clube   |   doar   |   idiomas
Quatro imagens mentais para imunizar pessoas sensatas contra o keynesianismo

Quatro imagens fornecem as ferramentas conceituais necessárias para refutar a teoria econômica keynesiana: a arma, a carteira, o título da dívida e a impressora de dinheiro.  Lembre-se delas todas as vezes que você ler uma propaganda keynesiana exaltando os últimos planos de gastos do governo.  Explico.

Pense que você está em um debate público.  Se você quiser arruinar um oponente intelectual em um debate, descubra qual o seu principal ponto fraco e atenha-se a ele.  Nunca o deixe escapar.  Garanta que a platéia sairá do debate tendo em mente todas as refutações que você apresentou.

Ao se preparar para um debate, lembre-se sempre desse princípio da comunicação eficaz: "É mais fácil esquecer uma fórmula do que uma imagem mental".

Economistas acadêmicos amam fórmulas.  E essa é justamente sua maior vulnerabilidade.  Ao contrário das fórmulas da física, as fórmulas dos economistas escondem profundos erros conceituais; erros que simples imagens mentais mostram ser um absurdo total.  O indivíduo comum pode prontamente perceber e entender esses erros por meio do uso de simples imagens mentais.  Já os economistas acadêmicos, por outro lado, são deliberadamente treinados em sua pós-graduação para ignorar essas imagens.  Eles são facilmente cegados por fórmulas.  Isso os coloca em desvantagem nos debates públicos, especialmente quando têm de debater membros de uma escola de pensamento econômico que não utiliza fórmulas: a escola austríaca de economia.  Irei agora dar uma demonstração de como esse princípio funciona num debate.

A FÓRMULA CENTRAL DO KEYNESIANISMO

A descrição da economia keynesiana na Wikipédia é um bom lugar para se começar.  Aqui, temos a fórmula keynesiana presente em todos os livros-texto:

Em representação científica, a Fórmula Keynesiana consiste da seguinte composição:

C + I + G + X - M = Y(PIB)

que significa:

Consumo + Investimento + Gastos Governamentais + Exportações - Importações = Produto Interno Bruto

Isso é coisa padrão.  Começa aqui:

Os gastos são o núcleo da economia keynesiana — que formam o gasto agregado.  Consumo (C) é uma série de decisões individuais de alocação de recursos por toda a sociedade.  Investimento (I) é uma série de decisões individuais de alocação de recursos por toda a sociedade.  Exportações (X) são uma série de decisões individuais de alocação de recursos por toda a sociedade.  O mesmo se aplica às importações.

Já os gastos governamentais representam um tipo diferente de decisão de alocação.  "Está vendo essa arma?  Está vendo para onde ele está apontada?  Passe a carteira!"

O estudante pode ver que o gasto total se baseia em todas as quatro letras da fórmula.  C, I, X e M se originam das ações dos proprietários originais dos recursos.  Já o G não se origina das ações dos proprietários originais dos recursos.  G se origina da ação do seu novo proprietário, após múltiplas transações feitas sob a mira da arma.

G não cria nada.  G confisca.  G não pode gastar nada que não tenha antes extraído à força dos consumidores ou investidores.

C, I, X e M são baseados na produção.  Eles representam forças criativas.  G é baseada no confisco.  Não é uma força criativa.  Tudo o que é gasto por G é feito à custa de C, I, X ou M.  Quando G gasta, ele o faz à custa de todos os outros.

Um estudante perspicaz é esperto o bastante para imaginar o que a maioria das pessoas faz quando constantemente ameaçadas por ladrões com armas, mesmo quando os ladrões carregam distintivos.  Elas não irão colocar todo o seu dinheiro em suas carteiras.  Elas irão esconder parte do seu dinheiro.  Elas não irão gastá-lo.  Pessoas que carregam distintivos e armas chamam esse ato de entesouramento da moeda.  Trata-se de Algo Muito Ruim, eles nos asseguram.

PEGANDO EMPRESTADO DE PEDRO PARA SUBSIDIAR PAULO

É aqui que Keynes vem ao socorro dos governos de todos os lugares.  Para evitar que as pessoas entesourem seu dinheiro — mantendo-o assim a salvo da sanha tributária, mas consequentemente levando a uma redução do gasto agregado —, Keynes aconselhou aos governos oferecerem títulos de dívida que paguem juros.  Dessa forma, os governos poderiam obter empréstimos, gastar e, com isso, manter o nível do gasto agregado.  "Escondam as armas.  Ofereçam títulos."

Apenas estudantes muito espertos irão fazer essas duas perguntas óbvias:

  1. De onde o governo irá tirar dinheiro para pagar esse empréstimo e seus juros?
  2. De onde as pessoas irão tirar dinheiro para emprestar ao governo?

As respostas dos políticos para a primeira pergunta é fácil: (1) nós iremos contratar mais homens com distintivos e armas; (2) nós iremos oferecer mais títulos de dívida.  Porém, essas não são respostas elucidativas; são apenas embromação, pois a pergunta continua sem resposta.

Então Keynes acrescentou isso: "Imprimam mais dinheiro".  Ele especificamente ensinou que os salários reais iriam cair junto com o poder de compra em tempos de inflação de preços.  Membros dos sindicatos iriam aceitar esses menores salários reais, Keynes ensinou.  Isso iria levar a um maior emprego: salários menores significam mais demanda por mão-de-obra.  Ele implicitamente supôs que os sindicalistas eram tolos, assim como os economistas que eles contratariam para fazer negociações.

