Salário mínimo, estupidez máxima
por , sexta-feira, 21 de maio de 2010

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adolescentes.jpgEm um livre mercado, a demanda sempre será em função do preço: quanto maior o preço, menor a demanda.  O que é surpreendente para a maioria dos políticos é que essas regras valem igualmente tanto para os preços quanto para os salários.  Quando os empregadores avaliam suas necessidades de capital e mão-de-obra, o custo é um fator primordial.  Quando o custo de se contratar mão-de-obra pouco qualificada aumenta, vários empregos serão liquidados.  Não obstante tudo isso, aumentos do salário mínimo sempre são vistos como um ato de benevolência governamental.  Nada poderia estar mais distante da verdade.

Quando algum encanamento da nossa casa entope, qual o procedimento padrão que normalmente seguimos? Fazemos um levantamento de preços com vários bombeiros hidráulicos e contratamos aquele que tem o melhor preço.  Se todos os preços forem altos, a maioria de nós irá preferir pegar uma chave inglesa e uma soda cáustica, e fazer o serviço por conta própria.  O mercado de trabalho funciona da mesma forma.  Antes de contratar outro empregado, o empregador precisa estar certo de que esse novo empregado irá trazer um acréscimo de produtividade que exceda esse custo suplementar (o qual inclui não apenas o salário, mas todos os encargos sociais e trabalhistas.) [Para ver os números do Brasil, clique aqui].

Assim, se um trabalhador pouco qualificado for capaz de contribuir com apenas $6 por hora em termos de aumento de produtividade, tal indivíduo estará desempregado caso o salário mínimo seja fixado em $7,25 a hora.

Os trabalhadores pouco qualificados precisam lutar pelo dinheiro do empregador.  E para isso eles têm de disputar tanto com os trabalhadores qualificados quanto com o capital (o maquinário).  Por exemplo, se um trabalhador qualificado cobra $14 a hora para fazer um serviço que dois trabalhadores menos qualificados cobram $6,50 cada, seria economicamente sensato um empregador contratar a mão-de-obra menos qualificada.  Entretanto, se o governo aumentar o salário mínimo para $7,25 a hora, esses trabalhadores menos qualificados serão "precificados para fora" do mercado de trabalho.

É exatamente por causa dessa dinâmica que os sindicatos são ferrenhos defensores das leis do salário mínimo.  Embora nenhum de seus membros receba o salário mínimo, a lei ajuda a protegê-los da concorrência dos trabalhadores menos qualificados.  (Sindicato nada mais é do que isso: um cartel protegido pelo estado e que expulsa do mercado de trabalho aqueles trabalhadores menos qualificados - ao mesmo tempo em que utiliza a retórica da proteção aos desfavorecidos.)

Os empregadores também têm a opção de empregar máquinas ao invés de pessoas.  Por exemplo, um empregador pode contratar uma recepcionista ou investir em um sistema de atendimento automatizado.  Ele fará o que for menos custoso.  Assim, da próxima vez que você estiver gritando obscenidades ao telefone enquanto tenta dialogar com um computador, você já sabe em quem colocar a culpa por sua frustração.

Há vários outros exemplos de empregadores que substituem a mão-de-obra humana pelo maquinário simplesmente porque o salário mínimo deixou os trabalhadores menos qualificados pouco competitivos.  Por exemplo, nos aeroportos, os carregadores de mala foram substituídos pelos carrinhos de mão (embora aqueles ainda existam informalmente).  A principal razão por que os restaurantes fast-food utilizam pratos de papel e utensílios de plástico é para não ter de contratar pessoas para lavá-los.

Como resultado, muitos daqueles trabalhos que exigiam pouca qualificação e que costumavam ser o primeiro degrau da escada do mercado de trabalho foram exterminados do mercado.  Você consegue se lembrar da última vez que um lanterninha o conduziu até seu assento em um cinema escuro?  Qual foi a última vez que alguém - além do indivíduo que fica no caixa - não apenas empacotou suas compras no supermercado, mas também as levou até seu carro?  Por falar nisso, não demorará muito para que os próprios caixas sejam "precificados para fora" do mercado e substituídos por scanners automáticos, fazendo com que você tenha de empacotar suas comprar sem qualquer ajuda.  Você pode até ser capaz disso, mas e as pessoas de mais idade?

O desaparecimento desses empregos traz consequências econômicas e sociais mais amplas.  Os primeiros empregos que conseguimos são um meio de aperfeiçoarmos nossas habilidades, de modo que trabalhadores menos habilidosos possam adquirir experiência e, com isso, oferecer maior produtividade para seus empregadores atuais ou futuros.  À medida que suas habilidades aumentam, o mesmo ocorre com sua capacidade de obter salários maiores.  Entretanto, remova o degrau mais baixo da escada do mercado de trabalho e muitos nunca mais terão a chance de subir nela.

Portanto, quando você mesmo tiver de abastecer seu carro em um posto sob chuva, não pense apenas naquele adolescente que poderia estar fazendo isso pra você; pense também no mecânico que ele poderia ter se tornado, caso as leis do salário mínimo não lhe tivessem negado um emprego.  Vários mecânicos de automóveis aprenderam segredos de seu ofício quando trabalhavam como frentistas.  Entre uma abastecida, uma lavagem e uma calibragem de pneus, eles passavam boa parte de seu tempo auxiliando os mecânicos e aprendendo com eles.  Isso vai acabar.

Como o salário mínimo impede que muitos jovens (inclusive um número desproporcional de minorias) consigam empregos básicos, eles nunca poderão desenvolver as habilidades necessárias para aspirar a empregos que paguem melhores salários.  Como consequência, vários recorrem à criminalidade, enquanto outros recorrem ao assistencialismo governamental. 

Defensores do salário mínimo argumentam que é impossível sustentar uma família quando se vive apenas com um salário mínimo.  Sim, é verdade.  Mas isso é totalmente irrelevante, pois os empregos que pagam salário mínimo não foram feitos para sustentar uma família. 

O certo seria que as pessoas optassem por não iniciar uma família até que estivessem ganhando o suficiente para sustentá-las.  Empregos de baixos salários servem para capacitar os trabalhadores a, com o tempo, adquirirem as habilidades necessárias que os permitirão ganhar salários altos o suficiente para sustentar uma família.  Será que alguém realmente acha que um adolescente que trabalha como entregador de jornal deveria ganhar um salário capaz de sustentar uma família?

A única maneira de se aumentar salários é aumentando a produtividade.  Se os salários pudessem ser aumentados simplesmente por decreto governamental, poderíamos determinar o salário mínimo em $10.000 por mês e todos os problemas estariam resolvidos.  Já deve estar claro para todos que, nesse nível, a maioria da população perderia seus empregos, e a mão-de-obra remanescente seria tão cara que os preços dos bens e serviços iriam disparar.  Este é exatamente o fardo que as leis de salário mínimo impõem aos trabalhadores pobres e pouco qualificados - e, em última instância, a todos os consumidores.

Dado que nossos líderes não conseguem compreender sequer este simples conceito econômico, por que ainda há pessoas que acreditam que eles irão solucionar os problemas econômicos bem mais complicados que nos assombram atualmente?

Peter Schiff 

é o presidente da Euro Pacific Capital e autor dos livros The Little Book of Bull Moves in Bear Markets, Crash Proof: How to Profit from the Coming Economic Collapse e How an Economy Grows and Why It Crashes.  Ficou famoso por ter previsto com grande acurácia o atual cataclisma econômico.  Veja o vídeo.  Veja também sua palestra definitiva sobre a crise americana -- com legendas em português.




56 comentários
56 comentários
Fênix Felipe 21/05/2010 13:27:55

Como diria L.V. Mises - A simples idéia de um salário mínimo é sinal de ignorância máxima. Concordo perfeitamente: Os salários são determinados pela produtividade marginal do trabalho.

