Trabalho, emprego, poupança e capital
por , segunda-feira, 23 de novembro de 2009

versão para impressão


capital.jpg

"Tá faltando emprego!" 

Essa sempre foi uma exclamativa muito frequente no Brasil.  Curiosamente, uma outra exclamativa - que aparentemente denota o oposto desta - também sempre se manteve válida, independente da época:

"Tá sobrando trabalho a ser feito!"

Pare pra pensar: vivemos em um mundo de escassez.  Nenhum bem ou serviço surge pronto do nada.  Todos eles precisam ser criados e trabalhados.  Um carro não surge do nada.  É preciso trabalhar o aço, o alumínio, a borracha e o plástico que vão formá-lo.  E esses quatro componentes também não surgem do nada.  Eles precisam ser extraídos da natureza e/ou fabricados.  O mesmo é válido para todos os outros bens de consumo que você possa imaginar, de laptops a aviões, passando por parafusos, palitos de dente e fio dental.  Todos precisam ser trabalhados.

Da mesma forma, o fato de você estar com fome não vai fazer com que uma pizza surja pronta na sua frente.  Alguém precisa trabalhar para fazê-la.  E os ingredientes utilizados na fabricação dessa pizza, por sua vez, também não surgiram do nada.  Todos eles precisaram ser fabricados e/ou plantados e colhidos.

Ou seja: não vivemos na abundância.  As coisas não existem fartamente à nossa disposição.  Todas elas precisam ser trabalhadas.  Sendo assim, sempre haverá, em todo e qualquer lugar, algum trabalho a ser feito.  Seja na fabricação de um bem de consumo, seja na prestação de algum serviço - nem que seja a limpeza de uma janela, a troca de uma lâmpada ou a limpeza de algum banheiro.

Donde chegamos ao ponto principal: por que há escassez de emprego se há uma infinidade de trabalho a ser feito?

Ora, esse descompasso só pode ser causado por algum tipo de interferência no mercado - isto é, na arena onde a demanda por bens e serviços e a oferta de mão-de-obra para executá-los se equilibram.

Quando os austríacos dizem que num livre mercado genuíno não haveria desemprego, eles estão se baseando justamente no fato de que vivemos em um mundo de escassez onde sempre há algum trabalho a ser feito.

Por exemplo, num mercado totalmente desregulado, você acharia facilmente alguém disposto a lhe pagar - sem medo da justiça trabalhista - para trocar uma lâmpada ou limpar uma janela diariamente. 

Entretanto, na nossa realidade, as coisas são diferentes.  Você não tem nem a opção de varrer o chão do McDonald's de graça, pois o gerente morreria de medo de você entrar na Justiça do Trabalho contra ele.

São exatamente as regulamentações que o estado impõe ao mercado de trabalho - encargos sociais (INSS, FGTS normal, FGTS/Rescisão, PIS/PASEP, salário-educação, Sistema S) e trabalhistas (13º salário, adicional de remuneração, adicional de férias, ausência remunerada, férias, licenças, repouso remunerado e feriado, rescisão contratual, vale transporte, indenização por tempo de serviço e outros benefícios), além do salário mínimo - que provocam esse descasamento entre demanda por trabalho e oferta de mão-de-obra.

O que é mais curioso: como dito, a demanda por trabalho é infinita e a oferta de mão-de-obra é limitada.  Em tal cenário, seria de se esperar um pleno emprego.

Porém, as intervenções governamentais conseguem a proeza de inverter as coisas: a demanda por trabalho, antes infinita, passa a ser mais limitada que a oferta de mão-de-obra - donde surge o desemprego.

Para que um indivíduo ou uma empresa opte por oferecer um emprego para outro indivíduo, é preciso haver um incentivo para tal.  Mas com todas essas complicações criadas pelo estado, os incentivos ficam cada vez mais exíguos.  O empregador tem de mensurar todos esses custos contra os futuros benefícios que um empregado adicional pode lhe trazer.

Os empregos serão criados apenas se houver oportunidades de lucro ou de melhoria de bem-estar (por exemplo, quando você contrata uma faxineira).  Se ambos esses pré-requisitos não existirem, torna-se irracional gerar um emprego.  Logo, qualquer medida governamental que eleve o custo do emprego não apenas irá impedir que novos empregos sejam criados, como também irá fazer com que muitos dos que já existem sejam destruídos.  Qualquer medida que diminua o potencial de lucro advindo de uma contratação irá diminuir o número de oportunidades de trabalho criadas - o que significa que a tributação dos lucros também é um fator essencial na capacidade de criação de empregos.  Como já explicamos aqui, todos deveriam ser a favor de se diminuir impostos sobre os mais ricos.

Feito esse pequeno apanhado, podemos entrar nos pormenores do processo.

Além das regulamentações, o capital

Mas é óbvio que não basta apenas querer empregar alguém.  É preciso ter os meios para tal.

No setor privado - isto é, no setor da economia em que os arranjos são voluntários - todos os indivíduos têm duas escolhas: ou eles trabalham por conta própria ou trabalham para terceiros.  Há, porém, um fato indelével: o trabalho é muito mais produtivo quando feito em conjunto com algum capital.

Um parênteses: 'capital', em termos físicos, significa os ativos físicos das empresas e indústrias.  Capital são as instalações, os maquinários, os estoques e os equipamentos de escritório de uma fábrica ou de uma empresa qualquer.  Além do capital físico, há também o capital intelectual, que são os modelos de processo operacional, a estrutura de organização e os modelos de previsões financeiras.  Ou seja: capital é tudo aquilo que auxilia um modo de produção.

