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Por que é impossível o governo ser gerenciado “como se fosse uma empresa”
Mesmo um bem-sucedido empresário não pode fazer o governo ser gerido “eficientemente”

Com a acentuada queda no prestígio dos políticos (antes tarde do que nunca!) e a ascensão de líderes que tiveram uma passagem bem-sucedida pela iniciativa privada, tornou-se um lugar-comum dizer que o eleitorado, cansado dos políticos profissionais, agora está querendo pessoas bem-sucedidas, de comprovada experiência administrativa, e capazes de "impor eficiência à gestão do governo".

A ideia básica é a de que, ao se colocar um experiente administrador na condução da máquina estatal, o governo poderá ser "mais bem gerenciado".

Os mais entusiastas da ideia chegam até mesmo a dizer que, sob o comando de um experimentado empresário, o governo poderia ser gerido "como se fosse uma empresa".

Igualmente, não é incomum ouvir vários políticos profissionais prometendo o mesmo: caso sejam eleitos, irão gerenciar o governo "como se fosse uma empresa".

Só que isso atenta contra a mais básica lógica do funcionamento tanto do governo quanto de empresas. Um governo não pode ser gerenciado "como se fosse uma empresa" porque governos e empresas são intrinsecamente diferentes, para não dizer opostos.

O funcionamento do governo

Um governo é uma enorme organização com milhões de empregados e centenas de divisões, como estatais, ministérios, secretarias, agências reguladoras, autarquias, comissões etc. (No Brasil, apenas o governo federal comanda 148 estatais, sem contar as outras 119 empresas que possuem participação do BNDES).

O governo possui instalações e equipamentos a serem comprados e substituídos, equipes a serem montadas e dirigidas, estratégias a ser formuladas e executadas, e folhas de pagamento a serem cumpridas.

Sob esse aspecto, ele realmente se assemelha a uma empresa. Mas as semelhanças acabam aí. Todo o resto é completamente diferente.

Para começar, o governo, por sua própria natureza, não opera com recursos próprios. O governo é a única organização dentre todas as organizações que obtém suas receitas não por meio da prestação de serviços voluntariamente adquiridos por consumidores, mas sim por meio da tributação — isto é, por meio da coerção dos cidadãos.

Mais: ao contrário de empresas privadas, as receitas do governo independem da qualidade dos serviços prestados.

Consequentemente, o governo não está sujeito às demandas dos consumidores. Não há "soberania do consumidor" no que diz respeito ao governo. Suas receitas são garantidas. Logo, com receitas garantidas, o governo não está sujeito aos mecanismos de lucros e prejuízos do mercado. O governo não tem de se preocupar com prejuízos ou risco de falência; seus funcionários não precisam servir a ninguém senão a si próprios. 

Por não se guiar pelo mecanismo de lucros e prejuízos, e nem pelo sistema de preços, tudo se torna um jogo de adivinhação dentro da burocracia do governo.

Por exemplo, cada ministério, agência e secretaria possuem objetivos declarados. Mas quão bem esses objetivos estão sendo cumpridos? O Ministério da Educação, por exemplo, está satisfazendo seus "consumidores"? E o Ministério da Saúde? E o Ministério da Justiça? E o Ministério da Fazenda? E o Ministério da Pesca? E cada agência reguladora?

Os burocratas responsáveis por cada um destes órgãos merecem elogios ou críticas? O que constitui um "bom desempenho" em cada um destes órgãos?

Como explicou Ludwig von Mises em seu livro Burocracia, estas perguntas são fundamentalmente impossíveis de ser respondidas. Na melhor das hipóteses, podem ser apenas estimadas segundo algum critério subjetivo, mas não podem apresentar a mesma precisão das estimativas feitas em empresas privadas, pois as agências do governo não vendem seus serviços no mercado concorrencial. O "consumidor" dos serviços do governo não escolhe entre vários fornecedores, direcionando seu dinheiro para aquela empresa que fornece os melhores produtos aos melhores preços. Ao contrário: com o governo, o consumidor paga compulsoriamente por tudo, goste ele ou não do serviço. Sendo assim, como avaliar o desempenho do governo? Disse Mises:

Os objetivos da administração pública não podem ser mensurados em termos monetários e não podem ser avaliados por métodos contábeis. Na administração pública, não há conexão entre receitas e despesas. Os serviços públicos estão apenas gastando dinheiro. As receitas derivadas de tributos e taxas não são "produzidas" pelo aparato administrativo; sua fonte é a lei e a atuação da Receita Federal, e não a qualidade dos serviços prestados.

Dado que, dentro desta burocracia do governo, tudo é um jogo de adivinhação, você não sabe exatamente o quanto deve gastar em quê; você não sabe se há algum objetivo racional naquilo que você está fazendo; você não sabe se este ou aquele plano será bem-sucedido ou se irá fracassar completamente; você não sabe onde cortar gastos caso tenha de fazê-lo; e você não sabe quais seções e quais pessoas estão fazendo um bom trabalho e quais não estão. 

O setor público é um setor que, inevitavelmente, por pura lógica econômica, sempre funciona às escuras, sem ter a mínima ideia do que faz, e sempre tendo de fingir que está fazendo tudo certo.

Por não operar de acordo com os sinais de preços emitidos pelo mercado, e por não seguir a lógica do sistema de lucros e prejuízos, o governo simplesmente não tem como avaliar e estimar o real valor econômico de qualquer coisa que faça. O que a nação obtém em decorrência das despesas e dos serviços prestados pelo governo não pode ser avaliado em termos monetários, por mais importante e valoroso que tal "produto" seja. Essa avaliação dependerá exclusivamente dos critérios estabelecidos pelo próprio governo — ou seja, das decisões pessoais e arbitrárias de políticos e burocratas.

Por tudo isso, os investimentos do governo nunca poderão ser feitos da maneira correta, seus serviços nunca serão prestados de maneira satisfatória, e sempre haverá desperdício de recursos e gritante ineficiência. 

