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Fusões, aquisições, concorrência perfeita e soberania do consumidor

A recente notícia sobre a fusão das empresas aéreas TAM e LAN Chile — ambas até então concorrentes em algumas rotas — excitou vários "especialistas", que desandaram a deblaterar contra o capitalismo e sua "inerente tendência à concentração do mercado".  Entrevistas a rodo vêm sendo concedidas por professores de microeconomia — adeptos da doutrina da "concorrência perfeita", quase todos da FGV —, que se esmeram na humanista arte de dizer como o governo deve regular as empresas mais severamente.

Todas as esperanças foram depositadas no CADE, que pelo bem da humanidade e da "livre concorrência" deve impedir essa fusão.

São duas as argumentações tipicamente apresentadas pelos contrários a esse processo: 1) uma fusão poderá fazer com que os passageiros usuais tenham menos opções de destino — pois há a tendência de que as rotas redundantes, aquelas feitas por ambas as companhias, sejam reduzidas, e 2) não há tendência de queda de preços, pois há um aumento da concentração do mercado.

Para validar seus argumentos, esses especialistas citam as várias fusões que ocorreram no setor aéreo internacional ao longo da última década, sendo as mais famosas as fusões da KLM com a Air France, da British Airways com a Ibéria, e a da United com a Continental.

As fusões e aquisições também se intensificaram, no Brasil, em outros setores, como frigoríficos e cervejarias.  Houve também uma joint venture entre a Shell e a Cosan.  E, nos próximos meses, as fusões e aquisições do ramo de telecomunicações devem predominar, com o destaque sendo a compra de participação da Oi pela Portugal Telecom.

A pergunta é: fusões representam um processo inerente ao capitalismo?  Se sim, elas devem ser impedidas pelo bem da livre concorrência e do consumidor?

Monopólio e livre concorrência

O capitalismo sempre foi vigorosamente acusado de fomentar a competição entre as pessoas — o que geraria uma lei da selva — e, ao mesmo tempo, de ser um sistema que inevitavelmente gera uma falta de competição, criando uma tendência à monopolização total de toda a economia por uma única empresa.

Um cérebro um pouco mais treinado pode facilmente perceber que ambas as acusações são mutuamente contraditórias.  (Com efeito, em termos mais amplos, os detratores do capitalismo chegaram a um ponto em que nenhuma acusação podem fazer sem que esta já não tenha sido contraditada por alguma acusação anterior.)

Em particular, as acusações em questão advêm em grande parte de uma incapacidade de as pessoas entenderem corretamente o significado de livre concorrência e monopólio. 

Por exemplo, é um disparate dizer que o capitalismo inevitavelmente leva à concentração de mercado — e, finalmente, a uma monopolização da economia — quando se sabe que é o governo a entidade que, por excelência, impede a concorrência econômica. 

No caso específico do setor aéreo, é o governo — por meio da ANAC (Agência Nacional de Aviação Civil) — quem impede a livre concorrência ao dificultar o surgimento de novas empresas (por meio de burocracias escabrosas e de uma carga tributária ultrajante) e ao proibir que empresas aéreas estrangeiras façam voos domésticos — a fusão da TAM com a LAN pode ser vista como uma maneira de a LAN poder ter acesso legal ao mercado nacional brasileiro.

Essas restrições, entretanto, quase nunca são comentadas.  O governo impede a concorrência por meio de suas regulamentações e depois é chamado para, por meio de mais regulamentações, impedir que as consequências inesperadas de suas regulamentações anteriores criem mais restrições no mercado.  Uma bola de neve.

Livre concorrência significa apenas que qualquer setor econômico deve estar legalmente aberto para que qualquer indivíduo ou empresa possam se aventurar nele com o intuito de ofertar bens e serviços aos seus potenciais consumidores, os quais devem também ser livres para optar pelo consumo destes bens e serviços.

Violações dessa liberdade de entrada ocorrem quando o governo exclui forçosamente do mercado exatamente aqueles indivíduos e empresas que estariam nesse mercado caso não houvesse tal regulamentação.  Qualquer decisão governamental que visa a impedir uma fusão é uma decisão para excluir forçosamente do mercado — ou de parte dele — uma empresa que de outra forma estaria nele.  É uma decisão que viola a liberdade de concorrência daquela empresa, monopolizando o mercado contra ela.

Não existe monopólio quando há apenas uma empresa no mercado.  O que define um monopólio são as restrições à entrada de outras.

Concorrência perfeita e soberania do consumidor

Entretanto, essa genuína livre concorrência, que só ocorre em um livre mercado, não é o que realmente defendem esses especialistas que se manifestam contra todas as fusões e aquisições.  O problema é que eles são seguidores de uma teoria econômica que felizmente (ainda) não existe na prática: a teoria da concorrência perfeita.

Trata-se de uma das poucas áreas que Mises não tratou com profundidade adequada.  Sendo assim, vale a pena comentarmos seus problemas.

Em termos resumidos, a teoria da concorrência perfeita diz que, em um ambiente puramente concorrencial, todas as empresas diminuirão seus preços até o ponto em que eles igualem o "custo marginal" da empresa — ou, na melhor das hipóteses, até o ponto em que eles excedam infimamente o "custo marginal", de modo a garantir o lucro minimamente necessário apenas para poder manter suas instalações operando a plena capacidade. 

Repetindo: tal teoria afirma que a produção das empresas deve ser levada até o ponto em que os preços dos produtos são iguais ao seu custo marginal. (Em termos gerais, custo marginal é o custo da mão-de-obra, dos materiais e da energia utilizados para produzir uma unidade adicional de um produto).

Somente nesse ponto — preço = custo marginal — a produção estará em seu "ótimo social".  Se os preços estiverem acima do custo marginal, as empresas estarão maldosamente "privando" a sociedade de usufruir esses bens escassos.

