Algumas considerações sobre capitalismo, livre mercado e bolsa de valores

O teste dificilmente falha.  Aborde uma pessoa relativamente culta e pergunte a ela o que os termos 'mercado', 'livre mercado' e 'mercado desregulamentado' lhe trazem à mente.  O conteúdo e o grau de tergiversação da resposta podem variar, porém a conclusão final será quase sempre a mesma: 'mercado' significa 'bolsa de valores' (talvez porque o termo 'mercado financeiro' é sempre utilizado pela mídia) e 'mercado desregulamentado' é sinônimo de um sistema em que agentes financeiros poderosos, especuladores inescrupulosos e grandes corporações estão totalmente livres para fazer o que bem entenderem, sem o mínimo de respeito às leis, ao investidor e ao consumidor. 

Com um cenário desse em mente, não é difícil entender por que o capitalismo não é bem visto e por que o termo 'regulamentação' exerce um fascínio mágico, quase erótico, mesmo sobre os mais bem informados.

E isso está longe de ser uma exclusividade brasileira.  Uma pesquisa da reputada agência americana Rasmussen, feita em abril deste ano, apontou que apenas 53% dos americanos acham que o capitalismo é melhor que o socialismo.  20% dos americanos acham que o socialismo é melhor, e 27% não estão certos de qual é o melhor. 

Quando se considera o universo de adultos com menos de 30 anos de idade, o resultado é pior ainda: 37% preferem o capitalismo, 33% preferem o socialismo, e 30% são indecisos.  Já para os adultos que estão nos seus 30 e poucos anos, 49% preferem o capitalismo e 26% que preferem o socialismo.  Adultos com mais de 40 anos preferem dominantemente o capitalismo, com apenas 13% deles preferindo o socialismo.

O detalhe importante é que a pesquisa não definiu aos entrevistados o que é 'socialismo' e o que é 'capitalismo'.  Ainda assim, o espantoso apoio conseguido pela fracassada doutrina do socialismo nos EUA é preocupante.

Contudo, uma outra pesquisa da mesma Rasmussen, realizada no final de dezembro de 2008, apresenta um resultado muito interessante — e bem mais animador.  Quando perguntados qual sistema preferiam — se um livre mercado ou um mercado gerenciado pelo governo —, 70% dos americanos responderam que preferiam um sistema de livre mercado (embora muitos desses 70% tivessem dito que favorecem regulamentações governamentais sobre as grandes corporações), sendo que apenas 15% dizem preferir uma economia gerenciada pelo governo, similar aos 20% que dizem preferir o socialismo.  Outro detalhe importante: dois de cada três americanos acreditam que as grandes corporações fazem conluio com o governo, de modo a prejudicar os consumidores e os investidores (realidade esse que é dominante na economia brasileira, como já discutido aqui).

Os resultados das duas pesquisas, a princípio, podem parecer estranhos.  Afinal, por que o livre mercado atrai muito mais apoio que o capitalismo (70% contra 53%)?  Entretanto, toda a confusão não passa de uma questão de semântica.  A expressão 'economia de livre mercado' é muito mais atraente do que a expressão 'capitalismo'.  O termo 'livre mercado' é possível de ser associado à liberdade, à livre iniciativa e até mesmo a abundância, coisas difíceis de se argumentar contra.  Já o termo 'capitalismo' tende a ser associado a monopólios e a ricaços poderosos manipulando a economia para proveito próprio. 

Arrisco-me a dizer que, se essas pesquisas fossem feitas aqui no Brasil, é bem possível que também houvesse essa "disparidade" entre ambas — embora é certo que os porcentuais de favorecimento ao socialismo e ao mercado gerenciado pelo governo seriam maiores. 

Ao invés de 'capitalismo'

E eis aí o dilema: Qual termo o defensor da liberdade e da propriedade (afinal, a primeira não existe sem a segunda), que está interessado em atrair mais adeptos para a causa, deve utilizar perante uma platéia — principalmente naqueles embates contra intelectuais universitários empedernidos?

Sim, para algumas platéias, a palavra 'capitalismo' é um termo positivo, e pode ser utilizada perfeitamente.  O problema todo está nas massas.

Para muitas pessoas, como já dito, o termo 'capitalismo' possui amplas conotações negativas.  Quando elas o ouvem, instantaneamente pensam em corporações insensíveis espoliando furiosamente seus consumidores, empregados e investidores; monopólios limitando a liberdade de escolha e extorquindo o povo; multinacionais ricas explorando países pobres do terceiro mundo; e indústrias envenenando rios e destruindo o meio ambiente com seus lixos tóxicos.  Como Thomas Woods ironizou, essas pessoas pensam até em homens feios e gordos fumando charutos e carregando sacos com o desenho de um cifrão.  Mas o fato é que, para muitos, o termo 'capitalismo' suscita fúria, ressentimento, raiva e temor.

Ou seja, não é nisso que queremos que a platéia, ou um interlocutor qualquer, pense quando estivermos descrevendo nossa visão do mundo ideal, certo?

Não é preciso ser especialista em comunicação para entender sua regra básica: o que interessa em todo o tipo de comunicação é aquilo que o ouvinte ouve.  Parece redundante?  Nem tanto.  Uma vez que uma determinada palavra já adquiriu conotações ruins, não interessa mais qual a sua real definição (o termo 'direita', no Brasil, sofre do mesmo mal).  Principalmente quando você tem pouco tempo para falar e transmitir suas ideias para uma pessoa ou para um grupo de pessoas. 

