Por que um estado mínimo inevitavelmente leva a um estado máximo?
por , sábado, 17 de outubro de 2009

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A minarquia é possível?  Claro que é.  É duradoura? Não e nem pode ser.  O maior problema da minarquia é que ela sempre acaba gerando o pior dos monstros: um estado poderoso e totalitário.

A pergunta do título não apenas pode ser explicada em bases teóricas como também pode ser comprovada pela simples empiria.

Comecemos pelo melhor e mais patente exemplo de todos: o caso americano.

O experimento americano no século XVIII - isto é, a Revolução Americana e o consequente estabelecimento de uma República Constitucional soberana e independente - foi feito com a clara intenção de criar e manter o menor governo da história mundial.

Esse era o objetivo dos fundadores da república dos EUA.  George Washington, John Adams, Thomas Jefferson, James Madison, Alexander Hamilton, Benjamin Franklin e John Jay, sob as influências pós-iluministas e com as ideias de estado mínimo pregadas por Adam Smith, se propuseram o objetivo específico de criar o menor governo da história mundial.

Muito bem.  Agora, suponha que eu diga que descobri a cura para a AIDS, e que basta tomar esse remédio por mim inventado e você estará imune à infecção.  Se todo mundo tomar do meu remédio e o resultado for a maior epidemia de infecção de HIV da história mundial, especificamente infligida sobre aqueles que tomaram meu remédio, então, nesse cenário, poderíamos dizer com certeza que meu remédio não apenas não está funcionando, mas está fazendo justamente o oposto: está infectando pessoas ao invés de curá-las.  Essa seria a conclusão lógica do meu experimento.  Meu remédio não é uma cura; ao contrário, ele produz a infecção.

Da mesma forma, passemos a analisar qual foi o resultado do experimento governamental minarquista americano, com estados praticamente autônomos e com um governo federal mínimo.

Primeiro, não há dúvidas de que o sistema minarquista foi clara e objetivamente adotado: não havia impostos de renda, o governo federal era minúsculo, não havia impostos estaduais - apenas uma ou duas tarifas sobre bens de consumo -, não havia um exército permanente, o governo não controlava a oferta monetária e não havia dívida interna.  Havia uma Constituição que era tida como a lei suprema e havia um Congresso cuja única função era garantir que essa Constituição não fosse desrespeitada.

Sem dúvida alguma era um sistema maravilhosamente bem concebido.  Não creio que você e tampouco eu poderíamos fazer melhor - afinal, as pessoas que criaram esse sistema eram extremamente inteligentes, como podemos notar em suas escritas.

Volto a enfatizar: o experimento americano foi especificamente concebido para criar o menor governo possível, sendo que havia várias ferramentas que possibilitavam manter um controle efetivo sobre o tamanho do governo.  O objetivo máximo do experimento era suprimir o poder do governo, impedindo que ele se agigantasse e se tornasse um mero substituto do Rei George III, de quem os colonos haviam se declarado independentes.

E qual foi o resultado desse experimento?

Bem, o resultado da tentativa de criar e manter o menor governo da história mundial foi a criação do maior e mais poderoso governo que o mundo jamais viu.

Faça uma pausa agora para poder digerir por completo essa constatação, pois de fato é algo estarrecedor.  O objetivo do experimento americano era criar o menor e mais enxuto governo que o mundo já viu, e o resultado foi a criação do maior, mais intruso e mais poderoso governo que o mundo jamais viu, dotado de armas de destruição em massa, mais de 700 bases militares ao redor do planeta e com a capacidade de exterminar toda a vida da terra.  Trata-se de um governo que faria o Império Romano parecer uma agência local do DETRAN.

E isso é perfeitamente explicável.  É algo tristemente natural e inevitável.  Pois quanto menor é o estado, quanto mais você o restringe, mais produtivo torna-se o mercado.  Quanto mais produtivo é o mercado, mais rápido a economia cresce e mais riqueza ela gera.  E o livre mercado é tão produtivo que ele é capaz de aguentar por muito tempo um enorme crescimento da tributação e um grande agigantamento do poder estatal - até chegar a um ponto em que ele inevitavelmente irá ceder.  (E este é exatamente o momento que os EUA estão vivendo agora).

Portanto, o que acontece é que, quando você minimiza o governo, paradoxalmente você faz com que a lucratividade de se aumentar posteriormente o tamanho do governo seja muito maior, pois haverá muito mais riqueza para tributar e mais recursos para se controlar - ambas as coisas que mais seduzem qualquer governo.

E como o governo adquire muito mais dinheiro e poder quando ele tributa uma economia que se desenvolveu e enriqueceu com um livre mercado, ele ganha a capacidade de fazer coisas terríveis, como desenvolver armas de destruição em massa, manter um incomparável estado belicista e assistencialista e comprar grandes seções da população, tornando-as permanentemente dependentes do estado.

É como se você fosse um fazendeiro e descobrisse um modo de fazer com que suas vacas produzissem dez vezes mais leite que o normal.  Qual seria o resultado?  Você estaria fazendo com que suas vacas passassem a ser muito mais valiosas sob a ótica dos outros fazendeiros, que passariam a fazer de tudo para tê-la.  Da mesma forma, quando você tem um governo mínimo, cada indivíduo torna-se muito mais produtivo por causa da escassa interferência governamental.  Qual será a consequência?  Esse indivíduo tornar-se-á muito mais atraente para o estado, que sem dúvida irá querer comandá-lo no futuro.

Os menores governos sempre produzem os maiores governos.  É completamente impossível que não seja assim.  Nunca houve um contraexemplo na história e nem nunca haverá.

Peguemos a Inglaterra.  O governo que surgiu como resultado da separação entre Igreja e estado, bem como do subjugo da aristocracia no final do século XVIII e início do século XIX, era de longe o menor governo da Europa.  O que ele produziu?  Ora, produziu o Império Britânico.

Os países escandinavos vivenciaram o mesmo processo.  Estados enxutos até o final da Segunda Guerra - da qual eles não participaram, o que ajudou a preservar sua riqueza - geraram estados agigantados que controlam o cidadão do berço até o túmulo.  

O exemplo mais recente talvez seja o da Irlanda.  Um estado falido até o final dos anos 1980 encolheu e deu lugar a uma economia vibrante.  Qual a situação atual?  Um inchaço sem precedentes do setor público, um estado assistencialista como nunca visto na história do país, o empreendedorismo reprimido, um déficit gigante e um governo que passou a participar de setores-chave como transportes, mídia (rádio e televisão), e geração e transmissão de eletricidade.  A educação primária, secundária e universitária tornou-se "gratuita", a saúde é "pública" e a previdência é controlada pelo estado.  O orçamento do governo, obviamente, estourou.

Como disse, tudo isso não só é previsível como também é inevitável.  Sempre que você minimiza o governo, você aumenta o valor de toda a economia - o que significa que o governo terá alimento para aumentar seu tamanho e poder para dimensões ainda maiores do que as atuais. 

Portanto, se você sonha em diminuir seu estado para algum limite constitucionalmente imposto - e suponhamos que você de fato consiga isso -, o que irá acontecer é que todo o processo de agigantamento irá inevitavelmente recomeçar após algum tempo.  Sim, você poderia desfrutar alguns anos de liberdade, mas sem dúvida seus filhos e netos seriam submetidos a um governo ainda mais totalitário do que aquele sob o qual você viveu.

No início minarquista, rapidamente percebi que as teorias de estado mínimo são insustentáveis, para não dizer contraditórias.  Desde então concluí que, ou você aceita o estado como ele é, ou passa a defender isso.

Stefan Molyneux 

já foi ator, estudante pós-graduado e empresário do ramo de software. Hoje ele se dedica inteiramente à filosofia. Já escreveu sete livros, todos disponíveis em seu website.


tags:  sociedade voluntária  estado mínimo  minarquismo  anarcocapitalismo  
86 comentários
86 comentários
Ricardo 17/10/2009 22:13:53

E por que o mesmo argumento não serviria para fazer nascer um governo num ambiente anarcocapitalista? O que impediria isso?

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Cadu 24/11/2015 14:10:15

Acho que nem Rothbard, Hoppe saberia dizer, mas eu com certeza prefiro descobrir

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Alexandre Cassimiro Andreani 06/04/2016 13:50:09

Caro autor,

argumentar que um estado mínimo inevitavelmente leva a um estado agigantado é o mesmo que afirmar que uma pequena empresa com funcionarios motivados inevitavelmente se transformará em uma empresa grande com um relacionamento ruim com seus funcionários.

São dois problemas que precisam ser analisados separadamente. De um lado você tem o crescente progresso político-econômico do modelo de Estado mínimo.E do outro, a manutenção deste modelo ao longo do tempo.

O caso americano mostrou que: sim, o estado mínimo leva ao desenvolvimento. No entanto, não conseguiram manter esta estratégia. Seria o caso de uma reforma política nos EUA? Talvez, você autor da área de informática, sabe que sistemas tendem a maximização entrópica. E desta forma, um reboot é necessário em algum momento.

