Sobre as privatizações (Parte 1)

Em anos de eleição presidencial, um triste hábito acomete o Brasil: aparentemente, a inteligência nacional, cansada, resolve ir passear por outras bandas, e assuntos que teriam grandes dificuldades em ser levados a sério até mesmo por aborígenes, aqui adquirem um ar de imerecida respeitabilidade, e são debatidos a sério não só por partidos políticos, mas também por intelectuais em colunas de jornal e em mesas redondas.

Nas eleições de 2006, a moda era reestatizar a mineradora Vale (então chamada Vale do Rio Doce).  Mais ainda: foi proibida qualquer alusão à necessária desestatização da Petrobras, do Banco do Brasil e da Caixa Econômica Federal.  A Eletrobrás, então, nem foi mencionada.  O candidato da "oposição" se viu forçado a sair vestindo camisetas de estatais a fim de confirmar sua inabalável fé no estado, numa das cenas mais patéticas da nossa história eleitoral.

(Em tempo: em 2007, último ano de calmaria econômica e de preços recordes do barril de petróleo, bem maiores que os de 2006, a Petrobras teve uma queda de 17% no lucro em relação a 2006.  Das dez principais empresas de petróleo do mundo, apenas quatro não apresentaram crescimento do lucro: Petrobras, Pemex (México), PDVSA (Venezuela) e Gazprom (Rússia), todas elas estatais)

Quase quatro anos depois, o barulho das passadas dos dinossauros já é ouvido com ainda mais intensidade.  O atraso da vez envolve a reativação da nada saudosa Telebrás, além da quase já confirmada criação da Febrasa, estatal de fertilizantes.

Os governistas podem dizer que a ameaça de reestatização da Vale foi apenas bravata eleitoreira, apenas um balão de ensaio que foi levantado sem maiores perspectivas, o mesmo sendo válido para a Telebrás.  Pode ser.  Mas sempre há outras intenções mais insidiosas.  O fato é que medidas desse tipo servem apenas para deslocar o fiel da balança cada vez mais para o campo estatizante, limitando cada vez mais a amplitude do debate aceitável, restringindo-o totalmente ao campo antimercado.  Se nas eleições de 1989 falava-se com naturalidade na privatização de várias estatais e na redução do estado, nas de hoje o candidato que não jurar de pé junto que não vai vender uma única ação ordinária de alguns desses mamutes irá raivosamente ganhar a pecha de privatista insano, estando automaticamente excluído dos "debates sérios".

Mas por que isso aconteceu?  Como as coisas regrediram a esse ponto?  De um lado, a explicação é fácil: privatizações causam pânico naqueles aspones que ganham salários astronômicos para não fazer... bem, para ser um aspone.  Como estão ali por indicação política, uma vez que estatais são notórios cabides de emprego, é óbvio que um enxugamento dos quadros, a busca por lucros e a exigência de eficiência — medidas básicas adotadas por qualquer empresa privada que queira sobreviver — representa um perigo imediato para a boa vida desses indivíduos, que nunca estiveram acostumados a qualquer tipo de pressão.  Para evitar essa tragédia, eles acionam seus sindicatos — outra categoria repleta de aspones —, organizações poderosas, temidas e de forte peso eleitoral.  Poucos têm a coragem de peitá-los.

Outra explicação, também fácil, envolve a falta de intimidade da população com assuntos econômicos.  O discurso nacionalista sobre "entrega das riquezas nacionais", "espoliação do patrimônio nacional", "o petróleo é nosso", "o minério é nosso", "a telefonia é nossa", "as filas de banco são nossas", tudo isso tem forte apelo popular sobre as massas mais despreparadas (nacionalismo e ignorância andam juntos).  Dizer que o petróleo é nosso e que sua desestatização nos privaria de um produto estratégico, essencial, barato e de qualidade, é algo extremamente fácil e eficaz, que não exige mais do que dez segundos de propaganda televisiva.  Porém, explicar que isso é mentira e que a desestatização e a livre concorrência — em qualquer setor — geram produtos de melhor qualidade e preços mais baixos é algo que exige mais didática, mais preparo e mais paciência.  E principalmente: exige uma platéia atenta e genuinamente interessada em aprender.  Temos isso em maioria democrática no país?  Pois é.

Porém, há também uma terceira explicação para o ressurgimento dessas ideias jurássicas, as quais incrivelmente têm uma boa penetração entre as massas mais cultas e que não necessariamente estão encasteladas em estatais ou trabalhando para o governo: o modelo de privatização adotado no Brasil foi péssimo — algo óbvio, aliás, pois o processo foi conduzido pelo estado.

O que foi privatizado

Antes, é preciso desmistificar algumas coisas.  O consenso (quase) geral é que o governo Fernando Henrique foi o que mais privatizou, o que mais tirou o estado da economia, o que mais desregulamentou, e patacoadas afins.  Mentira.  Qualquer análise básica e desapaixonada irá revelar que as privatizações feitas pelo governo federal no mandato do sociólogo foram ínfimas, embora tenham sido as de maior valor de venda.  Fernando Collor e até mesmo o ultranacionalista Itamar Franco privatizaram mais.  Confira:

Collor:

USIMINAS, CELMA (Cia. Eletromecânica), MAFER S.A., COSINOR (Cia. Siderúrgica do Nordeste), SBNP (Serviço de Navegação da Bacia do Prata), AFP (Aços Finos Piratini), Petroflex S.A., COPESUL (Cia. Petroquímica do Sul), CNA(Cia. Nacional de Álcalis), CST (Cia. Siderúrgica de Tubarão), FÓSFERTIL, GOIASFÉRTIL e Acesita.

Nota-se que as privatizações se concentraram no setor siderúrgico e petroquímico.

Itamar:

CSN, ULTRAFÉRTIL, COSIPA, AÇOMINAS, PQU (Petroquímica União), CARAÍBA (mineração), EMBRAER

Fernando Henrique:

ESCELSA (Espírito Santo Centrais Elétricas S.A.), Light (vendida para um consórcio no qual as estatais CEMIG e Électricité de France tinham participação majoritária), Companhia Vale do Rio Doce, Banco Meridional, Telebrás, GERASUL (Centrais Geradoras do Sul) e DATAMEC (Sistema de Processamento de Dados).

De todas essas privatizações, as melhores — no sentido de mais bem feitas — ocorreram nos governos Collor e Itamar, em que as siderúrgicas foram vendidas e o governo simplesmente se retirou da área, sem dar palpites nem impor regulamentações.  A privatização da EMBRAER foi quase toda correta, exceto pelo fato de ter havido recursos do BNDES.  No entanto, seu sucesso pós-privatização é inquestionável, o que deixa poucas margens de choradeira para a cômica turma de sempre.

Tão boas foram essas privatizações que hoje quase ninguém as contesta (exceto os suspeitos de sempre, linkados acima), uma vez que os benefícios trazidos para a economia do país foram amplos.

A encrenca começou no governo FHC.

Onde fizeram errado

Antes, vamos começar por onde fizeram certo. 

