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O insustentável estado de bem-estar social europeu
O longo prazo está chegando para a Europa

Angela Merkel costumava dizer que "a União Europeia representa 5% da população do globo, 25% do seu PIB, e aproximadamente 50% dos gastos mundiais com políticas de bem-estar social."

Mas os dados verdadeiros são mais preocupantes.

A União Europeia engloba:

7,2% da população mundial.

23,8% do PIB mundial.

58% dos gastos mundiais com políticas de bem-estar social.

Alguém terá de ceder.

Na União Europeia, a alíquota média de impostos que incide sobre os trabalhadores é de 44,9%.

Já a tributação total representa 41% do PIB da zona do euro. Consequentemente, um cidadão comum da UE tem de trabalhar quase metade do ano apenas para bancar seus governos.

A facilidade de se empreender continua menor (mais difícil, cara e burocrática) que a das principais economias do mundo.

A burocracia é asfixiante. A União Europeia aprova, em média, 80 diretivas, 1.200 regulações e 700 decisões por ano.

Até mesmo as principais (mais ricas) economias da UE continuam significativamente atrás das líderes em termos de liberdade econômica.

A Comissão Europeia não apenas gosta de impostos altos, como também é partidária da tributação dupla. Em específico, os chamados impostos "verdes" são a grande piada. Os consumidores pagam pelos maciços subsídios "verdes" repassados pelos governos às empresas do setor industrial, mas também pagam pelos impostos indiretos "verdes" que incidem sobre o preço final de bens de consumo emissores de gás. No final, os cidadãos da UE pagam duplamente: pelos subsídios e por serem tão insensíveis ao ponto de usarem um carro.

No que diz respeito a gastos e impostos, a padrão é sempre o mesmo. Para Bruxelas, fazer uma "harmonização fiscal e tributária" dos países-membros significa elevar impostos, regulamentações e gastos de todos os países. Na prática, o corpo burocrático exige que as outras nações da UE tentem alcançar os números da França. Bruxelas não questiona a asfixia econômica que ocorre na França ou em outros países. Ela exige que as outras nações alcancem a média de impostos, regulações e gastos que a França, sozinha, eleva desproporcionalmente.

Frequentemente, as recomendações da Comissão Europeia não procuram reduzir os desequilíbrios e promover a competitividade, a atração de capital e os investimentos produtivos. O que elas fazem é perpetuar um modelo dirigista copiado da França, o qual apenas gera estagnação e maior descontentamento.

Ao mesmo tempo, apesar de todo o pesado fardo tributário e de todo o confisco de riqueza, a dívida total da União Europeia chegou a 90% do PIB. Estimativas fictícias sobre evasão de impostos e os frequentes clamores para "tributar mais os ricos" — como se isso fosse a solução mágica para os déficits — serviram apenas para que os gastos governamentais continuassem crescendo despreocupadamente, levando a níveis insustentáveis o fardo do governo sobre a economia real e, consequentemente, afetando os investimentos produtivos.

Na UE, as políticas públicas são cada vez mais direcionadas a tributar os produtivos para subsidiar os improdutivos.

O uso de estimativas irrealistas de receitas tributárias (estimativas essas feitas por políticos que sempre estão errados) para financiar aumentos reais de gastos (os quais consistentemente ficam acima do inicialmente previsto) fez com que a UE fracassasse em todas as promessas de redução da dívida.

Os custos da hiper-regulação e dos impostos excessivos sobre os investimentos, a criação de emprego e a inovação são evidentes. A União Europeia tem uma taxa de desemprego que é praticamente o dobro da dos outros países desenvolvidos, e a tributação afeta severamente o crescimento das pequenas e médias empresas: a proporção de desenvolvimento das pequenas e médias empresas em relação às grandes é metade da dos EUA.

A menos que os burocratas e políticos da UE mudem sua mentalidade em relação a este modelo — que se sustenta majoritariamente por meio de uma maciça tributação e de uma volumosa burocracia — e passem a adotar políticas voltadas ao corte de impostos e de gastos, à redução da burocracia, à facilidade de se empreender, a uma maior liberdade econômica, e à atração de capital, o próprio estado assistencialista irá implodir. Custeá-lo será impossível.

