clube   |   doar   |   idiomas
Por que é impossível o governo fazer a economia crescer

Economistas keynesianos sustentam que, para que uma economia possa gerar o máximo possível de empregos, o principal enfoque do governo deve ser o gasto agregado.  Em épocas de recessão, então, tal conselho é redobrado.  Apenas os gastos do governo, nesse cenário, podem gerar empregos, afirmam os keynesianos.  Com um aumento nos empregos, a demanda por consumo iria aumentar também, e isso estimularia a economia — é o que eles dizem.

Essa maneira de pensar é baseada na ideia de que aumentos iniciais nos gastos em consumo tendem a desencadear um processo reforçador, o qual supostamente fortalece a produção total da economia em uma quantidade que é múltipla da quantidade inicial de gastos.

O homem que popularizou o poder mágico do multiplicador, John Maynard Keynes, escreveu:

Se o Tesouro se dispusesse a encher garrafas usadas com papel-moeda, as enterrasse a uma profundidade conveniente em minas de carvão abandonadas que logo fossem cobertas com o lixo da cidade e deixasse à iniciativa privada, de acordo com os bem experimentados princípios do laissez-faire, a tarefa de desenterrar novamente as notas (naturalmente obtendo o direito de fazê-lo por meio de concessões sobre o terreno onde estão enterradas as notas), o desemprego poderia desaparecer e, com a ajuda das repercussões, é provável que a renda real da comunidade, bem como a sua riqueza em capital, fossem sensivelmente mais altas do que, na realidade, o são. Claro está que seria mais ajuizado construir casas ou algo semelhante; mas se tanto se opõem dificuldades políticas e práticas, o recurso citado não deixa de ser preferível a nada.[1]

Para os keynesianos, a chave do crescimento econômico é o gasto.  Quanto maior for o gasto, maiores serão a renda e o crescimento econômico real.

Os recursos dependem de dinheiro?

No atual cenário recessivo americano e europeu, os defensores de pacotes de estímulos mais volumosos argumentam que estimular o emprego por meio de vários programas de estímulo é algo que não se dará à custa de outras atividades.  Isso significa que empregar pessoas que estão desempregadas será algo "gratuito", sem nenhum custo.  De acordo com o defensor dessa visão, Paul Krugman,

A questão é que, nesse momento, temos um desemprego em massa.  Se você colocar 100.000 americanos para trabalhar agora cavando buracos, você não estará retirando esses 100.000 trabalhadores de outros setores.  Você estará colocando-os para trabalhar quando a única outra opção seria deixá-los à toa.[2]

Porém, fica a pergunta: como esse aumento no emprego seria financiado?  De onde viriam os recursos?  Quem iria pagar por tudo isso?  Para Krugman e os keynesianos, o financiamento pode ser facilmente gerado pelo banco central, por meio da criação de dinheiro.

Mas, contrariamente ao que eles alegam, financiamento e recursos não dependem de dinheiro: eles dependem apenas da poupança real — isto é, bens de consumo não utilizados.  É a produção de bens de consumo e de serviços que mantém as vidas e o bem-estar das pessoas.

Quando um padeiro troca os pães que ele poupou por batatas, ele está na verdade fornecendo um meio de sustento para o cultivador de batatas.  Da mesma forma, o batateiro está fornecendo um meio de sustento — isto é, batatas que ele poupou — para o padeiro.  Note que a poupança real sustenta os produtores nos vários estágios da produção.  (A poupança real sustenta os produtores de bens intermediários e os produtores de bens de consumo e de serviços).

Observe que, com o objetivo de manter sua vida e bem-estar, as pessoas requerem bens de consumo e serviços, e não dinheiro, o qual é apenas um meio de trocas.  O dinheiro serve apenas para facilitar as transações comerciais — ele não produz nenhum bem real.  Parafraseando Jean-Baptiste Say, Mises escreveu,

As mercadorias, disse Say, são em última instância pagas não com dinheiro, mas com outras mercadorias. O dinheiro é simplesmente o meio de troca mais comumente utilizado; sua função é apenas intermediar a transação. No final, o que o vendedor quer receber em troca das suas mercadorias vendidas são outras mercadorias.[3]

Os vários maquinários e ferramentas que existem — ou a infraestrutura que as pessoas criaram — servem apenas para um propósito: produzir os bens de consumo final que são necessários para manter e promover a vida e o bem-estar das pessoas.

Considerando-se que os produtores dos bens de consumo também precisam consumir, quanto maior a produção de bens de consumo, maior será o conjunto da poupança real disponível para servir de financiamento.  Uma maior quantidade de bens poupados pode agora sustentar mais indivíduos cujos empregos têm o objetivo de aprimorar e expandir a infraestrutura.

Isso, obviamente, significa que, por meio do aumento da poupança real, uma melhor infraestrutura pode ser construída.  Isso, por sua vez, estabelece os fundamentos para um maior crescimento econômico.

Um maior crescimento econômico significa uma maior quantidade de bens de consumo produzidos, o que por sua vez permite uma maior poupança (um maior número de bens não consumidos) e também um maior consumo.  Com mais poupança disponível, uma infraestrutura mais aprimorada pode ser criada, e isso por sua vez estabelece os fundamentos para uma maior robustez no crescimento econômico.

Observe que, nesse cenário, os poupadores são os geradores de riqueza.  São os geradores de riqueza que poupam e empregam sua poupança real na formação da infraestrutura.

A poupança dos geradores de riqueza é empregada no financiamento de vários indivíduos especializados na construção e na manutenção da infraestrutura.  (A poupança real também financia indivíduos que estão envolvidos na produção de bens de consumo.)

Contrariamente às alegações de Krugman e dos keynesianos, a criação artificial de empregos (tais como cavar buracos) nunca pode ser livre de custos.  Os indivíduos desempregados que serão empregados em projetos inúteis precisam ser financiados; eles precisam receber recursos.  Dado que o governo não produz nenhuma riqueza real, o financiamento terá de ser retirado de atividades geradoras de riqueza.  Tal medida, entretanto, irá destruir a poupança dos agentes geradores de riqueza e irá debilitar o processo de geração de riqueza real.

