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Os efeitos nefastos de um ajuste fiscal baseado no aumento de impostos
Principalmente durante uma severa recessão

Um governo incorre em déficit orçamentário quando gasta mais do que arrecada. 

Consequentemente, este governo pode atacar seu déficit orçamentário de três maneiras: a) cortando gastos; b) aumentando suas receitas (tributando mais); ou c) fazendo uma combinação de ambas.

Em princípio, os três caminhos parecem complementares e equivalentes: escolher uma ou outra alternativa dependeria muito mais de preferências ideológicas do que de motivações econômicas bem fundamentadas. 

Sendo assim, por exemplo, um governo mais à direita faria modestos cortes de gastos combinados com modestos aumentos da carga tributária ao passo que um governo mais de esquerda apostaria mais em apenas subir os impostos.

No entanto, essa hipótese é, logo de início, incorreta: os efeitos de uma redução nos gastos do governo são opostos aos de um aumento de impostos.

Friedrich Hayek, ao receber o Prêmio Nobel de Economia em 1974, afirmou que economistas que só sabem teoria econômica não podem ser bons economistas. Essa frase, de uma verdade cristalina, nunca esteve tão atual.

Se a economia do mundo real não fosse o desenrolar da ação humana, ao longo do tempo, de muitos milhões de indivíduos em ambiente de incerteza genuína, com seus planos e projetos de vida, seus acertos e erros, suas buscas por conhecimento e seus sonhos e realidades, a ciência econômica de fato poderia ser mecânica, tal como a economia positiva de Milton Friedman. Aí então ela poderia estar restrita ao estudo do método das partidas dobradas, não havendo necessidade de se preocupar com os impactos do ajuste sobre o tecido social. Conseqüentemente, seria indiferente escolher a, b ou c.

O importante, nesse caso, seria tão somente equilibrar as contas do estado e ponto final.

Mas é exatamente aqui que jaz a importância de diferenciar a visão de um verdadeiro economista, como Hayek enxergou a profissão, dessa visão meramente contábil ou aritmética, de que tanto faz a, b ou c.

Quando economistas, com base na impossibilidade política e legal de cortar profundamente os gastos públicos, afirmam que "algum aumento de tributos" é necessário, eles estão agindo não como economistas no sentido expressado por Hayek em seu discurso do Prêmio Nobel, mas como meros contadores: o equilíbrio fiscal deve ser alcançado a qualquer preço, mesmo que esse ônus recaia sobre os pagadores de tributos.

Sob o ponto de vista econômico, a Escola Austríaca é diferente das demais, porque sua preocupação, no tema que estamos abordando, vai muito além das contas do estado: concentra-se em indivíduos, em nossas vidas.

Os efeitos benéficos de um corte de gastos

Quando o governo corta gastos, de fato há quem seja prejudicado. 

O exemplo mais claro seria o de funcionários públicos que tivessem seus salários reduzidos. Isso é muito raro, mas pode ocorrer. Consequentemente, as empresas que possuem como clientes principais um grande número de funcionários públicos seriam atingidas. 

Igualmente, cortes de gastos do governo também irão afetar as várias empresas que só sobrevivem porque possuem contratos de prestação de serviços junto ao governo. Empresas terceirizadas por estatais e empreiteiras que fazem obras para o governo são os exemplos mais claros. Há também as várias atividades econômicas que recebem subsídios e que, sem estes subsídios, teriam de se virar, cortar gastos e demitir pessoas. 

O que todas estas atividades têm em comum é que elas só sobrevivem e só são lucrativas com a muleta do governo. Isso faz com que elas sejam classificadas como atividades econômicas insustentáveis. São atividades que não dependem da demanda voluntária do consumo privado para sobreviver. Uma vez cortado o fluxo de dinheiro governamental, elas perdem sustentação e definham. Elas não necessariamente irão quebrar, pois podem se reestruturar e mudar seu enfoque de mercado. Mas estão indiscutivelmente sobredimensionadas, e a prova disso é que só mantêm seus atuais lucros com dinheiro repassado pelo governo. 

Elas são, portanto, atividades que absorvem recursos e capital da sociedade.  Elas não produzem; elas consomem.

Uma redução nos gastos do governo, portanto, possui este efeito salutar sobre a economia. Faz com que empresas que consomem recursos e que produzem apenas de acordo com demandas políticas tenham de ser enxugadas. Empresas que só sobrevivem devido aos gastos do governo não produzem para consumidores privados; elas utilizam o dinheiro dos cidadãos mas produzem para o estado. Elas não utilizam capital de maneira produtiva, de forma a atender os genuínos anseios dos consumidores privados: ao contrário, elas utilizam capital fornecido pelos pagadores de impostos mas produzem apenas para servir a anseios políticos. 

Em suma, não agregam à sociedade. Por definição, subtraem dela.  

Logo, um corte de gastos do estado fará com que essas empresas liberem mão-de-obra e recursos escassos que poderão ser utilizados mais eficientemente por empresas mais produtivas, empresas que estão no mercado para realmente atender às demandas dos consumidores.

Um corte de gastos também gera efeitos positivos sobre a estrutura institucional do país: uma redução dos gastos do governo tem o efeito de reduzir o peso da burocracia estatal. E isso, por sua vez, leva a um aumento da participação do setor privado na economia. 

Com menos burocracia e com menos regulamentações onerosas, há uma maior facilidade para o empreendedorismo e, consequentemente, para a geração de riqueza.

Por fim, simplesmente não há como o governo gastar de maneira eficiente. O governo gasta o dinheiro alheio (dos impostos) com os outros (funcionalismo público, subsídios para grandes empresários amigos do regime, obras públicas feitas por empreiteiras ligadas a políticos, artistas e eventos culturais etc.) e consigo próprio (salários, benefícios e mordomias para políticos; ministérios, agências reguladoras, secretarias e estatais; campanhas eleitorais; contratação de apadrinhados; propagandas etc.). Nenhum desses gastos está ligado à maximização do bem-estar da população.

O governo simplesmente não possui os incentivos corretos para gastar de maneira eficaz. E muito menos pode gastar de modo a maximizar o crescimento econômico. Seu gasto apenas distorce os incentivos da sociedade, reduzindo-os. (Veja a explicação em detalhes aqui).

Por tudo isso, qualquer redução nos gastos do governo sempre será bem-recebida pelo setor produtivo da sociedade.

Os efeitos maléficos de um aumento de impostos

Já os aumentos de impostos não têm como trazer nada de benéfico.

Comecemos pelos efeitos mais diretos: um real a mais nas mãos dos burocratas e políticos significa necessariamente um real a menos nas mãos do setor privado, do qual este real foi extraído compulsoriamente.

Em um cenário de recessão econômica, tal efeito nefasto é majorado. Estando o setor privado em retração — por causa da recessão econômica —, o estado irá piorar ainda mais sua situação ao lhe retirar uma fatia ainda maior de sua estagnada riqueza para sustentar a máquina pública.

Aumentar impostos durante uma recessão significa simplesmente aumentar o grau de esbulho sobre a já menor riqueza que está sendo gerada por indivíduos e empresas. Isso, obviamente, irá apenas asfixiar ainda mais o setor privado, exatamente em um momento em que ele necessita de uma maior reserva financeira para se reestruturar e voltar a criar riqueza. Mais impostos significam menos retorno para os investimentos e menos capital disponível para amortizar dívidas, para contratar mais mão-de-obra e para fazer novos investimentos.