E quanto à segunda pergunta?  De onde os emprestadores tirarão dinheiro para emprestar para o governo?  A resposta de Keynes fazia aparente sentido naquela época, quando as pessoas guardavam ouro (nos EUA) ou moeda corrente (em todo o resto do mundo) em casa.  Porém, após 1934 nos EUA, quando Seguro Federal para Depósitos Bancários foi criado (seguro esse que hoje existe em todo o mundo), o argumento de Keynes perdeu o sentido.  As pessoas passaram a depositar seu dinheiro nos bancos.  Os bancos então passaram a emprestar esse dinheiro.  Dali em diante, o governo poderia emitir vários títulos e incorrer em grandes déficits orçamentários, que os bancos iriam utilizar o dinheiro de seus correntistas para comprar esses títulos do governo.  O problema é que os empreendedores agora não teriam mais a mesma facilidade de antes para conseguir empréstimos junto a esses bancos, que passaram a canalizar o dinheiro para os títulos do governo.

Keynes imaginou que, sob esse arranjo, o gasto agregado não iria se alterar.  É aí que sua teoria desmorona.

Mesmo no primeiro caso — entesouramento da moeda —, o argumento já não fazia sentido em 1933.  Quando a moeda é entesourada, os preços têm de cair.  Quando os preços caem em consequência do entesouramento — que representa um aumento da demanda por moeda —, a moeda volta a ser gasta.  Os vendedores tornam-se sedutores: "Tenho uma grande promoção para você!"  Com isso, as pessoas deixam de entesourar e passam a gastar.  Se os preços são livres e flexíveis — e em um livre mercado eles são —, então o governo não precisaria emitir títulos para fazer com que as pessoas voltassem a gastar.  Bastaria apenas remover todas as restrições legais que impedem esse rearranjo de preços: tarifas, quotas e políticas de preços mínimos.

Tão logo o estudante entenda isso, o professor poderá ir adiante e passar da lógica para a retórica: persuasão por meio da imagística.

SUBSTITUA IMAGENS POR FÓRMULAS

Eis o verbete da Wikipédia para gastos do governo.

Gastos governamentais ou despesas governamentais consistem em compras do governo, as quais podem ser financiadas por senhoriagem [inflação], impostos ou empréstimos contraídos pelo governo.  Os gastos governamentais são considerados um dos principais componentes do produto interno bruto.

John Maynard Keynes foi um dos primeiros economistas a defender déficits governamentais como parte de uma política fiscal para curar uma contração econômica.  Na economia keynesiana, acredita-se que um maior gasto governamental eleva a demanda agregada e aumenta o consumo.

Aqui, eu sugiro o seguinte.  Faça a pergunta novamente: "Como o governo irá fazer para pegar o dinheiro da carteira ou da conta bancária dos emprestadores sem que isso reduza os gastos deles?"   

Continue mencionando 'carteira'.  As pessoas conhecem e entendem de carteiras.  Elas não entendem muito é de fórmulas.  Continue mencionando 'impressoras'.  Elas sabem o que é falsificação.

O estudante deverá sempre ter a imagem mental de uma arma, de uma carteira, de um título de dívida e de uma impressora.  Uma fórmula não transmite conhecimento eficazmente.  Uma imagem mental, sim.  As pessoas esquecem fórmulas mais rapidamente do que esquecem imagens mentais.

O núcleo da economia keynesiana é este: atribuir uma produtividade econômica autônoma à agência em posse da arma.  De alguma forma, o governo pode elevar o gasto agregado da economia (1) sem estar produzindo nada de novo e (2) sem que isso reduza os gastos em outros lugares da economia.  Keynes nunca explicou como isso seria possível.  Nem seus discípulos.

Eis o núcleo do erro keynesiano: "G pode aumentar sem subtrair de C, I, X e M".  É fácil mostrar isso pela fórmula.  Mas ainda é apenas uma fórmula.  Tente transformar a fórmula em uma imagem mental.

Diga ao estudante, "Quando você vir G, pense numa arma" [em inglês é mais fácil: G = Gun].  Essa imagem mental destroi a autoridade da fórmula.

E o estudante vai retrucar: "Toda a economia keynesiana não pode ser resumida apenas nisso".  Mas pode.  Com efeito, toda a economia keynesiana é apenas isso.  E ele prossegue: "Alguém teria apontado isso ainda em 1936 se isso fosse tudo o que há nela."  Poucos, além de Mises e Hayek, fizeram isso.  E esses poucos passaram a ser ignorados após 1948, o ano em que Paul Samuelson publicou seu livro texto de economia.

Como assim?  Por que toda essa platitude foi aceita?  Por causa daquilo que George Orwell observou em 1946, o mesmo ano em que Keynes morreu.  "Enxergar o que está na frente do nariz exige um esforço constante".

Seja a criança na parada que grita: "O imperador está nu!"  Comece com a explicação mais simples — a visual — sobre o núcleo do colossal erro de Keynes.  Não deixe passar batido.

Comece com a arma, a carteira, o título da dívida e a impressora.  A fórmula do PIB é simplesmente uma fachada para agradar economistas.