Assim, voltando ao raciocínio, como o trabalho é muito mais produtivo quando associado a algum capital, aqueles indivíduos que não possuem tais ativos irão naturalmente optar por trabalhar para aqueles que se sacrificaram por mais tempo, pouparam e, por isso, foram capazes de acumular esse capital.  Se você não tem capital para montar um restaurante, mas quer trabalhar nessa área, você primeiro terá de se associar a alguém que já tenha acumulado o capital necessário para tal empreendimento, e trabalhar para essa pessoa.

Essa associação entre trabalho e capital gera um aumento de produtividade, aumento esse que será compartilhado entre o trabalhador e o dono do capital - e ambos estarão em melhor situação após essa associação (se isso não ocorresse, não haveria tal arranjo).

Até aqui, não há muito mistério.

Mas há algo de fundamental importância: para poderem contratar mais trabalhadores, os empregadores precisam ter acesso ao capital necessário para expandir e facilitar suas operações.  E quanto mais abundante for o capital, quanto maior for a taxa per capita de capital, mais rico será o país.  Sendo assim, é importante responder duas questões essenciais: de onde vem o capital e o que fazer para incentivar sua formação?

Poupança e capital

Memorize a seguinte frase: "o capital advém da poupança". 

Repita para si próprio essa frase todas as vezes que ouvir algum entendido falando que a receita para o crescimento econômico sustentável envolve aumento de gastos governamentais ou privados.  O fator essencial para o crescimento econômico são os investimentos; e investimentos só podem ser feitos se houver capital; e o capital só surge da poupança. 

Agora tentemos explicar isso mais detalhadamente.

Em uma economia de mercado, o padrão de vida só irá aumentar se houver acúmulo de capital (repetindo, capital significa maquinários, ferramentas, equipamentos de escritórios e afins).  Tal acúmulo permite que a mão-de-obra seja mais produtiva, o que consequentemente resulta em maior produtividade por trabalhador.  Essa maior produtividade gera uma maior abundância de bens de consumo.  E essa maior abundância faz com que o preço de cada bem seja menor, o que permite um aumento do consumo e do período de lazer, principalmente para as camadas mais pobres da população. 

Vale a pena repetir: para que haja um maior padrão de vida é preciso haver uma abundância de bens consumo, e essa abundância só é gerada se houver um aumento do capital per capita do país. 

Mises explicou cristalinamente:

Não há outra maneira de fazer os salários subirem que não seja por meio do investimento em mais capital por trabalhador.  Mais investimento em capital significa dar ao trabalhador ferramentas mais eficientes.  Com o auxílio de melhores ferramentas e máquinas, a quantidade dos produtos aumenta e sua qualidade melhora.  Assim, o empregador consequentemente estará em posição de obter dos consumidores um valor maior do que aquele que o empregado consumiu em uma hora de trabalho.  Somente assim o empregador poderá - e, devido à concorrência com outros empregadores, será forçado a - pagar maiores salários pelo trabalho do seu empregado.

Ou seja, qualquer outra maneira de melhorar o padrão de vida de um país que não seja por meio do aumento do capital acumulado será completamente insustentável.

Porém - e é aí que vem o problema -, o investimento em capital só existirá se houver poupança disponível para financiá-lo.  E a poupança só existe se houver diminuição do consumo, o que implica um auto-sacrifício.

Mas o que é a poupança?

Ao contrário do que muita gente pensa, poupar não significa aumentar o volume de dinheiro na caderneta de poupança.  Se fosse só isso, o governo e o banco central poderiam fazê-lo sem qualquer empecilho.

Poupar significa principalmente abster-se do consumo.  Por exemplo, imagine que você seja podre de rico e esbanjador.  Assim, você sai comprando computadores, laptops, carros, motos, jatinhos, apartamentos, celulares, iPhones, televisões, DVDs, etc.  Ao fazer essas compras, você está provocando dois efeitos: impedindo que haja uma maior abundância desses bens para as outras pessoas, e desviando recursos das indústrias, obrigando-as as produzir mais desses bens para suprir a escassez deles.

Por outro lado, se você se abstivesse de comprar esses bens, você obviamente estaria poupando.  Quais as consequências disso? 

1) Haveria mais bens disponíveis para os outros consumidores, que necessitam deles com mais urgência que você. 

2) As indústrias não precisariam empregar recursos apenas para suprir a escassez desses bens (escassez provocada por você), o que as permitiria investir em novos processos de produção, que resultariam em maior abundância de bens. 

3) Os bens que já foram produzidos e não consumidos (isto é, os bens que foram poupados) poderiam ser empregados em outros processos de produção cujos produtos finais, embora fossem estar prontos somente daqui a algum tempo, trariam óbvias satisfações para os consumidores.

Como disse Mises,

Aqueles que poupam - isto é, que consomem menos que a sua parcela dos bens produzidos - inauguram o progresso em direção à prosperidade geral.  As sementes que eles semearam enriquecem não apenas eles próprios, mas também todas as outras camadas da sociedade.  Sua poupança beneficia os consumidores.

Portanto, é importante entender que poupar não significa apenas 'guardar dinheiro'.  Isso é uma mera consequência da poupança.  Poupar significa principalmente abster-se de consumir.

