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Como o governo brasileiro transformou uma recessão em uma profunda depressão
Mesmo quando ele fez o que era certo, a situação se agravou ainda mais


O artigo a seguir é uma adaptação desta apresentação feita pelo autor na ocasião da V Conferência de Escola Austríaca, ocorrida nos dias 12 e 13 de maio, em São Paulo. Daí seu tom mais coloquial.

 

A última conferência do Instituto Mises Brasil ocorreu no dia 7 de setembro de 2014, há dois anos e oito meses.

Naquela ocasião, estávamos às vésperas de uma eleição presidencial, e a economia já mostrava vários sinais de desarranjo.

Esta era a principal notícia da época, do final de agosto de 2014:

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O Brasil havia oficialmente acabado de entrar em recessão. O primeiro trimestre de 2014 já havia tido PIB negativo. O segundo também.

Dois trimestres seguidos de PIB negativo configuravam recessão técnica.

Ou seja, nós estamos convivendo com este termo — "recessão" — desde o início de 2014. É muito tempo.

Um fato que chamou muito a atenção à época era a queda contínua e cada vez mais acentuada nos investimentos.

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Também muito comentada era a queda na produção industrial.

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Eis uma pequena coletânea das notícias da época.

Pedidos de falência cresceram 28,8% em julho

Inadimplência das empresas tem maior alta para julho desde 2000

Bate recorde o número de empresas inadimplentes, diz Serasa

Número de inadimplentes chega a 57 milhões e bate recorde, diz Serasa

Produção e vendas de veículos no Brasil têm o pior julho desde 2006, diz Anfavea

Retração no varejo e na indústria faz com que a receita do setor de serviços tenha o menor crescimento da história

Persiste o desaquecimento do setor de construções

Futebol brasileiro entra em recessão, segundo estudo de consultoria


Todas essas notícias, repito, de meados de 2014.

E quais foram as notícias de lá pra cá?

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Economia encolhe 3,8% em 2015.


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Economia encolhe mais 3,6% em 2016.


Consequência?

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Com esses dois anos seguidos de recessão, a economia encolheu 7,2%. E voltou ao mesmo tamanho que tinha em 2010.

Regredimos sete anos em dois. Um bom Plano de Metas...

Temos hoje uma economia do mesmo tamanho da de 2010, mas com uma população muito maior, pois a população cresce anualmente. (Hoje, a população brasileira é 5,4% maior do que era em 2010).

Economia menor com uma população maior, a consequência é inevitável:

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Recorde no número de desempregados: 14,2 milhões.

E estas são estatísticas oficiais do governo, o que significa que esse número ainda é subestimado. O número real deve ser bem maior.

Cinco pontos

E então?

1) O que aconteceu de 2014, data da nossa última conferência, até hoje?

2) Por que dois anos de depressão?

3) Por que o desemprego foi para dois dígitos? Hoje ele é de 13,7%.

4) Por que a inflação de preços esbarrou em 11% em 2015? E por que ela está em queda acentuada hoje?

5) Por que os governos estaduais entraram em crise financeira?

Estes são os pontos que pretendo cobrir nesta palestra.

O que causou e o que intensificou a recessão

Em 2014, como mostrado acima, já estávamos em recessão. As causas da recessão foram as políticas intervencionistas da Nova Matriz Econômica, que foi o assunto daquela minha palestra de 2014.

Todas as políticas da Nova Matriz Econômica — política fiscal expansionista, juros artificialmente baixos, crédito subsidiado pelos bancos estatais, controle de preços, e aumento das tarifas de importação para "estimular" a indústria nacional — já foram detalhadas em ordem cronológica neste artigo, de modo que elas não serão novamente abordadas aqui. 

Meu principal objetivo é mostrar como foi que dois itens específicos da Nova Matriz Econômica se combinaram, bagunçaram toda a economia e, quando o governo foi tentar corrigi-los, a situação se agravou e ele transformou uma recessão em depressão.

Ou seja, o objetivo é mostrar que, quando o governo tentou corrigir uma lambança feita por ele próprio, essa tentativa de correção acabou por intensificar ainda mais a recessão e gerar uma depressão.

Começo com este gráfico, já velho conhecido dos nossos leitores, que é o gráfico da expansão do crédito até o final de 2014, ocasião da nossa última conferência.

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A linha azul mostra o total de crédito concedido pelos bancos privados. (Itaú, Bradesco, Santander, HSBC (que hoje é do Bradesco), Citibank e vários outros pequenos). É o total de dinheiro que os bancos privados estão concedendo a pessoas e empresas que pedem empréstimos.

A linha vermelha mostra o total de crédito concedido pelos bancos estatais. (Banco do Brasil, Caixa Econômica Federal, BNDES e outros bancos públicos estaduais, como Banrisul, BRB, Banco do Nordeste, Banco da Amazônia, Banestes etc.)

Mais especificamente, a linha vermelha engloba BNDES emprestando para as empreiteiras da Lava-Jato, para Eike Batista, para as empresas da J&F etc; e Caixa Econômica Federal e Banco do Brasil financiando imóvel, Minha Casa Minha Vida, Pronatec, Fies, fazendo as pedaladas fiscais etc.

A soma das linhas azul e vermelha representa o total de dinheiro que os bancos já jogaram na economia. Todo o processo de expansão de crédito nada mais é do que um mecanismo que aumenta a quantidade de dinheiro na economia.

De uma maneira bem sucinta, se a expansão do crédito aumenta muito a ponto de ameaçar a inflação de preços, o Banco Central sobe a taxa básica de juros — a SELIC —, a expansão do credito desacelera, e os preços passam a subir menos.

De maneira bem resumida e grosseira, isso é o básico de política monetária.

Só que, no Brasil, há uma jabuticaba. Os bancos estatais são imunes à SELIC. Eles trabalham com uma modalidade de crédito chamada "crédito direcionado".

Isso significa que os bancos estatais são obrigados, pelo governo, a direcionar empréstimos a juros bem abaixo da SELIC para alguns setores escolhidos pelo governo — como o setor imobiliário, o setor rural, o setor exportador, as empreiteiras e os barões do setor industrial.

Quem banca tudo isso somos nós, os pagadores de impostos. O governo arrecada nosso dinheiro via impostos, repassa para os bancos estatais, e estes então emprestam esse dinheiro — a juros abaixo da SELIC — para empreiteiras, para compradores de imóveis, para o setor industrial etc.

Ou seja, aquela linha vermelha não obedece a variações na SELIC. (Veja aqui nesta tabela os valores dos juros. Bem abaixo da SELIC.)

Repare também que, no período de 2008 a 2014, os bancos estatais jogaram nada menos que um trilhão e 300 bilhões de reais na economia. Só os bancos estatais.

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Por fim, vale notar dois fenômenos:

1) O crédito dos bancos estatais, linha vermelha, começou a se acelerar a partir do final de 2008. Veja o crescimento exponencial. Ali foi o início da Nova Matriz Econômica. O uso dos bancos estatais é o principal pilar da "Nova Matriz Econômica".

2) O crédito no Brasil foi efetivamente estatizado a partir de 2013. O volume de crédito dos bancos estatais ultrapassou o dos bancos privados em 2013.

Tendo entendido isso, vejamos agora as trapalhadas feitas pelo governo.

As lambanças

O governo Dilma adotou três medidas que permitiram que esse aumento acelerado do crédito estatal pudesse se prolongar por muito tempo sem gerar um grande descontrole dos preços. 

Foram três medidas que possibilitaram que essa grande expansão do crédito não explodisse o IPCA.

1) A primeira medida foi boa. Ainda em 2012, o governo reduziu impostos e fez desonerações.

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Reduzir impostos não necessariamente gera uma redução de preços, mas ajuda a evitar aumentos de preços. Se os empresários estão pagando menos imposto, sua margem de lucro aumenta. E aí a necessidade de aumentar preço diminui.


2) A segunda medida foi péssima. Também em 2012, o governo decidiu intervir no sistema elétrico. Por decreto, ele revogou os contratos das empresas de geração e transmissão de energia.

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O objetivo era fazer novos contratos impondo tarifas menores. Com isso, os preços das tarifas caíram e, aí sim, jogaram para baixo o IPCA. O IPCA começou a apresentar uma inflação de preços menor. (Isso será mostrado mais abaixo).


3) Já a terceira medida começou há mais tempo: a partir de 2011, o governo obrigou a Petrobras a vender para as distribuidoras gasolina e diesel abaixo do preço pelo qual foram importados. 

Eis uma notícia da época.

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Consequentemente, os preços da gasolina e do diesel, que são um dos principais componentes dos índices de inflação, ficaram praticamente congelados de 2011 a 2014.

Inflação de preços artificialmente controlada

Essas três medidas seguraram artificialmente o IPCA. E permitiram que a expansão do crédito continuasse por um período de tempo bem prolongado. De novo, veja como o crédito estatal cresce exponencialmente até 2014.

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E sem gerar uma inflação de preços excessivamente alta.

No gráfico abaixo, a taxa de inflação dos preços livres e dos preços controlados de 2004 até o final de 2014.

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Os preços livres, linha azul, são os preços determinados livremente pelo mercado: alimentos; artigos de limpeza, higiene e beleza; móveis; utensílios domésticos; equipamentos eletro-eletrônicos; produtos de cama/mesa/banho; bebidas; roupas; cursos; produtos in natura; consertos domésticos; conserto de carro; lavagem de carro; estacionamento; recreação e cultura; dentistas e todos os tipos de serviços pessoais.

Já os preços controlados, linha vermelha, são os preços administrados diretamente pelo governo: combustíveis, energia elétrica, gás de bujão, pedágio, taxa de água e esgoto, planos de saúde, tarifas de celular e de telefonia fixa, remédios e outros produtos farmacêuticos, licenciamento etc.

Observe que, com aquelas medidas adotadas, o governo consegue, a partir de 2011, derrubar a inflação dos preços controlados aos menores níveis em uma década.

Repare também que, em 2012, ele consegue reduzir a inflação dos preços livres por causa daquela redução de impostos. É verdade que os preços livres voltaram a subir em 2013, mas, em compensação, a inflação dos preços controlados foi, naquele ano, a menor em mais de uma década.

Ou seja, o IPCA foi segurado.

Essa política de controle de preços permitiu que o crédito estatal continuasse crescendo aceleradamente até o final de 2014. E isso permitiu que a renda e o emprego continuassem aumentando — ainda que cada vez menos.

E garantiu a reeleição (apertada) de Dilma Rousseff.

O inevitável ajuste

Só que a economia não leva desaforos. Nenhum esquema artificial pode se prolongar para sempre.

A economia sempre acaba se ajustando, por bem ou por mal. E, quanto maiores e mais prolongados forem os desarranjos, mais brutal será o reajuste. Sempre.

O que aconteceu imediatamente após a reeleição de Dilma em outubro de 2014? Com o governo já reeleito, objetivo garantido, a própria equipe econômica começou a fazer o inevitável: o ajuste.

E o governo tinha de fazer um ajuste porque tudo estava desarrumado.

a) Para começar, o governo tinha de aumentar aqueles impostos que ele diminuiu porque ele estava fechando o ano com déficit primário, algo que não acontecia desde a década de 1990.

b) Ele também tinha de aumentar o preço da gasolina porque a Petrobras estava descapitalizada por causa dos preços congelados. Eis uma notícia do início de 2015.

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O capital da Petrobras foi dizimado porque a política era importar gasolina e diesel caros e revender barato.

(Como curiosidade, este valor de R$ 60 bilhões é muito maior do que todos os desvios da corrupção na Petrobras, que são estimados em R$ 40 bilhões).

Até o próprio chefe reconheceu o erro.

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c) Finalmente, o governo tinha de aumentar as tarifas de energia elétrica porque as distribuidoras estavam indo à falência.

