O que um país deve fazer para substituir o dólar como moeda de reserva mundial

Durante os últimos meses foram noticiadas declarações de burocratas da China e de políticos da Rússia sobre a necessidade de se criar uma nova moeda de reserva para substituir o dólar americano.  Tem-se falado muito sobre os Direitos Especiais de Saque (DES), uma criação do FMI — uma instituição que não é nem governo e nem banco central.  Se eu pudesse dar uma sugestão, esta seria: esqueçam isso.

O mais interessante é que nenhum burocrata ou político recomenda que a moeda de seu próprio país substitua o dólar.  Isso é muito estranho, aparentemente.  Afinal, os EUA possuem uma série única de vantagens em decorrência de seu status de detentor da moeda de reserva.  Dentre essas vantagens estão:

  1. O governo americano pode recorrer ao seu banco central (o Fed) para que este crie dinheiro do nada e compre os títulos da dívida do governo em posse do Tesouro americano; esse dinheiro recém-impresso também pode ser utilizado para pagar pelos títulos americanos em posse dos bancos centrais estrangeiros.
  2. Os americanos podem importar petróleo com dólares criados do nada.
  3. Há um enorme mercado para os títulos da dívida do Tesouro (a uma taxa de quase 0% ao ano), para os títulos da dívida comercial (debêntures), e até mesmo para as ações, os quais os estrangeiros e seus bancos centrais compram animadamente, financiando assim o gigantesco déficit comercial americano.
  4. Os mercados futuros de commodity em todo o mundo são precificados em dólar, fazendo com que seja mais custoso transacionar em outras moedas.

Os governos nacionais possuem a vantagem de poder pagar seus credores domésticos com papel-moeda fiduciário criado do nada.  Não seria de se imaginar que eles iriam amar poder fazer o mesmo com seus credores estrangeiros?  Os EUA vêm fazendo isso desde 1940.  Por que permitir que o país mantenha esse monopólio?

Eu consigo imaginar uma razão óbvia por que nenhum político está recomendando que a moeda de sua nação torne-se a moeda de reserva mundial.  Tal sugestão seria acolhida com risadas sarcásticas.  "Hein? Utilizar a moeda daquele país?  Ele está falando sério?"  E então os críticos da ideia iriam publicar uma lista de razões explicando por que ninguém em seu juízo perfeito iria utilizar a moeda daquele país como reserva internacional.  E os críticos estariam certos.

O dólar americano adquiriu sua atual posição privilegiada de maneira justa e honesta: ficando de fora da Segunda Guerra Mundial até o governo britânico tornar-se economicamente insolvente.  E então veio Hitler e cometeu a segunda decisão política mais estúpida do século XX: declarou guerra aos EUA em 11 de dezembro de 1941, algo ao qual ele não era obrigado segundo o pacto defensivo do Eixo, uma vez que o Japão já havia atacado os EUA.  (A decisão mais estúpida do século também foi de Hitler: atacar a URSS em junho de 1941).  Isso fez com que os EUA entrassem na guerra ao lado da Grã-Bretanha, já sabendo que o país iria substituir o Império Britânico e tornar-se a potência dominante nas questões internacionais após a guerra.  Roosevelt conscientemente pôs a pique a Império Britânico, com Truman completando o serviço.  (O melhor livro sobre isso é a obra-prima The Other End of the Lifeboat, de Otto Scott).

E HÁ O OURO

Não há relatos de qualquer burocrata, político ou banqueiro central que recomende um retorno ao ouro como moeda de reserva mundial.  E há uma razão para isso.  O ouro serviu como a moeda de reserva mundial antes da Primeira Guerra Mundial.  Ele mantinha os governos nacionais e seus bancos centrais sob restrito controle.  Quando eles inflacionavam, havia uma fuga de ouro.  A base monetária desses países declinava em consequência dessa fuga.  Isso transferia o controle da política monetária doméstica para os bancos centrais estrangeiros, para aqueles que especulavam com ouro, e para os usuários de moedas estrangeiras, como os banqueiros comerciais e os especialistas em comércio internacional.

