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Estamos vivenciando uma maciça redução na pobreza global
A pobreza extrema despencou à medida que a economia de mercado se expandiu

A libertação do indivíduo em relação à destituição e às incertezas da agricultura de subsistência é uma das maiores façanhas do mundo moderno. Cada vez mais pessoas têm uma expectativa de vida maior e vivem com mais saúde e com mais conforto em relação a qualquer outro período da história humana.

Reconhecer o enorme e positivo efeito desta transformação gradual é de suprema importância não apenas para contrabalançar o crescente pessimismo que nos acomete, como também para não nos esquecermos jamais do arranjo que permitiu a ocorrência deste fenômeno.  

Entendendo a pobreza de maneira errada

O Banco Mundial recentemente relatou que as amenidades básicas para se ter uma vida digna estão disponíveis para os mais pobres do planeta em um volume jamais visto em toda a história da humanidade. E por uma grande margem.  Em 1820, aproximadamente 95% da população mundial vivia na pobreza, com uma estimativa de que 85% vivia na pobreza "abjeta". Em 2015, menos de 10% da humanidade continua a viver em tais circunstâncias.

Não obstante sua drástica redução, a maioria das pessoas está totalmente alheia ao fato de que a pobreza extrema vem caindo ao longo do tempo. Por exemplo, em uma recente pesquisa, apenas 5% dos americanos sabiam que a pobreza extrema global havia sido reduzida à metade nos últimos 20 anos. Já nada menos que dois terços dos pesquisados disseram acreditar que ela havia dobrado ao longo deste período.

Se as pessoas estivessem mais cientes do nosso impressionante progresso na redução da pobreza global, talvez seríamos menos pessimistas quanto à atual situação ou quanto às perspectivas para o futuro.

Comecemos com este famoso gráfico em forma de "bastão de hockey", do projeto Our World in Data, sobre a prosperidade humana. Ele mostra a criação de riqueza. Ele mostra a evolução do PIB real per capita para vários países e para o mundo, desde o ano 1.000.

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Gráfico 1: evolução do PIB real per capita para vários países e para o mundo, desde o ano 1.000

Observe que o ponto de virada coincide exatamente com a Revolução Industrial. A adoção de bens de capital movimentados por motores a vapor em conjunto com outras tecnologias que ajudaram a aumentar a produtividade desencadearam uma revolução no bem-estar humano ao redor do globo.

Desde então, a mente humana em conjunto com a maior oferta de mão-de-obra disponibilizada pelo crescimento populacional criou o motor a vapor, o tear têxtil automático, a linha de montagem, a orquestra sinfônica, a ferrovia, a empresa, a imprensa a vapor, o papel barato, a alfabetização universal, o aço barato, a placa de vidro barata, a universidade moderna, o jornal moderno, a água limpa, o concreto armado, a luz elétrica, o elevador, o automóvel, o petróleo, o plástico, meio milhão de novos livros em inglês por ano, o milho híbrido, a penicilina, o avião, o ar urbano limpo, direitos civis, o transplante cardíaco e o computador.

Novas fontes de energia foram dominadas e novos e mais modernos computadores entraram em cena. Hoje, computadores ao redor do mundo estão conectados entre si pela internet e se tornaram tão pequenos ao ponto de caber em nosso bolso. Temos literalmente acesso a todo o conhecimento do mundo na palma de nossa mão. Bens, serviços e idéias cruzam o globo, possibilitados por um aumento da produtividade humana totalmente impensável há 50 anos.

E isso elevou imensamente nossa riqueza.

Mas e quanto à pobreza?

Como mostra o próximo gráfico, também do projeto Our World in Data, a pobreza extrema está em declínio ao mesmo tempo em que a população mundial está aumentando.