Responder
Carlos Alexandre 21/05/2010 15:01:49

PREZADO LEANDRO:\r
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\r
há uma situação curiosa, que não consigo decifrar; cruzando a tabela do site \r
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IndexMundi referentes a existencia ou não de salário mínimo com a tabela do valor do \r
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salário mínimo, constatei que a existencia do piso salarial "puxa" a média salarial \r
\r
para baixo, enquanto nos países sem tal piso, a média salarial é ascendente; como \r
\r
isso é possível?\r
\r
Um abraço!\r

Responder
Elder da Costa 02/01/2015 09:18:11

A produtividade se vincula diretamente com o salário. A produtividade sobe, o salário sobe. De qualquer forma, é preciso contextualizar esses dados com os dados de custo de vida no país (o assalariado compra os produtos versus os produtos são vendidos para assalariados de outros países).

Responder
Vitor 21/05/2010 15:15:41


Se um empregador está dispoto a pagar 300 reais para seu empregado. E o empregado está de acordo em receber essa quantia. Por que eu não posso pagar? Que coisa ridiciula isso

Responder
Elder da Costa 02/01/2015 09:22:55

Teoricamente ele pode, mediante acordo ou convenção coletiva de trabalho, que teria que ser mediada por um sindicato.

Responder
Zéh 21/05/2010 16:24:53

Carlos Alexandre:\r
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Com salário mínimo, aqueles empregos que pagariam menos em um determinado momento, não poderiam ser exercidos, logo o desemprego aumenta. Ou seja, mais gente disponível para trabalhar, e pela simples lei da oferta e da demanda... quanto mais oferta(desempregados) existir, menor será o valor desse "bem"... E como a demanda(empregadores) não pode absorver toda essa oferta, o preço cai ainda mais.\r
\r
Sem a lei de salário mínimo, menos gente fica desempregada, o que significa que o valor do trabalho aumenta, porque existe uma escassez de mão de obra, então os salários são maiores.\r
\r
Tão simples, tão óbvio... e os governos ignoram isso...

Responder
Joao 05/04/2013 02:32:07

exatamente esse comentario que eu precisava, pra matar a questão.

Responder
Zéh 21/05/2010 16:27:02

A lei do salario mínimo não só faz a "manutenção" do desemprego como impossibilita que os salários aumentem também.

Responder
Helio 21/05/2010 20:35:10

Não dá para não lembrar do saudoso O. Rocha, presidente da Fonft Holding, além de produtor, diretor, roteirista e ator da Fonft Filmes. Long live Olavo.\r
\r
www.youtube.com/watch?v=59ScsREVjPY

Responder
Angelo 21/05/2010 21:13:41

Nas economias planificadas, onde o governo em tudo se mete catastroficamente, os contratos entre duas pessoas, o trabalhador e o patrão, em verdade, são celebrados entre três agentes. Pois o governo é o terceiro elemento a "proteger o trabalhador" contra a sanha lucrativa do empregador. Claro que só causa desastres. Nosso FGTS é uma poupança sequestrada a baixos rendimentos, nossa aposentadoria pública será uma esmola. O salário mínimo é só mais uma das "leis sociais" que em nada protegem quem produz. Ouço amigos o dia todo dizerem: "O governo deveria fazer uma lei para...". E imaginem as opções de complemento desta frase, Nenhuma delas traduz-se em mais ganho real a quem trabalha e produz. Somente eleva o custo e o tamanho da burocracia que nos desemprega e nos desqualifica, emperrando quem imagine ter um negócio próprio. Estes sim, nas eleições, encontram políticos sedentos por seus votos, que lhes retribuirão com mais mentiras econômicas, criando dinheiro, mas não poder de compra ao povo. Quando leio os artigos aqui publicados fico imaginando que milhares de pessoas possam tê-los lido e compreendido. Porém logo em seguida caio na real, vendo que pouquíssimos têm real interesse em debates do tipo, ou em qualquer debate de qualquer tipo. As pessoas não têm mais dúvidas quanto aos atos desastrosos praticados por políticos; aceitam-lhes passivamente. Pagam caro para não te de pensar nem de se incomodar com nada.

Responder
Paulo Jose 21/05/2010 23:06:33

Angelo:

Realmente é desesperador pensar o quanto nadamos contra a maré lendo e discutindo sobre um mundo onde o mercado é livre do governo.

A meu ver o federalismo em nivel estadual, municipal ou até menor seria um dos unicos caminhos. Onde um número relevante de pessoas esclarecidas resolva lutar pela liberdade num nível mais local. Pensar no federal em nosso país desanima, muita gente sem cultura pra pesar na balança. Democracia é ilusão.

Responder
Carlos Assumpção 21/05/2010 23:29:04


Atualmente estou na Argentina estudando, aqui o salário minimo é de 1.500 pesos, segundo dados de Janeiro de 2010, ou seja aproximadamente R$750 ou US$ 385. Aqui perto da onde moro tem um Carrefour, aonde faço minhas compras e é o único supermercado do bairro. O que me chamou atenção são as filas que encontro nos caixas e a quantidade limitada de caixas trabalhando.
É visível a necessiade de mais pessoas para agilizar o serviço, porque muitas vezes as filas estão até o meio do supermercado, maior que as filas encontradas nos supermercados do Brasil.
O Carrefour é uma das maiores redes de supermercado, e com certeza preza pelo atendimento do seu cliente. Com certeza haveriam mais caixas atendendos se não houvesse uma legislação com um salário mínimo.


Responder
Carlos Alexandre 22/05/2010 12:26:19

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Prezado Zéh:\r
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obrigado pela resposta. Um abraço.

Responder
Daniel M. 23/05/2010 17:49:36

Não deixem de ler a "Época" desta semana. A capa apresenta a seguinte pergunta: por que tudo é tão caro no Brasil? A resposta é inequívoca: impostos, impostos, impostos.
Atenção: ao lerem a reportagem, tomem um Engov antes e outro depois. Os números apresentados pela revista embrulham o estômago de qualquer um. Acredito que "Época" prestou um grande serviço à causa da liberdade.

Responder
mcmoraes 24/05/2010 20:58:29

Hélio,

Muito obrigado pela indicação do vídeo da Fonft! Encaminhei hoje para as listas de discussão de graduação, mestrado e doutorado da minha faculdade e recebi a seguinte resposta de um entre as centenas de alunos cadastrados nas listas, com cópia para o responsável pelas listas de discussão:

"Olha, acho que usar a lista de doutorado pra SPAM não é permitido pelas regras do
instituto. Especialmente SPAM eleitoral.
Seria bom cortarmos o mal pela raiz antes que vire zona de guerra o que deveria ser um
fórum de discussão científico.

Minha pequena cota agradece."

Pelo conteúdo claramente ignorante, preconceituoso e socialista da resposta, dá pra ver que o vídeo já começou a surtir efeito :)

Responder
Chang Tsai 27/08/2010 12:39:42

E pensar que o candidato à presidência José Maria de Almeida, do PSTU, defende o salário mínimo em R$ 2.500,00 huahuahuahuahua... na sua candidatura em 2006 ele defendeu R$ 1.500,00. Que piada! E qual empregador estaria disposto a bancar tudo isso? Os socialistas mais extremos sempre acabam viajando na utopia kkkkk.... só sabem olhar as coisas sob a ótica do trabalhador e sempre acham que empresários são meros burgueses que não trabalham... eu e o meu irmão somos sócios numa empresa e trabalhamos muito mais que qualquer funcionário que temos aqui... somos os primeiros a chegar e os últimos a sair... inclusive trabalhamos fins de semana e feriados se precisar... certos conceitos nem servem mais para os dias de hoje... Marx morreu faz muito tempo!!!! Abram os olhos viúvas de Marx...

