Em uma sociedade sem estado, os déspotas não assumiriam o controle?
por , sexta-feira, 29 de maio de 2009

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Não é raro pessoas contrárias à teoria anarcocapitalista - ou até mesmo ardorosas defensoras - mandarem-me e-mails perguntando praticamente a mesma questão:  "Em um sistema 'anarcocapitalista' - isto é, em uma ordem de livre mercado puro - a sociedade não iria se degenerar em batalhas constantes entre líderes militares privados?".  Como não pude dar respostas adequadas e completas à época, espero que o seguinte artigo comprove o adágio de que o tardio é melhor do que o nunca.

COMPARANDO MAÇÃS E LARANJAS

Ao lidar com essa questão dos déspotas privados - seja na forma de polícia ou de forças armadas - é preciso garantir que as comparações sejam justas.  Em nada adianta imaginar uma sociedade A, povoada de selvagens ignorantes e sádicos que vivem em anarquia, e compará-la a uma sociedade B, composta de cidadãos iluminados e cumpridores da lei, que vivem sob um governo limitado.  O anarquista não vai negar que a vida será melhor na sociedade B.  Mas o que o anarquista irá de fato afirmar é que, para qualquer população, a imposição de um governo coercivo irá piorar as coisas.  A ausência do estado é uma condição necessária, mas não o suficiente, para se atingir uma sociedade livre.

Não importam quais sejam as condições culturais e as preferências populares de um país, não importa quão forte sejam as tendências para o totalitarismo e para o trabalho duro, e independente do fato de haver ou não justiça e de os contratos serem ou não respeitados, não há nada que o estado possa fazer para melhorar a situação.  É verdade que uma sociedade pode ser pobre e belicista sem o estado.  Ela pode ser brutal e miserável.  Mas impor um estado sobre essa sociedade irá apenas exacerbar suas piores tendências ao mesmo tempo em que sobrepuja as melhores.  O estado não oferece benefício algum a sociedade alguma, não importa suas condições culturais.  E isso vale para qualquer lugar do mundo.  O estado institucionaliza e fortifica as coisas ruins e obstaculiza o surgimento das boas.  Este é, em resumo, o foco da doutrina libertária.

Colocando de outra forma: não basta dizer que uma sociedade sem governo e baseada na propriedade privada poderia se degenerar em guerras infindáveis, onde não haveria um grupo único poderoso o suficiente para domar todos os desafiantes, e daí então afirmar que, nesse cenário, seria impossível o estabelecimento da "ordem".  Afinal, há vários exemplos de comunidades que vivem sob um estado e que se degeneraram em guerras civis.  O que houve mais recentemente na Colômbia e no Iraque não são demonstrações de anarquia que se transformou em caos, mas sim exemplos de sociedades governadas que mergulharam no caos.

Para que o argumento "os déspotas vão assumir o controle!" seja válido, o estatista teria de arfirmar que uma dada comunidade seria ordeira sob um governo e que essa mesma comunidade iria se esfarelar em guerras contínuas caso todos os serviços judiciais e de segurança se tornassem privados.  O popular caso da Somália, portanto, não ajuda nenhum dos lados da discussão, pois não se tratava de uma sociedade ordeira mesmo sob um governo.[1]  É verdade que os rothbardianos deveriam estar um pouco inquietos com o fato de que o respeito ao princípio da não agressão é aparentemente muito raro na Somália, o que impede o surgimento espontâneo de uma ordem de livre mercado.  Porém, da mesma maneira, o estatista deveria se incomodar com o fato de que o respeito pela "lei" também era muito fraco, de modo que o governo original da Somália jamais foi capaz de manter a ordem.

Agora que já nos centramos na questão, creio que haja fortes razões para supor que uma guerra civil seria muito menos provável em uma região dominada por agências judiciais e de defesa privadas, do que por um estado monopolista.  Agências privadas são donas dos ativos à sua disposição, ao passo que políticos (principalmente em democracias) meramente exercem controle temporário sobre o equipamento policial e militar do estado.  Por exemplo, já se comprovou que Bill Clinton estava perfeitamente disposto a disparar dezenas de mísseis teleguiados quando o escândalo Monica Lewinsky começava a ganhar fôlego - tudo para distrair a atenção do público.

Da mesma, a Guerra Civil Americana - e seu 1 milhão de mortos, entre soldados e civis - não teria sido possível.  Nos anos 1860, será que um combate em larga escala teria acontecido, pelo menos nessa magnitude, se, ao invés das duas facções controlando centenas de milhares de recrutas, todos os comandantes militares tivessem de contratar mercenários voluntários e pagar-lhes um salário de mercado pelos seus serviços?

O GOVERNO E SUA TEORIA DE CONTRATO

Até agora, posso imaginar o leitor endossando de modo geral a análise acima, porém ainda resistindo à minha conclusão.  Ele pode estar pensando algo assim: "Em um estado natural, as pessoas inicialmente têm diferentes visões sobre justiça.  Sob uma anarquia de mercado, diferentes consumidores iriam ser clientes de várias agências de defesa, e cada uma delas tentaria utilizar suas forças para implantar seus códigos de lei, tornando todo o sistema incompatível.  É verdade que essas gangues profissionais, em geral, poderiam evitar conflitos entre si, por uma questão de prudência, mas o equilíbrio ainda assim seria precário".

"Para evitar esse resultado", meu crítico poderia elaborar, "os cidadãos colocariam de lado suas insignificantes diferenças e concordariam em apoiar uma única agência monopolista, que teria o poder de esmagar todos aqueles que desafiassem sua autoridade.  Isso confessadamente geraria o novo problema de se controlar o leviatã que surgiria, mas ao menos resolveria o problema da infindável guerrilha doméstica."

Há vários problemas com essa abordagem.  Primeiro, ela assume que o perigo advindo de agências de defesa privadas seria pior do que a ameaça representada por um governo central tirânico.  Segundo, há um fato bastante inconveniente: nunca houve na história a formação voluntária e espontânea de um estado.  As pessoas que se estabeleciam em determinadas áreas e regiões jamais se preocupavam em definir quem elas iriam escolher para mandar em tudo dali em diante.  Mesmo aqueles cidadãos que, digamos, apoiaram a ratificação da Constituição americana, a eles jamais foi dada a opção de viver sob uma anarquia de mercado; eles tiveram de escolher um governo que estivesse sob o jugo ou da Constituição ou dos Artigos da Confederação.

Mas para os nossos propósitos, o problema mais interessante em relação e essa objeção é que, caso ela realmente fosse válida, seria desnecessário que os cidadãos formassem um governo.  Se, por hipótese, a vasta maioria das pessoas - embora tenha diferentes conceitos de justiça - pudesse concordar que é errado utilizar de violência para resolver suas pendengas, então as forças de mercado inevitavelmente iriam impor a paz e a cooperação entre as agências privadas de polícia.

Sim, é totalmente verdadeiro que as pessoas possuem opiniões vastamente distintas em relação a questões legais de cunho particular.  Algumas pessoas defendem a pena de morte e outras consideram que o aborto é assassinato.  E não haveria consenso em relação a quantos culpados deveriam ser absolvidos para evitar que um réu inocente seja condenado.  Entretanto, se a teoria de contrato do governo estiver correta, a vasta maioria dos indivíduos pode concordar em um ponto: eles deveriam resolver suas desavenças não através da força, mas, sim, através de um procedimento ordeiro (tal como ocorre durante eleições periódicas).

Mas se isso de fato descreve o comportamento de uma determinada população, então por que seria de se esperar que pessoas tão virtuosas iriam, como consumidores, prestigiar agências de defesa que rotineiramente utilizam sua força contra concorrentes mais fracos?  Por que a esmagadora maioria desses consumidores sensatos não iria prestigiar as agências de defesa que tivessem acordos de arbitragem integrados e que submetessem suas disputas legítimas a arbitradores de boa reputação no mercado?  Por que essa estrutura legal, privada e voluntária não iria funcionar como um mecanismo ordeiro capaz de resolver questões de "política pública"?

Novamente, a descrição acima não é aplicável para todas as sociedades da nossa história.  Porém, de maneira similar, pessoas de tendência belicosa também seriam incapazes de manter uma sociedade ordeira sob um estado limitado.

O PROBLEMA DO CARONA?

Um sofisticado apologista do estado - principalmente um versado em economia ortodoxa - poderia reagir com outra justificativa: "A razão por que é necessário termos governo é que não podemos confiar que o mercado irá adequadamente financiar as forças policiais.  Pode ser verdade que 95% dos indivíduos de uma sociedade teriam visões similares quanto a justiça, de modo que a paz seria obtida caso todos eles contribuíssem substancialmente para agências defesas dedicadas a executar essas mesmas visões".

"Entretanto", continuaria o apologista, "caso essas agências de polícia não tenham o direito de extrair contribuições de todos que endossam suas ações, então elas seriam incapazes de manter um efetivo substancial.  O mercado falha especificamente por causa do problema do carona: quando uma empresa legítima suprime ou toma medidas duras contra uma empresa fraudulenta e perigosa, todas as pessoas de bem se beneficiam disso, mas em um livre mercado elas não seriam obrigadas a pagar por esse 'bem público'.  Consequentemente, em uma anarquia, agências desonestas financiadas por bandidos maléficos teriam uma dimensão e uma abrangência de operação muito mais ampla".

