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Por que um estado inchado aumenta os lucros das empresas e diminui os salários dos trabalhadores

Alguns liberais antipetistas ficam desconcertados quando confrontados com o seguinte desafio: se o governo Lula está presidindo sobre o maior estado da história brasileira - tanto em carga tributária quanto em gastos, ambos em relação ao PIB -, por que as indústrias e várias empresas tiveram lucros seguidos (excetuando-se o período recessivo)? 

E isso não ocorre apenas com as grandes empresas, que têm conexões com o estado: é bem provável que os donos daquele restaurante ou daquela padaria na esquina da sua rua também estejam indo bem.  A enorme carga tributária já não deveria ter falido esses pequenos?  Logo, seria o governo Lula um governo liberal disfarçado em retórica socialista?

Não, não seria.  O que ocorre é um fenômeno perfeitamente explicável pela teoria econômica.  Pode-se dizer que seria estranho se não ocorresse.  Um estado inchado, que tributa e gasta muito, e que frequentemente incorre em déficits orçamentários (receitas menores que as despesas totais, incluindo juros), faz com que os lucros empresariais sejam altos.  Mais ainda: faz com que os salários do setor privado cresçam em um ritmo menor do que os lucros das empresas.

Consequentemente, sob o atual arranjo brasileiro, os empresários estão obtendo bons lucros, mas os salários dos trabalhadores do setor privado seguem estagnados ou crescendo a um ritmo muito menor do que o crescimento dos lucros.

E isso traz consequências nefastas, como veremos.  Mas antes, um pouco de teoria.

Salários

Como se sabe, o governo brasileiro constantemente gasta mais do que arrecada - isto é, possui déficits nominais constantes.  Parte desse déficit é financiado por meio da expansão monetária praticada pelo Banco Central (e explicada com mais detalhes aqui).  Fora esse artifício, o governo obtém suas receitas tanto por meio de impostos quanto por meio da venda de títulos do Tesouro.

Tanto os impostos quanto os títulos são financiados por pessoas físicas e empresas que pagam os impostos e compram os títulos com o dinheiro que já possuem e que fazia parte de suas poupanças.  Se o governo não estivesse praticando déficits, se ele não estivesse vendendo seus títulos e não estivesse cobrando tantos impostos, as empresas estariam utilizando sua poupança para expandir seu capital físico, comprar mais bens de capital e pagar melhores salários.  De modo semelhante, se os indivíduos não tivessem a opção de investir em títulos do Tesouro - um investimento seguro e cujo retorno advém dos impostos pagos por terceiros -, eles teriam de investir nessas empresas, o que facilitaria a expansão delas.

Como esse processo não acontece - ou acontece em escala muito menor do que a desejada -, a expansão salarial torna-se impossível, pois, repetindo, a poupança que financiaria essa expansão é desviada para pagar impostos e para financiar os déficits do governo.  Assim, os salários do sistema econômico como um todo são menores por causa dos déficits e tributos governamentais.

É verdade que o governo também paga salários.  Mas, ao menos enquanto ainda não há uma sovietização completa da economia brasileira, o volume total de salários que ele paga é menor que aquele pago pelas empresas - grandes, médias e pequenas.  Assim, enquanto os aumentos salariais que o governo dá para seus funcionários - aumentos esses financiados por impostos e venda de títulos - forem menores que os aumentos salariais que as empresas deixaram de dar a seus funcionários porque elas tiveram de desviar parte de seu capital para financiar o governo, a massa salarial total da economia foi reduzida.

Em resumo: os impostos e os déficits governamentais absorvem poupança e capital que poderia ser utilizada por empresas para financiar suas expansões e o consequente aumento salarial que isso traria para seus funcionários.  Ao desviar esses recursos para si, o governo faz com que seus empregados e dependentes possam ter rendimentos maiores.  Isso faz com que aqueles que estão no governo tenham rendimentos maiores do que os assalariados do setor privado.  Tal arranjo, no geral, faz com que a massa salarial total da economia seja menor ou muito aquém do seu potencial.

Não há novidade alguma no que foi dito acima.  Como já mostramos em outros artigos, enquanto que os salários do setor público seguem crescendo, os salários do setor privado seguem estagnados.

Todavia, além dessa redução na massa salarial total do sistema econômico, um outro efeito dos déficits orçamentários é o aumento na quantidade agregada - isto é, total - dos lucros empresariais.  Eis o porquê.

Lucros

As empresas arrumam dinheiro para financiar a compra de bens de capital e para pagar salários.  O governo arruma dinheiro para comprar bens e serviços, pagar seus funcionalismo e prover assistencialismo. 

Quer ocorra um ou outro, a receita total das empresas na economia será praticamente a mesma.  Isso porque um real da venda de um bem para uma empresa privada e um real da venda de um bem para o governo ainda continua sendo um real de receita de vendas.  Um real da venda de um bem para um empregado de uma empresa privada ou um real da venda de um bem para um funcionário público (ativo ou aposentado) ainda continua sendo um real de receita de vendas.  Por fim, um real da venda de um bem para alguém que está no Bolsa-Família equivale à mesma receita de venda que um real gasto por alguém que suou para consegui-lo.

Mas aqui vem a diferença crucial: os reais que são gastos por empresas privadas na compra de bens de capital e no pagamento de salários são contabilizados como custos de produção.  Para se calcular os lucros, esses custos de produção são subtraídos das receitas de venda.  Na economia como um todo, o lucro agregado é o resultado dessa subtração.