Quando se entende esses conceitos, fica mais fácil perceber por que os gastos do governo desestimulam a poupança e atrasam o crescimento sustentável do país.  Imagine, por exemplo, que o Congresso aprove um orçamento que envolva a compra de mil computadores, televisões LCDs e laptops, além de vários quilos de café, de inúmeras máquinas de fazer café, papel higiênico, sabonetes, gravatas, ternos e afins.

Isso (1) faria com que houvesse menos desses itens disponíveis para a população, prejudicando os mais pobres; (2) obrigaria as indústrias a desviar seus recursos para o aumento da produção desses bens, impedindo o investimento em, e a expansão de, outros processos de produção; (3) impediria que esses itens fossem empregados em usos mais produtivos pela população, o que poderia inclusive gerar benefícios para terceiros.

Mesmo que o governo gastasse exclusivamente com funcionários públicos, o efeito seria mesmo.  Afinal, para gastar, o governo precisa tributar ou pegar empréstimos.  Ambas a medidas configuram absorção de poupança de toda a população, poupança essa que poderia ser utilizada para financiar projetos de expansão.

(Ademais, vale lembrar que são esses gastos governamentais que engessam os salários do setor privado.  Afinal, é o setor privado quem tem de sustentar o balofo setor público.  Como tal tarefa exige um confisco maciço de recursos, sobra pouco para ser aproveitado em melhorias salariais.  Enquanto esse gargalo não for resolvido - o setor privado sustentando um setor público guloso -, falar em educação como único meio de gerar melhorias salariais beira o cômico.  Como mostramos em nosso boletim da economia brasileira, no item rendimentos, mesmo o ano de 2008 tendo sido considerado o segundo de maior crescimento econômico dos últimos 20 anos (após 2007), os salários do setor privado ficaram praticamente estagnados - ao passo que os do setor público seguiram crescendo.)

Finalmente, uma vez compreendida a real natureza da poupança, torna-se compreensível por que a mera expansão monetária - isto é, criação de dinheiro pelo banco central - não pode gerar investimentos. 

Como Mises nunca se cansou de explicar, bens de capital não podem ser criados por meio de uma expansão monetária.  Inundar uma economia de dinheiro não vai fazer com que os bens de capital necessários para os processos de produção surjam do nada.  Imagine aquela ilha do seriado Lost, onde os sobreviventes de um desastre aéreo tentam se manter vivos diariamente.  Em qual cenário os sobreviventes estariam melhor: naquele em que todos têm uma valise cheia de dinheiro, ou naquele em que todos têm um arpão e uma rede de pescas (seu capital)?  O mesmo raciocínio se aplica à economia real.  O que importa não é a quantidade de dinheiro em circulação, mas sim a quantidade de capital acumulado pela economia.  E esse capital só pode crescer se houver poupança - isto é, abstenção do consumo.

Já os keynesianos, por exemplo, dizem que é o investimento que gera a poupança, e não o contrário.  Sendo assim, basta o governo diminuir os juros e estimular o gasto, que os investimentos surgirão.  De onde virá o capital para tal?  Ah, isso fica pra depois.  "A essência do keynesianismo consiste em sua total incapacidade de compreender o papel da poupança e da acumulação de capital na melhoria das condições econômicas", vaticinou Mises.

Tudo o que uma expansão monetária pode fazer é alterar o emprego do capital, redirecionando-o para linhas de produção nas quais seu emprego vai gerar prejuízos.  Essa é a essência da distorção gerada pela redução artificial dos juros, resultado de uma expansão monetária.  Essa é a causa das recessões.

Conclusão

Para finalizar, Mises de novo:

Estritamente falando, o capital sempre foi e sempre será escasso.  A oferta disponível de bens de capital jamais será abundante a ponto de fazer com que todos os projetos voltados para a melhoria do bem-estar das pessoas possam ser executados.  Se isso fosse possível, a humanidade estaria vivendo no Jardim do Éden, sem nunca ter de se preocupar com a produção. 

No nosso mundo real, qualquer que seja o estado da oferta de capital, sempre haverá projetos que não poderão ser executados simplesmente porque o capital necessário para tal está sendo empregado em outros empreendimentos, cujos produtos são mais urgentemente demandados pelos consumidores.  Em qualquer setor industrial existem limites além dos quais o investimento em capital adicional não vale a pena.  Isso ocorre porque os bens de capital requeridos podem, naquele momento, estar sendo utilizados na produção de bens que, aos olhos do público consumidor, são mais valiosos.

Se, tudo o mais constante, a oferta de capital aumentar, os projetos que até o presente momento não poderiam ser empreendidos passam a ser lucrativos, e são então iniciados.  Nunca há escassez de oportunidades de investimento.  Porém, se por algum motivo houver escassez de oportunidades de investimentos lucrativos, é porque todos os bens de capital disponíveis já foram investidos em projetos lucrativos. 

O que gera riqueza e crescimento econômico sustentável é poupança, que possibilita investimento em capital e a consequente produção de bens.  Consumismo e endividamento, por outro lado, geram redução do crescimento.

A poupança requer um sacrifício presente em troca de um maior padrão de vida futuro.  Já o consumismo e o endividamento permitem um presente aparentemente próspero em troca de um futuro tenebroso. 

Porém vivemos em uma democracia, cujo futuro máximo que o governo consegue visualizar tem uma extensão de não mais do que oito anos.  Sendo assim, não é incompreensível que suas políticas visem apenas ao curto prazo - para o bem de si próprio e em detrimento de todo o resto.