Isso tirou a soberania sobre questões monetárias das nações-estado e a transferiu para especuladores internacionais, que colocavam seu próprio dinheiro em risco caso fizessem previsões incorretas.  Eles poderiam obter portentosos lucros caso previssem corretamente que um determinado país iria desvalorizar sua moeda.  Quando acreditavam que a política monetária de uma nação havia se tornado inflacionária, eles retirariam seus investimentos de lá, trocando a moeda local por ouro.

Os banqueiros centrais odiavam quando isso acontecia.  Mas eles tiveram de tolerar esse sistema, que durou desde o fim das guerras napoleônicas, em 1815, até a erupção da Primeira Guerra Mundial, em agosto de 1914.  A moeda estável reduzia os riscos de depreciações artificiais.  O comércio internacional cresceu rapidamente como resultado.  Em 1914, os preços eram aproximadamente os mesmos de 1815.

O preço dessa estabilidade de preços foi a redução do controle que políticos e banqueiros centrais tinham sobre as moedas.  Esse foi um preço político do qual os políticos sempre se ressentiram — afinal, tal mecanismo interferia em seu poder de utilizar dinheiro criado do nada para comprar votos e armas.

Nenhum banqueiro central ou liderança política internacional está clamando por um retorno do padrão-ouro, um sistema no qual os cidadãos — tanto nacionais quanto estrangeiros — podem pressionar os governos a pôr um fim na desvalorização legalizada de qualquer moeda (algo idêntico à falsificação monetária). 

Não obstante, é perfeitamente possível que o governo central de qualquer grande nação participante do comércio internacional estabeleça sua unidade monetária como a principal moeda de reserva mundial.  Desde 15 de agosto de 1971 que a atual posição do dólar não está baseada no ouro.  Naquele dia, Nixon unilateralmente tirou os EUA do padrão ouro-câmbio.  Não mais haveria vendas de ouro para governos e bancos centrais estrangeiros ao preço de US$35 por onça.

Ofereço a estratégia a seguir para qualquer líder político mundial e seus sucessores.

O DECISIVO COMUNICADO À IMPRENSA

Suponhamos que o presidente de um banco central decida que seu banco irá se tornar o próximo Federal Reserve System: o banco central dominante da terra.  Ele divulga o seguinte anunciado:

A partir de amanhã, este banco central não mais irá comprar ou vender os títulos da dívida de nosso governo ou de qualquer outro governo.  Também não mais irá comprar ou vender qualquer outra forma de dívidas ou ações.  Estamos congelando as operações monetárias desse banco.

Para corroborar esse intuito, criamos um novo website que disponibilizará todas as informações relacionadas aos ativos desse banco e às suas operações diárias.

O banco já fechou sua mesa de operações monetárias, tanto domésticas quanto cambiais.  Aos empregados foi oferecida a oportunidade de uma aposentadoria antecipada e com benefícios integrais.  Aqueles que recusarem a oferta não mais receberão qualquer aumento.  Eles serão designados para a tarefa de responder todas as perguntas dos membros do Congresso e da mídia.

Este banco central não mais irá tentar influenciar as taxas de juros, tanto as de curto quanto as de longo prazo.  Como o banco não mais irá comprar ou vender ativos, ele não terá como garantir seus anúncios oficiais sobre qual deverá ser a taxa de juros dos depósitos interbancários — isto é, a taxa básica de juros da economia.

Este banco central não mais fará empréstimos aos bancos comerciais, mesmo que estes ofereçam bons colaterais.

Essa política será permanente.  Levará de cinco a dez anos para que possamos provar nossa intenção, mas iremos atingir nosso objetivo.

Iremos financiar nossas operações internas através dos juros recebidos sobre os ativos que atualmente possuímos.

A nossa intenção é substituir o dólar americano como a moeda de reserva mundial.  Para provar a seriedade de nossa proposta, removemos todo o nosso ouro que estava depositado no Federal Reserve Bank de Nova York e já o trouxemos para o nosso cofre nacional.  Isso confirma os rumores que começaram seis semanas atrás.

