Salário mínimo, estupidez máxima
por , sexta-feira, 21 de maio de 2010

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adolescentes.jpgEm um livre mercado, a demanda sempre será em função do preço: quanto maior o preço, menor a demanda.  O que é surpreendente para a maioria dos políticos é que essas regras valem igualmente tanto para os preços quanto para os salários.  Quando os empregadores avaliam suas necessidades de capital e mão-de-obra, o custo é um fator primordial.  Quando o custo de se contratar mão-de-obra pouco qualificada aumenta, vários empregos serão liquidados.  Não obstante tudo isso, aumentos do salário mínimo sempre são vistos como um ato de benevolência governamental.  Nada poderia estar mais distante da verdade.

Quando algum encanamento da nossa casa entope, qual o procedimento padrão que normalmente seguimos? Fazemos um levantamento de preços com vários bombeiros hidráulicos e contratamos aquele que tem o melhor preço.  Se todos os preços forem altos, a maioria de nós irá preferir pegar uma chave inglesa e uma soda cáustica, e fazer o serviço por conta própria.  O mercado de trabalho funciona da mesma forma.  Antes de contratar outro empregado, o empregador precisa estar certo de que esse novo empregado irá trazer um acréscimo de produtividade que exceda esse custo suplementar (o qual inclui não apenas o salário, mas todos os encargos sociais e trabalhistas.) [Para ver os números do Brasil, clique aqui].

Assim, se um trabalhador pouco qualificado for capaz de contribuir com apenas $6 por hora em termos de aumento de produtividade, tal indivíduo estará desempregado caso o salário mínimo seja fixado em $7,25 a hora.

Os trabalhadores pouco qualificados precisam lutar pelo dinheiro do empregador.  E para isso eles têm de disputar tanto com os trabalhadores qualificados quanto com o capital (o maquinário).  Por exemplo, se um trabalhador qualificado cobra $14 a hora para fazer um serviço que dois trabalhadores menos qualificados cobram $6,50 cada, seria economicamente sensato um empregador contratar a mão-de-obra menos qualificada.  Entretanto, se o governo aumentar o salário mínimo para $7,25 a hora, esses trabalhadores menos qualificados serão "precificados para fora" do mercado de trabalho.

É exatamente por causa dessa dinâmica que os sindicatos são ferrenhos defensores das leis do salário mínimo.  Embora nenhum de seus membros receba o salário mínimo, a lei ajuda a protegê-los da concorrência dos trabalhadores menos qualificados.  (Sindicato nada mais é do que isso: um cartel protegido pelo estado e que expulsa do mercado de trabalho aqueles trabalhadores menos qualificados - ao mesmo tempo em que utiliza a retórica da proteção aos desfavorecidos.)

Os empregadores também têm a opção de empregar máquinas ao invés de pessoas.  Por exemplo, um empregador pode contratar uma recepcionista ou investir em um sistema de atendimento automatizado.  Ele fará o que for menos custoso.  Assim, da próxima vez que você estiver gritando obscenidades ao telefone enquanto tenta dialogar com um computador, você já sabe em quem colocar a culpa por sua frustração.

Há vários outros exemplos de empregadores que substituem a mão-de-obra humana pelo maquinário simplesmente porque o salário mínimo deixou os trabalhadores menos qualificados pouco competitivos.  Por exemplo, nos aeroportos, os carregadores de mala foram substituídos pelos carrinhos de mão (embora aqueles ainda existam informalmente).  A principal razão por que os restaurantes fast-food utilizam pratos de papel e utensílios de plástico é para não ter de contratar pessoas para lavá-los.

Como resultado, muitos daqueles trabalhos que exigiam pouca qualificação e que costumavam ser o primeiro degrau da escada do mercado de trabalho foram exterminados do mercado.  Você consegue se lembrar da última vez que um lanterninha o conduziu até seu assento em um cinema escuro?  Qual foi a última vez que alguém - além do indivíduo que fica no caixa - não apenas empacotou suas compras no supermercado, mas também as levou até seu carro?  Por falar nisso, não demorará muito para que os próprios caixas sejam "precificados para fora" do mercado e substituídos por scanners automáticos, fazendo com que você tenha de empacotar suas comprar sem qualquer ajuda.  Você pode até ser capaz disso, mas e as pessoas de mais idade?

O desaparecimento desses empregos traz consequências econômicas e sociais mais amplas.  Os primeiros empregos que conseguimos são um meio de aperfeiçoarmos nossas habilidades, de modo que trabalhadores menos habilidosos possam adquirir experiência e, com isso, oferecer maior produtividade para seus empregadores atuais ou futuros.  À medida que suas habilidades aumentam, o mesmo ocorre com sua capacidade de obter salários maiores.  Entretanto, remova o degrau mais baixo da escada do mercado de trabalho e muitos nunca mais terão a chance de subir nela.