Esta é uma realidade inevitável. Não se trata de ideologia; é pura ciência econômica. 

Por não ter esta racionalidade, as burocracias estatais sempre acabam seguindo os caprichos do governo do momento, preocupadas exclusivamente em satisfazer as demandas de políticos que visam apenas sua autopromoção e sua reeleição. 

Consequentemente, as burocracias estatais sempre estarão sob os auspícios de uma gente cujo horizonte temporal é de no máximo quatro anos, e inevitavelmente se transformarão em fábricas de desperdício, ineficiência, confusão e ressentimento.

Por isso, é impossível um governo brincar de empresa. Empreender significa arriscar o próprio dinheiro em um investimento. Significa auferir receitas de acordo com a qualidade dos serviços prestados. Já burocratas e políticos não têm incentivos reais para desenvolver habilidades empreendedoriais, para se ajustar de fato às demandas do consumidor. Eles não arriscam a perda do próprio dinheiro no empreendimento. 

De resto, fora a questão dos incentivos, mesmo os mais ávidos administradores estatais não poderiam operar como se fossem empreendedores privados. Toda a operação estatal funciona com o dinheiro de impostos — portanto, por meio da taxação coerciva. O governo, por sua natureza, já nasceu com este grave defeito "enraizado" em seus órgãos vitais, e nenhum empresário "bom gestor" pode mudá-lo. Ademais, o fato de que quaisquer gastos futuros poderão ser feitos utilizando-se de receitas tributárias faz com que as decisões dos administradores estejam sujeitas aos mesmos vícios. A facilidade de se obter dinheiro irá inevitavelmente distorcer as operações.

O funcionamento de empresas privadas

Já empresas privadas que operam em ambiente concorrencial apresentam um funcionamento completamente distinto.

Para começar, a empresa só auferirá receitas e continuará existindo se convencer os consumidores a voluntariamente lhe darem dinheiro de maneira contínua. E elas só conseguirão fazer isso se oferecerem bens e serviços de qualidade a preços considerados aceitáveis pelos consumidores. Ao contrário do governo, elas não podem obrigar as pessoas a simplesmente lhe darem mais dinheiro caso estejam necessitando.

Para conseguir mais dinheiro, elas têm de satisfazer com ainda mais intensidade os consumidores.

Adicionalmente, no mundo do comércio, e ao contrário do mundo estatal, os sinais de preços emitidos pelo mercado comandam as decisões. O sistema de lucros e prejuízos mostra como os recursos escassos estão sendo empregados. Se corretamente, os consumidores recompensam as empresas propiciando-lhes grandes lucros; se erroneamente, os consumidores punem as empresas impondo-lhes prejuízos. 

Uma expansão ou um corte nos investimentos é algo que será guiado pelo balancete das empresas. Não interessa se a empresa é grande ou micro: ela estará sempre em busca da lucratividade. E a lucratividade sempre será, em última instância, determinada pela decisão voluntária dos consumidores.

Empresas privadas, ao contrário do governo, existem visando a apenas um objetivo supremo: auferir lucros. A participação de empregados, fornecedores, investidores e consumidores neste arranjo é estritamente voluntária. O capital da empresa é propriedade privada. Lucros são obtidos e prejuízos são evitados ao se produzir bens e serviços que os consumidores querem e estão dispostos a comprar. Sob a concorrência, é possível mensurar o sucesso ou o fracasso de uma empresa em termos monetários: basta olhar seu resultado contábil e o valor de mercado de seus ativos, de suas ações e de seu patrimônio líquido. Tudo isso é feito "automaticamente" pelo sistema de preços.

Um bom administrador gera lucros para os proprietários da empresa; um mau gera prejuízos. Os detalhes para cada caso específicos são diferentes e fascinantes, mas o modelo geral é claro, direto e consistente.

As diferenças operacionais

Em uma grande empresa, a busca pelo lucro gera uma combinação entre regras e liberdade de ação. Os executivos fornecem as direções gerais, estabelecem sistemas e procedimentos, recrutam gerentes e empregados, resolvem pendengas e divergências, e se concentram na estratégia. Enquanto isso, delegam uma grande medida das atividades diárias aos seus subordinados e às suas sucursais, os quais têm mais liberdade de ação.

Já no governo, toda esta estrutura é burocratizada e sem metas objetivamente mensuráveis. As ações administrativas efetuadas por burocratas não têm valor monetário no mercado. Não há um preço livremente estabelecido para elas. Seu valor não pode ser mensurado por meio de uma transação de mercado. Consequentemente, as medidas administrativas do governo não podem ser expressas em termos de dinheiro.

O gerenciamento objetivando o lucro e o gerenciamento burocrático requerem habilidades completamente distintas e utilizam princípios de gerenciamento completamente opostos. Por exemplo, sob um gerenciamento burocrático, os processos de tomada de decisão devem ser estritamente hierárquicos, com muito pouca liberdade de ação para os subordinados. E tem de ser assim, pois como você saberia se as ações de seus subordinados irão contribuir para o desempenho geral se você não tem um resultado financeiro para lhe guiar?

Sobre isso, Mises afirmou que, na burocracia estatal, "o vínculo entre superior e subordinado é pessoal. O subordinado depende do juízo que o superior fará de sua personalidade, e não do seu trabalho."  E fez a seguinte análise sobre a diferença operacional entre sucursais privadas e agências estatais:

Não é por causa da meticulosidade que as regulamentações administrativas determinam quanto pode ser gasto por cada agência ou aparato estatal em coisas como limpeza, reparo de móveis e equipamentos, iluminação e sistema de ar condicionado. 

Em uma grande empresa privada, tais coisas podem ser deixadas, sem hesitação, aos critérios do administrador local. Ele não irá gastar mais do que o necessário porque ele está utilizando, de certo modo, seu próprio dinheiro. Se ele desperdiçar o dinheiro da empresa, ele colocará em risco os lucros daquela sucursal e estará assim indiretamente prejudicando seus próprios interesses. 

