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Sim, a escola está destruindo gerações e causando estragos profundos
Abolir esse modelo gerenciado pelo estado e criar outro é crucial


Aviso: texto disruptivo, com reflexões polêmicas que requerem uma grande capacidade de abstração e um desprendimento dos modelos vigentes. Caso ache que está tudo certo com o mundo e com a educação brasileira, não perca seu tempo com a leitura. Pode voltar para o Facebook ou Instagram.


Por que uma criança deve estudar?

Para ser formada como cidadã que terá um papel na sociedade, trabalhando para ter seu sustento, para realizar seus sonhos e colaborar com os menos favorecidos.

O estudo não tem um fim em si mesmo, do tipo "o estudo dignifica o homem". Não, o trabalho e a criação de valor é que dignificam o homem. O que você realiza é o que lhe dignifica. Logo, em uma determinada fase de sua vida, você supostamente deveria se preparar para, na próxima fase, produzir e gerar valor.

O estudo sem propósito é perda de tempo. Sim, essa afirmação soa quase que como uma heresia escandalosa aos ouvidos de quem, por anos, foi condicionado a pensar no estudo como atividade-fim e não como um meio. Estudar por estudar é típico de alguém que ainda não encontrou seu propósito na vida, e por isso continua mecanicamente apenas fazendo as coisas por fazer.

No entanto, o ato de estudar — ou seja, participar de uma classe a fim de adquirir informações sobre as disciplinas definidas pelo governo via Ministério da Educação — está muito longe de ser o suficiente para preparar alguém para adquirir relevância na sociedade. Até porque a definição do currículo escolar foi feita há quase um século.

Já o atual modelo de escola compulsória, o qual copiamos do resto do mundo ocidental, foi criado ainda no início da Era Industrial. E sua função era preparar a mão-de-obra oriunda do campo para as indústrias. Consequentemente, o modelo de organização e agremiação das escolas era um simples espelho do modelo organizacional das fábricas: os sinais tocando entre as aulas, indicando que uma acabou e que outra deve começar; os sinais anunciando o início e o fim do recreio; as filas e a ênfase na obediência e submissão; o ambiente maçante; as fileiras de jovens sentados passivamente em suas carteiras escolares obedecendo a seus professores; os professores obedecendo aos supervisores e ao diretor etc. — tudo isso foi modelado de acordo com a organização das fábricas.

O problema é que já deixamos a Era Industrial há muito tempo e estamos entrando na Era da Imaginação. Mas o modelo escolar continuou estagnado na era das fábricas.

Os empregos do futuro ainda nem foram inventados

O mundo mudou, as necessidades mudaram, as ferramentas são outras e a quantidade de informação a que nossos jovens são expostos é muito maior. Não é por acaso que, como consequência dessa realidade, testemunhamos o aumento brutal no diagnóstico de TDAH — Transtorno de Déficit de Atenção por Hiperatividade —, o que fez com que drogas como a Ritalina tenham encontrado no Brasil seu segundo maior mercado consumidor do mundo. Será que nossas crianças é que estão doentes ou seriam as nossas escolas?

Em um mundo onde as informações estão acessíveis a todos, à distância de apenas um clique, aquela escola que tem o papel de transferência de conteúdo se torna a cada dia mais insignificante.

Por isso, o modelo educacional vigente está falindo e definhando a cada ano. E isso está acontecendo sem que muitos envolvidos nesse processo sequer estejam percebendo. E não percebem porque ainda continuam acreditando firmemente que esse modelo é o que melhor prepara para as formas mais convencionais de sustento de um cidadão, que é o emprego.

Só que o emprego tradicional, na forma como conhecemos, perde valor a cada dia, ao mesmo tempo em que outras formas de produção ganham mais espaço no mundo. Marketing multinível, produção de conteúdo na internet, youtubers, micro-franquias, vendas diretas, marketing digital e vários outros modelos têm crescido ao redor do mundo e já contam com milhões de pessoa dedicando-se a eles.

Em seu livro Now You See It, a educadora Cathy Davidson diz que 65% das crianças que estão entrando hoje na escola irão trabalhar em empregos no futuro que ainda nem foram inventados. Escreve ela: "Nessa era de mudanças cada vez mais velozes, estamos aplicando a nossas crianças as mesmas provas e lições de casa que foram criadas para nossos tataravôs".

Não quero entrar no mérito de discutir sobre cada uma dessas profissões tecnológicas que hoje estão em voga, mas a existência delas e seu crescimento são a maior prova de que as pessoas estão cansadas de se sentir escravas, de terem suas agendas tomadas e não terem tempo para usufruir a família e a vida em troca de um salário sobre o qual não têm controle.

Adicionalmente, o aumento do trânsito nas grandes cidades, com filas intermináveis e engarrafamentos de desafiarem os nervos, em conjunto com o aumento da violência urbana não só estimulam ainda mais esse tipo de ocupação, como também tem provocado um aumento nos casos de síndrome do pânico. Como resultado, o consumo de educação pela internet, por exemplo, não para de crescer.

Por que alguém vai pegar um carro, dirigir por minutos ou horas, correndo risco de ser assaltado, gastando com estacionamentos cada vez mais caros, para ir a uma faculdade ou mesmo a um curso qualquer? Muito mais racional é estudar online: gasta menos, gasta com qualidade e ainda sobra mais tempo para trabalhar, construir seus projetos, fazer outras coisas de que gosta ou simplesmente viver a vida.

Conteúdo

Não me entendam mal: eu vejo muito, mas muito mesmo, valor na pré-escola. É o momento em que a criança adquire algumas de suas primeiras experiências sociais, em que desenvolve suas habilidades cognitivas, sua coordenação motora e é alfabetizada. É uma educação altamente produtiva.

Da 1ª à 4ª série, a concentração em português, matemática e ciências traz um conteúdo interessante e importante para a base da educação dessa criança. O problema é que o formato falido da educação vigente já começa a colocar a cabeça para fora: uma sala enfileirada, a maldita prova que induz a decoreba e a busca por notinhas na média começam a aparecer nessa fase. Uma pena, pois, apesar desse formato deletério, o conteúdo dessa fase é bem importante.

É da 5ª série até o último ano do ensino médio que tudo desanda. Ou seja, entre os 11 e 17 anos. Algum pedagogo infeliz definiu esse conteúdo a ser despejado no cérebro dos jovens. A quantidade de informações inúteis, desnecessárias e irrelevantes é impressionante: vai desde decorar os principais nomes do parnasianismo (lembra?) até cada etapa do ciclo de reprodução das samambaias.

Nessa fase, seria imensamente importante a preparação para a vida. E não me refiro à preparação para o emprego, não. Falo de preparação para a vida, mesmo.

Até hoje, sou capaz de montar no mínimo 70% de uma tabela periódica, com os elementos químicos e suas posições organizadas em grupos. Até hoje não me esqueci e não me pergunte por quê. O fato é que essa informação ocupa um espaço valioso em meu cérebro e não me serve para nada. Talvez se eu trabalhasse com farmácia ou química industrial tivesse algum valor, mas não para 99% das pessoas. Se é inútil para 99% das pessoas, por que perder tempo com isso na escola? Mais ainda: por que exigir que o aluno saiba isso para ser aprovado e liberado da escola?

Sem entrar em muitos detalhes, atrevo-me a dizer que mais de 70% do que se estuda entre a 5ª série e o 3º ano do ensino médio não tem sentido algum, não fará nenhuma diferença na vida futura deste indivíduo e será relegado ao esquecimento tão logo ele saia da escola. Se você duvida, tente relembrar aí tudo o que você aprendeu na escola. Em seguida, veja quanto disso você aplica no seu dia a dia.

Quais deveriam ser as prioridades

Caso eu pudesse montar uma escola com currículo próprio, sem ter de me submeter às ordens do MEC (hoje, sou proibido pelo governo de fazer isso), daria ênfase aos seguintes itens:

1. Falar em público - Estatisticamente, falar em público é o maior medo das pessoas. Elas não têm boa oratória. E oratória é muito importante para o crescimento profissional e liderança. Como pode alguém passar mais de 15 anos participando de uma educação que não o prepara para ter uma boa oratória? Foi falta de tempo? Não. Você estava ocupado estudando as briófitas, as mitocôndrias ou decorando os gases nobres.

2. Direito - Não me refiro ao Direito estudado por quem deseja ser um advogado, mas ao direito de cada indivíduo. As regras do jogo. Quer jogar o jogo sem saber as regras? Falo em direito civil, direito tributário, direito comercial etc. Pelo menos o básico de cada um.

3. Nutrição - As taxas de obesidade crescem em todo o mundo. Nutrição é algo que seria estudado todas as semanas.

4. Finanças pessoais - Esse é crucial. Cálculo de juros para financiamentos, entender como os juros compostos podem elevar o patrimônio do poupador (e destruir o do devedor), entender as consequências do seu nível de endividamento, aprender negociação, gestão de patrimônio etc. É inacreditável que se perca tanto tempo em uma escola sem que o indivíduo sequer aprenda o básico sobre como gerir a própria vida.

5. Inteligência emocional - Como reagir a situações adversas. Aprender a perder para ganhar. Saber se colocar no lugar dos outros. Empatia. Liderança (de novo). Saber trabalhar em grupo. Como lidar com a ansiedade, com as frustrações, com o medo etc.

6. Empreendedorismo - Não apenas na forma de se ter uma empresa, mas também como empreender em uma carreira profissional. Empreender com a mesada. Estímulos para startups na internet. Blogs. Conteúdo no YouTube e redes sociais com o foco na criação de audiências.

7. Esporte em alta performance - O esporte traz consigo ensinamentos importantíssimos para a vida. Foco, trabalho em equipe, inteligência emocional, determinação, trabalho em grupo. O esporte é riquíssimo para o desenvolvimento dessas habilidades. Mas não seria compulsório.

8. Primeiros socorros e conhecimentos sobre o atendimento de jovens, velhos e crianças - Este fala por si mesmo.

9. Política e sociologia de forma isenta e não-doutrinária - Este seria o mais difícil, mas é possível de ser feito.

10. Serviço social e trabalho voluntário em comunidades carentes - Além da experiência valiosíssima de lidar com os mais necessitados, a abordagem humana e o fato de ter acesso às contradições da sociedade causadas por políticas desastradas trariam questionamentos valiosos para os futuros pensadores.

11. Idioma estrangeiro com qualidade - O inglês é uma disciplina estudada em todas as escolas, mas menos de 3% da população dominam o idioma. Eis mais uma fragorosa prova do retumbante fracasso do modelo educacional vigente. É inaceitável que menos de 100% de nossos alunos cheguem ao final do ensino médio e não falem no mínimo 3 idiomas. Há tempo para isso, mas a competência das escolas atuais passa longe.

12. Língua portuguesa, interpretação de textos e redação. Uma atividade a ser desenvolvida todos os dias. Treinando a forma e desenvolvendo pensadores que se expressam muito bem, tanto de forma oral como escrita. Quem não sabe se comunicar bem por escrito não terá capacidade de liderar. Seus relatórios não serão bem compreendidos e seus pedidos/ordens serão mal executados. E isso influenciará diretamente a qualidade dos bens ou serviços que você fornece. Peça a um grupo de 100 jovens recém-formados em uma universidade para escreverem uma redação e sinta o terror.

Responsabilidades

O governo sempre esteve integralmente no controle da educação. Pouco importa se a escola é particular ou pública: elas seguem o currículo do MEC, que é compulsório. Se uma escola decidir ensinar tudo o que disse acima — e abolir a tabela periódica, as mitocôndrias, as briófitas e o parnasianismo, por exemplo —, ela, mesmo privada, poderá ter seu registro cassado e seus alunos terão um diploma não reconhecido.

