Sou soberano

Discurso proferido pelo presidente do Instituto Mises Brasil, Helio Beltrão, na ocasião de seu recebimento do prêmio Libertas, durante o XXIII Fórum da Liberdade, realizado em Porto Alegre nos dias 12 e 13 de abril de 2010.  Disponível em vídeo aqui.

 

Boa noite, senhoras e senhores.

Presidente [Leonardo]Fração, é uma satisfação estar aqui, neste vigésimo-terceiro Fórum da Liberdade, cujo tema é baseado nas Seis Lições de Ludwig von Mises.  Mises foi um dos maiores intelectuais do século XX, um firme e determinado defensor da liberdade.   Há cinquenta anos, ele veio à América do Sul e proferiu estas seis históricas palestras, que estão muito bem expostas ali fora, na mostra do Fórum da Liberdade.  Hoje, há um renascimento no mundo todo, inclusive no Brasil, das ideias misesianas, que mostram os benefícios que consumidores e trabalhadores obtêm quando são livres para empreender, traçar seus destinos e realizar seus desejos.

Nesta semana, em Porto Alegre, há uma grande concentração de herdeiros intelectuais de Ludwig von Mises.  Nós, do Instituto Mises Brasil, realizamos nosso primeiro seminário aqui mesmo, em Porto Alegre - o qual, aliás, foi um grande sucesso, e não poderia ter sido diferente!  Essa energia que emana de vocês é contagiante.  Estão hoje aqui vários professores e estudiosos da Escola Austríaca de Economia, entre brasileiros e estrangeiros.  Tom Woods, um de nossos palestrantes e autor do bestseller Meltdown, palestrará amanhã aqui no Fórum.  E está conosco o legendário fundador e presidente do conselho do Mises Institute dos Estados Unidos - Lew Rockwell!   Sem Lew, não haveria Mises Institute, não haveria o renascimento da Escola Austríaca, não haveria o Instituto Mises Brasil.  Obrigado, Lew.  E, acima de tudo, obrigado Presidente Fração, ao IEE, pelo seu apoio ao nosso seminário e especialmente pelo sucesso na luta pela liberdade.  Nesta luta, o que importa são resultados - e os resultados do IEE e do Fórum da Liberdade são claros e mensuráveis.  Parabéns, IEE!

Em outras palestras, costumo falar sobre economia e finanças, sobre as medidas que podem levar a uma sociedade mais próspera; ou seja, assim como Mises, costumo falar sobre o que funciona e o que não funciona.

Hoje, pela primeira vez, falo sobre outro assunto.  Falo sobre o que me move.  Falo sobre minha energia, como indivíduo.  Isso só poderia ocorrer aqui, onde há uma comunidade liberal avançada, progressista, que vislumbra mudanças de verdade, não mudanças ilusórias de slogans de campanha.  Sinto-me em casa.  É uma grande honra receber o prêmio Libertas.

A história da ética tem sido uma história de exploração.   Os indíviduos foram desde sempre separados em dois grupos: os que devem obedecer às regras "éticas" sempre, e os que não precisam obedecê-las.  O povo deve cumprir a ética e a moral, mas os governantes, não.

A ética, que eu e você devemos obedecer, corretamente advoga que não se pode roubar a propriedade de terceiros, matar ou obrigar alguém a fazer algo à força.

Mas notem que tais regras éticas não valem para o governo - o governo toma seu dinheiro, chama isso de impostos democráticos, e pronto: está autorizado a roubar.

Se um sujeito escraviza outro, está caracterizado um crime hediondo.  Escravidão é a antítese da individualidade!  Porém, no caso do governo, convocam você para "servir à pátria" durante um ano, chamam tal servidão de "serviço militar", e a servidão passa a ser perfeitamente legal.

Se um vizinho mata outro, isso é assassinato; porém, se for um funcionário de governo - principalmente do governo americano - com uniforme verde-oliva que invoca uma guerra preventiva ou algo similar, então é permitido matar, e legalmente.

