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O que diferencia o proletariado dos donos do meio de produção?
Cada vez mais, nada

Segundo a teoria marxista tradicional, a opressão da 'luta de classes' ocorria pelo fato de que o proletariado era forçado a se submeter à burguesia em razão de esta ser a dona dos meios de produção.

Ou seja, como a burguesia era a dona das máquinas, dos equipamentos e das fábricas em que os operários do século XIX eram empregados, ela tinha o poder de fazer com que os indivíduos se sujeitassem a trabalhar para ela em troca de um salário. Consequentemente, a burguesia pertencia à "classe opressora".

Já os trabalhadores, que tinham de vender sua mão-de-obra a esta burguesia detentora dos meios de produção, pertenciam à "classe oprimida".

Ludwig von Mises esclareceu que a lógica de ver isso como uma opressão era, por si só, completamente errônea. Para começar, os proprietários das fábricas estavam, na realidade, gerando uma chance de emprego, uma renda crescente e, acima de tudo, possibilitando a sobrevivência da população mais pobre, que jamais teria acesso a esta melhoria em sua qualidade de vida caso continuasse no campo.

O capital não explorava o trabalhador. Ao contrário: ao fornecer ao trabalhador as máquinas e ferramentas de que ele necessitava para produzir bens e serviços que os consumidores valorizavam, ele aumentava a renda e o valor da mão-de-obra. Não fosse o capital disponibilizado pelos capitalistas (maquinário, ferramentas, matéria prima, insumos, instalações etc.), a mão-de-obra não teria como produzir estes bens demandados pelos consumidores. Consequentemente, os trabalhadores nem sequer teriam renda.

Ainda neste contexto, Mises também apontou que os produtos que revolucionaram a qualidade de vida à época estavam sendo agora barateados e produzidos em larga escala para a humanidade graças exatamente à acumulação de capital da burguesia, a qual permitiu que tais produtos, pela primeira vez na história, passassem a ser fabricados em massa e para as massas.

Exatamente por isso, os primeiros anticapitalistas foram os ruralistas ingleses, que viram seus ex-servos migrarem voluntariamente para as cidades, que começaram a oferecer novas oportunidades de vida.

Hoje, o argumento da exploração vale menos ainda

No entanto, se mesmo assim considerássemos que o processo industrial da época submetia o "proletariado" a algum tipo de opressão, tal argumento perdeu completamente o sentido em nossa sociedade atual.

Na teoria marxista, por trás da justificativa da opressão existe um falso pressuposto de que as atividades de 'trabalhador' e 'empreendedor' são similares, sendo a única diferença entre elas o fato de que o empregado não é o dono dos meios de produção. Ou seja, caso o proletariado fosse dono das fábricas e de todo o capital, a sociedade funcionaria tão bem (ou ainda melhor) quanto atualmente, e as injustiças desapareceriam.

Para a teoria marxista, ser um empresário era o pior dos vícios.

A derradeira evidência da falsidade desse conceito é que, hoje, ser dono dos "meios de produção" não é difícil e nem sequer caro. Ou seja, ser empregador — ou, mais ainda, ser o próprio empregador, isto é, autônomo — tornou-se um novo normal e depende muito mais da dedicação e escolha da carreira do que de um determinismo histórico. Ainda assim, pessoas optam de maneira diferenciada entre serem patrões ou empregados — ou opressores e oprimidos, na terminologia marxista — conforme suas preferências.

O desaparecimento desta "dificuldade" em ser dono dos meios de produção ocorreu em larga escala porque o capitalismo possibilitou que valorizássemos (e então comprássemos) produtos e serviços que são muito mais fruto da inteligência humana do que o resultado de uma máquina cara. Com efeito, o capitalismo inverteu completamente a lógica passada e colocou o ser humano como o fator de maior valor da sociedade econômica. Ao passo que maquinários e bens físicos baixaram de preços, o valor de um bom profissional e de um empreendedor com novas ideais passou a valer muito mais do que a mera posse de um maquinário físico.

Hoje, adolescentes se tornam milionários ao desenvolverem aplicativos geniais para celulares. O que eles utilizaram para alcançar esta façanha? Ideias, algumas horas de trabalho e uma tecnologia que já está totalmente popularizada. Há quem ganhe mais de US$ 12 milhões por ano fazendo o exaustivo trabalho de filmar a si próprio jogando videogame, fazendo comentários e postando o vídeo no YouTube.

Isso sem mencionar os exemplos mais explícitos, como é o caso do AirBnB, que permite a qualquer indivíduo transformar sua casa em hotel e ganhar dinheiro com isso; ou mesmo da Uber e do Cabify, que transformam carros em bens de capital geradores de renda. E há também o OpenBazaar, por meio do qual qualquer indivíduo de qualquer lugar do mundo pode virar empreendedor, sem ter de depender de permissões do governo.

Impossível exemplo maior de massificação da propriedade dos meios de produção. Estes aplicativos estão entregando o controle do capital aos próprios trabalhadores e estão permitindo que cada vez mais indivíduos se tornem proprietários dos meios de produção em vez de ter de trabalhar para terceiros que detêm todo o capital físico necessário para fazer seu trabalho.

Como dizer que o proletariado está oprimido quando ele consegue, como nunca antes, ter mobilidade e sucesso nas suas escolhas de vida? Das cinco pessoas mais ricas do mundo hoje, segundo a Forbes, pelo menos quatro delas nasceram naquilo que Karl Marx certamente chamaria de classe oprimida. Bill Gates e Mark Zuckerberg começaram com seus computadores e uma ideia. Warren Buffet teve uma longa e complicada vida até o sucesso financeiro. Armancio Ortega era filho de um operário de trens. Hoje, eles somados têm uma fortuna maior que US$ 280 bilhões.

Mesmo nas finanças

Outra revolução capitalista que destrói essa visão marxista são as captações financeiras coletivas.

Vários gadgets médicos que estão revolucionando a qualidade de vida da humanidade recebem diariamente milhões de dólares em doações pela internet ao apresentarem uma ideia bem estruturada e pensada, a qual é explicada por meio de um vídeo e de um plano de ação.

Por meio de aplicativos como Kickstarter e Indiegogo você pode tanto financiar empresas ao redor do mundo como também pode ser financiado, driblando todo o sistema bancário controlado e regulado pelo estado. (Já com o Kiva e o Give Well você respectivamente  empresta e doa dinheiro aos pobres dos lugares mais pobres do mundo).

Não é necessário que um grande capitalista dono de fábricas invista em uma ideia ou seja ele o próprio dono da ideia: o cidadão comum pode concebê-la ao mundo e fazer acontecer. Caso seja bem-sucedido, ele será também um grande capitalista. Em realidade, ele já é. Quem move o mundo são os empreendedores.

Por que não fazem isso?

