O que é o Livre Mercado?
por , sexta-feira, 14 de março de 2008

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mercado.jpgO livre mercado é um termo conciso para um arranjo de trocas que ocorrem na sociedade. Cada troca acontece como um acordo voluntário entre duas pessoas ou entre grupos de pessoas representados por agentes. Esses dois indivíduos (ou agentes) trocam dois bens econômicos, tanto commodities tangíveis quanto serviços não-tangíveis. Assim, quando eu compro um jornal de um jornaleiro por cinquenta centavos, o jornaleiro e eu trocamos duas commodities: eu entrego cinquenta centavos ao jornaleiro, e ele me entrega o jornal. Ou, se eu trabalho para uma corporação, eu troco meus serviços trabalhistas, de uma maneira mutuamente combinada, por um salário monetário — aqui a corporação é representada por um gerente (um agente) com a autoridade de contratar.

Ambas as partes empreendem a troca porque cada parte espera ganhar com ela. Também, cada parte irá repetir a troca da próxima vez (ou se recusar a) porque sua expectativa se provou correta (ou incorreta) no passado recente. Comércio, ou troca, ocorre precisamente porque ambas as partes se beneficiam; se elas não esperassem obter ganhos, não concordariam em se envolver na troca.

Esse simples raciocínio refuta o argumento contra o livre comércio típico do período mercantilista ocorrido na Europa entre os séculos XVI e XVIII, e explicado de maneira clássica pelo famoso ensaísta francês do século XVI, Montaigne. Os mercantilistas argumentavam que, em qualquer comércio, uma parte só pode se beneficiar às custas da outra; que em cada transação há um vencedor e um perdedor, um "explorador" e um "explorado". Podemos imediatamente ver a falácia deste ainda popular ponto de vista: a vontade e até mesmo a ânsia de fazer trocas significa que ambas as partes se beneficiam. No jargão da moderna teoria dos jogos, uma troca é uma situação de vencedor-vencedor, um jogo de "soma positiva" ao invés de "soma zero" ou "soma negativa".

Como é possível que as duas partes se beneficiem de uma troca? Cada parte valoriza os dois bens ou serviços de maneira diferente, e essa diferença arruma o cenário para uma troca. Eu, por exemplo, estou caminhando com dinheiro no bolso, mas sem jornal algum; o jornaleiro, por outro lado, tem vários jornais, mas está ansioso para conseguir dinheiro. E assim, ao nos encontrarmos, fazemos um acordo.

Dois fatores determinam os termos de qualquer acordo: o quanto cada participante valoriza cada bem em questão, e a habilidade de barganha de cada participante. Quantos centavos serão trocados por um jornal, ou quantas figurinhas de baseball com a foto de Mickey Mantle serão trocadas por uma de Babe Ruth, depende de todos os participantes do mercado de jornais ou do mercado de figurinhas de baseball — em quanto cada um valora as figurinhas em comparação aos outros bens que ele poderia comprar. Esses termos de troca, chamados de "preços" (de jornais em termos de dinheiro, ou de figurinhas de Babe Ruth em termos das de Mickey Mantle), são em última instância determinados pela quantidade de jornais — ou de figurinhas de baseball — que estão disponíveis no mercado em relação a quão favoravelmente os compradores avaliam esses bens. Encurtando, pela interação da oferta deles com a demanda por eles.

Dada a oferta de um bem, um aumento de seu valor na mente dos compradores vai aumentar a demanda por esse bem, mais dinheiro será ofertado por ele, e seu preço subirá. O reverso vai ocorrer se o valor, e, portanto, a demanda do bem, cair. Por outro lado, dada a avaliação do comprador — ou demanda pelo bem —, se a oferta aumentar, cada unidade da oferta — cada figurinha de baseball ou pedaço de pão — terá seu valor diminuído, e portanto, o preço do bem cairá. O reverso vai ocorrer se a oferta do bem diminuir.

O mercado, portanto, não é simplesmente um arranjo, mas sim uma rede de trocas altamente complexa e interativa. Nas sociedades primitivas, as trocas eram todas do tipo escambo ou trocas diretas. Duas pessoas trocavam dois bens diretamente usáveis — tipo cavalos por vacas ou Mickey Mantles por Babe Ruths. Mas à medida que a sociedade foi se desenvolvendo, um processo passo a passo de benefícios mútuos criou uma situação na qual uma ou duas commodities extensamente usadas e valorizadas foram escolhidas no mercado como um meio de troca indireta. Esse dinheiro-commodity — geralmente, mas não sempre, o ouro e a prata -, foi então demandado não apenas por seu valor em si, mas também para facilitar uma nova troca por outra commodity desejada. É muito mais fácil pagar siderúrgicos não em barras de aço, mas em dinheiro, com o qual eles podem então comprar o que desejarem. Eles estão dispostos a aceitar dinheiro porque eles sabem por experiência e discernimento que todos os outros na sociedade irão aceitar aquele dinheiro como pagamento.

O mercado, essa moderna e quase infinita rede de trocas, se torna possível pelo uso do dinheiro. Cada pessoa empenha-se em uma especialização, ou uma divisão do trabalho, produzindo aquilo que ela faz melhor. A produção começa com os recursos naturais, e daí advêm várias formas de máquinas e bens de capital, até que, finalmente, bens são vendidos ao consumidor. Em cada estágio da produção, desde os recursos naturais até os bens de consumo, dinheiro é voluntariamente trocado por bens de capital, trabalho e recursos terrestres. A cada passo, os termos de trocas — ou preços — são determinados pelas interações voluntárias entre ofertantes e demandantes. Esse mercado é "livre" porque as escolhas, a cada passo, são feitas livre e voluntariamente.

O livre mercado e o livre sistema de preços fazem com que bens de todo o mundo estejam disponíveis para o consumidor. O livre mercado também dá a maior liberdade de ação possível aos empreendedores, que arriscam capital para alocar recursos de maneira a satisfazer os desejos futuros da massa de consumidores da maneira mais eficiente possível. Poupança e investimento podem então desenvolver bens de capital e aumentar a produtividade e os salários dos trabalhadores, aumentando assim seu padrão de vida. O mercado livre e competitivo também recompensa e estimula a inovação tecnológica, o que permite ao inovador ter uma pequena vantagem na corrida para satisfazer os desejos do consumidor de maneiras novas e criativas.

Não apenas o investimento é encorajado, mas, talvez mais importante, o sistema de preços, e os incentivos de lucros-e-prejuízos do mercado, conduzem o investimento e a produção ao caminho certo. Essa intrincada rede pode se engrenar e "equilibrar" todos os mercados de tal forma que não haja repentinas, imprevistas, e inexplicáveis escassezes e excessos em qualquer ponto do sistema produtivo.

Mas as trocas não são necessariamente livres. Muitas são coercivas. Se um assaltante ameaça você com um "Seu dinheiro ou a sua vida!", seu pagamento para ele será coercivo — e não voluntário —, e ele vai se beneficiar às suas custas. É o roubo, e não o livre mercado, que na verdade segue o modelo mercantilista: o assaltante se beneficia às custas de quem foi coagido. Exploração ocorre não no livre mercado, mas sim onde o agente coercivo explora a vítima. No longo prazo, coerção é um jogo de soma negativa que leva a uma diminuição da produção, da poupança e do investimento; a um esgotamento do estoque de capital, e a uma redução da produtividade e do padrão de vida de todos, talvez até mesmo dos próprios agentes coercivos.

O governo, em qualquer sociedade, é o único sistema lícito de coerção. Taxação é uma troca coerciva, e quanto mais pesada a carga de impostos na produção, maior a probabilidade de o crescimento econômico vacilar e declinar. Outras formas de coerção governamental (e.g., controle de preços ou restrições que evitam que novos competidores entrem no mercado) dificultam e mutilam as trocas de mercado, enquanto outras (proibições de práticas fraudulentas, respeito aos contratos) podem facilitar as trocas voluntárias.

A máxima forma de coerção governamental é o socialismo. Sob o planejamento central socialista, a burocracia planejadora carece de um sistema de preços para a terra e para bens de capital. Até mesmo socialistas como Robert Heilbroner agora admitem que a burocracia planejadora socialista não tem como calcular preços ou custos, nem tem como investir capital de maneira que toda a rede de produção possa se harmonizar e saldar. A recente experiência soviética, onde uma abundante safra de trigo não conseguia chegar até os mercados varejistas, é um exemplo instrutivo da impossibilidade de se operar uma moderna e complexa economia na ausência de um livre mercado. Não havia incentivos nem meios de calcular preços e custos para que veículos de transporte pudessem chegar ao trigo, para que fábricas de farinha recebessem e processassem o trigo, e assim por diante passando por um grande número de etapas necessárias para se chegar ao consumidor final em Moscou ou Sverdlovsk. Todo o investimento em trigo era quase que totalmente desperdiçado.