Tudo o que é necessário para se estabelecer uma moeda como a moeda de reserva mundial é ter um banco central imune às políticas domésticas e que siga ao pé da letra todo o comunicado acima, permanentemente.

O mesmo resultado poderia ser atingido ainda mais rapidamente caso o comunicado à imprensa fosse feito conjuntamente pelo presidente do banco central e pelo chefe de governo (Primeiro-Ministro ou Presidente)

Os rumores sobre esse comunicado já teriam vazado há semanas.  A divulgação desse comunicado iria meramente confirmar esses rumores.

AS CONSEQUÊNCIAS ECONÔMICAS

Inicialmente, a maioria dos investidores não acreditaria nesse comunicado.  Eles iriam imaginar que o banco central não resistiria e logo teria de ceder às inevitáveis pressões do governo.

Esse país inevitavelmente entraria em recessão.  Haveria uma fuga de investimentos.  As taxas de juros iriam disparar.  Sem impressão de dinheiro, e com a receita em queda, não haveria políticas contra-cíclicas.  Bancos comerciais iriam à bancarrota, inclusive os maiores.

A economia iria contrair.  Os sindicatos iriam promover inúmeras greves. A produção iria despencar.  O desemprego iria subir.  Os maus investimentos que haviam sido feitos na crença de que haveria expansões monetárias — ou seja, que as taxas de juros permaneceriam baixas — iriam gerar prejuízos.

Com a quebra dos bancos, haveria uma contração monetária.  Os bancos solventes iriam enfrentar um efeito dominó, pois eles mantinham depósitos nos outros bancos insolventes.

Não haveria socorros.  Os equivalentes locais do Bank of America, Citigroup e J.P. Morgan fechariam suas portas.  Haveria um pânico financeiro.  Haveria uma corrida aos bancos ruins.

A economia estaria em uma séria recessão — talvez em uma depressão dentro de seis meses. 

Quando se tornasse claro que nada disso foi capaz de forçar o banco central a voltar às suas políticas antigas, o dinheiro voltaria a fluir para os bancos solventes.  Esses bancos ganhariam a reputação de bravos sobreviventes.

A dor da recessão tem sido, desde 1933, algo enorme demais para que qualquer regime político ou qualquer banco central tente resistir a ela.  É por isso que vivemos em uma era de inflação de preços.  A resistência ao ajuste de preços feito pelo mercado — isto é, deflação — é universal, especialmente entre economistas, sejam eles keynesianos, chicaguenses ou supply-siders.  Todos pregam a salvação via inflação.

A ECONOMIA INTERNACIONAL

O dólar americano começaria a se desvalorizar contra a moeda reformada.  Haveria, obviamente, altos e baixos, pois ninguém iria realmente acreditar que um banco central e seu governo se manteriam fieis a tal esquema. 

A moeda reformada ganharia um novo status: "papel-ouro".  Os Direitos Especiais de Saque do FMI foram chamados assim no início da década de 1970.  Porém, os adeptos da moeda forte já alertavam que isso seria o equivalente a diamantes de vidro.  E foi exatamente o que ocorreu com os DES.

O governo nacional seria forçado a se financiar apenas com as poupanças doméstica e internacional.  Por um lado, os investidores iriam imaginar que o novo plano seria abandonado assim que o governo não mais encontrasse investidores dispostos a comprar títulos a juros baixos.  Porém, se o banco central se mantivesse firme em sua política, os investidores mudariam sua visão.  Por outro lado, os banqueiros centrais estrangeiros poderiam decidir comprar os títulos da dívida desse país.  Como de praxe, os setores exportadores de todos os países do mundo estão sempre querendo vender mais bens para o exterior.  E os bancos centrais estrangeiros tentariam dar seu auxílio através do método politicamente mais fácil: imprimindo dinheiro domesticamente, de modo que sua moeda se desvalorizasse e suas exportações se tornassem mais atraentes.  Isso levaria a uma competição entre bancos centrais rivais para ver quem desvalorizaria mais sua moeda — o que faria com que a moeda reformada parecesse ainda melhor.