De novo, há várias respostas possíveis a essa argumentação.  Primeiro, tenhamos em mente que um amplo exército efetivo e permanente, pronto para esmagar uma minoria discordante, não é exatamente uma característica de governo unanimemente desejada.

Segundo, o alegado problema do carona não seria nem de longe tão desastroso como muitos economistas creem.  Por exemplo, empresas de seguro iriam, em grande medida, "internalizar as externalidades".  Pode ser verdade que, se as agências policiais tivessem de pedir contribuições para os cidadãos particulares, um número "ineficiente" de assassinos seriam capturados.  (Claro, todos se beneficiam ao saber que um assassino em série foi capturado, mas o fato de uma pessoa contribuir ou não para uma agência não será o fator diferencial entre a captura e a fuga).

Porém, a solução real se encontra naquilo que é o baluarte de um livre mercado: as seguradoras.  Assim, as empresas de seguro que fornecessem apólices para milhares de pessoas em uma cidade grande estariam dispostas a contribuir com quantias substanciais para as agências policiais de modo a eliminar a ameaça de um serial killer.  Afinal, se o assassino atacar novamente, uma dessas seguradoras teria de pagar centenas de milhares de dólares para o espólio da vítima.  E esse mesmo raciocínio demonstra que o livre mercado poderia adequadamente financiar programas que visam "conter" as agências mal intencionadas.

Terceiro, se as pessoas realmente imaginarem um cenário assustador, verão o quão absurdo é a ideia de que isso será a norma.  Imagine uma cidade agitada, como Nova York, que inicialmente seja um paraíso livre-mercadista.  É realmente plausível imaginar que, com o tempo, gangues rivais iriam crescer substancialmente até chegarem ao ponto de dominar a cidade e aterrorizar todo o público?[2]  Lembre-se: essas seriam organizações admitidamente criminosas; ao contrário da prefeitura de Nova York, não haveria apoio ideológico a essas gangues.

É preciso considerar que, em um ambiente sem governo, a maioria cumpridora das leis teria todos os tipos de mecanismos legais à sua disposição.  Uma vez que juízes privados tenham sentenciado uma determinada agência criminosa, os bancos privados poderiam bloquear suas contas (no valor total das multas impostas pelos arbitradores).  Além disso, as empresas de utilidade privada poderiam cortar a eletricidade, o telefone e a água dessa agência, de acordo com as cláusulas de seu contrato.

É claro que é teoricamente possível que uma agência bandida possa superar esses obstáculos, seja através da intimidação ou da mancomunação com juízes, e tomar o controle de vários bancos, companhias de eletricidade, supermercados, etc. Mas isso só seria possível através de um ataque militar em larga escala.  A questão é que, começando uma anarquia hoje, esses pretensos tiranos teriam de começar do zero.  Em contraste, mesmo sob um atual governo limitado, todo o aparato de destruição e escravização em massa já está ali, pronto para ser tomado pelo próximo eleito.

CONCLUSÃO

A objeção padrão de que a anarquia levaria a uma batalha sangrenta entre déspotas é infundada.  Nas comunidades em que tal fenômeno porventura ocorresse, a adição de um estado não ajudaria em nada.  Com efeito, o exato oposto é verdadeiro: os arranjos voluntários de uma sociedade baseada na propriedade privada seriam muito mais propícios à paz e ao império da lei do que o arranjo coercivo de um monopólio estatal parasítico.


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[1] Tendo feito essa concessão, devo dizer que os anarcocapitalistas podem ver suas teorias sendo, de certa forma, confirmadas na Somália.

[2] Tenhamos também em mente que os grupos mafiosos que existem atualmente: (1) nem de longe extorquem tanto dinheiro ou matam tantas pessoas quanto qualquer governo em um dia típico de trabalho, e (2) só existem para fornecer bens e serviços que foram proibidos pelo governo (jogos, drogas, prostituição, agiotagem, etc.).  É desse cenário de ilegalidade, onde os contratos são cumpridos à força, que derivam sua força e poder.  Logo, a máfia dificilmente existiria em um mundo anarquista.


Robert P. Murphy 

é Ph.D em economia pela New York University, economista do Institute for Energy Research, um scholar adjunto do Mises Institute, membro docente da Mises University e autor do livro The Politically Incorrect Guide to Capitalism, além dos guias de estudo para as obras Ação Humana e Man, Economy, and State with Power and Market.  É também dono do blog Free Advice.



tags:  segurança privada  desestatização  sociedade voluntária  
73 comentários
73 comentários
Fernando 18/12/2009 02:31:03

Muita especulação teórica, análises hipotéticas, assunções de premissas fantasiosas. Pouco senso de realidade. Murphy estudou muito, talvez demais. Apenas se esqueceu de conhecer melhor o ser humano. Ironicamente, lembra-me a ingenuidade dos marxistas clássicos e do sonho de atingir uma sociedade com comunismo.

Responder
Fernando Chiocca 18/12/2009 10:56:23

É né xará.. o Murphy deve ser um cara que só estudou na vida, nunca nem saiu da biblioteca e não conhece o ser humano tão bem qto vc..\nUma pena que vc além de "conhecer melhor o ser humano" parece que não estudou muito, pois comparar os devaneios abilolados do marxismo com a analise científica praxeológica é coisa de quem não tem noção do que sejam essas coisas..

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Bruno 18/12/2009 12:27:14

O Murphy deu bola fora nesta. Até porque ele faz um monte de "e se". A única coisa que ele tem de argumento é que com governo é pior. Para mim não interessa quem é pior, interessa como a qualidade de vida de relacionamento humano (interpessoal) pode melhorada.\nA argumentação dele tem falhas terríveis de realidade.\n - Dizer que gangues em NY (exemplo dele) não teriam apoio ideológico é ridículo. As guangues existem por haver mútuo apoio entre participantes.\n - O último parágrafo antes da conclusão é falta de realidade bruta. 1º que está apenas considerando força militar, esqueceu da econômica. 2º, dizer que tiranos teriam que começar do zero. Com tanta arma a solta (inclusive nucleares) ele acha que tudo mundo vai começar do zero?\n\nNão acho que ele desconheça o ser humano. Acho que ele é desonesto na argumentação.

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Fernando Chiocca 18/12/2009 12:40:47

Hahhaha\nÉ Bruno, as gangues de NY tem muito apoio DE SUAS VÍTIMAS!!\nÉ incrivel que alguém tenha sido incappaz de perceber que é deste tipo de apoio--apoio que o Estado goza--que a teoria trata. mas não tão incrível em se tratando do Bruno.\nO resto do comentário dele deixa claro a incapacidade de compreensão que ele possui. Lamnetável.\n

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Arthur Santos 22/11/2012 14:06:00

Não acredito que o artigo tenha respondido às questões mais problemáticas. Saindo do campo das possibilidades, e indo para o mundo real: como, num país como o Brasil, por exemplo, seria iniciado o processo de diminuição do estado?

Vejam, convivemos com narcotráfico e níveis alarmantes de criminalidade violenta O que faz qualquer libertário pensar que, mesmo que resolvamos, pela via da liberdade econômica, nossos problemas internos, algo como as FARCs não irão adentrar o nosso território e criar pequenos feudos criminoso até que a expansão os satisfaça? Sem levar em conta questões como essa, acho o exercício do Murphy infruntífero.

Responder
Ricardo 22/11/2012 15:37:16

Ou seja, segundo este gênio incompreendido chamado Arthur Santos -- que está desperdiçado pela humanidade --, se o Brasil se tornar mais liberal, restringindo os poderes de Brasília, as FARC entrarão aqui e tomarão tudo.

P.S.: mas não é justamente a Brasília atual que defende as FARC?

Responder
Arthur Santos 22/11/2012 15:54:56

Não esperava que o analfabetismo funcional grassasse por estas paragens. Uma pena.
De qualquer maneira, não importa quem defende ou deixa de defender as FARC, estou fazendo uma pergunta séria que você, por burrice ou má fé, não respondeu.

Não respondeu nem como o Brasil se tornaria mais liberal (se os Libertários pretendem levar a sério a organização partidária e, paulatinamente, aprovar reformas que privilegiam o livre mercado, ou outra via [qual?]); e, caso o projeto Libertário seja bem-sucedido, como lidará com ameaças externas (tráfico internacional de drogas e armas) - considerando que somente no mundo ideal todos os países seguem o mesmo modelo de desenvolvimento econômico/social.

Responder
Ricardo 22/11/2012 16:01:00

Serei obrigado a repetir. Você é a comprovação prática daquilo que Olavo de Carvalho e o Padre Paulo Ricardo vêm falando há anos: a testosterona e a masculinidade dos homens deste país estão em queda livre.

Perante a um cenário de um pouco mais liberdade, você se treme todo e já sai perguntando: "Oh, mas quem irá me defender?"

Em momento algum passa pela sua cabeça que você próprio tem a obrigação de se armar (liberais e conservadores defendem o livre porte de armas como medida indispensável para uma sociedade livre) e proteger sua família e até mesmo seu bairro. Ademais, qual o problema de gente vender drogas? Só otário usa ou se sente tentado a usar drogas. Um sujeito vendendo pacificamente drogas na esquina é tão perigoso quanto um mosquito. Seja homem, criatura!

