O seu estado é um pagador ou um recebedor de impostos federais?
por , terça-feira, 11 de maio de 2010

A tabela a seguir mostra quanto cada estado pagou de impostos federais em 2009 e quanto cada estado recebeu do governo federal a título de transferência de recursos (dinheiro destinado ao governo do estado e aos municípios desse estado) também em 2009.

Os impostos federais calculados são: imposto sobre exportação, imposto sobre importação, IPI, IRPF, IRPJ, IRRF (retido na fonte), IOF, ITR, CPMF, COFINS, PIS/PASEP, CSLL, CIDE-combustíveis, contribuições para o FUNDAF e outras receitas administradas.

O resultado final para cada estado aparece na coluna da direita.  Os resultados em azul indicam que o estado é recebedor líquido de impostos federais.  Os resultados em vermelhos indicam que o estado é um pagador de líquido de impostos federais.

Cada um tire suas próprias conclusões.

(Os estados foram elencados por região. Começa com a região Norte, depois Nordeste, Centro-Oeste, Sudeste e, finalmente, Sul).

 

 

 

Quanto paga ao governo federal

 

Quanto recebe do governo federal

Resultado final

Acre

244.750.128,94

 

2.656.845.240,92

 

2.412.095.111,98

Amazonas

6.283.046.181,11

 

3.918.321.477,20

 

— 2.364.724.703,91

Amapá

225.847.873,82

 

2.061.977.040,18

 

1.836.129.166,36

Pará

2.544.116.965,09

 

9.101.282.246,80

 

6.557.165.281,71

Rondônia

686.396.463,36

 

2.488.438.619,93

 

1.802.042.156,57

Roraima

200.919.261,72

 

1.822.752.349,69

 

1.621.833.087,97

Tocantins

482.297.969,89

 

3.687.285.166,85

 

3.204.987.196,96

Alagoas

937.683.021,32

 

5.034.000.986,56

 

4.096.317.965,24

Bahia

9.830.083.697,06

 

17.275.802.516,78

 

7.445.718.819,72

Ceará

4.845.815.126,84

 

10.819.258.581,80

 

5.973.443.454,96

Maranhão

1.886.861.994,84

 

9.831.790.540,24

 

7.944.928.545,4

Paraíba

1.353.784.216,43

 

5.993.161.190,25

 

4.639.376.973,82

Pernambuco

7.228.568.170,86

 

11.035.453.757,64

 

3.806.885.586,78

Piauí

843.698.017,31

 

5.346.494.154,99

 

4.502.796.137,68

Rio Grande do Norte

1.423.354.052,68

 

5.094.159.612,85

 

3.670.805.560,17

Sergipe

1.025.382.562,89

 

3.884.995.979,60

 

2.859.613.416,71

Goiás

5.397.629.534,72

 

5.574.250.551,47

 

176.621.016,75

Mato Grosso

2.080.530.300,55

 

3.864.040.162,26

 

1.783.509.861,71

Mato Grosso do Sul

1.540.859.248,86

 

2.804.306.811,00

 

1.263.447.562,14

Espírito Santo

8.054.204.123,9

 

3.639.995.935,80

 

— 4.414.208.188,1

Minas Gerais

26.555.017.384,87

 

17.075.765.819,42

 

— 9.479.251.565,45

Rio de Janeiro

101.964.282.067,55

 

16.005.043.354,79

 

— 85.959.238.712,76

São Paulo

204.151.379.293,05

 

22.737.265.406,96

 

— 181.414.113.886,09

Paraná

21.686.569.501,93

 

9.219.952.959,85

 

— 12.466.616.542,08

Rio Grande do Sul

21.978.881.644,52

 

9.199.070.108,62

 

— 12.779.811.535,9

Santa Catarina

13.479.633.690,29

 

5.239.089.364,89

 

— 8.240.544.325,4


Atualização: o Distrito Federal, por pura displicência deste que vos escreve, ficou de fora da lista.  Eis os dados:

Quanto paga ao governo federal: 50.454.719.368,50

Quanto recebe do governo federal: 7.356.318.744,45

O que dá um déficit de — 43.098.400.624,05

O resultado parece estranho?  Mas não é.  Trata-se de uma enorme distorção.  O DF, como é sabido, possui a maior concentração de funcionários públicos federais — incluindo-se aí os nobres membros do congresso e dos ministérios — por quilômetro quadrado.  Quando o dinheiro do salário deles (que vem de todo o Brasil) cai em suas contas bancária, o imposto de renda retido na fonte é contabilizado como arrecadação federal.  O mesmo é válido para o imposto de renda pago por todas as estatais, inclusive BB e CEF, que possuem sede em Brasília.

Ou seja, o dinheiro que é espoliado de todo o resto do Brasil vai para o DF, cai na conta dos funcionários públicos e políticos e, em decorrência do IR que estes pagam, uma parte desse mesmo dinheiro é contabilizada como carga tributária que o DF paga ao governo federal.  Bonito.

Ainda assim, os repasses federais para o governo do DF são vultosos (maiores que os de Santa Catarina, por exemplo), o que mostra o quão privilegiada é a região.

 

Fontes:

Quanto cada estado paga ao governo federal:  http://www.receita.fazenda.gov.br/Historico/Arrecadacao/PorEstado/2009/default.htm

Quanto cada estado recebe do governo federal:  http://www.portaltransparencia.gov.br/PortalTransparenciaListaUFs.asp?Exercicio=2009&Pagina=1


Leandro Roque é o editor e tradutor do site do Instituto Ludwig von Mises Brasil.

postado por Leandro Roque | 11/5/2010

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75 comentários

75 comentários

LUIZ OLIVEIRA
Se a maioria dos paulistas entendessem esses números teriam vontade de fazer outra Revolução Constitucionalista. Os cariocas, ao invés de reclamarem da mudança da capital federal para Brasília, iriam querer se tornar independentes. Talvez tivéssemos um outro país: SampaRio. São Paulo e Rio carregam o Brasil nas costas. É uma carga muito pesada. Que os libertários me perdoem, mas vou parafrasear Marx: Paulistas e cariocas uni-vos. Nada tendes a perder, senão vossos grilhões.
Publicado em 11/5/2010 11:09:16
Leandro,
vc podia adicionar a este artigo aquele mapa dos estados onde o Lula ganhou e os que Geraldo ganhou, me parece que a divisao ficou exatamente comprovando a frase de George Bernard Shaw: "A government which robs Peter to pay Paul, can always count on the support of Paul."
Publicado em 11/5/2010 11:46:19
andre
Muito em breve teremos uma guerra civil se continuar assim.
Publicado em 11/5/2010 11:47:56
andre
Isso preocuopa, pois é formula basica para uma guerra civil.....
Publicado em 11/5/2010 11:49:37
Edik
Eu busquei dados da população de alguns estados no site do IBGE e pude constatar que os cariocas pagam mais do que recebem em relação aos paulistas por habitante:
SP - População: 39.827.570 paga mais R$4.554,00 de imposto do que recebe
RJ - População: 15.420.375 paga mais R$5.574,40 de imposto do que recebe
RS - População: 10.284.503 paga mais R$1.242,62 de imposto do que recebe


Realmente nós paulistas e cariocas estamos carregamos em certa medida o Brasil nas costas. E esse peso na realidade deve ser bem pior porque nessa conta não entra gastos realizados diretamente pelo governo federal, e podemos presumir que eles são mais intensos nas outras regiões do Brasil.

Publicado em 11/5/2010 11:59:17
Fernando Chiocca
Sejam bem-vindos à DEMOcracia.
Publicado em 11/5/2010 12:04:36
Bravo Leandro, muito bom.

Essa é uma área que nós podemos ajudar muito no Brasil. Visualização e interpretação de dados oficiais que da forma colocada e analisada em sites oficiais não geram muita discussão.

O Impostômetro é uma boa iniciativa, mas não quiseram mostrar estas diferenças regionais.

Dei uma olhada nos dados do BNDES, e você vai achar muitos dados de investimentos diretos do banco, a maioria em grandes obras e grandes empresas. Eles agora são obrigados a publicar isso, e com certeza ajuda muito a nossa causa.

Há outras coisas que complicam a análise de quem recebe o quê. Sabemos que o protecionismo industrial protege majoritariamente a indústria do país, instalada em São Paulo, Paraná, Santa Catarina...

São Paulo sustenta as contas do governo federal. Mas PT é de lá, o PSDB também. São Paulo está no poder. Não que isso beneficie em alguma coisa a população de São Paulo, é claro...
Publicado em 11/5/2010 12:11:27
Eduardo C.
Parabéns pelo quadro, explica bem os motivos do nordeste estar com o governo mesmo mediante à escândalos diários.
Publicado em 11/5/2010 12:18:46
Helio
Fantástico!

Pelo exposto acima, percebe-se que o governo federal é a abominável máquina de tirar de Pedro (cerca de R$220bi) e dar a João (menos de R$70bi), e claro, ficar com o troco.

Publicado em 11/5/2010 12:26:27
Helio
Sorry, eu quis dizer que o governo federal tira de Pedro R$320bi, dá a João menos de R$70bi, e fica com o troco...
Publicado em 11/5/2010 12:29:50
Este seria o mapa,( www.duplipensar.net/diario/uploaded_images/eleicoes-brasil-2006-03-717909.jpg ) algumas exceções como o Rio de Janeiro votando com Lula e Roraima com Alckmin, mas dá para se ter uma idéia do poder que o repasse de verbas tem na percepção do povo.
"It's illegal to say to a voter "Here's $100, vote for me." So what do the politicians do? They offer the $100 in the form of Health Care, Social Security, Unemployment Insurance, Food Stamps, tobacco subsidies, grain payments, NEA payments, and jobs programs."
Publicado em 11/5/2010 12:39:14
Helio
Na linha do que o Eduardo C. sugere, seria fantástico ter uma tabela com a quantidade de senadores, deputados, e população; por estado e por região. O Nordeste aparecerá com um poder político muito maior que sua população.
Publicado em 11/5/2010 13:07:05
Daniel M.
Leandro, permita-me sugerir outros indicadores que poderiam ilustrar ainda mais como o federalismo no Brasil é uma ficção.