Como os impostos e déficits do governo desviam para si os fundos que seriam utilizados pelas empresas para comprar mais bens de capital e pagar melhores salários, a consequência é a redução da magnitude dos custos de produção na economia como um todo e um correspondente aumento no lucro agregado do sistema econômico

Os custos refletem as despesas das empresas.  Se as despesas são menores, os custos serão menores.  A redução nos custos de produção aumenta os lucros de modo equivalente, pois, como foi mostrado, a receita total de vendas no sistema econômico é a mesma em ambos os casos; é a mesma com ou sem os déficits do governo.  (Vale enfatizar: a receita total é a mesma; o que é afetada é a criação de riqueza, como veremos abaixo).  Se a receita agregada de vendas é a mesma, uma redução nos custos agregados significa lucros equivalentemente maiores.

Assim, os déficits orçamentários do governo explicam parcialmente o fato de os lucros das empresas brasileiras estarem subindo mais do que os salários.  

Consequências

É óbvio que o fato de empresas estarem tendo lucros é ótimo.  Lucros permitem mais investimentos, que por sua vez permitem mais riqueza, mais abundância, mais poder de compra e melhores salários.

Porém, quando os lucros são aumentados da forma vista acima, não há motivo algum para regozijo.  O lucro aumentou em termos monetários, mas isso foi consequência do fato de os gastos com bens de capital terem sido reduzidos.  Se há menos bens de capital, há menos maquinário sendo utilizado para a produção de mais riqueza.

Como explicado nesse artigo,

Em uma economia de mercado, o padrão de vida só irá aumentar se houver acúmulo de capital (maquinários, ferramentas, equipamentos de escritórios e afins).  Tal acúmulo permite que a mão-de-obra seja mais produtiva, o que consequentemente resulta em maior produtividade por trabalhador.  Essa maior produtividade gera uma maior abundância de bens de consumo.  E essa maior abundância faz com que o preço de cada bem seja menor (gerando um aumento real dos salários), o que permite um aumento do consumo e do período de lazer, principalmente para as camadas mais pobres da população. 

Para que haja um maior padrão de vida é preciso haver uma abundância de bens consumo, e essa abundância só é gerada se houver um aumento do capital per capita do país. 

Quando o governo tributa ou quando ele incorre em déficits e absorve poupança, ele impede que essa poupança seja utilizada no investimento e na produção bens (riqueza) futuros.  Essa poupança é desviada para o consumo do governo e para o consumo daqueles para quem o governo dá dinheiro.

A consequência inevitável de tudo isso é que a produtividade no sistema econômico será menor do que poderia ser.  E como a produção será menor do que poderia ser, os preços serão maiores, o que faz com que os salários reais sejam menores.  E, por ironia, enquanto que, contabilmente, os custos de produção na economia como um todo estão menores, os custos de produção por unidade serão maiores pelo fato de haver menos bens de capital disponíveis para o processo de produção.

Para resumir: impostos e déficits governamentais impedem o aumento nominal dos salários do setor privado, aumentam os lucros monetários e diminuem os salários reais, pois aumentam os custos unitários de produção e, consequentemente, os preços.

No Brasil

Entendida a teoria, fica claro o que se passa no Brasil.  Como o governo está absorvendo poupança e gastando-a cada vez mais, a receita total da economia segue inalterada, mas os lucros contábeis das empresas sobem, pois elas deixam de investir.

O fato de as empresas terem de pagar impostos para sustentar funcionários do governo atrapalha seus planos de expansão, mas não necessariamente atrapalha suas receitas.  O dono do empreendimento continua auferindo lucros, mas seus empregados permanecem com salários estagnados.  Assim, o dono da padaria e do restaurante a quilo não estão interessados se seus clientes são funcionários públicos ou trabalham na iniciativa privada.  Desde que ele esteja auferindo receitas (e a receita total da economia é mesma, independente de déficits e impostos), está tudo bem.  E dependendo da região do país, se os funcionários públicos estão tendo aumentos, o empresário ganha com isso - afinal, terá clientes mais ricos.  O fato de ser ele quem sustenta, por meio de seus impostos, esses funcionários públicos não o incomoda nem um pouco, desde que eles continuem consumindo seus produtos.  O que ele não quer é perder esses clientes para a concorrência.

Na ocasião do Dia da Liberdade de Impostos, no dia 25 de maio deste ano, alguns líderes empresariais chegaram a dizer que não estavam protestando contra a carga tributária em si - sendo que alguns até chegaram a dizer que não ligariam de pagar mais impostos -, mas contra o desperdício e a malversação dos recursos desses impostos.  Faz sentido.  Eles sabem que boa parte dos impostos que pagam acabam voltando para eles próprios como forma de receita (afinal, o governo e os funcionários públicos são seus clientes).  O ideal para eles seria que toda a carga tributária fosse remetida de volta.  Mas isso só aconteceria se o governo não gastasse boa parte com corrupção.  Daí o protesto contra a malversação.

Não tenho como provar o que vou dizer a seguir, mas o fato de líderes empresariais e entidades de classe não se organizarem para fazer protestos veementes contra a carga tributária (o impostômetro da Associação Comercial de São Paulo não incomoda ninguém), e nem ao menos se mobilizarem para movimentos de conscientização da população - como, por exemplo, discriminar nas notas fiscais qual a porcentagem de impostos embutida nos preços dos produtos -, é um forte indício de que eles sabem que um governo grande e deficitário não vai totalmente contra seus interesses.