Quanto ao processo de transformação:

Um plano de governo para o próximo presidente brasileiro

Responder
Arthur Santos 22/11/2012 17:51:20

Ui, quanta testosterona! Tinha que vir de um beócio como Olavo de Carvalho. Enfim... Existe uma diferença de organização/treinamento gigantesca entre milícias/exércitos armados e cidadãos portadores de armas (especialmente numa organização geopolítica em que há inimigos externos estatais). A pueril ideia de que "iríamos nos defender" é muito viril na cabeça, mas, na realidade, a guerra de verdade não é bonita nem heroica como você quer fazer parecer por aqui.

Responder
Leandro 22/11/2012 20:21:07

Prezado Arthur, embora a resposta do leitor Ricardo tenha sido um pouquinho acima do tom, confesso que concordo 100% com ele -- e não há uma semana em que um leitor não venha aqui fazer exatamente essa mesma pergunta sua, daí o compreensível stress dele.

Bom, pelo que entendi, você disse que se o Brasil virasse um federalismo (pois é isso o que defendemos na prática: secessão de Brasília e depois que cada estado tome seu rumo), forças externas viriam nos dominar. Mas por quê? E como elas fariam isso? Se um estado se separou de Brasília, tornou-se autônomo e seus cidadãos estão armados, quem iria invadir esse estado e por quê? Mais ainda: invadiria como?

Um conceito básico de estratégia de guerra é que, ao se invadir um território, você tem primeiramente de tomar seu poder centralizado. Em uma operação de guerra, como uma invasão seguida de tomada de poder, é primordial que o invasor assuma o controle de pontos estratégicos. Como fazer isso em uma cidade, ou em um estado, ou em um país recheado de estados independentes, cada um com várias agências de segurança independentes? Qual o ponto estratégico? Não há. Veja a facilidade com que os americanos tomaram Bagdá (onde havia um poder central) e compare com a impossibilidade que é dominar a Somália (onde não há esse poder).

Caso queira um exemplo prático dessa impossibilidade, recomendo esse artigo que explica como e por que os nazistas, já tendo dominado quase toda a Europa, não se meteram com a minúscula Suíça.

Como o porte irrestrito de armas garantiu a liberdade dos suíços

Abraços!

Responder
anônimo 23/11/2012 02:26:55

Beócio uma ova, você que é ignorante, existem várias outras fontes que dizem a mesma coisa:
estudo mostra declínio dos níveis de testosterona

E treinamento de soldado é cada vez mais dispensável.Até porque com o aumento da tecnologia as armas que mais vão ser usadas são robôs, como os EUA já usam nas guerras idiotas que eles inventam.

Responder
Andre Cavalcante 23/11/2012 05:20:17

Caro Artur,

Esse seu questionamento parte do pressuposto que somente um estado pode defender um território qualquer contra malfeitores externos a ele. Também parte do pressuposto que somente um governo pode operar polícia internamente. Isso é, logicamente, falso. Em uma cidade privada haverá tanto defesa externa quanto policiamento interno. Sem governo central, toda a organização perpassa por entidades e instituições em nível municipal, de bairro, associação e, em última análise, de auto-defesa. Um déspota assumir o poder significa exatamente o que temos hoje! Logo, o que você teme é exatamente o que já está a acontecer. Portanto, não há perigos em tentar algo diferente, não acha?

De resto, essa sua dúvida é fartamente respondida no texto.

Quanto as FARCs, eles só existem porque existe um governo na Colômbia que faz uma guerra contra guerrilheiros e contra as drogas. Retire o governo e as FARCs acabam.

Abraços

PS.: Favor, antes de postar comentários, ler mais sobre o assunto em pauta ou será alvo de chacota geral entre alguns libertários menos pacientes...

Responder
Arthur Santos 23/11/2012 08:02:33

Agradeço às contribuições do Andre Cavalcante e do Leandro, pois ambos parecem realmente dispostos ao debate.

Andre, já li vários artigos daqui do Instituto Mises e não vi resposta a essas questões (pelo menos não respostas que me satisfaçam). O ponto principal no meu argumento - e muitos não atentaram para ele - é justamente a hipótese (tudo o que falamos aqui são hipóteses!) de assumirmos essa organização federalista e os países do entorno não. Dizer que se a Colômbia extinguir o governo as FARC desaparecem não resolve o problema. O quadro de discussão que proponho é outro.

Aí entra a questão que o Leandro propõe. Não havendo governo central, não haveria possibilidade de tomada estratégica de pontos fundamentais do governo, certo? Errado. Dominar um estado confederado é muito mais fácil do que dominar o Brasil inteiro. O exemplo aqui é mais amplo, e é pra ser pensando em âmbito mundial. Temos Irã, Paquistão, Rússia, todos países com arsenais e/ou ambições nucleares. O que eu quero entender é como vocês pretendem justificar perante a população, na atuação organização geopolítica mundial, a adoção das medidas rumo ao anarco-capitalismo se convivemos com ameaças como essas. Ódio étnico e intolerância religiosa também são motivadoras de guerras. Vocês realmente acreditam que países de regiões sensíveis do globo estariam melhor protegidas das ameaças com entidades privadas de defesa?


Responder
Andre Cavalcante 23/11/2012 09:19:46

Caro Arthur

Parágrafo deste artigo: "Para que o argumento "os déspotas vão assumir o controle!" seja válido, o estatista teria de arfirmar que uma dada comunidade seria ordeira sob um governo e que essa mesma comunidade iria se esfarelar em guerras contínuas caso todos os serviços judiciais e de segurança se tornassem privados."

E eu disse na resposta anteior: "Em uma cidade privada haverá tanto defesa externa quanto policiamento interno. Sem governo central, toda a organização perpassa por entidades e instituições em nível municipal, de bairro, associação e, em última análise, de auto-defesa. Um déspota assumir o poder significa exatamente o que temos hoje!".

Fazer o favor de ler (e entender) o que é dito, se não, não pode haver troca de ideias.

Você voltou a questionar o que já foi respondido fartamente no artigo, nos comentários (em mais de um, antes mesmo de você), pelo Leandro, por mim e por mais gente!

Mais uma vez: anarco-capitalismo ou mesmo uma minarquia, não significa a falta de ordem! LEIS são fundamentais. SEGURANÇA é fundamental. TODAS essas coisas são necessárias em uma sociedade. O fato de tais coisas não serem fornecidas pelo estado não significa que não possam ser fornecidas por entidades privadas.

Antes de pensar na impossibilidade disso, pense: porque ninguém invade/quer invadir Cingapura?

Se continuar na mesma linha de pensamento, não mais responderei! Aprenda a pensar por si, de forma clara, precisa, suscinta e lógica, ou seja, de forma racional. Só assim poderá haver um debate.

Responder
Arthur Santos 23/11/2012 09:27:56

Se você acha que isso responde às questões, esse debate é impossível mesmo.

Responder
Pedro Ivo 26/11/2012 12:47:15

Arthur Santos, leia Teoria do Caos do Murphy. Lá há um capítulo sobre defesa privada. Algumas das questões que você coloca são respondidas neste capítulo. Mas concordo com você que há várias questões geoestratégicas, geopolíticas e táticas que a teoria libertária da defesa privada responde mal ou não responde.

Responder
Andre Cavalcante 26/11/2012 14:18:29

"Mas concordo com você que há várias questões geoestratégicas, geopolíticas e táticas que a teoria libertária da defesa privada responde mal ou não responde"

Quais?

Abraços

Responder
Pedro Ivo 27/11/2012 07:03:56

Andre Cavalcante. Eu estava escrevendo uma postagem para explicar quais e descobri, depois de algumas anotações, que [1] a postagem soaria mui dogmática pois apenas elencava tópicos, e [2] que era a verdadeira boneca de um artigo.

Estou detalhando desde ontem a postagem, acrescentando referências (espacialmente links para artigos para que todos possam consultar as referências, mas inevitavelmente também de livros), e quando tiver algo apresentável submeterei à avaliação do Leandro Roque. Espero levar no máximo 1 semana para escrever, mas como sou muito detalhista e obsessivo, pode levar até 1 mês (da mais recente vez que escrevi um trabalho sobre assuntos militares, em 2009 ainda na faculdade, levei 1 mês).

Espero fazer valer a espera.

Responder
Arthur Santos 28/11/2012 12:39:04

Lerei enquanto aguardo do artigo.

Responder
Mateus 04/01/2011 23:30:35

Não sei se foi eu que não entendi mas me surgiu dúvidas ao ler o seguinte trecho:\r
\r
"Segundo, o alegado problema do carona não seria nem de longe tão desastroso como muitos economistas creem. Por exemplo, empresas de seguro iriam, em grande medida, 'internalizar as externalidades'." \r
\r
Apontamentos:\r
\r
1) Quem não pagasse nem a "polícia privada" nem as "seguradoras" continuaria pegando "carona" do mesmo jeito;\r
2) Surgirá entre os mais céticos a pergunta: quem não tem seguradora nem polícia, se fosse assassinado, ficaria por isso mesmo (sem ninguém para investigar o crime, muito menos para punir o assassino)? (Eu não vejo objeção a esta pergunta; em verdade, se com a presença do Estado é necessário pagar para ter esse "serviço público", porque não teria que pagar sem um Estado? - Levanto a questão apenas para debate, para ouvir melhores exposições);\r
3) De fato, as seguradores tenderiam a "internalizar as externalidades". Porém, o que coibiria o problema do "carona" em relação às próprias seguradoras (agências A, B, C financiam uma polícia privada, mas a D decide não mais ajudar/financiar)?\r
\r
Abraços

Responder
Tiago RC 05/01/2011 07:03:45

1) Como? Se você não paga, não pode usar seus serviços caso tenha sua propriedade atacada por exemplo.
No que diz respeito a polícia preventiva em espaços abertos ao público, seria o proprietário do espaço em questão que estaria pagando pelo serviço. Um indivíduo usuário desse espaço pagaria indiretamente pela proteção, como o cliente de um shopping paga indiretamente pela segurança do local.