Logo, o governo é o responsável único por esse modelo pouco produtivo de educação.

Até 2014, fui sócio de um grupo educacional expressivo com mais de 1.800 escolas de ensino médio e fundamental no Brasil, com mais de 500 mil alunos. Conheço bem o que digo. Meus filhos — 15, 13 e 4 anos de idade — sabem tudo o que penso a respeito desse assunto e por dois anos ficaram fora da escola. Estudaram em casa, enquanto moramos na Espanha e Inglaterra. Em Portugal, eles voltaram para uma escola convencional, mas a educação deles não pertence a essa escola, ainda que seja considerada uma das melhores da Europa. Eles aprenderam a jogar o jogo e nos dedicamos a prepará-los dentro de outros paradigmas, muito longe de alguns conceitos ensinados lá dentro.

Talvez um dia, se o governo permitir, eu realize o sonho de construir uma escola que contrarie tudo isso, que peite esse esquema, que ignore a falsa importância de um diploma e que forme pessoas para serem relevantes na sociedade com todas as habilidades acima, em vez de uma manada de seres humanos padronizados em busca de um diploma para arranjarem um emprego e pagarem suas contas.

E eles agem assim porque foram ensinados assim, treinadas assim e adestradas desse jeito desde tenra idade.

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O entusiasmo e a obsessão são suas mais decisivas habilidades

57 votos

autor

Flávio Augusto
é um dos principais ícones do empreendedorismo no Brasil. Fundou a Wise Up e, mais tarde, o Ometz Group, que englobou uma série de empresas fundadas por ele e em 2013 foi vendido para a Abril Educação, da qual passou a ser sócio. No mesmo ano, adquiriu o Orlando City, clube da principal liga norte-americana de futebol. É também o idealizador do Geração de Valor, projeto focado em inspirar jovens que estão iniciando a carreira e desejam chegar mais longe, aprendendo com a experiência de um empreendedor de sucesso. Fundou também o MeuSucesso.com e a T-BDH Capital. Ouça seu podcast para o IMB.

  • Anônimo  20/10/2017 14:06
    Artigo muito bom. Realmente o modelo industrial de escolas está falido. Aliás, não se pode nem ao menos escolher as matérias em que se tem interesse.
  • Aloisio Siscari  20/10/2017 14:07
    Excelente texto. Entretanto, os grandes artistas - pintores, escultores e escritores do passado aprendiam também questões da alma em filosofia. O autor do texto esqueceu-se da espiritualidade, de onde viemos, pra onde vamos, por que nascemos, pra que vivemos, qual o sentido da minha vida. Nosso Deus não é a Economia!
  • Martins  20/10/2017 14:28
    Só que tais pessoas eram obcecadas pelo assunto e correram atrás, e não necessariamente "aprenderam na escola" de maneira mecânica.

    Artigo inteiro sobre isso:

    O entusiasmo e a obsessão são suas mais decisivas habilidades
  • Aloisio Siscari  20/10/2017 16:23
    As universidades surgiram atreladas às CATEDRAIS!!! E quem mais despendia gastos com o conhecimento era a Igreja!!! Hoje, para muitos, o deus é a Economia. Analisemos o que virou a sociedade.
  • Escolástico   20/10/2017 16:53
    Sim, as universidades surgiram por meio da Igreja. Era uma época em que o governo não estipulava que só podia exercer determinadas profissões quem tinha um diploma. Consequentemente, as universidades estavam genuinamente voltadas para o saber e para o aprofundamento do conhecimento. Só entrava ali quem realmente estava interessado em aprender e em contribuir para o saber.

    Já hoje, não mais. Hoje, o governo determinou que só pode exercer uma determinada profissão quem tem diploma. Sem diploma, o sujeito é proibido de trabalhar. E se ele for flagrado trabalhando sem diploma, vai pra cadeia.

    Consequentemente, a universidade deixou de ser um centro de saber (como era na época da Igreja) e virou uma mera atravessadora: para o sujeito poder trabalhar sem ir pra cadeia, ele deve obter um diploma numa universidade.

    Foi o governo, portanto, quem transformou as universidades em balcões comerciais. E é exatamente este arranjo que os libertários condenam.

    Você, pelo visto, defende. E ainda diz que são os libertários os culpados por "o que virou a sociedade"! Que maravilhosa inversão de valores e de atribuição de culpas.
  • Xenon  20/10/2017 16:39
    Pergunta, quem financiava os os grandes artistas - pintores, escultores e escritores?
  • Nilo Pascoaloto  20/10/2017 17:27
    Nobres e magnatas. A Alemanha pré-unificação, por exemplo, tinha várias unidades políticas e centros comerciais que competiam entre si por status cultural, o que proporcionou solo fértil para uma cultura vibrante e alguns dos maiores gênios da história humana. A Itália também teve uma situação análoga.

    Hoje muitos "artistas" ficariam horrorizados com a idéia de ter que agradar um patrono, afinal isso feriria a "liberdade" deles. Mais uma prova de que é urgentíssimo acabar com financiamento estatal da "cultura", para que essa gentalha entenda que eles não têm direito de cagar no chão e chamar de "arte" e esperar que isso ponha comida na mesa.
  • Arnaldo  24/10/2017 15:23
    Religião é algo tão idiota que não merece nem ser discutida.
  • Rudinei  27/10/2017 17:46
    Idiota é este seu argumento sobre religião. Deve ser o reflexo do argumentador.
  • Paulo  20/10/2017 14:15
    Eu tenho estudado muito o aprendizado em rede, e recentemente li Ivan Illich, um pensador que ficou no ostracismo por suas ideias, quando escreveu sobre a desescolarização da sociedade. Vale a leitura.

    Uma referência nessa linha:

  • Julio Cesar Pereira Rocha  20/10/2017 14:19
    É por isso que dei adeus a faculdade e atualmente trabalho em uma forma de integrar a matemática com Scratch, uma ferramenta para ensinar programação para crianças e adolescentes. A educação já mudou e a tradicional já morreu. Só que não percebeu isso ainda foi o governo. Burocratas sempre são lentos.
  • Luan  20/10/2017 14:21
    Perfeito, analiso da mesma forma. Nós mesmos confessamos que o nosso modelo está errado quando admitimos que nossos jovens saem da faculdade sem estarem prontos para o mercado de trabalho. Ora, se o objetivo da faculdade é preparar o jovem para o mercado de trabalho, como que ele pode sair de lá formado sem está preparado? Bato muito nessa tecla, estamos focados na teoria do "Cuspe e Giz" e estamos esquecendo da pratica. Não que a teoria não seja importante, mas além de modificarmos nossa grade, precisamos focar na pratica, pois é com ela que veremos sentido em determinada coisa.
  • Decio  20/10/2017 14:23
    No momento estou terminando o curso de engenharia de produção civil na Universidade Federal de Santa Catarina, e sinto na pele o que é a qualidade do ensino deste modelo falido. Mesmo estando quase terminando a universidade, me sentiria totalmente despreparado para entrar no mercado de trabalho. A unica coisa que aprendi bem aqui foi me virar, me virar para aprender, me virar para correr atrás do que realmente importa, infelizmente muitos não podem correr atrás como pude.

    Enfim, gostaria somente de dizer que compartilho deste sonho que você tem. Mesmo não tendo me formado ainda, já embarquei na jornada do empreendedorismo, sempre quis ter algo que eu tenha criado e tive a sorte de encontrar bons amigos que pensam como eu e estão comigo nesta jornada, mas meu objetivo de vida é poder fazer algo com relação a educação no país. Remodelar este sistema falido para que as pessoas não tenham que passar pelo tormento que passei ao cumprir com o "dever" de estudar todos os dias.
  • Carlos  20/10/2017 14:27
    Excelente texto - especialmente em nosso país, os métodos educacionais não viram qualquer mudança significativa nos últimos 50 anos.
  • Walter  20/10/2017 14:31
    O que sente alguém que recebe um alvará de soltura, após ter sido condenado a passar cinco longos anos submetido à reclusão em regime fechado? Não sei ao certo, mas deve ser algo semelhante ao que senti quando abandonei as salas de aula de adestramento e reclusão do curso de bacharel em administração. Sei que não sou anormal em não aceitar a submissão que queriam impingir a minha pessoa, taxando-me de indisciplinado e sem inteligência interpessoal por não compactuar com meus colegas caçadores de notas altas. Valeu, #tôfora...
  • Efraim Lopes  20/10/2017 14:36
    Gates, Jobs e Zuckerberg: nenhum deles se submeteram ao sistema.
  • Tobias  20/10/2017 20:25
    Vou copiar o que já disse em outro artigo:

    Bill Gates era obcecado com computadores. A cada chance que ele tinha ele ia mexer em computadores. Ele cabulava aula e ficava noites acordado se dedicando a essa sua devoção.

    Michael Jordan, após ser afastado do time quando criança, decidiu que nunca mais iria se sentir tão desprezado novamente. Passou a cabular aulas pra ficar treinando no ginásio, jogando dias e noites inteiros.

    Donald Trump passou toda a vida focado em negócios imobiliários. Mesmo quando ainda estava na faculdade pegou dinheiro emprestado do pai para comprar um condomínios de 1400 unidades. Graduou-se milionário e, uma década depois, já era bilionário.

    Steve Jobs tinha a criatividade como sua paixão. Na década de 1980 ele já visualizava um iPod, mas com a tecnologia então disponível, o negócio seria um trambolho enorme. Tão obcecado ele era que não descansou enquanto sua imaginação não ganhou vida EXATAMENTE no formato que ele imaginou.

    Mark Zuckerberg se dedicou incansavelmente à codificação e conversão de uma linguagem em código. Era o único do seu grupo a ser considerado um verdadeiro gênio. Construiu o Facebook.

    Nenhum desses perdeu tempo aprisionado em escolas sendo doutrinados e não aprendendo nada. Eles mostram que a única maneira de ser bem-sucedido na vida é ter um foco afiado e empurrar tudo o que secundário para o lado.
  • Little Brother  20/10/2017 14:42
    A grande função da escola hoje é transmitir a ideologia às crianças e de forma covarde, diga-se de passagem.
  • Vanessa  20/10/2017 14:48
    Uma das justificativas para o atual modelo escolar de enfiar o máximo de matérias possível na cabeça do estudante é que quanto mais ele descobrir coisas novas maiores as chances de ele se interessar por algo e assim seguir carreira profissional naquilo.

    Tipo, se o estudante tomar contato com a existência de mitocôndrias e ribossomos, ele pode se apaixonar por aquilo e decide virar médico. Ou então quando o professor fala que existe algo chamado aromáticos (química orgânica) ele irá se apaixonar tão perdidamente que irá virar engenheiro químico.

    Logo, quanto mais coisas você enfiar na cabeça da galera, maiores as chances de pelo menos uma colar.

    Só que isso comprovadamente não funciona. Aliás, tem efeito contrário: quanto mais você cobra essas coisas em prova (condicionando a aprovação a isso), maior a repulsa que tais coisas geram.

    Experiência própria. Eu odiava historia e biologia no colégio. Depois que me vi livre daqui, passei a gostar. Hoje adora. A escola só atrapalhou meu aprendizado e me causou repulsa ao conhecimento.

  • Gabriel  20/10/2017 15:57
    Pois é, se o objetivo for só tentar despertar interesse o jeito como é feito é totalmente contraproducente. Seria melhor ter algo como um "dia do documentário" com uma certa frequência, apresentando temas variados. Mesmo assim acho desnecessário.
  • Demolidor  20/10/2017 21:14
    Já eu passei a gostar de Economia após ter largado a faculdade. Melhor coisa que fiz.

