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Por que não lamentar a situação da British Petroleum?

Após a explosão da plataforma de petróleo da British Petroleum no início desse mês, os ambientalistas, previsivelmente, ficaram histéricos, e, como de praxe, se aproveitaram daquele infeliz acontecimento para malhar uma empresa privada e debulhar lágrimas acerca do sofrimento do "ecossistema" — sistema esse que, miraculosamente, conseguiu sobreviver e prosperar após um incidente bastante semelhante ocorrido há 21 anos com a Exxon Valdez.

Entretanto, essa tragédia da BP foi muito pior do que a da Exxon.  Onze pessoas morreram.  As ações da BP sofreram um golpe.  Enquanto estiver havendo vazamento, a empresa estará perdendo de 5 a 10 mil barris por dia.

A BP será a responsável pelos custos da limpeza, os quais excederão em muito a penalização imposta pelo governo americano, de US$ 75 milhões.  As relações públicas da empresa terão pesadelos pra mais de uma década.  No final, os custos totais podem chegar a US$ 100 bilhões, praticamente quebrando a empresa e vários outros negócios a ela relacionados. 

Já deveria estar óbvio que a BP é, de longe, a principal vítima do desastre, mas ainda não foi visto uma única demonstração de pesar em relação à empresa e às suas perdas.  Toda a preocupação quanto à explosão e ao derramamento de petróleo no Golfo do México não está voltada para os 11 mortos e para as 11 famílias devastadas, tampouco para a enorme perda econômica trazida pelo fato de agora haver menos petróleo para as pessoas; toda a comoção está voltada para algum possível peixe ou pássaro que morreu, ou para a deusa-água que foi ofendida.  Petróleo é algo natural, orgânico e biodegradável — se me permitem utilizar um linguajar verde —, e irá sumir.

Com efeito, como mostra essa notícia, cientistas afirmam que um terço do petróleo já evaporou para a atmosfera (onde ele ficará tão disperso a ponto de não gerar qualquer efeito notável).  Mais ainda: "praticamente todo" o elemento tóxico do petróleo (benzeno) também já terá evaporado nos próximos dias.  Algumas gotas poderão chegar ao litoral do estado da Louisiana, mas o que restar irá aparentemente afundar até o leito do mar e se tornar parte da sedimentação.  E fim do grande desastre.

Entretanto, isso não importa.  O que vale são as palavras de ódio contra a BP, que vão além do crível.  O popular site esquerdista The DailyKos resume o sentimento: "BP: vão se f..".  O governo Obama, por meio de seu porta-voz Robert Gibbs, disse que o governo pretende "manter as botas sobre o pescoço da BP."

Mas voltemos para a realidade.  O incidente é uma tragédia para a BP e para todas as empreiteiras envolvidas.  Provavelmente arruinará a empresa — empresa essa que há muito fornece o combustível que impulsiona nossos carros, energiza nossas indústrias e possibilita a nossa vida moderna.  A ideia de que a BP deveria ser odiada e denunciada é ridícula, absurda e afrontosa; há todos os motivos do mundo para expressarmos grande tristeza pelo ocorrido.

A histeria dos ambientalistas dá a entender que a BP fez tudo de propósito, como se ela lucrasse com esse vazamento de petróleo ou como se ela apenas se deleitasse em derramar todo o seu precioso líquido no oceano.  É óbvio que a BP não tem absolutamente nada a ganhar com isso.  A lógica do mercado indica que a empresa tem todo o interesse de impedir que esse tipo de acidente ocorra — e não apenas pelo desejo de cumprir com as regulamentações ambientais, mas simplesmente porque seria uma boa prática de negócios, boa para a imagem da empresa, bom para seus acionistas.

Em contraste com aqueles que choraram pelo desastre, vale perguntar quem ficou feliz por ele:

1) os ambientalistas, que agora podem praticar sua exímia arte de incitar o medo e o ódio à vida moderna, e

2) o governo americano, que trata todos os produtores capitalistas como pássaros a serem depenados.