Ademais, como explicado com mais detalhes aqui, impostos funcionam também como barreiras ao surgimento de novos concorrentes.  Uma empresa já estabelecida em um determinado ramo já se adaptou aos impostos, ao passo que esses mesmo impostos impedem que pequenas empresas cresçam e que novas empresas surjam.  Uma alta carga tributária, acompanhada de um emaranhado indecifrável de códigos tributários, serve como barreira de entrada no mercado, o que apenas ajuda as empresas já estabelecidas.  Para estas, uma carga tributária, por mais que seja alta, é um preço válido a ser pago, pois garante que novas empresas fiquem afastadas e que a concorrência seja mínima. 

Em um livre mercado, todos aqueles envolvidos na produção de bens e serviços tentam a todo o momento encontrar métodos de produção que seja menos custosos, o que lhes permite aumentar seus lucros.  Com o tempo, esses lucros acabam atraindo novos concorrentes.  E essa concorrência elimina os altos lucros e faz com que os baixos custos de produção tenham de ser repassados ao consumidor na forma de preços mais baixos.  A contínua busca por lucros leva à descoberta e à implementação de novos métodos de produção ainda menos custosos, com o mesmo resultado acima.  A consequência é uma queda progressiva nos preços reais de todos os produtos. 

Mas se o governo entra em cena e impede esse processo - tributando e absorvendo poupança por meio de seus déficits -, quem se beneficia são os empresários já estabelecidos, e quem perde são os consumidores e os trabalhadores - os quais, em última instância, também são consumidores. 

E é isso o que se vê no Brasil.  As empresas seguem tendo bons lucros monetários, ao passo que seus empregados seguem sem desfrutar de boa parte dessa prosperidade.  O governo e seus funcionários continuam absorvendo boa parte da poupança nacional e todo esse processo impede a formação de capital que permitiria um maior enriquecimento do país.

A divisão final fica assim:

1) Empresários lucram em termos nominais, mas ficam impedidos de fazer maiores investimentos.  A expansão de suas empresas fica manietada e seus empregados ficam com salários estagnados ou crescendo muito menos que os lucros das empresas.

2) Esse arranjo impede uma maior abundância de bens, o que se traduz em preços mais altos e qualidade mais baixa.

3) Funcionários públicos desfrutam de altas salariais constantes.  Embora isso lhes garanta amplo acesso aos bens produzidos, eles têm de se contentar com a baixa qualidade destes - embora possam comprar importados de qualidade mais alta.

4) Sem perspectivas de bons salários na iniciativa privada, os melhores cérebros acabam buscando o setor público.  Inteligência e riqueza são desperdiçadas.

5) Algum buscam o empreendedorismo próprio, mas desanimam frente à carga tributária, às regulamentações e ao emaranhado burocrático.  As empresas já estabelecidas agradecem a limitação da concorrência.

Logo, se você quiser enriquecer no Brasil por meios legais, há apenas duas opções: concurso público ou empreendedorismo.  O primeiro é fácil e só exige que você tenha boa memória para decorar imbecilidades (o aspecto imoral de viver com o dinheiro alheio não será aqui abordado); o segundo exige muita paciência, perseverança e, principalmente, dinheiro - não é para preguiçosos.  Vencidas as etapas burocráticas, regulatórias e tributárias, você tem grandes chances de se dar bem.

Agora, apenas como empregado, as perspectivas não são nada alvissareiras.  E o culpado é justamente aquele a quem os prejudicados correm para pedir ajuda.

Seria despiciendo dizer que reduzir impostos e gastos governamentais já seria um grande avanço para a criação de riquezas.  Mas tal medida - por ser algo que beneficia de modo mais explícito "apenas" os assalariados da iniciativa privada - ninguém quer.

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autor

Leandro Roque
é o editor e tradutor do site do Instituto Ludwig von Mises Brasil.

  • Luiz Fernando Grossi  03/12/2009 17:49
    Otimo insight. Eu mesmo tenho vizinhos e amigos empreendedores (um é pequeno e outro é médio empresário) e estão bem, mas desconversam sobre os salários dos empregados e reclamam da carga tributária, dos encargos e da concorrência que os obriga a ter preços baixos. E os filhos estudando pra concurso. \nSó não ficou muito clara pra mim a ideia das receitas serem iguais independente da carga tributária, embora eu entenda que o dono da padaria estaria bem se tivesse apenas funcionários públicos como clientes.\n
  • Leandro  03/12/2009 18:27
    Prezado Luiz Fernando, permita-me ser mais claro.

    Supondo-se que o governo gasta tudo o que arrecada (que é o que de fato ocorre), então não interessa se a carga tributária é de 1% ou de 99%. A quantidade de dinheiro gasta no sistema econômico como um todo será a mesma. E cada real gasto por alguém é um real arrecadado por alguém.

    Por exemplo: imagine uma economia formada por 100 indivíduos mais o estado (o estado é uma entidade amorfa).

    Agora suponha que cada indivíduo tem 10 reais. Cada um gasta 9 reais por conta própria e dá 1 real para o estado. Se o estado recolher 1 real de cada um e gastar, então o estado está gastando 100 reais. Somando-se com o gasto total dos indivíduos (9 por pessoa), temos 900 + 100 = 1.000.

    Consequentemente, alguém estará arrecadando esses 1.000 reais.

    Se o estado recolher 2 reais de cada, então ele estará gastando 200 reais e os indivíduos, 800 reais. Total, 1.000 reais. Se o estado recolher 3 reais, teremos 700 + 300 = 1.000.

    Se ele não recolher nada, então as pessoas as pessoas gastarão 10 x 100 = 1.000.

    Ou seja, os gastos e as receitas tendem a ser iguais, independente da carga tributária.