E, mesmo que não fosse verdade que o acesso aos "meios de produção" tenha sido barateado e facilitado, ainda poderíamos nos perguntar: por que a classe trabalhadora ainda não acumulou riquezas e comprou as fábricas? Afinal, muitos sindicatos possuem orçamentos milionários. E, levando-se em conta as ínfimas taxas de juros contemporâneas ao redor do mundo, o acesso ao capital financeiro nunca foi tão barato. Por que os trabalhadores organizados ainda não se juntaram e tornaram eles próprios os donos dos meios de produção?

Sejamos ainda mais diretos: se tudo o que basta para ser um rico opressor é ser o "proprietário dos meios de produção" (afinal, investi-los corretamente e de maneira lucrativa parece ser fácil), então por que os trabalhadores não se juntam em cooperativas e se tornam autônomos? Nada os impede de fazer isso. Se uma enorme quantidade de trabalhadores se juntasse, eles sequer precisariam de financiamento. Poderiam utilizar a própria poupança.

No Brasil, por exemplo. Por que "os explorados" não se juntam e criam suas próprias cooperativas? Qualquer grupo de 100 operários do ABC poderia fazer isso tranquilamente. Eles não são pobres. O que os impede?

Esta é a diferença entre um empregado e um empreendedor.

Quando Margaret Thatcher foi interrogada no Parlamento — durante o processo de privatizações que promoveu na década de 1980 — sobre por que uma empresa estatal foi vendida a um preço considerado baixo pela oposição, ela respondeu ao questionador esquerdista: "Se estava tão barata, por que seu sindicato milionário não foi ao leilão e a comprou? ". Não houve resposta.

Conclusão

A mobilidade social ainda está longe do ideal, mas duas verdades não podem ser esquecidas: nunca houve tanta possibilidade de um pobre se tornar não-pobre na história da humanidade; e jamais houve um sistema econômico que possibilitasse maior mobilidade social que o capitalismo.

Indivíduos comuns podem, cada vez mais, se tornar proprietários de seus próprios meios de produção, não precisando se submeter à estrutura formada pelos atuais proprietários do capital. Com isso, adquirem a flexibilidade de explorar várias maneiras de prosperar de acordo com seus próprios meios.

A história é clara e não há exceções: quanto maior a liberdade econômica maior a mobilidade social.


17 votos

autor

Geanluca Lorenzon
é consultor empresarial em uma das maiores firmas do mundo. Foi Chief Operating Officer (C.O.O.) do Instituto Mises Brasil e advogado. Pós-graduado em Competitividade Global pela Georgetown University. Bacharel em Direito pela Universidade Federal de Santa Maria. Especialista em Organizações Políticas pela Theodor Heuss Akademie. Premiado internacionalmente em Direito Internacional. Ganhador em nível nacional do prêmio de melhor orador e melhores memoriais na maior competição de Direito do mundo, durante o ano de 2014. 

  • Kleber  13/06/2017 15:13
    "A história é clara e não há exceções: quanto maior a liberdade econômica maior a mobilidade social."
    Faça essa afirmação redonda caber na cabeça quadrada de um socialista...
  • Filipe Olegario  14/06/2017 13:56
    Se tivesse como curtir o seu comentario eu curtiria mil vezes.
  • Duck Dodgers  22/07/2017 05:53
    Concordo.
  • Marcelo  13/06/2017 15:25
    *12 milhões por ano
  • Lucas  13/06/2017 16:20
    Costumo argumentar com amigos que dependemos muito menos da vontade política e da educação econômica do que da tecnologia para vermos a riqueza do capitalismo florescer. E com a internet, a velocidade das inovações torna cada vez mais difícil haver controle governamental sobre as nossas capacidades e vontades.

    Os serviços comentados no texto são, sem dúvida, excelentes. Mas a meu ver, a inovação maior e mais difícil de ser capturada é aquela sempre analisada pelo Fernando Ulrich, o Bitcoin e seu protocolo Blockchain.
  • Marília  13/06/2017 16:23
    Vou mais além. Quando estivermos aplicando a lógica do P2P na produção material, a coisa realmente vai decolar. Já existe para produção de software livre, e creio que no futuro vai passar a produzir coisas tangíveis.

    Como aconteceria: aos poucos seriam criados vários wiki sobre conhecimento aberto, universidades virtuais, detalhamento de processos, product hacking, design aberto, etc. E cresceria com as impressoras 3D.

    Qualquer um no fundo de garagem poderá criar o que quiser sem a necessidade da indústria convencional manufatureira, o que tornaria esta obsoleta. Claro que setores como o de microeletrônica e robótica ainda demorarão décadas pra passar pela mesma revolução, e estes continuarão normalmente, crescendo e dominando aos poucos a economia.

    A consequência disso é que todos poderão ser produtores e trocarem o que produzem. A produção tenderá a ser mais local ao invés da atual tendência globalizada. Aí sim teríamos um livre mercado radical.
  • João Luiz   13/06/2017 16:26
    Isso aí o titio Marx não conseguiu prever na sua época. A inovação e a aproximação dos indivíduos ferra com qualquer sonho socialista burro.

    Que venha a nova era. E rápido!
  • Kleber  13/06/2017 17:26
    Exato! Talvez ele não tenha previsto nada sobre o trabalho do futuro porque ele próprio nunca trabalhou.
  • Mídia Insana  13/06/2017 19:25
    Como assim Marx não previu o futuro, adivinhou o passado e decifrou o presente de um escritório do século XIX?!

    Impossível.

    Ele tinha às mãos todo o conhecimento histórico e científico (ambos, é claro, não alteraram em nada desde meados de 1800) para formular sua teoria histórica e ainda acesso ao idealismo astral hegeliano que o permitia prever o futuro até a data de lançamento da postagem que você lê agora, produto nada além do conflito de interesse de classe inerente ao sistema capitalista na conjuntura dialética de síntese social-democrata pós-socialismo real.
  • Servidor  13/06/2017 21:38
    Marx é um gênio. E vocês são nossa propriedade, propriedade do Estado. Mais respeito.
  • Kleber  14/06/2017 13:12
    Hahahaha, cara, põe mais vírgulas aí, fiquei com falta de ar ao ler.
  • Pobre Paulista  13/06/2017 16:40
    Todos os exemplos citados no texto dependem de um ponto central de falha: A internet. Que por sinal está cada vez mais ameaçada de ser controlada e regulamentada exclusivamente por agentes estatais. Tão logo os governos consigam controlar a internet, esses bens de capitais "massificados" voltarão a se tornar exclusividade dos amigos do Rei.
  • Atento  13/06/2017 16:52
    Controlar a internet?! Os caras nem sequer conseguem mais controlar o WhatsApp... Na primeira vez que tentaram, houve gritaria e eles recuaram no mesmo dia e ainda pediram desculpas.

