Como os impostos em cascata estimulam a concentração do mercado

Um imposto em cascata é aquele imposto que incide sobre todas as etapas de fabricação de um produto, de modo cumulativo.  Ao incidir sobre cada etapa da cadeia produtiva, esse imposto acaba sendo incidido sobre o próprio imposto que foi pago na etapa anterior — daí o efeito cascata.  

Isso, é óbvio, aumenta enormemente os custos de produção e, consequentemente, encarece o produto final para o consumidor.

No Brasil, os principais impostos em cascata são a COFINS e o PIS/PASEP (gostosamente classificados como "contribuições").  A CPMF também era considerada um, mas felizmente foi abolida em dezembro de 2007. 

O ICMS, estadual, por sua vez também acaba funcionando como um imposto em cascata, pois seu valor incide sobre o valor acumulado de todos os impostos acima — e quando o produto é importado, o ICMS incide sobre o valor declarado mais o imposto de importação.

Dito isso, analisemos a notícia a seguir:

Fusões envolvendo empresas brasileiras crescem 75% no 1º trimestre

Foram 145 anúncios de operações de janeiro a março.  Total é de mais de US$ 23 bilhões em negócios.

O volume financeiro de fusões e aquisições envolvendo empresas brasileiras deu um salto de 75% no primeiro trimestre de 2010 em relação ao mesmo período do ano passado, segundo levantamento da Thomson Reuters.

De janeiro a março, foram 145 anúncios, com um montante somado de US$ 23,39 bilhões. Nos primeiros três meses de 2008, as 118 operações tornadas públicas somavam US$ 13,38 bilhões.

Considerado o volume financeiro, o setor de energia foi o líder em transações anunciadas, com 43% do total, seguido por matérias-primas (29%) e consumo (19%).

Entre as operações no período estão a associação entre Shell e Cosan, a incorporação da Quattor pela Braskem e a aquisição dos ativos de fertilizantes da Bunge no Brasil pela Vale.

Entre os bancos coordenadores, o BTG Pactual ficou na liderança do ranking, seguido por JPMorgan, Deutsche Bank, Credit Suisse e Morgan Stanley.

Normalmente, um surto de fusões é mais comum naqueles setores que passaram muito tempo protegidos e, repentinamente, se veem obrigados a enfrentar a concorrência externa.  Nesse caso, as empresas que precisam sobreviver frente a concorrentes mais fortes acabam tendo de juntar forças.  Porém, sabemos que não foi isso o que ocorreu no Brasil recentemente — não temos uma rodada de nova abertura (significante) da economia desde o Plano Real. 

Ademais, como a economia mundial esteve em recessão em 2009, essa explicação da concorrência externa forte não convence.  Logo, a justificativa para esse surto de fusões (muitas delas, inclusive, entre empresas pequenas, que não têm ambições internacionais) tem de estar em outro lugar.

Em época de recessão mundial, as empresas têm de cortar custos e enxugar.  É aí que a carga tributária, especialmente quando assume a forma dos impostos em cascata, funciona como um catalisador.  Ela possui um grande peso em explicar esse repentino surto de fusões, pois funciona como um incentivo adicional em meio a todo esse cenário de crise, como veremos mais abaixo.

Um grande negócio

Como foi dito, impostos em cascata como o COFINS e PIS-PASEP incidem sobre cada etapa do processo produtivo, provocando aumento de custos em cada etapa e, consequentemente, fazendo com que o preço final do produto tenha necessariamente de ser maior.   Para se ter uma ideia do tamanho desse confisco, vale dizer que, em 2009, as arrecadações do governo federal com COFINS e PIS-PASEP totalizaram R$ 150 bilhões de reais, ao passo que o Imposto de Renda de Pessoa Jurídica amealhou "meros" R$ 83,5 bilhões. 

Ou seja, impostos em cascata são um ótimo negócio para o governo, pois, além de arrecadarem quase o dobro do IRPJ, eles possibilitam que se extraia mais dinheiro da população sem que ela perceba — como o imposto é indireto (ou seja, o consumidor não vê), o governo pode perfeitamente se esquivar de qualquer responsabilidade pelos preços finais, responsabilidade essa que pode ser facilmente imputada aos empresários e capitalistas gananciosos. 

Outra consequência direta desse confisco aparece nos salários, que não conseguem crescer — a produtividade teria de aumentar muito para que fosse possível dar aumentos salariais sem que isso prejudicasse os investimentos futuros das empresas.

Estimulando as fusões e as integrações verticais

Uma integração vertical é quando uma empresa fornecedora de um determinado componente se une à empresa que necessita deste componente para a fabricação de seus produtos.  Por exemplo, quando uma empresa fabricante de computadores adquire ou se funde a uma empresa fabricante de microchips. 

Vejamos um exemplo de como os impostos em cascata estimulam as fusões e as integrações verticais — e, consequentemente, como eles reduzem a concorrência.

Imagine uma simples empresa que vende presuntos.  Tudo o que você precisa fazer para adquirir seus produtos é ir até o supermercado.  Você vai até a gôndola, pega a iguaria com a marca da empresa, vai até o caixa e paga.  Dificilmente você pára pra pensar em todo o processo produtivo por trás daquele simples presunto.  Muitos acham que fazer um presunto é algo simples.  Muito pelo contrário.

Em primeiro lugar, a empresa que fabrica o presunto precisa ter instalações adequadas para mantê-los bem conservados enquanto estiverem estocados.  Isso significa ter um armazém com um bom sistema de refrigeração.  O sistema de refrigeração necessita de manutenção e reparos constantes.  Tem-se aí o custo da mão-de-obra.  Esse sistema precisa também de peças de reposição, e tais peças são geralmente feitas de aço.  E como se obtém o aço?  Compra-se de uma siderurgia.  E como a siderurgia fabrica o aço?  Como o aço é uma liga de ferro e carbono, é preciso antes escavar minas para achar ferro.  Portanto, a siderurgia tem de comprar ferro das mineradoras, e as mineradoras têm todo o seu processo de produção.  Vamos parar por aqui, pois, caso contrário, poderíamos nos estender infinitamente.