    Para mim, grandes economistas como Ludwig von Mises, Friedrich Hayek, Thomas Sowell, Walter Williams, Leandro Roque, Peter Schiff, Milton Friedman, Nassim Taleb e outros dispensam intermediários. Este site traz conteúdo muito melhor que praticamente qualquer faculdade de economia.
  • Giuliano  16/11/2017 03:15
    O que o governo quer é justamente falta de foco em algo. Imagine se Jobs ou Gates se enquadrasse nesse tipo de educação. Não teriam ido fundo no que interessava a eles.
  • Dalton C. Rocha  20/10/2017 14:49
    Escola pública nunca prestou, nem prestará, no Brasil. Se algum governador ou prefeito deste país quiser mesmo, melhorar a educação, no seu estado ou município; então que faça isto:
    1- Privatize todas as escolas públicas.
    2- Dê o direito aos pais de escolherem em qual escola particular, eles querem matricular seus filhos, por meio de bolsas de estudo.
    O resto é só demagogia eleitoreira. Você acha que as escolas públicas funcionam gratuitamente? Enquanto nas escolas particulares, cerca de 70% dos funcionários são professores, nas escolas públicas esta percentagem não passa nem de 40%. O resto é burocracia; corrupta, incompetente e lenta. Sai mais barato e melhor, se usar dinheiro público, para pagar uma mensalidade numa escola particular, que jogar dinheiro fora em escolas ditas "públicas", mas de fato da CUT, da corrupção e da incompetência.
    Em resumo. Com escolas sob o controle de marxistas, estaremos fadados a vivermos num país pobre, falido, corrupto e endividado.
    Tornar um país pobre, num país rico é raridade, mas a Coréia do Sul conseguiu tal feito, graças aos governos de dois generais de 1961 a 1988. Peço a você, que veja a palestra que começa aos seis minutos e vários segundos do site https://www.youtube.com/watch?v=axuxt2Dwe0A


    Causas reais do sucesso econômico e educacional da Coréia do Sul:
    1- Ditaduras militares completamente de direita, controlando todo o país, por cerca de trinta anos. Nos anos 1950, os generais sul-coreanos usavam de governos-fantoches e de 1961 até 1988, existiram dois generais-ditadores com mão de ferro governando a Coréia do Sul. Não houve espaço político para possíveis clones coreanos de Jango, Sarney, FHC, Lula, Dilma, etc.
    2- Um modelo econômico completamente de direita, sem espaços para getulhismos do tipo monopólio estatal do petróleo ou reservas de mercado.
    3- Dos anos 1950 ao final dos anos 1980, havia punição brutal a professores que ousassem pregar marxismo e esquerdismos em geral, nas aulas.
    4- Dos anos 1950 até o final dos anos 1980, haviam castigos físicos para alunos que faltavam às aulas, conversavam nas salas de aula, tiravam notas baixas. Estes castigos físicos existiam desde a pré-escola, até o final do segundo grau.
    5- O governo obrigava e tinha na educação, o objetivo maior do país, ao lado dos gastos militares. No Brasil, de Sarney para cá, apenas os gastos com a ciranda financeira superam mais do dobro de todos os gastos restantes, em conjunto, sendo o espaço de defesa + educação sempre inferior a 10% do gasto público de Sarney(em 1985) para cá.
    6- Ao contrário da lenda, os professores da Coréia do Sul ganhavam pouco, nos anos 1960 e 1970, mas eram altamente cobrados, pelo seu desempenho.
    7- Por ter poucos recursos, as escolas da Coréia do Sul, não tinham lugar para atividades esportivas.
    8- O ensino superior foi reduzido, mas moldado ao modelo americano, sendo os professores trazidos das melhores universidades americanas. Sul-coreanos que foram estudar lá e, voltaram.
    9- Os pais que deixavam seus filhos foram da escola eram presos. E aqueles que mandavam seus filhos pedirem esmola na rua além de presos, perdiam a guarda das crianças. A mendicância era e é um crime, na Coreia do Sul. Em suma. Na Coréia do Sul, se criminalizou a ignorância e a mendicância, enquanto aqui se chama de "vítima do capitalismo", aqueles que mandam seus filhos pedirem esmolas, lá na Coréia do Sul, eles foram tratados como criminosos, já na década de 1950.
    10- A Coréia do Sul se fez uma firme aliada dos Estados Unidos.
    11- A Coréia do Sul não tem riquezas naturais. Sem espaço para slogans vazios do tipo "O petróleo é nosso!".
    12- Se impôs o ensino de inglês, que é a língua franca de todos os ramos do conhecimento humano, em todos os colégios. Aqui, o Lula impôs o ensino do inútil espanhol e dos nocivos sociologia e filosofia, que são cadeiras cativas de fracassados marxistas, em todos os colégios. Tornando assim nossos colégios em fábricas de comunistas, incompetentes e imbecís.
  • Caio  20/10/2017 15:46
    Putz, pessoal aqui de boas discutindo propostas curriculares que visam a mais liberdade, e aí nêgo vem defender que a solução é ditadura militar de direita, exatamente o tipo que mais centralizou a educação no Brasil e que, ao entregar todo esse modelo centralizado de bandeja para a esquerda progressista, ajudou enormemente na cagada que hoje vivemos.

    Aliás, taí um dos grandes cânceres do Brasil: essa disputa ideológica, típica de adolescente, entre esquerda e direita. A esquerda caga com a qualidade do ensino, e aí vem a direita e diz que a solução é mais militarização, mais autoritarismo (a parte da defesa dos "castigos físicos para alunos que faltavam às aulas, conversavam nas salas de aula, tiravam notas baixas" é desprezível), e mais centralização. Essa ala da direita lambedora de bota de milico quer simplesmente cagar em cima do estrume já deixado pela esquerda.

    Impressionante nosso atraso. Inclusive ideológico.
  • PauloBat  26/10/2017 01:28
    Sou do tempo de ir à escola fundamental, 1963 a 1970, em que um aluno, era indicado pelo(a) professor(a)para anotar colegas que atrapalhassem a aula.

    Após uma certa classificação (não me lembro exatamente, afinal são mais de 47 anos) o "atrapalhante" era colocado ao lado do quadro-negro, de frente para a parede. Sério. Brasil à somente 50 anos atrás. Pelo menos, nunca precisei ajoealhar no milho, como meu pai. Ou à palmatória, que só foi abolida na Inglaterra por esta época.



  • Leigo  23/10/2017 10:55
    Esse cara parece um esquerdista.
  • Fred  26/10/2017 00:21
    Dalton quer que todos sejam apenas another Brick in the wall
  • Futuro ex professor Marcos Paulo  20/10/2017 15:55
    Há algum tempo eu estava pensando seriamente em largar a sala de aula, após ler esse texto e alguns comentários minha decisão ficou mais certa. Vivo todos esses dilemas em 9 anos de educação e sinto que não tenho mais nada a contribuir com esse modelo.

    Como diria o amigo acima Walter:
    "Valeu, #tôfora..."
  • FL  20/10/2017 17:06
    Caro Marcos, se você é professor, você está numa posição excelente de fazer alguma mudança.

    Não sei seu ramo, mas digamos que você ensine matemática no ensino médio. Por que não ensinar cálculos de juros compostos para seus alunos? Fazer um plano de investimentos com dinheiro fictício (como existe no tal do folhainvest), mostrar como funcionam os cartões de crédito, coisas desse tipo. Você ensina português? Ótimo, mostre para ele emails corporativos bem escritos e outros sem qualquer nexo, e o impacto que eles trazem. No meu tempo de aluno, estas eram as melhores aulas, com exemplos práticos de uso daquilo que estava aprendendo.

    Até hoje lembro de um professor na faculdade que pediu para todos os alunos criarem contas no folhainvest, para aprendermos a mexer com ações, fez uma pequena competição para ver as melhores estratégias. Não fez nenhuma prova, aprovou todo mundo, mas realmente ensinou algo que uso mais de 10 anos depois.
  • marcos lorite lopes  20/10/2017 23:59
    sou professor da rede pública de são paulo, observei as falas dos colegas que estão participando do tema, e falar de educação será sempre um tema de muitas variantes, pois temos experiências diferentes e em diferentes pontos do Brasil. Começarei quanto ao modelo atual, seja deste ou daquele partido, ele está falido, é um sistema pernicioso, no qual o aluno não precisa estudar, e sinto informar nem frequentar as salas, pois a regra hoje é "dar nota 5 para qualquer um mesmo que ele não atinja as habilidades necessárias para série em curso e retirar o excesso de faltas superiores a 25%, e notas vermelhas pela falta de habilidades, solicitamos a este um trabalho que dependendo do professor poderá ser bem elaborado, do tipo - ABNT, no ensino médio, caso ele não entregue ficará com a menção do bimestre em vermelha; para o ensino básico 6º ao 9º ano nem pensar, passa direto, mesmo não sabendo nada, já no ensino médio, você poderá em casos gravíssimos reter o aluno, (sabemos que a escola não é para isso), mas infelizmente sairão analfabetos funcionais, ou menos, é assim solicitado pela gestão que devemos passar todos. conclusão neste modelo atual, não faz sentido nenhum termos educação pública. Temos por ter, apenas para tirá-los da rua.
    quanto a inclusão de alguns temas acima descrito, digo que há um projeto chamado Proemi, que traz em seu bojo temas atuais, e entre eles o sistema financeiro que é bem colocado pela matemática, no meu caso Geografia, trago assuntos relevantes, por exemplo, a questão do mapa da violência urbana, o desarmamento, a regra do jogo com a leitura de artigos da CF, e direitos em sua base de noção, e hoje a questão do trabalho escravo e sua Portaria 1129, mas isso é feito por questão pessoal, não está no curriculum, e o que somos cobrados é o curriculum básico, participei da mudança de curriculum pelo MEC em suas propostas, são várias correntes é por votação está muito difuso e neste caso ficamos com um papel muito pequeno.
  • frommars  20/10/2017 16:47
    Ótimo artigo mais uma vez, parabéns à equipe do Mises! Não sei se seria efetivo, por ser muito específico, mas entre os temas de estudo sugeridos pelo autor, eu acrescentaria aulas de programação ou algo assim. Não sabemos as profissões do futuro, mas dá pra deduzir que quem souber se virar com informática tem maiores chances de ir na direção certa. Sobre o comentário a respeito da Coréia do Sul acima, parece que a única diferença entre os coreanos do Sul e os do Norte é o víés político (menos mal que seja de direita, porque acabou produzindo riqueza). Mas o povo coreano parece ter a submissão gravada no DNA e isto é um horror.
  • Ferlinusortus  20/10/2017 16:50
    O estímulo à leitura e ao autodidatismo é importantíssimo
  • Nilo Pascoaloto  20/10/2017 17:08
    Algumas críticas sinceras...

    1) Até onde eu sei, o modelo educacional universal, compusório e regimentado que tem sido dominante no Ocidente teve origem na Prússia ao final do século XVIII, e tinha como objetivo tornar os cidadãos peças eficazes e obedientes na máquina burocrática do Estado (que estava então em franco desenvolvimento). Tem menos a ver com fábricas do que com militarismo, portanto.

    2a) Marketing multinível?...... >.>

    2b) Totalmente a favor de acabar com a regimentação do trabalho via CLT, mas sou cético quanto a essa história do "fim do emprego tradicional". Se tem uma coisa que a vida me ensinou na marra, é que disciplina e regularidade têm a sua importância, especialmente no mundo dos negócios em que as redes de interdependência são absurdamente complexas e delicadas. Não tem nada de errado em "arrumar um emprego e pagar contas"; a forma como a pessoa encara o trabalho é mais importante do que o formato do contrato de trabalho em si. E nem todo mundo quer ser "líder". Para existirem líderes é necessário existirem aqueles dispostos a serem liderados. E tem também aqueles que preferem trabalhar quietos, sem liderarem nem serem liderados...

