O Mito do NAFTA

N. do T.: o texto a seguir é de outubro de 1993. Nele, Rothbard explica por que é falacioso dizer que o NAFTA — assim como a ALCA — é um acordo de "livre comércio", e por que esses tratados são simplesmente a etapa inicial da criação de uma super-burocracia supranacional, onde os países perdem toda a sua soberania para um órgão estrangeiro. Isso é exatamente o que ocorreu com os países da união européia, e que pode vir a ocorrer nas Américas, especialmente com a introdução do "Amero", que é o nome de uma moeda comum — estilo Euro — a ser utilizada entre o Canadá, os EUA e o México, em substituição ao dólar. Libertários americanos têm dito que a atual desvalorização do dólar é intencional, apenas para acelerar sua substituição pelo Amero.

 

Os americanos — ou pelo menos o establishment americano — parecem ser o povo mais ingênuo da terra. Quando Gorbachev tentou vender suas reformas como sendo "socialismo de mercado", apenas o establishment americano aplaudiu. A população soviética imediatamente percebeu o embuste e nem se animou. Quando Oskar Lange, o polonês stalinista, propagandeou seu "socialismo de mercado" para a Polônia, somente os economistas americanos teceram loas. O povo polonês já conhecia a partitura muito bem.

Parece que, para convencer algumas pessoas de que uma coisa tem uma natureza que verdadeiramente representa a "livre iniciativa", tudo o que você precisa fazer é rotular essa coisa de "mercado". Assim, temos que agüentar uma desova de expressões grotescas como "socialistas de mercado" ou "esquerdistas de mercado". A palavra "livre", obviamente, também seduz, e assim, uma outra maneira de ganhar aderentes em uma época em que se exalta a retórica em relação à substância é simplesmente dizer que suas propostas representam um "livre mercado" ou "livre comércio". Frequentemente, rótulos são suficientes para enganar trouxas.

Dessa forma, entre os defensores do livre comércio, o rótulo "North American Free Trade Agreement — Acordo Norte-Americano de Livre Comércio" (NAFTA) supostamente deve trazer uma aceitação inquestionável. "Mas como você pode ser contra o livre comércio?" É muito fácil. Os indivíduos que criaram o NAFTA e ousam chamá-lo de "livre comércio" são os mesmos que dizem que os gastos do governo são "investimentos", que impostos são "contribuições", e que aumento de impostos é "redução do déficit". E não nos esqueçamos que os comunistas também consideravam que seu sistema era "livre".

Em primeiro lugar, um genuíno livre comércio não requer um tratado (ou o seu primo deformado, "acordo comercial"; o NAFTA é chamado de acordo comercial porque assim pode-se evitar o requerimento constitucional que requer a aprovação de dois terços do Senado). Se o establishment verdadeiramente quer um livre comércio, tudo o que ele tem que fazer é repelir nossas inúmeras tarifas, cotas de importação, leis anti-"dumping", e outras restrições impostas ao comércio. Não é necessária nenhuma política externa ou manobra conjunta.

Se um autêntico livre comércio algum dia surgir no horizonte político, haverá uma maneira infalível de saber disso. Todo o complexo que envolve o governo, a mídia e as grandes corporações irá se opor a ele com unhas e dentes. Iremos ver uma avalanche de artigos nos jornais "alertando" sobre um retorno iminente ao século XIX. Os palpiteiros da mídia e os acadêmicos irão reviver todos os boatos de sempre contra o livre mercado, dizendo que ele é explorador e anárquico se não tiver uma "coordenação" do governo. O establishment iria reagir a essa criação de um verdadeiro livre comércio com o mesmo entusiasmo que reagiria à abolição do imposto de renda.

Na verdade, toda a proclamação de "livre comércio" feita pelo establishment desde a Segunda Guerra promove o oposto do que seria uma genuína liberdade de trocas. Os objetivos e táticas do establishment têm sido consistentemente aqueles que caracterizam o inimigo tradicional do livre comércio, o "mercantilismo" — o sistema imposto pelas nações-estado da Europa, dos séculos XVI ao XVIII. A infame viagem do presidente George H. W. Bush ao Japão foi apenas um estágio: a política comercial como um sistema contínuo de manobras para tentar forçar outros países a comprar mais exportações americanas.