O simples exemplo a seguir resume bem a situação: suponha que, em uma economia formada por um padeiro, por um sapateiro e por um cultivador de tomates, surja um quarto indivíduo.  Esse indivíduo é um criminoso que exerce sua demanda por bens pelo uso da força.  Pergunta: poderia tal demanda gerar uma maior produção, exatamente como acredita o pensamento popular?  Pelo contrário, ela irá apenas empobrecer os produtores.  O padeiro, o sapateiro e o agricultor serão forçados a abrir mão de seu produto a troco de nada, e isso por conseguinte irá debilitar o fluxo da produção de bens de consumo.

Dado que o governo não produz nenhuma riqueza real, ele obviamente não pode poupar e, consequentemente, não pode financiar nenhuma atividade.  Logo, quando o governo se envolve em alguma atividade, ele deve necessariamente obter seu financiamento — isto é, poupança real — dos geradores de riqueza, confiscando a poupança destes.

Pode algo ser gerado do nada?

Pode um aumento na demanda por bens de consumo levar a um aumento na produção total, em uma quantidade múltipla do aumento dessa demanda, como sugerem Keynes e Krugman?  Se isso for possível, então a conclusão lógica é que algo útil pode ser gerado do nada.

Quando um padeiro aumenta sua demanda por bens e quer satisfazê-la, ele precisa ter os meios de pagamento (isto é, pães) com os quais irá pagar pelos bens e serviços que deseja.  Por exemplo, o padeiro adquire cinco tomates pagando em troca oito pães que ele poupou.  Da mesma forma, o sapateiro satisfaz sua demanda por dez tomates pagando em troca um par de sapatos que ele poupou.  O cultivador de tomates satisfaz sua demanda por pães e sapatos com os quinze tomates que ele poupou.

Um aumento na oferta de bens de consumo permite um aumento na demanda por bens.  Assim, quando o padeiro aumenta sua produção de bens, isso irá permitir que ele aumente sua demanda por outros bens.  Nesse sentido, o aumento na produção e oferta de bens gera a demanda por bens.  Vale enfatizar novamente que as pessoas produzem com o objetivo de poderem, com sua produção, demandar bens que irão sustentar sua vida e seu bem-estar.

O que permite a expansão na oferta de bens de consumo é o aumento na quantidade de bens de capital, de ferramentas e de maquinário.  O que, por sua vez, permite o aumento da quantidade de ferramentas e maquinário é a poupança real.  Podemos, assim, deduzir que o aumento no consumo deve estar em linha com o aumento na produção.  Disso podemos deduzir que um aumento no consumo não pode fazer com que a produção aumente em um múltiplo desse aumento no consumo.  Isso é algo que não faz sentido.  O aumento na produção sempre vai estar rigorosamente de acordo com o que o conjunto da poupança real permite.  Uma expansão da oferta monetária pode apenas rearranjar os fatores de produção (bens de capital, mão-de-obra etc.); ela não pode por si só aumentar a produção.  A produção não pode se expandir sem o suporte da poupança real — isto é, algo não pode surgir do nada.  Se uma expansão monetária "aumentou" a produção, é simplesmente porque havia poupança real disponível para tal.

Tudo isso, obviamente, significa que somente os geradores de riqueza podem desencadear uma expansão na riqueza real.

O governo não pode salvar a economia

Sempre que a capacidade de os geradores de riqueza produzirem poupança real é restringida, o crescimento econômico é prejudicado.  E não há quantidade de dinheiro que o governo jogue na economia que possa fazê-la crescer. (Novamente, o governo não pode criar poupança real, ele pode apenas retirar a atual poupança real dos geradores de riqueza.)

Quando o processo de geração de riqueza está prejudicado e as políticas fiscais e monetárias se mostram ineficazes em "reativar" a economia — como ocorre atualmente nos EUA —, vários economistas keynesianos, como Krugman, se apressam em sugerir que as leis da economia devem ter mudado.  Para eles, isso significa esquecer a análise lógica baseada nas leis essenciais da economia e começar a defender gastos maciços. 

De acordo com Krugman,

Estamos em uma época atípica, em que a intuição comum não mais se aplica.  Reativar a economia americana é a melhor coisa que podemos fazer, não apenas para o presente, mas também para o futuro e para nossos filhos.[4]

Se o conjunto da poupança real estiver solapado, adotar o conselho de Krugman — qual seja, implementar um maciço pacote de gastos governamentais — irá apenas piorar bastante a situação, e afundar a economia americana em uma depressão muito mais severa.  Se o conjunto da poupança real ainda estiver sólido, então não há necessidade de pacotes de estímulos: a própria poupança irá reativar a economia.

Conclusão

Não obstante o maciço pacote de estímulos fiscais (US$ 800 bilhões) implementado no ano passado, a economia americana continua letárgica.  Vários indicadores econômicos, após terem apresentado uma breve reação, já voltaram a apresentar um visível enfraquecimento.  Muitos especialistas, inclusive o presidente Barack Obama, são partidários da ideia de que um pacote fiscal mais arrojado irá resolver a situação.  Nossa análise, entretanto, indica que um estímulo fiscal não apenas não pode reativar a economia, como também irá piorá-la sobremaneira.

O elemento chave tanto para uma recuperação quanto para um crescimento econômico sustentável é a formação de poupança real.  Essa formação pode ser feita apenas por geradores de riqueza, e não por gastos governamentais, os quais apenas debilitam o processo de formação de riqueza.

______________________________

Notas

[1] J.M. Keynes. A Teoria Geral do Emprego, do Juro e da Moeda (Macmillan & Co. LTD 1964), p. 129.

[2] Paul Krugman, entrevista à CNBC em 31 de agosto de 2010.

[3] Ludwig von Mises, "Lord Keynes e a Lei de Say"

[4] Paul Krugman, entrevista à CNBC em 31 de agosto de 2010.