Por outro lado, a situação é diferente para o chefe de uma agência estatal. Ao gastar mais dinheiro, ele poderá aprimorar os resultados de seu departamento. A parcimônia terá de ser imposta a ele por controle governamental. E isso quase nunca funciona.

Conclusão

Estudiosos da administração pública já estão bem cientes do problema de se mensurar o desempenho do setor público. Já há centenas de monografias acadêmicas e livros sobre o assunto, o qual continua sendo matéria de acalorados debates entre especialistas.

Porém, quaisquer que sejam os métodos sofisticados que os pesquisadores inventem para mensurar o desempenho do setor público — pesquisas de opinião, indicadores secundários, estudos randomizados controlados, simulações de computador etc. —, o fato é que nenhum método pode contornar aquele problema fundamental: o governo e seus órgãos não vendem seus serviços no mercado concorrencial para consumidores que voluntariamente optam por comprá-los, não se direcionam pelo sistema de lucros e prejuízos, e suas receitas não são auferidas de acordo com a qualidade dos seus serviços.

Mesmo com um excelente CEO no comando, nenhum governo pode ser gerenciado como fosse uma empresa. E, sinceramente, nem mesmo deveríamos querer isso. Imagine um governo extremamente eficiente em coletar impostos e impingir regulamentações draconianas?

Por outro lado, não seria nada mau ter como presidente um CEO especializado em vendas de ativos, alienação de participação societária, demissões, liquidações e dissoluções.


12 votos

autor

Peter G. Klein
leciona economia na University of Missouri. Esse texto é o seu prefácio para a nova edição de Princípios de Economia Política, publicado pelo Mises Institute (2007). Klein paticipa do blog do site Organizations and Markets.

  • Lucas  06/09/2017 15:12
    Meu pai tem uma pequena empresa com 9 funcionários. Acreditem se quiser, mas ele precisa pagar um contador pra saber o quanto deve pagar para os imundos do estado. A coisa é braba demais.
  • anônimo  06/09/2017 15:51
    Um dia um grupo fez pressão sobre o governo para poder ter a reserva de mercado sobre a contabilidade de empresas e conseguiu.
  • Sugestor Anônimo  06/09/2017 15:55
    A melhor forma é que o governo não opere mais com receitas extorquidas, mas que as pessoas doem livremente se quiserem algum serviço prestado pelo Estado.
    Afinal, não precisamos de nenhum serviço do Estado. Educação pública? Uma droga. Saúde pública? Isso existe? Criar leis imbecis? Não obrigado. Judiciário ineficiente? Talvez. Polícia mau equipada? Talvez.
  • Guilherme  06/09/2017 16:13
    Isso foi tentado recentemente. E na Noruega!

    Resultado: ninguém doou para o governo, o que comprova que, mesmo na "invejada" Escandinávia, ninguém valoriza os "ótimos" serviços do governo.

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=2725
  • Despair  07/09/2017 17:54
    Eu nunca tive problemas com esses serviço, tem gente que reclama de tudo.
  • DCaesar  07/09/2017 22:49
    Minha mãe tem 01 empregada e precisa de um contador para apurar os encargos a pagar.
  • Edvaldo  08/09/2017 12:32
    Como contador, vou sair em defesa da classe.

    Existe sim, uma quantidade absurda de contadores que apenas "apuram" impostos e taxas, mas a função e o conhecimento de um bom contador vão muito além disso. O problema é que no Brasil qualquer pessoa empreende, e quando digo qualquer pessoa, são pessoas que não tem o minimo de conhecimento sobre lucros, tributos e o principal, separar Pessoa Física de Pessoa Jurídica. Aí a empresa quebra, e o cara acha que o contador só serve para apurar impostos.

    É uma estrada de mão dupla, onde os contadores não demonstram seu valor, e onde os empresários em sua grande maioria não sabem nem o que estão fazendo.
  • Realista  08/09/2017 13:47
    "O problema é que no Brasil qualquer pessoa empreende, e quando digo qualquer pessoa, são pessoas que não tem o minimo de conhecimento sobre lucros, tributos e o principal, separar Pessoa Física de Pessoa Jurídica. Aí a empresa quebra, e o cara acha que o contador só serve para apurar impostos. "

    As pessoas empreendem precariamente para colocar comida na mesa, para vestir e calçar seus filhos e ajudar seus pais enfermos a comprar remédios, a formalização é apenas para não apanhar da polícia e ser humilhado por fiscais. Os indivíduos deste país com mais conhecimentos sobre lucro, tributos e administração se dividem em 3: funças, emigrantes e loucos que perderam as faculdades mentais e tocam negócios no Brasil.
  • Alexandre Sávio Neto  06/09/2017 15:13
    Excelente texto, como sempre.

    Estou me graduando este ano em Economia e gostaria de alguma sugestão de assunto para o TCC, que aliás será apresentado em uma universidade cheia de burocratas, um verdadeiro inferno. Todos os dias sou obrigado a escutar um monte de baboseiras que, se não fosse por Mises e grandes outros nomes, estaria aceitando aquelas idéias absurdas como algo natural.

    Meus agradecimento a toda equipe do IMB.
  • Célio  07/09/2017 20:46
    E eu que descobri Mises depois que formei, mas já tinha um viés liberal no sangue, que sofreu igual mulher de malandro sádico, por discordar das ideias apresentadas durante a graduação, mas ter de estudar aquelas m***** e ainda responder questões em conformidade com o excremento estudado. Pena eu não ter conhecimento destas ideias de forma tão lógica e didáticas quanto são apresentadas por Mises.
    Gosto tanto disto aqui que, quanto mais leio, mais quero aprender.
    Obrigado Mises!
    Obrigado IMB!
  • Juliano  06/09/2017 15:15
    Um dos sinais mais claros da diferença de empresas públicas e privadas fica estampada logo na entrada.