A privatização da distribuidora de energia ESCELSA, a primeira do governo FHC, foi uma das que deram certo (talvez pelo fato de ter ocorrido antes da criação da ANEEL).  De acordo com a Wikipédia, desde 2005 "os clientes de todas as categorias de consumo [estão] livres para escolher o fornecedor de energia elétrica que lhe convier, por preço ou por qualidade do serviço e do atendimento."  Se isso for verdade, sorte dos capixabas. 

A privatização da GERASUL (na verdade, uma concessão de 30 anos), um dos poucos setores de geração de energia entregues à iniciativa privada, também foi outra que deu certo — tanto é que a região sul ficou isenta do apagão ocorrido em 2001, que ocorreu no resto do país por falta de investimentos em geração e distribuição de energia.

Foi com a privatização da Vale que a coisa começou a degringolar.  Em vez de sair completamente do setor e deixar a mineradora em mãos totalmente privadas, livre de influências políticas e buscando livremente o lucro, a venda foi feita com amplos recursos do BNDES e com a participação de fundos de pensão de estatais.  Hoje, o governo federal, por meio do BNDES Participações, dos fundos de previdência de suas estatais e de sua participação direta, pode influenciar em 41% do capital votante.  Juntas, a Previ, a Funcef e a Petros (fundos de pensão do Banco do Brasil, da Caixa Econômica Federal e da Petrobras, respectivamente) detêm 49% do controle.  O Bradesco só tem 17,4%.

Ainda assim, essa retirada do governo do controle principal foi suficiente para modernizar e dar eficiência à Vale.  O número de empregados pulou de 11 mil em 1997 para os mais de 52 mil atuais.  O ganho de eficiência e o aumento da lucratividade foram tão grandes, que os setores mais jurássicos do governo estão famintos por reestatizá-la, de olho nas mamatas e no poder de barganha que a gigante poderia propiciar a eles e a seus apadrinhados (sendo essa a função precípua de toda estatal).

Embora seu processo de privatização seja questionado, com denúncias de corrupção e favorecimento (óbvias, pois foi um processo conduzido pelo estado), não se pode dizer que sua privatização gerou insatisfação popular.  Nem os mais atrasados ousam dizer que o país ficou pior com a Vale privatizada.  O único defeito da privatização da Vale foi que ela não foi desestatizada por completo, uma vez que o estado ainda detém grande participação, direta (BNDES) e indiretamente (fundos de pensão).

A privatização de estradas (na verdade, concessão) foi discutida com mais detalhes aqui, por isso não vamos abordá-la nesse artigo.

É nos serviços de utilidade pública (telefonia e setor elétrico, principalmente na área de distribuição) que a privatização gerou mais insatisfações.  Pudera: essas foram as áreas nas quais o governo sequer diminuiu sua participação, como aconteceu com a Vale.  Ele simplesmente concedeu um monopólio — contratualmente garantido — a empresas privadas, todas elas com boas conexões políticas, e blindou-as — por meio de suas agências reguladoras — contra todo tipo de concorrência.  Qualquer pessoa com o mínimo conhecimento de teoria econômica pode intuir que, nesse cenário, é improvável haver, simultaneamente, uma melhoria e um barateamento dos serviços.

Defensores do modelo de concessão adotado argumentam que, por se tratar de monopólios naturais, o governo não pode se retirar desses setores, pois é impossível haver um genuíno livre mercado em atividades econômicas que constituem monopólios naturais.  Logo, ao governo caberia a função de regular preços e impor metas, sendo que esse arranjo — garantem os especialistas — é o que mais satisfação trará aos consumidores.

Um monopólio natural, apenas para esclarecer, é aquele setor considerado fundamental para o bem-estar e para a vida econômica e social de uma sociedade, e cujas principais características são: apresentar significativas "externalidades" (uma transação qualquer feita entre dois indivíduos irá afetar terceiros, positiva ou negativamente), exigir investimentos vultosos e de longo prazo de maturação, específicos para cada atividade — o que significa que, em teoria, esses investimentos não são "recuperáveis", pelo menos no curto prazo.

Assim, os principais monopólios naturais, sempre de acordo com a teoria neoclássica, seriam: fornecimento de energia elétrica, de telefonia fixa de curta distância, de gás encanado, de água tratada e saneamento básico (esgoto), de metrô e algumas ferrovias.

De acordo com a Wikipédia:

O monopólio natural é uma situação de mercado em que os investimentos necessários são muitos elevados e os custos marginais são muito baixos. Caracterizados também por serem bens exclusivos e com muito pouca ou nenhuma rivalidade.

Esses mercados são geralmente regulamentados pelos governos e possuem prazos de retorno muito grandes, por isso funcionam melhor quando bem protegidos [embora não haja um único exemplo prático que confirme isso].

Olhando-se a definição acima, e vendo o que foi feito no Brasil, torna-se óbvio que, nesses setores, não houve o estabelecimento de um genuíno livre mercado, onde há livre concorrência e bons serviços.  Se por 'privatização' entendermos a venda de uma empresa ou instituição do setor público para o setor privado, em alguns casos houve apenas um aluguel (concessão temporária), como nos casos do setor elétrico, das estradas e do sistema de saneamento básico (este, feito por alguns governos estaduais). 

Porém, ainda assim é possível haver uma privatização genuína (a venda completa de uma empresa estatal) e os serviços continuarem ruins.  Foi o que aconteceu com as telecomunicações.  O governo vendeu completamente sua empresa que atuava no setor — a Telebrás —, porém de modo algum saiu da área por completo (conhece a ANATEL?).  É por isso que, em vez de defender privatização, o certo seria defender a desestatização, que significa a retirada completa do estado e de todas as suas regulamentações.  Nada de agências reguladoras para cartelizar o mercado e proibir a concorrência. 

É perfeitamente possível privatizar e piorar.  Porém, é improvável desestatizar e não melhorar.

A privatização da Telebrás

Mas isso significa que a privatização (não a desestatização) da telefonia foi ruim?  Muito pelo contrário.  A gestão estatal era tão ruim, que a simples entrega ao setor privado foi suficiente para provocar uma expansão e uma universalização do acesso que pareceram milagrosas — para nós, é claro, pois no mundo desenvolvido, já àquela época, um pobre via um telefone como um artigo tão básico quanto um papel higiênico; para os pobres daqui, porém, um telefone era tão inacessível quanto um jantar no Fasano.  Uma linha fixa não saía por menos de 2 mil reais a preços de hoje, demorava entre 1 e 2 anos para ser instalada e tinha de ser declarada como um valioso ativo no imposto de renda.  Em alguns lugares, a linha telefônica chegou a custar 10 mil dólares no mercado paralelo.  Hoje, devido à grande oferta, uma linha telefônica virou um serviço, e não possui nenhum valor em si.  A instalação demora menos de 48 horas.

Ademais, em 1998, ano da privatização, havia apenas 24 milhões de linhas fixas e móveis.  Hoje, esse número já está chegando aos 220 milhões.  É comum ver até catadores de papel com celular.

O percentual de domicílios com linhas telefônicas — fixas ou móveis — pulou de 32% para quase 80%, de 1998 até hoje.

Em termos de tarifas de ligação, as de longa distância, e principalmente as internacionais, caíram, e muito.  Antes da privatização, o minuto de uma ligação entre São Paulo e Nova York custava 2,40 dólares.  Hoje, está por volta de US$ 0,20 — um décimo do valor antigo.  Isso ocorreu justamente porque, para chamadas de longa distância, há mais de uma operadora disputando clientes.  E concorrência gera redução de preços.