O socialismo de mercado é, de fato, uma contradição dos termos. A elegante discussão do socialismo de mercado frequentemente ignora um aspecto crucial do mercado: quando dois bens são trocados, o que é realmente trocado é o título de propriedade de cada bem. Quando eu compro um jornal por cinquenta centavos, o vendedor e eu estamos trocando títulos de propriedade: eu renuncio à propriedade dos cinquenta centavos e a entrego ao jornaleiro, e ele cede a propriedade do jornal para mim. Exatamente o mesmo processo ocorre ao se comprar uma casa, exceto que no caso do jornal as coisas são bem mais informais, e podemos evitar todo o intrincado processo de escrituras, autenticação de contratos, agentes, advogados, corretores hipotecários, entre outros. Mas a natureza econômica das duas transações permanece a mesma.

Isso significa que a chave para a existência e prosperidade do livre mercado é uma sociedade onde os direitos e os títulos da propriedade privada são respeitados, defendidos e mantidos seguros. A chave para o socialismo, por outro lado, é a propriedade estatal dos meios de produção, da terra, e dos bens de capital. Assim, não pode haver um mercado para a terra ou para bens de capital no sentido correto do termo.

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  Tenha Rothbard como seu professor.
Alguns críticos do livre mercado argumentam que os direitos de propriedade estão em conflito com direitos "humanos". Mas esses críticos falham ao não perceberem, que em um sistema de livre mercado, cada indivíduo tem um direito de propriedade sobre sua própria pessoa e sobre seu próprio trabalho, e que ele pode, livre e voluntariamente, fazer contratos pelos seus serviços. Já a escravidão viola o direito básico de propriedade do escravo sobre seu próprio corpo e sobre sua própria pessoa, um direito que é a base fundamental para os direitos de propriedade de qualquer pessoa sobre objetos materiais não-humanos. Mais ainda, todos os direitos são direitos humanos, sejam eles o direito de todos à liberdade de expressão ou os direitos de propriedade de um indivíduo em sua própria casa.

Uma acusação comum contra a sociedade de livre mercado é que ela institui "a lei da selva", do "cão come cão", que ela desdenha da cooperação humana em prol da competição, e que ela exalta o sucesso material em oposição aos valores espirituais, à filosofia, ou às atividades de lazer. Ao contrário, a selva é justamente uma sociedade de coerção, roubo e parasitismo, uma sociedade que destrói vidas e o próprio padrão de vida. Já a pacífica competição de mercado de produtores e ofertantes é um processo profundamente cooperativo onde todos se beneficiam, e onde o padrão de vida de todos prospera (comparado ao que seria em uma sociedade sem liberdade). E o indubitável sucesso material das sociedades livres proporciona a riqueza geral que nos permite desfrutar de uma enorme quantidade de lazer em comparação às outras sociedades, e a nos dedicarmos às questões da alma. São os países coercivos, com pouca ou nenhuma atividade de mercado, notadamente sob o comunismo, onde a penúria da existência diária não apenas empobrece as pessoas materialmente, mas insensibiliza seus espíritos. 

 

Murray N. Rothbard (1926-1995) foi um decano da Escola Austríaca e o fundador do moderno libertarianismo. Também foi o vice-presidente acadêmico do Ludwig von Mises Institute e do Center for Libertarian Studies.


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58 comentários
58 comentários
Rogerio Saraiva 03/07/2010 14:00:36

Excelente. Não resisti e já distribui o link para todos da minha rede. Em ano eleitoral, esse texto é a melhor forma de esclarecer sobre a escolha dos representantes.

Obrigado por disponibiliza-lo.

Responder
Willian 10/05/2011 09:38:51

"Já a pacífica competição de mercado de produtores e ofertantes é um processo profundamente cooperativo onde todos se beneficiam."

Acredito que o termo "pacífica" não passa do mundo das idéias, ao menos no Brasil. Ou melhor, pacífica apenas enquanto os membros de um cartel estão de acordo.

O que temos visto, nos setores onde não há regulamentação, é a competição predadora, com dumping, sonegação fiscal e o pior, artifícios que iludem o consumidor. Já quando um cartel (nunca identificado em sua plenitude) está atuando, o que vemos é gradual aumento de preços injustificáveis sob alegação de inflação e impostos, sem uma melhora na qualidade dos produtos e serviços, uma verdadeira acomodação empresarial.

Como eu, enquanto consumidor no livre mercado, saberei que o produto ofertado pelos produtores/ofertantes tem uma qualidade mínima? A ponto de não emitir muita radiação, como celulares xing-ling com 4 chips. Quanto a procedência e higiene dos alimentos, como as carnes, etc.
Me parece ingenuidade demasiada acreditar que os consumidores, ao longo do tempo, aprenderão e deixarão de negociar com produtores/ofertantes que trapaceiam.

É por esses e outros motivos que acabo por entender ser difícil o livre mercado sem exigências estatais quanto alguns aspectos. Vale frisar que não raro o Estado se excede e interfere além dos limites compatíveis com a ética do direito administrativo.

Não estou aqui a defender o socialismo, antes que alguém lance esta inverdade. O que venho a expor é meu ponto de vista e os motivos pelos quais entendo ser necessário exigir critérios mínimos para o 'livre mercado'.

Responder
Leandro 10/05/2011 09:55:14

Prezado Willian, por favor dê exemplos de setores em que "não há regulamentação" e que, por isso, "a competição é predadora, com dumping, sonegação fiscal e o pior, artifícios que iludem o consumidor."

Da mesma forma, dê um exemplo de um cartel que exista sem regulamentações do estado -- isto é, de algum cartel que existe em um setor livre da interferência do estado.

Responder
Fernando Chiocca 10/05/2011 11:39:35

Sonegação fiscal é algo positivo, logo, se fosse verdade que carteis facilitassem isso, seria um ponto a favor. Dumping... faz me rir.. que derá houvesse esta prática na realidade e empresários diminuíssem seus preços abaixo da margem de lucro por um bom tempo até que seus competidores quebrassem. Seria a farra para os consumidores.. E se os competidores realmente quebrassem e os praticantes de dumping aumententassem os preços, era só eles ou outros voltarem ao mercado. Quer dizer, esta histórinha que te contaram não faz o menor sentido.. e eu nunca entendi como alguém com mais de dois neurônios aceitou essa desculpa...

Willian, só pra te avisar. Você não é o primeiro cara que chega aqui neste site fazendo perguntinhas como se estivesse interessado em aprender e se tornar um libertário quando na verdade já é um socialista convícto repleto de arjumentos consolidados em sua cabeça de pudim. O que mais tem por aí é gente que tem certeza que conhece algo sobre o assunto quando na verdade só possui refutações banais como as que você vem apresentando.

Responder
Joao 10/05/2011 12:11:52

Resumindo: as pessoas são estúpidas e há corrupção no Brasil. Então, devemos dar o poder necessário para que outras pessoas garantam critérios de qualidade mínima a fim de evitar que o cidadão não seja enganado.
O leitor deste comentário deve estar se perguntando: "Se há corrupção no Brasil e as pessoas são estúpidas, não é óbvio que uma pessoa corrupta e esperta usará o poder para se aproveitar das pessoa estúpidas, fingindo lutar contra a opressão dos maus enquanto faz acordos com os mesmos, criando programas assistencialistas baseados em déficits públicos galopantes e orgias de dinheiro de impostos?" A resposta é simples! Não se preocupem: isso vai passar a dar certo quando as pessoas certas e não-corruptas forem eleitas para proteger o país das pessoas corruptas. Afinal, como todos sabemos, corrupção não é algo comum nos bastidores do poder, só acontece em "não raros" casos. Já o mercado é sempre corrupto. Essa separação deve estar bem clara para vocês: o estado pode ser bom, já o mercado é sempre mau e deve ser regulado. É por isso que os futuros duendes mágicos do estado, quando forem eleitos, farão tudo direitinho e o critério de "qualidade mínima", bastante subjetivo e sujeito a manipulações, será implantado para que o consumidor não seja enganado.

Responder
Renê 12/05/2011 10:51:24

"Me parece ingenuidade demasiada acreditar que os consumidores, ao longo do tempo, aprenderão e deixarão de negociar com produtores/ofertantes que trapaceiam."