Mas tudo ainda piora.

As consequências de um corte de gastos e de um aumento de impostos são também distintas sobre o próprio déficit público: ao passo que cortes de gastos tendem a reduzir o nível da dívida pública, um aumento dos tributos não faz com que, no longo prazo, o volume total da dívida caia. 

Com efeito, sempre que o governo eleva impostos, ele concomitantemente eleva seus gastos correntes. Os gastos do governo sempre sobem junto com o aumento das receitas. E isso é uma empiria observada ao redor do mundo. 

Veja o gráfico para o Brasil, em valores nominais mensais. (O gráfico foi descontinuado em dezembro de 2014 pelo Banco Central).

cewolf.png

Fonte: Banco Central

Isso gera aquilo que economistas tendem a rotular de "política autofrustrada": o aumento de impostos não reduz, mas sim consolida ou até mesmo piora o nível da dívida pública — pois um aumento de impostos pode reduzir o nível da atividade econômica, levando a uma inesperada queda nas receitas sem que tenha havido um concomitante corte de gastos.

Essa é a reedição da Lei de Parkinson, em homenagem ao professor Cyril Northcote Parkinson, que afirmou que, em uma burocracia estatal, "os gastos sobem de encontro à receita." E não há nenhum motivo para crer que "desta vez será diferente", e que um aumento dos impostos será efetivo em cobrir o rombo nas contas públicas.

Exatamente por isso, a tendência é que, se o governo arrecadar mais, ele consequentemente irá gastar mais. E isso significa que sua burocracia, suas regulamentações e seu quadro de funcionários irão aumentar ainda mais. O peso da burocracia estatal sobre o setor produtivo irá aumentar. E isso, por definição, leva a uma redução da participação do setor privado na economia.

Com mais burocratas, mais burocracia e mais regulamentações há menos facilidade para o empreendedorismo e, consequentemente, menos geração de riqueza.

Portanto, um aumento de impostos consolida a hipertrofia da burocracia estatal, das regulamentações, e das atividades não-produtivas e sugadoras de recursos escassos. Um aumento de impostos faz com que o estado e sua burocracia se expandam ao mesmo tempo em que o setor privado se contraia. Um aumento de impostos premia a burocracia (sugadora de riqueza) e penaliza empreendedores e trabalhadores (criadores de riqueza).

Conclusão

Políticos são movidos pela vontade de poder e, por conseguinte, estudar o poder é estudar a ação humana dos entes políticos, que buscam sempre sua maior satisfação, que vem a ser a manutenção ou ampliação de seu poder, ação que requer meios extraídos dos pagadores compulsórios de tributos.

Esperar que o estado venha a abrir mão de receitas advindas de maiores alíquotas de tributos já existentes ou de um novo imposto, após este ser adotado "transitoriamente", é o mesmo que esperar que um coelho faminto rejeite uma cenoura que lhe ofereçamos.

Por tudo isso, seguindo a linha de Rothbard, os impostos são uma modalidade de agressãoem que o estado toma dinheiro à força daquela fatia da sociedade que produz riqueza e o direciona para o sustento da própria burocracia, que consome riqueza.

Imposto é coerção, é roubo legalizado, é sugação de quem trabalha e produz. Dado que a carga tributária e toda a sua legislação no Brasil são indecentes — não menos que indecentes —, admitir novos aumentos, mesmo que "transitórios", é uma atitude típica daquela visão meramente contábil acima referida.

Se o objetivo é viver em um país dinâmico, não fagocitado pela burocracia e pelos impostos, com níveis toleráveis de endividamento e onde os cidadãos não padeçam dos excessos e esbanjamentos de sua classe política, então é necessário fazer intensa pressão pelo corte de gastos, e jamais tolerar aumento ou criação de impostos.

Todo e qualquer déficit orçamentário do governo tem de ser combatido com cortes de gastos, e não com aumentos de impostos.

A extinção dos super-salários dos sultões do setor público já seria um bom começo. A abolição do BNDES e a devolução do dinheiro a ele emprestado pelo Tesouro também fariam muito pela causa. Os 39 ministérios deixados por Dilma, que custavam mais de R$ 400 bilhões por ano e empregavam 113 mil apadrinhados, e cujos salários consomem R$ 214 bilhões, também são um alvo apetitoso. Não basta apenas fundir um ao outro, e transformar alguns em secretárias. Tem de fechar.

Alguém se habilita?

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O exemplo irlandês - como a redução dos gastos do governo impulsionou o crescimento da economia

11 votos

autor

Ubiratan Jorge Iorio e Leandro Roque

Ubiratan Jorge Iorio é economista, Diretor Acadêmico do IMB e Professor Associado de Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ).  Visite seu website.

Leandro Roque é o editor e tradutor do site do Instituto Ludwig von Mises Brasil.



  • Marcelo  21/07/2017 15:09
    Ministério da Pesca, Ministério da Cultura, Ministério do Turismo, Ministério do Desenvolvimento Agrário (já existe um Ministério da Agricultura), Ministério da Integração Nacional, Secretaria de Assuntos Estratégicos, Secretaria de Políticas para Mulheres, Secretaria da Promoção da Igualdade Racial, Secretaria de Comunicação Social, Secretaria de Portos, Secretaria de Aviação Civil, Secretaria das Relações Institucionais e Secretaria de Direitos Humanos poderiam ser imediatamente abolidos. Veja aqui o total das despesas de cada ministério em 2016

    Não dá pra cortar nada nessa porra toda aí não?
  • Viking  21/07/2017 15:20
    dá pra cortar isso ai e muito mais, meu caro.
    espaço para cortes é o que não falta neste país
  • Jackson  21/07/2017 15:20
    Depois de muita pesquisa encontrei aqui a possibilidade de demitir funcionários públicos através da extinção de seus cargos.

    O problema é que a iniciativa deve vir do Executivo, porém necessita da aprovação do Congresso.

    Nesse caso o mandatário do Executivo precisaria conseguir maioria no Congresso.

    Ou seja, um abraço.
  • Lucas  21/07/2017 17:15
    Eu li que o presidente pode abolir os ministérios sem aprovação do congresso. O Temer não aboliu o Ministério da Cultura e depois de tanto barulho dos artistas ele acatou?
  • Felipe Lange S. B. S.  21/07/2017 23:10
    Com certeza dá para cortar desses vagabundos. Mas o Temer é um cagão e quer ficar fazendo média e concessão com os seus amiguinhos. É um momento propício, mas ele é da mesma laia da Dilma e Lula, então deve ficar naquela história de diminuir de um lado e aumentar de outro. Deveriam aprender com este artigo.

    Sim Lucas, exatamente. Ele tinha abolido e criado uma gambiarra com uma secretaria e os peleguinhos esquerdistas começaram o choro e ele como ovelhinha acatou.

    Talvez só mesmo uma reencarnação do Pinochet (fica só lá jogando videogame, sem quaisquer casas de outros vagabundos que por ventura quisessem barrar reformas com votações contra) e o recrutamento de "Austrian Boys".

  • Felipe Lange S. B. S.  21/07/2017 23:11
    O jeito é caprichar ainda mais na sonegação. Temer é mais um da laia de Dilma e Lula e que quer ficar fazendo média e concessão com outros vagabundos como ele.

    Como sempre, o ladrão sempre querendo meter mais a mão.
  • Luiz Lopes  21/07/2017 15:19
    Sempre com boas matérias. Obrigdo.
  • anônimo  21/07/2017 15:23
    Cortar gastos?