Por exemplo, se você for dar uma palestra em uma universidade, é certo que haverá esquerdistas radicais, socialistas psolistas, social-democratas e até mesmo moderados em sua platéia.  Destarte, assim que você proferir a palavra 'capitalismo', provavelmente você será vaiado, apupado e xingado.  Não é improvável que tenha de se desviar de sapatos ou de copos de água arremessados em sua direção (a acurácia dos arremessos será inversamente proporcional à qualidade da substância consumida no DA local).  Assim, os poucos moderados que estavam presentes acabarão não recebendo sua mensagem, e a oportunidade será perdida.

Logo, ao invés de 'capitalismo', tente 'livre mercado', 'livre iniciativa' ou 'livre concorrência'.  Uma vez escolhido o termo, basta dizer o que ele significa: trocas voluntárias entre as pessoas, ausência de qualquer tipo de coerção, ausência de qualquer tipo de privilégios, liberdade plena de escolha, liberdade de contrato, abundância de bens e serviços, e preços baixos.  Se bem explicado, qualquer um que se opuser ao que você defende estará inevitavelmente defendendo a coerção, a violência, a escravidão, o monopólio e a ineficiência. 

Ademais, esses termos não apenas não estão carregados com as pechas negativas que foram dadas ao capitalismo, como são na realidade bem mais acurados.  Afinal, libertários defendem qualquer tipo de arranjo econômico voluntário, o que significa que se uma comunidade quiser se separar do restante da sociedade e adotar para si um modo de produção comunista, ela tem o perfeito direito de fazer isso — desde que, é claro, não obrigue ninguém mais a adotar tal sistema.

Enquanto que a maioria de nós prefere o capitalismo, pois sabe que ele é o melhor e mais moral sistema econômico possível — pois fundado nos valores da civilização ocidental, na revelação judaico-cristã, na filosofia aristotélica e na experiência política e jurídica romana —, um genuíno sistema de livre iniciativa ou de livre mercado respeita o direito dos indivíduos conduzirem suas vidas seguindo o sistema econômico que desejarem, da maneira pacífica e consensual que escolherem.

No mais, no Brasil atual, 'capitalismo' passou a significar 'capitalismo de estado' — ou, como dizem os americanos, 'capitalismo de compadrio' —, que é quando as grandes empresas fazem conluio com o governo e aprovam regras que dão a elas vantagens injustas no mercado.  As empresas ganham o protecionismo estatal, que as livra de qualquer concorrência e enriquece seus vários empresários incompetentes em detrimento dos mais pobres, que são obrigados a pagar mais por produtos de baixa qualidade; e o estado e seus integrantes ganham apoio político, favores e financiamento de campanha dessas empresas, algo crucial em um regime democrático.

Essa parceria entre governo e grandes empresas, que é o que sustenta também os monopólios, é comumente chamada de corporativismo ou mercantilismo. Benito Mussolini, que foi quem glorificou o modelo, chamou-o de fascismo.  Ele entendia do assunto.

Esse arranjo, embora seja anticapitalista por natureza — sendo, aliás, produto do intervencionismo do estado na economia —, é o que acabou ficando no imaginário da população como sendo algo inerente ao capitalismo. 

Portanto, assim que você explicar que os termos 'livre mercado', 'livre iniciativa' e 'livre concorrência' representam o exato oposto daquilo que condenam, seus interlocutores não mais conseguirão se colocar contra você — se o fizerem, estarão se assumindo totalitários, coercivos e contrários à liberdade, coisas caras principalmente à juventude.

(Caso o leitor seja mais paciente, ele pode utilizar o argumento incontestável de Hans-Hermann Hoppe, e explicar que todo aquele que se opõe à propriedade inevitavelmente estará se contradizendo).

O livre mercado e o mercado financeiro

Superada a questão semântica, voltemos à questão levantada no início do texto: a diferença entre livre mercado, mercado financeiro e mercado desregulamentado.

Definindo o livre mercado

Livre mercado, como já explicado em inúmeros artigos desse texto (em especial neste) é simplesmente um arranjo em que os indivíduos transacionam voluntariamente bens e serviços de modo que todas as partes se beneficiam nessa transação.  Quando você vai a uma casa de carnes, você valoriza a picanha mais do que o dinheiro que paga por ela, ao passo que o dono do restaurante valoriza o seu dinheiro mais do que aquele pedaço de picanha que ele lhe vende.  Desta forma, ambos saem ganhando com essa troca voluntária.  Qualquer troca que seja coerciva — por exemplo, quando você é obrigado de maneira não contratual a pagar por um determinado bem ou serviço — descaracteriza o arranjo econômico como sendo de livre mercado.

Além de trocas voluntárias, livre mercado também significa que a entrada de ofertantes de bens e serviços no mercado é livre — o que aumenta a variedade de fornecedores, bem como a concorrência entre eles.  Qualquer obstrução a essa entrada, seja via barreiras regulatórias, seja via altos impostos, também descaracteriza o arranjo econômico como sendo de livre mercado.  É válido dizer que, nesse caso, a questão mais importante é a ausência total de barreiras legais para se entrar no mercado.  Se este é servido por apenas um ofertante, isso não configura monopólio.  A concorrência existe a partir do momento que o estado não proíbe outras companhias de entrarem no mercado também.