    3) Para os senhores do corredor, o trânsito é um desafio, não um obstáculo! :D

    4) Minha percepção é de que 90% do que se aprende na escola é inútil, e possivelmente mais se você considerar coisas que poderiam ser úteis mas que são transformadas em doutrinação esquerdista na prática. Mas existe bastante gente que dá valor a uma educação formal "completa", e não tem absolutamente nada de errado se essa gente quiser que seus filhos tenham uma. Ler Homero e Virgílio e Tolkien vai ajudar alguém a ser produtivo? Duvido muito. Mas chamar de "inútil" não passa de uma opinião, e uma altamente questionável.
  • Eduardo  20/10/2017 17:52
    1) Sim, começou na Prússia do século XVIII. Depois se difundiu para os EUA. Chegou inicialmente em Massachusetts em 1852. À época, era extremamente brando: exigia que crianças de 14 anos fossem para a escola por apenas 12 semanas por ano, seis das quais deveriam ser consecutivas.

    Desde então, o sistema foi se intensificando, reduzindo cada vez mais a idade mínima.

    Agora, se o modelo visava ao militarismo e não ao industrialismo, aí eu já não sei. De fato, a estrutura de uma escola em pouco se difere da de operários em uma fábrica.

    Por outro lado, devo dizer que também já ouvi esse argumento do militarismo. A pessoa havia dito que o modelo atual de escola foi inventado pelo exército prusso para garantir que todos os jovens funcionassem como engrenagens perfeitamente conectadas durante o esforço de guerra. Esse jovens aprendiam matemática básica (para calcular soluções para o poder de fogo da artilharia), o básico da alfabetização (para entender e repassar ordens) e, é claro, educação física.

    O interessante dessa teoria é que esse currículo era muito mais enxuto e racional que o atual.

    2a) pt.wikipedia.org/wiki/Marketing_multin%C3%ADvel
    marketingdeconteudo.com/marketing-multi-nivel/

    2b) Não discordo do que você disse, mas também não acho que seja ponto pacífico. Eu já estive dos dois lados. Atualmente, sou autônomo e tenho grande flexibilidade de horário. Na prática, sou eu quem realmente faço meu horário. Ao mesmo tempo em que posso tirar uma folga numa quarta-feira, posso ter de trabalhar um domingo inteiro. Acho que foi a isso que o autor se referiu. Aí eu concordo com ele.

    Se isso é bom ou ruim, aí vai de cada um. Eu completamente subjetivo. Eu gosto, e não me vejo voltando a trabalhar de carteira assinada e batendo ponto.

    3) Desde que virei autônomo, moro em cidade pequena, onde o custo de vida é irrisório. Sendo assim, nem sei mais o que é trânsito. E confesso que não entendo autônomo que ainda mora em cidade grande com custo de vida exorbitante, segurança nula e transito caótico. Só pode ser masoquismo.

    4) O autor simplesmente deu a opinião dele sobre o atual sistema e disse como seria a escola que ele montaria caso o governo permitisse. Só isso. O autor não ameaçou ninguém, não coagiu ninguém, não tomou o dinheiro de ninguém, e nem prometeu nada a ninguém. Apenas deu a opinião dele sobre o que há de errado. Não há motivo nenhum para se sentir ameaçado ou ofendido. Se você quiser continuar mandando seus filhos para escolas controladas pelo estado, garanto que o autor será a ultima pessoa a querer lhe proibir de fazer isso. Ele pode até criticar, mas jamais lhe impedir. Por outro lado, o estado me proíbe de não mandar meus filhos para as escolas controladas por ele. Ou seja, eu sou obrigado a colocar meus filhos em escolas controladas pelo estado. Quem realmente merece vitupério?
  • anonimo  23/10/2017 11:01
    4) "Mas existe bastante gente que dá valor a uma educação formal 'completa', e não tem absolutamente nada de errado se essa gente quiser que seus filhos tenham uma."

    Só pode ser um analfabeto funcional.
  • PauloBat  26/10/2017 01:38
    Estes anônimos só vem para gerar confusão.
    Melhor ser analfabeto funcional do que cego ideológico.
    Definir suas escolhas significa livre arbítrio.

    Assim como não quero imposição do estado, quero (parafraseando Raul Seixas) poder "tomar banho de chapéu " caso eu queira. E dane-se quem se incomode com isto.
    E viva a Sociedade Alternativa.
  • PauloBat  26/10/2017 01:55
    Concordo com muitos pontos do autor menos à sua citação à Kate Davis: "65% das profissões ainda não foram inventada. "

    Porque discordo:

    1) Futurologia para vender papel (com caracteres impressos em tinta preta).

    2) Misturar mudanças de ferramentas com mudanças de profissão.

    Exemplo: James Hutton e eu somos geólogos. Ele no final do século 18. Eu hoje.

    Tecnologicamente eu estou a eras geológicas dele. Mas, ele foi responsável por uma revolução geológica que o tornou conhecido como o Pai da Geologia moderna.

    A única coisa que mudou entre nós foi a evolução das ferramentas:
    Ele: martelo, lupa e pena e papel
    Eu: martelo, lupa e computador.
    Ambos: cérebro, curiosidade e vontade para aprender e mestres.

    Ou então, o livro escrito à pena passou a ser escrito utilizando-se máquina de escrever e, posteriormente, computador. Mas os autores eram e continuam sendo escritores.
  • Felipe Costa Gualberto  20/10/2017 17:47
    "Estudar por estudar é típico de alguém que ainda não encontrou seu propósito na vida, e por isso continua mecanicamente apenas fazendo as coisas por fazer."
    Isso também é comum com pessoas que tem medo de mudanças e preferem ficar na zona de conforto. Tem vários casos de estudantes que terminam a faculdade, daí fazem mestrado, depois doutorado, depois viajam para fora para fazer um phD. A ideia de sair do mundo acadêmico, para alguns deles, é assustador e nem querem descobrir como é.

    "Já o atual modelo de escola compulsória, o qual copiamos do resto do mundo ocidental, foi criado ainda no início da Era Industrial. E sua função era preparar a mão-de-obra oriunda do campo para as indústrias."
    Sempre achei que esse modelo foi cunhado pela Prússia como estratégia de doutrinação de crianças para aceitação do estado.

    "9. Política e sociologia de forma isenta e não-doutrinária"
    Vai sonhando, isso é utopia, rs.

    Acho que faltou citar um problema muito grande que temos em escolas: são agrupadas por idade.
    Com isso, crianças de 5 anos só interagem, praticamente, com crianças de 5 anos. A mesma coisa acontece ao completar 6, 7, 8 e assim por diante até terminar a escola. Isso é um problema, pois ela passa a fase escolar sem aprender e com receio de interagir com adultos.
  • Pobre Paulista  20/10/2017 18:01
    "A ideia de sair do mundo acadêmico, para alguns deles, é assustador e nem querem descobrir como é."

    Uma coisa é estudar por estudar, outra é estudar para criar e registrar conhecimento. Não misture as coisas.
  • Antonio  20/10/2017 19:24
    " Uma coisa é estudar por estudar, outra é estudar para criar e registrar conhecimento." Outra coisa é estudar para mamar numa deliciosa tetinha estatal e ainda sair com título de DOUTOR. Afinal, os contribuintes indefesos precisam colaborar com a educação para construir um PAÍS MELHOR, não é mesmo? " Não misture as coisas. "
  • Pobre Paulista  21/10/2017 17:52
    Não é só em universidade pública que se gera conhecimento, seu otário. Veja, por exemplo, ESTE PRÓPRIO INSTITUTO, que está repleto de pessoas escrevendo e/ou pesquisando para publicar todo santo dia um novo artigo. Só pra você poder ler e escrever merdas nos comentários depois.

  • Antonio  24/10/2017 10:58
    Pobre de interpretação Paulista:
    a) Onde, no meu escrito eu referi que O ÚNICO LUGAR ONDE SE GERA CONHECIMENTO É NA UNIVERSIDADE PÚBLICA?
    Pelo que se pode entender, mas para ajudar a transformar a sua pobreza de interpretação em riqueza eu desenho, se for necessário, que um dos melhores lugares onde se mamam na tetinhas gostosas pagas pelo contribuinte indefeso para produzir "conhecimento" é nas Universidades Públicas. Está claro agora, meu caro e pobre interpretador?

    b) Onde, no meu escrito eu me posicionei contra as pessoas que estudam e geram conhecimento para ser registrado e transferido? Sendo este trabalho remunerado ou não, visando lucro ou não, desde que não seja financiado com o dinheiro dos nossos impostos, não existe crítica no meu comentário.

    c) " Não misture as coisas" já estava escrito antes. Foi repetido mas parece que o amigo tem dificuldade em não misturar. Inclusive, quando interpreta textos e comentários, mistura e confunde os órgãos responsáveis pela interpretação. Sugiro que utilize sempre o cérebro ao invés do fígado quando for fazer a interpretação de escritos e comentários que os olhos leram.

    d) Não vou descer ao nível do amigo e utilizar palavras ofensivas e de baixo calão para designá-lo, já que percebi que seu estado mental foi alterado por um acesso de fúria cuja causa desconheço. Sendo assim, se for da sua vontade se arrepender tanto pela má interpretação do meu comentário anterior como pelos injustos adjetivos a mim referidos saiba que no momento que desejar fazê-lo terá da minha parte o perdão e a amizade. Do contrário lhe reservo minha dó pelas circunstâncias que o deixaram tão furioso.
  • anonimo  23/10/2017 11:04
    "Acho que faltou citar um problema muito grande que temos em escolas: são agrupadas por idade.
    Com isso, crianças de 5 anos só interagem, praticamente, com crianças de 5 anos. A mesma coisa acontece ao completar 6, 7, 8 e assim por diante até terminar a escola. Isso é um problema, pois ela passa a fase escolar sem aprender e com receio de interagir com adultos."

    Muito bem analisado, eu até hoje tenho problemas com isso, tenho 22 anos.
  • Andrevitch  20/10/2017 19:12
    Olá. Achei o artigo muito interessante, porém completamente onírico. A ideia é ótima mas inaplicável. Percebo que sempre que se propõe algo sobre a escola se esquece a relevância do clássico, classificando-o como desnecessário. Ledo engano, estas receitas que prometem uma redenção capaz de criar uma versão do homem ideal, refazer o molde de Adão e restaurar a natureza caída é só utopia de nossa cultura vitimista com forte inferência marxista. Como diria Dom Lourenço de Almeida Prado "se um aluno não consegue aprender matemática e língua, mande-o trabalhar com barro e chame a bobagem que ele fizer de arte e criatividade".
    O clássico é a única forma de retomar o glamour do ensino e dar funcionalidade as escolas, qualquer proposta que desconsidera tais prerrogativas só construirá um edifício no pântano que no primeiro evento climático se desmantelará.
    Obrigado!


    PRADO, Lourenço de Almeida. Educação: ajudar a pensar, sim. Conscientizar não. Rio de Janeiro. Agir, 1991, p. 339
  • Igor  20/10/2017 20:14
    O "clássico" que você defende é exatamente o que o autor também defende: português, matemática e filosofia prática. Está tudo ali nos 12 itens dele.

    Você, obviamente, pode discordar. Mas é contraditório defender um "retorno ao clássico" e, ao mesmo tempo, dizer que o autor (que também defende o clássico) é onírico.

    Agora, se por "clássico" você se refere ao ensino tradicional, então o seu problema já está resolvido e você nem se deu conta. O currículo de hoje é basicamente o mesmo do 50 anos atrás (só saíram o latim e o francês, que hoje também não têm serventia nenhuma, e entrou o inglês).