Cidadãos produtivos e empresas não são um caixa eletrônico sem limites, o qual pode cuspir dinheiro infinitamente para bancar excessos políticos. A fonte sempre seca. Para o estado de bem-estar social europeu, o fim do dinheiro alheio está chegando.

O grande paradoxo é que o estado de bem-estar social europeu só poderá ser prolongado se houver mais liberdade ao empreendedorismo, aos investimentos, à criação de empregos e ao crescimento econômico. Apenas assim haverá mais riqueza para ser confiscada e, com isso, dar continuidade ao estado assistencialista. Não há social-democracia sem uma ampla liberdade econômica, como bem ensinam Suécia e Dinamarca.

No entanto, a deliciosa ironia é que tudo indica que o estado assistencialista europeu será destruído pelos mesmos que, de tanto defenderem o setor público, o tornaram insustentável.

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A social-democracia está em entrando em seu último suspiro - e será abolida pela automação


15 votos

autor

Daniel Lacalle
é Ph.D. em economia, gestor de fundos de investimentos, e autor dos livros  Escape from the Central Bank TrapLife In The Financial Markets and The Energy World Is Flat.


  • Ninguem Apenas  17/07/2017 15:32
    Leandro,

    foi um erro a Estonia ter entrado na União Européia? eu sei que foi bom ela adotar o euro e acabar com a incerteza do arranjo monetário, mas isso significa que todas as burocracias e regulamentações passadas pela UE passam a afetar ela também ou ela consegue se safar disso tudo?

    Agora a Estonia assumiu o conselho da União Européia, isso pode significar maior austeridade ou simplesmente não significa nada?

    Por último, quando a casa cair, ela cai junto? kk
  • Leandro  17/07/2017 16:06
    Impossível mensurar. Entrando na UE, o país ganhou acesso a todos os mercados da região por estar dentro de uma união aduaneira.

    Se o país estivesse de fora da união aduaneira, as empresas exportadoras da Estônia teriam de enfrentar as tarifas de importação dos países da UE (seu principal mercado exportador), o que encareceria seus produtos e reduziria suas exportações. Estando dentro da UE, não há tarifas de importação para seus produtos, o que é ótimo para elas.

    O mesmo vale para os consumidores estonianos, que agora podem importar livremente produtos dos países da UE.

    Por outro lado, a partir do momento em que você entra na UE, você está sujeito à Tarifa Externa Comum (TEC) para todos os produtos importados de fora da UE.

    Ou seja, há uma espécie de chantagem: você entra na UE e tem acesso garantido ao mercado interno europeu, mas perde autonomia em relação aos mercados fora da UE.

    Se o livre acesso ao mercado interno europeu compensa todo o fardo regulatório da UE e a imposição da TEC, isso só o estonianos podem dizer. Não eu.
  • Ninguem Apenas  17/07/2017 21:00
    Cheguei a imaginar se a Estônia adotasse o franco suíço como moeda e se mandasse da união européia fosse o melhor, mas com o que você falou realmente não somos capazes de mensurar, além de ser algo extremamente difícil de ser feito.

    Devido a presidência do conselho nos próximos 6 meses na mão da Estônia podemos esperar uma maior racionalidade econômica ou isto nada tem a ver com o conselho?
  • Lando  22/07/2017 05:35
    Não dá para saber.
  • Sebastian  17/07/2017 15:37
    Excelente texto. Parabéns!
  • Pobre Paulista  17/07/2017 16:05
    "Na UE, as políticas públicas são cada vez mais direcionadas a tributar os produtivos para subsidiar os improdutivos."