Porém, para as chamadas locais, a concorrência foi proibida.  Telefônica e Oi são monopolistas, detendo mais de 95% do mercado de telefonia fixa em suas áreas de atuação, com a GVT correndo por fora.

Toda a insatisfação vem dessa ausência de concorrência, estimulada pelo estado.

As privatizações no Reino Unido

As privatizações ocorridas nas décadas de 1980 e 90 no Reino Unido valem tanto para desmentir parte da teoria dos monopólios naturais, quanto para servir de comparação com o que foi feito no Brasil, dado que o envolvimento do estado nos "setores estratégicos" da economia britânica era muito semelhante àquele que ocorria no Brasil.

O programa de privatização de serviços públicos adotado no Reino Unido foi o mais extenso da história.  Começou em 1983 com a British Telecom, continuou em 1986 com a British Gas, passando para a British Airways em 1987, avançando sobre o sistema de água e de tratamento em 1989, de geração e distribuição de eletricidade em 1990-91 e terminando com o sistema ferroviário em 1994.

As privatizações do sistema de gás, de eletricidade e de telecomunicações foram um sucesso total, reconhecido inclusive pelos detratores da primeira-ministra Margaret Thatcher. 

No setor telefônico, existe sim uma agência reguladora, porém a British Telecom teve liberdade para expandir seus serviços para setores menos regulados, como os de banda larga e de serviços específicos feitos sob encomenda (sim, lá existe isso).  É daí que a empresa obtém seus maiores lucros, os quais possibilitam maiores investimentos e, consequentemente, possibilitam à empresa oferecer serviços decentes aos britânicos.

O mercado de gás também possui uma agência reguladora, porém foi aberto à concorrência em 1996.

Na privatização do setor de energia elétrica, o governo aboliu o Departamento de Energia, que equivale ao nosso Ministério das Minas e Energia.  O que foi mais importante: não foi adotado qualquer tipo de controle de preços.

Em particular, com a eletricidade houve um episódio cômico: logo após a privatização, foi fixado um nível de tributos sobre as empresas, nível esse que foi considerado bastante razoável à época.  Porém, o aumento da produtividade foi tão grande — porque quando estatais elas eram totalmente ineficientes —, que os lucros dispararam, tornando esses tributos ridículos.  Isso estimulou Tony Blair a fazer discurso eleitoreiro prometendo extrair mais impostos das empresas, sem perceber que, ao agir assim, ele estava aplaudindo o governo do Partido Conservador, cuja privatização levou uma inesperadamente grande eficiência a um mamute.

Em 2008, sob o governo Gordon Brown, dominado pelo politicamente correto, foi criado um Departamento de Energia e Mudança Climática.  Os efeitos dele sobre o setor ainda estão em aberto.

Já a privatização do setor ferroviário foi inicialmente insatisfatória justamente pelos motivos previsíveis: o monopólio foi mantido, sendo apenas transferido do estado para uma empresa privada.  (Eis um bom artigo sobre isso).  Hoje, ao que tudo indica, o sistema já se adaptou e funciona bem, com mais concorrência.  (Pelo menos foi a impressão que eu tive em uma viagem entre Cambridge e Edimburgo).

Por fim, a privatização dos serviços de fornecimento de água foi a mais insatisfatória de todas.  De acordo com os livros-texto, esse setor é o que mais se aproxima do conceito de "monopólio natural".  A infraestrutura requerida é cara e altamente especializada.  Qualquer duplicação feita por potenciais concorrentes seria proibitiva, embora possível.  Consequentemente, e sempre de acordo com a teoria neoclássica, essa é uma área da qual não se deve esperar qualquer tipo de concorrência que mantenha preços razoáveis e bons serviços.

Logo, qual foi a solução britânica?  Estabelecer a mais poderosa das agências reguladoras, a Office of Water Services (OFWAT), cuja medida, para não desapontar, foi estabelecer controle de preços e impor punições baseadas em performances relativas para as 25 empresas que atuam no setor, todas em lugares distintos.  E qual é a maior reclamação dos britânicos?  Ora, os preços altos, justamente aquilo que é controlado com mais rigor pela OFWAT.

Portanto, no Reino Unido, as privatizações de gás, eletricidade e telecomunicação — essas duas últimas as mais problemáticas aqui — foram um sucesso, justamente porque se afastaram um pouco do nosso modelo.  As de ferrovias e principalmente do sistema de água foram as mais insatisfatórias, justamente por terem sido as que mais se aproximaram do nosso modelo.

No próximo artigo vamos debater os problemas econômicos intrínsecos desse modelo de regulação adotado, os efeitos que ele gera e por que isso acontece, e ver como deve ser feita uma genuína desestatização.

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SOBRE O AUTOR

Leandro Roque
é o editor e tradutor do site do Instituto Ludwig von Mises Brasil.


Henrique Zucatelli
Bom dia
Sei que ter capital, fundos, poupança é importante mas:
Será que os consumidores quererão os meus produtos e serviços.
Se ninguém se interessar em comprar meus produto ou serviço que eu estou vendendo?
Se surgir uma oportunidade de negócios vou perder?
Meus concorrentes oferecerem melhores produtos e serviços que eu vou ter que aprimorar meus produtos ou serviços senão vou pra falência.
Isso estou vendo do lado do produtor, fornecedor de produtos e serviços.
Do lado do consumidor:
Será que preciso desse produto ou serviço?
Se preciso vou pagar a vista ou a prazo?
Caso eu compre à vista vou ter de poupar para adquirir o produto ou serviço que quero.
Caso eu compre à prazo vou ter de calcular quanto do meu ganho posso desprender para gastar.
Qual é melhor comprar a prazos curtos ou longos?
E finamente o que não se deve fazer:
Vou tomar empréstimo para comprar bens de consumo.
Vou compra itens no cartão de débito\crédito mesmo que não tenha fundos para cobrir o mesmo.
Vou Tomar empréstimo para pagar o cartão.
Isso do lado do consumidor.
Do lado do produtor\finacista e fornecedor de serviços:
Vou produzir itens em grande quantidade, mesmo que não consiga vender tudo.
Vou me associar a políticos para que tenha venda cativa de produtos e serviços para o governo cobrando acima do mercado e oferecendo produtos e serviços ruis
Vou toma empréstimo do governo para especular a compra e venda de empresas, mesmo que não entenda o que elas produzem ou serviço que elas oferecem.
Criarei lobis junto ao governo para que os meus interesses sejam atendidos.
Se falir terei AMIGOS no governo e me dá uma mãozinha.