Responder
Helio 27/08/2010 17:55:47

mcmoraes, com certeza surtiu efeito, o raciocínio não tem falhas. O argumento do gestor da lista para vetar o video (conteúdo político) revela bastante sobre a honestidade intelectual dele.

Responder
Fernando Chiocca 27/08/2010 18:05:09

Chang, este candidato é um explorador! Quem consegue viver com R$2.500? O salário mínimo tem que ser R$ 20.000! Assim a pobreza acaba de vez, heheheh (por que não?)

E na verdade Marx se posicionava contra leis trabalhistas de salário mínimo, de diminuição de horas de trabalho e de qualquer uma que pretendesse melhorar as condições dos trabalhadores. Ele considerava que estes esforços não só eram em vão, como também trabalhavam contra os interesses dos proletários, pois apenas atrasavam o inexorável surgimento do socialismo, que surgiria, segundo ele, quando o capitalismo atingisse seu auge e se tornasse insustentável.

Responder
Paulo 28/02/2013 13:59:12

Interessante tema. Mas meu parco conhecimento a respeito ainda me deixa em cima do muro sobre a vantagem ou desvantagem dum salário mínimo. Por exemplo, deu-se aqui um exemplo das filas dos caixas de supermercado, sustentou-se que se não houvesse salário mínimo elas tenderiam a diminuir, aceitando que assim se contrataria mais gente. Mas aí a coisa começa a se complicar pra mim. Contrataria mais por quê? Porque poderia pagar qualquer coisa a preço de banana? E o trabalhador, tendo que trabalhar, veria-se obrigado a aceitá-lo? Admitindo boa-fé por parte do empregador e bons lucros devido a grande demanda, não havendo salário mínimo, o que garantiria que ele pagasse um pagamento justo?

Sem dúvida, um tema obscuro pra mim.

Responder
Ricardo 28/02/2013 14:17:09

O que é um "pagamento justo"? Quem define a justiça de um pagamento? Por que um indivíduo que não efetua um trabalho essencial e produtivo merece um alto pagamento? O que seria um pagamento justo para tal pessoa?

Como, enfim, dissociar "pagamento justo" da produtividade e da importância de um trabalho?

Responder
Eduardo Pimenta 28/02/2013 14:47:05

Uma contratação é um livre acordo de vontade entre as partes.
O empresário oferece um salário que ele considera justo. Se alguém aceitar, é porque esse salário é justo para essa pessoa também. Se ninguém aceitar, o empresário terá que oferecer algo mais atraente. Ninguém é forçado a trabalhar.
Se muitas pessoas estão aceitando um salário "injusto" e o empresário está lucrando os tubos, pode apostar que logo aparecerá um concorrente querendo entrar na festa. O concorrente poderá roubar os caixas já experientes, oferecendo melhores benefícios.
Infelizmente, isso nem sempre acontece por causa das dificuldades impostas à entrada no mercado.

Responder
Bruno 09/01/2014 19:45:57

O exemplo dos caixas de supermercado: diz-se ter poucos pois o salário mínimo é alto. Eu digo que tem poucos pois o dono do Carrefour quer lucrar demasiado (tenho certeza que o próprio conceito vai parecer revoltante aqui). Ou alguém acha que ele teria prejuízo algum líquido se contratasse o dobro de atendentes a um salário mínimo? Nunca. Só ganharia menos, e isso caso o aumento na qualidade do serviço que ele presta não aumentasse de fato seu número de clientes.

Se um contrato é um acordo no qual ambas as partes estão de acordo, a parte que ganharia 300 reais por mes pra ficar oito horas de pé empacontando suas compras só estaria de acordo pq ele(a) precisa SIM trabalhar. Desesperadamente.

Defender a não existência de um salário mínimo só pode ter como fim uma maior exploração das pessoas.

Responder
Rômulo 09/01/2014 20:08:44

"Eu digo que tem poucos pois o dono do Carrefour quer lucrar demasiado (tenho certeza que o próprio conceito vai parecer revoltante aqui)".

Nossa, que descoberta!

Ele claro que ele quer lucrar. Deixa eu lhe contar um segredo que vai fazer você cair de costas: toda e qualquer pessoa que faz um empreendimento quer lucrar o máximo possível.

Até mesmo você -- que suponho ser demasiadamente altruísta -- quer lucrar quando sai a procura de aumentos salariais. O problema é que o inferno sempre são os outros. Quando nós queremos lucrar, é algo perfeitamente natural; quando são os outros, aí é ganância.

"Ou alguém acha que ele teria prejuízo algum líquido se contratasse o dobro de atendentes a um salário mínimo? Nunca."

Sabe de uma coisa? Se ele está empregando gente no caixa, então ele está deixando de lucrar. Se ele instalasse ali uma máquina, seu lucro seria ainda maior.

E sabe o que o impede de substituir a mão-de-obra humana por máquinas? As taxas de juros altas. Se as taxas de juros fossem mais baixas, ele substituiria homens por máquinas.

Ficou confuso? Pois leia este trecho deste artigo:

"Tanto nos EUA quanto na Europa está havendo uma tendência de se substituir atendentes nos caixas de supermercados por máquinas de autoatendimento que permitem aos fregueses escanear o código de barra de seus produtos e fazer o pagamento por conta própria. Trata-se de mais um caso de trabalho humano sendo substituído por máquinas. Uma análise superficial diria que isso é um mero sinal dos tempos, uma consequência inevitável do progresso tecnológico. No entanto, tal fenômeno não é apenas uma consequência da tecnologia.

O gasto com a aquisição das máquinas, o capital que o administrador do supermercado deixa de investir em outras áreas para poder adquirir as máquinas, os juros que ele tem de pagar sobre os empréstimos contraídos para adquirir as máquinas, e todos os potenciais prejuízos futuros decorrentes do manuseio inapropriado das máquinas pelos clientes do supermercado -- ou até mesmo o possível aumento do roubo de itens do supermercado em decorrência da menor quantidade de empregados para vigiar os clientes -- terão de ser comparados à redução de custo permitida pela redução do emprego de pessoas nos caixas do supermercado.

No atual cenário de juros forçosamente baixos, este cálculo econômico parece estar a favor das máquinas. Afinal, quanto menores os juros, maior o incentivo para se contrair empréstimos para financiar a aquisição de máquinas para substituir o trabalho humano. Este desemprego diretamente causado pela manipulação dos juros é certamente uma consequência inesperada de uma política monetária expansionista."

www.mises.org.br/Article.aspx?id=1400

Responder
Bruno 09/01/2014 20:50:23

Sem lucro não tem empreendimento, isso é obvio. Que todos querem lucrar o máximo possível, também é obvio. Mas não é possível. O meu ponto foi que ele não tera prejuízo contratando mais, no sentido de gastar mais do que ganha, e isso é fato.
Querer lucrar não é ganância em ninguém. Ganância é ganância. Ganância é ter um lucro líquido no final do mês de 60 mil, 6 milhoes, 60 milhoes e achar que precisa de mais, que não pode gastar mais em recursos humanos, que não pode lucrar menos no mês seguinte, que paga muito pagando salário mínimo que não sustenta, não uma famíla como o artigo diz, mas nem uma única pessoa.

Sua citação só deixa mais claro a desassociação com a realidade que esse tipo de empreendendor mostra: só é perfeitamente plausível fazer as contas na ponta do lápis entre um ser humano operando um caixa e um robô quando você não tem a mínima consideração pela capacidade e pelo valor de um ser humano. Não é fudamentalismo do século XVII, máquinas são superiores pra todo tipo de trabalho bruto, perigoso, altamente preciso, em condições adversas. Não para receber uma pessoa, dar bom dia e oferecer uma oferta especial. Isso é incabível, a não ser um futuros distópicos. Não to dizendo que a substituição não vá acontecer um dia. Só que algo extremamente doente.

