O caso de um herói

Cleber Nunes leciona seus filhos Davi e Jonatas
Neste fim de semana, no I Seminário de Escola Austríaca no Brasil, ocorrido em Porto Alegre, tivemos o imenso privilégio de assistir à palestra de Cleber Nunes, pequeno empreendedor mineiro, agora residindo numa cidadezinha interiorana, que retirou seus filhos da escola para aplicar o método de homeschooling, ou ensino domiciliar.  O ensino domiciliar é um tradicional e incomparável método nos EUA, porém considerado crime por esta terra avessa à liberdade e tão necessitada da tutela oficial do estado em praticamente todas as esferas da vida.  A tragédia da educação no Brasil praticamente não altera nossa concepção.

O sucesso do homeschooling nos EUA em relação ao ensino transmitido nas escolas regulares (sejam públicas ou privadas) tem tornado esta prática cada vez mais popular em todo território americano.  A principal razão disso é a vertiginosa queda na qualidade do ensino daquele país, que se acentua à medida que ele se torna cada vez mais controlado pelo Ministério da Educação.

Mas, voltando ao Brasil, o caso dos garotos Davi e Jonatas, hoje com 16 e 17 anos, é emblemático.  Durante uma conversa antes de sua palestra, Cleber relatou que ele e sua esposa foram condenados pelos magistrados por cometerem crime de abandono intelectual (Estatuto da Criança e do Adolescente).  Detalhou que, nas entrevistas que seus filhos prestaram ao promotor na presença dos membros do Conselho Tutelar, o magistrado frequentemente pressionava-os psicologicamente, insistindo em perguntar se os pais lhes coagiam a estudar em casa e a não frequentar a escola.  Insatisfeitos pela tranquilidade e maturidade com que os garotos respondiam as questões - reafirmando a disposição voluntária e realçando todas as vantagens comparativas no ensino domiciliar - as autoridades apropriadamente resolveram aplicar uma prova para testar os conhecimentos dos garotos, já há dois anos fora da escola.

Então, recentemente, o Ministério Público encomendou da Secretaria da Educação uma bateria de provas que versava desde a análise de uma obra de arte de Da Vinci até questões teóricas de educação física, além das disciplinas tradicionais do ensino.  Para espanto das autoridades, segundo relata Cleber: os meninos "detonaram".

Infelizmente os burocratas são insaciáveis.  Além de apelarem para insinuações de que os pais eram desequilibrados e coisas do gênero, o veredicto condenou os pais dos garotos por um crime que nem existe na Constituição Brasileira, apenas no ECA - acredite se quiser.

Ora, nitidamente tal crime atenta contra a sensibilidade paternal do estado, esta entidade tão inclinada e competente para proteger e educar nossas crianças - muito mais competente que os pais, evidentemente.  Claro que o excelente resultado que Jonatas e Davi obtiveram nas provas foi um vexame para as autoridades estatais. Vergonhoso porque expõe - também deste ângulo - o fracasso do monopólio do Estado em controlar a educação. Com todas as linhas, os garotos mostraram que não apenas é possível, mas muito superior o ensino domiciliar não submetido ao cabresto da burocracia educacional.

Não posso deixar de mencionar que Cleber Nunes e sua esposa têm sofrido muita pressão de familiares e amigos, sem falar da própria sociedade.  Todavia, sustentou que seus filhos não estão dispostos a voltar para a escola, e ele tampouco os obriga a isso.  Ao contrário, encoraja-os fornecendo todo apoio para estudarem em casa e desenvolverem proveitosamente suas habilidades que seriam tolhidas no ambiente escolar.

Só pra constar, conheci Jonatas e Davi.  Pasmem, os garotos não me pareceram como ETs. Ao contrário, são simpáticos e muito espontâneos.  Possuem amigos como qualquer garoto da sua idade, com quem gostam de andar de skate nos horários de folga dos estudos.   Entretanto, quero enfatizar que não acho que a falta de simpatia e de espontaneidade, ou mesmo a preferência por estudos ao invés esportes, tenham em si alguma relevância que possa impugnar o ensino domiciliar.  É que é comum os inimigos da liberdade fazerem tal apelo, como que zelando pela importância insubstituível da escola convencional em favorecer o convívio social e a tessitura do caráter moral do indivíduo.  Não nego, porém, que possa haver vantagens relativas nas escolas, mas, francamente, acho que se houver são próximas de nula.  Se, entretanto, admitirmos que possa haver, estas de modo algum chegam a se sobrepor às vantagens do ensino domiciliar ao ponto de as autoridades terem motivos para criminalizarem esta prática.