1 voto

autor

Gary North
é Ph.D. em história, ex-membro adjunto do Mises Institute, e autor de vários livros sobre economia, ética, história e cristianismo. Visite seu website

  • Thyago  24/10/2012 05:31
    Bom artigo...
    Um semelhante poderia ser escrito sobre o multiplicador de gastos governamentais - e o 'desmultiplicador' do setor privado.
    Engraçado como keynesianos só ressaltam aquilo que lhes soa interessante, esquecem do resto.
  • Shirlene Tavares  24/10/2012 06:15
    Gostei muito do artigo.\r
    \r
    Entretanto, sendo uma leiga no assunto, gostaria de contar com o auxílio de vocês para uma correta intepretação deste texto...\r
    \r
    Na minha humilde interpretação, os títulos da dívida do governo e seus juros são pagos pelos próprios proprietários dos recursos através das "armas" que o governo possui (não sei se está correta).\r
    \r
    E, ainda, da leitura do texto surgiu uma dúvida quanto à aquisição de títulos da dívida do governo pelos bancos que recebem nossos recursos para protegê-los/gerenciá-los: o entesouramento da moeda e, portanto, a redução dos investimentos, pelos bancos, em títulos da dívida do governo seria algo positivo?
  • Leandro  24/10/2012 06:47
    Prezada Shirlene, os juros sobre os títulos da dívida do governo pagos por todos nós por meio de nossos impostos. O governo nos aponta uma arma, confisca nosso dinheiro e o utiliza para pagar os juros dos títulos em posse dos bancos (e também daqueles que estão em posse do Banco Central, que também aufere juros).

    Ademais, bancos não "entesouram moeda" -- ao menos, não os brasileiros. Como eles têm de pagar juros sobre os depósitos em poupança e a prazo, eles têm de fazer alguma aplicação com o dinheiro que possuem; caso contrário, teriam prejuízo. "Dinheiro entesourado" era algo que existia muito antigamente, quando algumas pessoas guardavam ouro dentro da gaveta, esperando ele se valorizar.

    No nosso atual sistema monetário e financeiro, não existe isso de banco entesourar dinheiro. Bancos criam dinheiro do nada e emprestam. (Sugiro este artigo, que explica detalhadamente esse processo.) É assim que eles ganham dinheiro e são lucrativos. Banco que deixar dinheiro parado irá ter prejuízos -- a menos que o Banco Central os remunere para fazer isso, como está fazendo atualmente o Fed.


  • Martin  24/10/2012 08:23
    Leandro, essa coisa de "entesourar" o dinheiro, será que isso poderia voltar a ser uma realidade caso o sistema bancário fracionário for abolido, assim como Rothbard e cia quer? Talvez em época de maior incerteza futura, mais pessoas irão colocar seu dinheiro em contas sem juros só para o banco guardá-lo? Neste caso, a atividade econômica só pode voltar ao "normal" depois de todos os preços se justarem para baixo (assim como Gary North indica), o que pode ser um processo lento e doloroso.
  • Leandro  24/10/2012 09:08
    Prezado Martin, se a população voluntariamente optou por entesourar, então ela está voluntariamente deixando claro que espera alcançar os objetivos desta medida: a redução de preços. Sendo assim, adotar políticas que impeçam esta redução de preços significa ir contra os desejos explicitamente demonstrados pela população.

    Quanto à redução de preços e salários ser um "processo doloroso", ele será tão doloroso quanto os sindicatos e demais assalariados quiserem. Se eles se recusarem a reduzir preços e salários mediante um entesouramento, que assim seja. E que aguentem as consequências. Teimosia sindical, empresarial e assalariada não é motivo para se prejudicar os interesses voluntariamente demonstrados pela população.
  • Martin  24/10/2012 10:49
    Tudo bem, Leandro. Concordo que sindicatos, controles de preços etc são os grandes empecilhos para que a economia se ajuste à nova situação. Posso revelar que eu também sou favorável a moedas livres, sistema bancário livre com abolição do banco central e tudo isso. Agora, deixando opiniões pessoais ao lado, da forma que eu o entendo, o keynesianismo é baseada numa idéia respeitável que precisa ser encarada. Ela é:

    DADO que há vários empecilhos para que o sistema de preços se ajuste a uma nova situação em que as pessoas subitamente optam por maior liquidez, É CONCEBÍVEL que um aumento na quantidade de dinheiro pode melhorar o funcionamento do mercado, já que um aumento na quantidade de dinheiro tem um papel parecido com a diminuição generalizada de todos os preços.

    Podemos atacar tal medida de várias maneiras, incluindo

    1) O novo dinheiro não se espalha unifomemente e causa novas distorções ao sistema de preços.

    2) Há um grande risco político em conceder um poder arbitrário ao BACEN que pode (e geralmente é) mal utilizado, abrindo caminho para expansão monetária quando certamente não há nenhuma justificativa para isso, assim gerando novas bolhas e novas crises financeiras.

    3) É imoral retirar as decisões dos cidadãos.

    Agora, independente de qual será a conclusão aonde cada um de nós chegar, não acho certo pintar o keynsianismo como algo completamente tolo e risível sem nenhum valor intelectual.
  • Leandro  24/10/2012 11:08
    De modo o algum o keynesianismo deve ser pintado "como algo completamente tolo e risível sem nenhum valor intelectual". Não se pode classificar assim um sistema que perdura até hoje e que foi criado justamente para enriquecer uma pequena elite à custa de todo o resto da população. Tanto o inventor do keynesianismo quanto seus proponentes atuais sabiam/sabem exatamente o que estavam/estão fazendo. E o fato de eles terem conquistado inúmeros adeptos de suas teorias, em sua grande maioria idiotas úteis, é uma prova cabal da sapiência e do oportunismo destas pessoas. Não devemos subestimá-las jamais.