Responder
Rômulo 10/01/2014 05:55:00

"O meu ponto foi que ele não tera prejuízo contratando mais, no sentido de gastar mais do que ganha, e isso é fato."

Você não sabe do que fala. Supermercados estão entre os empreendimentos com as menores margens de lucro da economia (média histórica de 1,9%; passar de 2,5% é coisa raríssima). Num cenário assim, é total imbecilidade o empreendedor se dar ao luxo de sair fazendo caridade, contratando mais gente desnecessariamente e dando aumentos salariais a rodo.

"Ganância é ter um lucro líquido no final do mês de 60 mil, 6 milhoes, 60 milhoes e achar que precisa de mais, que não pode gastar mais em recursos humanos,"

Quem é você pra sair especificando qual é o valor certo para o lucro líquido? Você por acaso sabe qual foi o montante investido em cada empreendimento? Se um cidadão investe $1 bilhão e sai dando empregos para milhares de pessoas, um lucro líquido de $60 milhões representa uma taxa de retorno de 6%, menos que a caderneta de poupança.

Ou seja, segundo você, seria mais "humano" o cara deixar o dinheiro na poupança e não empreender nada, de forma a não gerar empregos para ninguém, pois o eventual lucro dele seria ofensivo para você.

Deixe de panfletagem ideológica e se informe minimamente antes de sair pontificando bobagens em tons professorais.

"que paga muito pagando salário mínimo que não sustenta, não uma famíla como o artigo diz, mas nem uma única pessoa."

Você não leu este trecho do artigo? "Defensores do salário mínimo argumentam que é impossível sustentar uma família quando se vive apenas com um salário mínimo. Sim, é verdade. Mas isso é totalmente irrelevante, pois os empregos que pagam salário mínimo não foram feitos para sustentar uma família.

O certo seria que as pessoas optassem por não iniciar uma família até que estivessem ganhando o suficiente para sustentá-las. Empregos de baixos salários servem para capacitar os trabalhadores a, com o tempo, adquirirem as habilidades necessárias que os permitirão ganhar salários altos o suficiente para sustentar uma família. Será que alguém realmente acha que um adolescente que trabalha como entregador de jornal deveria ganhar um salário capaz de sustentar uma família?"
Estude, cidadão.

Responder
Bruno 10/01/2014 12:02:21

Se a margem de lucro do empreendimento é baixa, cabe ao investidor inovar em marketing, buscar fornecedores alternativos, conhecer melhor sua clientela pra oferecerer as ofertas certas, fazer todas as coisas que nós somos capazes de fazer, mas não ter dez caixas vazios e dois funcionando.

Se eu dei vários valores é justamente pra não entrar no mérito de quanto cada valor representa proporcionalmente pra cada situação; de qualquer forma, são todos valores acima da média do que uma família precisa pra viver, e extremamente acima do que a grande maioria recebe. O gerador de empregos, empulsionador de economia, merece uma fatia maior? Acredito que sim. Só questiono quão maior.

Você leu o que escrevi? Não se trata de uma família. Um salário mínimo hoje não sustenta uma pessoa sozinha na maioria das cidades do Brasil.

Responder
Juliano 10/01/2014 12:14:57

Em última instância, quem define a quantidade de caixas ou funcionários é o cliente do supermercado, não seu dono. Se o público realmente quisesse pagar um pouco mais para ter mais caixas, qualquer dono de supermercado que satisfizesse esse desejo teria uma vantagem competitiva.

É óbvio que um número maior de caixas torna o custo da compra um pouco maior. Cabe ao público "votar" se quer esse conforto. E não precisa ser apenas um modelo. Existem aqueles supermercados que são um pouco mais caros, mas que fornecem serviços melhores - inclusive na quantidade de funcionários - e há aqueles que cobram menos e são menos generosos nos serviços. Cada um escolhe - e paga - pelo serviço que prefere. Os funcionários do supermercado são pagos pelos clientes para lhes servir. O dono do supermercado é só o encarregado de descobrir esse número mágico de quantos funcionários seus clientes querem e gerenciar o processo.

A única coisa que o governo consegue fazer é atrapalhar esse arranjo. A gasolina do processo é o desejo irracional da maioria das pessoas, que querem a maior quantidade possível de funcionários ao seu dispor sem imaginar que isso vai trazer um impacto no custo. Ao limitar o valor mínimo para o salário, o governo coloca um limite mínimo para custos com mão de obra. Quanto maior for o valor, menos pessoas serão contratadas. Quanto maior for o custo com mão de obra, maior será o preço final dos produtos nas prateleiras. Ao multar supermercados por deixar as pessoas esperando por muito tempo, o que o governo faz é tirar a opção de mercadorias mais baratas por um pouco mais de desconforto.

Responder
Luciano 28/02/2013 18:49:00

O problema da especulação do texto é que ela não leva em consideração que, com excedente de força de trabalho, a não imposição de um salário mínimo levaria à condições trabalhistas equivalentes à da revolução industrial.
O exemplo do caixa de supermercado é engraçado porque demonstra quão pequeno burguês são alguns leitores do site. Qual a importância do tamanho da fila do caixa de supermercado em comparação com o valor recebido pelo trabalho de uma pessoa? Você cortaria 15 minutos de espera no supermercado mesmo sabendo que em troca alguma pessoa de meia-idade que trabalharia por um valor "abaixo" do mínimo no caixa poderia não ter dinheiro para comprar seus remédios no fim do mês?

Responder
Sidnei 05/04/2013 17:43:25

www.cepr.net/documents/publications/min-wage-2013-02.pdf

Olá pessoal, o que me dizem desse estudo? O que vocês falam tem muito sentido, mas sei lá, às vezes fico inseguro diante de publicações como essas. Espero que alguém dê uma comentada.
Abs

Responder
Leandro 05/04/2013 17:51:04

Um comparativo entre a evolução salário mínimo e a evolução do emprego estará totalmente incompleto se você não levar em conta a evolução da quantidade de dinheiro na economia.

O Brasil é um bom exemplo disso. Como mostra o gráfico 3 deste artigo, a quantidade de dinheiro na economia brasileira quase que triplicou (aumentou 2,7 vezes) desde janeiro de 2006. Se a quantidade de dinheiro aumenta mais do que o aumento de preços, o volume de gastos também tende a aumentar, o que significa que o desemprego tende a cair.

No caso específico brasileiro, essa quase triplicação da quantidade de dinheiro na economia estimulou o aumento do emprego porque a maior quantidade de dinheiro reduz o custo real dos encargos sociais e trabalhistas -- ao menos temporariamente, enquanto os preços crescem menos que o crescimento da oferta monetária.

A análise que diz que aumento do salário mínimo gera desemprego pressupõe uma oferta monetária razoavelmente constante. Porém, se por um conjunto excepcional de circunstâncias, a oferta monetária cresce muito mais do que os preços, não há nenhum motivo para um aumento do salário mínimo gerar desemprego.

Grande abraço!

Responder
Sidnei 06/04/2013 00:58:32

Faz sentido, obrigado pela explicação!
Abraço

Responder
Jose Claudio 05/06/2013 15:37:49

Um problema do site que é de interesse de vocês: esse artigo está marcado com a tag "Salário mínimo", mas quando eu clico nesse link, a página (www.mises.org.br/SearchByTag.aspx?tag=Sal%C3%A1rio-m%C3%ADnimo) diz que nenhum registro foi encontrado em nenhum lugar.

Tem algo errado aí, e consertar vai ajudar muito...

Acho que já disse antes, mas nunca é demais: parabéns pelo site. Fundamental pra entender o mundo.

Responder
Leandro 05/06/2013 15:51:18

Prezado , essas tags já foram desativados há um bom tempo. Apenas os artigos mais antigos as mantêm. Obrigado pelo aviso e pelos elogios.

Grande abraço!

Responder
The inquisitor 07/01/2014 20:38:21

Pelo FB, uma pessoa expôs os seguintes argumentos. Fiquei sem resposta:

"então como explicar o emprego pleno de hj?