    O que os governos, conjuntamente, podem querer fazer é derrubar os roteadores. Só que ao derrubar os roteadores e as aplicações P2P que porventura os utilizem, os governos também derrubariam todos os outro serviços ou simplesmente derrubariam a internet (sem roteadores não há internet). Plausível?

    E há uma saída pro P2P (sempre há). Se um roteador cair, pode-se usar outro, e pode-se usar técnicas de tunelamento, para colocar os pacotes dentro de outras portas, de forma que é muito difícil bloquear esse tipo de coisa (é possível, mas difícil).
  • Pobre Paulista  13/06/2017 18:01
    Não falei em derrubar, falei em controlar. Fazer com que trabalhem apenas de acordo com o que querem.

    Além do mais, todos os servidores e roteadores estão em algum lugar do mundo, e todos os lugares do mundo estão sujeitos às arbitrariedades legais. Basta um político enfezado assinar um papel que aparece a polícia lá para tomar tudo.

    Mas nem precisa disso tudo: Veja o próprio Google que, a pedido dos governos mundo afora, resolveu classificar sites que não estão de acordo com o estabilishment como sendo "fake news" e sendo removido dos resultados de buscas. Ou o youtube que simplesmente baniu a monetização de sites de direita. Isso sem contar o facebook que já assumiu que manipulava posts para direcionar a opinião pública. Isso é apenas uma amostra de como o capitalismo de estado está tomando controle da internet.

    Se isso é "liberdade de capital", não quero sequer imaginar o que é escravidão.
  • Chinês  13/06/2017 17:05
    Infelizmente verdade. Em vários países isso ocorre.
  • SRV  13/06/2017 18:20
    Pobre Paulista,

    Existem algumas iniciativas pelo mundo para criação de internet descentralizada. Por descentralizada entenda que não existirá a necessidade de servidores que centralizam os dados.

    Caso tenha curiosidade, veja na wikipedia
  • Flavio Antunes Franco  13/06/2017 18:55
    Boa tarde.

    Aproveitando o tema da ausência de regulamentação ,alguém poderia me indicar algum artigo que trate sobre a desregulação da eletricidade( sei que o Reino Unido, Australia, NZ e algumas cidades americanas adotam isso).
    E também gostaria de saber sobre a não regulamentação de outros pontos considerados existenciais , como fornecimento de água, tratamento medico e remédios.

    Obrigado
  • Luis  13/06/2017 19:22
    Mark Zuckberg estudava em Harvard. Nao era exatamente pobre. Claro, tem seus meritos, uma parte da humanidade o ajudou a ficar bilionario... nao precisa repetir a historia. Uma mulher com disposicao pode ganhar 100 reias por dia como diarista, 2000 ou 2400 por mes, 2 salarios minimos mais vantagens. Um bom mestre de obras, (alguem conhece algum) 5 a 10 mil por mes. Quero dizer, autonomos ganham mais que o salario minimo. Quanto a media salarial no Brasil, nao sei.
  • Magno  14/06/2017 00:41
    E onde está escrito que ele era pobre?

    O artigo em momento algum fala que ele era pobre. Releia o trecho (negrito meu):

    'Das cinco pessoas mais ricas do mundo hoje, segundo a Forbes, pelo menos quatro delas nasceram naquilo que Karl Marx certamente chamaria de classe oprimida.'

    Ou seja, eles nasceram em famílias cujos pais eram assalariados, e não empreendedores. Para Marx, qualquer um que fosse assalariado era da classe oprimida, independentemente de ser pobre ou rico.
  • anônimo  14/06/2017 00:56
    A teoria de Marx é tão furada que até sociólogos de sua mesma época viam mais distinções de classes do que ele via.
  • Hall  14/06/2017 03:57
    Eu conheço um mestre de obras que ganha entre r$10 a r$15 mil, ele tem dois carros(um deles um Edge) na garagem e uma casa grande quitada, ele trabalha para um português construtor que empreende aqui na minha cidade. Só que esse mestre de se diferencia da maioria, porque esse conhecido além de mestre de obras, ele participa efetivamente da obra, isto é, atuando também como pedreiro, e é justamente isto que torna o trabalho dele mais produtivo e ele é recompensado por isso.
    A média salarial do país é de r$1,9 mil.
    Essa média salarial refuta até mesmo aqueles que defendem o salário mínimo, já que nenhum "explorador" é obrigado a pagar mais de um salário mínimo, mas a empírica mostra que a média salarial do país é de r$1,9 mil, os defensores da CLT devem explicações.
  • Luis  13/06/2017 19:31
    Completando, um pobre hoje vive melhor que um milionario de 100 anos atras.
  • Shell  13/06/2017 22:38
    Bill Gates não veio de família pobre, nem mesmo mediana. O mesmo sobre o Mark.

    Pegue esta frase "Armancio Ortega era filho de um operário de trens. Hoje, eles somados têm uma fortuna maior que US$ 280 bilhões" e combine com uma pesquisa despretensiosa no Google com a seguinte query: Roupas da Zara são fabricadas com mão de obra escrava.

    Existem muitos exageros no texto:
    "O capital não explorava o trabalhador. Ao contrário: ao fornecer ao trabalhador as máquinas e ferramentas de que ele necessitava para produzir bens e serviços que os consumidores valorizavam, ele aumentava a renda e o valor da mão-de-obra. Não fosse o capital disponibilizado pelos capitalistas (maquinário, ferramentas, matéria prima, insumos, instalações etc.), a mão-de-obra não teria como produzir estes bens demandados pelos consumidores. Consequentemente, os trabalhadores nem sequer teriam renda."

    Explorava. Explora. E fornece todo o restante. Estamos melhorando o processo de exploração de potencial com menos métodos abusivos, eu espero.

    "No Brasil, por exemplo. Por que "os explorados" não se juntam e criam suas próprias cooperativas? Qualquer grupo de 100 operários do ABC poderia fazer isso tranquilamente. Eles não são pobres. O que os impede?"

    Isso existe, só não me recordo nomes de instituições específicas. Ah... Espere aí, talvez os maçons se enquadrem perfeitamente na exemplificação. Fora outros tipos de cooperativas mais "fáceis" de se vincular, como as do setor agrário. Fazer e manter uma cooperativa não depende só do fator poupança, é bom lembrar que todo dinheiro acaba quando mal utilizado, mal fiscalizado.

    Se alguém puder me esclarecer. É impressão minha ou essa visão capitalista que o ilustre autor descreve é muito contemporânea e recheada de impulsos que foram gerados pelas tecnologias da informação, da quarta revolução? Que, talvez, um capitalista ferrenho de 20, 30 ou 40 anos atrás não tivesse (e não teve) a mesma visão dos benefícios do capital e da estrutura em torno do capital?