1. Da massa tributária arrecada no país, quanto é controlado por cada ente (união, estados e municípios);

2. Percentual de municípios que não conseguem se manter com recursos próprios;

3. Considerando a distribuição da população nos estados, comparar a atual distribuição de deputados federais e a que realmente deveria ser.

parabéns pelo trabalho de vocês.

abç
Publicado em 11/5/2010 13:25:59
anônimo
Do ponto de vista dos estados do Sul e Sudeste, me parece que há um pacto f*derativo.

Publicado em 11/5/2010 14:00:55
Fabiana
MEU DEUS ! São Paulo é uma COLÔNIA da metrópole Brasil !!! Que escravidão ! Que humilhação ! Que discrminação !
Isto, além de internamente sustentar migrantes que o saqueiam, absorvendo todos seus recursos.

Até quando esta humilhação e escravismo ?
Publicado em 11/5/2010 14:12:36
Leo Oldani
Chioccas,

Esse estudo não cabe.Imposto tem que ser comprado com PIB, santa mâe de Deus!!!!
Arrecadação regional não tem nada a ver com pib regional.
Enquanto o PIB de SP representa de 33% do PIB brasileiro(pode olhar no IBGE), a arrecadação de SP representa 65% do total arrecadado.Por Que?

É óbvio que boa parte do que SP arrecada não lhe pertence.


Entes de fazer alarmismo é preciso entender os números, senão não passa de panfletagem.

P.S. As transferência para SP estão de acordo com o PIB paulista, cerca de 32% do total repassados aos estados.

Faça um estudo descente e tire essa merda do ar!!!!!!






Publicado em 11/5/2010 14:26:56
Maurício
Muito bom, Leandro,

Ações como esta ajudam a disseminar a cultura de consulta e ANÁLISE das informações divulgadas pelo governo.

Vou começar a olhar mais de perto estes dados...

Excelente sugestão, Roberto.

Abraços
Publicado em 11/5/2010 14:35:18
Maurício
Porque o Distrito Federal não entra na conta?
Publicado em 11/5/2010 14:48:05
Fernando Chiocca
E não tem que colocar estes 250 bi na conta também para aí sim ter o resultado final?
Afinal, eles vão para algum estado. Ou melhor dizendo, eles vão para determinadas pessoas que estão em algum estado.
Publicado em 11/5/2010 14:55:56
Thiago Bezerra
Merece até um trabalho científico falando sobre implicações de uma suposta separação.
Publicado em 11/5/2010 15:12:19
Leandro
Prezado Leo Oldani, muito prazer! Sou eu o autor do "dejeto" e não os Chioccas. Aviso também que não sou paulistano e nem paulista, tampouco tenho raízes nesse estado.

Dito isso, algumas considerações sobre sua gentil missiva:

Esse estudo não cabe.Imposto tem que ser comprado com PIB, santa mâe de Deus!!!!

Raciocínio esse que absolutamente em nada invalida o resultado final da conta: saber se um estado é pagador ou recebedor líquido de impostos.

Arrecadação regional não tem nada a ver com pib regional.

E daí? Sequer foi mostrada a arrecadação regional nessa tabela, tampouco se está falando de PIB. Qual o ponto?

Enquanto o PIB de SP representa de 33% do PIB brasileiro(pode olhar no IBGE), a arrecadação de SP representa 65% do total arrecadado.Por Que? É óbvio que boa parte do que SP arrecada não lhe pertence. .

A resposta é essa? Se "boa parte do que São Paulo arrecada não lhe pertence", então pertence a quem? Por que a arrecadação de São Paulo "não lhe pertence" e, ao mesmo tempo, um estado como o Maranhão, por exemplo, pode não apenas receber de volta tudo o que pagou ao governo federal, como também tem o privilégio de receber um adicional de quase 8 bilhões sobre o que pagou?

Por que essa diferença de tratamento? Por que São Paulo não pode ser dono de sua produção, mas o Maranhão pode não apenas ser o dono de tudo o que produz (em termos líquidos) mas também tem o privilégio de ser o dono de boa parte da produção alheia?

Entes de fazer alarmismo é preciso entender os números, senão não passa de panfletagem.

Fica aí a dica pro senhor.

P.S. As transferência para SP estão de acordo com o PIB paulista, cerca de 32% do total repassados aos estados.

Tá na hora de trocar a HP. Os repasses do governo federal para São Paulo totalizam 11% do total repassado aos estados. Logo, de acordo com seu próprio conceito, o valor repassado para SP está 65% abaixo do "correto".

Saudações.

Publicado em 11/5/2010 15:14:36
Léo Oldani, o que vem a ser um "estudo descente" (pt.wiktionary.org/wiki/descente)? Por acaso você está pedindo para o Autor do texto descer ao nível em que vc se encontra?
Publicado em 11/5/2010 15:30:59
Malthus
Aliás, os números do Maranhão comprovam que a Famiglia Sarney não brinca em serviço. O repasse é quase 700%(!!!) maior que os impostos pagos.
Publicado em 11/5/2010 15:38:23
Fernando Ulrich
Ótima tabela Leandro.

Ainda estou um pouco perplexo.

Independente de qual Estado ganhe ou perde, no final das contas, toda a sociedade sai empobrecida, fora a elite governamental.

Me faltam adjetivos...
Publicado em 11/5/2010 16:48:14
Juan
Considero um absurdo o que estão fazendo principalmente com Rio e São Paulo,cara,se for ver a porcentagem de dinheiro dado,e dinheiro recebido,fico sem palavras,o pior é,nosso dinheiro vai embora,mas os problemas de quem suga continua,acho muito injusto isso ai,sinceramente,acho que alguns estados deverião fazer uma convenção muito seria p/ discutir isso,e caso nada seja resolvido,separação seria o melhor,viver sendo sustentado deve ser bom,agora quem paga a conta,ai com certeza não gosta,acho que o povo não tem conhecimento nenhum sobre esses n°,pois creio q se tivessem não estariam calados.
Publicado em 11/5/2010 18:38:00
FDP Safado ou Inocente do Cérebro-Lavado
Juan, vc está desconsiderando a seguinte verdade: se o governo não redistribuísse a grana sabiamente como ele sempre fez, o país estaria em uma situação pior do que já está. Você está desconsiderando todas as pessoas que só podem comer, todas as crianças que só podem aprender a ler e a escrever e todos os velhinhos que só podem receber um atendimento digno nas filas do INSS graças à intervenção bem intencionada dos nossos governantes. Falar em separação só mostra que vc é um ingrato de visão curta que não consegue entender que, muitas vezes, para fazer o bem, é preciso fazer o mal em primeiro lugar. Todos temos que tomar nossa dose de sacrifício para contruir um país melhor. Lembre-se do velho ditado: "Primeiro o bolo deve crescer, depois a gente divide ele.".
Publicado em 11/5/2010 19:24:33
Francisco Pompeu
Grande Leandro,
A contabilidade pública no Brasil é muito precária. Embora as conclusões gerais de seu trabalho provavelmente sejam válidas, gostaria de lembrar algumas dificuldades para classificar e contabilizar os impostos arrecadados e os gastos orçamentários. Do lado da arrecadação, por exemplo, os impostos pagos por grandes empresas são classificados no local da sede da empresa. Muitos gastos são orçamentariamente classificados como nacionais, mas são, na realidade, regionais. Um outro ponto que muitas vezes escandaliza quem ignora estas dificuldades contábeis é o fato da renda per capita de Brasília ser a maior do Brasil e o dobro do segundo colocado São Paulo. É que os lucros de empresas como BB e Caixa são considerados na sede, o que introduz uma distorção que compromete qualquer conclusão.
Grande abraço e meus parabéns pelos seus trabalhos.
Publicado em 11/5/2010 19:51:11
Felippe
Vocês falam muita besteira, aqui é um país, e vocês hajem de forma regionalista, todo brasileiro tem direito de ir e vir para qualquer região do seu país e trabalhar nesse mesmo local, se nessa determinada região (leia-se, ESTADO) florescem empregos, e em outras regiões não, (seja por um movimento histórico-cultural de subdesenvolvimento ou por políticos que travam a região) nada mais que certo que as pessoas corram para essas regiões causando um inchaço populacional, então o que o governo deve fazer? Pegar mais impostos de regiões mais frutíferas e jogar dinheiro em regiões menos frutíferas, impondo a essas mesmas regiões (infrutíferas) que utilizem-se de políticas fiscais que atraiam o conglomerado industrial até chegar o ponto de desenvolvimento que não se precise mais investir tanto nessas áreas, assim, não sendo mais necessário pegar tantos impostos das regiões frutíferas, pois, todos estaram em estado de desenvolvimento. Por favor, Leiam OSKAR LANGE.
Publicado em 11/5/2010 19:57:39
Leandro F
Ótimas informações, parabéns Leandro!
Publicado em 11/5/2010 20:17:07
Angelo
É o que cada gaúcho sente no lombo, todo dia. Os que produzem sustentam os improdutivos. Como é que se muda este sistema, fazendo com que o dinheiro gerado numa região fique ali? Federalismo? Como o próprio nome de nossa República determina? Não é com dinheiro injetado de impostos, ainda mais de outros estados, que se cria condições de desenvolvimento econômico em uma determinada região mais atrasada. Um bom começo seria a desburocratização real da atividade empresarial, a facilidade de contratação de mão de obra produtiva, e a desoneração real dos consumidores, para que se gere mais consumo nestas regiões com mais dinheiro no bolso das pessoas consumidoras e das produtoras, não dos burocratas sanguessugas. O grande papel que o governo destes estados perdulários poderia fazer era o de sair da frente dos cidadãos para que estes possam tomar sua próprias decisões de consumo, daí sim criando um mercado livre e legítimo, onde preços, oferta e demanda sejam naturalmente equilibrados pelas tão faladas e tão pouco observadas leis de mercado. Senão eu tomo um chimarrão inflacionado por impostos aqui no RS, porque tenho de ajudar um cearense a comer uma buchada de bode, inflacionada também, pois a disponibilidade de dinheiro fácil no Ceará é produzida pelo meu chimarrão taxado e inflacionado aqui. Nada é de graça, Senhores! Não é regionalismo nem xenofobia gaúcha, é so excesso de impostos, o que, por si só, já é má administração do dinheiro público. Dinheiro público bem gerido, só se for pouco. Governos têm de sentir fome!
Publicado em 11/5/2010 21:27:54
Ygor
Bom, você sabe: Governo Federal, da Federação, da União Federal. Portanto, os repasses levam em conta interesses e necessidades da Federação, e não dos Estados. Para esses (embora reconheça que o sistema tributário necessita de avanços porque há ainda muita dependência do Estado em relação à União), há diversos impostos que são exigidos diretamente por eles e servem tão-somente aos interesses, necessidades e conveniências dos Estados.