 

Obs: essa é uma versão mais expandida e detalhada de uma postagem feita no blog há algum tempo.

Para uma explicação mais detalhada sobre o processo de formação de poupança, leia A Teoria Austríaca dos Ciclos Econômicos: Uma Breve Explanação

Leandro Roque é o editor e tradutor do site do Instituto Ludwig von Mises Brasil.

tags:  investimento  poupança  capital  crescimento econômico  banco central  
39 comentários
39 comentários
Ricardo Cruz 23/11/2009 12:32:42

Eis um assunto que sempre tive dificuldade para entender na prática. O conceito de poupança e capital. O artigo ajudou a me esclarecer vários detalhes mas ainda há algumas nuances sombrias para mim. Acho que só com mais leitura vou acabar entendendo tudo.

Responder
Cesar Ramos 23/11/2009 13:53:52

As sempre oportunas abordagens incitam à colaboração. \nProudhom zombava dessa distinção entre capital e trabalho. Ele acreditava que capital e trabalho não são dois tipos diferentes de riqueza; que toda a riqueza sofre um processo contínuo, passando de capital a trabalho e de trabalho a capital, ininterruptamente e que as mesmas leis de justiça que regulam a posse de um, deveriam regular a posse de outro.\nEngraçadas as leis do trabalho. Depois de receberem as benesses, os operários foram enviados aos campos talados de minas e canhões. \nSão 100 mil advogados trabalhistas, mais 15 mil que vivem ligados à Justiça do Trabalho, no total chegam à cerca de 150 mil. Um lobby de 150 mil é maior que o desejo do restante da sociedade.\nDAS KAPITAL\nSe capital fosse abundante, não seria capital, mas, talvez, corporal. Não seria Caput, mas parágrafo.\nMas por convenção o capital tem se representado pelo dinheiro, pela moeda sonante. Dessarte, ficamos circunscritos apenas a uma representação. Quem capturá-la, captura toda a Nação, em apenas um golpe. É o que vem se sucedendo, aqui e alhures:\nA intervenção sem precedentes do Federal Reserve revela, mais uma vez, o caráter profundamente antidemocrático das instituições capitalistas, feitas em grande medida para socializar o custo e o risco e privatizar os lucros, sem uma voz pública. (CHOMSKI, Noah, do Massachusetts Institute of Technology, à BBC)\nVou mais longe: a intervenção não vica cobrir algum custo, mas guarnecer simples apropriações indébitas.

Responder
Otávio Cunha 23/11/2009 16:00:44

Bem explicado. Essa noção de capital e poupança também era estranah para um leigo como eu. Mas já está ficando mais clara.

Responder
Bla 23/11/2009 16:45:59

"A intervenção sem precedentes do Federal Reserve revela, mais uma vez, o caráter profundamente antidemocrático das instituições capitalistas"

An?? O Federal Reserve é uma instituição capitalista??

Responder
Leandro 23/11/2009 17:07:12

Bla, na verdade, pelo que entendi da postagem do Cesar, quem disse isso foi o Noam Chomsky. Dele não dá pra esperar nenhuma colocação inteligente sobre questões monetárias, convenhamos.

Responder
Carlos Alexandre 23/11/2009 18:23:07

Excelente artigo!
Para mim, que sou leigo em economia, serviu para efetuar a distinção entre capital e poupança e entre poupança e entesouramento, 2 categorias que eu confundia muito!

Responder
Rhyan Fortuna 23/11/2009 19:44:59

Muito bom! Mas então guardar dinheiro embaixo do colchão é poupança?

Responder
Leandro 23/11/2009 20:03:18

Prezados Rhyan e Carlos, obrigado!

Ambas as atitudes - guardar dinheiro embaixo do colchão ou deixá-lo no banco, sem gastá-lo - pressupõem abstenção de consumo, certo? Logo, se estiver havendo abstenção de consumo, está havendo poupança.

A diferença é que a segunda medida tende a diminuir a taxa de juros dos empréstimos bancários, ao passo que a primeira tende a aumentá-la.

Hoppe escreveu um artigo comentando especificamente a atitude do entesouramento. Vale a pena lê-lo: http://www.mises.org.br/Article.aspx?id=370

Responder
c 23/11/2009 22:44:14

Parece não haver propriamente distinção entre as artimanhas fascistas e o capitalismo. A ingerência do Estado na Economia através de emissões sem lastro é característica dos regimes da década de 30, como forma de "driblar" os prenúncios marxistas. Isso de fato nada tem de capitalismo, mas talvez um mercantilismo, e ainda subvertido.

Responder
Robespierre 24/11/2009 09:11:46

Muito grato fiquei por esse artigo elucidativo e de fácil acesso. Muito melhor do que os manuais ortodoxos de economia, com seus termos vãos e desconexos. Mantenham o nível.

Responder
Mauro Cambraia 24/11/2009 21:32:53

Ótimo! Ainda estou hesitante em aceitar essa ideia do pleno emprego, mas a explicação para os gastos do governo foi perfeita e no alvo. Falta mais debate sobre esse assunto no Brasil. Em todos os outros países do mundo ele é uma constante.