Os ambientalistas ficaram excitados porque ganharam outra chance de chorar e lamentar os infortúnios e o sofrimento de seus amados pântanos, charcos e outras supostamente sensíveis superfícies terrestres.  A perda de peixes e de parte da vida marinha é triste, mas não é algo definitivo: após o desastre da Exxon Valdez, a pesca tornou-se melhor do que nunca em apenas um ano.

A principal vantagem para os ambientalistas é toda a propaganda da vitória que eles poderão fazer, tendo agora outra chance de deblaterar contra os malefícios das petrolíferas e da perfuração dos oceanos.  Se essa gente obtiver êxito, os preços do petróleo iriam duplicar ou triplicar, jamais outra refinaria seria construída e toda a perfuração dos oceanos seria interrompida em nome da "proteção" de coisas que não trazem aos seres humanos um único benefício.

A principal questão econômica envolvendo o meio ambiente deve estar centrada na imputabilidade.  Em um mundo onde há propriedade privada e direitos de propriedade bem definidos, se você sujar, manchar ou poluir a propriedade de terceiros, você será responsabilizado e penalizado.  Mas o que ocorre em um mundo no qual o governo é o dono de várias terras, e os oceanos são considerados sem donos, propriedade comum a todos?  Nesse cenário, torna-se extremamente difícil avaliar danos ao ambiente.

Há também um enorme problema com os limites que o governo federal impõe à imputabilidade.  Hoje, a multa máxima é de US$ 75 milhões.  Isso é o planejamento central levado ao paroxismo.  A imputabilidade para danos ambientais deveria ser de 100% no mínimo.  Tal sistema de punição iria compatibilizar as políticas da empresa ao risco real de ela causar danos a terceiros.  Limites mais baixos inspiram as empresas a serem menos preocupadas do que deveriam com danos a terceiros, da mesma forma que uma empresa que tem a garantia de que será salva com pacotes de resgate do governo tem incentivos para ser menos eficiente do que seria em um livre mercado.             

Porém, tal regra de imputabilidade presume que haja direitos de propriedade bem definidos, de modo que os proprietários possam entrar a acordos e negociações justas, e possa haver algum teste objetivo.  Não há um teste objetivo quando os oceanos são propriedade coletiva e enormes extensões territoriais são propriedade do governo.

E é exatamente o governo americano e a administração Obama que ganham com esse incidente.  Os reguladores ganham ainda mais verbas e podem posar de salvadores.  A burocracia já enviou milhares de pessoas para "salvar" a região.  "Cada americano afetado pelo derramamento de petróleo deveria saber disso: seu governo fará o que for preciso, pelo tempo necessário, para impedir essa crise", disse Obama. 

Será que realmente devemos acreditar que o governo é melhor para lidar com esse desastre do que a indústria privada?

Enquanto isso, a administração Obama deve estar vibrando com a chance de poder mudar o foco do noticiário.  Assim as pessoas deixam de perceber diariamente que o pacote de estímulo econômico foi um inacreditável fracasso, com o desemprego estando maior hoje do que há um ano e a depressão ainda em evidência.

Aliás, por que é que sempre que ocorre um desastre natural a mídia keynesiana o glorifica por ao menos trazer o benefício do efeito economicamente estimulante da reconstrução, porém nada foi dito dessa vez sobre o derramamento de petróleo?  Pelo menos nesse caso, as perdas parecem estar sendo vistas como perdas de fato.

A abstração chamada "ecossistema" — a qual parece nunca incluir a humanidade ou a civilização — fez muito menos por nós do que a indústria petrolífera e as fábricas, os aviões, os trens e os automóveis que ela abastece.  A maior tragédia de todas ocorreu com a BP e com suas subsidiárias, e com as outras empresas privadas afetadas por esses prejuízos que ninguém tencionou.  Se o resultado for uma interrupção nas prospecções de petróleo e regulamentações adicionais sobre a indústria, estaremos permitindo que o vazamento de petróleo tenha sido o vencedor.

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autor

Lew Rockwell
é o chairman e CEO do Ludwig von Mises Institute, em Auburn, Alabama, editor do website LewRockwell.com, e autor dos livros Speaking of Liberty e The Left, the Right, and the State.