Após ter sido produzido pela siderurgia, o aço precisa ser transportado para a empresa de refrigeração que irá montar todos os insumos para fazer o equipamento de refrigeração.  O transporte é feito por uma empresa terceirizada.

Observe que ainda estamos falando apenas do sistema de refrigeração que vai conservar o presunto.  Só aí já vimos várias etapas da cadeia produtiva; vários processos de produção, sendo que cada um desses processos tem várias etapas.  E sobre cada uma dessas etapas há a incidência de COFINS e PIS-PASEP.  Agora vamos falar mais especificamente do presunto.

O presunto, obviamente, não surge do nada.  Quem o traz?  Uma empresa de transportes.  Ela o traz de onde? De um frigorífico.  E onde o frigorífico arrumou a matéria-prima (porcos) que se transforma em presunto?  Em um abatedouro.  Quem fornece pro abatedouro?  Um suinocultor.  Qual a função do suinocultor?  Criar os porcos.  Como se cria porcos?  Com milho e soja.  Onde ele arruma milho e soja?  Com agricultores.  E estes precisam de fertilizantes, que precisam ser manufaturados por vários outros processos de produção, e assim por diante.

Ou seja, aquele simples presunto que você compra no supermercado só chegou àquela prateleira após passar por várias etapas de uma intrincada cadeia produtiva, toda ela devidamente tributada. 

(Um adendo: só com esse exemplo já é possível entender por que uma economia planejada é impossível.  Imagine se um comitê central seria capaz de gerenciar todos esses processos necessários para a fabricação de um presunto?  O fato de o governo nunca ter se interessado em produzir presunto explica por que nunca houve escassez dessa iguaria).

Como seria fisicamente impossível desenvolver o raciocínio para todas as etapas descritas acima, vamos simplificar o processo e abordar apenas duas etapas.  Vamos ver o que seria racional para o açougue e a empresa fabricante do presunto — supondo-se que ambas são distintas — fazerem caso os impostos se tornassem pesados em decorrência de um cenário econômico adverso.

Como são distintas, cada uma das empresas tem de pagar uma determinada quantia de impostos para o governo.  O COFINS e o PIS-PASEP são recolhidos sobre o faturamento, sendo que o PIS também incide sobre a folha de salários.  Suponha que cada uma das empresas tenha pagado R$ 1.000 de impostos (o valor é baixo só pra facilitar).  Sendo assim, pela teoria, aparentemente não faria diferença se ambas as empresas estivessem separadas ou integradas.  Afinal, no primeiro caso, cada uma pagaria R$ 1.000, ao passo que, no segundo, essa operação integrada pagaria R$ 2.000.

Só que tal teoria desconsidera todos os custos inerentes à contabilidade e aos registros de informações, além de desconsiderar até mesmo os custos que cada empresa despende apenas para se manter em dia com os impostos.  Logo, se as empresas se fundissem e fizessem uma integração vertical, centralizando e unificando o pagamento de impostos, os custos seriam menores.  Consequentemente, o mais racional seria que a empresa fabricante do presunto e o frigorífico se fundissem, o que faria com que o frigorífico deixasse de fornecer para outras empresas, reduzindo o número de frigoríficos no mercado e, por conseguinte, a concorrência.  E isso ocorreria em toda a economia, em vários setores.

É justamente esse fenômeno que está por trás de todo esse surto de fusões, o qual foi catalisado pelo cenário de recessão mundial.  Desnecessário também dizer que tais impostos são muito piores para as pequenas empresas do que para as grandes: estas têm mais facilidade para lidar com todos os custos inerentes ao serviço contábil.  Como consequência direta, o mercado vai ficando cada vez mais cartelizado, com as pequenas empresas sendo dizimadas, uma vez que não têm como concorrer com as grandes nesse cenário distorcido pelo governo.

Mais ainda: um bom exemplo de como as grandes empresas não se importam tanto com esses impostos, pois eles podem servir como uma regulamentação protecionista, foi a recente cruzada da FIESP contra a CPMF, explicada em detalhes aqui.

Conclusão

O governo cria um sistema tributário completamente irracional (característica essa inerente a todas as ações do governo), que desvirtua todo o mercado e encarece os processos de produção.  Para se manterem solventes e competitivas, não resta outra alternativa às empresas senão a fusão.  Isso aniquila a concorrência. 

Ato contínuo, a Secretaria de Direito Econômico e o CADE entram em ação e começam a deblaterar que o livre mercado está criando monopólios — monopólios esses que só podem ser impedidos pelo estado, como todos sabem.  Após a vociferação, a conclusão é uma só: o mercado não pode de modo algum ficar desregulamentado, pois a tendência à criação de monopólios é total.  E ganham aplausos.

Portanto, quando você ler ou ouvir notícias sobre fusões ou aquisições, ao invés de condenar o livre mercado, veja quem realmente está causando tudo isso — e aponte o dedo para os verdadeiros culpados.

0 votos

SOBRE O AUTOR

Equipe IMB


"partindo da premissa de que em um futuro infinito nosso IBGE vai calcular um relação ativos/inativos = 1, neste ponto cada trabalhador [...] tem que contribuir com 50% do salário para se haver uma previdência estável. Ou seja, no extremo teórico, a previdência é financeiramente sustentável (ainda que extremamente sacrificante para o contribuinte.)"

Aí lascou tudo, né, cidadão? Se uma previdência só se mantém estável se o volume de contribuições for crescente -- de modo que o ativo terá uma renda disponível cada vez menor --, então, por definição, tal sistema é insustentável.

Outra coisa: sua neurose com o fator tempo mostra que você realmente não sabe como funciona a previdência. Não se trata de um sistema de capitalização, mas sim de repartição.