O exemplo a seguir vai ajudar a ilustrar melhor esse raciocínio e mostrar toda a absurdidade contida nele.

Imagine uma vila de pescadores formada por vários grupos que concorrem entre si.  Todos, obviamente, sobrevivem da pesca e da consequente venda de peixes para a indústria local.  Um belo dia, os pescadores saem para a labuta e, ao fim da jornada, retornam com uma quantidade absurdamente exagerada de peixes.  A pesca foi tão grande, que as indústrias locais, tanto a de armazenamento quanto a de enlatamento, simplesmente não têm instalações para processar esse volume de peixes.  Ou seja: houve um excedente que não foi consumido.  Nesse cenário, a teoria vai dizer que os peixes são bens gratuitos — isto é, eles não são bens escassos.  Sua "utilidade social marginal" é zero.  O custo marginal da "produção" desses peixes excedentes é zero.  Portanto, não há motivos econômicos para cobrar preço algum pelos peixes.  Eles simplesmente devem ser distribuídos de graça.

Os pescadores, obviamente, não vão querer isso.  Se os preços dos peixes estiverem muito abaixo dos custos de produção (equipamentos de pesca, manutenção das embarcações etc.), eles irão à falência.  E, se isso acontecer, as consequências de longo prazo serão desastrosas para todos.  Haverá menos equipamentos de pesca, o volume de pesca será bem menor e, consequentemente, os preços serão maiores.

Porém, se os pescadores puderem fazer um acordo entre eles, eles certamente irão devolver ao mar boa parte da coleta, de modo a fazer com que a oferta remanescente possa ser vendida a um preço que esteja minimamente acima de seus custos operacionais.  Ao fazerem isso — ou seja, ao se recusarem a sofrer prejuízos voluntariamente —, os defensores da teoria da concorrência perfeita dirão que eles estão praticando uma "restrição monopolística da oferta".

O mesmo raciocínio acima é empregado para absolutamente qualquer empresa que esteja operando no mercado, seja ela uma companhia aérea (restringindo a oferta de voos), uma produtora de alimentos, de equipamentos médicos, de automóveis, de computadores etc.  Se elas se recusarem a vender a preços iguais aos seus custos marginais, elas estarão privando a sociedade de usufruir bens escassos.  Se uma indústria tem capacidade instalada suficiente para produzir um milhão de unidades por mês, mas a quantidade demandada pelos consumidores — a um determinado preço acima do custo marginal — foi de apenas 700.000, então essa indústria está privando seus consumidores de desfrutar 300.000 unidades a mais desses produtos.  O "correto" seria ela reduzir seu preço até que todas as suas unidades produzidas — um milhão — fossem vendidas.  Apenas nesse caso o consumidor seria soberano.

Sempre que uma empresa pratica um preço que lhe permite recuperar parte do investimento — ou seja, um preço acima de seus custos operacionais —, ela é acusada de estar monopolisticamente segurando parte de sua oferta; oferta essa que "pertence" à sociedade.

Não é difícil ver as raízes coletivistas dessa teoria.  Não é desarrazoado dizer que a teoria da concorrência perfeita está à esquerda do marxismo.  Marx criticava o capitalismo apenas por causa da existência dos lucros.  Já a teoria da concorrência perfeita o faz porque os empreendedores se recusam a sofrer prejuízos.  Os seguidores dessa teoria — normalmente, professores de microeconomia — não centram suas reclamações no fato de que os empreendedores estão auferindo lucros excessivos por meio de algum tipo de monopólio; sua reclamação está no fato de que eles "monopolisticamente" se recusam a vender a preços que lhe tragam prejuízos.

Consequentemente, levando tal teoria ao extremo, nenhuma propriedade é realmente privada.  As empresas na verdade pertenceriam à "sociedade", que, no máximo, estaria concedendo a gerência a um empreendedor privado.  A "sociedade" tem o direito à propriedade do empreendedor e ao produto de seu trabalho, mas permite que ele continue na gerência desde que a "sociedade" receba aquilo que os professores de microeconomia consideram ser o máximo benefício possível.

Em termos práticos, se uma empresa aérea se recusa a aumentar a oferta de voos de modo a suprir toda a demanda existente para todos os tipos de voos — pois ao fazer isso ela estaria incorrendo em prejuízos —, ela estará retirando a soberania do consumidor e monopolisticamente retendo parte da oferta.  Se um avião decola com algumas cadeiras vazias, a empresa aérea está se recusando a compartilhar sua propriedade com a "sociedade", pois obviamente alguém poderia estar sentado ali, caso o preço da passagem fosse zero (o custo marginal de se admitir um passageiro a mais em um avião que não está cheio é praticamente nulo.  Logo, o preço da passagem deve ser zero).

Assim, quando se reclama que a fusão de companhias aéreas pode fazer com que o passageiro tenha menores opções de destino, a ideia subjacente é a de que a propriedade das empresas sobre seus aviões e suas rotas na verdade não lhes pertence.  É um "direito da sociedade" que as empresas ofereçam exatamente as rotas que ela quer, independente dos custos incorridos para tal.

Portanto, para tentar resumir essa seção: de acordo com a teoria da concorrência perfeita, sempre que uma empresa opera abaixo de sua capacidade máxima e, com isso, consegue recuperar seus custos fixos e obter um lucro necessário para a expansão do seu investimento, ela estará monopolisticamente restringindo a oferta.  Se ela não reduzir seus preços de modo a atender toda a demanda potencial — mesmo que tenha de praticar preços abaixo dos seus custos operacionais para tal, o que a levaria à falência —, ela será uma monopolista e o consumidor (e a "sociedade") não será soberano.