Com o tempo, tornar-se-ia cada vez mais aparente que o valor da moeda reformada seria função apenas da lei da oferta e demanda — sendo que essa moeda seria um ativo de oferta fixa.  Isso poderia levar dois anos, ou até mesmo cinco.  Porém, ano após ano, a coisa iria ficar cada vez mais clara: essa moeda é o equivalente a ouro.  Os investidores não teriam sua riqueza solapada por uma política de expansão monetária feita pelo banco central.

Todos os investidores privados estão atrás de lucro.  Uma moeda que se aprecia com o tempo é um bom chamariz de capital privado.  Os mercados de futuros iriam adotar a nova moeda.

Se as nações exportadoras de petróleo começassem a transacionar também na moeda reformada — além de no próprio dólar americano — os mercados mundiais veriam uma vantagem. "Compre a moeda reformada e espere.  Sua inevitável apreciação fará com que o petróleo fique mais barato".  Aqueles que mantivessem dólares iriam sofrer perdas comparativas.

Bancos centrais não estão em busca de lucro.  Seus diretores não são os donos desses bancos, e tampouco representam os interesses de investidores em busca de lucro.  Eles não estão sob pressão para comprar ativos de alto rendimento.

Em algum momento, entretanto, os bancos centrais iriam abandonar o depreciado dólar e iriam atrás da moeda reformada.  Por quê?  Por causa da pressão política.  Tornar-se-ia fato conhecido que o dólar seria um jogo de perdedores.  E banqueiros centrais não querem ser identificados como perdedores.

O CUSTO DA REFORMA

A razão pela qual os países do BRIC — Brasil, Rússia, Índia e China — não querem ver suas moedas substituindo o dólar é porque seus banqueiros centrais e políticos são keynesianos.  Eles acreditam na salvação via inflação.  Os poucos economistas devotos da Escola de Chicago presentes nas equipes estão convencidos de que o banco central pode e deve inflacionar para impedir uma recessão.  Esse foi o principal legado de Milton Friedman para o mundo moderno, no que tange os líderes desse mundo moderno.  Ele culpou a depressão de 1930-33 no Banco Central americano (o Fed), argumentando que este não havia inflacionado o suficiente.

É por isso que não vemos nenhum país candidatando sua moeda para substituir o dólar americano como moeda de reserva mundial.  Qualquer um dos países do BRIC poderia estabelecer políticas que elevariam suas respectivas moedas ao status de número um.  Mas o preço seria muito alto.  Tão alto quanto adotar um padrão monetário baseado em moedas de ouro.  Isso significaria o fim das intervenções monetárias.

O mundo moderno acredita na salvação via inflação.  E assim caminha toda civilização, com uma única exceção: os bizantinos, que tiveram uma estável moeda de ouro por mil anos desde 235 d.C.

O custo da reforma seria muito alto para os políticos e banqueiros centrais.  O custo seria a restauração da liberdade monetária.  E nenhum deles está disposto a pagar esse preço.

CONCLUSÃO

A não-moeda do FMI não pode substituir o dólar nos mercados monetários mundiais.  Todas as moedas atuais são fraudulentas.  O investidor tem de decidir qual moeda fiduciária terá o melhor desempenho durante sua vida.  Todas elas são escolhas ruins.

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Mais sobre o assunto:

As crises monetárias mundiais

Corrida para o fundo do poço

A irônica guerra cambial

Aflições cambiais



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SOBRE O AUTOR

Gary North
, ex-membro adjunto do Mises Institute, é o autor de vários livros sobre economia, ética e história. Visite seu website


Meu caro, pelo seu discurso você nunca foi liberal e nunca entendeu o que é ser liberal. E ainda tem coragem de vir com esse apelo sobre pobreza.

Gostaria de fazer uma pergunta a todos vocês:
Pois não.

Vocês já foram Pobres pra saber?
Nasci pobre, muito prazer.

