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É impossível negar que a Venezuela é uma calamidade gerada pelo socialismo
Quando os apoiadores desta ideia fracassada finalmente irão entender?

À medida que a Venezuela vai se afundando em um interminável pesadelo marcado pela fome, pela miséria, pela inanição e pela violência, o longo debate sobre a viabilidade do socialismo adquire uma nova relevância.

Anos de políticas explicitamente socialistas implantadas pelos regimes de Chávez e Maduro estão gerando seus inevitáveis efeitos. Graças às políticas de controle de preços, de impressão desmedida de dinheiro, de estatização de fábricas e de lojas (até mesmo hotéis foram estatizados), absolutamente tudo está em falta no país. 

Tais medidas do governo destruíram de maneira tão completa o pouco que restava de capitalismo, que o desabastecimento se tornou geral. Aquele país que já teve a quarta população mais rica do mundo vivencia hoje uma escassez geral, com racionamento de papel higiênicocomida, cervejaeletricidadeágua e remédios. Até mesmo os hospitais ficaram sem papel higiênico e sem remédios. A taxa de mortalidade de recém-nascidos disparou

Mesmo com toda a riqueza de suas reservas petrolíferas, as políticas de controle de preços, estatizações, impressão de moeda e redistribuição bagunçaram completamente a economia e acabaram por completo com a produção — e, logo, com o consumo.

Um país que outrora exportava grãos para o resto do mundo não consegue hoje nem sequer alimentar seu próprio povo.

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De quem é a culpa?

Esse desastre humanitário gerou a questão sobre quem deve ser responsabilizado. Tal pergunta deixa os auto-declarados socialistas e seus simpatizantes progressistas em apuros. Afinal, é fácil encontrar vários exemplos (de Michael Moore a Bernie Sanders) de pessoas à esquerda elogiando e glorificando as políticas econômicas de Chávez. Clique aqui para ler um compilado.

Em 2013, um famoso esquerdista americano, David Sirota, escreveu um ensaio para a revista Salon intitulado "O milagre econômico de Hugo Chávez".  Eis um trecho:

Chávez se tornou o bicho-papão da política americana porque sua defesa aberta e inflexível do socialismo e do redistributivismo não apenas representa uma crítica fundamental à economia neoliberal como também vem gerando resultados inquestionavelmente positivos. ... Quando um país adota o socialismo e se esfacela, ele se torna motivo de piada e passa a ser visto como um inofensivo e esquecível exemplo de advertência sobre os perigos de uma economia dirigida pelo governo.  Porém, quando um país se torna socialista e sua economia apresenta o grande desempenho exibido pela economia venezuelana, ele não mais se torna motivo de piada — e passa a ser difícil ignorá-lo.

Logo, o que as pessoas que tomaram essa mesma posição em relação à Venezuela podem dizer perante este desastre? E os defensores da liberdade e do livre mercado?

Muitos à esquerda farão o esperado: dirão que nada disso é culpa do socialismo. Alguns até mesmo dirão que as políticas da dupla Chávez-Maduro nunca foram "genuinamente" socialistas. Em outros casos, dirão que, embora as intenções da dupla fossem nobres e humanas, a corrupção e uma má implementação acabaram fazendo com que essas boas políticas não tenham dado certo.

Obviamente, ambos esses argumentos não se sustentam. Se tais políticas — estatizações, controle de preços, confiscos e redistribuição — não representam o "genuíno" socialismo, então por que tantas pessoas simpáticas ao socialismo expressaram tanto apoio ao governo venezuelano no passado, dizendo que ele estava revolucionando a economia para o bem? O próprio Chávez, reiteradas vezes, fez esta alegação.

Será que todas essas pessoas não entendem o que o socialismo realmente é? As várias tentativas feitas por Chávez de impedir que os mercados e os preços funcionassem, e de substituir as transações voluntárias por alguma forma de planejamento central "em nome do povo", foram todas elas consistentes com os pilares do socialismo.

Se isso não era socialismo, então qual o atual significado de socialismo?

O socialismo verdadeiro

Historicamente, o socialismo sempre foi definido como a abolição da propriedade privada dos meios de produção. Na prática, seria a substituição da "anarquia da produção" — que foi como Marx rotulou o livre mercado — pela propriedade pública ou comunal dos meios de produção.

Abolir a propriedade privada, as relações de troca, os preços e os lucros iria, na visão de Marx, acabar com a exploração, a alienação e as crises que caracterizavam o capitalismo. Adicionalmente, racionalizar a produção por meio de um planejamento central feito por burocratas — em vez de deixar tudo à mercê do método de tentativa e erro do mercado — iria eliminar todos os desperdícios e gerar uma explosão de produtividade que iria nos enriquecer a todos.

Todos, ou praticamente todos, estes ingredientes foram seguidos à risca pelo governo venezuelano. Não era socialismo?

O que dizer então do argumento de que tais políticas socialistas eram bem-intencionadas, mas acabaram sendo desvirtuadas pela corrupção e por uma má implementação?

O problema com esse argumento é que tal fenômeno parece acontecer absolutamente todas as vezes que o socialismo é implantado. Sempre.

Os bolcheviques começaram a implantar o socialismo marxista menos de um ano após tomarem o poder. Uma década depois, eles já estavam no stalinismo pleno, tendo como uma das consequências o Holodomor, que provocou 14,5 milhões de mortes.

Cuba, após a revolução, rapidamente se degenerou em uma ditadura.

A China também se transformou em uma brutal ditadura sob a mão firma de Mao Tsé-Tung, fazendo com que famintos chineses tivessem de comer seus próprios filhos.