    Não é só na UE não, é no mundo inteiro.
  • H. Yomura  17/07/2017 16:08
    Quando acabar o dinheiro quem vai tirar esses direitos? Os progressistas vão gritar que as pessoas não terão como se sustentar e vão pedir mais impostos e mais regulação como controle de preços e ai a gente sabe onde isso termina...
  • José Maria  17/07/2017 16:16
    Vão ficar com serviços públicos mequetrefes igual Portugal, pra depois ficar com serviços restritos como Grécia.
  • Without Rules  17/07/2017 20:11
    E culpar o Capitalismo por isso, pedindo tributação ainda maior para os mais produt... ops, ricos.
  • Benedito Braz  20/07/2017 12:31
    Felizmente, já há uma voz no deserto explicando que a culpa de toda a estagnação por vir não é do capitalismo.
  • Thiago  17/07/2017 16:11
    Olá, pessoal...
    Vocês podem me indicar algum artigo que apresente uma visão crítica, no âmbito da Escola Austríaca, ao possível acordo entre Mercosul e União Europeia que está em andamento?
    Agradeço muito e parabéns pelo site!
  • Thiago  17/07/2017 16:51
    Obrigado!
  • reinaldo  17/07/2017 16:19
    Bem fez o Reino Unido de pedir a saída dessa versão atualizada do Império Romano.
    Espero, para o bem da Europa como um todo, que outros países peçam a independencia desse regime totalitário e enganador que se instalou por lá.
    E bem que poderia acontecer aqui no Brasil também. Os movimentos separatistas bem que poderiam levar a cabo suas idéias.
    Seria ótimo ter 26 países competindo entre si pelos melhores e mais dedicador cidadãos.
  • Fibonacci  17/07/2017 16:21
    Países ricos demoram mais para mostrar os sintomas de falecimento da sua economia porque há mais pessoas e empresas dispostas a emprestar dinheiro para ele. E a amortização da dívida fica menos dolorosa por terem mais pessoas produtivas para tributar.
  • Mun-rá  20/07/2017 22:15
    Bem observado.
  • Humberto  17/07/2017 16:27
    Para o texto ficar perfeito, só faltou adicionar que, quando há bastante liberdade econômica, o estado de bem estar social é desnecessário. E, além disso, ele pode ser prejudicial: vide o caso da Suécia e outros países, cuja crise imigratória se dá em função da imigração em massa de pessoas querendo mamar nesse bem estar social.
  • Oswaldo  18/07/2017 20:16
    Um ponto interessante é que todo o estímulo imigratório maciço que houve foi com a intenção de fazer crescer a parcela jovem e que produz da UE. No final das contas só conseguiram mais gente para viver sustentada pelo Estado.
  • Patrulha Anti-Petismo  17/07/2017 16:29
    Se eles respeitassem o nosso próprio bem estar, já seria suficiente.

    Esse estado de bem estar está muito longe de ser uma ajuda humanitária.

    Essa fantasia está pagando lazer, filmes, copa do mundo, olimpíadas, jornalistas, artistas, cervejarias, transporte, etc.

    Esse estado de bem estar poderia ser chamado de estado organizador de festas, assaltos e falcatruas, onde milhares de pessoas estão morrendo ou tendo uma vida infernal.

    Ou seja, não tem como transformar exploração de trabalhador em bem estar social.
  • Henrique  17/07/2017 18:01
    Olá,

    com todo o respeito, vejo os liberais falando há anos que esse sistema é insustentável, tem tempo de vida contado, mas não vejo indícios de que ele esteja em decadência, muito menos indícios de que os europeus desejam mudá-lo.

    Algum liberal já tentou fazer um prognóstico sobre quanto tempo esse arranjo pode durar?


    Abraços.
  • Meirelles  17/07/2017 19:34
    "falando há anos que esse sistema é insustentável"

    E de fato é. Trata-se de contabilidade básica. É impossível gastar eternamente mais do que se arrecada. É impossível gastar crescentemente sem haver fontes crescentes de arrecadação. É impossível prometer cada vez mais benesses sem que haja um número crescente de pessoas produtivas para bancar essas benesses.

    E não há mágica capaz de revogar essa lei básica da contabilidade básica. Se alguém souber de uma -- uma só! -- gostaria muito de ouvir.

