clube   |   doar   |   idiomas
O lado bom de ser demitido
Esta pode ser a melhor maneira de você progredir na carreira e na vida

Você trabalha em uma empresa e repentinamente é demitido. De primeira, você fica aborrecido. Em vários casos, fica até mesmo revoltado. Mas como você deveria agir?

O ideal seria que você apenas seguisse em frente, com a cabeça erguida, procurando um novo emprego e uma forma de continuar subindo na vida. Você olharia para trás e diria: "Quer saber? Essa demissão foi, na realidade, uma coisa boa".

Possível? Totalmente.

A verdade é que ser demitido é uma das melhores coisas que pode acontecer a você, desde que você saiba enxergar tudo da maneira certa. Não há por que considerar o evento como o fim do mundo. Pode ser o início de coisas verdadeiramente positivas.  Sim, tudo isso soa como um surrado clichê, mas realmente é verdade. Ser demitido é algo que não apenas irá inspirar você a alcançar novos graus de excelência, como também pode lhe ensinar lições importantes sobre os malefícios de se tornar excessivamente apegado a uma empresa ou mesmo a um roteiro único e pré-definido para a sua carreira.

Eis uma rápida história envolvendo um indivíduo que eu demiti. Após avisá-lo de sua demissão, ele se revoltou e se comportou muito mal, como algumas pessoas tendem a fazer. Isso é compreensível. Só que ele tinha talento. Isso era perceptível. Ele simplesmente não havia conseguido se adaptar ao emprego, principalmente porque aquele era o primeiro emprego de verdade que ele havia conseguido.

Alguns meses depois, recebi um telefonema de uma pessoa interessada em contratá-lo. Fui franco e sincero: sim, eu o havia demitido, mas com motivos. "Entretanto", prossegui, "imagino que isso tenha servido como um grande sinal de alerta para ele. Ele tem talento, e, como consequência, você terá agora um empregado dedicado e disposto a realmente trabalhar, e bem mais motivado. Eu fiz a parte difícil. Você colherá os benefícios."

Em resposta aos meus comentários, essa empresa o contratou. E, como eu já imaginava, esse indivíduo se tornou extremamente bem sucedido neste novo emprego. Ter sido demitido foi ótimo par ele. Do meu ponto de vista, foi essencial. Hoje, ele pode olhar para trás e dizer: foi uma ótima experiência.

O trabalho assalariado é uma via de mão dupla

O segredo para se entender tudo isso é analisar a natureza de um contrato de trabalho. Trata-se de um acordo baseado na expectativa de uma cooperação mútua, a qual melhora a situação tanto do empregador quanto do empregado. Caso não houvesse escassez no mundo, o empregador iria preferir não contratar ninguém e fazer tudo sozinho. Isso não apenas lhe pouparia recursos, como também, em todo caso, a maioria dos empregadores imagina poder fazer um trabalho melhor do que qualquer pessoa que venham a contratar. Eles apenas contratam porque sabem que não podem fazer tudo sozinhos.

A própria existência de empresas que empregam mais pessoas do que o número de proprietários é um fenômeno oriundo da necessidade de se dividir o trabalho. A teoria da divisão do trabalho e das vantagens comparativas mostra que, mesmo que o patrão seja o melhor contador, faxineiro, comerciante, desenvolvedor de página de website e especialista em marketing em todo o mundo, ele estará em melhor situação caso se especialize em apenas uma área, e entregue as outras tarefas para outras pessoas, mesmo que estas pessoas não sejam tão boas quanto ele nestas tarefas.

Cada empregador, portanto, considera cada decisão de contratação uma combinação entre temor ("não quero desperdiçar dinheiro!") e alívio ("finalmente poderei me concentrar em algo aqui!").

O empregado não está fazendo nenhum favor ao seu patrão ao meramente trabalhar ali. Já o patrão não deve ser visto como um generoso distribuidor de fundos, muito menos alguém sob uma obrigação moral de fazer redistribuição de renda. O empregado está ali porque a natureza do mundo e a escassez de tempo e recursos o tornam necessário.

Para que todo este arranjo funcione bem e pacificamente, é necessário haver benefícios mútuos. Sempre.

A separação é fácil

Quando este benefício mútuo deixa de existir, passa a ser do interesse de ambos os lados desfazer a relação. O empregado, que deixou de ser útil para aquele patrão, estará livre para ir à procura de melhores e mais agradáveis oportunidades. Já o patrão poderá parar de pagar a esse empregado, que estava lhe oferecendo serviços que ele não mais acredita serem benéficos para a empresa.

Ser demitido significa apenas que o empregador tomou a iniciativa de parar de continuar financiando a relação. É claro que um dos lados ou ambos os lados podem estar errados, mas toda e qualquer decisão humana é especulativa; só agimos tendo por base as informações que temos (as quais são imperfeitas). Mas a verdadeira questão é: por que você continuaria em um jantar no qual você não é bem-vindo? Por que você continuaria em uma casa na qual não é querido? O mesmo é válido para um contrato de trabalho. Se você não é querido ali, você deve pedir para sair e, de imediato, se considerar em melhor situação por causa disso. Sem processos trabalhistas, sem reclamações, sem fofocas, sem rancor, sem amargura, sem atos de vingança. Apenas uma separação limpa e amigável.

A razão por que você foi demitido importa? Não muito. O próprio empregador nem sempre sabe o motivo. Ele apenas sabe que, do ponto de vista dele, a relação não mais está funcionando. E ele está em seu perfeito direito de terminá-la.

De novo: por que você iria querer continuar trabalhando para alguém que não mais lhe quer?

Por que eu fui demitido

Agora, deixe-me lhe contar sobre a vez em que eu fui demitido.

Eu trabalhava em uma loja que vendia ternos feitos sob medida. Fui considerado pela gerência o melhor vendedor da loja. Mas eu raramente me encontrava pessoalmente com meu empregador.

Durante uma temporada de natal, o patrão disse a todos os vendedores que, dali em diante, todos os pedidos de alteração nas medidas das roupas só poderiam ser prometidos para três semanas após a data da venda (quem fazia o trabalho de alfaiate era o próprio patrão).

Considerei aquele alongamento vergonhoso. Não era necessário tanto tempo.

Como era de se esperar, menos de uma hora depois, um cliente adentrou a loja e disse que compraria sete ternos caríssimos, mas com uma condição: todas as alterações teriam de estar prontas em, no máximo, uma semana.

Era de se esperar que eu fosse correndo até o padrão e o avisasse. Ele teria dito que não, tenho certeza.

