de bicicleta para o trabalho e chegam com as mãos tremendo para realizar cirurgias.
O que me faz questionar como seria se o mundo todo fosse socialista e Cuba não tivesse sido isolada tantos anos pelo embargo econômico americano. E por esta mesma linha de pensamento me perguntou porque não olhamos para países como Zimbabwe. A solução não está na mudança drástica para o socialismo, mas em uma evolução gradual do capitalismo que minimize as diferenças tão abruptas que temos em nosso mundo. Será possível um hemisfério sul e norte com os mesmo índices de desenvolvimento humano ? Fico nessa dúvida.

Alguns fatos sobre Zimbabwe.
Desde 2000 encontra-se em uma profunda crise, além da hiperinflação, há um alto índice de desemprego, pobreza e uma crônica escassez de combustíveis, alimentos e moedas estrangeiras.

A hiperinflação vem destruindo a economia do país, arrasando com o sector produtivo. Uma medida governamental congelou os preços, causando desabastecimento, fortalecimento do mercado negro e prisão de comerciantes contrários à medida.[3]

Em Julho de 2007, foi lançada a cédula de 200 mil dólares zimbabweanos, que apesar do elevado valor de face, é capaz de comprar pouco mais do que um quilo de açúcar. No mercado paralelo, a moeda era cotada a 1 dólar americano.[2] Em maio de 2008, foi lançada a cédula de 500 milhões[4] e em julho do mesmo ano foram lançadas cédulas com valores a partir de 100 biliões de dólares zimbabweanos.

Houve uma reforma monetária que entrou em vigor em agosto deste mesmo ano, no entanto, a taxa inflacionária parece não ceder, havendo projeções de que haja a necessidade de nova reforma em breve.

ARTIGOS - ÚLTIMOS 7 DIAS

  • Ulisses Alfredo Santos Lima  18/10/2010 14:13
    Como faz falta o Miltão \r
    \r
    \r
    A divisão do trabalho é uma das coisas mais fantásticas que o homem descobriu nos primórdios da era industrial.\r
    \r
  • mcmoraes  21/10/2010 12:04
    Vc sente falta do Miltão? Aquele que acreditava que:

    1) os impostos da déc. de 50 não prejudicavam os fundamentos da economia de mercado;
    2) economistas deviam ser conselheiros de estado;
    3) existe um ramo da economia relacionado à teoria dos impostos q é desconexo do resto da teoria econômica;
    4) economistas devem projetar medidas de intervenção estatal em busca de resultados ótimos.

    (Fonte: trecho da página 214 do "Speaking of Liberty", tradução minha.)



  • Hueber  14/01/2013 03:36
    E desde quando tem que se concordar 100% com alguém, para se aproveitar de algo bom? Não seja arrogante.
  • Miguel A.E. Corgosinho  18/10/2010 17:29
    Vivemos num país em que os "economistas" consideram desprezível a coesão de um ponto de partida e reflexão para potencializar a sociedade industrial, e acabamos ficando sem uma crítica alternativa disposta a ser pensante da economia.

    Com esperança na mão invisível, países com grandes riquezas inexploradas dependem do pais poderoso que lhes nega a realidade e a outros submete ao seu capital.

    O lapis é apenas um objeto das tres classes de conceitos matemáticos que se repetem na passagem da produção para o plano mais elevado que aguarda o principio vital do valor, e se preenche no meio externo.

    Ora, toda produção se divide em um ponto oposto: do seu interior (valor) para a perspectiva do seu meio exterior (a moeda)

    A criação do meio externo, como base monetária, permitiria que o Estado entendesse a sua natureza real e a propria correlação de forças da propriedade privada.

    É possível esse novo mundo (produto da essência das diferenças reais), para conectar os países à espacialidade externa, na forma oposta, em unidade para si.
  • RH  21/10/2010 12:27
    Heiiinn?
    Desculpe, Sr. Miguel, não entendi o que você quis dizer.
    Dá pra explicar?
    Grato,
    RH.
  • saoPaulo  13/01/2013 01:14
    Ele deve ter usado o "fantástico gerador de lero lero"...

    www.suicidiovirtual.net/dados/lerolero.html

    Fabricação do Lápis, com 5 frases:

    " A nível organizacional, a percepção das dificuldades talvez venha a ressaltar a relatividade dos paradigmas corporativos. É importante questionar o quanto o desenvolvimento contínuo de distintas formas de atuação exige a precisão e a definição dos modos de operação convencionais. Assim mesmo, o fenômeno da Internet deve passar por modificações independentemente do levantamento das variáveis envolvidas. O empenho em analisar a consulta aos diversos militantes facilita a criação dos relacionamentos verticais entre as hierarquias. Sendo assim,percebemos, cada vez mais, que a competitividade nas transações comerciais representa uma abertura para a melhoria do orçamento setorial."
  • Gustavo  13/01/2013 22:20
    O primeiro e o segundo paragrafos entendi:
    Complementando o primeiro, nao esquecam dos "psicologos". Me explico, na empresa onde trabalho foram contratados dois estagiarios, engenheiros eletricos ambos. Aquele sem conhecimentos de ingles foi para Engenharia, aquele com conhecimentos de ingles foi para Vendas. Que aconteceu? Aquele engenheiro com conhecimento de ingles (que queria criar, desenvolver) foi parar num setor que nao era do seu interesse. A sua motivacao foi para o chao. Ja nao trabalha na empresa, e duvido que fale bem dela.
    Em relacao ao segundo, vejam o caso argentino. O que acontece e que o Sr. Miguel (no meu entender) nao especifica de quem e a culpa, se do pais com as riquezas ou do pais com o dinheiro.
  • Filipe Altamir  18/10/2010 19:54
    Maravilhoso o artigo, gostei mesmo. Parabéns!
  • Miguel A. E. Corgosinho  22/10/2010 18:30
    RH. \r
    \r
    O que quis dizer é que, se quisermos, cada país que contribuir com algum elemento para riquezas inexploradas pode agregar uma espacialidade oposta, com conceitos matemáricos, chamada valor, a qual se torna padrão para qualquer outro objeto na produção.\r
    \r
    O mercado não faz nenhum milagre (mão invísivel) se não coordenar os principios da realidade num ponto oposto (meio da produção); e nem o lapis significa algo tão complexo que a economia não possa potencializar como capital - na passagem das perspecitivas da propriedade privada - criação do meio externo - independente do processo de endividamento do Estado. \r
    \r
    Ou seja: o problema é o país poderoso que que toma para si a existência da espacialidade externa(o valor) de todos os objetos, para submeter o mundo real à sua moeda.
  • Kleber  14/01/2013 12:06
    @Miguel,