  • Geovane Vasconcelos  28/05/2010 11:28
    Excelente artigo.\r
  • Paulo Thiago Casado  28/05/2010 14:26
    Excelente artigo[2] sem nada a complementar.
  • Cesar Ramos  28/05/2010 20:43
    Não há liberdade sem responsabilidade. Seja por culpa ou dolo, a irresponsabilidade é intolerável, ainda mais nesta altura, e num terreno que não lhe pertence - pelo menos não há nenhuma escritura, que eu saiba. E como o aquário é de todos, quem manchá-lo levará a condenação de muitos, desde que os que pensam que o desequilíbrio ecológico confirmará o cálculo de Newton, datado de 2060 (e os mais afoitos ao ano que vem), passando por pescadores, banhistas, navegantes, e muitos, mas muitos mesmo, que tem que largar atividades produtivas para trocar as fraldas do bebezão, fora os governos implicados diretamente, sendo cobrados pelas donas de casa que não admitem muitos peixinhos mortos.
    Mas não concordo com nenhuma multa. O que tem é que caçar a carteira do motorista, diante da grandiosidade do acidente.
    A matéria é importante e precisamos dela até a morte; mas a vida não se restringe nela. Hayek soube disso bem cedo. Patinhas, só depois de velho.
  • Edson  28/05/2010 22:37
    Concordo com o Cesar... Por mais que o Lew Rockwell dê argumentos para nos sentirmos inclinados à lamentar a perda econômica sofrida pela BP, eu ainda considero isso uma negligência catastrófica, e acho que deveria ter punições mais severas àos funcionarios da BP, no minimo alguns deveriam ser presos. Mesmo assim, não sou a favor de nemhuma regulação..

    Que tira petroleo? Tira a vontade! Deu merda? paga o prejuizo por inteiro. Num consegue concerta o prejuizo, nem tem dinheiro pra paga? Vai preso!!! Quero ve se iria aparecer um CEO corajoso o suficiente pra não tomar as precauções de segurança adequadas..
  • Roberto Chiocca  29/05/2010 13:59
    Eu fico sim sentido pela BP e pelos funcionários que morreram, com certeza o acidente não foi intencional, mas mesmo assim concordo com o Cesar quando ele discorda de multas, não deve haver multa alguma, apenas reparação às vitimas.
    O arranjo atual da sociedade com propriedades supostamente estatais é o que mais incentiva um comportamento menos cuidadoso, pois o que é de "todos" não é de ninguém.
  • Tiago RC  29/05/2010 14:42
    É claro que a empresa deve arcar com as externalidades negativas que vai causar, acho que vocês não entenderam o ponto. O Lew Rockwell menciona isso inclusive.

    O ponto é que é simplesmente uma inversão de prioridades ficar chorando pelos pássaros e peixes quando vidas humanas foram perdidas (eu só fiquei sabendo desse fato com esse artigo, mesmo após ter visto várias reportagens na TV sobre o acidente, sempre mostrando apenas os passarinhos sujos e a maré negra, mas nenhuma mencionou essas vidas perdidas).
    E a perda provocada por todas essas externalidades é muito provavelmente inferior em valor à sociedade do que todo esse petróleo que não vai poder ser aproveitado.
  • Jomar Martins  29/05/2010 21:31
    \r
    Caros:\r
    \r
    O artigo do Leo é ótimo por muitos motivos, mas especialmente por mostrar o ódio dos ambientalistas. Aliás, ninguém ganha nada quando uma vidrasça é quebrada. Só a esquerda, que adora comemorar miséria.\r
    \r
  • Carlos  30/05/2010 18:47
    Olá,
    Esse comentário não precisa aparecer no site.
    Só gostaria de recomendar um vermelho e preto com esse texto: www.cartamaior.com.br/templates/materiaMostrar.cfm?materia_id=16470&editoria_id=7

    Abracos!
  • andre  31/05/2010 10:42
    "perfuração dos oceanos seria interrompida em nome da "proteção" de coisas que não trazem aos seres humanos um único benefício."