A área vermelha mostra o número de pessoas ao redor mundo vivendo na pobreza extrema; a área verde mostra o número de pessoas ao redor do mundo fora da extrema pobreza. ('Extrema pobreza' é definida como um nível de consumo diário menor que US$ 1,90 por dia, com o valor já ajustado para a inflação e para as diferentes realidades de preço de cada país).

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Gráfico 2: a área vermelha mostra o número de pessoas ao redor mundo vivendo na pobreza extrema; a área verde mostra o número de pessoas ao redor do mundo que não estão na extrema pobreza.

Observe que a redução da pobreza extrema em escala global é recente. Vale lembrar que o modo padrão durante a maior parte da história humana sempre foi a pobreza. Com efeito, a pobreza sempre foi a norma e a condição natural e permanente do homem ao longo da história do mundo. E esta se manifestava em conjunto com todos os seus problemas.

Porém, desde 1970, tem havido um rápido crescimento no número de pessoas vivendo acima da linha de pobreza extrema e uma drástica redução no número de pessoas vivendo abaixo dele. Em 1970, aproximadamente 60% dos 3,7 bilhões de habitantes deste planeta ainda estavam relegados à pobreza extrema. Hoje, esta cifra está abaixo de 9%.

E é importante ressaltar novamente: a pobreza extrema está em declínio ao mesmo tempo em que a população mundial está aumentando.

Hoje, uma pessoa sai da pobreza extrema a cada segundo, graças a melhores sistemas econômicos, a um maior conhecimento adquirido, e a melhores e mais baratas tecnologias, as quais já chegam a quase todas as áreas do globo. Apenas no ano passado, mais de 32 milhões de pessoas escaparam da pobreza, reduzindo a porcentagem da população mundial que vive abaixo da linha internacional da pobreza extrema de 9,2% para 8,7%. A ONU estima que outros 79 milhões de pessoas passarão para cima da linha da pobreza extrema até 2020.

Quanto menos livres, mais pobres

O World Poverty Clock fornece uma contagem em tempo real do número de pessoas que saíram da pobreza hoje. O portal também informa as diferentes taxas de progresso de cada país, mostrando quais são aqueles que estão a caminho de eliminar a pobreza extrema até 2030.

As taxas de aprimoramento variam por país. Algumas nações desenvolvidas já eliminaram completamente esta forma de destituição extrema, ao passo que outros países, como Índia e China, estão vivenciando rápidas melhorias.

A África continua uma área com um decepcionante e instável progresso. Alguns países, como Mauritânia e Etiópia, estão no caminho de cumprir o objetivo de eliminar a pobreza extrema até 2030. Infelizmente, vários outros países do continente, como a República Democrática do Congo, estão indo na direção oposta, com mais pessoas caindo para a pobreza extrema a cada dia.

Mas eis a constatação importante: a expansão da liberdade econômica coincidiu com a impressionante redução na pobreza extrema global. Aqueles países que mais abraçaram a liberdade econômica foram os que mais vivenciaram uma substantiva redução na porcentagem de pessoas vivendo em destituição. Como mostra o índice Economic Freedom of the World (Liberdade Econômica do Mundo), os países mais economicamente livres têm os menores níveis de pobreza, ao passo que, nos países menos economicamente livres, altos níveis de pobreza persistem.

No eixo Y, a taxa de pobreza. No eixo X, o agrupamento de países de acordo com sua liberdade econômica. Quanto mais à direita, maior a liberdade econômica. Em cada agrupamento há o percentual de pobreza extrema (extreme) e de pobreza moderada (moderate)

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Gráfico 3: Liberdade econômica e taxas de pobreza extrema e pobreza moderada. No eixo Y, a taxa de pobreza. No eixo X, o agrupamento de países de acordo com sua liberdade econômica. Quanto mais à direita, maior a liberdade econômica. Em cada agrupamento há o percentual de pobreza extrema (extreme) e de pobreza moderada (moderate). Fonte: Cato Institute et al., "Economic Freedom of the World: 2016 Report."