O dinheiro que você dá ao INSS não é investido em fundo no qual ele fica rendendo juros. Tal dinheiro é diretamente repassado a uma pessoa que está aposentada. Não se trata, portanto, de um sistema de capitalização, mas sim de um sistema de repartição: o trabalhador de hoje paga a aposentadoria de um aposentado para que, no futuro, quando esse trabalhador se aposentar, outro trabalhador que estiver entrando no mercado de trabalho pague sua aposentadoria.

Ou seja, não há investimento nenhum. Há apenas repasses de uma fatia da população para outra.

Logo, essa sua insistência com o fator "tempo de contribuição" como sendo o grande diferencial da equação é desarrazoada.

"A título de curiosidade, se os 1,43 do IBGE se confirmarem em 2060, pela matemática a contribuição por trabalhador terá de ser de "apenas" 28% do salário. Ainda um absurdo, mas devo lembrar que hoje a alíquota de autônomos, dentre outras categorias, é de 20%."

Esse cálculo seu não faz nenhum sentido, mesmo tendo por base suas próprias premissas. Se um aposentado precisa de $10/mês, então cada trabalhador terá de contribuir com $6,99.

Isso dá quase 70% do valor de suas necessidades básicas. Sustentável?
Ambos trazem cenários e fatos possíveis, plausíveis. Todavia, meu entendimento pessoal é de que o Estado tende a ver fortalecido seu desígnio de maior controle. Maior significando mais amplo, intenso e profundo. O maior volume de dados não é, de modo algum, limitante para uma ação controladora. Antes, a facilita! E a razão disso o próprio North expõe: a evolução tecnológica. Na minha pré-adolescência o sumo da capacidade de processamento e memória estava em um DGT-100, suplantado em seguida pela capacidade de uma mera calculadora científica Dismac. Os muitíssimos Tera serão coisa pouca para as tecnologias que estão por vir, algumas das quais já existem no estado prototípico. É bem possível que a tecnologia também seja utilizada para dar proteção às pessoas, mas a tecnologia, ou ao menos o seu uso mais legal, sempre estará do lado do Estado ou de quem terá o poder de controlar a pessoa comum. Ademais, penso ser uma visão ingênua a de que a versão futura de aplicativos, empresas de TI e Zuckerbergs da vida venham a nos salvar de alguma coisa, vez que eles mesmos hoje já servem ativamente ao controle estatal sobre os indivíduos. Pior, hoje já servem ao policiamento das ideias e a projetos de controle social. Quem conhece uma coisa simples como marketing digital sabe que se pode ter perfeita ideia dos hábitos e padrões de uma quantidade incalculável de pessoas. Um amigo me disse querer viver centenas de anos para poder testemunhar como se daria esse embate entre as forças da liberdade e as da servidão. Ainda que eu aprecie uma boa e justa luta, não tenho a mesma veleidade. A história mostra que não há motivo especial algum para imaginar que a liberdade prevaleça inconteste ou que sobrepuje, campeã, os que a tolhem.
Jeff, imagino que esteja começando a descobrir a Escola Austríaca, essa dádiva deixada por Mises ainda pouco divulgada pelo senso comum.

Vou ser lúdico ao extremo, para que entenda as diferenças entre desigualdade e injustiça - essa sim, combatida pelos austríacos. Adiante:

- Em economia, existem dois tipos de desigualdade de renda, a seguir:

1- Desigualdade espontânea: Essa, como o nome pressupõe, é causada pelo enriquecimento do agente por meios próprios. Um exemplo bem comum seria um sujeito que começa a vida poupando uma parte de sua renda, e com essa poupança ano a ano investe em imóveis, comprando barato, reformando e alugando, ou vendendo por um preço mais alto. O lucro realizado é reinvestido em mais negócios. Se ele souber enxergar as distorções no mercado e fizer o correto, provavelmente ele estará muito mais rico que a maioria de seus pares após algumas décadas.

Seu enriquecimento não faz mal a ninguém, aliás muito pelo contrário: é graças a sua poupança que pessoas podem alugar um imóvel sem ter de compra-lo, ou mesmo comprar um imóvel ou compra-lo sem ter de se preocupar em comprar terreno, construir, etc. Paralelamente mas não menos importante, seu investimento gera empregos diretos e indiretos, seja na obra em si, seja para os fabricantes de insumos para construção, além dos mais indiretos, como corretagem de imóveis, serviço cartorial etc.

Ou seja, essa desigualdade é BOA. Ela gera riqueza a todos, independente para onde se olhe. É a alquimia de Flamel se fazendo presente em nossas vidas, transformando chumbo em ouro a olho nu.

2- Desigualdade provocada: Ao contrário da primeira, esta só pode acontecer quando o Estado interfere na economia, gerando distorções que enriquecem alguns e empobrecem a maioria, e vou citar os exemplos mais fáceis para que enxergue bem:

Barreiras econômicas: Quando se proíbe ou taxa a importação de bens e serviços, o privilégio a certas empresas é certo. E todo privilégio acarreta na obrigatoriedade do consumo, e com isso, a reserva de mercado traz crescimento absurdo a certas empresas, em detrimento do consumidor, que é obrigado a pagar mais caro por produtos e serviços pífios. Os setores mais consagrados são:
- Telefonia
- Segurança
- Medicamentos

Serviços e obras estatais: Ao passo que o Estado extorque o cidadão com impostos e taxas, ele monopoliza quantias absurdas de capital para realizar obras ao gosto de seus governantes. Nesse meio são escolhidas empresas alinhadas com o Estado, conseguindo concessões e direitos a fornecimento com preços altos e qualidade pífia. O resultado? Enriquecimento compulsório de poucos, em detrimento de muitos.

Cargos públicos: Se o valor dos salários e a métrica de manutenção dos empregos no livre mercado é o lucro, para o Estado vale o corporativismo e a ideologia. Contrata-se sem necessidade, paga-se mais do que se deve, criam-se empregos por pura força eleitoral. Este movimento injusto gera além de desigualdade, mais pobreza a maioria, pois tais postos são pagos com o dinheiro surrupiado de quem gera riqueza.