Falsificar dinheiro é crime, mas só para você e eu - pois o governo tem a máquina de fazer dinheiro, ou melhor, de falsificar dinheiro.  Se forem eles, pode.  Se formos nós, vamos presos.

Há trezentos anos, boa parte da população nas Américas era formada por escravos.  Cem por cento dos frutos do trabalho dos escravos eram de propriedade de seus donos.  Hoje, não somos escravos.  Mas hoje, de 40 a 50% do resultado do seu esforço e talento não são seus, mas de seus senhores: os governantes e seus amigos.  Isso é o que você paga, queira ou não, embutido nos preços dos produtos e através de outros impostos, taxas e contribuições.  Ou seja, não somos mais escravos, mas somos servos.

Antes os donos de escravos ameaçavam punir com a chibata, caso estes se recusassem a trabalhar.  Agora, se você não pagar ao governo, é ameaçado com notificações e processos, até finalmente acabar sendo preso.  Em ambos os casos, a violência é do mesmo tipo.  A arma nem precisa ser mostrada, similarmente ao caso do ladrão de rua.  A simples ameaça basta.  Mas a arma está lá, no bolso do ladrão, e no paletó do governante.

Ainda que sancionado pela maioria, roubo ou escravidão continuam sendo crimes!  Este roubo do governo, pelo governo e para o governo (e seus amigos) é estranhamente aceito, e racionalizado pela maioria.  E por que diabos a maioria concorda com esse roubo? 

É importante analisar o conceito mais deturpado hoje em dia.  O conceito de democracia.

Existe certo desrespeito à semântica quando nos referimos à "democracia".  A maior parte de nós usa a expressão "democracia" quando na verdade se refere a outros conceitos, como "estado de direito", "igualdade perante a lei, "liberdade, "direitos individuais", "instituições fortes", "justiça", e outros conceitos que possuem palavras específicas para designá-los.  Democracia é formalmente o regime de voto da maioria, ou seja, a maioria entre os votantes decide o que quiser.  Ou, como se costuma dizer, a tirania da maioria - que, na prática, é a tirania da minoria: a minoria de políticos que mandam em nossas vidas e em nossa propriedade.

Essa mistura de significados tem consequências práticas, não apenas de semântica, mas especialmente no mundo real.

Quando se diz que no Brasil há "democracia", é comum crer que nós sejamos "governantes de nós mesmos" - mas, na verdade, continua havendo soberanos de um lado, e cidadãos-súditos de outro.  O conceito de democracia é usado para ofuscar e confundir, de forma a acreditarmos que há igualdade entre todos.

Mas ainda que sejamos ofuscados por este jogo de espelhos, por que sofremos tanto nas mãos desses soberanos-governantes, uma vez que somos muitos e eles são poucos?  Por que nos encantamos com a crença de que nossos soberanos-governantes são justos e bondosos, quando temos evidências em contrário todos os dias, e em todos os lugares?  Por que permitimos tantos abusos à liberdade e propriedade se os poderes que eles possuem são somente aqueles que nós outorgamos?  Por que deixamos que nos tratem como gado?

Como nossos soberanos-governantes são muito menos numerosos que nós, resta claro que, para reconquistar nossos direitos, não é necessário pegar em armas; não é necessário fazer passeatas, e tampouco é necessário votar.  Pois em um duelo frente-a-frente de muitos contra poucos, onde os numerosos lutam pelo grande prêmio que é a liberdade, ao passo que os poucos lutam apenas pela possibilidade de escravizar o inimigo, é provável que nem sejam necessários disparos para que os numerosos sejam declarados vencedores.  Chegamos, portanto, à paradoxal conclusão de que somente não retomamos nossos direitos porque não queremos; porque apoiamos implícita ou explicitamente a tirania dos soberanos-governantes. 