A genuína concorrência sob o capitalismo

No mundo capitalista real, é óbvio que tais devaneios sequer são imaginados por genuínos empresários.  Ao contrário de professores universitários, que em sua maioria jamais sequer brincaram de lojinha, empreendedores e capitalistas estão muito ocupados tentando imaginar como ganhar fatias de mercado e satisfazer consumidores — pois só assim obtêm lucros.   

Por isso, no mundo real, concorrência entre as empresas faz com que os preços de venda de seus produtos sejam determinados de acordo com os custos totais de produção mais uma taxa de lucro necessária pra reinvestimentos.  Não existe e nem nunca existiu balelas como "a concorrência faz com que os preços se igualem aos custos marginais."

Exatamente pelo fato de esse tipo de redução de preços não ocorrer no mundo real — algo que só ocorre na cabeça de microeconomistas —, o capitalismo passou então a ser acusado por seus detratores como sendo inerentemente monopolista e por não permitir uma genuína concorrência de preços.  Afinal, se a teoria microeconômica prediz uma coisa, mas ela não ocorre, então é porque o sistema tem de ser imperfeito.

Na visão de mundo dessas pessoas, não há concorrência de preços pelo seguinte motivo: se há poucos vendedores no mercado, qualquer um deles que esteja querendo reduzir seus preços irá antes levar em consideração a possibilidade de que seus concorrentes também irão reduzir seus preços, para não perder mercado.  Sendo assim, acaba que no final todos irão desistir da ideia de reduzir preços, e estes jamais serão reduzidos — muito menos igualados aos custos marginais.

Entretanto, qualquer observação séria dos fenômenos ao nosso redor comprovará a inverdade do raciocínio acima.  Apenas pense no que houve ao longo dos últimos anos com os produtos que você consome.  Mesmo aqueles que não tiveram seu preço nominal reduzido — o que seria um verdadeiro feito nessa nossa era de constante inflação do papel-moeda sem lastro —, apresentaram uma melhora de qualidade.  Mais ainda: hoje você gasta menos tempo de trabalho para obtê-los.

Como isso foi possível?  Trata-se de um claro exemplo de concorrência de preços.

Mesmo no atual mundo inflacionário em que vivemos, há concorrência de preços.  Cada empresa está interessada em melhorar a qualidade da mão-de-obra que ela emprega, aumentando a produtividade.  Ao fazer isso, ela é capaz de segurar um aumento nos preços, ou, no máximo, aumentá-los menos que a concorrência (em um mercado competitivo e em expansão, os preços só aumentam em decorrência da inflação monetária praticada pelo banco central).  Já aquelas empresas concorrentes que não conseguirem aumentar sua produtividade, ainda assim serão obrigadas a reprimir um aumento de seus preços, pois se o fizessem perderiam mercado.

Consequentemente, se essas empresas menos eficientes quiserem se manter lucrativas e permanecer no mercado, elas terão de encontrar uma forma de aumentar a produtividade de sua mão-de-obra.  Elas simplesmente não podem se dar ao luxo de ficar para trás.  E isso é um claro exemplo de concorrência de preços.  Qualquer empreendedor de verdade sabe que é assim que funciona.  Aliás, qualquer pessoa com alguma vivência empreendedorial sabe que é assim que a concorrência funciona.  Aparentemente, é preciso ter algum doutorado em economia para crer que concorrência de preços significa você igualar o preço do seu produto ao custo marginal dele, fazendo com que os preços despenquem a cada minuto.

A genuína concorrência de preços que ocorre no mercado real não é aquela em que empreendedores saem reduzindo seus preços tacitamente, na esperança de que tal ato não será notado por seus concorrentes — de modo que, com isso, ele consiga ganhar seus clientes.  Não.  O empreendedor que porventura reduz o seu preço está perfeitamente cônscio do impacto que isso terá sobre a sua concorrência.  Ele sabe que ela tentará acompanhá-lo.  Ele, porém, sabe que alguns concorrentes não conseguirão fazê-lo, e é desses que ele quer ganhar clientes.  Mas esse empreendedor só poderá reduzir seus preços caso sua produtividade seja maior que as dos concorrentes, pois só assim seus custos de produção serão reduzidos a um nível que a concorrência não poderá igualar.

É essa capacidade de reduzir custos de produção que é a essência da concorrência de preços que há no mundo real. 

Uma cadeia de supermercados, por exemplo, só conseguirá superar seus concorrentes caso consiga fazer com que seus fornecedores lhe vendam a preços menores.  Para tal, esses fornecedores terão de aumentar sua produtividade, aprimorando a eficiência de sua cadeia de produção.  É isso que permite que uma cadeia de supermercados venda constantemente mais barato que outras e, ainda assim, apresente um maior lucro.

Mesmo com o risco de soar repetitivo, vale a pena enfatizar toda a ideia até aqui apresentada: no capitalismo, a busca por lucros maiores gera contínuas inovações, as quais aparecem na forma de produtos de melhor qualidade e métodos de produção mais eficientes (menos custosos).  Um empreendedor só consegue reduzir seus preços — algo que ele vai fazer talvez apenas uma vez por ano — caso consiga reduzir seus custos de produção.  Ao fazer isso, ele torna-se capaz de auferir lucros adicionais, os quais ele pode reinvestir para expandir sua capacidade produtiva.  E é essa sua capacidade de manter baixos custos de produção que o permite se manter um passo à frente da concorrência — a atual e a potencial —, que fica atraída por esses lucros mais altos, mas que não consegue igualar a eficiência de custos — e, consequentemente, os preços baixos — obtidas por esse empreendedor.

A eficiência na contenção de custos é a essência de qualquer conquista de uma fatia de mercado.  O segredo é saber como fazer para que sua redução de custos e seu aprimoramento da qualidade dos produtos vendidos sejam maiores que os de seus concorrentes.  Isso é resultado de eficiência, competência e habilidade.  É assim que funciona no capitalismo.