Só para relembrar, o governo havia revogado os contratos das empresas de geração e transmissão de energia. Isso obrigou as distribuidoras a recorrer ao mercado de curto prazo, onde a energia é bem mais cara. Consequentemente, as distribuidoras tinham de comprar caro e revender barato, porque o preço da revenda estava congelado pelo governo.

Consequentemente, elas ficaram insolventes. E o Tesouro, àquela época, já as estava socorrendo com o nosso dinheiro.

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Mas de nada adiantou.

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Ou seja, estava tudo desarrumado e o governo tinha de liberar os preços e fazer um ajuste.


A explosão

Imediatamente após a reeleição de Dilma, o Banco Central começou a subir a SELIC.

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Óbvio. Ele sabia que os preços estavam prestes a ser corrigidos.

E como foi essa correção dos preços? Uma carnificina.

Abaixo, o gráfico da taxa de inflação dos preços livre (azul) e controlados (vermelha).

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Tão logo os preços foram liberados e corrigidos, houve o inevitável: a correção dos preços represados virou uma explosão.

Observe o reajuste dos preços controlados. Na média, eles chegam a aumentar 18% só em 2015.

Conta de luz chegou a subir 80% em algumas cidades. Os combustíveis, entre 25 e 50%, dependendo da localidade.

Quando os preços da gasolina, da energia elétrica e do gás disparam, os custos operacionais da indústria, do comércio e dos serviços aumentam. Consequentemente, todos tendem a repassar esse aumento para os preços.

Veja no gráfico acima o comportamento dos preços livres. Embora eles tenham subido menos que os preços controlados, ainda assim apresentaram a maior taxa de aumento desde 2004. Quase 9%.

Também em 2015 houve uma forte desvalorização cambial. O dólar pulou de 2,50 pra 4,20 em 2015. Isso pressionou ainda mais os preços livres.

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O Banco Central que ninguém levava a sério

Com essa disparada geral de preços, o Banco Central agiu exatamente como determina o seu mandato: se os preços sobem, ele eleva a taxa básica de juros. Ato contínuo, a instituição foi elevando a SELIC até chegar a 14,25%, em julho de 2015.

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E aí aconteceu a segunda lambança.

Sim, o Banco Central fez exatamente o que era esperado dele. Era o que ele tinha de fazer.

O problema é que aquela diretoria específica do Banco Central, sob o comando do senhor Alexandre Tombini,

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não tinha mais nenhuma credibilidade perante os formadores de preço.

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Todos os agentes da economia já haviam percebido que aquele Banco Central não tinha e nem nunca teve nenhum compromisso com uma inflação de preços baixa.

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Desde janeiro de 2011, quando Tombini foi empossado, a meta de inflação de 4,50% nunca havia sido cumprida.

Todos os agentes econômicos formadores de preços já haviam percebido que aquele Banco Central na verdade perseguia o teto da meta (que é 6,50%) e nunca o centro da meta, e todos já haviam percebido que a instituição não tinha nenhuma autonomia. Apenas seguia ordens políticas.

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Consequentemente, com esse histórico, ninguém levou a sério os aumentos da SELIC. Ninguém acreditou que "ah, agora o Banco Central finalmente vai começar a combater a inflação!".

No fundo, era tudo uma questão de "expectativas deterioradas": dado que as pessoas passaram os últimos 5 anos convivendo com uma inflação de preços constantemente acima da meta, elas simplesmente incorporaram aquilo como um dado da realidade, e passaram a agir como se a inflação de preços fosse continuar permanentemente alta no futuro. Acrescente a isso a disparada dos preços controlados, e você tem a tempestade perfeita.

Consequentemente, todos seguiram reajustando seus preços normalmente, ignorando o aumento da SELIC. Dentistas, encanadores, advogados, mecânicos, indústrias, comércio e serviços — todos incorporaram essa expectativa de que a inflação de preços continuaria alta no futuro, independentemente dos juros. Consequentemente, reajustaram seus preços baseando-se nessas expectativas. 

Trata-se de um processo meramente defensivo, por meio do qual as pessoas tentam preservar sua renda real.

Veja de novo o gráfico da taxa de inflação dos preços livres.

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Maior crescimento em mais de uma década. Quase 9% ao ano.

Esse é o problema quando se tem um Banco Central sem credibilidade. Se ninguém mais acredita na seriedade de seus membros e em seus métodos, todos seguem reajustando preços normalmente.

O dinheiro sumiu

Mas aí aconteceu o inevitável.

Com a elevação da SELIC para 14,25% — o maior nível desde 2006 —, com os preços em forte alta, com a elevação dos impostos, com o acentuado desequilíbrio orçamentário do governo federal, e com uma economia que já estava em recessão desde 2014 (e com claros sinais de deterioração), os "donos do dinheiro" foram buscar abrigo em aplicações financeiras.

Foi a chamada "fuga para a segurança". Quem tinha dinheiro decidiu protegê-lo da forma menos arriscada possível.

Os empreendedores, por exemplo, tiraram seu dinheiro dos investimentos produtivos e foram para a renda fixa.

O gráfico a seguir mostra a evolução da quantidade de dinheiro nas contas-correntes dos bancos. Essa modalidade é importante porque mostra a quantidade de dinheiro prontamente disponível para empresas consumirem e investirem. Como se trata de uma aplicação que não paga juros, o dinheiro em conta-corrente representa aquele dinheiro que está sendo continuamente transacionado na economia. 

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Dinheiro na conta-corrente, vale repetir para ressaltar, é aquele dinheiro de liquidez imediata, que não recebe juros e que está sendo diariamente transacionado na economia em montantes volumosos.

É o dinheiro realmente líquido.

No caso das empresas, dinheiro na conta-corrente é aquele dinheiro que elas usam para consumir, investir, contratar mão-de-obra e pagar salários. É o capital de giro.

Quando a quantidade deste dinheiro está crescendo, isso significa que as empresas estão com mais capital de giro e com mais dinheiro disponível para investir e ampliar sua capacidade produtiva. Significa também que suas receitas nominais são crescentes. Já quando esse dinheiro está diminuindo, isso significa que as empresas estão retirando dinheiro da conta-corrente e aplicando em outras modalidades, como CDB, fundos de investimento e títulos do Tesouro, para se aproveitar dos juros. Ou seja, não estão dispostas a investir na economia. 

Com a SELIC a 14,25% e com os preços ainda subindo aceleradamente, houve uma revoada. A queda na quantidade de dinheiro nas contas-correntes foi absolutamente sem precedentes. Foi uma queda de 18% em um ano.

Desde a criação do real em 1994, nunca tinha acontecido nem sequer queda, muito menos uma queda de 18%.

As pessoas e as empresas abriram mão da liquidez e levaram o dinheiro para aplicações financeiras que estavam pagando juros altos e que ao menos protegiam um pouco da inflação.

Para quais aplicações?

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A linha azul mostra as aplicações em fundos de investimento. A linha vermelha mostra as aplicações em CDBs, LCIs, LCAs, debêntures e Letras de Câmbio. E a linha verde mostra todos os títulos federais em posse de pessoas e empresas.

As pessoas saíram da liquidez e foram com força pra renda fixa. O movimento começou já em 2014, mas se intensificou em 2015.

Vale ressaltar que, embora nos outros anos também tenha havido grande expansão dessas aplicações, elas ocorriam em simultâneo a um aumento nas contas-correntes, o que significa que a quantidade de dinheiro aumentava como um todo. Em 2015, não.

A quantidade de dinheiro líquido na economia desabou em 2015. Uma queda na liquidez dessa magnitude nunca houve. O volume de dinheiro líquido regrediu ao mesmo nível do início de 2010. Regredimos 7 anos.

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No caso de empreendedores, dinheiro que seria direcionado para investimentos produtivos e para a contratação de mão-de-obra foi simplesmente direcionado a aplicações financeiras. Óbvio. Quem não fizesse isso teria seu poder de compra destruído pela inflação.

A própria caderneta de poupança também registrou contração. Vinha crescendo forte, parou de crescer em 2015 e começou a encolher.

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Ou seja, foi uma revoada geral. Todo mundo saiu da liquidez e foi se proteger em aplicações financeiras de maior rentabilidade e menor liquidez.

A recessão virou depressão

Então, esse era o cenário em 2015:

a) menos dinheiro voltado para investimentos produtivos, para a contratação de mão-de-obra, para salários e para consumo;

b) e preços ainda subindo forte, porque ninguém levava o Banco Central a sério.

Vale repetir: enquanto os preços subiam quase 11%, a quantidade de dinheiro líquido na economia encolhia 18%.

Menos dinheiro na economia e preços em alta.

Quais os resultados?

1) Queda na renda real das pessoas.

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E bem forte.

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De mais de 7%.

2) Queda forte nos investimentos.

Este gráfico mostra a Formação Bruta de Capital Fixo. Começou a cair no final de 2013, e desabou com força em 2015.

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Queda de 18% apenas em 2015.

3) E explosão do desemprego.

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4) Acrescente a esta mistura o fato de que as pessoas estavam endividadas em níveis recordes em decorrência de toda a expansão do crédito do período anterior.

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E tem-se um cenário de desespero geral. Preços em alta, dinheiro literalmente encolhendo, desemprego explodindo e dívidas.

E então aconteceu o inevitável:

5) Indústria com recorde de ociosidade.

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6) Comércio encolhendo.

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Shoppings com metade das lojas fechadas e shoppings recém-construídos às moscas.


7) E até mesmo os restaurantes, um setor geralmente blindado contra crises sofreu.

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Junto com os bares.

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Controle de preços + expansão do crédito + Banco Central sem credibilidade = tragédia

Essa foi a tragédia gerada pelo intervencionismo do governo e por um Banco Central sem credibilidade.

Pra recapitular:

a) O governo controlou preços, mas continuou injetando dinheiro na economia via crédito estatal. A demanda crescia, mas os preços seguiam congelados.

b) Vários desajustes foram se acumulando.

c) Quando houve o ajuste, todos os preços explodiram.

d) O Banco Central teve de subir a SELIC a um valor muito alto para tentar conter essa inevitável explosão dos preços.

e) Mas os preços continuaram subindo mesmo assim, pois ninguém levava aquele Banco Central a sério.

f) Só que os juros já estavam altos o bastante pra reduzir a quantidade de liquidez na economia.

g) A quantidade de dinheiro líquido na economia desabou, mas os preços continuaram subindo.

Vale repetir: Enquanto os preços subiam 11%, a quantidade de dinheiro líquido na economia encolhia 18%.

Aquela sensação de falta de dinheiro e de queda na qualidade de vida das pessoas, principalmente dos mais pobres, era real. Passou a haver menos dinheiro para lidar com preços mais altos.

"O dinheiro tá curto!" era o que todos diziam. Eis a explicação.

Crise nos estados

Qual foi a outra consequência disso tudo? A crise financeira dos estados.

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Durante a época da expansão do crédito, ou seja, até 2014, a renda das pessoas crescia, os investimentos aumentavam e, principalmente, as receitas dos governos estaduais se expandiam.

Consequentemente, esses governos acreditaram que suas receitas futuras também iriam aumentar para sempre. Afinal, se aumentou continuamente no passado, vai continuar aumentando no futuro. Cabeça de político.

E então eles expandiram seus gastos, incharam sua folha de pagamento, e deram aumentos salariais sucessivos para o funcionalismo público.

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Mas aí aconteceu a recessão que virou depressão, houve a redução da quantidade de dinheiro na economia, e inevitavelmente a arrecadação dos governos desabou.

Governo só arrecada quando o dinheiro é transacionado continuamente. Se a liquidez cai, a arrecadação também cai. Há hoje menos dinheiro para os governos arrecadarem. Tanto é que seguidamente sai notícia de que a arrecadação caiu em relação ao ano anterior.

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Vale enfatizar: o atual desarranjo das contas dos governos é uma consequência direta dos aumentos de gastos feitos no passado.