Logo, eu não fiz isso. Apenas fui adiante e prometi ao cliente que as roupas estariam prontas em uma semana. Ao fim do expediente daquele dia, meu patrão descobriu os recibos, ficou enfurecido, jogou todos os sete ternos em cima de mim e exigiu saber "quem irá fazer as alterações neles?"

E então eu disse: "Eu irei". E imediatamente fui para a máquina de costura e comecei a trabalhar. Quando eram 9 da noite, eu já havia terminado todos os ternos. Imediatamente, levei todo o trabalho completo para o patrão e disse que eu mesmo entregaria os ternos pessoalmente ao cliente na manhã do dia seguinte.

Meu patrão, então, disse: "Ótimo." E completou: "Quando você terminar da fazer isso, não mais precisarei dos seus serviços."

Justo ou injusto?

Ele estava certo ou errado?

De um lado, ele estava errado ao imaginar que me demitir seria bom para seus negócios. Mas ele estava certo ao não aprovar o comportamento de um empregado desobediente.

Eis uma dica: se há uma atitude que irá seguramente fazer de você uma pessoa não mais desejada por um empregador, essa atitude é a insubordinação.

Mesmo de um ponto de vista puramente comercial, meu patrão precisava de uma equipe que seguisse suas ordens, fossem elas corretas ou erradas. Veja bem: esse não era meu estilo, mas era exatamente o estilo daquela loja. Por que eu me senti no direito de alterar todo o padrão de um empreendimento no qual eu não havia investido capital nenhum?

Após alguns dias, eu já havia conseguido um novo emprego. Acabei virando gerente em outra loja de roupas, diretamente concorrente à do meu antigo padrão. Dali em diante, minha loja superou a dele em todas as temporadas seguintes.

Ser demitido não significa que todo o seu tempo dedicado àquela empresa foi desperdiçado. Durante o período em que você trabalhou lá, tanto você quanto seu empregador se beneficiaram de alguma forma. Uma alteração nas condições não revoga essa realidade. O empregador ganhou um trabalhador. E você ganhou uma valiosa experiência — e uma das mais valiosas e necessárias experiências é o choque de ser demitido.

Em alguns casos, ser demitido é a melhor maneira de progredir. Todos nós precisamos de estímulos e de aprimoramentos. Vivenciar a experiência de uma rejeição direta é um pungente lembrete deste fato, e pode nos fornecer um grande ímpeto a uma mudança.

Além de frustrado, você pode se sentir enraivecido e até mesmo tomado pelo ódio. Você pode amaldiçoar seu patrão. É provável que queira processá-lo (esta sempre tende a ser a primeira reação de todo mundo).

No entanto, o que você realmente deve fazer é algo completamente contra-intuitivo. Respire fundo e diga aquilo que você realmente não está a fim de dizer. Você tem de agradecer ao seu patrão por ele ter tido confiança em você e por ter lhe dado a oportunidade de trabalhar lá. E você tem de dizer isso da forma mais sincera possível. E quando, no futuro, você por acaso se encontrar com seu ex-patrão em um supermercado ou em algum evento esportivo, você deve tratá-lo com enorme dignidade, como se ele fosse um velho amigo, e agradecê-lo novamente por tudo.

Se você fizer isso, pode acontecer de, no futuro — e, com efeito, isso quase sempre irá acontecer —, esta pessoa estar na posição de recomendar você para um emprego. A probabilidade de ele lhe recomendar e dizer coisas positivas a seu respeito será muito maior se você agir assim. Com efeito, ele poderá ficar tão positivamente impressionado com sua grandeza de espírito e magnanimidade, que poderá até lhe oferecer seu emprego de volta. E você pode, muito educadamente, recusar a oferta.

O ponto aqui é que não há absolutamente nada de produtivo no ressentimento e no ódio. Tais sentimentos não farão de você uma pessoa melhor e mais produtiva. Odiar seu ex-patrão faz tanto sentido quanto odiar aquela padaria da qual você costumava comprar leite. Antes, você via aquela transação como benéfica para você. Hoje, não mais. Grande coisa.

A maioria dos trabalhadores tem uma dívida

Se isso facilita as coisas, vale relembrar que você quase que certamente custou mais à empresa do que de fato contribuiu para ela. [N. do E.: no caso do Brasil, em que um trabalhador custa ao seu patrão o dobro do seu salário bruto, isso é ainda mais certo.]

Lembro-me de já ter tido como colega de trabalho um néscio que se recusou a organizar os estoques no fundo da sala. "Com o salário que ganho não irei fazer isso", dizia ele. E a verdade é que ele ganhava muito mais do que gerava de valor (a propósito, ele foi demitido na mesma semana em que fez isso).

Patrões frequentemente pagam salários antecipando uma determinada produtividade futura do empregado. Ao fazerem isso, esperam estar fazendo algum tipo de investimento para o futuro. Será somente mais tarde que você, como empregado, irá se tornar produtivo o bastante para ser valioso para ele. Quando isso ocorrer, ele irá aumentar seu salário, antecipando uma maior produtividade futura.

Portanto, de certa maneira, todos estamos em dívida para com nosso patrão.

A pior coisa que pode acontecer a um país é ter uma população que parta do princípio que todos os empregos devem ser vitalícios. Na Europa, isto é já é assim. Em um livre mercado, as pessoas mudariam de empregos sem nenhum empecilho. Empregadores iriam livremente contratar e demitir, testando aquelas pessoas mais aptas à vaga de trabalho oferecida. E os empregados fariam exatamente o mesmo com seus patrões. Desta maneira, a probabilidade de satisfação seria muito maior, e os locais de trabalho seriam mais alegres e menos contenciosos. No entanto, não há livre mercado nesta área.

O direito de demitir e de sair

Nada é mais absurdo do que tentar restringir o direito de demitir. Acordos voluntários valem para ambos os lados. O empregado pode pedir para sair, e o empregador pode demitir. Qualquer outro arranjo, como um que restringe um dos lados, representa um ato de coerção que diminui o bem-estar de ambos os lados.

De maneira mais realista, pense em adolescentes e suas primeiras experiências de trabalho. A maioria será demitida de pelo menos um emprego — ou de vários — em seus primeiros anos no mercado de trabalho. Ser demitido nos relembra de nossas obrigações, da natureza contratual do trabalho, e da necessidade de haver consentimento, acordo e voluntariedade em todas as relações sociais. O ato de ser demitido ressalta a existência da liberdade de associação, a qual é a chave para a paz social e o pilar do crescimento econômico. Faça a sua parte e saiba recebê-la também.

E o que fazer ao ser demitido? Absorva tudo o que você aprendeu e siga adiante. Seja ainda mais impressionante em seu próximo emprego. Agindo assim, a probabilidade de você se dar bem será muito maior. E aí você sempre poderá olhar para trás e dizer com um sorriso no rosto: olha só o que aqueles caras estão perdendo!