Caro William

Sem interferência do governo, o próprio mercado criaria mecanismos para garantir a segurança de produtos, porque haveria demanda para tal.
Surgiriam empresas de certificação de produtos. Elas fariam, mais ou menos, o que o Inmetro faz atualmente, só que muito mais eficientemente. O produtor que quisesse certificação para seus produtos pagaria por ela de livre e espontânea vontade. O consumidor, por sua vez, teria um meio muito mais seguro e eficaz de verificar a segurança de produtos, sem ter que depender de órgãos estatais ineficientes.

Responder
Willian 12/05/2011 11:53:08

Renê,

Agradeço seu comentário!

Mas lembro que agências de classificação de risco ianques eram privadas, meio mundo confiava nelas e mesmo assim foram nitidamente imprudentes (há quem diga que foram subornadas).

Faço ressalva, por exemplo, à ISO (International Organization for Standardization), que entendo atuar de forma correta.

Temos a visão de que, preponderantemente, coisas privadas funcionam e coisas públicas não.
Sou ingenuo e acredito que as coisas públicas também precisam e um dia vão funcionar bem.

O mercado de análise de crédito pessoal conta com empresas privadas: Serasa, SPC e outros players. E todos sabemos que algumas delas abusam de seu poder, seja por dolo (difícil) ou culpa.
Eventualmente podem atuar em conluio, fazer pressão no Congresso e tudo mais para proteger seu mercado e evitar regras que afetem seus interesses.

A regulamentação auxilia a fazer justiça, quando diz que depois de cinco anos uma informação do banco deve ser apagada. Seja empresa privada, seja pública, sigam isso.
E precisa regulamentar também a forma de armazenamento minimamente segura de forma a proteger os dados pessoais ali contidos. Não adianta deixar o livre mercado armazenar os dados como bem entender, pois se algum dia isso vazar, desculpe, mas já terá sido tarde para punir a empresa. Vamos evitar isso.

É igual portaria de prédio que insiste em te cadastrar com foto e tudo para liberar a entrada. O condomínio é livre para exigir isso ou não. Entra quem quiser, você é livre. Mas se quiser cadastrar, que siga normas mínimas de segurança de informação e não exiga informações demasiadas e desnecessárias.

São meus singelos pensamentos.

Responder
anônimo 12/05/2011 18:58:07

Wiliam

Eu penso que a certificação funcionaria num livre mercado, os exemplos que você citou estão envolvidos de alguma forma por regulamentações governamentais.
Não entendi muito bem qual é o abuso por parte dessas empresas.

Responder
Willian 11/05/2011 16:18:09

Ironia nunca foi argumento senhores.
Mas, diante desta platéia irônica...

Leandro, "cartel que exista sem regulamentações do estado": os principais serviços já são regulados. Mas vá há uma cidade pequena com 3 médicos e veja se o preço deles tem diferença maior do que 5%.

Sobre o dumping, respondo a seguir.

Joao: então só existe corrupção no meio público. Quando forem todos livres e sem leis para regular o mercado, todo mundo será honesto e não haverá enganação. Não é necessário proteger o consumidor. Não é necessário que produtos passem por testes estatais de qualidade. As pessoas irão confiar no selo de qualidade da "Testadores Ltda", empresa privada e honesta.

Institutos de pesquisa privados são confiáveis.
As agências de classificação de risco que deram AAA a títulos podres eram estatais.
Maquiagem contábil? Isso só ocorre no Estado: no cálculo do superávit primário, no PIB, etc.

Fernando, eu também concordo que Dumping é uma falácia, nunca entendi porque países fazem protecionismo. Desnecessário né? Pergunte a empresários do setor textil o mal que a China fez no passado. Pior, dumping dentro do mesmo país: indústrias de leite longa vida. Preço do leite na cidade onde está a fábrica: 2,10. Preço em cidade 400km distante, querendo ganhar mercado: 1,29.
(imagine que nesta cidade distante tem outra empresa que tem fábrica ali e concorre com o preço de 1,29 vindo lá de longe). Ah, leite estraga e ai vale tomar um prejuízo de 5% do que perder a produção, neste caso dumping vale.

Pergunto, quando você terceiriza um serviço público, é obvio que um terceiro entra na jogada para auferir lucro. Logo, impossível que com o mesmo valor o serviço seja prestado, por lógica matemática. Só conseguirá auferir lucro e cobrar o mesmo valor (ou inferior) se o terceiro for mais eficiente que o Estado. Ai você fala: mas o Estado é muito ineficiente e qualquer terceirizado fará melhor. Nem sempre. O que defendo é a eficiência máxima do Estado, para que não precise um terceiro fazer o trabalho eficientemente e ainda lucrar com isso. Não que eu seja contra o lucro, evidente que não (minhas metas empresariais visam cada vez mais aumentar a lucratividade). Se o estado faz tão eficientemente quanto a iniciativa privada, os serviços públicos essenciais terão custos ainda menores, visto que o Estado não visa o lucro.

"Você não é o primeiro cara que chega aqui neste site fazendo perguntinhas como se estivesse interessado em aprender e se tornar um libertário quando na verdade já é um socialista convícto..."

Fernando, se você acha isso, paciência, mas leio o Mises.org e Mises.org.br há mais de um ano, sem tecer comentários, apenas estudando. Não tenho a intenção de ser um libertário sem antes endenter como as coisas funcionariam nesta outra concepção e por isso limito minhas aspirações em aprender. A propósito, artigos do pliber.org.br também são estudados.

Lute pela independência de algum território em qualquer parte do mundo e institua sua filosofia libertária na mesma medida em propaga suas idéias, pois não acredito que exista um país tão libertário quanto o desejado. Existe?


Responder
Leandro 11/05/2011 16:41:17

Willian, e por acaso a medicina não é uma atividade completamente regulada? Para eu ser médico nessa cidade, eu tenho de passar por inúmeros processos burocráticos (fora a exigência do diploma), enfrentar agências reguladoras e ministérios.

Aí eu tenho de conseguir licenciamento.

Depois, eu tenho de arrumar convênios junto aos planos de saúde, os quais, por sua vez, são estritamente regulados pelo governo.

E tem as farmácias, que também precisam de licenciamento...

Acho que você já pegou o espírito. Com tantas regulamentações impedindo a concorrência, seria realmente muito estranho se esses 3 médicos praticassem preços diferentes.

Sigo no aguardo de um exemplo de cartel em setores sem a interferência do estado.

Abraços.

Responder
augusto 11/05/2011 18:11:27

"Mas vá há uma cidade pequena com 3 médicos e veja se o preço deles tem diferença maior do que 5%."\r
\r
Em principio, nao era para haver diferenca nenhuma, ja que o Conselho Regional define uma tabela de "honorarios de referencia"... Se os medicos prestam servicos similares e atendem uma freguesia parecida (que eh o caso em uma cidade pequena), por que os precos seriam diferentes?\r
\r
O medico que cobrasse menos provavelmente seria convidado a se explicar...

Responder
Fernando Chiocca 11/05/2011 18:19:29

mas leio o Mises.org e Mises.org.br há mais de um ano,

E continua repetindo arjumentos sobre dumping? Impossível. Deve estar lendo de olhos (ou cabeça) fechados.
Leia o artigo de ontem do mises.org e o de hoje de mises.org.br que você nunca mais vai repetir estas totais asneiras. Não precisa de 1 ano, só de alguns minutos.

Não tenho a intenção de ser um libertário sem antes endenter como as coisas funcionariam nesta outra concepção e por isso limito minhas aspirações em aprender.

Ahh, sim claro. Prefere saber que as coisas não funcionam no socialismo que vivemos e continuar sendo socialista.

Lute pela independência de algum território em qualquer parte do mundo e institua sua filosofia libertária na mesma medida em propaga suas idéias

Ah tá.. você diz que primeiro quer entender o libertarianismo para aí sim decidir se se torna ou não um libertário, mas para expulsar de "seu" paiséco socialista um libertário não precisa conhecer antes...


Existe?

Responder
Rodrigo 11/05/2011 18:26:31

Fernando Chiocca, se voltar o padrão ouro, como diz o Steve Forbes, haverá choro e ranger de dentes?

Responder
Fernando Chiocca 11/05/2011 18:35:01

Lógico que haverá. Os políticos e seus asseclas que ganham trilhões com o atual sistema fraudulento farão qualquer coisa para manter seus privilégios exploratórios.

Responder
Norbs 12/05/2011 12:23:43

E os bancos?

Responder
anônimo 01/11/2012 08:46:33

Os bancos são os asseclas.

Responder
Lucas S. 04/12/2013 22:53:52

Pois é. O Gaddafi tentou criar o Dinar de Ouro e aconteceu o que aconteceu.