2) Talvez fique sem resolução mesmo. Talvez familiares/amigos contratem alguém. Talvez o proprietário do local onde o crime ocorreu tenha um contrato com alguém. Outra coisa: em geral, o mais lógico seria o criminoso pagar pela investigação. Logo, agências de detetives poderiam fazer a investigação gratuitamente para os parentes/amigos da vítima.

Não sei se você já teve a oportunidade de ler o livro A Teoria do Caos? É um livro curto, bem interessante. Se você ler, verá que seria muito, muito improvável alguém não ter nenhum tipo de seguro numa sociedade livre. Você teria que estar garantido por alguém como um indivíduo que respeita certas leis mínimas para ser aceito em sociedade. Ninguém aceitaria viver no mesmo condomínio, trabalhar na mesma empresa etc que alguém que não tem compromisso nenhum com lei nenhuma. No texto que eu enviei para o concurso IMB eu também tentei comentar um pouco disso: www.mises.org.br/Article.aspx?id=605
O livro A Teoria do Caos é bem melhor, claro, e esclarece mais pontos. Recomendo a leitura.

3) Não entendi. Os clientes da empresa D não poderiam mais usar os serviços da polícia em questão. Onde está a carona?

Abraços,
Tiago.

Responder
Mateus Molina 05/01/2011 14:55:14

1) Ah, sim, tava pensando mais macro, pensando inclusive na atividade preventiva das polícias. Realmente, considerando apenas o serviço repressivo pós-crime, de fato não haveria este problema dos caronas;\r
\r
2) Ótimo artigo o seu. Quanto ao livro, já o li há muito tempo, talvez eu tenha que relê-lo para melhor refletir;\r
\r
3) Voltando ao problema dos "caronas" entre as agências: I) já entendi que inexistiria motivo para as agências financiassem (no sentido macro da sociedade em geral) a atividade preventiva de crimes; II) entendi que a empresa D (seguradora) que não pagou os serviços investigativos, dela não se beneficiará (carona)... \r
\r
Porém, o texto, no trecho a seguir transcrito, dá a entender que as empresas/seguradoras iriam bancar o trabalho de investigação de crimes (como serial killer) pois, "se o assassino atacar novamente", poderia arcar com "centenas de milhares de dólares". Ou seja, agências ainda não lesadas (pois seus clientes ainda não foram vítimas de crimes) bancariam a repressão de crimes por pessoas não asseguradas (ou de outras asseguradoras). Não houve aqui uma "carona" dos que nada pagaram (que foram vítimas de crimes, que estão sendo investigados por agências que não contrataram, uma vez que interessa a estas coibir os crimes pois poderia ser a próxima a arcar com os custos)? \r
\r
Porém, a solução real se encontra naquilo que é o baluarte de um livre mercado: as seguradoras. Assim, as empresas de seguro que fornecessem apólices para milhares de pessoas em uma cidade grande estariam dispostas a contribuir com quantias substanciais para as agências policiais de modo a eliminar a ameaça de um serial killer. Afinal, se o assassino atacar novamente, uma dessas seguradoras teria de pagar centenas de milhares de dólares para o espólio da vítima. E esse mesmo raciocínio demonstra que o livre mercado poderia adequadamente financiar programas que visam "conter" as agências mal intencionadas.\r
\r
PS 1: Isso sem considerar, claro, que, como você disse, seriam "quase impossível uma pessoa não ter seguro". Depois relerei o "Teoria do Caos" para ver se terei a mesma conclusão.\r
PS 2: A pessoa aceitar leis e normas, para ter acesso a contratos e trocas livres, não induz necessariamente a pessoa ter pago um serviço de proteção contra os mais variados "crimes". Eu comprar numa hipotética Casas Bahia, que determina que lides serão resolvidas pela arbitragem A (logo aceitas as condições/leis/normas das Casas Bahia), não induz necessariamente em EU ter alguém me assegurando. Pelo menos isso eu não consegui visualizar ainda.\r
\r
Obrigado pela resposta. \r
\r
\r

Responder
Joao 16/03/2011 09:14:45

Minha ideia é diferente. Em uma sociedade anarquista, os "déspostas" assumiriam, sim, o controle. O resultado seria um ou mais Estados em regiões diferentes.

Responder
Luís Fintelman 25/06/2011 23:44:24

Salve!

Levando-se em conta que em todo lugar do mundo com a mínima possibilidade de acumulação de recursos surgiu um Estado, por que pensar que no mundo pós-implantação-do-anarquismo seria diferente? Pelo que podemos observar, o Estado surge "naturalmente".

Sempre haverá alguém com mais poder do que outrem. A desigualdade de poder é como a desigualdade econômica: há sempre alguém mais esperto, mais rápido, mais inteligente, mais forte, mais rico. Se alguém é mais forte (pode inclusive ser força física) que eu, eu não vou ousar enfrentá-lo. Quando alguém se torna suficientemente poderoso para ter o respeito ou o temor de uma grande quantidade de pessoas, pronto, temos um rei. Não há nada que impeça isto numa sociedade anarquista e, levando-se em conta as diferenças "de poder" entre as pessoas, não há nada que nos garanta a manutenção desta anarquia.

Penso que em uma sociedade que conseguisse manter-se sem governo, mesmo tendo disputas entre seus membros, provavelmente não manteria-se anarquista após um momento de "extremos": ataque estrangeiro, fome, epidemia, desastre natural, momentos em que uma comunidade não pode ficar dividida.

Vale!

Responder
anônimo 26/06/2011 16:26:13

"Penso que em uma sociedade que conseguisse manter-se sem governo, mesmo tendo disputas entre seus membros, provavelmente não manteria-se anarquista após um momento de "extremos": ataque estrangeiro, fome, epidemia, desastre natural, momentos em que uma comunidade não pode ficar dividida."\r
\r
\r
Tá... digamos, só para argumentar, que o teu raciocínio esteja correto. Então, já que em algumas situações uma pessoa pode ser escravizada ou violentada por outra, então aceitar a escravidão e a violência no quotidiano. É isso mesmo?

Responder
Luis Fintelman 26/06/2011 23:54:04

Eu não entendi exatamente o que você disse, mas se for o que eu entendi, a resposta é esta: se você quer se desvencilhar de seus opressores, vá lá e tente, mas saiba que sempre haverão opressores, não é humanamente possível criar um sistema imune a isto.

É por isto que na teoria sou anarquista, mas na prática sou conservador: não sei se vale a pena lutar por uma causa impossível de ser ganha.

Responder
Rafael 03/07/2011 22:13:11

Hipócrita

Responder
rafael 04/07/2011 00:54:32

se o seu raciocinio estiver correto, pq então não vemos vários estados surgindo a cada dia? pq ñ surgem estados concorrentes? pq o Brasil não cria outro estado e se divide em dois, tres, quatro?

dizer que anarquismo não se mantem seguindo sempre para uma democracia por exemplo pra mim é o mesmo que dizer que democracia não se mantem e tem que seguir sempre para um totalitarismo, o que não acho que seja verdade.

Responder
Erik Frederico Alves Cenaqui 03/07/2011 13:51:42

Considero este um dos textos mais sofisticados do site porque aborda uma questão que pessoas de boa vontade podem pensar.\r
\r
Não há como em uma sociedade baseada unicamente na propriedade privada e trocas voluntárias se tornar tirânica porque não existiriam MEIOS FISICOS para isso ocorrer.\r
\r
Os meios físicos para se efetivar a tirania estão todos dentro do estado.\r
\r
"Em uma sociedade sem estado, os déspotas não assumiriam o controle?"\r
\r
Resposta: Os déspotas assimiriam o controle de uma sociedade sem estado criando um estado.\r
\r
Infelizmente eu percebo que no Brasil o debate de idéias é feito de forma desonesta e cretina. As causas são tratadas como consequências, as consequências são tratadas como causas.\r
\r
Responde-se questões que nunca forma levantadas, foge-se do tema, dentre outros.\r
\r
Bom texto do site.\r
\r
Abraços\r
\r

Responder
Paulo Sergio 18/12/2011 03:00:11

'Para que o argumento "os déspotas vão assumir o controle!" seja válido, o estatista teria de arfirmar que uma dada comunidade seria ordeira sob um governo e que essa mesma comunidade iria se esfarelar em guerras contínuas sem'

E as favelas do rio de janeiro? Eram essa briga de gangues eterna antes do Brizola falar que a polícia não era pra entrar lá? E agora com as UPPS não melhorou tudo? Tanto que até os imóveis por perto estão se valorizando?

