Obama, o terror dos keynesianos
por , sexta-feira, 13 de novembro de 2009

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Tenho para mim que todo keynesiano que se preze, principalmente o da vertente pós-keynesiana, está fazendo todo o tipo de promessa e mandinga na esperança de que Obama saia o mais rápido possível da Casa Branca - caso contrário, a profissão vai cair em descrédito (para alívio mundial).

Aluno aplicadíssimo - certamente o mais aplicado que já passou pela Casa Branca desde Lyndon Johnson -, Obama até agora vem seguindo a cartilha (pós) keynesiana à risca: imprimiu dinheiro sem medo, reduziu os juros a quase zero, gastou o que tinha e o que não tinha, aumentou o déficit orçamentário, estourou a dívida pública e transformou o governo em empresário, substituindo a "ineficiência" do setor privado pela onisciência governamental.

Sendo tão aplicado assim, qual o problema que os (pós) keynesianos teriam com ele?

Simples: a teoria keynesiana diz que suas intervenções econômicas trazem resultado já no curto prazo - isto é, crescimento econômico e queda do desemprego.  Se Obama assumiu o governo em janeiro desse ano, 11 meses de keynesianismo em escala mastodôntica teoricamente já deveria ter surtido alguns resultados positivos.  Mas houve algum?  Não, pelo contrário.

O crescimento econômico ocorrido no terceiro trimestre, como já explicamos, é totalmente fictício e insustentável, tendendo a cair tão logo os estímulos sejam retirados.  Já o desemprego... Ah, essa é a melhor parte.

Veja o gráfico a seguir.

11-09-unemployment1.jpg

A linha branca mostra a previsão feita pelos economistas da Casa Branca sobre como seria a taxa de desemprego com a aplicação dos pacotes de estímulo adotados pelo governo americano.

A linha cinza mostra a previsão desses mesmos economistas caso não houvesse pacotes de estímulo.

E a linha vermelha mostra o real comportamento da taxa de desemprego, com todos os estímulos.

Realmente, uma imagem vale mais que mil palavras.

Mas sejamos justos.  Quem começou os pacotes de estímulo foi o próprio Bush.  Obama simplesmente deu continuidade - numa apavorante reprise do que fez a dupla Hoover/Roosevelt, um disputando com o outro para ver quem era o mais intervencionista.

Assim, quando a crise começou em agosto de 2007 (quando as bolsas começaram a cair após terem constatado o castelo de cartas das hipotecas subprime), o desemprego estava em 4,7%.  O Fed baixou os juros.  Em setembro de 2008, o desemprego já estava em 6,2%.  Os pacotes foram sendo aprovados.  Quando Obama assumiu, em janeiro de 2009, o desemprego já estava em 7,6%.  Pela teoria keynesiana, tudo o que foi feito deveria garantir que o desemprego ficasse pelo menos ao redor desse valor.  Hoje, 26 meses após o início dos estímulos, o desemprego já está em 10,2% -  117% maior do que quando tudo começou.  (Veja os números aqui).

Por fim, vale uma observação interessante, que já fizemos aqui: no ano 2000, o orçamento total do governo dos EUA foi de 1,8 trilhão de dólares.  Já em 2008, o orçamento total foi de $3 trilhões, o que significa que em 8 anos os gastos cresceram 66%.  Ou seja, já tinha havido uma explosão nos gastos governamentais antes que toda essa balela de "estímulo" tivesse sido inventada. 

Pergunta-se: por que esse aumento de 66% nos gastos em 8 anos não impediu a depressão americana?  De acordo com Keynes, era para a economia americana estar bombando.

A questão toda nem é divagar sobre como tudo poderia estar melhor caso nada tivesse sido feito - isto é, caso não tivessem ocorrido os déficits, o aumento da dívida, as estatizações, a gastança, a inflação monetária e a diminuição artificial dos juros.

A questão principal é: por que após seguidas demonstrações de uma abismal incapacidade de solucionar problemas econômicos, a teoria keynesiana segue sendo levada a sério, garantindo empregos vitalícios para vários acadêmicos e "pesquisadores" que só pensam em enriquecer sem esforço, sem concorrência e à custa dos outros?

Acho que a resposta está contida na própria pergunta.

Leandro Roque é o editor e tradutor do site do Instituto Ludwig von Mises Brasil.

postado por Leandro Roque | 13/11/2009

14 comentários
14 comentários
Carlos Alexandre 13/11/2009 15:46:25

Este artigo bateu numa tecla interessante. Prá mim, Bush era quase um "RINO" [''Republican In Name Only''-''Republicano só no nome'']...