Como há hoje menos dinheiro para os governos arrecadarem, tais aumentos de gastos não mais têm como ser financiados.

E ainda mais importante: dado este comportamento do dinheiro, aumentar impostos não adianta, não.

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A única solução para os governos estaduais é cortar gastos. Não há mágica. Se não cortar gastos a conta não vai fechar.

Troca de governo

Entremos agora em 2016. Mais especificamente, em maio de 2016.

O que houve naquele mês? Trocou-se o governo, trocou-se a equipe econômica, e trocou-se a diretoria do Banco Central.

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Em sentido horário: Henrique Meirelles, Ilan Goldfajn, Mansueto de Almeida e Maria Silvia Bastos Marques 

Com um Banco Central agora mais sério e com um Ministro da Fazenda com bem mais credibilidade (e que montou uma equipe exclusivamente técnica), a expectativa das pessoas quanto à inflação mudou. Os formadores de preços mudaram de atitude.

Para começar, o dólar caiu de R$ 4 pra R$ 3,15.

Os preços livres, que até então vinham sendo reajustado com intensidade, pararam de ser reajustados.

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Hoje, a inflação dos preços livres é a menor desde o início de 2006.

Sim, é claro que toda aquela contração monetária ajudou, e muito, a conter o aumento dos preços. Mas a contração já existia desde o início de 2015.

Foi a troca da equipe econômica o que acelerou o processo de contenção de preços. Foi exatamente no meio do ano, tão logo houve a troca de governo e de equipe econômica, que os preços passaram a se estabilizar.

Este é um caso de mudança positiva de expectativas gerada por uma troca na equipe econômica.

O efeito não-premeditado e a segunda depressão

Mas aí aconteceu outro efeito não-previsto.

Com essa queda acentuada da inflação de preços, os juros reais dispararam. Por quê? Porque a SELIC continuou alta, mas a inflação de preços desabou.

Este gráfico mostra a evolução dos juros reais efetivamente praticados. Ou seja, é a taxa SELIC acumulada nos últimos 12 meses dividida pelo IPCA acumulado também nos últimos 12 meses.

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Observe que, no início de 2016, ainda com Tombini no Banco Central e com a SELIC já em 14,25%, os juros reais estão em apenas 2%. Os juros reais estavam baixos porque a inflação de preços estava alta.

Com a troca de governo e de equipe econômica, a inflação de preços passa a desacelerar com força e, consequentemente, os juros reais disparam.

Atualmente, eles estão em 9%.

Ou seja, quem aplicou em papeis atrelados à SELIC ou ao CDI em maio de 2016 teve um rendimento bruto de 9% acima de inflação até abril de 2017.

E o que é mais interessante: mesmo com as recentes reduções na SELIC (que já caiu de 14,25% para 11,25%), os juros reais continuaram aumentando. Porque a SELIC caiu, mas a inflação de preços caiu muito mais.

(O gráfico acima, inclusive, mostra por que ainda há muito espaço para grandes reduções na SELIC sem nenhum susto).

O problema disso tudo é que juros reais em ascensão são grandes inibidores de investimentos produtivos. Afinal, se você consegue ganhar 9% acima da inflação, e sem risco, por que você iria se aventurar no setor produtivo? Por que você iria colocar seu capital em risco produzindo coisas para as quais você não sabe se haverá demanda e contratando mão-de-obra que pode lhe trazer dor de cabeça e processos trabalhistas?

Mais ainda: se você consegue 9% de ganho real sem risco, e o cenário político está uma zorra, como foi em 2016, então não há dúvidas: a opção racional é realmente tirar seu dinheiro do setor produtivo, ir pra renda fixa, e esperar.

Consequência de tudo isso?

Voltemos ao gráfico da expansão do crédito, agora atualizado para o fim de 2016.

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Observe que, em 2016, tanto o crédito privado quanto o crédito estatal estão em contração.

O crédito privado, que ficou estagnado em 2015, se retraiu em 2016 porque a SELIC e os juros reais continuavam altos e por causa do cenário político.

Já o crédito estatal — que não reage à SELIC — encolheu por vários motivos. O BNDES, agora sob o comando de Maria Silvia Bastos Marques (de quem Joesley Batista reclamou, o que é um ótimo sinal), suspendeu novos empréstimos por causa da Lava-Jato. Já Caixa e Banco do Brasil estavam com os balancetes em frangalhos por causa de pedaladas fiscais e dos vários calotes que levaram.

O fato é que ambas as modalidades de crédito entraram em contração. Isso foi um fenômeno inédito. Nunca tinha acontecido na história do real.

As pessoas e as empresas não só não estavam pegando empréstimos como ainda estavam tentando quitar os empréstimos pendentes.

Essa grande contração monetária (iniciada em 2015) e do crédito (em 2016) gerou a atual queda (forte) da inflação de preços.

E gerou também o segundo ano da depressão econômica.

O que nos leva ao último ponto.

A crise política

Eis o que realmente agravou tudo, aumentando as incertezas e travando toda a economia: a crise política.

Estamos hoje vivendo uma grande crise política e uma enorme incerteza jurídica. E, de novo, nada ilustra isso melhor do que esse gráfico dos investimentos (formação bruta de capital fixo).

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Do terceiro trimestre de 2013 até o final de 2016, os investimentos encolheram 30%.

Não há crescimento econômico sem investimentos. Não há empregos sem investimentos.

E investimentos só ocorrem quando o ambiente econômico e político do país é propício.

Mas se o próprio estado cria um ambiente de incerteza econômica, política, institucional e jurídica, então os investimentos não ocorrem. Quem seria louco para se arriscar?

E aí a economia só encolhe.

Conclusão

Tudo isso começou com um controle de preços em conjunto com uma grande expansão do crédito dos bancos estatais.

Isso criou desarranjos que tiveram de ser corrigidos. E, quando foram corrigidos, a situação se agravou. Para completar, veio a crise política, que se intensificou agora em 2017, e acabou por enterrar de vez as perspectivas de retomada da economia.

Que fique a lição: nenhuma intervenção do estado na economia passa impune. A economia não é algo que possa ser dirigido desde cima por iluminados bem-intencionados.

A economia é uma interação diária de milhões indivíduos. Querer manipular essas interações com decretos e controles de preços não tem como dar certo. Nunca deu certo em lugar nenhum do mundo.

E, no final, economia sempre se ajusta. A intensidade do ajuste vai depender da intensidade da intervenção. O governo brincou de microgerenciar a economia desde 2009, e de maneira cada vez mais intensa. As consequências estão aí.

E, quando você considera que o grande chefe e principal mentor de tudo isso tem reais chances de voltar ao poder em 2019, e ele vai voltar espumando de raiva — já até avisou que vai "mandar prender" quem falar mal dele —, bom, aí quem vai ser o louco de investir e gerar empregos nesse país?

Até lá, vamos ficar em suspense, e em suspenso. 


23 votos

autor

Leandro Roque
é o editor e tradutor do site do Instituto Ludwig von Mises Brasil.

  • Luiz Moran  26/05/2017 10:24
    O pior mesmo é quando olhamos para frente: não há nada e nem ninguém que indique uma mudança profunda baseada no liberalismo econômico e na livre iniciativa. E tão pouco vemos algo diferente da falácia socialista que insiste em aparecer na boca falante dos mentiros políticos.
  • Engenheiro Falido  26/05/2017 11:05
    Muito bom Leandro.

    Algumas dúvidas, se o governo se abdicar do controle bancário, o que poderemos esperar?

    E tem alguma regra que segure ou impulsione a expansão monetária? Pela empiria vemos que é a expansão exagerada que gera inflação.

    Quando um governo aumenta a SELIC com intuito de conter a inflação, aumenta os juros aos tomadores, mas também desestimula os investidores produtivos, que compram títulos do governo, seria uma faca de dois cumes?
  • Leandro  26/05/2017 14:05
    "se o governo se abdicar do controle bancário, o que poderemos esperar?"

    Não há a mais mínima hipótese de isso acontecer. Mas haveria uma explosão das moedas paralelas, tipo Bitcoin, ouro, moedas privadas etc.

    "E tem alguma regra que segure ou impulsione a expansão monetária? Pela empiria vemos que é a expansão exagerada que gera inflação."

    Expansão monetária ocorre quando pessoas e empresas pegam empréstimos e quando o governo incorre em déficits. Ver aqui.

    E sim, você está correto. É a expansão monetária o que empurra os preços. Veja aqui um artigo inteiro sobre isso.

    "Quando um governo aumenta a SELIC com intuito de conter a inflação, aumenta os juros aos tomadores, mas também desestimula os investidores produtivos, que compram títulos do governo, seria uma faca de dois cumes?"

    Sim, de dois gumes. Desestimula investimentos, desestimula empréstimos e estimula as pessoas (empreendedores inclusive) a direcionar suas sobras para aplicações em renda fixa.

    Mas a ideia sempre foi exatamente essa.

    Grande abraço.
  • Victor Hugo  29/05/2017 20:49
    Mas então para haver investimentos , deve -se aumentar a expansão monetária?
    Todo investimento então é infacionário?

    abraços
  • Ilan  29/05/2017 21:08
    Sim e não.

    No atual arranjo bancário e monetário, toda a concessão de crédito pelos bancos comerciais envolve a criação de dinheiro. Logo, toda a concessão de crédito -- seja para investimento, seja para consumo -- gera inflação monetária.

    Portanto, de um lado, sim, para haver investimentos é necessário haver expansão do crédito. Por outro lado, isso não é uma característica inerente à economia de mercado, mas sim uma característica imposta pelo atual formato do sistema bancário, o qual é totalmente protegido e controlado pelo governo.

    Mais ainda: esse próprio e deturpado arranjo bancário, totalmente inflacionista, desestimulou a poupança (por causa da contínua inflação de preços) e estimulou o endividamento. Antes, as pessoas poupavam e investiam o que poupavam. Hoje, apenas se endividam junto aos bancos, que criam dinheiro para permitir este endividamento.

    Artigos sobre isso:

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=1387
    www.mises.org.br/Article.aspx?id=1774
    www.mises.org.br/Article.aspx?id=1991
  • Edson Azevedo  06/08/2017 18:30
    Aproveitando que a escolhinha do professor Leandro está no ar :-), alguém pode me indicar alguma fonte de leitura que explique a razão pela qual as reservas fracionárias foram criadas?

    Pergunto por que me parece que atrelar investimento via crédito bancário a um mecanismo inflacionário (expansão monetária) me parece uma idiotice sem tamanho. Se é uma idiotice, por que existe? Se não uma idiotice, qual o motivo racional que justifique a sua existência?

    Grato

    Edson
  • Victor Hugo  30/05/2017 02:43
    Mas então para haver investimentos , deve -se aumentar a expansão monetária?
    Todo investimento então é infacionário?

    abraços
  • Ricardo  30/05/2017 12:07
    Se for feito por meio de endividamento, e utilizando o atual sistema bancário, então a expansão monetária -- gerada pela expansão do crédito -- será a inevitável consequência.
  • 300esparta  26/05/2017 11:34
    Bom dia!
    Excelente artigo. Tenho uma dúvida:

    De acordo com o gráfico da caderneta de poupança
    [que a legenda está: 1835 - Meios de pagamento amplos - Depósitos de Poupança (saldo em final de período) ]

    É correto afirmar que temos muito dinheiro guardado esperando um cenário político e econômico favorável para investir??
    E é correto afirmar que estamos poupando muito mais do que 15-20 anos??
  • Eliseu  26/05/2017 14:11
    Esse dinheiro é oriundo da expansão monetária (gerada pela expansão do crédito). Ele nada tem realmente a ver com a poupança das pessoas (no sentido de abstenção do consumo visando a investimentos).