Convenhamos: o que está em jogo é a transferência de poder - das famílias e indivíduos para o estado.  Num mundo em que os indivíduos são tratados pelo estado cada vez mais como mentecaptos incapazes de fazerem escolhas (para escolher políticos, todavia, somos sábios desde os 16 anos) torna-se inadmissível que os pais ensinem seus próprios filhos.  Por isso o teor despropositado do veredicto.

A família de Cleber está travando uma luta admirável e que merece todo o nosso apoio. Talvez poderíamos começar por pedir que nosso Presidente da República realizasse as provas a que Jonatas e Davi foram submetidos. Que tal?

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Leia mais detalhes em: O Homeschooling nos EUA (e no Brasil)

Sobre a educação: A obrigatoriedade do diploma - ou, por que a liberdade assusta tanto?


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SOBRE O AUTOR

Lucas Mendes
é economista e mestre em Filosofia pela UFSM.  É dono do blog Austríaco.


"Por exemplo, o relativo à questão estrutural, que devido ao orçamento praticamente ser engessado pelos gastos com servidores, aposentados e pensionistas, tem-se muita dificuldade em fazer qualquer redução ou enxugamento da máquina estatal."

Na verdade, isso foi abordado no artigo.

O fato é: durante a expansão do crédito, quando a quantidade de dinheiro na economia aumentava continuamente, a arrecadação dos governos estaduais não parava de subir. Consequentemente, os governadores não paravam de criar novos gastos. Era uma farra que foi vista como perpétua.

Agora que o crédito secou, a oferta monetária estancou e a economia degringolou (com o fechamento de várias empresas), o aumento previsto das receitas não ocorreu. Na verdade, pelos motivos explicados no artigo, as receitas estão caindo. Mas os gastos contratados continuaram subindo.

Gastos em ascensão e receitas caindo -- é claro que a conta não vai fechar.

O RJ teve o problema adicional da lambança feita na Petrobras, o que reduziu bastante as receitas do estado com a extração de petróleo. Mas, mesmo que a Petrobras estivesse supimpa, a situação do estado continuaria calamitosa. Um pouquinho melhor do que é hoje, mas calamitosa.

Lição: é impossível brigar contra as leis da economia.

"a partir de 2009, os estados puderam voltar a se endividar. [...] Aí os estados passaram a se financiar, ou a financiar seus investimentos, através de endividamento e não de a partir de suas receitas. E mais com o dado de que o ex-ministro da Fazenda, Guido Mantega, assinou (uma a uma) autorizações de crédito pra estados e municípios que tinham classificação de crédito C e D."

Como você corretamente colocou, os estados eram avalizados pelo governo federal. Eles só podiam pedir emprestado se o governo federal fosse o fiador do empréstimo.

Vale ressaltar que esses empréstimos aos estados são efetuados pelos bancos estatais (com a garantia do governo federal). E esse foi exatamente o tema do artigo.

Esses empréstimos dos bancos estatais direcionados aos governos estaduais também permitiram que eles inchassem suas folhas de pagamento, mas sem qualquer garantia de que as receitas futuras continuariam cobrindo esse aumento de gastos.

Como a realidade se encarregou de mostrar, isso não ocorreu.

No final, tudo passa pelos bancos estatais e sua expansão do crédito de acordo com critérios políticos.

Obrigado pelas palavras e grande abraço!
Posso me meter nessa contenda.

Roberto, analisei o nexo temporal de necessidade x invenção dos medicamentos e diria que sim, Thiago está correto.

E pensando sobre isso, a necessidade antes da criação engloba tudo aquilo que escapa a ação humana e interfere em nossas vidas, como doenças, mudanças climáticas e a gênese química e biológica. Porém o cerne da Lei de Say não é o apriorismo da criação como antecedente da necessidade, mas sim de como o mercado valora a criação, e se por essa valoração intrínseca ela se perpetua ou não através do tempo. Mas vamos voltar ao exemplo do Thiago.

Por exemplo, se analisarmos técnicas de irrigação em uma biosfera árida, e existem centenas delas. A partir daqui conseguimos estabelecer o cenário de solo árido (criado por... enfim eu acredito em Deus, mas quem quiser acredite no ocaso), a necessidade subjetiva de irrigação para agricultura, e a ação humana, que irá mover recursos escassos para ali produzir, calculando custos e impondo preços, e em contrapartida novamente a ação humana, que irá verificar se esses custos são viáveis, comprando ou não os frutos daquela terra.