Responder
Leandro 13/11/2009 16:36:41

Carlos, eu já vejo Bush como um republicano típico: gosta de falar em livre mercado, mas faz tudo exatamente ao contrário, praticando déficits avassaladores e gastando como um marinheiro bêbado no bordel. Vale lembrar que o último republicano a apresentar um orçamento equilibrado durante pelo menos um ano foi Dwight Eisenhower, na longínqua década de 1950, ao passo que os democratas Carter e Clinton praticaram, respectivamente, um e três anos de superávits orçamentários.

Responder
Ricardo Inácio Grossi 13/11/2009 19:30:26

Aí esculachou!

Responder
Rhyan Fortuna 15/11/2009 10:18:56

E o Reagan?

Responder
Leandro 15/11/2009 16:02:11

Reagan foi o republicano que levou ao paroxismo essa moda de estourar orçamento. Como era adepto da "Supply-Side Economics", ele achava que o que importava eram os baixos impostos, e não os déficits orçamentários.

Entretanto, era muito melhor do que Obama, pois reconhecia limitações na capacidade gerencial do governo - achava que este era bom apenas na construção de tecnologia militar.

Sim, comparado ao cenário atual, dá saudades.

Mas o presidente americano mais inócuo dos últimos anos sem dúvida foi o Clinton. No seu primeiro ano de governo, em 1993, ele tentou fazer uma reforma no sistema de saúde seguindo os mesmos moldes atuais. A reforma foi rejeitada amplamente por um Congresso de maoiria democrata.

Após essa humilhação interna, e após o vexame na Somália, o sujeito recolheu-se em sua insignificância e preocupou-se apenas em se divertir com estagiárias e charutos - exatamente o que um presidente deve fazer em tempo integral.

Sim, ele jogou umas bombas lá na Iugoslávia em 1999 para desviar a atenção de suas aventuras, mas o saldo geral ainda foi positivo quando comparado aos outros presidentes.

Responder
Fabio 04/08/2012 09:06:34

hahahhahahahahahaha vc tmb não perde uma hein....

Responder
Cesar Ramos 18/11/2009 10:59:18

Prezado Leandro Roque, \nMuito bem apanhado. Parabéns para nós, podermos contar com sua lucidez.

Responder
Andre Luis 11/09/2010 16:08:47

Clinton foi o ultimo presidente americano que deixou superavit nas contas do governo federal de seu pais.Os republicanos americanos gostam de reduzir impostos sem antes reduzir gastos.Isso é o caminho do desastre

Responder
Isaias Barbosa 03/11/2010 20:53:48

EUA injetarão US$ 600 bilhões na economia


oglobo.globo.com/mundo/mat/2010/11/03/eua-injetarao-us-600-bilhoes-na-economia-922940788.asp

Cadê o milagre keynesiano?

kkkkkkkkkkkkkkkkkkkk

Rindo muito da cara do Paul Krugman neste momento. Talvez ele afunde junto com a economia americana.

Responder
mcmoraes 03/11/2010 21:50:21

Injetarão??? Essa merece uma citação de DiLorenzo:

...Assim, de acordo com a teoria neoclássica, a economia durante uma depressão é como se fosse um Frankenstein debilitado, com os economistas atuando no papel dos cientistas loucos que aplicam choques na besta até que ela se torne um ser vivo novamente. Eles fazem isso com várias "injeções" de gastos governamentais e crédito fácil que supostamente irão provocar uma estrondosa recuperação...

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Helio 04/11/2010 00:36:48

Isaías, o pior é que esses "keynetaristas" (ou seria "monesianos") acreditam que a situação não melhorou (pasme) porque o Fed não injetou o suficiente na economia e porque o governo não está gastando (e tendo déficits) no montante "necessário".

Até onde vai essa insanidade? Eles estão quebrando o governo americano, e danificando a economia em uma escala não vista desde os anos 1970. Estou com pena dos americanos e europeus. Ao menos aqui no Brasil esse papo de "déficit" e "fabricar inflação comprando títulos do governo" são considerados piada de mau gosto, e ademais não dá voto. Tomara que continue assim.

Responder
mcmoraes 06/12/2010 18:15:50

Parece q a insanidade não tem limite. Vem + injeções por aí: www.bloomberg.com/news/2010-12-06/bernanke-says-more-fed-easing-possible-with-jobless-rate-high.html

Responder
Heber 20/01/2011 19:35:51

Eu acho que a nossa vantagem é que os nossos burocratas são menos competentes que os deles até mesmo pra tentar essas loucuras que eles fazem por lá.

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André Poffo 03/11/2010 21:18:52

Isaias Barbosa, essa notícia do jornal O Globo, dá até medo. :)

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