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Magno 06/04/2016 16:54:15

"argumentar que um estado mínimo inevitavelmente leva a um estado agigantado é o mesmo que afirmar que uma pequena empresa com funcionarios motivados inevitavelmente se transformará em uma empresa grande com um relacionamento ruim com seus funcionários."

Comparação sem pé nem cabeça.

O estado aufere suas receitas da coerção. Sendo assim, basta ele permitir que seus súditos enriqueçam, e ele então poderá pilhá-los em um volume ainda maior. É um jogo totalmente seguro, em que não há como perder.

Já uma empresa, por mais motivados que sejam seus funcionários, não possui receitas garantidas, o que significa que não há nenhuma garantia de que ela irá crescer. Toda a sua receita é auferida de acordo com a vontade espontânea dos consumidores de consumir seus produtos. Se os consumidores não quiserem consumi-los, a receita da empresa cai a zero, e não há nada que ela possa fazer. Ela não pode aumentar impostos, ela não pode confiscar o salário da população, ela não pode obrigar a população a consumir seus produtos.

Logo, não haverá como essa empresa crescer.

Quanto ao resto que você escreveu, nada contra.

Responder
Alexandre Cassimiro Andreani 20/04/2016 17:06:38

Magno, você não entendeu a analogia ou não conhece a capacidade de coerção e politicagem dentro das empresas na relação com seus funcionários. Além disso, um governo também pode quebrar economicamente o país, pois de um cenário internacional, cada país é uma unidade produtora e consumidora.

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Francisco Seixas 20/06/2016 01:51:15

Respeitosamente, me desculpe meu caro Alexandre, mas sua analogia não procede.

Mesmo quando traz à baila a questão do comércio internacional, você continua em erro uma vez que tal comércio não está inserido num mundo de livre mercado, sendo todas as transações "resolvidas" por acordos entre governos e sues aliados e não livremente entre empresas e consumidores (dos quais as empresas também fazem parte).

A realidade na qual você se apoia não representa aquilo que os libertários defendem e foi bem traduzida por Claude Frédéric Bastiat: "Quando bens e serviços não podem cruzar livremente as fronteiras, os exércitos o fazem".

Responder
anônimo 20/06/2016 13:09:19

Francisco Seixas , minha analogia considera o cenário atual e não um modelo defendido por A ou B. Em especial quando digo:"Além disso, um governo também pode quebrar economicamente o país, pois de um cenário internacional, cada país é uma unidade produtora e consumidora."

Considero que acordos comerciais, protecionismo, tráfico de influência e outras variáveis antilibertárias precisam ser minimizadas. Qualquer agenda que as ignore, estará fadada ao fracasso.

Responder
Leandro 18/10/2009 06:00:39

Ricardo, como isso ocorreria? Como uma entidade iria surgir do nada e ter o poder de coagir todos de uma só vez? Será que ninguém reagiria contra? Será que todos voluntariamente entregariam suas armas e diriam "Venha! Domine-nos!" Sinceramente, acho que tal cenário seria improvável. Você certamente reagiria caso alguém invadisse sua casa e ameaçasse a escravizá-lo, certo? Então.

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Maurício 18/10/2009 13:20:37

Pois é, Leandro... mas eu acredito que num prazo "discreto" é inevitável o surgimento de uma liderança. O simples surgimento de uma "polícia" para manter a segurança das pessoas (o que eu acho inevitável, afinal sempre haverão ladrões e assassinos numa sociedade) já seria o suficiente para num longo prazo termos o surgimento de um poder... vamos olhar pro mundo... onde não existe estado?

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Bruno 18/10/2009 13:23:18

Não existe vácuo de poder Leandro! Se cai o estado, quem tiver poder de fogo, vai ser o novo estado.

Responder
Ricardo 18/10/2009 13:58:06

Eu sempre achei esse argumento contra a minarquia fraco. Rothbard é genial, mas esse argumento não me desce.
A objeção do Leandro ao meu argumento pressupõe duas coisas:
a) que todas as pessoas estariam felizes vivendo numa anarquia;
b) que algumas pessoas com grande poder econômico, proprietários de agências altamente lucrativas, por exemplo, simplesmente não pudessem convencer boa parte da população de que um governo seria melhor. Por quê? Pois algumas pessoas simplesmente querem estar no poder e controlar a vida de outras.

Se o argumento é baseado na riqueza disponível num livre mercado e na tentação que isso causaria aos burocratas, por que razão tb não causaria a mesma tentação a particulares?

De resto, seus textos são mt bons Leandro, embora esse seja uma tradução.

Gde abraço!

Responder
Leandro 18/10/2009 21:42:09

Prezados,\n\nOs argumentos dos senhores são, se me permitem, básicos. Normalmente, as objeções sempre caem nesse lugar comum: "Ah, mas haverá um vácuo de poder que será preenchido!".\n\nTal argumento, para ser válido, teria de funcionar também para outros setores livres da economia. Por exemplo, pensem no setor de padarias. É um setor relativamente livre. Qualquer um pode entrar e sair, desde que tenha dinheiro. Pergunto: por que então até hoje nunca surgiu uma super cadeia de padarias que tenha adquirido o monopólio sobre todas as outras? Afinal, há um "vácuo de poder"; não há um poder centralizado. Não é desarrazoado imaginar que haja aí uma grande oportunidade de se tomar os clientes de todas as padarias e concentrá-los numa só. Por que isso nunca ocorreu? Segundo os senhores, não apenas nada impede isso, como também o próprio arranjo automaticamente leva a essa situação. Creio humildemente que os senhores estão simplificando muito as coisas.

Responder
Norbs 23/05/2011 17:30:55

'Normalmente, as objeções sempre caem nesse lugar comum: "Ah, mas haverá um vácuo de poder que será preenchido!". Tal argumento, para ser válido, teria de funcionar também para outros setores livres da economia.'

Quem foi que disse que teria?
Eu acho que as coisas não são tão simples.O poder militar tem a ver com o instinto de sobrevivência, de competitividade, coisas que uns acham condenáveis mas que fazem parte da natureza humana.Não é como uma coisa que o cara faz só pra ganhar uns trocados, como montar uma padaria.

Responder

O capitalismo não é a solução para todos os problemas da sociedade, ele é apenas uma parte do processo. Ele é realmente importante, sim? Mas vamos olhar o liberalismo como um todo, não apenas a parte da economia, já pararam pra pensar na coexistência do conservadorismo e do liberalismo? Equilíbrio, que tal?
A história do mundo nos mostra que quando as pessoas não tem mais o que fazer da vida (Quando elas ja tem dinheiro o suficiente pra queimar, e tempo de sobra), vão querer fazer "revolução", e sabendo-se que há pessoas de personalidade distorcida na sociedade, como os psicopatas, sempre teremos gente querendo ter poder a qualquer custo, é isso que de certa forma faz com o que o anarcocapitalismo caia mais cedo ou mais tarde, o anarcocapitalismo poderá funcionar por algum tempo, mas cairá uma hora, ou cairá para um ditador ou se tornará o Estado.

Isso é senso comum, temos o povo, que sempre vai querer, mais cedo ou mais tarde, um líder ou líderes, orgãos reguladores, instituições, as massas tem essa necessidade de ter gente que aponte para onde elas precisam ir e que traga soluções para elas, e é aí que surgem os oportunistas. Se está ruim com o Estado, espere só até ficar sem ele. O problema aqui é que tem muita gente falando em teorias e se esquecendo de viver no mundo real, se teorias fossem a solução para todos os nossos problemas, Karl Marx seria Deus, existe ser humano mais patético do que Marx? Cheio de teorias que são cheias de boa vontade, mas que só contribuem para inchar o Estado, e contribuem para tudo que o ancaps mais odeiam, e como se já não fosse ruim o suficiente, veio Antonio Gramsci fazer um upgrade do marxismo.

É inevitável que o Estado inche? Sim, mas se o Estado existe, algum dia houve uma real necessidade, legítima, para a criação do mesmo.
Nosso problema é que ao invés de querermos resolver as coisas da melhor forma possível, queremos resolver tudo com radicalismo "Ah, esse sistema não presta, vamos derrubar ele e colocar um sistema que é o melhor de todos, que já foi aprovado por vários filósofos!", sim, teve um sistema, se chama comunismo, mais de 100 milhões de mortos só no século 20. Acordar pra vida ninguem quer, ne? Tem gente que pensa que as coisas se resolvem num passo de mágica, e ainda só analisa as coisas sob um único ponto de vista.
Vamos ver primeiro o que cada lado tem a dizer e provar, inclusive o lado dos socialistas (Sim, até eles), para depois juntarmos tudo e chegarmos à um meio termo. Até mesmo das coisas ruins é possível tirar algo de bom, se não houvesse a tristeza, nós nunca saberíamos o que é a felicidade.

Responder
Leandro 18/10/2009 21:57:53

Prezado Ricardo, muito agradecido por seus elogios. Mas vamos rebater seus argumentos:\n\na) As que não estão felizes, estão livres para sair do arranjo, certo? Elas não podem simplesmente obrigar ninguém a sustentá-las. Se fizerem isso, teriam de criar um aparato com o monopólio da coerção. Como criá-lo do nada, sabendo que há oportunidades de ganhar muito dinheiro criando outros aparatos que visam justamente coibir o surgimento desse aparato supremo?\n\nb) o fato de algumas pessoa quererem ser dominadas não implica que todas as outras também terão de se submeter a tal subjugo. Você pode querer controlar a minha vida, mas eu tenho o direito de não querer me submeter a você. E aí? Vide novamente as oportunidades de lucro que tal arranjo apresenta para aqueles que quiserem atender essa minha vontade.