Portanto, quando você mesmo tiver de abastecer seu carro em um posto sob chuva, não pense apenas naquele adolescente que poderia estar fazendo isso pra você; pense também no mecânico que ele poderia ter se tornado, caso as leis do salário mínimo não lhe tivessem negado um emprego.  Vários mecânicos de automóveis aprenderam segredos de seu ofício quando trabalhavam como frentistas.  Entre uma abastecida, uma lavagem e uma calibragem de pneus, eles passavam boa parte de seu tempo auxiliando os mecânicos e aprendendo com eles.  Isso vai acabar.

Como o salário mínimo impede que muitos jovens (inclusive um número desproporcional de minorias) consigam empregos básicos, eles nunca poderão desenvolver as habilidades necessárias para aspirar a empregos que paguem melhores salários.  Como consequência, vários recorrem à criminalidade, enquanto outros recorrem ao assistencialismo governamental. 

Defensores do salário mínimo argumentam que é impossível sustentar uma família quando se vive apenas com um salário mínimo.  Sim, é verdade.  Mas isso é totalmente irrelevante, pois os empregos que pagam salário mínimo não foram feitos para sustentar uma família. 

O certo seria que as pessoas optassem por não iniciar uma família até que estivessem ganhando o suficiente para sustentá-las.  Empregos de baixos salários servem para capacitar os trabalhadores a, com o tempo, adquirirem as habilidades necessárias que os permitirão ganhar salários altos o suficiente para sustentar uma família.  Será que alguém realmente acha que um adolescente que trabalha como entregador de jornal deveria ganhar um salário capaz de sustentar uma família?

A única maneira de se aumentar salários é aumentando a produtividade.  Se os salários pudessem ser aumentados simplesmente por decreto governamental, poderíamos determinar o salário mínimo em $10.000 por mês e todos os problemas estariam resolvidos.  Já deve estar claro para todos que, nesse nível, a maioria da população perderia seus empregos, e a mão-de-obra remanescente seria tão cara que os preços dos bens e serviços iriam disparar.  Este é exatamente o fardo que as leis de salário mínimo impõem aos trabalhadores pobres e pouco qualificados - e, em última instância, a todos os consumidores.

Dado que nossos líderes não conseguem compreender sequer este simples conceito econômico, por que ainda há pessoas que acreditam que eles irão solucionar os problemas econômicos bem mais complicados que nos assombram atualmente?

Peter Schiff 

é o presidente da Euro Pacific Capital e autor dos livros The Little Book of Bull Moves in Bear Markets, Crash Proof: How to Profit from the Coming Economic Collapse e How an Economy Grows and Why It Crashes.  Ficou famoso por ter previsto com grande acurácia o atual cataclisma econômico.  Veja o vídeo.  Veja também sua palestra definitiva sobre a crise americana -- com legendas em português.




38 comentários
38 comentários
Fênix Felipe 21/05/2010 13:27:55

Como diria L.V. Mises - A simples idéia de um salário mínimo é sinal de ignorância máxima. Concordo perfeitamente: Os salários são determinados pela produtividade marginal do trabalho.

Responder
Carlos Alexandre 21/05/2010 15:01:49

PREZADO LEANDRO:\r
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há uma situação curiosa, que não consigo decifrar; cruzando a tabela do site \r
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IndexMundi referentes a existencia ou não de salário mínimo com a tabela do valor do \r
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salário mínimo, constatei que a existencia do piso salarial "puxa" a média salarial \r
\r
para baixo, enquanto nos países sem tal piso, a média salarial é ascendente; como \r
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isso é possível?\r
\r
Um abraço!\r

Responder
Vitor 21/05/2010 15:15:41


Se um empregador está dispoto a pagar 300 reais para seu empregado. E o empregado está de acordo em receber essa quantia. Por que eu não posso pagar? Que coisa ridiciula isso

Responder
Zéh 21/05/2010 16:24:53

Carlos Alexandre:\r
\r
Com salário mínimo, aqueles empregos que pagariam menos em um determinado momento, não poderiam ser exercidos, logo o desemprego aumenta. Ou seja, mais gente disponível para trabalhar, e pela simples lei da oferta e da demanda... quanto mais oferta(desempregados) existir, menor será o valor desse "bem"... E como a demanda(empregadores) não pode absorver toda essa oferta, o preço cai ainda mais.\r
\r
Sem a lei de salário mínimo, menos gente fica desempregada, o que significa que o valor do trabalho aumenta, porque existe uma escassez de mão de obra, então os salários são maiores.\r
\r
Tão simples, tão óbvio... e os governos ignoram isso...