Câmbio: pouco se fala a respeito no senso comum, mas uma das formas mais objetivas de gerar desigualdade em um país é enfraquecendo a moeda, pois uma minoria exportadora enriquece vendendo barato ao exterior em detrimento da grande maioria, que perde poder de compra, logo empobrece.

Conclusão: enquanto a desigualdade espontânea é justa e depende somente de quem poupa, investe e toma as decisões corretas, carregando implicitamente riqueza a todos, a desigualdade provocada pelo Estado é injusta, pois proíbe pessoas não alinhadas prosperadas, e protege aqueles que estão ao lado do Estado, mantendo castas eternas.

Abraços,

Não, Xiba. Continua sendo pirâmide do mesmo jeito.
(...)
Eis o fato irrevogável: contra a demografia e a matemática, ninguém pode fazer nada.


O colega começou discordando de mim, mas no final me pareceu que não. :-)

Vejamos, em uma sociedade em que alguém precise de $10/mês para atender suas necessidades, bastam 10 trabalhadores contribuindo com $1. Essa sociedade sobrevive assim e, após 1.000.000 anos, (ignorando inflação) continuarão sendo preciso 10 trabalhadores contribuindo $1, porque haverá sempre novas pessoas entrando no mercado contribuinte, e outras deixando de precisar de assistência (i.e. morrendo).

Ora, mas se só há 2 trabalhadores para cada 1 aposentado nesta sociedade (exemplo seu, arredondado pra facilitar), então a contribuição terá que ser de $5/trabalhador. E enquanto os números não mudar, sobrevimentos assim por mais 1.000.000 anos.

Matemática, certo?

Agora... Em sua resposta você ignorou completamente o fator tempo de contribuição/expectativa de vida, e ele é fundamental para se equilibrar qualquer previdência.

Exemplificando, em um sistema de 40 anos de contribuição e 20 anos de expectativa de vida, em média 1 só trabalhador contribui para 2 beneficiários.

(Existem outros fatores que criam mais complexidade, como por exemplo valor contribuído x renda, mas vamos ignorá-los de propósito agora para facilitar nossa vida.)

Bom, isto posto, os números do IBGE contêm basicamente este fator ignorado. Porém, os números do IBGE não vão diminuir pra sempre. Eles não tendem a zero, mas a 1, porque não é factível que a população ativa seja menor que a não-ativa, a não ser em casos de guerras, catástrofes, etc.

Ora, partindo da premissa de que em um futuro infinito nosso IBGE vai calcular um relação ativos/inativos = 1, neste ponto cada trabalhador (num regime de 40 anos de contribuição e 20 anos de expectativa de vida) tem que contribuir com 50% do salário para se haver uma previdência estável.

Ou seja, no extremo teórico, a previdência é financeiramente sustentável (ainda que extremamente sacrificante para o contribuinte.)

A título de curiosidade, se os 1,43 do IBGE se confirmarem em 2060, pela matemática a contribuição por trabalhador terá de ser de "apenas" 28% do salário. Ainda um absurdo, mas devo lembrar que hoje a alíquota de autônomos, dentre outras categorias, é de 20%.

Veja: em nenhum momento quis colocar que é fácil ou até factível se criar um sistema justo aqui no Brasil. Meu único objetivo foi contribuir pra discussão mostrando que previdência é matemática e estatística, e que aplicando os cálculos certos é fácil ver que ela pode ser um sistema financeiramente sustentável, ainda que instável e/ou injusto.

E sistema financeiramente sustentável, por definição, não é uma pirâmide (vide texto da Wikipédia, citado no artigo).

Não representa. O próprio Rothbard explicou que, se existisse um botão que destruísse o Estado imediatamente, ele o apertaria já; mas este botão infelizmente não existe, então temos que ir lutando para reduzi-lo na medida do possível (ou pelo menos conter seu crescimento), mas advertiu que existem formas de fazê-lo coerentes com a ética liberal e existem formas incoerentes.

Rothbard explicou que nem toda isenção ou redução de impostos promove o liberalismo e a diminuição do Estado, então temos que prestar atenção a COMO uma determinada isenção ou redução de impostos será feita para não corrermos o risco de promover sem querer o crescimento do Estado pensando que estamos promovendo sua redução.

PS: Percebi certa dificuldade de comunicação entre os colegas, então vou dar um toque de psicologia cognitiva/programação neurolinguística:

"Juízo de Realidade": Afirmação reconhecendo que algo existe (ou que não existe), sem entrar do mérito disso ser bom ou ruim, certo ou errado, melhor ou pior, importante ou sem importância, etc.

"Juízo de Valor": Afirmação de que algo deve/deveria existir porque é/seria bom, ou certo, ou melhor, ou importante, etc. (ou que não deve/não deveria existir pelos motivos inversos), sem que a afirmação queira dizer que este algo de fato existe (ou que não existe).

Exemplos:

JR: "Mulheres devem evitar andar sozinhas e desarmadas em locais isolados e desconhecidos à noite"

JV: "Não diga às mulheres para evitar o estupro, diga aos estupradores para não estuprar"

Notem como a aparente incompatibilidade entre estas duas afirmações desaparece quando percebemos que elas pertencem a categorias diferentes de afirmativas e não são mutuamente excludentes, mas sim complementares. O mesmo ocorre com grande parte do debate minarquistas x anarcocapitalistas.

* * *
Qual o padrão de vida em Auroville? A população tem acesso a uma grande variedade de bens e serviços? Se a pessoa ficar doente, ela tem pronto acesso a serviços médicos? Há escolas? Há universidades?

Isso meio que me lembra a experiência da cidade espanhola de Marinaleda, que passou a ser venerada pela esquerda como "exemplo de coletivismo que deu certo".