O famoso filme Matrix ilustra o que quero dizer.  Em um futuro distópico, os seres humanos são escravizados por máquinas e, embora permaneçam em sono hipnótico, suprindo energia para as máquinas, são levados a crer que levam uma vida normal.  A ilusão é virtualmente perfeita - os indivíduos realmente creem que estão andando livres pelas ruas, ou comendo um delicioso bife - mas é apenas uma realidade virtual, chamada de Matrix, que as máquinas produzem por estímulos nos cérebros dos seres humanos.  As máquinas, que foram criadas para servir, se voltaram contra os seres humanos e os escravizaram.

No filme, alguns indivíduos - aqueles que tomam a pílula vermelha - conseguem ver a realidade como ela é: que a Matrix é de fato uma prisão, fruto de uma ilusão bem planejada, e que seus corpos estão em cativeiro sem que se dêem conta.  Ainda assim, mesmo aqueles que tomaram a pílula vermelha não escapam das amarras da realidade virtual.  Alguns não querem refletir sobre o que se passa; outros sabem que vivem uma ilusão, e racionalizam sua situação - julgam que é difícil mudar as coisas, que sempre foi assim, e preferem viver no conforto da escravidão.

Mas, como disse antes, não é necessário tirar nada dos tiranos - é apenas necessário deixar de dar a eles o que é seu!  No filme, isso é equivalente a querer acordar de seu sono hipnótico, romper os fios elétricos que alimentam o cérebro com a Matrix, e sair caminhando, livre.

Fora das telas de Hollywood, é mais simples do que se imagina acabar com a servidão.  Basta ter a consciência de que ninguém pode mandar em sua vida, sob desculpa ou argumento algum, sem seu consentimento; com ou sem jogo de espelhos.  Basta reconhecer que ninguém sabe melhor que você o que é melhor para você próprio.  Basta reconhecer que não há autoridade alguma acima de você - que você não tem nenhum dono, e que, portanto, não deve pagar tributos para obter sua tranquilidade ou liberdade.  E quando houver esse reconhecimento, você dirá a si mesmo: eu sou soberano!

Em Matrix, esse momento de soberania se dá em uma cena, na realidade virtual, na qual inúmeras armas são disparadas contra Neo.  Ele olha para as armas e percebe que a violência explicitada não tem eficácia sem seu consentimento - as balas se dissolvem em zeros e uns.  Neo segura no ar uma das balas virtuais e todo o aparato do inimigo tomba impotente. 

A tirania cessa quando deixamos de apoiar voluntariamente nossa própria servidão.

Gostaria de encerrar dizendo que não é necessário mudar o mundo ou criar um país de soberanos individuais.  O que importa - e o que se pode fazer agora - é: viver como soberano, estando próximo daqueles que o respeitam como tal, e se afastando dos manipuladores e daqueles que querem parasitar na sua energia, talento e virtudes.  Portanto, a liberdade pode em grande medida ser alcançada em nossas vidas, ainda que não consigamos extinguir a servidão estatal.  Se você se mostrar soberano em seus relacionamentos pessoais, estará contribuindo para sua própria felicidade e também para a transmissão adiante do conceito de soberania individual.   Essa cadeia do bem, estou seguro, abolirá a cadeia do mal.

Obrigado!


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SOBRE O AUTOR

Helio Beltrão
é o presidente do Instituto Mises Brasil.


O estado matou a liberdade dos açougues em prol dos empresários corporativistas

Há dez anos havia uma predominância muito maior de açougues de bairro. Eram comércios na maioria das vezes confiáveis e a procedência das carnes normalmente não era tão duvidosa quanto a vendida no supermercado.

Geralmente os donos desses açougues eram pais de família que manipulavam a carne com certo rigor, contratavam gente da vizinhança pra dar aquela força no comércio, faziam o bom e velho fiado pra quem não podia pagar na hora, enfim, era um tempo onde havia maior proximidade entre os produtos de consumo e o consumidor.

