Inflação: faz diferença se o governo usa seu dinheiro para bons ou maus propósitos?

Este artigo foi extraído do livro Seis Temas para Entender o Mundo, publicado pelo IEE - Instituto de Estudos Empresariais.



Com a fixação do homem na terra e o fim de sua condição de nômade, criaram-se pequenas comunidades que se utilizavam da vegetação e da caça disponível na região para se alimentar e para o sustento da família. Essas comunidades foram crescendo, multiplicando-se e se expandindo e formando outros núcleos familiares, que procuravam delimitar suas áreas de plantio de alimentos e de caça para subsistência dos seus núcleos. Tem-se aí o início do processo de racionalização de atividades agrícolas, quando alguns núcleos passam a se dedicar ao cultivo de grãos, e outros à caça.  Dessa forma, surgiu o primeiro conceito de comércio: o escambo, troca direta de mercadorias, por meio de um demanda necessária. Nessa forma de economia, as mercadorias de maior valor são o boi e o sal.

A moeda surgiu como uma consequência natural do processo de trocas de mercadorias, bens e serviços. Seu objetivo era o de organizar, facilitar e estabelecer padrões do comércio de produtos, além de substituir a simples troca de mercadorias, a qual era predominante. É a passagem da troca, do escambo de um produto por outro, para as trocas indiretas, feitas por meio de algo com valor intrínseco.

O gado foi a mercadoria-moeda mais utilizada, pois tinha uma vantagem em relação às outras: enquanto era guardado como uma poupança, essa moeda se multiplicava por meio da reprodução, rendia juros. Mas também tinha suas desvantagens: o gado não podia ser dividido. Para que uma mercadoria possa ser utilizada como moeda, ela deveria ter algumas qualidades, como ter durabilidade, divisibilidade, homogeneidade e facilidade de manuseio e transporte.

Nos primeiros séculos de utilização das moedas, elas tinham um valor real, ou seja, representavam fielmente seus valores de acordo com o metal que era usado na fabricação. Após certo tempo, os valores passaram a ser nominais, não tendo relação necessária com o tipo de metal.

Com a evolução maior das sociedades e das divisões entre países, cada país passou a ter sua própria moeda, tendo sua emissão e controle feitos pelo Estado. Dessa forma, são criados os Bancos Centrais, que passam a ser os responsáveis por esse controle de moeda e também pela supervisão de todo o sistema financeiro de determinada nação.

Com o uso das moedas, cria-se um fenômeno chamado inflação. A definição mais simples e utilizada a respeito da inflação é a da elevação contínua do nível de preços, isto é, uma taxa contínua de crescimento dos preços num período determinado. Porém, essa é apenas uma métrica do fenômeno, sendo ele definido como a perda do valor da moeda em decorrência da emissão da própria moeda em volume superior àquele demandado pelo mercado, sendo esta apenas um instrumento de troca, como se fosse uma outra mercadoria ou bem qualquer. Quando há excesso de oferta, é necessário oferecer mais dessa mercadoria em troca de outra que manteve a sua quantidade original.

Mises, reconhecido líder da Escola Austríaca de pensamento econômico, apresentou a teoria que afirma que, se um governo aumenta a quantidade de papel-moeda, a consequência é a queda progressiva do poder de compra da unidade monetária e a correspondente elevação dos preços.  A isso se chama inflação. Porém, muitos países  preferem ver a causa da inflação não no aumento da quantidade de dinheiro, mas na elevação dos preços. Até hoje nenhum autor apresentou qualquer contestação séria à interpretação econômica da relação entre os preços e a quantidade de dinheiro, ou da relação de troca entre a moeda e outros bens, mercadorias e serviços.  Nas condições tecnológicas atuais, os governos poderiam fabricar pedaços de papel e imprimir sobre eles determinados valores monetários.  Portanto, é necessário que tenhamos políticas muito bem ajustadas e severas para controle de emissão de moeda pelo governo.

Porém, o que muitos não sabem é que o fenômeno inflacionário tem sua origem em um processo monetário de excesso de liquidez, que é motivada principalmente pelos constantes aumentos do gasto público e das necessidades de financiamento do governo central. Esses constantes aumentos dos gastos públicos geram um déficit, originado basicamente de investimentos improdutivos, corrupção e aumento do número de empregos públicos, que podem afetar no aumento da inflação, mas não são a sua causa direta.

