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A tragédia da inflação brasileira - e se tivéssemos ouvido Mises? (Final)

No artigo anterior, mostrou-se como que a depravação monetária praticada pelo Banco Central brasileiro durante o período 1980-1994 foi a principal responsável pelo aumento das desigualdades de renda no país.

Nesse artigo, veremos o que teria ocorrido se, na reforma monetária de julho de 1994, o país tivesse seguido os conselhos de Ludwig von Mises.

A TEORIA MISESIANA

Em seu livro The Theory of Money and Credit, Mises sugeriu um regime monetário diametralmente oposto àquele que se tornou o padrão monetário atual vigente em todos os países.  Aliás, quando se conhece a natureza do estado e seus interesses próprios, torna-se mais fácil entender que o fato de todos os governos mundiais adotarem em uníssono o mesmo sistema não é coincidência alguma.

Mises escreveu extensamente sobre a maneira correta de se implementar e preservar um sistema monetário que fosse compatível com os ideais de uma sociedade livre.  Vale notar também que, da perspectiva misesiana, a ideia de se manter uma "moeda sólida" não era um fim em si - e tampouco um princípio defendido em temos ideológicos ou mesmo morais (como o faz a ala rothbardiana) - mas simplesmente uma pré-condição necessária para se manter uma ordem de livre mercado.  Disse ele:

É impossível entendermos o significado da ideia de se ter um sistema monetário sólido sem antes compreendermos que tal sistema foi concebido como um instrumento para se proteger as liberdades civis contra as usurpações despóticas perpetradas pelos governos.  Em termos ideológicos, uma moeda sólida pertence à mesma classe das constituições políticas e das declarações de direitos.

Baseando-se nesse ideário, o método misesiano de reforma monetária pode ser resumido na seguinte frase que ele escreveu em 1953:

O primeiro passo é interromper definitiva, incondicional e radicalmente qualquer inflação monetária.  O total de cédulas monetárias, quaisquer que sejam seu nome ou características legais, não deve ser aumentado por emissões futuras.  Nenhum banco deve ser autorizado a expandir o total de depósitos sacáveis por meio de cheques - sejam esses depósitos as contas-correntes de cidadãos privados ou do Tesouro - a menos que tenha recebido depósitos em espécie ou em cheques a serem pagos por qualquer outro banco doméstico sujeito a essas mesmas limitações.  Isso significa um sistema bancário com 100 por cento de reservas para todos os depósitos futuros - isto é, para todos os depósitos ainda não feitos no primeiro dia da reforma.

Traduzindo: grosso modo, Mises quis dizer que, em termos atuais, o M1 deveria ser congelado.

INFLAÇÃO REAL VERSUS INFLAÇÃO DIVULGADA

Antes de analisarmos o que ocorreria com a economia brasileira caso tal método tivesse sido implantado, é muito importante antes entender que há uma diferença gritante entre a inflação de preços divulgada pelo estado e a inflação de preços que realmente ocorreu.

Os economistas da Escola Austríaca sempre enfatizaram que a definição de inflação utilizada não apenas pelo governo mas também pelos "economistas profissionais" é incorreta, e que o termo "aumento geral nos índices de preços" deveria ser substituído pelo termo "aumento da oferta monetária".  Mas isso ainda não é o suficiente.  Por quê?

É fato que um aumento da oferta monetária provoca um aumento dos preços.  Entretanto, se a oferta monetária fosse fixa, os preços tenderiam a cair - e é essa queda em potencial que é completamente ignorada por todos os índices de preços divulgados.  Assim, para termos a exata noção do efeito de uma expansão monetária sobre os preços, temos antes de considerar qual seria a queda potencial nos preços caso essa expansão monetária não tivesse ocorrido.

E esse raciocínio tem de ficar claro.  Em uma economia de livre mercado, todos os indivíduos trabalham de modo a produzir bens e serviços de maneira cada vez mais eficiente.  Aliás, isso é válido até para mercados regulados.  Afinal, o governo tem de sustentar seus parasitas, e exatamente por isso ele é obcecado com políticas que "geram crescimento econômico".  Caso a economia não crescesse - isto é, caso os indivíduos não produzissem mais - seria impossível o governo seguir aumentando suas arrecadações.

Mas o conceito de crescimento econômico é confuso, pois a economia não simplesmente "cresce" - ela se esforça para utilizar cada vez mais eficientemente os escassos recursos disponíveis, de modo a produzir bens e serviços que sejam cada vez mais apreciados pelos consumidores.  Esse aumento na eficiência é geralmente um feito de empreendedores - sejam eles os donos do capital ou os trabalhadores - e inovadores que labutam diariamente em busca de novas e engenhosas maneiras de utilizar os recursos disponíveis.  Nesse cenário, onde a oferta de bens e serviços aumenta constantemente, se a oferta monetária fosse fixa, o preço de cada bem e serviço inevitavelmente cairia com o passar do tempo.  Qualquer comportamento diferente desse seria incompreensível.

Mesmo no mundo maravilhoso da economia neoclássica isso é um fato - apesar dos infindáveis e fictícios cálculos baseados em funções de custo fixo.  A concorrência incentiva tanto o corte de custos supérfluos como também medidas que aumentam a eficiência da produção.  É dessa forma que os agentes ganham terreno no mercado: satisfazendo os desejos dos consumidores ao oferecer bens cada vez melhores a preços cada vez menores.  De novo: como seria possível os preços subirem nesse cenário?