Responder
Joao 05/04/2013 02:32:07

exatamente esse comentario que eu precisava, pra matar a questão.

Responder
Zéh 21/05/2010 16:27:02

A lei do salario mínimo não só faz a "manutenção" do desemprego como impossibilita que os salários aumentem também.

Responder
Helio 21/05/2010 20:35:10

Não dá para não lembrar do saudoso O. Rocha, presidente da Fonft Holding, além de produtor, diretor, roteirista e ator da Fonft Filmes. Long live Olavo.\r
\r
www.youtube.com/watch?v=59ScsREVjPY

Responder
Angelo 21/05/2010 21:13:41

Nas economias planificadas, onde o governo em tudo se mete catastroficamente, os contratos entre duas pessoas, o trabalhador e o patrão, em verdade, são celebrados entre três agentes. Pois o governo é o terceiro elemento a "proteger o trabalhador" contra a sanha lucrativa do empregador. Claro que só causa desastres. Nosso FGTS é uma poupança sequestrada a baixos rendimentos, nossa aposentadoria pública será uma esmola. O salário mínimo é só mais uma das "leis sociais" que em nada protegem quem produz. Ouço amigos o dia todo dizerem: "O governo deveria fazer uma lei para...". E imaginem as opções de complemento desta frase, Nenhuma delas traduz-se em mais ganho real a quem trabalha e produz. Somente eleva o custo e o tamanho da burocracia que nos desemprega e nos desqualifica, emperrando quem imagine ter um negócio próprio. Estes sim, nas eleições, encontram políticos sedentos por seus votos, que lhes retribuirão com mais mentiras econômicas, criando dinheiro, mas não poder de compra ao povo. Quando leio os artigos aqui publicados fico imaginando que milhares de pessoas possam tê-los lido e compreendido. Porém logo em seguida caio na real, vendo que pouquíssimos têm real interesse em debates do tipo, ou em qualquer debate de qualquer tipo. As pessoas não têm mais dúvidas quanto aos atos desastrosos praticados por políticos; aceitam-lhes passivamente. Pagam caro para não te de pensar nem de se incomodar com nada.

Responder
Paulo Jose 21/05/2010 23:06:33

Angelo:

Realmente é desesperador pensar o quanto nadamos contra a maré lendo e discutindo sobre um mundo onde o mercado é livre do governo.

A meu ver o federalismo em nivel estadual, municipal ou até menor seria um dos unicos caminhos. Onde um número relevante de pessoas esclarecidas resolva lutar pela liberdade num nível mais local. Pensar no federal em nosso país desanima, muita gente sem cultura pra pesar na balança. Democracia é ilusão.

Responder
Carlos Assumpção 21/05/2010 23:29:04


Atualmente estou na Argentina estudando, aqui o salário minimo é de 1.500 pesos, segundo dados de Janeiro de 2010, ou seja aproximadamente R$750 ou US$ 385. Aqui perto da onde moro tem um Carrefour, aonde faço minhas compras e é o único supermercado do bairro. O que me chamou atenção são as filas que encontro nos caixas e a quantidade limitada de caixas trabalhando.
É visível a necessiade de mais pessoas para agilizar o serviço, porque muitas vezes as filas estão até o meio do supermercado, maior que as filas encontradas nos supermercados do Brasil.
O Carrefour é uma das maiores redes de supermercado, e com certeza preza pelo atendimento do seu cliente. Com certeza haveriam mais caixas atendendos se não houvesse uma legislação com um salário mínimo.


Responder
Carlos Alexandre 22/05/2010 12:26:19

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Prezado Zéh:\r
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obrigado pela resposta. Um abraço.

Responder
Daniel M. 23/05/2010 17:49:36

Não deixem de ler a "Época" desta semana. A capa apresenta a seguinte pergunta: por que tudo é tão caro no Brasil? A resposta é inequívoca: impostos, impostos, impostos.
Atenção: ao lerem a reportagem, tomem um Engov antes e outro depois. Os números apresentados pela revista embrulham o estômago de qualquer um. Acredito que "Época" prestou um grande serviço à causa da liberdade.