Investimentos improdutivos são aqueles que não trazem benefícios permanentes para a sociedade. Resultam, geralmente, de má administração, pela alocação de pessoal não qualificado nos projetos. Resultam também da necessidade de geração de renda para pagamento de comissões extras e também para a entrega de projetos para empresas financiadoras de campanhas políticas.

Na corrupção temos uma série de exemplos de desvio de dinheiro para créditos pessoais e para enriquecimento ilícito de políticos e seus "apadrinhados" - no caso do aumento de cargos públicos, quando os políticos eleitos "pagam" seus cabos eleitorais por meio de cargos públicos e, ao assumirem as funções, quando colocam seus parentes e amigos em cargos de confiança. Esse enchimento da máquina pública vai se acumulando ano após ano, onerando o contribuinte e destruindo iniciativas bem-intencionadas no setor público.

Agora, para compensar esses distúrbios no orçamento, o governo procede basicamente da seguinte maneira: efetua aumento real dos impostos, os quais são repassados pelas empresas para o consumidor; promove aumento real dos preços dos produtos das estatais (gasolina, energia elétrica), com acréscimos acima da inflação; paga os títulos da dívida pública, que vão vencendo, por meio da venda de novos títulos a taxas de juros mais altas, forçando a alta dos juros e fazendo uma "rolagem da dívida"; atrasa o pagamento de fornecedores, que são obrigados a elevar seus preços para compensar o atraso; emite papel-moeda e levanta empréstimos junto aos bancos nacionais e internacionais, fazendo subir ainda mais as taxas de juros.

Um padrão interessante seria aquele em que a quantidade de dinheiro disponível é independente das políticas governamentais e dos partidos políticos.   Constitui-se, dessa forma, uma proteção contra gastos indevidos dos homens públicos.  Se um governo resolve fazer gastos em um novo empreendimento, deverá fazer um planejamento de como irá adquirir o dinheiro para aquela finalidade.  Num sistema inflacionário, nada é mais simples para os políticos que ordenar ao órgão governamental encarregado da impressão do papel-moeda a emissão de quanto dinheiro lhes seja necessário para seus projetos. 

Sob condições inflacionárias, o povo se condiciona a considerar o governo uma instituição que tem recursos ilimitados à sua disposição, e a pensar que o Estado pode tudo. 

Um exemplo recente é que, em 2008, tivemos um colapso financeiro mundial, em que diversas empresas praticamente quebraram devido resumidamente à má gestão dos seus recursos. Grande parte dessas companhias estava situada nos Estados Unidos, uma das economias mais liberais do mundo até então. Porém, o governo resolveu intervir nessa questão, gerando um pacote de mais de um trilhão de dólares para salvá-las.

Essa conta será paga pelo contribuinte americano, que já está sentindo uma elevação na taxa de juros interna para conter as pressões inflacionárias da economia - o que mostra que gastar errado o dinheiro do contribuinte, seja via imposto, seja emitindo moeda, não é privilégio de países subdesenvolvidos.

Não há nenhuma maneira secreta para a solução dos problemas financeiros de um governo: se este precisa de dinheiro, tem de obtê-lo impondo tributos aos seus contribuintes ou tomando emprestado de instituições monetárias internacionais. Entretanto, o empresário nem sempre consegue transferir o valor dos impostos para os preços pelos quais deseja vender suas mercadorias. O imposto é um valor a ser pago ao governo obrigatoriamente em caso de venda, mas somente em caso de venda; entretanto, o consumidor pode resolver comprar de um concorrente, ou mesmo outra mercadoria. E o que acontece, se não se consegue vender, porque o potencial comprador decidiu comprar outra coisa, é prejuízo. 

Uma redução na carga tributária iria acarretar em aumento da lucratividade das empresas, gerando maior competitividade. Desnecessário lembrar que impostos são custos, e tornam as empresas menos eficientes.  

Em relação aos salários, vale dar algumas explicações nesse aspecto, bem como a apresentação de alguns fatos.