    Mas, sim, há muito mais dinheiro hoje do que havia antes. Por isso, tivemos este fenômeno:

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=2663
  • Coxinha opressor  26/05/2017 12:23
    Existe a possibilidade dessa lei do teto dos gastos não ser cumprida?
  • Leandro  26/05/2017 14:22
    De todas as reformas propostas pelo governo Temer, esta foi, de longe, a mais importante. E é alentador que ela já tenha sido aprovada.

    Um governo com restrição de gastos significa um governo avançando menos sobre a liberdade e o bem-estar das pessoas produtivas da sociedade. Um governo com restrição de gastos significa um governo com menores poderes para confiscar dos produtivos e redistribuir a seus apaniguados. Um governo com restrição de gastos significa, em suma, mais espaço para o setor produtivo e um pouco menos de espaço para a burocracia.

    Não é à toa que pessoas insuspeitas, como Ciro Gomes, atacam com virulência esta medida. Ele dedica muito mais tempo a atacar essa proposta do que a própria reforma da previdência (com a qual ele concorda, mas apenas defende que "seja feita de uma forma mais humana para com nosso povo").

    Agora, se ela vai ser efetivamente cumprida ou não, aí já está fora de meus poderes de previsão. E é também algo muito mais no campo jurídico do que econômico (haverá punição para o governante que desobedecê-la? Qual?).
  • Rodrigo Lopes Lourenço  01/06/2017 15:44
    Tecnicamente, não é uma "lei", mas uma "emenda constitucional". A relevância da diferença reside no fato de que o quórum (a quantidade de deputados e senadores) necessário para revogar a emenda constitucional é significativamente superior ao de uma lei e medida provisória (exclusividade do presidente da República) não pode modificar nem revogar emenda constitucional.
    Sem dúvida, o presidente a ser eleito em 2018 pode obter (comprar ou alugar) tal maioria qualificada (sessenta por cento de cada uma das Casas do Congresso Nacional), mas será um pouco mais difícil.
    Quanto às sanções por eventual descumprimento, temos um precedente eloquente: juridicamente falando, Dilma perdeu o mandato justamente por descumprir a legislação orçamentária. Assim, se o presidente eleito em 2018 não revogar (necessariamente por emenda constitucional) a vigente Emenda Constitucional n° 95/2016, teremos o terceiro impeachment.
  • Pobre Paulista  26/05/2017 12:23
    Leandro,

    Quer dizer que nem a baixa poupança nem os déficits fiscais tiveram papel relevante nessa crise?
  • Leandro  26/05/2017 13:58
    Poupança sempre foi baixa no Brasil. Não seria uma eventual alteração em algo já baixo o que empurraria toda a economia para o precipício.

    Quanto aos déficits orçamentários, eles foram citados no texto: eles foram um dos fatores que criaram todo o clima de insegurança que acabaram empurrando empreendedores para a renda fixa.

    Eis o trecho: "Com a elevação da SELIC para 14,25% — o maior nível desde 2006 —, com os preços em forte alta, com a elevação dos impostos, com o acentuado desequilíbrio orçamentário do governo federal, e com uma economia que já estava em recessão desde 2014 (e com claros sinais de deterioração), os "donos do dinheiro" foram buscar abrigo em aplicações financeiras".

    Afinal, se há déficits crescentes, empreendedores sabem que, em algum momento futuro, haverá aumento de impostos. Esse aumento de impostos irá impactar diretamente nos custos de produção. Desta maneira, déficits causam ainda mais incertezas em empreendedores, refreando ainda mais os investimentos produtivos.

    Agora, vale ressaltar que déficits, por si sós, não explicam tudo. A Espanha, por exemplo, até 2008, tinha um orçamento exemplar. Era um dos pouquíssimos países da Europa a não só ter orçamento equilibrado, como ainda tinha superávit nominal. Isso não impediu o país de entrar em depressão econômica. Uma vez em recessão, com a inevitável queda nas receitas, os déficits explodiram.

    Mesma coisa aconteceu com a Irlanda. (Já a Alemanha, que sempre teve déficits mais altos, não entrou em recessão. E hoje, seus déficits são menores do que antes da crise).

    No Brasil, os déficits explodiram em 2015, exatamente quando houve a contração monetária (o que gerou queda nas receitas).

    Déficits, portanto, podem estar tanto na origem quanto na consequência de um problema. Mas eles, por si sós, não explicam tudo.

    No final, como sempre fala Steve Hanke e como sempre ensinaram Mises e Hayek, "money dominates". O comportamento da oferta monetária e do crédito é o que, em última instância, determina toda a economia.
  • Conservador  26/05/2017 13:11
    Mais um excelente artigo do Leandro Roque.
  • Leandro  26/05/2017 14:03
    Obrigado, Conservador. Grande abraço!
  • G C  26/05/2017 13:47
    Resumindo, a esquerda acabou com o Brasil.
  • Andre  26/05/2017 13:53
    Texto irretocável e a conclusão é de matar, quais as opções de investimento em caso de venezuelização do Brasil?
  • Pobre Paulista  26/05/2017 14:09
    Passagens aéreas
  • Lel  26/05/2017 16:52
    kkkkkkkkkkkk
  • Andre  26/05/2017 18:18
    Hahahaha, faz sentido.
  • cleidson  26/05/2017 14:00
    Há algumas questões que para mim fica complicado de resolver se não for por meio da intervenção estatal,por exemplo, o programa luz para todos,deu certo não deu? se fossemos tentar isso por meio de empresas privadas creio que não seria possível, pois que empresa de energia eletrica iria empreender em lugares sem muitas condições de retorno?
  • Pobre Paulista  26/05/2017 14:12
    E porquê ela deveria investir aonde não dá retorno?
  • Diogo  26/05/2017 14:15
    Mas, Cleidison, o Luz para Todos só foi efetivamente possível com o congelamento das tarifas feitas pelo governo. Você não viu a conseqüência disso?
  • Andre  26/05/2017 14:20
    Sem intervenção estatal, um kit de geração de energia solar para uma residência não custaria mais que R$500.
  • lorivaldo  28/05/2017 15:54
    Cleidson, trabalho na área e lhe digo que o retorno do PLPT (Luz para Todos) é ínfimo! Some o investimentos das rede de energia (cabos, transformadores, aterramento, etc) e subsídios na conta (muitos consumidores são inadimplentes) e tens a receita do "sucesso".
  • Capital Imoral  26/05/2017 14:00
    Por que não depredaram o Instituto Mises Brasil?
    Poucos intelectuais perceberam - E fico feliz de estar entre eles -, mas o grande culpado pela crise econômica e social que nos encontramos atualmente, chama-se Instituto Mises.

    Como vocês bem sabem, está havendo uma verdadeira guerra em Brasília, pessoas estão sendo agredidas pela polícia controlada pelo Capital; Índios, homossexuais, mulheres, estão sendo violentados moralmente por senadores, juízes, Policiais federais, e todo pessoal sujo ideologicamente conhecida como direita xucra. Chegamos a um momento de baderna generalizada e o grande culpado de tudo isso é o Capital, o segundo grande culpado chama-se instituto Mises. Até porque, não haveria os campos de Auschwitz sem a ideologia neoliberal por traz. Todo ataque humano, procede de idéias ruins. Até quando, Hélio Beltrião?

    Para quem não sabe, o instituto Mises Brasil, começou suas operações mais ou menos no ano de 2008, e mesmo antes, à ideologia neoliberal já dominava parte da política do Brasil. A diferença do neoliberalismo anterior a 2008 e posterior a este mesmo ano, consiste no extremismo, inclusive até mesmo um jornalista da direita fascista cravou o termo "Direita xucra". Muitas pessoas morreram por causa desta ideologia nefasta, eu posso citar diversos exemplos, mas irei focar em um exemplo singular, que representar bem a maldade que é o neoliberalismo. O massacre do Carandiru - percebe-se - têm bases no individualismo sistemático cultural pregado pelo capitalismo de livre mercado; a falta de compaixão dos policiais para com às vítimas, a busca do lucro do traficante que vende drogas dentro do presídio, o preconceito da sociedade para com o uso do crack, entre diversas outras questões, têm causas primeiras nos ensinamentos de ludwig von mises.

    O que este instituto fez, foi trazer às idéias deste homem para dentro do País. Voltemos, portanto, a seguinte afirmação: Todo ataque humano, procede de idéias ruins. Até quando, Hélio Beltrião?; Lula, em depoimento a Sérgio Moro, acausa-o de ter destruído o país, de ter criado a maior taxa de desemprego, de ter criado instabilidade política e social. Ora, veja que Lula comprova as idéias ruins de ludwig von mises, pois, Sérgio moro seguiu tais idéias ao obedecer à lava Jato. Sendo que à lava jato destruiu o Brasil. Conclusão: Deveríamos ter colocado fogo no Instituto Mises Brasil e não no Ministério da Cultura.

    Capital Imoral é filósofo, escritor e já refutou Mises.
  • Rafael Martins  26/05/2017 14:10
    Haha eu já tava sentindo (muita) falta do Capital Imoral. Pena que você e o Típico Filósofo nunca apareçam juntos. Isso sim seria espetacular.

    Abraços e não suma!
  • Matheus  26/05/2017 14:58
    Essa foi boa rsrs
    Quer dizer que deveríamos deixar o líder da maior quadrilha que este país já teve que desviou fortunas dos cofres públicos e de estatais impune, só porque isso iria gerar desemprego (que na verdade foi causado pela péssima gestão que ele fez em seu governo utilizando uma lógica keynesiana ultrapassada e que ainda se estendeu por vários anos pela compatriota do "nove dedos")...
    Tá "sertíssimo" sua lógica.
  • Fernando  26/05/2017 14:04
    Excelente matéria, parabéns ao pessoal do MISES BR
  • Andre Cavalcante  26/05/2017 14:28

    A crise parece ser, no Brasil, sempre de origem e ordem política.

    A impressão que dá é que se o governo não se metesse na economia o Brasil seria uma potência!

    Abraços
  • Maxwell  26/05/2017 14:28
    Nada como uma verdadeira análise econômica que só pode ser observada sob a perspectiva austríaca. Parabéns pelo artigo Leandro, mas eu sigo com uma dúvida.
    Essa contração monetária seria o que denominamos de deflação monetária?
  • Leandro  26/05/2017 14:49
    Sim, mas só parcialmente.

    A contração monetária foi apenas parcial. Ocorreu nas contas-correntes (que é exatamente onde está o dinheiro voltado para grandes volumes de transações diárias) e na caderneta de poupança (que é onde os mais pobres deixam dinheiro).

    Já a contração do crédito foi total.

    Muito obrigado pelas palavras. Grande abraço!
  • Ed  26/05/2017 14:42
    Leandro, você não cogita escrever um livro? Faça um financiamento coletivo ou algo do tipo.
    Aposto que faria sucesso.
  • Leandro  26/05/2017 17:43
    "Jamais submetam a humanidade a tamanho tormento". Este é o meu motto. Mas agradeço as considerações e as palavras. Grande abraço!
  • Victor  26/05/2017 14:56
    Grande Leandro, sempre brilhando
  • Leandro  26/05/2017 17:44
    Victor, muito obrigado pelo elogio desmesurado. Isso é um aditivo. Grande abraço!
  • Luca Cunha de Assis  26/05/2017 15:10
    Como então o rombo da previdência entra nessa história?
  • Mario  26/05/2017 15:25
  • Fernando  26/05/2017 16:10
    Excelente. Grande Leandro Roque. Parabéns mais uma vez!
  • Leandro  26/05/2017 17:42
    Obrigado pelo elogio, caro Fernando. Grande abraço!
  • Ex-microempresario  26/05/2017 16:12
    Pelo lado da economia, o Leandro explicou tudo. Me permito complementar pelo lado da produção:

    Nosso ensino de primeiro de grau é um depósito de crianças. Tudo que os pais querem é que a escola lhes forneça café, almoço e janta, uniforme, livro, caderno e lápis, e que fiquem lá o maior tempo possível, para não incomodar em casa.

