clube   |   doar   |   idiomas
Desregulamentar profissões. Todas!

 

O governo anunciará em breve a proibição de carros pequenos com motores de menos de 2.0 e serão obrigatórios transmissão automática, computadores de bordo e airbags sêxtuplos. Que tal lhe pareceria essa notícia? Fords Ka, Fiats Palio, Fords Fiesta sumiriam do mercado. Todos os carros custariam muito mais caro. Adeus ao sonho do carro 1.0, sem imposto. Seria uma crise nacional.

Mas não causa crise sermos obrigados a pagar a um médico formado numa faculdade, que estudou seis anos, para girar lentes na frente do nosso rosto e nos dizer que temos 2,5 graus de miopia. Ou pagar a um médico a taxa de carta de motorista, para nos mandar ler algumas letras na parede. Nem causa espanto que precisemos pagar a advogados, formados por cinco anos, para nos tirarem da cadeia, coisa que um estudante de Direito do primeiro ano sabe fazer, ou até mesmo quem nunca estudou Direito.

Escrevi, nos anos 70, um artigo chamado Em defesa dos advogados, publicado no Jornal da Tarde. Dias depois chegou pelo correio (a vida era assim antes daquele menino maluquinho e irresponsável, William Gates III, que abandonou a faculdade) cópia de carta do presidente da OAB de São Paulo protestando e explicando detalhadamente por que a regulamentação exercida pela OAB era fundamental para a defesa dos interesses dos possíveis clientes. Mas a carta não falava nada sobre a obrigação de pagar mais caro por advogados que estudaram cinco anos para prestar serviços corriqueiros sem complexidades ou consequências jurídicas maiores. A resposta: custa muito caro porque, quando pagamos a um advogado, temos de ressarci-lo pelos anos de estudos de Direito e pagar um naco das mensalidades da OAB, que é um sindicato que defende mais os interesses dos advogados que o dos clientes.

Desregulamentar a medicina? Certamente. Faço palestras em que proponho a desregulamentação da medicina. A reação das plateias é de horror. Mas como? É a nossa saúde que está em jogo!

Imediatamente depois da reação, mas ainda durante o pânico, peço que levantem a mão todas as pessoas que utilizaram (ou seus parentes próximos) tratamentos alternativos, como cromoterapia, florais de Bach, aromaterapia, cinesiologia, hidroterapia, iridologia, quiropracticia, etc. Sempre mais de metade das audiências levantou as mãos. Ou seja, as pessoas acreditam em terapias alternativas, usam-nas em substituição à medicina e muitas depositam a continuidade de sua vida nelas (como quem se trata de câncer com extratos de sementes de pêssegos). Mas, quando perguntadas, a maioria diz-se a favor da regulamentação da medicina.

Bem-vindos ao mundo das profissões regulamentadas. O Cialis, o maior concorrente do Viagra para disfunção erétil, custou ao laboratório que o inventou, desenvolveu e comercializa entre US$ 600 milhões e US$ 800 milhões antes da venda do primeiro comprimido. Foram centenas de cientistas, pesquisadores, bioquímicos e milhares de testes exigidos pela FDA (a Anvisa americana). Cada vez que compra uma caixa de Cialis, você paga por todos esses custos. Mas há um, inútil, que você paga e não se dá conta: o salário da farmacêutica responsável da filial da empresa que produz o Cialis no Brasil. Ela entra na produção do Cialis como Pilatos no Credo, sem ter nada que ver com os benefícios do remédio. Ela só está lá porque os farmacêuticos (como todos os outros profissionais regulamentados) conseguiram que o Congresso Nacional votasse uma lei obrigando todos os laboratórios a terem um(a) farmacêutico(a) responsável, e também cada farmácia a ter um(a) farmacêutico(a) para lhe vender a caixinha dos comprimidos mágicos (ou de qualquer outro remédio que você queira comprar).

José Zanine Caldas, famosíssimo arquiteto autodidata, desenhou e construiu algumas das mais caras e belas casas do Joá e da Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro. Quem as comprava pagava por sua competência e seu bom gosto, mas um naco era para o engenheiro formado, cuja única função era assinar a planta. Zanine foi professor na Universidade de Brasília. Hoje não poderia, porque não tinha diploma.