Enquanto os genuínos defensores do livre comércio vêem o livre mercado e o comércio, doméstico ou internacional, do ponto de vista do consumidor (isto é, de todos nós), o mercantilista, seja do século XVI ou de hoje, vê o comércio do ponto de vista das elites no poder, das grandes corporações em aliança com o governo. Genuínos defensores do livre comércio consideram as exportações um meio de pagar as importações, da mesma maneira que bens em geral são produzidos para serem vendidos aos consumidores. Já os mercantilistas querem privilegiar a elite, que é composta da aliança entre o governo e as corporações, em detrimento de todos os consumidores, sejam eles domésticos ou estrangeiros.

Nas negociações com o Japão, por exemplo, sejam elas conduzidas por Reagan, Bush ou Clinton, o objetivo é forçar esse país a comprar mais produtos americanos, em troca dos quais o governo americano irá graciosamente, se não relutantemente, permitir que os japoneses vendam seus produtos para os consumidores americanos. As importações são, nesse caso, o preço que o governo americano paga para que outras nações aceitem nossas exportações.

Outro aspecto crucial da política comercial do establishment, após a Segunda Guerra, é o de dar subsídios pesados às exportações, tudo em nome do "livre comércio". Um dos métodos favoritos de subsídio tem sido o adorado sistema de ajudas ao exterior, as quais, sob o pretexto de "reconstruir a Europa", "frear o comunismo", ou "expandir a democracia", representam uma verdadeira extorsão dos contribuintes americanos, que são forçados a subsidiar as empresas e indústrias de exportação, bem como governos estrangeiros que concordam com esse sistema. Dólares são mandados para esses países para que eles possam utilizá-los para comprar produtos americanos. O NAFTA representa uma continuação desse sistema, pois obriga o governo dos EUA e os contribuintes americanos a participar desse esquema.

Entretanto, o NAFTA é mais do que um acordo comercial dirigido pelas grandes corporações. Ele é parte de uma longa campanha para integrar e cartelizar os governos com o intuito de fomentar uma economia intervencionista. Na Europa, a campanha culminou no Tratado de Maastricht, a tentativa de impor uma moeda única e um banco central único na Europa e forçar suas economias relativamente livres a aumentar suas regulamentações e seus assistencialismos.

Nos EUA, isso se transfigurou na retirada das autoridades legislativas e judiciais dos estados e municípios, sendo as mesmas transferidas para o poder executivo do governo federal. As negociações do NAFTA têm inovado ao centralizar o poder governamental para todo o continente, diminuindo ainda mais a capacidade dos contribuintes oporem alguma resistência às ações dos seus governantes.

Assim, o canto da sereia que os defensores do NAFTA utilizam é a mesma melodia sedutora que os Eurocratas socialistas usaram para tentar fazer os europeus se renderem ao estatismo gigantesco da Comunidade Européia: não seria maravilhoso fazer com que a América do Norte fosse uma vasta e poderosa "unidade de livre comércio" como a Europa? A realidade é bem diferente: intervenção socialista e planejamentos feitos por uma Comissão supra-nacional do NAFTA ou por burocratas de Bruxelas que não precisam prestar contas a ninguém.

E da mesma forma que Bruxelas obrigou países europeus que tinham baixa carga tributária a aumentar seus impostos para os mesmos níveis da união européia, ou que expandissem seus assistencialismos para haver uma maior "eqüidade", para "igualar o jogo", e para "harmonizar para cima", a Comissão do NAFTA também terá o poder de fazer uma "harmonização para cima", sem precisar ter qualquer consideração pelas leis — sejam elas trabalhistas ou outras — dos governos estaduais americanos.

Mickey Kantor, representante da política comercial do presidente Clinton, manifestou alegremente que, sob o NAFTA, "nenhum país membro do acordo poderá jamais baixar seus padrões ambientais". Assim, sob o NAFTA, não poderemos jamais repelir quaisquer cláusulas de cunho socialista, sejam elas ambientalistas ou trabalhistas, simplesmente porque o tratado nos obriga a aceitá-las — para sempre.