Primeiro,
assista ao vídeo. É rapidinho.

Assistiu? Então vamos lá.

Em primeiro lugar, você deve ter visto que se trata de um arranjo que não tem nada de novo ou original. É como se fosse uma comunidade amish (com 2.700 pessoas não pode ser uma cidade), na qual as pessoas subsistem e trabalham apenas para se alimentar.

Ali, como relatou a reportagem, há pleno emprego. Qualquer pessoa que quer trabalhar encontra trabalho.

Só que o padrão de vida ali é extremamente precário. Note o semblante das pessoas e veja se há algum conforto ali. Tem gente ali que nem tem dente (certamente não deve ter dentista na comunidade). O local é parecido com o interior do Piauí. O trabalho agrícola mostrado é totalmente precário e pouco produtivo. Não há nenhuma máquina no campo (ou seja, não há a "temida" acumulação de capital). Tudo o que eles conseguem fazer na cooperativa é transformar a colheita (pimenta, azeitona e alcachofra) em azeite. Isso é vida do século XIX. Isso é algo que pode ser classificado como "imune à crise"?

A veneração a este arranjo é a prova suprema de como as pessoas perderam completamente o senso de proporção. Não discuto que há quem goste de viver assim, e defendo totalmente a liberdade destas pessoas de fazerem isso. Mas dizer que aquela pobreza maranhense é um oásis invejável é de uma imbecilidade econômica grotesca.

Ademais, qualquer pessoa que goste de trabalhar muito sem poder usufruir os frutos do trabalho -- isso é, trabalhar duro de sol a sol mas viver sem conforto nenhum e sem usufruir da tecnologia moderna -- é adepta da escravidão voluntária. Nada contra; só uma constatação.

Mas dizer que quem vive ali sob aquelas condições de trabalho precárias está "bem" e que tal arranjo é um "oásis a ser imitado", bom, aí já é forçar bastante. Isso aí é desejo de retornar às condições de vida do século XIX. Bom proveito pra quem quer. Eu preferiria ser desempregado em Madri. A qualidade de vida é muito mais alta.
Isso segundo a Oxfam, esse portento da imparcialidade. Pergunta: você por acaso conhece a metodologia utilizada por essa Oxfam?

Segundo a bizarra metodologia da Oxfam -- que diz que 8 pessoas têm mais dinheiro do que metade da população mundial --, se você tirar um real do bolso e der para seu sobrinho de dez anos, ele vai ter uma riqueza maior do que "2 bilhões de pessoas somadas".

Sim, seu sobrinho instantaneamente passa a ser um magnata com mais riqueza que bilhões de pessoas juntas.

Como isso é possível? Porque a metodologia considera apenas a riqueza "líquida" (ou seja: patrimônio menos dívidas) das pessoas. E 2 bilhões de pessoas, tendo dívida, têm riqueza negativa.

Segundo essa metodologia, alguém que se formou em Harvard, vive num apartamento de cobertura em Nova York e ganha 100 mil dólares por ano mas tem 250 mil dólares em dívidas estudantis é mais pobre do que um camponês indiano que tem uma bicicleta, vive com um dólar por dia e não tem dívida.

Não importa se o cara de Harvard gasta centenas de dólares tomando McCallahan's 18 anos todas as vezes em que sai para a balada. Para a Oxfam, ele é mais pobre que o camponês indiano.

Ainda segundo esta metodologia, quando você compra um jatinho, você se torna imediatamente mais pobre. Como? Você acaba de assumir uma dívida de 25 milhões de dólares (incluindo juros) e adquiriu um patrimônio de valor de mercado de uns 20 milhões de dólares. Logo, você está 5 milhões de dólares mais pobre.

Para a Oxfam, quem viaja de jatinho usando financiamento é mais pobre do que quem viaja de ônibus pagando à vista.


Dica: não seja apenas mais um desavisado repetindo chavões ignorantes.

Classificar o "Relatório da Desigualdade" da Oxfam de farsa seria pouco
Esse debate precisa de uma comprovação de tal relação:

www1.folha.uol.com.br/mercado/2016/11/1836839-commodities-pressionam-petrobras-e-vale-e-ibovespa-cai-3-dolar-sobe.shtml

oglobo.globo.com/economia/com-commodities-em-alta-bolsa-ganha-092-dolar-cai-043-20265162

extra.globo.com/noticias/economia/dolar-cai-abaixo-de-r325-com-recuperacao-de-commodities-japao-19834792.html

www.valor.com.br/financas/4530505/alta-de-commodities-impulsiona-bovespa-e-dolar-cai-para-r-355

https://economia.terra.com.br/dolar-cai-mais-de-1-com-valorizacao-de-commodities-e-fluxo,e48105674452ef52d0892d0a457891d2u3jzcvnm.html

https://noticias.uol.com.br/ultimas-noticias/reuters/2016/08/02/dolar-cai-abaixo-de-r325-com-recuperacao-de-commodities-e-japao.htm

www.jornaldepiracicaba.com.br/economia_negocios/2016/11/commodities_pressionam_petrobras_e_vale_e_bolsa_cai_3_d_lar_sobe

https://www.poderjuridico.com.br/ibovespa-ganha-forcas-com-commodities-e-com-dados-dos-eua-dolar-cai-e-encosta-nos-r-320/

m.folha.uol.com.br/mercado/2016/09/1812849-commodities-derrubam-mercados-bolsa-cai-3-e-dolar-sobe-a-r-330.shtml

https://massanews.com/blogs/agronegocio/eugenio-stefanelo/precos-das-commodities-aumentam-em-outubro-e-dolar-cai-vDkl5.html

www.fiorde.com.br/wordpress/blog/bolsa-sobe-092-com-commodities-e-expectativa-de-aprovacao-de-pec-dolar-cai/

portalcm7.com/negocios/bovespa-sobe-2-5-e-d-lar-cai-1-com-salto-das-commodities/

www.aviculturaindustrial.com.br/imprensa/dolar-cai-commodities-sobem/20100615-105531-O832