    Deixa ver se entendi, se uma baleia nao traz beneficio ao ser humano ela deve ser deixada de lado, de modo que até possa ser extinta?
  • Fernando Chiocca  31/05/2010 11:47
    Não se preocupe andre, no Sea World sempre vai ter baleia.
  • Andre  31/05/2010 13:56
    Fernando, organize seus pensamentos antes de emitir textos.

    Quero uma resposta, nao piadinha pra desvirtuar o assunto.

    Pelo que entendi desse paragrafo uma especie que nao traga beneficio ao ser humano deve ser deixada ao acaso, para uma possivel extincao.

    Que eu saiba todas as especies marinhas fazem parte do complicado ecossistema, a extincao de uma elimina outra, até chegar no peixe que vai no nosso prato.

    Alguem pode me dar uma resposta séria?
  • Leandro  31/05/2010 13:59
    Prezado André, acalme-se! O senhor está muito agitado.

    Pergunto: por que a prospecção de petróleo no oceano, algo que ocorre em regiões pontuais, irá inevitavelmente levar à extinção das baleias? O ônus dessa prova cabe à acusação.

    Ademais, desde quando uma espécie ser "deixada ao acaso" implica necessariamente sua extinção? Aliás, que os animais sejam "deixados ao acaso" não é tudo por que clamam os ambientalistas?

    Por fim, você tocou num assunto crucial: sem propriedade privada, espécies marítimas poderão sim ser extintas. Logo, há duas opções: ou proíbe-se a exploração de petróleo em prol das tartarugas marinhas (estas vivem, mas nós, humanos, ficamos severamente privados de tudo) ou adota-se o esquema sugerido em toda a metade final do texto.
  • Fernando Chiocca  31/05/2010 15:56
    Andre, sua informação é completamente absurda. Milhões de espécies já entraram (e continuam entrando) em extição, e o atum continua indo pra latinha.

    O que eu falei sobre o Sea World e sobre extição são fatos.. Já o que vc pergunta e o que afirmou que parecem piadas.
  • André  31/05/2010 17:04
    Se bem entendi, a opinião do nosso caro André foi mal interpretada.\r
    Indiscutivelmente existe um certo desprezo por vidas não humanas nos discursos envolvidos neste debate.De qualquer forma esta é outra questão de imputação de valor e não é tema desta argumentação. Vamos aos pontos: \r
    Em primeiro lugar é absolutamente falaciosa a negação do desastre amibiental. O chumbo, assim como petróleo também é um elemento natural e isso não torna nenhum dos dois menos tóxico ou nocivo a vida dos seres vivos. Existe uma confusão entra serem naturais e organicos, e serem biodegradáveis (apesar de que no limite, tudo que é organico é biodegradável). Apesar da amarração lógica, há um ponto ignorado: A arrogancia e a prepotencia de se supor ciente dos efeitos em cadeia das intervenções humanas no meio ambiente. O objetivo aqui não é entoar mantras ecoxiitas, ou repaginar o medo apocaliptco mas fazer o papel do advogado do diabo: Será que não há muita soberba por trás da negação dos efeitos colaterais negativos da devastação do meio ambiente?\r
    \r
    Ps: amigão do sea word, só lamento...\r
    \r
  • Tiago RC  31/05/2010 17:50
    André,

    Se você quer cuidar das baleias, pode ter certeza de que ninguém aqui vai usar de força pra te impedir.
    A nossa bronca é usar de força pra obrigar alguém que não quer cuidar de baleia nenhuma a cuidar.

    Um vídeo que lembrei agora, muito bom: www.youtube.com/watch?v=xjfiIow-eW0
  • Fernando Chiocca  31/05/2010 20:01
    Amigão, para uma devastação do meio ambiente ter efeitos colaterais negativos, ela terá que afetar negativamente a vida e propriedade de terceiros. E não existe defesa maior contra isso do que aquilo que defendemos aqui.

    Para enteder melhor, leia outros artigos relacionados aqui neste site e este aqui tb: mises.org/daily/2120
  • Frank  31/05/2010 21:20
    Isso é um assunto bem complexo a ser discutido;
    Primeiro, o governo está errado ao multar a empresa
    Segundo, o governo volta a posar de herói do povo: Fato.
    Terceiro: Realmente quem mais saiu prejudicado foi o Americano.