No mundo atual, como regra geral, é melhor se opor a todos os tratados, uma vez que não aprovamos a Bricker — a grande Emenda Constitucional que poderia ter sido aprovada pelo Congresso nos anos 1950, mas foi derrubada pela administração Eisenhower. Infelizmente, sob a Constituição, qualquer tratado é considerado "lei suprema da nação", e a Emenda Bricker iria impedir que qualquer tratado sobrepujasse qualquer direito constitucional já existente. Mas se temos que ficar atentos a qualquer tratado, temos que ser particularmente hostis a um tratado que ergue estruturas supra-nacionais, como o NAFTA.

Os piores aspectos do NAFTA são os acordos laterais feitos por Clinton, que converteram um infeliz tratado feito por Bush em um estatismo internacional que é um verdadeiro show de horrores. Devemos agradecer aos acordos laterais pela criação das Comissões supra-nacionais e suas vindouras "harmonizações para cima". Um acordo lateral também dá aquela aparência de ajuda externa que serve para disfarçar o embuste que é o "livre comércio" defendido pelo establishment. Exemplo: esses acordos permitem, por exemplo, que os EUA despejem estimados $20 bilhões no México para uma "limpeza ambiental" ao longo da fronteira. Óbvio que a intenção é fazer com que esse dinheiro seja utilizado para a importação de produtos americanos. Além disso, os EUA também concordaram informalmente em despejar bilhões nos cofres do governo mexicano, através do Banco Mundial, quando e se o Nafta for assinado[*].

Assim como ocorre para qualquer política que beneficia o governo e seus grupos de interesse, todo o establishment saiu em defesa dos esforços para se implementar o NAFTA. Seus aliados intelectuais até criaram redes de contatos para defender a centralização governamental. Mesmo se o NAFTA fosse um tratado estimável, só essa efusão de esforços por parte do governo e de seus aliados já levantaria suspeitas.

O público está corretamente desconfiado de que esses esforços estejam relacionados à vasta quantia de dinheiro que o governo mexicano e seus grupos de interesse estão gastando para fazer lobby pelo NAFTA. Esse dinheiro é, por assim dizer, o pagamento de entrada para os $20 bilhões que os mexicanos esperam extorquir dos contribuintes americanos quando o NAFTA for aprovado.

Defensores do NAFTA dizem que os americanos devem se sacrificar para "salvar" o presidente mexicano Carlos Salinas e suas supostamente maravilhosas políticas de "livre mercado". Mas certamente os americanos já estão realmente cansados de ficar fazendo "sacrifícios" eternos, de ficar cortando a própria garganta em prol de objetivos externos obscuros que parecem nunca beneficiá-los. Se o NAFTA morrer, Salinas e seu partido poderão cair. E isso significa que o depravado regime monopartidário do México, comandado pelo PRI (Partido Revolucionário Institucional), pode finalmente chegar ao fim, após muitas décadas de pura corrupção. O que há de errado com isso? Por que deveria tal destino fazer com que nossos defensores da "democracia global" tremessem?

MakingEconomicSense.gifNós deveríamos olhar para a suposta nobreza de Carlos Salinas da mesma maneira que olhamos para outros heróis sucedâneos jogados sobre nós pelo establishment. Quantos americanos sabem, por exemplo, que de acordo com o Anexo 602.3 do tratado do NAFTA, o governo de Salinas, que dizem ser "pró-livre mercado", "reserva para si próprio" toda a exploração e uso, todo investimento e fornecimento, todo o comércio, transporte e distribuição de petróleo e gás natural? Todos os investimentos privados em petróleo e gás no México, assim como toda a operação dos mesmos, devem, em outras palavras, ser proibidos. É esse o governo pelo qual os americanos devem se sacrificar para preservar?

A maioria dos conservadores ingleses e alemães está totalmente a par dos perigos da Eurocracia de Bruxelas-Maastricht. Eles sabem que quando as pessoas e instituições cuja existência é dedicada a promover o estatismo repentinamente saem em defesa da liberdade, algo está errado. Os conservadores americanos e os defensores do livre mercado deveriam também estar a par dos perigos equivalentes do NAFTA.

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[*] Como de fato aconteceu em 1994. [N. do T.]


