O mito do assistencialismo escandinavo reexaminado

Agora que Obama está definitivamente determinado a expandir a qualquer custo o assistencialismo nos EUA - ao mesmo tempo em que esse mesmo sistema entra em crise em alguns países da Europa -, é impossível não falar sobre os países escandinavos.  Afinal, nenhum debate sobre assistencialismo estaria completo se não citássemos os países escandinavos como o perfeito exemplo de um como um estatismo em grande escala traz prosperidade.

Isso parece ser um verdadeiro enigma, mesmo para austríacos e outros libertários.  Sendo eu próprio um cidadão sueco, frequentemente me pedem para explicar como realmente funcionam essas "economias-zangões" - que supostamente não seriam capazes de voar, mas voam.

Ao examinar a performance econômica de um país, é sempre bom dar uma olhada em sua história.  Um conterrâneo meu, Stefan Karlsson, fez exatamente isso em 2006, escrevendo um excelente artigo sobre a história econômica da Suécia [artigo comentado em português].  Farei apenas uma pequena síntese desse tópico antes de me concentrar na questão central deste artigo.

Karlsson escreveu o seguinte:

Como resultado de suas políticas de livre mercado, da engenhosidade e do empreendedorismo de seu povo, e de sua auspiciosa rejeição às guerras, a Suécia apresentou, entre 1870 e 1950, o maior crescimento da renda per capita de todo o mundo, tornando-se então um dos países mais ricos do planeta.

De fato, graças à sua "neutralidade" durante a Segunda Guerra Mundial, a Suécia nunca foi bombardeada ou invadida.[1]  Isso possibilitou às indústrias suecas permanecerem intactas e incólumes, algo que, em conjunto com sua economia de livre mercado, possibilitou ao país lucrar intensamente com a reconstrução da Europa devastada pela guerra: a Suécia exportou enormes quantidades de bens e recursos naturais para o resto da Europa, estimulando um crescimento econômico no país que durou duas décadas.[2]  Como Karlsson demonstra, durante esse período "a Suécia era ainda uma das economias mais livres do mundo, e os gastos governamentais em relação ao PIB eram, com efeito, menores que os dos EUA."  

No rastro dessa expansão econômica, o governo sueco começou a instituir um maciço programa de assistencialismo estatal no decorrer da década de 1950, 60 e 70, fazendo com que os gastos governamentais explodissem para mais de 50% do PIB.  Em um dado momento em meados da década de 70, a alíquota máxima do imposto de renda chegou a inacreditáveis 102%.

Um das pessoas sobrecarregadas por essa carga tributária era Astrid Lindgren, a famosa autora de livros infantis mais conhecida pela série Píppi Meialonga.  Em 1976 ela escreveu um conto satírico que foi publicado em um dos maiores jornais da Suécia, no qual ela contava a história de uma inquieta autora de livros infantis chamada Pomperipossa, que vivia no reino fictício de Monismania.  Dentre outras coisas, Pomperipossa questionava por que quanto mais ela ganhava, menos podia ficar com ela, e por que pessoas como ela estavam sendo economicamente punidas pelo governo simplesmente por escreverem livros infantis populares.  O conto também relatava que, em Monismania, era possível evitar alguns dos impostos se você comprasse imóveis, que era exatamente o que ministro da fazenda sueco Gunnar Sträng vinha fazendo à época.

O conto de Lindgren provocou um ardoroso debate tributário na Suécia, e pela primeira vez em 44 anos o Partido Social Democrata, que sempre esteve no poder, perdeu as eleições gerais.

A economia sueca passou por enormes dificuldades ao longo da década de 70, principalmente porque as políticas crescentemente socialistas haviam provocado uma estagnação econômica, fazendo com que o país crescesse menos que o resto do mundo.  Vários outros países europeus alcançaram a Suécia e seu monstruoso estado assistencialista, e passaram a superá-la economicamente.

Em um esforço para salvar a economia, o governo realizou amplas reformas e liberalizações ao longo dos anos 80 e 90, cortando impostos e gastos assistencialistas, abolindo monopólios estatais, desregulamentando, deixando o câmbio flutuar e permitindo mais alternativos privados aos serviços oferecidos pelo setor público.

heritage-index.png
As barras verticais representam a liberdade econômica da Suécia ao longo do tempo, mensuradas pelo índice da Heritage.  A linha horizontal representa a média mundial ao longo do tempo.
Esse aumento na liberdade econômica está parcialmente ilustrado na figura ao lado, fornecida pelo Índice de Liberdade Econômica anual da Heritage Foundation.  O índice da Heritage classifica os países do mundo de acordo com sua liberdade econômica geral.  Eles são avaliados em diversas variáveis, incluindo tributação, inflação de preços, tamanho do governo, liberdade do mercado de trabalho, liberdade de comércio etc.  Karlsson criticou a antiga metodologia do índice em 2005; porém, desde então, o índice foi significativamente aprimorado, como o próprio Karlsson reconheceu em 2007.  Embora o índice ainda esteja longe da perfeição, ele faz um bom trabalho ao comparar a liberdade econômica geral de cada país.

O índice também revela um ponto crucial: há uma impressão equivocada, muito difundida pelas esquerdas, de que os países escandinavos são praticamente cubanos em termos de liberdade econômica, enquanto que o resto do mundo desenvolvido (particularmente os EUA) é bem mais orientado para o livre mercado.  Entretanto, a realidade é que os países escandinavos estão entre as 10 (caso da Dinamarca) e 20 (Finlândia e Suécia) economias "mais liberais" do mundo, não obstante seus enormes estados assistencialistas.

Como demonstra o índice da Heritage, Dinamarca, Finlândia e Suécia têm mais liberdade econômica que a maioria de seus congêneres europeus, incluindo Alemanha, Áustria, França, Bélgica, Espanha, Portugal e Grécia.  Embora seja verdade que os países escandinavos tendem a ter impostos maiores e gastos governamentais mais altos que a maioria dos outros países europeus, estes tendem a ter mais regulamentações e sistemas jurídicos menos transparentes e eficientes, o que cancela os efeitos positivos propiciados pelos impostos mais baixos.

Se compararmos o país ocidental mais livre do índice, que é a Austrália, com o país escandinavo menos livre, que é a Noruega, a disparidade é de 13,2 pontos - ou de 16% a favor da Austrália.  Se compararmos a Austrália com o país mais livre da Escandinávia, que a Dinamarca, a diferença cai para apenas 4,7 pontos - ou 5,7%.

Outra mensuração que revela um padrão similar é o Índice do Ease of Doing Business Index (Facilidade de se Fazer Negócios), que avalia a quantidade de burocracia e regulamentação que é preciso tolerar para se abrir e gerenciar um negócio em um país qualquer.  Neste, também, os países escandinavos aparecem entre os 10 (Dinamarca e Noruega) e 20 (Finlândia e Suécia) primeiros, sendo que normalmente o maior fardo que apresentam são suas legislações trabalhistas mais rigorosas.