Em resumo, não ganhamos nada com profissões regulamentadas. Só ganham os profissionais que fazem parte delas.

Sou contra as faculdades? Não (vivo, em parte, de ser professor). Mas acho que todos devem poder contratar, para qualquer serviço, o profissional em quem confiam, independentemente de ter ou não um diploma e/ou um registro profissional.

Quando regulamentam profissões, parlamentares caem na esparrela de acreditar que estão defendendo o público. Potoca. Estão apenas defendendo um mercado cativo para grupos politicamente organizados que buzinaram nos seus ouvidos que eles deviam regulamentar alguma profissão.

O problema não é só brasileiro. Todos os prédios que você vê ao vivo em Las Vegas, ou no seriado CSI, foram construídos por pessoas de bom caráter. Pedreiros, no Estado de Nevada, precisam apresentar um atestado de bom caráter, além de saber empilhar tijolos.

Uma lei de 1952 proibia comunistas de serem farmacêuticos no Texas e, no Estado de Washington, veterinários eram proibidos de tratar de vacas enfermas se não assinassem um juramento anticomunista.

Há no Congresso brasileiro 169 projetos de regulamentação de profissões. A cada um que for aprovado você pagará mais caro por aquele serviço, em troca de proteção zero. Regulamentações profissionais só protegem os prestadores de serviços e excluem concorrentes que poderiam prestar os mesmos serviços, só que mais barato.

Acabou de ler o artigo? Não tem nada que fazer? Entre no YouTube ( http://www.youtube.com/watch?v=B6vOChhue20 ). E ouça o hino do farmacêutico.

Parabéns! A conta é toda sua, inclusive a do hino.

____________________________________________

Mais sobre o assunto:

Por que a liberdade assusta tanto?

Tributação X Regulamentação - O que é pior?


0 votos

autor

Alexandre Barros
cientista político (Ph.D. pela University of Chicago), é diretor-gerente da Early Warning: Análise de Oportunidade e Risco Político

  • Daniel  22/10/2009 14:46
    uma duvida : regulamentações profissionais protegem os prestadores de serviços e aumenta seus salários e, consequentemente, o seu bem-estar. Porque a maioria dos economistas (claro que isso não conta os doidos do IPEA, etc..) defende uma posição contra seus interesses próprios ?(a não regulamentação da profissão de economista, em especial)...
  • Leandro  22/10/2009 15:06
    Daniel, regulamentações nada mais são do que uma cartelização da profissão: os que já estão naquela área impedem que outros de fora possam ofertar os mesmos serviços. Ao barrarem essa concorrência, eles garantem duas coisas: maiores salários e piores serviços. Só defendem cartelização os incompetentes que têm medo da concorrência.
  • Daniel  22/10/2009 15:24
    Sim, isso eu sei e concordo. Mas porque os economistas são contra a cartelização para o seu próprio setor de atuação se isso aumentaria seu bem-estar? Cada um se ve como mais competente que seus pares ? Ou então os economistas são seres benevolentes e estão preocupados com a qualidade e o preço dos seus serviços ?
  • Fernando Chiocca  22/10/2009 15:31
    "Mas porque os economistas são contra a cartelização para o seu próprio setor de atuação se isso aumentaria seu bem-estar?"\nTenho outra pergunta, por que todas as pessoas não roubam tudo que podem, já que isto aumentaria seu bem estar?\n
  • Leandro  22/10/2009 15:37
    Daniel, desconheço esse fato de economistas serem contra a cartelização de seu setor. Alguns podem ser, mas a maioria não é. Se fossem, estariam pedindo o fim dos diplomas.
  • americo  24/07/2010 14:28
    Como avaliar sem receber formação para realizar diagnóstico? Como tratar se não aprendeu a diagnosticar? Será que o conhecimento "empiríco" de mundo associado a responsabilidade civil e penal perante ao ato serão suficientes para garantir um tratamento adequado? O erro já é praticado com grande frequência. Seria aceitável permitir com que seja realizado em larga escala? A universidade não seleciona, profissionais já saem mal preparados desta tornando-a uma "indústria de alunos" (até o gari da esquina tem diploma de farmacêutico... e é gari). Bem polêmico, não?
  • henrique  17/11/2016 16:01
    Concordo em gênero, número e grau.
    Vou dar um bom exemplo prático disso:
    Suponhamos que um médico, formado em um outro país, deseje abrir um consultório privado no Brasil. Para isso, ele é obrigado a revalidar seu diploma antes de poder exercer a profissão.
    Suponhamos ainda, que eu deseje ser consultado por esse médico mas como ele não revalidou o diploma, eu como consumidor sou privado do meu direito a ser consultado por esse profissional. Ou seja: eu sei que o profissional não tem o diploma revalidado no Brasil, mas o dinheiro da consulta irá sair do meu bolso. A saúde é minha, a decisão é minha! O estado e o CFM não tem que se meter nisso.
    Você pode até se perguntar: e se esse médico cometer um erro?
    Minha resposta é: que ele pague perante a lei, oras!
    Os médicos formados no Brasil sempre alegam que se faz necessária a revalidação porque "há que se preocupar com a qualidade desses médicos". Essa desculpa é tão absurdamente mentirosa que, segundo dados do Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo (CREMESP), quase 70% dos médicos que realizaram um exame proposto por essa instituição, reprovaram (www.cremesp.org.br/?siteAcao=Imprensa&acao=crm_midia&id=595), porém lhes é assegurado o direito de exercer sua profissão normalmente.
    Pergunto-lhes: onde está a preocupação com a qualidade nesse caso?
    É fato que há um claro interesse desses órgãos em promover reserva de mercado.
    Eu, como cidadão livre, devo ter o direito de escolher com qual profissional desejo me tratar (sem precisar pegar um avião para ir-me a outro país). E o profissional tem o direito de exercer sua profissão e estabelecer uma relação com seu cliente, sem que haja intromissão do estado ou de autarquias.
  • Diogo Siqueira  24/07/2010 17:15
    Americo,