    Logo, você falou muito mas disse quase nada.

  • anonimo  23/10/2017 11:06
    Será que ele leu tudo?
  • Jorge Jorgina  20/10/2017 19:33
    "Aviso: texto disruptivo, com reflexões polêmicas que requerem uma grande capacidade de abstração e um desprendimento dos modelos vigentes. Caso ache que está tudo certo com o mundo e com a educação brasileira, não perca seu tempo com a leitura. Pode voltar para o Facebook ou Instagram."


    Esse "aviso" não precisava. Dispensável.
  • Editor  20/10/2017 20:12
    Tal frase consta no texto original do autor. Não foi uma inclusão do IMB.
  • Bruno Diniz  20/10/2017 20:14
    Já eu acho que foi uma grande sacada do autor. Para leitores tradicionais deste site, sim, ela é desnecessária. Mas para a atual geração afetadinha e delicadíssima -- que forma 99,9% dos leitores de internet, inclusive de direita --, tal aviso é extremamente necessário.

    Aliás, tal frase caiu como uma luva quando se considera o que ocorreu na seção de comentários do artigo de ontem: bastou o autor criticar, e totalmente de passagem, a "direita nacionalista e estatizante", e imediatamente vários sedizentes conservadores tiveram um faniquito, subiram nas tamancas, fizeram beicinho e fizeram uma ameaça explosiva e mortal: "não leio mais!" E bateram o pezinho. (Alguns, depois, até reconheceram que se excederam).

    Agora, se supostos conservadores (sedizentes machos-alfas) são delicados, chiliquentos e propensos ao desmaio à mera menção de uma frase, imagina então a esquerda progressista que nem sequer imagina a hipótese de haver idéias diferentes das suas?

    No futuro, alguns artigos terão de vir acompanhados com um kit de primeiros socorros.
  • andre  24/10/2017 19:17
    Confesso que este comentário me fez rir de verdade.
    Sobre o texto, excelente. Diariamente penso em uma estratégia para conseguir aplicar homeschooling para minha filha de 3a. Obrigado
  • anônimo  20/10/2017 19:37
    Se eu gosto de estudar por estudar e tem gente que paga para mim, qual é o problema?
    Porque permitir que as pessoas tenham outra opção. Se permitir eu perco a minha boquinha.
    Ensino público é uma porcaria, mas impede que os pais insiram a ideologia conservadora na cabeça de seus filhos. Quem controla o ensino das crianças controla o futuro.
    The Brave New World is coming.
  • Lurana  20/10/2017 20:21
    Finalmente alguém que fala a minha língua! Tenho esse pensamento! Acho que por isso aos 27 anos ainda não consegui firmar em nenhum dos 5 cursos superiores que tentei iniciar!

    Já comecei Pedagogia, Administração, Engenharia Elétrica, Gestão de TI e Tradução! Hj voltei pra Gestão de TI.
  • Nilo Pascoaloto  20/10/2017 23:48
    Aqui vai um conselho sincero e baseado em experiência própria... a não ser que você esteja disposta a mergulhar no mundo dos freelances, startups e cia., pegue um curso que você consiga terminar, e TERMINE. Não é para gostar, na verdade se estiver gostando recomendo examinar a cabeça.

    Faculdade pode ser um tremendo desperdício de tempo e dinheiro, mas é um desperdício que muita gente, incluindo aí o RH da maioria das empresas, ainda acha importante.
  • Luciano Huck  21/10/2017 00:04
    E o feminismo libertário?
  • Felipe Lange S. B. S.  21/10/2017 15:01
    Me cheira a esquerdista que defende a propriedade privada.
  • anonimo  23/10/2017 11:11
    Esse cheiro tá errado, talvez deva pesquisar sobre. Nomes como Wendy McElroy, Camille Paglia, etc, podem interessar.
  • Heinrich  28/10/2017 04:02
    feminismo é coletivismo

    Não tem escapatória.

    Se querem um movimento pra, por exemplo, acabar com tarados na rua, criem um movimento com outro nome
    Acrescentar um "libertário" em feminismo só dá a impressão que alguma parte desse movimento cancerígeno é aceitável
  • Heinrich  28/10/2017 04:30
    Bom, eu discordo que a tabela periódica seja inútil. Quer dizer, depende de como a escola cobra esse conhecimento. Se sua escola só pediu pra decorar, realmente é uma m****. Mas se sua escola te explicou que existe todo um mercado químico/farmacêutico/siderúrgico/nuclear/metalúrgico por trás que faz o mundo girar, no qual depende toda indústria moderna, acredito que seja um conhecimento útil e mais tarde você possa virar um industrial ou usar isso a seu favor na sua empresa.

    Briófitas, ou o estudo de plantas no geral, apesar de ser um saco de estudar, é extremamente importante pra agricultura, que provavelmente é uma das áreas mais importantes da humanidade (afinal todo mundo tem que comer né). Tem mais, se as pessoas soubessem mais biologia, não teriamos essas aberrações de ideologia de gênero dominando a cabeça dos jovens. Ideologia de gênero só existe pra quem desconhece, ignora ou fecha os olhos e tapa os ouvidos pra biologia. Novamente, a cobrança pode ser revisada, mas o conhecimento é básico pra entender o mundo.

    Você fez ótimos pontos no texto, como por exemplo a necessidade de uma educação financeira e de direito (realmente é inexplicável como não aprendemos o básico de direito nas escolas). Mas quando saiu insinuando como inútil estudar esses conceitos tecnológicos/biológicos/matemáticos, extremamente úteis na indústria moderna, acredito que tenha caído naquele papo de hippie de humanas da faculdade, que acha que o estudo tem que ser uma experiência 100% agradável, macia e prazerosa. Quando na verdade, estudo requer disciplina, nem sempre você está disposto a estudar, mas tem que fazer. Do mesmo jeito que o dia a dia de um empreendedor não é aquela aventura toda dos filmes, tem as partes entediantes e as partes de muito desgaste, mas tudo vale a pena ao conseguir fabricar e vender seu produto.
    Eu, por mim, fazia que nem no japão e botava cálculo 1 no currículo do ensino médio (supondo que tivesse que ter um currículo obrigatório). Queria ver esquerdista conseguir se formar sem aprender lógica. Não é a toa que engenheiro esquerdista é coisa rara, mesmo nas federais são minoria.

    O ENEM fez justamente o contrário, diminuiu absurdamente a exigência de matemática, biologia, química e física que tinha nos vestibulares, e aumentou a exigência e número de matérias de humanas (cobrando daquela maneira enviesada que a gente já conhece). Acontece que matemática te ensina a pensar logicamente, assim como as outras disciplinas de exatas. Eles sabem que justamente é mais fácil dominar um indivíduo com pouco raciocínio lógico, pois razão é barreira de entrada pra ideologia esquerdista. Esquerda ganha na base da emoção. Agora tem um monte de moleque entrando em exatas reprovando e abandonando o curso porque foram enganados pela prova do ENEM e a meta medíocre, ou melhor, baixa, que eles cobram na prova. (Ainda sim dizem que a prova é difícil)

    Não me entendam mal, não quer dizer que todo mundo de humanas é incapaz de raciocinar logicamente porque são menos aptos na matemática (que normalmente vem do fato de terem tido professores ruins e não terem descoberto que todos humanos são autodidatas). Mas a matemática e as exatas em geral são um excelente exercício pra mente, torna o raciocínio mais pragmático e objetivo. Sem esses devaneios subjetivos que o pessoal de humanas adora criar.
  • Luis  21/10/2017 00:22
    Falta nas aulas abordagens com aplicacoes dos temas. Eu posso citar exemplos em matematica. Em portugues, seria legal aprender a ler contratos e bulas de remedios.
    Penso tambem na parte de finaciamento, numa empresa de marketing educacional. Esta empresa agrega outras, que querem fazer propaganda. As outras patrocinam uma escola, e tem direito de ter informacoes sobre as familias e fazer propagandas direcionadas aos PAIS.
  • Felipe Lange S. B. S.  21/10/2017 12:05
    "O mundo mudou, as necessidades mudaram, as ferramentas são outras e a quantidade de informação a que nossos jovens são expostos é muito maior. Não é por acaso que, como consequência dessa realidade, testemunhamos o aumento brutal no diagnóstico de TDAH — Transtorno de Déficit de Atenção por Hiperatividade —, o que fez com que drogas como a Ritalina tenham encontrado no Brasil seu segundo maior mercado consumidor do mundo. Será que nossas crianças é que estão doentes ou seriam as nossas escolas?"

    Resulta nisso deixar que políticos e burocratas cuidem da "educação". Educar é dever da família e das instituições (isso que os neoconservadores nunca vão aceitar), doentes são esses sujeitos que se arrogam à autoridades ou quaisquer que sejam eufemismos para seus inúteis cargos, com a interminável sanha em controlar a nossa vida privada.

    "Adicionalmente, o aumento do trânsito nas grandes cidades, com filas intermináveis e engarrafamentos de desafiarem os nervos, em conjunto com o aumento da violência urbana não só estimulam ainda mais esse tipo de ocupação, como também tem provocado um aumento nos casos de síndrome do pânico. Como resultado, o consumo de educação pela internet, por exemplo, não para de crescer."

    Mais uma vez, problemas criados pelo estado. Estatizam-se as ruas, ocorre uma distorção econômica e o seu uso passa a ser feito de modo irracional e com desperdícios (se há quem afirma que "abrir fronteiras" gera "bagunça", esse é um ingênuo que provavelmente nunca passou numa cidade como São Paulo e afins), desarma-se o povo honesto, gerando assim um convite para vagabundos bandidos que adoram encher o nosso saco (e que segundo "intelectuais" são vítimas da sociedade, por que não cuidam deles então? Ninguém os impede. E quanto às vítimas dessas pessoas com a síndrome do pânico, não são vítimas?) e, além de gerar queima de capital, ainda causam danos psicológicos e destroem relações sociais. Não é por questão de pobreza não, é por vagabundagem e falta de ética mesmo. Imagina então se na Idade Média, onde a pobreza era infinitamente maior do que hoje, mais de 90% da população decidisse virar criminosa... a civilização nunca teria saído dali. E para completar se estatiza a justiça, deixando então um incentivo para propinas, ineficiência e corrupção, assim como em qualquer bem econômico controlado pelo estado.

    O Flávio, apesar de não ser austro-libertário, fez um bom diagnóstico feito no artigo, mas vi uma falta de soluções objetivas, ainda que os artigos indicados no final, cujos já li, sejam excepcionais.

    Fecha o MEC, CLT, MTE e justiça trabalhista e com a obrigação dos diplomas que o problema já é resolvido. Já que esperar isso de algum político certamente o fará entrar em depressão, então não espere mais, se eduque também pela Internet, mesmo que você tenha de frequentar uma instituição regulada pelo estado. A tecnologia já está acabando com essa velharia estatal, é questão de tempo para isso acabar e não há nada que os burocratas possam fazer para impedir.

    E claro, nada vai mudar enquanto o empregador exigir que eu esteja cursando física quântica na universidade marciana para exercer um trabalho simples (hoje provavelmente muitos ainda irão preferir isso do que um curso livre online, mas não deve demorar para que eles percebam o real valor desses cursos virtuais). Aqui no Brasil reina a cultura do amigo do vizinho do colega te indicar para você conseguir algum tipo de vaga de emprego.

    Sinceramente não vejo sentido algum em fazer curso de graduação em cursos como os de TI, extremamente dinâmicos e livres. Me lembrei agora de quando um velho babaca, comentou num vídeo da Nyvi Estephan, embora formada em moda, hoje atua no segmento de jogos (ou seja, sem regulação estatal), criticando-a negativamente pelo fato de não ter diploma...