Mas eis que apareceu o governo e suas "bondades". E aí o açougueiro foi para o abismo com uma série de taxações, regulações, decretos, portarias, leis inúteis, legislações pesadas e tudo o mais necessário para acabar com um negócio promissor e confiável sob a desculpa de proteger os clientes daquele "malvadão" que – absurdo! – quer trabalhar e lucrar com o comércio de carnes.

E são tantas regras "protecionistas" que, sabendo da impossibilidade dos donos em cumpri-las de forma plena, os fiscais do governo se aproveitam da situação para caçar "irregularidades" como "a cor da parede", pedindo aquele salário mínimo para assinar o alvará de funcionamento.

Enquanto isso, o estado isentou as grandes empresas de impostos e multas sempre que possível, bem como das regras sanitárias que o açougueiro da esquina tem que cumprir. Enquanto o dono do açougue do bairro era impedido de obter uma mísera linha de crédito para investir em seu negócio, o governo fornecia uma gorda verba para as grandes empresas por meio do BNDES.

E veio o período maquiavélico de "aos amigos os favores, aos inimigos a lei", onde não há nada que impeça as grandes empresas. As dívidas caíam de 1 bilhão para 320 milhões, a "fiscalização" sanitária se tornou aliada e o Ministério da Agricultura passou a conceder seus selos livremente para os amigos do governo. Claro que isso teve um custo, pago com aquela verba pra campanha eleitoral para "resolver" tudo.

E o resultado não poderia ser diferente: nos baseando na confiança em um selo estatal e no sorriso técnico do Tony Ramos afirmando que "carne confiável tem nome!".

O corporativismo, ou seja, a aliança entre estado e grandes empresários, nos trouxe resultados deploráveis. Mas o malvado continua sendo o seu José da esquina, aquele que queria vender suas carnes e terminou fechando por excesso de burocracia estatal. Enquanto isso, os corporativistas da JBS, BRF e companhia cairão no esquecimento em breve.

O corporativismo brasileiro é um desastre sem fim.
Prezado Paulo, você reclama que teve emprego e salário, mas não ganhava tanto quanto os funcionários mais antigos e experientes. Você foi contratado a um salário menor e achou isso injusto. Queria já chegar ganhando o mesmo tanto que funcionários melhores e mais experientes, que já estavam lá há anos. É isso mesmo?

Não posso acreditar.

Outra coisa: você teve salário e emprego (e ainda teve plano de saúde!) graças à possibilidade de terceirização. E se fosse proibida a contratação de terceirizados? Será que você teria tido esse emprego e esse salário? Será que você sequer teria tido essa chance?

Desculpe, mas parece que você está cuspindo no prato que comeu. Você teve emprego e renda (e plano de saúde!) graças a uma liberdade de contrato, e agora vem dizer que essa liberdade foi ruim para você? Bom mesmo seria se o mercado de trabalho fosse restrito. Aí sim você já seria contratado como presidente...

É interessante como você parte do princípio de que o mundo não só lhe deve emprego e renda (e plano de saúde!), como ainda lhe deve um emprego extremamente bem-remunerado imediatamente após a contratação (você já quer entrar ganhando o mesmo tanto que os funcionários mais antigos e experientes).

De fato, ainda estamos deitados em berço esplêndido. Aqui todo mundo só quer saber de direitos.