Outra característica intrínseca a um livre mercado é a existência de um livre sistema de preços.  São os preços que nos informam sobre a abundância ou escassez de um bem ou de um serviço, e são os preços que coordenam como cada bem e serviço será usado em um dado processo de produção. 

Por exemplo, imagine um fabricante de rádio.  Para construir seu produto, ele pode utilizar uma miríade de materiais, desde um simples plástico até a nobre platina.  Como a platina é um metal nobre e relativamente escasso, seu preço é alto.  Esse preço alto está enviando um sinal inequívoco ao fabricante de rádio: se ele quer usar platina, então é bom que seja para um motivo muito urgente, pois ele estará retirando recursos de outras indústrias para as quais a platina é um dos poucos materiais que tornam seu processo de produção lucrativo.  Esse alto preço da platina, que o fabricante de rádio certamente não pode pagar, é reflexo do fato de que a platina é necessitada com mais urgência em outros setores da economia, e a lucratividade que ela gera para esses setores permite que seus usuários elevem o preço da platina até o ponto em que passa a não ser vantajoso para o fabricante de rádio competir por esse recurso escasso.

É claro que o fabricante de rádio não necessariamente sabe por que o preço da platina é tão alto, ou quais são seus outros possíveis usos.  Tudo o que ele sabe é que a platina é cara — e ele deve reajustar seu processo de produção de acordo com essa realidade.  Ele terá, então, de utilizar um material como o plástico, cuja maior abundância ou menor urgência em outros setores torna seu uso mais viável e racional.

Milhões de decisões como essa são feitas diariamente, desde a fabricação de aviões até a produção de pães.  As decisões são racionalizadas exatamente por causa do sistema de preços, e sem que os produtores envolvidos nesses processos tenham de saber por que exatamente as condições econômicas do momento fazem os preços serem como são. 

Esse simples exemplo nos mostra como o arranjo é intrincado e instável demais para ser "gerenciado" ou sofrer uma "sintonia fina".  O sistema de preços aloca os recursos de forma que eles sejam utilizados da maneira mais racional possível, de modo a evitar desperdícios e más alocações.  Qualquer controle de preços, por mais trivial que pareça, irá inevitavelmente perturbar e descoordenar todo esse complexo arranjo.

Conclusão lógica: qualquer intervenção no sistema de preços irá gerar irracionalidade na produção, desperdícios de recursos e escassez de bens.  Qualquer intervenção no sistema de preços, inclusive no preço da mão-de-obra ou no preço do dinheiro (juros), também descaracteriza o arranjo econômico como sendo de livre mercado.

Todas essas características inerentes ao livre mercado — trocas voluntárias, livre concorrência, livre sistema de preços — só funcionam corretamente em um sistema de propriedade privada, sem a qual todos os itens acima desapareceriam ou se tornariam de prática impossível.

Entendidas essas definições básicas de livre mercado, vejamos se elas existem no mercado financeiro.

O mercado financeiro

"Uma empresa bem sucedida nunca é controlada, em última instância, por administradores contratados," escreveu Ludwig Von Mises ainda em 1949.  Efetivamente, a "conduta de seus negócios" deve ser "exercida por seus acionistas".

Fazer com que os administradores das grandes empresas ajam de acordo com esse princípio é algo praticamente inédito no Brasil.  Afinal, o que se vê aqui, além de grandes líderes empresariais fazendo lobby por protecionismo, regulamentações (sim, elas quase sempre são favoráveis para as grandes empresas), subsídios e privilégios, é um conluio entre as grandes empresas e a CVM para impedir que os acionistas exerçam sua vontade sobre a dos administradores.  A consequência tem sido o aumento da burocracia corporativa, bem como a transferência de riqueza dos acionistas para a elite empresarial, que assim podem expandir seu poder e sua renda.

A esquerda é ótima para fazer críticas ferozes ao mercado financeiro e à elite empresarial que o domina; o problema é que todas elas são pura agitação ideológica sem foco e sem substância.  Mas o fato é que uma elite empresarial tem, sim, dominado o mundo corporativo brasileiro (e grande parte das políticas governamentais, independente do partido no poder), quase sempre em detrimento de empreendedores genuínos, de seus clientes e de seus acionistas.  Essa elite está nos setores siderúrgico, minerador, bancário, telefônico, elétrico e, principalmente, petrolífero.

Mises também já havia previsto esse problema da elite empresarial e entendido sua origem: "A emergência de uma onipotente classe empresarial não é um fenômeno da economia de mercado operando livremente.  É, ao contrário, uma consequência natural das políticas intervencionistas que conscientemente visam a eliminação da influência dos acionistas e sua virtual expropriação."  Este é, disse ele, o "passo preliminar em direção à substituição da livre iniciativa pelo controle governamental das empresas".

A livre e irrestrita concorrência é o único instrumento capaz de restringir o poder de uma elite empresarial que enriqueceu por causa do estado e que vive de favores deste.  Em um livre mercado, se os administradores não estão gerindo uma empresa em seu máximo potencial, os acionistas — que afinal são os proprietários da empresa — têm o direito de demiti-los e contratar outros. 