A sua teoria fura quando se esquece de que aumentar a produtividade implica apenas em lucrar mais em cima das costas do trabalhador e não em um aumento do salário.

os empresários não aumentam salários baseado na receita, mas sim baseado na escassez e na disputa com sindicatos.

então, se o governo avaliar que a produtividade mínima de um trabalhador no nivel tecnológico atual é de X reais, ele colocará o salário mínimo próximo desse X. Assim garante a quantidade de empregos e não permite uma super-exploração que retira gente do mercado consumidor - e consequentemente do emprego, uma vez que quem não tem verba pra sobreviver não fica muito tempo no emprego e decide entrar para o crime ou para a informalidade."

Responder
Leandro 07/01/2014 21:44:38

Um comparativo entre a evolução salário mínimo e a evolução do emprego estará totalmente incompleto se você não levar em conta a evolução da quantidade de dinheiro na economia, a qual, por sua, gerada pela expansão do crédito.

Se a quantidade de dinheiro aumenta mais do que o aumento de preços, o volume de gastos também tende a aumentar, o que significa que o desemprego tende a cair.

No caso específico brasileiro, a expansão do crédito ocorrida desde 2004 estimulou o aumento do emprego porque a maior quantidade de dinheiro reduz o custo real dos encargos sociais e trabalhistas -- ao menos temporariamente, enquanto os preços crescem menos que o crescimento da oferta monetária.

A análise que diz que aumento do salário mínimo gera desemprego pressupõe uma oferta monetária razoavelmente constante. Porém, se por um conjunto excepcional de circunstâncias, a oferta monetária cresce muito mais do que os preços, não há nenhum motivo para um aumento do salário mínimo gerar desemprego.

Responder
Rodrigo 17/01/2014 18:13:42

Leandro, você disse que o aumento de quantidade de dinheiro reduz o desemprego, efetivamente contrapondo os prejuízos que seriam causados por um salário mínimo.

No entanto, me veio a cabeça um questionamento: com qual frequência cenários em que há grande oferta monetária ocorrem? Esse cenário pode ser manipulado pelo governo?

O que me ocorreu é que se a oferta generosa for algo frequente, ou manipulável, então o salário mínimo realmente não é um problema significativo na maioria das vezes. Porém se esse não for o caso e a oferta monetária só for grande em exceções, daí sim haveria o prejuízo.

Basicamente, se Oferta Monetária Grande ocorre em >50% do tempo, prejuízo do SM não é tão significativo.

Espero que tenha compreendido, e aguardo resposta.

Responder
Leandro 17/01/2014 20:03:29

"com qual frequência cenários em que há grande oferta monetária ocorrem? Esse cenário pode ser manipulado pelo governo?"

Não entendi muito bem. A oferta monetária é expandida diariamente pelo setor bancário em conjunto com o Banco Central. A cada dia que passa, a oferta monetária total é maior do que a oferta monetária do dia anterior. Sendo assim, esse sua pergunta sobre a "frequência de cenários em que há grande oferta monetária" não faz sentido. A oferta monetária é sempre crescente.

O que varia é o ritmo em que ela cresce. Quanto mais rapidamente ela crescer, menores serão os efeitos negativos de um aumento do salário mínimo, pois a maior quantidade de dinheiro tende a reduzir o custo real dos encargos sociais e trabalhistas -- ao menos temporariamente, enquanto os preços crescerem menos do que o crescimento da oferta monetária.

"O que me ocorreu é que se a oferta generosa for algo frequente, ou manipulável, então o salário mínimo realmente não é um problema significativo na maioria das vezes. Porém se esse não for o caso e a oferta monetária só for grande em exceções, daí sim haveria o prejuízo."

De novo, esse raciocínio não faz sentido. O que seria "a oferta monetária ser grande em exceções"? Oferta monetária é algo que está sempre crescendo. Continuamente. Varia apenas o ritmo do crescimento.


Recomendo estes dois artigos:

www.mises.org.br/Article.aspx?id=1387
www.mises.org.br/Article.aspx?id=1767

Responder
Emerson Luis, um Psicologo 03/06/2014 14:13:02


Além de tudo, o salário mínimo é um indexador. As pessoas são tão acostumadas com a existência de um salário mínimo que não conseguem imaginar como poderia ser melhor sem ele.

* * *

Responder
anônimo 20/10/2014 23:43:31

Dúvida que eu tenho:

Por que o salário mínimo REAL aumentou desde o plano real sem haver um aumento no desemprego?

Responder
Leandro 21/10/2014 10:44:26

Um comparativo entre a evolução salário mínimo e a evolução do emprego estará totalmente incompleto se você não levar em conta a evolução da quantidade de dinheiro na economia.

E justamente o Brasil é um bom exemplo disso. Como mostra esse artigo, a quantidade de dinheiro na economia brasileira aumentou 7 vezes desde janeiro de 2004. Essa explosão da quantidade de dinheiro na economia estimulou o aumento do emprego porque a maior quantidade de dinheiro reduz o custo real dos encargos sociais e trabalhistas -- ao menos temporariamente, enquanto os preços crescem menos que o crescimento da oferta monetária.

A análise que diz que aumento do salário mínimo gera desemprego pressupõe uma oferta monetária razoavelmente constante. Porém, se por um conjunto excepcional de circunstâncias, a oferta monetária cresce muito mais do que os preços, não há nenhum motivo para um aumento do salário mínimo gerar desemprego.

De resto, o artigo linkado acima também explica por que o desemprego está aparentemente baixo.

Responder
anônimo 24/10/2014 02:28:54

Mas, mesmo descontando a inflação, o slário mínimo aumentou. Veja que em 95 o salário mínimo era 64 reais, agora é 724. O aumento foi bem maior que a inflação do período e, no entanto, não houve aumento do desemprego.

Responder
Leandro 24/10/2014 04:06:15

Acho que você não entendeu o que leu. Ou então leu de forma apressada e desatenta.

Em momento algum foi dito que a inflação de preços cresceu de maneira igual ao aumento da oferta monetária.

O que foi dito é que a quantidade de dinheiro na economia brasileira aumentou 7 vezes desde janeiro de 2004. E que essa forte expansão da quantidade de dinheiro na economia estimulou o aumento do emprego e dos salários porque a maior quantidade de dinheiro reduz o custo real dos encargos sociais e trabalhistas, ao menos temporariamente, enquanto os preços crescem menos que o crescimento da oferta monetária -- que foi exatamente o que aconteceu (os preços cresceram menos que o aumento da oferta monetária, o que permitiu ganhos reais nos salários).

Mais ainda: a análise que diz que aumento do salário mínimo gera desemprego pressupõe uma oferta monetária razoavelmente constante. Porém, se por um conjunto excepcional de circunstâncias, a oferta monetária crescer muito mais do que os preços, não apenas haverá espaço para aumentos reais nos salários, como também não haverá nenhum motivo para que um aumento do salário mínimo gere desemprego.

Que parte do que foi dito acima ainda não ficou claro?