Responder
mcmoraes 24/05/2010 20:58:29

Hélio,

Muito obrigado pela indicação do vídeo da Fonft! Encaminhei hoje para as listas de discussão de graduação, mestrado e doutorado da minha faculdade e recebi a seguinte resposta de um entre as centenas de alunos cadastrados nas listas, com cópia para o responsável pelas listas de discussão:

"Olha, acho que usar a lista de doutorado pra SPAM não é permitido pelas regras do
instituto. Especialmente SPAM eleitoral.
Seria bom cortarmos o mal pela raiz antes que vire zona de guerra o que deveria ser um
fórum de discussão científico.

Minha pequena cota agradece."

Pelo conteúdo claramente ignorante, preconceituoso e socialista da resposta, dá pra ver que o vídeo já começou a surtir efeito :)

Responder
Chang Tsai 27/08/2010 12:39:42

E pensar que o candidato à presidência José Maria de Almeida, do PSTU, defende o salário mínimo em R$ 2.500,00 huahuahuahuahua... na sua candidatura em 2006 ele defendeu R$ 1.500,00. Que piada! E qual empregador estaria disposto a bancar tudo isso? Os socialistas mais extremos sempre acabam viajando na utopia kkkkk.... só sabem olhar as coisas sob a ótica do trabalhador e sempre acham que empresários são meros burgueses que não trabalham... eu e o meu irmão somos sócios numa empresa e trabalhamos muito mais que qualquer funcionário que temos aqui... somos os primeiros a chegar e os últimos a sair... inclusive trabalhamos fins de semana e feriados se precisar... certos conceitos nem servem mais para os dias de hoje... Marx morreu faz muito tempo!!!! Abram os olhos viúvas de Marx...

Responder
Helio 27/08/2010 17:55:47

mcmoraes, com certeza surtiu efeito, o raciocínio não tem falhas. O argumento do gestor da lista para vetar o video (conteúdo político) revela bastante sobre a honestidade intelectual dele.

Responder
Fernando Chiocca 27/08/2010 18:05:09

Chang, este candidato é um explorador! Quem consegue viver com R$2.500? O salário mínimo tem que ser R$ 20.000! Assim a pobreza acaba de vez, heheheh (por que não?)

E na verdade Marx se posicionava contra leis trabalhistas de salário mínimo, de diminuição de horas de trabalho e de qualquer uma que pretendesse melhorar as condições dos trabalhadores. Ele considerava que estes esforços não só eram em vão, como também trabalhavam contra os interesses dos proletários, pois apenas atrasavam o inexorável surgimento do socialismo, que surgiria, segundo ele, quando o capitalismo atingisse seu auge e se tornasse insustentável.

Responder
Paulo 28/02/2013 13:59:12

Interessante tema. Mas meu parco conhecimento a respeito ainda me deixa em cima do muro sobre a vantagem ou desvantagem dum salário mínimo. Por exemplo, deu-se aqui um exemplo das filas dos caixas de supermercado, sustentou-se que se não houvesse salário mínimo elas tenderiam a diminuir, aceitando que assim se contrataria mais gente. Mas aí a coisa começa a se complicar pra mim. Contrataria mais por quê? Porque poderia pagar qualquer coisa a preço de banana? E o trabalhador, tendo que trabalhar, veria-se obrigado a aceitá-lo? Admitindo boa-fé por parte do empregador e bons lucros devido a grande demanda, não havendo salário mínimo, o que garantiria que ele pagasse um pagamento justo?

Sem dúvida, um tema obscuro pra mim.

Responder
Ricardo 28/02/2013 14:17:09

O que é um "pagamento justo"? Quem define a justiça de um pagamento? Por que um indivíduo que não efetua um trabalho essencial e produtivo merece um alto pagamento? O que seria um pagamento justo para tal pessoa?

Como, enfim, dissociar "pagamento justo" da produtividade e da importância de um trabalho?

Responder
Eduardo Pimenta 28/02/2013 14:47:05

Uma contratação é um livre acordo de vontade entre as partes.
O empresário oferece um salário que ele considera justo. Se alguém aceitar, é porque esse salário é justo para essa pessoa também. Se ninguém aceitar, o empresário terá que oferecer algo mais atraente. Ninguém é forçado a trabalhar.
Se muitas pessoas estão aceitando um salário "injusto" e o empresário está lucrando os tubos, pode apostar que logo aparecerá um concorrente querendo entrar na festa. O concorrente poderá roubar os caixas já experientes, oferecendo melhores benefícios.
Infelizmente, isso nem sempre acontece por causa das dificuldades impostas à entrada no mercado.