Em uma economia livre, portanto, existe um mercado que lida com aquisições corporativas.  Nesse mercado, até mesmo aqueles administradores que são considerados a crème de la crème estão com seus cargos constantemente ameaçados por uma voraz e constante concorrência.  Afinal, qualquer empreendedor que creia estar vendo naquela empresa uma oportunidade de lucro pode fazer uma oferta de compra de ações — sendo o preço ofertado pelo comprador sempre superior ao seu valor de mercado — em quantidade suficiente que lhe permita substituir a gerência atual e reformar a empresa.  Aliás, a simples ameaça de tal ato já seria o suficiente para alterar a maneira como a empresa em questão está sendo gerida.  Para concorrer e sobreviver com sucesso em um livre mercado de aquisições corporativas, o administrador tem de fazer todo o possível para aumentar o valor das ações de sua empresa e dos dividendos para seus proprietários.

Porém, como o leitor já adivinhou, essa prática de mercado é severamente fiscalizada pela CVM, através de sua instrução nº 361.  Os empreendedores que tentam incorrer nessa prática são tachados de 'raiders' (agressores, atacantes), porém eles efetuam uma função empreendedorial extremamente importante: ao procurar por ações que estão subvalorizadas e ao tentar trazê-las — bem como a empresa — para seu pleno potencial de mercado, eles estão extirpando todos os desperdícios burocráticos e criando valor.

A regulamentação governamental que obstrui ao máximo tal prática foi obviamente resultado do lobby das poderosas elites corporativas, que se sentiam ameaçadas por esse mercado.  Caso o leitor seja desocupado o bastante para ler a instrução linkada acima, verá que todas as restrições foram cuidadosamente pensadas de modo a aumentar o preço das ações da empresa atacada, dificultar sua aquisição e, ao mesmo tempo, permitir que a alta cúpula da empresa crie estratégias defensivas — todas devidamente financiadas com o dinheiro dos acionistas — para impedir que os próprios acionistas lucrem com esse aumento do preço das ações.

Atualmente, é praticamente impossível apontar uma empresa blue chip cuja gerência seja desafiada de algum modo, sofrendo algum tipo de concorrência e tendo seus cargos em risco.  É impossível porque o sistema foi configurado pelo governo de modo a deixar tudo assim.  Quando o 'raider' tenta levantar fundos para seu 'ataque', ele inevitavelmente tem de ir atrás dos grandes bancos, que por sua vez possuem relações estreitas com a elite empresarial e com o governo.  Sua oferta de compra torna-se virtualmente impossível.  E as grandes empresas seguem impassíveis.  Agora, quando o 'raider' é algum manda-chuva com poderosas conexões políticas que quer adquirir uma concorrente menor, pode ter certeza de que os cofres do BNDES estarão à sua inteira disposição.

Outros elementos essenciais num livre mercado são aqueles agentes que fazem as arbitragens: indivíduos que tentam ganhar dinheiro especulando com a diferença entre o preço de uma ação no momento da oferta de compra e o seu preço final.  Eles garantem um número específico de ações a um dado momento e a um certo preço, e, ao fazerem isso, eles cumprem a essencial função empreendedorial de assumir riscos.

Entretanto, há um porém: como eles precisam de todas as informações possíveis, eles precisam recorrer ao "crime" da informação privilegiada (insider trading, no jargão econômico). Insider trading nada mais é do que investir com base em informações que não foram tornadas públicas.  E desde que as informações sejam honestamente adquiridas, não há nada de errado com tal procedimento.  Bom, mas a CVM não pensa assim — e o insider trading é considerado crime no Brasil desde 2001.  O curioso é que, em última instância, todos os investimentos de sucesso são baseados em dados não-públicos.  Warren Buffet, por exemplo, não divulga suas análises particulares.  O insider trading só é crime por causa das regulamentações que visam coibir as ofertas de compra de ações.

A coisa é tão bizarra que se você estiver em um restaurante nas imediações da Bovespa, ouvir por acaso uma conversa sobre alguma possível incorporação e comprar uma ação em decorrência da fofoca, você pode ser condenado por crime de insider trading caso essa ação suba quando a incorporação for anunciada.  Tal lei não faz nenhum sentido econômico ou moral.

Outra peculiaridade: insider trading é considerado crime, mas o governo se recusa a definir claramente qual é exatamente esse crime.  Afinal, se definido fosse, os especialistas em arbitragens e os "raiders" poderiam achar brechas técnicas.  E o governo não quer dar uma definição precisa porque, se desse, as pessoas que ele quer pegar provavelmente não cometeriam esse crime.  É exatamente assim que governos totalitários agem: decretando leis turvas e ambíguas, que dá liberdade de atuação para seus burocratas.  Os cidadãos nunca sabem ao certo o que podem fazer, e os grupos de interesse podem facilmente utilizar essa ambiguidade a seu favor, adquirindo assim ainda mais poderes.

Enfim, todo esse tecnicismo foi apenas para mostrar que os quatros itens fundamentais de um livre mercado — trocas voluntárias, livre concorrência, livre sistema de preços e propriedade privada — são sistematicamente violados no mercado financeiro.  No caso específico da propriedade privada, é válido lembrar que todo o sistema é em si uma violação dos direitos de propriedade.  Afinal, os acionistas são os donos de uma empresa e deveriam ter o direito de exercer suas vontades sobre a gerência da mesma.  Mas o aparato regulatório do governo os impede disso.  Apenas em um capitalismo de estado os acionistas são obrigados a aceitar cegamente a gerência de suas empresas, sem poder exercer qualquer controle sobre ela.