Desta forma, se a inflação é entendida apenas como um aumento de preços, então a estatística está necessária e sistematicamente ignorando a queda natural de preços que também é parte da inflação.

Para ficar mais claro: suponhamos que, em uma economia qualquer, na qual a oferta monetária fosse fixa, os preços no mercado caíssem naturalmente 5% ao ano.  Agora, suponha que um banco central tenha sido criado e que, já no ano seguinte, ocorresse um aumento de 5% nos preços em relação ao ano anterior.  Nesse cenário, os economistas diriam que a inflação foi de meros 5%.  Mas isso estaria errado.  A inflação não foi de meros 5%.  Para sabermos a real inflação ocorrida, temos de comparar esse novo nível de preços com o nível que ocorreria caso não tivesse ocorrido uma expansão monetária - isto é, caso o banco central não tivesse sido criado.

Assim, tomemos como base o ano anterior à expansão monetária.  O nível de preços seria 100 (apenas para facilitar os cálculos).  No ano seguinte, caso tudo continuasse como antes - isto é, com oferta monetária fixa - haveria uma queda de 5% nos preços.  Logo, o nível de preços seria de 95.  Porém, como houve uma expansão monetária e os preços subiram 5%, o nível dos preços foi de 105.

Qual a inflação real do período?  Ora, se o nível de preços era para ser de 95, mas foi de 105, então a inflação real do período foi de 105/95 = 10,5%.  Ou seja, nesse exemplo simples, a estatística oficial, ao declarar inflação de apenas 5%, declarou menos da metade da real inflação de preços ocorrida na economia.

Historicamente - e isso é válido para praticamente todos os países do mundo -, quando o crescimento econômico se dá em conjunto com aumentos na oferta monetária, os efeitos inflacionários decorrentes da expansão monetária são maiores do que os efeitos deflacionários decorrentes do crescimento econômico.  Na economia brasileira, desnecessário dizer, os primeiros praticamente destruíram o segundo.

COMO SERIA NO BRASIL?

Explicadas essas diferenças, fica pergunta: o que teria acontecido com a economia brasileira caso o Banco Central tivesse sido extinto após a implantação do Real - exatamente como defendia um de seus criadores, Roberto Campos - e a oferta monetária tivesse sido congelada?

Antes, um pequeno parênteses.  Alguns grupos ideológicos podem protestar dizendo que, se a oferta monetária fosse congelada, não haveria crescimento econômico, pois a escassez de moeda geraria um aumento de juros tão grande que a economia entraria em recessão profunda e duradoura.

Ora, antes de mais nada, dizer que a economia depende de papel-pintado para crescer é o equivalente a dizer que um carro precisa de vento para se locomover.  O que gera crescimento econômico é trabalho, produção, poupança e investimento - e não papel-pintado.  O que nos torna ricos é a abundância de bens, e o que limita essa abundância é a escassez de recursos - a saber, terra, capital e trabalho.  Simplesmente aumentar a quantidade de dinheiro não vai fazer com que esses bens surjam do nada; não vai fazer com que haja empregos para trabalhar recursos inexistentes.  O dinheiro é apenas um meio de troca que facilita as transações indiretas.  Uma maior quantidade vai apenas diluir os preços e redistribuir a renda em prol daqueles que obtiveram essa nova quantidade antes dos outros.  Não existe uma quantidade ótima a ser perseguida; qualquer quantidade servirá, no longo prazo.

Quanto ao argumento de que tal congelamento levaria a um aumento acentuado dos juros, isso é verdade no curto prazo.  Afinal, se a impressão de dinheiro cessou, a quantidade a ser emprestada parou de aumentar, e essa súbita paralisia pode gerar um aumento temporário de juros.  Entretanto, uma vez entendida que a quantidade de dinheiro não vai mais aumentar, e que os preços estão na verdade caindo, as pessoas perceberão que de nada adiantará cobrar juros nominais altos: afinal, como eles seriam pagos?  Em um cenário de quantidade de moeda fixa, se você emprestar 100 reais e cobrar 10% de juros, não haverá como receber 110 reais, pois não está havendo aumento na oferta monetária.  Assim, se você não cobrar juros (muito) menores, simplesmente não fará empréstimo algum.  Esse raciocínio, aliás, não é exclusividade austríaca.  Milton Friedman - monetarista convicto que no final da vida passou a defender a extinção do banco central - também concluiu que era isso que ocorreria.

Assim, sob um regime misesiano de oferta monetária constante, os juros de mercado seriam um reflexo do aumento esperado da produção.  Uma vez que o poder de compra do dinheiro varia em proporção inversa à produção, as taxas nominais de juro estariam muito abaixo da SELIC atual.  (Desnecessário dizer que é impossível prever qual seria essa taxa; apenas keynesianos sabem com perfeita acurácia qual é a taxa de juros que equilibra otimamente não só o mercado interno, como também o mercado de câmbio, a balança comercial e o balanço de pagamentos). 

Dito isso, vamos ao que interessa.  Uma vez que a reforma monetária ocorreu em julho de 1994, e considerando-se realisticamente que qualquer reforma monetária leva tempo até ser entendida pelos agentes econômicos - o que pode gerar grandes flutuações de preço -, é válido começarmos apenas pelo ano de 1995.  Assim, se o M1 tivesse sido congelado em dezembro de 1995, como seriam os preços em 2008?