O item 4 é contraditório com o item 10.
O professor Mueller tem uma visão um tanto equivocada com respeito à lógica.
Tanto a lógica aristotélica, quanto a lógica simbólica, incluindo a teoria dos conjuntos, são sistemas de ordenação argumentativa orientados na direção dedutiva nos quais a inferência está ligada necessariamente às premissas.
Para que o valor seja logicamente subjetivo, temos que incluir o valor campo dos objetos predicados por subjetivo.
Ora, vejam:
Para que isso ocorra, temos de recorrer às definições desses termos, pensando no método geométrico, as definições deveriam anteceder às teses, não estar incluídas nelas. Se ocorrer essa inversão lógica, o argumento é falacioso, chamada de Petição de Princípio (vide ORGANON - Aristóteles; COPY - Manual de Lógica; pesquisem sobre método geométrico)
Além disso, para que não haja inconsistência entre os itens 4 e 8 o trabalho deveria ter sido definido, tal como o valor o foi, como subjetivo. Senão o item 8 cria uma ambiguidade na passagem (por si só) que, do ponto de vista lógico, é um condicionante. Sem tal definição, o valor parece ter uma parte subjetiva e outra objetiva e, pior ainda, somente o condicionante do valor parece ser subjetivo. Se o trabalho não for caracterizado como subjetivo, o valor é efetivado objetivamente e, portanto, é objetivo.

Uma reordenação não viciada desses itens deve começar supondo o item 4, isto é, ser uma hipótese (eliminação do item 10). Posteriormente, definir o trabalho ou, por extensão ampliativa, incluir o trabalho no item 4.
"Se "4" e o trabalho for subjetivo, então "1""2""3""5""6""7""8""9""

Outro problema, mais grave, é usar o termo subjetivo e, por extensão, objetivo como predicados lógicos, i. é., características de coisas. A distinção entre subjetivo e objetivo é maior, isto é, anterior no processo de conhecimento, do que aquilo sobre o qual a lógica trata: as relações entre enunciados. Digamos, em termos mais simples, subjetivo não é uma característica de coisas, mas de afirmações, frases (vide POPPER - Lógica da Pesquisa Científica; RUSSELL & WHITEHEAD - Principia Mathematica; TARSKI - A Concepção Semântica da Verdade). Para incluir subjetivo e objetivo no vocabulário é necessário realizar uma metalinguagem que, por definição, exigirá a suspensão e a revalidação das definições. Dizer o por que tais definições devem ser aceitas.

A tentativa de criar leis em uma ciência que sejam a priori não funcionou nem na Física (vide KANT - Crítica da Razão Pura), mesmo na matemática (vide o embate entre FREGE e HILBERT) a tentativa foi, em parte, frustrada. Esse tipo de posição, chamada de Fundacionista, é uma visão, sinto informar, ultrapassada. A exigência de indicações empíricas e construções não totalizantes é regra fundamental para alcançar qualquer teoria saudável no pensamento científico atual.

PS. Desculpem-me o tecnicismo, não tenho o hábito de escrever para leigos. Devo melhorar nesse aspecto.
Bom dia Vladimir, como vai?

Que bom que começou a entender o começo da história. Agora falta a outra metade.

Não tem como prevermos a inovação. Pode parecer pleonasmo, mas inovar é fazer o novo, algo que ninguém fez até hoje. E isso pode dar certo (ou não). Claro que quando pensamos em inovações sempre vem a mente exemplos de sucesso como Apple, Microsoft, Ford e outros. Mas nos esquecemos que estes foram os vencedores. Em seus respectivos momentos, existiram dezenas (ou até centenas) de concorrentes brigando para saber quem iria se perpetuar, e a maioria caiu no caminho, foi absorvida ou simplesmente esquecida.

Se quiser entender mais como funcionam todos esses sentimentos de um grande inventor nos primórdios de sua carreira, recomendo que leia um livro muito bom (meu de cabeceira) do próprio Henry Ford- Os princípios da prosperidade . Tenho um exemplar da primeira edição, com o autógrafo do tradutor, ninguém menos que Monteiro Lobato. É um tesouro que guardo com muito carinho.

Voltando ao assunto, como toda inovação é nova (!), precisará de uma dose maciça de confiança de quem produz, aliado ao fato de que são recursos direcionados a esse projeto, com pouca ou nenhuma certeza de que irá dar certo. Repito à exaustão: quando olhamos invenções consagradas damos um valor a elas que não existia na época.

Justamente por esse princípio, é necessária a existência de poupança para financiar esses projetos. Sem poupança, sem inovação, por melhor que seja a ideia. Se tiver interesse nesse assunto, recomendo um ótimo livro de Peter Schiff - Como a economia cresce, e por que ela quebra .

Inclusive está a venda aqui no IMB:
www.mises.org.br/Product.aspx?id=55 .

Para finalizar, é melhor entender um pouco mais sobre como funciona o socialismo, e porque ele está sempre fadado ao fracasso. Como bem ilustra a Venezuela, os defensores do socialismo desconhecem uma lei básica da economia

Um grande abraço, e ótima semana para ti.










"só consigo comprar um IPhone por 'apenas' R$ 2000,00 porque ele é produzido aos milhões. Caso grande parte da população deixasse de comprar IPhone essa economia seria menos efetiva e com certeza cada IPhone custaria mais para ser produzido. Exemplo canônico: quase ninguém compra uma Ferrari e isso não faz ela ser mais barata, muito pelo contrário, ela seria muito mais barata se todo mundo comprasse uma: seria produzida na China e se chamaria Jac. :D"

Existem duas maneiras de um produto baratear, isto é produzir em larga escala com preços reduzidos ou produzir em larga escala com preços reduzidos e não houver demanda para tal produção, isso significa que pessoas estão se abstendo do consumo ou estão em crise. Portanto, as pessoas que pouparam ontem, hoje podem estar consumindo Iphones e ferraris ou investindo em bens de capital e assim aumentando ainda mais a abundância dos produtos.
Essa situação da demanda aconteceu recentemente com o consumo reduzindo e os preços acompanhando essa redução do consumo praticando menores preços.

"Além da economia de escala existe outro fator que você desconsiderou, as indústrias de bens não são facilmente reconfiguradas para produzir bens para as quais não foram inicialmente projetadas."

Para produzir bens tem que haver capital e o último advém de poupança. Contudo, para haver poupança para a população, os impostos sempre terão que ser baixos e isso possibilitaria empresas de várias partes do mundo vir produzir aqui pelas novas medidas do governo. As indústrias vindas do exterior automaticamente estaria trazendo seu conhecimento e técnicas para tal trabalho, isso significa que o país poderá produzir bens que não eram bons. Essa situação ocorreu na Coreia do Sul, Hong Kong, Taiwan, Japão e Singapura.
Coreia do Sul não tinha LG, SAMSUNG e Hyundai, e em pouco tempo pelos investimentos estrangeiros obteve conhecimento necessário para produzir o que não sabiam, produtos de alta tecnologia e carros.
Hong Kong seria tecnologia.
Taiwan idem de Hong Kong.
Japão acho que seria o setor automobilístico.
Singapura seria produtos de alta tecnologia.
Até tempo atrás não eram bons no que fazem hoje, e em pouco tempo conseguiram a façanha de realizarem tal ato.


ARTIGOS - ÚLTIMOS 7 DIAS

  • Roberto Chiocca  18/03/2010 13:52
    Nos setores onde "uma competição não seria econômicamente viável", qual a necessidade de uma proibição por parte do estado à entrada de novos fornecedores?
    Não seria suficiente a lei econômica? Ou será que eles sabem que a concorrência poderia surgir mesmo assim, tirando os "monopolistas" atuais do negócio?