As evidências são explícitas: para reduzir a pobreza é necessário ter liberdade econômica.

Muitos ainda estão na pobreza

Esta contínua ascensão social e consequente fuga da pobreza representa, de certa forma, a mais importante história que está ocorrendo no mundo, e é a responsável por gerar os maiores benefícios líquidos para o maior número de pessoas na história moderna.

Mas os países ainda têm muito a melhorar. Ainda há aprimoramentos substantivos a serem feitos, principalmente na esfera política, de modo que problemas importantes ainda resistem. Mesmo com todo este progresso, vários países estão indo na direção errada, reduzindo o escopo da liberdade econômica e, consequentemente, criando consequências adversas. A se manter as taxas atuais, mais de 5% da população mundial continuará vivendo na pobreza extrema em 2030. É uma porcentagem menor que a atual, mas ainda assim muito alta.

A drástica e rápida redução no número de pessoas vivendo na pobreza extrema ao redor do mundo é algo a ser celebrado, e ressalta quão importante é continuar difundindo as medidas que permitem que essa grande fuga continue ocorrendo. Instituições estáveis e políticas sensatas são cruciais. Estimular um mercado mais livre e as liberdades pessoais permite às pessoas alcançarem níveis de prosperidade até então inimagináveis há apenas alguns anos.

Como diz Deirdre McCloskey, o segredo está no crescimento econômico gerado por transações econômicas voluntárias em um arcabouço econômico livre. Alguns ousam chamar esse arranjo de capitalismo.

 

13 votos

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Diversos Autores

  • Thiago  28/06/2017 16:45
    Receio que na África não haja condições mínimas de segurança e justiça para que a integridade física das pessoas e a acumulação de bens sejam respeitadas. Isso é condição necessária para o livre-mercado.

    No meio de tanta barbárie, a única coisa que eu acho que resolveria seria um ajuste a la Cowperthwhaite.
  • ?  28/06/2017 23:41
    bom depende se estamos falando da africa do sul ou da somalia
  • L. Augusto  28/06/2017 16:46
    Isso é fato é não precisa ser tão inteligente para prever que um livre mercado é muito superior em termos de melhoria de vida de um povo em relação a um mercado fechado e cheio de controle. Triste, vermos o Brasil se definhando sob leis e regulamentos mais estapafurdios, algumas parecem piadas! A página do Senado Federal aqui no Facebook me dá asco!
  • Andrade  28/06/2017 16:48
    No mundo houve um grande êxodo para países capitalistas em busca de trabalho. Em Miami boa parte da população são cubanos que fugiram da miséria em Cuba, e atualmente esses refugiados mandam mesada para familiares para atenuar a pobreza
  • Emerson  28/06/2017 16:53
    Um lixeiro americano ganha mais do que um médico cubano.

    Um brinde ao capitalismo.

    PS: Com Le Chandon !
  • Capitão Irônico  28/06/2017 17:24
    Karl Marx acertou em cheio suas previsões.
  • Andre Cavalcante  29/06/2017 13:54
    Sim, de fato.

    Marx era um liberal e para ele, o capitalismo deveria ser deixado livre para que chegasse logo o seu auge e o seu declínio. Para ele, quanto mais o capitalismo prosperasse, mais seriam criadas as condições para se chegar a sua propostas do socialismo e, por fim, o comunismo amplo e irrestrito. De fato, o capitalismo e a livre iniciativa geram um estado de riqueza tal que é fácil as pessoas esquecerem como é fácil cair na pobreza absoluta (vide Venezuela), e as pessoas teimam em achar que a desigualdade de riqueza é um problema (e isso é até estimulado - vide o artigo do Tucker sobre a inveja).