(Só para relembrar: o efeito total sobre o nível de preços em decorrência da expansão monetária leva em conta o aumento dos preços como consequência dessa expansão e a queda potencial dos preços que teria ocorrido caso não tivesse ocorrido essa expansão monetária.)

Assim, para termos uma estimativa da deflação potencial de preços, vamos assumir que qualquer mudança na oferta monetária gera um efeito proporcional sobre o nível de preços.  Por exemplo, se, durante um determinado período de tempo, a oferta monetária aumentou de $1.000 para $2.000, então o nível de preços no final desse período será duas vezes maior àquele que teria ocorrido caso não tivesse ocorrido nenhuma expansão monetária.  Sim, é fato que um aumento da oferta monetária pode não ter esse efeito proporcional sobre os preços.  Entretanto, sabemos também que todos os índices de preços que divulgam contêm cálculos arbitrários e imprecisos - e, pior!, são apresentados ao público como números precisos.  O cálculo a seguir serve mais é para estimar os efeitos que as políticas monetárias do Banco Central tiveram sobre o nível de preços entre 1995 e 2008.

Desta forma, podemos raciocinar da seguinte maneira: se a oferta monetária e o nível de preços se alteram proporcionalmente, então a razão entre uma oferta monetária fixa e a oferta monetária de um determinado ano (M1995/Mn ) é igual à razão entre o nível de preços que ocorreria sob a oferta monetária fixa e o nível atual de preços em um determinado ano (Pomf/Pn).  Para esclarecer:

M1995/Mn = Pomf/Pn;

onde M1995 representa o nível médio do M1 para o ano de 1995, Mn é o nível médio de M1 ocorrido para um dado ano n, Pomf representa o nível potencial de preços que teria ocorrido se oferta monetária tivesse sido fixada em 1995, e Pn representa o índice de preços divulgado para um dado ano n.

Assim, de posse dos dados do M1 médio de cada ano, bem como dos índices de preço para os respectivos anos, podemos estimar qual seria o nível de preços que ocorreria em cada ano caso a oferta monetária tivesse sido mantida fixa desde 1995.

(Os dados do M1 representam a média do M1 de cada ano (vide artigo anterior); os dados dos índices de preço representam a média de todos os oito índices de preços divulgados no Brasil).

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Ano

M1

 

Índice de preços

 

Preços potenciais sob oferta monetária fixa

 

 

 

 

 

 

1995

19.444.369

 

100,0

 

100,0

1996

24.538.105

 

109,6

 

86,9

1997

37.602.958

 

116,0

 

60,0

1998

43.235.543

 

116,7

 

52,5

1999

48.255.964

 

131,3

 

52,9

2000

57.624.354

 

140,1

 

47,3

2001

68.670.601

 

151,8

 

43,0

2002

82.294.885

 

176,6

 

41,7

2003

89.850.550

 

191,4

 

41,4

2004

107.038.756

 

208,2

 

37,8

2005

122.221.516

 

216,1

 

34,4

2006

140.048.613

 

222,9

 

30,9

2007

170.545.409

 

235,3

 

26,8

2008

192.832.109

 

251,9

 

25,4

Traduzindo: de acordo com os índices de preços divulgados no Brasil, os preços de determinados bens e serviços em 2008 foram 2,5 vezes maiores que esses mesmos preços em 1995.  Entretanto, caso não tivesse ocorrido expansões na oferta monetária, os preços em 2008 teriam sido um quarto daqueles observados em 1995.  Ou seja: em decorrência do crescimento econômico, os preços poderiam ter caído 75%.  Mais ainda: uma vez que o nível de preços observado em 2008 foi de 251,9, e considerando-se que poderia ter sido de 25,4, conclui-se que a expansão da oferta monetária desse período resultou em um nível de preços 10 vezes maior do que aquele que teria ocorrido na ausência de expansões monetárias.

Portanto, a inflação real ocorrida nesse período foi de 900%.  Já a inflação divulgada pelos órgãos oficiais foi de "meros" 152%.

Agora vejamos isso em termos práticos.  Vamos pensar em bens concretos, como carros, comida e imóveis.  De acordo com os números acima, um determinado prato de comida que custava R$7 em um self-service em 1995, passou a custar, em 2008, R$17,50. (Tente se lembrar dos preços por quilo em 1995 e compare com os atuais).  Entretanto, se a oferta monetária tivesse permanecido fixa, esse mesmo prato teria custado, em 2008, apenas R$1,75.

Outro exemplo: um carro que em 2008 custou R$60.000, custava em 1995 menos de R$24.000.  Novamente, sem os efeitos da expansão monetária sobre os preços, esse mesmo carro teria custado em 2008 pouco mais de R$6.000.  O preço de um imóvel que custou R$150.000 em 1995 teria subido para R$375.000 em 2008.  Com uma oferta monetária fixa, esse mesmo imóvel teria custado em 2008 algo em torno de R$37.500.

VANTAGENS

Uma moeda que ganha poder de compra com o passar do tempo tem outras vantagens além das óbvias acima.