    Mas...

    Economia é economia, ecologia é ecologia. (como diria uma professora eco-chata minha)

    Nos argumentos acerca do exagero da mídia e do governo ele tem razão, mas dizer que o impacto é nulo ou pouco é bem complicado.
    São pesquisas e mais pesquisas que vão além do conhecimento de um economista seja ele um comunista imbecil ou liberal austriaco.

    Eu sei que é complicado e que os eco-chatos só incitam a violencia, mas nem todos os "especialistas" são assim.

    Um ecossistema é algo muito complexo, e a alteração dele pode trazer vários problemas, vide enchentes e coisas do tipo. MAs é claro, que na maior parte das vezes o grande culpado é o governo. Mas querer que tudo se exploda só porque não pode mais gerar dividendos é algo bem complicado. O mundo sobreviveu a várias crises economicas, o capitalismo não vai acabar, mas a recuperação de um ecossistema pode levar anos, e vai além dos limites da fronteira. Uma diminuição no regime das chuvas pode causar problemas na oferta de comida, e há cientistas sérios que estudam isso, e digo isso pois convivo com muitos destes....
    Porém para cada cientista sério parece que existem 3 eco-idiotas e nesse mundo moderno eles se multiplicam e acabam incitando ainda mais o ódio e polarizando as discussões. E respondendo ao amigo abaixo. EM suma: Só sobrevivemos enquanto espécie pois subjulgamos a natureza, mas invarialvelmente necessitamos dela.
  • Sica  04/06/2010 02:42
    Eu estava chocado com o texto e queria acreditar que era só uma piada....uma ironia. Mas vi q o autor é um dos fundamentalistas radicais do alabama do Ludwig von Mises Institute. Vindo dessa gente, qualquer delírio insano neo-liberal é aceitável. Eles fariam a fox parecer comunista.
  • Leandro  04/06/2010 10:48
    Prezado Sica, "deschoque-se". E depois, se puder, diga-nos com o que não concorda ou qual parte do raciocino apresentado o senhor tem certeza de estar errada. Agradecido.
  • Erick  04/06/2010 15:27
    Sr. Sica,

    Como dizem: 'o contrário de uma verdade absoluta é sempre outra verdade absoluta'
  • Fidélis  04/06/2010 16:30
    Fazemos parte do ecossitema e somos a espécie mais predadora.
    O fracasso da BP afeta a pesca marinha, atividade em declínio em todo o mundo.
    Lamentável que em nossas ações matemos além de nossos semelhantes, o ambiente ao nosso redor e seus habitantes. O desejo pelas facilidades e conveniências é mais justificável do que cuidar na sustentabilidade do planeta.
    Abç.
  • Indivíduo Virtual  04/06/2010 17:21
    Sica, seu comentário deixa claro que você se aculturou em meios televisivos, pois você usa adjetivos emocionalmente apelativos e tenta demonizar muitos em função de uma conclusão leviana sobre um único indivíduo. O indício claro disso é a menção de que certas pessoas "fariam a fox parecer comunista". Sugiro que recicle-se e aculture-se na Internet, o "ambiente" mais próximo do mercado livre que o ser humano já criou. Televisão é passado.
  • Bruno  05/06/2010 11:07
    Então eu vou dizer Leandro qual o problema do Lew Rockwell.

    Nesse artigo ele argumenta (com chororo) que a empresa também é vítima pois está perdendo com o incidente. E é verdade sim. Mas vamos relembrar, é de responsabilidade deles BP. E para isso ele ataca ferozmente os ambientalista, na visão dele, estão sedentos por desastres para pronunciar, ou melhor, bradar que estão certos.
    RESUMINDO: Ele acusa os ambientalistas pegarem um incidente e direcionar toda a fúria em cima da empresa.