    Enquanto empresas privadas mostram cartazes agradecendo o cliente, pedindo que volte sempre, as públicas mostram ameaças de prisão pra quem desrespeitar funcionários públicos. Não podia ser mais explícito!
  • Renegado  06/09/2017 16:10
    Muito pertinente esse seu comentário. kk nunca havia me atentado a isso, mas é verdade.
  • brunoalex4  06/09/2017 16:10
    Bem lembrado...
  • Mangá   07/09/2017 11:27
    Kkkkkkkkkkkkkkkk

    Pior que é verdade. Os caras realmente se acham seres superiores aos demais.
  • Felipe Lange S. B. S.  07/09/2017 14:09
    Fato. Seu comentário até me inspirou uma imagem humorística que montei ontem.
  • Leigo  08/09/2017 12:47
    Espero o link da imagem.
  • Infiliz  18/09/2017 19:15
    Exatamente!
    Tava pensando isso ao longo do texto, é aquilo de uma imagem vale mais que mil palavras! Lembro até hoje a 1ª vez que vi esse cartazinho repugnante, foi num posto de saúde acompanhando um amigo kkkkk
  • Heisenberg  06/09/2017 15:17
    Muito bom!

    Sobre isso, no Brasil, multinacionais possuem até dificuldades em se adaptar a tanta burocracia e ineficiência. Geralmente têm que contratar um especialista local no assunto.
  • Cristiano  06/09/2017 15:59
    Bom dia pessoal,
    Alguém tem um bom livro de historia econômica geral pra indicar? (cristiano.gaemh@gmail.com)
  • Leigo  08/09/2017 12:49
    Um breve relato de economia - Paul Strathern.
    Ainda estou terminando, li em algum lugar que não cita mises, etc.
  • Doutor Pacheco  06/09/2017 16:46
    O governo funciona como uma empresa(monopólio)...

    Problema é que ela tem tempo, coisa que empresas privadas não tem.

    Ela tem um intervalo de tempo muito grande pra receber as consequências do seus atos.


    Agora imagine se esse tempo que os governos tem fosse reduzido. Imagine se num vacilo o governante fosse substituído imediatamente.


    Quanto menor esse tempo, a busca e manutenção pelo poder(lucro) forçaria os governantes a se tornarem mais eficientes.

    O lucro dos governantes é o poder... ninguém quer perdê-lo.

    Na realidade a gente não precisa do Legislativo. Hoje com a Tecnologia da Informação o próprio povo poderia desempenhar um papel melhor do que o Legislativo.
    Antes da TI seria até plausível você eleger "representantes do povo", mas hoje o próprio povo com seus celulares poderia votar e decidir sobre questões que o Legislativo se propõe a discutir(e que acaba virando um jogo de interesses).

    A nossa democracia poderia ter sua "arquitetura" redesenhada.

    Acho que o IMB poderia trabalhar nesse sentido...porque só criticar o governo e propor sua extinção não vai chegar a lugar algum.
  • Ramiro Caldas Degrazia  06/09/2017 17:10
    Bom texto, deixo somente uma observação: não confunda LUCRO com OBJETIVO, isso é RESULTADO! O OBJETIVO de uma empresa e a forma de como ele nos é apresentado é que vai definir o seu futuro - seja lucro, caso nos agrade, ou prejuízo, caso não!
  • Tulio  06/09/2017 17:14
    Seu comentário foi confuso. O objetivo de qualquer empreendimento é um só: obter lucro.

    Já os meios utilizados para obter este lucro é que irão variar de empresa para empresa: umas procurarão o lucro vendendo comida; outras, vendendo roupas; outras, vendendo carros; outras, vendendo imóveis; outras, vendendo produtos primários. E por aí.

    Mas o objetivo de todas as empresas, em qualquer área, é um só: o lucro. E o lucro é um resultado operacional, assim como o prejuízo.

    Mas ninguém abre empresa para ter prejuízo; e ninguém abre empresa só porque ama a humanidade e quer bem servi-la. Todo mundo empreende para ganhar dinheiro. E, ao fazerem isso, acabam beneficiando a todos (mas isso ocorre apenas em um mercado livre e concorrencial, no qual o governo não interfere concedendo subsídios, reservas de mercado, tarifas protecionistas etc.)

    Tanto é que, para se distinguir das empresas que visam ao lucro, há organizações que se intitulam "sem fins lucrativos". O lucro é um fim; é o objetivo.
  • Andre Cavalcante  06/09/2017 18:39
    Olá,

    "Tanto é que, para se distinguir das empresas que visam ao lucro, há organizações que se intitulam "sem fins lucrativos". "

    Mesmo essa frase não está correta. O que distingue uma empresa com ou sem fins lucrativos é o fato de que, no último caso, isto é, empresas sem fins lucrativos, os eventuais lucros da empresa não podem ser repassados para o controlador. Em caso de prejuízos, cabe ao controlador colocar recursos para o contínuo funcionamento da empresa, ou então, ele simplesmente fecha a empresa.

    TODA empresa visa o lucro. A diferença vai residir se o controlador vai ficar ou não com o lucro. Se não fica, é dita "sem fins lucrativos", se ficar, é uma empresa normal.

    Exemplo mais comum: uma Fundação sem fins lucrativos que faz enisno/pesquisa/desenvolvimento/inovação (de verdade) tem como controladora duas empresas. O objetivo da Fundação é dar lucro o qual é revertido todo na própria Fundação, seja na compra de equipamento, distribuição de rendimentos entre funcionários ou mesmo aumento de salário. As controladoras não auferem o lucro diretamente, entretanto podem auferir os produtos/serviços/inovação que a Fundação desenvoveu.

    Abraços

  • Ramiro Caldas Degrazia  07/09/2017 19:26
    Caro Tulio, para esclarecer o que sem clareza afirmas...

    "Mas o OBJETIVO de todas as empresas, em qualquer área, é um só: o LUCRO. E o LUCRO é um RESULTADO operacional, assim como o PREJUÍZO."

    O correto na minha opinião seria afirmar que OBJETIVO de toda empresa é oferecer algo que tenha VALOR para o consumidor e com a negociação disto, o RESULTADO que se espera é o lucro.