Responder
Rodrigo 11/05/2011 18:46:26

Fernando, se Obama for reeleito, o que você supõe que ele fará? Ele me parece bem otimista, até porque o Bin Laden já foi. Mas a dívida só faz crescer.

Responder
Willian 11/05/2011 18:50:56

Leandro, eu falei que os principais serviços já estão regulamentados. Difícil encontrar algo ainda não regulamentado.

Entendo o ponto de vista de que a regulamentação cria barreiras, inclusive a ponto de favorecer os únicos profissionais disponíveis em uma área. Temos de ter muito cuidado ao regulamentar algo para justamente não criar metas "impossíveis" que só os "amigos da agência" consigam atender. Uma verdadeira corrupção.

Mas reduzir a regulamentação a zero vejo como complicado. Prefiro me sujeitar a alguns engenheiros civis, sabendo que todos tem CREA do que não ter o CREA e ter de confiar unicamente em diplomas e portfolios. O exame da OAB é um exemplo de que temos inúmeras pessoas se formando sem capacidade mínima de atuar na área em que se formou.

Augusto e Fernando, quanto extremismo!
Prá vocês regulamentar é como se toda a liberdade fosse esgotada.
Difícil será fazer justiça se todos são livres.

Evidente que o tabelamento de preços (como aconteceu no passado e acontece hoje com categorias profissionais) afronta qualquer "livre mercado" que se queira estimular.

Exigir que brinquedos perigosos para bebes tenham um selo e exigir que ao reduzir a quantidade do produto um aviso seja mencionado na embalagem é uma afronta total a liberdade do empresário. Mas prefiro que neste aspecto o empresário não tenha essa liberdade.

As pessoas são corruptas e pensam no bem delas. Sejam políticos, sejam empresários, seja nós mesmos. A liberdade criada sem as regulamentações vai apenas legitimar algumas ações imorais de algumas empresas.

Responder
augusto 12/05/2011 12:16:22

"Mas reduzir a regulamentação a zero vejo como complicado. Prefiro me sujeitar a alguns engenheiros civis, sabendo que todos tem CREA do que não ter o CREA e ter de confiar unicamente em diplomas e portfolios. O exame da OAB é um exemplo de que temos inúmeras pessoas se formando sem capacidade mínima de atuar na área em que se formou."\r
\r
Tudo bem. Mas eu confio mais em tomar um refrigerante fabricado pela Coca-cola que em um "sem marca". O governo nao precisou dar um monopolio legal a Coca-cola para que eu confiasse em seus produtos. Da mesma maneira, se caisse a exigencia de participacao no conselho profissional monopolistico, eu poderia escolher entre advogados associados a OAB, ou advogados associados a AAB, ou ou advogados associados a ABA, ou procurar advogados "independentes", e por ai vai.

Responder
Joao 12/05/2011 07:49:44

Joao: então só existe corrupção no meio público. Quando forem todos livres e sem leis para regular o mercado, todo mundo será honesto e não haverá enganação. Não é necessário proteger o consumidor. Não é necessário que produtos passem por testes estatais de qualidade. As pessoas irão confiar no selo de qualidade da "Testadores Ltda", empresa privada e honesta.

Eu nada disse a respeito de só haver corrupção no meio público. Isso seria ridículo, afinal, eu estaria criando a categoria dos seres humanos do mercado, duendes mágicos bonzinhos, e os do estado, ogros malvadões. O fato de haver corrupção no meio público e no mercado, pois ambos são compostos por seres humanos em sociedade, é justamente o que me faz não acreditar em regulamentação por "serviços essenciais" e "um mínimo de qualidade", conceitos vagos, subjetivos . Aliás, você realmente confia cegamente na qualidade de qualquer produto testado e aprovado pela "TestaBrasil", empresa pública e honesta?

Institutos de pesquisa privados são confiáveis.

Pois é, os institutos de pesquisa não são confiáveis. Seria bom se houvesse uma regulamentação que evitasse as manipulações que existem hoje em dia, não é? Ei, espere um momento. Elas já existem.

As agências de classificação de risco que deram AAA a títulos podres eram estatais.

Por acaso uma empresa estatal de classificação de risco iria não iria acabar fazendo a mesma coisa, especialmente com o "selo estado de confiabilidade"?

Maquiagem contábil? Isso só ocorre no Estado: no cálculo do superávit primário, no PIB, etc.

Você é quem está dizendo isso, respondendo algo que nem sequer foi escrito, criando um espantalho para depois queimá-lo e dizer que ele era muito feio. Tudo o que eu faço é não assumir que o estado pode um dia ser composto por duendes mágicos sempre honestíssimos, que terão o grande poder de legislar e regular em prol do paraíso na terra.

Prefiro me sujeitar a alguns engenheiros civis, sabendo que todos tem CREA do que não ter o CREA e ter de confiar unicamente em diplomas e portfolios.

O CREA é uma instituição na qual impera o corporativismo, e são poucos os casos de punições reais a um engenheiro responsável por uma obra que acaba desmoronando (alguns chegam a receber condecorações depois, como o famoso Sérgio Naya). O conselho de contabilidade não faz nada além de recolher anuidades obrigatórias. O CRM, na prática, não pune nenhum médico por má prática da profissão, coisa que não é exatamente incomum. Realmente, a regulação tem funcionado muito bem nessas profissões.

Exigir que brinquedos perigosos para bebes tenham um selo e exigir que ao reduzir a quantidade do produto um aviso seja mencionado na embalagem é uma afronta total a liberdade do empresário. Mas prefiro que neste aspecto o empresário não tenha essa liberdade.

O maior problema da sua argumentação é o fato de que você trata o consumidor como um retardado mental, um idiota rematado incapaz de escolhas sensatas. Para solucionar o problema dele, aparecem os cavaleiros da virtude do estado, impondo sempre restrições mínimas aos empresários, pois, como cavaleiros da virtude, eles nunca usarão o poder em proveito próprio.
Aliás, já que, com os selos, mesmo assim os pais compram brinquedos incorretos para a idade da criança, que tal criar uma agência para regular a venda dos brinquedos, uma "BrinquedoBrasil"?

Responder
augusto 12/05/2011 09:07:14

"As agências de classificação de risco que deram AAA a títulos podres eram estatais."\r
\r
Hein?

Responder
João 12/05/2011 10:32:09

Para complementar, não demonizo todas as pessoas de todos os setores públicos. Há pessoas em cargos importantes que conseguem o milagre de fazer com que certas coisas funcionem. Elas lidam com uma burocracia extrema, jogos políticos constantes, eleições, mudanças no poder. Elas podem até mesmo perder o cargo porque estão realizando um trabalho bom demais, e os "colegas" começam a achar que o sujeito pode começar a cometer o grave erro de exigir competência. Aí, ou o competente se sujeita aos corruptos oportunistas ou deixa o cargo (nem estou considerando hipóteses mais violentas).

Willian, entre para a política, já que você tem tantas boas ideias para regular a economia e fazer com que a economia funcione muito melhor, com uma qualidade mínima e sem enganar o consumidor. E peço que ele faça tudo isso sem incorrer em déficits nas contas públicas. Se você conseguir fazer isso, eu construo uma estátua em sua homenagem.

As pessoas são corruptas e pensam no bem delas. Sejam políticos, sejam empresários, seja nós mesmos. A liberdade criada sem as regulamentações vai apenas legitimar algumas ações imorais de algumas empresas.

Deixe-me ver se entendi. As pessoas são corruptas e pensam no bem delas. Então, a liberdade sem regulamentações vai apenas legitimar ações imorais das empresas. Por outro lado, a liberdade com regulamentações do estado não vai legitimar ações imorais das empresas, porque, por algum motivo obscuro, as regulações serão feitas por pessoas praticamente não-corruptas, que não usarão o poder de regulação para favorecer pessoas ligadas a quem está criando as próprias regulações. É isso?

Responder
Willian 12/05/2011 11:34:42

Muito bom seu comentário João!

Sim, a liberdade com regulamentação também pode legitimar ações imorais das empresas (e no momento está). Críticas às agências reguladoras é que não faltam e concordo com muitas delas.
E realmente há de pesar o fato de que agentes governamentais competentes podem sofrer consequencias negativas por ações positivas (algo literalmente sem noção).

Entretanto, justamente pela regulamentação centralizar as decisões, acredito eu na minha ingenuidade que bastava alguém querer e ter peito para a ANATEL (por exemplo) tomar rumo, qual seja, forçar as empresas a prover serviços melhores e mais baratos, favorecer a entrada de novos players, etc.

Uma agência que demora anos para fazer edital da banda de Wimax não está pensando no consumidor. Os múltiplos interesses privados podem seduzir agentes imorais que se vendem e emperram um processo que beneficiaria o mercado como um todo.