Após a Primeira Guerra Mundial, a Grã-Bretanha restabeleceu a equivalência entre o ouro e a libra, numa correspondência que vigorava antes da guerra.  Isto é, elevou o valor da libra.  Com isso, elevou-se o poder de compra dos salários de todos os trabalhadores.  Num mercado desobstruído, tal alteração teria acarretado uma queda do salário nominal em dinheiro.  Essa queda, por sua vez, teria compensado a alteração.  Como resultado final, o salário real dos trabalhadores teria permanecido inalterado.   O fato é que os sindicatos da Grã-Bretanha não admitiram um ajustamento dos padrões salariais ao poder de compra mais elevado da unidade monetária; assim sendo, os salários reais foram consideravelmente acrescidos em decorrência daquela medida monetária.  Isso representou uma verdadeira catástrofe para a Inglaterra, uma vez que a Grã-Bretanha é um país predominantemente industrial, obrigado, por um lado, a importar matérias-primas, produtos semiacabados e alimentos para sobreviver, e, por outro, a exportar bens manufaturados para pagar essas importações.  Com a elevação do valor internacional da libra, os preços dos produtos ingleses subiram nos mercados externos, causando um declínio das vendas e exportações.  Na verdade, para todos os efeitos, o que a Grã-Bretanha fez foi fixar os próprios preços à revelia do mercado mundial.

Lamentavelmente temos hoje, em quase todos os países do mundo, um segundo poder, depois do governo, com condições de exercer força: são os sindicatos trabalhistas.  Essas entidades determinam os salários, bem como as greves que os devem impor, da mesma maneira que o governo poderia decretar um salário mínimo.  A política sindical consiste em elevar os padrões salariais acima do nível que estes alcançariam num mercado desobstruído.  Em consequência disso, uma parte considerável da população potencialmente ativa só pode ser empregada por pessoas físicas ou por indústrias que tenham condições de suportar prejuízos.  E uma vez que os negócios não têm como se manter sob a sangria de prejuízos, eles fecham as portas, e seus trabalhadores perdem o emprego.  A fixação de padrões salariais superiores aos que se estabeleceriam num mercado desimpedido redunda inevitavelmente no desemprego de parcela ponderável da população ativa.

Os aumentos de salários não se refletem diretamente nos índices inflacionários, sendo estes refletidos apenas nas emissões de moeda. Em uma economia indexada, o governo, por ter de aumentar salários - e sem outras fontes de recursos -,vê-se na obrigação de emitir moeda para pagar esse aumento salarial. Com o livre mercado, os preços são ditados pelo próprio mercado, que define quanto será pago por determinado cargo ou função exercida. Isso acaba se refletindo diretamente em benefícios aos usuários, que irão pagar por um serviço dentro das suas condições e necessidades.

Uma falácia comum abordada pelos protecionistas é a de que o livre comércio causa desemprego. Ele pode apenas causar um efeito sobre o salário dos trabalhadores. O que acontece é que cada país tenderá a se especializar na produção dos bens em que ele é mais eficiente que os outros. O livre comércio não causa desemprego; o que ele realmente faz é mudar os padrões de demanda dentro das economias, conduzindo a novos padrões de emprego. Podemos ter apenas um desemprego transitório, enquanto os trabalhadores estiverem fazendo a transição para novos padrões, porém não um desemprego permanente. Quem afirma isso o faz porque jamais quer que haja mudanças na demanda por bens e nos processos produtivos.

Como considerações finais, chega-se à conclusão de que, na maioria das vezes, o governo gasto o dinheiro com maus propósitos. Por meio de ostensivas tributações, o governo arrecada cada vez mais, e acompanhamos uma deteriorização dos serviços públicos. A carga tributária no Brasil é bastante elevada, considerando-se os padrões internacionais; ademais, só vem aumentando ao longo dos anos. Segundo o IBPT (Instituto Brasileiro de Planejamento Tributário), em 2009 os tributos arrecadados pelo governo passaram de um trilhão de reais, valor que representa 36% do PIB brasileiro no mesmo período. Pra que se tenha uma ideia do montante arrecadado, se esse valor fosse dividido entre a população brasileira, seria como se cada indivíduo desembolsasse mais de R$ 5 mil somente em tributos, o que dá quase R$ 15 por dia. Ou seja, é o dinheiro que você poderia usar para usufruto próprio, da maneira que bem entendesse.

É necessário que seja feita uma completa reestruturação nas atividades do Estado, para termos uma liberdade de escolha dos serviços que iremos utilizar. A cobrança de altas cargas de impostos compulsoriamente e a emissão de moeda sem critérios de governança travam o crescimento da população e empobrecem os serviços prestados pelo país. Se os serviços são bons e necessários, os indivíduos naturalmente pagarão por essas atividades prestadas pelo Estado. Na iniciativa privada, uma empresa que faz uma má gestão dos seus recursos acabará indo à falência caso não consiga oferecer ao mercado o que ele está demandando. Dessa mesma forma deveria ser permeada a ação do Estado, com uma racionalização do uso do dinheiro público para as atividades que estiverem sobre a sua determinação.