Responder
CR 25/11/2009 08:14:17

Há uma cena no novo filme de Michael Moore, "Capitalism: a love history", em que o gorducho diretor e protagonista estaciona um carro-forte em frente a um desses grandes bancos que receberam ajuda financeira do governo durante a crise e avisa que veio exigir a devolução do dinheiro dos pagadores de impostos (contribuintes) americanos. Com muita frequência, os maiores oponentes do sistema capitalista de livre mercado não são os socialistas empedernidos. Seus verdadeiros inimigos são líderes empresariais que, em público, não se cansam de enaltecer as virtudes da competitividade e do liberalismo, enquanto tentam, por baixo dos panos, extinguí-las em seus próprios benefícios, principalmente através do favorecimento contínuo da intervenção estatal na economia. Num ambiente que incentive a troca de favores, mesmo aqueles empresários que talvez preferissem mater distância da política acabam sendo jogados na prostituição, ainda que em legítima defesa.\nJoão Luiz Mauad, Capitalismo de compadres. - www.imil.org.br, em 24/11/2009.

Responder
Joao 14/03/2011 12:29:05

É isso que tenho percebido, e é justamente por esse motivo que cada vez mais eu me convenço de que o liberalismo é realmente e a melhor opção. Estou percebendo que um Estado que quer ajudar todos o tempo todo acaba favorecendo empresários com melhores ligações com o governo. Nos EUA, o cidadão perde sua casa por maus investimentos - nas hipotecas, por exemplo. O empresário que fez maus investimentos recebe gordos benefícios do governo. Ora, é claro que o dono de uma empresa que se beneficia do bail-out não vai sair por aí dizendo que ele quer mesmo é dar uma mamatinha nas tetas do governo. Ele vai disfarçar. Isso não é inesperado.

Responder
Rhyan Fortuna 15/12/2009 20:13:28

O que o governo pode fazer para incentivar a poupança?

Responder
Leandro 16/12/2009 03:46:35

Gastar menos já seria grande coisa. Gastando menos, o governo deixaria de destruir a poupança de todos. Tributar menos também possui o mesmo efeito.

Mas, principalmente, parar de manipular os juros, e deixar que este reflita verdadeiramente o real nível da poupança existente - o que mandaria os sinais corretos para o mercado: juro alto é sinal de que há pouca poupança (logo, o consumo deve ser evitado); juro baixo é sinal de que há muita (logo, há vários investimentos que podem ser realizados).

Responder
André 24/04/2010 16:18:27

Perfeito Leandro. Nem ouso elogiá-lo. \r
\r
Isso realmente é muito interessante. Uma das primeiras coisas que aprendi quando comecei na economia foi poupar, só que de uma forma mais simples. Agora aprendi com mais detalhes sobre poupar.\r
\r
Um abração a todos do IMB\r

Responder
mcmoraes 30/06/2010 16:32:23

Roque disse: "Tá faltando emprego ... [, mas] tá sobrando trabalho."

Escuto essa expressão curiosa desde que me conheço por gente, mas nunca tinha recebido uma explicação tão esclarecedora como essa. Faz todo sentido!

Responder
Caio 20/07/2010 11:39:00

Impressionante como todos os seus artigos são extremamente elucidativos, Leandro... Parabéns!

Responder
Leandro 20/07/2010 14:50:11

Caio, muito obrigado pelo elogio! Um grande abraço!

Responder
Julio Adorno 21/02/2012 18:31:42

Genial!

Responder
Investidor 13/03/2013 02:27:19

Tem uma coisa que precisa ser levada em consideração.

Quando um governo inflaciona ele pode ter um efeito de diminuir o consumo e investir em produção de capital fazendo com que no fim das contas a produtividade aumente e a taxa de juros diminua.

O que quero dizer é que pode acontecer da inflação alterar a acumulação de capital e portanto modificar a taxa de juros para baixo.

Ou seja, inflação pode não gerar ciclo econômico quando não usada em consumo.

Esse pensamento já foi refutado? Gostaria de saber o que acham dele.

Obrigado.

Responder
Leandro 13/03/2013 03:06:43

"Quando um governo inflaciona ele pode ter um efeito de diminuir o consumo e investir em produção de capital"

A relação entre inflação monetária e consumo é dúbia. Por exemplo, uma hiperinflação comprovadamente estimula o consumo. Óbvio. O cara não tem opção: ou ele troca imediatamente seu dinheiro por algo de valor, ou ele simplesmente fica sem poder de compra nenhum. Um perfeito exemplo prático disso pôde ser observado no natal de 1989 no Brasil, auge da hiperinflação (mais de 50% ao mês). Os shoppings bombavam muito mais do que hoje. Claro: com a moeda perdendo valor diariamente, a única opção das pessoas era correr às compras e trocar papel em contínua desvalorização por produtos.



Já uma inflação mais leve, tipo algo entre 8 e 10% ao ano, de fato pode gerar aquilo que se chama de "poupança forçada": o sujeito é forçado a poupar (não consumir) pelo simples fato de não poder arcar com o aumento dos preços. E, ao contrário do que ocorre em um cenário de hiperinflação, ele não tem seu salário reajustado mensalmente.

Agora, como é que tudo isso vai gerar aumento do investimento em produção de bens de capital? Desconheço. Em uma hiperinflação, o investimento cai, pois o longo prazo se torna tão imprevisível, que o horizonte temporal mais longo é de aproximadamente três meses. Ninguém investe em um prazo maior do que isso. A economia fica tão desarranjada, e o horizonte temporal fica tão reduzido pela incerteza, que praticamente não há investimentos visando ao longo prazo. A divisão do trabalho fica severamente avariada, e a toda a economia empobrece.