Por exemplo, o cidadão não mais seria obrigado a dar parte de seu salário para sustentar o esquema fraudulento que é a Previdência Social.  O governo não teria qualquer justificativa para obrigá-lo a fazer isso (donde se conclui que é do interesse do governo manter uma destruição constante do poder de compra da moeda, pois assim ele tem "argumentos" para implantar sistemas confiscatórios para benefício dele próprio, como a Previdência).  Tampouco precisaria o cidadão se preocupar com o risco de sua previdência privada quebrar e ele perder boa parte de sua poupança.  Com efeito, qualquer esquema previdenciário obrigatório seria necessariamente uma fraude.  Afinal, dado que a moeda ganha poder de compra com o tempo, os infindáveis debates sobre a reforma da previdência virariam mera curiosidade masoquista.  Bastaria apenas o indivíduo deixar seu dinheiro parado e este ganharia valor com o tempo.

"Ah, mas isso desestimularia toda a economia! Afinal, se ninguém quiser emprestar não haverá mais crédito e a economia consequentemente vai despencar!".  Falso.  Há uma característica inerente (ainda bem!) ao ser humano: a cobiça.  Assim, não há qualquer motivo para ele colocar seu dinheiro em baixo do colchão quando sabe-se que qualquer investimento que ele fizer, nem que seja a compra de papeis, trará retornos reais positivos - maiores do que o simples ganho do poder de compra - decorrentes da taxa de crescimento do produto total.  Aliás, isso já ocorre no cenário atual.  Ao invés de simplesmente deixar dinheiro parado na poupança - o que já traz um retorno real positivo - a esmagadora maioria dos empreendedores prefere investimentos arriscados e incertos, em troca de retornos maiores.

Outra vantagem clara está na questão dos reajustes salariais, seja no salário mínimo da iniciativa privada, seja nos portentosos proventos do funcionalismo público.  A queda de braço entre patrão e empregados sempre envolve a questão da "reposição da inflação", isto é, ajustes salariais que, além do ganho em produtividade, levam em conta também a perda do poder de compra em decorrência da inflação.  Desnecessário dizer que, em um cenário onde o poder de compra do salário é crescente, greves por reajustes e reposições tornam-se infundadas.  Nada mais de sindicalistas fazendo baderna; nada mais de o governo aumentar o confisco para repassar o butim para seus burocratas altamente bem pagos sob a desculpa de estar fazendo um "reajuste decorrente das perdas inflacionárias" - perdas essas causados pelo próprio governo.  Ademais, todos os tipos de intervencionismo estatal sobre preços - inclusive o preço dos salários - resultariam em imediata perda de emprego e produção.  A inflação monetária não mais poderia mascarar essas distorções.

Todos os tipos de confisco que o governo pratica regularmente seriam dificultados, para não dizer impossibilitados.  Sob um estoque monetário constante, sempre que o governo fosse vender títulos para financiar sua dívida, isso inevitavelmente elevaria os juros de mercado, afetando direta e notavelmente as condições de financiamento das empresas e famílias, que estão competindo com o governo pelo mesmo estoque de pagamentos.  Atualmente, a contínua expansão monetária elimina esse importante efeito disciplinar imposto pelo mercado: o aumento da oferta monetária contrabalança essa pressão altista sobre os juros, o que faz com que o endividamento do governo - logo, o seu confisco - passe (quase) despercebido.

Da mesma forma, a carga tributária também teria de ser muito menor.  Como as alíquotas de imposto de renda são proporcionais à renda nominal, à medida que essa última aumenta (como decorrência natural da maior oferta monetária), o confisco também aumenta automaticamente.  Por exemplo: hoje a alíquota de 7,5% incide sobre quem ganha mais de R$ 1.434.  Quem ganha menos do que isso está isento.  Porém, com o passar do tempo, há o inevitável aumento da oferta monetária, o que faz com que mais pessoas passem a receber salários nominais acima desse valor, o que por sua vez faz com que entrem na faixa tributável.  Porém, sua renda real não aumentou (provavelmente diminuiu).  Assim, o que acontece é que esse indivíduo passa a ser tributado sem que sua renda real tenha aumentado.  O mesmo se aplica a todas as outras faixas de renda.

Entretanto, em um sistema cujos preços declinem com o tempo, um aumento da tributação real inevitavelmente exigiria um aumento das alíquotas - algo que, por ser explícito, poderia eliciar forte oposição da população.

Outro benefício extremamente importante: com uma oferta monetária constante, não haveria política monetária; os ciclos econômicos não ocorreriam.  O setor financeiro poderia obviamente se manter ativo em vários tipos de negócios; a diferença crucial é que os bancos não mais poderiam aumentar o estoque de moeda através da concessão de crédito não lastreado - como é feito hoje sob o sistema bancários de reservas fracionárias.  Nesse cenário, apenas o crédito real (o lastreado pela poupança) se expandiria, e não o crédito nominal (criado do nada).

Por fim, uma oferta monetária constante teria fortalecido o princípio básico de uma economia de livre mercado: os preços passariam a responder exclusivamente à oferta e à demanda.  Os produtores e empreendedores não mais poderiam confiar na inflação para restaurar o equilíbrio dos preços relativos.  Ao contrário, eles teriam de se esforçar mais para fornecer exatamente os bens e serviços que atendam as demandas do consumidor. 