Com isso conseguimos estabelecer um nexo causal entre a necessidade primeira e a criação posterior, onde o agente primário criador daquele cenário árido não está entre nós. Não sabemos o por quê de ser árido. O criador desse quadro não o vendeu para nós, logo esse agente não busca o mesmo resultado que nós - o lucro. Só nós, o solo e a oportunidade subjetiva de aproveita-lo para produzir e prosperar.

O mesmo paralelo podemos estabelecer entre a doença e a medicina, onde nós somos o terreno criado pelo agente oculto, e neste terreno habitam doenças causadoras de distúrbios (também criadas pelo mesmo agente).

Apriorísticamente desde quando nascemos existe a necessidade primária de solução, ou o resultado é muitas vezes a morte. A partir dessas quase infinitas necessidades, profissionais de todas as partes do mundo criam desde os primórdios da nossa espécie técnicas e substâncias para, se não possível resolver, mitigar a necessidade trazendo conforto ao doente.

Nesse emaranhado de técnicas foram se perpetuando as mais eficientes E mais econômicas, tanto ao doente quanto ao profissional. Novamente conseguimos enxergar o nexo causal, onde a ação humana só existe após a doença, e com ela cessada, a ação humana também cessa. Sendo mais lúdico, remonto as palavras do Mestre: "Os sãos não precisam de médico".

Para concluir, os homens que estão a frente de seu tempo são aqueles que não somente criam antes da necessidade, basicamente inventando-a (afinal, quem diria como um Iphone é útil sem saber que ele existe?), mas aqueles que conseguem lidar com a necessidade criada pelo agente oculto de forma mais efetiva que seus pares, em menos tempo, e de forma mais econômica.

Obrigado por quem leu até aqui.
Leandro, me referi que em um período ou em uma ''reforma'' anunciada, seria mais racional seguir essa ordem..

E mais, eu disse:

''Eu entendo que cortar as tarifas e permitir importar carro usado, iria de fato ser positivo, ao mesmo tempo aumentaria o desemprego substancialmente nessa grave recessão e pior: O desemprego iria continuar se o empreendedorismo continuasse como esta''

Ai que ta, mesmo sobrando dinheiro para as pessoas consumirem, investirem, pouparem e empreenderem, nessa recessão e nessa burocracia asfixiante o efeito não seria tão significante, imagine nesse cenário nacional onde empreender é coisa pra maluco, uma recessão tremenda, um governo intervindo mais novamente e etc, como que poupança vai surgir, consumo, empréstimo, renda....
Repito, você esta completamente correto sobre esses efeitos lindos, só que isso em um país fora de recessão e um pouquinho mais livre... Não vejo que esses feitos aconteceriam no Brasil nesse caos atual, uma economia que no ranking de liberdade economica fica junto a países socialistas....Entende?

Sera mesmo que os resultados seriam significantes?
Essa a questão sobre ''a situação atual''.

Mas você fez eu perceber um ponto que eu antes não havia pensado, muito obrigado!

''A única maneira garantida de fazer reformas é havendo uma "ameaça" concreta e imediata. No Brasil, sempre foi assim.

Por outro lado, ficar empurrando a situação com a barriga, à espera do surgimento de uma "vontade política" para fazer uma mudança que não é urgente (e não será urgente enquanto não houver livre comércio) é garantia de imobilismo.''

Ainda acho essa ameaça utópico aqui, porque:
Que político estaria disposto a abrir a economia mas continuar engessando a economia nacional? Uma contradição pura, se algum burocrata eleito tiver disposto a abrir a economia, muito provável que ele também estará disposto a facilitar o comercio nacional. Nunca vi um exemplo de um cara que chegou e falou ''temos que abrir a economia pro mundo, mas devemos criar toda dificuldade para as pessoas empreenderem''
Ele nunca daria esse tiro no pé e criar essa ameaça que você falou, até porque mesmo que fizesse, os empresários chorariam pela volta da reserva de mercado porque é caro a produção aqui e o burocrata voltaria a estaca zero...

Por outro lado você exagerou um pouco sob minha colocação:

''Essa ideia de que primeiro temos de esperar o governo ter a iniciativa de arrumar a casa para então, só então, conceder a liberdade para o indivíduo poder comprar o que ele quiser de quem ele quiser é inerentemente totalitária''

Acho que o que der pra fazer primeiro que faça, não acho que devemos esperar o governo arrumar pra então abrir.
No meu comentário eu também quis dizer que se algum presidente estivesse disposto a fazer uma reforma pró-mercado, que então fosse assim, acredito que seria mais eficiente e com menos ''choro'' assim. Você sabe, Argentina, Brasil e afins são países inviáveis, você quer fazer reforma trabalhista nego chora, reforma da previdência nego chora.... Imagine o que os empresários brasileiros não iriam fazer quando soubessem que um presidente esta disposto a destruir as reservas de mercado amanha....
Eu acho que ''politicamente'' também seria mais eficiente do jeito que eu falei...