P.S.: ainda no aguardo de você responder à pergunta do Leandro (a que aparentemente te deixou assim tão zangado): a terceirização nada mais é do que permitir que uma pessoa tenha maior liberdade para contratar outra pessoa para fazer um trabalho. Só isso. Qual exatamente seria um argumento racional e respeitável contra esse acordo voluntário e livremente firmado entre duas partes?
Esse comentário não faz o menor sentido. Vc usa a linguagem jurídica e estatal para condenar pessoas, mas sem nenhum processo. Ter um cargo publico não pode ser crime no regime atual. Se vc se revelasse seria claramente processado por calunia e difamação. Pois não crime sem lei que o prescreva. Que é isso? Os libertários querem se unir aos marxistas para ditar regras de moral ao mundo. A existência de um aparato que extorque e atrapalha o desenvolvimento da população, pode ser imoral mas não pode ser considerado crime no sistema atual. Tente convocar uma assembleia constituinte libertaria e acabe com o sistema atual e talvez no seupais seja crime. Como podemos responder por crimes, contra uma legislação ideológica que ignoramos, que não aprendemos nem em casa e nem na mídia. Embora os recursos da receita federal sejam usados de ma fé, isso não faz da sua existência um crime. Antes de tudo existe um regulamento, produzido pelo consentimento da sociedade que prevê a existência daquele órgão. Pelo seu ponto de vista todas as pessoas são criminosas porque o estado não tributa tudo, mas regulamenta tudo. Então para ser um libertário coerente eu teria que cancelar meu CPF, abrir mão de todo beneficio estatal que veio parar nas minhas mão, mesmo sem que eu ferisse ninguém, renunciar minha cidadania brasileira, o que mais. Resumindo ter pessoas que respeitem os direitos civis e as liberdades individuais dentro do estado, é bem melhor do que ficar se gabando e massageando o próprio ego dizendo pra todo mundo, olha só nós estamos certo, todos vocês são ladroes, sem fazer nada pela liberdade.
Se há custos trabalhistas artificialmente altos e estes puderem ser reduzidos, então eles serão reduzidos.

Se uma empresa opera com custos trabalhistas artificialmente altos -- por imposição do governo -- e estes custos podem ser reduzidos -- porque há outros trabalhadores dispostos a fazer mais por menos --, então eles serão reduzidos.

Se a empresa não fizer isso, então ela estará -- por definição -- operando de forma ineficiente. Ele não durará muito. Com efeito, essa empresa só irá durar se operar com uma reserva de mercado garantida pelo governo. Aí sim. Excetuando-se isso, ela estará queimando capital e comprometendo sua capacidade de investimento e expansão no futuro. Será rapidamente abarcada pela concorrência.

No mais, é interessante notar que as pessoas querem livre concorrência para tudo e todos, menos para elas próprias. Todos nós queremos competição entre empresas para que haja produtos melhores e preços menores, mas não queremos competição para o nosso emprego. Quando a concorrência chega até nós, queremos que políticos criem leis que garantam nossa estabilidade. Agora, querem até proibir empresas de contratar outras pessoas que não nós mesmos. Há totalitarismo maior do que esse?

Vale ressaltar o óbvio: essa lei da terceirização nada mais é do que uma permissão para que uma pessoa tenha maior liberdade para contratar outra pessoa para fazer um trabalho. Só isso. Qual exatamente -- por favor, me digam -- seria um argumento racional e respeitável contra esse acordo voluntário e livremente firmado entre duas partes?
Ei, Marcelo Siva, quer falar de escravidão? Vamos lá (aliás, é hora de você começar a responder perguntas, como todos fizeram com as suas):

Quem é que adota políticas -- como déficits orçamentários e expansão do crédito via bancos estatais -- que destroem o poder de compra do dinheiro, perpetuando a pobreza dos mais pobres?

Quem é que, além de destruir o poder de compra do dinheiro -- gerando inflação de preços -- ainda impõe tarifas protecionistas para proteger o grande baronato industrial, com isso impedindo duplamente que os mais pobres possam adquirir produtos baratos do exterior?

Quem é que, ao estimular a expansão do crédito imobiliário via bancos estatais, encarece artificialmente os preços das moradias e joga os pobres para barracões, favelas e outras áreas com poucas expectativas de vida?

Quem é que impede que os moradores de favelas obtenham títulos de propriedade, os quais poderiam ser utilizados como garantia para a obtenção de crédito, com o qual poderiam abrir pequenas empresas, fornecer empregos e, de forma geral, se integrar ao sistema produtivo?

Quem é que tributa absolutamente tudo o que é vendido na economia, e com isso abocanha grande parte da renda dos pobres?

Quem é que, por meio de agências reguladoras, carteliza o mercado interno, protege grandes empresários contra a concorrência externa e, com isso, impede que haja preços baixos e produtos de qualidade no mercado, prejudicando principalmente os mais pobres?