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SOBRE O AUTOR

Eduardo Fernandez
é Diretor de Comunicação do IEE.


"partindo da premissa de que em um futuro infinito nosso IBGE vai calcular um relação ativos/inativos = 1, neste ponto cada trabalhador [...] tem que contribuir com 50% do salário para se haver uma previdência estável. Ou seja, no extremo teórico, a previdência é financeiramente sustentável (ainda que extremamente sacrificante para o contribuinte.)"

Aí lascou tudo, né, cidadão? Se uma previdência só se mantém estável se o volume de contribuições for crescente -- de modo que o ativo terá uma renda disponível cada vez menor --, então, por definição, tal sistema é insustentável.

Outra coisa: sua neurose com o fator tempo mostra que você realmente não sabe como funciona a previdência. Não se trata de um sistema de capitalização, mas sim de repartição.

O dinheiro que você dá ao INSS não é investido em fundo no qual ele fica rendendo juros. Tal dinheiro é diretamente repassado a uma pessoa que está aposentada. Não se trata, portanto, de um sistema de capitalização, mas sim de um sistema de repartição: o trabalhador de hoje paga a aposentadoria de um aposentado para que, no futuro, quando esse trabalhador se aposentar, outro trabalhador que estiver entrando no mercado de trabalho pague sua aposentadoria.

Ou seja, não há investimento nenhum. Há apenas repasses de uma fatia da população para outra.

Logo, essa sua insistência com o fator "tempo de contribuição" como sendo o grande diferencial da equação é desarrazoada.

"A título de curiosidade, se os 1,43 do IBGE se confirmarem em 2060, pela matemática a contribuição por trabalhador terá de ser de "apenas" 28% do salário. Ainda um absurdo, mas devo lembrar que hoje a alíquota de autônomos, dentre outras categorias, é de 20%."

Esse cálculo seu não faz nenhum sentido, mesmo tendo por base suas próprias premissas. Se um aposentado precisa de $10/mês, então cada trabalhador terá de contribuir com $6,99.

Isso dá quase 70% do valor de suas necessidades básicas. Sustentável?
Ambos trazem cenários e fatos possíveis, plausíveis. Todavia, meu entendimento pessoal é de que o Estado tende a ver fortalecido seu desígnio de maior controle. Maior significando mais amplo, intenso e profundo. O maior volume de dados não é, de modo algum, limitante para uma ação controladora. Antes, a facilita! E a razão disso o próprio North expõe: a evolução tecnológica. Na minha pré-adolescência o sumo da capacidade de processamento e memória estava em um DGT-100, suplantado em seguida pela capacidade de uma mera calculadora científica Dismac. Os muitíssimos Tera serão coisa pouca para as tecnologias que estão por vir, algumas das quais já existem no estado prototípico. É bem possível que a tecnologia também seja utilizada para dar proteção às pessoas, mas a tecnologia, ou ao menos o seu uso mais legal, sempre estará do lado do Estado ou de quem terá o poder de controlar a pessoa comum. Ademais, penso ser uma visão ingênua a de que a versão futura de aplicativos, empresas de TI e Zuckerbergs da vida venham a nos salvar de alguma coisa, vez que eles mesmos hoje já servem ativamente ao controle estatal sobre os indivíduos. Pior, hoje já servem ao policiamento das ideias e a projetos de controle social. Quem conhece uma coisa simples como marketing digital sabe que se pode ter perfeita ideia dos hábitos e padrões de uma quantidade incalculável de pessoas. Um amigo me disse querer viver centenas de anos para poder testemunhar como se daria esse embate entre as forças da liberdade e as da servidão. Ainda que eu aprecie uma boa e justa luta, não tenho a mesma veleidade. A história mostra que não há motivo especial algum para imaginar que a liberdade prevaleça inconteste ou que sobrepuje, campeã, os que a tolhem.
Jeff, imagino que esteja começando a descobrir a Escola Austríaca, essa dádiva deixada por Mises ainda pouco divulgada pelo senso comum.