Agora se tivermos a oportunidade de acabar com as reservas de mercado amanha, antes de qualquer outra reforma, que ACABE!. Seria uma conquista e um passo rumo a liberdade e por isso os resultados não importariam, eu questionei a significancia desses resultados no Brasil de hoje, não acredito que seria como você disse por causa do nosso desastre e dessa economia estatal. Nunca que vou ser contra esse passo, no máximo como eu falei, em uma reforma liberal geral eu iria ''adia-la por um ano''.
Principalmente olhando mais pra realidade ''Política'' e como o País e seu povo é.

''Não faz sentido combater estas monstruosidades criando novas monstruosidades. Não faz sentido tolher os consumidores ou impor tarifas de importação para compensar a existência de impostos, de burocracia e de regulamentações sobre as indústrias. Isso é querer apagar o fogo com gasolina. ''

Não tem lógica mesmo, nesse seu comentário brilhante você respondeu como se eu fosse um protecionista, o que não é o caso kkk.
Eu apenas levantei a reflexão que: Se tivesse um cara do IMB na presidência, com carta branca pra fazer o que quiser, acho que seguir a ''ordem'' que eu disse seria mais racional, politicamente mais viável (daria pra conter melhor o choro) e por ai vai...

Nesse seu trecho, você não esta me contra-argumentando e sim um protecionista que eu não presenciei..kkkk

Novamente, não defendo o protecionismo de maneira alguma, só disse que em uma reforma austríaca no Brasil, as tarifas de importação deveriam ser extintas depois de certas reformas(não demoraria, seria uma das prioridades sim).
E questionei a significancia dos efeitos sob nossa situação atual.
Se esse fosse o tema do referendo amanha, eu votaria contra?
Obvio que não, independente de qualquer coisa....

Foi isso que eu quis passar....

tudo de bom e Grande Abraço!
Sim. A sorte é que, na prática, elas não são impingidas. Há tantos requisitos que têm de ser encontrados para que tais restrições sejam impingidas que, na prática, isso não ocorre.

https://www.hoganlovells.com/~/media/hogan-lovells/pdf/publication/competition-law-in-singapore--jan-2015_pdf.pdf

Aliás, veja que interessante: o caso mais famoso em que essa medida foi aplicada foi quando a CCS (Competition Commission of Singapore) multou 10 financistas por eles terem pressionado uma empresa a retirar uma oferta do mercado.

Ou seja, o governo, uma vez que ele existe, atuou exatamente naquela que é a sua função clássica: coibir a coerção a terceiros inocentes. No caso, coibiu uma pressão que estava sendo feita a uma empresa que estava vendendo produtos (seguro de vida) mais baratos.

www.channelnewsasia.com/news/business/singapore/10-financial-advisers/2611160.html

Eu quero.
Opa, eu também tenho correlações irrefutáveis!

tylervigen.com/images/spurious-correlations-share.png

i.imgur.com/OfQYQW8.png

https://img.buzzfeed.com/buzzfeed-static/static/enhanced/webdr02/2013/4/9/15/enhanced-buzz-25466-1365534595-12.jpg

www.tylervigen.com/chart-pngs/10.png

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Caso queira mais é só pedir!


P.S.: ah, só para você não mais ser flagrado como desinformado, os irmãos Koch financiam o Cato Institute, que é inimigo figadal do Mises Institute. Os Koch desprezam o Mises Institute e seus integrantes. E o Mises brasileiro sobrevive das doações de voluntários, como você. Faça a sua parte!

www.mises.org.br/Donate.aspx
Sim e não.

De fato, se todo o crédito fosse para consumo -- uma coisa irreal, pois o crédito para consumo é o mais caro e arriscado --, o efeito imediato seria o aumento dos preços dos bens e serviços. Muitas pessoas estariam repentinamente consumindo mais (maior demanda) sem que tivesse havido qualquer aumento na oferta.

Só que tal aumento de preços mandaria um sinal claro para empreendedores: tais setores estão vivenciando aumento da demanda; ampliem a oferta daqueles bens e serviços e lucrem com isso.