Para mais sobre o assunto, leia Livre Comércio versus Acordos de Livre Comércio

 

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SOBRE O AUTOR

Murray N. Rothbard
(1926-1995) foi um decano da Escola Austríaca e o fundador do moderno libertarianismo. Também foi o vice-presidente acadêmico do Ludwig von Mises Institute e do Center for Libertarian Studies.



"Por exemplo, o relativo à questão estrutural, que devido ao orçamento praticamente ser engessado pelos gastos com servidores, aposentados e pensionistas, tem-se muita dificuldade em fazer qualquer redução ou enxugamento da máquina estatal."

Na verdade, isso foi abordado no artigo.

O fato é: durante a expansão do crédito, quando a quantidade de dinheiro na economia aumentava continuamente, a arrecadação dos governos estaduais não parava de subir. Consequentemente, os governadores não paravam de criar novos gastos. Era uma farra que foi vista como perpétua.

Agora que o crédito secou, a oferta monetária estancou e a economia degringolou (com o fechamento de várias empresas), o aumento previsto das receitas não ocorreu. Na verdade, pelos motivos explicados no artigo, as receitas estão caindo. Mas os gastos contratados continuaram subindo.

Gastos em ascensão e receitas caindo -- é claro que a conta não vai fechar.

O RJ teve o problema adicional da lambança feita na Petrobras, o que reduziu bastante as receitas do estado com a extração de petróleo. Mas, mesmo que a Petrobras estivesse supimpa, a situação do estado continuaria calamitosa. Um pouquinho melhor do que é hoje, mas calamitosa.

Lição: é impossível brigar contra as leis da economia.

"a partir de 2009, os estados puderam voltar a se endividar. [...] Aí os estados passaram a se financiar, ou a financiar seus investimentos, através de endividamento e não de a partir de suas receitas. E mais com o dado de que o ex-ministro da Fazenda, Guido Mantega, assinou (uma a uma) autorizações de crédito pra estados e municípios que tinham classificação de crédito C e D."

Como você corretamente colocou, os estados eram avalizados pelo governo federal. Eles só podiam pedir emprestado se o governo federal fosse o fiador do empréstimo.

Vale ressaltar que esses empréstimos aos estados são efetuados pelos bancos estatais (com a garantia do governo federal). E esse foi exatamente o tema do artigo.

Esses empréstimos dos bancos estatais direcionados aos governos estaduais também permitiram que eles inchassem suas folhas de pagamento, mas sem qualquer garantia de que as receitas futuras continuariam cobrindo esse aumento de gastos.

Como a realidade se encarregou de mostrar, isso não ocorreu.

No final, tudo passa pelos bancos estatais e sua expansão do crédito de acordo com critérios políticos.

Obrigado pelas palavras e grande abraço!
Posso me meter nessa contenda.

Roberto, analisei o nexo temporal de necessidade x invenção dos medicamentos e diria que sim, Thiago está correto.

E pensando sobre isso, a necessidade antes da criação engloba tudo aquilo que escapa a ação humana e interfere em nossas vidas, como doenças, mudanças climáticas e a gênese química e biológica. Porém o cerne da Lei de Say não é o apriorismo da criação como antecedente da necessidade, mas sim de como o mercado valora a criação, e se por essa valoração intrínseca ela se perpetua ou não através do tempo. Mas vamos voltar ao exemplo do Thiago.

Por exemplo, se analisarmos técnicas de irrigação em uma biosfera árida, e existem centenas delas. A partir daqui conseguimos estabelecer o cenário de solo árido (criado por... enfim eu acredito em Deus, mas quem quiser acredite no ocaso), a necessidade subjetiva de irrigação para agricultura, e a ação humana, que irá mover recursos escassos para ali produzir, calculando custos e impondo preços, e em contrapartida novamente a ação humana, que irá verificar se esses custos são viáveis, comprando ou não os frutos daquela terra.

Com isso conseguimos estabelecer um nexo causal entre a necessidade primeira e a criação posterior, onde o agente primário criador daquele cenário árido não está entre nós. Não sabemos o por quê de ser árido. O criador desse quadro não o vendeu para nós, logo esse agente não busca o mesmo resultado que nós - o lucro. Só nós, o solo e a oportunidade subjetiva de aproveita-lo para produzir e prosperar.