 ________________________________________________________

Leia também:

Alguns conselhos aos jovens que estão desempregados

12 votos


  • Kleber  12/06/2017 15:25
    Como sempre, excelente artigo! Apenas uma observação: "Por que eu me senti no direito de alterar todo o padrão de um empreendimento no qual eu não havia investido capital NENHUM?" não deveria ser ALGUM?

    No mais, perfeito.
  • João  12/06/2017 15:41
    Não. O certo é realmente 'nenhum'.

    duvidas.dicio.com.br/nenhum-algum-ou-qualquer/
  • Kleber  12/06/2017 15:57
    Obrigado! Acho que faltei nessa aula, hehehe
  • MB  12/06/2017 15:38
    Um conselho aos mais jovens: se você começar a trabalhar com ou sem carteira assinada, por exemplo aos 18 anos, faça um favor a si mesmo e fique durante 5 anos juntando seu salário. Isso mesmo, fique 60 meses ou mais juntando o máximo de dinheiro independentemente do tamanho do seu salário, mesmo que seja abaixo do mesmo e se for acima melhor ainda. E só depois disso passe a desfrutar dele e mesmo assim economizando até aposentar por conta própria 10% do seu salário.

    Posso afirmar que com esse colchão de liquidez formado nestes 5 primeiros anos sendo peão, arrimo de família ou não, ficar desempregado ao longo da vida não será drama nenhum, pelo contrário serão anos sabáticos e a sensação de liberdade e tranquilidade financeira mesmo sendo pobre ninguém tirará de você...

    Ah, se eu pudesse voltar a minha mocidade! Minha realidade hoje seria outra, apesar de que ainda posso mudá-la, mas quando se começa jovem as coisas são melhores e mais fáceis.

    Reflitam garotada!!!
  • Tiago Pinheiro  12/06/2017 15:58
    Quantos anos você tem MB? Quais consequencias você teve por não ter criado um colchão durante sua juventude?
  • MB  12/06/2017 21:17
    Thiago Pinheiro tenho mais de 40 e por vicissitudes da vida não tive educação financeira e nem percepção para este tipo de estratégia,não sou coitado e se sou vítima? Posso posso ser vítima do estado malvadão que ao invés de ensinar nas escolas educação financeira,educação profissionalizante,boas maneiras,produção de texto,cálculos matemáticos mais práticos,enfim dar uma educação para a vida,para o cotidiano,pois não é o que vemos,pelo contrário a escola pública e o MEC,só reproduzem a ideologia de plantão que só aliena e emburrece as pessoas,o estado é uma lástima só não enxerga quem não quer e antes de apontarem para nós libertários por vivermos sonhando com a desestatização de nossas vidas,saibam todos que se a cultura mudar os valores estatistas serão questionados e postos em cheque e ai sim nossas ideias serão respeitadas e aplicadas por serem práticas e fácil de aplicar,só os parasitas é que insistem em desmenti-las pois o atual sistema os beneficia e estimula todos a pensarem em também virar parasitas,portanto Gramsci tinha razão,ora mudando a cultura você domina um povo...
  • Andre  12/06/2017 16:14
    Bem lembrado, 90% da frustração de uma demissão é devido a contas pra pagar e preocupação para atender um padrão de vida que não cabe no salário., aprendi cedo a administrar bem meu dinheiro, cada demissão foi um agradável mochilão de vários meses.
  • Leonardo  13/06/2017 12:21
    Esse é o conselho que precisava nos meus 18 anos! Hj em dia estou tentando pensar positivo e afirmar q não é tarde demais e fazendo o possível para economizar o máximo possível. O estrago já foi feito, agora é só não desanimar.
  • Matheus  13/06/2017 14:47
    Rapaz...felizmente tive educação financeira (mais vendo coisas na internet mesmo, nunca fui num curso disso hehe), e com 22 anos já vejo a diferença - não poupei tanto quanto você colocou, mas é uma boa reserva - e faço das minhas palavras as suas: quem for "moleque" não torre todo seu salário no primeiro celular que você ver na loja! Sabia que gerenciando seu salário você pode comprá-lo e deixar um pouco guardado?

    Só fico meio "bolado" por pensar que de uma sala de 40 alunos fazendo Direito, só eu mais um senhor - que já foi vendedor de rua, anote-se - tenha nem que seja uma noção de educação e planejamento financeiro.
  • Jo%C3%83%C2%A3o de Alexandria  13/06/2017 15:18
    Mais fácil falar do que fazer...

    A minha história pessoal sempre me deu a noção de que em qualquer época da vida o negócio era fazer mais com menos. Mas você tem os amigos, tem as baladas, tem as menininhas...numa época em que você quer popularidade, ser o pão-duro é dose, não é tão fácil assim.

    Eu admito que abusei durante uns 3,4 anos, o que me despertou foi o nascimento da minha filha e doença na família. A partir daí eu virei um investidor em até certo ponto obsessivo. Tracei um plano em que couberam duas experiências no funcionalismo nos níveis estadual e federal só pra chegar ao ponto de poder chutar o trabalho e ir fazer o que eu queria.No dia em que fui pedir exoneração meu superior olhava pra mim como se eu fosse um alienígena, mas nunca me senti melhor como nesse dia. Pagou com juros e correção tudo que eu tinha passado até ali, mas essa estrada é longa e penosa, e não tem atalho !
  • MB  13/06/2017 15:43
    Poupar em qualquer fase da vida é difícil,mas não é impossível e a estratégia dos cinco anos é plausível:Por exemplo um recruta pode ficar 5 anos no exército enquanto soldado raso e poderá economizar o suficiente para enfrentar o mercado de trabalho hostil e perverso por conta destas leis trabalhistas e sindicatos parasitas que mais atrapalham do que ajuda os jovens em início de carreira,enfim pensem e reflitam garotada!!!
  • Capital Imoral  12/06/2017 16:09
    2042 - Anarcocapitalismo
    Parte3 - Como você é Belo!

    O belo é o esplendor da ordem. - Aristóteles

    23 de Março de 2042. Pedro, acorda! Pedro, Acorda! Pedro, acorda e percebe em sua volta o resto de bebida alcoólica e drogas jogados pelo chão. A madrugada foi intensa; jogos, sexo simulado, drogas sensitivas. Ele utilizou mais a droga sensitiva chamada "sex", está droga simula os prazeres de um sexo real de maneira quase perfeita; o cérebro entra em transe instantâneo e todos fetiches sexuais podem ser feitos sem nenhuma consequência a outros. Nesta madrugada, Pedro tomou três destas pílulas. O desprezo de Pedro por seres humanos aumenta cada vez mais, pois à cada nova pílula, o ser humano é dessacralizado.