Responder
Bruno 09/01/2014 19:45:57

O exemplo dos caixas de supermercado: diz-se ter poucos pois o salário mínimo é alto. Eu digo que tem poucos pois o dono do Carrefour quer lucrar demasiado (tenho certeza que o próprio conceito vai parecer revoltante aqui). Ou alguém acha que ele teria prejuízo algum líquido se contratasse o dobro de atendentes a um salário mínimo? Nunca. Só ganharia menos, e isso caso o aumento na qualidade do serviço que ele presta não aumentasse de fato seu número de clientes.

Se um contrato é um acordo no qual ambas as partes estão de acordo, a parte que ganharia 300 reais por mes pra ficar oito horas de pé empacontando suas compras só estaria de acordo pq ele(a) precisa SIM trabalhar. Desesperadamente.

Defender a não existência de um salário mínimo só pode ter como fim uma maior exploração das pessoas.

Responder
Rômulo 09/01/2014 20:08:44

"Eu digo que tem poucos pois o dono do Carrefour quer lucrar demasiado (tenho certeza que o próprio conceito vai parecer revoltante aqui)".

Nossa, que descoberta!

Ele claro que ele quer lucrar. Deixa eu lhe contar um segredo que vai fazer você cair de costas: toda e qualquer pessoa que faz um empreendimento quer lucrar o máximo possível.

Até mesmo você -- que suponho ser demasiadamente altruísta -- quer lucrar quando sai a procura de aumentos salariais. O problema é que o inferno sempre são os outros. Quando nós queremos lucrar, é algo perfeitamente natural; quando são os outros, aí é ganância.

"Ou alguém acha que ele teria prejuízo algum líquido se contratasse o dobro de atendentes a um salário mínimo? Nunca."

Sabe de uma coisa? Se ele está empregando gente no caixa, então ele está deixando de lucrar. Se ele instalasse ali uma máquina, seu lucro seria ainda maior.

E sabe o que o impede de substituir a mão-de-obra humana por máquinas? As taxas de juros altas. Se as taxas de juros fossem mais baixas, ele substituiria homens por máquinas.

Ficou confuso? Pois leia este trecho deste artigo:

"Tanto nos EUA quanto na Europa está havendo uma tendência de se substituir atendentes nos caixas de supermercados por máquinas de autoatendimento que permitem aos fregueses escanear o código de barra de seus produtos e fazer o pagamento por conta própria. Trata-se de mais um caso de trabalho humano sendo substituído por máquinas. Uma análise superficial diria que isso é um mero sinal dos tempos, uma consequência inevitável do progresso tecnológico. No entanto, tal fenômeno não é apenas uma consequência da tecnologia.

O gasto com a aquisição das máquinas, o capital que o administrador do supermercado deixa de investir em outras áreas para poder adquirir as máquinas, os juros que ele tem de pagar sobre os empréstimos contraídos para adquirir as máquinas, e todos os potenciais prejuízos futuros decorrentes do manuseio inapropriado das máquinas pelos clientes do supermercado -- ou até mesmo o possível aumento do roubo de itens do supermercado em decorrência da menor quantidade de empregados para vigiar os clientes -- terão de ser comparados à redução de custo permitida pela redução do emprego de pessoas nos caixas do supermercado.

No atual cenário de juros forçosamente baixos, este cálculo econômico parece estar a favor das máquinas. Afinal, quanto menores os juros, maior o incentivo para se contrair empréstimos para financiar a aquisição de máquinas para substituir o trabalho humano. Este desemprego diretamente causado pela manipulação dos juros é certamente uma consequência inesperada de uma política monetária expansionista."

www.mises.org.br/Article.aspx?id=1400

Responder
Bruno 09/01/2014 20:50:23

Sem lucro não tem empreendimento, isso é obvio. Que todos querem lucrar o máximo possível, também é obvio. Mas não é possível. O meu ponto foi que ele não tera prejuízo contratando mais, no sentido de gastar mais do que ganha, e isso é fato.
Querer lucrar não é ganância em ninguém. Ganância é ganância. Ganância é ter um lucro líquido no final do mês de 60 mil, 6 milhoes, 60 milhoes e achar que precisa de mais, que não pode gastar mais em recursos humanos, que não pode lucrar menos no mês seguinte, que paga muito pagando salário mínimo que não sustenta, não uma famíla como o artigo diz, mas nem uma única pessoa.

Sua citação só deixa mais claro a desassociação com a realidade que esse tipo de empreendendor mostra: só é perfeitamente plausível fazer as contas na ponta do lápis entre um ser humano operando um caixa e um robô quando você não tem a mínima consideração pela capacidade e pelo valor de um ser humano. Não é fudamentalismo do século XVII, máquinas são superiores pra todo tipo de trabalho bruto, perigoso, altamente preciso, em condições adversas. Não para receber uma pessoa, dar bom dia e oferecer uma oferta especial. Isso é incabível, a não ser um futuros distópicos. Não to dizendo que a substituição não vá acontecer um dia. Só que algo extremamente doente.