Responder
Norbs 23/05/2011 17:13:15

a) Você chegou a cogitar a possibilidade de que é justamente desses ' aparatos que visam coibir o surgimento desse aparato supremo' de onde pode sair um aparato supremo?
O poder corrompe pessoas, empresas, governos, porque não corromperia uma polícia privada? Ainda mais se ela soubesse que as outras pp não podem, ou não querem peitar ela?

b)Tu pode não querer mas pelo que eu entendi, isso é irrelevante.Pelo que entendi o argumento do Ricardo é de que grandes empresários dos meios de comunicação, sei lá, iam influenciar as massas pra elas apoiarem o novo minarquismo,então bastava a maioria ou uma parte que tem muito poder querer e pronto, não vai ter muita coisa que o resto possa fazer.

'Ja no territorio dos EUA, e no Brasil, em que as sociedades nao formavam "estados" no sentido em que usamos o termo aqui, os europeus precisaram entrar em conflito com todas as nacoes indigenas.'

E os indios não ganharam em nenhuma.Entendeu?

Responder
Bruno 19/10/2009 03:12:42

Mas Leandro. Vamos ao caso da máfia.\n\nO fato da Cosa Nostra não dominar o sul da Itália todinha não torna a vida dos habitantes sob a Camorra mais confortável.\n\nOlha, negociar com o estado é duro mesmo. \nMas negociar com alguém que lhe diz que tu tens que contratar ele para lhe proteger por senão "algo muito ruim vai acontecer" não é muito melhor não.\n\nEu não estou simplificando não. Estou colocando algo que costumas (os ancap) esquecer. Poder de Fogo.

Responder
Leandro 19/10/2009 04:24:58

Exato! E você acabou de demonstrar cristalinamente como o estado opera. A grande diferença entre a máfia e o estado é que este último faz as mesmas obscenidades, só que sob o manto da legitimidade. Ou vai me dizer que a frase "se você não quiser contratar os serviços do estado, algo de muito ruim vai lhe acontecer!" não é válida? Experimente ficar sem pagar seus impostos sob a desculpa de que não está satisfeito com os serviços estatais prestados. É cana na certa. Ou seja: a máfia pode ser combatida e suprimida; o estado, não. Você pode escapar da extorsão da máfia. Se conseguir, estará livre. Agora, tente fazer o mesmo com o estado. Se conseguir escapar de sua extorsão, irá para o xadrez. E só um último detalhe: a máfia existe para ofertar os bens e serviços que o estado proibiu. Caso estes não tivessem sido proibidos, a máfia jamais teria crescido - e sua história seria apenas a de uma rixa entre vizinhos. O que gerou o enorme fortalecimento das máfias foi o dinheiro que elas ganharam explorando negócios tornados ilícitos pelo estado. Sem essa ajuda estatal, elas jamais teriam se tornado poderosas.

Responder
Bruno 19/10/2009 13:04:29

Então Leandro. O fato de demonstrar como o estado opera, não invalida de modo algum o que tento dizer no fim das contas, que não adianta trocar seis por meia dúzia.

Responder
Tom 19/10/2009 13:28:08

Uma coisa estpa parcialmente oculta no argumento do Leandro. Mas é clara pra quem consegue perceber. O argumento não é só a disponibilidade de riquezas do livre mercado.
O fato é que o Estado mínimo ainda é um Estado. E por isso possui o uso legítimo da coerção; enquanto na anarquia ninguém detém essa legitimidade.

Daí se infere que num estado mínimo, seria mais fácil uma intervenção na economia ou noutros campos. O poder ainda é centralizado e tb delegado.
Na anarquia, não.
Não acho que é impossível que de uma anarquia nos moldes de Rothbard possa surgir um estado, mas esse estado só surgiria com uma espécie de guerra civil.
Acho que a única coisa que dá pra dizer do argumento do Leandro é que nem sempre as pessoas agem movidas por racionalidade de mercado.Mas concordo numa coisa: seria mais difícil surgir um estado numa anarquia.

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Roberto Chiocca 19/10/2009 19:52:31

é engraçado que o pior cenario que qualquer um que seja contra a ausencia de um Estado pode imaginar é o que temos hoje, vivermos dominados por uma gangue."I used to be a minarchist, but I ran out of excuses."

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Ulisses Alfredo Santos Lima 20/10/2009 22:15:34

Amigos não adianta agora ficar discutindo qual é melhor: Minarquismo ou Anarco-capitalismo?

tenho uma unica certeza nessa vida que os liberais brasilianos devem registrar uma partido que luta por liberdade o mais rápido possível, quando ainda há tempo...

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lokoloto 09/04/2015 17:24:29

Acredito que já somos libres o suficiente, o que falta é educação e bons valores, educação nas escolas e bons valores em casa, após isto a liberdade que tanto desejamos virá como uma colheita, pois hoje em dia podemos tranquilamente falar o que queremos tanto na rua quanto na internet, e mais podemos criar agrupações e associações.

A questão é que as pessoas não sabem mais respeitar as liberdades, hoje temos tanta liberdade que por causa disso a sociedade se degrada aos poucos, mas não pela liberdade em si, mas pela falta de autoconhecimento para usufruir da liberdade que temos. Quando todos aprenderem a respeitar a liberdade alheia, e aprenderem que a liberdade do outro começa onde acaba a minha e vise versa, será nesse momento em que não teremos mais corrupção e violência.

Em consequência disto saberemos escolher com mais SABEDORIA nossos representantes e líderes, e assim poderemos ter uma pátria forte uma comunidade unida e uma economia solida.

Tudo isto parece utopia, mas está claro tanto em grandes (geográfica mente) países quanto em pequenos que quando você tem o resgate dos bons costumes (temporariamente), digo bons aqueles, que muitos foram já perdidos, como por exemplo o bom dia e boa noite, subir na vida sem subir nas pessoas etc, aliado a ensino de qualidade, qualidade chamo ao tipo de educação que nos ensina a questionar o mundo ao nosso redor.

O evolução em todos os sentidos vem como consequência, quando se questiona se investiga, quando se investiga se redescobre, quando se redescobre se analisa e quando se analisa se compreende assim nasce o conhecimento e a sabedoria em todas as ordens da vida. Com sabedoria as coisas evoluem naturalmente.

Responder
kokimoto 09/04/2015 18:34:18

"Acredito que já somos libres o suficiente"

"Somos" quem, cara pálida? Só se for você, porque tenho certeza de que eu que é não sou livre.

Responder
Erik Frederico Alves Cenaqui 13/06/2010 10:55:02

Texto essencial para entender os valores defendidos pelo IMB.\r
Os anarco-capitalistas são considerados radicais por defenderem os valores do mercado, mas defender o estatismo e suas consequências é a coisa mais radical que já vi no campo das idéias, pois é a defesa da violência institucionalizada.\r
Noto que o IMB não faz uma crítica ideologica ao estado, nem mesmo espera que surjam políticos honestos que vão conduzi-lo de forma correta, apenas demonstra como este funciona efetivamente e quais suas consequências nefastas na rotina das pessoas sem vínculos políticos. \r
A defesa da liberdade é essencial a saúde mental e física de todos nós.\r
Abraços

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mcmoraes 18/06/2010 09:16:20

Molyneux disse: "...Pois quanto menor é o estado, quanto mais você o restringe, mais produtivo torna-se o mercado. Quanto mais produtivo é o mercado, mais rápido a economia cresce e mais riqueza ela gera. E o livre mercado é tão produtivo que ele é capaz de aguentar por muito tempo um enorme crescimento da tributação e um grande agigantamento do poder estatal - até chegar a um ponto em que ele inevitavelmente irá ceder..."

Assumindo que:

1) poupar é deixar de consumir no presente para consumir no futuro;

2) investir é poupar correndo risco calculado, com o objetivo de ter mais capital em um momento futuro;

3) e, a razão de ser do Estado é manter o status quo e manter e/ou aumentar o seu próprio poder.

Estaria eu enxovalhando o significados das palavras Poupança e Investimento e demonstrando minha ignorância, se eu concluísse, a partir do texto de Molyneux, que Estado Mínimo = Estado Poupador = Estado Investidor?