    Já passa do meio dia e meia, e Pedro lembra-se de sua mãe e de seu filho que foi abortado, ele tenta imaginar a beleza de uma criança, mas logo sente raiva de tudo, pois a beleza traz um sentido de ordem e razão à vida. Neste sentido podemos dizer que Pedro é sortudo, pois ele foi um dos poucos a não associar a beleza de um bebê com a vontade de fazer sexo.
    Faz mais de 10 anos que Pedro não tem ordem de espírito, e a cada nova denúncia do belo, faz ele querer destruí-lo.

    A cada novo pensamento sobre o bebê, a raiva aumenta, é preciso fugir, está na hora de colocar o óculos de realidade virtual e começar a jogar "Lobs" - Jogo de MMOrpg - onde Pedro entra em um mundo fantástico de cores e sons. O mais impressionante deste jogo é a aplicação sensitiva nasal; funciona mais ou menos como as pílulas sensitivas, onde acontecem pequenas aplicações químicas diretamente no nariz, basta respirar que o efeito acontece. Pedro pode sentir o ar puro do Amazonas, como também pode sentir os efeitos de drogas legalizadas como o crack. Pedro consumiu uma pequena dose de crack para relaxar, agora é necessário pagar pelo consumo: Pedro ficará durante 15 minutos assistindo comerciais com apelo sexual. Como a ordem e razão poderia existir no mundo do consumo? È preciso que todos estejam rebaixados.

    Foi assim que desde o começo do século 21, começou a ser santificado o kitsch. O que é Kitsch? È o tipo de arte sem nenhuma mensagem própria, no qual todos efeitos são copiados e todas emoções, falsificadas. No princípio, o Kitsch existia apenas na fotografia e cinema, com a expansão dos meios de comunicação e posteriormente a realidade virtual, tudo tornou-se uma cópia da cópia que afirmava odiar o passado. O kitsh foi importante neste processo, porque ajudou a acabar com o Cristianismo no mundo. Numa época em que a fé estava em declínio; a arte era o único testemunho da verdade eterna, porém os homens mataram a arte porque queriam a revolução.

    Muitos libertários do começo do século 21, pensavam que era possível associar liberdade com capitalismo. Eles esqueceram que o fundamento de uma empresa está na revolução; simplesmente todos empresários diziam-se os mais revolucionários de sua época, e de revolução em revolução chegamos à data: 23 de Março de 2028.
    -Espera! Hoje é dia 23 de março de 2042? Pensou, Pedro.

    -Sim! È aquela mesma data em que um bilhão de pessoas cometeram suicídio coletivo no mundo inteiro.

    Pedro, refere-se à data 23 de Março de 2028; nesta data cerca de um bilhão de pessoas na internet, decidiram jogar um jogo revolucionário, chamado "Baleia roxa", que consiste em uma maneira de cometer suicido com apoio de outra pessoa. O grande empresário por trás deste jogo, afirmava que estava na hora de revolucionar a nossa relação com a morte e dor. Ele criou todo um escopo legal para que o processo ocorra de uma forma voluntária, onde ambos os lados assinaram um contrato. O jogo acabou tendo grande adesão nas redes sociais, com campanhas que afirmavam: "apoiar suicídio é amor". Este empresário teve uma percepção de oferta e demanda do espírito humano, ele percebeu que todos no fundo queriam cometer suicídio, foi necessário apenas vender uma idéia ruim, com uma estética bela; os homens no fundo já ansiavam por isso, eles precisavam apenas de uma confirmação da beleza. Houve apenas uma manipulação da liberdade estética.

    Pedro Logo acessa o Goobit Search em busca do app baleia roxa filiados. Desde à data 23 de Março de 2028, o jogo baleia roxa tornou-se uma instituição que procura promover o suicídio coletivo no mundo. Eles são financiados com doações voluntárias através do Bitcoin. O novo app permite que você possa assumir o papel de assassino particular, mas dizem que a palavra assassino soava muito forte, por esse motivo utilizam a palavra: "voluntários do amor". A prática de matar o próximo pode ser feita a distância: Onde a alma livre toma uma pílula e do outro lado do mundo o voluntário do amor aperta um botão que libera o efeito do veneno, em questão de segundos a pessoa morre. Existe também a prática presente: o voluntário do amor, utiliza o revólver programático de ondas, este revólver envía ondas microagressivas para o crânio da vítima, estas ondas gera um curto circuito controlado no cérebro e a pessoa morre.

    Pedro, descobre que sua vizinha de condomínio quer morrer. O app permite que o voluntário do amor e a alma livre possam se conhecer pessoalmente antes do grande ato. Pedro toma coragem e resolve visitar sua alma livre. ele aperta a campainha:

    tindon.
    -Quem é você?
    -Eu sou pedro, seu voluntário do amor.
    -entre!

    Pedro logo percebe que a estética do apartamento dela, não é muito diferente do quarto bagunçado dele. Não existe estabilidade estética, o quarto parece um grande lixão onde absolutamente tudo está jogado pelos cantos. o que aconteceu com os seres humanos? Pensou pedro. O que aconteceu comigo? Pensou pedro.

    -E por que você decidiu ser voluntário do amor? Perguntou ela.
    -Porque eu nunca vi ninguém morrer pessoalmente. deve ser radical! posso gravar e colocar no youtube? talvez eu consiga algumas doações em bitcoin.
    -Mas é claro que pode! quem sabe eu fico famosa.

    Obviamente, Pedro não queria dizer estas palavras, ele estava apenas seguindo por instinto a liturgia do mundo moderno. Se ele agisse diferente, talvez ele não seria cool, e talvez a vítima feminista, não aceitasse que seja ele o voluntário do amor no dia de hoje.

    Por alguns segundos, ela consome crack na frente de Pedro.
    -Por que você não toma a pirula do crack em vez de consumir no cachimbo?
    -Não importa, eu vou morrer de qualquer jeito. Deixe-me ser livre.

    Pedro não consegue parar de olhar para os olhos dela, enquanto consome crack. È como se os olhos denunciassem o que ele não é capaz de ver. Ele lembra-se daquele quadro com olhos e bocas, aquele quadro que fazia parte do cenário de um filme pornografico, durante todo filme ele não parava de olhar para aquele quadro, como é mesmo o nome?

    -O Triunfo de Vênus!
    -O que?
    -È o que sinto quando consumo Crack. È como se eu fizesse parte do quadro: O Triunfo de Vênus. - Respondeu ela.
    -Você é doida eim mulher. heuehueheu. Quando você morrer vou fazer montagem com seu rosto neste quadro que você fala. Vou colocar no twitter só de zoa.