Afora a necessária discussão sobre o sistema tributário ainda ser muito centralizado e se dever dar mais autonomia aos Estados (ao menos em teoria, porque isso teria que ser debatido bastante dadas as especificidades do Brasil), é inútil falar em "superávit" ou "déficit" nos repasses do Governo Federal aos Estados, porque se trata aí de um repasse feito tendo em conta diversos princípios fundamentais e regras da ordem tributária e financeira do Estado que perpassam questões federativas, e não estaduais, e é assim que deve ser a não ser que seu Estado venha a achar que é melhor ele formar um Estado-nação sozinho (o que, não sei porquê, acho que não interessa no momento a SP nem ao RS).
Publicado em 11/5/2010 22:43:42
Ygor
Senão eu tomo um chimarrão inflacionado por impostos aqui no RS, porque tenho de ajudar um cearense a comer uma buchada de bode, inflacionada também, pois a disponibilidade de dinheiro fácil no Ceará é produzida pelo meu chimarrão taxado e inflacionado aqui.

Disponibilidade de dinheiro fácil no Ceará? Não me faça rir, meu caro. Até você viver ao menos um mês em alguma das cidades mais pobres deste País, você não me parece nem um pouco indicado a falar em disponibilidade de dinheiro fácil em regiões de baixíssimo PIB per capita e parquíssimas possibilidades de crescimento econômico devido a limitações educacionais e mesmo ambientais que não só não são devidamente resolvidas pelo Estado como de fato são difíceis de contornar, como é o caso do semiárido nordestino.

Não deixo de atribuir a maior parte do atraso do Nordeste, é verdade (assim como ao de outras regiões pobres do país), à corrupção e à ineficiência, mas simplesmente é faltar com a verdade falar em larga disponibilidade de dinheiro em um Estado que, efetivamente, não sabe o que é ter dinheiro para investir em obras de maior porte sequer há mais de 30 anos, enquanto certamente o seu RS do chimarrão há um século já contava com investimentos federais e estaduais de maior parte, daí seu maior desenvolvimento atualmente.

Procure ver, apenas como exemplo, as listas de mortalidade infantil no Brasil entre os anos 40 e hoje: quando você perceber que foram feitos investimentos em saúde pública e saneamento no Sul que permitiram sua mortalidade cair pela metade ou até menos entre 1940 e mais ou menos 1970, enquanto o Nordeste amargou um minúsculo decréscimo com condições de vida praticamente iguais às de décadas anteriores, aí você perceberá que se trata de uma questão de desenvolvimento nacional e que não há, em uma perspectiva histórica (mesmo de curto prazo), "disponibilidade de dinheiro fácil" em qualquer Estado do NE.
Publicado em 11/5/2010 22:51:32
Ygor
MEU DEUS ! São Paulo é uma COLÔNIA da metrópole Brasil !!! Que escravidão ! Que humilhação ! Que discrminação !
Isto, além de internamente sustentar migrantes que o saqueiam, absorvendo todos seus recursos.

Até quando esta humilhação e escravismo ?


Simples, caríssima Fabiana: até o dia em que vocês, corajosos e trabalhadores paulistas, no exercício da soberania popular, decidirem lutar contra o Brasil e declarar sua independência, formando um Estado unitário separado. Seria perfeitamente legítimo, embora a Constituição brasileira proíba isso, o que provavelmente geraria uma situação de conflito bem grave.

De qualquer forma, apenas me parece claro que vocês teriam disposição e bravura para lutarem pela separação, dado que vocês paulistas sofrem de tamanho sofrimento pela escravidão e pelo saque de migrantes (aliás, migrantes de quem descende boa parte da população que hoje se chama "paulista", basta vocês fazerem uma arvorezinha genealógica).

Bom, é isso: ou para de reclamar e assume que está numa Federação, onde cabe o princípio da solidariedade e o federativo entre os membros da República, ou então mãos à obra, garra na luta e bem-vindo ao novo mundo do Estado unitário em que não vai haver mais desculpas para os problemas de seu Estado. Gostaria mesmo de ver no que daria isso: meu Deus, a quem culpar agora pelo fato de "nosso Estado" ter renda per capita alta e ainda assim ter um IDH menor que o do México???
Publicado em 11/5/2010 22:57:58
Fernando Bessa
Estranho o montante pago pelo estado de São Paulo se comparado ao Rio de Janeiro.
SP estado 3x maior em área, 3x maior em população, 3x maior na economia e só contribui com 204 bilhões.... e o Rio 101 bilhões.

Assim fica a ideia que a economia de SP é apenas o dobro do RIO.


Tem alguém pagando muito e alguém escondendo o jogo.

Nesse filme parece que quem morre feio no final é o RIO.
Publicado em 11/5/2010 23:20:55
Ygor, obrigado por expressar sua opinião, que é coerente com a de alguém que acredita que a existência de governos é justificada moralmente e necessária para o desenvolvimento de uma sociedade de indivíduos. Não concordo, mas respeito. Acho que seus 3 comentários foram consistentes, partindo das premissas que você usou, com exceção da última frase: "...Gostaria mesmo de ver no que daria isso: meu Deus, a quem culpar agora pelo fato de "nosso Estado" ter renda per capita alta e ainda assim ter um IDH menor que o do México???". Não entendi porque você disse isso. Teria sido apenas um apelo emocional ou existiria alguma justificativa racional para essa suposição? Já adianto que não nasci nem nunca morei em SP :)
Publicado em 12/5/2010 08:35:17
Daniel M.
Gostaria de comentar dois dos argumentos mais utilizados por aqueles que não sentem náusea ao ver a tabela acima.

1. Existem muitas pessoas com renda insuficiente nos estados "azuis" e, portanto, é necessário que a união cumpra seu papel redistributivista. Muitos evocam o "contrato social" rousseauniano.

2. Os estados "superavitários" são menos desenvolvidos economicamente. Tais transferências se justificam para que regiões menos desenvolvidas incrementem sua infra-estrutura e atraiam investimentos.

Sobre o primeiro, é absolutamente inegável que existem famílias pobres no Brasil. E pobreza não é nada agradável. Só não concordo com as soluções adotadas, principalmente no que diz respeito à forma. Porquê o estado usa do instrumento da força para tentar solucionar esse problema? Por trás de toda a baboseira de impostos federais, estaduais, transferências etc etc, o fato concreto é que famílias são obrigadas a ajudar outras, sejam elas vizinhas ou a 3 mil quilômetros de distância. Aqueles que entendem que a ajuda é necessária (e não são poucos), deveriam montar associações para transferir recursos voluntariamente. No final das contas, se transferência direta de renda é tão boa e necessária, por quê ela deve ocorrer sob a égide da força e da compulsão?

No caso do segundo argumento, brevíssimas preliminares. A história do mundo é a história das migrações. Não sei quem disse isso, mas acertou na mosca. Nos últimos cento e poucos anos é que começaram a criminalizar a mobilidades das pessoas... Ou seja, nos dias de hoje é quase uma dádiva divina morar num país territorialmente extenso. Se as pessoas não estão satisfeitas com determinado local podem simplesmente mudar para outro lugar. Não precisam aprender outra língua, não precisam de passaporte nem converter sua riqueza em outra moeda. Milhões de pessoas já fizeram isso no Brasil e melhoraram de vida consideravelmente. Obviamente que a classe política não tolera a idéia da migração. Além de ser um atestado de incompetência, os indivíduos que migram representam menos votos e menos pagadores de impostos.
Publicado em 12/5/2010 12:58:32
Felipe
Falar em separação só mostra que vc é um ingrato de visão curta que não consegue entender que, muitas vezes, para fazer o bem, é preciso fazer o mal em primeiro lugar. Todos temos que tomar nossa dose de sacrifício para contruir um país melhor.

Os fins nunca justificam os meios.
Publicado em 12/5/2010 13:17:37
Felipe Sola
Quanta bobangem marxista desse povo aí de cima! hunf -.-
Publicado em 12/5/2010 13:53:05
Eu enxergo o nosso arranjo político-regional da seguinte maneira: a elite política do sudeste se catapultando ao nível nacional e comprando o apoio dos estados mais pobres. Como sempre foi.

Isso é bom para o paulista? Claro que não. Mas São Paulo é que é o berço dos movimentos políticos atuais. Não questiono a legitimidade disso, mas só queria apontar para este fato. Justamente a riqueza econômica de São Paulo é que dá asas para estes movimentos políticos ampliarem seu raio de ação para todo o Brasil.

Coronéis do norte e nordeste possuem raio local e seriam incapazes de liderar um movimento político-ideológico hoje em dia. Eles apenas cobram a conta. E dessa conta com certeza fazem parte os numerozinhos azuis acima, além de muitos investimentos estatais feitos por BNDES e empresas com influência estatal.

Mas, ao final, quem traça nossa 'política industrial'? Políticos do sudeste e sul.

Quanta perda econômica isto causa nos estados menos industrializados? Não saberia calcular.

De onde é proveniente a elite política atualmente no poder?
Majoritariamente Sudeste e Sul. Norte e nordeste participam do nosso arranjo através de seus coronéis, das esmolas, e de uma massa de desassistidos sendo conduzidos rumo às urnas para 'validar' quem tenha sido alçado para nível nacional.

A situação no Rio nessa tabela mostra como é precipitado tomar isso separadamente de outras transferências. Pois o Rio é o maior gasto federal com funcionalismo. E há sede de estatais. Com todo o respeito a quem trabalha no setor produtivo no Rio, mas eu morei lá e sei a quantidade de estatais e o legado de elefantes-brancos que eles tem. O Rio ainda está tentando se posicionar de maneira produtiva na economia brasileira depois de ter perdido seu status político.

Então acho que não é uma questão de uma região contra outra. É difícil fazer a conta.