    O que vai variar drasticamente é a criação de riqueza. 1.000 reais gasto pelo estado é muito diferente de 1.000 reais poupados, investidos e gastos por indivíduos. Indivíduos sabem em que gastar; o estado, não.

    Quanto mais o estado tributa e gasta, mais ele impede a formação de poupança e os consequentes investimentos. Com isso, haverá menos bens de capital e pior qualidade de vida.
  • Rhyan Fortuna  03/12/2009 18:59
    Ótimo texto! Mas fiquei confuso com alguns pontos... Se a carga tributária fosse menor, as pessoas gastariam mais ou poupariam mais? Gostaria de ver um artigo sobre todas as vantagens de ter um livre mercado, um estado que gasta pouco, mantem superavits, com carga tributária baixa, e etc., um verdadeiro estado mínimo. Obrigado, abraços!
  • Leandro  03/12/2009 19:25
    Rhyan, primeiro é preciso entender que a carga tributária faz o pior dos dois mundos: impede que as pessoas poupem e estimula a gastança, que é feita pelo governo. Assim, por si só, além de uma alta carga tributária ser incompatível com maior poupança, ela estimula a gastança estatal, que sempre é feita sem critérios.

    Se não houvesse impostos, as pessoas simplesmente teriam a liberdade de fazer o que quisessem com o dinheiro que lhe pertence. Algumas fariam bobagem? Sem dúvida. Outras fariam investimentos sábios? Com certeza. Seria possível alguma intervenção governamental otimizar esse equilíbrio? Não, por uma questão de dispersão de informação. Nenhuma burocracia centralizada pode possuir todo o conhecimento necessário, toda a amplitude de informação que a permita saber mais que todo o conjunto de indivíduos. O conhecimento é disperso na sociedade; ele não pode ser centralizado. Assim, é impossível um comitê central otimizar qualquer interação entre milhões de indivíduos.

    Portanto, não. É impossível haver um nível de carga tributária que estimule a poupança e evite a destruição de capital que os gastos do governo provocam.
  • Rhyan Fortuna  03/12/2009 19:44
    Então, qual a solução?
  • Leandro  03/12/2009 20:02
    Aquela que tá no último parágrafo do texto: menos gastos e menos impostos.
  • Angelo Viacava  03/12/2009 21:17
    Experimente um exercício de imaginação: quanto cobraria uma empresa para asfaltar a rua em frente de sua casa, se esta não fosse asfaltada? Depende de quem paga, de quanto tem para pagar, de quantas empresas asfaltadoras existem. Imagine se fosse possível cotizarem-se os moradores desta rua para dividir o preço do asfalto entre si. Certamente buscariam a melhor combinação de asfalto ao menor preço e maior qualidade. Pesquisariam preços, até encontrarem, ou resolveriam que asfalto é muito caro e nem há tanta prioridade assim, até que surgisse um fornecedor que chegasse ao encontro do desejo dos consumidores. Só que um estado cobrador de impostos e deficitário já entra como concorrente desleal, pois empreiteiras preferem cobrar dez vezes mais do governo, que paga sem titubear, do que lutarem entre si por clientes privados, individualmente mais "fracos" financeiramente - a fraqueza seria pejorativo a quem poupa e zela por seu capital, invertendo-se os papéis e premiando-se o esbanjador. Neste caso deixar-se-ia 90% da cidade sem asfalto e apenas 10% asfaltado, mas todos pagariam. É da existência do governo a má administração de dinheiro, pois o que é público passa não a ser de todos, mas a não ser de ninguém.
  • Cesar Ramos  04/12/2009 09:44
    Perfeita equação.
  • Rhyan Fortuna  09/12/2009 08:13
    Pois então, Leandro, como seria um país com menos gastos e menos impostos? Isso que perguntei. Mas você respondeu que "É impossível haver um nível de carga tributária que estimule a poupança e evite a destruição de capital que os gastos do governo provocam.". A impressão que tive é que a única solução seria o fim do estado, o minarquismo seria impossível. Entendi errado?
  • Rafael Crivelli  09/12/2009 11:34
    Leandro,
    só fiquei com uma dúvida: se os lucros - nominais - das empresas são contabilizados subtraindo-se os custos de produção das receitas de venda, e a alta carga tributária impede que ela invista em bens de capital (aumentando seus custos de produção), não é justamente devido a um outro "custo de produção", os impostos? Afinal, uma empresa não pode produzir nada sem pagar impostos.
  • Leandro  09/12/2009 12:53
    Rafael, não sei se entendi bem o seu ponto, pois confesso que fiquei com a impressão de que você repetiu o mesmo ponto que fiz no texto.

    Sendo assim, vou tentar ser mais claro nessa questão dos impostos, aí depois você me diz se esclareci sua dúvida ou não.

    Vamos lá.

    Um imposto direto como o imposto de renda representa muitos gastos para as empresas, mas não é incluído como um custo de produção. O mesmo vale para outros dois impostos diretos que são violentíssimos: a CSLL e a COFINS, sendo que ambas incidem sobre a receita bruta. (Mas a receita com a qual estamos preocupados é a receita pós-impostos diretos).

    Já os impostos indiretos de fato estão embutidos nos custos de produção, o que os torna maiores. Porém, eles são pequenos em relação aos impostos diretos (veja o volume de arrecadação deles aqui: http://www.bcb.gov.br/pec/indeco/Port/ie4-08.xls).

    Já os encargos sociais e trabalhistas são custos de produção, e justamente por isso são restringidos ao máximo (o que implica menos contratações e salários menores).