0 votos

autor

Frank Shostak
é um scholar adjunto do Mises Institute e um colaborador frequente do Mises.org.  Sua empresa de consultoria, a Applied Austrian School Economics, fornece análises e relatórios detalhados sobre mercados financeiros e as economias globais.

Tradução de Leandro Roque

  • Marcelo Boz  20/09/2010 16:29
    Lendo esse artigo, vem à minha cabeça os comentários do pessoal que trabalhava na década de 1970 e hoje estão aposentados.\r
    Muitos deles dizem que o período militar foi o melhor para a economia do pais; não havia desemprego e a economia crescia esplendorosamente. Hoje sabemos que todo aquele crescimento foi baseado em gastos governamentais insustentáveis em longo prazo e que desembocaria tudo isso em uma crise mais adiante. Foi o que aconteceu, iniciamos a década de 1980 com uma inflação crescente e, assim ficamos até metade da década de 1990.\r
    \r
    O atual governo está promovendo o "crescimento" também, com pesados gastos públicos, que se mostrarão insustentáveis na próxima década. \r
    \r
    Temo que a presidente Dilma que, infelizmente teremos em breve, não queira fazer os ajustes e o país caia numa grande crise.
  • Alex  24/09/2011 17:44
    E o que é pior, vai ter gente dizendo que o melhor governo que o país já teve foi o de Lula, com alto crescimento e baixo desemprego. Sendo que na verdade não passa de gastança pública, má administração, corrupção e canalhice, pois aproveitou o modelo economico do governo anterior (FHC) e promoveu sua farra.
  • Juliano Camargo  26/09/2011 19:11
    É verdade, e o PAC do governo petista nada mais é que uma tentativa de repetir os PNDs da época da ditadura.

    É bastante comum falar com alguma pessoa mais velha que só tem coisas boas a dizer sobre a época da ditadura. Porque eles desacoplam o aumento do gasto público, a expansão da infra-estrutura com a falência do estado que veio logo depois.

    Aí claro, quando o estado estava falido, eles passaram o poder para a 'sociedade civil'! José Sarney, Collor. Assistimos à redemocratização, e como foi difícil.

    Agora vejam esta tese do Mantega sobre exatamente o governo Geisel. Dá pra entender completamente a mentalidade dos nossos novos generais.

    bibliotecadigital.fgv.br/dspace/bitstream/handle/10438/2935/P00163_1.pdf?sequence=1

    Concordo com o Angelo Noel, o atual governo não vai ter ao menos o bom senso de largar o osso que os militares tiveram. Vão inventar algum bode expiatório e tentar se consolidar na crise usando o que for necessário, seguindo o caminho argentino.
  • Thames  20/09/2010 17:01
    Notícia relacionada e do interesse de todo brasileiro:

    A Dilma pouco conhecida

    20 de setembro de 2010 | 0h 00

    O Estado de S.Paulo

    Uma faceta da verdadeira Dilma Rousseff, que sua propaganda eleitoral tem escondido dos eleitores, se revelou numa entrevista dada em Porto Alegre há alguns dias, que, em artigo publicado sexta-feira no Estado, o economista Rogério Werneck considerou um desabafo "desoladoramente esclarecedor", mas cuja repercussão não correspondeu à sua importância.

    A candidata governista à Presidência tem uma visão sobre a gestão do dinheiro público que deveria preocupar os eleitores-contribuintes. "O papo de ajuste fiscal é a coisa mais atrasada que tem. Não se faz ajuste fiscal porque se acha bonito. Faz porque precisa. E eu quero saber: com a inflação sob controle, com a dívida pública caindo e com a economia crescendo, vou fazer ajuste para contentar a quem? Quem ganha com isso? O povo não ganha", afirmou Dilma, de acordo com reportagem do jornal O Globo.

    Na visão da candidata petista, ações de ajuste fiscal sempre vieram acompanhadas "dos maiores aumentos tributários" e de medidas de gestão de caixa, como cortes lineares de gastos e atraso na devolução de créditos tributários, que provocaram a redução dos investimentos em infraestrutura, saneamento, habitação, etc.

    Não é de hoje que Dilma Rousseff se irrita quando ouve falar em necessidade de ajuste de longo prazo da estrutura de despesas do governo, para evitar o crescimento do déficit público, sem que, para isso, seja necessário aumentar a carga tributária, como ela tem aumentado ao longo da gestão do PT.

    Há cinco anos, quando os ministros da Fazenda, Antonio Palocci, e do Planejamento, Paulo Bernardo (que continua no cargo), apresentaram um plano de longo prazo que garantiria a redução progressiva do déficit nominal, até sua eliminação, e da dívida pública, por meio do controle mais rigoroso das despesas - pois isso era necessário para assegurar a credibilidade da política fiscal do governo Lula -, Dilma, então ocupando a chefia da Casa Civil, tratou de desmontar com truculência a iniciativa de seus companheiros de governo. Em entrevista ao Estado, considerou o plano "rudimentar" e disse que "o debate é absolutamente desqualificado".

    Depois disso, mudou o vocabulário - ajuste fiscal virou "coisa atrasada" -, mas não sua visão. Pior para o contribuinte.

    Como mostrou Rogério Werneck no artigo citado, Dilma não consegue entender que, no atual regime fiscal, os gastos crescem mais do que o PIB. As contas públicas só fecham graças ao aumento contínuo da carga tributária. Se esse regime não mudar, por meio de um ajuste fiscal profundo que tanto desagrada à candidata petista, os contribuintes estarão condenados a pagar cada vez mais impostos - até um momento em que esse método se tornará insuportável - ou a dívida pública crescerá de tal modo que trará de volta todos os problemas que o País enfrentou até a primeira metade da década passada.

    Dilma tem apontado para a queda constante da dívida pública em relação ao PIB como prova da eficácia do atual regime fiscal. Mas, além de omitir o contínuo aumento da carga tributária que sustenta esse regime, ignora também o fato de que, por meio de artimanhas contábeis, o governo desviou para o BNDES dinheiro proveniente da emissão de dívida do Tesouro sem que esse dinheiro fosse contabilizado na dívida líquida da União.