O Ygor cita por exemplo:

'Disponibilidade de dinheiro fácil no Ceará? Não me faça rir, meu caro'

E ele tem razão no sentido que o nosso mercado financeiro se concentra em São Paulo e Rio. Ora, isso também é uma das 'jóias da coroa' que ficam com a região sudeste. Pois o mercado financeiro, como sabemos, é alavancado por todos nós. Claro que eles investem no Brasil todo, mas as sedes destas empresas privilegiadas são no Sudeste.

No final, acho que se fôssemos fazer a conta direitinho, é capaz do centro-oeste ser uma das regiões mais prejudicadas, pois não recebe 'esmola' e não dá as ordens na esfera financeira e de intervenção econômica.

Para finalizar, gostaria de ressaltar que sou completamente contra esse 'tratado federativo', se é que essa picaretagem merece este nome. Só acho que análise foi bem intencionada, mas não pode ser analisada separadamente das outras tranferências.
Publicado em 12/5/2010 14:49:39
Daniel
Qualquer um que tenha uma noção razoável de orçamento público percebe que esse artigo é tendenciosamente tosco. É o perfeito exemplo de utilização de dados
verdadeiros para enganar os trouxas. Vou analisar apenas alguns pontos, mas acho que será interessante aprofundar a análise num possível artigo não só para refutar essas comparações estúpidas, mas também para afirmar a excessiva concentração de recursos públicos federais em poucas regiões do País.

Em primeiro lugar, vamos para as despesas, pois esse é o ponto mais simples de refutar. Consta do Portal da Transparência que R$ 202.782.352.196,86. Mas que
estranho! Pouco mais de 200 bilhões de reais de despesa num país que tem 40% do PIB de carga tributária (PIB de 2 trilhões de dólares)? E o resto do que foi arrecadado foi para onde? Não foi gasto? Foi mandado para o exterior? Não! A maior parte foi gasta em algum canto! O óbvio deve ser dito: as transferências são uma parte mínima da despesa total do orçamento da União e outras despesas foram feitas em algum lugar desse país. Não sei procurei ver que tipo de despesa está sob a égide de "transferências", mas imagino que sejam apenas as transferências feitas pelo ministérios, por meio de convênios. Os vencimentos e verbas remuneratórias dos servidores federais da ativa e inativa que atuam nos Estados e Municípios, as obras feitas diretamente pelo governo federal nos Estados, o investimento nas estatais não são contados. Muito provavelmente as transferências obrigatórias também não estão sendo contadas nesse bolo. Ou seja, o autor do artigo não considera uma série de despesas que são feitas nos Estados, nos Municípios e no Distrito Federal, mas apenas repasses feitos diretamente aos cofres dessas entidades federativas. Uma abordagem honesta sobre "Estado ganhador ou perdedor" demandaria uma análise de todas as despesas - e todas as receitas - que constam do Orçamento, para que se possa verificar de onde os recursos federais vêm e para onde eles vão.

Em segundo lugar, muito embora o autor tenha deixado a cada um tirar suas próprias conclusões, a tabela apresentada, claramente, pretende ser uma representação de dois grupos de Estados: o grupo dos Estados que geram riqueza e outro dos que se aproveitam das riquezas geradas. De fato, é muito difícil que um sistema tributário concentrado na União não gere ganhadores e perdedores expressivos, considerando arrecadação e despesa. Mas não tenho dúvida que uma análise que foca na arrecadação para mirar a riqueza é falaciosa. Arrecadação não pode ser interpretada como riqueza originária, riqueza produtiva. A menos que se sustente a tese de que Estado produz riqueza com a tributação. O Estado somente pode produzir riqueza através das estatais, isto é, da atividade econômica. E aqui não se está a discutir a (in)eficiência do Estado-empresário. Faz-se uma análise puramente abstrata, considerando o conceito financeiro de riqueza originária e riqueza derivada. A riqueza originária é aquela que parte da atividade econômica propriamente dita, seja ela realizada pelo Estado seja ela realizada por particulares. A riqueza derivada é a que surge a partir da tributação. Arrecadação é expressão de riqueza derivada. Tem relação com a riqueza originária, mas essa relação não é tão simples. Ao considerar que um Estado que arrecada muito tributo é um "pagador" pretende-se induzir os leitores a acreditar que este Estado estaria perdendo alguma coisa para o resto do país, o que não é necessariamente verdadeiro.

Veja-se o exemplo do Distrito Federal. O DF tem a receita tributária de R$ 50.454.719.369,00. Já Minas Gerais tem a receita tributária de 26.555.017.385,00.
isso significa dizer que mais riqueza é produzida no Distrito Federal que em Minas Gerais? Definitivamente, não. Então, por que se recolhe tanto tributo no Distrito Federal? Para responder a essa pergunta, é só olhar a tabela de arrecadação: Imposto de Renda retido na fonte no DF totalizou mais de 19 bilhões de reais. O que isso significa? O pagamento de servidores públicos federais, membros de poderes, etc., gera uma receita tributária enorme. Simples assim: o DF é um grande pagador de tributos federais porque é um grande recebedor de verbas públicas federais para pagar pessoal. De IOF o DF paga mais de 3 bilhões de reais. Mais do que natural, já que parte considerável das grandiosas operações financeiras de bancos estatais são feitas em Brasília e não nos Estado para onde o dinheiro é emprestado. Mesmo que o dinheiro emprestado pelo BNDES financie projetos no Pará, o tributo será recolhido no DF. Ocorre que esse banco foi criado a partir da riqueza produzida pelo setor privado do país e não pelos candangos. Outro exemplo: as estatais são sediadas em Brasília. Então, elas recolhem IRPJ no DF. E por aí vai... Curiosamente, a tabela do autor do artigo omite o Distrito Federal. Por que será? Porque o DF é um grande arrecadador e
recebe pouco em transferências, o que destoaria da tese geral que está por trás da tabela de que o Sudeste é quem produz riqueza e o resto do País, inclusive o DF, é que as toma.

O Estado que arrecada tributo não é necessariamente o que produz toda a riqueza sobre a qual o tributo é calculado para depois ser recolhido. Por isso, o raciocínio feito no parágrafo anterior não é válido apenas para o DF. São Paulo é disparado o Estado que mais recolhe IRPJ. Porém, as sedes das maiores empresas do país, que operam em todo o país, produzindo riqueza em todo país (vale enfatizar), recolhem o referido imposto na Receita Federal de São Paulo. O porto de Santos é o maior do País. Lá são cobrados Impostos de Importação, Exportação e IPI. Isso não significa que toda a riqueza que passa pelo porto de Santos foi produzida no Estado de São Paulo. É bastante evidente que São Paulo é o Estado que mais perde riqueza para o resto do País, no balanço entre o que é arrecadado e o que é revertido pela ação estatal, não duvido disso. Mas o balanço representado na tabela não é realista e não tem qualquer significado além de documento de panfletagem regionalista sem qualquer cunho científico.

Uma comparação muito mais realista seria entre o PIB dos Estados e todos os recursos federais, a qualquer título, gastos dentro deles. Ainda assim, o PIB de um Estado pode exprimir uma riqueza que não é originária, mas sim derivada (o PIB do DF é alto porque a União remunera bem e a muitos por lá).
Publicado em 12/5/2010 15:03:38
anônimo
Francisco Pompeu disse: "... A contabilidade pública no Brasil é muito precária. Embora as conclusões gerais de seu trabalho provavelmente sejam válidas, gostaria de lembrar algumas dificuldades para classificar e contabilizar os impostos arrecadados e os gastos orçamentários ..."

Ygor disse: "... é inútil falar em "superávit" ou "déficit" nos repasses do Governo Federal aos Estados, porque se trata aí de um repasse feito tendo em conta diversos princípios fundamentais e regras da ordem tributária e financeira do Estado que perpassam questões federativas, e não estaduais ..."

Juliano Camargo disse: "... Quanta perda econômica isto causa nos estados menos industrializados? Não saberia calcular ..."

Me parece que a "impossibilidade" de se tirar qualquer conclusão quantitativa em relação aos impostos neste país enobrece ainda mais a atitude do autor do texto. Pelo menos existe alguém com coragem e motivação suficiente para tentar abordar esse assunto "misterioso e complicado".
Publicado em 12/5/2010 15:26:13
Leandro
Prezado Daniel,

Você parte de argumentos corretos, porém faz lambança em suas conclusões finais. Permita-me, por gentileza, clarificá-lo ponto a ponto.

Em primeiro lugar, sua revolta em relação aos números, dizendo que se trata de "comparações estúpidas", mostram que você já começa errando o alvo. Primeiro que não se trata de comparação, mas meramente divulgação. Você quer enforcar o mensageiro para abafar a mensagem. Segundo, que os números são genuínos e longe de qualquer maquiagem. Se você não gostou deles, não é problema meu.

Em seguida, você escreve várias linhas apenas para dizer o básico: transferências não totalizam as despesas do governo. Ora, é claro que não. E em momento algum o artigo dá a entender outra coisa. Já de cara ele deixa claro que está falando apenas de transferências.

Seu argumento, entretanto, está certo nos quatro pontos a seguir:

* Sim, as transferências são uma parte mínima da despesa total do orçamento da União.

* Sim, é verdade que os vencimentos e verbas remuneratórias dos servidores federais da ativa e inativa que atuam nos estados e municípios, bem como as obras feitas diretamente pelo governo federal nos estados e o investimento das estatais NÃO estão inclusos nesse quesito transferência.

* Sim, uma abordagem completa sobre "estado ganhador ou perdedor" demandaria uma análise de todas as despesas - e todas as receitas - que constam do Orçamento, para que se possa verificar de onde os recursos federais vêm e para onde eles vão.

* E sim, o pagamento de servidores públicos federais gera uma receita tributária em decorrência do Imposto de Renda Retido na Fonte, o que significa que um estado pode ser um grande pagador de tributos federais apenas por ser um grande recebedor de verbas públicas federais para pagar pessoal.

Até aí, perfeito.

Porém...

Quais as implicações de todos esses argumentos? O que aconteceria se incluíssemos todos os gastos do governo, inclusive pagamento de funcionários públicos?