Quem é que cria encargos sociais e trabalhistas que encarecem artificialmente e mão-de-obra e, com isso, gera desemprego, estimula a informalidade e impede que os salários sejam maiores?

Quem é que confisca uma fatia do salário do trabalhador apenas para que, no futuro, quando este trabalhador estiver em situação ruim, ele receba essa fatia que lhe foi roubada de volta (e totalmente desvalorizada pela inflação)?

No aguardo das suas respostas.

www.mises.org.br/Article.aspx?id=2383

ARTIGOS - ÚLTIMOS 7 DIAS

  • JR  14/04/2010 12:10
    Se toda criação intelectual libertária voltada aos leigos tivesse a mesma paixão desse discurso, com certeza atingiria muito mais gente.
  • JR  14/04/2010 12:30
    atingiriam*
  • Marcelo Boz  14/04/2010 13:03
    Deixar de pagar impostos seria o fim do Estado.\r
    Pelo que li de Mises, ele não defendia o fim do Estado como queria Murray Rothbard.\r
    Acho Mises mais pé no chão, não era visionário como o americano; sabia que uma nação precisa de um Estado Nacional para proteger seu território e suas propriedades.\r
    Se qualquer nação no mundo tivesse seu Estado Nacional dissolvido, aconteceria o que aconteceu com os Curdos; se tornaram párias nas terras em que moram, que passaram a pertencer a Estados de outras nações, no final das contas.\r
    Uma nação livre, precisa de um Estado Nacional. Não há paradoxo nenhum nisso.
  • Helio Beltrão  14/04/2010 13:04
    Obrigado, JR. Concordo com você. Apenas quero lembrar que o IMB não tem esta função crucial de disseminar conteúdo libertário, como este acima. Na ocasião do Prêmio Libertas, o discurso foi pessoal, e não acho provável que publiquemos outros materiais como esse, exceto em circunstâncias extraordinárias.\r
    \r
    Espero que as outras entidades que melhor se prestam a disseminar o ideal libertário façam mais uso da emoção, como você sugere.
  • Marcelo Assis  14/04/2010 13:24
    Caro Helio,\r
    \r
    Gostei muito de ler o teu discurso. Adorei a tua sinceridade e a tua franqueza.\r
    Parabéns!\r
    \r
    (Só peço que pares de apoiar o comunista/nazista Maílson de Nobrega...)\r
    \r
    Abraços!!!
  • Erick Vasconcelos  14/04/2010 13:46
    Parabéns pelo prêmio e pelo discurso, Helio. Só gostaria de adicionar que muitas vezes as pessoas não almejam a liberdade porque, de alguma forma, pensam que podem controlar seus governantes, que eles são benevolentes, que o governo age tão simples e eficientemente como se elas estivessem movendo os braços.

    Nunca lhes ocorre que podem haver outros fatores em jogo e que, na verdade, o estado não chega nem perto de estar sujeito a alguma influência delas.
  • Albert Ling  14/04/2010 14:43
    DEMAIS o discurso!
    Temos que nos libertar da matrix :)

    valeu Hélio por todo esforço.
  • João Luiz Mauad  14/04/2010 15:03
    Caro Hélio,

    Meus parabéns pelo merecido prêmio e pelo ótimo e corajoso discurso.

    Grande abraço e sucesso!
  • Helio Beltrão  14/04/2010 15:13
    Amigos Erick, Albert e Mauad! Obrigado pelas palavras. E Erick, você tem razão. Quisera tivesse falado com você antes do discurso, e eu teria incorporado seu magistral insight.
  • Filipe Rangel Celeti  14/04/2010 16:56
    Belo discurso!

    Infelizmente tive de retornar para São Paulo na noite de segunda-feira. Espero que o Fórum da Liberdade tenha dado ótimos resultados para o IMB!