    "tem tempo de vida contado"

    Correto de novo. Pelos motivos acima.

    "mas não vejo indícios de que ele esteja em decadência"

    Não?! Já deu uma olhadinha no crescimento econômico dos países europeus, especialmente os da periferia? Já deu uma olhadinha nas taxas de desemprego? Já deu uma olhadinha nas contas previdenciárias (pesquise sobre a previdência italiana e surpreenda-se)? Já deu uma olhadinha na evolução da dívida dos governos desses países (o que faz com que qualquer aumentozinho futuro nos juros deixe os governos insolventes)? Já deu uma olhadinha nas taxas de inovação? Já comparou as economias européias com as da Ásia ou mesmo com a americana?

    Exceto Suíça (que não faz parte da UE) e Alemanha (a população mais produtiva da Europa), qual país europeu tem alguma empresa de destaque no setor mundial? Qual país europeu se destaque por suas inovações e eficiências?

    Com efeito, na Europa você sequer consegue rapidez de um garçom de restaurante.

    "muito menos indícios de que os europeus desejam mudá-lo"

    Isso não é argumento. O brasileiro também não quer mudar sua legislação trabalhista inspirada na Carta del Lavoro de Mussolini e a qual empurra os menos produtivos para a informalidade, nem quer privatizar suas estatais criadas por Getúlio Vargas e pelos militares. Muito menos quer reformar sua previdência, a qual, se continuar como está, garante que absolutamente ninguém vai se aposentar.

    Aliás, o brasileiro geme até mesmo quando o governo ameaça acabar com o Ministério da Cultura!

    Desde quando resistência a abrir mão de privilégios e boquinhas configura argumento contrário a alguma coisa?

    Políticos se elegem prometendo o impossível. E eleitores votam exatamente naqueles que prometem o impossível. Qual é exatamente seu espanto quanto a isso?

    "Algum liberal já tentou fazer um prognóstico sobre quanto tempo esse arranjo pode durar?"

    Se algum fizer isso, não o leve a sério. É impossível fazer previsões econômicas, pois a economia depende não só da ação voluntária e diária de bilhões de indivíduos, como também depende, e muito, de tentar antecipar as besteiras que políticos irão fazer no futuro.

    Mises previu, ainda em 1920, que uma economia socialista era impossível de perdurar. A URSS só viria a se esfacelar em 1989, confirmando Mises de maneira estrondosa. A teoria de Mises estava 100% correta, mas era impossível utilizá-la para qualquer timing correto.

    A própria Escola Austríaca enfatiza enormemente essa questão: na economia, é impossível qualquer tipo de previsão relacionada a tempo. Você pode, isso sim, prever o que irá acontecer. Mas jamais quando irá acontecer.

    Aliás, quase ninguém consegue acertar como estará uma partida de futebol após 90 minutos de uma simples interação entre 22 homens. Como exigir o timing exato da duração de uma social-democracia?


    P.S.: no auge da euforia do final do governo Lula, os economistas deste site já falavam -- e explicavam -- que todo o arranjo era insustentável e iria acabar mal. Foram xingados muito à época. Após Dilma assumir, eles enfatizaram de novo -- e explicaram -- que tudo ia acabar mal. Hoje, tudo o que previram aconteceu (aliás, o que aconteceu foi ainda pior do que previram). Eis um artigo que compila tudo o que foi previsto que iria acontecer com a economia brasileira. Leia, compare e comprove.
  • Kelvin  17/07/2017 20:37
    "Políticos se elegem prometendo o impossível. E eleitores votam exatamente naqueles que prometem o impossível. Qual é exatamente seu espanto quanto a isso?"
    Essa frase me lembra de Thomas Sowell: "O fato de que muitos políticos de sucesso são mentirosos, não é exclusivamente reflexo da classe política,é também um reflexo do eleitorado. Quando as pessoas querem o impossível somente os mentirosos podem satisfaze-las".