A Dinamarca tende a aparecer melhor em ambos os índices em relação aos seus vizinhos escandinavos, principalmente graças à sua legislação trabalhista bem mais flexível.  Com efeito, por mais surpreendente que pareça, a Dinamarca está lado a lado com os EUA no atual índice da Heritage.  Dinamarca e EUA aparecem em #9 e #8, respectivamente.  Em janeiro deste ano, o governo dinamarquês cortou a alíquota máxima do imposto de renda, reduzindo de espantosos 60% para (ainda espantosos) 50%.  Isso será computado no ranking da Heritage do próximo ano, no qual a Dinamarca provavelmente irá trocar de lugar com os EUA.

É claro que de maneira alguma os países escandinavos são livres só porque pontuam relativamente bem nesses índices; contudo, eles são mais livres do que maioria dos outros países, algo que também explica por que eles tendem a ter um padrão de vida mais alto.  É simplesmente por isso que os estados assistencialistas escandinavos parecem "funcionar bem": porque a maioria das alternativas é ainda pior; e, em terra de cego, quem tem só um olho é rei.

Conclusão

Embora os países escandinavos apresentem uma quantidade extremamente alta daquilo que Rothbard classificou como intervenção binária - isto é, tributação -, seu ponto forte é sua quantidade relativamente mais baixa de intervenção triangular - isto é, regulamentação.  Isso coloca os países escandinavos no mesmo nível de competitividade de outros países desenvolvidos, e ajuda a explicar por que eles são capazes de apresentar um padrão de vida equivalente ou até mesmo maior.  O juízo falso de que os outros países ocidentais são muito mais voltados para o livre mercado do que a Escandinávia é algo desastroso, pois alimenta a ideia de que uma maior expansão governamental nesses países traria felicidade e euforia para todos, quando na realidade isso só pioraria as coisas.

Entretanto, a principal conclusão de tudo isso é que, no mundo todo, a liberdade está tão ausente, que mesmo os enormes estados assistencialistas da Escandinávia podem ser considerados como estando entre os países "mais livres" do mundo.  Ao passo que as coisas têm geralmente se encaminhado para a direção correta na Escandinávia em termos de maior liberdade econômica, o exato oposto parece estar ocorrendo em vários outros países, especialmente nos EUA.  Considerando que este já caiu para o mesmo nível da Dinamarca em termos de liberdade econômica, é de se imaginar quanto tempo levará para que encoste na Finlândia, na Noruega e na Suécia.

 

Leia também: Como o assistencialismo corrompeu a Suécia

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Notas

[1] Na realidade, o governo sueco silenciosamente ficou do lado dos alemães nazistas e permitiu que eles utilizassem os recursos naturais e o sistema ferroviário suecos.  Tudo para evitar uma invasão alemã.

[2] Se há um exemplo empírico perfeito do quão errado Keynes estava ao acreditar que guerra e destruição podiam gerar mais riqueza, este seria uma comparação entre a performance econômica da Suécia com a da Europa continental ao longo das duas décadas após a Segunda Guerra Mundial.  A Suécia, com sua econômica intacta, superou indiscutivelmente os outros países europeus, os quais, em alguns casos, tiveram de reconstruir suas economias quase que do zero.


1 voto

SOBRE O AUTOR

Lucas Danneskjöld
é graduado em um curso técnico, aluno de bacharelado em Ciências Cognitva na Universidade Umeå, na Suécia, e membro-fundador do Instituto Ludwig von Mises da Suécia.



"ajustar as atividades produtivas de acordo com as mais urgentes demandas dos consumidores não pode ser redução de salário?"

Não. Ajustar as atividades produtivas de acordo com as mais urgentes demandas dos consumidores significa produzir e vender exatamente aquilo que o consumidor quer. Se o empreendedor vai pagar salário astronômico ou mínimo para a mão-de-obra, isso é totalmente irrelevante para o consumidor.

"o trabalho não é fator de produção (um dos)"

Sim.

"o trabalho é um recurso escasso?"

Mão-de-obra é, por definição, algo escasso. Por isso mesmo, sempre haverá mais demanda por mão-de-obra do que mão-de-obra efetivamente disponível.

Falta mão-de-obra para tanto emprego disponível.

Sendo assim, a taxa de desemprego sempre deveria ser zero e os salários dos empregados sempre tende ao aumento. E por que o desemprego não é zero?
Por causa disso.

"demanda pode ser "criada" pelo marketing?"

Desejo pode ser criado pelo marketing, não demanda. Demanda significa aquisição. Eu tenho desejo por uma mansão, por um helicóptero e por uma Ferrari, mas não tenho como demandá-los porque não tenho o poder aquisitivo para os três. E não há marketing que me faça demandar esses três itens. Resta-me apenas desejar.

"sobre o trabalho escravo, nem entrei no mérito e na discussão sobre quando havia mais lucro e riqueza. Mas, o trabalho escravo é um fato que ainda existe. Existe por interferência governamental ou porque tem muitos empresários gananciosos e que buscam o lucro a qualquer custo (humano inclusive)?"

Ué, ainda existe trabalho escravo? Não sabia. Ainda existem pessoas trabalhando sem salário, sob chicotadas, proibidas de pararem de trabalhar e proibidas de pedirem demissão? Não sabia. Manda aí um link, por favor.

Até onde sei, nenhum indivíduo sai escravizado de sua casa e é levado a contragosto para trabalhos compulsórios. Um indivíduo, por definição, encontra trabalho porque saiu à procura de trabalho. Sua intenção sempre é melhorar de vida. Ele faz isso porque quer; porque a situação atual (sem trabalho) não lhe é atraente. Se ele está disposto a "trabalhar muito" é porque ele acha que assim ficará em situação melhor do que aquela em que se encontrava até então.

A menos que você comprove que o indivíduo está sendo [u]obrigado[u] a trabalhar sob a ameaça de um chicote, sem a opção de sair do emprego quando quiser, tal escolha sempre será benéfica para ele.

E se ele se sujeita a condições que para nós parecem degradantes é porque, para ele, aquilo ainda é melhor do que a situação econômica em que ele se encontrava antes. Cabe a você provar que esse indivíduo foi seqüestrado, levado a um emprego e ali mantido em cativeiro, contra sua vontade, sendo proibido de parar de trabalhar. Caso isso não tenha acontecido, então a única conclusão empírica é que esse indivíduo ainda prefere seu atual trabalho (assalariado) ao desemprego.
Errado.