Vou ser lúdico ao extremo, para que entenda as diferenças entre desigualdade e injustiça - essa sim, combatida pelos austríacos. Adiante:

- Em economia, existem dois tipos de desigualdade de renda, a seguir:

1- Desigualdade espontânea: Essa, como o nome pressupõe, é causada pelo enriquecimento do agente por meios próprios. Um exemplo bem comum seria um sujeito que começa a vida poupando uma parte de sua renda, e com essa poupança ano a ano investe em imóveis, comprando barato, reformando e alugando, ou vendendo por um preço mais alto. O lucro realizado é reinvestido em mais negócios. Se ele souber enxergar as distorções no mercado e fizer o correto, provavelmente ele estará muito mais rico que a maioria de seus pares após algumas décadas.

Seu enriquecimento não faz mal a ninguém, aliás muito pelo contrário: é graças a sua poupança que pessoas podem alugar um imóvel sem ter de compra-lo, ou mesmo comprar um imóvel ou compra-lo sem ter de se preocupar em comprar terreno, construir, etc. Paralelamente mas não menos importante, seu investimento gera empregos diretos e indiretos, seja na obra em si, seja para os fabricantes de insumos para construção, além dos mais indiretos, como corretagem de imóveis, serviço cartorial etc.

Ou seja, essa desigualdade é BOA. Ela gera riqueza a todos, independente para onde se olhe. É a alquimia de Flamel se fazendo presente em nossas vidas, transformando chumbo em ouro a olho nu.

2- Desigualdade provocada: Ao contrário da primeira, esta só pode acontecer quando o Estado interfere na economia, gerando distorções que enriquecem alguns e empobrecem a maioria, e vou citar os exemplos mais fáceis para que enxergue bem:

Barreiras econômicas: Quando se proíbe ou taxa a importação de bens e serviços, o privilégio a certas empresas é certo. E todo privilégio acarreta na obrigatoriedade do consumo, e com isso, a reserva de mercado traz crescimento absurdo a certas empresas, em detrimento do consumidor, que é obrigado a pagar mais caro por produtos e serviços pífios. Os setores mais consagrados são:
- Telefonia
- Segurança
- Medicamentos

Serviços e obras estatais: Ao passo que o Estado extorque o cidadão com impostos e taxas, ele monopoliza quantias absurdas de capital para realizar obras ao gosto de seus governantes. Nesse meio são escolhidas empresas alinhadas com o Estado, conseguindo concessões e direitos a fornecimento com preços altos e qualidade pífia. O resultado? Enriquecimento compulsório de poucos, em detrimento de muitos.

Cargos públicos: Se o valor dos salários e a métrica de manutenção dos empregos no livre mercado é o lucro, para o Estado vale o corporativismo e a ideologia. Contrata-se sem necessidade, paga-se mais do que se deve, criam-se empregos por pura força eleitoral. Este movimento injusto gera além de desigualdade, mais pobreza a maioria, pois tais postos são pagos com o dinheiro surrupiado de quem gera riqueza.

Câmbio: pouco se fala a respeito no senso comum, mas uma das formas mais objetivas de gerar desigualdade em um país é enfraquecendo a moeda, pois uma minoria exportadora enriquece vendendo barato ao exterior em detrimento da grande maioria, que perde poder de compra, logo empobrece.

Conclusão: enquanto a desigualdade espontânea é justa e depende somente de quem poupa, investe e toma as decisões corretas, carregando implicitamente riqueza a todos, a desigualdade provocada pelo Estado é injusta, pois proíbe pessoas não alinhadas prosperadas, e protege aqueles que estão ao lado do Estado, mantendo castas eternas.

Abraços,

Não, Xiba. Continua sendo pirâmide do mesmo jeito.
(...)
Eis o fato irrevogável: contra a demografia e a matemática, ninguém pode fazer nada.


O colega começou discordando de mim, mas no final me pareceu que não. :-)

Vejamos, em uma sociedade em que alguém precise de $10/mês para atender suas necessidades, bastam 10 trabalhadores contribuindo com $1. Essa sociedade sobrevive assim e, após 1.000.000 anos, (ignorando inflação) continuarão sendo preciso 10 trabalhadores contribuindo $1, porque haverá sempre novas pessoas entrando no mercado contribuinte, e outras deixando de precisar de assistência (i.e. morrendo).

Ora, mas se só há 2 trabalhadores para cada 1 aposentado nesta sociedade (exemplo seu, arredondado pra facilitar), então a contribuição terá que ser de $5/trabalhador. E enquanto os números não mudar, sobrevimentos assim por mais 1.000.000 anos.

Matemática, certo?

Agora... Em sua resposta você ignorou completamente o fator tempo de contribuição/expectativa de vida, e ele é fundamental para se equilibrar qualquer previdência.