    1 - Manter apenas o Ministérios da Defesa, Fazenda, e Relações Exteriores. Fechar todos os demais;

    2 - Fechar o BNDES e converter todos os seus ativos em renda da União para pagar a dívida pública.

    3 - Privatizar: Petrobras, Banco do Brasil, Correis, Caixa Econômica, e todas as demais estatais;

    4 - Privatizar todas a universidades federais;

    5 - Privatizar todas as estradas federais:

    6 - Reforma política: extinguir 90% dos cargos políticos com respectivos cargos de assessoria e demais equivalentes. Isso sim é reforma política;

    7 - Privatizar portos e aeroportos federais;

    8 - Acabar com o FGTS e pagar o saldo da conta aos devidos correntistas;

    9 - Fechar Anatel, Anvisa, Anac e todas as demais agências reguladoras;

    10 - Permitir livre concorrência e todos os setores da economia onde havia monopólio ou forte intervenção do Estado.

    11 - Novo Plano Real: Lastrear nossa moeda ao ouro.

    12 - Estabelecer Free Banking.

    13 - Novo Pacto Federativo: Deixar bem claro quais são as atribuições do Governo Federal, Estados e Municípios.

    14 - Reforma tributária: Após esse corte de gastos e deveres do governo federal para com "os mais pobres", extinguir e baixar ao máximo os impostos.

    15 - Revogar leis e regulamentações em disposição contrária ao livre mercado.
  • Eduardo   21/07/2017 16:15
    Concordo com você, mas existe o ideal e o que pode ser feito. E justamente aí que mora o problema.
  • GJ  21/07/2017 17:16
    Ótimo artigo! Pois é, acho que temos que ir com calma. A lista de sugestões de cortes que vocês passaram acima são muito boas, mas acredito não ser possível assim de hora para outra. Algumas podem levar anos devido aos intensos conflitos políticos nas bancadas de deputados e senadores por pensarem só no próprio umbigo. Nesse sentido, o Temer e equipe estão equilibrando bem o correto para a economia (alguns cortes de gastos, PEC do teto dos gastos, reforma trabalhista, meta para deficit primário) com o que os políticos querem (impostos, aumentos de salários, mais cargos). Para mim, isso se chama política bem feita, ou seja, saber negociar o bom e o ruim. Temer está fazendo o que é certo para o futuro sem perder radicalmente o apoio dos parlamentares, apoio este que tanto precisa nas sugestões que vocês passaram. Ou vocês preferem o Lula de volta?
  • Rafael  21/07/2017 22:32
    GJ

    Sendo sincero com você, eu prefiro a Dilma. Deixe-me explicar meu ponto de vista acerca disto para não ter deturpações.
    Quando a Dilma estava fazendo todas aquelas lambanças econômicas, o povo viu que o ideal dos esquerdas era impraticável e isso estava resultando numa miséria sem igual. Logo, pessoas vão querer procurar na internet a causa desta crise e possíveis soluções para o problema, com isso e confesso que sou a prova viva, acharam este site que relata toda a idiotice econômica que os governantes fazem por um ideal imaginário. Com a Dilma tudo isso foi amplamente empírico, em 2015 e 2016, Mises estava sendo procurado na internet mais do que Keynes e Friedman, antes ele estava abaixo desses dois pensadores, tudo isso contribuiu para a guinada de uma grande parte do povo aos ideais da Escola Austríaca.
    E lendo artigos antigos, dá para saber que apenas o IMB antecipou-se do que aconteceria com a implementação dessas ideias keynesianas, e com a crise veio a procura por pensamentos alternativos, logo grande parte do povo mobilizou de um pensamento para outro. Mas isso tudo tem uma consequência, a pobreza e a miséria. Portanto, quando alcançarmos o padrão de vida venezuelano, pode-se obter grandes chances de implementar o livre mercado de uma vez. Eu acho que é a única solução para o Brasil.
  • Lucas  21/07/2017 17:17
    "6 - Reforma política: extinguir 90% dos cargos políticos com respectivos cargos de assessoria e demais equivalentes. Isso sim é reforma política;"
    Acho que essa reforma talvez seja a mais difícil de se fazer, os políticos não iriam excluir os cargos que eles possuem. É mais fácil fazer todas as outras reformas do que essa.
  • patricio  24/07/2017 14:28
    Como vai privatizar isto tudo? Na privatização da Vale e outras 'super' empresas tiveram que dar crédito subsidiado do BNDES e organizar os compradores. No final, parou tudo na mão de fundos de pensões, que, nada mais são do que governo com outro nome.
  • Malthus  24/07/2017 15:31
  • Rui  21/07/2017 15:27
    Uma constatação: nenhum cidadão comum é beneficiado pelo Estado. Só se beneficiam os que estão dentro dele e os que são premiados por ele (como empreiteiras e grandes frigoríficos)

    O resto são só inutilidades.

    Citem um serviço efetivamente útil que o estatismo entrega. Se encontrar, diga por que a iniciativa privada não pode prestá-lo. Se disser que não pode, diga por que então o Estado não reduz a tributação das empresas que queiram prestar esses serviços que você considerar úteis (já que são úteis, quanto mais setores prestando, e em regime de concorrência, melhor.)
  • Maurício  21/07/2017 15:31
    Não se enganem. Há uma grande fatia da população que vibra com estes aumentos de impostos, pois sabem que eles permitirão futuros concursos públicos e mais inchaço do funcionalismo, que é o sonho de todo o brasileiro. Principalmente em época de recessão e desemprego alto.
  • Bruno Vivas  21/07/2017 15:32
    Como já comentei em outro artigo, estive em Brasília no Carnaval e fiz uma visita guiada ao Congresso. Obtive a informação de que apenas lá trabalhavam 8 MIL SERVIDORES! É insustentável.
  • ARnaldo  21/07/2017 17:38
    você viu a manguera entrar?
  • ARnaldo  21/07/2017 17:38
    O meirelles parece um ET nessa foto.
  • Almeida  21/07/2017 15:37
    E sempre lembrando que quando o governo alardeia um "corte de gastos", na verdade o que ele está fazendo é reduzir o ritmo do aumento dos gastos previstos.

    Nenhum governo brasileiro gasta num ano menos do que ele gastou no ano anterior. O gasto sempre aumenta, ano após ano. O que muda é o ritmo deste aumento. Quando o ritmo é desacelerado, isso vira "corte de gastos".

    Por exemplo, esse "contingenciamento" anunciado pelo governo nada mais é do que isso: o governo inicialmente previu gastar $110, mas agora irá gastar $ 109,50. Sendo que no ano passado gastou $ 100.

    E isso é anunciado como corte de gastos!
  • Thales  21/07/2017 15:39
    Sem contar que o estado é dono de vários terrenos, pra que? Por que não vender isso? Como sei que nada vai mudar, é melhor deixar essa bodega quebrar de uma vez.
  • Patrulha Anti-Petista  21/07/2017 15:45
    Nesse cenário estatista, o problema maior sempre foi a conta única.

    As pessoas pagam IPVA, mas falta dinheiro para asfalto. Pagam imposto sobre a energia, depois falta dinheiro para energia. Pagam taxa para tirar passaporte, depois eles não tem dinheiro para fabricar passaportes. Pagam imposto sobre a água, depois não tem dinheiro para tratar esgoto e água. Pagamos taxas de embarque nos aeroportos, depois não tem dinheiro para aeroporto. Descontam aposentadoria do trabalhador, depois não tem dinheiro para pagar aposentadoria. Cobram IPTU, depois não tem dinheiro para aterro sanitário.