    Porém, agora vem o engraçado, no artigo "Mas, e as crianças?": www.mises.org.br/Article.aspx?id=127

    Ele faz a mesmíssima coisa da qual imputa aos ambientalistas. É uma canalhice digna de dó. Ele pegou um grande mal entendido entre o policial, o pai de família e o garoto e faz um enorme escândalo, um apocalipse final, para bradar contra o estado.
    Não que o policial no caso estivesse certo, ele abusou do poder, não teve tato, e nem capacidade de conversa.
  • Leandro  05/06/2010 11:26
    Não é verdade, Bruno. Creio que você não quis interpretar o texto corretamente. Pegue a metade final do artigo (mais especificamente, a partir do parágrafo que começa com a frase "A principal questão econômica envolvendo o meio ambiente deve estar centrada na imputabilidade") e veja que ele passa o tempo todo criticando a falta de imputabilidade e a falta de direitos de propriedade bem definidos, e mostra como tudo isso na verdade ajuda a proteger empresas que não se preocupam com os danos que elas causam a terceiros.

    Ou seja, o autor, embora diga que a empresa foi a que mais perdeu com todo o incidente, também está dizendo que, houvesse direitos de propriedade mais bem definidos, os prejuízos da empresa seriam ainda maiores. E justamente por isso, ela, talvez, seria mais cuidadosa. Ao menos, o sistema de punições estimularia tal comportamento.

    E isso não é opinião minha, não; tudo isso está realmente escrito no texto. Não entender isso me parece ser uma questão de má vontade.

    Quanto aos ambientalistas, ora, você nega a histeria deles? Você nega que eles estão usando esse incidente para avançar sua combalida agenda? (O aquecimento global, por exemplo, já era. Curiosamente, só se fala disso no verão.)

    Quanto ao artigo por você citado, eu juro que me esforcei, mas não entendi seu ponto. Tampouco vi qualquer incoerência da parte do autor quando se contrasta esses dois artigos.
  • Bruno  05/06/2010 12:10
    Se você não viu a incoerência entre o posicionamento do Rockwell nos artigos é porque não quis ver. Aí não há o fazer mesmo.

    Ele (autor) até destaca:
    (...) 1) os ambientalistas, que agora podem praticar sua exímia arte de incitar o medo e o ódio à vida moderna, (...)

    Porém, como apontei no outro texto dele, ELE FAZ A MESMA COISA. Ele pratica a exímia arte de incitar o medo e o ódio. Que seja contra o estado (tenho lá minhas críticas contra o estado, não tão virulento quanto ele), ambientalistas e etc.

    #Abrindo uma digressão aqui.

    Quanto a ler o texto inteiro, eu o li, se quisesse comentar ele por inteiro acabaria apontando mais bobagens ainda propalada pelo Rockwell, como esta:

    (...) A abstração chamada "ecossistema" - a qual parece nunca incluir a humanidade ou a civilização - fez muito menos por nós do que a indústria petrolífera e as fábricas, os aviões, os trens e os automóveis que ela abastece (...)

    Quer dizer que ele bebe uma abstração (água)? Ele pisa em abstração (chão, solo)? Respira uma abstração (ar)? Então tá.
    Aviões, trens, petróleo... tudo feito de componente extraídos da abstração. O Rockwell tá de brincadeira, só pode!!!

    # Fechando

    A imputabilidade defendida lá implica, como você mesmo apontou, a falta de direitos de propriedades bem definidos. É uma premissa falsa. Para mim faltou mesmo é punição mais severa, e sobrou lobby (na minha opinião) para o governo "não bater muito" da BP.
  • Leandro  05/06/2010 12:57
    Não, Bruno, eu não vi. Lamento. Em um caso ele critica os ambientalistas e sua histeria sem base, utilizada apenas para avançar sua agenda desacreditada. Em outro caso ele critica o estado por assumir uma autoridade superior à paterna sobre os filhos. Para tal, ele citou um caso verídico; não ficou em abstracionismos. Você pode discordar de uma abordagem ou das duas. Agora, incoerência não há. Você próprio não conseguiu ser claro ao apontá-la.