Responder
Rômulo 10/01/2014 05:55:00

"O meu ponto foi que ele não tera prejuízo contratando mais, no sentido de gastar mais do que ganha, e isso é fato."

Você não sabe do que fala. Supermercados estão entre os empreendimentos com as menores margens de lucro da economia (média histórica de 1,9%; passar de 2,5% é coisa raríssima). Num cenário assim, é total imbecilidade o empreendedor se dar ao luxo de sair fazendo caridade, contratando mais gente desnecessariamente e dando aumentos salariais a rodo.

"Ganância é ter um lucro líquido no final do mês de 60 mil, 6 milhoes, 60 milhoes e achar que precisa de mais, que não pode gastar mais em recursos humanos,"

Quem é você pra sair especificando qual é o valor certo para o lucro líquido? Você por acaso sabe qual foi o montante investido em cada empreendimento? Se um cidadão investe $1 bilhão e sai dando empregos para milhares de pessoas, um lucro líquido de $60 milhões representa uma taxa de retorno de 6%, menos que a caderneta de poupança.

Ou seja, segundo você, seria mais "humano" o cara deixar o dinheiro na poupança e não empreender nada, de forma a não gerar empregos para ninguém, pois o eventual lucro dele seria ofensivo para você.

Deixe de panfletagem ideológica e se informe minimamente antes de sair pontificando bobagens em tons professorais.

"que paga muito pagando salário mínimo que não sustenta, não uma famíla como o artigo diz, mas nem uma única pessoa."

Você não leu este trecho do artigo? "Defensores do salário mínimo argumentam que é impossível sustentar uma família quando se vive apenas com um salário mínimo. Sim, é verdade. Mas isso é totalmente irrelevante, pois os empregos que pagam salário mínimo não foram feitos para sustentar uma família.

O certo seria que as pessoas optassem por não iniciar uma família até que estivessem ganhando o suficiente para sustentá-las. Empregos de baixos salários servem para capacitar os trabalhadores a, com o tempo, adquirirem as habilidades necessárias que os permitirão ganhar salários altos o suficiente para sustentar uma família. Será que alguém realmente acha que um adolescente que trabalha como entregador de jornal deveria ganhar um salário capaz de sustentar uma família?"
Estude, cidadão.

Responder
Bruno 10/01/2014 12:02:21

Se a margem de lucro do empreendimento é baixa, cabe ao investidor inovar em marketing, buscar fornecedores alternativos, conhecer melhor sua clientela pra oferecerer as ofertas certas, fazer todas as coisas que nós somos capazes de fazer, mas não ter dez caixas vazios e dois funcionando.

Se eu dei vários valores é justamente pra não entrar no mérito de quanto cada valor representa proporcionalmente pra cada situação; de qualquer forma, são todos valores acima da média do que uma família precisa pra viver, e extremamente acima do que a grande maioria recebe. O gerador de empregos, empulsionador de economia, merece uma fatia maior? Acredito que sim. Só questiono quão maior.

Você leu o que escrevi? Não se trata de uma família. Um salário mínimo hoje não sustenta uma pessoa sozinha na maioria das cidades do Brasil.

Responder
Juliano 10/01/2014 12:14:57

Em última instância, quem define a quantidade de caixas ou funcionários é o cliente do supermercado, não seu dono. Se o público realmente quisesse pagar um pouco mais para ter mais caixas, qualquer dono de supermercado que satisfizesse esse desejo teria uma vantagem competitiva.

É óbvio que um número maior de caixas torna o custo da compra um pouco maior. Cabe ao público "votar" se quer esse conforto. E não precisa ser apenas um modelo. Existem aqueles supermercados que são um pouco mais caros, mas que fornecem serviços melhores - inclusive na quantidade de funcionários - e há aqueles que cobram menos e são menos generosos nos serviços. Cada um escolhe - e paga - pelo serviço que prefere. Os funcionários do supermercado são pagos pelos clientes para lhes servir. O dono do supermercado é só o encarregado de descobrir esse número mágico de quantos funcionários seus clientes querem e gerenciar o processo.

A única coisa que o governo consegue fazer é atrapalhar esse arranjo. A gasolina do processo é o desejo irracional da maioria das pessoas, que querem a maior quantidade possível de funcionários ao seu dispor sem imaginar que isso vai trazer um impacto no custo. Ao limitar o valor mínimo para o salário, o governo coloca um limite mínimo para custos com mão de obra. Quanto maior for o valor, menos pessoas serão contratadas. Quanto maior for o custo com mão de obra, maior será o preço final dos produtos nas prateleiras. Ao multar supermercados por deixar as pessoas esperando por muito tempo, o que o governo faz é tirar a opção de mercadorias mais baratas por um pouco mais de desconforto.