    Tem muitos detalhes neste texto, e em muitos outros textos que estão surgindo com nomes como Uber, Amazon, Google, Bitcoin, que me parecem uma virada de jogo surpreendente e não muito esperada por donos de grandes corporações. Como a mídia televisiva, exemplificando. Até o setor bancário está sendo afetado de forma notável.

    Existem muitos pontos perdidos no texto, que não se fecham ou são (muito) pouco embasados, sem mais, compreendo ser um artigo curto.



  • BP  14/06/2017 00:39
    "Bill Gates não veio de família pobre, nem mesmo mediana. O mesmo sobre o Mark."

    O artigo em momento algum fala que ambos vieram de família pobre. Releia o trecho (negrito meu):

    'Das cinco pessoas mais ricas do mundo hoje, segundo a Forbes, pelo menos quatro delas nasceram naquilo que Karl Marx certamente chamaria de classe oprimida.'

    Ou seja, eles nasceram em famílias cujos pais eram assalariados, e não empreendedores. Para Marx, qualquer um que fosse assalariado era da classe oprimida.

    Mais atenção na próxima. Certifique-se de que você leu corretamente (e entendeu direito) antes de deixar seu fígado se manifestar. Certifique-se também de que você domina os conceitos que estão sendo abordados.

    Todo o resto que você falou foi um festival de coisas convolutas e desconexas, mas chamo a atenção para este ponto:

    "Fora outros tipos de cooperativas mais "fáceis" de se vincular, como as do setor agrário. Fazer e manter uma cooperativa não depende só do fator poupança, é bom lembrar que todo dinheiro acaba quando mal utilizado, mal fiscalizado."

    Ou seja, você próprio admite que trabalhadores não podem se unir em cooperativas porque, se isso acontecer, "todo o dinheiro acabará por ser mal utilizado e mal fiscalizado".

    Portanto, segundo você próprio, trabalhadores são incompetentes, corruptos e maus administradores. Por isso, jamais poderão deixar de ser assalariados e se tornar donos dos meios de produção. Eles não têm competência e nem integridade para isso (segundo você próprio!).

    Você, com uma única frase, destruiu toda a teoria da exploração marxista, reconheceu que não faz sentido dizer que trabalhadores deveriam se tornar os proprietários dos meios de produção e ainda acabou com a aura de santidade dos "explorados". Um grande feito.
  • Shell  14/06/2017 02:03
    "Ou seja, eles nasceram em famílias cujos pais eram assalariados, e não empreendedores. Para Marx, qualquer um que fosse assalariado era da classe oprimida"

    Obrigado por corroborar o que eu disse sobre o Bill. Um grande feito. E certamente não sei se ele chamaria de classe oprimida se ele fosse contemporâneo. Empreendedor nos textos de Marx... Não sei se lembro dessa palavra lá. Se encontrar me mostre a página, por gentileza.

    Visito as dependências de Hipnos sempre que recebo respostas assim, já passei da fase de achar graça. A manifestação do meu fígado, deixando tangível para o nosso debate não biológico, é uma glândula, não digita, para sua infelicidade.

    Todo o restante que eu disse foram pontos separados dentro de uma caixa de diálogo fixa, apenas. Acho que não é necessário explicar isso a você, mas lhe faço as boas.

    "Ou seja, você próprio admite que trabalhadores não podem se unir em cooperativas porque, se isso acontecer, "todo o dinheiro acabará por ser mal utilizado e mal fiscalizado". Em nem um parágrafo disse isso. Independente da instituição, dos colaboradores e da "filosofia" que os rege, esse é um fator de quebra, posso te mostrar casos se tiver interesse. Existem cooperativas muito bem sucedidas, dos que você certamente categoriza como trabalhadores, também posso dedicar um tempo a encontrar os nomes para você se o Google não funciona na sua dependência.

    "Portanto, segundo você próprio, trabalhadores são incompetentes, corruptos e maus administradores. Por isso, jamais poderão deixar de ser assalariados e se tornar donos dos meios de produção. Eles não têm competência e nem integridade para isso (segundo você próprio!)".
    Creio que isso foi respondido, e se não foi, existem aulas sobre interpretação, e você pode trabalhar no que eu disse no outro diálogo. Há também estudos sobre vetores de risco, leitura muito interessante que não pode faltar.

    Vou te deixar um adendo abaixo, é uma dica preciosa.

    "Mais atenção na próxima. Certifique-se de que você leu corretamente (e entendeu direito)".

    "Você, com uma única frase, destruiu toda a teoria da exploração marxista, reconheceu que não faz sentido dizer que trabalhadores deveriam se tornar os proprietários dos meios de produção e ainda acabou com a aura de santidade dos "explorados".

    Não me importo com Marx ou com qualquer ideia dele, apenas tenho conhecimento. E, não considero destruição alguma, principalmente de teorias rasas. São só conjecturas. Existem textos e pensadores mais interessantes para colocar na roda. Não há aura de santidade em "lado" algum, os explorados são explorados em demasia, e considerando o tempo de Marx, e não o nosso, fez tão bem quanto mal, os frutos dessa exploração foram para outra geração.

    Novamente, texto seu, do artigo e meu com discussão rasa, com poucos pontos de análise e com bastante anacronismo.
  • Mídia Insana  14/06/2017 03:03
    Hora de deixar a vida passar uma batida no teclado de cada vez.

    Passado do Mark e Gates, gente de classe média em geral. O artigo não é biográfico. Através da menção dos empresários, ele visa provar que muitos dos capitalistas mais ricos do mundo não herdaram o capital de seus pais milionários para encima dele construir sua riqueza absurda (clichê histórico); eles simplesmente tiveram boas ideias e com pouquíssimo capital já conseguiram colocá-las em prática. Em seguida, o texto ilustra como a situação ficou ainda mais fácil com o avanço da internet.

    E se o artigo fosse biográfico, a mensagem ainda seria pertinente. Zuckerberg e Gates eram de classe média. Steve Jobs tinha um pai adotivo advogado. Zuckerberg não pediu dinheiro da mãe para pagar a mensalidade pífia do primeiro host do Facebook porque previamente, capitalistas tornaram a hospedagem de páginas tão baratas que até dois estudantes universitários conseguiram criar a página deles.

    Roupas da Zara, senhor delegado, se é o caso de que a Zara está aprisionando pessoas em algum edifício e as está forçando a confeccionar vestimentas, trata-se de um ultraje. O que você está fazendo comentando aqui? Seu conhecimento é imprescindível. Vá reportar às autoridades! O que?! O estado não está garantindo direitos de propriedade das pessoas e está faltando com as responsabilidades dele?! A solução é dar controle da economia, dos preços e da redistribuição do capital a ele também. Tenho certeza que fará um serviço igualmente exímio.