    Quanto à abstração "ecossistema", você percebeu que o "ecossistema" estava entre aspas? Isso denota uma referência irônica. O termo "ecossistema" hoje foi deturpado, tornando-se meramente uma figura de linguagem autoadaptável utilizada pelos ambientalistas, podendo-se referir a qualquer coisa que lhes seja conveniente no momento. "Ecossistema" para eles, ora refere-se exclusivamente ao reino animal, ora exclusivamente às plantas. No caso do artigo, refere-se a um ponto específico da comunidade marinha.

    Entretanto, dou-lhe de barato essa, e concordo que tal ponto poderia ser mais bem clarificado.

    Finalmente, quanto ao conluio entre governo e grandes empresas (principalmente petrolíferas), ora, isso é algo constantemente criticado aqui. Aliás, é difícil você encontrar um site em português sobre economia que fale tanto sobre isso quanto nós. Qualquer crítica que você fizer a esse arranjo terá o nosso resoluto apoio.
  • Heber  19/11/2010 22:40
    Sobre este aspecto da promiscuidade entre empresas e estado, ela é fomentada pelo próprio estado a medida que cresce cada vez mais. O lobby acaba sendo uma forma que as empresas encontram para sobreviver a este ambiente onde o Estado controla tudo e todos.
  • Camila  12/07/2010 20:39
    Bom, vou me limitar a falar somente a alguns dos principais pontos deste texto que me itneressam.
    Olha, que a British Petroleum não fez de propósito, todos concordamos. Até porque ninguém em sã consciência deixaria jogar fora bilhões de dólares e arruinar sua imagem mundialmente como do jeito que está agora, comprometendo inclusive suas relações por pelo menos uma década. Outro fato é que como o próprio autor disse aqui, o petróleo é uma substância vinda da própria natureza e pode simplesmente evaporar. Podemos ver nesta matéria do G1 o que os cientistas inclusive argumentam sobre isso:

    g1.globo.com/mundo/noticia/2010/06/analise-nao-fazer-nada-talvez-fosse-melhor-contra-mancha-de-oleo.html

    "Casos anteriores sugerem que deixar que o óleo se disperse e evapore naturalmente é melhor a longo prazo, embora seja uma opção considerada politicamente inviável, disseram os cientistas."
    Como vemos, o argumento de Lew é politicamente inviável e principalmente prejudicaria mais ainda a própria British Petroleum que todos tanto defendemos.

    Contudo, mesmo que seja algo da própria natureza não quer dizer que o petróleo faça um bem às criaturas que estão lá, além de ser altamente inflamável. Veja bem, fezes também são orgânicas, e ao longo do tempo elas se decompõem, mas vocês conseguiriam viver durante alguns dias, ou quem sabe meses em um ambiente envolto desta substância? Certamente não nos faria bem, faria?

    Agora, quanto à questão dos ambientalistas. Reconheço que atualmente eles estão mais para resmungões esbravejantes excitados por qualquer motivo que culpe a estrutura de nossa sociedade, pois hoje em dia qualquer um se diz ambientalista, principalmente com esta "onda verde contra aquecimento global" que está tendo por aí. Mas acho muita prepotência acreditar que o único dano que seria causado a nós é estarmos desprovidos do petróleo para utilizarmos em nossos carros e demais elementos que constituem nossa vida confortável. Sempre foi previsto que o petróleo um dia acabaria, mesmo que sendo natural, pois ele não é considerado uma energia renovável. E quando ele acabar? O que acontece conosco? Só nos resta lamentar e a vida continua. Vamos encontrar outra solução? Vamos. Até esta se esgotar, e encontrarmos outra e outra e outra. Até encontrar uma que se renove e,conseqüentemente, não agrida o ambiente ou esgotarem a idéias e resolvermos procurar um outro modo de vida.

    Quando o autor diz "A perda de peixes e de parte da vida marinha é triste, mas não é algo definitivo: após o desastre da Exxon Valdez, a pesca tornou-se melhor do que nunca em apenas um ano." ele se esquece que isto foi um dos vários casos de extinção que ocorreram e ainda ocorrem até hoje. Temos várias espécies que já foram extintas ao longo de nossa história e se fossemos contar como se as coisas funcionassem segundo nosso caro Lew Rockwell, era só esperar um aninho que elas voltariam magicamente à vida. E cadê?