    Mas talvez eu tenha falhado em enfatizar o ponto principal: como o governo opera constantemente com déficit nominal, isso significa que toda a carga tributária não é suficiente para cobrir os gastos do governo, o que significa que ele ainda tem de tomar mais recursos emprestados para cobrir a gastança. E quem fornece esse empréstimo? O setor privado.

    Ou seja, além dos impostos, o setor privado ainda dá mais dinheiro pro governo, via empréstimos.

    E é aqui que vem o principal, como enfatizado no texto: esse dinheiro que vai para o governo, e que não é contabilizado como custo de produção, acaba voltando para a economia no momento em que o governo o gasta. Ou seja: no final, a receita aumentou, mas o custo permaneceu o mesmo - daí o aumento dos lucros.

    Portanto, a minha ênfase deveria ser: os impostos diretos e os déficits (os déficits talvez com ainda mais peso) são os principais fatores que fazem com que os lucros cresçam muito mais do que os salários.
  • Leandro  09/12/2009 13:57
    Rhyan,

    Bom, como modelo ideal, sim. O anarcocapitalismo é o único sistema que possibilitaria a máxima criação de riqueza, e a mínima destruição de capital (fazendo uma análise puramente utilitarista).

    Mas, embora o minarquismo seja algo impossível tanto na teoria quanto na prática, ele obviamente traria resultados muito melhores do que a nossa atual socialdemocracia.

    Enfim, é um clichê, mas é verdade: quanto menor o estado, maior o potencial para a criação de riqueza.
  • Rafael Crivelli  10/12/2009 20:53
    Leandro,
    mas se esse dinheiro que o Estado gasta acaba voltando na forma de receita, e gera lucro, esse lucro excedente não deveria ser então investido e finalmente contabilizado como custo de produção? O que impede esse "lucro nominal" de ser investido em bens de capital? Isso que ainda não entendi.
    Quanto ao meu ponto de vista, até então via que qualquer tipo de imposto seria de alguma forma um "custo de produção", afinal é o preço pago ao Estado para que a empresa possa existir, como um "aluguel".

    De resto, o artigo é fantástico.
  • Leandro  11/12/2009 03:53
    Rafael,

    "mas se esse dinheiro que o Estado gasta acaba voltando na forma de receita, e gera lucro, esse lucro excedente não deveria ser então investido e finalmente contabilizado como custo de produção?"

    Sim, parte desse lucro é reinvestido (afinal, as empresas precisam investir constantemente), mas outra parte continua indo para impostos e para o financiamento da dívida do governo. E depois isso volta como receita, reiniciando o ciclo. Ou seja, nada mudou. Toda a rotina continua.

    "O que impede esse "lucro nominal" de ser investido em bens de capital?"

    Nada, teoricamente. E parte o é. Mas a outra parte vai para impostos e para cobrir o déficit.
  • Rhyan Fortuna  15/12/2009 20:30
    Não entendi direito como déficits absorvem poupança.
  • Leandro  16/12/2009 03:47
    Rhyan, você pode pensar de duas formas:

    Quando o governo incorre em déficits, ele precisa cobri-lo, certo? Para tal, o governo utiliza dinheiro que as pessoas têm no banco. Isto é, o banco empresta dinheiro (seu) pro governo. Ao fazer isso, passa a existir menos poupança para ser emprestada para empresas que querem investir e se expandir. Consequentemente, há um aumento dos juros tanto para pessoas físicas quanto jurídicas. Ou seja: o governo absorve poupança para cobrir seus gastos, e, como consequência, passa a haver menos poupança para financiar uma genuína expansão econômica.

    Outra maneira de pensar, e que dá no mesmo, é que déficits e gastos fazem com que o governo consuma aqueles que produtos que foram poupados pela população, que gostaria de consumi-los mais tarde. Assim, a sua poupança (isto é, a sua abstenção em comprar agora para poder comprar mais tarde) foi usurpada pelo governo, que ficou com tudo pra ele. Ao consumir esses produtos, o governo está impedindo que eles sejam utilizados em investimentos futuros.
  • Tiago RC  18/12/2009 08:32
    Essa teoria não é tão simples para não economistas... :-P Tive um pouco de trabalho para entender, então gostaria de confirmar:\n\n-Déficit: drena poupança para gastos que não aumentam a capacidade produtiva, isto está mais ou menos claro pra mim.\n-Impostos sem déficit: entendo que, se a população fixar para si um percentual a consumir e outro a poupar sobre aquilo que produzem (preferência temporal constante), os impostos vão certamente aumentar o consumo e diminuir a poupança da sociedade como um todo. Mas como você garante que os impostos em si não vão provocar uma mudança nas preferências temporais? Fulano assume como meta poupar X por ano pra se aposentar em tal idade. O governo lhe toma uma parte. Ele, decidido a poupar X, reduz seu consumo proporcionalmente ao saque do governo, mas mantém seu nível de poupança. Enfim, não é garantido que os impostos em si, sem ocorrência de déficit, vão diminuir a poupança da sociedade... até porque, ao entrar com seu consumismo exacerbado, o governo deve provocar reflexos nos juros, aumentando-o, e portanto estimulando a poupança da parte de outros agentes... não?\n\nAbraços!
  • Leandro  18/12/2009 13:29
    Tiago, mas aí é que tá: impossível manter um nível de poupança pré-determinado se o estado entra em cena e toma de você. E com um agravante: o estado vai utilizar esse dinheiro que ele tomou para se apoderar da poupança alheia (comprar bens que outras pessoas se abstiveram de comprar, o que fará com que esses bens fiquem mais escassos, aumentando seus preços).