    O segundo grau é basicamente um "cursinho pré-vestibular" que dura três anos.

    O terceiro grau, antigamente conhecido como "faculdade", é um "cursinho para concurso público" que dura mais quatro ou cinco anos.

    Pouquíssimos jovens de hoje aprenderam a fazer alguma coisa de útil. Basicamente o interesse da maioria é passar em um concurso, já sabendo que após ser aprovado, jamais terá que ter responsabilidades ou produzir algo; basta seguir as regras, carimbar os papéis corretamente e jamais sair do roteiro.

    Fui empresário por vinte anos, e nunca deixei de me espantar com a quantidade cada vez menor de coisas que produzimos. Nos últimos anos, praticamente tudo que minha empresa comprava era importado, de torneiras a computadores, de chaves de fenda a caldeiras. Afinal, quem seria o maluco de querer montar uma indústria em um país de analfabetos funcionais ? Pode-se dizer, literalmente, que nossa indústria mudou-se para a China.

    Tenho sérias dúvidas sobre a possibilidade de uma "melhora" econômica significar um retorno a uma situação de produtividade. Me parece que tudo que temos a oferecer ao mundo é soja, milho, minério de ferro e carne de boi (esta, com a marca JBS). Basicamente, teremos que esperar que o dinheiro resultante destas atividades se espalhe pelo resto da sociedade.
  • Andre  26/05/2017 17:06
    Vão chover comentários argumentando, corretamente, que um país pode perfeitamente se desenvolver produzindo produtos primários.
    Entendo seu ponto, e não, esse dinheiro não vai se espalhar na economia pelo simples motivo que a grande maioria do povo é incapaz de pensar numa profissão para participar dessas atividades que descreveu, visto que a grande maioria não tem faculdades específicas pra isso. Ficaremos sempre presos a baixíssima produtividade do setor de serviços e eternamente um país, com sorte, de renda média, quando vier os anos 2040 e o peso dos idosos aposentados for grande demais vamos sentir os efeitos de ser a primeira economia no mundo que envelheceu e ao mesmo tempo não enriqueceu, não tem a menor atratividade para jovens imigrantes e não tem emigrantes em número expressivo sustentando suas famílias aqui.
  • Ex-microempresario  26/05/2017 17:56
    André, quando digo "espalhar pela economia", me refiro justamente aos poucos que vão fornecer produtos e serviços à pequena classe produtiva, e ao restante que vai receber, via empregos públicos e bolsas, as migalhas que o governo chama de "distribuição de renda". É claro que é pouco, e concordo que nosso futuro será o que vc descreveu.
  • Gustavo S  26/05/2017 16:48
    É assim que se atinge uma menor desigualdade!!
    Parabéns aos idealizadores do imenso projeto.
  • JOSE F F OLIVEIRA [Dede de Tony Oliveira]  26/05/2017 17:49
    Mais um artigo fabuloso. PARABÉNS Leandro.
  • Zucatim  26/05/2017 18:30
    Como sempre, um artigo ótimo do Leandro
  • Ricardo Prado  26/05/2017 18:45
    Leandro, o que achou do filme sobre o Plano Real?
  • Ninguem Apenas  26/05/2017 19:08
    Parabéns pelo artigo Leandro,
    já usei artigos seus como referencia em trabalhos kk espero que não se importe! (com a devida autoria)

    Ainda por cima este está com uma qualidade acima do normal!
  • WDA  26/05/2017 19:18
    Mais um excelente artigo de Leandro Roque! Parabéns por ajudar a passar o Brasil a limpo e contribuir para quem quer compreender melhor a realidade econômica de nosso país!
  • Leandro  29/05/2017 20:03
    Prezados Jose Oliveira, Zucatim, Ricardo Prado, Ninguem Apenas, e WDA, muito obrigado pelos fulgurantes elogios. Abraços a todos.
  • Francisco  26/05/2017 19:28
    E n ustamente hoje a Maria Silvia Bastos resolve se demitir (ou ser demitida).

    Manter fechadas as torneiras do BNDES deve ter tido um custo pessoal altíssimo para ela. Certamente deve ter sofrido pressão da ORCRIM.

    www.infomoney.com.br/mercados/acoes-e-indices/noticia/6569560/maria-silvia-renuncia-presidencia-bndes-bolsa-cai-200-pontos-minutos
  • Pobre Paulista  26/05/2017 20:18
    Parece que não gostaram da torneirinha fechada
  • Andre  26/05/2017 21:15
    Até onde a dívida pública vai resistir a este arranjo?
  • Régis  26/05/2017 21:53
    Prova de que a mulher era realmente boa:

    Em março, empresários pediram a Temer a saída de Maria Silvia do BNDES

    O presidente Michel Temer ouviu de empresários que se reuniram com ele, em São Paulo, uma saraivada de críticas à presidente do BNDES, Maria Silvia Bastos. Foi dito que sob a gestão da executiva o banco está inoperante, fechado para tudo e para todos. "É um time que não conhece a máquina. Só anda lá o Bê-a-Bá", resumiu um empresário. Segundo o relato de um dos presentes, Temer disse que já havia recebido reclamações e que, diante da contundência das queixas, vai chamar a executiva para resolver as pendências.

    Após o jantar com o presidente, um empresário comentou que a única forma de "resolver pendências" é trocar a presidente do BNDES.


    politica.estadao.com.br/blogs/coluna-do-estadao/em-marco-empresarios-pediram-a-temer-a-saida-de-maria-silvia-do-bndes/
  • Tiago  26/05/2017 22:42
    Governo fraco cedeu a pressões. Preparem-se pra volta da expansão (monetária)...
  • Garcia  26/05/2017 23:13
    Imagina se um presidente fechasse o BNDES. Iam mandar matar o cara
  • cleidson  26/05/2017 20:42
    Pobre Paulista,qual seria a solução então?
    Diogo, eu sei bem que as consequência não foram boas, por isso eu quero entender como proveríamos energia para lugares onde nenhuma empresa provavelmente iria empreender?
    André, (kit de geração de energia solar para residência não custaria mais que R$500) ok até aí tudo bem, será?parece mesmo que vocês não levam a sério as pessoas que vivem na estrema pobreza. E a implantação do sistema? o profissional? a manutenção? isso não sairia muito caro para famílias menos favorecidas? e a implantação de postes para se ter ruas iluminadas e mais seguras??????
  • Ex-microempresario  26/05/2017 22:05
    Cleidson, acho que é uma questão de pensar fora do lugar-comum. Veja: um sujeito "na extrema pobreza", para usar sua expressão, quer viver onde Judas perdeu as botas, e portanto a infra-estrutura é inexistente ou, se existente, cara e deficitária. Então, porque manter o sujeito lá, em primeiro lugar ?

    Em vez de tirar dinheiro de todo mundo para sustentar uma infra-estrutura que nunca vai se pagar, oferece uma grana para o sujeito mudar de lá. Agora, se ele não quiser, avisa que ele vai ter que conseguir energia, água, telefone e internet por sua própria conta, e não vai ter banco, farmácia e correio na esquina.

    Mania que tem muita gente de achar que só porque alguém é pobre, tem o "direito" de não arcar com os custos das suas escolhas.
  • Pobre Paulista  26/05/2017 22:49
    Solução pra o que exatamente?

    Se você se incomoda com aquelas pessoas sem luz, abra você mesmo uma empresa para levar luz até elas. Não venha cobrar isso de mim através de impostos.

    Corra seu próprio risco. Tenha seu próprio lucro. Assuma seu próprio prejuízo. Mas aconteça o que acontecer, não cobre dos outros: Eles não tem nada a ver com suas decisões.

    (PS: Antes de argumentar que você não pode abrir uma empresa transmissora de energia, tente se lembrar quem exatamente te proíbe disso)
  • Mílber  26/05/2017 20:51
    Excelente! Tenho lido vários artigos do site e os considero impecáveis.
    Entendo bem a necessidade das reformas (principalmente da previdência), visando reduzir os gastos do governo e melhorar as contas públicas, que afetam a economia. Contudo, gostaria de levantar a questão dos juros da dívida pública e esclarecer uma dúvida. Metade do orçamento da União atualmente vai para o pagamento de juros (aproximadamente 500 bilhões de reais por ano). Se esta dívida fosse reduzida pela metade, aliviando em 250 bilhões o orçamento anual, este valor poderia ser usado em investimentos em diversas áreas, e ainda gerar superávit. Minha dúvida é: seria bom para a economia se o Banco Central recomprasse os títulos da dívida pública, usando dinheiro das reservas cambiais ou mesmo da venda de ativos (privatização da Petrobras)? O governo poderia fazer isto atualmente? O que gera a necessidade de emissão de novos títulos da dívida, neste cenário em que a dívida já está bastante alta?
  • Tulio  26/05/2017 21:54
    "Se esta dívida fosse reduzida pela metade"

    Isso só aconteceria por meio de superávits nominais. Só assim. Não há nenhum outro jeito.

    Mas toda a esquerda é contra superávits.

    "Minha dúvida é: seria bom para a economia se o Banco Central recomprasse os títulos da dívida pública"

    Banco Central comprar títulos da dívida não altera absolutamente nada. Quem emitiu o título foi o Tesouro e não o BC. A dívida é do Tesouro e não do BC. Logo, a dívida só é extinta quando é o Tesouro quem recompra e não o BC. O BC não tem absolutamente nenhum poder de reduzir dívida.

    Adicionalmente, para o BC comprar algo, ele imprime dinheiro. Se o BC sair comprando títulos com impressão de dinheiro (que é a única coisa que ele pode fazer), isso seria completamente inflacionário.

    "usando dinheiro das reservas cambiais"

    Oi?! Reservas cambiais?! Reservas cambiais são dólares e estão na forma de títulos do Tesouro americano. Não há dólares parados num cofre do BC. Todas as reservas internacionais estão na forma de aplicação em títulos do Tesouro americano.

    "ou mesmo da venda de ativos (privatização da Petrobras)? O governo poderia fazer isto atualmente?"

    Sim, isso sim. Mas a esquerda não deixa.

    "O que gera a necessidade de emissão de novos títulos da dívida, neste cenário em que a dívida já está bastante alta?"

    O fato de o governo gastar mais do que arrecada. E por que ele gasta mais do que arrecada? Porque o eleitor quer social-democracia, um arranjo que só pode funcionar em países ricos.

    Artigo inteiro sobre isso, cuja leitura recomendo enfaticamente:

    A social-democracia no Brasil entrou em colapso - abandonemos os delírios e sejamos mais realistas
  • Mílber  27/05/2017 01:09
    Obrigado. Tinha em mente que o Tesouro seria algo do próprio BC. O correto da minha pergunta, então, seria a recompra dos títulos pelo Tesouro. Li o artigo sugerido. Aos poucos vou aprendendo.
  • Pobre Paulista  26/05/2017 22:52
    A dívida pública jamais será paga pois "nós não devemos para nós mesmos" (sic)
  • reinaldo@tpa.com.br  26/05/2017 22:19
    Sempre que leio aqui sobre impressão desmedida de dinheiro, me pergunto se o uso de moeda atrelada ao ouro ( ou qualquer outra commodity) iria diminuir os problemas.
    Afinal de contas o governo iria perder o controle sobre o volume de dinheiro e teria que ser muito mais austero nas contas, para não provocar o caos.
  • anônimo  26/05/2017 22:58
    Espero que a fome, as mortes e todas as desgraças que estão ocorrendo, possam mudar alguma coisa.

    Por mais que esquerdismo seja um dano cerebral, quem sabe esses doentes aprendem alguma coisa.