Vocês já tiveram um parente morto por bala perdida?
O que isso tem a ver com capitalismo/liberalismo? Você está misturando segurança pública (que é MONOPOLIO do estado), que alias é altamente ineficiente (no Brasil, morrem 56.000 pessoas por ano, o maior indice do mundo, a gente perde até pra India, que é 43.000 por ano, outro país com alto controle estatal e burocrático) com conceitos economicos. O estado nega aos seus cidadãos o próprio direito de se defender com uma arma e mesmo assim é incapaz de solucionar o problema.

Falam tanto em mercado, economia. Mas nunca vi um liberal que enriqueceu graças a todo seu conhecimento na área, algum de vocês é rico por acaso? Maioria que vejo é classe média, acho gozado porque se manjam tanto de produzir valor e riqueza vocês deveriam ser ricos..Mas não é isso que eu vejo.

Ai meus deuses... essa foi triste.
1) O Brasil está muito longe de ser um país livre, economicamente. É o país que fica em 118 lugar no índice de liberdade econômica.

2) Ser liberal não é uma formula para ser rico e sim defender que as pessoas tenham a liberdade para efetuarem trocas entre si sem intervenção constante do Estado por via de impostos e regulações. É dessas trocas de valor que a riqueza é produzida. Cada um teria a liberdade de crescer de acordo com suas habilidades e viver num patamar de vida que julga confortável, mas repito, o Brasil NÃO É E NUNCA FOI UM PAÍS LIVRE, ECONOMICAMENTE. Você se dizia liberal e não sabe desse básico. Aham. To vendo.

Eu já fui liberal, ai cai na real com a vida, vi que esse papo de mercado não é bem assim.
Não, amigo, você nunca foi liberal. Sinto muito. Ou você está mentindo ou você diz ser uma coisa que nunca entendeu direito o que é (o que mostra o seu nível de inteligência).

Inclusive, um amigo meu foi pra Arabia Saudita, ele disse que lá existem muitas estatais e assistencialismo e o país enriqueceu assim mesmo...

Aham, beleza, usando a Arabia Saudita como exemplo:

Saudi Arabia's riches conceal a growing problem of poverty

"The state hides the poor very well," said Rosie Bsheer, a Saudi scholar who has written extensively on development and poverty. "The elite don't see the suffering of the poor. People are hungry."

The Saudi government discloses little official data about its poorest citizens. But press reports and private estimates suggest that between 2 million and 4 million of the country's native Saudis live on less than about $530 a month – about $17 a day – considered the poverty line in Saudi Arabia.


Opa, perai, como é que 1/4 da população da Arabia Saudita vive abaixo da linha da pobreza? Você não disse que era um país ótimo, rico, cheio de estatal e assistencialismo? Explique isso então.


Falam de acabar com o imposto mas negam toda a imoralidade que a ausência deste geraria, como injustiças e até coisas que ninguém prever.

Que imoralidades, cara-palida? Favor discorrer.

Favor, tentar novamente. Essa sua participação foi muito triste.


Poderiam responder o comentário desse Leonardo Stoppa:
Estranho, hipócrita é dizer que o socialismo atual compete com o capitalismo. Comunismo sim complete com capitalismo mas socialismo é uma forma de redistribuição que, quando interpretada por pessoas que estudam economia a partir de livros de economia (e não Olavo de Carvalho) é uma espécie de segurança ao capitalismo.

Se um dia você entender que existe conhecimento além do que você conhece você vai ver que dentro do conceito atual de socialismo estão as formas de redistribuição de renda (SUS, Fies, Bolsas). Em países de primeiro mundo a galera acaba usando essa grana inclusive para comprar iPhone, logo, é um socialismo que serve ao capitalismo pois deixar essa grana parada na conta de um milionário vai resultar na venda de 1 iPhone para apple, agora, quando redistribuído vira vários iPhones.

O problema da sua visão é que você estuda em materiais criados sob encomenda. Você deixa de estudar em livros de economia para aprender pelas palavras de um cara que é pago por aqueles que pagam os impostos, ou seja, aqueles que são contra a redistribuição, logo, você abre mão do conhecimento para a alienação.