Por que só um livre mercado "otimiza" os benefícios da sociedade

Apenas para dar um exemplo prático de como apenas a livre concorrência pode fazer com que as empresas produzam o máximo possível e de modo a cobrar o menor preço realisticamente possível por seus produtos, tentemos o raciocínio a seguir.

Imagine uma indústria qualquer que esteja produzindo 100 unidades de um dado produto.  Pode ser uma processadora de alimentos, uma produtora de equipamentos cirúrgicos, uma montadora de automóveis, ou mesmo uma companhia aérea ofertando voos.  Imagine que essa indústria não tenha concorrentes.

Se essa indústria estiver vendendo essas 100 unidades a um preço de $10 cada uma, sua receita total será de $1.000.  Se essa indústria aumentar sua produção para 105 unidades, e o resultado dessa maior oferta for uma queda no preço da unidade para $9 (a queda de preço é necessária para achar consumidores adicionais), a receita total da indústria será de apenas $945 — uma redução de $55.  Portanto, teoricamente, essa indústria não terá incentivos para aumentar sua produção.

Porém, se a entrada no mercado for livre, qualquer empresa concorrente que tenha a capacidade de produzir apenas essas 5 unidades adicionais (observe que pode ser uma empresa menor que a nossa indústria em questão), irá obviamente produzi-las.  Se essa empresa concorrente conseguir produzir 5 unidades a um custo total menor do que $45 — o que lhe permitiria uma taxa de lucro, caso vendesse cada uma por $9 —, então ela entrará no mercado.  (Pense, por exemplo, numa Azul concorrendo com a TAM e com a Gol).

Sendo assim, a indústria, que até então não tinha concorrentes, terá de fazer alterações em seus planos. Se ela continuar produzindo 100 unidades, cujo preço unitário agora é de $9, isso vai lhe trazer vultosos prejuízos.  Assim, sua única saída é aprimorar seu processo de produção, reduzindo seus custos e aumentar suas vendas, de modo que as unidades adicionais que ela venha a produzir (sua capacidade instalada já é de 100 unidades) sejam menos custosas que a da empresa concorrente. Só assim ela conseguirá reduzir seus preços e, ainda assim, competir com essa outra empresa.

Nesse caso, a oferta de bens no mercado vai aumentar e os preços inevitavelmente vão cair.  A indústria não tem mais a opção de produzir 100 unidades a um preço de $10 cada unidade.  Sua única opção é entre produzir 100 unidades a $9 (o que lhe traria prejuízos) ou produzir, digamos, 105 unidades a $9.  Ela obviamente terá de optar pela segunda.

Essa indústria terá de adotar métodos mais eficientes de produção (reduzir custos) para reconquistar essa fatia de mercado que ela perdeu para a empresa menor.

A livre concorrência, nunca é demais enfatizar, faz com que novas empresas sejam atraídas para aqueles mercados que apresentam altas taxas de lucro.  Esse processo provoca uma redução de preços, que reduz essas altas taxas de lucros.  Consequentemente, todos aqueles envolvidos na produção de bens e serviços tentam a todo o momento encontrar métodos de produção que sejam menos custosos, na tentativa de voltar a aumentar seus lucros.  Com o tempo, esses lucros acabam atraindo novos concorrentes.  E essa concorrência elimina os altos lucros e faz com que os baixos custos de produção tenham de ser repassados ao consumidor na forma de preços mais baixos.  A contínua busca por lucros leva à descoberta e à implementação de novos métodos de produção ainda menos custosos, com o mesmo resultado acima.  A consequência é uma queda progressiva nos preços reais de todos os produtos.  (A queda nominal nos preços não ocorre simplesmente por causa da inflação monetária praticada pelo banco central).

Conclusão

Teorias microeconômicas que acreditam em concorrência perfeita, na qual as empresas equiparam seus preços aos seus custos marginais, existem apenas nas salas de aula de universidades e nos manuais de microeconomia. 

Entretanto, infelizmente, essa noção errônea de economia abriu espaço a uma série de ataques infundados ao sistema capitalista. 

Caso houvesse um genuíno conhecimento de como funciona um livre mercado, clamores contra fusões e aquisições perderiam todo o sentido.  Defesas de medidas antitruste baseiam-se em um conceito de concorrência tão confuso e irreal, que ele abandona toda e qualquer referência ao verdadeiro fenômeno da concorrência.  Com efeito, o conceito de concorrência dessas pessoas é na realidade o exato oposto da real concorrência que há em um sistema capitalista.

Apenas uma livre concorrência, com um mercado sem barreiras à entrada impostas pelo governo, pode de fato trazer uma maior oferta de bens e serviços à "sociedade".


1 voto

autor

Leandro Roque
é o editor e tradutor do site do Instituto Ludwig von Mises Brasil.