    A grande mancada dele foi crer que, no auge do capitalismo, as pessoas estariam tão descontentes que facilmente se renderiam à revolução. No entanto, essa sua mancada é facilmente entendida quando se olha o estado do mundo de seu tempo (início da 2ª revolução industrial), em que se trabalhava 12h, 14h, crianças e mulheres morrendo à míngua nas fábricas insalubre e os homens nos campos de batalha da Europa. Não dá pra avacalhar o cara só porque ele não predisse o que aconteceria 150 anos depois dele, se não teríamos que avacalhar com todos os "grandes" pensadores até mesmo do século passado (prever coisas, mesmo com a ciência ao seu lado, ainda é uma "arte" das mais difíceis).

    Na verdade sua doutrina foi tão bem aceita (por causa da riqueza que o capitalismo gera) que até hoje a gente luta pra desmontar o que ele montou.

    Abraços


  • Assalariado  01/07/2017 01:24
    Meu caro acho que você nunca leu Marx.

    Não era liberal coisa nenhuma, e nunca disse que o capitalismo deveria ficar livre. No manifesto comunista recomenda 10 medidas para se tomar antes da chegada do comunismo, medidas a la PSOl
  • Luis  28/06/2017 18:09
    Sinto que influenciei a pauta do IMB ( com um comentário ontem) e estou feliz por isso.

    Sobre a pobreza no Brasil, especificamente no Nordeste, se eu fosse governante ou tivesse alguma influência, buscaria meios de aproveitar a energia solar em larga escala.
  • Andre Cavalcante  29/06/2017 13:58

    Energia eólica já é uma realidade no nordeste brasileiro, a despeito do governo ter atrapalhado e muito as indústrias e a indústria de energia mais especificamente neste país.

    Energia solar seria uma realidade se as tarifas de importação de produtos de tecnologia fossem mais baratas ou zeradas.

    A única coisa que o governo precisa fazer pra melhorar o setor é o que ele não vai fazer: sair dele, deixar o setor completamente livre

    Abraços
  • Luis  28/06/2017 18:16
    E digo mais, aprendi com um professor de economia, que estudava as ideias do Schumpeter: o que causa o aumento da renda per capita é o aumento da produtividade. O que causa o aumento da produtividade é o desenvolvimento tecnológico. Daí podemos discutir o que causa o desenvolvimento tecnológico: educação de pessoas e competição entre empresas (ou países).
  • Franke  05/08/2017 17:42
    E o acúmulo de capital. É ele que vai permitir que empresas invistam em aumento de produção.
  • Wagner Hertzog   28/06/2017 18:21
    O capitalismo é o sistema mais dinâmico e funcional que temos. Mas é um sistema que foi e será constantemente criticado e demonizado por fracassados. Mas como não são homens o suficiente para responsabilizarem-se por seus próprios fracassos, terceirizam a culpa, um dos sintomas mais claros de quem é esquerdista. Resultado? Viram socialistas.
  • Gustavo   28/06/2017 20:37
    Concordo com essa visão, entretanto, ela me gera uma dúvida: se isso for verdade, e os fracassados sempre criticarem o capitalismo, não seria utópico pensar em um mundo capitalista?

    Gosto muito do Mises Brasil, pois é um local repleto de pessoas intelectuais. Tenho crescido muito intelectualmente, mas volta e meia me pergunto se a visão de alguns não está tão 'utopizada' quanto o socialismo de Marx.

    Eu sei, há diferenças, inclusive matemáticas, mas sempre tento me manter com o pé no chão. Gostaria que alguém pudesse me convencer de que é possível instaurar os ideais libertários.
  • Tasso  28/06/2017 20:47
    Não. O que teremos eternamente, ao menos aqui no Brasil, é um feijão com arroz. Nunca iremos para o socialismo venezuelano ou cubano, mas também nunca iremos para o capitalismo suíço ou honconguês.

    Ficaremos sempre em cima do muro. Prosperaremos em relação aos nossos vizinhos mais socialistas (Equador, Bolívia, Venezuela e Argentina), mas ficaremos para trás em relação ao resto do mundo.