Socialismo não é comunismo. Pode vir de certa forma assemelhado nos livros antigos, mas depois da segunda guerra mundial e principalmente depois da queda da URSS, ficou claro que não há em se falar em controle centralizado e ausência de propriedade privada, mas quem estuda um pouco de economia e sociologia sabe que a intervenção e a redistribuição são importantes atividades governamentais para salvaguardar a atividade industrial.

A final, de que adianta ter industrias de ultima geração se apenas 1% do povo compra seus produtos??

ARTIGOS - ÚLTIMOS 7 DIAS

  • LIVIO LUIZ SOARES DE OLIVEIRA  08/10/2010 11:43
    "os bizantinos, que tiveram uma estável moeda de ouro por milhares de anos desde 235 d.C."

    Na verdade o autor quis dizer séculos e não milhares de anos.
  • Leandro  08/10/2010 11:51
    Livio, em dezembro de 2008, um arqueólogo britânico descobriu, nos arredores de Jerusalém, aproximadamente 300 moedas de ouro datadas de 600 d.C., todas elas emitidas pelo imperador bizantino Heráclio, e todas elas valendo o mesmo tanto que valiam há 1.400 anos, senão mais.

    Mas a tradução correta é "mil anos" e não "milhares de anos", obrigado pelo puxão de orelha.
  • Fernando Ulrich  08/10/2010 11:56
    O Gary North é muito bom. Sem contar que é um excelente piadista...\r
    \r
    De onde foi tirado este artigo Leandro? Gostaria de ver o original. Obrigado!
  • Leandro  08/10/2010 12:03
  • LIVIO LUIZ SOARES DE OLIVEIRA  08/10/2010 16:23
    "Levará de cinco a dez anos para que possamos provar nossa intenção, mas iremos atingir nosso objetivo." Isto é, a depender dos políticos, tal proposta nunca se concretizará. Políticos trabalham com um horizonte de curto prazo. Cinco a dez anos é uma eternidade no calendário político. Os políticos gostam de dizer que podem resolver seus problemas já próximo semestre: basta que você vote neles e aí estará tudo resolvido.
  • Rhyan Fortuna  08/10/2010 20:11
    Pensei o mesmo Livio. Numa democracia é quase impossível isso acontecer...
  • Carlos Santos  10/10/2010 07:47
    Acho que numa democracia é impossível... Acho que o único ambiente político onde seja possível um ajuste desses é o de uma ditadura ferrenha que torne ilegais os sindicatos e as associações profissionais, ponha o exercito nas ruas para reprimir todas as manifestações públicas e exerça um rígido controle sobre a imprensa, pelo menos até que o plano seja concluído.
  • 9x.9K  10/10/2010 14:12
    Deus-do-céu, que é isso? Isso NUNCA, vai acontecer(Graças!).