O que dizer do Camboja e seu Khmer Vermelho, que praticou o extermínio de quase 40% da população e que assassinava crianças com baionetas?

Não nos esqueçamos também dos países africanos. Quem ainda se lembra das imagens (fortíssimas) de crianças famintas na Etiópia, no início da década de 1980? Crianças totalmente desnutridas, mas com as barrigas inchadas pela Kwashiorkor, e olhos cobertos de moscas.  Eram as vítimas inocentes das políticas econômicas do Derg — um grupo de militantes marxistas que havia assumido o controle do país e implantado um programa de estatização de empresas e propriedades, de controle de preços, de proibição do comércio de cereais. Entre 1983 e 1985, aproximadamente 400.000 pessoas literalmente morreram de fome no país. 

E a Coreia do Norte, e sua população de desnutridos?

A lista continua. Seria tudo isso uma enorme coincidência?

Absolutamente. Todas. As. Vezes.

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Marx e outros socialistas pensavam que aqueles que estariam encarregados do processo de planejamento — e, para Marx, estes eram toda a comunidade — poderiam racionalmente determinar o que produzir, como produzir, e em que quantidade na ausência de mercados, transações comerciais e preços.

No entanto, desde o famoso ensaio de Mises, de 1920, explicando por que o socialismo não tem como funcionar, todos nós já sabemos que toda e qualquer experiência socialista irá, no final, acabar em tragédia.

Preços livremente determinados pelo mercado são necessários para que consumidores e empreendedores possam fazer cálculos e estimativas. Sem preços livremente determinados, não há como empreendedores saberem o que os consumidores estão demandando. E não há como os consumidores organizarem racionalmente suas preferências de consumo. Ainda mais importante: não há como empreendedores satisfazerem os consumidores utilizando recursos escassos da maneira mais racional possível.

Em outras palavras, decisões racionais de produção são impossíveis sem preços de mercado. E preços de mercado não podem existir sem transações comerciais livres. Consequentemente, é necessário haver propriedade privada, principalmente dos meios de produção.

Mas o que acontece quando aqueles com o poder de tomar as decisões centralizadas percebem que não serão capazes de alcançar seus objetivos (por mais bem intencionados que sejam)? O poder não simplesmente desaparece. Com enorme frequência, a primeira reação destas pessoas é exatamente aquela que ocorreu na Venezuela: atacar com ainda mais veemência os produtores por estes não terem sido capazes de atender às impossíveis demandas; estatizar as instalações industriais e os estabelecimentos comerciais ainda sob controle privado; impor o racionamento de bens; e punir todos aqueles que estiverem "estocando" mercadorias.

E quando nada disso funcionar, parte-se para um autoritarismo ainda mais draconiano, e faz-se tudo o que for necessário para se manter no poder.

Após algum tempo, tais exercícios de poder bruto geram consequências: eles atraem para o alto escalão do governo aqueles indivíduos que possuem prática e experiência em exercer tal poder (em linguajar econômico, aqueles indivíduos que possuem uma "vantagem comparativa" no exercício da brutalidade são atraídos para o poder).

Marxismo não é sinônimo de stalinismo, mas a incapacidade do socialismo marxista de cumprir suas promessas cria as condições para a ascensão do stalinismo. Em outras palavras, o stalinismo é uma consequência não-prevista e não-intencionada do socialismo marxista.

Adicionalmente, à medida que o controle estatal vai se tornando cada vez mais ineficaz, as pessoas começam a tentar contornar o governo criando formas distorcidas de transações de mercado. Subornos a políticos e burocratas, ameaças a produtores e empreendedores, conluios com o governo, nepotismo, trocas de favores etc. se tornam a única maneira viável de fazer com que as coisas sejam feitas.

Recursos escassos têm de ser alocados de alguma maneira, e mercado são como ervas daninhas: surgem e crescem nas fendas deixadas pelo fracasso do planejamento centralizado.

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Negligência intelectual

Para o mundo externo, corrupção e uma má implementação são as causas dos seguidos fracassos do socialismo. Mas isso é uma completa inversão da realidade: a corrupção e a ineficácia não são as causas do fracasso do socialismo, mas sim as consequências do fracasso do socialismo. Quando você abole os mercados e os torna ilegais, e quando esta sua tentativa inevitavelmente fracassa, o que você tem é um arranjo repleto de corrupção, suborno e mercados negros (no qual apenas os mais destemidos se aventuram). Mais uma vez, tal arranjo não é aquele que os marxistas queriam, mas é a inevitável consequência de suas políticas.

Portanto, o que tudo isso pode dizer sobre aqueles que apoiaram as políticas de Chávez e Maduro? É fácil dizer que tais pessoas são inerentemente más por terem desejado a inanição e a miséria do povo venezuelano, mas isso seria uma postura fácil e simplista. Eu realmente acredito que muitos daqueles que apoiaram as políticas da dupla venezuelana genuinamente acreditavam que tais políticas trariam bons resultados. Neste sentido, tais pessoas não agiram de maneira imoral.

No entanto, elas são culpadas de incorrer em um grave erro intelectual, o qual tem consequências morais. Embora elas talvez não tenham desejado o desastre humanitário que vemos hoje, elas de fato têm de arcar com a responsabilidade de terem ignorado todas as críticas — já de longa data — ao socialismo, as quais já explicavam por que tal desastre era esperado.