Exemplificando, em um sistema de 40 anos de contribuição e 20 anos de expectativa de vida, em média 1 só trabalhador contribui para 2 beneficiários.

(Existem outros fatores que criam mais complexidade, como por exemplo valor contribuído x renda, mas vamos ignorá-los de propósito agora para facilitar nossa vida.)

Bom, isto posto, os números do IBGE contêm basicamente este fator ignorado. Porém, os números do IBGE não vão diminuir pra sempre. Eles não tendem a zero, mas a 1, porque não é factível que a população ativa seja menor que a não-ativa, a não ser em casos de guerras, catástrofes, etc.

Ora, partindo da premissa de que em um futuro infinito nosso IBGE vai calcular um relação ativos/inativos = 1, neste ponto cada trabalhador (num regime de 40 anos de contribuição e 20 anos de expectativa de vida) tem que contribuir com 50% do salário para se haver uma previdência estável.

Ou seja, no extremo teórico, a previdência é financeiramente sustentável (ainda que extremamente sacrificante para o contribuinte.)

A título de curiosidade, se os 1,43 do IBGE se confirmarem em 2060, pela matemática a contribuição por trabalhador terá de ser de "apenas" 28% do salário. Ainda um absurdo, mas devo lembrar que hoje a alíquota de autônomos, dentre outras categorias, é de 20%.

Veja: em nenhum momento quis colocar que é fácil ou até factível se criar um sistema justo aqui no Brasil. Meu único objetivo foi contribuir pra discussão mostrando que previdência é matemática e estatística, e que aplicando os cálculos certos é fácil ver que ela pode ser um sistema financeiramente sustentável, ainda que instável e/ou injusto.

E sistema financeiramente sustentável, por definição, não é uma pirâmide (vide texto da Wikipédia, citado no artigo).

Não representa. O próprio Rothbard explicou que, se existisse um botão que destruísse o Estado imediatamente, ele o apertaria já; mas este botão infelizmente não existe, então temos que ir lutando para reduzi-lo na medida do possível (ou pelo menos conter seu crescimento), mas advertiu que existem formas de fazê-lo coerentes com a ética liberal e existem formas incoerentes.

Rothbard explicou que nem toda isenção ou redução de impostos promove o liberalismo e a diminuição do Estado, então temos que prestar atenção a COMO uma determinada isenção ou redução de impostos será feita para não corrermos o risco de promover sem querer o crescimento do Estado pensando que estamos promovendo sua redução.

PS: Percebi certa dificuldade de comunicação entre os colegas, então vou dar um toque de psicologia cognitiva/programação neurolinguística:

"Juízo de Realidade": Afirmação reconhecendo que algo existe (ou que não existe), sem entrar do mérito disso ser bom ou ruim, certo ou errado, melhor ou pior, importante ou sem importância, etc.

"Juízo de Valor": Afirmação de que algo deve/deveria existir porque é/seria bom, ou certo, ou melhor, ou importante, etc. (ou que não deve/não deveria existir pelos motivos inversos), sem que a afirmação queira dizer que este algo de fato existe (ou que não existe).

Exemplos:

JR: "Mulheres devem evitar andar sozinhas e desarmadas em locais isolados e desconhecidos à noite"

JV: "Não diga às mulheres para evitar o estupro, diga aos estupradores para não estuprar"

Notem como a aparente incompatibilidade entre estas duas afirmações desaparece quando percebemos que elas pertencem a categorias diferentes de afirmativas e não são mutuamente excludentes, mas sim complementares. O mesmo ocorre com grande parte do debate minarquistas x anarcocapitalistas.

* * *
Qual o padrão de vida em Auroville? A população tem acesso a uma grande variedade de bens e serviços? Se a pessoa ficar doente, ela tem pronto acesso a serviços médicos? Há escolas? Há universidades?

Isso meio que me lembra a experiência da cidade espanhola de Marinaleda, que passou a ser venerada pela esquerda como "exemplo de coletivismo que deu certo".

Primeiro,
assista ao vídeo. É rapidinho.

Assistiu? Então vamos lá.

Em primeiro lugar, você deve ter visto que se trata de um arranjo que não tem nada de novo ou original. É como se fosse uma comunidade amish (com 2.700 pessoas não pode ser uma cidade), na qual as pessoas subsistem e trabalham apenas para se alimentar.

Ali, como relatou a reportagem, há pleno emprego. Qualquer pessoa que quer trabalhar encontra trabalho.