    A única forma de se por em prática algo como isso é ignorando o status quo, empreendendo pelo mercado não regulado (aka mercado negro) e finalmente se negando a usar a moeda imposta pelos burocratas do BC. Foi ignorando os nobres que surgiu o Capitalismo, não foi? Nada muda pra melhor "de cima pra baixo".
  • padrão ouro-câmbio  09/10/2010 20:21
    Eu gostaria de saber o seguinte: O padrão ouro-câmbio adotado na Inglaterra em 1925 foi o mesmo adotado na Áustria em 1922?
  • vanderlei  06/03/2011 11:22
    A retirada do dolar nas transações em Petróleo.\r
    \r
    L'Iran guida l'attacco contro il dollaro Usa\r
    \r
    italia.pravda.ru/world/30-04-2007/5563-0/\r
    \r
    Enquanto a imprensa mundial tem-se centrado sobre os planos do Irã de continuar enriquecendo urânio, Teerã continua nos bastidores para travar uma guerra econômica contra o dólar dos EUA. \r
    \r
    Segundo as declarações do governador do Banco Central do Irã, Ehrabhim Sheibany, em Kuala Lumpur, no final do mês passado, Teerã chegou à decisão de acabar com todas as vendas de petróleo em dólares. \r
    \r
    A Zhuhai Zhenrong Trading, uma empresa estatal chinesa que compra 240 mil barris de petróleo por dia do Irã, cerca de 10% da produção total de 2 Irã, dois milhões de barris por dia, confirmou a passagem para as compras petróleo iraniano. \r
    \r
    Cerca de 60% das receitas iranianos estão atualmente derivados de petróleo em outras moedas que não dólares dos EUA segundo Hojjatollah Ghanimifard, que é responsável pelas relações internacionais para a National Iranian Oil. \r
    \r
    Mesmo as refinarias japonesas que comprar algo como 550 mil barris de petróleo por dia do Irã manifestaram a sua disponibilidade para comprar petróleo iraniano em ienes. \r
    \r
    A China, que compra cerca de 12% dos seus fornecimentos de petróleo do Irã, assinado no ano passado um acordo de longo prazo em US $ 100 bilhões com o Irã desenvolva enorme reservatório do Irã Yadvaran.\r
    \r
    Estimativas indicam que a China poderia extrair 150 mil barris de petróleo do reservatório de todos os Yadvaran para os próximos 25 anos, assegurando a posição do Irão para as próximas décadas como um importante fornecedor de petróleo para a China.\r
    \r
    Uma possibilidade é que a China pode começar a pagar o petróleo do Irão em yuan. \r
    Enquanto isso, a China, que tem agora depósitos de um milhão de dólares em moeda estrangeira, 20 de março anunciou que não acumulem reservas cambiais estrangeiros.\r
    \r
    Esta é mais uma má notícia para o dólar, uma vez que cerca de 70% de um milhão de chineses em moeda estrangeira estão expressos em dólares dos EUA. \r
    Cerca de metade dos chineses em fundos de moeda dos EUA estão aplicados em títulos do Tesouro U. S., que são vitais para a continuação do financiamento dos EUA défice do orçamento federal. \r
    \r
    O impulso recente do Irã para exigir o pagamento de petróleo iraniano em moedas diferentes do dólar representa uma partida de um anúncio anterior de que Teerã afirmou que ela está a planear abrir uma Bolsa Iraniana de Petróleo março 2006 destinado a cotação dos preços do petróleo em euros .\r
    \r
    \r
    O Irã ainda tem de abrir uma bolsa petrolífera iraniana, mas exigir o pagamento do petróleo em moedas diferentes do dólar é vista por muitos especialistas como um ataque mais direto em relação ao dólar dos EUA, especialmente se a decisão iraniana costas um mundo de distância do uso do dólar como base das reservas mundiais em divisas estrangeiras. \r
    \r
    O Governador do Banco Central do Irã Sheibany também confirmou que o Irã está cortando reservas em dólar para menos de 20% do seu total de depósitos em moeda estrangeira. Irã planeja administrar suas reservas de divisas da venda de petróleo em uma cesta de 20 moedas diferentes. \r
    \r
    O movimento pelo Irã e China para prender menos dólares em suas reservas em moeda estrangeira reflete o desejo de diversificar a carteira de moedas estrangeiras por medo de que o dólar continua a perder valor face ao euro. No ano passado o dólar já perdeu 9% de seu valor frente ao euro e caiu 35% em relação ao euro nos últimos cinco anos. \r
    \r
    WorldNetDaily já havia informado que o falecido ditador iraquiano Saddam Hussein não tinha praticamente assinado a sua sentença de morte quando ele obteve permissão para realizar a ONU em suas reservas cambiais em euros derivado do Programa Petróleo por Alimentos\r
    \r
    Tradução Google
  • Paulo Sergio  08/04/2012 17:19
    Alguem vê isso acontecendo?
    O dolar perdendo o status de moeda de reserva mundial?
    É o que o Jim Rogers acredita...
  • Andre Cavalcante  08/04/2012 18:30
    Cara,

    pode até ser, mas não será pra agora.