    O principal ponto é a guerra ideológica, com as seguintes prioridades:

    - fim do imposto sindical
    - fim dos cursos universitários de filosofia, sociologia e todas essas porcarias de cursos de humanas
    - fim da prostituição no jornalismo
    - fim do fundo partidário
    - fim de verbas para ONGs e associações de direitos humanos

    Enfim, os velhos comunistas estão cometendo crimes há 50 anos. O principal ponto é acabar com a formação de novos comunistas e socialistas criminosos.

    Depois disso, podemos começar a falar em liberdade. São milhares de socialistas criminosos que estão destruindo tudo.

  • Anderson  26/05/2017 23:09
    Gostaria muito da opinião de vocês sobre uma coisa. Diante deste momento de crise e do histórico das empresas brasileiras onde poucos empreendedores sobrevivem a momentos como este, queria saber de vocês qual o melhor curso eu posso fazer para aprender a administrar minha empresa com segurança do que estou fazendo e capaz de mante-la saudável financeiramente. Já faço curso de Administração na Unisul e trabalho na empresa da família mas queria saber se há caminhos para melhorar e até expandir a empresa sem compromete-la a longo prazo ou devo desistir e fazer concurso público como todo mundo?
  • 300esparta  27/05/2017 11:08
    Tenho 2 empresas, posso te ajudar recomendando a vc esse livro:

    Guia Prático de Formação de Preços: Aspectos mercadológicos, tributários...
    Autor: Roberto Assef

    Ao menos vc vai ter uma base dos cálculos.

    Eu sou formado em Administração de Empresas mas realmente da faculdade não uso nada. Até pq meus professores ou eram politiqueiros petistas, ou estavam envolvido com esquemas do Banestado, ou sempre foram FP e acho que o único que teve empresa privada quebrou 3 empresas.

    O que manda mesmo é o dia a dia.

    Mas se alguém tiver mais dicas eu também agradeceria.

    E quanto a virar FP, muita gente entrou nesse barco e ainda hoje é bem recompensador. Mas eu acredito que algum dia haverá uma correção dos valores pagos a eles, pode até ser causado por inflação descontrolada ou algo assim.
  • Luciano  27/05/2017 21:31
    As correções dos FP já estão menores devido à situação calamitosa do país. Sem contar que você não será cúmplice do roubo e ainda estará ajudando o país (não que essa seja a intenção). Não há nada mais cômico do que FP falando em ética. haha
  • Luisa arrigo  27/05/2017 01:01
    Complicado, temos que aturar ainda esse pessoal da esquerda, defendendo os que nos derrubaram. Aí atras do seu notebook é fácil defender esses bandidos enquanto a grana somente entra na conta =/
  • Hugo  27/05/2017 04:58
    Olá Leandro!

    Com o comportamento atual da inflação é possível termos um IPCA até mesmo abaixo do piso da meta, já que os meios de pagamento, câmbio e crédito estão estáveis (ou mesmo caindo)?
  • Frederico  27/05/2017 13:43
    A se manter tudo como está, o IPCA será sim bem baixo. Mas abaixo do piso (2,50%) é difícil. Muito embora cidades como Goiânia e Curitiba já estejam neste momento com IPCA nesta situação.
  • Onesimo Mesquita  27/05/2017 05:39
    Grande Leandro,

    Como responder ao Ciro Gomes apartir do seu esboço?
  • Renato  27/05/2017 13:39
    Você se refere ao comentário feito lá em cima? Com os argumentos contidos nestes dois artigos:

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=2532

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=2534
  • Rodrigo Alves de Paula  27/05/2017 15:28
    Essa recessão se diferencia das demais que o Brasil sofreu por não ter ocorrido a convulsão social, com fome generalizada nas grandes cidades, saques aos supermercados por desempregados famintos, tentativas de suicídio, favelas se formando até debaixo dos viadutos e diáspora brasileira.

    Mas, uma coisa é certa: o Brasil não vai suportar mais um longo período de crise política. Isso somado à não-aprovação das reformas trabalhistas e previdenciárias poderão levar o Brasil ao cenário de absoluta dissolução do país tal como foi a URSS em 1991; os movimentos separatistas estão ganhando força silenciosamente e o aprofundamento da depressão fará com que esses movimentos ganhem corpo cada vez mais. O Brasil corre sério risco a médio prazo de entrar no clube dos países extintos, no qual já fazem parte a União Soviética, a Prússia, a Iugoslávia e a Austro-Hungria.
  • Marcus Daniel  27/05/2017 18:21
    Que artigo extraordinário. Parabéns. Nunca aprendi tanto sobre economia!
  • Fogarty  27/05/2017 19:32
    Mais uma obra de arte, caro Leandro. É realmente honroso o trabalho que vocês do IMB fazem. Parabéns e obrigado.
  • Leandro  29/05/2017 20:05
    Prezados Marcus Daniel e Fogarty, muito agradecido pelas palavras e pelo reconhecimento pelo trabalho. Cordiais saudações!
  • myself  28/05/2017 02:09
    Excelente artigo, novamente.

    Mas fiquei com uma dúvida. Inflação de preços (ou carestia, se preferir) não é consequência exclusiva do aumento de dinheiro na economia? Se for, me parece que o artigo dá importância exagerada a coisas como a credibilidade da equipe econômica.

    Talvez a credibilidade (ou falta de) da equipe possa servir como um catalizador, acelerando ou retardando algum processo, mas se a quantidade de dinheiro na economia está sendo restringida, me parece inevitável que a inflação de preços vai cair.
  • Goldfajn  28/05/2017 03:01
    Sim, a carestia é, no longo prazo, determinada pela oferta monetária.

    Só que há um detalhe crucial: se um governo adotou repentinamente uma restrição monetária, mas, ao mesmo tempo, tem um histórico totalmente inflacionista e também uma retórica inflacionista, isto é fatal: as pessoas seguirão reajustando preços, mas simplesmente não haverá demanda (moeda) para estes novos preços. E aí haverá recessão/depressão até os preços pararem de subir (ou até mesmo cair).

    Ou seja: se você pratica restrição monetária, mas estimula as pessoas a seguirem reajustando seus preços (pelos motivos acima), você neutraliza todo o efeito desta restrição monetária. Pior ainda: ao estimular aumento de preços em meio a uma restrição monetária, você desarranja toda a economia.

    É claro que chegará um momento em que os formadores de preço perceberão que de nada adianta subir continuar subindo preços. Mas o problema é que, quanto mais tempo demorar para chegar a este ponto, mais a economia ficará atrapalhada.

    Por exemplo, no Brasil, o aperto monetário começou no início de 2015. Mas os preços só começaram a parar de subir em setembro de 2016, 21 meses depois. Foi muito tempo. E muito desarranjo neste período.

    Caso a equipe econômica fosse a atual já em janeiro de 2015, a depressão certamente seria muito menor.

    Este é o ponto.
  • João Gabriel de Castro Almeida  28/05/2017 12:30
    Mais um excelente artigo do Leandro, como sempre. No aguardo de uma nova palestra sobre o esse artigo.
  • Van Hohenheim  28/05/2017 15:57
    Uma pergunta: Como a China possui tantas empresas estatais, lucrativas e não corruptas?
  • Tércio   28/05/2017 21:49
    Quem falou que é assim?! Não há nenhuma informação confiável oriunda do governo chinês. (As próprias estatísticas de PIB são completamente maquiadas.)
  • Ex-microempresario  28/05/2017 22:55
    Existe bastante corrupção na China, e provavelmente não há mais ainda devido à prática deles de premiar os dirigentes corruptos com um tiro na nuca.

    Empresas estatais lucrativas são uma coisa fácil de conseguir em uma economia dirigida por um estado totalitário: será lucrativo aquilo que o governo determinar que seja lucrativo, e pronto.
  • Andre  29/05/2017 10:51
    Já que essas empresas são tão maravilhosas investe lá suas economias pra aposentadoria, deve haver filas e filas de investidores internacionais ávidos para comprar participações em empresas estatais chinesas, não... pera...
  • Mídia Insana  28/05/2017 22:36
    Excelente artigo, Leandro.

    Ironicamente, estou jogando 'A Pequena Grande Crise 3' (onde nós jogamos como a presidente Dilma em 2011) e fazendo uma série tentando impedir que a crise ocorra no Brasil.

    No jogo nós revemos algumas ideias ruins do governo tipo a crise no setor elétrico e o começo da nova matriz econômica. É impressionante como a situação piorou desde que o jogo foi feito.
  • Wesley  29/05/2017 06:06
    Tenho uma dúvida: quais seriam as consequências se o governo brasileiro abolisse o real e passasse a utilizar o dólar americano como fez o Equador? É claro que isso não vai acontecer nunca, já que o governo não vai abrir mão do imposto inflacionário. Mas se isso ocorresse quais seriam as consequências para a população comum e a economia como o todo, principalmente os juros? Vi que o Equador tem um banco central mesmo usando o dólar americano. Como funciona a economia daquele país e qual a vantagem do resto dos países sul americanos que têm moeda própria?
  • Hanke  29/05/2017 12:19
    Inflação de preços permanentemente baixa, risco zero de desvalorização cambial (por motivos óbvios) e, consequentemente, juros iguais aos americanos (talvez dois pontos percentuais acima).

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=2196
  • Felipe R  29/05/2017 14:31
    Muito bom artigo. Mais um show de argumentação embasada em dados.

    Leandro, se quiser complementar informação sobre a situação financeira ruim dos Estados e Municípios, você pode checar também o endividamento deles na série histórica do CADIP. Note que, em termos nominais, o valor praticamente dobrou de 2007 para cá.

    Infelizmente essa fonte, o CADIP, não inclui endividamento usando recursos tais como o fgts, mas os dados do mencionado fundo são públicos e tenho. Caso queira saber mais a respeito, entre em contato.

    Em suma, o PAC estimulou o endividamento estatal subnacional para construção de infraestrutura, e agora os Estados e Municipios, alem de estarem quebrados por causa da expansão da folha, estão muito mais envidados que 10 anos atrás. Só em um setor específico de infra, for exemplo, a divida saltou de 1,15 bi para cerca de 27,5 bi.
  • Wagner Pires  29/05/2017 20:34
    Segundo o Portal Transparência do governo do Rio de Janeiro o déficit primário em 2016 foi de R$2,867 bilhões.

    A queda na arrecadação de participação do Governo do Rio de Janeiro na exploração do petróleo e royalties impactou diretamente o resultado fiscal do estado.

    Participação dos royalties na receita total do Estado do Rio de Janeiro – série histórica a partir de 2002

    EXERC….RECEITA TOTAL….ROYALTIES….%

    2002….R$25,7 bilhões……..R$1,8 bilhão…..7,15
    2003….R$29,9 bilhões……..R$3,5 bilhões…11,74
    2004….R$31,5 bilhões……..R$3,5 bilhões…11,15
    2005….R$32,7 bilhões……..R$4,3 bilhões…13,26
    2006….R$35,7 bilhões……..R$5,3 bilhões…14,94
    2007….R$36,5 bilhões……..R$4,4 bilhões…11,96
    2008….R$43,0 bilhões……..R$6,7 bilhões…15,62
    2009….R$44,8 bilhões……..R$4,9 bilhões…10,90
    2010….R$53,7 bilhões……..R$6,4 bilhões…11,94
    2011….R$57,5 bilhões……..R$6,9 bilhões…12,10
    2012….R$63,6 bilhões……..R$8,2 bilhões…12,95
    2013….R$76,6 bilhões……..R$8,2 bilhões…10,74
    2014….R$82,5 bilhões……..R$8,7 bilhões…10,55
    2015….R$79,1 bilhões……..R$5,3 bilhões…..6,70
    2016….R$68,3 bilhões……..R$3,5 bilhões…..5,13

    Fonte: Governo do Estado do Rio de Janeiro – Portal Transparência.