    O Triunfo de Vênus de 1740 revela os olhos e bocas do ano de 2042; O rosto que todos eles ostentavam é o mesmo - nem poderia dizer que rosto é, e sim uma mistura que não revela individualidade - os olhos voltavam-se para coisas, mas só havia coisas irrelevantes na imagem, alma nenhuma emana delas, nada questiona, nada inquieta: Tudo está tranquilo demais em criaturas que são abstratas demais para tomar posse da vida. Todos são consumidores tranquilos, onde o único convite que a estética revela é o convite ao nosso apetite sexual. Este quadro resume o Anarcocapitalismo.

    -Então, está tudo certo para o grande ato hoje? Perguntou ela.

    Pedro percebeu pelo tom de voz, que ela implorava para não viver mais.
    -Está tudo certo sim. Nos vemos no plano libertar.

    Plano Libertar
    Plano libertar é um ambiente organizado pelo instituto baleia roxa, onde acontecem os atos de suicídio controlado. Pedro já está posicionado em um salinha onde todas paredes contém telas de led, nessas telas são transmitidas imagens bonitas da natureza, do céu, e músicas aconchegantes. Foi recomendado a Pedro que ele não falasse com ela e que não transmitisse sentimentos antes de apertar o Gatilho. - Não olhe para os olhos dela. Não olhe de jeito Nenhum!

    Com seu revólver programático de ondas na mão, ele está de frente para ela. È só apontar o gatilho e ela será livre, assim como mostra as imagens da tela de Led; a liberdade está a um click.
    Ele não consegue parar de olhar para os olhos dela. Por algum motivo ele sente vontade de chorar, uma vontade infinita de chorar, se pudesse choraria durante à vida toda. Ele apertou o Gatilho.

    Pedro tornou-se o rei do mundo, mas escravo de sí mesmo.
    A alma anseia por Deus mas não consegue encontrar. Toda culpa que durante décadas foi escondida atrás de palavras e imagens, revela-se segundos depois de um ato real. Pedro tem a percepção que o inferno não é um lugar para onde se vai, mas um estado de consciência permanente, infinito.

    Os olhos não param de chorar, finalmente eles ganharam vida. Pedro aponta o revólver para própria cabeça e diz: " Das Profundezas clamo a ti, senhor!

    Fim.

    The Triumph of Venus: https://www.google.com/culturalinstitute/beta/asset/-/CwF1yz3e9bRtYg?hl=en
    Das Profundezas clamo a ti senhor! - Salmo 130;1

    Capital Imoral é filósofo, escritor e já refutou Mises.

  • Capital Imoral  07/10/2017 18:44
    Ha, finalmente, eu achei esse texto. Obrigado instituto Mises por ter publicado.
  • anônimo  12/06/2017 16:11
    "Se isso facilita as coisas, vale relembrar que você quase que certamente custou mais à empresa do que de fato contribuiu para ela. [N. do E.: no caso do Brasil, em que um trabalhador custa ao seu patrão o dobro do seu salário bruto, isso é ainda mais certo.]"

    Falso

    Primeiro porque o gasto com encargos não é arcado totalmente pelo empregador, mas parte pelo empregado, porque ganha um salário menor e parte é repassado nos preços.
    Se o empregado custa mais do que produz, ele está dando prejuízo, e aí ocorrem duas coisas possíveis, ou ele vai ser demitido ou a empresa vai ficar trabalhando com prejuízo e com o tempo vai falir.


  • Edson  12/06/2017 16:53
    "Primeiro porque o gasto com encargos não é arcado totalmente pelo empregador, mas parte pelo empregado, porque ganha um salário menor e parte é repassado nos preços."

    Completamente sem sentido.

    Se o salário bruto é $ 1.000 e os encargos elevam o custo total para $ 2.000, então o cara só será contratado se ele produzir $ 2.000 para a empresa. Ponto.

    E não existe como repassar esse custo para preços. Se fosse simples assim, todos os custos seriam prontamente repassados para os preços, os consumidores continuariam comprando normalmente e o desemprego seria zero.

    Tem que ser muito economicamente ignorante para acreditar que "repassar custo para preço" é algo fácil e tranquilo. Antes, você tem de combinar com os consumidores.

    Quanto ao empregado, como exatamente ele pode "arcar" com algo se ele nem será contratado (ou seja, terá salário zero)?

    "Se o empregado custa mais do que produz, ele está dando prejuízo, e aí ocorrem duas coisas possíveis, ou ele vai ser demitido ou a empresa vai ficar trabalhando com prejuízo e com o tempo vai falir."

    Ué, mas você acabou de dizer que não tem nada disso, pois, afinal, o empregador pode "simplesmente repassar os custos para os preços" e também fazer o "empregado arcar com tudo"?

    Defina-se, cidadão.
  • anônimo  12/06/2017 17:52
    Concorda que se não existissem os encargos o trabalhador ganharia os 2000, lógicamente sendo este o valor que o mercado atribui ao serviço prestado pelo trabalhador para o empregador? Então é o empregado que arca com os custos sim.

    Os custos são repassados quando não é possível reduzir o salário líquido do empregado, quando um trabalhador ganha salário mínimo. Aí existem duas possibilidades, o empresário fica no prejuízo ou demite.

    Você é que não entendeu o que eu disse.

  • Edson  12/06/2017 18:40
    "Concorda que se não existissem os encargos o trabalhador ganharia os 2000"

    Não necessariamente.

    O que está empregado teria aumento salarial (impossível saber de quanto). Já o que está desempregado conseguiria emprego a qualquer valor salarial.

    Mas aí surge a encrenca: se a oferta de mão de obra for muito alta, a média do valor salarial total tenderia a diminuir (questão básica de oferta e demanda), podendo afetar inclusive aquele já empregado.

    Portanto, não há matemática nenhuma que garanta isso que você disse.

    É exatamente por isso que salário mínimo e imposições sindicais são meros artifícios para garantir reservas de mercado: eles impedem que trabalhadores menos qualificados consigam empregos, desta forma mantendo salários (dos empregados) em valores artificialmente altos, acabando com os balancetes das empresas.

    "Então é o empregado que arca com os custos sim."

    Errado de novo. Quem realmente paga o pato é o desempregado pouco produtivo, que não consegue emprego. O assalariado empregado apenas garante seu emprego, pelos motivos acima explicados.

    "Os custos são repassados quando não é possível reduzir o salário líquido do empregado, quando um trabalhador ganha salário mínimo."