    Me desculpe, você pode ser um gênio, mas meu QI não é suficientemente alto para entender tudo o que você escreve, se você for um gênio, minha dica é que você escolha melhor as palavras, gênios como Mises apesar de profundos eram claros ao transmitirem suas ideias, seu texto é confuso, e lembra um personagem do Chico Anísio chamado "Ronaldo Lero", apesar disso me parece claro que o país poderoso a que você se refere seria os EUA, se assim é, em parte eu discordo, quem melhor fez uso do capital no século passado, que foi um século de luz no desenvolvimento de magias tecnológicas, foram os EUA, seu poder se originou também do melhor uso que fez das forças empreendedoras (avião, telefone, televisão, rádio, automóvel, computador, internet, etc...). Os EUA disseminaram a modernidade para o mundo que conhecemos hoje. Mas concordo com você que o fluxo de capital, nem sempre foi limpo, e países do terceiro mundo com ajuda de seus próprios governantes foram saqueados nesse processo em uma espécie de fascismo às avessas (colaboração entre empresas multinacionais e governos corruptos), o livro Confessions of an Economic Hit Man de John Perkins explica bem o processo, e é uma interessante forma de reflexão sobre o capitalismo, parece que existe bastante o dedo do Diabo no processo de acumulação de capital assim como a escravidão, e em menor grau, o colonialismo, houve fluxo ilegal e antiético de recursos de países subdesenvolvidos para países desenvolvidos. De qualquer forma, gostaria de saber se vocês como libertários acreditam que seria possível a existência do mundo moderno sem a escravidão, o colonialismo, e apropriação ilícita de recursos de países do terceiro mundo que possibilitaram a acumulação de capital? Parece que a história nos mostra que a pujança, a glória, e o conforto de países exploradores foram conquistadas à custa da fome, miséria e sofrimento de países explorados. Mesmo assim países explorados hoje se beneficiam, ainda que em menor grau, do uso que os exploradores fizeram de seus recursos.
  • Shaolin  14/01/2013 12:23
    "gostaria de saber se vocês como libertários acreditam que seria possível a existência do mundo moderno sem a escravidão, o colonialismo, e apropriação ilícita de recursos de países do terceiro mundo que possibilitaram a acumulação de capital?"

    Isso foi piada, né? Quer dizer que toda a modernidade do mundo atual, toda a tecnologia, fartura e pujança só existem porque houve escravidão há 150 anos?

    Pior ainda: se isso fosse verdade, você estaria dizendo que trabalho escravo é mão-de-obra produtiva e de qualidade. Sim, pois para a escravidão ter possibilitado isso tudo 150 anos depois de abolida, ela tem de ser um prodígio.

    "Parece que a história nos mostra que a pujança, a glória, e o conforto de países exploradores foram conquistadas à custa da fome, miséria e sofrimento de países explorados. Mesmo assim países explorados hoje se beneficiam, ainda que em menor grau, do uso que os exploradores fizeram de seus recursos."

    Acumulação de capital não é algo que é feito de uma só vez e que dura para sempre, não. Recursos são escassos e são sempre exauridos. A pilhagem de recursos do Brasil pelos portugueses pode ter-lhes garantido uma ou no máximo duas décadas de alguma prosperidade. E só. Mais do que isso seria um milagre da transubstanciação da matéria-prima (recurso escasso) em bem infinito.

    Lamento abalar egos, mas a culpa de nosso atraso e pobreza é exclusivamente nossa. Esse negócio de querer culpar gringos de 150 anos atrás pela nossa atual situação é coisa de derrotado preguiçoso.
  • Kleber  14/01/2013 17:38
    @Shaolin,

    Isso foi piada, né? Quer dizer que toda a modernidade do mundo atual, toda a tecnologia, fartura e pujança só existem porque houve escravidão há 150 anos?

    Eu não disse isso, eu disse que houveram uma conjunção de fatores, e entre eles como citei, colonialismo, escravidão e exploração de recursos de países mais pobres por países mais ricos através de projetos de desenvolvimento econômico por meio de obras de infraestrutura superfaturadas e financiadas por organismos internacionais como Banco Mundial e FMI que canalizavam recursos para países como os EUA através de suas empresas de engenharia, e tendo os países endividados sob controle cobravam deles apoio político em votos de organismos internacionais como a ONU, e também submissão em questões geopolíticas, sendo que a brincadeira tinha início com a visita de autoridades econômicas que faziam estudos de viabilidade e compravam os governos em esquemas parecidos com as propinas que ocorrem na iniciativa privada, e por fim, caso tais governos recusassem esses acordos, eram coagidos de maneiras ainda menos lícitas.

    Se você acha que a culpa de nosso atraso é porque somos derrotados preguiçosos, você deveria ser menos histérico e estudar mais, entre a população brasileira e de outros países subdesenvolvidos existem pessoas tão trabalhadoras quanto as de países desenvolvidos, a causa desse atraso não tem nada a ver com mais ou menos trabalho, mas sim com o uso mais racional dos recursos econômicos por meio de políticas pró-mercado e também com a espoliação e esbulho dos recursos naturais de países menos desenvolvidos que também foi uma forma de acumulação de capital.
  • Leandro  14/01/2013 18:00
    Embora não haja dúvidas de que houve estes processos de corrupção e desvio de dinheiro, isso é uma falha moral de políticos e burocratas, e não das populações do primeiro mundo -- as quais, diga-se de passagem, são as que financiam os empréstimos feitos por esses órgãos internacionais aos países do terceiro mundo.

    Quanto à questão da pobreza, ela não pode ser imputada a outros países, mas apenas a nós mesmos.

    Uma economia pobre tem, obviamente, de criar riqueza. E o que cria riqueza? Divisão do trabalho, poupança, acumulação de capital, capacidade intelectual da população (se a população for burra, a mão-de-obra terá de ser importada), respeito à propriedade privada (o que implica baixa tributação), segurança institucional, desregulamentação econômica, moeda forte, ausência de inflação, empreendedorismo da população, leis confiáveis e estáveis, arcabouço jurídico sensato e independente, governo respeitador da liberdade etc.

    Se um país quiser criar riqueza, ele tem de obedecer a todos estes requisitos. Se, por outro lado, o país quiser continuar pobre, basta ele desrespeitar apenas alguns destes requisitos. Ser pobre é fácil. Enriquecer é que dá trabalho. A observação dos itens acima não depende da maneira como outros países nos tratam.

    Nova Zelândia e Austrália foram colônias, assim como Hong Kong e Cingapura. Estas duas últimas eram favelas a céu aberto na década de 1960 e hoje possuem renda per capita maior que a americana.

    Veja aqui a evolução do PIB per capita de Hong Kong (de US$3.080 em 1960 para US$37.352 em 2011

    E veja aqui a evolução do PIB per capita de Cingapura (de US$2.252 em 1960 para US$ 33.530 em 2011).

    Outros artigos relacionados:

    O que explica a pobreza em uma economia formada por pessoas laboriosas?

    A pobreza é fácil de ser explicada

    Sociedades pobres e sociedades ricas - o que faz a diferença

    Abraços!
  • Kleber  14/01/2013 22:57
    @Leandro

    Nova Zelândia e Austrália foram colônias, assim como Hong Kong e Cingapura. Estas duas últimas eram favelas a céu aberto na década de 1960 e hoje possuem renda per capita maior que a americana.

    Não discordo e nem refuto nenhuma de suas colocações, mesmo porque elas corroboram meus comentários sobre os fatores que contríbuiram para as diferenças entre países desenvolvidos e subdesenvolvidos.

    Todos os países citados por você (Nova Zelândia, Austrália, Hong Kong e Cingapura) foram colonizados segundo o modelo de colonização Inglês, certamente podemos inferir que esse modelo diferente do espanhol usado na maior parte da américa latina e o português no Brasil foi responsável pelas bases culturais e econômicas que possibilitaram o crescimento econômico deles após se livrarem do jugo da Inglaterra.