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Vinci 23/02/2011 21:43:35

Não entendo os anarquistas liberais, digo, os anarco-capitalistas. Nas palavras de Mises:

"O anarquista, porém, se engana ao supor que todo mundo, sem exceção, desejará observar tais regras voluntariamente. Há dispépticos que, embora saibam muito bem que ceder ao prazer de certos alimentos significa sofrer dores fortes, quase insuportáveis mais tarde, não obstante, são incapazes de evitar o prazer e o delicioso prato. Ora, as inter-relações da vida em sociedade não são fáceis de delinear, como os efeitos psicológicos da comida, nem mesmo as consequências ocorrem tão rapidamente e, acima de tudo, tão palpáveis para o causador do mal. É, pois, possível supor-se que, sem cairmos no terreno do absurdo, a despeito de tudo isso, todo indivíduo em uma sociedade anarquista terá maior descortino e força de vontade do que um dispéptico? Em uma sociedade anarquista, estará descartada, totalmente, a possibilidade de que alguém possa, negligentemente, atirar um fósforo aceso e iniciar um incêndio ou, em um momento de raiva, ciúme ou vingança, infligir danos a seu compatriota? O anarquista compreende mal a verdadeira natureza do homem. O anarquismo somente seria praticável, num mundo de anjos e santos.

O Liberalismo não é anarquismo, nem tem, absolutamente, nada a ver com anarquismo. O liberal compreende perfeitamente que, sem recurso da coerção, a existência da sociedade correria perigo e que, por trás das regras de conduta, cuja observância é necessária para assegurar a cooperação humana pacifica, deve pairar a ameaça da força, se todo o edifício da sociedade não deve ficar à mercê de qualquer de seus membros. Alguém tem de estar em condições de exigir da pessoa que não respeita a vida, a saúde, a liberdade pessoal ou a propriedade privada de outros, que obedeça às regras da vida em sociedade. É esta a função que a doutrina liberal atribui ao estado: a proteção à propriedade, a liberdade e a paz.

O socialista alemão Ferdinand Lassalle tentou ridicularizar o conceito de um governo exclusivamente limitado a esta esfera, ao chamar o estado, constituído, com bases nos princípios liberais, de "o estado vigia - noturno". Mas é difícil divisar a razão pela qual "o estado vigia - noturno" devesse ser mais ridículo ou pior do que o estado que se preocupa com a preparação do chucrute, com a fabricação de botões para calças ou com a publicação de jornais. Para compreender o efeito que Lassalle buscava criar com esse dito espirituoso, é preciso ter em mente que os alemães de sua época não haviam ainda esquecido o estado dos déspotas monárquicos, com sua vasta multiplicidade de funções administrativas e regulatórias, e que continuavam ainda sob forte influência da filosofia de Hegel, que elevara o estado à posição de entidade divina. Se se considera o estado, assim como Hegel, como "a substância moral autoconsciente", como o "universo em si e por si, a racionalidade da vontade", então, sem dúvida, deve-se considerar blasfema qualquer tentativa de limitar a função do estado de atuar como um vigia - noturno.

Só assim se pode entender como foi possível a alguém ir tão longe na condenação do liberalismo por sua "hostilidade" ou inimizade ao estado. Se tenho a opinião de que é desaconselhável atribuir ao governo a tarefa de operar ferrovias, hotéis ou minas, não sou mais "inimigo do estado" do que inimigo do ácido sulfúrico, por ser de opinião de que, embora útil em muitas finalidades, não se presta para beber, nem para lavar as mãos.

É incorreto interpretar a atitude do liberalismo, em relação ao estado, ao afirmar-se que essa doutrina deseja limitar a sua esfera de atividades possíveis ou que abomina, em princípio, toda atividade executada pelo estado, no que concerne à vida econômica. A opinião que o liberalismo tem, com relação ao problema da função do estado, é a consequência necessária da defesa que faz da propriedade privada dos meios de produção. Se alguém é a favor disso, sem dúvida, não pode ser a favor da propriedade comum dos meios de produção, isto é, a favor de colocá-los à disposição do governo, e não de proprietários individuais. Portanto, a defesa da propriedade privada dos meios de produção já implica uma circunscrição bastante drástica das funções exercidas pelo estado."

Responder
André Poffo 15/03/2011 17:38:36

Vinci, de onde retirou este trecho? Não me parece que ele esteja criticando frontalmente o anarco capitalismo. Além disso, logo nos finalmentes de sua vida, Mises chegou a dizer muito bem que concorda com as ideias de libertarianismo de Rothbard.

"Se alguém é a favor disso, sem dúvida, não pode ser a favor da propriedade comum dos meios de produção, isto é, a favor de colocá-los à disposição do governo, e não de proprietários individuais."

Isto está esquisito.

Responder
Augusto 15/03/2011 18:54:40

Mises, no trecho citado, pergunta:\r
\r
Em uma sociedade anarquista, estará descartada, totalmente, a possibilidade de que alguém possa, negligentemente, atirar um fósforo aceso e iniciar um incêndio ou, em um momento de raiva, ciúme ou vingança, infligir danos a seu compatriota?\r
\r
Ora, existe alguma sociedade em que tal possibilidade possa ser totalmente descartada? Claro que nao - como o proprio Mises diria, nao eh possivel ter pleno controle sobre as vontades e os atos de outros individuos. Assim, a pergunta eh: por que Mises pedia do anarquismo algo impossivel?

Responder
João 15/03/2011 16:47:52

Estou com o Vinci. Os anarco-capitalistas utilizam um modelo lindinho de ser humano. Não levam em conta o fato de que há pessoas mais fortes, com melhores habilidades físicas, mais politicamente astutas, etc. Estas pessoas venderão seus serviços como as outras pessoas?

Uma hipótese realista: você é mais forte e tem mais armas do que eu, já que meu objetivo não é ser forte, e sim vender outro tipo de serviço. Ora, o que seria mais lucrativo para você: oferecer um serviço para mim, ou me forçar a pagar o que você bem entender? A concorrência, nesse caso, não seria por serviços melhores.

Eu poderia treinar e me esforçar para me defender. Com isso, perderia competitividade, já que o outro sujeito que paga para não ser morto por você poderia se concentrar no próprio trabalho. O máximo de serviço que você me ofereceria seria que *OUTRA* pessoa não me matasse, algo que você não poderia garantir de verdade, já que certamente a disputa entre máfias por territórios seria constante. Ok, não haveria a disputa constante por territórios. Teríamos, então... países diferentes!

Resumindo: o anarco-capitalismo é fruto de uma visão tão otimista da natureza do ser humano que chego a ficar emocionado com tamanha ingenuidade.

Responder
Angelo T. 15/03/2011 20:19:55

João, quero ver se entendi direito seu ponto... \r
\r
Você teme que um grupo de pessoas fortes e politicamente astutas force outros a pagarem por seus serviços um preço aleatório, mesmo que elas não queiram? Teme que esses grupos concorram entre si (que tal de 4 em 4 anos) para espoliar os outros? Teme que esse grupo, por se concentrar em seu trabalho de espoliar, tenha vantagem sobre os fracos que além de se defender, tem que fornecer serviços para sobreviver?\r
\r
Pois eu conheço uma sociedade em que todas essas barbaridades ocorrem. Sim, todas! E não é apenas isso. É pior! Nessa sociedade, diferentemente da situação descrita por você, as pessoas de fora desse grupo são encorajadas e forçadas a não se defender. Esses grupos até proíbem armas! Menos para eles próprios, claro. E esses grupos disputam entre si de vez em quando, jogando bombas uns nos outros, e geralmente obrigando os espoliados a irem travar as disputas, em vez deles mesmos. Como esse grupo é formado por pessoas astutas, essa disputa só acontece quando vale muito a pena, senão se contentam em continuar espoliando os outros em seu território.\r
Acho que você já deve ter ouvido falar dessa sociedade, já que descreveu um ponto dela muito bem. Realmente o grupo de pessoas fortes e astutas tentam oferecer o serviço de proteção contra outras pessoas, mas não garantem esse serviço, já que estão em constante disputa com outros grupos e outros afazeres (como espoliar os de fora do grupo) que com certeza geram mais benefícios para eles.\r

Responder
Joao 16/03/2011 09:12:27

É esse exatamente o meu ponto. Eu já conheço o tipo de sociedade que descrevi. É aquela em que vivo. Se o resultado final do anarcocapitalismo é algo muito parecido com a sociedade em que vivo, então o anarcocapitalismo não resolve os problemas. Na melhor das hipóteses, criaria uma situação que acabaria tendo como consequência a geração de um Estado.
Nesses últimos dias, tenho pensando em uma teoria semelhante à teoria dos ciclos econômicos, mas aplicada ao governo. Um país começa com um governo mínimo. Com a prosperidade, o governo acaba crescendo cada vez mais. Em um certo momento, ocorre um colapso do governo. Com o colapso, o governo seria diminuído à força, talvez não a um governo mínimo, mas certamente a um governo menor. Tal ciclo teria períodos muito maiores do que os econômicos, é claro. Não sou economista, mas acredito que uma teoria assim estaria muito mais de acordo com a realidade do mundo e do ser humano. O que acham?

Responder
Angelo T. 16/03/2011 09:45:33

João, nada garante que essa situação seja o resultado final do anarcocapitalismo. Esse caso descrito, que talvez seja o pior caso do anarcocapitalismo, é uma sociedade parecida com a que vivemos. Só que temos fortes razões teóricas para acreditar que as coisas não seriam dessa forma. Seriam melhores, de acordo com os valores liberais.
E porque não tentarmos algo que seria no pior caso como estamos hoje?