Ora, simples. Os estados que são recebedores líquidos obteriam um "superávit" ainda maior. Certo? Isso é uma questão puramente contábil. Por exemplo, voltemos ao estado do Maranhão. Ele paga 1,9 bilhão em impostos e recebe transferências de 9,8 bilhões. Se incluirmos agora todos os gastos governamentais nesse estado, o único e inevitável efeito contábil disso será um aumento considerável do "superávit" desse estado - isto é, sua condição de recebedor líquido ficará ainda mais explicitada. Certo? Questão puramente contábil. Não há como essa introdução dos gastos do governo reduzir o superávit desse estado. Se há, confesso que não consigo imaginar qual seria.

Por outro lado, peguemos um estado como São Paulo, por exemplo. Ele paga 204 bilhões de impostos e recebe 22 bilhões de transferência. Se incluirmos agora todos os gastos governamentais nesse estado, inclusive pagamento de funcionários públicos, o efeito realmente seria o da redução do "déficit" desse estado, fazendo com que sua condição de pagador líquido fosse atenuada. Concordo com você quanto a isso.

Entretanto, agora vêm dois problemas em cascata, incontornáveis:

1) Para comprovar sua tese de que os números estão exagerados, e que na verdade os estados pagadores líquidos não estão sendo tão espoliados assim, você teria de mostrar que a esmagadora maioria dos gastos do governo federal se concentra nesses estados - a saber, São Paulo, Rio, Paraná, RS e MG. Também teria de mostrar que a imensa maioria dos funcionários públicos federais está nesses estados. Em resumo, os gastos governamentais nos estados pagadores líquidos teriam de ser enormes para atenuar essa condição de pagadores líquidos. É possível você comprovar esse fato? Possível, é. Só que...

2) ... isso geraria outro problema, de ordem contábil: essa redução do déficit nesses estados pagadores líquidos INEVITAVELMENTE teria de reduzir o superávit dos estados recebedores líquidos. Certo? Afinal, se esses estados estão diminuindo sua condição de pagadores líquidos, então os outros estados inevitavelmente também teriam de reduzir sua condição de recebedores líquidos. Isso, enfatizo, não é uma mera opinião minha; trata-se de uma regra contábil incontornável.

Porém, qual a implicação disso tudo? Simples. Apenas repetindo: caso incluíssemos todas as despesas do governo federal, apenas uma coisa poderia acontecer aos estados recebedores líquidos: seu superávit iria aumentar. Não haveria a possibilidade de qualquer outro resultado. Portanto, na pior das hipóteses, o superávit desses estados seria EXATAMENTE aquele que está na tabela. Não teria como ser menor. A inclusão das despesas governamentais faria apenas com que esse superávit fosse aumentado. Impossível qualquer outro resultado.

Entendida esse pré-condição, vemos que ela entra em choque com o item 2 do parágrafo acima. Ou seja, a inclusão dos gastos do governo nos estados pagadores líquidos não teria como reduzir o superávit dos estados recebedores líquidos. De novo, isso é mera questão contábil, não é opinião minha.

Donde se conclui que, o que foi mostrado na tabela para os estados recebedores líquidos é, na verdade, a pior situação possível para eles. Na realidade, o superávit é ainda maior do que o mostrado. Discordar disso seria renegar um axioma da contabilidade.

Tendo entendido tudo isso, resta-nos apenas analisar o que poderia atenuar os números dos estados pagadores líquidos. Façamos isso.

Peguemos, novamente, São Paulo. Pagou 204 bilhões em impostos. Vários milhões desses impostos devem ter vindo do IRRF do funcionalismo público federal e de estatais federais, é verdade. Sendo assim, é óbvio que, descontados esses impostos, houve uma entrada líquida de dinheiro federal no estado, o que atenuaria sua condição de pagador líquido.

Porém, isso novamente entra em conflito com o que foi dito acima: essa redução do déficit em São Paulo inevitavelmente implicaria a redução do superávit dos estados recebedores líquidos -- algo que, como vimos, é impossível.

A conclusão, portanto, é que a única mudança possível na tabela acima se daria entre os estados pagadores líquidos: por exemplo, o déficit de São Paulo diminuiria e os de RJ e MG aumentariam, por exemplo. Não há outra hipótese, lamento. Não há como o déficit desses estados serem reduzidos em decorrência de uma redução no superávit dos estados recebedores líquidos.

Portanto, aqueles que dizem que o déficit de São Paulo está exageradamente alto estão na verdade falando que os déficits dos outros estados pagadores líquidos são na verdade maiores. Isso é possível, claro.

Porém, o que é impossível é dizer que o superávit dos estados recebedores líquidos são menores do que o apresentado. Isso seria, repito, uma impossibilidade contábil.

Conclusão geral: se os déficits de São Paulo e Rio são na realidade menores do que o mostrado na tabela (algo perfeitamente possível), isso significa apenas que os déficits de RS, MG, PR, SC e AM são maiores do que o apresentado. Não há como reduzir o superávit dos estados recebedores líquidos.

Espero que tenha ficado claro.

Publicado em 12/5/2010 15:36:54
Maurício
Excelente replica, Leandro. Vc podia combinar esta sua replica com a tabela e transformar num artigo, colocando numeros nos argumentos para ficar mais didatico para o publico em geral.

Mas ficou muito bom!

Abracos
Publicado em 12/5/2010 16:21:59
anônimo
Leandro disse: "... em seguida, você escreve várias linhas apenas para dizer o básico ..."

A acabo de constatar que, em geral, os tiranóides tendem a ser prolixos. Talvez isso ocorra em consequência da aplicação de alguma técnica baseada no cansaço ou na dispersão, com o objetivo de acabar com a discussão sem levantar a bandeira branca.

Outra característica dos tiranóides é a agressividade e o uso de adjetivos e expressões emocionalmente enfáticos, como fez o Leo Oldani em seu comentário.
Publicado em 12/5/2010 17:45:55
Paulo Jose
Mais um ditado que pode ser ou não verdade: "Quem ganha o peixe não aprende a pescar"

Os comunistas, social-democratas acima podem até discordar que a distribuição seja injusta.

Mas aceitar a carga tributaria do Brasil e acreditar que nossos politicos são capacitados e bem intencionados já é um pouco demais.

As vezes pra se ganhar uma discussão agente acaba defendendo algo em que não acreditamos, ou será que algum dos "discordantes" acima acredita na benevolencia de nossos governantes.

abraço e sorte para todos que lutam pela real liberdade!
Publicado em 12/5/2010 18:24:54
Daniel M.
Reproduzo um trecho d'O Caminho da Servidão, de Hayek (extraído do capítulo 10 - Por que os piores chegam ao poder)

"Há três razões principais para que um grupo numeroso, forte e de idéias bastante homogêneas não tenda a ser constituído pelos melhores e sim pelos piores elementos de qualquer sociedade. De acordo com os padrões hoje aceitos, os princípios que presidiriam a seleção de tal grupo seriam quase inteiramente negativos.

Em primeiro lugar, é provavelmente certo que, de modo geral, quanto mais elevada a educação e a inteligência dos indivíduos, tanto mais se diferenciam os seus gostos e opiniões e menor é a possibilidade de concordarem sobre determinada hierarquia de valores. Disso resulta que, se quisermos encontrar um alto grau de uniformidade e semelhança de pontos de vista, teremos de descer às camadas em que os padrões morais e intelectuais são inferiores e prevalecem os instintos mais primitivos e "comuns". Isso não significa que a maioria do povo tenha padrões morais baixos; significa apenas que o grupo mais amplo cujo valores são semelhantes é constituído por indivíduos que possuem padrões inferiores. É, por assim dizer, o mínimo denominador comum que une o maior número de homens. Quando se deseja um grupo numeroso e bastante forte para impor aos demais suas idéias sobre os valores da vida, jamais serão aqueles que possuem gostos altamente diferenciados e desenvolvidos que sustentarão pela força do número os seus próprios ideais, mas os que formam a "massa" no sentido pejorativo do termo, os menos originais e menos independentes.

Se, contudo, um ditador em potencial tivesse de contar apenas com aqueles cujos instintos simples e primitivos são muito semelhantes, o número destes não daria peso suficiente às suas pretensões. Seria preciso aumentar-lhes o número, convertendo outros ao mesmo credo simples.

A esta altura entra em jogo o segundo princípio negativo da seleção: tal indivíduo conseguirá o apoio dos dóceis e dos simplórios, que não têm fortes convicções próprias mas estão prontos a aceitar um sistema de valores previamente elaborado, contando que este lhes seja apregoado com bastante estrépito e insistência.

Serão, assim, aqueles cujas idéias vagas e imperfeitas se deixam influenciar com facilidade, cujas paixões e emoções não é difícil despertar, que engrossarão as fileiras do partido totalitário.

O terceiro e talvez mais importante elemento negativo da seleção está relacionado com o esforço do demagogo hábil por criar um grupo coeso e homogêneo de prosélitos. Quase por uma lei da natureza humana, parece ser mais fácil aos homens concordarem sobre um programa negativo - o ódio a um inimigo ou a inveja aos que estão em melhor situação - do que sobre qualquer plano positivo. A antítese "nós" e "eles", a luta comum contra os que se acham fora do grupo, parece um ingrediente essencial a qualquer ideologia capaz de unir solidamente um grupo visando à ação comum. Por essa razão, é sempre utilizada por aqueles que procuram não só o apoio a um programa político mas também a fidelidade irrestrita de grandes massas. Do seu ponto de vista, isso tem a vantagem de lhes conferir mais liberdade de ação do que qualquer programa positivo. O inimigo, seja ele interno, como o "judeu" ou o "kulak", seja externo, parece constituir uma peça indispensável no arsenal do líder totalitário."
Publicado em 13/5/2010 10:01:26
Daniel M., citando Hayek disse: "A antítese "nós" e "eles", a luta comum contra os que se acham fora do grupo, parece um ingrediente essencial a qualquer ideologia capaz de unir solidamente um grupo visando à ação comum."

Isso de dizer "nós aqui e eles lá" sempre me soou estranho. Após ouvir Pink Floyd, não tenho mais dúvida: é estranho!