    O que eu quis dizer lá em cima é que a construção das sociedades colonizadas, se deram através da transmissão ou da ausência desta, do pensamento cultural e econômico do colonizador, quando houve essa transmissão os países não precisaram de institutos como IMB para disseminar esse conhecimento para população, eles se deram naturalmente, aí vem um sujeito como o @Shaolin dizer que eu estou colocando a culpa em Portugal, e que estou tendo um pensamento de derrotado preguiçoso, eu apenas analisei a História e constatei uma realidade, vocês dizem que devemos mudar o nosso modo de pensar e não culpar outros países, eu não culpei ninguém, só disse que se tivéssemos sido colonizados pelos Ingleses, muitos dos conceitos econômicos defendidos pelo IMB teriam encontrado espaço em algum momento na história de nosso País e isso teria feito toda a diferença, que o diga a renda per capita do Cingapurense.
  • Leandro  14/01/2013 23:30
    Nada a ver, Kleber. Jamaica, Índia e vários países da África tiveram colonização britânica e nem por isso são desenvolvidos. O Chile é colonização espanhola e é praticamente primeiro mundo. A Argentina, também colonização espanhola, estava entre os cinco países mais ricos do mundo no início do século XX. Depois degringolou geral (o que, por essa lógica, dá a entender que o fim da colonização espanhola foi ruim).

    Não há correlação. Subdesenvolvimento é culpa exclusiva de uma população e das políticas econômicas que ela defende.
  • Kleber  15/01/2013 00:54
    é culpa exclusiva de uma população e das políticas econômicas que ela defende.

    Leandro, mas o que faz a população do Chile ser diferente da Brasileira, e defender uma política econômica diferente da Brasileira, não é a cultura? Não é a educação?

    De que forma cultura e educação são estabelecidas em um país?

    O que fez o Cingapurense que vivia em favelas ao céu aberto antes dos anos 60 como você mencionou (Eles se tornaram independentes em 1959) pensar diferente do sul-americano ou africano?

    Muitas vezes a população nem é parte ativa na mudança do estado de coisas.

    No Chile por exemplo, que eu saiba Pinochet pediu a consultoria de Milton Friedman que mudou as coisas por lá, foi uma iniciativa do próprio ditador, não foi uma solicitação da população.

    População na maioria expressiva dos casos é massa de manobra, tanto é verdade, que mesmo em países desenvolvidos a situação é modificada ao sabor do interesse de quem possui o poder para manobrar.
  • Leandro  15/01/2013 01:17
    Concordo plenamente quanto à cultura e à educação, e é isso que falamos aqui. Mas você está dizendo que a raiz de tudo está no processo de colonização, o que não é verdade, como tentei demonstrar. Culpar fantasmas de nada adianta.
  • Kleber  16/01/2013 16:35
    Não Leandro, apenas disse que o processo de colonização fez diferença por causa das influências culturais, em nenhum momento discordei de você, você é que discordou de mim, talvez por achar que eu pensava o que você concluiu que eu pensei, "que a colonização seja a raiz dos problemas" e que eu estava "culpando fantasmas", não fiz nem uma coisa nem outra, não culpo portugueses e espanhóis (afinal o que fizeram foi legítimo se pensarmos em homesteading, apesar de haver controvérsias por causa da população indígena nativa), e não acredito que a colonização seja a raiz dos problemas, acho apenas que o processo colonizador explica em parte, a maior ou menor disposição às práticas de mercado pelos países colonizados, sem significar é claro que essa disposição se concretize na prática, mas que matematicamente existe uma inclinação não tenho dúvida disso, pois a História mostra essa estatística.

    E também não tenho dúvida de que a colonização (através da transferência de recursos), a escravatura (através da mão de obra de baixo custo) e processos ilícitos de acordos entre governos de países do terceiro mundo e multinacionais em conluio com seus governos de países desenvolvidos, proporcionaram a acumulação de capital responsável pela formação do mundo moderno.

    Estou dizendo que chegamos aqui através da acumulação de capital, por meio da espoliação, submissão masoquista de outros seres humanos ao sofrimento, e conluios, tramas e orquestrações de governos e empresas contra populações de países subdesenvolvidos (isto na ótica da acumulação de capital, não toquei na exploração dos governos de países desenvolvidos sobre suas próprias populações porque essa ótica é contra a acumulação de capital).

    Minha pergunta desde o início foi, se seria possível termos acumulado capital suficiente sem uma monarquia que centralizasse recursos e patrocinasse viagens exploratórias? Se seria possível o iluminismo sem a escuridão da idade média? E se seria possível o homem ter alcançado na idade média ou antes dela, o que ele pode alcançar hoje com o livre mercado após o surgimento de teorias econômicas que só puderam ser desenvolvidas à luz dos problemas existentes e trazidos a nós pela instituição do Estado, seja ele monárquico ou democrático?

    Não estou defendendo a monarquia e a democracia, mas estou sugerindo que elas podem ter sido partes importantes e consideráveis no processo de amadurecimento do pensamento econômico da humanidade. Pois como na matemática só pensamos nas soluções quando somos confrontados pelos problemas.

    Os homens macacos da idade da pedra, teriam condições de organizarem uma sociedade anarcocapitalista?

    Os homens de hoje em seu conjunto (e não apenas nas mentes mais maduras) estão prontos para uma sociedade anarcocapitalista?

    Se eles não estão, qual o horizonte de tempo para que passassem a estar? Estamos falando de 20, 50, 100 anos? É possível fazer projeções?



  • Renato Souza  17/01/2013 15:37
    Kleber

    Creio que você comete alguns erros importantes. Vou me concentrar em um deles. Você disse:

    "E também não tenho dúvida de que a colonização (através da transferência de recursos), a escravatura (através da mão de obra de baixo custo) e processos ilícitos de acordos entre governos de países do terceiro mundo e multinacionais em conluio com seus governos de países desenvolvidos, proporcionaram a acumulação de capital responsável pela formação do mundo moderno.

    Estou dizendo que chegamos aqui através da acumulação de capital, por meio da espoliação, submissão masoquista de outros seres humanos ao sofrimento, e conluios, tramas e orquestrações de governos e empresas contra populações de países subdesenvolvidos (isto na ótica da acumulação de capital, não toquei na exploração dos governos de países desenvolvidos sobre suas próprias populações porque essa ótica é contra a acumulação de capital)."

    Essa questão da suposta vantagem dos países colonizadores foi explicada por Adam Smith de forma bastante clara. Ele defendia que a colonização, ao contrário de fazer o país colonizador como um todo enriquecer, prejudica seu enriquecimento (embora enriquecesse certos grupos dentro do país). Conforme ele explicou, o simples comércio livre com os outros países seria mais vantajoso que a colonização. Manter colonias implica em gastos imensos. Os espanhóis e portugueses eram muito mais vorazes com suas colonias que os ingleses. Estes simplesmente impunham taxas, restrições ao comércio e monopólios. Além de fazerem tudo isso, os ibéricos simplesmentes se apropriavam diretamente de uma parte considerável do ouro e prata extraídos. Se fosse verdade que ter colônias enriquece os países, Espanha e Portugal teriam se tornado os países mais ricos do mundo. Conforme explicou Adam Smith, as políticas adotadas pelos governos desses países para impedir a exportação de prate e ouro, implicavam em tal prejuizo ao restante da economia deles mesmos que o resultado acabava por ser negativo.

    Veja que o século XIX foi o grande tempo de crescimento dos EUA em relação aos outro países. Nesta época deixaram de ser um país pobre e se tornaram um imensa potencia econômica. Mas foi justamente nessa época que foram menos intervencionistas. Ultrapassaram de longe a economia da Inglaterra, cujo imenso império se extendia por todos os continentes. Hoje, a marinha americana está em todos os mares, e sua economia está indo para o buraco.