    Errado de novo. Fosse tão simples assim, não haveria nem desemprego nem empresas falidas. Tudo seria resolvido via repasse de preços.

    Por que isso não ocorre?

    "Aí existem duas possibilidades, o empresário fica no prejuízo ou demite."

    Outra incoerência. Se ele pode repassar preços, então ele não precisa demitir e nem irá falência. Já se ele tem de demitir ou vai à falência, então é porque ele não conseguiu repassar preços.

    "Você é que não entendeu o que eu disse."

    Pelo contrário: entendi perfeitamente. Por isso apontei o erro e estou gentilmente lhe corrigindo.
  • Assalariado  14/06/2017 14:17
    "Se o salário bruto é $ 1.000 e os encargos elevam o custo total para $ 2.000, então o cara só será contratado se ele produzir $ 2.000 para a empresa. Ponto. "

    Esse tipo de cálculo só existe na cabeça de economistas que vivem no mundo teórico. Na realidade poucos empregos você consegue calcular qual o retorno monetário de um individuo na empresa. Mesmo quando você está diretamente ligado a produção, na maioria das vezes, você só é uma parte do conjunto.
  • Tasso  14/06/2017 15:19
    Ué, eu concordo com sua afirmação. Só que existe uma coisinha chata chamada "realidade econômica". E na economia não existem mágicas.

    Se você possui uma empresa cujos custos de produção (incluindo salários) são maiores que as receitas geradas, então não tem segredo: você está a caminho da bancarrota.

    E não adianta xingar os modelos teóricos dos economistas. A menos que você saiba de uma maneira de revogar a contabilidade e a realidade econômica, você acabou de descobrir o principal motivo de empresas irem à falência: incompetência administrativa.

    Se o administrador não consegue nem saber quanto de receita sua mão-de-obra gera, então é óbvio que ele está a caminho de ser expulso do mercado.

    A menos, é claro, que você saiba de algum truque que revogue esta realidade.
  • Futuro economista  12/06/2017 17:33
    Excelente artigo!
  • anônimo  12/06/2017 18:29
    Seja demitido então pra ver se é bom.
  • Mario  12/06/2017 18:39
    Eu já fui (assim como o autor). Fiquei deprimido. Mas em vez de culpar os outros e me afundar no coitadismo e na autopiedade, apenas ergui a cabeça e fui em frente atrás de novas oportunidades. Sim, houve muita dificuldade, mas hoje estou em muito melhor situação. Estou realmente fazendo o que gosto e, consequentemente, ganhando muito mais.

    Agora, sempre há a opção do vitimismo. Aí nada se pode fazer.
  • Ninguem Apenas  12/06/2017 17:51
    Leandro,

    Algum dia rola um artigo sobre o Milagre Econômico da Itália no pós-guerra?
  • Minarquista  12/06/2017 19:33
    Caros:

    É muito pior do que isso! No Brasil há várias situações em que o empregador é proibido de demitir:
    a) em época pré-dissídio - que pode se estender enquanto não se chegar a um acordo de aumento.
    b) 12 ou 24 meses antes do empregado ter direito a se aposentar.
    c) 12 meses depois do empregado ser afastado por acidente de trabalho, mesmo que esse acidente seja um acidente de trânsito no seu deslocamento para / do trabalho, e mesmo que ele se encontre plenamente recuperado.
    d) gestação: desde a presumida data de concepção até 5 meses depois do parto. Isso vale mesmo em contratos de experiência.
    e) em negociação coletiva da categoria, entre os sindicatos patronal e dos empregados. As grandes empresas que representam todo o setor, sempre negociam cláusulas que só elas podem cumprir, afogando os pequenos empresários.
    f) durante greves.
    g) Funcionários eleitos para a Cipa.

    É óbvio que:
    1) Muitos empregados usam esta estabilidade para "deitar e rolar" em cima dos patrões.
    2) Estas restrições incitam a fraude dos empregados contra os patrões. Estou com medo de ser demitida? É só ficar grávida! Ou cortar propositalmente o dedo mindinho. Está tendo corte na minha empresa? É só fingir um acidente e arranjar um atestado de 15 dias. Vai haver demissões? Vamos fazer uma greve!
    3) Os empresários já põem tudo isso na conta. Para um sujeito ter um salário de X, e receber líquido 3/4 de X, ele custa diretamente 2 X. Mas para o empregador a conta só fecha se o empregado agregar pelo menos 3 X, pois ele tem que fazer reservas financeiras para os casos em que o empregado ficará recebendo sem produzir e sem poder ser demitido. E é necessário fazer reserva também para os processos trabalhistas.
    4) Os empregadores vão contratar mulheres em idade fértil somente mediante um "desconto".

    Conclusões:
    Toda essa pseudo-proteção dada aos empregados sai - pelo menos em grande parte - dos bolsos deles mesmos.
    Inúmeros empreendimentos são inviáveis devido a esses custos agregados da mão de obra.
    Os dois fatores acima prejudicam a atividade econômica de forma geral, deixando a todos mais pobres.

    []s
  • anônimo  12/06/2017 22:54
    E se o patrão demite o empregado porque ele está incapacitado de produzir, em outras palavras, demite o empregado porque ele (o empregado) sofreu um acidente e não pode trabalhar por um tempo?

    Eu vejo muitas coisas injustas no mercado de trabalho, vejo pessoas trabalhando sem terem condições de trabalhar, com o braço engessado, doentes (até com febre) com medo da demissão....
  • Afrânio  13/06/2017 00:21
    "E se o patrão demite o empregado porque ele está incapacitado de produzir"

    Aí, meu caro, ele estaria sendo completamente lógico e racional. Você por acaso emprega e paga alguém que não produz nada para você? Duvido muito. Só se você for incrivelmente burro. Ou inacreditavelmente rico e caridoso.

    Aliás, até eu quero "trabalhar" para você.

    A única relação que se assemelha a este seu arranjo é o pai que paga mesada ao filho improdutivo.

    É realmente sério que você quer exigir que alguém pague um salário a outro que absolutamente nada produz?! Isso beira o inacreditável.

    "Eu vejo muitas coisas injustas no mercado de trabalho, vejo pessoas trabalhando sem terem condições de trabalhar, com o braço engessado, doentes (até com febre) com medo da demissão..."

    Ué, agora você se contradisse por completo. Primeiro você lamentou que improdutivos são demitidos. Agora está dizendo que é desumano estes improdutivos continuarem trabalhando em troca de um salário.

    É cada um...
  • anônimo  13/06/2017 12:29
    Acredito que o amigo acima se referiu a situações em que o empegado sofre um acidente no trabalho, incapacitando-o temporariamente de ser produtivo e acaba sendo demitido por isso.