    Estás fazendo a mesma confusão do texto.

  • Tulio  07/09/2017 23:21
    "O correto na minha opinião seria afirmar que OBJETIVO de toda empresa é oferecer algo que tenha VALOR para o consumidor e com a negociação disto, o RESULTADO que se espera é o lucro."

    Ué, você diz que "o RESULTADO que se espera é o lucro". Ora, se o resultado que se espera de algo é o lucro, então você próprio afirma e confirma que o objetivo supremo é o lucro. Se eu faço algo esperando que o resultado daquilo seja o lucro, então, por definição, meu objetivo supremo é o lucro. CQD.

    Você se contradisse e, no final, acabou concordando integralmente com o que diz uma frase do artigo.

    P.S.: como você bem disse, isso tudo o que você falou é "na sua opinião". E a sua opinião está tecnicamente errada, pelos motivos que expliquei (e que o Andre Cavalcante gentilmente complementou). A confusão toda vem exclusivamente de você.
  • Cristiano  11/09/2017 19:37
    Tulio Bertini?
  • Rodrigo  06/09/2017 18:29
    "Por outro lado, não seria nada mau ter como presidente um CEO especializado em vendas de ativos, alienação de participação societária, demissões, liquidações e dissoluções."

    Aquele personagem do George Clooney em "Up in the Air" seria o ideal.
  • Sérgio Vieira  06/09/2017 18:31
    Em uma palavra, o governo não tem aquilo que empresas possuem: métrica.
  • lorivaldo  06/09/2017 20:35
    Parece que vocês adivinharam o que ocorreu comigo. Explico: Certa hora, estávamos discutindo sobre o programa "Luz para Todos" (que na minha opinião é um belo presente de grego as distribuidoras). Defendi a ideia que é o tipo de investimento que nunca se pagará e que a população que ficará com o prejuízo, pois além do consumo nos povoados serem menores (portanto não pagando o investimento), ainda há os subsídios. Só faltaram me engolir! Tentei argumentar que se os mesmos abririam uma empresa para não terem lucro e veio aquele blablablá de social, até que um soltou: O governo (ou seja, nós) tem a OBRIGAÇÃO de fornecer energia!
  • Luiz Moran  06/09/2017 21:02
    Por que é impossível o governo ser gerenciado "como se fosse uma empresa"

    Pelo simples fato de que se um parasita for detectado numa empresa privada ele é imediatamente posto para fora.

    E é este também o motivo pelo qual existe Estado: é lá que os parasitas sobrevivem.
  • Anônimo   06/09/2017 21:25
    Mises já foi refutado alguma vez? E Marx?
  • Anônimo   07/09/2017 00:12
    Valeu.
    Vou ler.
  • Bruno Rangel  09/09/2017 21:22
    Contudo, a nao refutacao de uma teoria nao significa que a teoria seja verdadeira, apenas q e mais resistente q suas rivais.
  • Amarílio Adolfo da Silva de Souza  06/09/2017 22:15
    O "problema" é mais embaixo.
  • Felipe  06/09/2017 22:19
    Senhores, qual é a opinião de vocês sobre quem conbateria o terrorismo em uma "nação" anarcocapitalista? Como vocês imaginam que seria o combate ao terrorismo ou ao tráfico de pessoas, por exemplo.
  • Cassim  07/09/2017 04:09
    Terrorismo = Provocação do medo para fins políticos.

    Quem o ETA atacaria se não existisse Espanha? Sem nenhum estado para influenciar através do terrorismo, não tem terrorismo.

    Mas sei que você se refere ao terrorismo islâmico / religioso e não vou ser chato com isso.

    Sobre o terrorismo islâmico, a única solução parece ser a que funciona para 9/10 da população mundial: não participar da política do Oriente Médio. Pare de destruir os países deles e de subsidiar a chegada de homens ressentidos e incapazes de competir em uma economia globalizada a seu país. É receita para desastre.

    Tráfico de Gente

    64% dos traficantes de gente encontrados já eram cidadãos condenados em seu próprio país originário. O que o estado fez para resolver o problema? Nada. E continua existindo.

  • Felipe  07/09/2017 14:13
    Concordo sobre o ETA/IRA/FARCs ou qualquer outro tipo de terrorismo separatista, mas como você mesmo diz me refiro mais ao extremismo religioso como Boko Haram ou ISIS.
    Será que apenas o porte de arma para todos seria o suficiente para conter isso? Realmente não tenho uma opinião formada sobre isso.
  • Felipe Lange S. B. S.  07/09/2017 14:16
    Para de atacar os outros países e armamento para a população. Pronto. Quem alimenta os terroristas é o próprio estado.

    É claro que grandes corporações que fornecem armas e fazem lobby estão também interessadas nessa festança de sangue.
  • Felipe  07/09/2017 14:36
    Apenas complementando..

    Religiões (principalmente as extremistas), assim como o Estado, não se contentam em apenas ficar na dele, mas querem também impor para os outros sua visão do mundo.

    O ISIS por exemplo é extremamente organizado, e tem uma estrutura que funciona como uma empresa. Por exemplo, eles fazem relatórios anuais de quantas mortes e atentados fizerem, do mesmo jeito que uma empresa controla suas receitas e lucro. Exemplo

    Então tenho minhas dúvidas se apenas ignorar (não participar da política) desses países seria o suficiente para evitar extremismo religioso.
  • Felipe Lange S. B. S.  07/09/2017 20:03
    Felipe, veja esse artigo.
  • Felipe  11/09/2017 22:32
    Obrigado pelas indicações de leitura, resumidamente dizem que a segurança privada seria mais barata e efetiva (mesmo contra o terrorismo) do que a "pública".

    Pesquisando um pouco sobre o assunto é fácil achar noticias como essa ou essa, dizendo que o famoso programa de espionagem da NSA não é nem um pouco efetivo, por outro lado estimam que o custo com da NSA seja entre 10 a 20 bilhões de dólares (confiscados anualmente dos contribuintes), além de empurrar um custo de até 35 bilhões de dólares para empresas de tecnologia. Ou seja, dinheiro jogado fora.