Responder
Luciano 28/02/2013 18:49:00

O problema da especulação do texto é que ela não leva em consideração que, com excedente de força de trabalho, a não imposição de um salário mínimo levaria à condições trabalhistas equivalentes à da revolução industrial.
O exemplo do caixa de supermercado é engraçado porque demonstra quão pequeno burguês são alguns leitores do site. Qual a importância do tamanho da fila do caixa de supermercado em comparação com o valor recebido pelo trabalho de uma pessoa? Você cortaria 15 minutos de espera no supermercado mesmo sabendo que em troca alguma pessoa de meia-idade que trabalharia por um valor "abaixo" do mínimo no caixa poderia não ter dinheiro para comprar seus remédios no fim do mês?

Responder
Sidnei 05/04/2013 17:43:25

www.cepr.net/documents/publications/min-wage-2013-02.pdf

Olá pessoal, o que me dizem desse estudo? O que vocês falam tem muito sentido, mas sei lá, às vezes fico inseguro diante de publicações como essas. Espero que alguém dê uma comentada.
Abs

Responder
Leandro 05/04/2013 17:51:04

Um comparativo entre a evolução salário mínimo e a evolução do emprego estará totalmente incompleto se você não levar em conta a evolução da quantidade de dinheiro na economia.

O Brasil é um bom exemplo disso. Como mostra o gráfico 3 deste artigo, a quantidade de dinheiro na economia brasileira quase que triplicou (aumentou 2,7 vezes) desde janeiro de 2006. Se a quantidade de dinheiro aumenta mais do que o aumento de preços, o volume de gastos também tende a aumentar, o que significa que o desemprego tende a cair.

No caso específico brasileiro, essa quase triplicação da quantidade de dinheiro na economia estimulou o aumento do emprego porque a maior quantidade de dinheiro reduz o custo real dos encargos sociais e trabalhistas -- ao menos temporariamente, enquanto os preços crescem menos que o crescimento da oferta monetária.

A análise que diz que aumento do salário mínimo gera desemprego pressupõe uma oferta monetária razoavelmente constante. Porém, se por um conjunto excepcional de circunstâncias, a oferta monetária cresce muito mais do que os preços, não há nenhum motivo para um aumento do salário mínimo gerar desemprego.

Grande abraço!

Responder
Sidnei 06/04/2013 00:58:32

Faz sentido, obrigado pela explicação!
Abraço

Responder
Jose Claudio 05/06/2013 15:37:49

Um problema do site que é de interesse de vocês: esse artigo está marcado com a tag "Salário mínimo", mas quando eu clico nesse link, a página (www.mises.org.br/SearchByTag.aspx?tag=Sal%C3%A1rio-m%C3%ADnimo) diz que nenhum registro foi encontrado em nenhum lugar.

Tem algo errado aí, e consertar vai ajudar muito...

Acho que já disse antes, mas nunca é demais: parabéns pelo site. Fundamental pra entender o mundo.

Responder
Leandro 05/06/2013 15:51:18

Prezado , essas tags já foram desativados há um bom tempo. Apenas os artigos mais antigos as mantêm. Obrigado pelo aviso e pelos elogios.

Grande abraço!

Responder
The inquisitor 07/01/2014 20:38:21

Pelo FB, uma pessoa expôs os seguintes argumentos. Fiquei sem resposta:

"então como explicar o emprego pleno de hj?

A sua teoria fura quando se esquece de que aumentar a produtividade implica apenas em lucrar mais em cima das costas do trabalhador e não em um aumento do salário.

os empresários não aumentam salários baseado na receita, mas sim baseado na escassez e na disputa com sindicatos.

então, se o governo avaliar que a produtividade mínima de um trabalhador no nivel tecnológico atual é de X reais, ele colocará o salário mínimo próximo desse X. Assim garante a quantidade de empregos e não permite uma super-exploração que retira gente do mercado consumidor - e consequentemente do emprego, uma vez que quem não tem verba pra sobreviver não fica muito tempo no emprego e decide entrar para o crime ou para a informalidade."

Responder
Leandro 07/01/2014 21:44:38

Um comparativo entre a evolução salário mínimo e a evolução do emprego estará totalmente incompleto se você não levar em conta a evolução da quantidade de dinheiro na economia, a qual, por sua, gerada pela expansão do crédito.