Na economia, conhecemos a causa de tudo, pois a ação humana, ao contrário do movimento das pedras, é motivada. Sendo assim, é possível construir a ciência econômica partindo de axiomas básicos -- como a existência incontestável da ação humana e as implicações lógicas da ação --, axiomas estes que são originalmente reconhecidos como verdadeiros.

Destes axiomas, podemos deduzir passo a passo várias leis que também são reconhecidas como incontestavelmente verdadeiras. E este conhecimento é absoluto, e não relativo, exatamente porque os axiomas originais já são conhecidos. Eis alguns exemplos:

• Sempre que duas pessoas, A e B, se envolvem em uma troca voluntária, ambas esperam se beneficiar desta troca. E elas devem ter ordens de preferência inversas para os bens e serviços trocados, de modo que A valoriza mais aquilo que ele recebe de B do que aquilo ele dá para B, e B avalia as mesmas coisas do modo contrário.

• Sempre que uma troca não é voluntária e ocorre em decorrência de uma coerção, uma parte se beneficia à custa da outra.

• Sempre que a oferta de um bem aumenta em uma unidade, contanto que cada unidade seja considerada idêntica em utilidade por uma pessoa, o valor imputado a esta unidade deve ser menor que o da unidade imediatamente anterior.

• Entre dois produtores, se A é mais eficiente do que B na produção de dois tipos de bens, eles ainda assim podem participar de uma divisão de trabalho mutuamente benéfica. Isto porque a produtividade física geral será maior se "A" se especializar na produção de um bem que ele possa produzir mais eficientemente, em vez de "A" e "B" produzirem ambos os bens autônoma e separadamente.

• Sempre que leis de salário mínimo forem impostas obrigando os salários a serem maiores do que os salários que vigorariam em um livre mercado, um desemprego involuntário será o resultado.

• Sempre que a quantidade de dinheiro na economia aumentar sem que a demanda por dinheiro também seja elevada, o poder de compra da moeda irá diminuir.

Por outro lado, não existem elementos simples ou "fatos da natureza" na ação humana; os eventos da história são fenômenos complexos, os quais não podem "testar" nada. Eles, por si sós, somente podem ser explicados se forem aplicadas várias teorias relevantes aos diferentes aspectos de um determinado "fato" complexo que está sendo analisado.

Por que a matemática é tão útil na física? Exatamente porque os próprios axiomas utilizados, bem como as leis deles deduzidas, são desconhecidos e, com efeito, sem significado. Seu significado é exclusivamente "operacional", uma vez que eles são significantes somente na medida em que podem explicar determinados fatos.

Por exemplo, a equação da lei da gravidade, por si só, não tem sentido nenhum; ela só adquire sentido quando nós humanos observamos determinados fatos que a lei pode explicar. Consequentemente, a matemática, que efetua operações dedutivas sobre símbolos por si só inexpressivos (sem significado), é perfeitamente apropriada para os métodos da física.

A ciência econômica, por outro lado, parte de um axioma que é conhecido e possui significado para todos nós: a ação humana. Dado que a ação humana, em si própria, possui significado (o que não quer dizer que ela sempre será avaliada como racional e correta), todas as leis deduzidas passo a passo da ação humana são significativas.

Esta é a resposta para aqueles críticos que exigiram que Mises utilizasse métodos da lógica matemática em vez da lógica verbal. Ora, se a lógica matemática tem de lidar com símbolos inexpressivos, então seu uso iria destituir a economia de todo o seu significado.

Por outro lado, a lógica verbal permite que toda e qualquer lei tenha sentido quando deduzida. As leis da economia já são conhecidas aprioristicamente como significativamente verdadeiras; elas não têm de recorrer a testes "operacionais" para adquirir significância. O máximo que a matemática pode fazer, portanto, é converter laboriosamente símbolos verbais em símbolos formais inexpressivos e, então, passo a passo, reconvertê-los em palavras.

www.mises.org.br/Article.aspx?id=1690
O melhor a fazer, no caso de dúvida, é perguntar a quem conseguiu sobreviver à Cuba, ou imigrou de certa forma. Conheci uma cubana que imigrou há alguns anos, formada em Teologia por lá. Ela contou, e parecia ter medo de falar ou vergonha, que muitos do que vivem em Cuba, necessitam dois empregos para conseguirem viver pelo menos dignamente. Como ela fazia. E quanto aos médicos tão bem falados na boca dos brasileiros, têm de ir de bicicleta para o trabalho e chegam com as mãos tremendo para realizar cirurgias.
O que me faz questionar como seria se o mundo todo fosse socialista e Cuba não tivesse sido isolada tantos anos pelo embargo econômico americano. E por esta mesma linha de pensamento me perguntou porque não olhamos para países como Zimbabwe. A solução não está na mudança drástica para o socialismo, mas em uma evolução gradual do capitalismo que minimize as diferenças tão abruptas que temos em nosso mundo. Será possível um hemisfério sul e norte com os mesmo índices de desenvolvimento humano ? Fico nessa dúvida.

Alguns fatos sobre Zimbabwe.
Desde 2000 encontra-se em uma profunda crise, além da hiperinflação, há um alto índice de desemprego, pobreza e uma crônica escassez de combustíveis, alimentos e moedas estrangeiras.

A hiperinflação vem destruindo a economia do país, arrasando com o sector produtivo. Uma medida governamental congelou os preços, causando desabastecimento, fortalecimento do mercado negro e prisão de comerciantes contrários à medida.[3]

Em Julho de 2007, foi lançada a cédula de 200 mil dólares zimbabweanos, que apesar do elevado valor de face, é capaz de comprar pouco mais do que um quilo de açúcar. No mercado paralelo, a moeda era cotada a 1 dólar americano.[2] Em maio de 2008, foi lançada a cédula de 500 milhões[4] e em julho do mesmo ano foram lançadas cédulas com valores a partir de 100 biliões de dólares zimbabweanos.

Houve uma reforma monetária que entrou em vigor em agosto deste mesmo ano, no entanto, a taxa inflacionária parece não ceder, havendo projeções de que haja a necessidade de nova reforma em breve.