  • Felipe Lange S. B. S.  07/09/2017 20:05
    Vou passar mais esses artigos:
    www.mises.org.br/Article.aspx?id=2200
    www.mises.org.br/Article.aspx?id=2364
    www.mises.org.br/Article.aspx?id=2226
    mises.org.br/Article.aspx?id=2443
  • Felipe Lange S. B. S.  07/09/2017 20:07
    Uma coisa que eu acho engraçado é ter curso de graduação de "gestão pública", "administração pública" e "políticas públicas". Qual o sentido de existir esses cursos se qualquer planejamento central em qualquer nível sempre dá errado?
  • Cassim  08/09/2017 13:15
    Se o Islã e os Islâmicos forem de fato tão tóxicos assim, Felipe, as apólices de seguro cuidariam do problema.

    Você nem precisa de anarcocapitalismo ou armamentos, isso já acontece. Na Suécia, as apólices de seguro multiplicaram de preço com a chegada de refugiados por causa do aumento dos sinistros. O que acontece hoje é que os hotéis das cidadezinhas no interior, quando são tentados pelo governo a virar asilo para refugiados, sofrem um forte escrutínio tanto dos vizinhos como pela comunidade já que os estrangeiros são associados com perda de turistas e aumento dos custos de seguro. A forma do estado de driblar isso é oferecer quantias obscenas de dinheiro aos proprietários dos hotéis para que aceitem a conversão.

    Porte de armas ajuda mas o terrorismo costuma agir de acordo com todos os meios possíveis. Se disparar contra multidões não for viável, alguém simplesmente jogará uma mochila na lixeira de uma lanchonete.

    @Mumm-Rá

    Não entendi muito bem seu comentário. Acho que você está confundindo tráfico de pessoas com sequestro.

    Tráfico de pessoas é tipo aquilo que coiotes fazem atravessando as pessoas pela fronteira dos EUA.
  • Mumm-Rá  07/09/2017 19:34
    Todas as respostas acima estão, de alguma forma, incorretas. Muitas pessoas continuam misturando Anarcocapitalismo com Livre Mercado e com PNA libertário. Elas estão relacionadas, mas não são a mesma coisa.

    Não há como saber que regiões seriam permitidas tráfico de pessoas, qual seria a oferta e demanda de tal serviço nos lugares e quem estaria disposto a combater essa prática (sempre há pessoas dispostas a combater qualquer coisa, ainda mais algo tão repulsivo).

    Mas é só usar a lógica de mercado para analisar a questão. Em que territórios as pessoas procurariam viver: em locais com boa segurança contra ataques estrangeiros ou em locais perigosos e vulneráveis?
    Em que territórios as pessoas procurariam viver: em locais que a comunidade permite que pessoas sejam raptadas contra sua vontade ou em territórios com uma moral mais libertária?

    Como pode perceber, os locais do exemplo estariam fadados à extinção se a entrada e saída das pessoas funcionasse de acordo com a livre concorrência entre os territórios privados (no Anarcocapitalismo).
  • Carolina Costa  06/09/2017 23:15
    Recado para partido NOVO e afins.
  • Alcione Domingues  07/09/2017 00:56
    Realmente administrar um pais com dimensões continentais e fazer que quase tudo dê certo, é algo além de qualquer expectativa.
  • JBS  07/09/2017 11:34
    Isso que dá acreditar na administração feita pelo governo:

    g1.globo.com/google/amp/g1.globo.com/economia/seu-dinheiro/noticia/caderneta-de-poupanca-passa-a-render-menos-a-partir-de-7-de-setembro.ghtml

    Aliás, eu estou surpreso que isso não aconteceu bem antes.
  • Lucas  07/09/2017 14:11
    "as medidas administrativas do governo não podem ser expressas em termos de dinheiro."

    Mas podem ser mensuradas subjetivamente: existe a hipótese do povo aprovar os serviços.
    Como provar, nesse caso, que são ineficientes ?
  • Marcos  07/09/2017 14:39
    Abordado especificamente no artigo.

    Aliás, o que seria "o povo"? Quem é essa massa amorfa que hipoteticamente "aprova os serviços"? Não há dissidência entre esse tal "o povo"? "O povo" é algo homogêneo e uniforme, que pensa bovinamente igual? Se o tal "o povo" aprova, isso significa que cada indivíduo do país aprova?

    Vale lembrar que, segundo consta, "o povo" inicialmente aprovou as medidas intervencionistas do governo Dilma: congelamento da gasolina, redução das tarifas de energia elétrica, crédito subsidiado para grandes empresários criarem "campeãs nacionais", pedaladas fiscais e destruição das contas do governo.

    E deu no que deu. Mas tudo com a aprovação inicial "do povo".

    Dizer que "o povo" aprova alguma medida do governo é simplesmente achismo e ilação. É mero palpite. Não há qualquer prova factível disso. Na mais benevolente das hipóteses, há apenas emoção. Mas emoção não supera razão. Pior: emoção pode gerar consequências nefastas no longo prazo.

    Por outro lado, eu posso lhe dar exemplos de coisas que "o povo" gosta, e com 100% de segurança:

    1) "O povo" gosta de futebol. Ele não apenas está disposto a pagar para ver, como os próprios anunciantes ganham muito dinheiro com isso. E os próprios salários dos jogadores são uma clara sinalização do sistema de preços e do mecanismo de lucros e prejuízos.

    2) "O povo" gosta de cerveja. (Mesmo raciocínio acima)

    3) "O povo" gosta de ver televisão. (Idem)

    4) "O povo" gosta de viajar. (Idem)

    5) "O povo" gosta de lazer. (Idem)

    Para todos os casos acima, há números monetários que comprovam a opção voluntária "do povo" por essas coisas.