  • amauri  19/08/2010 09:57
    Bom dia Lenadro!\r
    Acabo de ler o seu artigo, antes dele li o seguinte artigo: Obom momento da economia brasileira despertou de vez o apetite de grupos estrangeiros por empresas nacionais. Pesquisa da KPMG do Brasil mostra que o número de aquisições de empresas brasileiras por estrangeiros mais do que dobrou no segundo trimestre, passando de 21 transações entre janeiro e março para 56 operações entre abril e junho - o maior número já registrado num segundo trimestre desde 1994, quando o levantamento começou a ser feito. Em todo o primeiro semestre, foram 77 negócios ao todo, um incremento de 64% em relação à 47 aquisições dos primeiros seis meses de 2009. \r
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    Transações como a entrada da Portugal Telecom na Oi, com a benção do BNDES e dos fundos de pensão, no final de julho, e a fusão da TAM com a LAN, anunciada semana passada e que resultará numa companhia de controle majoritário chileno, comprovam o ostensivo interesse pelo país. \r
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    - Fusões e aquisições são operações que precisam de cenários de certa estabilidade, pois exigem investimentos de longo prazo. Com a crise, a partir de 2008, houve um represamento de projeto. Agora, com a perspectiva muito boa para o Brasil, isso muda - diz Luís Motta, sócio da KPMG especialista em fusões e aquisições. \r
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    Americanos e chineses lideram \r
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    Em 2008, quando a crise se fazia sentir mais forte no hemisfério Norte, o executivo lembra que das 663 operações de fusão e aquisição registradas pela KPMG no país, 72% tinham compradores brasileiros. Depois os negócios encolheram. O segundo trimestre, segundo Motta, marca a volta dos estrangeiros ao país, com predomínio de americanos(27) e chineses (10) nas aquisições no primeiro semestre. \r
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    - Não existe uma desnacionalização e, relativamente, as coisas estão equilibradas, porque as empresas brasileiras estão também num ritmo forte de internacionalização - observa Motta, referindo-se às 38 aquisições feitas por brasileiros no exterior no período. \r
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    Luis Afonso Lima, presidente da Sociedade Brasileira de Estudos de Empresas Transnacionais e da Globalização Econômica (Sobeet), concorda e diz que o que há é um processo de internacionalização da economia brasileira. A maior concentração de estrangeiros, observa, se dá em setores em que a competição cada vez mais se dá em nível global: \r
    \r
    - A competição internacional, em setores como o das telecomunicações, por exemplo, contempla e demanda por consolidação de empresas devido aos altos investimentos em tecnologia exigidos e à necessidade de escala. \r
    \r
    Ex-presidente da Sobeet e professor da PUC de São Paulo, o economista Antônio Corrêa de Lacerda ressalta justamente a importância de o país definir estratégias para que a internacionalização de sua economia se dê de forma saudável. Corrêa cita o fato de que ter sócio estrangeiro implica na remessa de dólares para fora, que afeta as contas do país. Mas o principal desafio consiste em garantir que a operação brasileira participe dos projetos de desenvolvimento e inovação definidos pelas matrizes que aqui se instalam com as aquisições de empresas locais. \r
    \r
    - A internacionalização traz desafios e o risco que corremos é ficar à margem das inovações, como meros fabricantes de produtos - diz Lacerda, que também rechaça a visão de um processo de desnacionalização no país. \r
    \r
    - As empresas brasileiras estão se internacionalizando também. É a mesma face do mesmo processo. É um jogo de mão dupla. \r
    \r
    \r
    Voltei:\r
    Algumas duvidas me ocorrem:\r
    Houve um aumento no consumo, devido principalmente a alavancagem, certo?\r
    Há um grande aumento do individamento da população.\r
    Há um endividamento publico crescente.\r
    Existe uma candidata a presidente que promete a seus militantes atitudes contrarias ao livre comercio.\r
    Porque estão vindo comprar empresas nacionais?\r
    Grato\r
    Amauri
  • Mises  19/08/2010 15:11
    Mises tratou sim desta questão. Por exemplo, em seu livro "Liberalismo", ele admite que no livre mercado, com o desenvolvimento do capitalismo, a tendência é a concentração poucas firmas num ramo de produção ou uma única firma.
  • Leandro  19/08/2010 20:59
    Prezado Amauri,

    Tudo o que você disse está correto. Porém, a percepção dos investidores lá fora - e nisso eles estão corretos - é a de que haverá um aumento da demanda interna aqui dentro, com aumento da renda e, consequentemente, do consumo.

    Se tal aumento será sustentável ou não, é algo que não lhes interessa agora. O que lhes interessa é que, no momento, há uma ótima oportunidade para se ganhar dinheiro aqui dentro a curto prazo. E como o resto do mundo está em recessão, com demanda reprimida e endividamento alto, então o capital flui para os países em desenvolvimento, onde a expectativa de aumento do consumo é maior do que lá fora. O Brasil é um destes países.

    Eles estão vindo pra cá mais é por falta de oportunidade mesmo.

    Porém, é curioso notar como esse pessoal daqui fica entusiasmado com tão pouca coisa. Faça uma viagem aos tigres asiáticos, ou até mesmo à China, e você verá o tanto que somos provincianos. Apenas uma olhada na infraestrutura de lá já lhe permite concluir para onde está indo o real investimento em capital bruto. Os aeroportos de Hong Kong, Cingapura e Xangai deixam qualquer aeroporto americano com um aspecto de favela. A coisa é magnânima mesmo. Da mesma forma, qualquer aeroporto do Leste Europeu é superior ao aeroporto de Guarulhos em todos os aspectos. O aeroporto de Praga, por exemplo, é excelente. A infraestrutura urbana dos asiáticos, então, parece coisa de outro planeta.

    Ou seja, é nesses países que está o capital genuíno, o capital fixo. É ali que está a infraestrutura. Aqui, por enquanto, está havendo só especulação mesmo. Não há investimento real. Há só o PAC, que vem conseguindo a façanha de piorar tudo.

    Abraços!