Ato contínuo, a estrutura de produção da economia será rearranjada de modo a satisfazer essa nova demanda impulsionada pelo crédito.

Mas aí, em algum momento futuro, acontecerá o inevitável: se essas pessoas estão se endividando para consumir, como elas manterão sua renda futura para continuar consumindo? A única maneira de aumentar a renda permanentemente é produzindo mais, e não se endividando mais.

Tão logo a expansão do crédito acabar, e as pessoas estiverem muito endividadas (e tendo de quitar essas dívidas), não mais haverá demanda para aqueles bens e serviços. Consequentemente, os empreendedores que decidiram investir na ampliação daqueles setores rapidamente descobrirão que estão sem demanda. Com efeito, nunca houve demanda verdadeira por seus produtos. Houve apenas demanda artificial e passageira.

É aí que começa a recessão: quando vários investimentos errados (para os quais nunca houve demanda verdadeira) são descobertos e precisam ser liquidados.

E de nada adiantará o estado tentar estimular artificialmente a demanda para dar sobrevida a esses investimentos errados. Aliás, isso só piorará a situação.

Se um empreendedor investiu em algo para o qual não havia demanda genuína, ele fez um erro de cálculo. Ele imobilizou capital em investimentos que ninguém realmente demandou. Na prática, ele destruiu capital e riqueza. Cimentos, vergalhões, tijolos, britas, areia, azulejos e vários outros recursos escassos foram imobilizados em algo inútil. A sociedade está mais pobre em decorrência desse investimento errôneo. Recursos escassos foram desperdiçados.

O governo querer estimular o consumo de algo para o qual nunca houve demanda natural irá apenas prolongar o processo de destruição de riqueza.

O que realmente deve ser feito é permitir a liquidação desse investimento errôneo. O empreendedor que errou em seu cálculo empreendedorial -- e que, no mundo real, provavelmente estará endividado e sem receita -- deve vender (a um preço de desconto, obviamente) todo o seu projeto para outro empreendedor que esteja mais em linha com as demandas dos consumidores.

Este outro empreendedor -- que está voluntariamente comprando esse projeto -- terá de dar a ele um direcionamento mais em linha com os reais desejos dos consumidores.


Traduzindo tudo: a recessão nada mais é do que um processo em que investimentos errôneos -- feitos em massa por causa da manipulação dos juros feita pelo Banco Central -- são revelados e, consequentemente, rearranjados e direcionados para fins mais de acordo com os reais desejos dos consumidores.

A economia entra em recessão exatamente porque os fatores de produção foram mal direcionados e os investimentos foram errados.

Nesse cenário, expandir o crédito e tentar criar demanda para esses investimentos errôneos irá apenas prolongar esse cenário de desarranjo, destruindo capital e tornando a recessão (correção da economia) ainda mais profunda no futuro. E com o agravante de que os consumidores e empresários estarão agora bem mais endividados, em um cenário de inflação em alta -- por causa da expansão do crédito -- e sem perspectiva de renda.

ARTIGOS - ÚLTIMOS 7 DIAS

  • Marco  15/04/2010 12:29
    Hilário.\r
    \r
    Se ele conseguir elaborar uma redação de 10 linhas sem a expressão "nunca antes na história deste país" , já tá até de bom tamanho.
  • Marcos Phelipe  16/06/2013 06:53
    kkkkkkkkkkkkkkkkk Sensacional cupanhêro
  • Rafael Hotz  15/04/2010 12:34
    A palestra do Cléber foi a única que tive condições de acompanhar via web (o sistema funcionou com alta qualidade, parabéns a organização)... De fato foi excelente, para causar revolta mesmo...

    O Cléber poderia ter argumentado quando perguntado sobre a sociabilização que seus filhos desenvolveriam ao não irem nas escolas regulamentadas pelo governo (aprender dezenas de mentiras e inutilidades), que teriam na verdade uma sociabilização superior. Podem usar seu tempo (escasso) para, por exemplo, ingressarem em grupos de esportes, línguas, para trabalhar (isto é, se nossos burocratas não fiscalizarem),e frequentar quaisquer locais nos quais ninguém foi obrigado a ir.

    As escolas estatais e as privadas reguladas mostram cada vez mais casos de violência física e bullying. Professores são ameaçados e agredidos, assim como alunos. As instalações cada vez mais se precarizam na esfera puramente estatal. Em todas as esferas o conteúdo é regulamentado, sendo ineficiente e doutrinador. Será este o ambiente ideal desejado pelos burocratas para o desenvolvimento do jovem?