    Há o lado bom desta nossa inércia: jamais seremos Cuba ou Venezuela. Mas há o lado ruim: jamais seremos desenvolvidos.

  • ?  28/06/2017 23:32
    te convencer dos ideais libertários ? bom primeiramente queria saber porque você acha que as ideias libertarias são utópicos ou tem uma pegada utópica eu era um liberal minarquista eu comecei a ler muito sobre o libertarianismo e cada vez mais me convencia de que o estado não era necessário o anarco capitalismo não é nada surpreendente é o capitalismo de livre mercado com ausência de estado serio o que tem de utópico nisso ? você acredita ne estado minimo em liberalismo econômico quase que total ? bom então imagine um estado minarquico ele não tem influencia nenhuma na vida social das pessoas casamento gay , drogas , armas é tudo liberado as pessoas tem liberdade social e nesse pais o estado não interfere na economia regulamentação estatal , empresas estatais , órgãos reguladores , leis trabalhistas que impedem qualquer tentativa de empreender isso não existe aqui e impostos são poucos e baixíssimos o estado não interfere na liberdade econômica das pessoas e por ultimo estamos falando de uma sociedade rica gerada pelo livre mercado nessas condições a maioria das pessoas são pacificas agora que ja imaginou isso tire o estado qual foi o grande impacto que colocaria o anarco capitalismo como uma ideia utópica? bom terminando eu queria te recomendar um canal no youtube chamado ANCAP.SU ele teve grande influencia em mim pois parecia que pra cada duvida que eu tinha existia um vídeo especifico para a minha duvida por exemplo quando eu tinha duvida sobre segurança e justiça tinha uma playlist de 6 videos detalhando como isso iria funcionar e também é super didático nada complicado nem muito longo
  • FL  29/06/2017 14:07
    Caro Gustavo, é bem simples: Princípio da Não-Agressão.
    Não há nenhum argumento contra isso, e basicamente tudo que um libertário defende deriva disso. É algo bem básico que os pais ensinam para seus filhos, "não faça com os outros o que você não gostaria que fosse feito com você".


    https://en.wikipedia.org/wiki/Non-aggression_principle


    Se posso sugerir, leia estes artigos:


    mises.org.br/Article.aspx?id=1864

    mises.org.br/Article.aspx?id=2036
  • Fernandes  28/06/2017 18:39
    O futuro é de abundância. Esse dias assistir um vídeo sobre inteligência artificial e fiquei abismado com a utilização da IA na produção, no tratamento de saúde, etc.

  • Kaleb  28/06/2017 19:23
    Off Topic: A taxa de poupança interna e externa é um conceito de fluxo de renda anualmente?
    Por exemplo, a população brasileira conseguiu auferir uma taxa de poupança interna em torno de 20% do PIB, isto quer dizer que a população conseguiu economizar 20% do PIB naquele ano ou durante todos esses anos anteriores?

    É um conceito de renda anualmente ou é acumulativo?
  • Macroeconomista  28/06/2017 20:04
    Naquele ano. É um conceito anual, e não cumulativo.
  • Kaleb  28/06/2017 22:36
    E mesmo o Brasil sendo consumista e tendo uma das menores cargas tributárias do mundo, ainda sim essa taxa pode-se elevar para patamares entre 40% a 50%?
  • Kaleb  29/06/2017 22:47
    E mesmo o Brasil sendo consumista e tendo uma das menores cargas tributárias do mundo, ainda sim essa taxa pode-se elevar para patamares entre 40% a 50%?

    E ainda acrescento outras dúvidas.

    1 - Essas reservas internacionais que o Brasil detém, só foram possíveis devido a nossa exportação?
    2 - Essas mesmas reservas poderiam ser usadas para incentivar o consumo como um candidato propôs? Se sim, quais impactos isso geraria tanto a nível nacional quanto internacional, economicamente falando?
    3 - Um modo de valorizar nossa moeda frente a todas as outras seria um Currency Board ou um padrão-ouro? E isso depende da produtividade da economia ou é um fator natural que decorre da âncora cambial?
  • Leandro  01/07/2017 04:02
    "Essas reservas internacionais que o Brasil detém, só foram possíveis devido a nossa exportação?"