    O aumento contínuo dos gastos públicos, sobretudo com o custeio da máquina, alimenta a demanda e impõe uma sobrecarga extra à política monetária na contenção das pressões inflacionárias, ou seja, exige juros mais altos. Se reduzisse os gastos, o governo abriria espaço para um alívio na política monetária.

    Por fim, a manutenção do crescimento acelerado da economia exige o aumento da poupança interna, e as contas nacionais revelam que quem mais pode aumentar a poupança é o governo. Ou seja, se gastar menos com custeio, o governo pode aumentar sua margem para investir, pois ajuste fiscal, ao contrário do que supõe a candidata do PT, não significa corte de investimentos.

    Em resumo, como observou Werneck, em matéria de ajuste fiscal, de Dilma pode-se dizer o que se disse dos Bourbons: nada aprendeu e nada esqueceu.
  • Alex  24/09/2011 17:55
    Eu ponho a culpa disso na UNICAMP, veja os tipos de profissionais que esta univiersidade está colocando no mercado pra governar nossa sociedae. Já não basta na década de 80 ter levado uma surra da PUC que formou os profissionais responsáveis pela elaboração do plano Real o que acabou com a superinflação? Mais uma vez os discipulos desta, infeliz, universidade de economia está sendo responsáveis por encaminhar o País para o mesmo poço sem fundo que colocram a mais de 20 anos atráz
  • Andre Luis  20/09/2010 22:10
    Desoladora a opinião da candidata Dilma,que infelizmente sera a nossa futura presidente.Se bem que a maioria dos politicos pensa apenas em gastar,e não em economizar o dinheiro do contribuinte.estamos ferrados.
  • Marcelo Boz  21/09/2010 08:57
    Olha, é como eu disse e, voces sabem melhor do que eu: Esse crescimento maravilhoso que estamos tendo é artificial, baseado em gastança pública. Quando os papagaios chegarem, tudo vai se acabar como um castelo de areia na praia na primeira onda.\r
    Até agora, desde FHC, esses voos de galinha não nos causaram maiores danos pois, mal ou bem, o governo fazia um ajustezinho aqui e ali, e principalmente, aumentava os juros.\r
    Se o que essa senhora está dizendo é verdade, se ela não pretende fazer ajuste nenhum, estaremos ferrados em médio prazo!
  • Angelo Noel  21/09/2010 09:41
    Marcelo,
    com certeza o PT tem algum plano arquitetado exatamente pro momento em que essa política fiscal/monetária ruir. Eles sabem que é insustentável pra economia manter esse ritmo de crescimento dos gastos governamentais, política tributária escravagista, expansão creditícia e assistencialismo meia-bomba juntos. O problema é que eles vão aproveitar mais esses oito anos de governo vindouros pra sugar o máximo de recursos da sociedade, e quando as crises mostrarem as caras, jogarão a culpa da situação no colo do mercado externo (porque segundo o partido, como foi o Lula sozinho que carregou a administração da economia nas costas, o que vier de ruim é culpa dos outros).
    Depois, irão adotar alguma medida emergencial e tentar mais oito anos de parasitismo.
  • Joao Pedro Souza Matos  23/09/2011 05:36
    Mais 8 anos de parasitismo ou ditadura comunista...
  • Gustavo  21/09/2010 10:12
    Não acredito que Keynes escreveu isso. Que imbecil. Para refuta-lo era só perguntar para ele: E de onde o governo tirou o papel-moeda das garrafas? E de onde virá o papel-moeda para pagar o enterro das garrafas?
  • Marcos Esperidio  25/09/2010 21:06
    Parabens Dona Dilma pela merecida vitoria.
  • joselito  23/09/2011 10:47
    "suponha que, em uma economia formada por um padeiro, por um sapateiro e por um cultivador de tomates, surja um quarto indivíduo. Esse indivíduo é um criminoso que exerce sua demanda por bens pelo uso da força. Pergunta: poderia tal demanda gerar uma maior produção, exatamente como acredita o pensamento popular?"

    - Óbvio que sim, o padeiro terá que trabalhar o dobro (e produzir o dobro) senão irá passar fome.
  • Leandro  24/09/2011 04:17
    É mesmo, Joselito? E de onde ele vai tirar recursos para tal? Quer dizer então que basta apontar uma arma pra cabeça de alguém e os recursos surgem naturalmente? Não é preciso produzir nem poupar? Que mundo maravilhoso este seu.
  • joselito  25/09/2011 16:38
    Não sabe ler não? Vou repetir:

    "Óbvio que sim, o padeiro terá que TRABALHAR o dobro (e produzir o dobro) senão irá passar fome."


    Não sei como funciona no seu mundinho, mas no meu funciona baseado no trabalho. Se você trabalha X horas produz Y bens, se você trabalha 2X horas produz 2Y bens.
    Entendeu? Ou quer que eu desenhe?
  • Kenny  25/09/2011 23:46
    "Não é preciso produzir nem poupar?"

    Mas ele não disse que o cara vai ter que trabalhar o dobro pra poder recuperar o que foi roubado? Por acaso trabalho não gera riquesa?
  • Leandro  26/09/2011 05:35
    Prezado Kenny, você está partindo da mesma visão de mundo simplista do Joselito (que não sabe pensar nem muito menos desenhar). O mundo depende inteiramente da divisão do trabalho. Não basta simplesmente você trabalhar, pois você não é autossuficiente. O seu trabalho irá, no máximo, garantir que outras pessoas forneçam bens e serviços para você. Você não é capaz de produzir sozinho tudo o que você consome e utiliza. Você depende do trabalho dos outros. E não é apontando um revólver para a sua cabeça (como explicitamente defende o Joselito), que todos os bens e serviços serão por você produzidos.

    Além do trabalho dos outros, você precisa também da poupança dos outros. Você depende inteiramente da divisão do trabalho. Logo, não basta apenas demandar algo e esse algo será produzido. Existe toda uma cadeia produtiva que não pode ser contornada. E (infelizmente) não há mágica quanto a isso, como simploriamente crê o Joselito. Se esse fato pudesse ser contornado, já estaríamos no mundo da abundância; a escassez já teria sido abolida.