Aqueles da esquerda que defenderam as políticas de Chávez não necessariamente incorreram naquele mal intencional ao qual chamamos de "vício". Mas eles podem ser culpados, isso sim, de algo que pode ser rotulado de "negligência" intelectual. Eles podem até não ter desejado a atual situação do povo venezuelano, mas não há dúvidas de que eles, no mínimo, deveriam saber melhor sobre aquilo que defendiam.

A simples condenação moral dessas pessoas acabaria com qualquer chance de diálogo produtivo. Já oferecer uma narrativa alternativa pode ser o começo. Por isso, é função daqueles que entendem como o mercado melhora a vida e o bem-estar de todos ensinar a essas pessoas sobre todos os malefícios do socialismo.

Os custos humanos do socialismo são grandes demais para que tal tarefa seja negligenciada.

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8 votos

autor

Steve Horwitz
é professor de economia na St. Lawrence University e autor do livro Microfoundations and Macroeconomics: An Austrian Perspective.



  • Constatação  17/05/2017 15:42
    Pela convivência que tenho com algumas poucas pessoas que defendem o socialismo, percebo que o mote dessa farsa é apelar para um certo sentimento de compaixão pelos ditos "despossuídos e excluídos". E, geralmente, culpa-se a sociedade. Mas, quando falo do exemplo dado aqui mesmo, sobre reunir X pessoas, dar 100 mil reais a cada uma e daqui a um ano perceber que nenhuma dessas X pessoas estará na mesma situação, os argumentos pela defesa do "direito a igualdade" somem.
  • Gabriel  17/05/2017 15:53
    "Mas tio, a Suécia... "

    E ad infinitum.
  • Renato  17/05/2017 16:32
    Só que o socialismo não é uma ideia fracassada. Socialismo é uma ideologia onde os mais espertos conseguem escravizar uma sociedade inteira, convencendo-os de que é "para os trabalhadores e o igualitarismo".
  • anônimo  17/05/2017 16:34
    Todos sabem que o socialismo não funciona, não é pratico, mas precisamos atacar o socialismo no campo ético.

    "Já faz bem mais de um século que se tem considerado que a esquerda tem a moralidade, a justiça e o "idealismo" do seu lado; a oposição conservadora tem se limitado a apontar a "falta de praticidade" dos ideais da esquerda. Uma visão corrente, por exemplo, é que o socialismo é fantástico "na teoria", mas que não pode "funcionar" na vida prática..."

    Se o socialismo não funciona, mas o ideal dele é belo, justo e admirável, não importa quantas vezes ele falhe as pessoas sempre tentarão de novo.
  • vladimir  17/05/2017 20:21
    É verdade, até que alguém page com sangue e com a vida pelos sonhos alucinados dos socialistas em geral.
  • LG  17/05/2017 17:04
    Em outras palavras, o stalinismo é uma consequência não-prevista e não-intencionada do socialismo marxista

    Errado!

    O Stalinismo é o objetivo; o socialismo marxista é a ferramenta para tal. É previsto, é almejado e é intencionado.

    Socialistas não são pessoas bem intencionadas, mas incompetentes. Não! São pessoas más que usam um discurso "bonito" (a socialização dos meios de produção; tudo é todos) para escravizar as pessoas. Afinal, como o próprio IMB apregoa, o que vale não são as intenções, mas os resultados que essas intenções produzem.

    Todo o resto é mera ginástica retórica.
  • Pedro  17/05/2017 17:21
    Sem nenhuma compaixão pelos venezuelanos, trabalhei lá por muitos anos e imploraram abertamente pela implementação desse sistema, enquanto liberais e conservadores falharam miseravelmente em desarmar os pontos chaves que permitiriam tal desgraça, e aí está o resultado, tal qual o chile de 1973.
    Venezuela só está escancarada nos meios de comunicação porque não tem um líder carismático e bem relacionado com líderes de centro esquerda pelo mundo, só por isso há chances de se livrar da ditadura nos próximos anos.
    No mais, tal país é muito útil aos outros da região para que evitem esquerdarem demais. Obrigado Venezuela.
  • Carlos Guilherme   17/05/2017 17:48
    Acredito que o socialismo tem seu poder devido ao jogo de palavras nele envolvido.

    Quando adolescente era socialista militante, pois para mim, ser socialista era pregar a justiça social. Afinal, como não ser, já que a mídia como um todo usa a palavra "capitalismo" associada a algum termo de caráter pejorativo, tais como:

    "O Capitalismo destrói o meio ambiente"

    "O Capitalismo impulsiona as pessoas ao crime"

    "O Capitalismo tirou a serenidade do homem e o alienou em uma busca desenfreada pelo consumo"

    Se o capitalismo é ruim, que alternativa resta? O socialismo é claro. E de fato, seria maravilhoso se todos os homens vivessem em harmonia, "trabalhando o quanto podem trabalhar, e recebendo o que merecem e precisar receber"

    No entanto, qualquer adulto que trabalha e paga as contas sabe que as coisas não funcionam assim. Se não houver expectativa de renda, por que você vai sair debaixo de um cobertor em uma manhã de segunda feira fria para pegar um trânsito engarrafado e engolir sapo de clientes, colegas, chefe??

    Algo que não contam, é que no socialismo não trabalhar é punível com prisão, às vezes com a morte. Alguém já leu a Constituição Russa de 1917? O próprio Lula no auge das greves dos servidores em 2015 disse que o servidor público que não trabalhasse, deveria ter seu ponto cortado, pois do contrário seriam "férias coletivas". Mas como assim!? O Lula era um sindicalista, ele não fez dezenas de greves!?