    E, eu discordo que seja difícil explicar os beneficios da liberdade para o "povo", acredito que com um pouco de tempo e um bom marketing isto seja ainda mais facil de entender que os chavões e bravatas estatistas. A verdade prevalece, e todos os seres humanos podem pensar e chegar às mesmas conclusões óbvias que chegamos, basta que eles tenham acesso à informação.
  • Francisco Seixas  02/02/2015 13:18
    Olá Fernando.

    Eu, infelizmente, não creio ser assim tão factível explicar os beneficios da liberdade para o "povo" - onde "povo", como sabemos, não se restringe ao chamado "povão".

    Nas minhas frequentes investidas rumo à divulgação do conteúdo deste site, a relutância em boa parte dos endereçados desanima e preocupa. Por exemplo, eis uma resposta recente de um dos endereçados, que não é exatamente "povão", é um professor universitário:

    "Caro Francisco,
    Ficaria muito satisfeito se você parasse de postar o lixo que produz em minha caixa postal. Se tiver uma melhora em seu estado de saúde, terei prazer em receber postagens saudáveis. Por ora, prefiro não participar de sua loucura.

    Abraço
    Luciano"



    A cada momento fica mais evidente a verdade retratada por Platão na Alegoria da Caverna. Por isso, realmente não creio ser tão factível, infelizmente.

    Grande abraço.



  • Marcos  02/02/2015 13:46
    Se ele é professor universitário de ciências humanas e sociais, então você já desceu ao nível do que há de mais infecto e putrefato na raça humana. Tentar dialogar com essa gente -- eles são os parteiros das mais homicidas revoluções ocorridas na história da humanidade -- é o mesmo que tentar convencer um lobo faminto de que ele não deve devorar um indefeso esquilo.

    Ignore-os. Faça isso e você estará finalmente dando a eles a atenção que merecem.


    P.S.: é tão original e "intelectual" xingar a fonte em vez de tentar rebatê-la. Tal postura realmente só é esperável de professores universitários que vivem encastelados em torres de marfim e que estão acostumados a falar pelos cotovelos sem jamais serem questionados (até porque seus alunos, felizmente, estão todos dormindo ou pensando em coisas mais importantes, como qual programa de TV assistirão quando voltarem para casa).
  • Milton  11/04/2015 04:27
    É por conta desses elementos no ensino que o Brasil vem descendo a ladeira no nível de aprendizagem dos nossos futuros cidadãos. Se o ensino do Brasil é uma piada, a culpa é dos professores, e só deles.
  • Victor  18/03/2010 14:48
    Excelente artigo Leandro. Já estou esperando a parte 2 =)

    Pergunta : existe algum livro que comente e explique mais detalhadamente
    tais privatizações? Principalmente no Brasil?

  • Eduardo Rodrigues  18/03/2010 15:08
    Considero importante a explicação sobre a falibilidade ao menos parcial de uma privatização, caso mal-feita. Isso pode evitar que entendam (ou declarem de má-fé) as privatizações porventura malsucedidas como falsas promessas de melhorias nos serviços. Essencial deixar claro que não basta tão-somente privatizar as empresas, e sim desestatizá-las. Muito bom artigo, sobretudo por tratar do Brasil. Que continue a luta do IMB contra o atraso no país. Informação é fundamental. Abraço.
  •   18/03/2010 19:39
    Eu imagino que essa história de "monopolio natural" surgiu pelo tipo de empresas desses setores que foram feitas.\r
    Por exemplo o setor energético. É absurdo dizer que é um setor que precisa ser gigante, por isso caro e de retorno lento.\r
    Hoje, como no Brasil, existem aí gigantes energéticas que produzem em um lugar e enviam a energia a milhares de quilometros... Isso é uma forma grotesca de "centralizar" a produção e destribuição energética. É ridiculo.\r
    Em um ambiente de livre mercado energético, eu vejo essas gigantes indo a bancarrota facil por conta de pequenas e enxutas empresas regionais, produzindo energia de diversas maneiras diferentes e enviando elas nas redondezas a custos muito baixos, e crescendo assim, com concorrencia e descentralização geral da produção. Qualquer um com um geradorzinho a diesel poderia vender tranquilamente energia pro bairro pra concorrer com qualquer outro dono de um gerador movido por uma pequena hidrelétrica.\r
    Claro que isso seria um começo, e esses pequenos empresários poderiam crescem muito e oferecer ótimos serviços.\r
    Agora... contruir uma hidrelétrica gigante no Sul do Brasil, monopolizar totalmente o setor, tentar usar ela pra distribuir energia pro Brasil quase inteiro? Isso do meu ponto de vista é pura burrice.\r
    Isso ficou claro naquele apagão recente de Itaipú. Embora ainda estatais, oferencendo enormes falhas, as empresas menores, regionais, como no interior de São Paulo onde eu vivo, e de outras localidades, deram conta da falta de energia de Itaipu, mostrando que centralizar tudo como o governo faz é caro e ineficiente.\r
    É claro que o setor de energia é considerado um "monopólio natural", o pessoal constroe esses dinossauros...
  • Zeh  02/09/2011 19:21
    Atualizando:

    Hoje tivemos outro Apagão em Itaipu, menor do que o de março de 2010. Mas prejudicou muita gente.
  • Leandro  19/03/2010 00:19
    Obrigado, Victor e Eduardo.

    Victor, livro sobre as privatizações no Brasil há aos montes, porém todos exalam aquele inconfundível odor mefítico tipicamente oriundo da URSS da década de 1950. Livros mais técnicos e imparciais, não conheço. Porém, gostaria.

    Zé, excelente a sua postagem. Tô quase copiando pro próximo artigo...

    Abraços a todos!
  • Bruno  19/03/2010 15:48
    Belo artigo Leandro, para se recuperar da patacoada sobre favelas e drogas.

    Faço algumas considerações. Patético para o Alckimin em 2006 foi não ter defendido as posições históricas do partido dele, seria melhor para ele uma didática assim como esse feito nesse texto. Teria sido mais honesto por parte dele.

    A única - minha opinião - privatização realmente decente foi a da Embraer.