    Isso, aliás, é o básico do básico da economia.

    Grande abraço!
  • Carlos  26/09/2011 22:32
    O Joselito não quer discutir economia.
    Ele está tentando atacar o libertarianismo, e na cegeira da raiva acaba soltando essas pérolas (e outras em outros artigos).

    Não sei se alguem aqui tem conta na HardMob, mas lá também acontece muito isso.
    Se você linka um artigo do IMB ou levanta algum argumento libertário, eles te xingam de idiota, e fogem do debate.

    Quando não tem argumentos lógicos, partem para ignorância e falam asneiras.
  • Arion  23/09/2011 18:12
    4 perguntas:
    Crescimento maravilhoso?

    Já compararam com nossos pares da américa do sul (só a Venezuela é pior)?

    Porque as postagens estão como 2010 se o artigo é de 2011?

    Poderiam criar um B-A BA de "O que vem a ser DINHEIRO" para podermos explicar para as pessoas que ele é um MEIO de facilitar o comércio?

    Sério, as pessoas em geral não sabem o que ele é ou como ele é formado. Não notam que o tal do QE1, QE2 e coisas do gênero que muitos acham "genial" e "revolucionário" são as porcarias que nosso governo fazia na época da inflação galopante e tanto arruinava nossa economia (não que esteja tão melhor agora, apenas mais mascarado).

    Obrigado equipe IMB e parabéns por outro ótimo artigo.
  • LIVIO LUIZ SOARES DE OLIVEIRA  23/09/2011 18:12
    Comentário muito "profundo" o do Marcos Esperídio. É por causa de gente assim que o país não consegue se desenvolver como deveria. Ao invés de fornecer argumentos para tentar refutar o que foi defendido no artigo, simplesmente foge do assunto porque não tem o que argumentar.
  • Carlos  23/09/2011 22:17
    esse texto é de hoje (23/11) mesmo?
  • IZZA  24/09/2011 08:46
    PARABÉNS A DILMA E AO GUIDO, POR ABAIXAREM A TAXA SELIC, PELO AJUSTE NO CÂMBIO, POR TEU AUMENTADO DO IPI DOS CARROS IMPORTADOS ETC\r
    INFELIZMENTE NEM TODOS RECONHECEM OS GRANDES AVANÇOS E FICAM AGORANDO, DESEJANDO O PIOR... PRECISAMOS ACREDITAR, COM LULA E DILMA COMECEI VER MUDANÇAS POSITIVAS NO BRASIL QUE ANTES NUNCA HAVIA VISTO. NÃO SOU PETISTA SOU BRASILEIRA E QUANDO VEJO QUE A TAXA DESEMPREGO CAIU, PIB SUBIU, MAIS DE 200 ESCOLAR TÉCNICAS, 14 UNIVERSIDADES, 13 MILHÕES DE EMPREGOS... NÃO ENTENDO COMO ISTO É VISTO DE FORMA NEGATIVA.\r
    BOLSA FAMÍLIA ENTÃO, QUEM CRITICA NUNCA PASSOU FOME, QUEM CRITICA NUNCA SENTIU DOR NO ESTOMAGO DE FOME E NÃO TER NADA... HÁ PESSOAS QUE SÓ CRITICAM, CRITICAM, CRITICAM E FICAM GORANDO.\r
    SERÁ QUE VCS NÃO CONSEGUEM VER NADA DE BOM ????
  • Felix  25/09/2011 14:45
    Agora chegou a hora de escolher qual pílula tomar,
    a azul ou a vermelha?
  • Alex  25/09/2011 16:02
    Leigos!...
  • Maria  25/09/2011 16:41
    Intelectual!...
  • mcmoraes  25/09/2011 16:51
    Izza, o fracassos das decisões econômicas impostas de cima para baixo, por um gestor público, não têm nada a ver com a falta de reconhecimento do público (ou, como você diz, com pessoas gorando). Essas medidas vem sendo tomadas há tempo demais. Se esse tipo de intervenção tivesse bons resultados, os brasileiros já teriam enriquecido no tempo do Getúlio Vargas. As evidências mostram que os países que mais prosperam ao redor do mundo são os que mais respeitaram a liberdade individual; ou seja, são os países que mais controlaram o agigantamento do estado.
  • Leninmarquisson Stalinácio Lula Molusco da Silva  25/09/2011 18:14
    Cara, eu ODEIO admitir isso, mas 99% das vezes que aparece uma mulher para comentar, seja nos meios libertários, seja nos conservadores, é uma retardada esquerdista papagaiando as mesmas merdas de sempre.

    Isso me faz discordar quando dizem que as lideranças comunistas são compostas de pessoas que não gostam de trabalhar...
    Os caras são brilhantes, como Lenin, que elaborou essa estratégia de investir nas mulheres...pode ver, a militância esquerdista mais ferrenha e que honestamente mais acredita nessa merda é a feminina.
    Isso me leva a concluir que o que motiva esses putos é a pura maldade e ganância pelo poder, não a preguiça de não trabalhar, pois com essa astúcia eles ganhariam dinheiro fácil com menos esforço do que tem em conduzir essa droga de revolução.
  • Carlos  25/09/2011 21:13
    Porque todo esquerdista escreve em caixa alta?
  • Marcelo  25/09/2011 23:39
    Leninmarquisson,

    O discurso de esquerda é todo baseado em "Estamos criando um mundo melhor e mais humano para todos". Apela 90% para os sentimentos e emoções, diferente de uma parte da direita, que é mais nua, crua e pragmática. Se as mulheres são mais emocionais, essa poderia ser uma explicação (parcial) de porque você vê mais mulheres esquerdistas.

    No mais, seria interessante alguém responder ponto por ponto a afirmação dela. Talvez ela fique esclarecida. Grande abraço!
  • Alex  26/09/2011 15:59
    Gostei!...
  • Juliano Camargo  26/09/2011 19:29
    Você viu um lado da curva, e agora vai começar a ver o outro lado da curva.