    Enfim, misturar o dinheiro de todas as coisas também é uma tática dos socialistas para implodir o sistema. Tudo vai ter problema e nada vai funcionar.
  • Capitalista Keynes  21/07/2017 15:48
    Cara hoje os postos aqui na minha cidade já estão com gasolina a R$ 4,17...estava 3,74.

    O governo espera arrecadar 10 bilhões com esse aumento.

    Só que as emendas parlamentares pra salvar o Temer no Congresso passam de 15 bilhões....15 bilhões.

  • Guedes  22/07/2017 20:42
    O arrecadamento para o Estado nunca é o suficiente.
  • Thiago R. V.   21/07/2017 15:49
    O Estado precisa superar a ideia de impostos, os quais são retirados sem qualquer prestação direta estatal em favor da pessoa. Nesse sentido, realmente, a doutrina jurídica minoritária está correta ao afirmar que contribuições são impostos.

    Não há uma contraprestação estatal para a pessoa, ela paga por usar um serviço no qual o Estado exige um "pedaço" apenas por ser Estado: é uma transação financeira, entre particulares, mas o Estado usa de força coercitiva para obter uma porção dos valores para si.

    Eu costumo sempre fazer a provocação: se o Estado é realmente o melhor arranjo social, qual o medo dele em eliminar os impostos e somente cobrar por serviços efetivamente prestados para as pessoas, dentro de um regime de concorrência com a iniciativa privada?

    Ora, se o Estado é realmente bom, é óbvio que seu serviço de segurança será melhor do que o serviço de segurança privado; que seu serviço de saúde será melhor prestado do que o da iniciativa privada; seu serviço de educação será melhor do que o da iniciativa privada, e assim sucessivamente: solução de conflitos, etc.

    Dizer que "tem que ser o Estado prestando tais serviços, do contrário não seria possível" é uma afirmação vaga demais.

    O que eu vejo é uma ausência de reflexões das pessoas sobre esses temas.

    Não se pode, p.ex., proteger uma empresa de refrigerante sob o argumento de que permitir que outras forneçam o mesmo produto "não daria certo": ora, se não der certo é evidente que a concorrente irá "fechar as portas", quebrar e vida que segue!

    Não faz sentido nenhum, em minha visão sobre um sistema da qualidade de vida para as pessoas, dizer-se que somente o Estado pode prestar serviços de solução de conflitos para todas as causas. Dirão: "empresas de solução de conflitos decidirão de forma corrupta." Não faz sentido. Se a empresa decidir de forma corrupta todos irão notar que o Estado é o único que presta o melhor serviço de solução de conflitos e ninguém irá contratar uma empresa privada para esse serviço.

    Os ocupantes do Estado não possuem o conhecimento necessário para implantar essas reformas:

    Quantos mais setores diversos de empreendimento uma sociedade tiver, sempre, eu repito, sempre essa sociedade terá mais opções para encontrar os produtos e serviços que precisa para o cotidiano.

    Elevar impostos em vez de reformar o sistema, permitindo ingresso de empresas privadas nos serviços atualmente prestados pelo Estado é uma agressão brutal à sociedade. Se o Estado não tem dinheiro, permita que o capital privado, em regime de livre concorrência, preste os mesmos serviços: será um serviço a mais, um empreendimento a mais na sociedade.

    Deixai fazer, deixai ir, deixai passar! Pois, tendo liberdade, nenhuma atividade mal prestada se manterá.
  • Ex Machina  21/07/2017 15:51
    Funcionários públicos do executivo foram beneficiados por aumentos substantivos. Membros do judiciário -- que já recebem salários e penduricalhos nababescos -- aumentaram ainda seus benefícios. Deputados foram agraciados com a liberação de emendas parlamentares mais generosas.

    E quem paga a conta de tudo é o setor produtivo da sociedade, aquele que corre riscos, gera empregos, cria riqueza e bem-estar para todos e, em troca, tem 40% de sua renda confiscada.
  • Richard Stallman  21/07/2017 15:58
    No fundo cada vez mais acredito que a raiz do problema é a forma como o dinheiro é criado e posto em circulação.
    O governo deveria quitar a divida publica em 4 anos, e ser proibido de emprestar ou pedir emprestado dinheiro, para de emitir títulos de dívida pública ou qualquer coisa que pague juros pois governo não é instituição financeira. Funcionários públicos serão trabalhadores voluntários.
    O dinheiro dever ser posto em circulação através de uma renda básica universal, que será criada com base em um dinheiro livre de juros, seguindo uma formula arbitraria e pétrea como (número da população atual x jornada de trabalho x salário base), sera dado a todo cidadão o direito de criar sua própria moeda desde que tenha 80% de dinheiro estatal como lastro. O estado não vai regular juros, pois será regulo pela regra: procura por empréstimos vs nível de poupança.
    O estado vai substituir a meta de inflação pela meta de deflação.
  • Luiz Moran  21/07/2017 16:21
    Estou convencido de que mais cedo ou mais tarde o Brasil sofrerá um golpe comunista e se enterrará de vez na sua própria cova, cavada insistentemente por seus lideres criminosos com a ajuda de um povo fútil e passível.
  • Andre  21/07/2017 16:44
    Melhor coisa que pode acontecer, tal ruptura democrática abre caminho para secessões de alguns estados.
  • anônimo  22/07/2017 05:29
    Andre, isso seria bom apenas se a população estivesse armada, coisa que não está.
  • John Maynard Keynes  21/07/2017 17:48
    É por este tipo de coisa que eu fui contra o impeachment da Dilma. O estamento burocrático governamental estava em franco processo de deterioração, e a lava-jato assombrando nossas "vossas excrescências". Não quero ver "acordão", quero ver os 3 poderes se degladiando.
  • Tannhauser  21/07/2017 16:43
    Leandro,

    dado que é proibido pela Constituição a redução nominal da maioria dos gastos públicos, não seria melhor para a economia real que o governo pagasse uma boa parte da dívida via impressão de moeda (sem emissão de títulos)?

    Consequências:

    1) queda da dívida pública federal;
    2) aumento nominal da receita para os governos de todas as esferas;
    3) redução real do salário mínimo tabelado pelo governo;
    4) redução real do salário dos funcionários públicos;
    5) redução real do gasto com a previdência social.

    Será que os pontos positivos não superariam os pontos negativos, quando comparado a um aumento de impostos?

    Grato desde já.

  • John Maynard Keynes  21/07/2017 17:24
    E dá-lhe concurso para cargos cuja função é prejudicar ainda mais o setor produtivo da sociedade.
  • Rennan Alves  21/07/2017 17:25
    Falando em gastos, já viram o novo "relatório" da CPI da previdência?