    Quanto a Vale, foi privataria, por todo o processo obscuro envolvendo a "cúpula Mendonção" e "A bomba atómica".
    O que todo privatista faz questão de NÃO mencionar (não critico a atitude, pois faz parte da defesa de argumento) é que a Vale do Rio Doce já era modelo de gerenciamento de referência. Quanto ao crescimento da companhia, meu caro, isso é natural num negócio bem gerido. A Vale cresceria privatizada ou não.
  • Angelo Viacava  20/03/2010 15:18
    Não é o fato de serem bem ou mal geridas que justifica a manutenção de empresas estatais; é o fato de que, quando gerarem prejuízos, sabe-se bem de onde tirarão recursos para cobrirem suas dificuldades: do nosso bolso já tão afanado. Com a empresa privada deseja-se, ao menos em tese, que o prejuízo e a quebra pertençam somente ao dono ou donos do negócio. O que também já não se viu na "crise" de 2009, onde grandes grupos foram salvos pelo dinheiro estatal ao redor do mundo, e aos pequenos coube somente lamentar não pertencerem à categoria de "mais iguais que os outros", para poderem desfrutar das benesses estatais.
  • Caio Ortiz de Kugelmas  21/03/2010 11:59
    Por mais absurdos e descabidos que sejam os argumentos, temos que conviver com o fato de que estamos cercados de débeis mentais que acham que o Estado deve ser uma agente econômico e gestor de empresas.
    Uma de minhas grandes decepções com o Geraldo Alckmin, foi sua fraqueza nas últimas eleições presidenciais ao ser questionado sobre as privatizações. Ficou em cima do muro.
    No entanto, nunca vi ninguém neutralizar o único argumento anti-privatização que é "as empresas devem ser do povo, pois são um ativo do povo". Muito bem, acho o argumento válido, mas o povo não é o Estado. Logo, devemos dar as empresas ao povo e não ao Estado. Que seja dividido o capital da Petrobras em 180 milhões de quotas e entregue 1 quota a cada habitante do país. Quem quiser que compre mais, quem não quiser venda e compre 1 litro de cachaça. Só não deixem o Estado gerir o ativo nem ficar com o dinheiro da venda o ativo. O Estado deve ser mínimo.
  • Helio  21/03/2010 16:12
    Olá Caito, seja bem-vindo aos comentários!
  • Lucio  24/08/2012 18:33
    Olá Leandro. Ao ler este texto me ocorreu uma dúvida. No caso da água você diz que existem 25 empresas que concorrem, cada qual em uma região.
    A grande reclamação da população é os altos preços. Não seria este um caso de genuíno "Monopólio Natural"? No sentido de que um, hipoteticamente, "estado eficiente", seria melhor do que uma livre concorrência. Visto que, como você mesmo falou, os custos de se instalar uma tubulação nova onde já existe uma outra (ou outras, o que tornaria cada vez mais proibitivo) são praticamente proibitivos, fazendo com que uma genuína livre concorrência não possa ocorrer, pois não se observa uma livre circulação de mercadorias (no caso a água), visto que cada empresa que se instala aumenta significativamente os custos para uma nova empresa se instalar, o que, no mínimo, ao meu ver, caracterizaria um "Oligopólio Natural". Sendo assim, não poderia o "estado eficiente" reduzir custos, por já possuir as instalações e possuir apenas um custo fixo? Pois, assim como o Ze brilhantemente expôs que alguns considerados "Monopólios Naturais" só o são pelo seu modelo atual, porém, creio eu, seria inviável (a baixo custo) ter micro-estações de tratamento de água, além do fato de que, em alguns países, as fontes de água não estão por todo lugar, precisam necessariamente sair de um lugar e ir para outro, talvez a dezenas de km de distância.
    Gostaria de um posicionamento seu, pois sei que é extremamente sensato e racional. Sou um ávido defensor do livre mercado, porém ainda não me decidi totalmente entre o anarcocapitalismo e o minimalismo.
  • Leandro  24/08/2012 19:11
    Prezado Lucio, antes de tudo, gostaria que você lesse a continuação deste artigo, pois ela aborda exatamente estes pontos do monopólio natural, bem como aponta soluções práticas.

    Adicionalmente, confesso não ter entendido seu raciocínio. O preço cobrado pelas 25 empresas britânicas é considerado alto pela população e, como explicitado no artigo, trata-se de um setor rigorosamente regulado pelo governo, com agência reguladora e tudo. Sendo assim, não entendi a sua conclusão de que esses preços altos comprovariam o fato de que um "estado eficiente" seria melhor do que um livre mercado. Ora, o mercado é regulado por um "estado eficiente" e está gerando insatisfação, e você está dizendo que isso comprova ser necessário a regulação deste setor por um estado eficiente? Mas já é assim.

    Quanto a ter um "estado eficiente", que reduza custos e ofereça bons serviços, isso é uma impossibilidade já foi explicada em vários outros artigos. Mesmo que você coloque anjos e santos no comando do estado, pessoas genuinamente bem intencionadas e extremamente competentes, ainda assim seria impossível ter eficiência.

    E por um motivo muito simples: para haver eficiência, é preciso haver livre mercado. Havendo livre mercado, há livre formação de preços. Havendo livre formação de preços é possível haver cálculo econômico. E só com o cálculo econômico é possível ofertar bens e serviços eficientemente. Sem livre mercado, não é possível eficiência. Isso não é ideologia. Isso é realismo. Isso é ciência econômica. Somente proprietários privados operando em um regime de livre concorrência podem fazer cálculo econômico, e somente proprietários privados têm interesse em fazer com que seus recursos operem eficientemente, pois só assim eles gerarão um fluxo contínuo de retorno ao longo do tempo.

    Por outro lado, aquele que acha que é possível haver um "estado eficiente" administrando setores da economia tem, antes de tudo, de explicar como seria possível esta mágica. Esqueçamos o argumento (muito realista) de que políticos e burocratas estão ali apenas para se locupletar. Vamos supor que eles sejam santos. Como eles vão calcular preços e operar a baixos custos em um mercado monopolizado? Como farão isso se não há um livre mercado que permita a formação e a comparação de preços?

    Todo o cálculo econômico é falsificado quando o estado se envolve em uma área, mesmo que seja apenas para regulá-la, dando o monopólio a uma empresa privada. Como o estado adquire seus recursos por meio da coerção, e nunca por meio da troca voluntária, seus gastos e receitas nunca estão sujeitos ao sistema de lucros e prejuízos. O estado não tem esse feedback fornecido pelo sistema de lucros e prejuízos. Consequentemente, suas decisões econômicas -- o que produzir, o que gerenciar, como, em que quantidade, em quais termos, utilizando quais insumos, impondo quais regras -- e, principalmente, as regras que ele irá impor à empresa monopolista sob sua regulação, são e sempre serão necessariamente arbitrárias.

    Lamento, mas esta é a realidade. Agora, caso realmente a teoria do monopólio natural fosse verdadeira (não é, e a prática comprova isso), aí realmente estaríamos sem opção: teríamos de nos contentar unicamente com o estado ofertando tais serviços, e todas as "maravilhas" disso decorrentes.

    Abraços!
  • Lucio  24/08/2012 20:38
    Abrigado pela rapidez na resposta. Concordo que o livre mercado gera a necessidade do cálculo econômico, algo que um estado ineficiente não possui.

    Na verdade não defendo uma regulação maior do estado, visto que este não tem conhecimento de mercado nenhum, causando sempre ou prejuízos ou lucros extremos, diferentemente do livre mercado, onde o lucro tende a zero, portanto o preço sempre é o mais justo possível aos consumidores.

    Que fique bem claro, não estou defendendo, apenas discutindo a possibilidade, da existência de um "estado eficiente", onde o custo cobrado pelo serviço cobre o custo do produto, e, haja visto que os custos médios seriam menores do que os de 25 empresas distintas, uma vez que todos os custos fixos seriam únicos, não seria este estado, teoricamente, mais eficiente do que o livre mercado? Não poderia o cálculo econômico , e, consequentemente, o preço, ser baseado apenas nos custos de produção (custos estes que, assumindo que há apenas anjos competentes, seria o mesmo, ou menores, ao de uma empresa real), mesmo sem um paralelo no mercado?