    No fim do século XIX e início do XX, a economia russa era uma das que mais crescia no mundo. Crescia mais que a americana. Crescia não por causa de colônias que tivesse, mas simplesmente pelas forças do mercada. Após a revolução, se tornou um império, invadiu metade da Europa, e obrigou esses países invadidos a enviar para a "sede" do império uma grande quantidade de riquezes. Isto tornou o russos ricos? Um cidadão russo comum tinha menos riqueza que um negro sul-africano médio durante o aparthaid.

    Alemanha, os países escandinavos, a holanda, todos eles cresceram virtualmente sem colônias.

    Mas recentemente, vários países do leste asiático tiveram um crescimento excepcional, e não foi porque intervissem em outros países.

    Argentina se tornou um dos países mais ricos do mundo, não por qualquer colônia que tivesse, mas simplesmente por causa das forças do mercado. E se tornou um paisinho de merda, não por terem sido invadidos ou expoliados, mas simplesmente porque, ignorando o que os havia tornado ricos, destruiram as bases de sua própria prosperidade.

    Adam Smith definiu bem o processo colonial inglês, quando disse que o governo adquiriu e mantém para certos lojistas, terras em lugares distântes.

    Alguém dirá que empresários americanos usaram de corrupção contra outros países. Alegarão que o governo americano os auxiliou nisso. A pergunta é: Quando os EUA ficaram mais ricos que a maioria dos outros países? Quando tinham uma política externa muito mais fraca. Empresários muito ricos tendem a se tornar meta-capitalistas, e passam a ver o mercado com desconfiança, e se lançam em jogos sujos com governos (do próprio país ou de outros). Isso em qualquer país do mundo. Corrompem pessoas que se deixam corromper. O governo francês é muito mais fraco que o americano, mas é famoso por corromper governantes de outros países, em conluio com os empresários franceses da indústria armamentista. Porque outros governantes aceitam? Será por medo do governo frances? Ou será apenas por serem muito corruptos.

    Alguém dirá que o governo americano distorce o mercado agrícola mundial com sua política de subsídios domésticos, e que isso prejudica países pobres. Será que prejudica. Muitos países pobres deixaram de ser pobres, independentemente disso. Mas o que eles fazem é diferente do que fazem os governos da maioria dos países? A imensa maioria dos países, sejam ricos ou pobres, intervém na agropecuária. Isso é lá problema interno deles. E não os torna mais ricos, apenas prejudica seu crescimento.
  • Kleber  19/01/2013 13:30
    Renato,

    Em nenhum dos meus comentários eu defendi o colonialismo, apenas disse que ele foi um dos fatores do primitivo processo de acumulação de capital da humanidade, você muito bem argumentou que os espanhóis e portugueses não ficaram ricos com as riquezas expropriadas dos países colonizados, mas quem ficou? Onde foram parar essas riquezas? Voltaram de navio para o Brasil e outras colônias? Não, não voltaram. Elas foram parar na Inglaterra, cerne da revolução industrial.

    Como você deve saber a acumulação de capital se dá entre uma das seguintes maneiras:

    Descoberta, produção, troca, doação, ou roubo em suas diversas categorias (confisco, tributo, imposto, assalto, furto, latrocínio, estratagemas de empresas multinacionais em conluio com governos de outros países, estratagemas de empresas nacionais em conluio com o próprio governo nacional, etc...)

    Meu ponto é e sempre foi, se o atual progresso e desenvolvimento tecnológico e econômico da humanidade teria sido possível sem os primitivos e insustentáveis processos de acumulação de capital, que incluiem não só o colonialismo, a escravatura, e os ilícitos estratagemas de expropriações entre governos e países, mas também a própria instituição do Estado.

    Como eu já comentei, o iluminismo de onde se deram os germes das ideias clássicas liberais teria sido possível sem a escuridão da idade média?

    Não precisamos da dialética?

    A ordem das coisas não se dá através da lei que caracteriza a realidade como um movimento incessante e contraditório, condensável em três momentos sucessivos (tese, antítese, síntese) que se manifestam simultaneamente em todos os pensamentos humanos e em todos os fenômenos do mundo material?

    Não tenho dúvidas de que colonialismo, escravatura, conluios e estratagemas, e também Estados, são formas de acumulação de capital insustentáveis.

    Minha dúvida é se o atual estado de desenvolvimento tecnológico e econômico teria sido possível sem os insustentáveis processos de acumulação de riqueza citados acima?

    E se também uma sustentável sociedade anarcocapitalista poderia vir a existir, sem o radiográfico conhecimento (formado por contraste) adquirido através dos insustentáveis processos de acumulação de riqueza citados acima?

  • Renato Souza  20/01/2013 14:57
    Kleber

    Porque escravatura, espoliação e roubos seriam formas de acumulação de capital?

    Creio que você não entendeu o conceito de acumulação de capital dos economistas clássicos. Não é acumulação NO ESPAÇO, é acumulação NO TEMPO. Se 1 bilhão de trabalhadores estiverem fazendo uma pequena poupança, está acontecendo uma baita acumulação de capital. Deixa-se de usar agora a riqueza, para ter mais para usar depois. O mercado se encarregará de fazer esse capital acumulado ser utilizado em meios de produção. Se um ente roubar esse capital acumulado de 1 bilhão de pessoas, não aconteceu uma acumulação, aconteceu uma transferência de capital (coersiva, por sinal). Se esse ente usar mal esse capital, aconteceu destruição desse capital.

    Dizendo de outra forma, acumulação de capital é o não uso imediato de todos os bens produzidos, com vistas a permitir o uso futuro das riquezes, normalmente pela expansão ou melhoria dos meios de produção. Havendo essa expansão ou melhoria dos meios de produção, sabe-se que se poderá produzir bens a menor custo no futuro.

    Quanto ao tal ouro ibérico indo para a Inglaterra, acho muito engraçada essa estória. A apropriação do ouro e prata pelos ibéricos foi, em grande parte, um processo coercivo, uma verdadeira espoliação. Ja a apropriação do ouro e prata ibéricos pelos ingleses não foi um processo coercivo, mas uma livre troca. Se portugueses e espanhóis tinham tão alta preferência temporal que resolveram tomar empréstimos e pagar juros, problema deles.

    Você aparentemente supõe que os processos comerciais entre ibéricos e ingleses tornaram os ibéricos pobres. Isso me lembra um pouco a argumentação dos esquerdistas brasileiros: Visto que os EUA se recusam a comerciar com Cuba, isso empobrece os cubanos, mas se os EUA comerciassem com Cuba, essa seria a razão da pobreza dos cubanos. A culpa é sempre dos outros...

    Faça o seguinte: consiga uma estimativa razoável do valor transferido em ouro pela Espanha, numa década qualquer, em qualquer século a sua escolha, para a Inglaterra (seja a títudo de compras de produtos, pagamento de juros, pagamentos de serviços, etc). E obtenha uma estimativa da quantidade de riquezas produzidas dentro da Inglaterra nessa mesma década. Você descobrirá assombrado que MESMO QUE VOCÊ CONSIDERASSE ESSAS TROCAS COMERCIAIS COMO ESPOLIAÇÃO, seu valor seria muito pequeno perto da riqueza produzida pelos ingleses. E depois você teria de explicar porque a troca entre um onça de ouro e produtos no valor de uma onça de ouro seriam uma espoliação.
  • Kleber  21/01/2013 12:02
    Renato,

    Se um ente roubar esse capital acumulado de 1 bilhão de pessoas, não aconteceu uma acumulação, aconteceu uma transferência de capital (coersiva, por sinal). Se esse ente usar mal esse capital, aconteceu destruição desse capital.