www.referenciagr.com.br/china-e-commodities-animam-mercados-bolsa-sobe-4-e-dolar-cai/

www.arenadopavini.com.br/acoes-na-arena/com-commodities-em-alta-ibovespa-ganha-180-dolar-cai-r-255

www.istoedinheiro.com.br/commodities-incentivam-apetite-por-risco-e-dolar-fecha-em-queda/

https://economia.uol.com.br/noticias/valor-online/2013/12/10/dados-da-china-beneficiam-moedas-atreladas-a-commodities-e-dolar-cai.htm

www.valor.com.br/financas/4354060/dolar-sobe-194-puxado-por-cenario-politico-e-queda-de-commodities

exame.abril.com.br/mercados/dolar-abre-em-leve-queda-apos-japao-aprovar-medidas/

www.arenadopavini.com.br/acoes-na-arena/ibovespa-sobe-15-com-cenario-externo-e-commodities-em-alta-dolar-cai-para-r-392

g1.globo.com/economia/noticia/2011/05/derrocada-das-commodities-e-alta-do-dolar-pautaram-a-quinta-feira.html

https://economia.terra.com.br/panorama-dolar-sobe-commodities-e-bolsas-caem,50ae95246a40b310VgnCLD200000bbcceb0aRCRD.html

exame.abril.com.br/mercados/panorama2-acoes-commodities-sobem-e-dolar-cai-na-vespera-do-fed/

https://economia.uol.com.br/ultnot/2008/08/22/ult29u62955.jhtm

economia.estadao.com.br/noticias/geral,dolar-fraco-sustenta-commodities-imp-,709088

economia.estadao.com.br/noticias/geral,queda-do-dolar-ajuda-alta-de-commodities-diz-meirelles,206267

https://noticias.bol.uol.com.br/economia/2007/02/14/bolsa-quebra-3-recordes-num-dia-e-sobe-177-dolar-cai-abaixo-de-r-210.jhtm

Existem notícias de 2007 a 2017, todas com essa relação entre o dólar e commodities, é claro que existe exceções como o dólar caindo e o apenas o petróleo subindo ou do café, mas não postei por ser "simplista" demais. Veja que sempre tentam dar outras explicações sobre esse fenômeno.

Mas agora a parte que mais me agradou nessa pequisa foi exatamente isso:
https://tradingcafe.wordpress.com/2011/02/03/correlacao-entre-precos-de-commodities-e-a-moeda-de-cotacao/
economia.estadao.com.br/noticias/geral,dolar-fraco-sustenta-commodities-imp-,709088
economia.estadao.com.br/noticias/geral,commodities-caem-com-alta-do-dolar,528831
https://tradingcafe.wordpress.com/2011/02/23/o-dolar-enfraquece-udo-que-e-cotado-em-dolar-sobe-de-preco-petroleo-e-ouro-em-alta/
www.planetaforex.pt/relaciones_economicas_entre_divisas/


Embora alguns deles tentaram dar outras explicações sobre essa relação de dólar e commodities, enfim...

ARTIGOS - ÚLTIMOS 7 DIAS

  • Magno Gontijo  29/04/2010 09:54
    Ótima a descrição do processo de fabricação do presunto. É realmente incrível toda essa coordenação espontânea que o mercado faz. Fico até constrangido de confessar que nunca parei pra pensar nos detalhes de todo esse fantástico processo.

    Sobre as fusões, além da Antarctica com a Brahma e da Sadia com a Perdigão, lembro-me da Directv com a Sky, além dos acordos entre USIMINAS, COSIPA E CSN e da Camargo Corrêa com e Votorantim.

    Com essa carga tributária escravizante que temos, só um sádico se dispõe a começar do nada. Eu respeito.
  • DAGC DAVID  24/01/2017 16:32
    aponte o dedo para os verdadeiros culpados.
    aponte o dedo para os verdadeiros culpados.
    aponte o dedo para os verdadeiros culpados.
    aponte o dedo para os verdadeiros culpados.
    aponte o dedo para os verdadeiros culpados.
    aponte o dedo para os verdadeiros culpados.
    aponte o dedo para os verdadeiros culpados.
    aponte o dedo para os verdadeiros culpados.

    GOVERNOS!
  • DAGC DAVID  24/01/2017 16:55
    aponte o dedo para os verdadeiros culpados.
    aponte o dedo para os verdadeiros culpados.
    aponte o dedo para os verdadeiros culpados.
    aponte o dedo para os verdadeiros culpados.
    aponte o dedo para os verdadeiros culpados.
    aponte o dedo para os verdadeiros culpados.
    aponte o dedo para os verdadeiros culpados.
    aponte o dedo para os verdadeiros culpados.

    GOVERNOS!
  • Thames  29/04/2010 10:48
    Magno, você esqueceu de citar também a pendenga entre Casas Bahia e Pão de Açúcar. De resto, muito esclarecedor o artigo, como de praxe.
  • Maurício  29/04/2010 10:59
    Pessoal,\r
    \r
    Acredito que tenha um problema conceitual no artigo, o PIS/COFINS para as indústrias é não cumulativo, ou seja não tem esse efeito em cascata que vcs estão dizendo. O governo antecipa a arrecadação de acordo com o valor agregado que é gerado em cada etapa da cadeia. A mesma coisa acontece com o ICMS.\r
    \r
    O PIS/COFINS é cumulativo no setor de serviços e no importação de bens que entra na base de cálculo do ICMS.\r
    \r
    Abraços
  • Flavio Ortigao  29/04/2010 11:08
    Excelente artigo. A cartelizacao, especialmente no setor de producao e distribuicao de alimentos tem uma serie de efeitos nefastos para a populacao. O governo forca a cartelizacao para melhor extorquir impostos, quem perde e' a populacao, nao so na alta de precos, mas na perda de diversidade, qualidade, empregos, inovacao e potencial de desenvolvimento de economias locais. O combate a cartelizacao deveria ser PRIORIDADE da oposicao. Parabes ao IMB por essa contribuicao.
  • Leandro  29/04/2010 11:21
    Na verdade, não, Maurício. O artigo, infelizmente, está certo. O PIS/COFINS é cumulativo para as indústrias. O que não é cumulativo é o IPI. (Tecnicamente o ICMS também não é, por isso fizemos aqueles parênteses no texto).