    Os problemas oriundos da má formação profissional (ou da má prestação de um serviço) advêm da confiança depositada pelos pacientes/consumidores nos órgãos estatais de fiscalização e conselhos de classe.

    Sentindo-se seguros no atual sistema, as pessoas deixam de perquirir os profissionais e de exigir a apresentação de seus certificados. Além disso, quando desejam consultar o histórico de um profissional, esbarram na burocracia dos conselhos de classe. E se alguém tentar criar um serviço paralelo de avaliação destes profissionais, com certeza sofrerá uma enxurrada de processos de indenização por danos morais e materiais, além de queixas penais; o que inibe esta importante iniciativa.

    E quanto a dizer que existem muitos profissionais por ai, isto não quer dizer absolutamente nada sem um sistema eficiente de avaliação realizado pela iniciativa privada. Somente com a livre circulação da informação e a desburocratização é que os bom profissionais ficaram em evidência e os menos qualificados seriam descartados o mais rapidamente possível.
  • Angelo  24/07/2010 19:30
    Nesta quarta-feira, dia 21 de julho de 2010, ocorreu aqui em Canoas-RS, um engavetamento de vários veículos na BR 116, que é, segundo dizem, o segundo trecho rodoviário mais movimentado do Brasil inteiro, em número de carros por quilômetro por dia. Bem. Há uns meses fizeram uma profunda alteração viária desta rodovia, transformando sua pista dupla, sentido Norte-Porto Alegre, numa via de três pistas, excluindo o acostamento direito e passando-o a via de tráfego normal. As três pistas novas, cada uma delas tem largura menor do que anteriormente, o que aproxima mais os veículos lateralmente, aumentando o risco a todos, principalmente na presença de caminhôes e ônibus, que não são poucos. Tiraram simplesmente a área de escape da rodovia e tudo bem. Tudo isso foi decidido por engenheiros do DNIT, todos regulamentados, óbvio, que jamais foram sensíveis aos apelos da população através dos canais de mídia disponíveis. Ninguém de bom senso foi a favor de tal mudança, mas ela aconteceu. Além do mais, o primeiro mandamento do CREA - não escrito, claro - é de que nenhum profissional regulamentado tem o direito de criticar a obra de outro regulamentado em público, sob pena de perder seu registro profissional. Ficamos com a chave da gaveta presa dentro da própria gaveta. Sobra-nos, como "leigos" reclamar daquilo que não entendemos e que claramente está errado, para alguém que entende do assunto msa que não será sensível a nossos apelos, por sentir-se superior intelectualmente. Acho que saí um pouco do núcleo do artigo, mas penso que a regulamentação está a tocar para trás a real capacidade técnica de profissionais. Em vez de resolvedores de problemas, tornaram-se burocratas assinadores de relatórios e memorandos, tão inúteis quanto a regulamentação profissional. (Depois de escrever meu comentário notei que o artigo foi escrito há um ano do incidente ocorrido - vidência do autor)
  • João  03/03/2011 17:40
    Tenho uma dúvida sobre esse assunto:\r
    \r
    Não aumentaria o número de desabamentos de prédios? Imagina quantos brasileiros não iriam querer trabalhar de engenheiros, mesmo não entendendo nada, só para conseguir um dinheiro. E imagina quantos brasileiros iriam requerer esse serviço, pois seria o mais barato. \r
    \r
    \r
    O livre mercado trataria de corrigir esse problema, os engenheiros ineficientes faliriam. Entretanto, quantos pessoas morreriam para que um engenheiro falisse? ´\r
    \r
    \r
    Concordo, que cada uma tem o direito de escolher quem vai prestar o seu serviço. Mas, em uma discussão com um primo meu engenheiro, nao conseguir argumentar com ele. \r