    Se como governo, ladrão, mafioso ou qualquer definição que você me dê, eu sair roubando por aí as poupanças das pessoas, a ponto de roubar a poupança de 1 bilhão de pessoas eu terei acumulado o capital de 1 bilhão de pessoas e também terá ocorrido uma transferência do capital desse 1 bilhão de pessoas para mim, com essa acumulação de capital eu terei o suficiente para construir indústrias petroquímicas, automotivas, ou aeroespaciais, e continuar acumulando capital, ou poderei apostar tudo na loteria, se isso acontecer eu não irei destruir capital, mas estarei fazendo uma transferência de capital, esse capital em parte cairá na mão de uns poucos sortudos, em parte cairá na mão do governo, somente quando o governo usar esse capital de forma ineficiente é que ocorrerá a destruição do capital.

    Roubo também é acumulação de capital, isso é fácil de inferir (Se eu acumular através de roubo o capital que 10 pessoas pouparam, eu terei acumulado o capital de 10 pessoas através do meu roubo), mas se você precisa de um lastro de credibilidade para acreditar nisso, você poderá encontrar essa definição nos livros de Carl Menger, Mises, Rothbard ou Hans-Herman Hoppe, você não perderá tempo, eu te garanto, você irá encontrar, foi de lá que eu tirei esse "disparate".

    Você aparentemente supõe que os processos comerciais entre ibéricos e ingleses tornaram os ibéricos pobres.

    Em nenhum momento eu disse isso, mas quer saber em parte foi isso que aconteceu, mas como em qualquer processo comercial em que temos bons homens de negócios e homens que não sabem fazer negócios, o resultado é que a grana vai parar na mão do melhor negociante, ou pelo menos na mão do mais perspicaz, mas eu não defendi os ibéricos como você dá entender.

    Faça o seguinte: consiga uma estimativa razoável do valor transferido em ouro pela Espanha, numa década qualquer, em qualquer século a sua escolha, para a Inglaterra (seja a títudo de compras de produtos, pagamento de juros, pagamentos de serviços, etc). E obtenha uma estimativa da quantidade de riquezas produzidas dentro da Inglaterra nessa mesma década. Você descobrirá assombrado que MESMO QUE VOCÊ CONSIDERASSE ESSAS TROCAS COMERCIAIS COMO ESPOLIAÇÃO, seu valor seria muito pequeno perto da riqueza produzida pelos ingleses.

    Se eu seguisse seu conselho estaria me guiando pela lógica de apenas olhar o que se vê e deixar de olhar o que não se vê.

    Se você considerar que as fábricas, a matéria prima, e a mão de obra responsável pela produção das riquezas produzidas dentro da Inglaterra, tiveram que ser originalmente financiadas, e for atrás da fonte desse financiamento, você encontrará uma associação clara entre mercantilismo e revolução industrial.

    Aliás bastará buscar a definição de mercantilismo no Houaiss: Teoria e sistema de economia política, dominantes na Europa após o declínio do feudalismo, que, baseados no acúmulo de divisas em metais preciosos pelo Estado por meio de um comércio exterior de caráter protecionista, fortaleceram o colonialismo e proporcionaram o desenvolvimento industrial, com resultados lucrativos para as balanças comerciais.

    Eu não vejo nenhum rastro de socialismo em meus comentários, eu praticamente sou um libertário, e caso ainda não o seja, isso se deve apenas por algumas questões de geopolítica que ainda me deixam ressabiado e são muito bem argumentadas por conservadores, e que causam um nó ideológico difícil de desatar. Além é claro de não estar absolutamente convicto da viabilidade do anarcocapitalismo, mas esses entraves se dão muito provavelmente, mais por um medo irracional e falta de pesquisa da minha parte, do que deficiências na lógica de teorias libertárias.

    Então continuarei estudando, mas o processo de construção da sociedade moderna se deu da forma que eu descrevi aí em cima, acumulação de capital por meios escusos, é de chorar? É!!! Isso levou muita gente boa a considerar os absurdos ditos por Marx dignos de apreciação, levou!!!

    Mas ao mesmo tempo aqueles que realmente eram sensatos, logo a seguir souberam encontrar muitas falsas premissas em meio às verdadeiras.







  • Renato Souza  21/01/2013 15:06
    Kleber

    Veja que, quando alguém rouba o dinheiro que seria usado no consumo, e o investe em produção (capital), você pode dizer que houve acumulação de capital na sociedade.

    Mas no exemplo que dei, esse dinheiro já era poupança. Ninguém precisa deixar seu dinheiro parado (ainda mais se houver inflação), isso não faz sentido. E mesmo antes que houvesse inflação, essa não era a solução mais racional. Há dois milênios, Jesus contou a parábola dos talentos, e nela um dos personagens, o dono dos talentos (um certo peso de metal precioso) questiona um dos seus servos, sobre o motivo de ter escondido o valor que lhe foi confiado, em vez de leva-lo aos banqueiros. Mesmo naquela época, era mais seguro e rentoso deixar o dinheiro no banco do que debaixo do colchão. Dinheiro poupado é normalmente mais do que dinheiro entesourado. Ao entregar o dinheiro para os banqueiros, o trabalhador que poupa está fornecendo capital para todo tipo de atividade econômica. Parte disso vai para pessoas que querem bens de consumo, mas em grande parte vai para outras aplicações. Esse dinheiro poupado pelos pequenos, é em grande parte capital. Em grande parte, os capitalistas são simplesmente os próprios trabalhadores exercendo um outro papel na cadeia produtiva.

    Quanto à definição de Houaiss, a considero eivada das influências ideológicas que nos cercam. Muitas vezes, em muitos lugares, interesses econômicos e políticos estiveram em conluio contra a maior parte da sociedade, isto é, muitas vezes prevaleceu alguma forma de mercantilismo. Isso jamais havia gerado a revolução industrial. Então, em vários países da Europa, nem todos colonialistas, em um período razoavelmente curto de tempo, as indústrias sofrem uma revolução. Quando acontece isso? Por coincidência, num momento de grande efervescencia científica, cultural e técnica. E como a maioria analisa isso? Eles supõe esse evento inusitado da história humano foi causado pelo que já havia acontecido inúmeras vezes (alguma forma de mercantilismo) e não pelo que era especial daquela época (um nível de conhecimento científico e técnico nunca visto, numa sociedade passavelmente aberta). Ouso inferir que, mesmo sem a descoberta de novas terras, a revolução industrial aconteceria inevitavelmente. Talvez ele até fosse impossível num sistema econômico extremamente centralizado, mas num sistema parcialmente de mercado, como já era a Europa naquele tempo, me parece que era inevitável que o desenvolvimento técnico e científico fosse aproveitado na cadeia produtiva.
  • Angelo Viacava  15/01/2013 09:45
    Kleber:

    Não sei se faz diferença a que população se aplique este ou aquele princípio econômico. Se deres liberdade em qualquer lugar do mundo, as pessoas agirão de forma livre. Se promoveres um estado de coisas emperradas, burocráticas, estatais, as mesmas pessoas tentarão adaptar-se ao sistema vigente.