De resto, sobre o desemprego no Brasil, recomendo ver este artigo. Você está sendo enganado.

www.mises.org.br/Article.aspx?id=1832

Responder
Elder da Costa 02/01/2015 10:02:06

"Defensores do salário mínimo argumentam que é impossível sustentar uma família quando se vive apenas com um salário mínimo. Sim, é verdade. Mas isso é totalmente irrelevante, pois os empregos que pagam salário mínimo não foram feitos para sustentar uma família". O articulista esqueceu que o próprio Mises, a título de defender o capitalismo como único modelo aceitável de produção, em palestras proferidas na Argentina, transcritas e publicadas aqui mesmo, pelo Instituto Mises, defende que "o capitalismo se remunera a si mesmo", ou seja, os salários pagos na economia são usados pelos assalariados para consumir produtos da própria economia. Sendo assim, me parece que surgem dois problemas que não são devidamente abordados no artigo: o que acontece quando os salários caem muito, e o que acontece quando mão-de-obra humana é substituída por automação. Quem vai comprar os produtos que o capitalista vende, buscando maximizar seus resultados?
Eu penso que a velha lei de oferta e demanda, tão cara dos liberais ortodoxos deveria ser revista. Ela deveria ser revista para lei de oferta, demanda e risco, onde o risco seria uma curva hiperbólica ou parabólica sobre as retas de demanda e risco. Essas curvas, no meu entender, ajudam perfeitamente a explicar o que acontece quando um cenário econômico leva a um dos extremos da curva. Como exemplo, eu cito os modelos atuais de concessão privada, ou de privatização: em certos setores, ainda é difícil desenvolver um modelo de concessão privada que atenda todos os interesses envolvidos, e que continue competitivo para justificar uma privatização adequada para um aumento de eficiência do serviço.
O liberalismo funciona perfeitamente bem perto do centro das curvas, com ofertas e demandas razoáveis, e com uma curva de risco aceitável. Mas talvez as pessoas nem saibam do que eu estou falando. Quando a economia se desloca para esses extremos, todos os economistas são curandeiros, e aí aparecem os Bernankes, as Merkels e as Yellens da vida. A solução, no meu entender, seria buscar deslocar as curvas para o centro.
Essas curvas que eu citei, e o exemplo do salário acima, são as razões pelas quais eu ainda tenho minhas dúvidas se o capitalismo seria realmente sustentável ou não.

Responder
Barbalho 02/01/2015 11:54:20

Aquela velha e estranha mania de algumas pessoas: "se eu não sei a resposta para tal problema, então não há resposta para ele. Sou o umbigo do mundo".

Quer falar de automação e emprego? Ao menos procure saber o que determinada corrente pensa sobre isso em vez de já sair afirmando que não há resposta para isso:

www.mises.org.br/Article.aspx?id=1649

Outra coisa: quando Mises diz que "o capitalismo se remunera a si mesmo" ele não está dizendo que você pode elevar o salário mínimo para R$ 150.000 e tudo será uma maravilha, pois os trabalhadores vão gastar este salário mínimo e, com isso, vão fazer a "economia girar". Gentileza não tentar sacar sobre Mises em um site que fala justamente sobre sua obra.

Responder
Elder da Costa 05/01/2015 13:38:33

Barbalho, não tenho tantas manias. Eu sei a resposta para o problema e ela está aí em cima, e eu não sou o umbigo do mundo. Leia de novo o que eu escrevi.
Não se trata de "correntes" mas de visões parciais sobre um mesmo problema. As palestras de Mises na Argentina são uma defesa do capitalismo como ele via. Portanto, me parece que ele faz o que qualquer um faz quando tenta "vender" uma ideia: endossa os pontos fortes e atenua os fracos. Ora, não sei se você concorda, mas nenhuma teoria econômica que não veja a economia como um sistema que se fecha me parece uma teoria incompleta, não concorda?
Você está vendo só os dados que te interessam na discussão. Dica: olhe o que não te interessa, também. Eu li o artigo de Mises e o entendi muito bem. Parece que você, não.
O exemplo da NASA é péssimo. A ciência de altíssimo nível que a NASA faz não chega tão frequentemente até nós. Há muitas soluções que a NASA acha que demoram a chegar até nós. E até onde eu saiba, a NASA tem apenas um cliente, o governo dos USA. Se eu estiver errado, por favor me corrija. O que Mises quis dizer é que o ciclo econômico tem que se fechar, ou seja, mesmo ganhando pouco, uma massa consumidora DEVE ganhar algum salário, caso contrário a atividade econômica não faz sentido, não importa quão eficiente ela se torne.
A parte final do artigo é algo contraditória. Leia a frase final na citação a Smith e pense sobre ela.
Um exemplo do que estou falando é a apologia da liderança como meio de enriquecimento, obviamente uma estratégia de propaganda. Eu pergunto a você: quantos líderes são possíveis num determinado contexto social?
Outra pergunta para você refletir: você sabe que as aptidões humanas seguem uma curva de distribuição, não é mesmo? Você sabe que há seres humanos que vão passar a vida toda e não vão compreender como um elétron pode orbitar o núcleo atômico, não é?

Responder
Barbalho 05/01/2015 14:04:51

"As palestras de Mises na Argentina são uma defesa do capitalismo como ele via. Portanto, me parece que ele faz o que qualquer um faz quando tenta "vender" uma ideia: endossa os pontos fortes e atenua os fracos."

Quais seriam os pontos fracos que ele "atenuou"? Cite-os e desenvolva seus argumentos.

"Ora, não sei se você concorda, mas nenhuma teoria econômica que não veja a economia como um sistema que se fecha me parece uma teoria incompleta, não concorda?"

Plenamente. E foi exatamente por isso que Mises escreveu Ação Humana, um tomo de mais de mil páginas que aborda todos os aspectos da economia, desde ao mais simples ato da respiração até os fenômenos complexos dos ciclos econômicos.

Mises foi o único economista a apresentar uma teoria totalmente integrada e completa sobre a economia. Mais uma vez você repetiu seu erro: "se eu não conheço algo, é porque ele ainda não foi feito". Mises já o fez.

"O exemplo da NASA é péssimo. A ciência de altíssimo nível que a NASA faz não chega tão frequentemente até nós. Há muitas soluções que a NASA acha que demoram a chegar até nós."

Deus do céu! Você realmente escreveu isso?

Veja o que foi dito no artigo linkado:

"A NASA recentemente produziu uma máquina altamente sofisticada que foi criada em uma impressora 3-D extremamente cara e específica. Em vez de levar um ano para produzir a máquina, a impressora 3-D fez o trabalho em apenas quatro meses — ou seja, reduziu os custos de produção em 66%."

O trecho acima não está chamando atenção para a NASA, mas sim para as impressores 3-D, que nada têm a ver com a NASA! Impressoras 3-D são uma invenção do setor privado e que estão se tornando cada vez mais comuns nos países mais avançados. Veja um exemplo básico aqui: www.mises.org.br/Article.aspx?id=1339

A NASA entrou naquele parágrafo como Pôncio Pilatos no Credo. Foi só uma citação. O objeto de estudo eram as impressoras 3-D, muito comuns nos EUA, mas sobre as quais você aparentemente nada sabe.

Dica: informe-se melhor sobre o mundo antes de sair emitindo opiniões. Senão você continuará passando vergonha.

P.S.: Não perdi meu tempo lendo o resto do seu comentário. Se até a metade da escrita você cometeu erros crassos e até mesmo básicos de interpretação, dificilmente haveria algo com o qual eu pudesse aprender no restante do seu texto. E eu só leio coisas que me são instrutivas. A vida é curta.

Responder
Silvio 02/01/2015 13:32:42

Sendo assim, me parece que surgem dois problemas que não são devidamente abordados no artigo: o que acontece quando os salários caem muito, e o que acontece quando mão-de-obra humana é substituída por automação. Quem vai comprar os produtos que o capitalista vende, buscando maximizar seus resultados?