    Isso vai acontecer independente da torcida. Vai acontecer exatamente pelos mesmos fatores que geraram o 'lado bom' da curva.

    O governo vai introduzir uma inflação de 20% ao ano. Sob inflação eles podem arrecadar mais e reduzir os benefícios pelo aumento do custo de vida decorrente da desvalorização da moeda.

    Assim eles vão equilibrando mais um ano, mais outro ano. Até a expectativa inflacionária de 20% ao ano ficar embutida em tudo. Aí eles dobram para 50%, 100%, e assim vai.

    Agora o mais engraçado : você, sem entender nada, continuará absorvendo propaganda e acreditando neles e lutando contra inimigos imaginários.

    Quem passou pelo final do governo militar, Sarney e Collor conhece bem o script.
  • Alexandre M. R. Filho  27/09/2011 19:04
    Foram 8 anos de PT. Em breve, terão sido 12.\r
    \r
    Antes disso, tivemos 8 anos de PSDB.\r
    \r
    Portanto, em breve, teremos tido 20 anos de "esquerdas" dominando o estado.\r
    \r
    Pelo discurso dessa gente eu não devo admitir mais nenhum só brasileiro com menos de 18 anos que:\r
    \r
    i) não saiba ler e escrever;\r
    ii) que não tenha emprego;\r
    iii) que não tenha alguma qualificação profissional;\r
    iv) que tenha cometido qualquer tipo de crime;\r
    v) que tenha tido algum direito frustrado pelo estado.\r
    \r
    Se existe - e como existe - a culpa é de quem? Do mercado? Dos agentes do imperialismo neoliberal colonialista e capitalista ianque? Dos banqueiros? Da direita ultra-conservadora? Do FMI? Do FHC? Do Bush? De Israel?\r
  • Rocko  06/11/2014 18:28
    Os resultados previstos tanto pelo artigo quanto pelos comentários a baixo já estão começando a despontar a algum tempo, e agora em 2015 tudo ficará ainda mais nítido. Esse intervencionalismo exacerbado e estes gastos desenfreados estão começando a cobrar o seu preço. O atual governo - que se alastra a um bom tempo - esquece-se de que nada é de graça, nada. Enfim, nada mais "justo" do que colher o que plantou.
  • Evandro  27/09/2011 17:42
    Sobre as intervenções do governo gerarem sempre malefícios pra sociedade

    Entendo que, além do problema epistemológico das intervenções em larga escala, magistralmente identificado por Hayek, temos também o problema de quem e sob quais interesses seria o responsável pela intervenção governamental na economia. E, de acordo com a Teoria Austríaca dos Ciclos Econômicos, a intervenção também gera o problema da distorção na estruturação do capital.

    Mas, não seria absurdo afirmar que o governo, que gera externalidade negativa (de fato, visivelmente) não é capaz, também, de gerar externalidade positiva? Digo, se a economia reage ao estímulo de forma negativa, não deve ela também reagir de forma positiva?

    Não seria uma posição um pouco dogmática, com todo o respeito aos amigos economistas, tomar como eterna essa incapacidade de se estimular a economia? Talvez, não pode ser o caso de nós simplesmente não sabermos como fazer hoje, ou pode ser que saibamos como mas não temos as condições necessárias para gerar esse fenômeno?

    Sou um entusiasta da filosofia liberal e crítico dos abusos do governo, a propósito. Mas não acho correto ter uma visão maniqueísta em relação a qualquer intervenção coletiva, tratando estas sempre como más. Porque, isso nos impede de enxergar uma intervenção que possa vir para o bem - desde que, é claro, respeite os direitos dos indivíduos.

    Bom dia a todos, parabéns pelo site.
  • Fernando Chiocca  27/09/2011 18:18
    Ora Evandro, é conceitualmente impossível uma intervenção estatal respeitar os direitos dos indivíduos. E isso não tem nada de dogmatismo, isto é simplesmente um fato.

    As intervenções do governo sempre, por definição, geram inutilidade. Sempre prejudicam uma parte em benefício de outra.Se uma das partes não vê vantagem em uma troca ou uma ação, ela não será empreendida. E é aí que entra o estado, que através da coerção obriga uma das partes a concordar com a ação.

    Já o mercado sempre gera ganho em utilidade, por definição, pois mercado é sinônimo de trocas voluntárias, e uma troca voluntária só ocorre quando as duas partes enxergam vantagens nela. Todos os envolvidos ganham.
  • Evandro  27/09/2011 19:29
    Ok. Eu sei que o estado coercitivo não respeita os direitos das pessoas, que rouba de forma legalizada, etc..

    Mas, suponha que seja uma instituição diferente, um tipo de estado, porém, feito voluntariamente e com o consentimento das pessoas que vivem nele, que não obrigue ninguém a sustentá-lo. E que as pessoas desse estado achem que é importante acabar com a desigualdade social. Seguindo essa ideia de que, ao ser feita de forma coletiva, a intervenção sempre vai dar errado, até mesmo uma ação coletiva baseada em interesse próprio, de interesses individuais, causará sempre desastres no mercado.

    Logo, o problema principal não seria a imoralidade da ação coercitiva do governo, e sim a impossibilidade eterna de se fazer políticas, ou intervenções sociais na economia, que funcionem. Mesmo voluntariamente, seguindo essa linha de raciocínio, as pessoas vão sempre estar agindo errado, pois isso destroi a estrutura da produção e sempre será impossível.

    Esse seria um caso peculiar na própria teoria de que os indivíduos perseguindo seus interesses próprios causam o bem estar geral. Como os indivíduos estão optando por reduzir a desigualde - a distribuição de renda é voluntária - e as políticas econômicas, de acordo com a ideia da impossibilidade da ação coletiva, sempre são um problema, conclui-se que os indivíduos agiram contra o bem estar.

    Como questionei, se é possível para o estado (ou uma instituição de intervenção coletiva qualquer) gerar externalidade negativa, também não deve ser possível que ele gere externalidade positiva?