    O capitalismo, na minha visão leiga, é como a democracia, "o menos pior dos regimes". Nele, não vivemos um "paraíso na Terra", mas com certeza não se assemelha a verdadeiros infernos como na Coreia do Norte, do Camboja, etc.

    Observação: Obviamente não sou socialista, mas defendo a aplicação de políticas assistenciais em menor nível para reduzir problemas graves na sociedade, a exemplo da cracolândia no centro de SP, ou a inserção de imigrantes refugiados, sejam cubanos, sejam norte coreanos ou até mesmo sírios e haitianos em nossa sociedade. Ou até uma saúde e educação pública eficiente só e somente para os verdadeiros necessitados - que realmente não tem condições materiais de arcar com as despesas-, e a promoção da eliminação de doenças por meio de campanhas de prevenção e vacinação.

    Observação 2: Não acham que o controle de natalidade tem o potencial de reduzir a desigualdade social, na medida que reduz a oferta de mão obra, aumentando a demanda pela mesma e a consequente melhor remuneração e condições de trabalho?
  • Carlos Guilherme  17/05/2017 20:36
    Entendo e concordo quanto as causas da pobreza.

    Mas no Brasil, ela é por demais acentuada, e como apontado no artigo, por uma atuação irresponsável e destrutiva do Estado.

    No entanto, o "mínimo existencial" tem que ser garantido. Tendo em vista inclusive o benefício coletivo total da sociedade.

    Uma campanha de vacinação tem que ser oferecida sim pelo Estado aos comprovadamente hipossuficientes, do contrário, teremos surtos devastadores de todo tipo de doença em nosso território nacional.

    A educação, idem. Do contrário, teremos pessoas em extrema situação contínua de miséria e incônscias de seu papel de cidadão (Não é atoa que o grosso dos sindicatos adeptos de práticas deploráveis são pessoas que não estudaram. O Presidente Maduro na Venezuela, era motorista de ônibus antes. E o socialismo parece ter mais força em países em que a população não estudou o suficiente com qualidade para ter o mínimo de discernimento sobre suas práticas devastadoras). Para não dizer, do ponto de vista técnico, áreas econômicas impossibilitadas de crescer por ausência de mão de obra qualificada.

    A saúde, até certo ponto sim, pois há de concordar que é do interesse da coletividade, o mínimo de intervenção estatal que garanta, não de modo esculhambado e parasitário (como em Brasília), prestações mínimas e necessárias àqueles que de outro modo estariam condenadas a morte.

  • anônimo  17/05/2017 19:26
    "Não acham que o controle de natalidade tem o potencial de reduzir a desigualdade social, na medida que reduz a oferta de mão obra, aumentando a demanda pela mesma e a consequente melhor remuneração e condições de trabalho?"

    primeiro, quem disse que queremos "reduzir as desigualdades sociais"? Qual é sua base filosófica para perseguir tal objetivo?

    Segundo, não, não iria reduzir a pobreza. Riqueza é a capacidade de consumir, se a população se reduzir pela metade a produção de bens provavelmente cairá em proporção similar. (mantendo o poder de compra per capita).
    A unica forma de enriquecer uma população é através da eficiência e produtividade.

  • Carlos Guilherme  17/05/2017 20:24
    "primeiro, quem disse que queremos "reduzir as desigualdades sociais"? Qual é sua base filosófica para perseguir tal objetivo? "
    ---------------------------------

    Desigualdades sociais, quando muito aprofundadas, em uma sociedade tende a criar uma situação de desconforto. Com muita miséria de um lado, e muita prosperidade de outra; é colocado em xeque o bem estar humano de toda uma população. Ninguém gosta de ver crianças na rua pedindo dinheiro...

    Ao mesmo tempo que se torna terreno fértil em uma democracia liberal para o surgimento de ideologias deletérias como o socialismo, o nazismo e o fascismo.

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    "Segundo, não, não iria reduzir a pobreza. Riqueza é a capacidade de consumir, se a população se reduzir pela metade a produção de bens provavelmente cairá em proporção similar. (mantendo o poder de compra per capita).
    A unica forma de enriquecer uma população é através da eficiência e produtividade."
    ---------------------------------

    Será que é a única mesmo? Se você reduz a oferta de pessoas sem qualificação no mercado para o ofício de "serviços gerais", você promove uma situação em que essa pessoa poderá barganhar uma remuneração maior de seus empregadores. É assim nos países escandinavos, não? Até mesmo no Canadá. Lá é comum serviços de limpeza de casa e montagem de móveis ser feitos pelos próprios donos, pois a contratação de profissionais nesse ofício, em que pese a baixa qualificação dos mesmos, é cara.

    No Brasil temos uma oferta muito alta de mão de obra não qualificada. O que contribui de um lado para o desemprego, e de outro para os baixos salários dos mesmos. Com salários baixos vemos o crescimento desproporcional de famílias, de favelas, degradação urbana.

    Não que com isso eu defenda o controle de salários, pois do meu ponto de vista ele mais atrapalha que ajuda, mas acredito que uma população proporcional a sua capacidade de produção, reduz a miséria extrema, e gera crescimento ordenado, bem como algo subjetivo e difícil explicar, mas que todo mundo entende: "Felicidade Urbana".
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  • Engenheiro Falido  18/05/2017 10:18
    Reduzindo a oferta de mão de obra cairia a demanda por consequência;

    Desigualdade social é muito abstrato, se refere a acesso a que? consumo, renda, riqueza, dinheiro, saúde, costumes, educação, trabalho, vontade?;

    Quem estuda EA sabe que sim a humanidade funcionaria sem um estado, mas sabemos que não irá acontecer, todavia, imagine a situação:

    O Estado fornece a alimentação de seus constituintes, logo, todos acreditam ser a situação ideal, ai surge um grupo e diz que a alimentação deveria ser privatizada e livre, causaria revolta, diriam ser insanidade?