Sobre a automação, o Barbalho já passou o link. Sobre a questão dos salários, se eles caem muito, é porque:

a) no ramo em que se passou a pagar muito mal está havendo muita perda lucratividade. Nessa situação, se está havendo uma massiva perda de lucros, não há mais como se pagar os salários que se pagavam outrora. Se está havendo considerável perda de lucratividade para determinado ramo de atividade, é porque as pessoas estão se dispondo a pagar cada vez menos pelo produto ou serviço oferecido. Se as pessoas estão se dispondo a pagar cada vez menos por um produto, é porque há uma oferta desnecessariamente grande daquele bem ou então elas estão simplesmente deixando de dar bola para o que está sendo ofertado. Se for o caso de uma oferta superdimensionada, parte dos produtores deixará de dedicar àquele ramo e passará a perseguir atividades mais lucrativas, o que normalizará a situação ao longo do tempo. Se as pessoas não mais querem aquele produto, os produtores abandonarão aquela atividade e passarão a fazer outra coisa e, nesse caso, a mão-de-obra terá que buscar empregos em outros ramos*;

b) ou então está havendo um aumento muito grande na oferta de mão-de-obra como um todo. Nesse caso, como não há aumentos infinitos na oferta de bens e serviços, a situação tenderá a se estabilizar e os salários voltarão a subir quando a nova de mão-de-obra for absorvida pelo mercado.

Em ambos os casos, só para lembrar, o governo não tem que encher o saco de forma alguma.

*e esse mesmo raciocínio vale para a automação, ou seja, se os produtores não mais demandarem um apetador de parafusos porque surgiu um robô que faz a mesma tarefa de modo melhor, mais barato e mais rápido, fato é que os apertadores de parafusos terão que achar outra atividade para empregar suas habilidades (e, antes que venha a chantagem sentimental, SIM, isso é muito justo, porque a alternativa é fazer com que as demais pessoas paguem para a manutenção de uma atividade que elas não mais desejam).

Responder
Elder da Costa 05/01/2015 13:57:08

Silvio me desculpe, mas qual você acha que é mesmo a demanda mundial de parafusos na indústria? Ou, colocando de outra forma, vamos dizer que alguém crie um processo industrial, uma forma de fabricar um produto que reduza drasticamente a necessidade de parafusos na fabricação desse produto. O que você acha que vai acontecer com a demanda de parafusos? Eu vou te dar duas dicas: primeira, o robô não vai comprar esse produto... segunda, como o mercado vai se ajustar a isso? Inventar novos meios de enfiar parafusos no processo industrial? Por que não pregos ou rebites?
Sobre os seus exemplos, você citou casos nos extremos da curva que eu propus. Casos em que o risco fica grande demais. Eu dei a minha ideia. Eu acredito que em casos extremos pode simplesmente não haver escolha.
Por exemplo, sobre a letra "A" que você citou, eu cito o exemplo da Vale e o preço do minério de ferro. Você sabe que companhias australianas estão saindo do negócio, não é mesmo? Ou seja, os executivos australianos desse segmento não veem uma nova oportunidade "China", alguém que puxe tanto a demanda para justificar investimentos pelo menos nos próximos anos. O que eles fizeram? Saíram do negócio, mesmo que temporariamente, ou seja, eles trabalham com a possibilidade de o mercado não conseguir se regular sozinho, ou de levar muito tempo para atingir um equilíbrio mais interessante aos produtores australianos. A situação do minério de ferro hoje é o que eu chamo "risco de (excesso de) oferta".
Sobre o seu caso "B" eu dou o exemplo da Souza Cruz: é a única companhia de cigarros listada em bolsa no Brasil, apresenta "risco de (falta de) demanda", é uma indústria claramente em extinção (ou pelo menos em risco de voltar ao nível artesanal), que consegue manter alguma lucratividade, e onde os preços dos produtos não caem de jeito nenhum.
O que você teria a dizer sobre esses casos?
Sobre ingerência governamental, eu lembro duas coisas: existe um teorema matemático que afirma que você não pode tirar nada de dentro de um sistema fechado sem acrescentar uma nova fonte dele, nem reduzir o que sai sem tirar uma fonte lá de dentro. No meu entender, isso se aplica perfeitamente à base monetária. A outra é que o capitalismo é uma máquina que tende a promover concentração de renda. A concentração de renda é um dos poucos problemas do capitalismo. Se fosse possível evitá-la, acredito que o capitalismo funcionaria de maneira quase perfeita.

Responder
Guilherme 05/01/2015 23:27:40

"vamos dizer que alguém crie um processo industrial, uma forma de fabricar um produto que reduza drasticamente a necessidade de parafusos na fabricação desse produto. O que você acha que vai acontecer com a demanda de parafusos? Eu vou te dar duas dicas: primeira, o robô não vai comprar esse produto... segunda, como o mercado vai se ajustar a isso? Inventar novos meios de enfiar parafusos no processo industrial? Por que não pregos ou rebites?"

Deus do céu! Ainda existem esses luditas no mundo?

Troque "demanda por parafuso" por "demanda por velas" (sendo suplantadas por lâmpadas elétricas) ou "demanda por carroças" (sendo suplantadas por automóveis) ou "demanda por máquinas de escrever" (sendo suplantadas por computadores).

Estamos em 2015, e esse pessoal ainda não aprendeu nada com a história. E também não esqueceu nada. No que dependesse deles, ainda estaríamos andando a cavalo (acho que nem a bicicleta existiria), vivendo à luz de velas e "tuitando" em máquinas de escrever.

Pavoroso saber que ainda há pessoas assim.

Responder
Elder da Costa 06/01/2015 14:50:48

Guilherme acho que você inverteu o meu raciocínio. Eu estou querendo exatamente dizer que os processos vão progredir, e não se pode esperar artificializar a demanda (ou o que o seu consumidor quer) só para manter a própria indústria, ou só porque ela não é capaz de se adaptar à demanda dos próprios consumidores. Leia de novo, lá.

Responder
saoPaulo 05/01/2015 14:53:03

Isso mesmo Companheiro!

E esses malditos computadores que deixaram milhares de trabalhadores qualificados na rua da miséria? O mercado estaria muito melhor hoje em dia com essas pessoas consumindo! Esse negócio de computador destruiu muito mais empregos do que criou...

en.wikipedia.org/wiki/Human_computer

#FORAAUTOMACAO
#MISESSEMCORACAO

Responder
Brant 02/01/2015 13:36:11

O salário mínimo é uma lei cruel que além de excluir os pobres e os menos capacitados do mercado de trabalho ainda obriga que os patrões exijam mais dos seus funcionários.

Se eu por exemplo quero pagar um salário de 100 reais por mês para que uma pessoa sem nenhuma qualificação venha todos os dias a minha casa apenas trocar a água do meu cachorro eu sou impedido pela lei.

Diante dessa situação eu serei obrigado a exigir que meu empregado execute muito mais funções do que apenas trocar a água do meu cachorro. Agora ele vai ter também que levar pra passear, dar banho, alimentar, levar no veterinário etc. Tudo isso resultado do custo mínimo estipulado de forma autoritária pelo governo.

Responder
anônimo 04/01/2015 11:16:10

O que dizem sobre isso?


27/11/2014 18h05 - Atualizado em 27/11/2014 18h05
Justiça condena fazenda por trabalho escravo no Sul do Piauí

Nove trabalhadores ajuizaram ações contra a Fazenda Água Branca.
Empresa também foi condenada ao pagamento de indenização individual.


G1

A fazenda Água Branca, situada em Palmeira do Piauí, a 629 km ao Sul de Teresina, foi condenada pela Justiça do Trabalho pela prática de trabalho degradante, uma das modalidades do trabalho escravo contemporâneo. O juiz do trabalho Carlos Wagner Araújo Nery da Cruz, titular da Vara de Bom Jesus, reconheceu o crime de trabalho escravo, condenando a empresa ao pagamento das verbas de indenização trabalhista e de indenização individual no valor de R$ 60 mil pela prática irregular.

A Fazenda Água Branca foi acionada judicialmente em novembro de 2013 na Vara do Trabalho de Bom Jesus. Os reclamantes alegaram que foram vítimas de trabalho degradante, informando que bebiam água de carro-pipa com ferrugem e que faziam suas necessidades fisiológicas no mato. Além disso, ficavam alojados em barracos de palha, sem condições adequadas para descanso. Os trabalhadores eram catadores de raiz, uma atividade de limpeza do solo antes do plantio da soja.