  • Vitor  18/07/2017 00:25
    Tenho alguns amigos na França que me explicaram isto há uns anos. Nas palavras deles, não demoraria pra França se tornar uma Grécia/Itália no quesito finanças públicas. Não acreditei. Mas aconteceu.
  • Joviana  18/07/2017 00:31
    Também tenho um amigo francês que disse que os idosos (mais de 60) odiaram esse novo sistema após o namoro inicial. Depressão é o sintoma mais leve, mas a amargura de ser inútil é o que domina as conversas.
  • Patrulha Anti-Petismo  18/07/2017 01:22
    O melhor welfare state seria a isenção total de impostos para policiais, médicos e professores.

    Esse welfare state da esquerda é piada. Os caras cobram imposto de renda de quem salva vidas.

    É um crime humanitário cobrar impostos de médicos. Até para salvar vidas tem que pagar ao governo.
  • Kelvin  18/07/2017 02:25
    Leandro em OFF:

    Estava analisando alguns dados aqui, pode ser que faça sentido ou não, mas preciso de sua avaliação e de outros se possível. Eu estava lendo o artigo do PIB que soma os gastos do governo e assim a equação do PIB é estabelecida. Portanto, isso me alertou ao fato de sempre usarmos o PIB per capita com os gastos do governo inseridos nessa equação fraudulenta. PIB = C(Gastos privados) + I(Total Investimentos) + G(Gastos do governo) + X(Exportação) - M(Importação)
    Veja:

    Japão - PIB US$4,8 trilhões e uma população de 127 milhões, portanto seu PIB per capita é de US$37,795 o que dá mensalmente US$3,149, índice de país rico e desenvolvido.(Obs: Na minha opinião, PIB per capita acima de US$30,000 é país rico e desenvolvido)
    Agora utilizando o conceito de PIB(PPR) que os austríacos já advertiram para usarem, seria a subtração por 2 os gastos do governo e assim teríamos o PIB real de uma economia.
    Portanto nesse conceito com o PIB do Japão em US$4,8 trilhões e uma população de 127 milhões e uma carga tributária de 28% do PIB, teríamos um PIB japonês de US$2,112 trilhões, fazendo os mesmos cálculos relativos a renda per capita, dá um PIB per capita de US$16,629, mensalmente US$1,385, índice de país pobre. Só que isso instiga uma curiosidade, o Japão é um país rico e desenvolvido pela medida que é feita atualmente, mas se formos levar em conta o PPR, era para o Japão ser um país relativamente pobre.
    Portanto, países que cresceram pelo livre mercado e se acentuaram em uma criação de riqueza em que qualquer outro sistema econômico não seria possível, os burocratas sabendo que essa economia enriqueceu e se desenvolveu, estipa toda essa riqueza acumulada e ainda usa conceitos como o PIB per capita para poderem usarem como argumentos que o estado intervindo na economia é benéfico para toda uma sociedade. Os países escandinavos são o mesmo exemplo, enriqueceram pelo livre mercado depois implementaram o assistencialismo, mas mesmo com esses índices tributários altos(carga tributária total não relativizando qualquer grupo - pessoa física e jurídica) ainda são países ricos e desenvolvidos. Mas ainda sim tanto a esquerda quanto os liberais, libertários e anarcocapitalistas ainda usam índices que são equacionados de maneira errada.

    Para ilustrar meu ponto de vista, darei outro exemplo, talvez o mais conhecido entre nós, o Brasil.
    PIB - US$1,7 trilhões, população de 200 milhões e carga tributária de 35%.
    Renda per capita pelo conceito de PIB: US$8,500, mensalmente US$708,00 - US$1,7 trilhão / 200 milhões
    Renda per capita pelo conceito PPR: US$2,550 e mensalmente US$212,50 - ((US$1,7 trilhão X 0,7) - US$1,7 trilhão) / 200 milhões
    Pelo conceito de PPR, o PIB do Japão foi reduzido em 56%(28% X 2) e o Brasil reduzido em 70%(35% X 2). Como pode ver, no conceito de PPR, o Japão é um país relativamente pobre, enquanto que o Brasil é um país extremamente pobre.