    Agora, troque a palavra alimentação por saúde, educação, segurança....

  • Carlos Guilherme  18/05/2017 13:37
    "Desigualdade social é muito abstrato, se refere a acesso a que? consumo, renda, riqueza, dinheiro, saúde, costumes, educação, trabalho, vontade?; "

    Peço desculpas, realmente usei o termo em sentido por demais genérico, causando confusão de conceitos. No caso, quando eu falei desigualdade social na significação de miséria extrema.

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    "Quem estuda EA sabe que sim a humanidade funcionaria sem um estado, mas sabemos que não irá acontecer, todavia, imagine a situação: "

    A ausência de um estado não criaria a busca por um? Digo... há uma lacuna de poder em sociedade anárquica de livre mercado. Pode acontecer de um "espertinho", resolver tomar o poder absoluta a força submetendo escravizando os demais. Nada a ver com sistema econômica, minha suposição, mas sim com a ânsia de poder inerente a todo ser, seja humano em sociedade, seja animal na natureza.
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    "O Estado fornece a alimentação de seus constituintes, logo, todos acreditam ser a situação ideal, ai surge um grupo e diz que a alimentação deveria ser privatizada e livre, causaria revolta, diriam ser insanidade?

    Agora, troque a palavra alimentação por saúde, educação, segurança.... "

    Realmente entendo o que você quer dizer, e concordo. Mas não haverá situações excepcionais que será necessário para evitar um desconforto ainda maior? Um exemplo banal... órfãos sem tutores. Se o auxílio de uma alma caridosa, ou do próprio Estado, ele estará nessa situação fadado a morte. O mercado decerto não conseguirá absorver como mão de obra um orfão em tenra idade... será necessário instituições supra-mercado para dar conta dessas situações atípicas, não?
  • Luiz Barbetta  18/05/2017 12:26
    Carlos Guilherme, reduzir o tamanho da população não vai mudar nada. Inicialmente, você pode pensar que a relação demanda x oferta de mão de obra aumentaria, pois teríamos metade da oferta de pessoas. Mas não se esqueça que se temos metade da população, temos metade também da demanda pelo produto ou serviço que o empregador está ofertando. Não se pode pensar que o número de empregos por país é fixo. Haverá tantos empregos quanto forem demandados. Você cita os países nórdicos como exemplo. A Dinamarca tem uma densidade populacional de 129 hab/km2, enquanto o Brasil possui 26 hab/km2. Se o tamanho da população definisse a taxa de desemprego e igualdade de renda, era para o Brasil ser muito superior à Dinamarca, que possui uma densidade populacional 5 vezes maior. Onde está a diferença então?
    A Dinamarca é um país com economia bastante livre e altíssima produtividade. Isso faz com que haja muitos empregos com ótimos salários. Se eu abrir uma fábrica e quiser contratar um dinamarquês por um salário de R$ 1.000,00 para apertar parafusos, eu não vou conseguir ninguém, pois todos conseguem empregos com melhor remuneração. É a produtividade das pessoas (maquinários modernos, boas técnicas, educação, ...) e a competição entre empregadores que aumenta os salários. Explicação mais aprofundada sobre esse tema já há nos artigos citados e em outros do site.
    Você está confundindo também desigualdade com pobreza ou miséria. O que você acha melhor, uma sociedade onde todos são ricos, mas alguns são mais ricos que os outros, ou uma sociedade onde todos são igualmente miseráveis? O capitalismo laissez-faire tende à primeira, enquanto o socialismo tende à segunda (porém nem tanto, pois tem sempre os ditadores e pessoas próximas que se tornam bastante ricos). Lembrando que boa parte da desigualdade que temos hoje é fruto do próprio governo, não do capitalismo em si.
  • Carlos Guilherme  18/05/2017 13:39
    Realmente, confundi os conceitos de desigualdade social com pobreza, e peço perdão por isso.

    Mas... na atual conjuntura, de um país como o nosso, que repito tem uma alta oferta de mão de obra desqualificada. Como o mercado absorverá ela?

    E na hipótese de não absorvição, o que fazer com essa grande massa?

    São questões de ordem técnica e moral, que nada tem a ver com o socialismo, até por que é nele que impera a maior das crueldades. Mas requestiono, o que fazer com uma situação dessas?
  • Luiz Barbetta  18/05/2017 16:38
    Se falta de concorrência e de produtividade são as principais causas de salários baixos, para aumentarmos os salários e a taxa de emprego, devemos tomar ações que aumentem a concorrência e a produtividade. No caso do Brasil, o governo deve parar de tomar ações que diminuam a concorrência e a produtividade. Reduzir fortemente as burocracias, permitir investimentos internos e externos e praticar políticas econômicas menos intervencionistas (moeda estável, pouco endividamento público, fim dos empréstimos subsidiados) seriam os principais passos. A economia cresce por conta própria de forma sadia se você permitir que ela cresça, resultando em um mercado mais competitivo e produtivo.
    A baixa qualificação da nossa mão de obra é realmente um problema. Mas uma economia dinâmica também é capaz de absorver essa mão de obra. A qualificação também tenderá a aumentar com o tempo nesse cenário. As próprias empresas podem buscar qualificar o profissional. Se o governo parar de se intrometer tanto no setor da educação, escolas cada vez melhores e mais baratas surgirão. A própria educação pública poderia ser privatizada e substituída por um sistema de vouchers ("vale-educação"), que tenderia a ter uma qualidade melhor e um custo menor do que o sistema atual.
  • maycon rr alves  18/05/2017 14:35