Se a quantidade de dinheiro aumenta mais do que o aumento de preços, o volume de gastos também tende a aumentar, o que significa que o desemprego tende a cair.

No caso específico brasileiro, a expansão do crédito ocorrida desde 2004 estimulou o aumento do emprego porque a maior quantidade de dinheiro reduz o custo real dos encargos sociais e trabalhistas -- ao menos temporariamente, enquanto os preços crescem menos que o crescimento da oferta monetária.

A análise que diz que aumento do salário mínimo gera desemprego pressupõe uma oferta monetária razoavelmente constante. Porém, se por um conjunto excepcional de circunstâncias, a oferta monetária cresce muito mais do que os preços, não há nenhum motivo para um aumento do salário mínimo gerar desemprego.

Responder
Rodrigo 17/01/2014 18:13:42

Leandro, você disse que o aumento de quantidade de dinheiro reduz o desemprego, efetivamente contrapondo os prejuízos que seriam causados por um salário mínimo.

No entanto, me veio a cabeça um questionamento: com qual frequência cenários em que há grande oferta monetária ocorrem? Esse cenário pode ser manipulado pelo governo?

O que me ocorreu é que se a oferta generosa for algo frequente, ou manipulável, então o salário mínimo realmente não é um problema significativo na maioria das vezes. Porém se esse não for o caso e a oferta monetária só for grande em exceções, daí sim haveria o prejuízo.

Basicamente, se Oferta Monetária Grande ocorre em >50% do tempo, prejuízo do SM não é tão significativo.

Espero que tenha compreendido, e aguardo resposta.

Responder
Leandro 17/01/2014 20:03:29

"com qual frequência cenários em que há grande oferta monetária ocorrem? Esse cenário pode ser manipulado pelo governo?"

Não entendi muito bem. A oferta monetária é expandida diariamente pelo setor bancário em conjunto com o Banco Central. A cada dia que passa, a oferta monetária total é maior do que a oferta monetária do dia anterior. Sendo assim, esse sua pergunta sobre a "frequência de cenários em que há grande oferta monetária" não faz sentido. A oferta monetária é sempre crescente.

O que varia é o ritmo em que ela cresce. Quanto mais rapidamente ela crescer, menores serão os efeitos negativos de um aumento do salário mínimo, pois a maior quantidade de dinheiro tende a reduzir o custo real dos encargos sociais e trabalhistas -- ao menos temporariamente, enquanto os preços crescerem menos do que o crescimento da oferta monetária.

"O que me ocorreu é que se a oferta generosa for algo frequente, ou manipulável, então o salário mínimo realmente não é um problema significativo na maioria das vezes. Porém se esse não for o caso e a oferta monetária só for grande em exceções, daí sim haveria o prejuízo."

De novo, esse raciocínio não faz sentido. O que seria "a oferta monetária ser grande em exceções"? Oferta monetária é algo que está sempre crescendo. Continuamente. Varia apenas o ritmo do crescimento.


Recomendo estes dois artigos:

www.mises.org.br/Article.aspx?id=1387
www.mises.org.br/Article.aspx?id=1767

Responder
Emerson Luis, um Psicologo 03/06/2014 14:13:02


Além de tudo, o salário mínimo é um indexador. As pessoas são tão acostumadas com a existência de um salário mínimo que não conseguem imaginar como poderia ser melhor sem ele.

* * *

Responder
anônimo 20/10/2014 23:43:31

Dúvida que eu tenho:

Por que o salário mínimo REAL aumentou desde o plano real sem haver um aumento no desemprego?

Responder
Leandro 21/10/2014 10:44:26

Um comparativo entre a evolução salário mínimo e a evolução do emprego estará totalmente incompleto se você não levar em conta a evolução da quantidade de dinheiro na economia.

E justamente o Brasil é um bom exemplo disso. Como mostra esse artigo, a quantidade de dinheiro na economia brasileira aumentou 7 vezes desde janeiro de 2004. Essa explosão da quantidade de dinheiro na economia estimulou o aumento do emprego porque a maior quantidade de dinheiro reduz o custo real dos encargos sociais e trabalhistas -- ao menos temporariamente, enquanto os preços crescem menos que o crescimento da oferta monetária.

A análise que diz que aumento do salário mínimo gera desemprego pressupõe uma oferta monetária razoavelmente constante. Porém, se por um conjunto excepcional de circunstâncias, a oferta monetária cresce muito mais do que os preços, não há nenhum motivo para um aumento do salário mínimo gerar desemprego.

De resto, o artigo linkado acima também explica por que o desemprego está aparentemente baixo.

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