    De resto, o que você disse já havia sido explicado de maneira muito mais direta pelo próprio Keynes, que abertamente disse que a inflação monetária deveria ser utilizada como maneira de enganar os sindicatos e todos os trabalhadores que se recusavam a aceitar reduções salariais e de preços, dando-lhes assim um olé. Ou seja, Keynes abertamente disse que sindicalistas e trabalhadores eram otários facilmente enganáveis. Aplaudo esta colocação politicamente incorreta, mas não a defendo ela por motivos inúmeras vezes explicados neste site e aos quais você corretamente aludiu em seus três pontos.
  • Blah  24/10/2012 11:23
    De resto, o que você disse já havia sido explicado de maneira muito mais direta pelo próprio Keynes, que abertamente disse que a inflação monetária deveria ser utilizada como maneira de enganar os sindicatos e todos os trabalhadores que se recusavam a aceitar reduções salariais e de preços, dando-lhes assim um olé.

    Eu fiquei simplesmente pasmo, estarrecido quando realmente li o próprio Keynes escrever sobre isso mesmo: a inflação como maneira insidiosa de diminuir os salários. Não foi algo que inventaram a respeito dele. Se não me engano li isso no fantástico livro de Henry Hazlitt que é uma refutação linha a linha do livro de Keynes - ou seja, com citações diretas da obra de Keynes.

    O pior é que, quando você fala sobre esses assuntos os economistas e os defensores do estado como "motor" da economia, elas simplesmente ignoram o que você disse e tratam-no como se você fosse alguma espécie de bicho de outro planeta. Socialistas, então, são as pessoas mais avessas a argumentos econômicos que eu conheço. São ignorantes militantes quando o assunto é economia. Não entendem nada de economia - a prova disso é que não conseguem sustentar suas ideias sem utilizar o apelo à emoção - mas querem sempre mostrar como o capitalismo é ruim.
  • Paulo  24/10/2012 12:49
    Qual livro do Henry Hazlitt você citou? Fiquei interessado em ler.
  • Shirlene Tavares  24/10/2012 09:21
    Excelente o texto indicado Leandro.\r
    Agradeço, apesar de ficar cada vez mais assustada. rs\r
    \r
    Entretanto, minha dúvida permanece com relação ao "entesouramento da moeda".\r
    Na verdade, a idéia que tenho seria a possibilidade de "entesouramento" pelo próprio indivíduo, que não alimentaria os bancos e estes, por consequência, não comprariam os títulos da dívida do governo.\r
    \r
    Seria como você respondeu a um leitor, no artigo indicado, acerca do limite ao crédito bancário: "O limite é (...) a propensão das pessoas a sacar dinheiro dos bancos e não redepositá-lo."\r
    \r
    Você entende que isso seria viável? Se as pessoas resolvessem investir os seus recursos em ativos tangíveis, isso poderia ser prejudicial a elas ou à economia?\r
    \r
    Agradeço por sua atenção.
  • Leandro  24/10/2012 10:55
    Investir recursos em ativos tangíveis nada tem a ver com entesouramento ou com "não alimentar os bancos". Quando você investe em algo -- por exemplo, quando compra um imóvel, uma ação ou um papel qualquer --, você não está entesourando dinheiro. Você está dando seu dinheiro para outra pessoa, que lhe vendeu o imóvel, a ação ou o papel. Logo, investir em algo não altera em nada a quantidade de dinheiro na economia. Dinheiro não é retirado de circulação e nem vai para dentro da gaveta. Dinheiro foi apenas transferido de A para B. Por que isso seria prejudicial à economia?
  • Shirlene Tavares  24/10/2012 13:02
    Acho que acabei me perdendo Leandro, mas acredito que tenha me achado um pouco com a sua resposta...\r
    \r
    Vou me atrever a viajar mais um pouco então e peço que, caso esteja falando "abobrinhas", nem se digne a me explicar... Pode simplesmente me mandar estudar mais e voltar depois... :-)\r
    \r
    Vejamos:\r
    \r
    Em julho, conforme dito no artigo indicado, existiam aproximadamente 153 bilhões em dinheiro físico, dos quais 124 bilhões estariam nas mãos do público e 29 bilhões em posse da rede bancária, sendo que, por outro lado, o crédito bancário na economia teria totalizado 2,17 trilhões. Neste caso, se eu pegar o dinheiro que recebo, dos quais grande parte seria fruto da "criação" pelos bancos, sacá-lo e colocá-lo sob o meu colchão, não estarei transformando dinheiro fictício em dinheiro real?
  • Leandro  24/10/2012 13:17
    Correto. Neste caso, sim, seria possível entesourar. Só que, no atual arranjo monetário e financeiro, tal medida não seria nada racional. Quem mantém dinheiro físico fora dos bancos e não investe em nada deixa de ganhar juros e consequentemente verá sua renda ser corroída pela inflação a uma taxa superior a 5,5% ao ano.

    P.S.: no seu exemplo dos ativos tangíveis, se você sacar dinheiro para fazer um investimento, a pessoa que receber o seu dinheiro irá (muito provavelmente) redepositá-lo em um banco, anulando seu "esforço" de aumentar o entesouramento.
  • Marc...  24/10/2012 14:51
    Leandro, não está faltando o fato de que isso geraria inflação de preços naquilo que foi gasto ou investido, no fim afetando a inflação de preços de todos os itens do mercado?