    CGuilherme


    "Desigualdades sociais, quando muito aprofundadas, em uma sociedade tende a criar uma situação de desconforto. Com muita miséria de um lado, e muita prosperidade de outra; é colocado em xeque o bem estar humano de toda uma população. Ninguém gosta de ver crianças na rua pedindo dinheiro... "

    Não há uma maneira de reduzir qualquer desigualdade de renda a longo prazo. Em um curto prazo usando políticas de distribuição você terá essa ilusão, mas em um sistema de trocas livres, ou mesmo em um País como o Brasil, aqueles que oferecerem os melhores serviços e produtos conseguiram por fim acumular mais renda que o resto da população. Outro ponto, é que se você olhar o ranking do coeficiente de gini perceberá que os países mais "igualitários" são os maios pobres e estão concentrados na África e Ásia. A mais um detalhe, com geração de riqueza é relacionada a produtividade, claramente dá para concordar que existem pessoas mais produtivas do que outras, então já há desigualdade no próprio ato de produzir. Você não acha injusto alguém que é mais produtivo, acabar pagando para os menos improdutivos? Não é também um péssimo incentivo?
    Eu concordo, ninguém gosta de crianças na rua, mas tentar corrigir um erro cometendo outro, terminará é com mais gente pobre.

    "Ao mesmo tempo que se torna terreno fértil em uma democracia liberal para o surgimento de ideologias deletérias como o socialismo, o nazismo e o fascismo. "

    Concordo até certo ponto: A maioria dos líderes desses péssimos movimentos não eram pobres, na verdade eram bastante ricos, a exceção eu acho que seriam Hitler e Mussolini, que não eram pessoas de posse, os outros: Mao, Lenin, Stalin, etc vinham de famílias bem situadas economicamente e politicamente. os pobres não tem muito tempo para pensar em política. As pessoas não importando o tamanho de sua carteira tem o costume de acreditar em qualquer oferta de paraíso, na terra ou no céu. Por isso vejo que os movimentos mencionados por você tem mais relação com a inveja e o interesse e poder do que com a desigualdade, na realidade essa é usada para ascensão ao poder.

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    "Será que é a única mesmo? Se você reduz a oferta de pessoas sem qualificação no mercado para o ofício de "serviços gerais", você promove uma situação em que essa pessoa poderá barganhar uma remuneração maior de seus empregadores. É assim nos países escandinavos, não? Até mesmo no Canadá. Lá é comum serviços de limpeza de casa e montagem de móveis ser feitos pelos próprios donos, pois a contratação de profissionais nesse ofício, em que pese a baixa qualificação dos mesmos, é cara. "
    No Brasil temos uma oferta muito alta de mão de obra não qualificada. O que contribui de um lado para o desemprego, e de outro para os baixos salários dos mesmos. Com salários baixos vemos o crescimento desproporcional de famílias, de favelas, degradação urbana.
    Não que com isso eu defenda o controle de salários, pois do meu ponto de vista ele mais atrapalha que ajuda, mas acredito que uma população proporcional a sua capacidade de produção, reduz a miséria extrema, e gera crescimento ordenado, bem como algo subjetivo e difícil explicar, mas que todo mundo entende: "Felicidade Urbana". "

    Discordo de você totalmente. Realmente a oferta e procura afetam o mercado de trabalho tanto quanto qualquer outro, mas controle de natalidade não terá necessariamente influência nessas variáveis. Como disse o "anônimo" que comentou anteriormente, se a população diminui também diminuirá a produtividade e também diminuirá as necessidades dessa população, então se não houver um sistema de livre mercado essa população continuará pobre e terá pouca alteração no aumento da renda. Caso haja livre mercado, os salários irão crescer, pois haverá a possibilidade de atender necessidades das pessoas em quanto envelhecem, em um sistema sem liberdade, provavelmente os mais velhos não terão uma vida longa. Por outro lado, se a população está crescente e não há livre mercado, o mesmo acarretará se houvesse controle de natalidade, ou algo até pior. Se houver livre mercado nessa última situação, as necessidades das pessoas continuarão crescente, necessitando de mais mão de obra em todas as áreas, por fim isso também elevará os salários, e também aconteceria de cair a natalidade da população como caiu em todos os países hoje considerados ricos, no final não será a taxa de natalidade que será importante, mas o grau de liberdade que essa população terá.
  • Dalton C. Rocha  17/05/2017 17:59
    Karl Marx teve seis filhos legítimos, dos quais três morreram crianças e outros três suicidaram-se na idade adulta. E todos os netos legítimos de Karl morreram ainda crianças. Se isto não basta, todas os suicídios dos filhos legítimos de Karl Marx e todas as mortes dos netos legítimos de Karl Marx ocorreram, com ele ainda vivo.
    O núcleo da mensagem de Karl Marx não é o extermínio de milhões de pessoas, nem o restabelecimento da escravidão, nem o culto à personalidade de ditadores comunistas. Também é engano, se acreditar que o núcleo do marxismo seja, o controle do estado por marxistas; isto vem depois. O núcleo da mensagem de Karl Marx é, a estatização da economia.