    Prezado Anônimo, sugiro uma releitura mais atenta do referido livro. Aqui vai, capítulo 2 seção 7. A explicação de Mises é exatamente contrária ao que você disse.

    mises.org/books/liberalism.pdf
  • fála exatamente isso  20/08/2010 00:09
    Prezado Leandro

    Eu comprei este livro traduzido pelo Haydin Coutinho Pimenta, do Instituto Liberal, e editado pela José Olympio Editora, e já lí 102 páginas dele, já estou lendo a pare em que ele fála sore a burocratização, tenho de continuar lendo o restante do livro para concluir a leitura, mas já passei pela parte citada por você e é exatamente neste parte que ele diz isso. Se insistir eu lhe envio.
  • Quincas Borba  20/08/2010 11:33
    A concorrência só é perfeita, se todos os competidores utilizarem suas forças ecnômicas livremente. É inutil falar em concorrência, se o governo está ajudando os mais fracos. A concorrência perfeita é concorrência total, valendo tudo: "ao vencedor as batatas!"
  • amauri  20/08/2010 12:01
    Boa tarde Leandro\r
    Grato pelo rapido retorno.\r
    Dois pontos que gostaria de sua opinião:\r
    1) Nos países citados por voce sobre infraestrutura, por lá este item é realizado pelo setor privado?\r
    2) Saindo do assunto: os jornais estão divulgando que o valor de mercado da Vale ultrapassou o da Petrobras. Pergunta: O valor de mercado é o valor que se um empresario comprar vai pagar ou, este valor é o valor na bolsa?\r
    Grato mais uma vez.\r
    Amauri
  • Leandro  20/08/2010 14:24
    Prezado Amauri,

    1) Não acredito que toda a infraestrutura seja 100% privada no Leste Europeu. Na China certamente não é. Já nos Tigres Asiáticos eu não tenho a menor ideia. O mais provável é que tenha havido alguma Parceria Público Privada.

    Mas a questão é que o fato de a infraestrutura desses lugares ser boa já um indicativo inequívoco de que é para lá que está indo o capital. Afinal, governo não tem capital. Ele, no máximo, promete um ambiente de retorno àqueles que investirem ali seu capital, seja num empreendimento 100% privado ou seja numa parceria público-privada.

    Mesmo uma obra que fosse 100% feita pelo governo (o que não é o caso em questão, mesmo na China), ainda assim o governo teria de estar utilizando bens de capital de alguma indústria privada, seja ela nacional ou estrangeira. Quanto maior a qualidade da obra, maior o indicativo da qualidade dos bens de capital utilizados. E isso, por sua vez, é um indicativo do nível de investimento da economia local.

    Aqui no Brasil o pessoal fica mesmerizado com qualquer obra tapa-buraco, ou com uma ponte estaiada qualquer, ou mesmo com um rodoanel.


    2) Valor de mercado é apenas o valor da ação daquela empresa na bolsa multiplicado pelo número de ações existentes. Ou seja, em termos populares, é o valor na bolsa.

    Abraços!



    Anônimo, não precisa me enviar o livro. Estou com o original aqui na minha frente, que aliás é o mesmo do link que lhe passei acima. A menos que meu inglês esteja escabroso, o que estou lendo ali é o oposto do que você afirma que Mises disse.
  • Bruno Silva  06/10/2010 15:53
    Leandro

    Tive uma aula hoje de microeconomia e passamos exatamente por esse ponto que você comentou. P*=Custo Marginal.

    Só que o professor não se referiu a nada de ótimo social. Ele só demonstrou que no longo prazo as empresas não conseguem manter esse preço acima do seu custo marginal porque como o mercado é altamente competitivo, outras empresas irão perceber e entrar nesse mercado, trazendo o seu preço para baixo, até que atinja o mesmo valor do custo marginal. E não que eles baixaram seus preços para atingir o ótimo social porque são benevolentes.

    Acho que você se colocou de maneira meio errada nessa questão.

    Outra coisa que não concordei foi quando você diz que:

    "Por isso, no mundo real, concorrência entre as empresas faz com que os preços de venda de seus produtos sejam determinados de acordo com os custos totais de produção mais uma taxa de lucro necessária pra reinvestimentos. Não existe e nem nunca existiu balelas como "a concorrência faz com que os preços se igualem aos custos marginais."

    Foi exatamente isso que ele falou, que os preços são determinados pelos custos de produção mais uma taxa de remuneração para ter lucro econômico. Repito, lucro econômico, e não lucro contábil, portanto tem que ser descontado o custo de oportunidade. Só que dentro dos pressupostos da teoria da competição perfeita, esse lucro econômico por definição não é sustentável no longo prazo (outros entrarão no mercado, trazendo este lucro econômico para zero, onde P=CM, até porque eles são aquele mercado), a não ser que a firma inove mais do que as outras e consiga atingir custos marginais menores do que o restante.
  • Leandro  06/10/2010 16:24
    Prezado Bruno, você fez uma ligeira confusão.

    A questão do "ótimo social" está implícita na teoria que condena uma concentração de mercado que gere preços fora dessa igualdade (preço = custo marginal). Segundo a teoria, qualquer arranjo de mercado que gere preços fora dessa igualdade (preço = custo marginal) é um arranjo operando fora de seu ótimo social. Não é invenção minha, isso está nos livros de micro.

    Ademais, em momento algum eu disse que as empresas baixam seus preços porque são benevolentes! Não entendi de onde você tirou isso.

    Outra coisa: dizer "outras empresas irão perceber e entrar nesse mercado, trazendo o seu preço para baixo, até que atinja o mesmo valor do custo marginal" é simplesmente lunático. Absolutamente nenhuma empresa faz isso. Nenhuma empresa precifica de acordo com o custo marginal. É justamente essa a crítica da teoria.

    E isso vale também para a última parte da sua postagem.