Conclusão

Associar livre mercado a mercado financeiro, assim como dizer que um mercado financeiro desregulamentado é um mercado que fortalece os poderosos, não apenas é algo infundado, como também é algo completamente oposto à real natureza das coisas.

Agentes financeiros poderosos, especuladores inescrupulosos e grandes corporações estão totalmente livres para fazer o que bem entenderem, sem o mínimo de respeito às leis, ao investidor e ao consumidor, exatamente naqueles mercados controlados rigidamente pelo governo. 

Nos mercados livres e desregulamentados, quem é soberano é o consumidor, e quem obedece são os empresários.  O governo entra em cena justamente para reverter essa situação.  E é justamente essa atuação do governo que é exigida por aqueles que querem cercear as grandes empresas.  Deixaram o banco de sangue sob os cuidados de vampiros.

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Leia também: Tributação X Regulamentação - O que é pior?


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SOBRE O AUTOR

Leandro Roque
é o editor e tradutor do site do Instituto Ludwig von Mises Brasil.


OFF-TOPPIC: pessoal do IMB, seria possível vocês redigirem um artigo refutando as teorias conspiratórias sobre o Nióbio que abundam desde a época do Enéias? Quinta-feira o Instituto Liberal reiniciou o debate, e seria ótimo se vocês dessem continuidade. Eis o que comentei no website do IL, é o que resumidamente penso do assunto:

"Se há indícios concretos ou, ao menos, motivos para crer que as empresas autorizadas pelo Estado brasileiro a retirarem do solo e comercializarem este metal estão cometendo fraudes de qualquer natureza, em conluio com grupos estrangeiros ou não, a solução é, em se confirmando as irregularidades, rescindir os contratos de permissão em vigor e abrir este mercado para mais empresas interessadas no empreendimento - seja lá de onde elas forem. A que oferecer a melhor barganha leva as jazidas - e paga impostos sobre tudo o que produzir. Elevar o preço na marra? Claro, abusar desta condição de quase monopolista pode funcionar no começo, mas no médio prazo surgirão alternativas de melhor custo-benefício para atender a demanda daqueles insatisfeitos com a situação. Deixar de vender o Nióbio como comodittie e agregar valor ao mineral em nossa indústria da transformação? Seria ótimo, se nosso parque industrial não estivesse parado no tempo desde meados do século passado. Só falta criarem a estatal NIOBRÁS no Brasil, que dará origem ao escândalo do NIOBRÃO. O brasileiro não aprende mesmo: sempre achando que vai encontrar um bilhete premiado no chão e poderá passar o resto da vida bebendo e sambando."
"Tal afirmação nunca foi feita. Em ponto nenhum do artigo. E nem em nenhum outro artigo"

Não me refiro à uma frase ou texto escrito nos artigos do IMB. Estou questionando a percepção daqueles que defendem esse modelo de afrouxamento da terceirização proposto pelo governo, pois essa discussão toda é parte da realidade em que estamos vivenciando. Aliás, não creio que esse artigo seja uma mera exposição teórico-dissertativa acerca do que seria e quais os benefícios de uma terceirização segundo os liberais, muito menos um texto desvinculado da conjectura atual, como você transparece para quem lê. Logo, minha indagação é pertinente, ainda que, o que questiono, não esteja explicitamente escrito no artigo.

Em relação ao artigo linkado, em momento algum vi algo a mostra que abordasse diretamente o problema terceirização-corporativismo privado que eu levantei acima. O que mais se aproxima seria esse trecho:
"Em primeiro lugar, a ideia de que custos menores para empresas é algo ruim. Além do fato de que custos baixos permitem maior acúmulo de capital — o que possibilita mais investimentos e mais contratações —, falta explicar como que custos de contratação menores podem ser ruins para pessoas à procura de emprego."
Sim, não há problema algum em um empresário tentar reduzir seus custos para se adequar a concorrência e auferir maiores lucros. O entrave se encontra, como eu falei, no empresário monopolista que não possui um fator invísivel para motivá-lo à otimizar sua produção. A mão visível do Estado garante que seu produto inevitavelmente será consumido e, com isso, seu lucro será certeiro. Por conseguinte, não há a preocupação constante deste em inovar, melhorar a qualidade, aumentar a produtividade da sua mão de obra. Nesse sentido, a terceirização beneficia esse empresário, justamente por rebaixar seus custos com contratados (temporários ou não) à niveis abaixos daquilo que os empregados produzem, sabendo se que eles estão confortáveis em relação aos processos trabalhistas que enfrentarão (ajudinha estatal). Bem como, estagna ou retarda as inovações, tendo em vista que sua produção atual será adquirida pelos consumidores à um preço "monopolístico" durante um tempo maior que o de uma concorrência que existiria num livre mercado. Ademais, seu produto foi feito empregando mão-de-obra com um ônus muito abaixo daquilo que ela de fato produz. Desse modo, a margem de lucro é gigantesca, sendo que esse lucro pode sim ser revertido em capital para futuras melhoras, o que, na minha opinião, não aflinge ou preocupa de modo algum uma empresa monopolista, pois esta pode facilmente pegar crédito subsidiado de bancos estatais, ou ser empreendido em outros investimentos pessoais e, na minha percepção, fúteis e de pouco potencial de gerar valor no futuro.