    Explorava. Explora. E fornece todo o restante. Estamos melhorando o processo de exploração de potencial com menos métodos abusivos, eu espero.

    Não é um argumento.

    Cisma com as cooperativas por má administração do dinheiro.

    Olha, diferentemente de sindicato, cooperativa é voluntária. Se um empresário quer fazer parte de uma cooperativa que está roubando o dinheiro dele (?), está em seu direito. Alternativamente, o senhor poderia fundar sua própria cooperativa na sua ciência dos problemas que assolam o sistema e tenho certeza que se sanados, você já teria vários cooperados.

    Eu francamente não sei dos problemas que assolam as cooperativas e não vou fingir que sei. Só sei que se tem uma cooperativa por aí que é corrupta, o ideal seria que o estado não a alimentasse com crédito de recurso direcionado abaixo da taxa Selic e assim a beneficiasse em comparação com novas cooperativas alternativas.

    Se alguém puder me esclarecer. É impressão minha ou essa visão capitalista que o ilustre autor descreve é muito contemporânea e recheada de impulsos que foram gerados pelas tecnologias da informação, da quarta revolução? Que, talvez, um capitalista ferrenho de 20, 30 ou 40 anos atrás não tivesse (e não teve) a mesma visão dos benefícios do capital e da estrutura em torno do capital?

    Nem tanto.

    Na verdade, é um trabalho que já está em curso há séculos.

    Antes de vir o Facebook, veio um capitalista que cavou uma mina. Outro capitalista que desenvolveu um método de extração mais eficiente e assim barateou o que saiu da mina. Um terceiro capitalista desenvolveu uma rede de transporte que barateou os custos do transporte dos extratos da mina e a tornou ainda mais acessível. Graças ao custo mais baixo, um quarto capitalista apareceu e conseguiu criar um computador acessível a um estudante universitário. Então o quinto capitalista veio e com um custo tão pequeno quanto um pequeno empréstimo entre dois colegas de faculdade, conseguiu criar uma das empresas mais valorizadas da história.

    O preço de um homem é o custo do outro. Quando capitalistas descobrem preços menores para seus produtos, eles reduzem o capital (abstenção de consumo) necessário para um outro tornar-se capitalista ele mesmo. Pense no maquinário que um escritório precisava para funcionar em 1985 comparado com os dias de hoje, onde ele todo foi substituído por um computador.

    Abraço.
  • Lee Bertharian  15/06/2017 18:39
    Sensacional, Mídia Insana
    É sempre bom ver o cérebro sobrepujar o fígado...
    Às vezes acelero a leitura dos artigos para chegar aos comentários, nos debates evoluímos!
  • Vitor  14/06/2017 17:02
    "Se alguém puder me esclarecer. É impressão minha ou essa visão capitalista que o ilustre autor descreve é muito contemporânea e recheada de impulsos que foram gerados pelas tecnologias da informação, da quarta revolução? Que, talvez, um capitalista ferrenho de 20, 30 ou 40 anos atrás não tivesse (e não teve) a mesma visão dos benefícios do capital e da estrutura em torno do capital?"

    É de fato uma visão extremamente contemporânea. Tão contemporânea que foi descrita, praticamente da mesma forma, no século XIX.

    Se você se considerar uma pessoa paciente, aqui está um livro de 1850 falando sobre Capital, tocando no exato mesmo tema do autor acima:

    Capital

    Como eu tenho minhas dúvidas se você irá ler ou não, aqui as partes mais importantes:

    "An individual in isolation, provided he could survive for any length of time, would be at once capitalist, entrepreneur, workman, producer, and consumer. The entire economic cycle would run its course in him: want, effort, satisfaction, gratuitous and onerous utility. Observing each of these elements, he would have some notion of the workings of the whole mechanism, even though it would be reduced to its simplest form."

    --

    "An individual living in isolation would never dream of obtaining through his own labor something that he could get directly from Nature. He would not walk two miles for water if he had a spring beside his cabin. For the same reason, in every instance where his own labor might be called upon, he would try to substitute Nature's help as much as possible.

    That is why, if he were building a boat, he would utilize the lightest wood in order to use to advantage the specific gravity of water. He would try to rig up a sail, so that the wind might spare him the trouble of rowing, etc.

    In order thus to harness the forces of Nature, he needs tools and instruments.

    At this point we perceive that our isolated man will have to do some calculating. He will ask himself this question: At present I obtain a certain satisfaction for a given amount of effort. When I have the proper tool, will I obtain the same satisfaction for less total effort, counting both the effort still to be exerted to obtain the satisfaction and the effort required to make the tool?

    No man is willing to waste his strength for the mere pleasure of wasting it. Our Robinson Crusoe will not, therefore, set about making the tool unless he can foresee, when the work is done, a definite saving of his labor in relation to his satisfaction, or an increase in satisfactions for the same amount of labor.

    --

    Let us pass now to the social order. Here, too, capital will be composed of the tools and instruments of production, of the materials and provisions without which no long-range undertaking is possible either in isolation or in society. The possessors of this capital have it only because they have created it either by their efforts or their privations; and they have exerted their efforts (over and beyond their current wants), they have undergone these privations, only for the sake of future advantage, in order, for example, to turn to their use a large number of natural resources. To surrender this capital would mean for them to give up the advantage they had sought to obtain. It would mean surrendering this advantage to others; it would be rendering a service. Consequently, we must either disregard the simplest considerations of reason and justice, or we must admit that they have a perfect right to turn over this capital only in exchange for some other service freely bargained for and voluntarily agreed to. I do not believe that there is a man on earth who will contest the equity of reciprocity of services, for reciprocity of services means equity in other terms. Will it be said that the transaction cannot possibly be free, because the one who has capital is in a position to impose his own terms on the one who does not? But how should the transaction be carried on? How can an equivalence of services be determined except by an exchange voluntarily agreed to? And is it not clear, moreover, that the borrower, being free to consent or not to consent, will refuse, unless it is to his advantage to accept, and unless the loan can improve his situation? It is clear that this is the question he will ask himself: Will the use of this capital afford me advantages that will more than compensate for the terms that are stipulated? Or else: Is the effort that I am now required to make for a given satisfaction greater or less than the sum total of the efforts to which I shall be obligated by the loan, first to render the services that are asked of me, and then to realize the satisfaction with the aid of the borrowed capital? If, all things considered, there is no advantage, he will not borrow; he will be content with his present situation; and in that case, how has he been wronged? He can be mistaken, someone will say. True enough. We can be mistaken in every imaginable transaction. Does this mean, then, that no transaction can ever be free? Assuming for the moment that such is the case, will someone kindly tell us what should be put in the place of free will and free consent? Shall it be coercion? For, apart from free will, I know of nothing but coercion. No, someone says, it will be the judgment of a third party. I am perfectly willing, on three conditions. First, that the decision of this person, whatever name he be given, not be executed by force. Second, that he be infallible, for it is not worth the trouble to replace one fallible person by another; and the fallible persons whom I distrust the least are the interested parties themselves. Finally, the third condition is that this person receive no pay; for it would be a strange way of showing one's good will toward the borrower to deprive him of his liberty and then place an added burden on his shoulders in compensation for this philanthropic service. But let us forget legal questions and return to political economy.