O mesmo paralelo podemos estabelecer entre a doença e a medicina, onde nós somos o terreno criado pelo agente oculto, e neste terreno habitam doenças causadoras de distúrbios (também criadas pelo mesmo agente).

Apriorísticamente desde quando nascemos existe a necessidade primária de solução, ou o resultado é muitas vezes a morte. A partir dessas quase infinitas necessidades, profissionais de todas as partes do mundo criam desde os primórdios da nossa espécie técnicas e substâncias para, se não possível resolver, mitigar a necessidade trazendo conforto ao doente.

Nesse emaranhado de técnicas foram se perpetuando as mais eficientes E mais econômicas, tanto ao doente quanto ao profissional. Novamente conseguimos enxergar o nexo causal, onde a ação humana só existe após a doença, e com ela cessada, a ação humana também cessa. Sendo mais lúdico, remonto as palavras do Mestre: "Os sãos não precisam de médico".

Para concluir, os homens que estão a frente de seu tempo são aqueles que não somente criam antes da necessidade, basicamente inventando-a (afinal, quem diria como um Iphone é útil sem saber que ele existe?), mas aqueles que conseguem lidar com a necessidade criada pelo agente oculto de forma mais efetiva que seus pares, em menos tempo, e de forma mais econômica.

Obrigado por quem leu até aqui.
Leandro, me referi que em um período ou em uma ''reforma'' anunciada, seria mais racional seguir essa ordem..

E mais, eu disse:

''Eu entendo que cortar as tarifas e permitir importar carro usado, iria de fato ser positivo, ao mesmo tempo aumentaria o desemprego substancialmente nessa grave recessão e pior: O desemprego iria continuar se o empreendedorismo continuasse como esta''

Ai que ta, mesmo sobrando dinheiro para as pessoas consumirem, investirem, pouparem e empreenderem, nessa recessão e nessa burocracia asfixiante o efeito não seria tão significante, imagine nesse cenário nacional onde empreender é coisa pra maluco, uma recessão tremenda, um governo intervindo mais novamente e etc, como que poupança vai surgir, consumo, empréstimo, renda....
Repito, você esta completamente correto sobre esses efeitos lindos, só que isso em um país fora de recessão e um pouquinho mais livre... Não vejo que esses feitos aconteceriam no Brasil nesse caos atual, uma economia que no ranking de liberdade economica fica junto a países socialistas....Entende?

Sera mesmo que os resultados seriam significantes?
Essa a questão sobre ''a situação atual''.

Mas você fez eu perceber um ponto que eu antes não havia pensado, muito obrigado!

''A única maneira garantida de fazer reformas é havendo uma "ameaça" concreta e imediata. No Brasil, sempre foi assim.

Por outro lado, ficar empurrando a situação com a barriga, à espera do surgimento de uma "vontade política" para fazer uma mudança que não é urgente (e não será urgente enquanto não houver livre comércio) é garantia de imobilismo.''

Ainda acho essa ameaça utópico aqui, porque:
Que político estaria disposto a abrir a economia mas continuar engessando a economia nacional? Uma contradição pura, se algum burocrata eleito tiver disposto a abrir a economia, muito provável que ele também estará disposto a facilitar o comercio nacional. Nunca vi um exemplo de um cara que chegou e falou ''temos que abrir a economia pro mundo, mas devemos criar toda dificuldade para as pessoas empreenderem''
Ele nunca daria esse tiro no pé e criar essa ameaça que você falou, até porque mesmo que fizesse, os empresários chorariam pela volta da reserva de mercado porque é caro a produção aqui e o burocrata voltaria a estaca zero...