O leitor mais atento pode protestar: "Ah, que os preços vão cair nesse cenário qualquer um sabe.  Só que essa queda inclui também o preço da mão-de-obra.  Assim, preços e salários vão cair na mesma proporção, o que no final vai deixar tudo como antes!"

De fato, pode haver queda nos salários.  Só que com uma diferença: isso estimularia a poupança, o que por sua vez estimularia o investimento, fazendo aumentar a produtividade.  E ganhos de produtividade reduzem o custo de vida e fazem aumentar salários - ou, nesse caso, mantê-los constantes ou com queda menor que a dos preços.  O que significa um salário real maior. 

Ademais, em uma deflação de preços, o capital e a mão-de-obra capturam a maior parte dos ganhos de produtividade, em detrimento do governo.  Por fim, há o fato de que uma expansão monetária destrói o incentivo para se poupar, o que enfraquece todo o ciclo acima.  Dessa forma, sob qualquer aspecto o cenário de deflação é mais vantajoso que o de inflação.

CONCLUSÃO

Tivéssemos ouvido Mises e abolido o Banco Central em fins de 1995, seria necessário uma teoria bastante elaborada para argumentar que estaríamos piores.  No mínimo, todas as crises sociais, políticas e econômicas, incluindo greves, reformas que não saem, populismo, assistencialismo, conchavos políticos e escândalos de corrupção dificilmente teriam ocorrido.  Manipulações cambiais visando um setor em detrimento de outro, bem como terrorismo político baseado no medo de reformas, também não teriam qualquer significado.  A carga tributária não teria disparado e o endividamento e os gastos do governo teriam inevitavelmente diminuído, assim como o inchaço da máquina pública.  Um livre mercado acabaria sendo a consequência inevitável, assim como toda a prosperidade trazida por este. 


1 voto

autor

Leandro Roque
é o editor e tradutor do site do Instituto Ludwig von Mises Brasil.

  • Marcos Costa  08/10/2009 13:04
    Fantástico! Mais doq ue esses preços, a questao da desnecessidade de uma previdência social e da obrigatorieda de uma carga tributária contida já valeriam a pena.
  • Fernando Ulrich  11/02/2010 10:00
    Leandro, parabéns pelos dois artigos sobre a inflação brasileira.
    É realmente um absurdo o fato de que a grande maioria dos intelectuais, políticos, etc., ignoram (ou preferem omitir) ou até mesmo desconhecem os efeitos redistribuidores de renda gerados pela inflação monetária.
  • Leandro  11/02/2010 10:30
    Muito obrigado, Fernando! Vindo de um mestrando de Jesus Huerta de Soto, já valeu meu ano.\n\nAbraços!
  • Antonio Lunes  14/04/2010 08:18
    Pelo que eu pude entender. Com a base monetaria fixa a quantidade de moeda de troca n aumenta mesmo que a economia cresça, sendo assim o mercado vai ter q usar a mesma quantia de moeda de troca para atender a demanda de um mercado consumidor maior, consequentemente os preços tendem a cair. Esta correto meu raciocinio?
  • Leandro  15/04/2010 11:32
    Está perfeito, Antonio. É exatamente isso.

    Eis um artigo, bem pequeno, que ajuda a esclarecer melhor esses conceitos.

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=145
  • Rhyan Fortuna  09/06/2010 09:17
    Gostaria de ver essas contas com o Dólar.\r
    \r
    Tem algum link?
  • Adriano  17/06/2010 21:26
    Caro Leandro,\r
    \r
    É errado imaginar que parte da deflação calculada em sua análise possa ser, na verdade, inflação de preços não detectada pelos índices de preços?\r
    \r
    Já chegou a fazer essa análise em relação a alguma commodity (ouro), ou cesta de commodities, visando tomar como referência, no lugar de índices de preços, algo de valor real constante ou de variação conhecida?\r
    \r
    Imagino que, dado que a oferta de ouro sobe à taxa de 2% por ano (conforme seu artigo sobre padrão ouro), seu preço deveria se desvalorizar a essa taxa, dada a manutenção da oferta monetária constante.\r
    \r
    Me perdou se cometo algum erro conceitual, sou apenas um leigo interessado em economia e profundo apreciador da teoria econômica da Escola Austríaca.
  • Leandro  18/06/2010 07:27
    Prezado Adriano, em relação à sua primeira pergunta, minha resposta seria: sim, é errado. Em um cenário de oferta monetária fixa e aumento da oferta de bens, a deflação de preços é inevitável. Trata-se da mais elementar lei da oferta e demanda.

    O ouro, por exemplo, poderia baratear caso a oferta monetária fosse estritamente rígida, só que tal barateamento seria bem mais suave, uma vez que sua oferta aumenta a uma taxa de meros 2% ao ano.

    Hoje o ouro bate recordes de preço justamente porque todo o mundo está inflacionando sua base monetária, achando que isso os tirará da crise.