    Eu tendo a abrir exceção para precisar fazer um curso superior em coisas como as envolvendo biologia, medicina e afins, que são regulados ao extremo.

    Quem criou essa cultura foi o próprio estado. As coisas que ocorrem hoje são somente consequência. E pior: vai tentar explicar para o seu pai e sua mãe que você não quer fazer um curso de graduação e sim um curso livre online ou outras formas de autodidatismo...

    E só corrigindo: o modelo educacional atual já era inspirado no de Martinho Lutero.

    Meu conselho: saia do Brasil. A bíblia estatal que eles chamam de "constituição federal" vai continuar intocada e esse país não vai melhorar nunca. Não viva em função do que possivelmente parasitas iluminados vão fazer para melhorar a sua vida.
  • Malcolm   21/10/2017 12:42
    Abolir é o de menos. Quando a casa está chamas, primeiro você se preocupa em apagar o fogo. Depois, só depois, você faz a reforma necessária.

    Assim, muito mais crucial do que abolir o MEC, é liberar geral a abertura de escolas com currículos próprios. O MEC pode até continuar existindo; só que a adesão a ele não deve ser compulsória. Igualmente para a exigência de diplomas.

    Se país relapsos quiserem que seus filhos sejam doutrinados pelas cartilhas do MEC, que o sejam. Todo mundo deve ter a liberdade de ser otário.

    O autor foi correto ao ser humilde: em vez de sair dizendo o que as pessoas devem fazer, simplesmente disse o que ele faria caso não fosse ameaçado de cadeia pelo governo. Libertário na essência: sem agressão, sem coerção, sem dar ordens e sem se achar superior.
  • José  21/10/2017 18:39

    Perfeita colocação Malcolm.
    Concordaria em continuar pagando através dos impostos que me são impostos, os funcionários públicos incompetentes do MEC, desde que eu tivesse liberdade de escolha.
    Acredito que o MEC não duraria muito tempo pois as pessoas não são otárias para sempre.
  • anônimo  21/10/2017 14:01
    o problema não é a educação pública. A educação pública se corretamente usada seria útil para o mercado, pois geraria mão-de-obra qualificada. Programas como o Pronatec são úteis.

    O problema é o marxismo cultural, que prefere doutrinar os alunos com ideologia de gênero e doutrinação marxista, em vez de estimular o capital humano.
  • educação no regime militar  21/10/2017 14:04
    Que saudade daqueles tempos:

  • Ultra-Conservador  23/10/2017 12:39
    O regime militar fez coisas boas, mas também criou enormes problemas.

    Esse amontoado de estatais gerou um paraíso de corrupção no país. Essas estatais criadas pelos militares gerou um dos governos mais corruptos do mundo.

    Enquanto os militares chilenos criaram um paraíso capitalista, os militares brasileiros não quiseram largar o osso.

    Nesse período pós-regime, não foi por acaso que o Chile teve 3 anos de recessão e o Brasil mais de 10 anos.

    O Chile é um deserto com mais crescimento econômico e social, do que esse Brasil lotado de riquezas naturais.

    Nossos militares não quiseram largar o osso. Apesar do enorme crescimento econômico no período militar, tudo foi feito sem nenhuma base e previsão do futuro.
  • anônimo  21/10/2017 14:11
    Hj em dia, se um professor repreender um aluno, corre risco de vida, pois os pais e os espancam os professores.

    O único jeito de impor disciplina é militarizando as escolas. Quero ver alguém agredir professor em escola militar.
  • anônimo  21/10/2017 14:15
    marketing multinível é tudo picareta.

    basta ver Herbalife, Telexfree e outros...
  • Beautiful  21/10/2017 18:12
    Pessoal, faz tempos que eu queria fazer essa pergunta mas eu esquecia...
    No meu livro de Sociologia do primeiro ano do ensino médio, tem um capítulo afirmando que é a desigualdade social que gera a violência, e nao a pobreza. Citaram o exemplo da Índia e do Brasil. Eu nao me lembro muito bem, mas disseram que o Brasil que tem mais desigualdade social e mais violento que a Índia. E a Índia que todo mundo e da mesma classe social a violência é menor.

    Tem um artigo especifico para isso? O que vcs acham?
  • Alfredo  21/10/2017 20:32
    Desigualdade gera violência? Então vejamos.

    Os EUA são mais desiguais que o Senegal; o Canadá é mais desigual que Bangladesh; a Nova Zelândia é mais desigual que o Timor Leste; a Austrália é mais desigual que o Cazaquistão; o Japão é mais desigual que o Nepal e a Etiópia. Já o Afeganistão é uma das nações mais igualitárias do mundo.

    EUA, Cingapura e Hong Kong possuem altos Coeficientes de Gini, ligeiramente abaixo do Brasil. Por que são muito menos violentos?

    Não, meu caro. O que gera violência é permissividade, certeza da impunidade e, acima de tudo, a prevalência de uma cultura coitadista que diz que o criminoso é uma vítima da sociedade. E isso começa, principalmente, com os membros do judiciário.

    De resto, eu sou muito mais pobre em relação à Abílio Diniz do que um mendigo é em relação a mim. Por essa sua lógica, se eu encontrar Abílio Diniz irei assaltá-lo e matá-lo.

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=2764

    P.S.: dizer que não há grande desigualdade na Índia é forçar demais a barra. Aquilo ali é simplesmente uma sociedade de castas. Quem nasceu em uma determinada classe social simplesmente não tem como ascender. Impossível desigualdade maior do que esta. O sujeito já nasce condenado ao imobilismo. E por que não há violência grande na Índia?
  • Beautiful  21/10/2017 20:45
    Muito obrigado pela brilhante resposta, Alfredo! Eu sempre ficava com uma pulga atrás da orelha em relação a isso. Era algo que eu nao engolia porque precisava de uma profunda reflexão.

    O Estado também é o maior culpado disso, nao? Nao da educação, saúde, trabalho, etc
  • MB  21/10/2017 20:35
    Violência é deixar a população desarmada,enfim é melhor sanar suas consequências do que buscar estudar as causas dela.
  • Ultra-Conservador  21/10/2017 20:56
    Essa questão da educação é bizarra.

    Minha vida de estudante foi o inferno na terra. A impressão que eu tinha, é que eu não iria servir para nada, ou iria morrer de fome.

    Hoje, eu prefiro estudar sozinho e não suporto qualquer tipo de treinamento com professor ou coletivo.


    Se a nossa vida depende apenas de nós mesmos, qual seria a vantagem em deixá-la nas mãos de um professor ?

    Nossa vida depende de nós mesmos e não de professores. A responsabilidade é nossa.
  • Edimar  21/10/2017 23:37
    A vida de qualquer individuo não depende de escola ou professor. Depende de si mesmo, do ser autodidata.
    Trabalho e atividade escolar em grupo gera inúmeros atritos, onde um quer se sobrepor sobre o outro.
    A educação pública e particular é puro desperdício de dinheiro, a educação familiar é a melhor e pontual.
    Abolir MEC, secretárias e a escola moderna são nosso dever.
  • Nordestino Arretado  22/10/2017 01:08
    Concordo plenamente com o texto. Estou no 6° período da graduação em administração, tirando algumas disciplinas como as de matemática e administração financeira, marketing e logística, onde você realmente aprende algo de útil para a sua vida, o resto é pura encheção de linguiça. 4,5 anos de sua vida jogados fora. Quando eu era adolescente, à uns 10 anos atrás, fiz um curso de eletro-metalmecânica: O curso era inteiramente prático com 2 anos de duração, até hoje lembro de coisas de metrologia, como manusear um torno mecânico ou uma fresadora e usinar peças, hidráulica, pneumática, CLPs... Duvido que daqui à uns 2 anos eu me lembre de alguma coisa do 3° período de ADM, como "processos psicossociais do trabalho", "direito administrativo" e etc, ou sequer utilize isso para algo útil. Me arrependo amargamente de não ter dado tanta importância para o curso de eletro-metalmecânica. Talvez hoje eu estivesse com um torno em casa trabalhando para mim mesmo e faturando uma nota, e não carimbando nota fiscal num shopping para ganhar 1.500...
  • RICARDO S. I  22/10/2017 01:29
    Excelente artigo... Um dia eu espero abrir uma instituição de ensino com um curriculum semelhante a este... Talvez menor, porque como a escola ocupa muitas horas dos jovens, eu teria que adaptar para fazer caber em poucas horas por semana. Mas seria muito legal ensinar empreendedorismo, foco, equilíbrio, finanças pessoais, etc...

    Dito isso, como já comentei em outros artigos sobre educação, não acho o modelo atual tão ruim como pintam... Para ser massivo como é a educação, esse modelo industrial pode ter seus encantos (e pelo menos para mim, atendeu minhas necessidades de forma eficiente) . O erro maior é ele ser obrigatório. Se fosse opcional e permitido que se construísse grades diferenciadas... Seria uma evolução interessante.
  • 10  22/10/2017 01:54
    Como a Coreia do Sul virou a potência que é hj? Por causa do maciço investimento do Estado em educação?

    Sou leigo nesses assuntos. Agradeço desde já se me responderem.
  • Substituto  22/10/2017 13:56
    O general Park adotou uma política extremamente favorável ao investimento estrangeiro (óbvio, pois a Coréia não tinha capital), principalmente de japoneses (com quem ele reatou relações diplomáticas) e americanos. Não fossem esses investimentos estrangeiros, o país continuaria estagnado.

    Os japoneses investiram pesadamente em infraestrutura, em indústrias de transformação e em tecnologia, o que fez com que a economia coreana se tornasse uma economia altamente intensiva em capital e voltada para a exportação de produtos de alta qualidade (ao contrário do Brasil, que só exporta produtos sem valor agregado e cuja mão-de-obra é desqualificada). Esse fator, aliado à alta educação, disciplina e alta disposição para trabalhar (características inerentemente asiáticas), permitiu a rápida prosperidade da Coréia.

    Era economicamente impossível a Coréia enriquecer por meio de intervencionismo simplesmente porque não havia capital nenhum no país. Intervencionismo é algo possível apenas em países ricos, que já têm capital acumulado e que, por isso, podem se dar ao luxo de consumi-lo em políticas populistas. Já países pobres não têm essa moleza (por isso o intervencionismo explícito em países como Bolívia e Venezuela apenas pioram as coisas).

    Vale lembrar que a Coréia do Sul no início da década de 1960 era mais pobre do que a Coréia do Norte. E mesmo assim os japoneses investiram lá. E deu no que deu.
  • Ultra-Conservador  22/10/2017 13:05
    A educação pública está virando um hospício.

    Essa ideologia de gênero nas escolas é esquisofrenia.

    O indíviduo não consegue ver o próprio orgão sexual. É coisa de gente maluca.

    Não falta muita para vir a ideologia de espécie.

    O próximo passo da esquerda é defender uma pessoa que está latindo ou relichando, porque achar que é um cachorro ou um cavalo.

    Falta pouco para um aluno chegar na escola andando de quatro, por achar que é outro animal.
  • Luiz Moran  22/10/2017 14:24
    The Wall - Pink Floyd !
  • Nordestino arretado  22/10/2017 16:25
    "We don't need no education
    We don't need no thought control
    No dark sarcasm in the classroom
    Teachers leave them kids alone
    Hey! Teachers! Leave them kids alone!"