ARTIGOS - ÚLTIMOS 7 DIAS

  • Carlos Santos  11/03/2010 11:45
    O caso da Suécia traz esperanças para quem vive num país em que a economia é cada vez mais regulada e os consumidores e produtores (principalmente os que tem maior sucesso, um desincentivo ao aprimoramento) punidos com severidade crescente. A ciência econômica (principalmente as contribuições de Mises ao debate do calculo econômico) nós dá a certeza de que o socialismo é insustentável, resta torcer para que os brasileiros sejam tão serenos quanto os suecos e saibam exigir dos políticos um compromisso com a realidade. Por enquanto, teremos agora que pagar uma gorjeta maior para os garçons... é pra cerveja nenhuma descer redondo!
  • Cristiano  12/03/2010 17:34
    Não vejo nada de positivo nos países escandinavos. Não vejo nada de concreto sendo feito para aumentar a liberdade por lá.
  • Wilson  13/12/2013 02:34
    Os maiores IDH do planeta. Qualidade de vida que faz os EUA parecem uma favela. Se isso não é algo postivo, rapaz, mude pra Marte.
  • Leandro  13/12/2013 08:50
    Vejamos:

    IDH da Noruega: 0,955
    IDH da Austrália (2º lugar): 0,938
    IDH dos EUA (3º lugar): 0,937
    .
    .
    .
    IDH da Suécia (7º lugar): 0,916
    .
    .
    .
    IDH da Dinamarca (15º lugar): 0,901


    Detalhe: à frente de Dinamarca e Suécia estão países como Irlanda, Nova Zelândia, Alemanha e Holanda.

    en.wikipedia.org/wiki/List_of_countries_by_Human_Development_Index

    Sendo assim, não sei de onde você tirou que, nos países nórdicos, a "qualidade de vida faz os EUA parecem uma favela". Você está apenas cuspindo ideologia barata, sem se dar ao mínimo trabalho de pesquisar fatos básicos.
  • Afonso Juvêncio  25/02/2014 18:19
    Pra que Crescimento Econômico do país se seu povo já tem tudo que precisa?! Pra que pensar sempre em CRESCER?! Eles estão DESENVOLVIDOS, não precisam de um mero crescimento numa planilha. Tá na hora de rever conceitos. Crescimento sem desenvolvimento é tiro no pé.
  • Occam's Razor  25/02/2014 19:28
    "Pra que Crescimento Econômico do país se seu povo já tem tudo que precisa?"

    Nunca deixo de me espantar ao ver como os socialistas se arrogam a capacidade de saber do que os outros precisam ou não. É muita bondade para caber em minha mente.
  • João  12/11/2014 17:20
    g1.globo.com/mundo/noticia/2014/07/brasil-avanca-uma-posicao-e-e-79-no-ranking-do-desenvolvimento-humano.html


    Leandro o ranking mais atualizado mostra os EUA abaixo da Suécia. Dois países escandinavos estão entre os dez melhores.
  • Leandro  12/11/2014 18:43
    Primeira conclusão: desde que Obama assumiu a presidência dos EUA, a coisa degringolou geral por lá.

    Segunda conclusão: quanto mais liberal a economia, maior o desenvolvimento humano. Veja que esses dez países do índice de desenvolvimento humano estão nos 20 primeiros lugares do ranking Ease of Doing Business, que é o ranking que mensura a facilidade de se empreender.

    www.doingbusiness.org/ranking

    O que sustenta a Suécia e a Dinamarca é exatamente o livre e desburocratizado ambiente empreendedorial destes países. A carga tributária sobre pessoas jurídicas é baixa (bem menor que a dos EUA), há pleno respeito aos contratos, há segurança jurídica, há respeito à propriedade privada, as tarifas de importação são insignificantes e não há nem salário mínimo.

    Vamos replicar isso no Brasil?
  • Malthus  12/11/2014 18:46
    Ufa!

    Já fazia 8 dias que não surgia um pára-quedista aqui fazendo as mesmíssimas perguntas de sempre sobre os países escandinavos. Já tava até ficando preocupado...
  • Silvio  12/11/2014 19:30
    Esses artigos podem ajudá-lo a compreender melhor o saco sueco: rodrigoconstantino.blogspot.com.br/2006/08/o-mito-sueco.htm e www.mises.org.br/Article.aspx?id=632
  • Silvio  12/11/2014 19:33
    Opa, link errado. Queria passar este: www.mises.org.br/Article.aspx?id=113
  • Romulo  02/07/2014 02:18
    Também não vejo todo esse futuro promissor. O pessoal libertário só se preocupa com a economia. A Suécia por exemplo, é praticamente um país mulçumano hoje. A sociedade está sendo moldada, isso com certeza vai afetar a economia em um futuro distante. Quando estive lá em 2013, vi muita gente ociosa, principalmente os mulçumanos suecos, que não querem trabalhar. Estavam colocando fogo nos carros, um caos.
  • Lucas  02/07/2014 12:27
    Se a Suécia hoje é um país muçulmano e de gente ociosa, isso é consequência direta do estado babá que eles implantaram lá e das políticas de esquerda que tratam os muçulmanos como "vítimas da sociedade".
  • Francisco Eudes  11/11/2012 19:35
    Uma coisa não me ficou clara: pelo o que eu entendi do texto a Suécia é uma país assistencialista, porém possui uma economia relativamente livre. Afinal, o que proporcionou a excelente condição de vida dos suecos foi o assistencialismo, ou a livre economia? E também, caso seja a segunda opção gostaria que me indicassem textos que explicassem e exemplificassem como uma livre economia pode trazer uma boa qualidade de vida ao povo, pois ainda não entendi a relação de um com o outro. Muito Obrigado!
  • Leandro  12/11/2012 01:57
    Prezado Francisco,

    Os países escandinavos primeiro enriqueceram (o fato de não terem participado de nenhuma guerra ajudou bastante) e só depois adotaram um estado assistencialista. E com um detalhe inevitável: após essa adoção, a criação de riqueza estagnou (como foi relatado aqui e aqui).

    Outra coisa pouco mencionada é o alto nível de desregulamentação das economias escandinavas. Você demora no máximo 6 dias para abrir um negócio (contra mais de 130 no Brasil); as tarifas de importação estão na casa de 1,3%, na média (7,9% no Brasil); o imposto de renda de pessoa jurídica é de 25% (34% no Brasil); o investimento estrangeiro é liberado (no Brasil, é cheio de restrições); os direitos de propriedade são absolutos (no Brasil, grupos terroristas invadem fazendas e a justiça os convida para um cafezinho); e, horror dos horrores, o mercado de trabalho é extremamente desregulamentado. Não apenas pode-se contratar sem burocracias, como também é possível demitir sem qualquer justificativa e sem qualquer custo. E tudo com o apoio dos sindicatos, pois eles sabem que tal política reduz o desemprego. Estrovengas como a CLT (inventada por Mussolini e rapidamente copiada por Getulio Vargas) nunca seriam levadas a sério por ali.

    Sobre economia livre versus economia dirigida, uma economia livre é aquela em que há respeito à propriedade privada, liberdade de empreendimento, pouca burocracia, desregulamentação econômica, moeda forte, ausência de inflação, leis confiáveis e estáveis, arcabouço jurídico sensato e independente, segurança jurídica, e a garantia de que as pessoas poderão manter os frutos de seu trabalho, isto é, as pessoas poderão manter seus lucros. Um bom exemplo de um país assim é a Suíça.

    Já uma economia dirigida é o oposto de tudo isso. Um bom exemplo seria a Coréia do Norte, todos os países africanos, e vários da América Latina.