ARTIGOS - ÚLTIMOS 7 DIAS

  • Filipe Celeti  10/09/2009 02:14
    ótimo artigo!
  • Marcelo  16/09/2009 22:31
    Ótimo artigo [2]
  • Tiago  19/09/2009 09:58
    Ótimo artigo [3]
  • Daniella Brasil  30/05/2012 19:37
    Este é um dos meus preferidos.
    Great!
  • Allan  31/03/2013 02:28
    Texto espetacular!
  • Bruno  18/10/2013 12:57
    Muito bem escrito, parabéns!
  • Emerson Luis, um Psicologo  20/03/2014 19:39

    Com respeito aos termos, uma boa estratégia é começar com as expressões mais aceitas ("livre-mercado", "liberdade econômica", etc.), reforçar a compreensão e a valorização deles e só então utilizar o termo "capitalismo" explicando que o usa como sinônimo destes. O processo pode demorar minutos ou meses, dependendo do interlocutor.

    * * *
  • Paulo  24/07/2014 17:31
    "Entretanto, há um porém: como eles precisam de todas as informações possíveis, eles precisam recorrer ao "crime" da informação privilegiada (insider trading, no jargão econômico). Insider trading nada mais é do que investir com base em informações que não foram tornadas públicas. E desde que as informações sejam honestamente adquiridas, não há nada de errado com tal procedimento. Bom, mas a CVM não pensa assim — e o insider trading é considerado crime no Brasil desde 2001. O curioso é que, em última instância, todos os investimentos de sucesso são baseados em dados não-públicos. Warren Buffet, por exemplo, não divulga suas análises particulares. O insider trading só é crime por causa das regulamentações que visam coibir as ofertas de compra de ações.

    A coisa é tão bizarra que se você estiver em um restaurante nas imediações da Bovespa, ouvir por acaso uma conversa sobre alguma possível incorporação e comprar uma ação em decorrência da fofoca, você pode ser condenado por crime de insider trading caso essa ação suba quando a incorporação for anunciada. Tal lei não faz nenhum sentido econômico ou moral."


    - E se um especulador coloca espiões para obter informações privilegiadas? E se ele suborna os empregados de uma empresa para tal fim?
  • Roberto  25/07/2014 16:09
    "Insider trading nada mais é do que investir com base em informações que não foram tornadas públicas. E desde que as informações sejam honestamente adquiridas, não há nada de errado com tal procedimento."

    Mas geralmente quem pratica insider trading, adquire as informações de forma desonesta. Pois como obter informações não disponíveis ao público sem recorrer a métodos desonestos (como subornar alguém) para obter estas informações? Ou vc acha que estas informações só são obtidas ouvindo conversas de bar?
  • Davi  08/02/2015 14:09
    Li o artigo e tenho algumas dúvidas honestas. Por "honestas", digo que realmente tenho essas dúvidas (não sou da área, sei pouca coisa e devo estar "viajando" em alguns conceitos) e não estou usando de sarcasmo nem nada do tipo.

    1) O livre-mercado "puro" evitaria o lobby? Mesmo sem a necessidade de "patrocinar" leis econômicas favoráveis, as empresas deixariam de querer ter um certo controle sobre partes do poder do Estado (afinal, o Estado continuaria existindo e tendo determinados poderes. Correto?)? Pergunto isso pois alguns pontos são sensíveis. Exemplo: a ANVISA deixaria de existir? Porque ela fiscaliza, em tese, a qualidade e a viabilidade de determinados itens. Mas sua mera existência pode ser ligada a fatores econômicos. Se o comércio é livre, quem fiscalizará a qualidade ou nocividade? Teria que ser uma terceira parte (uma empresa (ou várias)?). E o que garantiria essa imparcialidade, já que esta empresa(s) também busca(m) lucro? Não poderia haver um cenário de lobby de empresas sobre empresas?

    2) O livre mercado também não poderia gerar mega-carteis e estes monopolizarem o mercado? Se já temos grandes carteis, eles não continuariam a existir ou outros não viriam a se formar e, de qualquer forma, teriam mais alcance e força, matando o "pequeno" dentro do livre comércio?

    3) Com o livre comércio, as empresas poderiam ficar tão grandes e poderosas e passarem a ser um punhado "controlando" (ou seja, vendendo e participando mais) o mercado? Isso não destituiria o pequeno/médio de quaisquer chances de concorrência?

    4) A ideia da formatação própria dos preços sem intervenção estatal daria alguma chance aos pequenos? Afinal, se os grandes começarem a ser cutucados pelos preço e qualidade superiores de alguns pequenos, eles não poderiam correr atrás e lançar produtos ainda melhores (já que conseguem comprar mais quantidade e com maiores descontos), matando os pequenos ou até médios, no mercado?

    Sei que são muitas dúvidas, mas, a quem puder elucidar, ficarei grato! Minha dúvida maior é se o livre-mercado não evoluiria, naturalmente, a algo bem próximo do que já temos. Por isso esses cenários todos.