    Ou seja: impostos geram gastos do governo. E isso, inevitavelmente, reduz a poupança da sociedade.
  • Pedro Blanco  02/10/2010 23:24
    Leandro,

    Confirmando se eu entendi seu ponto sobre o aumento da lucratividade:
    As empresas sem a intervenção governamental gastariam o dinheiro com investimentos e maiores salários, que são contabilizados como custos. Já no caso do governo as taxar pesadamente, ou vender títulos para financiar seu déficit, o dinheiro que seria gasto com atividades contabilizadas como custos (investimentos e salários), passa a ir para atividades que não são contabilizadas como custos (impostos diretos e compra de títulos), logo contabilmente tem-se a impressão de que os custos diminuiram, correto?
    Reiterando que esse aumento na lucratividade não é real, e sim contábil, pois mesmo que os impostos diretos não sejam contabilizados como custos, em algum lugar no DRE eles vão entrar (acredito eu que na dedução da receita bruta a receita líquida), e obviamente que esse dinheiro sai da empresa e logo não pode ser considerado lucro!!

    Quanto aos salários, a não ser que se argumente que a grande regulamentação que o afeta faz necessário uma análise distinta da análise de livre mercado, são regidos pelo mercado e respondem a lei da oferta/demanda. Se a empresa pagar salários abaixo do mercado, não vai reter os profissionais, e se pagar acima, disperdiçará investimentos melhores. Logo o tamanho da poupança da empresa em princípio tem pouca relação com o quanto a empresa vai pagar de salários, na minha opinião. A não ser indiretamente: Quanto mais se investe, novos postos de trabalho surgem, e a relação oferta/demanda se altera, favorecendo o aumentos salarial.
  • Leandro  04/10/2010 14:44
    Prezado Pedro,

    No caso específico dos impostos diretos, eles afetam a capacidade de investimento das empresas, provocando uma redução nos seus gastos produtivos -- todos aqueles gastos que têm o propósito de gerar vendas (e, consequentemente, receitas) subsequentes.

    A redução desses gastos produtivos gera uma redução equivalente nos custos agregados da empresa -- custos estes que são deduzidos das receitas ao se computar o lucro.

    Mas como as receitas do sistema econômico permanecem inalteradas (pelos motivos explicados no texto), o resultado é que o lucro vai aumentar correspondentemente -- o lucro bruto, e não do líquido, obviamente. Assim, o pagamento de impostos diretos obviamente entrará na DRE em um momento futuro.

    Já no caso específico dos déficits, o dinheiro emprestado ao governo entrará em outra rubrica não relacionada com investimentos na linha de produção. E, nesse caso, será o lucro líquido (pós-impostos) que irá aumentar, pois não houve aumento de impostos para contrabalançar a queda nos custos gerada pela redução dos gastos produtivos.

    O livro Capitalism, do George Reisman, dedica uma seção inteira a esse assunto: capítulo 17, seção 7.
  • fabio  02/11/2010 01:24
    Excelente análise! Estou me tornando adepto da economia austríaca.
  • fabio  02/11/2010 13:20
    Algum comentário sobre o editorial de Krugman? www.nytimes.com/2010/11/01/opinion/01krugman.html?partner=rssnyt&emc=rss
  • Leandro  02/11/2010 14:29
    O Krugman é um pândego.

    O governo americano está incorrendo em um déficit de 1,4 trilhão de dólares (até então, o maior déficit da história havia de 400 bilhões em 2004), com uma dívida total de 12 trilhões e gastando 3,7 trilhões só esse ano. Recordes históricos.

    E o que o Krugman diz? Que o país não saiu da recessão porque os gastos e o déficit ainda não estão altos o suficiente!

    Ora, assim é fácil. Adotando esse método de raciocínio, sua teoria nunca estará errada. Por mais que os outros façam aquilo que você recomenda, e por mais errado que as coisas deem, você sempre poderá dizer: "Ainda não fizeram o suficiente".

    Resta ao Krugman dizer então qual é então o nível de gastos que ele acha adequado e qual o déficit salvador. O governo americano fez tudo que ele recomendou. Só pioraram as coisas, exatamente como prevê a teoria econômica.

    Apenas ficar repetindo que tem de aumentar tudo, pois uma hora vai dar certo, não só é uma impostura intelectual, como também é de uma irresponsabilidade pavorosa.


    Por fim, aqui vai um comentário desse texto em específico:
    krugman-in-wonderland.blogspot.com/2010/11/is-recession-simply-zero-sum-game.html
  • Helio  02/11/2010 14:30
    Fabio, obrigado pelo link.

    Esse Krugman é muito fraco intelectualmente. Ele não entende nem mesmo o crescimento econômico. Os austríacos (e os economistas normais) sabem que o crescimento se dá por aumento de produção, financiado pela poupança de terceiros, que emprestam o capital para a expansão da produção (e da capacidade de produção).

    Ou seja, a poupança (em contraposição ao gasto, ou "spending") é que permite o crescimento e a recuperação econômica.

    Quando ele defende que o governo deve gastar, é óbvio para qualquer economista de primeiro ano de faculdade, que isso retira recursos que poderiam servir para financiar o crescimento e a recuperação, e gasta com atividades que pouco atendem as necessidades dos consumidores. Esse gasto compulsório pelo governo diminui a capacidade de poupança (e por conseguinte, de investimento) da economia.