Alguém aqui lembra da "vídeo-chamada" anunciada pelas operadoras? Cadê ela? Dá para acreditar que um dos problemas é que uma operadora não consegue falar com outra entre vídeos? (Na época minha fonte de telecom disse isso quando eu planejava um projeto com vídeo-chamada).

Lembrei agora do atendimento da V**sanet, quando só podia aceitar bandeira Visa usando aquela rede/máquina. Horrível. E-commerce com cartões Visa? Só usando servidores Windows.
Até surgiram empresas de "gateway de pagamentos" só para integrar seu sistema com as diversas bandeiras, de tão complicado que era. Monopólio e Burocracia privada chancelada pelo Estado. Tudo errado.

"As regulações serão feitas por pessoas praticamente não-corruptas." Hoje não o são, mas deveriam ser, com a fiscalização forte de todos os Brasileiros.

Entendo ser estupidez inibir que empresas de energia elétrica forneçam conexão banda larga, sob o argumento de que entrariam no mercado de telecom. Sim, elas entrariam no mercado, mas deixe-as entrar. Se conseguirem prover um produto melhor, sobreviverão também neste novo ramo. Isso é livre mercado e jamais serei contra.

O que a regulamentação precisa é garantir que a conexão tenha um padrão mínimo, que não haja "traffic shaping", por exemplo.

Ser a favor da regulamentação não é ser socialista, Fernando.
Os "porcos capitalistas" (como dizem) são a locomotiva das inovações e nosso bem-estar deve-se a eles. A regulamentação sempre vai ser uma "chatisse" para quem oferta o produto, assim como a burocracia é em grandes empresas, sejam públicas ou privadas.

Temos de fazer valer os benefícios da regulamentação, sem nunca tirar o olho dos malefícios que ela pode causar, corrigindo-os a tempo.

Responder
Joao 12/05/2011 13:08:19

Críticas às agências reguladoras é que não faltam e concordo com muitas delas.
E realmente há de pesar o fato de que agentes governamentais competentes podem sofrer consequencias negativas por ações positivas (algo literalmente sem noção).


Agentes governamentais competentes não gastam desnecessariamente. Porém, politicamente, é muito mais vantajoso torrar dinheiro, especialmente no arranjo econômico atual. Afinal, o rombo só aparecerá no futuro, e os dividendos políticos são imediatos. O sujeito que torra dinheiro consegue arranjar um jeito de esconder os gastos, ou tem teorias econômicas perfeitas para explicar os gastos desenfreados. O resultado é o que estamos vendo até mesmo nos países que têm muito menos corrupção do que o Brasil, por exemplo. Se não tivéssemos bancos centrais podendo financiar déficits galopantes, os governos não teriam de onde tirar dinheiro para suas aventuras desenvolvimentistas. Porém, isso depende de uma maior parte dos indivíduos perceber que não há como enriquecer um país gerando dinheiro do nada para "desenvolver a economia". O apelo emocional dessas políticas populistas é o maior obstáculo.

"As regulações serão feitas por pessoas praticamente não-corruptas." Hoje não o são, mas deveriam ser, com a fiscalização forte de todos os Brasileiros.

Com a fiscalização forte de todos os Brasileiros, não seria sequer necessário uma agência para regular. Os próprios cidadãos fariam a fiscalização, afinal, empresas e empresários com forte rejeição popular são abandonados até mesmo pelos políticos. O problema é justamente a mentalidade estatista de que é preciso a ação do estado para que algo seja resolvido. Isso me lembra aquele quadro do Casseta & Planeta em que o personagem do Bussunda chega à sua casa e encontra a mulher na cama com outro, dizendo, então: "Pô, e o governo não faz nada?". Para mim, já seria um grande avanço se as pessoas passassem a desconfiar de verdade dos políticos ao invés de aceitar de bom grado ideias milagrosas de paraíso com gasto público.

O que a regulamentação precisa é garantir que a conexão tenha um padrão mínimo, que não haja "traffic shaping", por exemplo.

Nesse caso, não é preciso que haja uma regulamentação. Uma empresa de telefonia que faz traffic shaping não previsto em contrato não está cumprindo o próprio contrato. Uma empresa que fizesse traffic shaping levaria uma chuva de críticas, e o valor da marca certamente cairia muito. Bastaria uma empresa concorrente oferecer uma alternativa para ganhar muitos clientes. O que acontece atualmente é que as empresas se escondem atrás de uma pilha de normas e procedimentos burocráticos. Criam-se iniciativas de melhoria, porém, essas ficam presas no meio de entraves burocráticos e jogos políticos. A empresa pode dizer que está seguindo todas as normas e leis impostas em lei.

Responder
augusto 12/05/2011 12:02:47

"Se você conseguir fazer isso, eu construo uma estátua em sua homenagem."\r
\r
Por falar em construir estatuas, outro dia adquirimos em um leilao um "selo de subscricao" para a construcao de uma estatua a um famoso general Frances. Pois eh: a estatua, para se homenagear um heroi nacional, so seria erguida se houvesse pessoas suficientes interessadas em financiar diretamente sua construcao.\r
\r
Lembra bem o espirito do Ron Paul, que vota ate contra a distribuicao de medalhas do congresso, porque "a constituicao americana nao autoriza o governo a gastar dinheiro de impostos para homenagear pessoas".

Responder
Norbs 12/05/2011 11:57:46

A publicidade e o CONAR tem uma auto regulamentação, reg e governo não são a mesma coisa.

Responder
Willian 12/05/2011 13:07:36

Norbs, uma auto regulamentação não Estatal não necessariamente irá ter como princípio a defesa do consumidor. O que vemos é um acordo de cavalheiros para o mercado deles mesmos não entrar em conflito, onde volta e meia uma norma de proteção ao consumidor é inserida.

Responder
augusto 12/05/2011 13:21:25

Nada, absolutamente nada, impede os consumidores de formar associacoes para defender seus proprios interesses. Por que voce acha que os consumidores sao retardados e precisam de alguem que fale em nome deles?\r
\r
Cada vez que voce se recusa a comprar um produto seja porque acha a qualidade ruim, seja porque acha o valor caro, seja porque nao concorda com a forma como a empresa trata seus empregados, ou por qualquer outro motivo, voce como consumidor esta defendendo seus interesses. Eh tao dificil ver isso?

Responder
Willian 12/05/2011 14:01:17

"Formar associacoes para defender seus proprios interesses?"
Defender como, via justiça? Você sabe que mobilizações assim tem resultados lentos.
Não é melhor ter a lei a favor?

As pessoas são acomodadas, a zona de conforto impera. A pessoa só vai a luta quando perde o controle e chega causando tumulto. Então o fornecedor logo resolve o problema. Dela, só dela.

Vou procurar no facebook outros usuários que foram iludidos com o Vallet que deixou meu veículo na rua e vamos mobilizar uma campanha. Vamos criar uma lista negra de empresas que fazem isso, etc, etc. Acha que isso vai resolver o problema? Existem listas negras de spam. Porque o gmail não usa somente elas? São ineficientes.

Acredito que regulamentação séria e fiscalização resolveria de uma forma bem mais simples.
Se não existe regulamentação, qual o parâmetro para indicar se o fornecedor iludiu o consumidor?
A placa diz Vallet, não diz que guardamos seu veículo em garagem própria. Logo, estamos certos.

"porque nao concorda com a forma como a empresa trata seus empregados"
Muitas pessoas sequer sabem que a roupa de grife que custa mil reais é fabricada em países onde as condições de trabalho são precárias, espécie de escravidão moderna.

Meu iphone foi fabricado em fábricas que levam as pessoas ao suicídio, que trabalham inúmeras horas seguidas, onde a qualidade de trabalho é insana. E ainda é um dos aparelhos mais caros, mesmo com a mão de obra baratíssima.

Seria muito exigir que as condições de trabalho fossem minimamente aceitáveis? As pessoas estão mesmo se preocupando com as outras, ou pensam apenas nelas? Desde que minha irmã não trabalhe nesta fábrica, problema de quem trabalha, não é?

Note, eu não quero ter de entender sobre dentes para contratar um dentista. Quero apenas que os dentistas existentes no mercado sejam minimamente capazes. Se fizerem algo errado, serão responsabilizados judicialmente.

"Eh tao dificil ver isso?"
É claro que não é difícil, eu noto facilmente que os consumidores poderiam se defender. Mas nunca o tempo todo, sobre todos os assuntos. Com a regulamentação parece-me que estaria mais protegido do que com associações.