    Grande abraço!
  • Rhyan  15/08/2011 05:21
    Então, qual é a importtância do Marketing para a EA?
  • Raphael Noronha Auto De Souza Leao  01/12/2011 14:13
    Leandro, eu estou tendo uma dúvida sobre esse tema da concorrência perfeita. Pelo seu conceito e o da Wikipedia, a ideia de concorrência perfeita gira em torno do fato dos custos marginais se igualarem aos preços. Mas pesquisando por ai, eu vi definições bem diferentes, como:

    "As a positive model, the core of perfect competition is a market in which
    the goods and services are homogeneous8; each firm is so tiny that it produces
    so insignificantly small a proportion of the total output that any
    increases in its offerings cannot effect price even by a minuscule iota9; and
    full information is available to all market participants about all goods and
    services.10"

    Essa definição parece bem diferente da que você trabalhou (embora seja igualmente irreal). Pergunto, tanto a sua como essa definição são equivalentes? Se sim, como?
  • Leandro  01/12/2011 18:20
    Todas são características complementares da mesma teoria, Raphael. Falando mais especificamente, em uma concorrência perfeita as empresas são minúsculas e "tomadoras de preços" (elas não formulam preços, apenas "aceitam" os preços impostos pelos consumidores), sendo que o preço é igual ao custo marginal.

    Adicionalmente -- ou melhor, para que essa "teoria" faça um pouco mais de sentido -- estipula-se que todas as empresas produzem bens e serviços idênticos e homogêneos, sem nenhuma distinção. A consequência disso é que, se uma empresa reduzir os preços dos seus produtos em $0,00000000001, todos os consumidores correrão em manada para ela, pois, também de acordo com a teoria, eles possuem informações perfeitas.

    E como as empresas são de tamanho ínfimo e não possuem nenhuma capacidade de influenciar o mercado, elas são, por definição, obrigadas a produzir o máximo possível, sem nenhuma restrição na oferta. Caso contrário, caso produzissem menos do que seu potencial, elas, ao menos de acordo com a teoria, teriam prejuízos, pois sua menor oferta faria com que elas tivessem de vender a preços mais altos (questão de economia de escala); por conseguinte, elas venderiam muito menos bens, pois todos os consumidores correriam para os concorrentes (lembre-se, os consumidores possuem informações são perfeitas). E por causa desse menor volume de vendas, elas teriam prejuízos e iriam à falência.

    As implicações de tudo isso são justamente aquelas comentadas no texto: sempre que uma empresa opera abaixo de sua capacidade máxima e, com isso, consegue recuperar seus custos fixos e obter um lucro necessário para a expansão do seu investimento, ela estará monopolisticamente restringindo a oferta. Consequentemente, o mercado ainda não está em "concorrência perfeita". Ainda há espaço para mais oferta. Logo, se a empresa não reduzir seus preços de modo a atender toda a demanda potencial -- mesmo que tenha de praticar preços abaixo dos seus custos operacionais para tal, o que a levaria à falência --, ela será uma monopolista e o consumidor (e a "sociedade") não será soberano.

    E é exatamente esse raciocínio que vemos nas análises dos "especialistas" na mídia criticando fusões, que foi o ponto de partida desse texto: eles nunca comentam essas características por você citadas, preferindo concentrar-se única e exatamente nesse fator que acabei de descrever no parágrafo acima: a restrição da oferta, algo visto como um "direito" dos consumidores.

    Grande abraço!
  • Hay  07/06/2012 11:04
    Muitos falam que no liberalismo favorece o surgimento de carteis e trustes. A estratégia mais mencionada por eles é esta:
    - A grande empresa Blim (ou o conglomerado, como queiram) quer derrubar a empresa Plum. Para isso, a Blim se utiliza de recursos excedentes para derruba o preço dos seus produtos para valores que não cobrem o custo de produção.
    - Durante alguns meses, a Blim tem prejuízos enormes, mas mesmo assim consegue tirar a empresa Plum do mercado, pois todos compraram os produtos da Blim.
    - Com a Plum fora do mercado, a Blim pode aumentar os preços como bem entender.

    O que eu faria se fosse um empresário? Ora, uma estratégia simples:

    - Eu sou dono da Trunt, que não concorre diretamente com a Blim. Por isso, durante um pouco de tempo, junto recursos e vou investindo secretamente para concorrer com a Blim, mas não o faço diretamente e abertamente.
    - Eu abro uma empresa subsidiária, a Crickt, relativamente pequena, só para concorrer com a Blim, como uma marca menor. Eu começo a vender produtos mais baratos e melhores que os da Blim.
    - A Blim passa a adotar sua estratégia de me tirar do mercado baixando demais seus preços e tendo prejuízos seguidos.
    - A Crickt vai segurando as pontas até eu perceber que a Blim está começando a sofrer com falta de recursos e não pode manter essa estratégia por mais tempo.
    - Eu espalho que vou sair do mercado da Blim, tirando a Crickt do mercado.
    - O dono da Blim fica muito feliz porque acha que agora tem novamente o monopólio.
    - Aqui que vem o golpe fatal: eu, na verdade, nesse meio-tempo estava desenvolvendo produtos muito melhores e pesquisando formas de baratear muito o meu custo de produção. Dessa vez, eu lanço a nova linha de produtos e entro de sola no mercado.
    - A Blim pode até tentar me derrubar com a mesma estratégia de vender com prejuízos, mas ela está descapitalizada e gastou seu tempo e dinheiro para me derrubar ao invés de tornar seus produtos melhores e mais baratos. Resumindo: ela ficou para trás e não está mais na dianteira.