    Caso tenha (muita) paciência, pode ler no site da Receita.

    www.receita.fazenda.gov.br/PessoaJuridica/DIPJ/2004/PergResp2004/pr363a430.htm

    Veja o que ele diz:

    A base de cálculo das contribuições devidas pelas pessoas jurídicas de direito privado, é o faturamento do mês, que corresponde à receita bruta.

    Entende-se por receita bruta a totalidade das receitas auferidas, sendo irrelevantes o tipo de atividade exercida pela pessoa jurídica e a classificação contábil adotada para as receitas, consideradas as exclusões, deduções e isenções permitidas pela legislação.


    Quais são as isenções:

    1. recursos recebidos a título de repasse, oriundos do Orçamento Geral da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, pelas empresas públicas e sociedades de economia mista;

    2. receita relativa à exportação de mercadorias para o exterior;

    3. receita de serviços prestados à pessoa física ou jurídica residente ou domiciliados no exterior, cujo pagamento represente ingresso de divisas;

    4. receita relativa ao fornecimento de mercadorias ou serviços para uso ou consumo de bordo em embarcações e aeronaves em tráfego internacional, quando o pagamento for efetuado em moeda conversível;

    5. receita de transporte internacional de cargas ou passageiros;

    6. receita auferida pelos estaleiros navais brasileiros nas atividades de construção, conservação, modernização, conversão e reparo de embarcações pré-registradas ou registradas no Registro Especial Brasileiro - REB, instituído pela Lei nº 9.432, de 1997;

    7. receita de frete de mercadorias transportadas entre o País e o exterior, na importação e exportação, pelas embarcações registradas no REB, de que trata a Lei nº 9.432, de 1997, art. 11, § 3o e Decreto nº 2.256, de 1997, art. 6o;

    8. receita de vendas realizadas pelo produtor-vendedor às empresas comerciais exportadoras nos termos do Decreto-lei nº 1.248, de 1972, desde que destinadas ao fim específico de exportação para o exterior;

    9. receita de vendas, com fim específico de exportação para o exterior, a empresas exportadoras registradas na Secretaria de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior;

    10. receita da atividade própria das entidades referidas no art. 13 da MP nº 2.158-35, de 2001.



    Por fim, caso ainda não esteja convencido, basta ver a Federação das Indústrias reclamando de sua cumulatividade.

    www.empresario.com.br/destaques/impactos.html

    Infelizmente, o artigo está correto.

    Abraços!
  • Equipe IMB  29/04/2010 11:23
    Muito agradecidos ficamos, Ortigao!
  • Helio  29/04/2010 11:51
    O Maurício está correto, pelo que me dizem as empresas industriais com as quais tenho relações comerciais. Para setores industriais o PIS/Cofins funciona como o ICMS, com a dedução do que foi pago até aquele ponto na cadeia.\r
    \r
    O maior incentivo para as fusões, além de simplificação da estrutura administrativa (que inclui impostos), é o fato de obter mais favores do governo como uma possível "multinacional" brasileira, que inclui regulamentações favoráveis e apoio do BNDES. Há também o benefício de se tornar "too big to fail", e poder incorrer em riscos que as outras empresas menores não podem incorrer, sob a justificativa absolutamente racional de que em caso de problema os cofres públicos ajudarão.
  • Leandro  29/04/2010 12:12
    Sim, para as empresas que optam pelo lucro real, com algumas exceções, não há a cumulatividade da COFINS sobre a receita bruta. Nesse caso, desconta-se créditos de contribuição. As regras para tal são restritas. Vejam:

    www.portaltributario.com.br/tributos/cofins_mp135.html

    E o problema também está no fato de as empresas terem de escolher às cegas se devem optar pelo lucro real ou não.
  • anônimo  29/04/2010 12:20
    No caso do PIS/COFINS não-cumulativo, o cálculo é mais complicado, dependendo da atividade da empresa.

    Em termos gerais, é assim:

    PIS cumulativo - alíquota de 0,65%
    COFINS cumulativo - alíquota de 3,00%

    São para empresas que recolhem o IRPJ/CSLL pelo regime de lucro presumido, calculado sobre as receitas. Nessa modalidade não se pode abater as compras.



    PIS não-cumulativo - alíquota de 1,65%
    COFINS não-cumulativo - alíquota de 7,65%

    São para empresas que recolhem o IRPJ/CSLL pelo regime de lucro real.
    As compras de mercadorias podem ser abatidas, utilizando as mesmas alíquotas, mas o sitema é cheio de regras estabelecidadas pela Receita Federal.


    Observe que o regime não-cumulativo tem alíquotas bem maiores. É pra desestimular mesmo.
  • Thames  29/04/2010 12:45
    Esse assunto é interessante. Tenho um conhecido que trabalha numa fábrica de auto-peças. Ele disse que quando optaram pelo regime não-cumulativo acabaram pagando ainda mais de impostos, por causa de uma treta que deu lá nos abatimentos dos insumos. Parece que o valor dos insumos é crucial para determinar qual regime é o melhor.

    Diz ele que bizarramente é mais negócio trabalhar com lucro presumido (imposto cumulativo). Pelo menos pra ele. Mas ele disse que é a burocracia que mata.
  • Juliano Camargo  29/04/2010 14:18
    Em primeiro lugar, parabéns por mais este artigo que tenta explicar de uma maneira lógica a cadeia produtiva e esse imposto insano que causa tanta confusão não só em nós, observadores, mas até quem é do setor contábil e jurídico e trabalha com isso.