  • Thiago  02/11/2010 17:26
    (Helio) Você pode discorda do Krugman, e achar que ele não é gênio, mas achar que ele é intelectualmente muito fraco eu discordo, não estou embasadando minha opinião apenas no Nobel Prize, mas sim, no livro de economia internacional que ele escreveu. É o top 1, e usado em muitos universidades.\r
    O livro tem suas falhas, não poucas, mas não posso tirar o mérito do Krugman em conseguir condensar o pensando neoclassico na economica internacional.\r
    ( meu professor traduziu o livro dele para português, eu discordei de um ponto na prova, e escrevi com consistência uma resposta, em que, meu professor não conseguiu responder o porque meu raciocinio estava errado em plena sala de aula, e apenas falou: não está na teoria, está errado e ponto. )
  • Helio  02/11/2010 19:43
    Thiago, você está se baseando no fato de que um livro dele é "bom" para você. Por que não contra-argumenta ao que eu comentei sobre o artigo dele?\r
    \r
    Eu estou baseando minha análise no artigo postado, onde ele afirma que o consumo é o que gera prosperidade, e que ao gastar o governo contribui para a prosperidade. Tolice.\r
    \r
    Os neoclássicos certamente divergiriam desta afronta à economia básica.
  • Daniel Marchi  02/11/2010 16:24
    Definitivamente eu não entendi esse comentário do P.K. (link abaixo)

    blogs.estadao.com.br/paul-krugman/2010/11/02/o-fim-da-civilizacao-ocidental/

    É impressão minha ou ele está dizendo que a inflação foi causada pela expectativa de inflação?!?! Ora, se for assim, vamos todos desejar Ferraris e casas na praia e tais expectativas simplesmente se materializarão.

    abç
  • Dereck  09/11/2010 10:10
    O texto é bom, mas algumas ressalvas devem ser feitas.\r
    Quem lê o seu texto pensa que todo "servidor público" ganha como um delegado da Polícia Federal ou um auditor fiscal da Receita Federal. Os altos salários do serviço público (que sustentam parte da sua argumentação) só é encontrado em uma parcela muito específica de servidores FEDERAIS e outra mínima de servidores estaduais (juízes e desembargadores). Os federais são apenas 10% do total de servidores e não são todos que ganham altas quantias. \r
    O grosso de servidores no Brasil trabalham para os estados e prefeituras. Na sua imensa maioria são policiais, professores de ensino básico, enfermeiras, assistentes etc. É risível dizer que essas pessoas estejam "vivendo com o dinheiro alheio".\r
    Se você partir para o campo previdenciário (um assunto extremamente complexo), você vai descobrir que a maioria ganha apenas 1 salário mínimo.\r
    Afirmar de forma generalizante que o setor público paga mais que o privado é pano pra manga. E olha que eu trabalho em empresa privada!\r
  • Leandro  09/11/2010 10:52
    Prezado Dereck, o tamanho dos salários dos funcionários públicos não tem absolutamente nada a ver com a argumentação do texto -- toda ela centrada em gastos do governo, déficits, impostos e volume de gastos da economia como um todo. É apenas um adendo.

    Digo isso apenas para retrucar esse seu trecho: "os altos salários do serviço público (que sustentam parte da sua argumentação)".

    Observe também que tampouco o argumento do texto precisa se restringir apenas a funcionários públicos federais. Afinal, governos estaduais e municipais também têm seus gastos e receitas (embora a Lei de Responsabilidade Fiscal restrinjam seus déficits), que também impactam diretamente na economia, embora em âmbito mais local.

    Ademais, você diz que "É risível dizer que essas pessoas estejam "vivendo com o dinheiro alheio".". Ok, basta me dizer por que e estamos conversados.

    Por último, não sou eu quem diz que o setor público paga mais que o setor privado, não. É o IBGE.

    Em setembro último, por exemplo, veja o rendimento médio real das pessoas de cada setor, sendo que o setor público engloba as três esferas (municipal, estadual e federal):

    Setor Público: R$ 2.394
    Setor Privado: R$ 1.312

    Diferença de módicos 82,5%.


    www.ibge.gov.br/home/estatistica/indicadores/trabalhoerendimento/pme_nova/tabelas_excel/tab135092010.xls

    www.ibge.gov.br/home/estatistica/indicadores/trabalhoerendimento/pme_nova/tabelas_excel/tab136092010.xls


    O senhor deveria saber melhor.

    Abraços.
  • joao  24/02/2013 16:48
    Só não entendo, mesmo após ler os comentários com a mesma dúvida, uma coisa:

    Como os custos de produção das empresas são reduzidos (e o lucro nominal aumenta) se o dinheiro simplesmente é "desviado" do investimento em produção para pagamentos de tributos/financiamento do governo?

    A quantia de dinheiro gasta não muda, apenas o seu destino. Mas continua sendo dinheiro gasto. Não entendi pq os lucros aumentariam nesse cenário.
  • Leandro  24/02/2013 19:23
    Você próprio já respondeu. Uma coisa é contabilizada como custo produção (um passivo, lado direito do balancete). A outra é contabilizada como investimento (um ativo, lado esquerdo do balancete). São coisas contabilmente opostas.
  • Leandro  24/02/2013 23:33
    Correção: o investimento seria, obviamente, a compra de títulos da dívida do governo, que é sobre o que o artigo fala, e não "pagamento de tributos", que é o que o João entendeu. Pagamento de tributos não é investimento, evidentemente. É custo.
  • joao  25/02/2013 02:46
    Tá, mais se o empresário deixa de investir na produção (custos de produção) pra pagar impostos maiores (que tbm são custos), o lucro não aumenta nem em termos nominais, nem reais. A receita-despesa (que inclui custos de produção e tributos) continua a mesma, o dinheiro só mudou de lugar dentro das despesas.
  • Leandro  25/02/2013 09:30
    João, você está fazendo confusão. Sim, pagamento de impostos é um custo, e acarreta tudo isso que você falou. Mas o artigo em momento algum se refere a pagamento de impostos. O artigo fala sobre aquisição de títulos do governo. E aquisição de títulos do governo é contabilizada pelas empresas como investimento (investimento é tudo aquilo que é feito visando a gerar um retorno futuro).