Us, and them
And after all were only ordinary men.
Me, and you.
God only knows it's noz what we would choose to do.
Forward he cried from the rear
And the front rank died.
And the general sat and the lines on the map
Moved from side to side.
Black and blue
And who knows which is which and who is who.
Up and down.
But in the end it's only round and round.
.
Down and out
It can't be helped but there's a lot of it about.
With, without.
And wholl deny it's what the fightings all about?
Out of the way, it's a busy day
Ive got things on my mind.
For the want of the price of tea and a slice
The old man died.
Publicado em 13/5/2010 10:39:20
JZ
É preciso muito cuidado na hora de tocar neste assunto. Mostrando esses dados assim até parece que quem recebe todo esse dinheiro é necessariamente o povo de cada estado, muito embora sejam estes os pagadores.
Publicado em 13/5/2010 11:12:42
Leandro
É um bom ponto, JZ.

É claro que a esmagadora maioria desse esbulho vai para a classe política e para os poderosos grupos de interesse com boas conexões políticas.

O que apenas torna a coisa ainda mais aviltante: os pobres do sudeste e do sul são roubados para sustentar os coronéis do Nordeste, as ONGs do Norte e os grandes produtores rurais do Centro-Oeste
Publicado em 13/5/2010 11:24:10
JZ, o título do texto é "O seu estado é um pagador ou um recebedor de impostos federais?". Confundir o estado com o o povo de cada estado seria um erro tão básico quanto confundir o verme com o hospedeiro.
Publicado em 13/5/2010 11:26:55
Há dois pontos que não foram respondidos e que considerei profundamente pertinentes.

Os dois foram colocados pelo Francisco Pompeu:

(...). Do lado da arrecadação, por exemplo, os impostos pagos por grandes empresas são classificados no local da sede da empresa. (...) Um outro ponto que muitas vezes escandaliza quem ignora estas dificuldades contábeis é o fato da renda per capita de Brasília ser a maior do Brasil e o dobro do segundo colocado São Paulo. É que os lucros de empresas como BB e Caixa são considerados na sede, o que introduz uma distorção que compromete qualquer conclusão.
(...)

Quer dizer que se uma empresa posusi sede em São Paulo, mas oferece produtos e serviços por todo o país, o importo será cobrado na sede. Então irá parecer que o dinheiro está saindo do estado de São Paulo quando, na verdade, está saindo de todo o país.

Também achei muito estranho que o Distrito Federal não esteja na lista.

O que vocês têm a dizer sobre isso?
Publicado em 13/5/2010 15:17:38
Leandro
Silas, esses pontos do Francisco foram também abordados pelo Daniel (aquele que estava meio bravo) e eu os respondi (ver, por gentileza, minha penúltima postagem, sem contar com essa).

uanto ao Distrito Federal, foi um lapso total meu. Eu simplesmente me esqueci (completamente) do entulho. Vou acrescentá-lo na tabela.

Porém, ainda em relação ao Distrito Federal, o próprio Daniel (o bravo) apresentou uma boa explicação para seu resultado.
Publicado em 13/5/2010 15:25:55
Dei uma lida na resposta que você deu, e parece que seus argumentos se focam no dinheiro que é distribuído aos estados:

"Ora, simples. Os estados que são recebedores líquidos obteriam um "superávit" ainda maior. Certo? Isso é uma questão puramente contábil. Por exemplo, voltemos ao estado do Maranhão. Ele paga 1,9 bilhão em impostos e recebe transferências de 9,8 bilhões. Se incluirmos agora todos os gastos governamentais nesse estado, o único e inevitável efeito contábil disso será um aumento considerável do "superávit" desse estado - isto é, sua condição de recebedor líquido ficará ainda mais explicitada. Certo? Questão puramente contábil. Não há como essa introdução dos gastos do governo reduzir o superávit desse estado. Se há, confesso que não consigo imaginar qual seria."

Aqui fica bem claro o seu ponto e parece razoável pra mim.

Depois você continua desenvolvendo esse argumento:

"Para comprovar sua tese de que os números estão exagerados, e que na verdade os estados pagadores líquidos não estão sendo tão espoliados assim, você teria de mostrar que a esmagadora maioria dos gastos do governo federal se concentra nesses estados - a saber, São Paulo, Rio, Paraná, RS e MG. Também teria de mostrar que a imensa maioria dos funcionários públicos federais está nesses estados. Em resumo, os gastos governamentais nos estados pagadores líquidos teriam de ser enormes para atenuar essa condição de pagadores líquidos. É possível você comprovar esse fato? Possível, é. Só que..."

No segundo item, você reforça o mesmo ponto:

"isso geraria outro problema, de ordem contábil: essa redução do déficit nesses estados pagadores líquidos INEVITAVELMENTE teria de reduzir o superávit dos estados recebedores líquidos. Certo? Afinal, se esses estados estão diminuindo sua condição de pagadores líquidos, então os outros estados inevitavelmente também teriam de reduzir sua condição de recebedores líquidos. Isso, enfatizo, não é uma mera opinião minha; trata-se de uma regra contábil incontornável."

Durante todo o comentário você apenas demonstra um argumento que não critiquei porque apoio.

No entanto, eu falava do dinheiro que o Governo recolhe dos estados, que é o mais relevante para esse "abismo" que deixa São Paulo com um Deficit de 200 bilhões. Ora, no caso de a maioria das empresas que oferecem produtos e serviços no Maranhão (por exemplo) terem sua sede em São Paulo, isso quer dizer que o dinheiro de lá vai para o Governo Federal através da sede. Noutras palavras, os impostos de outros estados estariam sendo pagos através de São Paulo, e por isso parece que o Estado está perdendo e os outros ganhando.

No caso de Brasília, temos o Banco do Brasil, como já foi citado, que possui sua sede lá mas está espalhado pelo país: o imposto sobre a arrecadação à nível nacional é cobrado da sede em Brasília. Isso infla o "Quanto paga ao governo federal" que o estado terá nessa tabela sem que ele perca com isso na realidade.

A não ser que meu julgamento seja falho por alguma razão técnica (se você puder apontar agradeço), isso quer dizer que esses dados são, na realidade, reduzidos em dois aspectos: por um lado, sai de um estado o que é referente à vários ou a todos, então poderíamos desconsiderar que é o estado sozinho que paga os impostos, por outro, esse dinheiro aumentaria o "Quanto paga ao governo federal" dos demais estados.

Se eu não tiver encontrado no seu argumento uma resposta a isso por negligência, poderia "copicolar" pra mim?
Publicado em 13/5/2010 15:55:06
Além do DF, outros estados com grandes distorções são Amazonas e Rio de Janeiro. O primeiro, desfruta do regime da Zona Franca de Manaus, que é um peso enorme no bolso do brasileiro, mas é mostrado como alta arrecadação do estado do Amazonas.

O Rio é sede de estatais e principal destino de pagamentos e pensões do funcionalismo público. Acima mesmo de Brasília. Provavelmente seja deficitário, como é de se esperar para uma ex-capital.

Acho que ficou claro que os críticos não negam que há uma grande transferência de recursos, e que São Paulo provavelmente seja o motor que carrega nas costas a ambição política nacional dos seus movimentos políticos.

Vamos precisar investir no futuro em um estudo que com métodos próprios que não caiam nesta armadilha contábil que os dados do governo mostram bem no caso do Distrito Federal. Talvez uma análise estatística partindo da contabilidade de indivíduos? Não seria mais coerente para libertários, ao invés de usar agregados? Pensei um pouco, mas nunca achei nenhum ponteiro sobre isso.

Outro racha forte não evidenciado por esta análise é entre capital e resto do estado. Quase todas as capitais na média sugam mais recursos do que produzem. As capitais estaduais replicam a estrutura federal, muitas vezes se transformando em mini-brasílias.
Publicado em 13/5/2010 15:56:48
Leandro
Silas,

Seu argumento procede no seguinte aspecto: se uma empresa possui sede em São Paulo, mas oferece produtos e serviços por todo o país, o imposto será cobrado na sede, o que fará com que a arrecadação advinda de São Paulo seja alta.

Isso é verdade, porém, salvo raríssimas exceções (as quais eu não conheço), todas as empresas com sede em São Paulo também ofertam bens e serviços em São Paulo. Não faria sentido elas terem sede em São Paulo mas trabalhar apenas com outros estados, uma vez que os impostos estaduais de São Paulo não são dos menores. Ademais: onde será que ela tem mais receita: no estado de São Paulo ou no Maranhão? Ou seja, continua havendo um esbulho dos paulistas (reafirmo que não sou paulistano nem paulista, nem carioca nem fluminense).

Os impostos recolhidos por essa empresa seriam menores caso não ofertassem bens e serviços em outros estados? Sem dúvida. Sendo assim, a arrecadação extraída de São Paulo seria menor? Com certeza.

E qual seria consequência dessa menor arrecadação? Ora, menores repasses para todos os outros estados. Impossível ser diferente disso.

Ou seja, ficamos na mesma.
Publicado em 13/5/2010 16:38:19
"Isso é verdade, porém, salvo raríssimas exceções (as quais eu não conheço), todas as empresas com sede em São Paulo também ofertam bens e serviços em São Paulo. Não faria sentido elas terem sede em São Paulo mas trabalhar apenas com outros estados, uma vez que os impostos estaduais de São Paulo não são dos menores. Ademais: onde será que ela tem mais receita: no estado de São Paulo ou no Maranhão? Ou seja, continua havendo um esbulho dos paulistas (reafirmo que não sou paulistano nem paulista, nem carioca nem fluminense)."

No caso, poderíamos considerar um exemplo fictício onde, digamos, 30% dos ganhos de um empreendimento ocorrem em São Paulo, mas os impostos pagos de lá englobam os outros 70% referentes aos demais estados. Isso significaria que São Paulo parece estar pagando mais do que realmente paga, pois o empreendimento desconta o imposto de todos os estados, apenas usando São Paulo como o ponto de entrega do tributo.

Noutras palavras, pode haver ao menos 5% no Maranhão que é contado como se fosse de São Paulo porque a sede da empresa fica lá. Isso diminui a quantidade de dinheiro, nessa tabela, que o estado do Maranhão paga como imposto pro Governo, mas na prática o que São Paulo "pagou" veio de lá e isso não foi considerado na tabela. Não que isso faça com que o Maranhão seja um contribuidor excelente, mas certamente minimiza o GAP entre ele e São Paulo, que toma para si a carga tributária que deveria ser distribuída em proporção aos demais estados.