Já para o caso de inflações moderadas, como a que o Brasil está vivenciando atualmente, o cálculo econômico é falsificado pela inflação monetária (os retornos de longo prazo parecem ser maiores do que de fato serão) e a consequência disso é que os investimentos costumam se dar em setores para os quais não haverá genuína demanda tão logo a inflação seja controlada. Isso é o cerne da teoria dos ciclos econômicos.

"fazendo com que no fim das contas a produtividade aumente e a taxa de juros diminua."

Não faz sentido. Se os agentes econômicos esperarem aumento da inflação, as taxas de juros de longo prazo, principalmente dos empréstimos bancários, aumentarão.

"O que quero dizer é que pode acontecer da inflação alterar a acumulação de capital e portanto modificar a taxa de juros para baixo."

Ela pode diminuir os juros de curto prazo, mas não os de longo prazo, que são os que interessam para os investimentos. Não há absolutamente nenhuma teoria que explique que inflação gera acumulação de capital.

Ao contrário, inflação gera destruição de capital. Não apenas ela gera investimentos errôneos, como também, ao aumentar artificialmente os lucros das empresas, faz com que o volume de impostos que elas têm de pagar aumente na mesma proporção, o que exaure seus recursos. Simultaneamente, a inflação monetária também encarece os preços dos bens de capital (máquinas) e das peças de reposição do maquinário. Ao final, a empresa, além de ter menos recursos (os quais foram confiscados pelos impostos), tem de adquirir bens de capital e peças de reposição a preços maiores, o que significa que houve uma redução na sua capacidade de investimento. A inflação, portanto, gera um consumo de capital das empresas.

"Ou seja, inflação pode não gerar ciclo econômico quando não usada em consumo."

Aqui, curiosamente, você inverteu as coisas. É justamente quando a inflação monetária é utilizada diretamente em consumo, que ela não gera ciclos econômicos. Trata-se da chamada "inflação simples". Neste caso, o governo injeta dinheiro diretamente na economia sem passar pelo sistema bancário -- ou seja, o BC imprime dinheiro, dá para o Tesouro, e o Tesouro gasta. Este arranjo tende a não gerar grandes alterações na estrutura de produção da economia. O problema, no entanto, é que tal arranjo sempre tende a terminar em hiperinflação. Foi ele que vigorou no Brasil durante toda a década de 1980 e início de 1990.

"Esse pensamento já foi refutado?"

Já.

Abraço!

Responder
Capitalista 09/04/2013 18:01:42

Boa tarde, Leandro. Primeiramente gostaria de parabenizá-lo pelos excelentes artigos que vem escrevendo e também pela rapidez e dedicação em responder os comentários. Fora de série realmente. Eu só gostaria de saber uma coisa que não compreendi direito e também sanar um dúvida minha antiga.

1) A riqueza é gerada pela produção de bens ou serviços. Logo, quem produz consome, o que explica a Lei de Say já que toda produção gera riqueza que será em parte convertida em consumo. Certo? O que eu não compreendo é o seguinte: se em uma sociedade as pessoas produzem muito (alta produtividade), mas consomem pouco (poupam), elas não estariam estabelecendo uma equivalência entre produção e consumo, já que produzem mais que consomem. Nesse cenário, como isso seria possível? O que eu quero saber é: como é possível produzir mais do que consome, gerando poupança? Não haveria um excedente de produção? Eu sou leigo no assunto e não compreendo.

Minha segunda dúvida já é algo diferente, sem relação com o artigo a cima, mas é uma dúvida antiga e gostaria que você respondesse, já que sei que não vai usar explicações puramente mercantilistas como outros que conheço...

2) Ao ter uma balança comercial desfavorável, um pais estaria importando muito mais que exportando. Desta forma, dinheiro estaria saindo de um país, certo? Nesse contexto, as importações tem um efeito deflacionário, já que tiram parte do dinheiro em circulação? E haveria uma valorização da moeda já que ela teoricamente tornou-se mais escassa?
No mesmo contexto, mas ao inverso, um país com uma balança comercial com grande superávit, teria muito dinheiro estrangeiro entrando em sua economia. Essa entrada teria o mesmo efeito de uma expansão monetária, gerando inflação e desvalorizando a moeda, já que o dinheiro aumentaria mas os bens e serviços não?

Eu não entendi muito bem o fato de os austríacos argumentarem que uma balança comercial em deficit não ser prejudicial. Os salários não seriam inferiores enquanto houver uma balança desfavorável, já que parte da renda seria gasta nos produtos estrangeiros, diminuindo a rentabilidade das empresas nacionais?

Responder
Leandro 09/04/2013 20:35:52

Prezado Capitalista, vamos lá.

1) Uma sociedade que produz mais do que consome vivenciará um cenário de abundância no futuro. A oferta de bens e serviços será crescente e os preços destes serão menores. Mas vale dizer que este cenário -- produção muito maior que o consumo -- não perdurará por muito tempo, e por um motivo muito simples: uma coisa chamada preferência temporal.

Tudo o mais constante, as pessoas preferem consumo presente a consumo futuro. Elas só aceitarão adiar o consumo caso a recompensa presente valha a pena. Normalmente, esta recompensa são os juros. Porém, em uma sociedade de poupadores -- como a deste seu exemplo --, os juros cairão continuamente até chegarem a um ponto em que continuar poupando não mais valerá a pena. Aí as pessoas passarão a consumir.

Ou seja, o próprio movimento dos juros corrige esse comportamento, tornando improvável a ocorrência de tal cenário.