    Exportações, investimento estrangeiro direto, e toda e qualquer compra efetuada por estrangeiros de ativos brasileiros (ações, debêntures, títulos do Tesouro, CDBs, LCIs, LCAs, fundos de investimento etc.)

    "Essas mesmas reservas poderiam ser usadas para incentivar o consumo como um candidato propôs? Se sim, quais impactos isso geraria tanto a nível nacional quanto internacional, economicamente falando?"

    Não. Isso é proibido pela Lei de Responsabilidade Fiscal. Explico.

    As reservas são propriedade do BC. O BC teria de vender esses dólares em troca de reais, e então repassar esses reais para o Tesouro. Só que é proibido o Banco Central financiar diretamente o Tesouro. Isso foi completamente vedado pela Lei de Responsabilidade Fiscal.

    Portanto, qualquer político que diga que pode usar as reservas do BC para "estimular" a economia está confessando que pretende cometer um crime.

    "Um modo de valorizar nossa moeda frente a todas as outras seria um Currency Board ou um padrão-ouro?"

    Ambos seriam a mesma coisa. Um padrão-ouro nada mais seria que um Currency Board lastreado em ouro.

    "E isso depende da produtividade da economia ou é um fator natural que decorre da âncora cambial?"

    A âncora cambial, por si só, resolve o problema da desvalorização contínua da moeda. Se a população for produtiva, tanto melhor. Porém, isso não é crucial para o funcionamento de um Currency Board. O governo manter um orçamento equilibrado é muito mais crucial.
  • Kaleb  02/07/2017 04:36
    Leandro, muito obrigado pela resposta. Abusando um pouco da sua paciência para comigo, tenho uma outra pergunta.

    Existe uma relação entre a dívida privada e a dívida pública não apenas no Brasil, mas no mundo todo? Muitos falam que a dívida privada dos EUA é em torno de 273% e a dívida pública em torno de 101%, então podemos considerar essas dívidas correlacionadas? Acrescento outra aqui, dívida privada seria de empresas não-financeiras e famílias?

    E mais, fiquei sabendo que o estado de Illinois está perto de se tornar insolvente assim como foi com Porto Rico.
    https://oglobo.globo.com/economia/porto-rico-pede-maior-falencia-publica-da-historia-dos-eua-21290675
  • Conservador desiludido  28/06/2017 21:26
    Cara, quem se importa com a lógica? Com os fatos? O que vale é a emoção. Explore o ressentimento, explore a desigualdade de pouca gente ficando muito rica e muita gente ficando rica, mas não na mesma proporção. Dane-se a pobreza. É poder. É cultura. Os liberais vão perder sempre.
  • ?  28/06/2017 23:39
    infelizmente as pessoas são movidas mais ela emoção do que pela razão isso não significa que vamos sempre perder pois ja ganhamos muito e temos muito mais a ganhar olhe pros países capitalistas de livre mercado esse é o legado do liberalismo econômico
  • Roberto  29/06/2017 03:21
    Você pode não se importar com a lógica ou com a razão mas inevitavelmente em algum momento ela irá se impor, você querendo ou não.Viver só na emoção e balizar suas ações apenas nela é apenas fuga,mais nada do que isso.
  • Amarílio Adolfo da Silva de Souza  28/06/2017 22:20
    Devemos buscar a simplificação das leis, protegendo a riqueza.
  • Andre Cavalcante  29/06/2017 14:26
    Não é preciso "proteger" a riqueza. Se fizer isso você engessa a riqueza em algumas poucas mãos e ela passa a não circular.