    Contando com a ineficiência do estado em utilizar a receita dos impostos de todo esse consumo, tal atitude geral por parte da população causaria uma destruição numa das bases estatal.
  • Shirlene Tavares  25/10/2012 03:46
    Ótimos esclarecimentos Leandro!\r
    Obrigada!
  • Christiano Traba  24/10/2012 06:16
    Excelente artigo...\r
    \r
    Como pode uma explicação laconica, me mostrar coisas que antes se tornava tão complexas ? isso que torna esse texto perfeito !\r
    \r
    Eu sempre questionava acerca desses gastos governamentais, pois para se ter gasto o governo precisa tirar de algum lugar...e como está em uma unica formula gasto somado com investimentos e consumo ? não faz sentido...\r
    \r
    Parabens pela explanação sucienta e muito explicativa !\r
    \r
  • André  24/10/2012 07:40
    Podem-me explicar o que é o 'multiplicador de gastos governamentais'?
  • Leandro  24/10/2012 08:05
    É a ideia de que $1 gasto pelo governo se transforma em, digamos, $1,40 ao circular por toda a economia, gerando, como que por mágica, aumento de renda, de riqueza, de produção e de consumo. O aumento dos gastos do governo leva a um aumento da renda, que leva a um aumento do consumo, que leva a mais renda, que leva a mais consumo etc., gerando um enriquecimento nacional. É o verdadeiro moto-perpétuo da criação de riqueza, gerado unicamente pelos gastos do governo.

    Esqueça a estrutura do capital e a necessidade de se poupar para acumular e produzir. Basta o governo gastar e tudo se resolve. Keynesianismo também é magia.
  • André  24/10/2012 11:26
    Mas o governo não tem de retirar da economia o dinheiro, retirando a renda, e depois o consumo e a renda e assim sucessivamente. Logo, penso que não há a tal multiplicação de riqueza que dizem, só se se referirem especificamente ao governo como o responsável, que por acaso penso que seja isso a que se referem.
  • Luis Almeida  24/10/2012 11:32
    Bingo.
  • Thiago  24/10/2012 09:47
    Texto absolutamente fantástico. Parafraseando um amigo, só tenho quatro coisas em mente: carteira, arma, título de dívida e impressora.

    Parabéns ao site, estão de parabéns!
  • luiz fernando  24/10/2012 15:46
    muito bacana o artigo;
    há tempos a imagem que me vem quando se fala que os gastos
    do governo geram desenvolvimento é equivalente a uma pessoa
    enriquecer por contratar uma diarista...o governo deveria ser nossa
    diarista, logo é uma fonte de despesas e não de enriquecimento!
  • Mercado de Milhas  24/10/2012 18:12
    Mas os preços não são flutuantes no livre mercado.. sabemos que eles sobem rápido, cair é mais demorado.

    Creio que Keynes não é de todo errado. A variação dos preços, pra baixo, não parece ser automática e pode gerar uma desconfiança geral, se estiverem caindo constantemente.

  • Tory  25/10/2012 11:30
    Verdade, MM? Computadores, microondas, celulares... isso tudo continua tão caro quanto era quando apareceu no mercado não tão livre que temos? E onde você achou esse livre mercado para emitir sua opinião?
  • Gustavo BNG  25/10/2012 16:56
    A própria aviação civil (que tem pouca concorrência devido, obviamente, à regulação estatal) mostra como preços podem desabar muito rapidamente. Mas se você nega até isto (pois negou vários fatos em comentários a outros artigos do IMB), aí é sinal de que você vive numa ilusão apenas pra satisfazer um ideal antigo - no seu caso, o intervencionismo como matriz superior ao Livre Mercado.
  • Erick V.  25/10/2012 17:14
    Eu pessoalmente acho que, devido ao relevante interesse público existente no setor, o mercado de compra e venda de milhas aéreas deveria ser regulado, estabelecendo-se preços máximos pouco superiores ao custo marginal e assim reduzindo-se o lucro desenfreado desses porcos capitalistas exploradores.

    Alternativamente pode-se pensar em uma concessão, garantindo-se a exploração do monopólio natural existente no setor a este site aqui – e, consequentemente, alijando-se do mercado o sr. MM e sua empresa nefasta.
  • Randalf  26/10/2012 00:49
    O que aconteceria se os empresários ficassem fartos de ter o governo a persegui-los e simplesmente fechassem as companhias aéreas?! Será que seria melhor?! Agora em vez de teres preços de mercado, nem serviço aéreo tinhas. Será que é bom regular o preço dos produtos das empresas?! Nada disso, o preço que as empresas estabelecidas cobram pelos seus produtos mandam sinais ao mercado. Se o preço estiver alto, tanto os clientes têm um incentivo para usarem o serviço apenas se necessário, como também novos empreendedores vão virar-se para o negócio, já que podem tirar lucro cobrando mais barato. Se tentas artificialmente 'controlar' os preços de mercado, os desequilíbrios continuarão e terás um grande encargo governamental para reguladores, tribunais, administração pública, enfim só burocracias e despesas que seriam desnecessárias se deixasses o mercado trabalhar de forma livre. Neste momento, não sei no Brasil, mas em Portugal os tribunais estão cheios de processos que aquilo nem anda para a frente, principalmente claro devido à imensa papelada exigida para fazer o que quer que seja, além disso, a despesa pública continua a subir, já que os políticos só sabem FAZER LEIS, e não alterá-las ou destruí-las.
  • Fellipe  25/10/2012 11:05
    Esse texto do Gary North é de uma clareza impressionante. Tudo o que os professores de economia mainstream tentam dificultar, talvez para valorizar seu trabalho, é demolido em um artigo.