Eis aqui um bom artigo que explica como a economia cresce por meio da poupança.


2) Este raciocínio não é válido para o atual sistema monetário. Quando um brasileiro importa lâmpada da China, ele não está exportando reais. Ele está exportando dólares. Ele vende seus reais para o banco e o banco manda dólares para fora. Ato contínuo, o banco pode utilizar estes reais para conceder novos empréstimos. Sendo assim, não houve redução da oferta monetária.

E isso deve ficar claro: no atual arranjo monetário, em que cada país tem a sua própria moeda, importações não geram redução da oferta monetária.

Por outro lado, exportações de fato geram um aumento na oferta monetária. Quando dólares entram no Brasil, os bancos podem comprar estes dólares e em troca criar reais na conta-corrente do exportador. (Mais tarde, os bancos poderão vender estes dólares ao Banco Central, que criará reais e depositará nas reservas dos bancos).

Tendo entendido isso, vale dizer que o seu raciocínio ocorre apenas para um país que opera sob um padrão-ouro ou sob um Currency Board. Nestes dois arranjos, a base monetária do país de fato varia de acordo com as transações internacionais.

Para o caso específico que você perguntou, se houver um déficit nas transações internacionais, a quantidade de dinheiro na economia será de fato reduzida. Porém, isso terá de gerar dois fenômenos: os juros do mercado interbancário terão de subir (pois os bancos agora estão com menos dinheiro), e os preços (e talvez os salários) terão de cair.

O primeiro fenômeno atrai de volta para o país capital internacional, o que tende a fazer com que a oferta monetária volta ao nível anterior. Isso, por si só, já resolveria o "problema". Entretanto, caso isso não ocorra, a redução de preços fará com que as exportações deste país se tornem mais atraentes, o que gerará um novo influxo de dinheiro, fazendo com que a oferta monetária volta ao nível anterior. Adicionalmente, caso haja redução de salários (menos provável), as importações irão diminuir acentuadamente, o que também irá ajudar a equilibrar a situação.

Observe, portanto, que há dois (ou três) mecanismos de correção: juros, preços e salários (este último, o menos provável). Isso é tão antigo na histária, que David Ricardo foi um dos primeiros a explicar este mecanismo para os mercantilistas.

Grande abraço e obrigado pelas palavras.

Responder
anônimo 17/08/2013 00:18:06

Se a oferta tende a igualar a demanda, havendo mais consumo, não haveria mais demanda e, consequentemente, mais produção?

Responder
Leandro 17/08/2013 00:36:16

Não é exatamente assim que funciona. É verdade que a oferta tende a se igualar a demanda, mas tal ajuste normalmente se dá via preços. Se a demanda por bananas aumenta, a primeira consequência será o aumento do preço da banana. Tal aumento, por conseguinte, tende a elevar a produção de bananas. Mas não há garantia alguma que, após tal aumento da produção, os preços voltem a ser os mesmos de antes.

Portanto, eis aí a resposta: aumento da demanda, tudo o mais constante, gera aumento de preços. Tal aumento de preços pode ou não elevar a produção. E a produção só será elevada de modo a fazer os preços voltarem ao patamar de antes se houver uma abundância de capital e de recursos que permitam tal aumento da produção. Se não houver tal abundância, o que ocorrerá é que a produção aumentará, mas não o suficiente para contrabalançar o aumento dos preços. No final, portanto, os preços aumentarão.

Responder
Samir Jorge 17/08/2013 13:55:14

Leandro parabéns pelo artigo. Entre a mediação teológica e monetária creio que fico com a monetária.
Um abraço.
(a) - Samir Jorge.

Responder
Emerson Luis, um Psicologo 08/04/2014 20:04:46


Paradoxo curioso: é justamente o fato de vivermos em um mundo de escassez que possibilita haver trabalho para todos. Mas isso ocorrer é necessário liberdade econômica.

* * *

Responder
Sérgio Duarte 08/04/2014 21:55:27

Não deveriam haver direitos trabalhistas de forma alguma ou estes poderiam ser negociados diretamente entre patrão e empregado? Sobre os salários: o patrão deveria pagar ao empregado a quantia que quisesse, quando quisesse e o empregado caso insatisfeito partiria rumo a outro emprego ou haveria um acordo legal entre ambos?
Peço uma enfase de quem se habilitar em responder minhas perguntas principalmente sobre os reajustes salariais em caso de recessão. Como seriam feitos e que espécie de clausula contratual(caso houver contratos) indicaria a magnitude da necessária redução.
Aguardo a caridade intelectual de um cérebro esclarecido.

Responder
Guilherme 09/04/2014 00:04:00

"Não deveriam haver direitos trabalhistas de forma alguma ou estes poderiam ser negociados diretamente entre patrão e empregado?"

Segunda opção.

"Sobre os salários: o patrão deveria pagar ao empregado a quantia que quisesse, quando quisesse e o empregado caso insatisfeito partiria rumo a outro emprego ou haveria um acordo legal entre ambos?"

Contratos prévia e voluntariamente acordados são sagrados para liberais e libertários. Isso, aliás, é o básico da teoria libertária.

"Peço uma enfase de quem se habilitar em responder minhas perguntas principalmente sobre os reajustes salariais em caso de recessão. Como seriam feitos e que espécie de clausula contratual(caso houver contratos) indicaria a magnitude da necessária redução."

Contratos prévia e voluntariamente acordados. Se houver cláusula de reajuste para recessão, tanto melhor. Quem preferir negociar livre e não-coercivamente, que seja livre para tal.