    Sei que muitos gostariam que a relação trabalhista fosse mais simples, mas não é. Os empregados em sua grande maioria dependem de seus empregadores mais do que deveriam. Não são apenas empregados que abusam. Em toda relação humana existe abuso de ambos os lados.

    Não defendo a justiça do trabalho como ela é atualmente, mas acredito ser sim necessário um instrumento de regulação que evitasse, da forma mais justa e eficiente possível, abusos nas relações trabalhistas.
  • anônimo  13/06/2017 22:42
    Muito desumano o seu comentário, Afrânio. É por pessoas com pensamento como o seu que ainda precisa existir uma legislação trabalhista e previdenciária.

    Vc trata um indivíduo incapacitado de produzir, como um vagabundo. Ele não é um vagabundo, ele não está parado porque quer, mas por problemas de saúde, ou porque sofreu um acidente (seja de trabalho, seja de trânsito, seja porque caiu da escada) ou porque está em coma... Não é justo demitir um empregado que por questões de saúde, está impossibilitado de produzir.

    "A única relação que se assemelha a este seu arranjo é o pai que paga mesada ao filho improdutivo. "


    As relações patrão-empregado na Idade Média eram de pai para filho. E vcs ainda vem dizer que o liberalismo é melhor. Se tivessem ouvido o Papa Leão XIII, hj não precisaríamos de leis trabalhistas, previdência e outras leis estatais.
  • J. Mattos  14/06/2017 00:43
    "Muito desumano o seu comentário, Afrânio."

    Concordo. O certo é pagar salários altos para quem nada produz. Aliás, quanto mais improdutiva for uma pessoa, maior deveria ser o salário dela. Esta é a fórmula para a prosperidade de uma economia.

    "É por pessoas com pensamento como o seu que ainda precisa existir uma legislação trabalhista e previdenciária."

    Não sabia que a legislação trabalhista e previdenciária foi criada para garantir que pessoas improdutivas recebam altos salários. Até eu, que sou um grande crítico deste arranjo, sou obrigado a reconhecer que elas não foram criadas com este intuito bizarro.

    "Vc trata um indivíduo incapacitado de produzir, como um vagabundo".

    Em momento algum surgiu este adjetivo. Tudo o que o Afrânio disse -- e que pessoas sem escrúpulos tentam distorcer -- é que pessoas que não produzem não têm direito a receber um salário compulsoriamente pago por terceiros.

    Aliás, você que gosta de eructar moralidade, diz aí: quantos mendigos estão na sua folha de pagamento? Por favor, poste uma fota das quantias mensais que você paga para pessoas que nada produzem. Faça isso e terá meu eterno respeito.

    Como todo ser anti-ético, você gosta de afetar moralismos, mas quer que apenas os outros estejam sujeitos a eles. Você próprio se isenta de fazer aquilo que você defende. Típico.

    "Não é justo demitir um empregado que por questões de saúde, está impossibilitado de produzir."

    O justo é manter um cara que nada produz na folha de pagamento da empresa para sempre, com isso levando a própria empresa à falência -- e, consequentemente, desempregando todos os outros trabalhadores desta empresa.

    Isso sim é ético e moral.

    "As relações patrão-empregado na Idade Média eram de pai para filho. E vcs ainda vem dizer que o liberalismo é melhor."

    Ué, conte a história inteira. Quais foram as consequências deste arranjo (felizmente aniquilado pelo capitalismo)?

    O sistema pré-capitalista de produção era restritivo. Sua base histórica era a conquista militar. Os reis vitoriosos cediam a terra conquistada aos seus paladinos. Esses aristocratas eram lordes no sentido literal da palavra, uma vez que eles não dependiam de satisfazer consumidores; seu êxito não dependia de consumidores consumindo ou se abstendo de consumir seus produtos no mercado.

    Por outro lado, eles próprios eram os principais clientes das indústrias de processamento, as quais, sob o sistema de guildas, eram organizadas em um esquema corporativista (as corporações de ofício). Tal esquema se opunha fervorosamente a qualquer tipo de inovação. Ele proibia qualquer variação e divergência dos métodos tradicionais de produção. Era extremamente limitado o número de pessoas para quem havia empregos até mesmo na agricultura ou nas artes e trabalhos manuais.

    Sob essas condições, vários homens, para utilizar as palavras de Malthus, descobriram que "não há vagas para eles no lauto banquete da natureza", e que ela, a natureza, "o ordena a dar o fora". Porém, alguns destes proscritos ainda assim conseguiram sobreviver e ter filhos. Com isso, fizeram com que o número de desamparados crescesse desesperadoramente.

    Mas então surgiu o capitalismo e acabou com as guildas. Pela primeira vez na história da humanidade passou a haver produção em massa e para as massas.
  • Bill  13/06/2017 02:10
    Emprego em inglês, job, uma sigla para Just Over Broke, quase falido.
  • Paulistano  13/06/2017 03:15
    O texto é interessante, mas não faz parte da realidade do Brasil.

    Aqui nós somos sobreviventes. Nós não somos trabalhadores.

    Esse discurso de americano liberal é fácil.

    Eu quero ver se eles fazem esse discurso, num país que o governo faz de tudo para regulamentar, tributar, controlar e extorquir as empresas e trabalhadores.

    Um pedreiro americano ganha mais do que engenheiro no Brasil. Assim é fácil dizer que uma demissão não tem problema.


  • Goiano  13/06/2017 12:42
    Eu não discordo do que você disse. Só que há um detalhe crucial: nos EUA, praticamente não há como o cidadão comum poupar e aumentar seu capital acumulado, pois as taxas de juros foram suprimidas pelo governo.

    Aqui no Brasil, se você for realmente poupador, você pode se aproveitar dos maiores juros reais do mundo. Aplicando em Tesouro Direto ou em bancos menores, você consegue duplicar seu patrimônio em 6 anos. O que um brasileiro poupador ganha de juros em um mês é muito mais do que um americano ganha em um ano.

    Sendo assim, e curiosamente, o artigo vale ainda mais para o Brasil do que para os EUA. Aqui, se você fizer como um leitor recomendou acima (poupar o máximo possível em seus primeiros anos de trabalho e aplicar tudo em juros), você terá um grande colchão caso seja demitido.

    Só que quase ninguém faz isso. Todo mundo só pensa em gastar todo o salário e viver nababescamente. Aí é claro que vai passar aperto em uma eventual demissão.
  • Estudante  13/06/2017 15:16
    Quais títulos do Tesouro você aconselharia para seus confrades desse site?
  • Goiano  13/06/2017 15:26
    Essa é uma pergunta preguiçosa. Mas irei responder dizendo apenas como eu faço.