Só que o padrão de vida ali é extremamente precário. Note o semblante das pessoas e veja se há algum conforto ali. Tem gente ali que nem tem dente (certamente não deve ter dentista na comunidade). O local é parecido com o interior do Piauí. O trabalho agrícola mostrado é totalmente precário e pouco produtivo. Não há nenhuma máquina no campo (ou seja, não há a "temida" acumulação de capital). Tudo o que eles conseguem fazer na cooperativa é transformar a colheita (pimenta, azeitona e alcachofra) em azeite. Isso é vida do século XIX. Isso é algo que pode ser classificado como "imune à crise"?

A veneração a este arranjo é a prova suprema de como as pessoas perderam completamente o senso de proporção. Não discuto que há quem goste de viver assim, e defendo totalmente a liberdade destas pessoas de fazerem isso. Mas dizer que aquela pobreza maranhense é um oásis invejável é de uma imbecilidade econômica grotesca.

Ademais, qualquer pessoa que goste de trabalhar muito sem poder usufruir os frutos do trabalho -- isso é, trabalhar duro de sol a sol mas viver sem conforto nenhum e sem usufruir da tecnologia moderna -- é adepta da escravidão voluntária. Nada contra; só uma constatação.

Mas dizer que quem vive ali sob aquelas condições de trabalho precárias está "bem" e que tal arranjo é um "oásis a ser imitado", bom, aí já é forçar bastante. Isso aí é desejo de retornar às condições de vida do século XIX. Bom proveito pra quem quer. Eu preferiria ser desempregado em Madri. A qualidade de vida é muito mais alta.
Isso segundo a Oxfam, esse portento da imparcialidade. Pergunta: você por acaso conhece a metodologia utilizada por essa Oxfam?

Segundo a bizarra metodologia da Oxfam -- que diz que 8 pessoas têm mais dinheiro do que metade da população mundial --, se você tirar um real do bolso e der para seu sobrinho de dez anos, ele vai ter uma riqueza maior do que "2 bilhões de pessoas somadas".

Sim, seu sobrinho instantaneamente passa a ser um magnata com mais riqueza que bilhões de pessoas juntas.

Como isso é possível? Porque a metodologia considera apenas a riqueza "líquida" (ou seja: patrimônio menos dívidas) das pessoas. E 2 bilhões de pessoas, tendo dívida, têm riqueza negativa.

Segundo essa metodologia, alguém que se formou em Harvard, vive num apartamento de cobertura em Nova York e ganha 100 mil dólares por ano mas tem 250 mil dólares em dívidas estudantis é mais pobre do que um camponês indiano que tem uma bicicleta, vive com um dólar por dia e não tem dívida.

Não importa se o cara de Harvard gasta centenas de dólares tomando McCallahan's 18 anos todas as vezes em que sai para a balada. Para a Oxfam, ele é mais pobre que o camponês indiano.

Ainda segundo esta metodologia, quando você compra um jatinho, você se torna imediatamente mais pobre. Como? Você acaba de assumir uma dívida de 25 milhões de dólares (incluindo juros) e adquiriu um patrimônio de valor de mercado de uns 20 milhões de dólares. Logo, você está 5 milhões de dólares mais pobre.

Para a Oxfam, quem viaja de jatinho usando financiamento é mais pobre do que quem viaja de ônibus pagando à vista.


Dica: não seja apenas mais um desavisado repetindo chavões ignorantes.

Classificar o "Relatório da Desigualdade" da Oxfam de farsa seria pouco
Esse debate precisa de uma comprovação de tal relação:

www1.folha.uol.com.br/mercado/2016/11/1836839-commodities-pressionam-petrobras-e-vale-e-ibovespa-cai-3-dolar-sobe.shtml

oglobo.globo.com/economia/com-commodities-em-alta-bolsa-ganha-092-dolar-cai-043-20265162

extra.globo.com/noticias/economia/dolar-cai-abaixo-de-r325-com-recuperacao-de-commodities-japao-19834792.html

www.valor.com.br/financas/4530505/alta-de-commodities-impulsiona-bovespa-e-dolar-cai-para-r-355

https://economia.terra.com.br/dolar-cai-mais-de-1-com-valorizacao-de-commodities-e-fluxo,e48105674452ef52d0892d0a457891d2u3jzcvnm.html

https://noticias.uol.com.br/ultimas-noticias/reuters/2016/08/02/dolar-cai-abaixo-de-r325-com-recuperacao-de-commodities-e-japao.htm