    Portanto, aqueles que se consideram partidários da liberdade e acham que o governo deve "prover educação para todos para criar igualdade de oportunidades", vocês são responsáveis pelo atraso dessa put*** de país... Depois da separação entre Igreja e Estado, a separação de ensino e Estado é a coisa mais urgente a ser feita, e fico feliz que o IMB compre essa bandeira como prioridade.

    Rafael.
  • Francis Tadeu Leite  15/04/2010 14:00
    "Não basta dizer ao homem que é seu dever trabalhar, é preciso ainda que aquele que tem de prover a existência com seu trabalho encontre com que se ocupar, o que nem sempre acontece. Quando a falta do trabalho se generaliza, toma proporções de um flagelo como a miséria. A ciência econômica procura o remédio no equilíbrio entre a produção e o consumo; mas esse equilíbrio, supondo-se que seja possível, não será contínuo, e nesses intervalos o trabalhador precisa viver. Há um elemento que não se costuma considerar, sem o qual a ciência econômica torna-se apenas uma teoria: é a educação. Não a educação intelectual, mas a educação moral; não ainda a educação moral pelos livros, mas a que consiste na arte de formar o caráter, que dá os hábitos: porque educação é o conjunto dos hábitos adquiridos. Quando se pensa na massa de indivíduos lançados a cada dia na torrente da população, sem princípios nem freios e entregues aos próprios instintos, devem causar espanto as conseqüências desastrosas que resultam disso? Quando essa arte for conhecida e praticada, o homem trará hábitos de ordem e de previdência para si e para os seus, de respeito pelo que é respeitável, hábitos que lhe permitirão atravessar menos angustiado os maus dias inevitáveis. A desordem e a imprevidência são duas chagas que uma educação bem conduzida pode curar; aí está o ponto de partida, o elemento real do bem-estar, a garantia da segurança de todos." O Livro dos Espíritos, parte terceira capítulo 3 - Lei do Trabalho - Allan Kardec\r
    \r
    Fraterno abraço a todos!
  • Cristiano  15/04/2010 16:36
    Espetacular. Cleber against the state!
  • Eduardo  15/04/2010 19:37
    O Cléber e os meninos são HERÓIS! Chega de opressão, deixem cada um ser feliz em PAZ.
  • Arkad  16/04/2010 12:25
    Lucas, ok, concordo que pais capazes e responsáveis possam dar uma educação muitas vezes melhor do que o Estado. Porém, minha pergunta é: como conseguirão entrar numa universidade sem diploma de conclusão do ensino secundário? Existe um meio?\r
    Abraço,
  • Lucas Mendes  16/04/2010 13:03
    Caro Arkad,\r
    \r
    No caso desta questão empregatícia que os meninos virão a enfrentar em breve, o Cleber sustentou que nem ele nem os garotos estão muito preocupados com a questão do diploma formal, pois anseiam em ser empreendedores autônomos, como é o caso do próprio Cleber que, formalmente, não tem ensino médio e é designer. Aliás, muitas pessoas se fizeram na vida sem diploma, mas fornecendo valores à sociedade, enquanto muitos diplomados são incapazes de agregar valor de forma autônoma, restando a alternativa de conseguir um emprego. Não que isto seja um demérito, mas envolve opções, valores, talentos e escolha pessoal. O Cleber e os meninos parecem estar convictos que serão capazes de se fazerem na vida sem a necessidade de diploma. Nisso, não vejo problema algum, ao contrário, reconheço todo o mérito pela coragem empreendedora e 100% libertária da família. \r
    \r
    Abraço,\r
    Lucas
  • Eduardo  16/04/2010 13:14
    Arkad,\r
    \r
    Imagino que se os meninos mudarem de ideia no futuro, passam numa ridícula prova de supletivo mesmo que exijam uma mão nas costas, um olho fechado e uns 2 comprimidos de gardenal antes.
  • anônimo  16/04/2010 13:29
    Prezados Arkad,Lucas Mendes e Eduardo.Quando eles tiverem 18 anos, ele poderão fazer o ENEM(Exame Nacional do Ensino Médio) e se tirarem uma determinada nota, conseguirão UM certificado de conclusão do Ensino Médio.É o que diz o MEC.
  • Fênix Felipe  16/04/2010 15:51
    Sou totalmente a favor da extinção do MEC
  • Tiago  16/04/2010 16:57
    A luta pela liberdade na Educação implica em confronto direto com aqueles que desfrutam do estado atual das coisas: professores incompetentes, alunos vagabundos, sindicatos corruptos, parasitas da área educacional, empreiteiras responsáveis pelas obras superfaturadas das escolas, editoras dos livros doutrinários, escolas particulares temerosas de concorrência e mais a casta política que representa os interesses destes.