Por outro lado você exagerou um pouco sob minha colocação:

''Essa ideia de que primeiro temos de esperar o governo ter a iniciativa de arrumar a casa para então, só então, conceder a liberdade para o indivíduo poder comprar o que ele quiser de quem ele quiser é inerentemente totalitária''

Acho que o que der pra fazer primeiro que faça, não acho que devemos esperar o governo arrumar pra então abrir.
No meu comentário eu também quis dizer que se algum presidente estivesse disposto a fazer uma reforma pró-mercado, que então fosse assim, acredito que seria mais eficiente e com menos ''choro'' assim. Você sabe, Argentina, Brasil e afins são países inviáveis, você quer fazer reforma trabalhista nego chora, reforma da previdência nego chora.... Imagine o que os empresários brasileiros não iriam fazer quando soubessem que um presidente esta disposto a destruir as reservas de mercado amanha....
Eu acho que ''politicamente'' também seria mais eficiente do jeito que eu falei...

Agora se tivermos a oportunidade de acabar com as reservas de mercado amanha, antes de qualquer outra reforma, que ACABE!. Seria uma conquista e um passo rumo a liberdade e por isso os resultados não importariam, eu questionei a significancia desses resultados no Brasil de hoje, não acredito que seria como você disse por causa do nosso desastre e dessa economia estatal. Nunca que vou ser contra esse passo, no máximo como eu falei, em uma reforma liberal geral eu iria ''adia-la por um ano''.
Principalmente olhando mais pra realidade ''Política'' e como o País e seu povo é.

''Não faz sentido combater estas monstruosidades criando novas monstruosidades. Não faz sentido tolher os consumidores ou impor tarifas de importação para compensar a existência de impostos, de burocracia e de regulamentações sobre as indústrias. Isso é querer apagar o fogo com gasolina. ''

Não tem lógica mesmo, nesse seu comentário brilhante você respondeu como se eu fosse um protecionista, o que não é o caso kkk.
Eu apenas levantei a reflexão que: Se tivesse um cara do IMB na presidência, com carta branca pra fazer o que quiser, acho que seguir a ''ordem'' que eu disse seria mais racional, politicamente mais viável (daria pra conter melhor o choro) e por ai vai...

Nesse seu trecho, você não esta me contra-argumentando e sim um protecionista que eu não presenciei..kkkk

Novamente, não defendo o protecionismo de maneira alguma, só disse que em uma reforma austríaca no Brasil, as tarifas de importação deveriam ser extintas depois de certas reformas(não demoraria, seria uma das prioridades sim).
E questionei a significancia dos efeitos sob nossa situação atual.
Se esse fosse o tema do referendo amanha, eu votaria contra?
Obvio que não, independente de qualquer coisa....

Foi isso que eu quis passar....

tudo de bom e Grande Abraço!
Sim. A sorte é que, na prática, elas não são impingidas. Há tantos requisitos que têm de ser encontrados para que tais restrições sejam impingidas que, na prática, isso não ocorre.

https://www.hoganlovells.com/~/media/hogan-lovells/pdf/publication/competition-law-in-singapore--jan-2015_pdf.pdf

Aliás, veja que interessante: o caso mais famoso em que essa medida foi aplicada foi quando a CCS (Competition Commission of Singapore) multou 10 financistas por eles terem pressionado uma empresa a retirar uma oferta do mercado.

Ou seja, o governo, uma vez que ele existe, atuou exatamente naquela que é a sua função clássica: coibir a coerção a terceiros inocentes. No caso, coibiu uma pressão que estava sendo feita a uma empresa que estava vendendo produtos (seguro de vida) mais baratos.

www.channelnewsasia.com/news/business/singapore/10-financial-advisers/2611160.html

Eu quero.
Opa, eu também tenho correlações irrefutáveis!

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Caso queira mais é só pedir!


P.S.: ah, só para você não mais ser flagrado como desinformado, os irmãos Koch financiam o Cato Institute, que é inimigo figadal do Mises Institute. Os Koch desprezam o Mises Institute e seus integrantes. E o Mises brasileiro sobrevive das doações de voluntários, como você. Faça a sua parte!

www.mises.org.br/Donate.aspx
Sim e não.

De fato, se todo o crédito fosse para consumo -- uma coisa irreal, pois o crédito para consumo é o mais caro e arriscado --, o efeito imediato seria o aumento dos preços dos bens e serviços. Muitas pessoas estariam repentinamente consumindo mais (maior demanda) sem que tivesse havido qualquer aumento na oferta.