    =]
  • Leandro  08/02/2015 14:51
    "1) O livre-mercado "puro" evitaria o lobby? Mesmo sem a necessidade de "patrocinar" leis econômicas favoráveis, as empresas deixariam de querer ter um certo controle sobre partes do poder do Estado (afinal, o Estado continuaria existindo e tendo determinados poderes. Correto?)?"

    Daí ser imperativo reduzir ao máximo o tamanho e o escopo do estado.

    Como reduzir o tamanho e o escopo do estado? Reduzindo seus gastos, sua arrecadação e sua capacidade de se endividar. E nem seria necessário criar uma emenda constitucional. Uma simples alteração no funcionamento do Banco Central já seria um grande caminho andado nessa direção.

    Sem isso, nada feito.

    Agora, a partir do momento em que o povo pede por um estado gigantesco, com o poder de se intrometer em tudo e de regular tudo, então é claro que esse estado fará de tudo. E aí é o próprio povo quem vai se estrepar.

    Acreditar que é possível ter um estado gigante mas sensato é tão ilusório quanto acreditar que é possível um maníaco sexual ser comedido em um bordel.


    "Exemplo: a ANVISA deixaria de existir? Porque ela fiscaliza, em tese, a qualidade e a viabilidade de determinados itens."

    Isso é o que você acredita que ela faz, mas não é isso o que a ANVISA realmente faz.

    A ANVISA, que é vinculada ao Ministério da Saúde, existe para proteger as grandes empresas farmacêuticas. A ANVISA impede que novos e mais baratos medicamentos sejam lançados no mercado. Qualquer tentativa de desregulamentação da ANVISA é prontamente combatida pelas grandes empresas farmacêuticas e seus associados, pois a ANVISA existe para protegê-los.

    Com a ANVISA, as grandes empresas farmacêuticas estão protegidas da concorrência. Lembre-se de que a importação de remédios bons e baratos é proibida pela ANVISA.

    Como o estado garante o monopólio das grandes empresas farmacêuticas

    Uma organização criminosa chamada ANVISA


    "Se o comércio é livre, quem fiscalizará a qualidade ou nocividade? Teria que ser uma terceira parte (uma empresa (ou várias)?). E o que garantiria essa imparcialidade, já que esta empresa(s) também busca(m) lucro? Não poderia haver um cenário de lobby de empresas sobre empresas?"

    Quem fiscalizaria? Empresas privadas. E por que elas fiscalizariam corretamente? Porque se fizessem lambança tanto a sua imagem quanto sua lucratividade estariam liquidadas.

    O mercado privado encontra soluções muito superiores para lidar com a fundamental questão da conformidade, segurança e qualidade. Por exemplo, você já deve ter reparado que todos os produtos elétricos e eletrodomésticos contêm um selo da UL (Underwriters Laboratories) ou da CSA, ou da ETL.
    Assim como as outras competidoras, a UL, a mais famosa delas, é uma certificadora privada e independente fundada em 1894, e que certifica cerca de 20.000 produtos diferentes -- eles emitem 20 bilhões de selos por ano.

    Estes selos privados têm credibilidade, pois competem no mercado e dependem de sua reputação (como empresas de mídia) para sobreviver. Uma vida perdida por conta de um produto mal-testado pode significar sua falência. Já o "selo do rei" não tem credibilidade, pois não compete no mercado e sua baixa reputação não o faz perder clientes, justamente por ser um monopólio estatal.

    Artigos sobre isso:

    A bem-sucedida regulação privada

    Regulamentações brasileiras garantem a prosperidade dos vigaristas

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    "2) O livre mercado também não poderia gerar mega-carteis e estes monopolizarem o mercado? Se já temos grandes carteis, eles não continuariam a existir ou outros não viriam a se formar e, de qualquer forma, teriam mais alcance e força, matando o "pequeno" dentro do livre comércio?"

    E como isso ocorreria? Não há nenhum exemplo histórico disso.

    Quem cria cartéis, oligopólios e monopólios é e sempre foi o estado, seja por meio de regulamentações que impõem barreiras à entrada da concorrência no mercado (via agências reguladoras), seja por meio de subsídios a empresas favoritas, seja por meio do protecionismo via obstrução de importações, seja por meio de altos tributos que impedem que novas empresas surjam e cresçam.

    Apenas olhe ao seu redor. Todos os cartéis, oligopólios e monopólios da atualidade se dão em setores altamente regulados pelo governo (setor bancário, aéreo, telefônico, elétrico, televisivo, postos de gasolina etc.).

    E quando não era assim, o que ocorria? Quando o governo não tinha ainda poderes para se intrometer, havia formação de cartel entre os poderosos? Havia "exploração"? Não. O que ocorria era isso.

    Monopólio e livre mercado - uma antítese

    Outros artigos obrigatórios para você sair deste perigoso autoengano:

    Sobre as privatizações (Parte 1)

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    A bem-sucedida regulação privada

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    "3) Com o livre comércio, as empresas poderiam ficar tão grandes e poderosas e passarem a ser um punhado "controlando" (ou seja, vendendo e participando mais) o mercado? Isso não destituiria o pequeno/médio de quaisquer chances de concorrência?"

    Não. Como explicado no primeiro artigo Monopólio e livre mercado - uma antítese, quanto mais uma empresas cresce, mais ineficiente ela se torna, o que abre espaço para a entrada de um concorrente mais enxuto e mais eficiente.