    Todos são influentes (leia-se endinheirados) e muito bem organizados para reagir, juntos, diante de qualquer ameaça em perder sua fonte de poder e riqueza.
  • Roberto Chiocca  16/04/2010 21:54
    O Cleber é um herói mesmo, ama seus filhos e tem a certeza que pode dar ele mesmo coisa melhor que o estado. Não é dificil dar algo melhor aos filhos que a porcaria que o estado dá, e Cleber não se limita a ensinar as baboseiras que o estado obriga o filho dos outros mas ensina muitas outras coisas valiosas que a maioria das escolas nao ensina, mas mais do que matérias, a lição principal que Cleber ensina aos seus filhos é a soberania do indivíduo.
    Parabéns Cleber, e não vamos deixar barata esta injustiça, vamos falar dela sempre que possível, e esfregá-la na cara daqueles que a defendem.

  • Henrique B. Neto  16/04/2010 22:24
    Não pude conferir a palestra via web. Estava viajando.

    Gostaria de saber quando e se vão disponibilizar todas as palestras no Youtube?

    Abraço.
  • Leandro  16/04/2010 22:45
    Henrique, as palestras têm de ser editadas e montadas. A empresa responsável pediu um mês de prazo.
  • Marcelo Werlang de Assis  17/04/2010 11:59
    Meus sinceríssimos parabéns ao Cleber e aos garotos!\r
    \r
    É a mais cabal prova de que a liberdade funciona. De que as pessoas, sim, estão em condições de saberem o que lhes é melhor. De que a violência nada produz, exceto danos. De que, enfim, o Deus Estado é algo tão dispensável quanto o lixo de nossa casa.\r
    \r
    Liberty is always freedom from the government!\r
    \r
    \r
    \r
    Huuuuuuuuuuuuuuugs!!!!!\r
  • Reaumur A. Nunes  17/04/2010 14:29
    Estamos em plena revolução do conhecimento e da tecnologia.\r
    Porque tolhir o desenvolvimento do pais, se o momento nos exige que sejamos mais autônomas e flexíveis do que "superdotados". Por certo não há interesse politico!
  • Fabs  17/04/2010 16:28
    Concordo, que o Estado não deveria obrigar as pessoas a mandar seus filhos para a escola. Somente aquelas que não têm condiçoes ou nao queiram educar os filhos em casa deveriam recorrer ao ensino publico ou privado.
  • Arkad  17/04/2010 18:23
    Obrigado a todos pelas respostas.

    E concordo com a visão da família, principalmente se realmente a prova do ENEM for condição para posse do diploma, pois as visões podem mudar no futuro (deixar de querer ser profissional autônomo e fazer algum curso; a vida nos reserva várias surpresas...).

    O que precisa apenas ter atenção é a possível falta de convivência com a comunidade. Se os meninos possuem essa convivência em outros meios (clubes, cursos e treinamentos, etc) menos mal, pois há coisas que (felizmente) não se aprendem somente com os pais.