    Eu devo dizer: "Dei-me um país que tenha monopólio estatal do petróleo e, eu lhe darei um país pobre. "
    De nada adianta simplesmente se matar ou prender esquerdistas. É preciso mais do que isto, se eliminar o estatismo econômico, que é o âmago da mensagem do picareta Karl Marx. Para começo de conversa, é preciso se ver que o petróleo é dos árabes. E a Petrobrás é da CUT. É preciso se privatizar não só estatais corruptas, como terras. Só o MST, os índios e o governo tem mais de 60% do Brasil. Junte-se as áreas de preservação permanente das fazendas e quase 80% do Brasil é estatal. Mais de 90% do Brasil devia ser propriedade particular; como é na Holanda ou Inglaterra.

    Em resumo. Sem privatização, não há solução.

    Tornar um país pobre, num país rico é raridade, mas a Coréia do Sul conseguiu tal feito, graças aos governos de dois generais desde 1961 a 1988. Peço a você, que veja a palestra que começa aos seis minutos e vários segundos do site https://www.youtube.com/watch?v=axuxt2Dwe0A
  • Kissol  17/05/2017 18:35
    Do pensador português Orlando Vitorino:

    > (...) A abolição da propriedade é o que sempre definiu o antiquíssimo comunismo. Poderão os comunistas falar de meios de produção, de lutas de classes, de proletariado escravizado, de burgueses e de mais-valia. Poderão até recorrer a metáforas de origem homossexual como a da "exploração do homem pelo homem". Do que exclusivamente se trata é de abolir a propriedade. Abolida a propriedade, o comunismo atinge a única finalidade que lhe é própria, e que é também, simultaneamente, o seu ponto de partida. Ponto de partida para quê, para onde, ninguém sabe. O seu patrono moderno, Karl Marx, encolerizava-se quando lhe perguntavam o que se iria fazer depois de abolida a propriedade. Não sabia. Encolerizava-se e respondia: "Eu não faço receitas de cozinha".

    > É fácil organizar o combate pela abolição da propriedade. Ao longo da história, muitas vezes o combate se travou e muitas vezes, até, saiu vitorioso: na Esparta de Licurgo, na Morávia dos anabaptistas, no Paraguai dos Jesuítas, na Rússia dos bolchevistas... Mas, abolida a propriedade, os homens continuam a estar no mundo; continua a haver, de um lado, os homens e, de outro lado, as coisas de que é feito o mundo. Os homens não podem viver sem o mundo e a existência no mundo é uma existência de relação com as coisas. A propriedade é, precisamente, esta relação. Abolida a propriedade, que acontece? Deixa de haver mundo e as coisas que compõem o mundo? Impossível. Deixa de haver homens? Impossível. Passam os homens a viver separados do mundo? Não podem. Qual a receita que Marx se recusava a fazer? A única que os diversos cozinheiros conseguiram fazer - e a única que os comunistas, antes e depois de Marx conseguiram fazer - foi a de passarem para o Estado a posse (com a qual confundem a propriedade) das coisas. Ora o próprio Marx já havia prevenido que essa não era solução, e claramente afirmou que transferir a propriedade para o Estado seria um mal pior do que manter a propriedade nos indivíduos. Com efeito, os resultados de estatização sempre estiveram longe de ser risonhos: massacre de milhões de homens, escravidão generalizada e até instituída, etc. E se não se pode dizer que, em rigor, tenham sido uma "estatização da propriedade" todos os diversos regimes comunistas que houve ao longo da história - alguns deles bem mais duradouros do que os marxistas actuais - também de nenhum deles se pode dizer que foi risonho: o dos espartanos foi a vergonha do "milagre grego"; o dos anabaptistas evanesceu-se no caos; o de Munster evanesceu-se na sangueira; o do Paraguai, levou, em duzentos anos, um povo à idiotia...

    Ainda temos, todavia, de admitir que o comunismo não seja necessariamente um absurdo? Mas como, então, resolver? Como "receitar"? Como "cozinhar" as relações entre os homens e o mundo, uma vez abolida a propriedade?».
  • Bode  17/05/2017 19:26
    O governo cubano controla a Venezuela, através da cooptação de militares e formação de milícias armadas. É necessário deter Cuba, para que a população venezuelana se arrependa dos seus erros e constitua um governo liberal para tornar possível a retomada do crescimento.
  • Fernando  17/05/2017 19:58
    Esse trecho do esquerdista americano é idêntico ao discurso de papagaio da esquerda que temos aqui, palavras como: neoliberal, redistributivismo. Além das críticas às "políticas americanas". Faltou minha preferida: burguês.

    E nos dedos da imprensa, socialismo vira "chavismo". É... complicado.

  • reinaldo schroeder  18/05/2017 10:56
    Deixem-me fazer uma pergunta tola, já que sou praticamente leigo em economia:
    Uma vez que o socialismo na Venezuela já extinguiu todos os meios de produção e distribuição de bens e serviços, como a elite e burocratas ainda se sustentam?
    Quero dizer, se não há mais produção nem de comida e outros itens básicos, não há mais nada para ser espoliado do povo (parece que nem petróleo estão produzindo), há ainda alguma chance deste sistema continuar funcionando ou o colapso total está batendo à porta e o país irá se tornar um ambiente de escambo?
  • Arthur  18/05/2017 12:54
    Da mesma maneira que a elite cubana e soviética faziam: usando dólares (no caso da Venezuela, com a exportação de petróleo) e então adquirindo produtos importados.

    É por isso que comunismo é o sistema mais desigual que existe: a elite burocrática continua vivendo nababescamente, e o povão passa a comer ratos.