Ninguém merece comprar um apartamento e 10 anos depois descobrir que a construtora usou canos de ferro e não de cobre, como previa. Processe e ganhe indenização (e dias de quebradeira de paredes em sua casa também). Pouca gente processa, vale a pena fazer uns acordinhos no caminho.
Uma empresa dessas tinha de ficar um tempo sem licença para construir!

Responder
augusto 12/05/2011 17:00:41

William,\r
\r
Vamos la, ponto a ponto:\r
\r
1) "Formar associacoes para defender seus proprios interesses?"\r
Defender como, via justiça? Você sabe que mobilizações assim tem resultados lentos.\r
Não é melhor ter a lei a favor?\r
\r
Voce esta pensando no pos-compra. Eu estou pensando no pre-compra. Isso na verdade ja existe hoje: qualquer um pode gastar 5 minutos na internet para descobrir quais sao as empresas de telefonia e de servicos bancarios que mais recebem reclamacoes dos clientes. Outro exemplo? Cooperativas de compra e consumo. As pessoas se unem e compram juntas, conseguindo precos melhores.\r
\r
2) Vou procurar no facebook outros usuários que foram iludidos com o Vallet que deixou meu veículo na rua e vamos mobilizar uma campanha. Vamos criar uma lista negra de empresas que fazem isso, etc, etc. Acha que isso vai resolver o problema? Existem listas negras de spam. Porque o gmail não usa somente elas? São ineficientes.\r
\r
Mas aqui voce esta discutindo um problema que existe hoje - e que nenhuma quantidade de regulamentacao vai resolver. Sempre havera empresas prestando maus servicos, e sempre havera outras empresas prontas para lhes tomar o mercado oferecendo servicos melhores. Nao eh preciso regulamentacao - eh preciso apenas cumprimento de contratos.\r
\r
3) "porque nao concorda com a forma como a empresa trata seus empregados"\r
Muitas pessoas sequer sabem que a roupa de grife que custa mil reais é fabricada em países onde as condições de trabalho são precárias, espécie de escravidão moderna. Meu iphone foi fabricado em fábricas que levam as pessoas ao suicídio, que trabalham inúmeras horas seguidas, onde a qualidade de trabalho é insana. E ainda é um dos aparelhos mais caros, mesmo com a mão de obra baratíssima. \r
\r
O seu iphone eh fabricado no exterior, e chega no Brasil com pelo menos 50% de impostos (provavelmente muito mais, mas nao vou procurar o numero preciso agora). Ou seja, sem mudar absolutamente nada em relacao as condicoes de trabalho ou ao lucro das empresas, o preco poderia cair significativamente *com uma simples canetada extinguindo o imposto*.\r
\r
Mas voce comprou seu iphone. Significa que para voce, o suposto sofrimento das pessoas que sao levadas ao suicidio nao eh algo tao importante assim. Para outros, isso eh importantissimo, e eles se abstem de comprar iphones e diversos outros produtos.\r
\r
4) Note, eu não quero ter de entender sobre dentes para contratar um dentista. Quero apenas que os dentistas existentes no mercado sejam minimamente capazes. Se fizerem algo errado, serão responsabilizados judicialmente. \r
\r
Mas elas seriam! Da mesma maneira que hoje. Se a pessoa diz que tem capacidade de prestar um servico, e por nao ter, acaba causando um problema para voce, voce tem todo o direito de exigir reparacao.\r
\r
5) Ninguém merece comprar um apartamento e 10 anos depois descobrir que a construtora usou canos de ferro e não de cobre, como previa. Processe e ganhe indenização (e dias de quebradeira de paredes em sua casa também). Pouca gente processa, vale a pena fazer uns acordinhos no caminho.\r
\r
Ora, se a pessoa faz um acordo, eh porque isso eh mais vantajoso. E como nao seria? Um processo por irresponsabilidade em um caso como esses pode se arrastar por anos e anos, eh claro que eh melhor fazer um acoro. Aqui o problema nao eh a regulamentacao, eh o sistema judiciario. A questao nao eh a regulamentacao, eh o contrato estabelecido. O contrato (existe um documento especifico chamado memorial descritivo que, como diz o nome, descreve todo o material e todos os procedimentos usados numa construcao) esta la pra isso. O contrato nao foi cumprido? Ora, acuse a empresa de nao cumprir o contrato e exija a reparacao. Isso nao muda.

Responder
Leandro 12/05/2011 12:30:03

Prezados João, Augusto e Willian:

As agências de classificação de risco que saíram dando AAA para as hipotecas subprime trabalham em total conluio com Wall Street. Isso ocorreu justamente por causa das pesadas regulamentações no mercado financeiro, as quais acabaram criando esse cartel de agências de classificação de crédito.

A SEC (que é a CVM americana) permite a existência de apenas 3 dessas agências: Moody's, S&P e Fitch. Não pode surgir concorrência externa.

Nesse cenário de regulamentação, a boa teoria econômica explica perfeitamente por que essas três agências -- que não correm o risco de sofre concorrência externa -- trabalharão em total conluio com os bancos de Wall Street, os quais precisam obter boas classificações para conseguir vender seus derivativos.

Não é ideologia cega, mas isso que houve realmente se chama regulamentação. Foi a regulamentação que criou esse cenário explosivo, no qual as agências de classificação de risco se sentiam seguras para atender aos caprichos de Wall Street, pois não havia perigo de concorrência.

E ainda vão querer mais regulamentação?

Abraços.

Responder
Joao 12/05/2011 13:41:01

Leandro, veja que interessante:

- Governo Obama querendo que os bancos voltem a oferecer financiamentos sub-prime novamente - nem preciso comentar.
- Obama pedindo pra que as empresas voltem a contratar - o problema dos EUA é o fato de que as empresas não contratam. Em breve, criarão programas de financiamento para as empresas, e farão controle de preços da gasolina.

Responder
Rodrigo 12/05/2011 12:36:46

Prezado Leandro,

Steve Forbes afirmou que em cinco anos o padrão ouro voltará. Isso terá a seu ver quais implicações políticas e econômicas? E isso também pode afetar a eocnomia brasileira ou não? Desde já, agradeço.

Responder
Leandro 12/05/2011 13:15:32

Prezado Rodrigo,

Tudo vai depender obviamente de como será esse "padrão-ouro". Será ele o padrão-ouro puro -- em que o dinheiro de fato são as moedas de ouro ou certificados de depósito lastreados 100% em ouro --, um padrão-ouro clássico (como o que vigorou no mundo entre 1815-1914), ou uma corruptela meramente criada por políticos?

Um padrão-ouro dos dois primeiros tipos já seria o suficiente para causar estragos nas ambições expansionistas dos estados. Coisas como déficit orçamentário e inflação monetária (duas coisas estritamente ligadas entre si) praticamente deixariam de existir. Toda a classe que vive no estado ou que depende de favores e concessões do estado sairia com enormes perdas. Apenas o cidadão comum, trabalhador e poupador seria o beneficiado.

Portanto, tal notícia só pode ser realmente comemorada caso realmente se tenha a certeza de que tal reforma monetária não será conduzida por políticos. Aí eu pergunto: quais as chances de políticos abolirem um sistema que lhes é amplamente benéfico e colocar em seu lugar um sistema totalmente deletério para eles próprios?

A mudança genuína só vai ocorrer quando grande parte da população já estiver educada em termos monetários e realmente entender o quanto vem sendo roubada pelo papel-moeda fiduciário, pela inflação praticada pelos bancos centrais e pelos déficits criados pelos governos.

Até lá, é muito chão.

Grande abraço!

Responder
anônimo 24/03/2013 02:41:16

Mas qual a diferença entre o padrão ouro puro e o padrão ouro clássico? O padrão ouro clássico não era um padrão ouro puro? Até porque do jeito que você, com certificados de ouro, era mais ou menos assim que funcionava o padrão ouro clássico. Aliás, em um de seus livre, o Mises diz que padrão ouro clássico era um padrão ouro puro...

Responder
Mauro 24/03/2013 07:02:07

É só clicar nos respectivos links.

Padrão-ouro puro não possui banco central e nem restrições à atividade bancária.

Responder
anônimo 24/03/2013 08:05:36

No padrão clássico tb ñ tinha BC... Quer dizer, pelo menos nos EUA.

Responder
Mauro 24/03/2013 16:27:08

Não havia liberdade bancária. Os bancos eram proibidos de ter sucursais. Eram proibidos também determinados tipos de concorrência.

Responder
André Poffo 12/05/2011 16:04:22

"Não precisa de 1 ano, só de alguns minutos."
Ótimo.