Responder
Joao 16/03/2011 10:52:35

As razões teóricas e os valores liberais são muito interessantes, mas muitas das justificativas se baseiam em suposições a respeito do ser humano que não encontram eco na realidade. O ser humano tem sede de poder. Seu egoísmo não está restrito a uma simples satisfação de suas necessidades. Muitas pessoas, se tivessem a opção de subjugar o próximo para aumentar a satisfação, fariam-no sem pestanejar. Não estou fazendo uma defesa apaixonada do Estado. Só estou dizendo que o Estado é uma consequência natural do anarquismo. Sempre haverá algum tipo de Estado, e este provavelmente sempre passará por ciclos de aumento, diminuição, extinção, separação, incorporação, etc.

Responder
Angelo T. 16/03/2011 13:30:46

João, dificilmente algum anarcocapitalista dirá que os seres humanos ficarão dóceis, bondosos e tudo o mais em uma sociedade anarcocapitalista. O que dizem é que estarão em uma situação melhor.

Você fez algumas afirmações extraordinárias: "Estado é uma consequência natural do anarquismo", e "Sempre haverá algum tipo de Estado".
Pelo que pesquisei, mais de 99% da existência dos seres humanos se passaram em sociedades sem estado.

Responder
Norbs 23/05/2011 16:28:25

'Pelo que pesquisei, mais de 99% da existência dos seres humanos se passaram em sociedades sem estado.'

Toda tribo primitiva tinha seu cacique, seu líder, ou alguma coisa correspondente

Responder
Felix 16/03/2011 10:01:54

tive exatamente o mesmo raciocínio... Parece que é algo nato da natureza humana. Se de todos os países do mundo, todos tem algum tipo de governo, então é assim e pronto, como mudar isso?

Responder
Augusto 16/03/2011 10:45:25

Há uma diferença entre governo e estado. Toda empresa tem um governo, uma administração. É por isso que se fala, inclusive, de "governança corporativa". Um governo pode se dar por associação voluntária: ninguém é obrigado a trabalhar em uma empresa específica, e se você trabalha em uma empresa e não está satisfeito, é livre para pedir demissão e ir buscar outro emprego - ou até fundar sua própria empresa.\r
\r
Já o estado é diferente. Por definição, se você nasce no território de um determinado estado, você é sujeito daquele estado, independente da sua vontade. Você também não é inteiramente livre para sair do estado ou de simplesmente "pedir demissão" e não mais se submeter às regras. Mais ainda, você não pode sair e criar seu próprio estado, a não ser pela guerra e conquista.\r
\r
Bom, isso tudo, "na teoria".\r
\r
Pessoalmente, eu não sei se o chamado "anarcocapitalismo" seria de qualquer modo superior ao modelo de estados que existe hoje. Não há nada que impeça uma agência de seguros, ou um empregador privado, de tentar de algum modo explorar ou roubar o cliente ou empregado, a não ser, na teoria ancap, a "liberdade do indivíduo de sair daquele contrato", mas analogamente, um cidadão pode tentar emigrar para outro país.\r
\r
Na teoria ancap, "as empresas vão se comportar porque caso contrário, perderão clientes". Ora, no mundo atual, os governantes de modo geral também se comportam, porque podem também perder o emprego ou até a vida.\r
\r
Na teoria ancap, as seguradoras sempre aparecem como a grande solução, mas o papel dessas seguradoras seria análogo ao dos estados atuais. Se não me engano, o próprio Hans Hoppe admite isso em uma entrevista, quando ele diz, "se você quiser chamar o que eu estou defendendo de estado, tudo bem". (mas agora eu realmente teria que achar essa entrevista)

Responder
Felix 15/03/2011 21:35:36

Creio que os fatos recentes na Bahrein mostram a fragilidade de um país pequeno tentando ser anarcocapitalista.
Imagine a população querendo liberdade e o governo do Bahrein não consegue conter a população e de repente vem uma ajuda externa da arábia saudita e contém toda a população.
Isso também vêm ocorrendo na Líbia onde simplesmente a população não consegue conter alguém mais forte e armado até os dentes.
Creio que a dominação de um povo anarcocapitalista por outra nação maior e belicamente mais poderosa seria inevitável. A não ser que o mundo todo fosse anarcocapitalista. Parece o jogo do War, o mais forte vai dominando tudo mais fraco em volta, pois a liberdade libertária simplesmente não prevê investimento em guerras. Parece um beco sem saída.

Responder
Augusto 16/03/2011 00:16:20

Felix,\r
\r
Por que voce tenta investigar a viabilidade do sistema anarcocapitalista olhando justamente para onde ela poderia, talvez, se mostrar fragil?\r
\r
O curioso eh que nessa sua "analise", voce nao descreve qualquer especificidade de uma guerra em ambiente anarquico, voce simplesmente transpoe o que ja acontece hoje.\r
\r
Voce diz,Creio que a dominação de um povo anarcocapitalista por outra nação maior e belicamente mais poderosa seria inevitável.\r
\r
Ora, qualquer povo,anarcocapitalista ou nao, esta sujeito a ser dominado por uma nacao maior e mais poderosa.\r
\r
A questao eh: uma sociedade sem estado eh mais ou menos facilmente dominada por outra?\r
\r
Pense nisso: os alemaes nao encontraram grandes dificuldades em dominar praticamente toda a Europa ocidental e oriental. Se eles nao tivessem tentado crescer para cima da Russia e da Inglaterra, talvez ainda controlassem aquele territorio. E Franca, Tcheco-eslovaquia, Polonia, Holanda, Belgica,Noruega nao eram sociedades tipicamente anarquicas, e tinham ate um certo poderio belico. Mas no momento em que as tropas alemaes "marcharam sobre Paris", o pais praticamente inteiro cedeu.\r
\r
Por outro lado: os norte-americanos entraram com relativa facilidade tanto no Iraque quanto no Afeganistao, derrubando os governos nacionais. E no entanto, nao podem dizer que efetivamente controlam o territorio. A populacao - ou uma parcela dela - resiste. Com armamento inferior, mas com muita determinacao. E como nao ha mais estado - como nao ha um predio ou um palacio que represente o poder nacional - a guerra se tornou muito mais dificil. So eh possivel ganha-la cacando todos os inimigos, um a um.\r
\r
Pense nisso tambem: quando os espanhois desembarcaram na regiao dos Aztecas, que eram uma sociedade bastante hierarquizada, bastou (na versao simplificada da Historia) que o Imperador dos Aztecas se rendesse aos espanhois para que todo o povo azteca se submetesse ao jugo europeu. Ja no territorio dos EUA, e no Brasil, em que as sociedades nao formavam "estados" no sentido em que usamos o termo aqui, os europeus precisaram entrar em conflito com todas as nacoes indigenas. Obviamente, estou simplificando bastante, mas espero que voce entenda o que quero dizer.

Responder
Ricardo Frota 19/08/2011 00:07:27

Lendo este texto faz acreditar que o Estado é um ser orgânico e personalista capaz de durar gerações e gerações se sustentando através da pujança do livre comércio. Parece que uma pessoa do governo hoje, tem total interesse em agigantar o Estado, mesmo sabendo que daqui a 8 anos ele não será mais o mandatário do poder, e estará do outro lado sofrendo as consequências de suas próprias decisões de agigantamento! Isto não me parece muito lógico! Ainda mais quando uma pessoa, quando governo, toma decisões que permearão por outras tantas gerações! Estranho!

Responder
Johnny Jonathan 07/06/2012 01:03:02


Não acho que o texto diz isso. Não foi proposital, mas é um consequência natural ele "poupar" no livre mercado, pra quando tiver gordinho, tributar e se agigantar.

Na verdade os fundadores da América ficariam muito triste com o atual EUA. Eles criam o país pra ser o menor possível.

Só que, no entanto, a economia americana cresce exponencialmente muito mais do que a população, logo, os impostos que antes eram o suficientes só pra manter a estrutura, passou, com o enriquecimento do país, a ter também "utilidades" politicas de controle: um lobby aqui, outro acolá e quando vamos ver temos um FED nos anos 1900 que no fim gerou aquela crise de 1929. Pra corrigir a Crise? População e Lobbys pedindo mais estado e mais governo. Depois de cair messa armadilha, não tem como voltar atrás facilmente.

Ou seja, se é pra ter um estado mínimo, o quão mínimo ele tem que ser para que nem os direitistas ou muito menos os esquerdistas (exemplo sueco) o transformem logo depois de um enriquecimento em um estado máximo?

Claro que hoje em dia temos empirias e várioas exemplo de estados minimos que estão se mantendo(até quando?), e elas, aliadas há uma boa educação, nossos filhos e netos não pegaram a nossa herança e torraram em porcarias estatistas como os americanos e suecos fizeram.

Mas se um dia o Brasil chegar numa minarquia, irei ser muito menos crente na educação e muito mais crente numa anarquia.

Apesar de que uma anarquia e educação junto são imbátiveis.

Responder
Rafael 14/06/2012 11:09:11

Depois de 8 anos ele espera ser lembrado pelos companheiros e receber, pelo menos, um carguinho em um dos ministérios. Se a farra tiver sido boa, dá pra aguentar 4 anos até que a mamata volte também.