    Embora o primeiro modelo não seja garantia de enriquecimento -- pois o enriquecimento vai depender da amplitude da divisão do trabalho, da poupança, da acumulação de capital e da capacidade intelectual da população --, o segundo modelo é certeza de pobreza.

    Recomendo os seguintes artigos:

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=1430
    www.mises.org.br/Article.aspx?id=1439
  • Pedro Ivo  13/11/2012 04:47
    Leandro, achei muito interessantes estas informações que você deu sobre o alto nível de desregulamentação das economias escandinavas. Quais as fontes por favor? gostaria de consultar
  • Leandro  13/11/2012 04:52
    Sites da Heritage Foundarion, do Frasier Institute e Doing Business.
  • Erick V.  13/11/2012 06:37
    Leandro,

    Já que o assunto foi levantado, vc poderia me esclarecer duas dúvidas que tenho há algum tempo? São as seguintes:

    1) Lembro de já ter lido em algum comentário por aqui (não recordo em qual artigo) que a metodologia adotada na confecção dos relatórios do Fraser Institute é mais confiável do que a da Heritage Foundation. Não querendo descer muito a detalhes técnicos (até porque não tenho formação em economia), por que isso acontece?

    2) Em todos esses rankings, a Irlanda aparece como uma das economia mais livres do mundo - no entanto, é um dos países europeus que mais tem sofrido os efeitos da crise. O que explica isso? Seria a Irlanda, como os países nórdicos, outro exemplo de tentativa de combinação do "welfare state" com liberdade econômica individual?

    Muito obrigado!
  • Leandro  13/11/2012 07:52
    1) A Heritage desconsidera por completo se está havendo ou não expansão creditícia. Ela analisa apenas a taxa de inflação de preços divulgada pelo governo. Se estiver baixa, ela se dá por satisfeita e tece elogios. Pessoas com um mínimo conhecimento tanto de teoria dos ciclos quanto do problema da mensuração de um "nível de preços" sabe que tal postura não apenas é risível como é também extremamente perigosa. Bolhas podem estar sendo formadas, desviando vários recursos da economia para um único setor, sem que isso esteja sendo percebido.

    2) Exatamente pelo motivo explicado no item 1. Espanha e Irlanda foram os países que vivenciaram o mais intenso boom europeu em seu setor imobiliário em decorrência da expansão do crédito feita pelo seu sistema bancário de reservas fracionárias. Quanto maior o boom, maior e mais severa será a recessão, que é justamente o processo necessário para se corrigir estes desarranjos estruturais. Liberdade econômica nenhuma resiste a uma expansão creditícia.

    De resto, sugiro um pouquinho mais de cuidado ao sais lendo o que a imprensa diz ser "crise severa". Imprensa precisa de audiência, e nada como matérias bombásticas com títulos chamativos para chamar a atenção. Como expliquei em meu artigo sobre moeda forte, o padrão de vida de um europeu desempregado é nababesco em relação ao de um trabalhador brasileiro. Ao passo que o PIB per capita brasileiro é de insignificantes US$11.239, o da Espanha é de US$29.742 e o da Irlanda é de US$38.550. Um irlandês médio é três vezes mais rico que um brasileiro médio.

    Se Espanha e Irlanda estão ruins, é necessário um novo adjetivo para classificar nossa situação.
  • Henrique  31/12/2013 22:12
    Eu tenho duas dúvidas referentes ao texto e a informação dada: "No rastro dessa expansão econômica, o governo sueco começou a instituir um maciço programa de assistencialismo estatal no decorrer da década de 1950, 60 e 70, fazendo com que os gastos governamentais explodissem para mais de 50% do PIB. Em um dado momento em meados da década de 70, a alíquota máxima do imposto de renda chegou a inacreditáveis 102%." - Por que do governo sueco instituir essas assistências, se estava tão bom sem a intervenção estatal? Eu senti um pulo temporal e sem a necessária explicação.

    E uma dúvida de um recém chegado nos estudos econômicos: Para se chegar a um mercado mais livre, com menos intervenção estatal e índices de liberdade de altíssimo nível, dá a entender que o Estado teve que encabeçar essa corrida, claro que com a intensa participação e pressão popular. Com isso, temos países com serviços de infraestrutura, educação, saúde e transporte público e de qualidade, diferente de países como o Brasil. Cingapura, Japão e a Escandinávia são exemplo disso. Estou certo.

    Obrigado por tirar essas dúvidas.

  • Marcelo  31/12/2013 23:36
    Quanto à sua primeira dúvida, não entendi o espanto. Sempre haverá espaço para novas "comodidades" estatais. Você pode viver na sociedade mais rica e pujante do mundo; se o estado entrar em cena prometendo novas coisas "grátis", como educação, saúde, previdência, creche, jardinagem, corte de grama etc., pode ter a certeza de que a sociedade aceitará. Afinal, quem vai recusar coisas "gratuitas"?

    Recomendo:

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=113

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=1745


    Quanto à sua segunda dúvida, não entendi nada da "lógica" dela.
  • Marcelo Werlang de Assis  01/01/2014 17:10
    Só desejo esclarecer que não sou eu o Marcelo que respondeu à pergunta acima. Trata-se de outro Marcelo. Para evitar confusões, seria muito bom que os internautas se identificassem melhor, colocando sobrenome ou apelido.

    Amplexos!
  • Henrique  01/01/2014 22:05
    Ainda bem que houve identificação, por que a resposta primeva foi péssima, sem nexo e bases histórico-filosofica. Mas pode deixar, Marcelo. Eu encontrarei a resposta concreta em meus estudos. Bom ano de 2014 pra você.
  • Guilherme  01/01/2014 22:37
    De minha parte, acho que a resposta do Marcelo foi precisa. Nenhuma sociedade vai recusar a oferta de bens e serviços "gratuitos" pelo governo, por mais rica e desenvolvida que seja. Isso é empiricamente comprovado não só na Escandinávia, como também nos EUA e na Europa continental. Sendo assim, gostaria muito de saber do Henrique qual foi a falta de "nexo e bases histórico-filosofica".
  • Marcelo Werlang de Assis  02/01/2014 15:14
    Foi exatamente porque a resposta do Marcelo foi excelente que fiz essa ressalva quanto à identificação. Pois seria exatamente assim que eu responderia.