Responder
Renato 23/10/2012 15:09:12

"...há um fato bastante inconveniente: nunca houve na história a formação voluntária e espontânea de um estado. As pessoas que se estabeleciam em determinadas áreas e regiões jamais se preocupavam em definir quem elas iriam escolher para mandar em tudo dali em diante."\r
\r
Vejamos, talvez ele esteja pensando em imigrantes que chegaram à América do Norte e foram estabelecendo suas plantações. Visto que tinham uma tecnologia superior à dos índios, estes os temiam. Mas mesmo esses colonizadores, que muitas vezes vinham apenas com suas famílias, geralmente faziam amizade e acordos com tribos indigenas, às quais ajudavam contra outras tribos invasoras, e das quais tinham apoio reciprocramente.\r
\r
Ocorre que essas tribos tinham seus governos (chefias monopolísticas). Esses colonizadores, embora muitas vezes fossem eles mesmos sem governo sobre sí, buscavam, conforme seus próprios interesses, acordos com grupos, e esses grupos (fossem vilas e cidades de brancos, fossem tribos de índios) tinham governo, que tinha o monopólio da chefia sobre a segurança (ainda que cada homem estavesse armado e também cuidasse de sua própria segurança). Portanto, o que geralmente acontecia é que os indivíduos e famílias que não estavam subordinados a algum governo, se garantiam em parte pela associação com grupos que tinham governo. A idéia de um passado idílico em que o governo não teve parte na segurança das pessoas é uma ficção, a não ser que se pense em pessoas ou famílias relativamente isoladas, que pouco contato tinham com terceiros e que, por alguma razão não precisassem do apoio de grupos para sua segurança. Os grupos sistematicamente tinham governos, que organizavam a segurança e a justiça.

Responder
Andre Cavalcante 23/10/2012 21:41:31

Renato,

Já foi discutido isso aqui antes.

Quando você trata tribos e um "governo" na tribo, há um bocado de diferença do estado moderno.

Uma coisa é cessão de poder dentro de uma pequena comunidade, de comum acordo. Outra muito diferente é a mesma cessão de poder sem acordo nenhum, por coerção. Note que a definição atual (e a usada na maioria dos textos do site) não é simplesmente ser o monopolista da segurança e justiça, mas igualmente, usar de métodos coercivos para manter esse monopólio. E, mais uma vez, não era SEMPRE um monopólio, pois havia um para as questões religiosas, um para as questões administrativas e mais um que só era chamado em caso de guerras. Isso nas tribos já mais ou menos complexas. Andando um pouco mais pra trás, a coisa começa apenas pelos agrupamentos familiares, ou seja, clãs, em que o pai, ou o mais velho, tem efetivamente as características do tomador de decisão e justiça de última instância. Mas aí não dá pra falar em comunidade, pois um clã familiar é muito mais próximo de uma experiência anárquica (do ponto de vista do conjunto de clãs em um território) do que de um governo. Internamente em um clã, este líder se comporta como um pai em uma família moderna, ou seja, ele tem a última palavra pois É o seu território.

Um exemplo mais moderno, um condomínio também tem um "governo" sob a sua definição, mas não é um governo no sentido que não há coerção, não há tributação e, efetivamente, as pessoas são contribuintes e, dependendo das cláusulas de formação do condomínio, pode haver mesmo a seção individual.

Responder
Felipe 23/10/2012 16:42:04

Levando em consideração:
"...há um fato bastante inconveniente: nunca houve na história a formação voluntária e espontânea de um estado. As pessoas que se estabeleciam em determinadas áreas e regiões jamais se preocupavam em definir quem elas iriam escolher para mandar em tudo dali em diante."

"Lembre-se: essas seriam organizações admitidamente criminosas; ao contrário da prefeitura de Nova York, não haveria apoio ideológico a essas gangues."


Essas partes não estão em contradição?
As gangues não tem apoio ideológico do mesmo modo que as tribos/comunidades que escravizaram as outras para a construção dos impérios e posteriormente estados, e isso não impediu a criação dos mesmo (como dito no primeiro trecho).
Se isso aconteceu amplamente na antiguidade porque não aconteceria denovo?

Responder
Emerson Luis, um Psicologo 13/02/2014 19:24:10


Em uma sociedade mais livre, haveria troca de informações que afetariam reputações (que seria algo valiosíssimo) e equilíbrios de força, produzindo assim mecanismos de autocorreção social.

* * *

Responder
Gil Leça 21/06/2014 00:49:46

Eu acho que os anarquistas já escutaram isso mais de um milhão de vezes, mas eu não resisto a colocar mais uma vez aquela frase do Churchil: "A democracia é o pior sistema político que existe... fora todos os outros que são tentados de tempos em tempos".
O que ele quiz dizer é que, ao contrário do que vocês afirmam, os gorvernos surgiram sim de forma espontânea em todos os lugares onde houveram grupos humanos. De índios aborígenes a esquimós sempre houve alguma forma de contrato social que dizia mais ou menos o seguinte "Siga as regras dos líderes e poderá aproveitar as vantagens de viver com a gente. Quebre as regras e será punido ou expulso". E a vida era significantemente melhor numa sociedade sob condução de uma boa liderança do que no "estado de natureza". O problema é que boas lideranças não duram para sempre. E foi isso que a democracia tenta resover.
Outra objeção ao anarco-capitalista: Da mesma forma que os comunistas afirmam que o verdadeiro comunismo nunca foi tentado, sem chegar nunca a um acordo de como ele deveria ser, os anarco-capitalistas afirmam que não sabem como a coisa vai funcionar exatamente, mas que é o único futuro de paz prolongada. (isso os comunistas também afirmam, né?). Mas assim como o comunismo erra ao não considerar aspectos fundamentais da psique humana (quem vai se esforçar para qualquer coisa em um lugar com o lema "de todos conforme sua possibilidade para todos conforme sua necessidade), também o fazem os anarco-capitalistas ao desconsiderar a não-uniformidade de características tais como honestidade e agressividade nas pessoas que terão de ser coagidos de alguma forma não-institucional a cumprirem contratos, não roubar, não matar, etc.

Responder
Pedro 21/06/2014 12:55:19

Comparar anarquismo com comunismo é dose.

Compare os estados mais próximos da anarquia (Hong Kong) com os estados mais próximos do comunismo (Cuba) para ver como sua comparação é improcedente.

Responder
Alex 25/09/2015 19:59:27

E quem disse que cuba é comunista? Cuba é socialista.
O Estado é exigido no socialismo. No comunismo, não.
Geralmente se usa esses dois termos como sinônimos. Mas não são.
Segundo Marx, por exemplo, o comunismo seria implantado em 3 etapas.
Primeiro, o capitalismo seria necessário para gerar riqueza.
Depois, haveria a revolução, implantando um governo ditatorial para planificar a economia à força.
Por último, depois que todos estivessem habituados com a igualdade e não houvesse pessoas querendo reestabelecer o capitalismo, o governo abdicaria do poder, gerando o comunismo.
O comunismo seria justamente um mundo sem governo. Somente com as pessoas trabalhando em conjunto e união. Seria uma irmandade, onde todos viveriam por todos, sem classes e desigualdades.
Tanto no socialismo como no comunismo não haveriam propriedades privadas. Mas PARA KARL MARX,o socialismo (Propriedade na mão do governo) seria um intermediário para fazer a transição ao comunismo (Comunidade).

As idéias comunistas na verdade não surgiram com Marx, e sim com os sofistas gregos e com Platão.

O comunismo na verdade tem MUITO a ver com o ANARQUISMO. Não falo do anarcocapitalismo, e sim anarquismo. Pois no comunismo não poderia haver livre comércio nem propriedade privada. O socialismo exige um Estado totalitário. O comunismo exige ausência de Estado.

Responder
Auxiliar 25/09/2015 22:21:52

Não. 

A teoria defendida por Marx era sem pé nem cabeça.  Ele dizia que, para abolir o estado, era necessário antes maximizá-lo.  A ideia era que, quando tudo fosse do estado, não haveria mais um estado como entidade distinta da sociedade; se tudo se tornasse propriedade do estado, então não haveria mais um estado propriamente dito, pois sociedade e estado teriam virado a mesma coisa, uma só entidade - e, assim, todos estariam livres do estado. 

Ora, veja que raciocínio maravilhoso!  Ou seja: se algum indivíduo dominar completamente tudo o que pertence a você, dominando inclusive seu corpo e seus pensamentos, então você estará completamente livre, pois não mais terá qualquer noção de liberdade - afinal, é exatamente a ausência de qualquer noção de liberdade que o fará se sentir livre.  Uma maravilha.

Responder
Brant 26/09/2015 00:51:23

"O comunismo na verdade tem MUITO a ver com o ANARQUISMO. Não falo do anarcocapitalismo, e sim anarquismo. Pois no comunismo não poderia haver livre comércio nem propriedade privada. O socialismo exige um Estado totalitário. O comunismo exige ausência de Estado."



Na verdade o comunismo tem pouco (nada na verdade) a ver com anarquismo e muito a ver com tirania e coerção. O camaradinha mesmo se entrega e se contradiz sobre a anarquia comunista:

"Pois no comunismo NÃO poderia haver livre comércio nem propriedade privada"

Que legal, mas eu pergunto, qual seria a entidade coerciva responsável por impedir que as pessoas fizessem trocas voluntárias e adquirissem propriedade?
Sim, é ele mesmo, o mesmo estado que você jurou que desapareceria.

Fique sabendo o sr. que no anarcocapitalismo (este sim uma legítima anarquia) admite inclusive que sujeitos com ideias comunistas como a suas se reúnam de comum acordo para viver uma vida de "irmandade e união" livre de qualquer propriedade e mercado, desde que é claro não forcem terceiros a participar deste paraíso.