    Em decorrência da deterioração econômica vivenciada pelo país que atingiu, também, o Rio de Janeiro, as receitas totais que vinham em uma projeção ascendente, de 2014 para 2015 caíram de R$82,5 bilhões para R$79,1 bilhões, e de R$79,1 bilhões para R$68,3 bilhões de 2015 para 2016, como se vê na tabela acima na segunda coluna. Em dois anos uma queda de 17,21% nas receitas. Parte dessa queda nas receitas totais se deve a diminuição das transferências da União para o Rio, mas, também, e principalmente, à queda do preço do petróleo e do seu impacto na arrecadação dos royalties pelo estado. Conforme a tabela acima a arrecadação com royalty que vinha crescendo até 2014, de 2014 para 2015 caiu de R$8,7 bilhões para R$5,3 bilhões e de R$5,3 bilhões para R$3,5 bilhões de 2015 para 2016, como se vê na terceira coluna da tabela acima.

    A queda de R$14,2 bilhões na receita, ocorrida de 2014 para 2016, foi fulminante para o Estado do Rio, cujas despesas vinham subindo explosivamente, passando a superar, então, as receitas, fazendo o Estado incorrer em sucessivos déficits fiscais. O principal fator de descontrole fiscal foi o crescimento explosivo das despesas com a folha de pagamento, que de 2008 a 2016 cresceu 281% (ver tabela abaixo). Os reajustes do funcionalismo público do Estado, no período, foram em média de 50%. Mais que o dobro da média nacional de 21%. Esse fato, corroborado pela queda das receitas, conforme explanado acima, criou uma situação insustentável de desequilíbrio econômico-financeiro.

    Crescimento da despesa com pessoal e encargos sociais do Estado do Rio de Janeiro

    2008………..R$8,774 bilhões
    2009………..R$10,839 bilhões
    2010………..R$12,510 bilhões
    2011………..R$13,867 bilhões
    2012………..R$15,848 bilhões
    2013………..R$18,063 bilhões
    2014………..R$19,936 bilhões
    2015………..R$22,099 bilhões
    2016………..R$33,426 bilhões

    O crescimento explosivo da despesa pública de 2008 a 2016 está vinculado ao inchaço da despesa com a folha de pagamento (pessoal e encargos sociais) que mais do que dobrou, cresceu 281%!

    Não há outra alternativa que não passe por um choque de gestão fiscal baseado em corte de despesas correntes (como o congelamento dos salários do funcionalismo público combinado com um plano de demissão voluntária incentivada) e, ainda, com a suspensão do pagamento da dívida pública fundada do Estado com a União.

    O último balancete de disponibilidade financeira do Governo do Estado do Rio de Janeiro, referente ao mês de março/2017, demonstra que o governo encerrou setembro com um caixa de R$7,977 bilhões. Por outro lado as despesas com a folha de pagamento apropriadas até o mês de setembro foram de R$6,505 bilhões.

    Portanto o caixa do governo suporta o pagamento dos salários do funcionalismo público. A questão é que existem mais despesas de curto prazo que o governo tem o compromisso de pagar além da folha de pagamento como o que ocorre com seus fornecedores.

    Da análise do balancete – análise de liquidez imediata -, onde o quociente de liquidez imediata = Disponibilidades/Passivo Circulante, depreende-se que o governo tem disponível em caixa R$7,977 bilhões, mas o passivo circulante (exigibilidades de curto prazo) perfaz um total de R$33,968 bilhões. Assim o quociente de liquidez imediata é de R$7,977 bilhões / R$33,968 bilhões = 0,23. Ou seja, para cada um real de dívida de curto prazo o governo tem apenas vinte e três centavos disponíveis em caixa para pagar. Em outras palavras o governo do Rio de Janeiro não tem dinheiro em caixa pagar setenta e sete por cento das suas despesas de curto prazo, e por isso, tem de priorizar a folha de pagamento em detrimento de fornecedores, por exemplo. Uma situação é precaríssima e insustentável, já no horizonte de curto prazo.

    A análise do capital circulante líquido disponível do governo é a seguinte: Capital Circulante Líquido = Ativo Circulante – Passivo Circulante, ou, CCL = AC – PC. Logo, CCL = R$24,801 bilhões – R$33,968 bilhões = – R$9,167 bilhões. Ou seja, o ativo circulante é insuficiente para fazer frente às obrigações de curto prazo (passivo circulante) do governo. A insuficiência desses recursos econômico-financeiros, é chamado tecnicamente de passivo a descoberto. Em outro termo, diz-se que o Estado do Rio de Janeiro está quebrado.

    Como os recursos em caixa são insuficientes para fazer frente a todas as obrigações de curto prazo, tornar-se-á comum vermos nos jornais entidades específicas, pessoas físicas e jurídicas entrarem em ação de arresto de bens e valores do governo do Estado do Rio de Janeiro para garantir o seu pagamento.

    Variação de disponibilidade de caixa e equivalente de caixa do Governo do Estado do Rio de Janeiro em 2016/2017:

    Janeiro……….Informação não disponível
    Fevereiro……R$10,724 bilhões
    Março…………R$10,617 bilhões
    Abril……………R$8,406 bilhões
    Maio…………..R$7,631 bilhões
    Junho……..….R$7,515 bilhões
    Julho……..…..R$7,967 bilhões
    Agosto…..…..R$7,880 bilhões
    Setembro..…R$7,429 bilhões
    Outubro…….R$6,963 bilhões
    Novembro….R$6,344 bilhões
    Dezembro….R$6,048 bilhões
    .
    .
    Março/2017..R$7,977 bilhões

    Fonte: Balancete mensal de disponibilidade financeira (Portal Transparência do Estado do Rio de Janeiro)

    Pezão falou em securitização da dívida ativa. É uma solução de curto prazo, mas, não resolve o problema em definitivo, pois, além de serem limitados os recursos levantados com a securitização da dívida ativa e/ou dos royalties do petróleo, a medida adianta recebíveis que farão falta no futuro. Se o governo recebe adiantado de bancos privados valores a receber no futuro com os royalties do petróleo, lá na frente eles farão falta, pois, serão resgatados pelos bancos como forma de pagamento, fazendo falta ao estado no futuro. Ademais nenhuma dessas medidas paliativas freia o crescimento explosivo da despesa pública fluminense. Ou seja, ou Pezão congela os salários dos servidores públicos e aumenta suas alíquotas de contribuição previdenciária, com a ajuda da Alerj, ou o equilíbrio financeiro jamais será atingido, pois, o crescimento desenfreado da despesa pública se manterá incólume, em contraponto com a redução da receita pública, num quadro insustentável de desequilíbrio fiscal.

    A dívida ativa é uma reserva de recurso que pode ajudar, mas, também não resolve o problema. O estoque de dívida ativa que o Estado do Rio de Janeiro tem contra seus devedores é de R$58,69 bilhões. Porém, com efetiva possibilidade de recebimento apenas R$17,78 bilhões, como mostra a contabilidade governamental em sua demonstração reproduzida logo abaixo. Numa operação de securitização em que o estado vende a bancos privados o direito de receber a dívida ativa, esse valor com possibilidade de recebimento cairia ainda mais, dada a taxa de desconto que os bancos cobrariam. Portanto, a operação de securitização levantaria pouco recurso, o que ajudaria apenas no curto prazo. Para se ter uma ideia, só com a folha de pagamento o governo do Estado do Rio de Janeiro despende em torno de R$28,2 bilhões por ano.

    O estoque da dívida ativa do Estado do Rio de Janeiro é o seguinte:

    (+) Dívida ativa tributária de curto e longo prazo………..R$57,08 bilhões
    (+) Dívida ativa não tributária de curto e longo prazo…R$1,61 bilhão
    —————————————————————————————————–
    (=) Subtotal da dívida ativa……………………………………………R$58,69 bilhões
    (-) Ajuste para perdas (*)………………………………………………(R$40,91) bilhões
    ——————————————————————————————————-
    (=) Total da dívida ativa…………………………………………………R$17,78 bilhões

    (*) O ajuste para perdas de dívida ativa do Estado do Rio de Janeiro corresponde a 69,7% do total do estoque de dívida ativa e se refere à expectativa de frustração da cobrança dos devedores.
    Fonte: Contas de Gestão do Estado do Rio de Janeiro (Portal Transparência)
  • MB  01/06/2017 15:18
    Wagner Pires continue fazendo este trabalho de análise de balanço público e compartilhe com nós estas conclusões,pois carecemos deste tipo de análise e estou cansado da choradeira esquerdista emburrecedora que diz ter a solução para tudo,mas quando estão no poder se acomodam e empurram com a barriga igual todo parasita gosta de fazer.
  • Wagner Pires  03/06/2017 19:10
    Ok, grande abraço!
  • Wagner Pires  29/05/2017 20:48
    Tenho uma dúvida e gostaria de uma orientação definitiva.

    Qual é, exatamente, o modelo matemático que o Banco Central Brasileiro está adotando para achar a taxa básica de juros (SELIC)?

    O padrão é o da neutralidade? Taxa básica de juros neutra?

    Lembrando que nos EUA, por exemplo, o padrão de determinação da taxa básica de juros durante os primeiros anos da era Greenspan (1987-1993) pode ser descrito por uma simples equação introduzida por John B. Taylor (1993), da Universidade de Stanford:

    r = p + 0,5 q + 0,5 ( p - 2 ) + 2

    onde r é a taxa básica de juros almejada, p é taxa de inflação (de preços) ocorrida no ano anterior, e q é o desvio percentual do produto atual em relação ao produto de pleno emprego.

    E aqui no Brasil? Estão adotando equações estabelecidas por um processo econométrico de análise de regressão múltipla?

    Qual é a mais adaptada, se for o caso?

    E nos EUA, na atualidade, qual é o padrão utilizado pelo FED?

    Desde já eu lhes agradeço.

    Como sempre, o artigo do sr. Leandro é de tirar o chapéu. Adoro esses artigos lastreados em dados reais e atuais da economia brasileira. Acho-os imbatíveis!
  • Leandro  29/05/2017 20:59
    Na era Tombini, o BC utilizava uma estrovenga chamada "SAMBA": Stochastic Analytical Model with a Bayesian Approach -- Modelo Analítico Estocástico com uma Abordagem Bayesiana".

    economia.estadao.com.br/noticias/geral,bc-se-baseia-em-modelo-estocastico-bayesiano-o-samba-imp-,771005

    www.bcb.gov.br/pec/wps/ingl/wps239.pdf

    www.bcb.gov.br/htms/relinf/port/2015/09/ri201509b8p.pdf

    Não sei quanto ao atual BC, mas é bem provável que tenham regressado a Taylor.

    Muito obrigado pelas palavras e grande abraço!
  • Wagner Pires  29/05/2017 21:11
    Muito obrigado, sr. Leandro. Vou analisar o material que o senhor disponibilizou.

    Grande abraço!
  • Ana de Souza  29/05/2017 21:09
    Muito me preocupa o rumo que a economia brasileira tem tomado. Não cultivo o pessimismo mas admito que está difícil manter alguma ponta de esperança em meio a todo este caos. A atuação do governo tem enfrentado grande resistência, especialmente agora após os escândalos recentes. O Mercado Financeiro acaba criando um clima de aversão em relação ao nosso país, o que afugenta os bons investimentos. O caminho para toda esta crise institucionalizada provavelmente não será curto e muito menos fácil...
  • Thiago Teixeira  29/05/2017 21:28
    Excelente artigo.

    Bem, é triste constatar o quanto dependemos da política no Brasil. Muito triste mesmo.

    Mas há a possibilidade de ocorrer algo que reverta totalmente as expectativas economicas: a queda de Temer e a eleição indireta de Henrique Meireles como presidente. Seria um surpreendente ato de seriedade da classe política.

    Além disso, sobre o Lula, numa eleicao contra o Doria ele perde. E o Bolsonaro bateria tanto no esquerdismo que tiraria muitos votos do Lula.