    Já li muitos artigos em jornais internacionais sobre essa de o dólar deixar de ser a reserva mundial e coisa e tal (principalmente na Europa), mas, na prática, as ações nesse sentido são ainda muito pequenas. A verdade é que a esmagadora maioria das transações são feitas em dólares. O euro aparece bem como uma alternativa, o yuan já aparece em transações com a China, mas nada que se compare ao dólar (ainda). Vamos ver para o futuro, talvez seja o início do fim do dólar, mas já leio isso a quase 1 década.

    Só pra brincar com um amigo português, fiz um levantamento da quantidade de anos que o par Portugal e Espanha "dominaram" o mundo, depois o par Inglaterra e França até chegar a hegemonia atual dos EUA. Claro, ele ficou furioso por perceber que o par Inglaterra/França ficou quase 3 séculos enquanto o par Portugal/Espanha esteve aí nas cabeças por 2/2,5 (dependendo de quando você considera o "início"). Se a média de anos se mantiver, os EUA ainda deve dominar por mais este século (mas claro, isso é uma brincadeira matemática e não é nada certo historicamente).

    Abraços
  • anônimo  27/05/2012 17:15
    Não vejo provilégio para os EUA em criar moeda do nada para pagar empréstimo externo. Todos os países podem fazer o mesmo, quando criam moeda do nada e trocam por dólar no mercado de câmbio podendo pagar dívidas externas. A questão é que isso desvaloriza a moeda local, revertendo em inflação.
  • Ricardson  07/12/2012 05:12
    Prezado Lendro,\r
    \r
    caso as transações em Petróleo deixassem de ser feitas predominantemente em dólar, quais os possíveis desdobramentos na economia americana?
  • Leandro  07/12/2012 05:26
    A demanda por dólares cairia. Consequentemente, a demanda por títulos do governo americano também cairia. Consequentemente, os juros desses títulos disparariam, o que levaria o país a uma forte recessão.

    Simultaneamente, a queda na demanda por dólares tenderia a fazer com que os preços dentro dos EUA disparassem. Em decorrência dessa combinação de recessão com inflação de preços, a economia americana entraria em profunda depressão.

    Os iranianos aventaram a hipótese de comercializar petróleo em euro e depois em ouro. Obama imediatamente impôs sanções e ameaçou mandar bomba. Óbvio.
  • Charles Miller  22/07/2014 20:02
    Leandro, como as reservas de xisto dos EUA entrariam neste cenário?
  • Emerson Luis, um Psicologo  30/07/2014 21:41

    Nenhum líder político faria tudo isso de uma vez só; se fizesse seria guilhotinado.

    * * *
  • José Anderson Bergamo  12/11/2015 14:16
    Eu tenho uma pergunta. Nesse novo papel ouro, seria possível um investidor externo vir ao banco central depositar suas barras de ouro e solicitar impressão de moeda correspondente ao lastro depositado?
  • cmr  08/04/2016 14:15
    Que eu saiba sim, pois o novo dinheiro impresso tem lastro.
    Já se o investidor fizer um saque em barras de ouro, o dinheiro terá que ser preso ou até mesmo destruído.
  • anônimo  24/10/2016 19:35
    O autor esquece-se que os DSE estão lastreados por várias moedas (dolar, euro, yen,Euros e agora Yuans). O risco de flutuações cambiais nestas moedas é muito menor. Não esquecer que o FMI tem reservas de ouro elevadas que também seriam um forte âncora a desvalorizações. Portanto não é de todo descabida a utilização dos DSE. No entanto, isso só avançará se todos estiverem de acordo, o que me parece improvável ( a não ser uma forte desvalorização do dolar, que obrigaria os EUA a enveredar pelo emparelhamento dos riscos com outras moedas e evitar forte especulação ao Dolar, aceitando então os DSE como moeda internacional de pagamentos). Mas na minha perspetiva, o dolar continuará por muitos anos, a não ser que ocorra uma catástrofe económica nos EUA. Isto não convém a ninguém (aos amigos e por estranho que pareça, aos inimigos muito menos).


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