    Grande abraço,
  • CR  19/04/2010 08:23
    Libertas qua sera tamem. Desculpe, mas acho oportuna a homenagem a Tiradentes. No caso de hoje, a Cleber Nunes e seus venturosos filhos. Se pudesse voltar no tempo teria tomado atitude semelhante. Na época não avaliava o grau de alienação fornecido pelas escolas, sempre prestes a formar peças ao jogo cujo rei frequentemente é suicida. Os curriculos são montados ao gáudio dos montadores! Agora tem outro detalhe, de natureza jurídica: sendo as ações dos menores de exclusiva responsabilidade dos pais, e nunca do Estado, não cabe a este nada exigir, muito menos estabelecer o que deve ou não ser ensinado aos filhos. É por raiz inconstitucional. Isso numa sociedade democrática. Se formos à Esparta, donde provém nossa magnífica filosofia, bem aí devem os infantes serem mesmo preparados à guerra, sob as bênçãos de Deus.
    Cumprimentos, com o desejo que esta picada abra uma ampla trilha pela qual nossos descendentes poderão escapulir das garras do sempre faminto Leviathan
  • Mark Menoles  25/04/2010 14:01
    Lucas, vale lembrar que o tema homeschooling e vouchers és uma estratégia da igreja para extorquir Money das escolas públicas. \r
    \r
    Alem disso, qual chefe de família teria tempo e condições para educar um filho por conta própria? \r
    \r
    Hoje, no Brasil é comum ver pessoal condenando o estado sem ter sequer um plano base de como atingir esse objetivo. \r
    \r
    Por-favor não aludam o mercado-livre!
  • mcmoraes  29/03/2011 23:18
  • Augusto  30/03/2011 00:11
    Herois.
  • Augusto  30/03/2011 15:53
    Se alguem tiver como passar para as duas familias, uma ideia interessante pode ser de matricular as criancas em algum grupo escoteiro (alias, os proprios pais podem fundar um grupo escoteiro se quiserem).\r
    \r
    Os grupos escoteiros sao reconhecidos de "utilidade publica" e como "instituicao de ensino extra-escolar", por decretos federais, o que deixa o juiz na situacao inconveniente de dizer que as criancas nao tem vida social ou que nao estudam...
  • Rafael  13/08/2011 01:28
    O problemaé que são centros de doutrinação governista... Amor à pátria(leia-se governo), obediência incondicional a legislatura, adoração a guerra... e pronto - troca-se 6 por meia dúzia.
  • Ricardo Sulyak  13/08/2011 01:12
    Admirável Iniciativa! Grato pelo exemplo ímpar de valentia! Parabéns Sr.Cleber Nunes!
  • Marcelo Werlang de Assis  23/02/2012 17:27
    Acho que Tommy Jordan também deve entrar na lista de heróis... =D

    www.youtube.com/watch?v=lVCNPP2K6gY&feature=related

    Abraços!!!
  • Fernando Silva  29/05/2012 10:18
    Gostaria de entrar em contato com o Cléber, pois nossa família compartilha com seus conceitos. Pode ser e-mail, telefone, qualquer coisa concreta, pois tenho certeza que ele poderá nos orientar quanto a alguns pontos. Muito obrigado!
  • Eduardo Pimenta  07/11/2012 07:01
    O educador Salman Khan mencionou em uma entrevista o quanto o sistema de ensino está defasado. Parece que foi baseado em métodos usados na antiga Prússia que sobreviveram ao tempo atual. Podem ter vantagens, mas certamente não signfica que sejam o ideal. Antigamente o aprendizado era feito de pessoa para pessoa (peer-to-peer) e parece ser um método eficaz. Não vejo por qual razão métodos alternativos são tão discriminados. Acho que a escolha de estudar em casa, de ser autodidata ou outras variações deveriam ser mais respeitadas e melhores absorvidas no sistema atual. Eu sou formado em economia, mas se eu resolver me aperfeiçoar em engenharia civil por conta própria, provavelmente nunca serei capaz de pôr meus conhecimentos de enganharia em prática. Precisaria primeiro perder uns 4-5 anos cursando em uma faculdade e depois ainda me afiliar ao CREA ou algo assim. o_O Acho isso muito chato e desmotivante.\r
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    Excelente artigo.
  • anônimo  07/11/2012 08:03
    'Não vejo por qual razão métodos alternativos são tão discriminados.'

    Mas não é óbvio? Porque vão contra os interesses dos professores!
  • anônimo  07/11/2012 12:16
    E conveniente pro governo, arrancar dinheiro do taxpayer, dar pros professores sob o pretexto de melhorar a educação e o resultado é uma geração de propagandistas socialistas
  • Patrick de Lima Lopes  07/11/2012 09:35
    Brilhante história, a família merece nossas congratulações e são mais um excelente argumento para defendermos a educação em casa.
    Venho aqui compartilhar um vídeo(Um tanto diferente) mas que também aborda um sucesso da liberdade:
    www.youtube.com/watch?v=Q899toGT5DQ
    Somente outro pai, dessa vez pouco instruído mas com mais rigor lógico que 99% dos universitários brasileiros(Vide sua excelente observação a respeito de praxeologia), buscando uma educação melhor para os filhos.
  • Emerson Luis, um Psicologo  21/05/2014 13:00

    Brasileiros em geral só imitam o que os americanos fazem de ruim ou inócuo. Ele imitou algo bom.

    * * *
  • Papizsanszkij  09/08/2016 01:41
    Muito bom.
  • Francisco Seixas  11/02/2017 14:30
    Entire Homeschooling Family Kidnapped by the State: https://fee.org/articles/entire-homeschooling-family-kidnapped-by-the-state/

    OBS.: A formatação para o link, não funcionou a contento: Entire Homeschooling Family Kidnapped by the State


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