    Por outro lado, não há nenhum exemplo monetário (consumação voluntária) que confirme que "o povo" aprova determinados serviços do governo.
  • Humberto  07/09/2017 14:42
    Esse negócio de "o povo aprova" é muito interessante. O melhor exemplo prático de que isso é uma falácia aconteceu recentemente na Noruega.

    Se eu dissesse que "o povo" da Noruega aprova os serviços de seu governo, você concordaria, certo? Pois é. Mas parece que não. E há provas factuais disso.

    Recentemente, o governo norueguês instituiu um programa de doações voluntárias para o governo. Como as receitas do governo caíram por causa da queda nos preços do petróleo, o orçamento ficou apertado. E aí o governo instituiu esse programa de doações voluntárias para o Tesouro.

    Eis aí uma medida que realmente deixaria claro o tanto que "o povo" realmente aprova os serviços do governo.

    Muito bem, sabe quanto o governo norueguês, provedor dos "maravilhosos serviços escandinavos" arrecadou?

    1.000 euros. Sim, ínfimos mil euros.

    Eis aí o tanto que "o povo" realmente valora os serviços do governo. E na Noruega, hein?

    Imagina aqui no Brasil?
  • Victor  07/09/2017 21:26
    Meus cumprimentos a todos.

    Gostaria de saber a posição da Escola Austríaca quando se depara com o seguinte argumento: os países hoje desenvolvidos pregam o livre comércio mas, em suas origens, a proteção à indústria nascente através de tarifas foi o grande responsável pela industrialização e, quando afirmam que os países em desenvolvimento hoje devem ser livres estão apenas garantindo que estes não se tornarão maiores.

    Desde já agradeço.
  • Laender  07/09/2017 23:05

    "os países hoje desenvolvidos pregam o livre comércio"

    Falso. É exatamente o contrário. Os países desenvolvidos hoje querem mais protecionismo -- pois seus políticos acham que isso irá "garantir mais empregos" para a classe média empregada no setor industrial -- ao passo que os países em desenvolvimento (ao menos os mais sensatos, é claro) querem mais livre comércio, pois seus políticos sabem que isso irá melhorar o padrão de vida da população (e, com isso, garantir reeleições).

    Artigo inteiro sobre isso, com dados e fatos:

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=2596

    "mas, em suas origens, a proteção à indústria nascente através de tarifas foi o grande responsável pela industrialização"

    Outra falácia.

    Para começar, não há fontes para isso. Ao contrário, alias: o comércio mundial era muito mais livre que é hoje até o advento da Primeira Guerra Mundial. E foi exatamente neste período que se deu o grande avanço da industrialização nos EUA e na Europa.

    E, ainda que houvesse fontes dizendo que "o protecionismo gerou a industrialização" (e não as há), elas nada significariam, e por um motivo muito simples: cadê o contrafactual? Como é que você pode provar que a industrialização se deu pelo protecionismo? Mais ainda: como é que você pode provar que, sem protecionismo, a indústria não seria ainda mais eficiente e pujante?

    Já no mundo real, há exemplos explícitos de países que, sem nenhum protecionismo, se tornaram grandes potências industriais: Hong Kong e
    Cingapura, por exemplo, se industrializaram -- e fortemente -- com tarifa de importação zero.

    Aliás, a própria Suíça -- fortemente industrializada -- tem tarifas de importação baixíssimas para produtos industriais. Lá, eles tributam coisas agrícolas, mas não industriais.

    O mesmo é válido para Alemanha.

    "e, quando afirmam que os países em desenvolvimento hoje devem ser livres estão apenas garantindo que estes não se tornarão maiores."

    Atentando à lógica: você está dizendo que, quanto mais fechado for um país, mais poderoso ele será; e quanto mais aberto, menor.

    No fundo, tudo é uma questão de lógica pura: na prática, quem diz que protecionismo gera potência industrial está, na prática, dizendo que reserva de mercado e abolição da concorrência é exatamente o que faz algo prosperar, se modernizar e se tornar pujante.

    Na prática, você está dizendo que economia fechada e reserva de mercado é o que cria pujança e prosperidade. Atentado à lógica.

    Para a piorar a situação dos protecionistas, vale lembrar que o Brasil já é um país completamente fechado e protecionista desde que foi descoberto em 1500. Por favor, cite um único período do país em que tivemos tarifa de importação zero. Aliás, facilito: cite um único período que tivemos baixas tarifas de importação.

    Temos a economia mais fechada entre os países sérios, e nada de a indústria progredir e ficar pujante.

    Logo, quem deve explicações são os protecionistas. A teoria que eles defendem -- "economia protecionista gera indústria pujante" -- é aplicada no Brasil desde 1500. E nada de ela finalmente se comprovar. Até quando você esperar? 517 anos não bastam?

    Pela lógica protecionista, era para o Brasil (muito mais fechado e protecionista que EUA e Europa) ter uma indústria pujante e competitiva. Por que isso não ocorreu? Pois é.

    Algum dia espero que essa gente finalmente entende que protecionismo nada mais é que uma desculpa, disfarçada de teoria econômica, para proteger os lucros e as reservas de mercado do grande baronato industrial nacional. Quem defende protecionismo está a soldo da FIESP.
  • Kelvin  08/09/2017 22:17
    O Brasil império teve suas alíquotas reduzidas de modo que essa abertura econômica quebrou o Barão de Mauá. Como explicar isso?
  • Guilherme  08/09/2017 23:16
    A invenção do computador faliu vários fabricantes de máquinas de escrever. Como explicar isso?

    A invenção da luz elétrica faliu vários fabricantes de velas. Como explicar isso?

    A invenção do automóvel faliu vários fabricantes de charrete. Como explicar isso?

    A mecanização da agricultura desempregou muita mão-de-obra de baixa produtividade. Como explicar isso?

    Dica: livre comércio sempre levará à falência quem estava acostumado com reserva de mercado e que, por isso, cobrava caro por seus produtos. A falência dessas pessoas é uma benção para o consumidor, que agora poderá comprar produtos importados bem mais baratos e de maior qualidade.