    [link]portal.andes.org.br/imprensa/noticias/imp-ult-733587212.pdf][/link]
  • Joaquim Saad  21/07/2017 18:07
    Close perfeito dos microfones vermelhos na frente dos olhos, que ficaram parecendo os de um viciado (no caso, em dinheiro alheio) !
  • anônimo  22/07/2017 03:21
    Essa imagem ficou demais mesmo.
  • John Maynard Keynes  23/07/2017 13:29
    Eu achei mais parecido com o exterminador do futuro, interpretado pelo Arnold Schwarzenneger no primeiro filme Terminator, no final, quando o disfarce de humano já foi detonado.
  • Esron  21/07/2017 18:36
    Que bom que o autor trouxe o artigo justamente agora que o governo resolveu aumentar pis e cofins, tributos que incidem diretamente no preço dos combustiveis. Acordei hoje com a gasolina custando R$3,74 ante R$2,99 de ontem. Agora que o preço estava voltando ao seu nível normal, o governo vai lá e senta a bunda em cima.
  • tales  21/07/2017 18:55
    Políticos são tão dissociados da realidade que, para comprar apoio para continuar no poder, gasta 15 bilhões, que, na mais gentil das hipoteses, beneficiará algumas pessoas, pra atrapalhar vida de TODAS as pessoas aumentando impostos para cobrir esses gastos.
    Aí vai o sujeito com a maior cara de pau do universo e diz que estes são aumentos necessários para atingir a meta fiscal, só não dizem que essa mesma meta foi arruinada por eles mesmos 15 dias antes.
    Cagada atrás de cagada, e quem se fode é o povo, que por sua vez, clama sempre por MAIS estado.
    O horror, o horror.
  • Futuro emigrante  21/07/2017 19:38
    Esqueci de parabenizar o mito Bira e Leandro 'Rock' por mais um excelente artigo. Fica o registro.
  • Paulo Henrique  21/07/2017 19:55
    Estamos entrando no pior tipo de recessão(ou depressão já), aquela com gastos do governo elevado e aumento de impostos.

    Ai não tem que me salva meu amigo. Se a economia voltar a crescer vai ser por ter chegado no fundo do poço e a pá de cavar ter quebrado.. Algo como um pibinho de 0,algumacoisa ou 1-2% sendo muito otimista.

    Só não ta pior porque a inflação entrou em controle - para os padrões Brasileiros diga-se.


    Temer não conseguiu cortar gastos, e isso me preocupa muito, pois ele já era um governo que não estava se preocupando muito com aprovação popular e medidas ''impopulares''

    O próximo vai ter uma preocupação maior com isso, e também, vai ter de ter apoio do congresso para fazer reformas que serão verdadeiros ''pepinos'' como a previdenciária, que seria um desafio até para os austríacos;

    Essa ''calmaria'' atual não me engana muito não. O problema fiscal ainda está muito sério. E também, a lei do teto de gastos existe no PAPEL, mas nada garante que em um cenário de descontrole fiscal ela seria seguida.

    Pior ainda, se entrar um candidato alinhado a heterodoxia econômica não descarto ele corrigir isso via inflação monetária, ai a gente vai ter a nossa - sem saudades - inflação elevada.
  • Paulo Henrique  21/07/2017 20:09
    Se essa lei de Parkinson estiver certa, é uma refutação cabal do estado mínimo ou limitado. Mesmo que você trave os impostos em 5% ou menos, as receitas do governo cresceriam, consequentemente, os gastos, e com mais gastos, mais burocratas, com mais burocratas, mais leis e regulamentações, com mais leis e regulamentações, começamos o processo de expansionismo estatal. E não sabemos onde isso vai parar

    A única coisa que reverteria isso seria um corte de gastos e impostos. Só que a lei continuaria valida, e voltaríamos ao mesmo processo de expansão..

  • Mr Citan  21/07/2017 20:12
    Ao ver esta foto do Meirelles, me fez lembrar o Darkseid, maior vilão da DC, no qual faz uso do Raio Omega, que sai dos olhos e vai para quaisquer direções, no qual vaporiza quem é atingido.
    Usando isto como analogia, dá para entender o que será feita na economia da república bananense.
  • Pobre Paulista  21/07/2017 22:55
    [OFF]

    Menina britânica de 5 anos e pai levam multa de R$ 600 por vender limonada
    - Barraquinha feria regulamentos municipais em Londres; garotinha chorou durante a abordagem dos fiscais.
  • Historiador da UNICAMP  21/07/2017 23:26
    Trabalho infantil. Os fiscais agiram de forma correta, respeitando o Estatuto da Criança e do Adolescente.

    Não podemos, como sociedade, estimular novos capitalistas. #ONU
  • anônimo  22/07/2017 01:20
    Muito triste o que está acontecendo com nosso país.
  • Katana  22/07/2017 05:30
    Qual solução seria dada pelo instituto para nós ?
  • Heraldo  22/07/2017 13:38
    De maneira mais prática? Aqui:

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=2352


    De maneira um pouco mais radical, porém plenamente factível? Aqui:

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=2341
    www.mises.org.br/Article.aspx?id=1692
    www.mises.org.br/Article.aspx?id=2597
    www.mises.org.br/Article.aspx?id=2184


    De maneira completa e bem humorada? Aqui:

    www.mises.org.br/BlogPost.aspx?id=285
  • Amarílio Adolfo da Silva de Souza  22/07/2017 09:23
    O Brasil é o país mais burocrático do mundo.
  • Amarílio Adolfo da Silva de Souza  22/07/2017 09:24
    O Brasil deve simplificar-se sem alterar direitos.
  • Pessimildo  22/07/2017 17:24
    Acho que as pessoas ainda não perceberam a gravidade da situação.

    Nossas reservas internacionais estão concentradas no tesouro americano.

    O tesouro americano virou refém de países de esquerda.

    Tudo foi minimamente calculado pela esquerda, para lotar o tesouro americano de dinheiro, aumentar o welfare state, deixar os bancos fazerem a farra nos juros do fed, aumentar gastos militares, aumentar gastos com meio ambiente, criar Obamacare, financiar estudantes que não estudam, financiar alavancagem imobiliária, etc.

    Tudo feito supostamente contra a deflação , redução no crescimento e justiça social. Foi uma fraude impressionate.

    Se o Brasil está ruim, podemos multiplicar isso por 10 no caso americano. Como eles conseguem dinheiro muito mais fácil do que o Brasil, os juros baixos viraram nitroglicerina pura. Foi uma gastança geral do governo americano.

    O impacto do fim do dólar precisa ser incluído nas previsões.
  • Nordestino Arretado  22/07/2017 19:58
    Deveriam escrever um artigo sobre o soviético mercado de combustíveis brasileiro, para compartilharmos nas redes sociais. R$ 4,20 num litro de gasolina misturada com álcool é um atentado à vida e a dignidade das pessoas. Tenho dó que não tem carro flex, a podium deve estar custando uns 5 reais.
  • Lucas  22/07/2017 20:21
  • anônimo  23/07/2017 05:20
    Dane-se o "ajuste fiscal" !
    Eu quero andar de tanque, filha da puta !!
  • Bode  23/07/2017 13:27
    O governo, ao aumentar tarifa de imposto que não necessita de aprovação do Congresso, não quis prejudicar a economia. O objetivo é meramente político. É um recado direto a deputados e senadores, para que se empenhem na reforma previdenciária, caso contrário os impopulares impostos estarão na pauta de votação, inevitavelmente.
  • Kant  23/07/2017 14:20
    É difícil ficar debatendo ajuste fiscal e intervenções, sem entender a dialética história do pensamento humano na tese de Kant. Estaremos sempre limitados ao medo, pânico e anseios das pessoas.

    A dialética história do pensamento elaborada por Kant, nos permite entender como as pessoas decidem e escolhem as coisas. Por exemplo, antes de entrar numa piscina, pensamos se a água vai estar quente ou fria. Ao beber um liquido que está saindo fumaça, pensamos se iremos queimar a boca, ou se a bebida vai nos aquecer. Ao investir em um negócio, fazemos comparações conservadoras sobre o risco para nos preservar.