    E, aproveitando o que inferi do argumento: se as pessoas quiserem fazer a distribuição de renda, por exemplo, elas vão estar distorcendo o sistema produtivo, contrariando uma alocação "racional" dos recursos? Criaria-se uma crise com os indivíduos perseguindo seus interesses - que no caso seriam agir coletivamente?

    Que é imoral fazer o estímulo de forma coercitiva, eu concordo. Mas, se o estímulo é errado por impossibilidade eterna de se melhorar o resultado da economia por meio de ações coletivas, como se explica o desestímulo? Como é possível desestimular a economia e, ao mesmo tempo, é impossível [e sempre será] estimulá-la?

    Pode ser que não saibamos hoje como estimular a economia coletivamente e que não tenhamos as pessoas certas para fazer isso. Mas, acredito que, se considero que a política econômica é capaz de causar resultados ruins na economia [não pelo seu caráter coercitivo, mas por ser sempre impossível] também tenho que considerar a possibilidade dela gerar resultados bons.

    Enfim, concordo que os meios que temos pra estimular não são eficazes. Mas não acho que essa condição é eterna, ou que é uma impossibilidade.
  • Fernando Chiocca  27/09/2011 20:11
    É impossível uma pedra flutuar na água.

    Ahh, mas e se essa pedra não for uma pedra, e for um pedaço de madeira? Aí não é impossível né?
  • Robson  27/09/2011 22:47
    Evandro, o fato de ser impossível que a ação coletiva do governo cause bons resultados não se deve somente porque todas as suas ações são coercitivas. Você disse:

    "Esse seria um caso peculiar na própria teoria de que os indivíduos perseguindo seus interesses próprios causam o bem estar geral."

    Aqui você simplificou demais a tal "teoria". Os indivíduos perseguindo seus próprios interesses causam o bem estar geral somente se eles buscarem o próprio interesse mesmo (a mão invisível). Se a cabeça de todos da comunidade mudar a ponto de voluntariamente darem dinheiro para um comando central que vai redistribuir voluntariamente esse dinheiro, isso não vai causar o bem estar geral, porque as condições que levam à mão invisível não mais existem. Por que? Por que as trocas voluntárias são substituídas por doações voluntárias. Mas são as trocas que promovem a divisão do trabalho, e é a divisão do trabalho que produz a riqueza e o bem estar geral. Se as trocas forem substituídas por doações, mesmo voluntárias, não há mais a necessária divisão do trabalho.

    Você também disse:

    "Que é imoral fazer o estímulo de forma coercitiva, eu concordo. Mas, se o estímulo é errado por impossibilidade eterna de se melhorar o resultado da economia por meio de ações coletivas, como se explica o desestímulo? Como é possível desestimular a economia e, ao mesmo tempo, é impossível [e sempre será] estimulá-la?"

    A TACE não diz que o governo não consegue estimular ou desestimular a economia. O governo consegue fazer isso imprimindo ou retendo dinheiro. A TACE só diz que isso não trará bons resultados no longo prazo por causa da distorção da estrutura do capital.
  • João  03/10/2011 13:18
    "Já o mercado sempre gera ganho em utilidade, por definição, pois mercado é sinônimo de trocas voluntárias, e uma troca voluntária só ocorre quando as duas partes enxergam vantagens nela. Todos os envolvidos ganham."

    Interessante pensar assim.

    Gostaria que você me mostrasse as vantagens existentes para o bóia-fria nas "trocas" realizadas no mercado de trabalho no campo, por exemplo.

    Dizer que uma troca é justa simplesmente por ter sido dada de comum acordo me parece, no mínimo, ingenuidade...
  • Fernando Chiocca  03/10/2011 13:38
    Isto não é "uma forma de pensar". Isto é a realidade dos fatos.

    O boia-fria, como qualquer outro trabalhador voluntário, só aceita o serviço se enxergar vantagem nele. Você está ridiculamente tentando desafiar um fato óbvio.
    A vantagem para ele é o dinheiro que ele vai receber em troca do serviço que ele irá prestar. E ele valoriza mais a quantia de dinheiro oferecida do que o trabalho dele e do que outras alternativas de ação que ele teria, como por exemplo, outros trabalhos, pedir esmola, vender flor no semáforo ou até o ócio.

    Obviamente você pode ter uma opinião diferente da do boia-fria e achar que o seu trabalho vale mais do que o pagamento oferecido para cortar cana com um facão por 10 horas, e declinar o trabalho. Mas tem "gente" por ai, que do alto de suas benevolência e superioridade, acham que o trabalho do boia-fria ou de outros trabalhadores com baixa qualifcação vale mais do que as pessoas oferecem e impedem, usando a violência ou ameaça de violência física, que o trabalhador e o empregador realizem a troca mutuamente benéfica, e aí vemos coisas absolutamente nefandas como leis trabalhistas e de salário mínimo, que somente alguém sem a menor ética ou capacidade mental podem apoiar.

    E sim, uma troca é justa simplesmente por ter sido dada de comum acordo, pois nenhuma injustiça é cometida, logo, foi justa.
    A injustiça seria impedir violentamente esta troca; isto seria um crime, e é o que ocorre com as legislações criminosas citadas acima.
  • Joao  04/10/2011 12:09
    Ora, Fernando, na minha concepção, quem está ignorando o que é, de fato, a realidade, é você. E, por favor, não há a necessidade de se exaltar, companheiro. Mantenhamos a cabeça no lugar.

    Eu não consigo enxergar essa troca como justa, sinceramente. Não faz o menor sentido. Na verdade, a implicação dessa proposição sim me parecem um crime, perverso e calculista.

    É extremamente conveniente pensar assim. E, nem sempre, o que é conveniente é coerente.

    Seus próprios mentores austríacos propuseram um estudo de economia que se baseia na observação da história (ou pelo menos foi isso que me lembro de ter lido, tanto da filosofia, quanto da economia). Logo, como ignorar as especificidades históricas de uma sociedade, ou dos próprios indivíduos que a compõem? Dizer que a troca é justa pelo simples fato do trabalhador rural não dar o suficiente valor ao seu trabalho atropela por completo as razões que, enraizadas geração após geração, o levaram a se colocar naquela situação e que, mantidas as bases atuais de completa ausência institucional no campo, contribuirão para que a situação se perpetue por bons 50 anos (ao menos).