    1) Sempre acompanho a evolução dos agregados monetários e da expansão do crédito.

    2) Quando ambas estão altas, vou de SELIC e títulos indexados ao IPCA. Quando estão baixas (como agora), vou de prefixado.

    3) Mas jamais compro às cegas. Sempre deixo dinheiro na liquidez diária (em bancos menores, que chegam a pagar 105% do CDI) esperando turbulências que elevem pontualmente as taxas. Quando vazou o áudio de Temer e Joesley, as taxas dos prefixados e do IPCA dispararam. Fiz a festa ali, pois sabia que não havia fundamentos para tais disparadas (pois credito e oferta monetária estão em contração, e o IPCA está em queda). Como esperado, as taxas voltaram a cair, de modo que a marcação a mercado me trouxe belos ganhos.

    4) Se o seu objetivo é investir para se aposentar, então apenas compra Tesouro IPCA 2035 e 2045. Faça isso mensalmente, sem se preocupar com taxas. Já se o seu objetivo é especular e ganhar na marcação a mercado, siga os itens 1, 2 e 3.
  • Ailton  14/06/2017 22:08
    Colega Goiano, como faço para acompanhar a evolução dos agregados monetários e da expansão do crédito? Pode me indicar alguma fonte/site confiável para fazer o acompanhamento?

    Segundo seu conselho no item 2, minha ideia de investir na LCI IPCA do banco Inter não é uma boa ideia agora né?

    Desculpe se minhas dúvidas são meio idiotas, sou só um aspirante a investidor, se puder me ajudar agradeço.
  • Goiano  14/06/2017 23:53
    1) Séries temporais do site do Banco Central:

    www.bcb.gov.br/pt-br/#!/n/SERIESTEMPORAIS

    Séries números 1824, 2007 e 2043.

    2) Eu tenho LCI IPCA do Banco Inter. Peguei a 6,25% + IPCA. Hoje já caiu bem. Mas continua sendo ótima opção. As LCIs atreladas ao CDI também são boas. Mas para os próximos 3 anos estou recorrendo aos prefixados. O Sofisa está com um prefxado a 11,30%.
  • O sensacionalista  13/06/2017 12:48
    Isso faz algum sentido?
  • Trader  13/06/2017 15:35
    Não. Rickards pertence à ala dos catastrofistas que nunca acertaram nada. Desde 2009, Rickards vem dizendo que o "dólar vai derreter mês que vem". Aliás, ele nunca acertou uma. Não sei por que ainda o levam a sério.

    P.S.: o Gary North vive desancando o Rickards em seu site.
  • Andre  13/06/2017 19:42
    Sim e não, a coisa vai ficar feia, a bolha de ativos americanos vai estourar, os governos vão ficar insolventes a bolha chinesa vai estourar, vulcões, terremotos, cavaleiros do apocalipse etc etc etc.
    Mas tudo isso pouco importa, todos que operam profissionalmente no mercado sabem que tudo vai cair em breve, o que realmente importa é quando, seria abusar de inocência se vendesse todos os meus ativos hoje e o mercado desabasse daqui 12 meses, significa que desperdicei 12 meses de operações rentáveis, nenhum acionista perdoaria tal incompetência.
    O cálculo médio de um bom trader é de que uma repentina e brutal queda no mercado corresponderia de 4 a 6 meses de seus ganhos. Quem tem que se preocupar é quem tem um emprego ou empreendimento da economia real.
  • Mauro Ramos  13/06/2017 14:26
    Bom dia a todos, excelente artigo como sempre!

    Porem gostaria de deixar ressalvas.

    Fui empregado por muito tempo inclusive de multinacionais e sou empreendedor a algum tempo, portanto tenho bagagem para falar.
    Vamos lá então:
    Os tributos são altos sim, porem, isso não quer dizer que eu funcionário recebo mais do vale, discordo disso pois trabalhava em uma empresa que sempre aumentava meu salário de acordo com o que eu já havia apresentado previamente, porem na mesma empresa, isso começou a mudar, eles começaram a nos promover e aumentar o salário posteriormente, onde isto acabou em curto prazo aumentou os lucros porem com o tempo isso chegou ao final, onde começaram as demissões para aumentar o lucro, e a estoria é sempre a mesma ( rent seeking ).
    No entanto hoje como empreendedor vejo que nos junto aos colaboradores devemos chegar a um consenso, pois com o modelo de "democracia" onde tributos e impostos nos são esbulhados temos que mudar isso pois quando falamos do livre mercado não podemos comparar o Brasil com países onde o modelo de livre mercado é real.
    Resumindo, se pagarmos menos encargos ao governo e aumentarmos os salários de forma correta sempre pelo que já foi mostrado não pelo que o funcionário está prometendo que vai realizar não realiza e as vezes a empresa não pode nem demiti-lo pois vai pagar ainda mais encargos, enfim gostaria que alguém refuta se minha lógica.
  • Bill  13/06/2017 19:57
    Alguém pode traduzir que o colega disse? Não sou fluente em portugues.
  • anônimo  13/06/2017 14:58
    Nós estamos pagando até conta de cemitério público.

    São bolsas eternas fornecidas pelo governo.
  • Luiz Moran  16/06/2017 12:43
    CLT / carteira de trabalho = muito para quem emprega e paga, e pouco para quem recebe.

    Fuja o quanto puder dessa armadilha.

    Sendo possível prefira empreender, abra sua própria empresa de prestação de serviço.

    Algumas vantagens:
    1- num contrato entre você e o contratante as regras são definidas sem a interferência do Estado;
    2- possibilidade de ter mais de uma fonte de renda;
    3- ampliação do conhecimento de mercado;
    4- diversidade de atuação;
    5- network.
  • Emerson Luis  17/07/2017 01:10

    "Ser demitido ... também pode lhe ensinar lições importantes sobre os malefícios de se tornar excessivamente apegado a uma empresa ou mesmo a um roteiro único e pré-definido para a sua carreira."

    É possível gostar de trabalhar onde está empregado atualmente sem ficar apegado (emocionalmente fixado) a este emprego. Mas desapego NÃO significa apatia, desinteresse, indiferença, etc. Equilíbrio e bom senso, sempre!

    O bom é ser como um jogador de futebol que (idealmente) é contratado pelo time A e treina e joga com plena dedicação, mas sem fanatismo; e caso mude depois para o time B, faça exatamente o mesmo por ele, mesmo quando jogarem contra o time A.

    * * *


Envie-nos seu comentário inteligente e educado:
Nome
Email
Comentário
Comentários serão exibidos após aprovação do moderador.