    A única coisa que pode proibir o surgimento de um concorrente enxuto para competir com a empresa grande é governo, seja por meio de regulamentações que impõem barreiras à entrada da concorrência no mercado (via agências reguladoras), seja por meio de subsídios a empresas favoritas, seja por meio do protecionismo via obstrução de importações, seja por meio de altos tributos que impedem que novas empresas surjam e cresçam.


    "4) A ideia da formatação própria dos preços sem intervenção estatal daria alguma chance aos pequenos? Afinal, se os grandes começarem a ser cutucados pelos preço e qualidade superiores de alguns pequenos, eles não poderiam correr atrás e lançar produtos ainda melhores (já que conseguem comprar mais quantidade e com maiores descontos), matando os pequenos ou até médios, no mercado?"

    Isso nunca foi observado na prática, e pelos motivos aqui explicados.

    No entanto, ainda que isso acontecesse, quem seria beneficiado por tudo isso é o consumidor. Aliás, perceba a sua contradição: no item 3, sua preocupação era o cartel e os preços altos. Agora, no item 4, sua preocupação repentinamente passou a ser a concorrência e os preços baixos.
  • Silvio  09/02/2015 00:25
    Nossa, essa resposta vale por um artigo.
  • David Augusto  19/08/2016 18:48
    A grande verdade esta aqui...

    Apenas o Livre Comercio, e o Livre Mercado, é que pode oferecer os melhores produtos, pois é simples, o consumidor é uma das peças centrais do Livre Mercado...

    vamos aos pontos principais:

    Supondo que eu tenho que subsidiar bolachas de morango, ja que elas nao vendem muito, o que eu na pratica, estaria causando? estaria prejudicando bolachas de chocolate, de leite, e salgadas...

    pois se a bolacha de morango vende menos, é porque o CONSUMIDOR assim decidiu, logo, o consumidor prefere bolachas de chocolate, salgadas, ao leite, etc...

    a Venezuela entrou em colapso exatamente por essas interferencias do Estado na Economia, como o fato de ter subsidiado o preço da gasolina durante varios anos... algumas epocas, o subisidio chegava a 85%, ora, quem pagava esses 85%? o governo? não... se as empresas de petroleo precisavam de dinheiro, quem financiava esses 85% eram os outros setores da economia... talvez ate os setores alimenticios, ooops.. faltando comida na Venezuela?

  • Taxidermista  04/01/2017 16:23
    A propósito desse artigo, vale lembrar a obra do Machlup:

    mises.org/library/stock-market-credit-and-capital-formation

    "Economist Fritz Machlup was an early Misesian who wrote this book as an early study in the workings of the business cycle. In particular, he investigates and explains the relationship between expanding credit, monetary policy, and rising stock prices. The German edition was written in 1929 and published in 1930, and proved prophetic in every way. The English edition came out in 1940, with some revisions. It remains the most thorough analysis of stock-market bubbles from the point of view of the Austrian School. It demonstrates that the business cycle can and does affect stock markets and in unusual ways."
  • André  24/03/2017 14:22
    Dois problemas não enfrentados:

    1) Regulação favorece a formação de oligopólios? Sim. Mas ausência de regulação favorece a formação de cartéis.
    2) Existem monopólios e oligopólios naturais, que surgem independentemente das barreiras impostas por estados sobre mercados. Como lidar com esse tipo de situação?
  • Cabral  24/03/2017 14:51

    Como lidar? Estudando mais, pois tudo o que você falou não só é errado, como a realidade é exatamente oposta.

    "ausência de regulação favorece a formação de cartéis"

    Errado. Quem cria cartéis, oligopólios, monopólios e reservas de mercado, garantindo grandes concentrações financeiras, é e sempre foi exatamente o estado, seja por meio de regulamentações que impõem barreiras à entrada da concorrência no mercado (via agências reguladoras), seja por meio de subsídios a empresas favoritas, seja por meio do protecionismo via obstrução de importações, seja por meio de altos tributos que impedem que novas empresas surjam e cresçam.

    Apenas olhe ao seu redor. Todos os cartéis, oligopólios e monopólios da atualidade se dão em setores altamente regulados pelo governo (setor bancário, aéreo, telefônico, elétrico, televisivo, TV a cabo, internet, postos de gasolina etc.).

    Artigos para você sair entender isso:

    A diferença entre iniciativa privada e livre iniciativa - ou: você é pró-mercado ou pró-empresa?

    Grandes empresas odeiam o livre mercado

    Precisamos falar sobre o "capitalismo de quadrilhas"

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    Brasil versus Romênia - até quando nosso mercado de internet continuará fechado pelo governo?

    O estado agigantado gerou o estado oculto, que é quem realmente governa o país

    Empresas grandes, ineficientes e anti-éticas só prosperam em mercados protegidos e regulados

    E você ainda acredita que é o estado quem vai impedir a concentração do mercado, aquela concentração que ele próprio cria e protege?

    "Existem monopólios e oligopólios naturais, que surgem independentemente das barreiras impostas por estados sobre mercados."

    Errado de novo. Não há e nem nunca houve monopólios no livre mercado. Empiria pura. Pode conferir aqui:

    Monopólio e livre mercado - uma antítese

    O mito do monopólio natural


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