    \r
    Obrigado.
  • Augusto  03/03/2011 18:30
    {i]Em primeiro lugar[/i], a ideia de que "muitas pessoas iriam trabalhar como engenheiros" eh exagerada, quase fora de proposito. No sistema atual, onde praticar a engenharia eh um privilegio legal, realmente qualquer um teria interesse em se tornar engenheiro. No entanto, a partir do momento em que a profissao se torna aberta para todos, ela deixa de ser interessante.\r
    \r
    Trata-se simplesmente de custo de oportunidade: se voce eh um bom padeiro, ganha bem, nao faz sentido voce posar de engenheiro, pois sua clientela sera menor e consequentemente, os seus ganhos tambem.\r
    \r
    Em segundo lugar, diploma nao eh garantia de competencia. Tome por exemplo casos bastante comuns, de alunos que precisam parar o curso pela metade, ou as vezes ate ja no fim, porque nao podem pagar, ou porque surgiu uma emergencia e precisaram voltar para a cidade natal, ou qualquer coisa do genero. Em que momento a pessoa passa a saber construir um predio? Eh magicamente ao receber o diploma? Eh depois do 4 periodo da faculdade? Do 6? As piramides do Egito estao la ha 5 mil anos, e nao foram construidas por engenheiros diplomados e registrados pelo CREA.\r
    \r
    Finalmente, a questao nao eh "quantos predios precisam desabar ate que o mercado decida quem eh bom e quem nao eh?", mas sim "quantos predios nao estao sendo construidos no sistema atual?"
  • Alexandre M. R. Filho  10/03/2011 15:55
    Vc entraria num prédio que vc não tivesse certeza que foi bem construído?\r
    \r
    Eu não. A não ser que valesse muito a pena. E eu acho que devo poder decidir isso.\r
    \r
    Quando vc imagina que um prédio foi construído por um engenheiro do CREA vc tem essa certeza?\r
    \r
    Eu não tenho.\r
    \r
    E se regulamentar uma profíssão é correto, então o argumento deve valer para regulamentar todas.\r
    \r
    Que tal um CRM - Conselho Regional dos Marceneiros?\r
    \r
    Afinal, o móvel aéreo da sua cozinha pode cair na sua cabeça e te matar.\r
    \r
    Quantos móveis devem cair para que o mercado selecione os bons marceneiros?\r
    \r
  • André Ramos  10/03/2011 12:53
    O problema é sempre o mesmo: não é a existência de uma regulamentação o mal maior, mas a IMPOSIÇÃO dessa regulamentação, que acaba cartelizando as profissões, como o Leandro bem colocou.
    Num livre mercado, com certeza vão surgir associações (VOLUNTÁRIAS!!!), que com certeza exigirão requisitos para a filiação (VOLUNTÁRIA!!!) de interessados. Da mesma forma, vão existir profissionais que OPTARÃO por não se filiar a nenhuma associação etc. Essas associações e esses profissionais independentes vão competir pelos clientes livremente, e para tanto vão procurar sempre apresentar mais e melhores qualidades...
    Enfim, se eu for construir minha casa, eu vou olhar pro mercado e decidir quem contratar. Alguns consumidores se sentirão mais seguros contratando um profissional com formação universitária e filiado a uma corporação respeitada (com certeza pagará mais caro por isso). Outros optarão por contratar profissionais independentes e autodidatas, e assim por diante. Isso valerá para qualquer profissão.
    No fim das contas, quem ganha? Os bons profissionais (que se destacarão pelos seus méritos) e os consumidores (que terão mais opções, tanto em preço como em qualidade, para escolher). No modelo de profissões regulamentadas COMPULSORIAMENTE, quem ganha? Responda você mesmo.
  • André Ramos  07/07/2011 11:34
    Olha que beleza de notícia acabei de ler na Veja.com:

    Senado regulamenta profissão de sommelier
    Pela lei, sommelier é o profissional encarregado de executar "serviço especializado de vinhos em empresas de eventos gastronômicos, hotelaria, restaurantes, supermercados e enotecas e em comissárias de companhias aéreas e marítimas"

    A Comissão de Assuntos Sociais do Senado (CAS) aprovou hoje - e agora vai à sanção presidencial - projeto de lei que regulamenta o exercício da profissão de sommelier. Chamado pelo termo em francês, o sommelier é o profissional encarregado de executar "serviço especializado de vinhos em empresas de eventos gastronômicos, hotelaria, restaurantes, supermercados e enotecas e em comissárias de companhias aéreas e marítimas".

    O deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ), autor da proposta, incluiu no texto a especificação de que somente podem exercer a profissão os portadores de certificados de habilitação em cursos ministrados por instituições oficiais, públicas ou privadas, nacionais ou estrangeiras, ou aquele que, à data da sanção da lei, estiver exercendo efetivamente a profissão há mais de três anos.

    O relator Romero Jucá (PMDB-RR) afirma que os sommeliers têm alcançado o reconhecimento de sua atividade "graças à competente formação técnica a que se submetem e ao respeito que angariam de seus empregadores". No entender de Cunha, a regulamentação da profissão melhora a imagem das indústrias vinícolas do país.

    (Com Agência Estado)
  • Augusto  07/07/2011 12:30
    Por que a surpresa?\r
    \r
    Em todas, absolutamente todas, as categorias profissionais voce vai encontrar gente defendendo a regulamentacao da profissao, de preferencia com alguma clausula de exclusividade.\r
    \r
    Ontem, naquele jornal da tarde da rede Globo, estavam fazendo uma reportagem sobre uma "escola de circo". E claro, entrevistaram gente defendendo a regulamentacao da profissao de "artista circense".\r
    \r
    Pois eh, acredite, tem gente que quer ser palhaco por forca de lei. ;-)
  • André Ramos  07/07/2011 13:34
    Augusto,
    eu não me surpreendi, não!
    eu fui na mesma hora escrever um texto esculhambando as regulamentações e aproveitei para dar um 'up' neste post, que trata muito bem do tema, assim como este: www.mises.org.br/Article.aspx?id=319.
    Abraço.
  • Engenheiro Anti-Cartorios  07/07/2011 12:49
    LOLLLLL,

    Se até para ser palhaço do circo será necessário curso, diploma e conselho, por que então para ser político qualquer um pode????

    Proponho instituir um processo seletivo para candidatos a cargos políticos, em que os indigitados teriam que demonstrar conhecimentos mínimos de língua portuguesa, matemática, história, geografia, economia, finanças, administração e outros essenciais para desempenharem suas funções com um mínimo de competência !!! [modo irônico "off'].

    Francamente, o nível bestialógico neste país está atingindo proporções catastróficas !!!

    Tá na hora de derrubar esse castelo de cartas !!!

    Socorrrrrggghhhhh.....