    Na verdade, eu não acho que ele considere justa aquela situação, ou que ele de fato pense que o trabalho dele vale menos do que recebe. Devo dizer, inclusive, que isso sequer passa pela cabeça dele. Ele faz porque é assim e sempre foi assim, ponto. Eu arriscaria dizer que ele corta cana de sol a sol simples e exclusivamente porque não tem outra opção. Se ele não fizer aquilo, ele morre de fome.

    Ele morre de fome. É isso que acontece no atual estado de coisas do capitalismo. E não sei se vale muito o argumento da ação do Estado pra esse caso específico, porque, se a gente olhar a situação do trabalho rural na prática, veremos que este é o setor da economia em que as políticas públicas estão mais ausentes. Indo além, se observarmos ao longo da história, sempre que forçaram a atomização do mercado de trabalho e houve afastamento das instituições regulatórias, esse acabou sendo um efeito bem comum: as pessoas morreram de fome.

    Às vezes eu tenho a sincera impressão que vocês esqueceram um pressuposto base para a utopia liberal funcionar (da mesma forma que os stalinistas esqueceram um pressuposto base para a utopia comunista funcionar): por mais opressor que seja o Estado, no atual estado de coisas, ele é necessário. Deve ser encarado como uma instituição transitória, é fato, mas é necessário.

    Pelos vários artigos que acompanho aqui, fico com a impressão que o que querem é chegar ao resultado final sem pensar o processo, quando na verdade este sim é o fundamental. Vocês levam a individualização pelo lado oposto do que deveria ser: é exatamente pelo fato de que cada um é diferente e cada um tem capacidades diferentes que uns precisam ser protegitos de outros. Pelo menos por hora.

    Adoraria escrever mais, mas o tempo é curto. Fica pra amanhã.
  • Fernando Chiocca  04/10/2011 12:40
    Seus próprios mentores austríacos propuseram um estudo de economia que se baseia na observação da história (ou pelo menos foi isso que me lembro de ter lido, tanto da filosofia, quanto da economia).

    Falou besteira amigo. A economia é uma ciência apriorística que independe de qualquer observação históricas e suas proposições axiomático-logico-dedutivas são irrefutáveis. E você está tentando refutar um axioma básico! hehehehe

    Se ele não fizer aquilo, ele morre de fome. Ele morre de fome. É isso que acontece no atual estado de coisas do capitalismo.

    Morre de fome??Tem milhões de pessoas pobres que não cortam cana e também não morrem de fome! Como pode hein!
    A verdade é que num ambiente onde haja um mínimo de liberdade econômica (e isso inclui o Brasil), ninguém morre de fome. Mendigos e outros vagabundos não cortam cana e também não morrem de fome. Comida sobra e vai pro lixo as toneladas em locais com um mínimo de capitalismo.

    "Não se exaltando e mantendo a cabeça no lugar" eu apenas lhe informo que é algo pateticamente ridículo um sujeito vir a um site como este tentando usar essa retórica apelativa do "morrer de fome" que não cai por terra até por uma análise de 5 minutos feita por uma criança de 10 anos..
    Mas, de qualquer maneira, temos até um texto já para responder essa alegação ridícula:
    Um esfomeado pode ser considerado uma pessoa livre?

    E não sei se vale muito o argumento da ação do Estado pra esse caso específico, porque, se a gente olhar a situação do trabalho rural na prática, veremos que este é o setor da economia em que as políticas públicas estão mais ausentes. Indo além, se observarmos ao longo da história, sempre que forçaram a atomização do mercado de trabalho e houve afastamento das instituições regulatórias, esse acabou sendo um efeito bem comum: as pessoas morreram de fome.

    Hehehehheheeh
    É isso aí.. o mercado causa fome e o estado intervendo na área rural causa abundância de comida:
    A fome na Ucrânia - um dos maiores crimes do estado foi esquecido
    A China comunista e os seus campos de morte
    Matando de fome os mais pobres do mundo

    é exatamente pelo fato de que cada um é diferente e cada um tem capacidades diferentes que uns precisam ser protegitos de outros. Pelo menos por hora.

    Claro.
    E, logicamente você, que tem uma capacidade superior aos demais, precisa proteger um boia-fria e, usando as armas do estado, quer impedir que ele aceite um trabalho que ele quer aceitar em troca de um pagamento que ele quer obter.
    Tudo bem que através da sua violência você vai impedir que duas pessoas, o contratante e o contratado, fiquem em melhor situação segundo a própria e livre opinião deles, afinal, eles não sabem o que é melhor para eles, quem sabe é você.
    (ou talvez você diga que apenas o contratado é incapaz e deve ser protegido por você, enquanto o contratante seria.. digamos.... um explorador ganâncioso)
    Obrigado por proteger, pelo menos por hora, todos os seres inferiores! Sua bondade e superioridade são de emocionar.
  • Rodrigo  03/10/2011 14:18
    Fernando e Leandro, o que vocês pensam do Bresser Pereira? Levam a sério o economista que parece ter dito que o PSDB é hoje de direita?
  • Fernando Chiocca  03/10/2011 14:43
    Não levo à sério ninguém que se diz economista e sequer sabe que a economia é um ramo da praxeologia.
  • Vítor Jó  03/10/2011 15:52
    Faz muito sentido esse artigo. Irei relê-lo em breve. Mas ainda assim, o problema não se resolveria por completo. A enfermidade é moral, espiritual, não somente palpável e econômica.

    Bom artigo.

  • gilmar  12/06/2012 20:24
    Uma pessoa comum, diz que o cachorro quando fica feliz balança o rabo.Um keynesiano recomenda que se balance o rabo do cachorro pra que ele fique feliz.

    Confundem causa com efeito.


Envie-nos seu comentário inteligente e educado:
Nome
Email
Comentário
Comentários serão exibidos após aprovação do moderador.