Responder
Fabio 01/11/2012 08:38:38

Oi tudo bem, vim aqui discutir numa boa. É dificil construir conhecimento sem se posicionar sobre o mesmo de forma se tornar algo imparcial,pois acredito que tb existe a religião do centro. Eu pessoalmente tenho tentado construir um conhecimento nesta área de forma imparcial, mas me parece que é difícil encontrar energia racional sem um apoio minímamente ideológico.
Bem como se resolve o problema da falsa demanda? Tipo eu vou no médico ele me pede uma exame que eu não preciso, ou uma cirurgia que eu não preciso. Obviamente o produtor ganha, e eu acho que ganho(impressão falsa) Existe alguma forma de explicação para este problema, e como ele se resolveria. Sem regulamentação?
Sei que é um aforismo mais algo sem ordem é o caos, obviamente pensando assim poderíamos dizer que mercado precise de alguma ordem. Visto que eles podem estar a merce de nosso instintos mais irracionais?

Responder
Luis Almeida 01/11/2012 08:45:16

O que é "falsa demanda"? Nunca ouvi falar disso. Se a demanda se concretiza, ela é real. Se não, ela inexiste. Este seu exemplo não é de "falsa demanda". Ou o médico foi incompetente ou ele foi charlatão. Para ambos os casos, a solução é a mesma: pare de ir nele e faça propaganda contra ele. Garanto que ele perderá clientela rapidinho, será expulso do mercado e passará fome.

Você resolveu o problema por conta própria sem espoliar o dinheiro de ninguém. Você resolveu o problema sem ter saído choramingando atrás de Sarney implorando para ele criar uma nova agência estatal para colocar um burocrata dentro de cada consultório para supervisionar todas as consultas médicas.

Por que as pessoas são incapazes de criar elas próprias soluções para seus problemas? Por que essa avidez insana de delegar poderes a políticos? Isso beira a psicose.

Responder
Fabio 02/11/2012 05:54:38

Luiz e Francisco obrigado pelas respostas. Mas vou tentar rebater blz?
Obviamente se ela se concretiza é real, mais obviamente foi melhor para um, que para outro.
Mas mto possivelmente vc nem sabe que ele fez isso com vc, e olha isso é mto mto mto comum(pois sou médico),só que esse comportamento traz um prejuízo pra todos, pois aumento a demanda desnecessariamente de serviços e que consequentemente aumenta os preços o que torna a saúde cara,e vc não esta observando isso na pratica? Uma precarização dos serviços e aumento dos custos de se ter saúde? Digamos qual a solução ? Ela já acontece (de maneira infima,mais acontece), por exemplo os serviços de regulação que o próprios planos de sáude tem. Por exemplo vc nunca levou algum exame ou procedimento para avaliação?Este serviços eram para ter o mesmo poder que o médico, que é o poder do conhecimento, o que é isto? uma ordem,uma regulação do sistema, aqui vista de maneira interna dentro da empressa que administra o plano de saúde. Mas as pessoas que não quererem contratar um plano de saúde o que elas fazem?Ir de médico em médico não inviabiliza a hipótese que os 2 tenham o mesmo comportamento irresponsável. A lei da oferta e da procura é uma lei que gera competição mto legal, não sou contra competição, mas obviamente a competição justa só pode haver entre iguais, mas como saberemos se são iguais, sem juiz, sem arbitro?
Mesmo assim dou outro exemplo vc contrata um serviço eclesiástico para educar seu filho na religião que vc pratica, se este padre ou pastor abusa sexualmente do seu filho(pedofília), vc meramente ira deixar de ir lah e fazer propaganda contra este serviço? Será esta unica medida valida?
Não disse que sou a favor da hiperburocratização do estado, este tb deve respeitar uma ordem de efetividade e eficacia no que faz. E deve ter ações contra regulatória por isso surge a democracia.Sei que existe uma descrença com a democracia, mas precisamos aumentar os meios democraticos para melhora-lá, o que pode ser chamado de controle social dela. Sei que é uma outro aforismo mas o preço da liberdade é a eterna vigilância,ou seja esta democracia nos exige um esforço de vigilância, se não fazemos isto e delegamos sem cobra-los e de forma adequada eficaz e efetiva perdemos a liberdade. Só complementando: Eficiência e eficacia são um respeito que temos ao universo e a qual todos novos emergimos se pensarmos numa ética mais universal.

Responder
Luis Almeida 02/11/2012 06:22:05

As causas dos altos preços dos planos de saúde já foram inteiramente abordadas em um artigo, cuja leitura fortemente sugiro. Você que pede regulação para tudo vai se surpreender.

www.mises.org.br/Article.aspx?id=923

De resto, aumento generalizado de preços não é por causa de "aumento desnecessário da demanda". Tal conceito não apenas não existe, como é uma enorme arrogância de sua parte querer sair determinando o que é e o que não é "desnecessário". Preços sobem continuamente porque o Banco Central em conluio com o sistema bancário de reservas fracionárias cria dinheiro do nada e o joga na economia. Aumento contínuo da quantidade de dinheiro na economia gera aumento contínuo de preços. Pare de jogar dinheiro na economia e os preços param de subir. Tal assunto é semanalmente abordado neste site.

Quanto ao seu outro exemplo, ele nada tem a ver com economia, mas sim com filosofia libertária. E o violentador deve sim ser punido, é óbvio. E quanto mais libertário for o sujeito, mais pesada será a punição que ele irá exigir. Só não entendi a sua sugestão. É para o governo colocar um burocrata para vigiar todas as interações humanas? Pais não têm responsabilidade nenhuma? Sarney é quem deve vigiar a nós todos?

Responder
Fabio 02/11/2012 21:36:10

Não estou pedindo regulação para tudo, mas as regras existem até de maneiras mais infimas e te diria que sem leis ateh vc não poderia existir.Pois existem digamos leis que fazem que seus atomos se agruparem em seu corpo a não ser vc que acredite que o universo é aleatório. Que poderia ser uma outra discussão. As empressas tem rigidos controles de suas demandas e canalizam grandes recursos para ter isso. Se elas o fazem é pq isso não meramente um capricho.
Nessariamente não estou pedindo para colocar um burocrata para controlar nossas vidas. Mas o que liberalismo propõem é uma ordem individualista feita em cada momento pelo individuos tão facilmente ludibriavel e irracional quando a ordem que um burocrata propõem o é. Nossas escolhas afetam o mundo a nossa volta e se vc não acreditar nisso ai realmente nossa conversa será um papo furado. Se vc escolhe poluir a cidades,se vc escolhe não cuidar dos seus filhos e deixar a televisão faze-lo, se vc escolher não ajudar seu semelhante, se vc escolhe tomar alcool a água, se vc resolver não economizar energia, se vc escolhe não se importar com alguem passando fome e frio, se vc escollher pizza à um baseado achando que isso vai mudar o problema da violência.
Todas as suas escolhas vão afetar o mundo a sua volta E O mundo depende das nossas escolhas diarias e se cada um pensar em si próprio a coisa não vai andar pra frente,e pensando só no que é bom pra vc, achando que isso vai mudar o mundo é patético. Claro vc não é obrigado mudar o mundo, ele pode ficar do jeito que esta. E Podemos esperar pra ter tanto lixo na terra,que quando ele chegar sobre nossas cabeças ai poderemos se importar,pra dai pensar acho que devo produzir menos lixo que isso é uma escolha errada. A sociedade precisa se voltar pra ela mesmo. E como podemos fazer isto, humildemente posso sugerir reforçar a democracia participando de diversas entidades publicas não estatais que fazem o controle da saúde, da segurança,da previdencia que reforçam a democracia tirando o poder da mão dos burocratas ou melhor dividindo o poder. Existem tb emprendedores sociais que é uma outra forma de pensar na função das empressas na nossa sociedade nas diversas áreas Cdi/drs da alegria e mtos outras veja no video www.youtube.com/watch?v=WyO4pFITgew&feature=share. Que dão outra ordem ao mundo outro rumo.
Assim como o liberalismo nos quis libertar do rei e o socialismo do capitalista, ele não comprenderão a lição funtamental que tanto o rei quando capitalista dono de grande coorporações é um escravo como o vasalo e o proletario eram. Pois nossas não escolhas como sociedade que somos colocam mais poder na mão deles. Ser livre não é ter uma infinidade de escolhas, mas estar consciente de suas escolhas.
Me despeço como a simplicidade e inocência de uma Miss constumeiramente faz:
Os homens não tem mais tempo de conhecer coisa alguma. Compram tudo prontinho nas lojas. Mas como não existem lojas de amigos, os homens não tem mais amigos. Se tu queres um amigo, cativa-me
-Que é preciso fazer?
-É preciso ser paciente_ Tu te sentarás primeiro um pouco longe de mim, assim, na relva. Eu te olharei com o canto do olho e tu não dirás nada. A linguagem é uma fonte de mal-entendidos. Mas, a cada dia, e sentarás mais perto
(...)
É preciso ter ritos.
-O que é um rito?
-É ma coisa muito esquecida também _ É o que faz com que um dia seja diferente de outros dias; uma hora, das outras horas.- Saint Exupéry.