    A dialética foi manipulada pela esquerda, limitando o espectro político entre esquerda e extrema esquerda, criando medo sobre tudo que não seja pró-socialismo. Os comunistas transformaram sociais democratas em direitistas neoliberais.

    A liberdade funcionou em muitos países, pois não havia uma doutrinação que limitava os espectros do pensamento. Como as pessoas sempre viveram em um ambiente de debate livre, os medos foram reduzidos. As pessoas não tinham medo da liberdade, pois elas mesmas já vivam com bastante independência.

    Quando as pessoas não conhecem a liberdade, isso faz com que a escolha seja entre um mundo desconhecido e um que já faz parte do cotidiano.

    Como o pensamento humano é conservador e também possui o objetivo de autopreservação, a esquerda fez de tudo para criar pânico, medo e psicopatias contra a liberdade.
  • enquanto isso, a reforma trabalhista  23/07/2017 23:59
    O artigo 223-G da reforma trabalhista aprovada, fixa 3 níveis de indenização para diferentes graus de prejuízos morais e físicos decorrentes do exercício profissional. O teto da indenização é de 50 vezes o último salário contratual, proibindo que haja acumulação de valores.

    Para ficar claro, imaginemos um cenário:

    Uma empresa que trabalha com equipamentos químicos está orçando um novo sistema de prevenção de acidentes que potencialmente irá diminuir acidentes graves. O trabalhador que atua neste setor da empresa, recebe R$1.000,00. Já o sistema custará a empresa, R$500.000,00.
    Toda empresa tem como objetivo o lucro, é da natureza de um empreendimento. Neste cenário, a indenização mais alta paga pela empresa em caso de negligência no acidente é de R$ 50.000,00. Portanto a conta é simples. Para o sistema de segurança prevenir dano financeiro para a empresa, seriam necessários que mais de 10 funcionários deste setor se acidentassem e recebessem o valor máximo estipulado. Se o acidentado receber o valor mínimo de 5 vezes o salário, a conta sobe para 100 trabalhadores acidentados antes que a empresa tenha prejuízo.

    Esses números podem variar, claro, dependendo de outros valores recorrentes de encargos trabalhistas e da faixa salarial, porém será muito facilmente precificável o valor da negligência da empresa. Com a flexibilização das regras de contratação de terceirizados e pessoas sem vínculo trabalhista com a empresa, temos ainda a facilidade desta mão de obra ser recontratada de forma barata para suprir o tempo de recuperação do acidentado. É um cálculo de risco que coloca uma tabela de preço em pessoas mutiladas e/ou adoecidas, como um risco calculado para o empresário.

    Se você fosse dono de uma empresa neste cenário e estivesse sendo afetado pela crise econômica, com o que mais se preocuparia? A integridade física do operário ou a sustentação financeira do seu negócio?

    Em resumo: Este artigo põe preço na saúde e quem decide sobre ela, não o afetado.
  • O Realista  24/07/2017 13:05
    Eu, se eu fosse o empregador, escolheria exatamente aquilo que me fosse menos custoso. Não sou instituição de caridade. Tenho família e filhos para sustentar. Se, além disso, também for coagido a bancar o bem-estar de terceiros, então vou fechar meu empreendimento e viver de renda. Parece ser exatamente isso o que a esquerda quer.

    Eis uma aulinha básica de economia para aqueles que acham que a realidade é moldável a seus sonhos:

    1) Quer direitos e privilégios trabalhistas a rodo? Beleza. Mas isso é caro. A consequência inevitável será salários baixos e desemprego alto.

    2) Quer salários altos e desemprego baixo? Ok. Mas aí você tem de desonerar o empregador. Logo, privilégios e direitos trabalhistas terão de ser reduzidos ao mínimo.

    Querer os privilégios do primeiro com as benesses do segundo é demanda típica de ignaros econômicos. Tanto é que nenhum país do mundo jamais conseguiu mesclar essas duas coisas.

    Nem mesmo os escandinavos, que possuem um mercado de trabalho altamente desregulado.
  • saoPaulo  24/07/2017 13:29
    É um cálculo de risco que coloca uma tabela de preço em pessoas mutiladas e/ou adoecidas, como um risco calculado para o empresário.
    Sim, da mesma forma que montadoras comparam os custos de um recall com os benefícios de não serem processadas por acidentes (procure por "The Pinto Memo").
    O que você está realmente defendendo aqui? Que se proíba empregos onde o risco de acidente seja maior que zero? Quantos empregos você acha que restariam?
    O que não pode acontecer, e a justiça deveria punir estes empregadores, é que eles mintam para o empregado sobre o risco de ele sofrer um acidente. No mais, a decisão deveria ficar entre empregado e empregador.
  • Andre  24/07/2017 14:38
    Comentário muito elucidativo, parabéns.
  • Libertário do Bolha  24/07/2017 01:11
    Vendo uma reportagem agora a noite sobre o falecimento de uma criança em um Hotel, por culpa do ralo da piscina infantil estar aberto, fiquei com uma dúvida:

    Não havendo estado, nem leis que obriguem hotéis a instalar algum sistema de proteção para esse tipo de problema, quem seria responsabizado pela morte da criança?

    Ou não haveriam outros responsaveis, além dos pais, nem necessidade de reparação?
  • Souza  24/07/2017 12:59
    O proprietário do estabelecimento, que não cumpriu o contrato de entregar serviços seguros e confiáveis.

    Sério, não há absolutamente nenhum mistério nisso.
  • Um observador  24/07/2017 13:17
    Ausência de Estado não significa necessariamente ausência de leis ou regras.

    Uma sociedade sem estado muito provavelmente seria constituída de diversas cidades privadas independentes, algo como mega condomínios, com suas próprias regras (com as quais os moradores concordaram, via contrato, quando resolveram morar por lá). Em alguma dessas cidades talvez existisse alguma regra com exigências para sistemas de proteção da piscina - e nesse caso o hotel seria responsabilizado.

    Ou talvez o hotel poderia ter sido certificado por uma empresa certificadora privada, que teria atestado a segurança do hotel. Nesse caso, talvez seria possível responsabilizar a empresa certificadora (que por sua vez, responsabilizaria o hotel). Afinal, os pais confiaram na selo de qualidade da empresa certificadora.

    Mas, caso não se trate dos casos acima, ou situações análogas, a responsabilidade seria mesmo dos pais.
  • Pobre Paulista  24/07/2017 13:57
    Opa,

    Pra mim é 50%/50%. Os pais são responsáveis pelos seus filhos até eles se tornarem adultos.

    Mas, numa sociedade sem estado, quais seriam as consequências disso? Não haveriam investigações, processos nem prisões compulsórias. A única consequência prática seria o hotel queimar seu nome no mercado e reformar sua piscina para que isso nunca mais ocorra.
  • Ze da Moita  24/07/2017 12:19
    quando se tem 35 partidos, é difícil pensar em corte de cargos, pq o presidente se quiser se manter vai precisar prostituir cargos em estatais entre os partidos da base aliada; se reduzisse para 3 partidos e tivesse cláusula de barreira já teriamos um cenário viável para o corte de ministérios
  • Felipe R  24/07/2017 16:56
    "A extinção dos super-salários dos sultões do setor público já seria um bom começo. A abolição do BNDES e a devolução do dinheiro a ele emprestado pelo Tesouro também fariam muito pela causa. Os 39 ministérios deixados por Dilma, que custavam mais de R$ 400 bilhões por ano e empregavam 113 mil apadrinhados, e cujos salários consomem R$ 214 bilhões, também são um alvo apetitoso. Não basta apenas fundir um ao outro, e transformar alguns em secretárias. Tem de fechar.