    Não sei se no Chile a população tinha tata influência nos tempos do Pinochet, mas o que se pode dizer é que a economia era deixada mais livre do que antes e depois dele.

    No Brasil, como a última época de liberdade mais ampla talvez tenha sido na era pré-Getúlio (agradeçam a nós, gaúchos), nem lembramos mais como era boa a liberdade. Isso se não foi nos tempos do império.

    No jornal Correio do Povo, de Porto Alegre, é publicada uma coluna com o nome "Há cem anos no Correio do Povo". Nesta coluna se vê tantas notícias da iniciativa privada implementando empreendimentos em Porto Alegre e no estado do RS como um todo, que parece outro país. É construção de cais no porto, empresas de transporte coletivo privadas e desregulamentadas surgindo e crescendo. Geração de energia em pequenas barragens pelo interior, tudo privado. Até as linhas de trem foram construídas por empresas privadas e depois estatizadas pelo governo tão bonzinho.
    O fato é que, quando o estado é alimentado, ele cresce. Quando a sociedade não é atrapalhada por um estado que cresce, a sociedade prospera livremente.
  • Renato Souza  14/01/2013 23:05
    Kleber

    Há algumas décadas, muitos países Leste asiático eram extremamente pobres. Ficaram ricos em tão pouco tempo, simplesmente acreditando nas trocas voluntárias. Qual a diferença entre esses países e a América do Sul (e mais ainda, a África)? Não estão no mesmo mundo que nós, sujeitos às mesmas pressões internacionais que nós, sujeitos aos mesmos esquemas de corrupção que nós.

    No outro extremo, a Argentina era um país bastante rico no começo do século XX, bem mais rico que a maioria dos países europeus. O que os levou a essa situação desastrosa que vivem agora? Não será o fato de terem adotado sistemáticamente políticas exatamente opostas às dos asiáticos?

    Aprenda um conceito básico: aquilo que é igual para todos, não pode ser o motivo de diferença nos resultados. Devemos procurar o motivo da diferença nas causas diferentes. A principal diferença entre extremo oriente, de um lado, e África e América do Sul, do outro, é a disposição dos primeiros para as trocas voluntárias, e a infinita fé dos últimos em que a ação do governo resolverá todos os seus problemas. Temos uma disposição estatista, aprendida desde cedo. Nós, os sul-americanos, desejamos a segurança da vida de escravos, com o governo nos ditando o que pensar, o que sentir, o que falar, quando sentir culpa, quando sentir alegria, como viver nossa vida, nos dando comida em troca de nossa fidelidade canina, nos dando um salário fixo e uma vida medíocre. Queremos que o partido domine tudo, e seja nosso feitor. Amamos "governos fortes", que planejem tudo, até o futuro de nossos filhos. Você dirá que isso é falso, que as pessoas não pedem para serem escravas! Será? Entenda isto: se você pedo do governo coisas que ele só pode dar se for um tirano, então você pede que o governo seja tirano. Você já trocou a sua liberdade (ou a liberdade de outras pessoas) pela sua comodidade.
  • Renato Souza  16/01/2013 15:07
    Kleber

    Meu último comentário foi escrito antes das suas réplicas. E concordo em grande parte com as suas réplicas. No seu comentário anterior, você focava em coisas como colonialismo e escravismo em séculos passados. Depois você focou na influência cultural, o que realmente é muito mais importante. A rapidez com que os países se desenvolvem, quando há mais liberdade de mercado, prova que a produtividade e liberdade de ação são muito mais importantes que condicionantes passados.

    Mas, embora eu julgue que a cultura trazida pelos colonizadores seja importante, a possibilidade prática das pessoas aplicarem a cultura do empreendedorismo é importantíssima. Coréia do Sul e Chile são exemplos disso. Enquanto outros ditadores buscavam soluções socialistas ou keynesianas, os ditadores desses países foram exceções, e deixaram livres o comércio e o empreendedorismo. Os resultados foram maravilhosos.
  • Antonio Galdiano  14/01/2013 13:52
    Miguel A. E. Corgosinho disse:

    "Ou seja: o problema é o país poderoso que que toma para si a existência da espacialidade externa(o valor) de todos os objetos, para submeter o mundo real à sua moeda."

    Sinceramente eu gostaria de saber qual é a base teórica desse tipo de argumentação. Qual é a corrente de pensamento que iguala espacialidade externa a valor?

    Quanto ao argumento em si: Não sou inteiramente avesso a este ponto específico do comentário. O produtor da poderosa nação x realmente está coagido a manter como reserva de valor a moeda de cunho forçado nacional de x. Nesse sentido, a livre negociação feita através de moedas de cunho forçado favorece o corpo político da nação x sim, uma vez que chancela seu "direito" de emissão, bem como favorece o corpo político da nação do comprador por motivo análogo.

    A moeda é uma ordem espontânea tão importante que até mesmo sob cunho forçado e sujeito a adulteração estatal (inflação) ela funciona e facilita trocas.
  • vitoria aparecida silva sobral  29/08/2012 09:18
    como assim simples???????
  • Victor Cezar  12/01/2013 14:00
    Como o livre-mercado é lindo!
  • Milton Friedman  12/01/2013 14:38
    Legal, é uma adaptção de algo que havia sido colocadojá pelo Milton Friedman.
  • Leandro  12/01/2013 14:44
    Muito pelo contrário. Foi Friedman quem se utilizou deste ensaio (que é de 1958).
  • Roberto  12/01/2013 16:33
    www.econlib.org/library/Essays/rdPncl0.html

    Méritos para ambos, cada qual com a sua contribuição.
  • kondde1@hotmail.com  12/01/2013 18:18
    Explendido, ainda mais com a citação de G. K. Chesterton, eu imagino que esse texto exista há um certo tempo, agora não consigo imaginar como eu nunca o li em sala de aulas..

    Obrigado!

    Att
  • Marc...  12/01/2013 18:20
    "Eu, Smartphone" é um vídeo baseado no ensaio "Eu, Lápis" escrito por Leonard Read, em 1958. "Eu Lápis" teve um impacto duradouro sobre a forma como pensamos sobre o processo de mercado. E porque o Institute for Faith, Work & Economics nos traz o exemplo de como como um smartphone é feito e por que é importante que você se importe? Porque Deus nos deu o processo de mercado como a ferramenta mais poderosa que temos em um mundo falido para servir uns aos outros, usando nossos dons.