    --

    Now, first of all, would it not be quite as absurd as it would be unjust if no interest were charged at all or if the interest payment were the same whether the terms agreed upon were for a period of one year, two years, or ten years? If, under the influence of the so-called egalitarian doctrine, our civil code should, unfortunately, so decree, it would mean the immediate suppression of an entire category of human transactions. There would still be barter transactions and cash sales, but there would no longer be installment buying or loans. The egalitarians would, indeed, lift from the borrowers the burden of interest, but by denying them the loan. On this analogy we can also relieve men of the painful necessity of paying for what they purchase. We have only to forbid them to buy, or, what amounts to the same thing, make the law declare that prices are illegal.

    The egalitarian principle does indeed have an egalitarian element in it. First, it would prevent the accumulation of capital; for who would want to lay up savings from which no return could be realized? Secondly, it would reduce wages to zero; for, where there is no capital (tools, materials and provisions), there can be no provision for future labor, and so, no wages. We should therefore soon reach the state of perfect and absolute equality: no one would have anything.

    --

    Capital has its roots in three attributes of man: foresight, intelligence, and thrift. For him to resolve to lay aside capital funds, he must, in fact, anticipate the needs of the future, sacrifice the present for them, exercise control over himself and his appetites, resist not only the allurements of the pleasures of the moment, but also the prickings of his vanity and the whims of public opinion, which is always so indulgent toward the light-minded and the extravagant. He must also link cause and effect in order to know by what means and by what tools Nature will become docile and will submit to the work of production. Above all, he must be moved by a sense of family devotion, so that he will not draw back before the sacrifices whose benefits will be enjoyed by his loved ones when he is no more. To accumulate capital is to provide for the subsistence, the protection, the shelter, the leisure, the education, the independence, the dignity of generations to come. None of this can be done without putting into practice all our most social virtues, and, what is harder, without making them our daily habit.

    It is quite common, however, to attribute to capital a kind of deadly efficiency that would implant selfishness, hardness, and Machiavellian duplicity in the hearts of those who possess it or aspire to possess it. But is this not confused thinking? There are countries where labor is mainly fruitless. The little that is earned must quickly go for taxes. In order to take from you the fruit of your labor, what is called the state loads you with fetters of all kinds. It interferes in all your activities; it meddles in all your dealings; it tyrannizes over your understanding and your faith; it deflects people from their natural pursuits and places them all in precarious and unnatural positions; it paralyzes the activities and the energies of the individual by taking upon itself the direction of all things; it places responsibility for what is done upon those who are not responsible, so that little by little the distinction between what is just and what is unjust becomes blurred; it embroils the nation, through its diplomacy, in all the petty quarrels of the world, and then it brings in the army and the navy; as much as it can, it perverts the intelligence of the masses on economic questions, for it needs to make them believe that its extravagances, its unjust aggressions, its conquests, its colonies, represent a source of wealth for them. In these countries it is difficult for capital to be accumulated in natural ways. Their aim, above all, is by force and by guile to wrest capital from those who have created it. The way to wealth there is through war, bureaucracy, gambling, government contracts, speculation, fraudulent transactions, risky enterprises, public sales, etc. The qualities needed to snatch capital violently from the hands of the men who create it are exactly the opposite of the qualities that are necessary for its creation. It is not surprising, therefore, that in these countries capital connotes ruthless selfishness; and this connotation becomes ineradicable if the moral judgments of the nation are derived from the history of antiquity and the Middle Ages.
  • João  14/06/2017 00:41
    Excelente texto.

    Esse é o tipo de análise que deveria ser ensinado nas escolas.

    Infelizmente somos doutrinados pelas teses furadas do Marx.
  • Minarquista anti-ancap  14/06/2017 02:47
    Devemos rejeitar o PNA, esse texto de um site libertário aponta porque o PNA é uma farsa.

    Viva a Minarquia/Monarquia.

    https://www.libertarianism.org/blog/six-reasons-libertarians-should-reject-non-aggression-principle

    Muito interessante, vale a pena ler!

  • Minarquista  14/06/2017 20:10
    Olá Minarquista Anti ancap.

    Muito interessante o artigo postado. Ele traz alguma luz para o assunto. É um bom começo de conversa. Entretanto, acho que artigo ainda está engatinhando no raciocínio. Vamos avançar mais:

    Os ancaps tentam usar uma lógica rasa para acabar com a violência do estado. Mas a lógica é rasa, e por isso mesmo ela é falha.
    Já os minarquistas usamos a lógica para limitar a ação do estado. Não é possível acabar com a violência do estado, mas é possível limitá-la logicamente.
    O segredo está em reconhecer as exceções lógicas naturais ao próprio jusnaturalismo. Elas existem! Os ancaps, ao não quererem enxergá-las, se comportam como avestruzes - e põem toda a argumentação libertária por água abaixo...
    A pergunta correta não é "como fazer para termos violência zero?", mas sim "como fazer para termos violência mínima? ". Ou, em outras palavras: "que violência do estado é justificável, e por quê?".

    1) O PNA não deve ser rejeitado - deve ser entendido.
    É óbvio que numa vida em sociedade muitas das minhas ações afetam terceiros. O que é absolutamente lógico é que, se o meu ato não interfere diretamente na vida de terceiros, ele é uma decisão individual minha - e ninguém pode se meter. O estado não pode regular nenhum ato meu que não interfira diretamente na vida de terceiros.
    Analogamente, isso vale para ações tomadas por um conjunto de indivíduos.
    Se somente esta lógica básica fosse entendida pela humanidade, 90% da tirania acabaria...
    Fim da legislação trabalhista, das agência reguladoras, das leis que regulamentam o mercado, etc.

    E nos casos em que minha ação interfere na sua vida? Precisamos de leis para definir onde acaba a minha liberdade e começa a sua... Obviamente nos casos de interferência pequena, as leis devem ser "posso fazer". No caso de grandes danos a terceiros, a lei deve ser "não posso fazer".