    Sugiro ao IMB criar em paralelo ao excelente trabalho feito atualmente algo mais acessível, como apresentações padrões para as pessoas que queiram ter contato com as idéias da escola austríaca e do libertarianismo mas ao mesmo tempo têm preguiça de ler em um primeiro momento os artigos publicados, que podem ser longos. Poderiam ser slides com bullets e links para os artigos.

    Falo isso pois vejo como é difícil explicar estas idéias mesmo para as pessoas mais próximas. As pessoas de maneira geral atualmente têm pre-disposição para ler somente highlights, não investem tempo para leitura.

    Sugiro começar com este texto e criar a seguinte apresentação: Como demolir o Keynesianismo em 10 slides (acho que não precisa mais do que isso), rsrsrs.

    Falando sério, ao meu ver o grande problema da EAE e do libertarianismo não é o conteúdo (que é excelente por sinal, para mim teve o efeito de algo como me desplugar da Matrix), mas sim a forma de expressar as idéias. Algo mais acessível poderia servir de "isca" para engajar leitores na jornada do aprendizado.

    Abs,
  • Christiano  27/11/2012 05:04
    Caros,\r
    \r
    Tenho uma dúvida, espero que não seja uma duvida ridícula...\r
    \r
    Na formula do PIB temos o "C" que é o valor final de todos os produtos e serviços, vendidos, então um exemplo se em uma economia vendemos apenas 1 produto no valor final de 10 reais, mas que temos de carga tributaria nesse produto, digamos 50%então temos na formação desse preço o seguinte: 5 de custos mais lucros e 5 de impostos certo ? \r
    Dessa forma sabemos que esse 5 de imposto será gasto pelo governo fazendo alguma forma...entao temos, utilizando o exemplo acima, suponhamos que nesse exemplo não tivemos "INVESTIMENTO", nem "IMPORTAÇÃO" e "EXPORTAÇÃO" para facilitar o calculo e o entendimento.\r
    \r
    Nessa economia em um periodo foram vendidos 1 produto no valor de 10 com carga tributaria de 50%....Jogando na formula do PIB e levando em consideraçao que tudo que o GOVERNO arrecada ele gasta temos.\r
    \r
    PIB = C + I + G + ( Exp - IMP ) = 10 + 0 + 5 + 0 = 15 .... dessa forma o PIB calcula o imposto duas vezes...\r
    \r
    Queria saber se esse entendimento é correto, ou o Calculo do PIB realmente duplica esse calculo de imposto...\r
    \r
    Grato !
  • Leandro  27/11/2012 05:26
    Correto, é isso mesmo. Imposto indireto entra positivamente no cálculo do PIB. O imposto indireto que você pagou em seu consumo aditivou o PIB. O gasto do governo possibilitado por esse imposto também aditivou o PIB.

    E nem precisa confiar em mim, não. O próprio IBGE deixa isso claro em seus cálculos. Veja seu relato sobre o PIB de 2011:

    "Na comparação com o quarto trimestre de 2010, o PIB cresceu 1,4%, sendo que o valor adicionado a preços básicos aumentou 1,2%, e os impostos sobre produtos, 2,0%. Dentre as atividades econômicas, a agropecuária (8,4%) e os serviços (1,4%) registraram crescimento, enquanto a indústria (-0,4%) registrou queda.

    No ano de 2011, em relação a 2010, o PIB aumentou 2,7%, fruto do crescimento de 2,5% no valor adicionado e 4,3% nos impostos. Nessa comparação, a agropecuária (3,9%), os serviços (2,7%) e a indústria (1,6%) cresceram.

    [...]

    A expansão do PIB resultou do aumento de 2,5% do Valor Adicionado a preços básicos e do crescimento de 4,3% nos Impostos sobre Produtos líquidos de Subsídios[/b]. O [u]aumento dos impostos reflete, principalmente, o crescimento em volume de 11,4% do Imposto sobre Importação e do aumento de 4,7% do IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados), sendo este último puxado pela venda de máquinas e equipamentos. O resultado do Valor Adicionado neste tipo de comparação refletiu o desempenho das três atividades que o compõem: Agropecuária (3,9%), Serviços (2,7%) e Indústria (1,6%)."



    Foi exatamente para corrigir este nonsense que os austríacos criaram uma alternativa ao PIB. Veja mais aqui.

    Quem aufere a saúde de uma economia pelo PIB (estatística estatal) ou pelo desemprego (estatística estatal) está vivendo em um mundo onírico.
  • Christiano  27/11/2012 08:15
    Leandro, \r
    \r
    Muito obrigado pela explanação...\r
    \r
    Estou cético quanto ao PIB pois me deparei com essa dúvida e meu professor ( Teórico Mainstream) me deu uma resposta que me deixou com mais dúvida que qualquer outra coisa...\r
    \r
    Então é certo afirma que no calculo do PIB é somado o imposto duas vezes, primeiro no valor do produto e apos nos gastos do governo ? \r
    \r
    Grato !
  • Caio Borges  28/11/2012 06:40
    O que fazer quando possuimos um professor de direito keynesiano, que tira sarro dos libertários falando que eles não se preocupam com o social, que os interesses da proposta libertária é concentrar o poder em pequenos grupos e usar a "massa" e insiste dizer que os mercados não são eficientes devido as externalidades. Estou muito chateado mas como comecei abri minha cabeça para o pensamento libertário a muito pouco tempo, talvez não consiga manter um debate bem estruturado e não conseguir influenciar meus colegas de classe. Se alguem puder me dar uma "luz" de como debater a nossa proposta e atiçar a curiosidade dos meus colegas para o pensamento austríaco agradeceria muito.
  • Leandro  28/11/2012 07:07
    Sinceramente? Acho uma grande perda de tempo e energia querer debater com professor universitário da área de humanas. São a escória da escória.