    Apenas um adendo sobre os valores monetários do artigo. Quando eu digo que um carro que custava em 1995 menos de R$24.000 passou a custar em 2008 R$60.000, mas que teria custado pouco mais de R$6.000 caso a oferta monetária fosse fixa, vale lembrar que esses R$ 6.000 são em reais de 1995 e não em reais de 2008. O poder de compra de R$ 6.000 em 1995 era bem maior que em 2008.
  • Adriano  18/06/2010 08:29
    Caro Leandro,\r
    \r
    Então você crê que todos os aumentos nominais de preços da economia estão perfeitamente refletidos nos índices de preços, certo? Não sei se ficou claro no meu comentário, mas minha preocupação é nesse sentido, de questionar os índices de preços (não sua análise), e eu sugeri uma análise comparativa com o ouro ou cesta de commodities buscando um índice de preços "natural", isento ao processo de coleta de preços dos institutos de pesquisa e às suas elaboradas metodologias estatísticas. Claro que pode haver aumento de preços do ouro não relacionados aos aumentos médios de preços da economia, especialmente nesse nosso cenário atual de crise, o que invalidaria minha proposta.\r
    \r
    Não discordo da deflação gerada pelo aumento da oferta de bens, dada a oferta monetária fixa. Apenas achei muito alta a deflação que você apresentou. Para isso teríamos que ter uma combinação muito favorável de redução de demanda (improvável), aumento da oferta de matérias primas (provável), aumento de eficiência produtiva no Brasil (improvável) e/ou incremendo simultâneo nas exportações de matérias primas e importações de produtos acabados (provável). Não é que sua análise estaja incorreta, acho que está perfeita, mas será que os índices de preço refletem os aumentos efetivos de preços?
  • Leandro  18/06/2010 09:44
    Ora, muito pelo contrário, meu caro Adriano. Exatamente neste mesmo artigo escrevi uma seção inteira (INFLAÇÃO REAL VERSUS INFLAÇÃO DIVULGADA) falando exatamente sobre o erro desses índices de preços! Como poderia eu ser acusado de acreditar neles?

    A deflação de preços apresentada no artigo não é, obviamente, uma certeza científica. Porém, de acordo com as leis econômicas, tudo indica que haveria enorme possibilidade de a deflação ter sido dessa magnitude.

    Para enfatizar: indubitavelmente haveria deflação de preços. A questão é apenas imaginar qual seria sua magnitude.

    Foi o que tentei fazer.
  • Adriano  18/06/2010 10:03
    Leandro,\r
    \r
    Talvez nossa comunicação não esteja sendo muito eficaz, mas acho que estamos falando da mesma coisa e concordando.\r
    \r
    Eu estou contestando a acurácia da inflação NOMINAL (que você chamou de DIVULGADA) em medir as variações de preços nominais da economia.\r
    \r
    Minha dúvida é se os preços subiram só 2,5 vezes durante o período considerado. Acho que esse valor é maior, e seria um segundo erro nos índices de preço, além do que você apontou em sua análise.\r
    \r
    Por exemplo, será que a bolha imobiliária está adequadamente refletida nos índices de preços?\r
    \r
    Se as variações dos preços NOMINAIS (DIVULGADOS) estiverem incorretamente medidas pelos índices de preços, sua análise apresentará uma diferença de magnitude (não invalidando, de modo algum sua conclusão).\r
    \r
    Abraços!
  • jose carlos zanforlin  22/05/2012 12:51
    Prezado Leandro:\r
    \r
    Estou escrevendo um artigo sobre a vedação constitucional de o BC emprestar, direta ou indiretamente, ao Tesouro. Seria interessante que eu informasse o percentual de endividamento público (por emissão de moeda) entre jan/80 e jun/94 e jul/94 até hoje, ou, pelo menos abr/2009 (que são os dois períodos utilizados por você no artigo). Confesso minha dificuldade em encontrar as fontes para uma tal informação, cuja utilidade, no artigo, é demonstrar ser diretamente proporcional (e em que medida) a emissão pura e simples e o endividamento. Valho-me de várias informações obtidas aqui do IMB (e referidas em notas de pé de página). O trabalho aborda, ainda, a delegação legislativa de controle de emissão de moeda (a meu ver inconstitucional) do Congresso para o Executivo. Meus trabalhos têm sido publicados numa revista jurídica (COAD). Acaso vc se interesse por seu conteúdo (o que me honraria), envie-me endereço eletrônico para posterior remessa.\r
    \r
    Desde já, meus agradecimentos.\r
    jcz
  • Leandro  23/05/2012 08:57
    Prezado Zanforlin, a melhor fonte que encontrei para o endividamento desde a década de 1970 está nessa monografia, que vai até 2003. E de 2003 em diante você encontra tudo no site do BACEN:

    www.maxwell.lambda.ele.puc-rio.br/5175/5175_4.PDF

    Já anotei seu email.

    Grande abraço!
  • Mohamed Attcka Todomundo  13/06/2012 09:37
    Leandro:

    uma dúvida sobre os calculos (estimativa) que vc fez da deflação comparando indices oficiais de inflação ao volume de M1: [1] vc poderia ter feito a estimativa com base no PPR (produto privado remanescente) do período? [2] esta estimativa teria refletido a deflação com base no aumento de produtividade do periodo? [3] quais as vantegens e desvantegens de fazer a estimativa por este vies? [4] atraves de que outra metodologia vc podia ter feito esta estimativa?

    abraçao
  • Mohamed Attcka Todomundo  13/06/2012 09:42
    + uma duvida Leandro. esta monografia q vc sugeriu ao Zanforlin (www.maxwell.lambda.ele.puc-rio.br/5175/5175_4.PDF). lá só tem o capitulo 3. tem ela inteira nalgum lugar?
  • Leandro  13/06/2012 10:32
    Sim, é só colocar o número correspondente no final do link. Retire o 4 de "5175_4.PDF" e coloque 2,3,5,6 etc., de acordo com seus desejos.