    Alguém se habilita?"


    Challenge accepted
  • Paulo Soares  25/07/2017 13:41
    "Quando economistas, com base na impossibilidade política e legal de cortar profundamente os gastos públicos, afirmam que "algum aumento de tributos" é necessário, eles estão agindo não como economistas no sentido expressado por Hayek em seu discurso do Prêmio Nobel, MAS COMO MEROS CONTADORES: o equilíbrio fiscal deve ser alcançado a qualquer preço, mesmo que esse ônus recaia sobre os pagadores de tributos"

    Muito esclarecedor este artigo, pois esclarece àqueles que ainda não possuem uma visão crítica da ação do Estado os problemas desta. No entanto, acho "precipitado (para não dizer imprudente) essa visão acerca do ponto de vista contábil na economia, sobretudo no que diz respeito aos contadores em geral.

    Digo isso porque eu, contador, não concordo de forma alguma que um aumento nos tributos contribua com uma diminuição no déficit público, tampouco com um aumento na arrecadação. E isto se deve a um princípio básico não só contábil, mas humano, lógico: O princípio da PRUDÊNCIA. Um aumento nas alíquotas de impostos não se consolidará, necessariamente, num aumento na arrecadação. Até porque isto, inclusive elucidado no artigo, asfixiaria o mercado, e o resultado disto seria: a) inadimplência; e b) redução no consumo.

    Ao passo que uma diminuição dos gastos é deveras prudente, pois isto seria resultado de uma análise de prioridades e necessidades, na qual seriam excluídos gastos desnecessários e/ou pouco relevantes. Além do fato de se ter um controle maior sobre os gastos (embora não tenhamos controle sobre variáveis inflacionárias) do que sobre as receitas (que PODEM vir a ser realizadas - não necessariamente).

    Por resumo, o controle de gastos é salutar por natureza, e o aumento de percentuais sobre determinada "receita" aumenta apenas a perspectiva de aumento na receita, que por sua vez trará diversas reações numa visão macroeconômica caso concretizada. Um aumento no erário significa, em qualquer ponto de vista ético, uma diminuição da poupança do setor privado e, por conseguinte, do indivíduo.

    Portanto, parabenizo os editores, o artigo está excelente! No entanto, faço essa observação quanto ao papel da contabilidade e dos respectivos profissionais da área, pois o texto enfatiza em alguns pontos, ao meu ver, certo menosprezo com relação a eles.

    Acreditem: somos, hoje, extremamente importantes na disseminação da necessidade da busca pela liberdade econômica e individual no nosso cotidiano!
  • Leandro  25/07/2017 14:08
    Prezado Paulo, obrigado pelo comentário. Ele foi extremamente importante, pois irá me permitir esclarecer alguns conceitos e até mesmo fazer uma confissão pessoa.

    Eu me formei em economia, mas considero contabilidade uma disciplina mais importante. Contabilidade é uma área crucial. Um contador é infinitamente mais importante do que um economista. Aliás, economista que não entende o básico da contabilidade não entende como funciona o sistema bancário e nem as decisões de investimento de uma empresa.

    O fato de que os cursos de economia negligenciam a contabilidade é um bom indicador do abismo técnico em que se encontra essa disciplina.

    Eu mesmo me arrependo de ter perdido meu tempo com economia em universidade (não se aprende nada de útil ali). Deveria ter feito contabilidade.

    Dito isso, o trecho do artigo que você destacou em momento algum teve o intuito de desmerecer a figura do contador (e nem faria sentido, dado que, como eu próprio confessei acima, contabilidade é mais importante do que economia).

    A intenção do trecho foi meramente a de ressaltar um fato básico: um contador se preocupa -- e assim tem de ser -- apenas com os números de seu livro-razão, e não com os fatores humanos por trás daqueles números. Não faz sentido um contador, ao analisar as contas de uma empresa, ser tomado por emoções e afetos. Isso não é função dele.

    Sua função é apenas analisar os números e, caso não estejam fechando, sugerir medidas para reequilibrá-los (aumentar receitas, cortar gastos, uma mescla de ambos). Não é obrigação do contador escolher qual medida realmente será implantada: demissão de funcionários, redução de investimentos, aumento dos preços dos produtos vendidos etc. Isso é função da gerência e da administração.

    Já um economista não pode ser assim em relação às contas do governo. Se as contas não fecham, ele tem a obrigação de saber as consequências econômicas de cada uma das medidas eventualmente implantadas para reequilibrar as contas do governo. Isso é algo que jamais pode ser negligenciado pelo economista.

    Já um contador não tem essa obrigação perante o livro-razão de uma empresa. Sua função (de crucial importância) é mostrar onde estão os desequilíbrios. Como corrigi-los na prática será obrigação da administração.

    Este, em suma, foi o raciocínio implícito naquele parágrafo.

    Em tempo, recomendo este artigo que mostra, na prática, como a contabilidade explica um fenômeno que vários economistas não conseguem explicar:

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=1918


    Obrigado pelas palavras e grande abraço!
  • Paulo Soares  25/07/2017 15:29
    Agradeço pelo esclarecimento. Bom, conforme eu já havia dito, não quis desmerecer, apenas fiz uma crítica construtiva. E você, como todos os colaboradores do site, acaba de provar porque este é o melhor site de economia hoje ao qual temos acesso.

    Obrigado pela atenção, pela humildade, pela cordialidade e, principalmente, pela paciência! Venho aprendendo muito com o site desde o início de 2015, e os artigos estão cada vez mais esclarecedores!

    Um forte abraço e sucesso!
  • Gustavo S  05/08/2017 02:15
    Olá Leandro,

    Qual seria o seu contra-argumento para aqueles que alegam que um país pode ser gerenciado da mesma maneira que se gerencia uma empresa? Se estiver já exposto no texto favor elucidar e aprofundar.

    Pergunto isso pq me parece que de certa maneira essa lógica até faz sentido. Quando se faz corte de gastos numa empresa o efeito é um tanto similar, não concorda? Muitas vezes esse "corte de gastos" pode significar demissões e aumento de carga produtiva em cima dos colaboradores que ficam, afetando diretamente a vida dessas pessoas.

    Porque a frieza do governo é totalmente inválida enquanto a frieza do contador privado não se submete ao mesmo julgamento moral?

    Entendo que a falta desse esclarecimento é o que leva muitas pessoas a enxergar governos e países como sendo "empresas" que podem ser gerenciadas.


    Sem mais, parabéns pra vc e pro prof. Ubiratan pelo trabalho.
  • Leandro  05/08/2017 14:09
    "Qual seria o seu contra-argumento para aqueles que alegam que um país pode ser gerenciado da mesma maneira que se gerencia uma empresa?"

    Não existe isso. Esse é um dos maiores mitos que já inventaram, o qual é gostosamente repetido por políticos espertalhões que sabem como iludir os incautos. "Vou gerir o governo como se fosse uma empresa" -- isso é absolutamente impossível.