Só que tal aumento de preços mandaria um sinal claro para empreendedores: tais setores estão vivenciando aumento da demanda; ampliem a oferta daqueles bens e serviços e lucrem com isso.

Ato contínuo, a estrutura de produção da economia será rearranjada de modo a satisfazer essa nova demanda impulsionada pelo crédito.

Mas aí, em algum momento futuro, acontecerá o inevitável: se essas pessoas estão se endividando para consumir, como elas manterão sua renda futura para continuar consumindo? A única maneira de aumentar a renda permanentemente é produzindo mais, e não se endividando mais.

Tão logo a expansão do crédito acabar, e as pessoas estiverem muito endividadas (e tendo de quitar essas dívidas), não mais haverá demanda para aqueles bens e serviços. Consequentemente, os empreendedores que decidiram investir na ampliação daqueles setores rapidamente descobrirão que estão sem demanda. Com efeito, nunca houve demanda verdadeira por seus produtos. Houve apenas demanda artificial e passageira.

É aí que começa a recessão: quando vários investimentos errados (para os quais nunca houve demanda verdadeira) são descobertos e precisam ser liquidados.

E de nada adiantará o estado tentar estimular artificialmente a demanda para dar sobrevida a esses investimentos errados. Aliás, isso só piorará a situação.

Se um empreendedor investiu em algo para o qual não havia demanda genuína, ele fez um erro de cálculo. Ele imobilizou capital em investimentos que ninguém realmente demandou. Na prática, ele destruiu capital e riqueza. Cimentos, vergalhões, tijolos, britas, areia, azulejos e vários outros recursos escassos foram imobilizados em algo inútil. A sociedade está mais pobre em decorrência desse investimento errôneo. Recursos escassos foram desperdiçados.

O governo querer estimular o consumo de algo para o qual nunca houve demanda natural irá apenas prolongar o processo de destruição de riqueza.

O que realmente deve ser feito é permitir a liquidação desse investimento errôneo. O empreendedor que errou em seu cálculo empreendedorial -- e que, no mundo real, provavelmente estará endividado e sem receita -- deve vender (a um preço de desconto, obviamente) todo o seu projeto para outro empreendedor que esteja mais em linha com as demandas dos consumidores.

Este outro empreendedor -- que está voluntariamente comprando esse projeto -- terá de dar a ele um direcionamento mais em linha com os reais desejos dos consumidores.


Traduzindo tudo: a recessão nada mais é do que um processo em que investimentos errôneos -- feitos em massa por causa da manipulação dos juros feita pelo Banco Central -- são revelados e, consequentemente, rearranjados e direcionados para fins mais de acordo com os reais desejos dos consumidores.

A economia entra em recessão exatamente porque os fatores de produção foram mal direcionados e os investimentos foram errados.

Nesse cenário, expandir o crédito e tentar criar demanda para esses investimentos errôneos irá apenas prolongar esse cenário de desarranjo, destruindo capital e tornando a recessão (correção da economia) ainda mais profunda no futuro. E com o agravante de que os consumidores e empresários estarão agora bem mais endividados, em um cenário de inflação em alta -- por causa da expansão do crédito -- e sem perspectiva de renda.

ARTIGOS - ÚLTIMOS 7 DIAS

  • Amarilio Adolfo da Silva de Souza  23/06/2013 00:12
    O povo poderia reverter a situação não fosse tão corrupto também.
  • Emerson Luis, um Psicologo  27/08/2013 17:56
    Enquanto isso, no MERCO-SUL...

    * * *
  • Carlos Marcelo  11/11/2013 01:42
    Aqui tem uma ótima explicação do Olavo sobre como essas supostas aberturas comerciais na verdade são tentativas de controlar a economia em nível internacional www.youtube.com/watch?v=j4_awb7VLqY&list=WL925DFABA2C91A414
  • Marcos  11/11/2013 11:25
    A União Européia é um bom exemplo disso. Boa parte da vida dos europeus é controlada por um bando de burocratas que sequer precisaram passar por uma eleição popular. Quando você sobe do nível nacional para o regional, a participação democrática e o controle da população sobre os representantes diminui muito.

  • RichardD  15/09/2015 16:32
    Legal, nunca tinha pensado sobre isso.


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