    Sobre a sua pergunta acima, não havia pensado nesta hipótese pode ser interessante.

    Abraços!
  • Antônio Galdiano  04/10/2012 05:58
    Problema: e os salários dos funcionários públicos? Seriam reduzidos por um índice de deflação? Os salários da economia seria reajustados pela oferta e demanda, mas e os de funcionários públicos? Eu acho que acabar com greve é mais uma questão moral que econômica.
  • daniel  29/11/2013 22:10
    "Por exemplo, o cidadão não mais seria obrigado a dar parte de seu salário para sustentar o esquema fraudulento que é a Previdência Social. "

    Meu respeito pelo autor aumentou mais que a inflação no governo do Sarney, após eu ler esta frase.
  • Carlos Santos  16/12/2013 12:11
    Como ficaria esta tabela acima, com dados atualizados, isto é, de 2.009 até 2.013?
    Não sou economista, talvez por isso que tentei, mas não consegui achar os dados necessários para atualizá-la. Seria interessante, para ser demonstrado, matematicamente, como o atual governo trata a vida econômica da nossa nação. Grande abraço!
  • Emerson Luis, um Psicologo  22/02/2014 23:58

    Mesmo que não tivesse ocorrido deflação, só o real ter mantido seu poder de compra original já teria enriquecido muito mais o país, especialmente os mais pobres. Li uma informação de que a nota de R$100,00 hoje vale o que valia R$22,00 quando o real foi lançado. O Brasil esteve a poucos passos de se tornar um país desenvolvido e desperdiçou a oportunidade, trilhando a estrada larga do socialismo.

    * * *
  • João Almeida  23/06/2014 17:41
    Checklist da "revolução" monetária e 7 passos:

    Objetivo - Remanejar o ódio esquerdista revolucionário para o BACEN e compulsório fracionado com a retórica dos banqueiros malvadões.


    1) criar uma ONG para angariar fundos no meio empresarial.
    2) contratar uma agência de publicidade para criar uma campanha contra o BACEN e a "influência dos banqueiros"; de preferência Duda Mendonça ou João Santana, com pagamentos feitos na Suíça.
    3) transformar a ideia de que inflação é aumento de preços, para a noção de que inflação é oferta monetária, em linguagem hipnótica de chavões.
    4) contratar um diretorzinho famoso para fazer um documentário sobre o fator multiplicador brasileiro, pode ser o José Padilha.
    5) criar diversas ONGs satélites para se infiltrar no meio esquerdista e disseminar a propaganda de que para a "revolução comunista" é necessário o fechamento do BACEN para que a "exploração dos banqueiros da mais-valia do povo sofredor" acabe.
    6) fazer nossos militantes assistir ao Zeitgeist 3 e ao nosso documentário diariamente.
    7) levar nossas ideias às comissões populares soviéticas de Dilma para aprovar o projeto com a gritaria de nossos militantes de esquerda.
  • Henrique  25/06/2014 15:13
    Olá, Leandro...

    Estou aqui mais uma vez revivendo um artigo dos primórdios do IMB.

    Sobre este trecho:

    "Em um cenário de quantidade de moeda fixa, se você emprestar 100 reais e cobrar 10% de juros, não haverá como receber 110 reais, pois não está havendo aumento na oferta monetária. Assim, se você não cobrar juros (muito) menores, simplesmente não fará empréstimo algum."

    No limite, é correto afirmar que os juros seriam de 0%, dado que para que eu receba 100,01, alguém terá que desistir de 1¢?

    Poderíamos ir além, dado que os preços caem, poderíamos até ter taxas de juros negativas. Você me empresta $100 hoje, eu te devolvo $90 daqui 1 ano. Mas daqui 1 ano, esses $90 valerão mais que os $100 hoje?

    E como fica a questão dos juros naturais de Wicksell nesse contexto? Ou seja, a diferença de valor entre um bem presente e um bem futuro?
  • Fernando  20/08/2014 21:25
    Mas daqui 1 ano, esses $90 valerão mais que os $100 hoje?

    Acho que o amigo tá confundindo o valor nominal (quantidade da unidade monetária) com o valor real (poder de compra dessa unidade). Fazendo um cálculo grosseiro baseada na tabela do artigo, num período de 15 anos sem BC os preços cairiam 75%*. isso dá uma taxa de deflação de 5% a.a. Portanto, considerando essa taxa constante, $100 hoje teriam o mesmo poder de compra de $95 um ano depois, o que possibilita, de fato, que o valor nominal sofra um desconto e ainda assim o emprestador tenha lucro.

    *Considerando sempre a tabela do artigo. Presumo que sem BC os ganhos de produtividade e, por conseguinte, o poder de compra, seriam ainda maiores.

    Mas isso é tudo dedução minha. Espero ter ajudado.
  • Henrique  21/08/2014 01:34
    Ola, Fernando... Grato pela resposta...
    De fato, consegui chegar a essa conclusão sozinho depois de refletir um pouco. Ainda que as taxas nominais sejam negativas, o que realmente importa é a taxa real de juros, a qual seria sempre positiva, pois não faz sentido o contrário.