Fica tranqüilo que suas origens não estão sendo consideradas no argumento. Não vejo relevância pra esse assunto.
Publicado em 13/5/2010 16:58:27
JZ
"JZ, o título do texto é "O seu estado é um pagador ou um recebedor de impostos federais?". Confundir o estado com o o povo de cada estado seria um erro tão básico quanto confundir o verme com o hospedeiro."

Essa confusão não é nada incomum na verdade, e justamente por isso, aqui em São Paulo, fervilha grupelhos nazi-skin e movimentos como o bizarro "São Paulo Pátria", que quer um país só de brancos... em São Paulo!(???)

Publicado em 13/5/2010 20:00:48
Alessandro Oliveira
bem..

Leiam o art. 3º, III, o art. 170, VII da nossa magna carta..( além de outros tantos..)

Logo tá explicado, é em razão disso que se tem "desigualdades". No entendimento literal, tudo está perfeito. Analisem... Não temos nem argumentos pra quebrar. Os estados mais desenvolvidos sao responsáveis solidários com os menos desenvolvidos, assim é, e assim será..( assim com eu e vc pagamos INSS e nao usamos o sistema de saúde pública, nao almoçamos em restaurantes populares(pq a fila é grande). Pagamos para os que nao tem condiçoes de pagar..isso é vero)



Na verdade eu nem gosto de falar disso pq todo mundo fala e mete o pau...tendo ou nao embasamento.
Entao, deixei apenas a indicaçao de leitura/estudo acima para podermos questionar alguma coisa com a gente mesmo, e com isso, discutir de forma possível e coerente.
Simplesmente soltar o verbo nao farei pq isso todo mundo faz. A maioria tem discurso pronto de que político nao presta, de que o Brasil é uma m****, que em outros países tudo é limpo, que nao tem gente na rua, que nao pagam tanto imposto...bla, blá, blá.







Publicado em 17/5/2010 11:56:40
Alessandro Oliveira,

Seu comentário me parece um tanto fatalista. Vc recomenda a leitura de um artigo da constituição e imediatamente conclui que a injustiça indicada pelo artigo está explicada e justificada. E ainda adiciona com tom conformista: "assim é, e assim será". Depois dá a entender que somente pessoas com embasamento poderiam/deveriam criticar a injustiça. Ora, não é necessário muito para embasar a crítica à injustiça identificada pelo artigo: uns estão fornecendo dinheiro para outros à força. Qualquer um que seja contrário à escravidão pode criticar livre e embasadamente. Você continua o comentário insinuando que uma discussão "possível e coerente" deve se basear na leitura/estudo do artigo da constituição. Eu te pergunto: por que vc insinua isso? Por acaso uma discussão que use premissas distintas daquelas que os constituintes usaram passa a ser automaticamente "impossível ou incoerente"? Para concluir, vc afirma que não fará como um grande número de pessoas, que apenas solta o verbo, repetindo o mesmo bla bla bla. Ao fazer isso, vc está fazendo como um outro grande número de pessoas, que fica calado, sem opinião própria, apegado às "verdades" da constituição que automaticamente deveriam servir de premissas para qq discussão válida. Saiba que o seu comportamento é, ná prática, tão efetivo quanto o de alguém que defenda abertamente a injustiça indicada pelo artigo.
Publicado em 17/5/2010 16:41:54
alessandro
Mcmoraes;
obrigado pelo seu questionamento;

o que quis dizer é que embora eu tenha a noção de que muita coisa está errado, nao vou espernear muito, vou tomar as atitudes que cabem a mim para resolver essas questões. Exemplo disso é diálogo coerente com as pessoas que se dispõem a diálogos.É na hora de eu votar que tentarei mudar as coisas, nas atitudes minhas do dia a dia, nas minhas relações profissionais,etc..assim eu mudarei as coisas que me interessam e que interessam aos outros.

quando me referi em tom fatalista ao seu modo de ver, nao quis dizer que tudo está ótimo e que aceito tudo, mas que se olharmos na questão política que é de onde as coisas descem tudo está correto pra eles, aos olhos deles; me entenda nesse sentido. E por isso a dificuldade de reverter situaçoes injustas como a que estamos discutindo.

Nao estou passivo na história, nem quero estar.
Outro detalhe é sobre o que falaste das pessoas com conhecimento para opinar, isso pra mim é indispensável porque de comentários vazios vc encontra a todo momento e em qualquer lugar, isso deixa farto qualquer cidadão e desmotiva, por exemplo, conversar com gente que só reclama da saúde mas nao sabe dizer ou indicar erros importantes que levam a isso. O clamor do povo que precisa é notado, e é válido, claro. Mas me refiro que a quem cabe discutir com fundamento nao deve ser pessoas que reclamam e nao embasam suas opiniões.


Em resumo, a questão administrativa/política tá mal..e é por erros "nossos" que assim está..aqui é democracia, eles sao nossos representantes por nossa vontade, a pena que a minha vontade e a tua nem sempre será atingida pq nem sempre seremos ou pensaremos como a maioria.


Publicado em 18/5/2010 10:05:37
Alessandro, sei que já fiz essa citação de Lysander Spooner em um comentário de um outro artigo, mas acho que a confusão que vc está fazendo merece uma repetição:

"eles [os funcionários eleitos do governo] não são nossos empregados, nossos agentes, nossos procuradores e nem nossos representantes . [pois] nós não assumimos responsabilidade pelos seus atos. Se um homem é meu empregado, agente ou procurador, eu necessariamente assumo a responsabilidade por seus atos realizados dentro dos limites da autoridade que eu conferi a ele. Se eu depositei nele, como meu agente, uma autoridade absoluta, ou qualquer autoridade que seja, sobre as pessoas ou propriedades de outros homens que não eu mesmo, eu com isso necessariamente me torno responsável perante estas outras pessoas por quaisquer danos que ele possa causar a elas, desde que ele aja dentro dos limites da autoridade que eu concedi a ele. Porém nenhum indivíduo que possa ter sofrido danos sobre sua pessoa ou propriedade, através dos atos do Congresso, pode ir aos eleitores individuais e afirmar que eles sejam responsáveis pelos atos de seus supostos agentes ou representantes. Este fato demonstra que estes pretensos representantes do povo, de todo mundo, são na realidade os representantes de ninguém."
Publicado em 18/5/2010 10:26:28
Roberto Artigalás
Óbvio que os estados mais desenvolvidos do país pagam mais imposto! Foi o dinheiro da UNIÃO que financiou toda a infraestrutura dessas regiões! Isso se chama dívida pública a qual todos os estados mais desenvolvidos estão atolados!
Que balela...
Publicado em 6/7/2010 13:41:40
Roberto Artigalás:

E de onde veio o "dinheiro da UNIÃO" que financiou a infraestrutura dos estados mais ricos? Do Piauí e do Acre é que não foi.

Essa "distribuição de renda" inter-estatal é ruim para todos. Ruim para os estados que pagam, que perdem seus recursos, e ruim para os que recebe, nos quais os recursos vindos de fora ajudam a sustentar estruturas e políticas fiscais intrinsecamente insustentáveis, o que impede qualquer progresso.

Parabéns ao Instituto, e ao Leandro Roque em particular, pelo artigo. Informativo, direto ao ponto, relevante e com consequências radicais.

Publicado em 6/7/2010 17:35:44
Lucas
Amigos libertários, não briguem, já somos minoria, e ainda se ficarmos assim... FODE NÉ... kkkkkkkk

Entendo que é realmente ruim para os Estados com o déficit na comparação, mas devemos levar em conta, para a análise dessa tabela, uma preliminar e supra importante noção histórica evolutiva.

Durante a maior parte da história do Brasil, os Estados de SP e RJ foram os que receberam a maior parte das verbas federais... os outros os sustentaram, agora estes o sustentam.
Publicado em 24/7/2010 19:50:41
Lucas
Os comentários do Daniel são realmente esclarecedores, um "must" que deve ser lido junto ao "gráfico".
Publicado em 24/7/2010 19:55:40
Wilson
Ridículo os comentários acima, na sua maioria, fazem contas bestas de 3º série do primário!
O tal de luis oliveira chegou a dizer que sp-rio carregam o Brasil nas costas, também com essa visão com viseira de cavalo, não poderia ter outra idéia.
Primeiro em vez de pensar que rio-sp sustentam o Brasil, concluir que eles exploram o Brasil seria no mínimo mais justo, se os observadores fossem mais racionais que emocionais, coisa típica de brasileiro do sul.
Há décadas o Amazonas tenta fazer estradas para ter melhor escoamento de seus produtos e SP não deixa, e temos dinheiro pra isso! Há décadas tenta-se asfaltar a transamazônica e SP não deixa. Há décadas tenta-se criar hubs fora do eixo rio-sp. Mas rio-sp não deixam. Desde que a internet se tornou realidade, tenta-se trazer uma banda larga de qualidade com alta velocidade pra região, mas interesses de SP não deixam. Há décadas tenta-se trazer universidades de ponta pra região, mas SP não deixa. Por que? Porque lá é geográficamente o cú do mundo e a Amazônia e parte do nordeste é o centro. Isso quer dizer que se as coisas nesses lugares fossem fáceis, todos esqueceriam o fim do mundo e talvez fossem pra lá apenas pra turismo exótico, pois é longe de tudo, da Europa, da América, da Ásia. O único lugar mais próximo do sul do Brasil é a Argentina e a África.
Recado ao seu luiz, se sp-rio se separassem do Brasil iam morrer de fome, pois não teriam as mamatas outorgadas pelo governo federal para explorar o resto do Brasil. O que pra nós seria excelente!
Publicado em 27/7/2010 01:13:07
Renê
Wilson

Você reclama racionalismo dos comentaristas, mas teu próprio comentário foi extremamente emocional, além de chulo e agressivo.
Senão, comprove essa influência que SP e RJ tem para impedir o desenvolvimento de outros estados.
Ficar só no xororô enraivecido não acrescenta nada ao debate.
Publicado em 27/7/2010 09:15:44
Wilson
Não tô chorando nem enraivecido com a situação, até porque não me preocupo com o Brasil e sim com a Amazônia. Vale lembrar que a verdade dói, não fui emocional, fui verdadeiro! E o que foi dito nesses comentários 99.99% é mentira, pois é baseada em matemática de 3º série primária. O que me deixa fora do sério não são os comentários em si, mas a ignorância desse povo, e ignorância não é exclusividade de ninguém. Agora não vou me dar ao trabalho de ficar provando algo. Corre atrás como eu fiz. Pois nunca me convenci do que li ou me falaram, mas sim de fatos reais. Mas te dou uma pista: Nesse país nem tudo que é importante passa no Jornal Nacional ou na Veja. Há muitos segredinhos que só quem vai mais a fundo alcança! Só que isso dá trabalho...
Sds,
Publicado em 27/7/2010 12:41:12
Indivíduo Questionador
@Wilson "Agora não vou me dar ao trabalho de ficar provando algo."