  • Henrique  07/07/2011 12:50
    Depois não reclamem se um médico não regulamentado matar ou mutilar vocês ou algum parente. Ou se algum engenheiro de fim de semana projetar uma ponte e esta desabar em cima de vocês...
  • Fernando Chiocca  07/07/2011 13:01
    Puxa, realmente Henrique.. nunca tinha pensado nisso.
    Se o CRM deixar de ser obrigatório, eu iria correndo marcar uma operação com o açougueiro da esquina, e é verdade, ele poderia me matar ou me mutilar.

    Cara, acho que sua constatação genial pode ter salvo minha vida! Obrigado por compartilhar conosco sua inteligência ímpar e preocupação com a vida de quem nem conhece! O estado realmente tem que dizer a mim e a todos quem pode e quem não pode praticar medicina e dar porrada em quem tentar oferecer seus serviços médicos sem a autorização dele.
  • Breno Almeida  07/07/2011 16:32
    Se o médico for regulamentado está tudo certo então, pode matar a vontade. É aquele negócio né, se tiver farda do exército pode ir no Iraque e matar geral, se não tiver ae é "mercenário".

    Liberdade significa responsabilidade se um médico ou engenheiro for responsavel pela morte de uma pessoa ele vai sofrer punição independente de ter diploma.

    Quem seria o louco de operar uma pessoa sabendo que pode pegar perpetua ou injeção letal caso faça algo irresponsavel?
  • Fernando Chiocca  07/07/2011 17:14
    Não é bem isso que prega a regulamentação Breno. Punições também existem para os profissionais que obtem autorização do estado para trabalhar; mas o problema é que só eles podem trabalhar, mesmo que as pessoas queiram contratar uma pessoa, elas não podem.

    Este é o sistema de guildas que está em vigor há séculos, apenas para garantir uma reserva de mercado a determinado grupo, impedindo à bala a concorrência e tornando os preços cobrados pelos monopolitas maiores do que seriam em um livre mercado. E a qualidade dos serviços menor, ao contrários do que os privilegiados usam como justificativa, dizendo que sua guilda serve para garantir uma melhor qualidade de profissionais.
  • Henrique  07/07/2011 13:54
    Claro, Fernando, em um curso de fim de semana qualquer um poderá se formar médico, dentista, engenheiro, economista "austríaco" e genialmente propor idiotices como essas...
  • Fernando Chiocca  07/07/2011 15:56
    Pra que gastar um final de semana inteiro num curso? Que tal apenas preencher um cadastro na internet e receber um diploma de médico pelo correio?! Não é melhor? Se acabarem com a Guilda Médica que garante através da violência o monopólio de serviços médicos, eu ia correndo me consultar com um médico que se formou através desse site!

    Obrigado novamente! É bom ter as ideias de pessoas com inteligência superior como a sua em vigor em nosso país, para que seres inferiores como todos os outros sejam impedidos de usarem seus próprios critérios para escolherem seus médicos.

    Novamente agradeço seu apreço por seres inferiores como nós, pois estas escolham erradas nossas não te prejudicariam em nada, os únicos prejudicados seríamos nós, os incapazes. É muita compaixão pelo próximo mesmo. Vai agredir inocentes, mas é pelo bem deles né.
  • Absolut  07/07/2011 15:57
    Não entendo como o aumento da competição levará a serviços piores...
    Guerra é paz, liberdade é escravidão, ignorância é força e competição é falta de competição?
  • Felipe Barbosa  08/07/2011 10:09
    Sim, desregulamentar seria terrivel, na verdade proponho que apenas médicos com 10 anos de profissão possam aplicar injeções, apenas enfermeiras experientes possam manusear um termometro, afinal de contas, as consequencias de qualquer erro seriam tragicas e não faltam médicos no Brasil, logicamente isso seria uma exigencia sensata!

    que fique claro, estou sendo sarcastico, em locais afastados, sem ajuda médica, uma parteira pode ser a linha que separa uma tragédia e um parto bem sucedido, o serviço dela é vital, ela é passivel a erros, mas simplismente acabar com a classe, seria pior ou melhor para a sociedade?
  • Fernando Z  08/07/2011 10:42
    Pois é.. vc tocou no ponto fundamental aqui. O fato é que as regulamentações podem impedir até que pessoas com conhecimento superior ao padrão sejam levadas a sério. Um caso bem conhecido por nós é o exemplo da economia mainstream X austríaca; As pessoas aqui nesse site em grande maioria participam aqui justamente por não seguirem regulamentações. Tem uma frase que resume isso muito bem:

    O potencial para um bem maior vai para a direita junto com o potencial para o mal maior.
  • Renan  07/07/2011 18:00
    Para atingir uma sociedade realmente livre deveriamos Desregulamentar profissões e acabar com o Vestibular, acrescento isso!
  • Fernando Chiocca  07/07/2011 18:32
    Acabar com vestibular???? O que isso tem a ver com uma sociedade livre? Porque uma universidade não pode usar este método para selecionar seus alunos???
  • Felix  07/07/2011 19:47
    Hahaha,
    da hora...
    e bicicleta azul para todos!!!
  • Fernando Z  07/07/2011 19:57
    Acho que ele quis dizer que o Ensino tem que ser particular...
  • Augusto  07/07/2011 20:29
    Acabar com a lei que determina que o Vestibular seja a unica ferramenta de acesso a universidade, concordo plenamente. Eh mais uma lei que reduz a liberdade economica.\r
    \r
    Agora, "acabar com o vestibular", dito sem contexto, sou absolutamente contra. As universidades devem ter plena liberdade de como selecionar seus alunos.
  • Absolut  07/07/2011 22:09
    As universidades devem ter plena liberdade de como selecionar seus alunos.

    Inclusive seria justo que as particulares (que deveriam ser as únicas) tivessem o direito de discriminar com base em qualquer coisa.
  • Fernando Z  07/07/2011 23:04
    Tem que ver o que ele quis dizer. Acho que ele quis dizer que o Vestibular é uma forma regulação sobre o conhecimento. Será que ninguém aqui passou pela experiência de estudar para o vestibular? É uma forma de ataque a inteligência livre...Se eu quisesse emburrecer os jovens eu faria uma prova anual com assuntos que pouco se cruzam, que tem pouca aplicabilidade e faria de tal forma que quase todas as instituições de ensino se baseassem nela e chamaria isso de ......ENEM(!!!).
  • Breno Almeida  08/07/2011 07:45
    Fernando,\r
    \r
    "Punições também existem para os profissionais que obtem autorização do estado para trabalhar;"\r
    \r
    Será que existem mesmo? Imagine que você é um juíz autoditada (e ilegal) e então julga e condena uma pessoa, que é pressa por um policial tambem autoditada. O condenado foge e prova sua inocência em um tribunal estatal. \r
    \r
    Você vai ser provavelmente condenado por formação de quadrilha e sequestro.(E também o policial)\r
    \r
    Um juíz regulamentado sofreria a mesma punição?\r
    \r
    Imagine que você é um policial autoditada e então atira pelas costas e mata um suspeito que corria para fora de uma loja. O suspeito era inocente. Você poderia pegar pena de morte (dependendo do local), o policial regulamento vai sofrer o mesmo?\r
    \r
    É verdade que um médico ou policial ou juíz podem ir a juri popular e pegar uma pena comum.\r
    \r
    Mas a dúvida do Henrique me pareceu: Quem vai impedir um engenheiro ou médico não regulado de matar por negligência?\r
    \r
    A minha resposta seria a justiça. É claro que a concorrência também impediria. \r
    \r
    Na realidade eu tentava mostrar que tem um lado bom da regulamentação que testa e verifica a capacidade do profissional, empresas privadas fazem o mesmo sem recorrer a coerção.\r
    \r
    Mas tem um lado ruim que não é só o privilégio economico de impedir a entrada de concorrentes. Mas também que em alguns casos a legislação coloca o profissional acima da justiça.
  • Alexandre M. R. Filho  10/02/2012 07:55
    Como o "ato médico" está em voga, esse texto deveria voltar à página principal do site... Fica a sugestão!
  • Rodrigo  25/07/2012 10:59
    A minha opinião é de que ainda é cedo para desregulamentar a medicina. A sociedade ainda não tem um mínimo de formação intelectual para discernir o que é medicina (terapias eficazes) do que é medicina alternativa (terapias sem comprovação científica).