    É triste viver num mundo inflacionário. O EPL lançou ontem o inflacionômetro. É absurdo o que fazem com o nosso dinheiro...
  • Prof. Émer Nogueira  01/10/2014 16:42
    Ola Leandro Roque

    Li as três matérias relacionadas ao padrão-ouro, dê uma olhada no meu blog sobre o "padrão-ouro-universal"

    profemernogueira.blogspot.com.br/2014/09/sibipiruna-tree-with-blossom-in-square.html

    abraços
    Att
    Prof. Émer Nogueira
    Joanópolis SP
  • Rhyan  01/07/2015 19:41
    Dizer que o M1 é fixo num sistema de reservas cheias é o mesmo que dizer que a base monetária é fixa, certo?
  • Leandro  01/07/2015 20:12
    Não necessariamente.

    Base monetária: papel-moeda emitido + reservas bancárias

    M1: papel-moeda em poder do público + depósitos em conta-corrente

    M2 e M3: M1 + depósitos em caderneta de poupança + depósitos a prazo + depósitos em fundos de investimento

    Ou seja, é perfeitamente possível expandir a base monetária e o dinheiro ir parar em M2 e M3, deixando o M1 intacto. Por exemplo, o BC cria reservas bancárias, os bancos emprestam esse dinheiro e ele termina na conta-poupança ou em um depósito a prazo de alguém. O M1 ficou na mesma.

  • Rhyan  02/07/2015 12:14
    Hum, certo. Isso serve pro caso defendido no artigo também?

    Valeu!
  • morete  22/07/2015 22:21
    Leandro, boa noite.

    E com relacao ao salario das pessoas? Estes tambem seriam reduzidos?
  • jackson  08/09/2015 13:16
    Morete,

    preste atenção no antepenúltimo paragrafo do texto

    "De fato, pode haver queda nos salários. Só que com uma diferença: isso estimularia a poupança, o que por sua vez estimularia o investimento, fazendo aumentar a produtividade. E ganhos de produtividade reduzem o custo de vida e fazem aumentar salários - ou, nesse caso, mantê-los constantes ou com queda menor que a dos preços. O que significa um salário real maior."

    abraços!
  • Neumar  07/04/2016 16:08
    Leandro não entendi como funciona o sistema de deflação dos preços potenciais sob oferta monetária fixa. No primeiro momento o preço cai de 100 para 86,9. Como você chegou nessa diferença de 13,1?

    Desculpe se for algo óbvio, mas não consegui chegar neste número.



    E parabéns pelos seus dois textos sobre inflação, gostei muito de ler.
  • Leandro  07/04/2016 16:47
    De acordo com a fórmula:

    M1995/Mn = Pomf/Pn;

    Portanto, você divide o M1 de 1995 pelo M1 de 1996. O resultado será 0,7924.

    Esse valor você multiplica pelo índice de preços de 1996, que foi de 109,6. O resultado será 86,9.


    Obrigado pelo elogio e grande abraço!
  • Neumar  07/04/2016 17:01
    Agora ficou claro. Pomf = Pn x (M1995/Mn)

    Obrigado pelo esclarecimento!! abs
  • Breno  11/11/2016 19:49
    Os países que hoje enfrentam deflação como o Japão e as taxas de juros negativas tem alguma relação com o congelamento da base monetária desses países? Ou se deve a baixa geração de riqueza?
  • Fernando  22/04/2017 19:36
    Prezado Leandro,
    primeiramente parabéns por mais um ótimo artigo, muito esclarecedor! No entanto ainda tenho algumas questões que gostaria que você, ou um dos colegas, sanasse por favor.

    Dada a não existência de um Banco Central, como seria feita a renovação da moeda física? Quero dizer, como controlar a quantidade de dinheiro em papel ou em moedas existente, sabendo que sua destruição por diversas circunstâncias (incêndios, danificação de caixas eletrônicos, enchentes, desgaste erosivo com o tempo...) é inevitável?

    Uma outra dúvida é o que aconteceria caso outros países decidissem comprar Reais como forma de investimento ou para qualquer outro fim? Isso também não reduziria substantivamente a quantidade de papel-moeda em nossa economia?

    Abraços!
  • Clark  22/04/2017 22:09
    "Dada a não existência de um Banco Central, como seria feita a renovação da moeda física?"

    Se for um arranjo de Currency Board, o próprio é responsável por isso. Se for um arranjo de free banking ou de padrão-ouro, cada banco emissor o fará (seguindo os mesmíssimos princípios de um Currency Board).

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=2196

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=710

    "o que aconteceria caso outros países decidissem comprar Reais como forma de investimento ou para qualquer outro fim? Isso também não reduziria substantivamente a quantidade de papel-moeda em nossa economia?"

    Pergunta sem sentido. Quando estrangeiros compram reais, eles na verdade estão comprando a propriedade de determinadas contas bancárias, em bancos brasileiros, denominadas em reais (meros dígitos eletrônicos). E dígitos eletrônicos não saem do Brasil; eles não cruzam fronteiras. Não há como "enviar reais para o estrangeiro". Ademais, se o estrangeiro comprar cédulas de real, elas não lhe terão absolutamente nenhuma serventia fora do Brasil, dado que o real só é moeda corrente dentro do Brasil.


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