    Melhor verso impossível...
  • anônimo  22/10/2017 16:16
    Consulta pública sobre demissão de concursados por mal desempenho:

    https://www12.senado.leg.br/ecidadania/visualizacaomateria?id=128876 (22/10/2017 14:34:57)
  • Gabriel  22/10/2017 17:31
    Olha a quantidade de "nãos". É de foder.
  • L Fernando  23/10/2017 00:33
    É só os servidores públicos se organizarem que terão mais de 1 milhão de votos no NÃO
    Nem deveria existir esta votação, é claro que o servidor deve ser demitido em caso de insuficiência de desempenho
    É muita hipocrisia isso
  • Pobre Paulista  23/10/2017 10:50
    Eu, mesmo sendo anti-estatista, não gostaria de ver um projeto desses passar. Por um motivo simples:

    Quem decide o que é "mau desempenho"?

    Sim, os próprios funças burocratas.

    Isso aí, na teoria, é bonito, mas na prática será utilizado como ferramenta de perseguição política: Aqueles que não quiserem participar de esquemas de corrupção, por exemplo, podem facilmente ser avaliados como "não sabem trabalhar em equipe" e serem demitidos.

    Isso aí abre brecha para deixar a situação pior do que já está.

  • Renato  23/10/2017 14:44
    Correto. Jamais existiria um Sérgio Moro.
  • anônimo  22/10/2017 22:09
    Esse site sempre foi infestado de pessoas relacionadas com o governo. Não é confiável.
  • Leandro G. D. Rocha  22/10/2017 18:57
    Olá, sou novo em EA, terminei a leitura do Seis Lições e atualmente estou terminando Mentalidade Anticapitalista. Peço desculpas pela minha ignorância, mas queria saber se o Minarquismo é compatível com a EA ou somente o Anarcocapitalismo é compatível com a EA?
  • Fabrício   22/10/2017 20:10
    Nem um nem outro são incompatíveis ou compatíveis.

    A EA é indiferente a formas de governo.

    E essa é uma confusão bastante comum. Assim, vou tentar esclarecer.

    O escopo da EA é a economia. A EA fala apenas sobre ciência econômica, e adota uma abordagem positiva (ela explica como as coisas são) em vez de normativa (ela não sai dizendo o que deve e o que não deve ser feito). A EA apenas se limita a explicar como funciona a economia e quais serão as consequências de determinadas políticas econômicas. E só.

    Ela, por si só, nada a tem dizer sobre tamanho do estado e formas de governo.

    Quem fala sobre tamanho de estado é a filosofia libertária, e essa pode, aí sim, utilizar argumentos econômicos da EA.

    A EA, repetindo, não é uma ciência normativa. Ela não diz o que deve e o que não deve ser feito. Ela apenas explica como funcionam as coisas; ela não faz recomendações. Fazer recomendações é função da filosofia libertária -- que pode ou não se basear na EA --, e não ciência econômica genuína.

    Por exemplo, a EA explica as consequências de se impor um salário mínimo de R$ 100 mil reais, mas ela nada tem a dizer sobre a moralidade e a desejabilidade de tal política. Isso é função da filosofia libertária.
  • Leandro  22/10/2017 20:23
    Correto. A função do economista de fato é apenas explicar as consequências de uma determinada política, e não falar sobre sua moralidade.

    No caso do salário mínimo, por exemplo, sua função é explicar o que acontecerá caso se estipule um valor artificialmente alto. Ele nada tem a dizer sobre a ética e a moral de se aumentar, diminuir ou abolir o salário mínimo.

    Sempre que ele der uma opinião sobre isso ele estará saindo do campo da economia e adentrando no campo da filosofia.

    Até porque há outras coisas que têm de ser consideradas. Por exemplo, suponha que esta entidade amorfa chamada "o povo" tenha se manifestado e tenha emitido uma opinião bem clara: "o povo" quer que salário mínimo e encargos sociais e trabalhistas continuem inalterados.

    "O povo" sabe que isso gera desemprego (impede pessoas menos produtivas de ser contratadas legalmente), mas considera que este é um preço aceitável a ser pago em troca do "bem-estar" de todos aqueles que já estão empregados.

    Nesse cenário, o que pode o economista fazer? Nada.

    Dado que "o povo" (inclusive a fatia desempregada) deixou claro que sabe as consequências de tais políticas, mas quer mantê-las assim mesmo, então nada resta para o economista fazer ou palpitar.
  • Leandro G. D. Rocha  22/10/2017 22:20
    Muito obrigado Fabrício e Leandro. Foram fenomenais nas respostas!
  • Leandro G. D. Rocha  22/10/2017 19:10
    Artigo Excelente!
  • jr  23/10/2017 11:25
    Artigo simplesmente excepcional!
  • Ana Carolina  23/10/2017 11:55
    Trata-se de um artigo excelente e desesperador. Sabemos que, melhor do que qualquer um, o Governo sabe de todas estas coisas e, sabe tbm que, se colocadas em prática, criariam seres pensantes e não dóceis animais de cabresto!
  • Gustavo  23/10/2017 13:00
    Tudo bem, mas TDHA nao existe.. o proprio inventor disso assumiu que era uma doenca ficticia
  • Renato  23/10/2017 14:45
    É verdade. Invenção estatal para apodrecer cérebros junvenis.
  • Capital Imoral  23/10/2017 14:14
    Pastor Flávio Augusto e a epidemia de inovação

    Talvez um dos homens que melhor represente a "Epidemia de inovação" seja o Pastor Flávio Augusto. Esse "pastor da iniciativa privada" prega nas redes sociais e pelo Brasil inteiro uma maneira de ser e agir que visa somente o mundo corporativo; como se o capitalismo fosse uma grande religião que nunca pode parar; só que, detalhe, ele está trazendo essa insatisfação para dentro do homem moderno, para dentro da alma humana.

    Vivemos uma grande epidemia de inovação onde as pessoas buscam a todo momento "se reinventar". Como se a alma humana fosse uma startup competindo com outras startups em um mercado infinito que nunca pode parar de competir. Lembre-se que isso, antigamente, era restrito somente às empresas e a certos indivíduos conhecidos como tarados por trabalho, psicopatas sociais, e hoje se tornou a coisa mais normal do mundo. Como qualquer outra startup, as exigências são infinitas: Saber falar no mínimo 3 línguas; Saúde física e mental perfeita; Beleza estética; domínio financeiro e matemático; domínio pleno da língua pátria, etc. Isso acaba criando uma distopia onde todo mundo está em constante competição; só que ninguém aguenta mais, mas ninguém pode parar de competir.

    Uma Escola para o homem "perfeito"
    Mas não basta o Pastor ensinar o modo como você deve viver. Ele quer que seu filho seja uma réplica desse homem corporativo desenhado a dedo. Esse homem que não pode chorar ou se entregar ao fracasso, que não pode sentir o gosto do tédio ou dor. Esse homem que está constantemente insatisfeito consigo mesmo. Neste novo mundo, seu filho será uma máquina perfeita que sabe calcular, falar, comer, beber, respirar. A consequência óbvia dessa constante inovação será o fim da religião e dos valores culturais de uma nação. É impossível inovar sem destruir o passado; tudo começa no homem.

    Consequências
    Essa distopia criada pelo Pastor Flávio Augusto já está trazendo consequências terríveis para sociedade. Se é necessário ser perfeito nesta distopia, essa mesma perfeição acaba produzindo níveis de mal estar. Porque, de fato, lembremo-nos, somos seres humanos cheios de falhas e erros. Nesta busca pela perfeição, obviamente, muitos irão ficar para trás, só que ainda sim, a pressão social irá continuar; a consequência é um esgotamento da nossa capacidade intelectual e afetiva. Cria-se uma tristeza por não conseguir atender as demandas infinitas da sociedade ou de pessoas como o Pastor Flávio Augusto; diante disso, nossos jovens tornam-se instáveis e pessoas depressivas.

    As pessoas estão cheias de obsessões, estão precisando tomar remédios e usar drogas para aguentar viver. Você não está percebendo isso? Isso está evidente! As taxas de suicídios não param de aumentar no Brasil e no mundo[1]. Tudo isso é consequência de um sistema que obriga o sujeito a competir sem descansar por um minuto sequer. Como se ele fosse uma commodity em busca do "melhor investimento". Isso acaba completamente com a natureza humana. É como se houvesse uma constante insatisfação existencial como imperativo para inovação.

    Em um mundo assim a pessoa nunca vai ter paz. O que sobra é o suicídio.

    [1] taxa de suicidios no mundo: apps.who.int/gho/data/node.sdg.3-4-viz-2?lang=en

    Capital Imoral é filósofo, escritor e já refutou Mises.
  • Heinrich  28/10/2017 04:44
    Errado.

    A "natureza do homem" é a mesma natureza da, obviamente, natureza.

    A "natureza da natureza" é a adaptabilidade, competição, sobrevivência, disputa de recursos e reprodução.

    Adoro quando as pessoas mandam esse papo de hippie de que o humano trabalha demais, como se antes de toda nossa tecnologia a vida fosse somente ficar deitado na grama. O veado se caçava sozinho, se matava e se jogava no espeto e virava churrasco. As melhores frutas do alto do pomar caiam sozinhas, na quantidade que queríamos. Todos lugares tinham água limpa e abundante. Os tigres dentes de sabre eram gatinhos que nos abraçavam. As doenças... Que doenças? Todo mundo era saudável, expectativa de vida de 150 anos.
    SÓ QUE NÃO.

    Todo homem sempre teve que se sustentar e sobreviver, e isso dava muito trabalho, MUITO trabalho MESMO, muito mais do que hoje em dia.

    Agora vem e mandam essa que o mundo tá difícil, e que a culpa é do homem. NÃO, o mundo sempre foi difícil e o homem só facilitou tudo. Agora o óbvio: se você se ajuda mais aos outros gerando valor para eles, é óbvio que você deve ser mais bem compensado, pois você tornou a vida dos outros melhores e portanto tem que tornar a sua também para compensar seu esforço.
    Se você não faz questão das recompensas melhores, não se esforce então. Viva como um homem das cavernas. Vá pra mata e cace sua comida, veja o que dá mais trabalho mesmo, se você sobreviver.
  • Hideki  24/10/2017 12:52
    Por sorte a maioria dos temas sugeridos podem ser aprendidos via cursos onlines, a maioria gratuita e muitos fornecidos pelo próprio governo.

    ead.sebraesp.com.br/site/home

    A escola atual dificilmente vai mudar, por um simples fatos. Hoje no mundo globalizado os estudantes não passam de números e estatísticas.
    Afinal de constas o governo só quer saber de números. Quantos alunos estão fora da escola? Quantos % tem curso superior? Primeiro e segundo grau completo?

    Por outro lado a parceria privada, público tem dado bons resultados.
    https://exame.abril.com.br/carreira/estas-5-universidades-do-brasil-estao-entre-as-melhores-do-mundo/

    E por fim quem elegeria os coroneis, jogadores de futebol, artistas, ex ladrões de bancos, pastores, sindicalistas etc....

    A única coisa a fazer é separar um dinheirinho e por seu filho em uma escola particular e ir ensinando a matéria da escola da vida (matérias como produtividade vs puxar o saco. Quem dos 2 será promovido?)