    Lembrem-se, também, de que, quando uma empresa fica grande demais, ela também carrega consigo seu próprio peso, e pode tornar-se mais lenta e mais ineficiente. Se ela passar a gastar seu tempo só achando formas desleais de acabar com a concorrência, ela pode ficar obsoleta rapidamente.
  • Carlos Eduardo  07/06/2012 11:29
    O surgimento de monopólios só acontece quando o Estado cria muitas regulamentações que impõem barreiras à criação e ação livre de empresas. Se qualquer empresa chega a um bom lugar na concorrência e à frente de seus concorrentes, é porque ela está fornecendo bons produtos a um preço melhor que as outras, e isso não pode ser definido como monopólio. Se ela por acaso se acomodar e passar a fornecer produtos ruins a preços mais altos, por acreditar que agora ela é "a única no mercado" e por isso nada pode fazer frente a ela, ela será eventualmente ultrapassada por outra empresa que forneça produtos melhores e mais baratos. Isto é, se o mercado for verdadeiramente livre e não houver entraves à entrada e saída livre de outras empresas ou corporações dessa concorrência. Se o mercado não for livre e tiver muita regulamentação governamental nesse sentido, a possibilidade de monopólios e trustes aparecerem é muito maior.
  • heisenberg  07/06/2012 17:04
    O artigo parte de uma base correta ao criticar os críticos das Fusões. Mas o grande erro deles está em solicitar a intervenção do governo e não em citar a concorrência perfeita. No limite, concorrência perfeita = livre concorrência.
    As críticas à teoria microeconômica foram mal feitas e o autor não sabe diferir lucro econômico, lucro contábil, custo de oportunidade e diferentes tipos de monopólios. O exemplo dos pescadores foi mal formulado, se a pesca render peixes excedentes, eles nunca serão conseguidos a preço zero, sempre há o custo fixo a ser recuperado, assim como o custo marginal não é o custo do último produto, mas o custo que a empresa incorreria para produzir mais um exemplar. Ora, no exemplo a demanda era limitada porque? O consumidor de outras áreas não estarão dispostos a pagar um pouco menos por uma unidade adicional de peixe?( e assim por diante).
    Dizer que o capitalista busca vender a um preço que cubra seus custos de produção mais um lucrinho pra reinvestir e comprar casa pra família é exatamente o que diz a teoria microeconômica. Em micro, o custo de oportunidade do empresário/administrador já está incluso, o que seria seu pró labore. Dizer isso, tambem é o mesmo que negar que exista o mercado de crédito, pois se o empresário necessita desse reinvestimento, é o mesmo custo do capital, incluso na teoria micro.
    O problema da Teoria Micro é que quando ela aborda monopólios, ela apenas diz que o monopólio está instalado e pronto. se considerarmos total liberdade de entrada no mercado, livre informação, mesmo custo de capital etc, a empresa monopolista terá que praticar preços muito próximos da concorrência perfeita. A bem da verdade, esse monopólo já seria concorrência perfeita com uma empresa só.
  • Leandro  07/06/2012 18:21
    "No limite, concorrência perfeita = livre concorrência."

    No conceito austríaco, sim. No microeconômico convencional, não. E isso não é opinião minha. É só ler a teoria.

    "As críticas à teoria microeconômica foram mal feitas"

    É mesmo? Pra começar, eu não falei de "teoria microeconômica", com essa abrangência toda. Falei apenas da teoria da concorrência perfeita. Com isso em mente, prossigamos para seus argumentos.

    "o autor não sabe diferir lucro econômico, lucro contábil, custo de oportunidade e diferentes tipos de monopólios."

    Só se você tiver entrado em minha mente para decifrar isso, pois em momento algum no artigo tais conceitos são colocados em cheque ou comparados. Sequer são mencionados.

    "O exemplo dos pescadores foi mal formulado"

    Será? Vamos ver seus argumentos.

    "Se a pesca render peixes excedentes, eles nunca serão conseguidos a preço zero, sempre há o custo fixo a ser recuperado."

    Correto. E? Onde o artigo nega esse fato?

    Prossigamos. Até agora, o primeiro espantalho já foi contabilizado.

    "assim como o custo marginal não é o custo do último produto, mas o custo que a empresa incorreria para produzir mais um exemplar."

    Está escrito explicitamente no artigo: "custo marginal é o custo da mão-de-obra, dos materiais e da energia utilizados para produzir uma unidade adicional de um produto".

    Ou seja, você inventou um conceito que eu não utilizei apenas para me atacar. Já são dois espantalhos.

    "Ora, no exemplo a demanda era limitada porque? O consumidor de outras áreas não estarão dispostos a pagar um pouco menos por uma unidade adicional de peixe?( e assim por diante)."

    Quem falou em demanda limitada?! O artigo fala claramente em oferta voluntariamente restringida pelos produtores. Gentileza clarificar suas ideias antes de fazer críticas. Três espantalhos.

    "Dizer que o capitalista busca vender a um preço que cubra seus custos de produção mais um lucrinho pra reinvestir e comprar casa pra família é exatamente o que diz a teoria microeconômica."

    Não a teoria da "concorrência perfeita", da qual, repito, o artigo trata com exclusividade. O artigo, e sou obrigado a repetir mais uma vez, não trata de "teoria microeconômica", conceito este totalmente abrangente. Ele trata apenas da teoria da "concorrência perfeita", a qual é explícita em afirmar que o lucro é zero.

    Insisto: domine melhor uma teoria antes de querer criticar um crítico desta teoria.

    Grande abraço!
  • Andre canine  29/07/2012 19:26
    A escola de chicago defende esse conceito rídiculo de "concorrência perfeita"? Que decepção...\r
    \r
    \r
    E aguardo a nova resposta do heisenberg.. hahahah
  • mauricio barbosa  02/10/2016 13:38
    Heisenberg deve estar "cuspindo marimbondos",pois não passa de um troll socialista ou qualquer outra coisa que o valha,tentando defender o indefensável...
  • Emerson Luis, um Psicologo  18/07/2014 17:33

    George Orwell certa vez disse que algumas ideias são tão insensatas, que somente um intelectual poderia acreditar nelas.

    * * *
  • Darlley Brito  24/06/2017 15:07
    Poderiam escrever um artigo resposta a este: A falsa soberania do consumidor no mercado capitalista e o fetichismo da publicidade - revistaespacoetica.com.br/2015/01/15/a-falsa-soberania-do-consumidor-no-mercado-capitalista-e-o-fetichismo-da-publicidade/


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