Responder
Francisco 02/11/2012 18:25:14

Fábio, tenho apenas um pequeno conhecimento em economia e filosofia libertária, mas tenho aprendido constantemente aqui, e posso te afirmar uma coisa: Você está falando um monte de bobagens.

Não fique bravo por isso, não há problema algum em ser um ignorante (aquele que ignora) o problema é quando se quer permanecer na ignorância, oque não parece ser seu caso. Eu frequento este site com o proposito de reduzir a minha própria ignorância e posso afirmar com certeza que tem me ajudado muito. Posso até escrever mais tarde (se você quiser saber) como passei do anarquismo utópico pro anarco-capitalismo.

Não tenho capacidade técnica que o Luis Almeida tem pra rebater seu argumentos, mas vou colocar uma questão relevante que aparentemente você desconhece, você pode se aprofundar nela aqui mesmo no site com a enorme quantidade de material que ele fornece.

Vamos lá:

Obviamente se ela se concretiza é real, mais obviamente foi melhor para um, que para outro

O valor que qualquer pessoa atribui a algo, é subjetivo, ou seja não pode ser medido "monetariamente". O fato do paciente ter perdido dinheiro com um suposto exame desnecessário não nos diz absolutamente nada. Isso não significa que a fraude que foi realizada foi bom pra todos, significa que o único que pode acreditar que foi melhor mais pro médico do que pra ele próprio, é o paciente, ele esteja ciente ou não do exame ser desnecessário.


Mas mto possivelmente vc nem sabe que ele fez isso com vc, e olha isso é mto mto mto comum(pois sou médico)...

Já coloquei acima, mesmo ele sabendo que o exame era desnecessário, somente ele é capaz de atribuir um valor aquele ato, e em consequência só ele é capaz de se sentir lesado ou não.

Vou até colocar um exemplo que aconteceu comigo: Uma vez tive um problema no braço em decorrência do meu trabalho, passei pelo médico da firma e ele falou que não era nada, me receitou alguns remédios e falou que podia trabalhar normalmente que logo passaria. Não convencido disso fui em hospital público e o mesmo processo se repetiu. Como a dor era excruciante (quando alguém colocava a mão no meu antebraço e eu fazia um minimo de movimento com a mão a sensação da pessoa era de segurar uma porta que rangia) resolvi ir em um ortopedista particular. Na época a consulta custou 1/6 do meu salario e esse era o preço padrão praticado pelas clinicas particulares, depois de alguns exames e perguntas de praxe, ele me falou que gostaria que fizesse um raio X, embora (nas palavras dele) ele achasse que não era necessário seria bom, pois evitaria um diagnostico prematuro e um tratamento errado caso fosse uma lesão mais grave. O raio X obviamente era pago e a clinica fazia o exame, a clinica era também do médico que me atendia naquele momento, oque me leva a crer que ele também gostava de ganhar todo dinheiro que podia.
O diagnostico inicial era tendinite, o diagnostico após raio X foi tendinite. Obviamente o exame foi desnecessário já que não serviu de base pra novo diagnostico. Oque não é tão obvio é que mesmo eu tendo deixado cerca de 1/3 do meu salário na clinica (consulta + raio x) e tendo feito um exame que não era necessário desde o inicio, o medico resolveu meu problema, coisa que os outros dois que eram de "graça" não fizeram. Essa "perda monetária" que tive que segundo seu critério poderia ser considerado melhor "pro médico" eu não avalio assim, para mim esse dinheiro (que na época era muito pra mim) não era nada em comparação a ter o meu braço em ordem novamente.


Depois com tempo escreverei o restante.

Att. Francisco

Responder
Francisco 01/11/2012 11:03:48

Como você sabe que não precisa do exame?

E se realmente tiver certeza que não precisa do exame, porque você deveria faze-lo?

Nesse ultimo caso seria muito mais fácil procurar um outro medico, como o Luiz Almeida colocou acima.

Muito antes de ter contato com a EA eu já tinha o costume de quando eu fosse a algum estabelecimento e não gostasse do serviço eu simplesmente não voltava mais lá, pra mim a questão era e sempre foi muito simples: Eu pago, eu escolho. Não reclamo com gerente, não reclamo pro dono da loja, não brigo com funcionário, se não gostei não boto mas o pé no estabelecimento, simples assim.

Responder
Amarílio Adolfo da Silva de Souza 16/06/2013 22:27:16

Imposto não é troca: é roubo!

Responder
Emerson Luis, um Psicologo 26/08/2013 11:50:06

Se mais pessoas compreendessem esses fatos, muitos deixariam de ser vitimistas amargurados e passariam a administrar melhor suas próprias vidas.

* * *

Responder
anônimo 09/10/2013 20:37:02

Se o livre mercado é tão bom assim, como que a África que, segundo este artigo de um parceiro de vocês, teve durante séculos liberdade econômica e não se desenvolveu?

www.libertarianismo.org/index.php/academia/artigosnovo/1354-o-livre-mercado-na-africa-pre-colonial

Responder
Leandro 09/10/2013 21:16:52

Embora a pergunta seja claramente irônica (ninguém seria tão ignóbil a ponto de fazê-la com seriedade), vale a pena respondê-la porque a resposta vale para outras perguntas de cunho semelhante.

O fato de ter havido algum livre mercado em uma determinada região do planeta cem anos atrás não é capaz de operar o milagre de fazer com que esta região, um século depois de ser continuamente massacrada por bombas e governos ditatoriais, continue sendo próspera e rica.

Uma região que era rica 100 anos atrás, mas que parou no tempo e sucumbiu a vários governos ditatoriais desde então, não tem a mínima chance de ter se mantido próspera até hoje. Ademais, a riqueza que um livre mercado geraria 100 anos atrás é inteiramente diferente da riqueza à qual estamos acostumados hoje. A acumulação de capital possível cem anos atrás é totalmente ínfima quando comparada a toda a acumulação de capital feita até hoje. Um arranjo considerado extremamente rico 100 anos atrás seria considerado extremamente pobre na atualidade.

Um bom exemplo disso é Cuba, que na década de 1950 tinha uma renda per capita semelhante à da Suíça.

Embora tudo isso que acabei de falar seja compreensível para qualquer criança com mais de 5 anos de idade, sempre é bom reforçar tais pontos para aqueles leigos que não têm nenhum conhecimento de economia.

Responder
anônimo 10/10/2013 01:55:43

Seria uma boa argumentação, se a Africa já nessa época não fosse tão pobre com os piores pib per capita do mundo:

en.m.wikipedia.org/wiki/List_of_regions_by_past_GDP_(PPP)_per_capita

Responder
Leandro 10/10/2013 02:53:42

Não entendi muito bem. Você está querendo comparar a África à Europa? É isso?

O que realmente me impressionou nesta tabela foi constatar que, nas duas primeiras décadas do século XX, a África ultrapassou a Índia e a China.

Responder
anônimo 10/10/2013 23:47:26

Isso mostra que a Africa era muito pobre na época e que, portanto, o livre mercado não pode desenvolvê-la

Responder
anônimo 11/10/2013 06:11:22

Os EUA dos pais fundadores também eram pobres e pôde ser desenvolvido pelo livre mercado

Responder
Leandro 11/10/2013 01:49:41

A renda per capita aumentou 42% em 20 anos. Para uma região que nunca recebeu investimentos estrangeiros, que sempre foi conhecida por seu atraso e que nunca teve grande respeito pela propriedade privada, isso foi um feito e tanto. Dado todo este arranjo, não seria possível grandes milagres.

Neste mesmo período, o Uruguai ficou estagnado e o Brasil enriqueceu 35%.

Deixe de ideologia boba e estude os fatos com isenção.

Responder
anônimo 11/10/2013 05:43:21

Período PRÉ-COLONIAL

A Africa passou de 414 do ano 1500 para 420 no ano de 1820, que foi mais ou menos quando ascolonizações começaram

Responder
Leandro 11/10/2013 14:01:53

Estou me baseando nas datas do artigo que você próprio linkou. Está escrito lá:

"O período de 1880–1950 pode ser descrito como a era de ouro de prosperidade na África."

Você é esquisito: você próprio define os termos do debate e depois acha ruim quando os fatos não são do seu agrado.

Vá procurar o que fazer.

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