    Outros exemplos:

    EUA - PIB US$17 trilhões, população de 300 milhões e uma carga tributária de 25%.
    Renda per capita pelo PIB: US$56,600
    PPR: US$ 28,300

    China - PIB US$10 trilhões, população de 1,3 bilhões e uma carga tributária de 19%.
    PIB: US$7,600
    PPR: US$4,700 - Fato interessante, pelo PPR, a China é mais rica do que o Brasil para espanto dos planadores dizendo que a China é regime de escravidão.

    Hong Kong - PIB US$310 bilhões, população de 7,3 milhões e uma carga tributária de 13%.
    PIB: US$42,400
    PPR: US$31,300

    Singapura - PIB US$295 bilhões, população de 5,5 milhões e uma carga tributária de 14%.
    PIB: US$53,600
    PPR: US$38,500

    Como podem ver, o PPR per capita de Singapura é maior do que os EUA, enquanto o índice de PIB per capita é inverso, podemos constatar claramente que os singapurenses são mais ricos do que os americanos assim como a população de Hong Kong.

    Mas voltando a questão do porque usar como argumento a renda per capita pela equação distorcida de PIB. Imagina se os EUA aumentassem sua carga tributária, ainda sim a renda per capita estaria alta e serviria para argumentos distorcidos em detrimento da realidade efetiva. Imaginemos uma carga tributária de 30% para os norte-americanos, pelo PPR dá um valor de US$22.000, em minha opinião uma PPR per capita de país relativamente pobre, mas usando o conceito do PIB dá um valor de país rico e desenvolvido. Já vimos essa história com os escandinavos, não vamos repetir no mesmo erro, podemos reverter este quadro quase que desfavorável.

    Portanto fica a minha pergunta, vamos continuar usando o PIB per capita ou vamos utilizar o PPR per capita?
  • Fernandes  18/07/2017 12:25
    "EUA - PIB US$17 trilhões, população de 300 milhões e uma carga tributária de 25%. "

    Se esses dados estiverem corretos, o governo americano arrecada mais de 4 trilhões de dólares por ano e mesmo assim o governo americano gasta mais do que arrecada.

    O PIB mede a "riqueza" produzida anualmente, mas nada diz sobre a riqueza acumulada.

    Países como o Japão possuem muita riqueza acumulada, assim como os europeus. A riqueza acumulada pela população americana é estratosférica.
  • Kelvin  18/07/2017 14:38
    Fernandes,

    por isso eu disse:"Portanto, países que cresceram pelo livre mercado e se acentuaram em uma criação de riqueza em que qualquer outro sistema econômico não seria possível, os burocratas sabendo que essa economia enriqueceu e se desenvolveu, estipa toda essa riqueza acumulada e ainda usa conceitos como o PIB per capita para poderem usarem como argumentos que o estado intervindo na economia é benéfico para toda uma sociedade."

    Contrapondo todo esse texto citado anteriormente, o PPR per capita dá uma variação exata da qualidade de vida no conceito anual, tirando-se a riqueza acumulada até o prezado momento. Por isso que usando este índice, o Brasil é um país quase 2 vezes mais pobre que a China, Singapura é muito mais rico do que os EUA e o Japão mais pobre.
    Nem estou comparando pela paridade de poder de compra, o que na China os resultados ainda seriam mais surpreendentes.
    Preciso de mais avaliações para poder entender esses dados. Obrigado pelo seu comentário Fernandes.
  • Kelvin  18/07/2017 15:03
    Fernandes,

    "Países como o Japão possuem muita riqueza acumulada, assim como os europeus. A riqueza acumulada pela população americana é estratosférica."

    Sobre a riqueza acumulada pelos americanos, em alguma matéria que li, mas a qual não lembro onde achei(depois eu procuro), estimam que a riqueza dos americanos está estimada em US$150 trilhões. Enquanto no Brasil, estimam uma riqueza em R$20 trilhões, ou US$6 trilhões, o que significa que os americanos detém uma riqueza 25 vezes maior do que os brasileiros, os americanos detém uma riqueza acumulada 8,8 vezes maior do que seu PIB, enquanto os brasileiros detém uma riqueza acumulada 3,5 vezes maior do que seu PIB.