Responder
Paulo Sergio 14/06/2012 10:44:12

Qual a grande diferença, na prática, entre um governo mínimo e uma justiça privada de instância superior, com autoridade num território limitado?
Obs: por governo mínimo é mínimo mesmo, não estou falando de democracia nem de instituições, políticos, etc

Responder
anônimo 14/06/2012 11:35:56

O estado mínimo vai se agigantar. Uma justiça privada em teoria sempre enfrentaráconcorrência

Responder
Paulo Sergio 15/06/2012 06:18:29

Não to falando das que competem, estou falando da justiça privada de instância superior, com autoridade numa comunidade, que resolveria os problemas entre as JP de instância inferior
Como o caso do 'se A acha que foi roubado por B e A e B tem justiças privadas diferentes'...
Só não lembro agora qual artigo descreve isso

Responder
Andre Cavalcante 15/06/2012 07:03:38

Paulo,

Exatamente dessa que eu estou a falar: um estado é monopolista em uma área, uma justiça privada não! Pode até ser a única em um determinado território, mas não será a única que os possíveis demandantes poderão procurar. Nada impede, em um mundo de justiça privada que eu escolha uma justiça na China em vez de no Brasil para resolver algum pendenga de ordem superior. Seria preciso haver uma única justiça privada mundial para que o sistema não tivesse concorrência. Mesmo que uma empresa somente existisse, a possibilidade de entrada de outra, caso aquela não cumprisse seu trabalho é real.

De resto, não vejo grandes diferenças entre um e outro caso (no modo de funcionamento, digo), exceto esse que em um caso (do estado) não há nenhuma preocupação em ser eficiente e, no outro (justiça privada), mesmo que fosse com uma empresa somente (acredito que haveria várias, assim como há várias jurisdições atualmente), haverá um constante preocupação em ser eficiente e julgar com equidade (claro ainda vai ser passível de erros e tals).

Vale lembrar que raramente uma pessoa física se preocuparia com essas instâncias superiores, uma vez que as empresas representantes de níveis inferiores é que procurariam tais instâncias superiores, o que, por si só, já garantiria uma equidade e eficiência maiores.

Abraços.

PS. O anônimo acima sou eu mesmo.

Responder
Tiago Bezerra 01/12/2012 04:21:30

Esse texto lembrou-me o "Culto a Carga", já mencionado nesse site, em um podcast. O Brasil copia esses países poderosos em suas formas de organização política e de estado, pensando que ao fazer isso, alcançará o mesmo nível de prosperidade. No entanto, nossa elite dirigente é estupida demais para ver que está copiando as consequências da prosperidade, e não a sua causa, o livre mercado. No século XIX, foi assim. A maior potência do mundo era o Império Britânico, portanto sejamos um Império, então tome Dom Pedro I e Dom Pedro II. No final do século XIX e começo do XX, o modelo de nação era os EUA, então o Brasil vira uma república federativa, para prosperar. No fim do século XX, o modelo era os países nórdicos, com seu modelo de welfare state, então para chegar a esse nível o Brasil inventa a Constituição de 1988. Roberto Campos costumava dizer que o Brasil queria um serviço de estado nórdico com recursos moçambicanos. Infelizmente, no nosso país há um culto ao estado. Isso é histórico. Os ricos querem o estado para favorecer os seus negócios, a classe média para conseguir empregos públicos e, mas recentemente na história, os pobres para obter assistência social. Acredito ser muito dificil o liberalismo ser implantado no Brasil. Isso demandaria uma incrível mudança cultural.

Responder
Miqueias 01/12/2012 13:12:14

É fácil mostrar que uma minarquia produz um estado gigante porque isso já aconteceu.
Teoricamente, com uma constituição que mantenha o governo totalmente limitado, a minarquia seria algo duradouro. Assim como na teoria não surgiria um estado em uma sociedade anarcocapitalista.

Responder
Fernando 02/12/2012 11:52:48

Sempre uns vão possuir mais domínios sobre os outros.

A diferença é preferir que seja quem tem mais dinheiro (e você não ter para quem recorrer), ou quem você elegeu.

Simples.

Responder
João 14/11/2013 12:35:46

Essa sedução do governo que foi citada no artigo, creio eu, na verdade seria a sedução dos próprios cidadãos, que foi estúpido de se deixar seduzir por vigaristas e velhacos em nome do conforto. O ponto está correto, mas colocar a culpa no Estado por isso é não seria diluir a responsabilidade individual?

Responder
Marcelo 10/02/2014 01:44:33

Esse texto não demonstrou que um estado mínimo leva inevitávelmente a um estado máximo. Só porque isso já aconteceu não se segue que sempre acontecerá, e muito menos que acontece necessáriamente, pela simples existência do estado mínimo. Acho que o texto inteiro cai na falácia non sequitur. Se todos os cidadãos fossem minarquistas, muito provavelmente o estado continuaria sendo mínimo, se isso estiver certo, prova que a tendência ao estado máximo não é inerente ao estado minimo, mas uma condição imposta desde fora.

Responder
Andre Cavalcante 10/02/2014 15:21:13

Marcelo, o texto explica sim. Acho que cê ainda não captou a mensagem, então, vou copiar o texto aqui pra você:

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"E isso é perfeitamente explicável. É algo tristemente natural e inevitável. Pois quanto menor é o estado, quanto mais você o restringe, mais produtivo torna-se o mercado. Quanto mais produtivo é o mercado, mais rápido a economia cresce e mais riqueza ela gera. E o livre mercado é tão produtivo que ele é capaz de aguentar por muito tempo um enorme crescimento da tributação e um grande agigantamento do poder estatal - até chegar a um ponto em que ele inevitavelmente irá ceder. (E este é exatamente o momento que os EUA estão vivendo agora).

Portanto, o que acontece é que, quando você minimiza o governo, paradoxalmente você faz com que a lucratividade de se aumentar posteriormente o tamanho do governo seja muito maior, pois haverá muito mais riqueza para tributar e mais recursos para se controlar - ambas as coisas que mais seduzem qualquer governo.

E como o governo adquire muito mais dinheiro e poder quando ele tributa uma economia que se desenvolveu e enriqueceu com um livre mercado, ele ganha a capacidade de fazer coisas terríveis, como desenvolver armas de destruição em massa, manter um incomparável estado belicista e assistencialista e comprar grandes seções da população, tornando-as permanentemente dependentes do estado.

É como se você fosse um fazendeiro e descobrisse um modo de fazer com que suas vacas produzissem dez vezes mais leite que o normal. Qual seria o resultado? Você estaria fazendo com que suas vacas passassem a ser muito mais valiosas sob a ótica dos outros fazendeiros, que passariam a fazer de tudo para tê-la. Da mesma forma, quando você tem um governo mínimo, cada indivíduo torna-se muito mais produtivo por causa da escassa interferência governamental. Qual será a consequência? Esse indivíduo tornar-se-á muito mais atraente para o estado, que sem dúvida irá querer comandá-lo no futuro."

---------

O problema do minarquismo é que ainda há estado (por menor que seja), o que significa que há um aparato de coerção que tem legitimidade em um território. Logo, o que impede dele ir aumentando aos poucos? Basta uma guerra qualquer, os gastos do governo aumentam, justifica-se o aumento nos impostos e o aumento no aparato estatal. Não precisa ser muito, basta um pouco e que nunca mais irá diminuir (não sem uma revolução). Lembre-se, minarquista ainda aceitam um estado, logo vão aceitar condicionantes de atuação do estado aqui e ali. Daqui e dali para acolá é um passo que, se dado, não volta. E esse passo sempre é dado assim que um evento "justificável" aconteça, como uma calamidade pública no país ou fora dele, uma guerra, um desejo de diminuir a pobreza etc.

Responder
Pobre Paulista 10/02/2014 16:04:45

O autor mostrou a lógica do porquê isso acontece e depois citou os exemplos para demonstrar a validade do raciocínio. Releia o texto.

Responder
Michael Effiom 20/04/2016 16:12:22

"O autor mostrou a lógica do porquê isso acontece e depois citou os exemplos para demonstrar a validade do raciocínio. Releia o texto."

Concordo plenamente!

Responder
Érico 09/03/2014 10:33:05

Nota de rodapé:

O exemplo dos países nórdicos tem uma premissa completamente equivocada. O único país escandinavo que não participou da IIGM foi a Suécia. Dinamarca e Noruega foram invadidas e ocupadas pelos nazistas e a Finlândia ajudou os alemães na invasão da União Soviética. Além disso a Islândia foi ocupada militarmente por britânicos e americanos.

Responder
Leandro 09/03/2014 15:16:57

Nenhum destes países teve suas infra-estruturas básicas destruídas e nenhum foi impiedosamente bombardeado durante meses. A Noruega em particular, embora tenha sofrido algumas sanções comerciais por causa da invasão nazista, manteve sua capacidade produtiva absolutamente intacta. Já a Dinamarca nem sequer sofreu sanções e todas as suas instituições continuaram funcionando normalmente. Ao contrário da Noruega, os nazistas não se importaram muito com a Dinamarca.