    Abraços!
  • Henrique B. Neto  14/04/2010 17:50
    Excelente discurso!!

    o Anarco-capitalismo é o sonho de todo ser humano. Falta apenas que ele acorde e perceba sua realidade. Este discurso é um despertador.

    Parabéns pelo discurso e tb pelo prêmio.
  • Ubiratan Iorio  14/04/2010 19:08
    Parabéns pelo seu corajoso discurso, Helio! E parabéns também pelo merecido prêmio.
  • Felipe Sola  15/04/2010 09:24
    Parabéns pelo discurso, pelo prêmio, pelo sucesso do seminário e por estar sempre ao lado da razão.
  • Mauricio  15/04/2010 11:25
    Pessoal,

    Algumas pessoas no seminario me perguntaram sobre o debate entre o Bryan Caplan ( um ex-austriaco da George Mason University) e Peter Boettke ( um austriaco ). Abaixo seguem os links para quem se interessar.

    Abracos

    www.youtube.com/watch?v=DPm5wDjaOSk

    www.youtube.com/watch?v=eQxtEfOlaEc

    www.youtube.com/watch?v=D2oGMP1w3mU

    www.youtube.com/watch?v=lzTlzsyg9TM

    www.youtube.com/watch?v=gH0psheNBvA

    www.youtube.com/watch?v=QVSVOEnofZ8

    www.youtube.com/watch?v=XG5D5OvNtkY

    www.youtube.com/watch?v=f6fruWDp660

    www.youtube.com/watch?v=eVvr3BDKq-I

    www.youtube.com/watch?v=uluzACocbX0

    www.youtube.com/watch?v=C5qUm-zNyCU

    www.youtube.com/watch?v=MRQ6gw0B5so

    www.youtube.com/watch?v=kvyo-TJ5Kr4

  • Filipe Ferraz  15/04/2010 13:21
    Mudando um pouco o assunto... estava lendo sobre "libertarianismo" no wikipedia e me defrontei com o seguinte texto:\r
    \r
    "Entre 1973 e 1989, um time econômico governamental treinado na universidade de Chicago desmantelou e descentralizou o estado Chileno o máximo possível (o chamado milagre do Chile). O programa incluiu a privatização de programas de bem estar social (previdência e saúde), desregulamentação do mercado, liberação do comércio, anulação de uniões de comércio, e reescritura da constituição e leis ... a economia chilena se tornou mais instável que qualquer outra na América Latina ... o crescimento durante este período de 16 anos foi um dos menores da região. Ainda pior, a desigualdade econômica se tornou severa. A maioria dos trabalhadores ganharam menos em 1898 do que em 1973 (após o ajuste de inflação), enquanto a renda dos ricos cresceu exponencialmente. Sem regulamentações de mercado, o Chile também se tornou um dos países mais poluídos da América Latina. A falta de democracia no Chile apenas foi possível devido a pressão sobre oposições políticas e uniões de trabalhadores em um período de epidemia de abusos de direitos humanos."\r
    \r
    \r
    Isso aconteceu? Não lembro de ter visto isso em lugar algum. \r
    \r
    Abraços e ótimo discurso.\r
  • Leandro  15/04/2010 14:02
    Se isso realmente está escrito lá, então houve uma hackeada violenta. A única informação verídica em todo esse texto é que houve "abusos de direitos humanos". Todo o resto não se aplica.
  • Carlos   16/04/2010 00:11
    Parabéns Hélio. Prêmio mais do que merecido.
  • Jonas Fagá Jr.  16/04/2010 23:29
    Grande Hélio,

    Parabéns pelo discurso corajoso, e pelo merecido prêmio.

    O Brasil precisa de mais pessoas como você.

    Um forte abraço em nome de todos da equipe do Clube de Vienna.