Parece que na sua "anarquia comunista" o sr. não nos oferece a mesma oportunidade de escolha não é mesmo?

Isso por si só já mostra de qual lado está a verdadeira anarquia, do outro lado apenas tirania, coerção, e ausência de liberdade.

Responder
anônimo 28/09/2015 20:07:58

Você repetiu quase tudo o que eu disse. A única diferença é que na minha opinião, o anarquismo se assemelha sim ao comunismo. Não disse que é a mesma coisa. Disse que as duas ideologias tem muito a ver. Com uma diferença: No comunismo, não haveria propriedade privada. Por isso não é igual, mas se assemelha por em ambos não poder existir Estado. Lembrando também que eu não disse que o anarco-capitalismo se assemelha ao comunismo. Eu disse anarquismo. Anarquismo não é o mesmo que anarco-capitalismo assim como socialismo não é o mesmo que comunismo. Você confunde socialismo com comunismo, como a maioria das pessoas. Você também está confundindo os conceitos que eu apresentei como se fosse minha opinião.

Olha seu texto: "Que legal, mas eu pergunto, qual seria a entidade coerciva responsável por impedir que as pessoas fizessem trocas voluntárias e adquirissem propriedade?
Sim, é ele mesmo, o mesmo estado que você jurou que desapareceria."

Eu não jurei nada! Você não entendeu o que eu quis dizer. Eu sou COMPLETAMENTE contrário tanto ao socialismo como ao comunismo. Além disso, o comunismo é impossível de existir, como você mesmo disse: Quem impediria o livre comércio sem Estado? Por isso, o comunismo é impossível. Eu SOMENTE apresentei os conceitos. Não disse que isso era minha opinião nem minha ideologia. leia meu texto novamente.

Espero que tenha deixado claro. A única opinião que é verdadeiramente minha é a de que comunismo se ASSEMELHA (Não é igual) ao anarquismo. Mas não têm quase nada a ver como comunismo. Não precisamos discutir por eu ter essa opinião. Pois não critiquei o anarco-capitalismo nem o comparei ao comunismo. Comparei ao anarquismo. Também repito que sou contra comunismo e socialismo e não os acho possíveis.

Fui bem redundante. Espero que dessa vez você tenha entendido o que eu quis dizer.

Responder
Daniel 01/12/2014 21:00:39

Achei muito bem colocadas as objeções do Gil Leça.

Admiro bastante a Escola Austríaca mas esse texto parece demonstrar que o problema da segurança permanece sendo o calcanhar de Aquiles do anarco-capitalismo.

Durante grande parte do texto o autor refuta às objeções contra a segurança coletiva privada simplesmente atacando o Estado, ou seja; pouco explicou como se impediria que as ameaças aventadas de fato ocorressem, apenas alegando que já ocorrem no modelo que tem o Estado como monopolista da segurança coletiva. Provar que teremos uma segurança MAIS efetiva no anarco-capitalismo ele não consegue e vale lembrar: existem Estados que são sim muito eficazes em fornecer segurança coletiva aos seus cidadãos.

Sobre o problema da "carona", penso que seria uma problema importante mas possivelmente transitório, pois mais cedo ou mais tarde um investidor tornaria-se proprietário de grande parte da cidade(localidade) anarco-capitalista e as pessoas que desejassem viver ali necessariamente teriam que pagar um prêmio que englobaria alguns serviços entre estes segurança coletiva, investigação criminal e talvez seguro de vida. Alguém aqui no debate comparou com muita precisão com um shopping center: neste tipo de negócio, além de alugueres os lojistas pagam outras taxas entre elas a de encargos comuns, que tem por objetivo suportar os custos de segurança, estacionamento, iluminação e climatização das áreas comuns, etc.Quando você imagina essa cenário entende por que os libertários defendem com tanta ênfase a secessão; esse arranjo claramente teria limites de tamanho; quanto maior fosse a população e espaço geográfico maior a chance de ocorrerem falhas no sistema.

A grande questão deste sistema é que uma vez que se forma essa organização poderosa, proprietária de grande parte dos outrora bens-públicos - um verdadeiro governo privado - nada impediria que essa organização usasse seu poder coercitivamente para se perpetuar, a não ser a boa índole do seu líder máximo, o que não é muito diferente do Estado Democrático, com a diferença que no último podemos ao menos apear a liderança, embora a Estrutura de poder tecnocrata permaneça intocada.

A conclusão que chego é que seria uma questão de tempo até que a cidade anarco-capitalista se tornasse algo muito próximo dos milenares reinos e principados, restando a esperança de que a evolução da consciência para com o próximo permitisse a existência de alguma discordância e critica por parte dos cidadão/súditos/clientes.

Responder
Boone 01/12/2014 23:09:42

"A conclusão que chego é que seria uma questão de tempo até que a cidade anarco-capitalista se tornasse algo muito próximo dos milenares reinos e principados, restando a esperança de que a evolução da consciência para com o próximo permitisse a existência de alguma discordância e critica por parte dos cidadão/súditos/clientes."

Ou seja, segundo sua própria conclusão, na pior das hipóteses seria gerado um sistema bastante superior ao arranjo atual. Afinal, reinos e principados é o que existe em Mônaco e Liechtesntein.

Tô dentro.

Responder
Pat 02/12/2014 03:23:00

O ideal mesmo é não ter nenhum ditador mandando na minha vida. Mas esse arranjo 'nocivo' é realmente muito superior ao que temos hoje. Enfim, tô dentro também.

Responder
Pobre Paulista 25/09/2015 23:57:34

De acordo com a Desciclopédia:

O Anarcocapetalismo (ou Libertarianismo) é a versão moderna do Feudalismo.

Vocês até que estão de acordo :-D

Responder
Andre Cavalcante 02/12/2014 19:40:56

"Achei muito bem colocadas as objeções do Gil Leça"

Isso porque você e nem ele entenderam o conceito adequadamente.

Ora, em um sistema anárquico, haverá tantos "governos" quantas as pessoas que quiserem.

Comparar as lideranças de tribos aborígenes e indígenas aos governos e estados atuais é uma prova de que não entendeu a essência do estado e o porque a proposta anarco-capitalista é superior.

Responder
anônimo 02/12/2014 12:36:33

honestidade, agressividade, blá blá blá
O sistema descrito como anarco capitalismo já considera isso tudo, vai existir justiça e polícia pra essas coisas.
O único problema real é que o RÓTULO de 'anarco'...gera esse tipo de crítica, esse de fato é um rótulo muito ruim porque não descreve direito como as coisas vão funcionar.
Se em vez de anarco capitalismo se falasse em competição de governos voluntários, (governos voluntários quem quiser entenda como justiça privada, etc) ficaria muito melhor

Responder
Carlos Prado 21/06/2014 13:43:56

Com ou sem governo eles estão tentando assumir o controle. Só que no governo já se tem a estrutura de repressão prontinha para se tomar e o pessoal já está inclinado (até por bom senso) a aceitar tal governo e quem o controle. Já sem o governo não é simplesmente ir dizendo que é o novo estado e que todos devem se submeter a ele. As pessoas quererão e poderão se defender quanto a isto, será necessário uma aceitação pacifica. E não sei quantos poderão financiar uma guerra contra todos para poder então tomar as riquezas destas pessoas.

Responder
Amarilio Adolfo da Silva de Souza 20/03/2015 21:36:53

É preciso coragem.

Responder
Amarilio Adolfo da Silva de Souza 31/08/2015 20:52:05

Mentira. O próprio Mises e demais autores libertários reconhecem que não é possível viver sem um força coercitiva, que proteja os direitos de propriedade(adquiridos pelo trabalho ou livre iniciativa). O problema é como essa força está estruturada. Atualmente, é insustentável e só favorece os maiores e corruptos contra os pequenos.

Responder
anônimo 01/09/2015 09:08:08

E essa força são as justiças privadas.

Responder
Kulin 15/09/2015 01:00:36

Quer fazer um "test-drive" na prática sob o que existe de mais próximo ao anarcocapitalismo?
largue tudo e vá para o Rio de Janeiro. É só escolher qual "justiça" lhe agrada mais por lá.

Responder
Kulão 15/09/2015 01:14:57

Você está se referindo aos traficantes e às milícias? Beleza. E por que existem as milícias no Rio? Dica: por causa do excesso de estado.

Uma área pobre de uma grande cidade, infestada de quadrilhas de traficantes e de milicianos que circulam por ali sem qualquer restrição, vendendo abertamente drogas nas ruas e becos e descarregando rajadas de metralhadora em qualquer um que apresente um comportamento suspeito está nessa situação terrível justamente porque a polícia opera ali rotineiramente e com truculência.

Se a polícia realmente nunca se preocupasse em impor qualquer lei naquela área, então ninguém teria de se preocupar com o risco de ir pra cadeia por estar vendendo drogas.

Consequentemente, empresas de fora poderiam ir se instalar naquele bairro, abrir lojas com janelas à prova de balas e vigiadas por seguranças muito bem armados, e vender cocaína e outras drogas para os moradores (ou, principalmente, para os clientes que vêm de outros bairros) por uma fração do preço vigente nas ruas.