    Só falta o Dória corrigir uns 3 ou 4 pontos nevrálgicos, que ele daria um bom presidente. O Constantino analisou uma entrevista dele, vale muito a pena ler. O pior ponto foi: o Dória gosta do BNDES...

    E se nada disso der certo, Lula ganhar em 2018, jogo a toalha: começo a organizar minha emigração.
  • Andre  31/05/2017 13:38
    Então comece a organizá-la desde agora, pois não basta Lula perder, é preciso que o próximo presidente tenham respaldo popular para passar as reformas econômicas, e mesmo que tenha, não espere muito mais que reformas superficiais apenas para tudo não desabar nos próximos 10 anos.
  • Thiago Teixeira  29/05/2017 21:38
    Ao menos um crédito temos que dar pro Lula, e só por isso já daria para concluir que Dilma conseguiu ser bem pior que ele: Lula sugeriu que Dilma colocasse o Meireles como Ministro da Fazenda, ducessivas vezes, especialmente após a eleicao de 2014.

    Sobre um comentario anterior, de que o artigo artribui excessivo crédito à confiança na equipe economica, lembremos que a formacao dos preços é subjetiva, e que a confiança é sempre um item valorizado pelos economistas Chicaguistas, que são os condutores mainstream da economia mundial.
  • Wagner Pires  29/05/2017 21:43
    Uma dúvida, novamente, sr. Leandro, desculpe-me o abuso, mas, se nos EUA o modelo de Taylor utiliza uma taxa inflacionária desejada de 2% ao ano, daí a equação intuitivamente, conter a soma dessa taxa (r = p + 0,5 q + 0,5 ( p - 2 ) + 2 ).

    No caso brasileiro, ela deveria ser substituída pelo centro da meta inflacionária perseguida pelo BACEN - neste caso 4,5% ? Ou pelo limite inferior da banda de controle, isto é, 2,5%.

    Neste caso, como a equação ficaria?
  • Intruso  29/05/2017 23:07
    Não deveria ser substituído por nada. Tal equação nem sequer deveria existir, pois BCs também não deveriam existir. Este é um dos cernes da Escola Austríaca: o governo não tem de gerenciar a moeda, muito menos ficar seguindo equações que, em tese, permitam um suposto "bom gerenciamento" da moeda.

    Por que o Banco Central é a raiz de todos os males

    Como o Banco Central poderia operar de acordo com os ensinamentos da Escola Austríaca

    Nossas ideias chegam a Brasília - Banco Central perde status de intocável

    Como seria a produção de dinheiro no livre mercado
  • Wagner Pires  30/05/2017 00:48
    Calma, o sr. está nervoso. Chupe uma bala.

    A minha pergunta foi direcionada ao sr. Leandro. Quero apenas entender a lógica da fórmula de Taylor utilizada no caso específico do Brasil que mantém uma meta inflacionária de 4,5% e, logicamente superior à dos EUA que é de 2%.

    Quero saber se a tal fórmula sofre modificação por conta da alteração da meta inflacionária.

    Sobre a teoria da Escola Austríaca, não tenho qualquer dúvida: a solução definitiva para o Brasil seria a eliminação do BACEN e o estabelecimento de um Currency Board.

    Desde já agradecido.
  • Skeptic  30/05/2017 01:45
    Muito bom!

    Leandro, se o Bolsonaro foi eleito em 2018, qual sua opinião sobre as consequências econômicas?
  • Andre  31/05/2017 13:33
    Caos econômico, mesmo que Bolsonaro conjure a mais competente equipe econômica que o Brasil pode montar, a economia deste país está a beira do precipício e para evitar sua queda são necessárias que profundas reformas econômicas passem no congresso, o que exige muita negociação e traquejo político com diferentes correntes ideológicas, coisa que Bolsonaro já demonstrou não ter nenhum.
  • Pobre Paulista  31/05/2017 14:22
    Mas a Nióbras e a Grafenobrás vão colocar o Brasil no cenário internacional! Seremos uma potência Grafenológica!
  • anônimo  31/05/2017 18:33
    Ser eleito presidente aqui não te dá poder nenhum sobre o país.

    Precisa de ser muito "político" para conseguir fazer alguma coisa graças a Câmara, Congresso e Sindicatos.

    Bolsonaro, Luciana Genro e demais figuras não são assim.
  • Skeptic  02/06/2017 00:55
    Concordo com vocês três. Por mais que o Bolsonaro coloque uma equipe econômica ortodoxa, o nacionalismo e protecionismo dele destruiriam qualquer coisa boa que pudesse surgir. Isso se a equipe econômica dele não foi um bando de militares. Como ele disse, colocaria militares em vários ministérios caso fosse presidente.
  • João  02/06/2017 13:22
    Mas mesmo se ele chamar os austríacos, o modelo econômico não vai mudar radicalmente. O Establishment não irá permitir.
  • Andre  02/06/2017 19:01
    Pessoalmente considero o Bolsonaro de uma decência enorme, dentro das atuais circunstâncias estatistas, sua eleição para um cargo de destaque político maior seria muito útil para propaganda conservadora, bastante carente no Brasil e dispor para a sociedade contraponto ao pensamento esquerdista, mas as possíveis vantagens param por aí.
  • Fernando Gesta Leal  01/06/2017 16:48
    Muito bom Leandro.

    Mais um texto onde a objetividade , a argumentação lógica e a análise social, encaixam-se dentro de uma racionalidade cristalina.
  • anônimo  02/06/2017 13:55
    ótimo texto
  • Leonardo  03/06/2017 16:55
    Uma dúvida: sou simpático a ideia de uma abertura econômica, mas como o setor agrícola do Brasil iria se sustentar na concorrência com os subsídios da Europa e dos Eua?
  • Wagner Pires  03/06/2017 19:09
    Em 2016 o Tesouro Nacional emitiu R$721,7 bilhões em títulos e resgatou R$732,5 bilhões dos títulos anteriores, restando um resgate líquido de R$10,8 bilhões em títulos públicos, devidamente abatidos da dívida pública federal.

    Registro gráfico da emissão e resgate de títulos públicos federais feitos pelo Tesouro (2016):

    (+) Total de emissões………….R$721,7 bilhões

    (-) Total de resgates……………R$732,5 bilhões
    ———————————————————–——–
    (=) Resgate líquido...…………..R$10,8 bilhões*

    (*) devidamente abatidos da dívida pública federal.

    Fonte: Tesouro Nacional

    Os juros incorridos no ano de 2016 foram de R$330,7 bilhões. Assim a dívida pública federal passou de R$2,793 trilhões em 2015 para R$3,113 trilhões em 2016; resultado da incorporação dos juros e abatimento do resgate líquido.

    Registro gráfico da gestão da dívida pública federal (2016):

    (=) Dív. púb. fed. em 2015...R$2.793 bilhões
    (+) Total de emissões………… R$721,7 bilhões
    (-) Total de resgates……………R$732,5 bilhões
    (+) Total de juros………………..R$330,7 bilhões
    ———————————————————–——–
    (=) Dív. púb. fed. em 2016...R$3,113 trilhões

    Fonte: Tesouro Nacional

    O custo da dívida pública (taxa implícita) em 2016 foi de 12,02% ao ano. Em 2015 o custo de manutenção da dívida pública tinha sido de 16,05% a.a. Caiu, portanto, mais de 4% de um ano para outro. O BACEN informou que a queda desse custo esteve fortemente atrelada à apreciação cambial do real frente ao dólar, com efeito sobre a estatística de custo da dívida pública federal externa. A redução da selic também foi um componente desse processo.
  • Sbleck  14/06/2017 15:11
    Bom dia, Leandro,

    Grato por mais este artigo, com infográficos mais atualizados.

    Gostaria muito que pudesse esclarecer (COM DETALHES) o que disseram neste artigo (www.infomoney.com.br/mercados/politica/noticia/6646681/com-iminente-delacao-palocci-instituicoes-financeiras-apresentam-para-acordo-lava), pois gostaria muito de poder compreender melhor o seguinte trecho (EM DESTAQUE):

    "...Os nomes das empresas são guardados a sete chaves em meio ao enorme risco de que UM EVENTUAL VAZAMENTO ACARRETE CORRIDA BANCÁRIA. Os rumores nas mesas de operações de que instituições financeiras estariam negociando delações, antecipando possíveis revelações de delatores, ganharam força nas últimas semanas...."

    Grato, desde já.
  • Leandro  14/06/2017 15:35
    Isto nada mais é do que aquele temor já tantas vezes abordado por este Instituto: as reservas fracionárias.

    Nenhum banco possui o dinheiro que seus clientes depositaram nele. Se você for agora ao seu banco e pedir para sacar todo o seu dinheiro, o gerente irá pedir para você voltar dali a três dias (isso, é claro, após ele fazer de tudo para tentar demovê-lo da ideia).

    Se todos os clientes de um banco fizerem isso simultaneamente, então acabou: aquele banco estará falido. Ele não tem o dinheiro necessário para honrar todos os saques.

    Nenhum banco, com efeito, possui esse dinheiro, pois eles praticam "reservas fracionárias".

    Artigos detalhados sobre isso:

    O sistema bancário brasileiro e seus detalhes quase nunca mencionados

    O sistema bancário de reservas fracionárias

    A esquisitice do sistema bancário de reservas fracionárias

    Sobre a natureza fraudulenta do sistema bancário de reservas fracionárias

    Bancos não podem criar dinheiro

    Propostas para uma reforma bancária completa e estabilizadora

    O "acordo do Chipre" e o desenlace do sistema bancário de reservas fracionárias
  • Paulo h  06/07/2017 03:00
    Se o governo baixasse os juros hoje, o problema não seria resolvido na questão de desincentivar o dinheiro parado em renda fixa? Não seria a opção mais racional agora? Qual a justificativa para manter os juros nos patamares atuais?
  • Leandro  06/07/2017 12:51
    "Se o governo baixasse os juros hoje, o problema não seria resolvido na questão de desincentivar o dinheiro parado em renda fixa?"

    Por si só não muito. A incerteza criada pela política ("incerteza de regime") é um fator crucial. Enquanto perdurar essa zorra no cenário político, a qual abre caminho para populistas em 2018, nenhum empresário vai tirar dinheiro da renda fixa e investir maciçamente em capital físico só por causa de uma redução nos juros.

    Não há segurança nenhuma.

    "Não seria a opção mais racional agora?"

    Coloque-se no lugar do empresário. O que você faria?

    Quanto ao Banco Central, não há muito mais o que ele possa fazer senão continuar sua atual política de reduções já programadas e esperadas nos juros.

    "Qual a justificativa para manter os juros nos patamares atuais?"

    Todo o histórico de subserviência e complacência da administração Tombini, que destruiu toda a reputação do BC. Credibilidade não é algo que se reconquista com facilidade e rapidamente.
  • Emerson Luis   07/07/2017 18:32

    Crônicas de uma tragédia anunciada...

    * * *
  • Emerson Luis  08/07/2017 12:56

    "Só que, no Brasil, há uma jabuticaba"

    Uma jabuticaba? O Brasil é uma jabuticabeira! O Brasil é um jabuticabal!

    * * *
  • Paulo Silva  07/08/2017 03:04
    Será que os quase 40 bi gastos para a realização da copa do mundo e da olimpíada não influenciaram um pouco?
  • Felippe  07/08/2017 12:15
    Leia o livro Money, Bank Credit and Economic Cycles, de Jesús Huerta de Soto. Ali ele conta em detalhes toda a história.
  • Tiago  07/08/2017 12:17
    A implosão econômica aconteceria de qualquer jeito (assim como a Petrobras seria inevitavelmente quebrado mesmo se não houvesse nenhuma corrupção).

    Mas, de fato, os gastos só pioraram todo o coreto.

    O que Paul Krugman e os keynesianos têm a dizer sobre a implosão olímpica do Rio?


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