    A vantagem de um sistema capitalista de livre mercado ou voluntarismo (como queira chamar) é que as pessoas são livres pra transacionar e a riqueza geralmente, em um ambiente assim, muda de mãos muito rapidamente. Note que também que as pessoas passam a ser mais ricas, não porque o rico ficou mais pobre, mas porque a riqueza de ambos aumentou, mas a do pobre aumentou em maior proporção (mas não em quantidade - e isso é uma contestação matemática - abaixo uma demonstração simples*).

    Na verdade, a riqueza é hoje muito protegida, nas mãos daqueles que estão "de acordo" com o "rei". É o tal do capitalismo de estado, capitalismo selvagem, capitalismo de compadrio ou fascismo (como queira chamar) que este site quase diariamente combate.

    O que temos que proteger é o direito de propriedade. Esse sim garante todos os demais direitos às pessoas, incluindo aí aqueles não muito claros, como direito de respirar um ar não poluído, direito de ir e vir, direito de expressão etc.

    Abraços


    * explicando a afirmação acima:
    - imagina uma população com 11 pessoas (pode ser a população de uma empresa pequena).
    - a riqueza total é, digamos: 50.000 UM (unidades monetárias)
    - a riqueza é assim originalmente dividida: chefão: 25.000 UM, demais: 2.500 U.M. cada
    - a riqueza total aumentou 10% em um período: para 55.000 UM
    - vamos supor que o chefão se contente com um aumento de apenas 5%, sua riqueza aumentou para: 26.250 UM
    - demais ficam com: 2.850 UM cada, aumento de 14%
    - em termos percentuais, a desigualdade de renda global diminuiu, mas em termos absolutos, ela aumentou: o chefão teve um aumento em sua renda de 1.250 UM, já os demais tiveram um aumento de "apenas" 350 UM.


  • Andre maciottes  28/06/2017 22:39
    No caso, concordo plenamente, é incrivel a quantidade de cursos no mercado como o colecao pipoca gourmet, profissao brigadeiro, artesanatos em geral, o que so mostra que o numero de empreendedores so aumenta em nosso país.
  • Without Rules  29/06/2017 12:27
    Olá Pessoal!

    Escrevi um artigo e gostaria de saber se ele está apto a ser publicado no site. Teria algum email que eu poderia encaminhar para vocês avaliarem?

    Obrigado!
  • Andre Cavalcante  29/06/2017 14:00
    Manda pro Leandro que ele leva pro Comitê analisar (mises.org.br/Comite.aspx

    Abraços
  • Andre  29/06/2017 14:30
    Como ficaria um gráfico da pobreza de idéias macro econômicas ao longo do tempo?
  • Thiago Teixeira  29/06/2017 16:16
    Esse é um texto ótimo pra esquerdista.

    Dá uma resposta à sua acusacao de que os liberais são egoístas.
  • Mikael  29/06/2017 20:36
    Em off: O que os austríacos acham da declaração do economista Robert Fogel que a China em 2040 irá ter um PIB(em PPPs) em torno de US$123 trilhões, enquanto os EUA irá ter em torno de US$42 trilhões?
  • Jackson  29/06/2017 20:42
    Uma previsão econômica numérica para daqui a mais de duas décadas? Uma previsão que, para se concretizar, implica prever com exatidão como serão as interações diárias e voluntárias de bilhões de indivíduos?

    Chute puro. Misticismo total.
  • Emerson Luis  29/07/2017 09:49

    "Em 1820, aproximadamente 95% da população mundial vivia na pobreza, com uma estimativa de que 85% vivia na pobreza "abjeta". Em 2015, menos de 10% da humanidade continua a viver em tais circunstâncias."

    Isso em termos relativos (proporção, porcentagem). Conforme o artigo lembra depois, a população mundial em 2015 era muitíssimo maior do que a de 1820. Ou seja, a informação é ainda mais impressionante se também a considerarmos em termos absolutos.

    * * *


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