    Abraços!
  • Rodrigo Freitas  10/07/2015 22:29
    Leandro, estou alguns anos atrasado em relação ao seu comentário mas se possível gostaria da sua ajuda.
    Vc comentou que a Suécia enriqueceu bastante por diversos fatores até a década de 50 mas que depois ao longo dos anos adotou um forte assistencialismo, mesmo que mantendo um mercado relativamente bem livre. Acredito que o assistencialismo somente poderia ser sustentado dessa maneira, correto? Além disso, comentou que como resultado do assistencialismo houve uma estagnação do crescimento. Ou seja, a economia "livre" é necessária para permitir a geração de riqueza para que o poder estatal justamente o use para o assistencialismo? (desculpe se resumi errado)

    1- Se eu entendi corretamente, isso não seria um "ponto" positivo para um social democrata? Digo, não seria uma fórmula defensável, já que existe a possibilidade de equilibrar o livre comércio com o assistencialismo. Isso considerando que haja estagnação como vc citou. Se você disser que na verdade há um declínio, e que esse assistencialismo não é sustentável, eu nem discutiria. Mas me parece que é sustentável manter um alto assistencialismo numa economia livre (e somente se for assim). Quais circunstancias ou condições são necessárias para haver esse equilíbrio entre livre comércio e assistencialismo? Seria defensável a adoção sustentável de um sistema desse tipo nos EUA, por exemplo? Não sou a favor do Estado "babá", mas não saberia me defender nesse caso. Como não sou da área da economia, deve estar perdendo muitos fatores...

    2- Outra questão: não entendo porque a Suécia é considerada Socialista se tem um mercado livre. Se é pelo assistencialismo, não seria um título impróprio?

    Obrigado!

  • Leandro  10/07/2015 23:45
    "Acredito que o assistencialismo somente poderia ser sustentado dessa maneira, correto?"

    Correto. Qualquer esquema de redistribuição de riqueza só funciona se uma parte (a parte espoliada) estiver produzindo riqueza a uma taxa crescente.

    Caso a produção de riqueza não seja a uma taxa crescente, a redistribuição dessa riqueza fará com que toda a sociedade fique, na melhor das hipóteses, economicamente estagnada. No extremo, poderá empobrecer.

    Isso não é questão de ideologia, mas sim de bom senso. Só é possível redistribuir, de maneira contínua, aquilo que está sendo continuamente criado.

    "Ou seja, a economia "livre" é necessária para permitir a geração de riqueza para que o poder estatal justamente o use para o assistencialismo? (desculpe se resumi errado)"

    Correto. E isso é tautológico: sem geração de riqueza -- algo só possível em uma economia com pessoas altamente empreendedoras --, não há riqueza para ser continuamente redistribuída.

    "isso não seria um "ponto" positivo para um social democrata?"

    Não entendi o raciocínio. Do meu ponto de vista, isso é um passivo para o social-democrata: afinal, o modelo dele só se sustenta se ele permitir o livre empreendedorismo; e o empreendedorismo só é produtivo em ambientes desregulamentados e de baixa tributação.

    "Digo, não seria uma fórmula defensável, já que existe a possibilidade de equilibrar o livre comércio com o assistencialismo."

    Na fórmula livre mercado + assistencialismo, há um lado produtivo e espoliado, e há o outro lado improdutivo e parasitário. Este não vive sem aquele; só que aquele viveria ainda melhor sem este.

    Sobre a "possibilidade de equilibrar" esse arranjo, a atual situação europeia, inclusive a escandinava, mostra exatamente o contrário: o modelo se esgotou.

    Sendo assim, continuo sem entender o raciocínio.

    "Se você disser que na verdade há um declínio, e que esse assistencialismo não é sustentável, eu nem discutiria. Mas me parece que é sustentável manter um alto assistencialismo numa economia livre (e somente se for assim)."

    Depende da sua definição de "sustentável". Se o objetivo é primeiro acumular capital e enriquecer, para então, só então, tributar e redistribuir (e, ainda assim, por um período de tempo em vez de eternamente), então sim, tal arranjo apresentará alguma "sustentabilidade" -- até o ponto em que o consumo de riqueza se tornar maior que a produção de riqueza.

    "Quais circunstancias ou condições são necessárias para haver esse equilíbrio entre livre comércio e assistencialismo?"

    Enquanto o consumo de riqueza for menor que a produção de riqueza.

    "Seria defensável a adoção sustentável de um sistema desse tipo nos EUA, por exemplo?"

    Lá já é assim. Os gastos assistencialistas americanos são extremamente generosos. Só que, antes de adotá-los, eles já haviam enriquecido (e muito). Ou seja, primeiro eles enriqueceram; depois, só depois, começaram a redistribuir.

    Resta ver até quando tudo irá durar. Pode ser que dure bem, pois, além de serem extremamente produtivos, os americanos ainda têm muito capital acumulado. Ou seja, há muita riqueza para ser queimada nesse processo.

    "Não sou a favor do Estado "babá", mas não saberia me defender nesse caso. Como não sou da área da economia, deve estar perdendo muitos fatores..."

    "Defender"? Isso é apenas uma exposição de dados e de lógica. Não há por que haver embate nem antagonismo. Basta apenas utilizar a lógica econômica.

    "não entendo porque a Suécia é considerada Socialista se tem um mercado livre. Se é pelo assistencialismo, não seria um título impróprio?"

    Eu não gosto de rótulos, e raramente os utilizo. Mas você pode ver essa definição de socialismo:

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=1430

    Um dos argumentos daqueles que rotulam a Escandinávia de socialista é por causa da redistribuição de renda feita por uma alta alíquota do Imposto de Renda de Pessoa Física (já o Imposto de Renda de Pessoa Jurídica deles é bem menor que o nosso).
  • Rodrigo Freitas  11/07/2015 00:24
    Muito obrigado pela atenção e pelos esclarecimentos.

    Com relação à minha pergunta sem sentido - "isso não seria um "ponto" positivo para um social democrata?", explico:

    Eu talvez tenha feito confusão, mas o queria abordar é o fato de que um social democrata poderia defender politicamente o aumento dos impostos (como já acontece...) usando como exemplo os arranjos escandinavos (Suécia em particular). A social democracia não é teoricamente anticapitalista, até onde sei... Ou seja, esse arranjo sueco parece ser usado como exemplo para o intervencionismo estatal no aumento de impostos, nesse caso sendo um ponto positivo para quem o defende. Por outro lado, como vc disse, pode ser um passivo se eles defenderem o assistencialismo através da estatização dos meios de produção (modelo latino americano?).

    Mas como você explicou, o modelo não é sustentável no longo prazo mesmo respeitando as condições necessárias para sua implementação. Ele se esgota...