    Estava esperando ao final do artigo uma conexão maior do efeito cascata do imposto, que acredito não tenha ficado tão clara assim, como disseram o Maurício e o Hélio.

    A consolidação reduz os custos de administração desses impostos, correto. Mas também isso vale para vários outros custos, então os economistas mais estatistas vão poder te dizer que é óbvio, austríaco. É apenas o fenômeno da economia de escala.

    Ressaltando que concordo completamente com a tese de vocês que a economia deve ser dinâmica e que o mercado funciona muito melhor com empresas especializadas em cada etapa do processo conectadas de diferentes maneiras do que com conglomerados verticais. Tem um livro de um 'fellow' do Cato Insitute que trata exatamente sobre estes problemas de formação de conglomerado típicos de mercados não desenvolvidos.
    www.amazon.com/Against-Dead-Hand-Uncertain-Capitalism/dp/0471442771

    O problema é que, como sabemos, a bitributação é supostamente insconstitucional. Então ela jamais é admitida e é praticada de modo sorrateiro.

    Como o governo rasga a constituição uma vez por dia, para não usar termo pior, eles bitributam primeiro, e os empresários que tem gente trabalhando só com isso em suas empresas entram em uma briga legal para definir o que pode ser abatido.

    Ex dando uma 'gogglada' encontrei

    www.fblaw.com.br/lang_portugues/palestras/ApresRBSindusconMar04.ppt

    Essa burocracia para administrar estes impostos em particular é gigante, e aí realmente segue a conclusão do artigo, que somente uma empresa grande tem como administrar essa maluquice.

    Só que tem também o outro lado da moeda. Uma empresa pequena pode operar na informalidade e se livrar de pagar estes impostos de vez. Em geral o setor informal vai ser bem competitivo, mas mais ineficiente.

    Para as empresas grandes o jogo muda totalmente. Não dá para se esconder como as pequenas, mas você passa a jogar um jogo de barganha política para ter acesso a muitas benesses já analisadas em outros artigos de vocês, via BNDES e isenções especiais - política intolerável que completamente rasga o princípio de isonomia perante as leis. Aconteceu recentemente uma isenção de PIS COFINS para destruir os abatedouros informais - metade por razões sanitárias, mas a principal razão, para turbinar grupos como JBS-Friboi.

    www.iparaiba.com.br/noticias,165659,3,isencao+do+piscofins+leva+euforia+para+os+frigorificos.html

    Um abraço!
  • Maurício  29/04/2010 15:15
    Olá, Leandro,\r
    \r
    As empresas não escolhem às cegas, elas não deliberam sobre qual regime a ser tributado. As empresas se enquadram em regimes pré-estabelecidos pelo governo.\r
    \r
    Muitas vezes as empresas manipulam (o manipular aqui é no sentido de proteger o dinheiro que é de sua propriedade) os dados para não se enquadrar no regime de lucro real.\r
    \r
    Abraços,\r
    \r
    Maurício
  • Leandro  29/04/2010 16:28
    É verdade, Maurício, embora, como você bem disse, manipulações nos lucros (mesmo "manipulações dentro das regras", se é que podemos utilizar esse termo) sejam comuns para se forçar uma arbitração. (Ao passo que as empresas prestadoras de serviço podem optar abertamente)

    Meio que convolutamente, foi isso o que quis dizer. Confesso que faltou uma aspas no "escolher".
  • Leandro  29/04/2010 16:40
    Adendo: um bom artigo sobre o assunto.

    Planejamento Fiscal - Escolha do Regime de Tributação

    200.155.20.125/espec/artigos.php?pagina=3&cat=espec&id=1736

    E outro:

    www.portaltributario.com.br/noticias/lucroreal_presumido.htm

    Existem várias brechas que permitem às empresas "escolher" qual regime querem adotar. Em alguns casos, as "brechas" são perfeitamente legais. Manter-se em dia com esse manicômio tributária é um esforço hercúleo.
  • Thames  29/04/2010 17:01
    Não podem optar pelo Lucro Presumido (ou seja, são obrigadas a apurar o Lucro Real), aqueles empresas que tiveram no ano anterior uma receita maior que 48 milhões de reais. Só isso aí já abre um enorme caminho para "criatividades contábeis".
  • Germano Wagner  29/04/2010 17:05
    Concordo Leandro! Os verdadeiros culpados, a meu ver, são os organismos de porte multi-lateral tal com a ONU que engendra a percentagem de taxação a nível global, e o Banco do Mundo guarnece estas leis através dos bancos centrais. O Mercado livre é um mito entre os países aliados pois o Real tal como o dólar deixaram de ser francos a muito tempo. Seja bem-vindo ao globalíssimo.
  • Juliano Camargo  29/04/2010 17:50
    A área de elisão fiscal é uma das maiores indústrias brasileiras...
  • Rhyan Fortuna  29/04/2010 20:29
    Ótimo texto!\r
    \r
    Começei a pensar mais sobre esses longos processos de criação de produtos depois de jogar um jogo de computador chamado "Capitalism 2".\r
    \r
    Abraço!\r
  • Mauro Ricardo  29/04/2010 20:43
    Muito boa abordagem. Lembro-me de ter lido certa vez, acho que na Exame, uma reportagem mostrando que nem os fiscais da Receita entendiam como funcionava o sistema tributário e suas inúmeras leis, o que dava margem para que os mais iniciados -- com dinheiro para os melhores contadores -- pudessem dar um drible nas leis fiscais, entrando em áreas de receita cuja tributação incidente fosse outra.

    Já os pequenos não tinham essa capacidade e se estrepavam.
  • Emerson Luis, um Psicologo  23/05/2014 14:03

    Pagamos impostos sobre impostos. É assim que querem combater a pobreza?

    * * *


Envie-nos seu comentário inteligente e educado:
Nome
Email
Comentário
Comentários serão exibidos após aprovação do moderador.