Se vc não quer se dar ao trabalho de provar, pq vc se dá ao trabalho de comentar?
Publicado em 27/7/2010 17:21:50
Felipe Kirsch
Há um outro ponto.
Além de haver um roubo, tampouco esse dinheiro destinado aos Estados mais pobres os ajuda a se desenvolverem.
Os Estados que recebem mais do que arrecadam não se desenvolvem de maneira alguma. Todo o dinheiro que chega a eles é destinado para pagar a ~excelente~ rede de serviços públicos, ao assistencialismo (um pão por um voto) e ao bolso dos governantes.
Se esses Estados não recebessem esses recursos, os governantes seriam forçados a melhorar a administração, o setor privado se desenvolveria mais e a sua qualidade de vida seria muito melhor que a que tem atualmente.
Isso me lembra o caso do estudo do FMI nos anos acho que 60 ou 70 indicando Brasil como um dos países com melhor perspectiva de crescimento. Isso levou a que o Fundo fizesse um vultuoso empréstimo, sendo que ao mesmo tempo não via futuro na Coréia do Sul...hoje a situação desses países revela o quanto os empréstimos ao setor público pioram a sua situação.
Publicado em 27/7/2010 18:03:35
Wilson
Essa é moleza de responder: Porque comentar não dá trabalho, é fácil, e provar dá trabalho. Um processo que aprendi em anos de pesquisas, conversas, provas cabais, não dá pra simplesmente ser provado através de comentários em blog. Mas dou mais uma pista: Vc acha que as doenças que ocorrem no mundo são casualidades... gripe suína, gripe não sei do que...Vc acha que a transamazônica não foi finalizada por causa da queda do petróleo em 79?...Vc acha que o Brasil realmente merece e tem condições de sediar copa do mundo e olimpíadas?... Vc acha que tudo o que aprende na faculdade é o máximo da cultura, ou tem outros conhecimentos que são proibitivos nas academias? E as guerras? Dei vários exemplos bem diferentes entre si, pra vc pelo menos se questionar a próxima vez que ouvir uma notícia qualquer...pergunta antes quanto de dinheiro está envolvido no negócio e quem são as partes favorecidas e prejudicadas na notícia...já é um bom começo!
Publicado em 27/7/2010 18:44:00
Indivíduo Desiludido
Acusar sem provar deve ser realmente moleza ... para um fofoqueiro.
Publicado em 27/7/2010 19:24:53
Diogo
Por favor Wilson, compartilhe o seu conhecimento conosco! Todos estão em busca da verdade! Você não precisa transcrever o conteúdo das suas fontes, basta citá-las! E para facilitar o seu trabalho desenvolvi um pequeno formulário. Basta preenchê-lo e dar um Ctrl C, Ctrl V:

1) Há décadas o Amazonas tenta fazer estradas para ter melhor escoamento de seus produtos e SP não deixa. [sua fonte aqui]

2) Há décadas tenta-se asfaltar a transamazônica e SP não deixa. [sua fonte aqui]

3) Há décadas tenta-se criar hubs fora do eixo rio-sp. Mas rio-sp não deixam. [sua fonte aqui]

4) Desde que a internet se tornou realidade, tenta-se trazer uma banda larga de qualidade com alta velocidade pra região, mas interesses de SP não deixam. [sua fonte aqui]

5) Há décadas tenta-se trazer universidades de ponta pra região, mas SP não deixa. [sua fonte aqui]

6) Recado ao seu luiz, se sp-rio se separassem do Brasil iam morrer de fome, pois não teriam as mamatas outorgadas pelo governo federal para explorar o resto do Brasil. [sua fonte aqui]
Publicado em 27/7/2010 19:44:12
Carlos Santos
Gostaria de compartilhar, mais para entretenimento do que para contribuir para a discussão, trecho de uma matéria publicada na revista Super Interessante de Fereveiro deste ano intitulada: "E se... São Paulo se separasse do Brasil?":

(Obs.: Vou ficar só nos maravilhosos infográficos, marca registrada da revista, tanto para evitar problemas legais quanto por preguiça de digitar mesmo...)

NOVOS PIBS:
13º - México: US$ 1,08 trilhão
14º - Novo Brasil*: US$ 1,05 trilhão
15º - Austrália: 1,01 trilhão
...
18º - República de São Paulo: US$ 550 bilhões
19º - Polônia: 526 bilhões

* Para a reportagem, o Brasil sem São Paulo deve se chamar 'Novo Brasil'.

-

DOIS EM UM
Brasil e São Paulo formariam países respeitáveis mesmo separados. Mas as perdas para os dois iriam da economia ao futebol.

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POLÔNIA TROPICAL
São Paulo representa quase 1/3 do PIB brasileiro, que é o 8º do mundo, com US$ 1,6 trilhão, entre a Itália e a Rússia. Sem SP, o Brasil cairia para o 14º lugar, entre México e Austrália. A república paulista, com seu PIB atual de US$ 550 bilhões, ficaria em 18º lugar, logo abaixo da Turquia. No quesito renda per capita, ela ficaria em 50º. Seriam US$ 13 mil anuais por habitante (como a Polônia).

-

PRÉ-SALINHO
O pré-sal ficaria com o Brasil
Mas SP roubaria um tantinho

As jazidas mais promissoras do pré-sal estão no litoral fluminense. Mas 1/4 dele fica em águas paulistas. Não se sabe a quantidade exata de óleo nesse quinhão. Mas, com sorte, os paulistas conseguiriam tirar algo comparável a produção atual do Brasil, de 2.250 barris por dia, o que faria do país um pequeno exportador de petróleo.

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CHURRASCO IMPORTADO
Faltaria carne para a cidade com mais churrascarias.

A capital paulista é a cidade com mais churrascarias no mundo: são 140. O apetite carnívoro da república paulista levaria para os açougues o equivalente a 3 milhões de bois por ano. Para manter os churrascos de fim de semana, São Paulo teria de importar pelo menos 1 milhão de cabeças de gado. E o Brasil, que já é o maior exportador do mundo, ganharia um novo cliente.

-

PAÍS DA VITAMINA C
São Paulo é responsável por metade dos produtos industrializados do país. O novo país exportaria para o Brasil derivados de cana e frutas. A república paulista, por sinal, seria o maior produtor mundial de laranja, uma espécie de reserva global de vitamina C, que hoje exporta US$ 60 bilhões anuais de suco para o resto do mundo.

-

MAIS DO MESMO
IDH do novo Brasil: 0,80
IDH nacional hoje: 0,81
IDH da República de São Paulo: 0,83

O IDH, índice que avalia educação, expectativa de vida e bem-estar social dos países, varia sempre entre zero (um lixo) e 1 (perfeito). O Brasil, 75º colocado no mundo, tem 0,81 (nível Colômbia). Sem São Paulo, cairia para 0,80 (nível Colômbia). E SP ficaria com a 65º posição (nível Colômbia). Quer dizer: não nasceria um país de primeiro mundo.

-

SELEÇÃO TRICOLOR
São Paulo roubaria Luís Fabiano (Campinas) e Robinho (São Vicente) da seleção brasileira, mas não contaria com ídolos que se fizeram no estado como o brasiliense Kaká. Já na F-1 a vantagem paulista seria grande: dos 6 brasieliros que venceram pelo menos uma corrida, 5 são paulistas. Para a memória do Brasil, sobraria Nelson Piquet, um carioca criado em Brasília.


- FIM -


Publicado em 27/7/2010 21:53:09
Wilson
Não, não, não vou provar nada, não preciso, vc's não vão mexer com meu ego. Seria muito ingênuo se caísse nessa conversa fiada. De novo: Uma coisa que aprendi foi nunca acreditar em tudo que me falam, em tudo que leio e principalmente esperar alguém PROVAR alguma coisa pra mim só por que não acredito. Quando quero saber algo, vou até o fundo doa a quem doer, vou na fonte, pesquiso, investigo, se algo me atiçou vou até o fim e isso dá trabalho e pode até ser perigoso. Mas é melhor do que ficar implorando pra alguém sentado: me prove...eu só acredito se me provares. Mas entendo, brasileiro é assim, acomodado, quer tudo na mãozinha. Tudo é longe, tem que pegar avião, 2 ônibus, atravessar a cidade, dormir tarde, acordar cedo...dá trabalho...é longe de casa...tem que estudar...tem isso...tem aquilo...enfim é melhor ficar com a televisão e com a revistas que dá tudo mastigadinho.
Conselho: saiam da caixa...parem de ficar acreditando em papai noel...substituam quantidade por qualidade...parem de assistir novela...big brother, torcer pro verdão, de repente com a mente menos desocupadas vc's consigam enxergar algo além das cortinas que embotam a mente de vc's e os tornam zumbis andando para um lado e para o outro sem saber o que tá fazendo. Apenas cumprindo o instinto animal, nascer, crescer, trabalhar, se reproduzir e morrer. Não necessariamente nessa mesma ordem.
Não vou provar nada, digo que apenas sei dessas coisas e sei muito mais, porque corro atrás, sorte minha que sou assim, se quiserem acreditar, acreditem, senão, esqueçam e fiquem pensando que rio sp é isso é aquilo, que é o maior não sei o que, melhor não sei o que. Azar é o de vc's. Enquanto não tiverem vergonha disso, vão continuar assim.
P.S.: O ser humano tem o péssimo hábito de preferir macular o outro a ter que se auto-melhorar, é mais fácil.
Publicado em 27/7/2010 23:21:43

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