www.jornaldepiracicaba.com.br/economia_negocios/2016/11/commodities_pressionam_petrobras_e_vale_e_bolsa_cai_3_d_lar_sobe

https://www.poderjuridico.com.br/ibovespa-ganha-forcas-com-commodities-e-com-dados-dos-eua-dolar-cai-e-encosta-nos-r-320/

m.folha.uol.com.br/mercado/2016/09/1812849-commodities-derrubam-mercados-bolsa-cai-3-e-dolar-sobe-a-r-330.shtml

https://massanews.com/blogs/agronegocio/eugenio-stefanelo/precos-das-commodities-aumentam-em-outubro-e-dolar-cai-vDkl5.html

www.fiorde.com.br/wordpress/blog/bolsa-sobe-092-com-commodities-e-expectativa-de-aprovacao-de-pec-dolar-cai/

portalcm7.com/negocios/bovespa-sobe-2-5-e-d-lar-cai-1-com-salto-das-commodities/

www.aviculturaindustrial.com.br/imprensa/dolar-cai-commodities-sobem/20100615-105531-O832

www.referenciagr.com.br/china-e-commodities-animam-mercados-bolsa-sobe-4-e-dolar-cai/

www.arenadopavini.com.br/acoes-na-arena/com-commodities-em-alta-ibovespa-ganha-180-dolar-cai-r-255

www.istoedinheiro.com.br/commodities-incentivam-apetite-por-risco-e-dolar-fecha-em-queda/

https://economia.uol.com.br/noticias/valor-online/2013/12/10/dados-da-china-beneficiam-moedas-atreladas-a-commodities-e-dolar-cai.htm

www.valor.com.br/financas/4354060/dolar-sobe-194-puxado-por-cenario-politico-e-queda-de-commodities

exame.abril.com.br/mercados/dolar-abre-em-leve-queda-apos-japao-aprovar-medidas/

www.arenadopavini.com.br/acoes-na-arena/ibovespa-sobe-15-com-cenario-externo-e-commodities-em-alta-dolar-cai-para-r-392

g1.globo.com/economia/noticia/2011/05/derrocada-das-commodities-e-alta-do-dolar-pautaram-a-quinta-feira.html

https://economia.terra.com.br/panorama-dolar-sobe-commodities-e-bolsas-caem,50ae95246a40b310VgnCLD200000bbcceb0aRCRD.html

exame.abril.com.br/mercados/panorama2-acoes-commodities-sobem-e-dolar-cai-na-vespera-do-fed/

https://economia.uol.com.br/ultnot/2008/08/22/ult29u62955.jhtm

economia.estadao.com.br/noticias/geral,dolar-fraco-sustenta-commodities-imp-,709088

economia.estadao.com.br/noticias/geral,queda-do-dolar-ajuda-alta-de-commodities-diz-meirelles,206267

https://noticias.bol.uol.com.br/economia/2007/02/14/bolsa-quebra-3-recordes-num-dia-e-sobe-177-dolar-cai-abaixo-de-r-210.jhtm

Existem notícias de 2007 a 2017, todas com essa relação entre o dólar e commodities, é claro que existe exceções como o dólar caindo e o apenas o petróleo subindo ou do café, mas não postei por ser "simplista" demais. Veja que sempre tentam dar outras explicações sobre esse fenômeno.

Mas agora a parte que mais me agradou nessa pequisa foi exatamente isso:
https://tradingcafe.wordpress.com/2011/02/03/correlacao-entre-precos-de-commodities-e-a-moeda-de-cotacao/
economia.estadao.com.br/noticias/geral,dolar-fraco-sustenta-commodities-imp-,709088
economia.estadao.com.br/noticias/geral,commodities-caem-com-alta-do-dolar,528831
https://tradingcafe.wordpress.com/2011/02/23/o-dolar-enfraquece-udo-que-e-cotado-em-dolar-sobe-de-preco-petroleo-e-ouro-em-alta/
www.planetaforex.pt/relaciones_economicas_entre_divisas/


Embora alguns deles tentaram dar outras explicações sobre essa relação de dólar e commodities, enfim...

ARTIGOS - ÚLTIMOS 7 DIAS

  • Inácio Neto  07/07/2010 14:04
    Ótimo texto.
  • Emerson Luis, um Psicologo  18/06/2014 16:58

    A estatização da economia só gera prejuízos econômicos e sociais para a maioria.

    * * *


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