    Ah, sim, especificamente sobre sua pergunta, veio sacar no lugar errado: a redução de tarifas em 1860 afetou apenas os estaleiros do Barão de Mauá. Suas outras atividades continuaram normalmente.

    Sua bancarrota de fato ocorreu apenas em 1875, e deu-se por causa da quebra do seu banco, o Banco Mauá. Não teve nada a ver com livre comércio, mas sim com má gestão bancária (muito também causada pelo fato de que o barão já estava muito doente, com diabetes e sem grandes energias para tocar negócios).
  • Anonimvs Anonimatvm  08/09/2017 01:42
    Existe uma possibilidade de gestão empresarial: Quando um governo trabalha com recursos próprios em situação concorrencial. Em verdade, são parcos exemplos contemporâneos: Liechtenstein (com o Banco Nacional); Mônaco (com o Cassino Monte Carlo); os Estados do Golfo (ARAMCO, Mubadala, ICD, ADNOC). Uma gestão adequada, não direcionada a produzir "bem-estar social", e sim lucros que possam ser revertidos ao estado, tem uma chance de ser eficiente. Nada disso funciona, naturalmente, se a empresa governamental obtiver privilégios específicos - inclusive, mas não apenas, a possibilidade de não falir, ou um monopólio legal.
  • Seria Legal  08/09/2017 02:45
    Quais seriam os passos que vocês recomendariam para um país, por exemplo, a Libéria, alcance o estado do desenvolvimento ?
  • Economista  08/09/2017 12:25
    Não há atalhos nem mágicas. O que gera riqueza é divisão do trabalho, poupança, acumulação de capital, capacidade intelectual da população (se a população for burra, a mão-de-obra terá de ser importada), respeito à propriedade privada, baixa tributação, segurança institucional, desregulamentação econômica, facilidade de empreender, moeda forte, ausência de inflação, empreendedorismo da população, leis confiáveis e estáveis, arcabouço jurídico sensato e independente etc.

    Sem isso, não haverá investimentos estrangeiros, que é a única coisa que trará crescimento econômico e enriquecimento para países pobres.
  • Acionista25  08/09/2017 14:51
    Pegando o gancho do economista,por favor,alguém poderia me explicar a questão do PIB?(sabendo que não é um indicador ideal para medir riqueza e tal).O colega falou o que geraria um crescimento robusto seria o investimento estrangeiro,mas o que vemos são os economistas falarem que o carro chefe é o consumo das famílias,representando 60 a 65% do PIB,governo 20% é FBCF 15% e Exp x Imp seria insignificante?O que até tem relação com outra divisão?O agro 5%,Indústria 15% é o restante serviço.Ja adianto que sou leigo.Estou aprendendo aqui no IMB com seus excelentes artigos e nos comentários dos amigos!
  • José Santana  08/09/2017 15:43
    Também aceito recomendações zeneto97@hotmail.com
  • Etibelli  08/09/2017 17:37
    O pessoal da IMB pretende traduzir o "Bureaucracy" do Mises?
  • Pedro  09/09/2017 08:48
    É de partir a rir o mises apresentar as empresas estatais como cabides de emprego, como se as privadas não rstuvessem também cheias de penduras que não fazem nafa e vivem á custa dos trabalhadores e dos clientes.
  • Aleixo  09/09/2017 14:30
    Ué, e qual empresa privada adepta desta prática se mantém em um mercado concorrencial?

    1) Empresa privada cabide de emprego está gastando o próprio dinheiro, e não o dinheiro dos pagadores de impostos.

    2) Empresa privada cabide de emprego será ineficiente e, por conseguinte, irá perder mercado para outras empresas mais enxutas e mais eficientes. E, de novo, nenhum dinheiro público foi confiscado é consumido.

    3) Empresa privada cabide de emprego só consegue se manter se operar em um mercado protegido pelo governo (seja por tarifas de importação, por agências reguladoras) ou se for recebedora de fartos subsídios. Aí, realmente, ela pode durar, pois os consumidores não têm alternativas.

    Desnecessário dizer, no entanto, que tal arranjo é o exato oposto de um livre mercado, mas sim a exata definição de um mercado sob forte intervenção estatal.

    Empresa privada cabide de emprego, em suma, são o produto direto da abolição do livre mercado pelo estado.

    "É de partir a rir" o seu desconhecimento básico sobre economia.
  • Cassim  09/09/2017 18:15
    A diferença, Pedro, é que quem paga a conta dos desocupados é o capitalista. O prejuízo é dele. O problema é dele.

    Quem paga a conta dos funças somos nós.
  • Emerson Luis  10/09/2017 13:14

    Imagine se você só pudesse trocar de supermercado a cada quatro anos. Como seriam os preços, a qualidade e variedade dos produtos e o atendimento?

    Pior, imagine se somente a cada quatro anos você pudesse trocar, não de supermercado, mas apenas a administração do supermercado.

    Pior, se a escolha tivesse que ser entre um conjunto de equipes administrativas na sua maioria semelhantes e algumas até compostas por criminosos psicopatas.

    Pior, se essa escolha dependesse de uma votação e a maioria escolhesse acreditando em promessas furadas e por critérios insanos ("vote nela porque ela é mulher").

    Essa é a diferença entre o Estado e o livre mercado.

    Por outro lado, na iniciativa privada existe a terceirização; o paralelo da iniciativa pública seria a privatização. Seria ótimo um presidente que privatizasse tudo que pudesse e minimizasse o Estado tanto quanto possível.

    * * *
  • Marcelo  11/09/2017 18:32
    É como colocar um piloto campeão de fórmula 1 pilotando um fusca e pedir para ganhar a corrida!
  • Rafael Nascimento  13/09/2017 01:28
    Sou formado na área de TI, nada a ver com economia, mas tenho um prazer imenso em ler Mises, Friedman, Hayek, os artigos deste site, etc. Inacreditável que toda essa base de conhecimento econômico ficou inacessível no Brasil nos últimos 40 anos.


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