    A desregulamentação iria abrir espaço para muitas pessoas abusarem da boa fé dos pacientes, indicando tratamentos placebo como se fosse eficazes. Ou seja, iriam ganhar os pacientes na conversa. Algo parecido como o que fazem os bispos de algumas igrejas evangélicas que vemos por aí, prometendo a cura da Aids e do câncer. Muitas pessoas deixam de procurar um tratamento eficaz com um médico quieto, tímido, com pouco poder de persuasão, pois encontram em sua igreja um pastor eloquente, com grande poder de oratória que os convence a rezar inutilmente para curar a Aids ou o câncer.

    Acredito que primeiro devemos educar as pessoas sobre medicina e ciência, e só depois pensar em desregulamentar as profissões da área da saúde.
  • Felipe  25/07/2012 18:12
    Rodrigo, você falou tudo!

    Eu apóio uma economia livre, a desregulamentação. Mas fazer isso, sem mais sem menos, de um dia para outro, seria um pouco insano.

    Eu concordo o argumento do Rodrigo que diz que a população não está pronta para ver uma medicina desregulamentada (foi isso que eu entendi.. estou certo?). Fazer a transição de uma população que está acostumada a um sistema 'diploma/não-diploma' para 'sou senhor da minha saúde e faço o que eu bem entender' não é, ao meu ver, imediata.

    Tem gente que diz que o mercado se auto-regularia, que eu acho parcialmente verdade. Primeiro, quanto tempo isso demoraria? Seria em uma hora? Um dia? Um Ano? Um século? Quantas vidas isso levaria? Não adianta fazer um complexo sistema livre, onde a maioria não saberia analisar o que é bom para ela mesma. E isso leva à segunda questão: se a população está acostumada ao sistema binário de hoje, o próximo sistema 'libertário' que surgeria seria muito próximo deste, já que seus consumidores (doente é um consumidor?) simplismente não sabe avaliar de outra forma.

    Eu queria fugir um pouco do assunto do texto agora.
    Fala-se muito do estado ideal do livre mercado, mas poucos artigos têm sobre como conseguí-lo. Na minha humilde opnião, liberdade não algo que quebra a regra hoje e amanhã temos um sistema lindo e maravilhoso, mas sim um processo que tem que ser trabalhado.

    Desculpem pelo longo texto e pela péssima escrita.
  • Jose Roberto  26/07/2012 03:46
    Quem são vocês para saberem se alguém "está pronto" ou não(seja lá o que isso signifique pra vocês)?
  • Steve Ling  25/07/2012 11:43
    As vezes penso que alguns médicos atendem como um computador: o paciente cita os sintomas e o médico escreve a receita.
  • Lucas  18/07/2013 22:50
    Gostaria de saber a opinião dos meus colegas sobre as possíveis consequências da adoção de uma política como a requisitada neste abaixo-assinado:

    www.avaaz.org/po/petition/Pela_profissionalizacao_do_cientista/?pv=4
  • Emerson Luis, um Psicologo  28/02/2014 20:14

    Profético!

    Cinco anos depois, os airbags se tornam obrigatórios, os carros mais acessíveis se tornam consequentemente mais caro e o KA passa a ser um carro de classe média alta.

    * * *
  • Rael Monteiro Xavier  06/02/2017 14:31
    Outra questão importante é, além da existência ou não de licenciamento, a existência para apenas alguns. Os profissionais licenciados acabam por receber uma vantagem injusta ao terem acesso facilitado ao mercado, mas essa vantagem permite além disso, que eles tenham maiores possibilidade de acesso a atribuições que não foram inicialmente previstas no licenciamento.
    É por isso que o número de ocupantes em cargos de chefia tende a ser maior por profissionais licenciados, especialmente aqueles em que o licenciamento cobre grande parte do espaço funcional onde a organização atua ou para profissionais que lidem como "defensores" quando há maiores possibilidades de intervenção estatal. Um fato bastante comum é quando os profissionais licenciados se recusam a ser geridos por alguém que não faz parte da sua corporação, acontece especialmente em instituições de saúde que mudam a gestão de médicos.
  • Eduardo R., Rio  01/06/2017 03:29
    Conspiração contra o público, por Hélio Schwartsman.


Envie-nos seu comentário inteligente e educado:
Nome
Email
Comentário
Comentários serão exibidos após aprovação do moderador.