No que mais, a Noruega é um caso totalmente a parte. O país pode se dar a vários luxos porque literalmente está boiando sobre petróleo, cujas receitas de exportação garantem ao governo um superávit orçamentário de incríveis 10%. Exatamente por causa desta excepcionalidade, a Noruega pode se entregar a vários exotismos estatais e assistencialistas. Retire o petróleo da Noruega e a coisa ficará bastante curiosa.

Como comparação, a Suécia, que não tem essa sorte geológica, possui uma economia mais livre que a Noruega (menos regulamentações, mais livre comércio). E tem de ser mais livre porque, se não fosse mais livre, não teria como ela produzir a riqueza necessária para sustentar seu estado. Se a Noruega perdesse o petróleo, e mantivesse exatamente a mesma estrutura econômica de hoje, a teoria ensina que ela seria pior que a Suécia.

Responder
Emerson Luis, um Psicologo 27/03/2014 19:45:30


O ser humano é intrinsecamente imperfeito. Qualquer teoria ou sistema que ignore ou subestime isso trará maus resultados. O melhor que podemos fazer é uma economia desestatizada, mas governada por leis isonômicas. E o fortalecimento das regiões, um federalismo de fato, que aplique o princípio da subsidiariedade.

* * *

Responder
jcarlos 27/05/2014 21:07:37

No Brasil isso aí nunca foi realidade, agora com Lula no poder mais distante ainda. Lembro bem que o FHC nunca mexeu na CLT, havia muito funcionario publico ganhando na epoca mais de 8000 que ainda hoje é um bom salario e fazendo greves... sou de Brasilia, esse papo de FHC ser neoliberal é coisa de gente que nao entende nada de neoliberalismo. Se ele tivesse sido mesmo neoliberal teria derrubado a CLT e cortado metade dos parasitas burocratas. Brasil nunca foi neoliberal pois o povo nao gosta de trabalhar, pra ser neoliberal voce tem de ser empreendedor e trabalhar nao ficar ganhando bolsa do governo!
Estados Unidos esta muito bem obrigado, duvido muito que eles sintam alguma inveja do Brasil ou de Cuba.

Responder
jcarlos 27/05/2014 21:09:54

O Brasil eh um dos paises que mais pagam imposto no mundo e isso nao eh por conta de corrupcao apenas é por conta de um monte de parasitas chamados servidores publicos que servem só a si mesmos e todo ano fazem longas greves querendo aumento! Os politicos tem sua parte do bolo do nosso PIB mas pode crer que sindicalista e funcionario publico leva outra parte.

Responder
Silvio 02/09/2014 18:53:42

Você sabe me dizer qual é a parte do PIB usada para sustentar os parasitas chamados servidores públicos?

Se não, veja esse link: 4.bp.blogspot.com/-YELbOeLy3Og/UEgSOjApNYI/AAAAAAAAO_4/HY8JZJXsbzw/s1600/or%C3%A7amento+2013.png

Não digo que o funcionalismo não seja parte do problema, mas, ao contrário do que você possa acreditar, definitivamente ele não é a maior parte do problema.

Responder
Marcos Biasoli 22/10/2014 16:51:31

Não foi o Estado Mínimo que criou o imperialismo americano, mas sim sua pujança econômica frente aos demais países. Dinheiro é poder. Fico pensando se a União Soviética tivesse prosperado e superado os EUA, quem ditaria as regras? Lógico que o mais poderoso, digo, rico. Só os românticos e sonhadores insistem em ideologias metafóricas para explicar um mundo que, ao meu ver, não é tão complexo como se imagina ser.

Responder
Raphael Vianna 05/12/2014 02:03:06

As regiões do Rio dominada pelas milícias, não se assemelham com o anarco-capitalismo?

Pois o Estado é pouco presente nessas áreas,mesmo recebendo benefícios e subsídios do governo.

O que aconteceria se o Estado desaparecesse de vez? Como isso iria influenciar no crime organizado? Os habitantes carentes não passariam de dependentes de uma intervenção do Estado para dependentes de uma intervenção humanitária para salva-los do crime?

Responder
Michelangelo 05/12/2014 09:42:47

Muito pelo contrário: milícias são uma consequência do excesso de estado.

Uma área pobre de uma grande cidade, infestada de quadrilhas de traficantes que circulam por ali sem qualquer restrição, vendendo abertamente drogas nas ruas e becos e descarregando rajadas de metralhadora em qualquer um que apresente um comportamento suspeito está nessa situação terrível justamente porque a polícia opera ali rotineiramente e com truculência.

Se a polícia realmente nunca se preocupasse em impor qualquer lei naquela área, então ninguém teria de se preocupar com o risco de ir pra cadeia por estar vendendo drogas.

Consequentemente, empresas de fora poderiam ir se instalar naquele bairro, abrir lojas com janelas à prova de balas e vigiadas por seguranças muito bem armados, e vender cocaína e outras drogas para os moradores (ou, principalmente, para os clientes que vêm de outros bairros) por uma fração do preço vigente nas ruas.

Essas empresas iriam rapidamente quebrar todas as quadrilhas de traficantes que operam na região, uma vez que os clientes iriam correr em manada para aqueles empreendimentos profissionalmente geridos, principalmente por causa de seus preços baixos e pela qualidade de seus produtos.

Porém, por que isso não ocorre? Porque se alguns empreendedores tentassem de fato implementar o plano acima, eles seriam rapidamente impedidos pela polícia, que interromperia suas atividades (com o indisfarçável apoio dos traficantes locais).

Mais ainda: essas empresas teriam suas contas bancárias confiscados por ordem do judiciário, inviabilizando qualquer operação. Líderes comunitários e religiosos iriam reclamar que uma farmácia não pode vender cocaína para adolescentes em plena luz do dia (embora os traficantes o façam imperturbáveis) e o chefe da delegacia encarregada da região iria concordar.

Com efeito, nem ocorre a qualquer empreendedor tentar fazer o que foi dito acima porque - duh! - seria algo totalmente ilegal.

Portanto, não é difícil entender que não é inoperância do governo o que permite que determinadas comunidades permaneçam em um equilíbrio violento; ao contrário: é justamente o ataque do governo aos direitos de propriedade que faz com que bandidos detenham um poder permanente sobre determinadas regiões.

Responder
Felipe 05/12/2014 11:24:05

Raphael Vianna,

"As regiões do Rio dominada pelas milícias, não se assemelham com o anarco-capitalismo?"

Mas é obvio que não.

Apenas pense, um povo desarmado e empobrecido pelo estado que é extorquido por agentes do estado. E você acha que a culpa é a falta de estado?

Responder
Raphael Vianna 05/12/2014 02:20:53

''Os menores governos sempre produzem os maiores governos. É completamente impossível que não seja assim. Nunca houve um contraexemplo na história e nem nunca haverá.''

Cuba, Coreia do Norte, Venezuela, Rússia...

Além desses países não passaram por um processo de Estado Mínimo,eles tem muito menos liberdade que nos EUA, Inglaterra, Irlanda logo ele não produziram os maiores governos.

Responder
Donatello 05/12/2014 09:36:12

"Além desses países não passaram por um processo de Estado Mínimo,eles tem muito menos liberdade que nos EUA, Inglaterra, Irlanda logo ele não produziram os maiores governos."

Frase totalmente contraditória. A conclusão dela está em desacordo com as premissas.

De resto, o estado americano é muito mais poderoso e intrusivo do que o estado russo e o norte-coreano. Russos, cubanos, norte-coreanos e venezuelanos não espionam meus emails e nem ouvem minhas conversas telefônicas (aliás, coitados, eles não têm nem papel higiênico). Já a NSA americana está fazendo isso neste momento.

Entendeu? A questão não é puramente econômica.

Responder
anônimo 05/12/2014 11:48:36

O estado americano é o mais intrusivo e opressor da história da humanidade. Não se deixe enganar pelas mentiras do Olavo e afins; intervencionista, militarista, corporativista, assistencialista, os EUA de hoje são o contrário de tudo que os founding fathers queriam que fosse
E a ocupação, roubo de terras e genocídio de palestinos que o estado de Israel vem fazendo há décadas, também é com o apoio dos EUA.

Responder
Rafael 14/04/2015 12:27:28

Não posso acreditar que perdi meu tempo lendo uma "teoria sanitária" dessas...
Comparações completamente sem nexo, levantamentos totalmente mal elaborados e infundados, não passa de suposição pessoal de alguém que visa distorcer e tender à um fator do conjunto sem ao menos ponderar avanços significativos em uma teoria que transformou a colônia norte americana em potência mundial e muito além da questão nuclear, como o autor faz questão de repetir...

Responder
Felipe 14/04/2015 17:43:15

Com tantos erros e distorções você certamente deve ser capaz de apontar um único argumento do artigo que condiz com o que você falou, correto?

A não ser que você seja daqueles que falam coisas sem fundamentos, o que é típico de pessoas idiotas, mas temos certeza que você não é desses.

Responder
David 17/04/2015 12:01:59

Posso estar enganado sobre a definição do que é um estado, mas se um estado mínimo leva ao estado máximo, não poderia haver nenhum partido político que defenda o liberalismo. Pois a partir do momento que o partido estiver no poder, ele vai ser o próprio estado.