    E investimento não é contabilizado imediatamente como custo. Isso não é opinião minha; isso é regra contábil.

    Por exemplo, imagine uma empresa que acabou de adquirir várias máquinas. Máquinas são bens de capital. São investimentos. Esta aquisição, embora tenha custado dinheiro para a empresa, não é contabilizada imediatamente como custos, pois gastos com bens de capital são considerados investimentos. E, em termos puramente contábeis, gastos com bens de capital não são integralmente deduzidos nos balancetes. Vou explicar melhor.

    Se você compra um bem de capital por $100.000, e a vida depreciável desse ativo (durabilidade) é de 10 anos, então o custo de depreciação será de 10% ao ano. Sendo assim, no seu balancete aparecerá imediatamente um ativo de $100.000 e um custo de apenas 10.000 (10% de 100.000) no ano seguinte. Isso é regra contábil.

    (Somente após 10 anos é que o custo total desse ativo totalizará $100.000. Isso significa que somente após 10 anos o custo desse ativo será igual ao valor despendido em sua aquisição.)

    Ou seja, o valor do bem de capital comprado não aparece integralmente como custo. Mas aparece integralmente como ativo. O custo anual ($10.000) será subtraído do valor integral do ativo ($100.000). Essa diferença representa o investimento líquido.

    Portanto, observe que embora o seu gasto tenha sido de $100.000, você vai jogar no balancete somente a depreciação de $10.000 (e só no ano seguinte).

    Não sei se ficou claro (escrever na madrugada de domingo para segunda não é um horário muito grato), mas é assim que são as regras contábeis. Não se trata de uma mera questão de opinião.

    Abraço!
  • Antônio Galdiano  29/07/2013 19:00
    Leandro, veja se eu fiz as interpretações corretas desse artigo.

    Quanto à lucratividade: O estado grande é um sumidouro de poupança na sociedade. Uma vez que a sociedade passa a poupar menos e que poupança é usada para constituição de capital (custo), reduz-se o gasto com o capital e aumenta-se provisoriamente a lucratividade.
    Seria algo como uma empresa de remédios parar de investir em pesquisa de novos medicamentos. O lucro no curto prazo até aumenta, às custas da competitividade e da lucratividade no longo prazo.

    Quanto aos salários: Um dos determinantes do salário é a escassez relativa de capital em relação a trabalhadores. Uma vez que o estado é um sumidouro de poupança e poupança é o insumo para constituição de capital, mais estado hoje significa menos capital amanhã e, portanto, maior escassez relativa de capital em relação a trabalhadores. Como capital aumenta a produtividade, menos capital é induz a menos salário.

    As interpetaçãoes conferem?
  • Emerson Luis, um Psicologo  11/04/2014 18:54

    Ninguém disse que o intervencionismo não gera prosperidade temporária para muitos e permanente para poucos. Cinco anos depois, o Brasil beira a estagflação como resultado da política econômica petista.

    * * *
  • Henrique  15/05/2014 17:01
    Gostaria de um auxílio contra uma falácia usada pelos keynesianos de que uma diminuição de impostos não gera necessariamente um aumento nos salários.

    Suponha que o governo brasileiro reduza o IRPJ de 34% para míseros 5%. O que impede os "gananciosos" empresários de apenas auferirem esse dinheiro para si ao invés de aumentar os salários dos seus empregados?

    Minha resposta é que o empresário irá de fato ficar com o dinheiro para si, obviamente. Mas esse dinheiro não ficará parado embaixo, escondido embaixo do colchão. Tão pouco irá um bom empresário sair gastando esse dinheiro extra em extravagâncias. Esse dinheiro -- ou a maior parte dele, pelo menos -- será usado para expandir sua capacidade produtiva, visando maiores lucros no futuro.

    Até aí tudo bem, mas me perco a seguir.

    Com aumento da sua capacidade produtiva, é correto afirmar que há um aumento pela demanda de mão de obra (agora sem hífen), que acabará por fatalmente aumentar os salários do setor?

    É possível contra-argumentar isso dizendo que é possível aumentar a capacidade produtiva sem aumentar a demanda por mão de obra, por exemplo, adquirindo máquinas autônomas que melhoram a produção, mas não necessitam de um operador. Diante disso, o empresário não precisará aumentar os salários dos empregados.

    Como refutar isso?
  • daniel  08/08/2014 09:17
    Pelo que eu entendo, a mais alta lucratividade atrairia novos empresarios, que consequentemente aumentariam a demanda pela mao de obra e seu valor. Em segundo lugar, a expansao da capacidade produtiva abaixaria o custo de cada unidade do bek economico parw os consumidores, aumentando o salario real, mesmo com a estagnacao dos valores nominais.
  • Dom Pedro  10/07/2015 16:09
    A não ser que o empresário vá ele próprio fazer a operação destas máquinas, ele continuará precisando de funcionários. Mas agora ele precisará de menos funcionários, porém mais qualificados, que receberão maiores salários.

    Acabei de ler este texto e ele é muito útil pra desmascarar o modus operandi do governo, fundamental pra entender como chegamos aqui. E ótimo para q as pessoas entendam que aqui no Brasil precisamos de menos estado e mais mercado.


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