  • Arnaldo  24/10/2017 15:22
    A única coisa importante da escola é o bullying, que te faz não ser bundão e aprender a encarar a vida.
  • João Cleiston   25/10/2017 02:29
    Excelente texto. Nos provoca a inúmeras reflexões e dá ainda mais combustão para aquelas pessoas que ainda vivem em sua"casinha".
  • suely magnabosco pfeifer  26/10/2017 22:47
    adorei o texto, concordo com tudo .. só penso que estudar historia e geografia , não a decoreba, mas a história como evolução, como fases da raça humana, a geopolítica, as relações entre os povos e suas necessidades, os saltos que a humanidade deu com os avanços do conhecimento, o pensamento como uma força motriz para a evolução, deveriam fazer parte da formação dos jovens. A gente aprende com o passado e tem bases para construir o futuro, identificando e se preparando para as mudanças que são a tônica da historia da humanidade ..
    O conhecimento é um processo cumulativo e a história pode ordenar eventos que são pontos de partida, marcos de chegada e balizas para escolher caminhos ..
  • graice kelly de oliveira silva  27/10/2017 17:55
    Texto maravilhoso. Concordo. Acho que o formato de ensino deveria ser discutido por nossa sociedade para pensarmos em um modelo mais eficaz e atual. Enquanto isso, quem sabe você possa desenvolver uma escola integrada, que ensine todo esse conteúdo. É claro que está longe do ideal e consumiria muito o tempo da criança, mas, por ora é a possibilidade que temos.
  • Carlos  28/10/2017 15:47
    Excelente questionamento.
    O foco hoje é no excesso de conteúdo, onde professores fingem que ensinam e alunos fingem que aprendem. E tudo se resumi a fazer uma boa prova. Daí o que o aluno faz: cola, porque o objetivo é tirar nota boa e não apreender a utilizar aquele conteúdo.
    Por isso que gosto do método Waldorf. Ele trabalha o indivíduo de maneira integral. Primeiro mostra os fenômenos, depois ensina a teoria. Ensinam também ecologia, agricultura, culinária, música, marcenaria,etc. Alunos são avaliados em vários aspectos e não com provas, ou seja, é respeitado a individualidade e o mais importante, o aluno vai para prática, para experimentar fazer algo. Não fica somente no mundo das idéias.
    A única coisa que eles ainda não introduzem ainda é tecnologia, que fica a cargo dos pais.
  • Anônimo  07/11/2017 20:13
    O que é a maioria no Brasil?
    O que é a minoria no Brasil?

    A maioria ainda são pessoas pobres, que dependem sim do estado, se alimentam sim das migalhas, e por esse motivo tem acesso a artigos como esses disponibilizados gratuitamente na internet, mas não são animais, qualquer pessoa é dotada de um certo de nível intelectual, mesmo não sabendo ler até, ou escrever segundo as normas gramaticais, me incluo nessa maioria, e mesmo que não me incluisse outras pessoas possivelmente me incluiriam devido a esse comentário.
    A minoria ainda são pessoas ricas. Com os privilégios que que le são dados, seja lá qual for.

    E essa divisão de maioria e minoria são só em aspectos econômicos.

    No estado de governo há alguns anos atrás essa divisão era ainda muito mais forte.



    Ideias soltas no ar, pelo visto não contribuirei para os pensadores.



    Posso estar apenas sobe uma forte influência de um pensamento de vítima da sociedade,

    ou também gostar de ser inferior, qual a diferença afinal?


    QUE DEUS CONTINUE TENDO MISERICÓDIA DOS HOMENS!


    São as escolas desse mesmo estado que me ensinou a ler e a escrever, e as operações básicas da matématica que ainda continuarão sendo o princípio da economia (ao meu POBRE ver), ENSINARAM O BÁSICO, talvez não ensinaram a pensar, mas então, o que é pensar: é copiar o pensamento de algo que já foi dito? ou pensar o oposto de algo que já foi pensado?


    SOMOS REFÉNS DA ESTRUTURA FAMILIAR EM QUE FOMOS INSERIDOS?
  • Hero  08/11/2017 18:15
    Me poupe... eu sinceramente acho que o Estado pode sim nos oferecer educação de qualidade. Vejam por exemplo a Finlândia, em que o Estado investe maciçamente e está entre os melhores indices de educação no mundo.
  • Norris  08/11/2017 18:58
    O total gasto na Finlândia com educação é de 7,17% do PIB.

    data.worldbank.org/indicator/SE.XPD.TOTL.GD.ZS?locations=FI

    No Brasil é de 6% do PIB.

    data.worldbank.org/indicator/SE.XPD.TOTL.GD.ZS?locations=FI-BR

    Se você quiser argumentar que elevar o gasto de 6 para 7,2% do PIB irá nos deixar igual à Finlândia, boa sorte. Estou ansioso para ver.
  • Hero  08/11/2017 19:39
    Ora, está maia do que claro que dificulta é a corrupção. Se o nosso índice de corrupção fosse tão baixo quanto ao da Finlândia oEstado poderia nos fornecer educação muito boa. O problema é a corrupção, e nao o Estado
  • Alfredo  08/11/2017 19:49
    Ah, entendi. Quer dizer então que nossos estudantes ocupam as últimas colocações de todos os rankings internacionais apenas porque políticos recebem propinas de Marcelo Odebrecht e Joesley Batista.

    E, caso isso não ocorresse, aí estaríamos produzindo gênios às pencas em nossas escolas públicas (repletas de professores sindicalistas, grevistas e doutrinadores).

    É, faz muito sentido.
  • Professor  08/11/2017 19:00
    A explicação para a educação da Finlândia -- e a da Estônia, quase tão boa quanto -- é outra: o idioma. Se o idioma é simples e claro, os estudos se tornam mais lógicos e o aprendizado, mais fácil. Há estudos inteiros sobre isso.

    Desde 2006, a amostra de países do PISA foi aumentada, incluindo diversos países em desenvolvimento. Um deles foi a Estônia. E desde então ela também passou a ocupar as posições mais altas no PISA dentre as nações ocidentais (nunca tão boas quanto as da Finlândia, mas ainda assim acima de Noruega, Suécia, Alemanha).

    Há um fator em comum entre Finlândia e Estônia: as línguas de ambos os países não pertencem ao ramo indo-europeu comum a quase toda a Europa, mas ao ramo fino-úgrico; e são muito parecidas entre si.

    Se a tese ainda parece duvidosa, considere o seguinte: dentro da Finlândia há uma minoria de falantes do sueco. Essa minoria é, em média, mais rica do que a de falantes do finlandês. No entanto, as notas dela no PISA são muito inferiores às deles. A tese do papel da língua na educação finlandesa é exposta neste breve artigo de Taksin Nuoret.

    finnish-and-pisa.blogspot.com.br/

    Assim como saber latim ajuda muito no entendimento de outras línguas, até do inglês, tudo indica que o idioma fino-úgrico também é uma mão na roda.

    Obs: gentileza ler a matéria completa antes de reclamar.

    Segunda observação

    Na Finlândia, não há estabilidade para professores. Eles podem ser mandados embora caso não tenham uma produtividade aceitável. Também, as escolas finlandesas possuem grande grau de autonomia onde o currículo tem liberdade para ser ajustado. Lá, Paulo Freire não tem vez.

    Terceira observação

    Atualmente, a Finlândia já caiu para a 5ª colocação no ranking da Pearson, ficando atrás de Coréia do Sul, Japão, Cingapura e Hong-Kong.

    thelearningcurve.pearson.com/index/index-comparison

    Quarta observação

    A educação finlandesa é sempre usada como coringa pra justificar a gerência estatal da educação, mas muito pouco se vê de estudos detalhados sobre os reais motivos da eficiência do sistema educacional finlandês.

    Tem muita coisa que é simplesmente ignorada, como a descentralização do sistema finlandês em contraste com sistemas engessados como o brasileiro:

    Finland has a government school monopoly, as does the United States. However, in contrast to the USA's obsession with national standardized testing and federal mandates, the Finnish have chosen to allow wide discretion to local authorities in how money is spent for students. National standardized testing regimes at government schools is unheard of in Finland.

    Essentially, districts in Finland compete for students (who bring funding with them) and this is facilitated by the fact that many large city schools have extremely small catchment areas. Essentially, the Finnish have discovered that the principle of subsidiarity and de facto competition result in extremely high quality educational outcomes.


    Também nada se diz sobre os fatores culturais que fundamentam a organização social do povo finlandês - valores como responsabilidade individual, dedicação, valorização do crescimento intelectual, algo muito presente também nas sociedades asiáticas - o que explica não apenas o sucesso dos sistemas educacionais desses países (Coréia do Sul, Singapura e Japão inclusive ultrapassaram a Finlândia nos últimos testes internacionais) mas também o fato de que asiáticos se saem melhor nos estudos mesmo após várias gerações vivendo nos EUA

    www.washingtonpost.com/blogs/wonkblog/wp/2014/05/05/hard-work-really-is-the-reason-asian-kids-get-better-grades-study-finds/

    Quinta observação

    Encontrei esse relato pessoal de um finlandês que ajuda a compreender o peso do fator cultural na educação:

    Mikko Arevuo:

    As a native Finn I must throw in my two cents' worth. Although I left Finland a long, long time ago after completing my secondary education, and I never attended university there, the obsession with the Finnish education system is a gift that keeps giving me much amusement.

    Now we are obsessing about national IQ and the lack of Nobel laureates. Oh dear! To me the answer is pretty straightforward. Finns have always valued education; it has never been "cool" to be dim or lazy.

    Finland is a relatively homogeneous society and the country has few valuable natural resources. When I was a schoolboy it was hammered to us at school, and most importantly at home, that for Finland to succeed internationally we can't rely on our good looks, Father Christmas, or timber exports alone. Knowledge, particularly technological knowledge, was the source of national competitive advantage.

    Finland may have a great pedagogically sound education system. However, in my opinion, the success of the Finnish educational attainment is based on the core societal values of aspiration and continuous self-improvement. No amount of money or pedagogy can deliver results if pupils themselves and their families do not consider education as a priority.

    I have never come across a Finnish family, regardless of their social or economic standing, that does not value education. Finns may be nation of introverts and a rather melancholy lot, but there is a deeply embedded belief shared by all that the next generation will be more successful than the previous. And this can be only achieved through education and hard work. Now, what was this talk about the lack of Nobel laureates?


    www.adamsmith.org/blog/education/explaining-the-success-of-the-finnish-education-system/

    Sexta observação

    Recomendo também esse ótimo livro, que não fala especificamente sobre educação, mas ajuda a compreender o papel dos valores culturais no progresso das sociedades e ajuda a desmistificar essa crença no poder mágico da gerência estatal.

    www.amazon.com/Culture-Matters-Values-Shape-Progress/dp/0465031765

    Sétima observação

    Os EUA gastam mais com educação por pessoa do que a própria Finlândia!

    static2.businessinsider.com/image/4f0b5867eab8ea4c24000033/spending-per-pupil-by-country.jpg

    Oitava obervação

    A educação no Brasil também é 100% estatal, gratuita e universal (qualquer um pode estudar em escola pública). Por que não é boa?

    Nona observação

    Somados, Finlândia e Estônia não possuem a população da cidade de São Paulo. Sendo assim, uma educação pública pode ser "universal" de qualidade com maior facilidade do que em um país continental como o Brasil ou os EUA.
  • Hero  08/11/2017 19:44
    Aff man, texto muito longo resume ae
  • Eduardo  08/11/2017 19:49
    Entendeu agora por que a educação é ruim? Olhe para si próprio.

    E ainda diz que o problema é a corrupção...
  • Mídia Insana  08/11/2017 20:43
    O estado investe maciçamente em educação na Finlândia? De que círculo do inferno saiu essa blasfêmia?

    Uma nota: se o estado investe maciçamente em algo é porque ele está fracassando em algo. Substitua algo por educação, infra-estrutura ou saúde e você entenderá o que quero dizer.

    E quando o estado vem jogar dinheiro em uma pasta que está fracassando, ele só acentua o problema ao gratificar a incompetência. No mercado, se uma empreitada fracassa nos bens e serviços que vende, ela vai à falência; no estado, ela ganha mais investimentos. Não há incentivo algum para providenciar um serviço de qualidade na ausência de mecânicas de lucro e prejuízo. O cidadão simplesmente não tem a opção de deixar de pagar IPTU se a rede escolar não funciona.
  • Hero  09/11/2017 14:44
    Hm obrigado pelas respostas. E que saiu em um site que em 2012 a melhor educacao do mundo era da finlandia e que era estatal


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