    Pois ao meu ver, o estado é ineficiente simplesmente porque, de fato, é IMPOSSÍVEL ter apenas anjos competentes em todos os cargos de uma empresa comandada pelo governo, por todos os motivos já apresentados aqui no IMB, e que o livre mercado IMPÕE eficiência, que, por sua vez, implica em preços justos.

    A solução de apontada na sequencia do texto (confesso que não tinha reparado que havia uma sequencia), de haver um "backbone de água" onde qualquer empresa poderia se conectar e fornecer o produto realmente resolve o problema do "Oligopílio Natural", pois permite que um número indeterminado de empresas oferecessem o serviço.

    No entanto ele parte do princípio que existe tal estrutura, o que, ao meu ver, necessariamente, deveria ser construida pelo estado. Uma vez que seria altamente improvável que empresas se juntassem para construir um meio entre elas brigarem entre si, pois todas elas saberiam de antemão quem seria a mais eficiente, e, portanto, a única interessada em tal coisa. Por outro lado, se apenas um empresa construisse tal "backbone de água" isso o tornaria sua propriedade, e, portanto implicaria nas outras empresas terem que construir seus próprios "backbones" para abstecerem a mesma região, o que nos traria de volta ao "Oligopólio Natural". Por esta linha de raciocínio então, podemos concluir que o estado foi um mal necessário para se construir as bases para um futuro mercado livre? Isso faria do anarcocapitalismo algo que não seria intrinsicamente superior ao minimalismo, implicando que o livre mercado necessitaria de, mesmo que mínimas, algumas bases pré-estabelecidas.

    Qual a sua visão sobre isto? Você acredita que o anarcocapitalismo pode se sobrepor ao minimalismo em todos suas pequenas peculiaridades? Ou haveria situações onde seria necessário um "empurrãozinho" para que o barco começasse a andar?

    Abraço Leandro!
  • Leandro  25/08/2012 07:25
    Prezado Lucio, todo o seu raciocínio pode ser condensado nesta sua seguinte frase:

    "Que fique bem claro, não estou defendendo, apenas discutindo a possibilidade, da existência de um "estado eficiente", onde o custo cobrado pelo serviço cobre o custo do produto, e [...] uma vez que todos os custos fixos seriam únicos, não seria este estado, teoricamente, mais eficiente do que o livre mercado? Não poderia o cálculo econômico, e, consequentemente, o preço, ser baseado apenas nos custos de produção (custos estes que, assumindo que há apenas anjos competentes, seria o mesmo, ou menores, ao de uma empresa real), mesmo sem um paralelo no mercado?"

    Pois bem, faça a si mesmo a seguinte pergunta: por que restringir este raciocínio (preço ser baseado apenas no custo) apenas a determinados setores da economia? Afinal, se, como você próprio disse, tal arranjo funciona melhor que um livre mercado, então não faz sentido nenhum mantê-lo restrito exclusivamente a uma área da economia. Que ele seja, portanto, adotado em toda a economia.

    Aí eu pergunto: o que acontecerá a uma economia cujos preços são iguais aos custos de produção? Haverá lucros? Não. Sem lucros, é possível novos investimentos? É possível novas expansões? Pois é.

    Atente para um fato crucial: esta ideia de preços serem iguais aos custos é um dos cernes de um arranjo econômico socialista, que condena o lucro. Só que, sem lucros, não há acumulação de capital e nem novos investimentos. E sem novos investimentos, a economia definha. O arranjo que você está defendendo, além de não ter absolutamente nada de eficiente, é em última instância um atentado à vida humana. Todos definhariam.

    Na melhor das hipóteses, o seu arranjo (preços iguais aos custos apenas para os setores de "monopólio natural") impediria por completo novos investimentos neste setor. As empresas, por uma óbvia questão de contabilidade, não teriam dinheiro para novos investimentos. Tudo teria de vir de impostos. Como pode isso ser "eficiente"?

    Adicionalmente, estas empresas teriam todos os incentivos para operar de maneira totalmente ineficiente, incorrendo nos maiores custos possíveis -- afinal, quanto maiores forem seus custos, maiores serão os preços que o governo as deixará cobrar (segundo seu arranjo). Como isso seria "eficiente"?

    Espero que agora tenha ficado claro o quão sem sentido é essa ideia. Se você entendeu os problemas apresentados, você terá entendido a função essencial do lucro e da acumulação de capital em uma economia.

    Convido-o, novamente, a ler agora o artigo que mostra, com exemplos empíricos, o quão falaciosa é a ideia de "monopólio natural".

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=1309

    Abraços!
  • Marcio  01/01/2013 04:07
    Juro que tentei explicitar o que está nesse artigo em uma conversa, tentando desfazer o que o senso comum do brasileiro criou à respeito do assunto privatização. Fui infeliz na minha missão, pois as pessoas simplesmente preferem acreditar naquilo que foi dito para elas, foi assustadoramente como falar com uma porta.
  • Bernardo F  29/04/2013 15:27
    Olá, Leandro!

    O artigo está muito bom, como sempre. Parabéns.

    Uma vez que é comum as pessoas defenderem a necessidade de o estado intervir em áreas "estratégicas", nada como um caso bem concreto e palpável de empresa estatal altamente ineficiente para evidenciar a superioridade da iniciativa privada.

    A reportagem publicada na edição de ontem do jornal gaúcho Zero Hora conta a história da CEITEC S.A., empresa pública focada no desenvolvimento e produção de circuitos integrados (chips).
    Um dos dados impressionantes expostos na reportagem é o de que, apesar de a CEITEC ter devorado (desde 2000) mais de R$ 600 milhões em recursos públicos, somente no ano passado ela gerou receita própria - e uma receita própria pífia, de meros R$ 189 mil.

    Ali está também o exemplo perfeito e acabado do burocratismo: para contratar serviço de chaveiro (!), foi preciso instaurar processo licitatório que, dentre outras coisas, envolveu a elaboração de um edital de 25 páginas. Imagina o custo disso tudo.

    A situação é tão calamitosa que o próprio presidente da empresa, num acesso de lucidez, sugere que sua gestão deva passar para mãos privadas.

    Abraço!


    zerohora.clicrbs.com.br/rs/economia/noticia/2013/04/o-futuro-da-ceitec-governo-avalia-abrir-as-portas-da-empresa-ao-capital-privado-4120142.html

    zerohora.clicrbs.com.br/rs/economia/noticia/2013/04/o-futuro-da-ceitec-embraer-vira-inspiracao-para-transicao-da-empresa-4120150.html
  • Leandro  29/04/2013 18:56
    Obrigado pelo relato, Bernardo.

    De fato, novidade nenhuma. Agências governamentais não operam de acordo com os sinais de preços do mercado e nem de acordo com o sistema de lucros e prejuízos.

    Uma empresa ser gerida pelo governo significa apenas que ela opera sem precisar se sujeitar ao mecanismo de lucros e prejuízos. Todos os déficits operacionais serão cobertos pelo Tesouro, que vai utilizar o dinheiro confiscado via impostos dos desafortunados cidadãos. Uma estatal não precisa de incentivos, pois não sofre concorrência financeira -- seus fundos, oriundos do Tesouro, não infinitos.