Se essa situação que eu disse estiver correta, como poderia então o liberalismo ser implantado no mundo sem partidos políticos ?



Responder
anônimo 17/04/2015 12:42:36

Secessão.
Quem é Jhon Galt?

Responder
Renan Mattos 30/06/2015 01:35:25

Esse ancaps... são tão simplistas e ingênuos. Eles acreditam mesmo que o mundo inteiro vai virar uma verdadeira nação anarcocapitalista e que todo mundo vai nascer querendo obedecer à risca o PNA manhosamente kkkkkk.
Até parece que não iam surgir milícias armadas para invadir e dominar a propriedade dos outros. Opa, pera aí, mas não é que na Somália tá acontecendo mais ou menos isso? Só que usar a Somália como exemplo de anarquia não vale né, porque o "verdadeiro anarcocapitalismo nã foi implantado, deturparam Rothbard" by: Luciana Hayek Genro kkkkkkkkkkkkk.. Provavelmente vão sempre usar essa mesma falácia.
Aceitem que dói menos: uma minarquia com imposto mínimo é muito mais eficiente pra proteger a propriedade privada do que uma anarquia de livre mercado, até por causa das agressões de outros países

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Renato Selvas 30/06/2015 02:40:51

"Aceitem que dói menos", "kkkkkkkkkkkkk", "PNA manhosamente kkkkkk"

Minarquistas chegando ao nível "esquerda petista" de argumentação. Que mundo!

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anônimo 30/06/2015 12:42:31

A somalia viveu uma guerra civil que só pode existir devido a existência do governo anterior e da forma abrupta que ele acabou.

Grupos nacionalistas bem armados disputando o poder (geralmente ex-militares), e em contrapartida uma população empobrecida e desarmada pelo governo anterior.

O que você queria?

Se existe um desequilíbrio causado pelo estado é obvio que o fim imediato dele gerara problemas.

Olha o Brasil hoje, ninguém seria louco de desejar o fim imediato do estado.

Quem esta armado? traficantes, policiais e militares.
E quem esta desarmado? a população.

Além disso, deve haver um número considerável da população que vive as custas do estado, e esse grupo obviamente não vai aceitar perder a mamata tão fácil.

É fácil ver isso e concluir que acabar hoje com o estado brasileiro gerara uma guerra civil desigual.

Por isso o caminho para acabar com o estado é gradual, através da secessão.

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anônimo 30/06/2015 13:37:56

Esses minarcas...são tão simplistas e ingênuos. Mesmo lendo o texto - se é que leu - assim como inúmeros outros textos e exemplos de estados mínimos ou pelo menos 'pequenos' que hoje são gigantes, acreditam que o mundo inteiro vai virar uma nação minarquista e que todo mundo ao nascer vai obedecer a risca que o estado não deve ser aumentado manhosamente kkkkk.

Até parece que não surgirá cidadãos pedindo 'almoço de grátis' para seja lá quem for o ser angelical onisciente e onipotente eleito tipo um Lula ou uma Dilma - cidadãos com uma reputação ilibada e de capacidade intelectual alienígena. Que sem um Toffoli ou um Lewandowski no mais importante tribunal da nação, o STF, não haveria proteção à propriedade privada.

E claro, milícias armadas e guerras civis não surgem com um estado protetor, certo? O que deu errado nas seguintes guerras civis? Deturparam o estado? Eis algumas:

***

-Guerra Civil de Roma (49 a 48 a.C.) pelo controle da República Romana, travada entre Júlio César e Pompeu, seu ex-genro e antigo aliado.
-Guerra Civil Inglesa (1642- 1649), entre o Rei Charles I e o Parlamento conduzido por Oliver Cromwell.
-Guerra Civil Portuguesa (1828-1834), confrontando os absolutistas de D. Miguel e os liberais de D. Maria II e D. Pedro IV.
-Guerra dos Farrapos (1835-1845), entre rebeldes farroupilhas (liberais) e tropas do Império Brasileiro.
-Guerra de Canudos (1896-1897). Maior conflito da História do Brasil, em que o exército da recente República atacou (e durante um ano foi derrotado, apesar dos modernos armamentos e da superioridade numérica) a comunidade do Arraial de Canudos, criada pelo povo do sertão da Bahia em torno do líder religioso conhecido como Antônio Conselheiro.
-Guerra do contestado (1912-1916) na região sul do Brasil entre os estados do Paraná e Santa Catarina por disputa de terras.
-Guerra Civil Americana que se iniciou quando forças dos confederados atacaram de surpresa o Forte Sumter na Carolina do Sul, nos Estados Unidos, no dia 12 de abril de 1861.
-Guerra Civil Russa (1918-1922) - Entre bolcheviques e o antigo regime russo.
-Guerra Civil Iugoslava (1918-1941), com a derrota dos impérios russo, austro-húngaro e otomano.
-Guerra Paulista ou Revolução Constitucionalista (1932) - Entre os aliados de Getúlio Vargas e os aliados do governo de São Paulo pela adoção de uma constituição, para evitar uma ditadura.
-Guerra Civil Espanhola (1936-1939), com início devido ao grande número de greves, manifestações e levantes de direita e de esquerda.
-Guerra da Bósnia (1993-1995), entre croatas, sérvios e bósnios-muçulmanos.
-Guerras Carlistas (século XIX), três violentas contendas ocorridas em Espanha entre os carlistas, partidários de Carlos María Isidro de Borbón, e a governação de Isabel II de Espanha, sua sobrinha.

***

E não, Rothbard não foi deturpado pois ele mesmo admitia essa possibilidade. Se você tivesse lido saberia.

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Tio Patinhas 30/06/2015 14:01:48

Na parte da Somália sem estado, melhorou muito:

mises.org.br/Article.aspx?id=1031

Obrigado.

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anônimo 01/07/2015 10:43:27

Vamos pra minarquia então!
Justiça privada = o menor governo possível.

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Thomas Korontai 08/07/2015 03:22:20

Li o artigo e filosoficamente parece lógico, mas não considera uma série de variáveis. Uma delas é geopolítica. Estados nacionais se fortalecem, mesmo mantendo uma federação de minarquias internas, para se posicionar no tabuleiro mundial, seja militarmente, seja economicamente, seja culturalmente. E nesse contexto, os EUA foram extremamente competentes.

Outra variável é ideológica. Sempre vão existir ricos e pobres, pois sempre existirão pessoas com visão e outra sem visão nenhuma, embora todas importantes no contexto da vida em comum. Essa variável ideológica, que busca concentrar poderes e recursos para posterior distribuição ao atendimento dos pobres, simplesmente vai gerando mais pobres. Implantada a política do Robin Hood, por gente que chega ao poder por meio de discursos populistas, os governantes vão fortalecendo a burocracia, a nomenklatura estatal para se manter no poder. E aí surgem as oligarquias.

Frise-se ainda que a expansão demográfica sempre foi mais rápida do que o capitalismo poderia suprir, especialmente porque, na contra mão, vinham os governantes concentrando poderes e recursos, diminuindo o espectro do avanço do capitalismo, que também foi se concentrando, resultando em oligopólios, monopólios, cartéis e demais grupos plutocráticos.

O artigo, contudo, é ótimo no sentido de se trazer alertas para que se melhorem os dispositivos de controle e balançamento do poder nas suas diversas vertentes - econômico e política principalmente. Esperamos que nós, os Federalistas, possamos evoluir muito em relação aos modelos inspirados - EUA, Suíça e Alemanha, para citar os mais preponderantes.

Responder
Kelvin Henrique Ferreira 02/12/2015 13:33:08

A questão não é o tamanho do estado, é como ele vai se manter.
Os impostos são obrigações, sendo assim são literalmente "Impostos" para o povo.
Se a necessidade com o tempo, precisar que o estado aumente, quem deve bancar, são pessoas através de doação ou livre vontade (Um exemplo de como conseguir essse dinheiro são loterias e jogos do tipo) e não por imposto.
Meu estado pode ter 100 ministérios, se o povo achar que vale a pena pagar por isso mesmo sabendo que vai ser feito PARA TODOS, então pagam os que querem, se eles não querem isso, procurem a resolução na iniciativa privada para ser só para ele ou quem ele quer pagar.

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Elison 26/01/2016 08:20:11

Mas um fato relevante a ser citado é que a Constituição Americana na época era um queijo suíço cheia de furos para o Estado crescer igual um boi de engorda.

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Rafael 27/04/2016 02:15:31

Primeiro: Os exemplos de países mostrados não são nada ruins. E poder bélico traz aquela velha frase à tona:"Quem quer paz, deve estar preparado para a guerra".

Segundo: As características atuais citadas na Irlanda, já são de SOCIALISMO. Infelizmente não tem como controlar todas as gerações que irão suceder no comando do país. Isso é óbvio.

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anônimo 14/06/2016 22:08:26

Será que a mesma coisa aconteceria se o governo dos EUA fosse uma Monarquia Tradicional sem democracia e não uma República Federal?

Responder
Gabriel 18/06/2016 00:20:40

Aí fica uma boa pergunta.

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Antônimo 19/06/2016 17:54:13

Concordo.

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