    Por isso eu disse que enriqueceram pelo livre mercado, para depois adotarem o assistencialismo, por esta adoção, a carga tributária tende a aumentar enquanto os níveis sócio-econômicos continuam aparentemente iguais, mas o bem-estar desta população agora que se torna assistencialista é sustentada pela riqueza acumulada e não pelo PIB per capita, por isso pelo PPR per capita mostra claramente que países que detém muita riqueza acumulada, no passar do tempo podem se tornar países relativamente pobres e o Japão pode estar inserido neste contexto.
  • Fernandes  18/07/2017 17:46
    "os americanos detém uma riqueza acumulada 8,8 vezes maio"

    Eu achava que era muito mais.
  • Aluno Austríaco  18/07/2017 03:33
    Esquerdismo é doença mental.
  • Luiz Moran  18/07/2017 14:07
    A União Européia é num sistema feudal moderno - que inclui a paquidérmica burocracia - recheado de figuras grotescas na liderança dessa excrecência, como é o caso dessa Erundina germânica.

    A social-democracia é, sem sombra de dúvidas, o mais destrutivo modelo político de destruição de riquezas, de escravização sistemática e contínua, de opressão velada e de extinção das liberdades: é o comunismo disfarçado de democracia.
  • Alberto  19/07/2017 11:21
    O sistema mais destrutivo continua sendo o socialismo, mas a social-democracia é o mais parasitário.
  • pedro frederico caldas  19/07/2017 22:46
    Meu caro Leandro,
    Como sempre, suas intervenções são bastante esclarecedoras e brilhantes; todavia, diquei com uma dúvida que não consegui superar. Na sua intervenção de 18.07.2017, às 02:25, você ensina: "Agora utilizando o conceito de PIB (PPR) que os austríacos já advertiram para usarem, seria a subtração por 2 os gastos do governo e assim teríamos o PIB real de uma economia". Minha dúvida é: por que a subtração por 2? Gostaria, por especial obséquio, do seu esclarecimento.
  • Leandro  19/07/2017 23:47
    Prezado Pedro, quem escreveu aquilo ali não fui eu. Foi alguém me mencionando.

    Quanto à sua pergunta, subtrai-se os gastos duas vezes porque:

    1) Na primeira vez, para retirar o G da equação do PIB.

    2) Na segunda vez, por considerar que os gastos do governo possuem, na realidade, um efeito negativo sobre a criação de riqueza.

    Portanto, PPR = PIB - 2G

    Ou, simplesmente:

    PPR = C + I + (X-M) - G


    Eis um artigo inteiro sobre isso:

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=297
  • pedro frederico caldas  20/07/2017 21:30
    Obrigado, carissímo Leandro. Você será sempre citado e imitado, mas, como dizia velha propaganda, nunca igualado.
    Um abraço.
  • Emerson Luis  05/08/2017 22:43

    A Europa poderia estar bem e ser ainda mais desenvolvida

    se não tivesse se iludido com a social-democracia...

    * * *
  • Economatrix  25/08/2017 17:56
    O que faz a economia insustentável não é exatamente o aumento dos benefícios sociais, e sim a monetização da economia e a ausência de mecanismos que impeçam a concentração de recursos nas mãos de poucos. Assim o fluxo econômico se restringe cada vez mais ao topo da pirâmide, não há circulação e as transações comerciais assumem um caráter cada vez mais especulativo, sem valor econômico real. Isso não é economicamente saudável. Espero que um dia, esses "economistas de laboratório" consigam entender que economia não se resume a produtividade, lucro, e mercado de commodities. A economia está se tornando cada vez mais, um mero jogo de poder, e menos uma ferramenta para viabilizar as relações sociais. É esse desvirtuamento que a torna insustentável, CANALHAS!!! O que vem da sociedade, tem que ser para a sociedade, do contrário estará condenado. Será que é tão difícil entender isso?


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