    "Se essa gente obtiver êxito, os preços do petróleo iriam duplicar ou triplicar, jamais outra refinaria seria construída e toda a perfuração dos oceanos seria interrompida em nome da "proteção" de coisas que não trazem aos seres humanos um único benefício."


    Quanto à isso, repito a dizer o termo prepotência. Não sou ambientalista nem me achu um, mas tenho o bom senso de ter a idéia de que estas coisas que não trazem benefícios fazem parte de todo um conjunto que forma a natureza e foi esta que é responsável por nossa existência. Os humanos não vieram de um plano divino e não são criaturas superdotadas que conseguem viver independente de qualquer recurso. Vivemos de frutos, de caça, pesca, e oxigênio que são fornecidos pelas plantas. Se estes recursos que precisamos para nossa vida básica acabassem estaríamos numa situação bem complicada, pois não seria o petróleo que nos alimentaria, não é? Agora, tudo bem que este acontecimento não vá necessariamente acabar com todos nossos recursos. Mas pensemos: nossa população mundial está crescendo em uma proporção muito alta.Segundo dados retirados da Folha de São Paulo, em 2000, havia 6 bilhões de seres humanos, uma população que já aumentou para 6,5 bilhões e poderá alcançar os 9 bilhões em 2050. Inclusive segundo dados já divulgados, a água doce no mundo já tem previsão para acabar pois a quantidade de bacias deste tipo de água não é proporcional à quantidade de gente que aqui reside. Como teremos recurso pra suportar tanta gente? Ainda mais se um desastre como esse destruir a fauna e vegetação de um lugar como o Golfo do México que é considerado o nono "body of water" do mundo. A quantidade de água e recursos pesqueiros que armazena é enorme.

    Além disso se matarem as baleias, não teríamos o que ver no Sea World é uma pena também, pois adoro aqueles shows, Já os vi uma vez e achei absolutamente empolgante.Viver sem eles de fato seria muito triste. Aliás... qualquer matéria que você possa procurar na internet por aí você vai achar que isto é um fato. Peixes, tubarões, Golfinhos e baleias desta região correm sim um sério risco.

    A propósito ( não digo que seja verdade) mas andei lendo que alguns cientistas estão falando que isto pode comprometer a própria vida humana.

    Cansei de escrever.todos os dados aqui que disse são baseados em matérias divulgadas pela mídia e mais alguns sites.
    Leia mais em: (Se preferirem não ler e irem ao Sea World me tragam um souvenir)

    www.ufotvonline.com.br/arquivo-noticias/6-ciencia/190-british-petroleum-condena-a-vida-marinha-e-oceanos.html

    dvice.com/archives/2010/07/bp-oil-leak-cou.php

    www.helium.com/items/1882339-doomsday-how-bp-gulf-disaster-may-have-triggered-a-world-killing-event

    OS: Está para começar a temporada de tornados nesta região =)
  • Gustavo Boscolo Nogueira da Gama  14/07/2010 14:32
    Camila, a solução de todos esses problemas que você citou é liberdade econômica.
  • Leandro  27/07/2010 09:26
    Que desespero... Lembram do petróleo derramado? Pois é. Sumiu.

    Como relata a notícia a seguir, a equipe de reportagem sobrevoou a região num helicóptero da Guarda Costeira e... nada. Há todo um exército de burocratas por lá sem absolutamente nada pra fazer, pois não há nem sinais de manchas.

    Os eco-histéricos, aparentemente, terão de procurar outro bicho-papão sobre o qual descarregar suas intermináveis cantilenas.

    abcnews.go.com/WN/bp-oil-spill-crude-mother-nature-breaks-slick/story?id=11254252

  • Emerson Luis, um Psicologo  04/06/2014 13:19

    O vazamento de petróleo no oceano é lamentável em termos econômicos e ecológicos. Mas ambientalistas e intervencionistas ficam contestes com a oportunidade de agir de acordo com seus propósitos. Quanto pior, melhor.

    * * *


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