    Abs




  • Eduardo Veras  02/11/2016 23:39
    Obrigado
    Esta dúvida também me perturbou por muitos anos
    Definitivamente larguei o partido que eu achava que seria solução, o PSOL e adoto a ideologia liberal.
  • Francisco Eudes  14/11/2012 14:11
    Outra dúvida minha é sobre o mito de que os países capitalistas sempre enriqueceram as custas de um outro país. Os socialistas citam como exemplo o colonialismo europeu e o neo colonialismo, além de tentarem relacionar a exploração da mão de obra asiática pelas empresas ocidentais. Confesso que sou novo na teoria austríaca de economia, ficaria grato se me dessem uma ajudinha para poder desmentir professores de ensino médio que gritam e amaldiçoam o capitalismo. Abraço!
  • Vítor Höher Nunes  16/11/2012 08:59
    Prezado Francisco,\r
    \r
    Essa falácia é fácil de desconstituir visto que temos muitos países que são ricos hoje e foram colônias e/ou explorados de alguma maneira no passado. Dos dez primeiros países no ranking de liberdade econômica da Heritage, oito deles já foram parte do Império Britânico (Hong Kong, Cingapura, Austrália, Nova Zelândia, Canadá, Maurícia, Irlanda e EUA), o Chile foi colônia da Espanha e a Suíça (que não foi colônia, mas esteve sob o domínio da França napoleônica por mais de 15 anos).\r
    \r
    Um exemplo que podemos comparar é a Jamaica e a Cingapura, ambos se tornando independentes da Inglaterra na mesma década, com indicadores de desenvolvimento no mesmo nível na época e que hoje apresentam uma distância enorme de desenvolvimento. A mesma coisa pode ser dita das Coréias, ambas divididas na mesma época, com a mesma cultura, mesmos recursos e nível de desenvolvimento e com realidades de desenvolvimento completamente diferentes hoje. Podemos citar o Império Russo, que dominou muitos territórios e hoje não é um país rico. Enquanto a Finlândia, que era dominada pela Rússia, é extremamente desenvolvida.\r
    \r
    Quanto à exploração da mão-de-obra por parte dos países ocidentais, isso é uma falácia também. Se os trabalhadores aceitam os respectivos salários é pq é vantajoso para eles, senão não aceitariam. As empresas ocidentais oferecem salários de acordo com a realidade do mercado de lá, sendo que isso tem ajudado muito no desenvolvimento desses países. O crescimento econômico da Ásia de se deu a partir do abandono do socialismo, com uma abertura para o livre mercado e o investimento estrangeiro. Os capitalistas maldosos do ocidente com seus investimentos, tecnologia e know-how tiveram papel decisivo no desenvolvimento asiático e na melhora das condições de vida no continente. Os países que abriram espaço para o investimento estrangeiro tiveram sua riqueza ampliada e não o contrário. \r
    \r
    Os Tigres Asiáticos, a China e a Índia se desenvolveram a partir do momento que passaram a se aproximar do Ocidente e adotar medidas liberalizantes, abrindo suas economias para o capital e o mercado mundial. E, afinal de contas, quais países cresceram mais nos últimos 20/30 anos, os asiáticos que eu citei acima ou as economias ocidentais? Se fosse de fato uma exploração, os países asiáticos deveriam estar estagnados ou em pior situação, enquanto os países ocidentais deveriam crescer a taxas significativas. O que acontece é exatamente o contrário, os países europeus e os EUA crescem num ritmo muito menor que os asiáticos que eu citei. \r
    \r
    Na prática, por mais que o país tenha sido explorado, sido colônia e etc, isso não consegue impedir que ele tenha sucesso depois se forem adotadas políticas corretas, podendo mostrar um avanço significativo em questão de uma geração. O que importa são direitos de propriedade sólidos, instituições estáveis, moeda forte, livre mercado, rule of law e por aí vai...\r
  • Eduardo R., Rio  03/02/2013 20:48
    Nima Sanandaji expõe o mito do modelo escandinavo no paper escrito para o Institute of Economic Affairs intitulado "The surprising ingredients of Swedish success – free markets and social cohesion", que está disponível em inglês, no qual ele demonstra que a prosperidade da Suécia é conseqüência do livre mercado, e não do estado assistencialista.


  • Eduardo R., Rio  13/10/2014 01:14
    "O mito do 'socialismo sueco'", por João José Horta Nobre.
  • Rodrigo  16/04/2014 03:25
    Há pouco tempo estava dando uma olhada mais específica no caso norueguês, tido como o escandinavo menos livre.
    Bom, pelo o que eu encontrei, o Welfare State da Noruega é o mais extenso desses países, e ainda assim a renda per capita, PIB per capita e outros indicadores noruegueses batem recorde, sem falar na grande quantidade de estatais. Os impostos são altíssimos, progressivos e, não sei se é verdade, pelo o que parece tem dinheiro sobrando que está em um fundo soberano (perdoe-me se estiver equivocado).

    A questão é: como isso é possível?

    Gostaria de saber se alguém aqui já deu uma pesquisada mais ao fundo, e tem como argumentar com algumas comprovações. Melhor saber logo do que ser pego em um furo lógico no futuro.

    Até onde eu vi, a exploração do petróleo toma grande parte nisso.
  • Leandro  16/04/2014 04:49
    A Noruega pode se dar a vários luxos porque literalmente está boiando sobre petróleo, cujas receitas de exportação garantem ao governo um superávit orçamentário de incríveis 10%.

    Exatamente por causa desta excepcionalidade, a Noruega pode se entregar a vários exotismos estatais e assistencialistas. Retire o petróleo da Noruega e a coisa ficará bastante curiosa.

    Como comparação, a Suécia, que não tem essa sorte geológica, possui uma economia mais livre que a Noruega (menos regulamentações, mais livre comércio). E tem de ser mais livre porque, se não fosse mais livre, não teria como ela produzir a riqueza necessária para sustentar seu estado.

    Se a Noruega perdesse o petróleo, e mantivesse exatamente a mesma estrutura econômica de hoje, a teoria ensina que ela seria pior que a Suécia.
  • Luis Guilherme Sella  16/04/2014 06:23
    Leandro, isto não seria motivo para defender a Petrobras estatal? Não estou defendendo isso, mas achei pertinente levantar a questão. Claro que são realidades completamente diferentes entre Brasil e Noruega, mas não são contextos parecidos neste caso? Melhor dizendo: não seria este motivo o utilizado pelos socialistas para defender a estatização da exploração dos recursos naturais no Brasil?

    Não sei se na Noruega a exploração dos recursos naturais é totalmente estatizada. Fiz uma breve pesquisa aqui e me parece que é um regime regulado de concessões porque o governo é o principal acionista do setor petroleiro, mas não consegui achar nada que falasse sobre exploração do petróleo por outras empresas senão a Statoil. Se assim for, não seria um bom argumento para "invalidar" a teoria de que empresas estatais são economicamente inviáveis? Que não é uma questão de mudar o modelo econômico, apenas de "votar certo nas próximas eleições" - argumento tão repetido pelo senso comum?
  • Leandro  16/04/2014 07:34
    Venezuela, Irã e Nigéria adotaram exatamente este modelo que você está propugnando. Pela (sua) lógica, era para estes países serem social-democracias igualmente abastadas.