  • Gustavo Sauer  12/01/2013 20:16
    Esse milagre do mercado é dado como um fenômeno simples e garantido por todos. Esse tipo de texto deveria estar presente em todas as aulas iniciais sobre o mercado. r
  • Giovani Albineli  13/01/2013 00:56
    Mais uma vez o "mises" me surpreende com tão bons textos. Parabéns aos responsáveis.
    Verdadeiras aulas de mercado, de civilidade, de consciência. Só lamento estarmos num país que caminha a passos largos na direção oposta.
  • Heisenberg  13/01/2013 02:47
    Senhores,

    Estava lendo a revista Piauí deste mês e me deparo com um artigo de André Lara Resende denominado "A propósito do Otimismo". Basicamente ele comenta, elogia e depois ridiculariza um livro e um autor que, na minha opnião, baseiam-se na Escola Austríaca.
    Estou comentando aqui por não saber de local melhor. Reproduzirei alguns trechos aqui e quem sabe alguém gostaria de pedir um direito de resposta à revista Piauí:

    " Compreende-se que o livro tenha sido premiado com o Prêmio Hayek. Ridley parece realmente um liberal progressista, não um conservador sob o manto do liberalismo, como é mais comum nos dias de hoje. Sustenta que os empresários, apesar de proclamarem o contrário, são sempre contra o mercado competitivo. Em conluio com a burocracia, criam todo tipo de barreiras à competição, organizam-se em oligopólios, tornam-se ineficientes e sem criatividade. Ridley é contra as patentes e a propriedade intelectual – o que é raro. Para ser coerente com o seu liberalismo, deveria se manifestar também contra as restrições à imigração, à liberdade de ir e vir, de decidir onde viver, talvez uma das mais básicas das liberdades. Mas seria pedir demais, concedo."
    " Segundo Ridley, essas inovações são estimuladas pelo mercado, pela escassez que eleva os preços e estimula o desenvolvimento de alternativas e os ganhos de eficiência. O argumento, mais uma vez, não é original. O progresso tecnológico, a seu tempo, se encarregará de tudo resolver. Ridley incorre, entretanto, num erro primário, mas infelizmente frequente. Serve-se da tese do mercado, do sistema de preços como transmissor de informações, para desqualificar o argumento dos riscos ecológicos. A grande maioria dos danos ecológicos, como a destruição da fauna, a poluição do ar, dos rios e dos oceanos, é exemplo de bens públicos, nos quais não há custo para o indivíduo que deles desfruta, mas há um custo coletivo. Os bens públicos são o caso clássico da chamada falha de mercado. Bens cujo custo coletivo do consumo não é passível de ter preços determinados pelo mercado. Em relação à questão dos limites físicos do planeta, da destruição do meio ambiente provocada pela ação humana sobre a Terra, confiar no sistema de preços de mercado – uma máquina efetivamente extraordinária de resolver problemas, como sustenta Hayek – não faz sentido. Qualquer aluno do curso básico de microeconomia deveria saber disso."

    "Em relação à questão ecológica, mais do que qualquer outra, para que a tese otimista seja defensável, é preciso que ela seja reformulada, não dependa exclusivamente do mercado e do sistema de preços. Os estímulos do sistema de preços não são os únicos responsáveis pela engenhosidade e imaginação humanas. A tese do otimismo só é defensável se desvinculada da defesa ideológica do mercado mesmo quando o mercado é reconhecidamente incompetente."

    Essa são as partes mais polêmicas na minha opnião. O artigo inteiro está na revista deste mês.
  • Max  13/01/2013 03:53
    Normal. Apenas mais um tucano fazendo mais uma de suas inúmeras concessões à agenda esquerdista, ávido para ser aceito pelo establishment que atualmente está no poder e que, pelo que tudo indica, não sairá tão cedo. Além das típicas concessões ambientalistas, ele infere que o estado é reconhecidamente competente para cuidar da natureza. Lixo puro.
  • anônimo  13/01/2013 17:29
    "Os bens públicos são o caso clássico da chamada falha de mercado."

    É a clássica inversão do ônus que os esquerdistas são mestre. É muito mal caratismo fazer uma afirmação dessa, ele ignora completamente a definição de mercado. E o pior é que ele ainda continua com uma explicação do que é bem público que refuta a afirmação inicial: "Bens cujo custo coletivo do consumo não é passível de ter preços determinados pelo mercado".
  • Anônimo  13/01/2013 23:50
    Atormenta-me saber que ele é um dos criadores do real.

    "Os bens públicos são o caso clássico da chamada falha de mercado. Bens cujo custo coletivo do consumo não é passível de ter preços determinados pelo mercado."

    Sim, X é exemplo da falha de Y sendo que Y não é aplicado para o funcionamento de X
    Obrigado, André.

    "O mau-funcionamento do meu computador é um caso clássico da chamada falha de controle remoto da TV. É um bem ao qual as regras do meu controle remoto não são aplicadas."
  • Kleber  14/01/2013 13:23
    Eu acho que o artigo é benéfico ao libertarianismo, pois estimula os libertários a fecharem brechas nas teses libertárias.

    O ponto é: A natureza é fundamental para o ser humano?

    A existência da humanidade é possível sem a natureza?

    Quais são as fontes de energia que sustentam a vida como conhecemos no planeta, minerais, água, vento, enfim, a natureza, se apenas consumíssemos essas fontes de energia, sem a mínima preocupação de exaurí-las seria possível a vida no planeta?

    Os recursos da natureza são finitos ou infinitos, se são finitos são passíveis de controle e moderação, ou seja, de economia?

    Se a natureza é fundamental, como poderíamos garantí-la em um sistema de livre mercado? Seria possível garantí-la sem a presença do Estado? De que forma?

    Eu tenho essas perguntas, ainda não encontrei nada convincente o bastante no libertarianismo que as respondessem por completo e definitivamente.

    Mas sei que em um mundo regulado pelo livre mercado, elas poderiam ser respondidas por meio da instituição da privatização da água por exemplo, que soa como um absurdo, mas que garantiria a proteção dos recursos hídricos pelo livre mercado, e que ao mesmo tempo poderia matar miseráveis de sede. Um monopólio da água, um recurso finito e vital para o ser humano, e pior sem substituto, não poderia levar a escravização da humanidade pelos monopolistas ou por um cartel de proprietários da água? (Privatizar a água seria possível?)

    Seria possível privatizar o ar, para garantir sua qualidade? (Acho difícil!)

    Seria possível privatizar florestas sem regulamentações de forma que fosse possível garantir reflorestamentos e não a substituição de florestas por outras atividades? (Para mim, essa é fácil, se elas fossem substituídas o preço de mercado de produtos como madeira e borracha subiriam ao ponto de fazê-las entrarem em voga novamente, como eu posso transpor essa mesma lógica para outros recursos naturais como água e ar, por exemplo?).

    Eu posso estar sendo ingênuo e vocês podem meter o pau, se conseguirem me responder essas perguntas, serei muito grato, pois minha consciência como simpatizante do libertarianismo vai obter um acréscimo de qualidade, que será inestimável.



  • Valmir Junior  06/09/2016 02:43
    Gostaria de saber se existem respostas para as perguntas sobre meio-ambiente que o Kleber fez logo acima, ele comentou em 2013 e fiquei na dúvida com as questões dele.
  • Pedro  13/01/2013 13:09
    Olá, eu sou novato em economia e não entendo muito do assunto, portanto gostaria que vocês me indicassem livros que expliquem o básico de economia, como inflação, deflação, o que forma os preços, etc, de preferencia livros neutros. Obrigado pela atenção.
  • Anônimo  13/01/2013 15:46
    Olha, não há a necessidade de um livro neutro para explicar o que é inflação, deflação e o sistema de preços.

    Como são determinados os preços:
    www.mises.org.br/Article.aspx?id=1416

    Inflação e Deflação:
    www.mises.org.br/Article.aspx?id=1444

    Recomendo toda a série de 10 artigos curtos e fáceis do Ubiratan:
    www.mises.org.br/Subject.aspx?id=45

    Obrigado.
  • Joao Bernardo Pasinato  13/01/2013 15:59
    O Miguel A. E. Corgosinho só pode estar usando o gerador de lero-lero para responder. Deve ser um Troll!

    suicidiovirtual.net/dados/lerolero.html
  • jose carlos zanrforlin  14/01/2013 16:37
    Meu caro amigo Lápis, vc escreveu:

    "Se apenas Deus pode fazer uma árvore, também insisto que apenas Deus pode me fazer. Homens não conseguem dirigir esses milhões de conhecimentos para me trazer à "vida", assim como não conseguem ajustar as moléculas para criar uma árvore."