    Uma empresa que não é gerida privadamente, que não está sujeita a uma concorrência direta, nunca terá de enfrentar riscos genuínos e nunca terá de lidar com a possibilidade de prejuízos reais. Logo, é como se ela operasse fora do mercado, em uma dimensão paralela.

    E há também a questão política. A gerência governamental está sempre subordinada a ineficiências criadas por conchavos políticos, a esquemas de propina em licitações, a loteamentos de cargos para apadrinhados políticos e a monumentais desvios de verba -- afinal, como dito, uma estatal não busca o lucro, não precisa se submeter ao mecanismo de lucros e prejuízos do mercado, não tem concorrência e não deve transparência a ninguém.

    Grande abraço!
  • Guilherme  02/08/2013 15:25

    Governo cria estatal para gerir contratos do pré-sal

    A PPSA terá capital social inicial de R$ 50 milhões, com integralização de 30% em dinheiro da União

    O governo criou nesta sexta-feira a Empresa Brasileira de Administração de Petróleo e Gás Natural - Pré-Sal Petróleo (PPSA), que tem como objetivo as gestões dos contratos de partilha de produção celebrados pelo Ministério de Minas e Energia e para a comercialização de petróleo, gás natural e outros hidrocarbonetos fluidos da União.  

    A decisão foi em publicada no Diário Oficial da União (DOU) desta sexta-feira. O documento é assinado pela presidente Dilma Rousseff e pelos ministros da Fazenda, Guido Mantega, de Minas e Energia, Edison Lobão, e do Planejamento, Orçamento e Gestão, Miriam Belchior.

    A PPSA terá capital social inicial de R$ 50 milhões, com integralização de 30% em pecúnia pela União, está organizada sob a forma de sociedade anônima de capital fechado e é vinculada ao Ministério de Minas e Energia. De acordo com o decreto, a Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional convocará assembleia geral de acionistas para a constituição da PPSA e Lobão designará representante para a prática dos atos necessários à constituição e instalação da empresa pública.


    A minha pergunta é: é assim que funciona? O governo decide criar e pronto? Não tem escrutínio? Não tem resistência? Não tem oposição? A sociedade não é consultada? E chamam isso de democracia?
  • Ricardo  02/08/2013 15:39
    Democracia em ação. Votam nestas pessoas e eles fazem o que querem com nosso dinheiro.
  • Emerson Luis, um Psicologo  14/05/2014 13:25

    Desestatizar é mais do que privatizar: eis uma grande lição!

    * * *
  • Giovani  23/08/2014 23:38
    Desconsiderando o confisco da poupança, como podemos considerar o curto governo do Collor?

    De fato, ele mexeu com os aspones: desestatizou alguns setores e extinguiu cargos públicos. Teria sido ele o melhor presidente brasileiro, neste e talvez em outros aspectos (quais?), de 1986 até hoje? (Repito: desconsiderando o confisco)
  • Deise Lucia Cordova  19/11/2015 23:04
    Gostei muito do artigo e das defessas, parabenizo ao Leandro Roque pela iniciativa e todos que participaram. Contribuirão muito para minha recente entrada na construção de opinião no mundo da economia e gostaria de receber aviso de novos comentários.Deise
  • André B.  20/11/2015 11:20
    Prezado Leandro,

    Conheço um engenheiro que teve toda sua atuação profissional ligada à área de energia. Num debate, ele fez o seguinte comentário:

    "Veja também que o racionamento de 2001 teve causas estruturais, pois a confiança plena de que o estado deve estar fora e que o mercado se auto planeja, deu no que deu. O planejamento centralizado era tido como coisa de comunistas. De outra parte, vale notar que, nas maiores democracias capitalistas do mundo, o planejamento centralizado existe e a hidreletricidade está nas mãos do estado. E funciona muito bem. P.e., os maiores geradores americanos são o Bureau of Reclamation, o Corp of Enginners (exército americano) e o Tenesse Valley Authority. Só estes três respondem por quase 80% da geração hidráulica do país. Nós aqui contratamos a Coopers, inglesa, no apogeu da era Tatcher, que escreveu que o estado tinha de estar fora de toda a atividade energética. Com base apenas em ideias e não em prática, até porque quase não há potencial hidráulico na Inglaterra."

    Procurando aqui no site, não achei nada especificamente sobre a crise de 2001, só este artigo, que faz um comentário de passagem sobre ela. Existe algum artigo aqui no site específico sobre a crise de 2001? Você poderia fazer algum comentário sobre estas frases: "a confiança plena de que o estado deve estar fora e que o mercado se auto planeja, deu no que deu [racionamento de 2001]" e "nas maiores democracias capitalistas do mundo, o planejamento centralizado existe e a hidreletricidade está nas mãos do estado"?
    Abs e parabéns pelo seu excelente trabalho aqui no site,
    André.
  • Leandro  20/11/2015 13:03
    "Veja também que o racionamento de 2001 teve causas estruturais, pois a confiança plena de que o estado deve estar fora e que o mercado se auto planeja, deu no que deu. O planejamento centralizado era tido como coisa de comunistas."

    Ué, eu não sabia que, em 2001, Eletrobras, ANEEL, Ministério das Minas e Energia, CEPEL, CGTEE, CHESF, Eletronorte, Eletronuclear, Eletrosul, Furnas etc. haviam sido desestatizadas.

    Aprende-se uma coisa nova todos os dias....

    O risco de apagão em 2001 ocorreu apenas na região sudeste, onde as geradoras são estatais. Mas mesmo eu admito que não foi culpa delas, mas sim da inesperada falta de chuvas (a mesmíssima coisa teria acontecido este ano não fosse o fato de que a economia está encolhendo 3% e as indústrias estão operando com capacidade ociosa recorde).

    Já na região sul, onde a geradora estatal (a Gerasul) foi de fato privatizada (na verdade, uma concessão de 30 anos, mas ok), não houve apagão nenhum. A nova empresa ficou responsável pela geração de energia elétrica nos estados do Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná e parte do Mato Grosso do Sul. E funcionou muito bem.

    O problema de ideólogos e partidários políticos é que você não aprende nada discutindo com eles, pois só sabem mentir.

    Aliás, eles são contraditórios: se eles dizem que uma geradora privada não entregará energia, então, na prática, eles estão dizendo que empreendedores odeiam dinheiro. O que uma geradora privada ganha se ela não entregar energia? Para uma geradora privada, cada segundo que as pessoas ficam sem consumir energia representa milhares de reais que não estão entrando em sua conta bancária.

    "os maiores geradores americanos são o Bureau of Reclamation, o Corp of Enginners (exército americano) e o Tenesse Valley Authority. Só estes três respondem por quase 80% da geração hidráulica do país."

    Não falei? Olha aí a manipulação.

    O cidadão diz que três estatais geram 80% de toda a geração hidráulica dos EUA. Beleza. E qual é a fatia da geração hidráulica em toda a produção de energia elétrica nos EUA?

    Míseros 6%.

    Sério, pode conferir aqui.

    www.eia.gov/tools/faqs/faq.cfm?id=427&t=3

    Ou seja, o cidadão está dizendo que 4,8% (80% de 6%) de toda a energia elétrica americana é produzida por estatais, e diz que isso é a prova suprema de que o planejamento centralizado funciona!

    Eu juro que não tenho paciência para essa gente.

    Abraços!


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