Na sentença, o juiz do Trabalho Carlos Wagner reconheceu as condições degradantes de trabalho alegadas, com lesão ao meio ambiente do trabalho digno. O juiz também reconheceu a configuração do crime em tese, previsto no art. 149 do Código Penal Brasileiro, que trata de situação análoga a de escravo, determinando que a sentença fosse remetida ao Ministério Público Federal para as providências legais. Agora cabe ao MPF ajuizar a ação penal correspondente para condenação dos infratores.

Condenação
Cada trabalhador que ingressou com a ação teve o vínculo empregatício reconhecido e recebeu em torno de R$ 45 mil de indenização. A empresa também foi condenada ao pagamento de indenização individual no valor de R$ 20 mil para cada trabalhador, pela configuração do trabalho degradante. A sentença transitou em julgado, não cabendo mais recurso.


--> Como seria evitados trabalho escravo sem a CLT e o Ministério Público?

Responder
João 04/01/2015 12:27:59

Como é que é? Quem deve explicações é você, anônimo.

Existe Ministério Público e existe CLT há mais de meio século, e ainda assim existe trabalho degradante. Ou seja, claramente a CLT e o Ministério Público fracassaram.

E você, em vez de reconhecer o fracasso dessas instituições, vem cobrar explicações de quem nada tem a ver com elas. Quanta coerência...

No que mais, o artigo fala única e exclusivamente sobre salário mínimo, e salário mínimo é um tantinho diferente de direitos trabalhistas (como FGTS, 13ª, férias pagas etc.) e de Ministério Público, caso você não saiba.

Ainda assim, respondo à sua pergunta: o trabalho degradante é uma questão de contrato. Se o trabalhador assinou um contrato que proibia tais condições de trabalho, então houve quebra de contrato da parte do empregador, e a vítima então poderá acionar judicialmente seu empregador (em um tribunal privado, que terá interesse em emitir uma sentença com rapidez, e cujos custos serão cobertos pelo réu).

O réu será condenado por quebra de contrato, e a condenação sairá com muito mais rapidez do que sairia na atual máquina burocrática.

E você? Qual a sua solução?

Responder
Elder da Costa 06/01/2015 15:16:55

Barbalho eu me refiro às seis lições que ele proferiu na Argentina, publicadas aqui.

"Quais seriam os pontos fracos que ele "atenuou"? Cite-os e desenvolva seus argumentos."

Primeiro, eu entendo que, se alguém afirma algo, deveria mostrar alguma pesquisa que endosse o que afirma. Não se vê, em nenhuma afirmação, ou citação histórica feita nas palestras, nenhuma referência a nenhum artigo ou obra que possa ser consultada.

Segundo, a discussão era sobre salários. Mises defende em "O Capitalismo" que o modelo de produção que ele propõe deve se fechar com o pagamento de salários. Eu propus discutir o que poderia acontecer se os salários diminuíssem muito. Nem tentei entrar no mérito do que aconteceria se eles aumentassem, ou se de alguma forma se tentasse vincular salário a produtividade. O pessoal daqui aparentemente se ofendeu com tudo o que eu escrevi, e colaram um monte de artigos para eu ler que parecem sugerir que as atividades que eu conheço como "primárias" e "secundárias" deveriam ser automatizadas, e por conseguinte, a maioria do trabalho nessas atividades, substituído por máquinas, uma vez que a máquina atende melhor o interesse dos consumidores. Pelo que eu entendi, o que se defende aqui é o sistema do "invente o seu próprio trabalho". Não vi nada sobre isso aqui, mas vou procurar estudar mais, porque pelo visto estou desatualizado. Eu só não entendo se ainda vai fazer sentido pagar pelos bens produzidos nessas atividades. Mas enfim, talvez eu que não seja tão criativo, não é mesmo?

Vou ler Ação Humana, porque já notei que só quem lê a bíblia pode falar sobre religião para você, não é mesmo?

Eu nunca disse que "se eu não conheço algo, é porque ele ainda não foi feito". Se Mises já fez o que eu escrevi ali em cima, vou procurar no livro que você citou. Até lá, vou parar de aborrecê-lo com minhas irrelevâncias.

"O exemplo da NASA é péssimo. A ciência de altíssimo nível que a NASA faz não chega tão frequentemente até nós (eu nunca quis dizer que não chega. Digo que pode não chegar tão rápido, nem sempre.). Há MUITAS (não todas) soluções que a NASA acha que DEMORAM (não quer dizer que não cheguem) a chegar até nós."

Mas sou eu que cometi erros básicos de interpretação, não é mesmo?

"Veja o que foi dito no artigo linkado:

"A NASA recentemente produziu uma máquina altamente sofisticada que foi criada em uma impressora 3-D extremamente cara e específica. Em vez de levar um ano para produzir a máquina, a impressora 3-D fez o trabalho em apenas quatro meses — ou seja, reduziu os custos de produção em 66%."

Aqui você diz "O trecho acima não está chamando atenção para a NASA, mas sim para as impressores 3-D, que nada têm a ver com a NASA!" O texto usa um exemplo de um procedimento testado na NASA, para demonstrar o interesse no próprio procedimento! Dizendo isso, você comete aquela famosa falácia do espantalho, para descaracterizar meu argumento. Em seguida, você comete outra, de me agredir (pelo menos eu me senti agredido porque você me tacha de ignorante), chamada falácia Ad Hominem: "Impressoras 3-D são uma invenção do setor privado e que estão se tornando cada vez mais comuns nos países mais avançados. Veja um exemplo básico aqui: www.mises.org.br/Article.aspx?id=1339"

Antes que você diga que eu fui injusto, comparando seu raciocínio a uma mentalidade religiosa, veja o exemplo que você deu: "A NASA entrou naquele parágrafo como Pôncio Pilatos no Credo. Foi só uma citação. O objeto de estudo eram as impressoras 3-D, muito comuns nos EUA, mas sobre as quais você aparentemente nada sabe". Repare também na ironia Ad Hominem.

Aliás:

"Dica: informe-se melhor sobre o mundo antes de sair emitindo opiniões. Senão você continuará passando vergonha.

P.S.: Não perdi meu tempo lendo o resto do seu comentário. Se até a metade da escrita você cometeu erros crassos e até mesmo básicos de interpretação, dificilmente haveria algo com o qual eu pudesse aprender no restante do seu texto. E eu só leio coisas que me são instrutivas (só com o que você concorde, ou o que caiba na sua cabeça). A vida é curta."

Responder
Thiago 06/01/2015 21:46:10

"Primeiro, eu entendo que, se alguém afirma algo, deveria mostrar alguma pesquisa que endosse o que afirma. Não se vê, em nenhuma afirmação, ou citação histórica feita nas palestras, nenhuma referência a nenhum artigo ou obra que possa ser consultada."

Queridão, deixa eu lhe contar um segredo importantíssimo e que vai mudar a sua vida: quando você faz uma palestra informal, falando de improviso e sem consultar nenhuma anotação (na década de 1950, quando Mises fez suas palestras, não havia PowerPoint e nem nenhum recurso semelhante), é impossível você apresentar notas de rodapé.

Surpreendente, né? Pois é.

Quando você conversa informalmente com alguém em um boteco, você apresenta notas de rodapé para cada afirmação que você faz? Se sim, compartilhe com a gente como funciona essa sua técnica de realismo virtual.

No que mais, as transcrições das palestras de Mises foram feitas postumamente. Todas elas. Não foi o próprio Mises que as organizou, pois ele já estava morto. Como é que você queria que ele, estando morto, providenciasse notas de rodapé?

De resto, quer notas de rodapé em profusão, sobre qualquer assunto? Leia Ação Humana. Ao menos essa sua demanda será atendida. Você já está aqui há mais de uma semana "ameçando" começar a ler o livro. Até agora, ficou só na ameaça.

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