Essas empresas iriam rapidamente quebrar todas as quadrilhas de traficantes que operam na região, uma vez que os clientes iriam correr em manada para aqueles empreendimentos profissionalmente geridos, principalmente por causa de seus preços baixos e pela qualidade de seus produtos.

Porém, por que isso não ocorre? Porque se alguns empreendedores tentassem de fato implementar o plano acima, eles seriam rapidamente impedidos pela polícia, que interromperia suas atividades (com o indisfarçável apoio dos traficantes locais).

Mais ainda: essas empresas teriam suas contas bancárias confiscados por ordem do judiciário, inviabilizando qualquer operação. Líderes comunitários e religiosos iriam reclamar que uma farmácia não pode vender cocaína para adolescentes em plena luz do dia (embora os traficantes o façam imperturbáveis) e o chefe da delegacia encarregada da região iria concordar.

Com efeito, nem ocorre a qualquer empreendedor tentar fazer o que foi dito acima porque - duh! - seria algo totalmente ilegal.

Portanto, não é difícil entender que não é inoperância do governo o que permite que determinadas favelas permaneçam em um equilíbrio violento; ao contrário: é justamente o ataque do governo aos direitos de propriedade que faz com que bandidos detenham um poder permanente sobre determinadas regiões.

Responder
Kulin 15/09/2015 12:23:38

Péra aee! Os caras estão descarregando rajadas justamente para afastar a interferência do estado E de outras facções sobre suas respectivas áreas de influência e mandarem nelas como quiserem.

Áreas essas em que os lideres se orgulham de cuidar da população local oferecendo proteção e criando até "leis" próprias locais, ideias muito semelhantes ao anarcocapitalismo na pratica.
Eles conseguem se manter pq a fonte de suas riquezas vem do tráfico internacional, ou seja, além das fronteiras do estado que os cercam (e portanto independente do mesmo), e como essa atividade é ilegal perante o estado, então ele se vê obrigado a agir a fim de garantir a ordem para seus cidadães dentro de sua propria jurisdição (que inclusive, engloba os territórios dominados pelas facções, pois os moradores das comunidades tb possuem RG/CPF e usufruem de beneficios sociais do estado, mesmo que de qualidade questionável).

O estado envia a policia para lá com o simples intuito de pelo menos conter a situação do seu lado, evitando que todos eventualmente se matem ou se fortaleçam a ponto de ameaçar o estado como um todo e o Rio de Janeiro inteiro virar uma Somália brasileira...

Responder
Edujatahy 15/09/2015 11:12:08

Por que as pessoas continuam com os mesmos clichês de sempre?
É surpreendente.

Realmente dou parabéns a todos os editores e comentaristas do Instituto Mises por aguentar o mesmo papinho há anos...

Responder
Silvio 15/09/2015 13:30:32

Tem razão. O pessoal aqui está há 7 anos respondendo às mesmíssimas perguntas. É preciso possuir bolas de aço para agüentar tanta encheção de saco. Pelo menos ninguém nesta semana veio com uma pergunta sobre a Suécia...

Responder
Andre Cavalcante 15/09/2015 14:42:09

Olhe o lado bom. Se 10% se sensibilizarsensibilizarmem, teremos mais e mais pessoas fora da Matrix.

Responder
Vinicius 15/09/2015 14:51:28

Verdade, os comentários chegam a ser monótonos, galera não tem hábito de ler e questionar a si mesmo em cima do pesquisado.
Devorei uns 100 artigos aqui antes de fazer minha primeira pergunta.

Responder
Kulin 15/09/2015 17:01:59

Ler 500 artigos baseados numa mesma falácia é que me parece monotonismo intelectual...
Se ler apenas 10 sobre sociologia e historia humana, então teríamos um panorama muito mais amplo e realista da situação humana.

Cegar-se a ponto de colocar toda a culpa em um único "saco de pancadas" a ser destruído é pedir para se decepcionar num instante imediatamente posterior, quando for tarde demais e cair a ficha de que a realidade é muito mais holística e cheia de interdependências como um jogo de "PegaVaretas"... Esse jogo não se brinca com vendas nos olhos, a não ser que o objetivo final seja uma grande bagunça e retrocesso, puxando a "vareta" mais critica, não é mesmo?

A culpa não é da existência do Estado, mas sim consequência da existência EXTREMA de CORRUPÇÃO dentro do estado.
Vide como as coisas funcionam perfeitamente nesses mesmos moldes estatais lá na citada Suécia.

Responder
Auxiliar 15/09/2015 17:13:03

"Vide como as coisas funcionam perfeitamente nesses mesmos moldes estatais lá na citada Suécia."

Aí, Silvio, a cota da semana sobre a Suécia já foi preenchida pelo bobo-alegre da vez.

Kulin, sabe por que os escandinavos conseguiram prosperar e enriquecer? Porque, segundo o site Doing Business, nas economias escandinavas,

1) você demora no máximo 6 dias para abrir um negócio (contra mais de 130 no Brasil);

2) as tarifas de importação estão na casa de 1,3%, na média (no Brasil, se você quiser importar pela internet, pagará no mínimo 60%);

3) o imposto de renda de pessoa jurídica é de 25% (no Brasil, chega a 34%);

4) o investimento estrangeiro é liberado (no Brasil, é cheio de restrições);

5) os direitos de propriedade são absolutos (no Brasil, grupos terroristas invadem fazendas e a justiça os convida para um cafezinho);

6) o mercado de trabalho é extremamente desregulamentado. Não apenas pode-se contratar sem burocracias, como também é possível demitir sem qualquer justificativa e sem qualquer custo. E tudo com o apoio dos sindicatos, pois eles sabem que tal política reduz o desemprego. Não há uma CLT (inventada por Mussolini e rapidamente copiada por Getulio Vargas) nos países nórdicos.

O único quesito em que os nórdicos superam o Brasil em ruindade é no IRPF, cuja alíquota máxima lá é maior que a daqui.

Aí, cabe a você explicar que o enriquece deles se deve ao alto imposto de pessoa física, e não às liberdades econômicas muito maiores que eles usufruem.

Sugestão de artigo:

Mitos escandinavos: "impostos e gastos públicos altos são populares"

Verdades inconvenientes sobre o sistema de saúde sueco

Sobre a grande depressão da Suécia

Responder
Edujatahy 15/09/2015 17:31:39

Eu sabia que teria a da Suécia.
Sempre tem a da Suécia...

Responder
Kulin 15/09/2015 17:56:43

Nenhum dos valores citados é intrinsecamente dependente da exclusiva inexistência do estado para seu atingimento. Vide a própria Suécia, onde o estado ainda EXISTE.

Se eliminar totalmente o estado Sueco, então as mínimas pressões que mantinham a coisa nesse patamar seriam abaladas e os números não seriam mais os mesmos.

Responder
Vinicius 15/09/2015 17:56:23

"Se ler apenas 10 sobre sociologia e historia humana, então teríamos um panorama muito mais amplo e realista da situação humana"

Foi ironia né? sou formado em história com especialização em ciencias sociais, apenas por hobby e engenheiro mecânico/elétrico/químico por profissão.

A abordagem econômica e filosófica da escola austríaca são muito mais lógicas e efetivas do que os bagulhos keynesianos, marxistas e estatistas. A abordagem do artigo é mostrar como a sociedade está presa a correntes invisíveis e controlada pela necessidade de parâmetros sociais estabelecidos por senso comum.

Se tivesse oportunidade de estudar algo lógico como programação, engenharias e matemática, poderia ter um panorama realista da situação humana.

Responder
Kulin 15/09/2015 18:32:17

Não estou discutindo a Escola Austríaca, estou me referindo a abolição total do estado.
A Suécia não atingiu aqueles números eliminando o estado, mas justamente na constante presença e atuação do mesmo, inclusive na corrupção.
Respondi algumas outras questões, mas parece que a moderação ainda não liberou os posts, vou aguardar um pouco antes de reformular.

Isso é fato do mundo real, e não uma conjectura baseada por um Hobby pessoal.

Responder
anônimo 15/09/2015 18:39:50

Engana-se quem acha que a Suécia tem um estado grande, tipo Brasil.

A Suécia apesar do estado assistencialista é um país aberto, de moeda forte e relativamente desregulamentado. É um mix de liberalismo econômico com estado assistencialista.

Vejamos o que dizem as principais instituições que avaliam a liberdade econômica,

- Segundo o Doing business de 2014, a Suécia é o 11° em facilidade para fazer negócios ( O Brasil é 120°)

- Segundo o Heritage de 2015, a Suécia é 23° em liberdade econômica (O Brasil é 118°)

- Segundo Economic freedom the world reports de 2015, A Suécia está 42° em liberdade econômica, estando na classificação de países livres (Já o Brasil é 118° de 154 países).

- Segundo Open Markets Index de 2015, A Suécia é o 10° país mais aberto ao mundo (Já o Brasil é 70° de 75 países).

- Segundo o Global competiveness de 2015, a Suécia é o 10° país mais competitivo do mundo, e, segundo o relatório divulgado, um dos seus pontos fortes é o seu mercado competitivo. E já sua carga tributária é tratada como problemática. (O Brasil é 57°).