    Mises escreveu um livro inteiro (intitulado Burocracia) explicando por que isso é impossível (por mais genuinamente competente e bem intencionado que seja o político).

    Dizer que o governo poderia simplesmente mandar burocratas agirem como se estivessem em uma empresa em busca de lucros, e que operassem da mesma maneira que uma empresa privada, revela ignorância de princípios básicos de economia e do funcionamento do governo.

    Primeiro, é impossível brincar de empresa. Empreender significa arriscar o próprio dinheiro em um investimento. Burocratas e políticos não têm incentivos reais em desenvolver habilidades empreendedoriais, em se ajustar de fato às demandas do consumidor. Eles não arriscam a perda do próprio dinheiro no empreendimento.

    Segundo, fora a questão dos incentivos, mesmo os mais ávidos administradores estatais não poderiam operar como se fossem empreendedores privados. Independente do tratamento concedido ao empreendimento após ele já ter se estabelecido, tudo é feito com dinheiro de impostos -- portanto, por meio da taxação coerciva. Esse empreendimento estatal já nasceu com um grave defeito "enraizado" em seus órgãos vitais. Ademais, quaisquer gastos futuros poderão ser feitos utilizando-se de receitas tributárias, o que faz com que as decisões dos administradores estejam sujeitas aos mesmos vícios. A facilidade de se obter dinheiro irá inevitavelmente distorcer as operações.

    Esqueça essa ideia de "governo imitar empresa privada". Isso é absolutamente impossível.

    "Pergunto isso pq me parece que de certa maneira essa lógica até faz sentido".

    Só que não há lógica e nem muito menos sentido.

    "Quando se faz corte de gastos numa empresa o efeito é um tanto similar, não concorda?"

    De maneira nenhuma.

    Empresa trabalha com recursos próprios. Tudo o que ela deixa de gastar pode ser poupado e reinvestido mais tarde em sua expansão e na contratação de mão-de-obra. Ademais, cortes de gastos por uma empresa afetam apenas ela própria. Eventuais demissões podem ser prontamente absorvidas por outras empresas concorrentes.

    Já o governo não trabalha com recursos próprios. Se ele corta gastos ele simplesmente está reduzindo sua asfixia sobre a economia. Ao cortar gastos, ele está ajudando a economia. Igualmente, se ele demite funcionários públicos, ele reduz o fardo sobre o setor produtivo e obriga esses ex-burocratas a agora irem fazer algo de útil e produtivo.

    Quando empresa corta gastos, ela perde fatia de mercado e apenas ela se estrepa. Quando o governo corta gastos, todo o setor produtivo é aliviado.

    Nada pode ser mais diferente.

    "Muitas vezes esse "corte de gastos" pode significar demissões e aumento de carga produtiva em cima dos colaboradores que ficam, afetando diretamente a vida dessas pessoas."

    Para uma empresa? Concordo, e pelos motivos explicados acima.

    Para o governo? Discordo, e pelos motivos explicados acima. (Mesmo porque absolutamente nenhum funcionário público é afetado por corte de gastos. Eles não são demitidos, não têm salários reduzidos e nem muito menos têm suas horas de trabalho aumentadas).

    "Porque a frieza do governo é totalmente inválida enquanto a frieza do contador privado não se submete ao mesmo julgamento moral?"

    Tentei, mas não entendi absolutamente nada desta frase.

    "Entendo que a falta desse esclarecimento é o que leva muitas pessoas a enxergar governos e países como sendo "empresas" que podem ser gerenciadas."

    Espero que, agora, pelo menos quem leu isso já não cometa este erro trivial.

    Obrigado pelas palavras e grande abraço!
  • Pedro  26/07/2017 19:03
    Burocratas no poder, infelizmente.
  • Rodrigo Wetts  27/07/2017 11:32
    O gráfico das receitas e despesas do Tesouro está muito esclarecedor: progressão geométrica com queda súbita da linha da receita. Quando percebemos que a a receita só funciona se a despesa continuar e vice versa, torna-se temerosa esta queda. Se a receita continuar a cair, a despesa entra em colapso e a dívida da União aumentará assustadoramente. O maior brinde do gráfico foi a interrupção da publicação em 2014. Mais esclarece a mim do que esconde.
  • Emerson Luis  07/08/2017 13:25

    E quando há cortes de gastos, em geral são apenas para os serviços que atendem a população pobre (como o fornecimento de medicação), mas os 80% de gastos com infra-estrutura e burocracia estatais continuam intactos.

    Se cortassem gastos com infra-estrutura e burocracia estatais e também impostos de remédios, estes se tornariam muito mais acessíveis para a população e não seria necessário tantas instituições do Estado para ajudar os pobres, que ficariam menos pobres.

    * * *
  • Marcia Costa  21/08/2017 19:10
    Acessei essa página por imposição de uma trabalho acadêmico. Gosto do trabalho de Keynes e em minha humilde opinião, ele ainda é atual. Alguns argumentos do texto possuem lógica e verdade: "atividades que absorvem recursos e capital da sociedade"; "O governo simplesmente não possui os incentivos corretos para gastar de maneira eficaz". Entretanto, vejo nos comentários a construção de pacotes liberais que nem o maior de seus defensores que já andou por essas terras tupiniquins - Roberto Campos (o Bob Fields) - já prescreveu. Minha pergunta é: quantos de vocês que escreveram ou que escreverão nunca precisaram de um serviço público? Nunca andaram em uma rua asfaltada? Nunca pararam em um semáforo? Nunca foram a um posto de saúde para vacinação de si mesmo ou dos seus filhos? Nunca ligaram para 190 para relatar um roubo ou compareceram a uma delegacia? Nunca ajuizaram um processo? Sei que os argumentos serão: "a polícia nunca atendeu", o"o posto estava lotado e sem as vacinas", "a rua está esburacada", "o judiciário é lento", etc. Sim, todas essas afirmativas são verdadeiras e não há como refutar. Eu mesma já passei por experiências tristes quando necessitei da estrutura estatal. Porém, o que acontece é a ineficiência do gasto estatal. Os recursos não são usados para construção de um desenvolvimento econômico sustentável mas capturados (na acepção da palavra definida pela ciência política) por grupos de pressão. Nesses tempos de internet e rede sociais vemos revolucionários de direita e de esquerda que desconhecem qualquer pensamento de economia e fundamentos políticos. Não se reflete nem se analisa: apenas os interesses pessoais ou de grupos específicos movem os atores sociais. Lembro de uma conhecida alemã que me relatou como foi a transição daquele país após a Segunda Guerra Mundial. Humilhados e mais pobres do que quando iniciada a ascensão nazista, esse povo construiu um pacto silencioso de recuperação. Não houve leis nem decretos: apenas a convicção de era preciso fazer um novo começo. Abandonar paradigmas e transformar o país. Se a memória não me falha, um exemplo dessa atitude foi na cidade de Desdren. Após o armistício, as mulheres saíram dos esconderijos. A cidade estava ainda fumegante e completamente em escombros. Sem que houvesse uma ordem ou comando elas empunharam suas vassouras improvisadas e saíram a limpar a cidade. Não esperaram nenhum salvador da pátria, milagre, ministro, presidente: foram e fizeram o que era possível. E nós, brasileiros sejam cidadãos ou empresários? O que fazemos a cada crise econômica que atravessamos? Buscamos compor uma posição de equilíbrio ou estabelecemos pedaços do PIB maiores para um grupo/segmento? Economia, definitivamente, é uma ciência social....


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