    O socialismo latino-americano: um grande negócio para os ricos e um pesadelo para os mais pobres
  • reinaldo schroeder  18/05/2017 13:45
    Então ainda há algum comércio, do qual o povo é totalmente excluído.
  • Ninguem Apenas  18/05/2017 15:37
    "Uma vez que o socialismo na Venezuela já extinguiu todos os meios de produção e distribuição de bens e serviços, como a elite e burocratas ainda se sustentam? "


    Nenhuma sociedade consegue ser 100% socialista, alguma forma de comercio e de economia de mercado ainda que ilegal sempre vai operar. Uma sociedade 100% planificada é impossível de ser vista na prática, Mises provou em 1920. A União Soviética tinha cerca de 50% de economia privada, legal e ilegal. Pois até permitia que alguns investimentos privados ocorressem em seu território(da pior forma, é claro).

    Sim, ainda existe alguma coisa de propriedade privada na Venezuela, mas os burocratas conseguem seu luxo não por meio dela, mas porque a elite vive em "ilhas" isoladas aonde conseguem seus recursos como o Arthur comentou, nessas "ilhas", o socialismo passa longe!
  • saoPaulo  18/05/2017 19:47
    - Sr. D'Anconia, o que acha que vai acontecer com o mundo?
    - Exatamente o que ele merece.
    - Ah, mas como o senhor é cruel!
    - A senhora não acredita na lei moral, madame? – perguntou Francisco, muito sério. – Eu acredito.

    Rearden ouviu Bertram Scudder, que estava fora do grupo, dizer a uma moça que emitira algum som que traduzia indignação:

    - Não se incomode com ele. Sabe, o dinheiro é a origem de todo o mal, e ele é um produto típico do dinheiro.

    Rearden achou que Francisco não deveria ter ouvido o comentário, porém o viu se virar para eles com um sorriso muito cortês.

    Então o senhor acha que o dinheiro é a origem de todo o mal? O senhor já se perguntou qual é a origem do dinheiro? O dinheiro é um instrumento de troca, que só pode existir quando há bens produzidos e homens capazes de produzi-los. [...]

    Mas o senhor diz que o dinheiro é feito pelos fortes em detrimento dos fracos? A que força o senhor se refere? Não é à força das armas nem dos músculos. A riqueza é produto da capacidade humana de pensar. Então o dinheiro é feito pelo homem que inventa um motor em detrimento daqueles que não o inventaram? O dinheiro é feito pela inteligência em detrimento dos estúpidos? Pelos capazes em detrimento dos incompetentes? Pelos ambiciosos em detrimento dos preguiçosos? O dinheiro é feito – antes de poder ser embolsado pelos pidões e pelos saqueadores – pelo esforço honesto de todo homem honesto, cada um na medida de sua capacidade. O homem honesto é aquele que sabe que não pode consumir mais do que produz. Comerciar por meio do dinheiro é o código dos homens de boa vontade. O dinheiro baseia-se no axioma de que todo homem é proprietário de sua mente e de seu trabalho. [...]

    O dinheiro exige o reconhecimento de que os homens precisam trabalhar em benefício próprio, e não em detrimento de si próprio; para lucrar, não para perder; de que os homens não são bestas de carga, que não nascem para arcar com o ônus da miséria; de que é preciso oferecer-lhes valores, não dores; de que o vínculo comum entre os homens não é a troca de sofrimento, mas a troca de bens. [...]

    Mas o dinheiro é só um instrumento. Ele pode levá-lo aonde o senhor quiser, mas não pode substituir o motorista do carro. Ele lhe dá meios de satisfazer seus desejos, mas não lhe cria desejos. [...]

    [...]

    Quer saber se este dia se aproxima? Observe o dinheiro. O dinheiro é o barômetro da virtude de uma sociedade. Quando há comércio não por consentimento, mas por compulsão – quando para produzir é necessário pedir permissão a homens que nada produzem – quando o dinheiro flui para aqueles que não vendem produtos, mas influência – quando os homens enriquecem mais pelo suborno e favores do que pelo trabalho, e as leis não protegem quem produz de quem rouba, mas quem rouba de quem produz – quando a corrupção é recompensada e a honestidade vira um sacrifício – pode ter certeza de que a sociedade está condenada. [...]

    [...]

    Algumas pessoas haviam ouvido, mas agora se afastavam, e outras diziam: "é horrível!"; "Não é verdade!"; "Que egoísmo!". Falavam ao mesmo tempo alto e discretamente, como se quisessem que aqueles que estavam ao lado ouvissem, mas não Francisco.

    - Sr. D'Anconia – disse a mulher dos brincos -, não concordo com o senhor!
    - Se a senhora puder refutar uma só frase que eu disse, madame, lhe agradecerei.
    - Ah, não posso responder ao senhor. Não tenho respostas, minha mente não funciona assim, mas eu não sinto que o senhor tenha razão, portanto sei que o senhor está errado.
    - Como a senhora sabe disso?
    - Eu sinto. Não me guio pela cabeça, mas pelo coração. Sua lógica pode estar certa, mas o senhor não tem coração.
    - Minha senhora, quando as pessoas estiverem morrendo de fome ao nosso redor, seu coração não vai ajudá-las em nada. E, já que não tenho coração, eu lhe digo: quando a senhora gritar "Mas eu não sabia!", não terá perdão.
  • Roger  19/05/2017 03:05
    Prefiro mil vezes viver num país de desiguais , mas com liberdade do que viver num país onde todos são iguais, na miséria, e sem liberdade!


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