    2) Impostos x Assistência Social
    O artigo fala de "taxar grandes fortunas para"... uma causa nobre qualquer... Isso é ilógico. A única premissa para o libertarianismo é que todas as pessoas têm direitos civis iguais. Reformulando, a pergunta deveria ser: "é justo tirar um pouco de dinheiro de todos à força, para fornecer o serviço X para aqueles que não podem pagar por ele?".
    Essa é uma pergunta difícil de responder, mas fácil de limitar o seu escopo.
    É óbvio que para a discussão poder começar, X tem que ser necessariamente uma coisa essencial à vida, e que não possa ser obtida pelo pobre de nenhuma outra maneira. Quem puder pagar por X, que pague!
    De forma geral, este debate pergunta: "o que é menos imoral: tirar um pouco de dinheiro de todos à força (roubar), ou deixar pobres morrerem à toa (ficarem sem comida, água, medicina, abrigo, etc)".
    Dá para limitar muito este debate:
    A lógica exclui facilmente todas as coisas não essenciais à vida da assistência aos pobres. Fim do patrocínio público a festas, arte, cultura, esporte, etc.
    A lógica exclui benesses de longo prazo (afinal o pobre em questão pode futuramente ser capaz de pagar pelo serviço ou bem). Fim do Minha Casa Minha Vida. Fim do financiamento imobiliário feito pelo estado.
    A lógica exclui todas as estatais, pois as empresas podem muito bem ser criadas sem o estado roubar o meu dinheiro à força para isso. Fim da Petrobrás, BB, Caixa, etc.
    A lógica exclui o financiamento do estado a qualquer empresa. Puff! Acabou o BNDES.
    Friso que não é possível falar de sistemas para todos (universais). Se o sujeito pode pagar pelo serviço, que pague.
    Se ele tem um carro, uma casa, qualquer bem, não há motivo para receber nada do estado. Que venda o seu bem primeiro. Quando o dinheiro acabar, aí pode se justificar ajudá-lo com dinheiro tirado de todos à força.
    Cuidado! Não confundir com relativismo moral. Não se trata de negar a imoralidade dos impostos. Trata-se de entender que na maioria dos casos é óbvio que os impostos são uma imoralidade totalmente injustificada. Mas em alguns casos muito excepcionais, há uma discussão logicamente válida de qual imoralidade é maior. Mas são pouquíssimas as exceções!
    Enfim: infelizmente não é possível usar a lógica para excluir a possibilidade de uma rede de proteção básica para os pobres. Mas é possível usar a lógica para limitar muito o debate.

    4) Impostos x Efeito Carona
    Ruas públicas são essenciais à liberdade de ir e vir. E pelo "efeito carona" (fenômeno econômico), não é viável produzir e manter ruas a não ser coletivamente. Isso vale inclusive dentro de condomínios.
    O mesmo vale para polícia, judiciário, prisões (devem ser pagas por impostos, mesmo que terceirizadas), iluminação pública, parques públicos e reservas.
    Se não for por meio da violência dos impostos, como iria da minha casa para o meu trabalho?
    O que não dá justificar é o estado se meter em transportes, ônibus, aeroportos, portos, etc.
    Já com relação a estradas e ferrovias, elas devem ser privadas, mas não sei se seria factível fazê-las sem a violência da desapropriação (roubo).

    5) Estratégia
    Fatos:
    a. é impossível viver sem a violência do estado.
    b. há uma zona cinza onde o debate sobre a ação do estado não se encerra usando-se apenas a lógica. Estas discussões caem no campo irracional dos desejos e paixões.

    Minha estratégia é: usar os raciocínios lógicos expostos acima para limitar imediatamente a ação do estado.
    Por enquanto vamos deixar a pequena zona cinza pra lá!
    É preciso focar em acabar com a ação do estado em todas as áreas em que for possível provar logicamente que essa ação não pode ocorrer. Isso é muito fácil, e resolve 90% do problema!
    E os outros 10% em que não consigo provar que a ação do estado é impossível? Vamos deixar essas questões como estão, por enquanto. É fundamental neste momento evitar debates irracionais e inúteis que paralisem os outros 90%!

    []s
  • Minarquista Anti-Ancap  14/06/2017 22:42
    Minarquista, estou com você. Perfeito! Assim como o artigo que eu aqui postei.


    Abraços
  • William  18/06/2017 14:58
    Olá. Achei interessante sua análise.
    A minha dúvida é: como as pessoas iriam "impor" um limite de intromissão governamental, visto que muito provavelmente o governo iria querer aumentar seu poder gradativamente? Como iríamos limitar a ação governamental, por exemplo, na questão do uso de entorpecentes ou compra de armamentos, visto que o mesmo possui monopólio da força (exército)?
  • Sobrevivente do socialismo  14/06/2017 02:48
    A maioria das pessoas acham que a principal vantagem do capitalismo é a competição, mas se esquecem que nada existiria sem o respeito entre as pessoas.

    Como seria o mundo se a maioria das pessoas vivessem de roubos ? Como seria o capitalismo se as pessoas fossem expulsas de suas propriedades por marginais ?

    O capitalismo verdadeiro significa o respeito pela propriedade e liberdade das outras pessoas. A competição nunca foi o principal ponto. Ela nem existiria se o capitalismo sofresse um ataque brutal de marginais e bandidos.

    A competição é uma consequência. Não é coincidência que países pobres tem mais brigas, roubos, mortes, monopólios, cartéis, etc.

    Onde não há respeito, o capitalismo sempre é reduzido.
  • Pedro Heckert  14/06/2017 12:10
    Muito bom o artigo. Meus parabéns
  • Morgana Elizabeth  14/06/2017 13:20
    Acho que é sempre uma boa ideia você começar a entender os processos disso, como quando você vai comprar um suplemento natural há tanto imposto depositoado em cima, que é muuto melhor que continuemos gordos, tudo isso culpa desse nosso governo lixo.
    Fora temer
  • Pedro  14/06/2017 18:21
    Pobre Paulista 13/06/2017 16:40
    Todos os exemplos citados no texto dependem de um ponto central de falha: A internet. Que por sinal está cada vez mais ameaçada de ser controlada e regulamentada exclusivamente por agentes estatais. Tão logo os governos consigam controlar a internet, esses bens de capitais "massificados" voltarão a se tornar exclusividade dos amigos do Rei.


    Quero entender como a internet vai ser controlada. Estamos somente no início da revolução tecnológica e a internet faz parte dela.

    Pobre Paulista 13/06/2017 18:01
    Não falei em derrubar, falei em controlar. Fazer com que trabalhem apenas de acordo com o que querem.

    Além do mais, todos os servidores e roteadores estão em algum lugar do mundo, e todos os lugares do mundo estão sujeitos às arbitrariedades legais. Basta um político enfezado assinar um papel que aparece a polícia lá para tomar tudo.

    Mas nem precisa disso tudo: Veja o próprio Google que, a pedido dos governos mundo afora, resolveu classificar sites que não estão de acordo com o estabilishment como sendo "fake news" e sendo removido dos resultados de buscas. Ou o youtube que simplesmente baniu a monetização de sites de direita. Isso sem contar o facebook que já assumiu que manipulava posts para direcionar a opinião pública. Isso é apenas uma amostra de como o capitalismo de estado está tomando controle da internet.