Responder
Jarzembowski 15/09/2015 19:59:41

Eu nem tenho mais a pretensão de que algum esquerdista consiga argumentar sem a enxurrada de clichês sobre a carga tributária dos países nórdicos - eu só gostaria que pelo menos UM infeliz desses sugerisse que nós imitássemos também todo o resto, como a ampla desregulamentação e a moeda forte.
É gente da pior espécie, do mais baixo nível de maturidade moral que se possa imaginar. Pra alguém assim é extremamente reconfortante pensar que existe um arranjo no qual a prosperidade não depende de prudência, poupança, criatividade, ética de trabalho, respeito à propriedade privada e aos direitos individuais - depende apenas de burocratas sugando a quantidade certa de dinheiro de quem realmente produz; se for 35% como no Brasil, teremos um inferno, aumentando pra 40 ou 45% como na Suécia, teremos o Jardim do Éden. Esse tipo de gente está no nível mais baixo da escala de evolução moral do Lawrence Kohlberg, não passam de animais.

Responder
Kulin 15/09/2015 23:06:55

Até que enfim UM comentário sentato por aqui... o Anonimo disse:

"Engana-se quem acha que a Suécia tem um estado grande, tipo Brasil.
A Suécia apesar do estado assistencialista é um país aberto, de moeda forte e relativamente desregulamentado. É um mix de liberalismo econômico com estado assistencialista."

Exatamente isso! moderação e equilíbrio, um estado presente que se restringe a seu real papel.
Se fosse algo diferente disso, os números tb o seriam.

Poxa, parece que o pessoal desvia o foco propositalmente falando de esquerdismo, Animais, Hobbies, ego pessoal, aumento de impostos e inúmeros outros dados tão específicos quanto inúteis... de quem é o interesse prático afinal de contas?!

Responder
Kalinka 16/09/2015 14:40:39

Até que enfim UM comentário sentato por aqui... o Anonimo disse:

Definitivamente foi um argumento sem tato mesmo.

"Engana-se quem acha que a Suécia tem um estado grande, tipo Brasil.
A Suécia apesar do estado assistencialista é um país aberto, de moeda forte e relativamente desregulamentado. É um mix de liberalismo econômico com estado assistencialista."


A Suécia tem um estado grande sim. Suécia, por exemplo, tem mais funcionários públicos (em termos proporcionais) do que o Brasil. E, com tanto funça para atrapalhar, é claro que isso tem suas conseqüências: www.mises.org.br/Article.aspx?id=113

Exatamente isso! moderação e equilíbrio, um estado presente que se restringe a seu real papel.
Se fosse algo diferente disso, os números tb o seriam.


O meio-termo entre o certo e o errado não é o certo. O que não é certo é errado, portanto, transigir ou ser moderado na defesa do que é certo é errado. O que eu quero dizer que a regra de Aristóteles não é aplicável em todos os casos.
O papel real do estado é roubar a riqueza produzida pela população para manter seu domínio sobre essa mesma população. E é por isso mesmo que ele não deve existir, pois é inerentemente imoral.
Além disso, estado assistencialista não ajuda em porra nenhuma. Por essa razão (ajuda mais quem atrapalha menos) é que Singapura está melhor do que a Suécia:

Suécia:
a) Liberdade Econômica: 23º lugar;
b) IDH: 12º lugar;
c) PIB per capita: USD 46 mil/ano

Singapura:
a) Liberdade Econômica: 2º lugar (1º se você considerar Hong Kong como China);
b) IDH: 9º lugar;
c) PIB per capita: USD 82 mil/ano

Poxa, parece que o pessoal desvia o foco propositalmente falando de esquerdismo, Animais, Hobbies, ego pessoal, aumento de impostos e inúmeros outros dados tão específicos quanto inúteis... de quem é o interesse prático afinal de contas?!

Libertários são favoráveis à completa liberação das drogas. Mas isso não quer dizer que recomendamos seu consumo, portanto, apaga esse baseado aí que está te fazendo mal e incomodando os vizinhos.

Responder
anônimo 16/09/2015 15:46:32

"A Suécia tem um estado grande sim. Suécia, por exemplo, tem mais funcionários públicos (em termos proporcionais) do que o Brasil."

Estado grande ou pequeno não é tão simples de medir, mas afirmar isso com base na quantidade de funcionários públicos, ou da sua carga tributária, é ser simplista.

De acordo com 5 instituições que avaliam a liberdade econômica - que foram citadas por mim logo acima - a Suécia é um país com boa liberdade econômica.

Posso afirmar duas coisas sem errar:

1) O estado Sueco é menos presente na vida do cidadão do que o estado Brasileiro.
2) O estado Sueco possui um sistema econômico mais próximo ao liberalismo do que o Brasil.

Suécia é um país liberal? Eu diria que sim, apesar de um liberalismo aquém do que poderia e de seu estado assistencialista (que certamente prejudica seu potencial de crescimento econômico).

Responder
Jerônimo 16/09/2015 18:33:34

Estado grande ou pequeno não é tão simples de medir, mas afirmar isso com base na quantidade de funcionários públicos, ou da sua carga tributária, é ser simplista.

Uai, se os critérios que utilizei são ruins, por favor, ofereça-me melhores. Mas já adianto que a carga tributária elevada e o grande número de funcionários públicos me parecem sim bons critérios para se avaliar isso.

De acordo com 5 instituições que avaliam a liberdade econômica - que foram citadas por mim logo acima - a Suécia é um país com boa liberdade econômica.

Não neguei isso. Só quis demonstrar que o estado de bem-estar social, ao contrário do afirmado, não ajuda em nada, tanto é que um estado menos intrusivo, como o de Singapura, consegue índices melhores de padrão de vida.

Posso afirmar duas coisas sem errar:

1) O estado Sueco é menos presente na vida do cidadão do que o estado Brasileiro.
2) O estado Sueco possui um sistema econômico mais próximo ao liberalismo do que o Brasil.


Não neguei uma coisa nem outra.

Suécia é um país liberal? Eu diria que sim, apesar de um liberalismo aquém do que poderia e de seu estado assistencialista (que certamente prejudica seu potencial de crescimento econômico).

Eu não chegaria a tanto. Diria que a Suécia tem uma economia com liberdade econômica bem acima da média. Acho (minha opinião) que a marca 'liberal' merece ser dada a uma meia dúzia de países. O resto é tudo soça.

Responder
anônimo 16/09/2015 18:57:13

"e os critérios que utilizei são ruins, por favor, ofereça-me melhores."

Não são ruins, mas incompletos. Um país pode ter uma alta carga tributária, mas em compensação deixa o país aberto ao mundo, preserva o valor da moeda e não cria barreiras para o empreendedorismo. Já outro país pode ter uma baixa carga tributária, mas é fechado e bem regulado.

O segundo caso é bem mais danoso e intervencionista do que o primeiro.

Bom, espero que tenha entendido. O resto do seu comentário estou de acordo.

Responder
Kulin 15/09/2015 12:25:35

Assim como o socialismo só existe enquanto ainda existir o capitalismo, o anarcocapitalismo só se sustentaria enquanto este existir dentro de um estado ou cercado por diferentes estados.
O mercado funciona como descrito na proposta apenas enquanto ainda existe interferência do estado.
Quando se retirar o estado do cenário, todas as corporações não necessitarão mais se preocupar com as pressões que o estado exercia sobre elas até então, e por isso a coisa toda iria se acomodar/funcionar de uma maneira diferente em um cenário totalmente diferente, sendo que este não mais permitiria o funcionamento correto do anarcocapitalismo como previsto em teoria, pois ele se baseia no que acontece hoje, ou seja, com a presença significativa do estado nos bastidores.

No anarcocapitalismo eu teria que viver restrito a minha rua, comprando até comida pela internet.
Pois se uma pessoa sair cedo de casa, passeando com seu cachorro, passar na padaria p/comprar pão e retornar, correria o risco de inconscientemente ser autuado por diversas infrações locais e passar a ser um procurado Top5 pelas seguranças particulares de regiões diferentes como por exemplo 2 esquinas, 4 ruas diferentes e uma passarela suspensa de pedestres... Mundo dos Sonhos!!!!

Responder
Kulão 15/09/2015 12:42:42

"Quando se retirar o estado do cenário, todas as corporações não necessitarão mais se preocupar com as pressões que o estado exercia sobre elas até então,"

Pressões?! Estado controlando grandes corporações?! E depois você vem dizer que são as outras pessoas que vivem em um mundo de sonhos?

Meu filho, acorda. O estado existe justamente para garantir os privilégios das grandes corporações, seja por meio de subsídios, seja por meio de tarifas protecionistas, seja por meio de agências reguladoras que geram uma reserva de mercado e impedem o surgimento de novas concorrências.

É o estado quem cria cartéis, oligopólios e monopólios, seja por meio de regulamentações que impõem barreiras à entrada da concorrência no mercado (via agências reguladoras), seja por meio de subsídios a empresas favoritas, seja por meio do protecionismo via obstrução de importações, seja por meio de altos tributos que impedem que novas empresas surjam e cresçam.

Você, obviamente, tem todo o direito de acreditar que anarcocapitalismo não funciona; mas, pelo menos tenha um mínimo de honestidade intelectual e senso de ridículo para não chegar ao ponto de dizer que o que "refreia" as grandes corporações é justamente a mesma entidade que garante seus poderes.

A diferença entre iniciativa privada e livre iniciativa - ou: você é pró-mercado ou pró-empresa?

Grandes empresas odeiam o livre mercado

Regulações protegem os regulados e prejudicam os consumidores

Os reais beneficiados por um capitalismo regulado

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