    O sujeito, por mais que você o humilhe com argumentos e mostre que ele não possui lógica racional nenhuma (essa gente só sabe fazer apelos emotivos; são mestres em afetar emoções lacrimais pelos "pobres", sendo que o salário deles é majoritariamente pago pelos pobres), jamais dará o braço a torcer e admitir o erro.

    É perfeitamente possível entender essa fé cega que determinadas pessoas têm no keynesianismo. Se você investiu toda a sua vida e toda a sua carreira acadêmica ou profissional defendendo teorias keynesianas, ou se a sua fé no estado é aquilo que dá sentido à sua vida, divorciar-se da economia keynesiana seria um choque e tanto. Dependendo da idade do sujeito, o estrago pode ser irreparável.

    O problema é que a evidência raramente consegue mudar a mentalidade de um indivíduo contaminado pela ideologia. Na melhor das hipóteses, a evidência serve apenas para validar a sua crença. Eu, por exemplo, deixei de ser keynesiano (ei, eu também já fui adolescente!) e passei a seguir os preceitos da Escola Austríaca de economia não porque quisesse me juntar a alguma corrente, mas simplesmente porque eu não estava viciado em nenhuma ideologia; eu não tinha um pacote de crenças pré-concebidas que eu deveria defender árdua e cegamente, por mais que as evidências me contrariassem. Eu simplesmente queria descobrir a verdade.

    Se você quiser realmente aprender a verdade, entender como as coisas de fato funcionam (e isso vale para absolutamente qualquer área), seu estado de espírito não pode estar viciado; você não pode se deixar contaminar por nenhum "pré-conceito". Tenha sempre a mente aberta, não se deixe contaminar por vícios de juventude, não se prenda a ideologias e utilize sempre a razão.

    Acima de tudo, siga sempre este princípio: para realmente descobrir a verdade, você tem de ter um estado de espírito que não se deixa afetar pelas consequências de suas novas descobertas. Não se permita um estado de espírito que provoque estragos em sua vida dependendo de suas novas conclusões.


    Portanto, a minha dica: concentre-se em mudar a cabeça de seus colegas, pois é da geração futura que poderá sair algo de bom. Deixe a geração acadêmica atual falando entre si e chafurdando no lamaçal da ignorância, pois daqui a alguns anos já estarão na lata de lixo da história.
  • Eduardo Bellani  28/11/2012 07:21
    Esse estado de espírito é trabalhado legal no livro "Mente Zen, Mente de Principiante". Recomendo.
  • Randalf  28/11/2012 10:35
    Pergunte-lhe se o amor (uma outra forma de relacionamento entre pessoas) está regulado?!.. Será que é preciso regular o amor para que os amantes fiquem protegidos?! Já viu o que era se quem quisesse sair da relação tivesse de pagar uma indemnização?!.. Ou um 'amor mínimo', tipo não poder estar longe dessa pessoa durante um certo período (emigrar estava completamente fora de questão), ou criar sindicatos das mulheres, para que quando os homens quisessem cessar a relação, terem de levar com os sindicatos a exigir que não se relacionassem com mais ninguém, ou então, um elemento do casal queria fazer greve, e dizia 'hoje não trabalho' e o outro elemento nada podia fazer quanto a isso, apenas tinha de aceitar. Ou quotas, se casasses com uma mulher branca, no segundo casamento já tinha de ser com uma preta, para não discriminares. E muitas outras coisas.. é só continuar se quiser.

    Será que as pessoas não se relacionam porque o 'mercado do amor' (porque baseia-se na troca, uma pessoa troca o amor da outra pelo seu) não está regulado?!

    E o mesmo acontece com as amizades, com a família, .. enfim, com qualquer interacção entre pessoas. Porque razão o mercado laboral será diferente?!

    Cumprimentos.
  • jota   13/03/2013 14:19
    Na boa, é um pouco desonesto botar todo mundo no mesmo saco e chamar de Keynesiano. Eu estou ha 3 anos na facul de economia e nunca ouvi falar de tal escola de pensamento. Sejam mais especificos.. pós-keynesianos,neokeynesianos (R.I.P), New Keynesian (mainstream).. se decidam..

    Pos-keynesianismo eu concordo que é tao irrelevante quanto Escola Austriaca (mas no Brasil e Argentina infelizmente fazem o policymaking), porem New Keynesians é absurdamente empirico e nao atoa é o mainstream..

    É risível achar que o mainstream prega gasto publico a rodo, protecionismo.. na verdade é justamente o contrario.. é a favor de tratados de livre comercio, ajuste fiscal

    Só que voces tem que entender que quando um doente esta com pneumonia voce não receita um anti-viral..

    Uma coisa é falar de uma economia com o produto muito abaixo do potencial, onde politicas de demanda podem ter efeito (não é o caso do Brasil, pra deixar claro).. alias.. nao ouse botar a equipe economica do Brasil atual no grupo de mainstream, por favor.. (a equipe do FHC-Lula, sim)
  • Leandro  13/03/2013 15:40
    "É risível achar que o mainstream prega gasto publico a rodo, protecionismo.. na verdade é justamente o contrario.. é a favor de tratados de livre comercio, ajuste fiscal"

    No que tange a gastos públicos e ajuste fiscal, acho que você não tem acompanhado os fatos nem na América Latina e nem nos EUA (você tem de ignorar os discursos e se concentrar nas ações dos governos).