    Se isso é "liberdade de capital", não quero sequer imaginar o que é escravidão.


    Facebook e Google podem restringir a vontade a monetização. Quem gera conteúdo que realmente interessa ao público pode usar o crowfounding, assim como já amplamente utilizado. E não foi só "sites de direita" que perderam monetização, alguns tipos como Lucas Neto (youtuber) também abriram o berreiro por ter sido "censurados" pelo Youtube.
  • esteban collado  14/06/2017 18:47
    Ao respeito do Sr. Ortega,
    A semana atrasada foi noticia na Espanha a doaçao de 320 milhoes de euros do Amancio Ortega ao SUS espanhol para a compra de aparelos de scanner de ultima geraçao para que cada cidade tenha os melhores equipamentos do mundo na prevençao e diagnostico do cancer.
    A noticia nao e exatamente a doaçao, ja que o Sr. Ortega alem de ser a persoa mais rica da Espanha e tambem o que mais doa. A noticia mesmo e que debido a que o sistema de saude espanhol depende dos "estados", dois de eles Canarias e Aragon ten se recusado a aceitar eses equipamentos alegando que esso deve ser pago pelo estado e nao por nengum cidadao, e o representante canario ainda insultando a Ortega...
    A canalha comunista nao se interesa com as vidas das pessoas com cancer mais sim com a procedencia capitalista dos medios.
    A Asociaçao Espanhola Contra o Cancer aceito os equipamentos. E tudos os enfermos de cancer proclamarom onte o dia de Amancio Ortega.
    Desculpem meu mal portugues.
  • manoel Aroeira  14/06/2017 20:56
    Concordo com o texto e digo mais: para todos os lados hoje em dia só se ouve compre da china , compre da china, depois nao entendem por que a industria nacional está quebrada
  • Eduardo  14/06/2017 23:30
    Não. A indústria nacional está quebrada porque é ineficiente. E é ineficiente exatamente porque é extremamente protegida. O Brasil é a economia mais fechada do G20.

    exame.abril.com.br/economia/noticias/as-10-economias-mais-fechadas-do-mundo-o-brasil-lidera

    Sendo ineficiente e cara, ninguém no mundo quer seus produtos, que são uma porcaria (porque a indústria está mal acostumada).

    Mas há também outros fatores:

    As reais causas da desindustrialização do Brasil

    O futuro da indústria - por que a participação da indústria no PIB sempre será declinante

    A abertura comercial é imprescindível para o crescimento econômico - e isso não é folclore

    Como a Nova Zelândia e o Chile transformam vacas, ovelhas, uvas e cobre em automóveis de qualidade
  • Henrique Zucatelli  15/06/2017 19:40
    Exatamente Eduardo, 80% em parte culpa do Estado e 20% preguiça mesmo dos seus industriais.

    Quem tem mente aberta e GOSTA DE PRODUZIR, produz onde for: aqui, nos EUA, na China etc. Quem quer ganhar dinheiro, produz se for lucrativo, senão importa e revende.

    A choradeira dos industriais do Brasil de meu Deus é que eles gostam mesmo é de dinheiro, não de produzir. Prova cabal é muitos colegas que se adaptaram aos preços chineses, ganham menos mas continuam produzindo, porque gostam da coisa.

    Temos a cada dia que nos acostumar que é mais fácil de ser copiado e até mesmo superado completamente de uma hora para outra. Para isso a escolha de sofia deve ser feita: ou você dá o sangue para estar lado a lado com seus concorrentes mundiais, sempre inovando a preços baixos, ou se torna um comerciante nato, com bons fornecedores e práticas comerciais que gerem lucro, oferecendo serviços adicionais, programas de fidelidade, descontos, prazo diferenciado, pós vendas perfeito etc.
  • anônimo  15/06/2017 16:33
    Desculpem a minha ignorancia, mas tenho uma duvida sobre comercio internacional

    Digamos que o Brasil adote o ouro como moeda oficial, ou que o real passasse a ser lastreado em ouro. Então nossa moeda seria bastante valorizada perante as outras,portanto seria bastante fácil e barato importar produtos que seriam caros demais para serem produzido aqui.

    Entretanto, como ficariam as exportações,digo, em um mundo em que a nossa seria a unica moeda lastreada em ouro, enquanto as outras seriam apenas pedaço de papel colorido, que o governo diz que vale alguma coisa,quem seria o empresario que aceitaria vender produtos para outros países em troca de dolares,euros,yuans, moedas que nao teriam valor se comparado ao ouro.



  • Trader  15/06/2017 18:23
    Essa pergunta não faz sentido porque nenhum exportador recebe moeda estrangeira no Brasil. Aqui no Brasil não circulam dólares, nem euros, nem francos suíços, nem libras, nem nada. Só circulam reais.

    Quando um brasileiro exporta café para os EUA, ele recebe dólares em uma conta bancária nos EUA. Ato contínuo, ele vende esses dólares para um importador brasileiro ou para um banco brasileiro. O exportador então recebe reais em sua conta bancária brasileira e esses dólares continuam lá fora.

    Portanto, se a moeda brasileira fosse atrelara ao ouro não haveria absolutamente nenhuma mudança. Exportadores continuariam recebendo na moeda brasileira. Eles trocariam dólares pela moeda nacional utilizando o mesmíssimo processo acima descrito.
  • Julio  16/06/2017 03:29
    Parabens mais uma vez ao mises brasil pelo otimo artigo;
    Sou tecnico em seguranca do trabalho estou desempregado acompanho o mises a pouco mais de 1 ano e tenho comecado acreditar em que a solucao para os meus problemas seria empreender porem como um bom aluno de voces descobri 2 problematicas que nao consigo resolver
    1 nao tenho capital
    2 nao tenho uma plataforma de venda para os meus servicos
    Caro autor se voce puder me ajudar com as essas premissas serei eternamente grato
    Abracos
  • Marcio Lopes  16/06/2017 14:28
    Creio que nessa situação o mrlhor a fazer é conseguir qualquer emprego e fazer o máxino possível para manter alguma poupança, e concorrentemente buscar empregos que paguem mais. Após algum tempo você terá algum capital para começar. Outra alternativa seria conseguir um sócio investidor que aporte o capital a sua idéia.
  • Emerson Luis  22/07/2017 09:41

    O IMB é muito estraga-prazeres:

    Vive apresentando fatos que estragam as queridas falácias de estimação da esquerda!

    * * *
  • Emerson Luis  22/07/2017 13:26

    Expressões como "mobilidade social" e "ascensão social" não são termos esquerdistas?

    Sinto-me incomodado com expressões com a palavra "social", pois em geral se referem a conceitos socialistas, embora não devamos generalizar.

    * * *


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