    Por outro lado, Japão e Israel não possuem uma gota de petróleo, e estão um pouquinho melhor do que estes países. Já os EUA sempre deixaram o setor petrolífero nas mãos de empresas privadas, e o resultado é uma gasolina relativamente barata (muito mais do que a nossa), mesmo com o país sendo o mais voraz consumidor de petróleo.

    Perdoe-me a indelicadeza, mas achar que o segredo para o enriquecimento de um país está na estatização do petróleo é de uma ingenuidade inominável. Nem é preciso dominar a teoria; basta ver os vários exemplos práticos dos países acima citados.

    Ah, sim, só para constar: o preço da gasolina na Noruega é simplesmente o maior do mundo, de incríveis US$ 10,76 por galão. Pode conferir aqui.

    Quer implementar este modelo aqui no Brasil? Com a gasolina a esse preço, nosso crescimento econômico seria uma parada...
  • Luis Guilherme Sella  16/04/2014 08:18
    Leandro, eu não defendi a estatização, concordo plenamente com você. Apenas levantei a questão porque esse "bom" resultado da Noruega vira um mantra na boca de político. Aí o povo ignorante cai no conto da vigário e acredita que a Petrobras é de "todos", que a Vale do Rio Doce era de "todos", assim como a CSN e outras tranqueiras estatais. E que são elas que vão fazer dinheiro brotar da terra pra dar saúde, educação, cultura, lazer e petit gateau de "graça" pra todo mundo, basta "votar certo" e assegurar a "democracia e a constituição". A única forma de um Estado provedor funcionar é se ele tiver o que prover, e é nesse mastro que roda o argumento do "bem-estar" social.

    E sobre a Venezuela, há controvérsias... A Revolução bolivariana é que está garantindo a soberania e a felicidade do povo venezuelano, assegurando o petróleo sob o comando do líder supremo. Até ministério da felicidade já tem lá!

    [IRONIA OFF].
  • Rodrigo  16/04/2014 23:14
    Bom, era exatamente o que eu imaginei, é tanto petróleo que eles se dão o luxo de desperdiçar muito dinheiro.
    A minha curiosidade veio de uma reportagem de um site claramente sindicalista e estatizador, daí suspeitei que não seria bem isso.
    Pelo o que eu pesquisei, os salários são altos também por causa do petróleo, que gera muitos empregos e atrai a maior parte da mão-de-obra. Acaba faltando trabalhador em outras áreas, logo o salário delas sobe também. Só que a economia norueguesa, justamente por causa da exploração, não é diversificada, logo sem petróleo eles quebram.

    Concluindo, sorte existe! Só não é eterna!
  • Emerson Luis, um Psicologo  09/05/2014 19:46

    É necessário extrair as lições certas de cada caso. Os países escandinavos prosperam apesar do seu intervencionismo em impostos e por causa do seu liberalismo em regulamentação.

    * * *
  • Giordano Mochel  02/03/2016 01:46
    O partido Social Democrata surgiu em 1889 e depois de 1920 ficou mais de 60 anos no poder. O desenvolvimento sueco passa pela social democracia, obviamente com liberdade econômica. Aliás, os dois partidos foram aliados na descontinuação da monarquia no início do século. O partido derrotado foi sempre o conservador, nesse período.

    "A Suécia continuava sendo uma monarquia, apesar de poucos anos depois, em 1920, constituir-se pela primeira vez num governo integrado unicamente por membros do Partido Social-democrata, partido em princípio republicano. Podemos afirmar, então, que com a manutenção do sistema antigo da monarquia ficava consumada a transição pacífica para uma nova forma de governo."

    Para saber mais:

    www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0102-64451991000200011
  • Diego Carvalho  27/05/2016 03:34
    Quais são os critérios que compõem esse índice de liberdade econômica?
    Eu sou favorável a provavelmente 99% dessas liberdades.
    Mas deixar existe um único ponto (que se estiver nesses critérios) eu sou contra: O estado não interferir para diminuir as desigualdades sociais.

  • Marcos  27/05/2016 14:13
    Ué, mas é ele próprio quem as causa!

    "Sem o estado, quem cuidará dos pobres?"
  • Luigi  04/07/2016 18:21
    O que existe nestes países parlamentaristas é um governo descentralizado, dando mais vazão e importância aos governos locais (prefeituras) do que ao governo geral. Há também o que eu chamo de "rastreabilidade tributária", o que afasta, pelo menos em partes, a sensação de "gratuidade" dos serviços prestados pelo governo a população, ou seja, quanto o contribuinte paga o seu imposto ele sabe exatamente para que esfera foi o dinheiro e de quem cobrar os serviços necessários, assim o imposto acaba funcionando como uma espécie de "taxa de condomínio" para os moradores. Sabem o que gastam, quando gastam e porquê gastam. Isso só é possível com uma forte descentralização do poder político, aliado a diminuição máxima possível da máquina estatal de domínio geral e transferência de responsabilidades relativas a serviços comuns como educação, segurança, saúde a governos locais. Isto por si só já mitiga em muito a corrupção, por exemplo.
  • Patricia   21/09/2016 03:18
    Ainda não entendi uma coisa. Como o país tem um alto grau de liberdade econômica, e ao mesmo tempo cobra impostos tao exorbitantes para manter o estado de bem-estar social?
    Liberalismo e altos impostos podem casar?
    Estado de bem estar social e livre-comercio andam juntas nesse país?
  • Ericsson  21/09/2016 12:20
    Carga tributária, por si só, não define liberalismo. É um item muito importante, sem dúvida, mas, por si só, não é definidor.

    Segundo o site "Doing Business", nas economias escandinavas,

    1) você demora no máximo 6 dias para abrir um negócio (contra mais de 130 no Brasil);

    2) as tarifas de importação estão na casa de 1,3%, na média (no Brasil chegam a 60% se a importação for via internet);

    3) o imposto de renda de pessoa jurídica é de 22% (34% no Brasil);

    4) o investimento estrangeiro é liberado (no Brasil, é cheio de restrições);

    5) os direitos de propriedade são absolutos (no Brasil, grupos terroristas invadem fazendas e a justiça os convida para negociar);

    6) e o mercado de trabalho é extremamente desregulamentado. Não apenas pode-se contratar sem burocracias, como também é possível demitir sem qualquer justificativa e sem qualquer custo. Não há uma CLT nos países nórdicos.

    7) Não existe salário mínimo.

    Na Dinamarca, por exempo, não há nem sequer indenização por demissão (mesmo sem justa causa) e nem leis trabalhistas que restrinjam horas extras (empregado e patrão acordam voluntariamente as horas de trabalho), o que permite que as empresas dinamarqueses operem 24 horas por dia, 365 dias por ano.

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