    SUCESSO!!!
  • Raduán Melo  18/04/2010 14:50
    parabéns helio. \r
    \r
    Podemos, hoje, sermos poucos, mas defendemos o bem maior - a liberdade, e vamos obter exito!
  • Cesar Ramos  18/04/2010 15:55
    Um prêmio à liberdade saúda a vida de todos. Agradeço ao Sr. Hélio pelo merecido galardão que faz jus.
  • Helio  20/04/2010 21:37
    Muito obrigado Carlos, Jonas, Raduán e Cesar!\r
    \r
  • Daniel  21/04/2010 11:18
    Caro, Marcelo Boz,

    Primeiro: Irlanda. Mil anos. Mercenários.

    Segundo: Hoje em dia há vários mitos extremamente destrutivos que permeiam a sociedade. Dois deles em particular estão presentes no seu comentário.

    O primeiro é que a anarquia é uma espécie de caos, o que não é verdade. A ausência de um monopólio coercivo não quer dizer que não haja governância, mas que não haja associações coercivas e abusivas. Albert Jay Nock, faz a distinção com o uso da palavra estado para descrever o monopólio coercivo e a palavra governo para descrever o conjunto de arranjos voluntários que surgem para formar ordem espontâneamente[1]. O economista Peter Leeson faz a mesma distinção, escrevendo sobre piratas (que possuiam um sistema democrático constituicional), utilizando as palavras governo e governância[2]. Uma adição importante é de Butler Shaffer, que escreve que o problema surge quando as organizações que são criadas para servir o homem se tornam "instituições". A diferença é que a primeira é criada para servir ao homem, é um meio para ordem, o segundo é um fim em si mesmo[3]. Isto é tão evidente que pode facilmente ser observado na crença de que "direitos" emanam do governo, e não do indivíduo, ou até mesmo grupo de indivíduos que compoem a sociedade.

    O segundo é que, na ausência de um monopólio coercivo, é um imperativo moral instituir um. Um exemplo moderno disto é a Somalia. Quando havia um governo, só serviu para uma das muitas etnias se alavancar e subjugar as outras. Por isso, nos anos 90 o governo da Somalia foi abolido, e após este evento, houve aumento da qualidade de vida na Somalia[4]. Hoje a ONU ativamente tenta reinstituir um governo a qualquer custo, não só ignorando o passado sangrento que foi o governo, como também ignorando as atrocidades que vão ter que impor sobre um povo que simplesmente não quer o que a ONU está ofercendo.


    [1] mises.org/daily/2412
    [2] www.econtalk.org/archives/2009/05/leeson_on_pirat.html
    [3] www.lewrockwell.com/shaffer/shaffer214.html
    [4] www.peterleeson.com/Better_Off_Stateless.pdf


    Hélio, belo discurso
  • Emerson Luis, um Psicologo  21/05/2014 12:41

    Como as pessoas de todas as épocas, consideramos normais as circunstâncias com as quais nos habituamos desde que nascemos e absurdo o que existia antes.

    * * *
  • luiz lobo filho  14/06/2014 16:36
    Não se trata de Teoria da Conspiração... de fato, é uma conspiração que fazem com cada indivíduo, no mundo todo, para que a minoria goze da liberdade plena; e que que nos sobra, a liberdade virtual. Buscamos liberdade a vida toda e morremos escravos!
  • Renato G. Boaventura  14/06/2014 17:01
    Aguardando a privatização do ar, da chuva, dos raios e trovões...
    Aguardando a privatização da luz do sol pelos anarco/esquizofrênicos capitalistas, rsrsr.

    PS gosto do capitalismo e da sua liberdade de ser competente ou não. Mas não sou esquizofrênico como os ancaps... Beira a loucura algumas coisas que são escritas nesse Blog (criados a leite com pêra,associados a clubes como o Paulistano extremamente egoístas e, claro, desconhecem a realidade de alguns que realmente precisam de auxílio)
  • Claudio  14/06/2014 21:01
    O liberalismo é interessante, ja li várias coisas sobre esse assunto, mas será que funcionaria em países como o Canadá? Que eu saiba lá é bastante estatista, mas os impostos são retornados para a população e bem aplicados, fora a liberdade sexual e religiosa.


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