"Aguardo a caridade intelectual de um cérebro esclarecido."

O que foi escrito acima é mero bom-senso. Quem acha que é necessário um cérebro esclarecido para entender isso está mal.

Responder
Sérgio Duarte 09/04/2014 00:45:14

Obrigado pelos esclarecimentos. Ignoro sua constatação final pois como diz o ditado: "A cavalo dado não se olha os dentes".

Responder
Guilherme Mendes 24/08/2014 14:13:07

Bom, a postagem é bastante antiga, embora seja extremamente atual. No entanto, sempre mantive sérias dúvidas sobre o emprego, o empregado e o empregador em um mercado sem regulamentações. Partindo do pressuposto de que a oferta de mão de obra no livre mercado é maior que a demanda e, portanto, o desemprego só ocorre por livre e espontânea vontade, como funcionaria os contratos e leis trabalhistas? Por mais que o aumento de produção seja evidente e bastante claro, eu acredito que o trabalhador deve ser protegido até um certo ponto. Se as regulamentações desestimulam a oferta de mão de obra, então o trabalhador estaria completamente sozinho e desprotegido, já que qualquer proteção oferecida à ele criaria uma diminuição da oferta de mão de obra e diminuição de produtividade. Logo, o empregador poderia fazer o que bem entender para aumentar a produtividade. Consequentemente, as férias, feriados, fins de semana, seguros, aposentadoria e coisas do tipo, estariam absolutamente em risco. Como um cenário desse criaria um incentivo para a procura de emprego, se o trabalhador sabe que a relação nao vai ser de mútuo benefício? Me digam como funcionaria essa relação patrão-empregado em um cenário de mercado sem obstruções. Embora eu concorde com inúmeros pontos e argumentos desse site, ainda sou bastante cético.

Além disso, também tenho uma dúvida sobre consumo e poupança. Vou dar um exemplo bem recorrente: "Uma empresa x de computadores abre suas portas e espera vender y em um certo mês z. No entanto, ocorre que os consumidores na verdade estão se abstendo do consumo imediato e poupando. Essa tal empresa x, através dos consumidores, consegue capital para uma maior produção de computadores e um maior lucro. Sem o consumo, o capital para os computadores diminui, a produção fica reduzida e o lucro é menor. Consequentemente, o desemprego dos funcionários dessa empresa é iminente, assim como a redução de seu tamanho produtivo. Na minha cabeça o papel da poupança foi o seguinte: desestimular a produção, o lucro, estimular o desemprego e estagnar a circulação de capital. Como podemos ter certeza de que a diminuição do consumo por parte da população vai gerar um aumento de capital, se não podemos afirmar que essa poupança vai um dia ser investida em algo? Pode acontecer de que essa poupança fique estática, logo não há circulação de capital e a economia fica estagnada.

Desculpe pela minha inexperiência senhores, sejam pacientes. Disse isso da minha cabeça mesmo, minha única fonte de conhecimento econômico é o Mises Brasil, mas obviamente dúvidas e questionamentos são recorrentes. Não sou keynesiano e sequer li alguma obra de Keynes. Abraços.

Responder
eduardo 09/03/2015 22:41:32

Leandro,

A maior oferta de bens (gerada pela poupança-->investimento--->produtividade) ñ levará a uma queda dos preços e isso a um aumento no consumo, q por sua vez acabará com a poupança?

Responder
Auxiliar 10/03/2015 01:05:26

O aumento do consumo levará a um aumento dos juros, que por sua vez desestimulará o consumo e estimulará a poupança.

Responder
Anderson 07/04/2016 04:43:45

A abstenção do consumo, para a poupança, não causa um menor aquecimento da economia e com isso menos encomendas para as fabricas q demandariam menos capital?

Responder
Huerta 07/04/2016 15:17:43

O aumento da poupança leva à queda dos juros, o que aumenta a demanda por matérias-primas, recursos e mão-de-obra para investimentos.

Há, sim, uma queda no consumo, mas não há por que esta não ser contrabalançada por um aumento nos investimentos. E vale enfatizar que, em termos macro, investimentos -- ao ativarem toda uma cadeia de produção -- geram mais emprego, maiores salários e mais renda do que apenas o consumismo.

Responder
Igor 11/05/2016 11:22:12

Nossa, depois de todo o empenho do Leandro no artigo, depois de tantos outros artigos sobre o assunto, de tantos livros, de tantos vídeos no Youtube, ainda fazem esse tipo de pergunta.

Responder
Fernando 28/06/2016 20:07:52

ALguem poderia me explicar como se deu a acumulação de capital nos EUA? Como fizeram para chegarem e manterem-se no patamar de riqueza por tanto tempo? Por exemplo, eles pouparam, como? O que os estimulou a tal?

Responder

Envie-nos seu comentário inteligente e educado:
  Nome
  Email   (também utilizado para o Avatar, crie o seu em www.gravatar.com)
  Website
Comentários serão exibidos após aprovação do moderador.







Multimídia   
  Podcast Mises Brasil
        por Bruno Garschagen - 06/01/2019
  Conferência de Escola Austríaca 2014
        por Diversos - 23/10/2014
  Fraude - Explicando a grande recessão
        por Equipe IMB - 31/10/2012
veja mais...



Instituto Ludwig von Mises Brasil



contato@mises.org.br      formulário de contato           Google+
Desenvolvido por Ativata Software