    Essa afirmação me soa verdadeira e cristalina. Entretanto, o "explorador tributário e seus asseclas" não precisam de tantos conhecimentos - nem de crer em Deus - para arrancar para seus cofres tudo o que julgam ter direito em todas as etapas necessárias para que vc seja feito.

    Que se gastem milhares de vc e de seus irmãos, além de folhas de papel, a explicar a grandeza da criatividade humana, ainda assim o explorador e seus asseclas não terão olhos para ler nem ouvidos para escutar essas explicações, e continuarão sua sanha de arrancar à força a parcela a que pensam ter direito.

    O artigo é quase uma história de Hans Christian Andersen ou uma fábula daquele francês, mas é improvável que atinja seu objetivo, pois o explorador e seus asseclas são inexoráveis, e surdos e não lêem...
  • Kleber  15/01/2013 00:00
    @Renato,

    Como havia respondido ao @Leandro, todos os países que ele citou como exemplo de economias que florejaram após terem sido colonizadas seguiram o modelo de colonização Inglês, enquanto que a maioria dos países latino americanos seguiram o modelo espanhol e o Brasil, o Português, ambos escravocratas, eu comentei ao @Leandro que os conhecimentos econômicos e culturais que o IMB tenta às duras penas mudar no Brasil por meio de um processo informativo e educacional com livros, palestras, e artigos... foram transmitidos naturalmente pela herança cultural e econômica que os países colonizados pela Inglaterra herdaram dela, isso não significa que eu esteja postulando qualquer tipo de compensação para o Brasil de Portugal, apenas estou constatando um fato, para que populações mudem o modo de pensar caracterizado pela frase que você mesmo citou: "Temos uma disposição estatista, aprendida desde cedo. Nós, os sul-americanos, desejamos a segurança da vida de escravos", é necessário um esforço informativo e educacional maior para alcançar aquilo que países colonizados pelos Inglêses adquiriram naturalmente, e que os colocaram após se livrarem do jugo Inglês em uma posição melhor do que aqueles colonizados por Portugueses e Espanhóis. Isso explica apenas porque culturalmente nos inclinamos a pensarmos errado economicamente, e porque nesses países diferentemente daqueles que seguiram o modelo de colonização inglês, ascenderam tantos governos ditatoriais, sejam populistas ou militares.
  • Felipe de Lima Pereira  17/01/2013 13:38
    Ad nauseam......e os países que os ingleses colonizaram na àfrica e América central Kléber? Não entendo ainda o por que de sua insistência em querer responsabilizar a nossa miséria no legado de colonização.Chile nao foi colonizado por Ingleses, e tem uma situação melhor do que a nossa, apesar disto não ser muito comentado....
  • Kleber  19/01/2013 15:40
    Felipe,

    Primeiro, não responsabilizei nossa miséria no legado de colonização. Apenas disse que das formas de colonização estatisticamente a inglesa propiciou melhores condições para que florejassem ideias pró-mercado e a espanhola e portuguesa não, e isso no conjunto teve impacto nas decisões econômicas desses países.

    Segundo, como disse acima, quem mudou as coisas no Chile foi Pinochet, um ditador que era a favor do livre mercado e que chegou a se aconselhar com Milton Friedman.


  • Vinicius Costa  19/01/2013 18:12
    Kleber, entendi o que você quer dizer e na verdade faz muito sentido.

    Porém, é difícil afirmar que esse é um dos motivos, ou o principal, desses países adotarem mais facilmente ações pró-mercado. Infelizmente tudo ficará na suposição, mas realmente pode ter contribuído bastante esses aspectos da colonização
  • Ivan Lima  24/01/2013 16:36
    Caro Eddie. Finalmente um site que defende as idéias liberais e o capitalismo publicou com bastante decência - espaço generoso , bela ilustração , depoimento do autor sobre o inside, etc, o que considero uma obra prima - muito criativa e primorosamente didática - sobre a divisão (internacional) do trabalho e o mercado: "Eu , O Lápis", de Leonard Read, fundador do Foundation for Economic Education. Foi o L.v.Mises - Brasil. Considero também uma versão em vídeo e localizável no you tube , com o Milton Friedman, excelente, muito bem dirigido e muito bem interpretado não achando que as discordâncias teóricas que se tenha com eles (os Freedmans) desqualifique o belo e útílissimo trabalho pela causa da liberdade.

    Ivan Lima
  • João Felipe  07/08/2014 11:08
    Bom dia! Sou iniciante na escola austríaca e entendi o texto como uma tentiva de explicar a existência da mão invisível no livre mercado.

    Depois de uma reflexão correlacionei o fabricante do lápis ou criador da empresa com um governante ou presidente do país da mesma forma que correlacionei com numeros empreendedores. Veja, apesar do fábricante produzir lápis sem saber de todos os detalhes e processos de todos os componentes(a mão invisível), exitiu uma pessoa que montou o quebra-cabeças, que juntou as pessoas necessárias ou componentes para que o fim fosse atingido. Da mesma forma, o governo deveria funcionar.

    A diferença básica que pude notar é a de que os empreendedores são mais restritos a uma área específica, já os governantes precisariam ser especialistas em tudo, o que é impossível. Qualquer presidente de empresa precisa conhecer a fundo o funcionamento do empreendimento para ter êxito.

    Minha conclusão, talvez equivocada, é de que a mão invisível existe no livre mercado assim como no sistema atual, porém não consegue agir com eficiência com tatos regulamentações.
  • Capital Imoral  04/11/2016 18:06
    Desconstruindo a teoria do: Eu, Lápis.

    Estou em processo de me tornar vegano. Pois tenho percebido como o homem tem explorado outros seres vivos, e tudo a sua volta, por causa do capitalismo. Em suma, o capital tornou o homem escravo de si mesmo.

    Faço está introdução, para que você perceba a opressão que a arvore recebe, por culpa do homem. Todos os dias de manhã, após ler meus poemas para minhas plantas, eu gosto de fazer caminhadas pelo parque, as vezes eu converso com algumas arvores.

    Em uma dessas conversas, caiu um galho em minha cabeça. Este foi o sinal que a arvore quis me enviar, alertando sobre a opressão do homem. O galho representa as milhares de arvores que são mortas em massa, para produzir lápis para seres humanos.

    Eu tirei uma foto, comparando o galho (vida) com o Lápis (exploração do homem).

    Foto: https://s13.postimg.org/6wp0ynzev/20161104_153957.jpg

    Veja como o lápis não aparenta mais vida, o homem sem coração colocou cores e química no lápis que era um presente da natureza. Do outro lado esta o galho, com suas cores naturais, transbordando vida e cheiros.

    Eu lápis é a exploração da arvore para fins humanos.
    O ponto que não foi tocado no artigo acima é: vocês consultaram a arvore sobre esta questão? Veja como homem é sujo. Ele apenas vê a arvore como um item de consumo, que está ali apenas para seu consumismo soberbo.

    Ei ser humano, não existe só você na terra. Existe bilhões de seres vivos, por que você se acha o dono de todos os outros? Quem te deu este direito? A sociedade precisa refletir sobre isso.


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