    Já no que diz respeito a tratados de livre comércio, o governo brasileiro de fato é coerente: fala contra e age contra. E fala a favor do protecionismo e adota o protecionismo.

    Eu realmente gostaria de viver neste mundo em que você vive, em que ajuste fiscal, livre comércio e orçamento equilibrado são um consenso.

    Abraço!
  • jota  13/03/2013 23:41
    Faltou um pouco de aula de HPE. Achar que a equipe economica Brasileira é algo perto do mainstream (Argentina tambem) é sim viver num mundo paralelo

    As equipes economicas que livraram o país da hiperinflaçao (FHC) e até a metade do governo Lula são o que chamamos de mainstream ou novo consenso.. A equipe atual brasileira passa longe do mainstream, assim como a da Argentina ou Venezuela

    Aqui, pra ajudar :
    www.columbia.edu/~mw2230/Convergence_AEJ.pdf

    Depois, tem que diferenciar uma economia com hiato de produto grande e uma chegando no seu produto potencial.. Ou, não se receita anti viral pra pneumonia ou tilenol pra amputação de braço
  • Leandro  14/03/2013 00:16
    Acho que você precisa dominar melhor seus conceitos. Se o mainstream fosse realmente a favor do livre comércio e contra o protecionismo, então ele defenderia avidamente a abolição de todas aquelas instituições supranacionais que existem justamente para regular o comércio internacional, estipular tarifas e impor condições, como a Organização Mundial do Comércio. Também não apoiaria acordos regionais, como NAFTA e ALCA. E também não teria apoiado a criação do GATT.

    Livre Comércio versus Acordos de Livre Comércio

    Outra coisa: o mainstream defende déficits, gastos e inflação monetária em momentos de recessão.
  • jota  14/03/2013 00:46
    "Outra coisa: o mainstream defende déficits, gastos e inflação monetária em momentos de recessão."

    Tá.. então é pra deixar ocorrer outra espiral deflacionista.. esse é o receituario correto

    ps : tente encontrar algum paper "mainstream" contra o livre mercado

    Só que tem uma diferença.. livre mercado não é premissa e sim conclusão.. algo bem diferente do que ocorre aqui
  • Leandro  14/03/2013 01:21
    Orçamento equilibrado gera espiral deflacionária?! Desconheço um só caso em que isso tenha ocorrido. Não apenas nunca houve na prática, como também não há teoria que explique isso.

    De resto, noto que você não rebateu a questão do livre comércio. Que bom que aceitou.

    Abraço!
  • jota  14/03/2013 02:08
    Você tava falando de uma recessão, onde, se a politica monetária não responder às espectativas de deflação ela ocorrerá. Agora vai negar rigidezes de preços e salarios para baixo?

    Sobre a questão do livre comércio.. a OMC é algo que pouco tem a ver com o mainstream, sendo estabelecida numa época em que as taxas de cambio não eram livres e o pensamento economico engatinhava

    Continua o desafio, procure algum paper relevante New Keynesian contra o livre mercado.. o que há as vezes são externalidades, bens publicos e preferencias nao convexas, e de novo, livre mercado é conclusão, não premissa religiosa
    .. passar bem
  • Leandro  14/03/2013 21:37
    "Você tava falando de uma recessão, onde, se a politica monetária não responder às espectativas de deflação ela ocorrerá. Agora vai negar rigidezes de preços e salarios para baixo?"

    Raciocínio completamente contraditório este seu. Primeiro você diz que haverá deflação de preços e salários por uma simples questão de expectativa. Aí já na frase seguinte diz que preços e salários são rígidos. Ora, se preços e salários são rígidos (algo com que concordo), como haverá deflação de preços?!

    Outra coisa: por que o pavor da deflação de preços? É exatamente isso o que acelera o fim de uma recessão. Vide Brasil em 2009, com seu IGP-M de quase -5%.

    "Sobre a questão do livre comércio.. a OMC é algo que pouco tem a ver com o mainstream, sendo estabelecida numa época em que as taxas de cambio não eram livres e o pensamento economico engatinhava"

    Como assim?! A OMC foi criada em 1995! Você está dizendo que 18 anos atrás "o pensamento econômico engatinhava"? E em 1995 já havia câmbio flutuante por todos os lados. Informe-se.

    "Continua o desafio, procure algum paper relevante New Keynesian contra o livre mercado.. o que há as vezes são externalidades, bens publicos e preferencias nao convexas, e de novo, livre mercado é conclusão, não premissa religiosa"

    As universidades brasileiras mandam seus alunos lerem papers de Dani Rodrik e Ha-Joon Chang. Ambos protecionistas. Quando muito, selecionam um autor que defende pequenas liberalizações no comércio, mas nenhum que defenda o fim geral das tarifas e a abolição das organizações supranacionais. Isso sim seria livre mercado, como explicado no link que postei. Inverto o desafio: mande um paper de um novo keynesiano defendendo estas medidas que citei.
  • Eduardo Bellani  15/03/2013 12:16
    Economia austríaca é um culto. Tenho certeza disso, pois assim o disse Paul Krugman.
  • Flexmilhas  03/11/2014 03:00
    Artigo bem interessante. parabens.


Envie-nos seu comentário inteligente e educado:
Nome
Email
Comentário
Comentários serão exibidos após aprovação do moderador.